Cinética Linear

BIOMECÂNICA CINÉTICA LINEAR
III CINÉTICA LINEAR ...................................................................................................................................................... 2 III.1 A FORÇA ....................................................................................................................................................................... 2 III.2 A MASSA ...................................................................................................................................................................... 3 III.3 LEIS DE NEWTON............................................................................................................................................................ 3 III.3.1 Lei da Inércia (1ª Lei de Newton)....................................................................................................................... 3 III.3.2 Lei Fundamental da mecânica (2ª lei de Newton)............................................................................................. 5 III.3.3 Lei da Acção e Reacção (3ª lei de Newton) ....................................................................................................... 6 III.4 IMPULSO DE UMA FORÇA ................................................................................................................................................. 7 III.5 IMPACTO ...................................................................................................................................................................... 9 III.6 ESTABILIDADE E EQUILÍBRIO ............................................................................................................................................ 11 III.6.1 Centro de massa .............................................................................................................................................. 11 III.6.2 Análise segmentar e cálculo do centro de massa (CM) ................................................................................... 11 III.6.3 Centro de pressão ............................................................................................................................................ 15 III.6.4 Estabilidade, treino de equilíbrio/ proprioceptivo e reabilitação .................................................................... 16 III.7 TIPOS DE FORÇA: ALGUNS CASOS ESPECÍFICOS .................................................................................................................... 17 III.7.1 A força gravítica .............................................................................................................................................. 17 III.7.2 A força de reacção do solo .............................................................................................................................. 18 III.7.3 A força de atrito .............................................................................................................................................. 21 III.7.4 Representação de forças: Diagrama de corpo livre......................................................................................... 26 III.7.5 A força elástica ................................................................................................................................................ 27

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Cinética Linear

III Cinética linear

III.1 A força
No capítulo anterior o movimento foi descrito tendo em conta parâmetros no tempo e no espaço (posição, velocidade e aceleração) sem ter em conta as causas desse movimento, as forças e os mecanismos para a mudança do mesma. Neste capítulo iremos começar o estudo da cinética ou dinâmica do movimento. O termo dinâmica tem origem do grego dynamike e significa forte. Em física, a dinâmica/cinética é um ramo que estuda as relações entre as forças e os movimentos por elas produzidos. Segundo Enoka (2002) a força é um conceito usado para descrever a interacção física de um objecto com o meio que o rodeia. Deste modo, a força pode ser considerada como um parâmetro que tende a produzir uma alteração do estado de repouso ou de movimento de um objecto, isto é, a força é a causa de mudanças no movimento. A força é uma grandeza vectorial. A unidade SI de força é o Newton (N), sendo 1N a força necessária para produzir uma aceleração de 1m/s num objecto com massa de 1kg. As forças contribuem para diversas tarefas: colocar um objecto em movimento, parar o movimento de um objecto, alterar a direcção em que se move um objecto, alterar a velocidade em que se move um objecto, equilibrar outras forças para manter um objecto em movimento constante ou parado, alterar a forma de um objecto. As forças mais comuns que afectam o movimento do corpo humano são as produzidas pela musculatura e sistema interno de ligamentos e tendões (forças internas), e as forças externas decorrentes da gravidade, inércia e contacto. Assim, ao analisar uma técnica desportiva é necessário ter em conta as seguintes forças externas: 1. força gravítica 2. força de reacção normal do solo (FRS) 3. força de fricção entre os apoios e o solo (força de atrito) 4. resistência do ar A força nem sempre gera movimento num corpo, tal como pode existir movimento na ausência de forças. Torna-se, assim, importante distinguir duas situações: 1. 2. Equilíbrio estático: quando a resultante das forças é nula e o objecto não sofre alteração na Equilíbrio dinâmico: quando a resultante das forças é nula mas o corpo encontra-se em sua posição (repouso) movimento (com velocidade constante – movimento rectilíneo uniforme). A interacção de dois corpos raramente implica apenas uma força. O efeito das forças que actuam em determinado sistema é verificado pela força resultante. Esta deriva da adição dos vectores de duas ou mais
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: remate nos desportos colectivos directo. as forças exercidas pelos músculos nas articulações. são aquelas forças que são originadas Forças de campo: quando um objecto altera o movimento do outro sem precisar do contacto pelo contacto entre 2 objectos. A força pode ser aplicada de uma forma concentrada ou de forma distribuída.Cinética Linear forças que actuam no sistema e reflecte. As primeiras são aquelas que envolvem as interacções mecânicas no sistema músculo-esquelético. Deste modo. expressa em Newton. portanto. fundamental abordar este tema no estudo da dinâmica. em kilogramas (kg). de uma grandeza escalar cujo valor é independente do envolvimento do objecto. Estas leis consistem num conjunto de princípios sobre o movimento e são a base da mecânica. o seu peso será de 81.2 A massa A massa é a quantidade de matéria. para ser gerada força. força gravítica. Torna-se. Ex. Porém. Forças de contacto: como o próprio nome indica. por exemplo. o efeito de “rede” de todas as forças que actuam em conjunto. que um corpo possui. III. Trata-se. uma grandeza vectorial.) sendo impostas ao corpo humano para alterar a sua energia mecânica. Para haver interacção entre dois corpos. sendo uma propriedade intrínseca a este. no século XVII. III. 2.: força gravítica e força eléctrica (ímanes) Por outro lado.1 Lei da Inércia (1ª Lei de Newton) Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . As forças externas derivam da massa corporal e do envolvimento (ex. III. portanto. enquanto que na Lua. Deste modo pode ser feita a seguinte distinção: 1. não é necessário haver contacto entre eles.75N. Força distribuída é aquela que é aplicada sobre uma área e que pode ser aproximada a uma força concentrada que tem o mesmo efeito resultante. Por exemplo.5 N na Terra.3. as forças podem ser internas ou externas. etc. um corpo com massa de 50kg pesará 490. força de atrito. São leis fundamentais da natureza que não podem ser deduzidas ou provadas a partir de qualquer outro princípio.3 Leis de Newton As leis de Newton foram publicadas pelo físico e matemático britânico Isaac Newton (1642-1727). a massa não deve ser confundida com a grandeza peso. assim. Ex. Força concentrada é aquela que é aplicada num único ponto. Este conceito será melhor explorado em tópicos seguintes. no seu livro Philosophiae Naturalis Principia Mathematica (vulgarmente conhecido por Principia). O peso de um corpo é o módulo da força gravitacional exercida pelo planeta sobre esse corpo.

uma maior amplitude de movimento permitirá a aplicação de uma força durante mais tempo. Este facto é explicado através da primeira lei de Newton. Assim. mas desta vez sem o cavalo. É. quando há mudança de velocidade. portanto. Ilustração . Contudo. a não ser que seja compelido a mudar esse estado devido à acção de forças. A pessoa só altera o seu movimento. segundo a lei. tornando-se fundamental a sua descrição. existem momentos em que as forças realizadas sobre o corpo humano devem ser reduzidas para se prevenirem lesões.” Todo o corpo permanece no seu estado de repouso. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare. é fundamental a quantidade de velocidade que um objecto ganha. O conceito de inércia sustenta esta lei. ou de movimento uniforme rectilíneo. A pessoa que ia em cima do cavalo é projectada para a frente. Existem outros eventos em que a redução da intensidade da força é apropriado.Cinética Linear “Lex I: Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum. o cavaleiro continua o movimento que estava a ter. Por exemplo. ou seja. externo ou ambos. só cai do cavalo porque lhe são aplicadas duas forças: a resistência do ar. ou seja. pois o cavalo pára e. resultando numa maior velocidade de saída do objecto arremessado. Como a força só actua no cavalo. em desportos como o cricket e o judo. por isso. se dois jogadores de râguebi estiverem a correr à mesma velocidade. a propriedade da matéria de um objecto. este assusta-se e trava bruscamente. e a força da gravidade. De acordo com esta lei. Quanto maior for a massa de um corpo. Por exemplo: parar objectos ou o próprio corpo humano quando chega ao solo. a trajectória de um projéctil seria rectilínea se no planeta Terra não existissem forças que actuassem sobre ele (atrito e gravidade).Sem atrito nem gravidade o projéctil disparado por um canhão manter-se-ia uma trajectória rectilínea (b) ao contrario do que se passa na realidade (a) Imaginemos que. Nas tarefas de arremesso. num passeio a cavalo. seja interno. A inércia é a resistência que o corpo oferece a alterar o seu estado de movimento e é medida através da massa. maior é a dificuldade em alterar o seu movimento e. As forças produzem movimento. irá ser mais fácil placar o jogador mais leve já que este irá oferecer menor inércia. Isto dependerá da magnitude da força e do tempo em que esta actua. um corpo só altera o seu estado de movimento se actuar sobre ele uma força. maior é a sua inércia. que só é revelada quando ele é acelerado.

ou a mão do jogador de voleibol e a bola num remate. Se só uma força externa pode alterar a quantidade de movimento de um corpo ou objecto então: ) ou quantidade de movimento é uma grandeza vectorial que traduz. da O que significa que se a força (resultante de forças) for nula a quantidade de movimento mantém-se constante e tem-se uma situação de conservação do momento linear.” Se uma força externa actua sobre uma partícula. A grandeza momento linear ( sua inércia e da sua velocidade.2 Lei Fundamental da mecânica (2ª lei de Newton) “Lex II: Mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae. como o próprio nome indica a quantidade de movimento de determinado corpo ou objecto dependendo. Relembre a derivada de uma constante é zero A nível de performance humana esta situação poderá ser observada.Cinética Linear Só a força pode. etfieri secundum lineam rectam qua vis illa imprimitur. Ilustração: Exemplo comum de conservação do momento linear: as colisões III. por isso. nos movimentos que os patinadores realizam no solo (por exemplo piruetas) em que o peso se anula com a reacção normal do solo ou em colisões ideais (sem perdas de energia). A nível desportivo. Isto significa que a aceleração de um corpo é directamente proporcional à resultante das forças aplicadas a um corpo e é inversamente proporcional à massa desse corpo.3. temos como exemplo a colisão entre a bola de ténis e a raquete num serviço. alterar a quantidade de movimento de um objecto. por exemplo. esta move-se de acordo com a alteração instantânea da quantidade de movimento que esta força gera. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . deste modo.

Pela 1ª Lei sabemos a força é a alteração da quantidade de movimento de um corpo Relembrando a regra de derivação do produto Onde: = quantidade de movimento ou momento linear = massa =velocidade = força (externa) Que forças actuam na cabeça de um futebolista quando este cabeceia a bola? Se a vi da bola quando contacta a cabeça for 22m/s.5 (17-(-22))/0.06s : F=ma a = (vf . Quanto mais intensa for a força resultante.3.06 = 325 N Este é um valor típico de forças que acontecem durante o cabeceamento num jogo de futebol.3 Lei da Acção e Reacção (3ª lei de Newton) “Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.” A toda a acção de um corpo sobre outro corresponde uma reacção do segundo sobre o primeiro. III. de igual módulo e direcção mas com sentido oposto.5kg e o tempo de contacto for 0. é comum as concussões acontecerem. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . este adquire uma aceleração cuja intensidade depende da intensidade da força aplicada. a vf da bola quando sai da cabeça do jogador for 17m/s. maior será a aceleração adquirida pelo corpo. Partindo desta lei pode ser deduzida a equação que permite o cálculo da força. sendo aplicada uma força externa num corpo.Cinética Linear Vimos na 1ª lei que o corpo só altera o seu estado de movimento se lhe for aplicada uma força. Esta segunda lei afirma que. a massa da bola for 0.vi) / t Como vi e vf têm sentidos opostos. têm sinais contrários.vi) / t F = m (vf . F = 0. Considerando que um jogador cabeceia a bola várias vezes ao longo de um jogo.

numericamente como o produto da força média (N) e o tempo (s) (valor médio para um intervalo de tempo) ou como o integral da força e relação ao tempo (valor desta grandeza para cada instante da tarefa). como já vimos no início deste capítulo. é bom relembrar que para haver interacção entre dois corpos não é preciso que estes estejam em contacto (ver diferença entre forças de contacto e forças de campo). No entanto. Isto é. Se A FB for Acção Reacção a força que A exerce sobre B. o corpo A deve ser igualmente actuado por uma reacção B FA exercida por B sobre A. de tal forma que Ilustração 1: Representação esquemática da Lei da acção reacção Note que. A força de reacção é sempre perpendicular à superfície sobre a qual é aplicada. III. como se mostra na ilustração que se segue. para cada acção existe uma reacção contrária com a mesma intensidade.Cinética Linear Sempre que uma força actua sobre um corpo. maior a força de reacção. O impulso é a grandeza vectorial que mede o efeito de uma força resultante sobre um corpo ou sistema durante um determinado período de tempo. para esta lei se concretizar é necessário existirem sempre dois corpos diferentes. então pela lei da acção e reacção. É calculado através da expressão: Graficamente o impulso irá traduzir-se na área sob uma curva de força/tempo (ver ilustração seguinte). A força de acção é aquela que o atleta aplica sobre os blocos e a força de reacção é aquela que é exercida sobre o seu pé. uma força igual mas oposta actua sobre este. Quanto maior a força exercida sobre os blocos. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Um exemplo é a partida de blocos numa corrida de 100m. Esta lei pode representar-se graficamente por dois corpos A e B que actuam mutuamente um sobre o outro (neste exemplo à distância). Neste exemplo da partida de blocos. Assim. a acção e a reacção actuam em corpos diferentes.4 Impulso de uma força O movimento de um corpo depende não apenas da força a que é submetido mas também da duração da aplicação dessa força. será um vector perpendicular ao bloco onde o pé assenta.

Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . durante o mesmo período de tempo.Cinética Linear Ilustração – Interpretação gráfica do conceito de impulso (Adaptado de (R. A relação entre estas duas grandezas deriva directamente da 2ª Lei de Newton e é denominada por teorema do impulso e do momento. podemos determinar o impulso aplicado a essa bola. se filmarmos um atleta a executar um remate de voleibol e soubermos a massa ( ) da bola. quer com o aumento da duração de aplicação da força. 2002) O impulso aumenta quer com o aumento da intensidade da força aplicada. Enoka. Da filmagem retira-se a velocidade da bola antes ( ) e após o contacto do ( ) e o tempo total em que a mão está em contacto com a bola ( ). Por exemplo. O impulso derivado de uma força resultante externa actuando numa determinada direcção sobre um sistema é equivalente à variação do momento linear do sistema nessa direcção.

Após o impacto. o impacto envolve uma colisão onde uma grande quantidade de força actua durante um breve período de tempo. Numa colisão perfeitamente elástica. os dois objectos são submetidos a um período de deformação e a um período de restituição (regresso à forma original). a preocupação orienta-se para a prevenção de lesões. Existem dois tipos de impacto: Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Na parte final do impacto. as velocidades relativas dos dois objectos após o impacto (velocidades de separação) são iguais. Na parte inicial do impacto. Em termos do impacto que o corpo humano recebe. particularmente em desportos de contacto. uma bola de ténis está em contacto com as cordas de uma raquete por apenas alguns milisegundos. as velocidades dos dois objectos estão dependentes das suas velocidades antes do impacto e da qualidade e natureza do impacto.) num curto espaço de tempo. Numa colisão inelástica. as velocidades relativas dos objectos após o impacto são inferiores às velocidades antes do impacto e parte da energia total do movimento é perdida (podendo transformar-se em calor associado ao processo de deformação e restituição). quer a bola quer a raquete voltam à sua forma inicial.5 Impacto O termo Impacto significa “pressionar junto de”. podemos determinar a força media exercida pelo voleibolista durante o contacto: III. A força actuante durante o impacto tem dois efeitos: parte da energia é absorvida e perdida através da deformação dos objectos. como por exemplo uma parede. Existem muitas actividades desportivas onde os objectos colidem uns com os outros (taco de golfe e bola. Por exemplo. e ainda para a recuperação do equilíbrio e estabilidade. Pode ocorrer vertical e horizontalmente como um movimento de queda ou quando um corpo é parado por contactar com uma superfície resistente. uma colisão ou uma pancada entre dois ou mais objectos. envolvendo forças de contacto de grandes intensidades e resultando em alterações rápidas de quantidade de movimento em um ou ambos os objectos que colidem. raquete de ténis e bola.Cinética Linear Pelo teorema do impulso e do momento: Como sabemos o tempo de contacto ( ). durante o breve período do tempo de contacto. a bola achata-se e as cordas distorcem. Para além disso. O impacto está relacionado com as forças de contacto no desporto. e a restante força altera a direcção dos objectos. tal como as velocidades antes do impacto (velocidades de aproximação). etc. Assim.

. a equação é simplificada ficando: impacto de qualquer objecto sobre si é 0. a sua velocidade imediatamente antes do impacto é determinada pela altura a que a bola é largada: onde é zero. por exemplo. Por exemplo. ao chegar ao solo irá descer as ancas sobre os pés. O coeficiente de restituição (e) é um índice que mede a elasticidade de um impacto. o CM está centrado o melhor possível na base de suporte. Existem igualmente dois princípios a realçar relativamente à manutenção e recuperação do equilíbrio após uma situação de impacto: 1. O equilíbrio é melhorado quando existe uma grande base de suporte na direcção da força. Perfeitamente plástico: os objectos deformam e permanecem juntos. aumentando assim a estabilidade. Quanto mais gradual for a perda de momento linear do corpo. um atleta de salto em comprimento. menor a quantidade de força aplicada por unidade de superfície. pela forma e tamanho dos objectos. O sinal negativo na equação é necessário porque as velocidades antes e após o impacto são em direcções opostas. a altura que a bola alcança após o impacto é proporcional à raiz quadrada da velocidade da bola imediatamente após o impacto. menor a força exercida no corpo. A velocidade relativa entre os objectos é nula após o impacto. sabe-se que quando uma bola é largada sobre uma superfície fixa. A intensidade da velocidade relativa dos objectos após o impacto é igual à velocidade antes do impacto. Grande parte dos impactos tem características intermédias. 2. Para prevenir lesões aquando do impacto. Este índice depende em grande parte da natureza dos materiais que constituem os objectos que colidem. Varia entre 0 e 1. enquanto que um e igual a 0 reflecte uma colisão perfeitamente plástica (ou inelástica). Do conhecimento adquirido acerca do movimento uniformemente variado. dois princípios devem ser considerados: 1. É igualmente afectado pela velocidade do impacto. Quanto maior a área que recebe o impacto. Um e igual a 1 reflecte uma colisão perfeitamente elástica. o e é a razão das velocidades relativas dos objectos que colidem antes e após o impacto: Onde: são as velocidades dos dois objectos imediatamente após o impacto e são as suas velocidades imediatamente antes do impacto. Para impactos entre. uma bola e o chão. Observando esta equação verifica-se assim que a velocidade é proporcional à raiz quadrada da altura. da localização específica em cada objecto onde ocorre a colisão e das suas temperaturas. No momento do impacto. já que a velocidade do chão antes e após o Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . De forma similar. Em termos quantitativos. 2.Cinética Linear Perfeitamente elástico: não se perde energia durante o impacto.

que acontece normalmente no movimento humano. caso esse equilíbrio tenha sido perturbado. o centro de gravidade da totalidade do corpo humano depende da colocação relativa dos centros de gravidade dos corpos parciais. é possível simplificar mais a equação do coeficiente de restituição para este caso específico: . na análise do movimento humano. III. A sua determinação é um aspecto fundamental na maioria das análises biomecânicas. a posição do centro de massa também se move. Quanto ao centro de gravidade (CG). o centro de massa de um atleta deve projectar-se no centro da sua base. Desta forma. um diagrama de corpo livre mostra o contacto entre a cabeça de um jogador e uma bola de futebol como ocorrendo num ponto. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . onde corresponde à altura do ressalto da bola e a altura a que a bola é largada. Como já foi referido acima. III.6. Assim. quando a massa do objecto é redistribuída.6. maior é a sua capacidade de resistir a maiores forças. através da derivação de equações de regressão.6 Estabilidade e equilíbrio A estabilidade é a capacidade de um objecto resistir a uma ruptura de equilíbrio e de regressar ao seu estado original. Para se manter em equilíbrio. Com objectos de forma regular é fácil prever a localização do centro de massa contudo. Como acontece com muitas forças. O equilíbrio é a capacidade de controlar a oscilação do corpo. um local onde todas as partes do corpo estão uniformemente distribuídas e que é independente de qualquer campo gravítico. trata-se do ponto de aplicação da força resultante do somatório do conjunto de forças de atracção da Terra (o ponto de aplicação de vector que representa o peso do corpo). embora ele se distribua sobre uma área grande da testa. é essencial aprofundar um pouco o conhecimento do conceito de centro de massa e da sua forma de cálculo para o corpo humano. com as alterações da forma do corpo humano durante o movimento. III.1 Centro de massa O centro de massa (CM) representa um ponto de equilíbrio. o peso é uma força distribuída cujo efeito se representa como actuando numa posição central. a posição do CG corresponde à posição do CM. a localização do centro de massa é menos previsível. No ser humano. Quanto mais estável for um corpo ou objecto.2 Análise segmentar e cálculo do centro de massa (CM) Diversos grupos dos investigadores dissecaram cadáveres na tentativa de estimação de valores antropométricos (pesos e posição dos centros de massa segmentares) para os diferentes segmentos do corpo humano.Cinética Linear Assim. Por exemplo. Da mesma forma. o centro de massa nesse ponto do objecto é o ponto sobre o qual a massa do objecto é distribuída uniformemente.

usado um procedimento chamado análise segmentar.022 Fp + 4. De forma semelhante. à direita Zatsiorsky e Seluyanov. Reynolds.1. 0. 1975 .6. medido a partir da sua parte proximal. Com a ajuda da tabela acima apresentada pode calcular-se a posição do centro de massa de cada segmento.3 40 Inicio da localização Vertex C1 Articulação do ombro Articulação do cotovelo Articulação da mão Articulação da anca Articulação joelho Pé Os pesos dos segmentos do corpo são estimados em função do peso total do corpo. Este procedimento considera o corpo humano como um conjunto de corpos rígidos (segmentos) e trata-os individualmente.41 0.005 × 750 + 0. Clauser. Se o comprimento da coxa de um indivíduo é de 36 cm. Peso da mão = 0.044 FP .48. a partir desta informação.75 = 4. Peso do tronco = 0.14.532 × 750 − 6.93 0.5N O qual representa aproximadamente 0.00'5 Fp + 0. McConville.14 segmentos).398 = 14. normalmente. por exemplo.2 50. em função da tabela acima apresentada. Ilustração .82 0. Assim. então o centro de massa fica situada a 39.8% da distância da articulação coxofemural: Localização do CM = 36 × 0.6% do peso do corpo.3cm da articulação coxo femoral Para determinar as coordenadas da posição do centro de massa de todo o corpo durante o movimento é. e as posições do CM são expressas em percentagem do comprimento do segmento.5 39. e Young.7 51.7 41.009 FP + 2.032 Fp +18. o cálculo da localização do centro de massa para o corpo inteiro.127 FP .3 52.013 Fp + 2.75 0.75.8 41. Uma análise segmentar envolve o cálculo da massa e da posição do centro de massa (CM) para cada segmento do corpo e. 1983 os 16 segmentos Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana .93 = 392N O que perfaz ±52.% do total do peso corporal.76 0.532Fp. Chandler.Cinética Linear Tabela: Equações de regressão com as estimativas do peso e da localização do centro de massa de cada segmento corporal Segmento Cabeça Tronco Braço Antebraço Mão Coxa Perna Pé Peso (N) 0.70 0.Segmentação do corpo usada em dois estudos: à esquerda . um indivíduo com 750N de peso tem. Localização CM (%) 66.

metatársico-fal A determinação numérica do CM compreende.006 0.500 c. isto é. Para determinar a massa aproximada de um segmento para um determinado executante basta aplicar as proporções estabelecidas na tabela a baixo. art.c. o movimento é a causa fundamental da variação da colocação instantânea do CG da totalidade do corpo. Tabela . Cada um daqueles corpos rígidos tem um CG bem definido e considerado fixo.047 0.506 c. Esta definição implica que o corpo humano seja considerado dividido em vários corpos rígidos e que para cada um seja conhecido o respectivo CG.081 0.433 cond.436 c.cotovelo .g.016 0.punho . art. em cada execução.100 0. 2ª falange 0. Localização dos centros de gravidade de cada segmento: Considerando o comprimento de cada um dos segmentos do modelo como a unidade (comprimento do segmento =1) há uma posição relativa do CM de cada segmento expressa numa percentagem presente na tabela que se segue. art. trocanter 0. Essa posição é dada em centímetros medidos a partir da articulação próximal de determinado segmento.433 g. provoca uma alteração constante da resultante final para o conjunto.Cinética Linear O centro de gravidade da totalidade do corpo humano depende da colocação relativa dos centros de gravidade e da massa relativa de cada segmento.trocanter . art.028 0. No entanto. a deslocação relativa dos "corpos rígidos".014 localização dos C.430 c. glenohumeral .G.500 maléolo .7ªcervical 0. assim. Femural 0.500 vértex . Definir e localizar os pontos anatómicos que delimitam cada um dos segmentos que constituem o modelo gráfico: Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana .art. de cada segmento 0. os seguintes passos: 1. O Movimento. Femural – maléolo 0.cotovelo 0.497 0.cond.c.punho 0.Tabela de massas relativas e localização dos centros de gravidade de cada segmento Segmento Cabeça+P Tronco Braço Antebraço Mão Coxa Perna Pé Massas relativas 0. glenohumeral . Para o cálculo numérico do CG é necessário dominar os conceitos seguintes: Massas relativas: Considerando a massa do corpo como a unidade (massa do corpo = 1) cada segmento considerado tem uma massa relativa que é dada por uma percentagem. De um modo geral considera-se que o CG (adulto jovem em posição anatómica normal) está localizado no bordo anterior da 2ª vértebra sagrada. em que o "corpo articulado" está dividido.c.

(xdi .localizar pontos anatómicos 2.relação algébrica entre as coordenadas da extremidade distal (xdi . xn . os valores de (Rn%) são obtidos directamente na tabela usada. A associação de cada coordenada a cada massa é obtida pelo produto dos dois valores: (mn xn) e (mn yn). xpi .e do valor (Rn%) considerado como “localização do c. Associar a cada uma das coordenadas (xn . ypi são obtidos por digitalização. ydi) e as coordenadas da extremidade proximal (xpi. (xpi .g. ypi . No nosso caso e para todo o corpo. 3.yn) são calculadas a partir do comprimento do segmento .Coordenadas da extremidade proximal de referência Rn% . “i” terá valores de 1 a 21. Teremos tantos conjuntos de coordenadas (xdi . Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . As coordenadas de posição do CG em cada segmento (xn. a cada segmento do modelo é associado um valor ponderado da massa total do corpo. de acordo com a tabela. ydi.Cinética Linear Ilustração . “n” terá valores de 1 a 14. ydi coordenadas da extremidade distal de referência. e.yn).” em relação ao respectivo comprimento total. ydi .Coordenadas do CG do segmento xdi . ypi) quantos os pontos anatómicos necessários para definir os segmentos do modelo definido. yn . ydi) . Determinar os valores das coordenadas ortogonais de cada ponto anatómico . Teremos tantos conjuntos de coordenadas (xn. Isto é.coordenadas da extremidade proximal de referência). ypi) . Os valores de xdi . Determinar a posição do centro de gravidade de cada segmento (xn. yn) uma massa relativa (mn). ypi . Neste caso.Coordenadas da extremidade distal de referência xpi . xpi . O número “n” depende do número de segmentos considerados.yn) quantos os segmentos do modelo definido.Valor percentual da localização do CG de cada segmento 4.

Cinética Linear 5. causa movimentação do centro de pressão na região pé/solo. Oscilação anteroposterior (plano sagital) Oscilação mediolateral (plano frontal) 5-7mm . fadiga ou condições ambientais.6. Na figura seguinte é possível observar que foram colocados oito transdutores de pressão no pé: dois sob o calcanhar.. Ilustração: Distribuição da pressão.... por sua vez. Clarifica-se mais uma vez os fortes elos deste conceito com. três sob a parte da frente do pé e um sob o dedo grande do pé. = ∑ mi m1 + m2 + m3 + . lesões. a magnitude da força representa a soma das pressões distribuídas da totalidade do pé. Quando se mede a força de reacção do solo com um plataforma de forças.3 Centro de pressão As forças de reacção entre um corpo e a superfície que o suporta são distribuídas por toda a área de contacto. ∑ mi yi m1 y1 + m2 y2 + m3 y3 + .. considerando que o produto dos valores da massa total e dos valores das coordenadas que se desejam determinar é igual à soma dos produtos de cada massa parcial e do valores das respectivas coordenadas: xcm = ycm = ∑ mi xi m1 x1 + m2 x2 + m3 x3 + .3ms (Hennig and Milani. dois sob a parte média..Jovem adulto A oscilação postural pode ser afectada por diversos factores: idade. A força pode ser totalizada numa força resultante actuante num único ponto. por vezes. 1995) Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Este fenómeno denomina-se oscilação postural e normalmente ocorre nos planos sagital e frontal. Determinar a posição do CG da totalidade do conjunto de “n” segmentos ou da totalidade do corpo.. = ∑ mi m1 + m2 + m3 + . por exemplo. III..jovem adulto 3-4mm . A localização (ponto de aplicação) da força de reacção do solo no pé corresponde ao centro de pressão. obesidade. no pé de um atleta que corre a 3. Este é o ponto central da pressão exercida no pé. a performance atlética e o risco de lesão e com a população idosa e o risco de queda. A sequência dos diagramas mostra a distribuição da pressão nestas posições nas várias fases do apoio. o movimento da cabeça. É o ponto sobre o qual a força de reacção do solo está equilibrada. Durante a posição vertical é normal ocorrer. Este movimento vai causar osculação do centro de massa que. em oito pontos. A este ponto chamase centro de pressão.

Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . O factor primordial que deve orientar qualquer programa de exercício é a especificidade. o centro de pressão deve estar imediatamente abaixo do CM do corpo. É possível mover o centro de pressão para qualquer ponto dentro da base de suporte mas é impossível movêlo para fora da base de suporte e permanecer estável ou equilibrado. Quando o CM de massa do corpo avança. (Santana. 2002) refere que este tipo de treino não é melhor que outros mas deve sim. ao treino funcional e relação com a melhoria da performance. ser um complemento de outros métodos de treino. Desta forma. Factores que aumentam a estabilidade: Maior quantidade de massa e momento de inércia (é necessário mais força para acelerar) Maior atrito entre a superfície de contacto e o apoio (as forças de atrito são utilizadas para retardar ou parar o movimento horizontal) Maior base de suporte (o CM pode deslocar-se para a frente sem ultrapassar os limites da base de suporte) Maior distância horizontal entre o CM e os limites da base de suporte CM mais baixo (é produzida menor oscilação e também é necessária menor força para restaurar o equilíbrio) Uma boa estabilidade e equilíbrio são requisitos essenciais para ter sucesso em diversos desportos. para o corpo permanecer equilibrado. Ao movimentar-se rapidamente para a frente. No entanto. Treino em ambientes instáveis tem sido utilizado desde há muitos anos por atletas de artes marciais para melhorar a estabilidade. Para permanecer em equilíbrio. é importante aplicar uma força direccionada para a retaguarda de modo a parar o movimento e prevenir a perda de equilíbrio. III. treino de equilíbrio/ proprioceptivo e reabilitação A base de suporte é a área delimitada por todos os pontos de contacto entre o corpo e a superfície.6. ainda existe grande desacordo na comunidade do treino de força relativamente a este tipo de treino. permitindo a existência de maior equilíbrio. equilíbrio e potência. o CM deve situar-se mais perto da parte posterior do corpo.4 Estabilidade.Cinética Linear Ilustração: Deslocamento do centro da pressão durante a fase de apoio em dois atletas com tipos de apoio diferentes. o CM deve situar-se no interior dos limites da base de suporte: equilíbrio estático. uma vez que existe um grande deslocamento ao chegar à fase de desaceleração. Desta forma existe uma grande distância horizontal desde os limites da base de suporte.

Um equilíbrio corporal inadequado pode resultar numa má performance e até lesão. etc.Cinética Linear O equilíbrio pode definir-se como a capacidade do corpo se manter sozinho na posição direita. Muitas acções dinâmicas – incluindo a marcha e a corrida – são naturalmente instáveis. A força que mantinha a Lua presa à Terra nada tinha que ver com a força que nos mantém presos a esta. sem dúvida. Newton foi o primeiro a pensar na hipótese de as duas forças possuírem a mesma natureza. É. lugar em programas de reabilitação da estabilidade e do equilíbrio.7 Tipos de força: alguns casos específicos III. são utilizados testes específicos proprioceptivos e de equilíbrio. As aptidões motoras como o chutar e o saltar em desportos de contacto (por exemplo o râguebi e o futebol) são realizadas frequentemente sob uma grande pressão.7. 2000). Deste modo. imprescindível que o treino proprioceptivo seja feito em cadeia fechada." Este princípio da atracção universal exprime-se matematicamente pela equação seguinte: F= Onde: F = força gravitacional entre dois objectos Gm1m2 r2 Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Após a aplicação dos testes. portanto. um processo neurológico. O treino proprioceptivo pode melhorar o equilíbrio dinâmico (Gilman. plataformas e colchões instáveis. e que é directamente proporcional ao produto das suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da separação entre os dois objectos.1 A força gravítica Pouco se sabia sobre gravitação até ao século XVII. a lei da gravitação universal de Newton afirma que "Todos os objectos no Universo atraem todos os outros objectos com uma força direccionada ao longo da linha que passa pelos centros dos dois objectos. o que requere input proprioceptivo. o próximo passo na cadeia da reabilitação é o treino. Durante um programa de reabilitação de um tornozelo. As lesões ao nível do tornozelo ocorrem com mais frequência quando o pé está em contacto permanente com o solo sendo. O treino em ambiente de instabilidade tem. Os equilíbrios estáticos e dinâmicos são essenciais para a obtenção de uma performance óptima. 1996). testes clínicos de interacção sensorial em plataforma de equilíbrio ou de forças que medem objectivamente a oscilação postural. A propriocepção é definida como a recepção de estímulos internos no organismo. Consistem numa série de “quedas interrompidas” e é difícil quantificar a estabilidade durante essas tarefas. III. por exemplo. Caso este tipo de treino se torne demasiado doloroso devem utilizar-se exercícios em cadeia aberta progredindo gradualmente através da utilização de bolas de estabilidade. actividades com mudanças de direcção (Hanney. pois acreditava-se que os céus e a Terra eram governados por leis diferentes. desta forma.

7. a gravidade diminui quando a altitude acima do nível do mar aumenta. maior atracção. nos JO na Cidade do México (2250m de altitude). servindo assim para iniciar e controlar os mesmos. Deste modo. A aceleração devido à gravidade era 0. De acordo com a lei da aceleração de Newton. as forças externas que agem no corpo causam aceleração: F = m. consequentemente. a sua direcção é vertical e o sentido descendente. salto em comprimento. são consideradas geralmente como insignificantes no estudo do movimento humano.Cinética Linear m1 = massa do objecto 1 m2 = massa do objecto 2 r = distância entre os centros objectos G = constante universal da gravitação ( G = 6. para cada acção existe uma reacção com igual intensidade e direcção mas de sentido oposto.2 A força de reacção do solo De acordo com a Lei de Newton de Acção Reacção.3% inferior à do Reino Unido. A Reacção normal é uma força externa usada para a propulsão dos movimentos.a Onde: F = soma das forças externas m = massa do sujeito a = aceleração Ilustração . ajudando os atletas de modalidades de potência de curta duração. 67 ×10−11 N ⋅ m2 / kg 2 ) Estas forças da atracção entre objectos. o valor da interacção depende das suas massas respectivas e da distância entre elas. o vector peso tem como ponto de aplicação o centro de gravidade do corpo. à excepção da atracção da Terra.maior massa.as alterações na aceleração devido à gravidade modificaram significativamente a performance dos atletas. O peso é a expressão da quantidade de atracção gravitacional entre um objecto e a Terra expresso em Newton (N). III. a acção do peso (expressão da atracção que a Terra exerce sobre os diferentes corpos) é acompanhada sempre por uma reacção que é denominada força de reacção normal do solo. Porque o peso representa a interacção entre um objecto e a Terra. Em 1968. O peso varia proporcionalmente com a massa .Força de Reacção do solo Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Deste modo. Isto esclarece uma das vantagens em competir a altitude elevada nos eventos em que temos que vencer a gravidade (por exemplo. lançamento do peso).

Rz vs. e longitudinal (eixo Z). P Rz > P Rz = P Rz < P az az > 0 az = 0 az < 0 Tabela . antero-posterior (eixo Y). A resultante das forças de reacção normal do solo é obtida somando as quatro reacções referidas (R=R1 + R2 + R3 + R4). e na resultante az A força de reacção do solo pode ser medida através de uma plataforma de forças.). Deste modo. por exemplo.Relação entre Rz e P. Fz = Rz − P Onde: Fz = força vertical que actua no corpo Rz = a força vertical de reacção ao solo P = peso do corpo Pela segunda lei de Newton Rz − P = maz az = ( Rz − P) / m Onde: az = magnitude da aceleração vertical. é o somatório do peso (P) com a força de reacção do solo (R). A ilustração seguinte mostra as diferentes reacções normais do solo calculadas pelos sensores da plataforma. Consequentemente. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . a força resultante no eixo vertical para um sujeito que. dá um salto. Numa plataforma de forças existem quatro sensores triaxiais encaixados na placa que estão organizados de tal formas que a força de reacção do solo pode ser medida em três eixos: eixo médiolateral (eixo X. podem ser retiradas as seguintes conclusões (presentes na tabela) acerca da relação entre a reacção normal do solo o peso e a aceleração.Cinética Linear Deste modo.

De seguida é exposto um exemplo deste tipo de curvas para a corrida. então. Este tipo de informação é vital para quem desenvolve sapatos de desporto de forma que possam projectar solas de sapatos que tenham ao mesmo tempo a capacidade de reduzir pico de impacto ao mesmo tempo que matem as características propulsivas do sapato. A figura seguinte mostra o padrão da força de reacção do solo Rz durante a corrida lenta (jogging). a força não se aplica num ponto único mas é distribuída em várias zonas do pé. O pico da propulsão está associado à propulsão do corpo para a frente. Os gráficos seguintes mostram. componentes (Rx. Ry Rz). Essa resultante é calculada como tendo apenas um ponto de aplicação no pé. O pico do impacto está associado à travagem do movimento no contacto inicial do pé. o padrão típico de actuação de cada uma destas componentes durante a fase de suporte na corrida. a plataforma de forças fornece-nos dados das três componentes da força resultante que actua no pé na fase de apoio. a força da reacção do solo tem três componentes: X. na verdade. Ilustração: Curvas típicas para as 3 componentes da FRS durante a fase de suporte na corrida in (Roger Enoka. O primeiro pico é chamado pico do impacto (P1) e o 2º pico é chamado de pico da propulsão (P2). 2002) Irá ser feita uma análise mais pormenorizada do padrão de actuação da componente vertical da força.Cinética Linear Ilustração – Reacção Normal do solo medida na plataforma de forças Como se pode observar na figura. Y e Z. No entanto. o que se verifica é que. Como referido anteriormente. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana .

O atrito é uma força que se opõe ao movimento de uma superfície em relação a outra com a qual está em contacto. a composição da superfície do solo e a inclinação. Este exemplo também se estende aos automóveis.7. Isto porque os nossos sapatos possuem solas de borracha que aderem bem ao solo. menor será a força de atrito que se estabelece entre as referidas superfícies. No nosso dia-a-dia são inúmeras as situações em que surge a força de atrito. Para uma pessoa que caminha. isto é. andar de automóvel. dificultando assim o movimento. acender um fósforo ou até mesmo escrever.3 A força de atrito Entre quaisquer duas partículas em contacto (em movimento ou não) existe sempre uma força de fricção – o Atrito ( ). . o calçado.Cinética Linear Ilustração 2: padrão da força de reacção do solo na vertical (Rz) durante a corrida lenta A força de reacção do solo vertical máxima alcança 2 a 3 vezes o peso de corpo. quanto mais polidas e duras forem as superfícies de contacto entre dois corpos. Desta forma. o atrito possibilita que ela se desloque com segurança. embora pareçam lisas a olho nu. Útil pois sem ela não poderíamos caminhar. No entanto esta também pode ser prejudicial pois provoca o desgaste nos materiais e peças mecânicas em funcionamento e conduz à dissipação de energia pelo aquecimento das peças. Esta tanto pode possuir um carácter útil como prejudicial. Alguns dos factores que afectam o valor da força de reacção são: estilo da passada (isto é. III. Existem dados experimentais que mostram que a força de atrito entre duas partículas ou superfícies em contacto tem as seguintes características: . maior atrito entre os Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana .é independente da área de contacto entre as partículas. São estas irregularidades nas superfícies de contacto que fazem com que a pressão nesse local se eleve e as una intimamente. . .depende das características dos materiais que constituem as partículas ou superfícies de contacto. como o pé contacta o solo). A existência do atrito deve-se às superfícies que. É para criar uma maior aderência. apresentam à escala microscópica muitas saliências e reentrâncias.depende da força normal entre as duas partículas. a velocidade de corrida.depende da massa de um corpo.

A constante adimensional que mede este grau denomina-se coeficiente de atrito. Atrito Dinâmico: força de atrito aplicada na superfície do objecto quando este está em movimento. Os coeficientes de atrito não dependem da área das superfícies de contacto mas sim da natureza das superfícies de contacto. Material Vidro sobre vidro Aço sobre aço Metal sobre metal Gelo sobre gelo Pneu sobre asfalto molhado Pneu sobre neve Teflon sobre teflon (ou sobre aço) µe 0.60 0. Os valores correspondentes ao atrito dinâmico (cinético) serão cerca de 25% menores pois. A força de atrito vai.03 0.04 µc 0.06 0. do seu grau de rugosidade. Se contacto. 1967) Ao empurrar uma caixa em repouso. é mais fácil manter um objecto em movimento do que iniciar o movimento. Desta forma podem ser definidos dois tipos de atrito e respectivos coeficientes: Atrito Estático: força de atrito aplicada na superfície do objecto quando este está em repouso.Cinética Linear pneus e a estrada.40 0. Quando dois objectos estão em ser ligeiramente inferior quando estes se encontram a deslizar um sobre o outro. que estes possuem sulcos cavados. os seus valores raramente são conhecidos com uma precisão superior a 5%.40 0. Se a caixa permanecer em repouso.20 0. dependendo da força que é aplicada sobre ela. esta pode ou não deslocar-se. não existe atrito e se µ = 1 diz-se que o objecto está fixo. assim.74 0.30 0. É também para aumentar o atrito que o asfalto das estradas é áspero. A esta força de atrito chama-se atrito estático. como vimos acima. Seguem-se alguns exemplos de coeficientes de atrito de diferentes superfícies. quando µ vai comparados com a situação em que ambos estão em repouso mas prestes a iniciar o deslize. isto é.15 0. depender do coeficiente de atrito e da reacção normal do solo. O atrito de cada superfície depende das características desta.57 0. Quando se tenta empurrar um corpo e ele não se move.04 Tabela – Coeficientes de atrito (tabela adaptada de Alonso Finn.10 0.94 0. Valores aproximados dos coeficientes de atrito estático são tabelados para várias superfícies secas. µ = 0 . mesmo se aumentarmos a intensidade da Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Como tal. São as forças de atrito entre a base do corpo e a superfície de apoio que tendem a contrariar a tendência de deslizamento deste e equilibram a força exercida. isto significa que tem de existir uma ou mais forças que a equilibrem.

Na situação estática. A intensidade da força de atrito cinético é expressa por: Em que: é o coeficiente de atrito cinético é a reacção normal do solo Já foi referido que o valor do coeficiente de atrito cinético é. a intensidade de força de atrito estático aumenta até atingir um valor máximo. o corpo poderá continuar a não se mover pois as forças de atrito também aumentam.o bloco só começa a mover-se quando a força aplicada for mais intensa que a força de atrito Se observarmos o último desenho da ilustração anterior. as forças de atrito designam-se por forças de atrito cinético. ur F ur F ur F ur F ur Fa X ur Fa X ur Fa X ur Fa X Ilustração: Força de Atrito . a força de atrito. o valor da intensidade da força que traduz o resultado das interacções de atrito é: Em que: é o coeficiente estático é a reacção normal do solo O valor máximo do coeficiente estático é o valor da intensidade da força que é preciso aplicar para que o corpo finalmente saia do repouso. em intensidade. continuando a equilibrá-la. Quando as superfícies entram em deslizamento relativo. provocando o deslocamento do corpo. Quando esta situação acontece. a força aplicada excede. Perante uma força aplicada. menor do que o coeficiente de atrito estático. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . a intensidade da força de atrito diminui até um valor aproximadamente constante. Só a partir de uma determinada intensidade da força aplicada é que se consegue mover o corpo.Cinética Linear força. em geral.

Ilustração – A força de atrito no movimento uniforme e no movimento uniformemente variado Se a força aplicada ao objecto for retirada. Atrito Dinâmico: com movimento relativo Se a força de atrito tiver intensidade igual à força aplicada e o objecto está em movimento.Cinética Linear Ilustração: Variação da Força de Atrito aplicada a um objecto. Se esta força se mantiver constante. peso e reacção normal no plano inclinado Assumindo a existência de um equilíbrio de forças tem-se: Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Num plano inclinado. a representação das forças aplicadas ao objecto é ligeiramente diferente. Ilustração – Representação das forças: atrito. Atrito Estático: sem movimento relativo. a resultante das forças é nula e a velocidade a que se desloca é constante (MU). a força de atrito vai fazer com que o objecto abrande progressivamente até ficar em repouso. a aceleração também se vai manter constante e o movimento irá ser uniformemente variado (ver ilustração que se segue). a resultante destas forças vai produzir uma aceleração de acordo com a 2ª Lei de Newton. Se a intensidade da força resultante for superior à intensidade da força de atrito.

quando se resolvem este tipo de problemas as forças que actuam no corpo são separadas pelos eixos em que actuam e é utilizada a 2ª lei de Newton.? Como é mostrado na figura. reacção normal e força externa aplicada ao objecto no plano inclinado Tomemos por exemplo um trenó na neve. existir uma outra força externa e assumindo a existência de um equilíbrio de forças pode-se escrever: Na direcção dos xx: Na direcção dos yy: Ilustração . para além das forças representadas anteriormente. Deste modo. o sistema (sujeito + trenó) experimenta duas forças: gravidade (peso) e a força de reacção do solo.6 rad em relação à horizontal. peso. .Representação das forças: atrito.Cinética Linear Na direcção dos xx: Na direcção dos yy: Se. Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Qual será a aceleração de um sujeito que anda de trenó numa superfície coberta de neve com uma inclinação de 0.

Os vectores mostram os sentidos em que as forças estão a agir. no corpo são a reacção normal ( Assim para o eixo dos xx: ) e a componente vertical do peso ( E para o eixo dos yy: A aceleração (horizontal) do sujeito pode assim ser calculada III.4 Representação de forças: Diagrama de corpo livre A um diagrama que represente todas as forças actuantes num objecto chama-se diagrama de corpo livre. as forças que actuam . representando com setas as diferentes forças que agem num dado objecto. No eixo dos yy.Cinética Linear De acordo com o sistema coordenadas da figura. as forças que agem no eixo dos xx são: a força de atrito ( e a componente horizontal do peso ( ). Os diagramas de corpo livre são normalmente desenhados como figuras estilizadas tendo associado um Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . É um método usado frequentemente pelos físicos para identificar todas as forças externas que agem sobre um corpo: • • • • Gravidade Força de reacção do solo Atrito Resistência do ar / forças de draga Para cada uma destas forças (grandezas vectoriais) é necessário: • • • • • defini-las verificar se estão a actuar ou não no sistema decidir a localização do seu ponto de aplicação decidir qual a sua direcção decidir qual a sua intensidade Fazer diagramas livres do corpo envolve desenhar os vectores.7.

Note-se que os diagramas livres do corpo mostram somente as forças externas que agem no sistema e não aquelas que se exercem dentro do sistema (internas). R. Há duas etapas no desenho de um diagrama livre do corpo: na primeira etapa define-se o sistema de que necessitamos para responder às perguntas que se põem relativamente ao comportamento mecânico de um dado sistema. Estas interacções são incluídas no diagrama livre do corpo como vectores da força. que envolve geralmente o desenho de uma figura estilizada. 2001) O exemplo exposto na figura anterior mostra a representação de três forças: atrito. identifica-se todos as forças (neste caso. Por exemplo. as forças externas) que estão a interagir com o sistema. onde o atrito é negligenciável.Cinética Linear sistema de coordenadas.5 A força elástica Segundo a lei de Hooke: A força (elástica) exercida por uma mola num objecto colocado numa superfície horizontal. reacção do solo e da gravidade. mesmo que o quadricípete esteja em contracção. 2005) Na expressão e ilustração acima referidas está sintetizado: Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Ilustração: Representação em diagrama livre do corpo: (a) figura real (b) identificação do sistema (c) inclusão forças externas: atrito. que mede a intensidade da deformação representa o alongamento da mola relativamente à posição por unidade de alongamento e a coordenada Ilustração: Sentido da Força elástica in (Adelaide Bello. pode ser calculada por: Onde a constante elástica de equilíbrio.7. III. peso e reacção do solo (Enoka. é uma característica da mola. Na segunda etapa. Esta força não é mostrada porque é interna a este sistema. o diagrama livre do corpo da ilustração anterior não mostra nenhumas forças do músculo que actua na articulação do joelho.

Cinética Linear • O sentido da força elástica aponta sempre na direcção da posição de equilíbrio (0). o seu módulo é directamente proporcional ao módulo do deslocamento do bloco em relação a esse ponto e é nulo na posição de equilíbrio. a força elástica tem o sentido do versor do eixo (apontando para a posição de equilíbrio). a força elástica tem o sentido oposto ao do versor do eixo (apontando para a posição de equilíbrio). Quando x é negativo. • • Universidade Técnica de Lisboa – Faculdade de Motricidade Humana . Quando x é positivo.

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