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TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO

São Paulo

 

Registro: 2012.0000113009

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 0140233- 58.2011.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que é apelante SOCIEDADE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO RENASCENTISTA sendo apelado PRISCILA ALVES ARAÚJO DE OLIVEIRA (JUSTIÇA GRATUITA).

ACORDAM, em 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores VIRGILIO DE OLIVEIRA JUNIOR (Presidente) e MAIA DA ROCHA.

São Paulo, 14 de março de 2012

ITAMAR GAINO

RELATOR

Assinatura Eletrônica

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Voto n : 27025 Apel. n : 0140233-58.2011.8.26.0100

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Voto n : 27025 Apel. n : 0140233-58.2011.8.26.0100 COMARCA: SÃO PAULO APTE. : SOCIEDADE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO RENASCENTISTA APDO. : PRISCILA ALVES ARAÚJO DE OLIVEIRA

Prestação de serviços educacionais Entrega de diploma Danos morais Dosagem da indenização.

1. A demora injustificada da instituição de ensino na entrega de diploma e histórico escolar é apta a acarretar danos morais ao aluno, quando as circunstâncias do caso concreto demonstram que os efeitos daquela omissão extrapolaram os limites do mero aborrecimento.

2. Arbitra-se a indenização de danos morais com vistas especialmente à sua intensidade, observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

Negado provimento ao recurso.

Trata-se de recurso de apelação contra sentença de fls.115/122, cujo relatório se adota, que julgou parcialmente procedente a ação de obrigação de fazer cumulada com indenização por danos morais, condenando a ré ao pagamento de indenização da quantia de R$5.000,00.

Alega a ré-apelante, em breve síntese, que: em razão de não possuir o status de universidade, depende delas para registrar os diplomas que emite; cumpriu com a sua obrigação e emitiu o diploma da autora dentro de prazo razoável; os motivos para o atraso na confecção do documento foram demonstrados nos autos; a autora não sofreu qualquer prejuízo em razão dessa demora; a indenização foi fixada de modo excessivo.

Recurso tempestivo, preparado e respondido.

É o relatório.

O recurso não merece prosperar.

A autora concluiu seu curso de graduação em letras e

colou grau em março de 2008, sendo que solicitou seu diploma e histórico escolar em novembro de 2008.

Porém, a entrega do diploma somente ocorreu em 29.06.2011, após o ajuizamento desta demanda, na audiência de conciliação aqui realizada (fl. 56/57), enquanto a do histórico se deu em

Apelação nº 0140233-58.2011.8.26.0100 - São Paulo - VOTO Nº 2/4

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo 01.07.2011. Esse prazo ultrapassa, e em muito, aquele

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01.07.2011.

Esse prazo ultrapassa, e em muito, aquele considerado razoável para uma instituição de ensino fornecer o diploma e o histórico escolar aos seus alunos.

Ademais, como anotado na sentença, a ré, mesmo intimada, não demonstrou quando cumpriu todos os trâmites para expedição dos documentos, não se desincumbindo do ônus que lhe competia.

Desta forma, restou caracterizada a falha na prestação de serviço que, nesse caso, foi apta a causar danos morais à autora.

De acordo com Sergio Cavalieri Filho, "a prova do dano moral não pode ser feita através dos mesmos meios utilizados para a comprovação do dano material. Seria uma demasia, algo até impossível,

exigir que a vítima comprove a dor, a tristeza ou a humilhação através de

Neste ponto, a razão se coloca

depoimentos, documentos ou perícia (

ao lado daqueles que entendem que o dano moral está insito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma satisfação de ordem pecuniária ao lesado.” (Programa de Responsabilidade Civil, 4ª Ed , pág

).

102)

Note-se que a intranqüilidade que a situação proporcionou à autora, com a necessidade de ingresso ao judiciário para obter o diploma e seu histórico escolar, e também a sua angústia em não poder exercer a profissão em sua plenitude ou cursar pós-graduação, demonstram que os transtornos suportados em razão daquela prática abusiva extrapolaram os limites do mero dissabor, inerente à vida cotidiana, justificando a fixação de verba indenizatória.

Esse é o entendimento deste Tribunal, que considerou a ocorrência de danos morais em situações análogas:

INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - Honorários Hipótese em que o autor pleiteia majoração do valor da indenização por danos morais e materiais, ante aos abalos psicológicos e financeiros, posto que o diploma era imprescindível para sua inscrição junto ao CREF (Conselho Regional de Educação Física) - Possibilidade, todavia, de inscrição apenas com certificado de conclusão constando à data da colação de grau, o que não afasta o dever de indenizar ante a injustificada demora na entrega, do diploma - Quantum indenizatório adequadamente arbitrado, e bem fixados os ônus da sucumbência, eis que o autor decaiu de parte de seu pleito - Ré que poderá, após indenizar o autor, ressarcir-se da instituição de ensino a quem imputa o fato danoso, se, de fato, esta o houver dado causa - Recursos desprovidos. (Apelação 0006715-17.2010.8.26.0161, Rel. Rizzato Nunes, 23ª Câmara de Direito Privado, d.j. 16.03.2011)

Apelação nº 0140233-58.2011.8.26.0100 - São Paulo - VOTO Nº 3/4

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Responsabilidade civil - Indenização - Reposição dos danos

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Responsabilidade civil - Indenização - Reposição dos danos materiais e morais - Aluno que, depois de formado, recebe o diploma com atraso desarrazoado - Entrega somente mediante antecipação de tutela com aceno de multa processual - Ação procedente em parte - Indenização bem estimada - Sentença incensurável - Apelação desprovida. (Apelação 0288880-38.2010.8.26.0000, Rel. Luiz Sabbato, 17ª Câmara de Direito Privado, d.j. 25.08.2010)

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. Prestação de serviços educacionais. Não cumprimento da obrigação assumida pela instituição de ensino quanto ao prazo de entrega do diploma de conclusão do curso. Demora que afronta o previsto no art. 22 do Código de Defesa do Consumidor. Frustração de expectativa que caracteriza lesão anímica apta a ensejar indenização por danos morais. Lucros cessantes. Ausência de demonstração. Indenização que não pode decorrer de mera expectativa. Recurso provido em parte. (Apelação 0141480-93.2005.8.26.0000, Rel. Dimas Rubens Fonseca, 27ª Câmara de Direito Privado, d.j. 24.11.2009)

No que toca ao quantum indenizatório, sua dosagem deve dar-se com base em certos parâmetros, que têm sido consagrados pela doutrina e pela jurisprudência, como as condições econômicas e sociais das partes e a intensidade do dano, buscando-se, por meio da reparação, dar conforto psicológico à vítima e, ao mesmo tempo, sancionar o causador do fato, a fim de que evite a reincidência, atendidos os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.

Nesse passo, de acordo com esses parâmetros e com os critérios adotados por esta Câmara em casos semelhantes, verifica-se como razoável a quantia de R$5.000,00 (cinco mil reais), arbitrada na sentença.

Essa verba não estabelece perigoso precedente que possa transmudar uma pretensão legítima de reparação de dor moral em enriquecimento injustificado, e, por outro lado, impele a ré, sendo assim apenada, a ser mais cuidadosa quando da concretização de suas operações, evitando que se repita o quadro retratado nestes autos.

Ante o exposto, nega-se provimento ao recurso.

ITAMAR GAINO

Relator

Apelação nº 0140233-58.2011.8.26.0100 - São Paulo - VOTO Nº 4/4