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PARTE 11

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I

O "Padrão Moderador" das ~e/ações entre Civis e Mi li-ta.,r~?:~\c'

- ' , .

Brasil, 1945-19641 1

Um as p ec to fund a m e ntal

d i ante

d

o r e la c i o nament o

c ivil-militar

d os g ov ernantes

é a tensã;' ~ ~ ; ; ~ C ~ i~ ' I'~~ ~" "

p o lítico s e da ordem

se man i f es ta

l

o

d e uma dupla n e c es sidad e

c i v i s: de um

inte rna

a do, man t e r uma f o r ç a armada co m o in s tru m e nto da políti ca

utro,

gar a ntir

qu e o p ode r

milit a r

nã o usurpe

o p o der

e, d e

Esta tensão t e m sid o

políti co .

resolvid a de modo di f er e nte

rente a e s t es proble mas pode ser r e sumida e m p o ucas palavra s , apontand o quatro

model os distinto s

Podemos c h a má-Ia s

em dif e rentes

país es. Grand e

parte da lite ratura

refe-

ou tip o s ideai s d o rela c ionam e nto

civil-militar .

!'-'f:--··

modelo s a ristocráti co ,

c o munista,

liberal e pr o fi ss ional.' Par a simplifi c ar ,

digamo s

que par a c ada um d est e s modelos diferentes

a s duas variáv e i s importantes

s ão o val o r

-

congru ê nc i a

e /o u o s mecani s mos de contr o le.

 

O m o delo

apre se nt a

a soluç ão

mais simpl e s da ten s ã o p o tencial

entre o p o d e r

ari s t oc r á ti c o ci vi l e o militar ,

e hi s toricam e nt e

foi o qu e o bteve

mai o r

ê xito .

Su a

e

militar es e p o líticas ,

ssên c ia

r es ide

no fat o d e que os val o res

s oc iai s e os inter es se s

são naturalm e nte

numa s oci e dade aristo c r á ti c a,

materiais das elit es

congruentes .

O s

o

ficiai s

d o Ex é rcito

pr o v ê m

sobretud o

da aristocra c ia

e s e definem

com o a risto c ra-

tas, e n ão

co mo

ofi c iai s .

Enquant o

aris tocrat as ,

c onservam

se u presti g io

e riquez a

media n t e

o a poio à fo rm a

aristo c r á ti c a

de go ve rn o.

O militar

t e m um nível de difer e n -

c

iação int e rna bai xo, d e

forma que pouco treinamento

es p ec ial é ne c e ss ário

para

íaz ê-lo

quali f i car- se

c omo ofi c i a l. Na ausência de um profis s ionalismo

militar ,

falta

a tensã o c l ás sica entr e a c lasse profi ss ional

de o fi c iais

qu e vi sa m sobretud o

objetiv os

m

i lita re s

e a elit e

p o líti ca.

E

s t e m o delo

co m eç a a det e ri o r a r- s e Co m a indu s tri a lização,

quand o a própri a so c i e dade

a r i s to c rata

entra

em d eco mp o sição .

acab a m p o r requ e r e r um quadr o d e ofici a i s m a i s esp ec ializado. Ampliando-se a s oportunidades edu cac i o nais, abre- s e o caminh o para a admissão a o ofi c ialato d e

elem e nt os es tranh o s à a ristocra c ia .

de t e n s ã o

os as p e ctos t éc ni co s da es traté gia milita r

por s e u turno ,

c ri a m uma fonte

passam progressiv a-

E s tes pro c ess os ,

poten c i a l

e ntr e

civi s e militares,

d a d o que os o fi c i a i s

ment e a se definir prim e iro c om o militare s pr o fission a is e somente d e p o is com o

arist oc rat a s . Em ce rt o m o ment o ,

de c o ntr o l e ,

num a t e nt a ti v a artifi c i a l de mant e r o valor-congruência.?

p o d e m emer g ir ce rtos m ec anismos auto c onsciente s

a o ingres so do s aristo c rata s

no quadr o

de oficiais ,

tais co m o a restri ç ã o

I É c l a r o q u e ex ist e m o utr os mod e l os . A pr e sent o es t e s quatr o , p o r r e sp o nderem mais signifi ca ti -

v arn e nt e à qu est ã o d e co m o os g ove rn os civ is p o d e m co ntr o l a r os militare s, e m v e z de s e r e m contr o lad os por e s t es .

' - , ~ )

'

No mode l o liberal do r e lacionam e nto

garantir

No plano

civil - milit a r ,

as elit es p o lítica s

militares

têm b a s tant e

e pr o c uram

a ra agir

a Uma v e z que

p

n

consciên c ia d o conflito p o tencial e xistente entr e e las e os

d

esfera política .

é re c onhecido

ê nfase aos esquemas de neutralização.

reduzido .

de compens ação ,

fa

e

plas vias d e ac e sso ao quadro

tem mai o r probabilidad e

civis forte s

c

e liberadam e nte

o conflito

que os militares

ideal,

o militar

não t e nham deve permanecer

leg itimidade a p o líti c o.

d e valores

como uma ameaça potenc ial, d á - se grande

O exércit o p e rmanent e é mantido c om e feti vo

rapidamente.

Criam-se forç as militare s

um fr e i o ao e x ér c it o

conv ocando

regular.

Podem- s e para o múlti-

cidadã os

de carreir a e forne ce ndo

c i v il-militar d e ins tituições

Após uma guerra, é desmobilizado

na forma de milícias ,

c omo

z er algumas investida s

xército

lássicos

em vez de confiar

e não

sofra

c ontra o v a lor-congru ê n c ía,

e m soldados

de ofi c iai s .

profission a i s

de êxito numa

constantes

Este padr ã o de rela c ion a mento

so c i e dad e

que dis p o nha

ameaças e x terna s à segurança. Os e x e mplo s

no séc ulo

XIX.

são a Suíça e os Estados Unidos

Ao contrário dos modelos aristocrático

onal atribuem

alto valo r

à força

milit a r

e liberal , os mode los e à es p ec ializaçã o.

co muni s t a T oda v ia,

e pr o fissi- e m a m b os

o

co

ntrole

dos militare s

p e l os civis é um elem e nt o

d e um militar

apolític o.

essencial.

Wiatr ,

o teóri co

N o modelo c o munista ,

repele-se

o ideal lib e ral

comunis t a

p o l o nês ,

esc reve:

" A r e jeição

d o conceito

d e militar

com o ex pert

politi co

t o rna-se ,

n o s paíse s

o c ialistas , integração

s

um dos elem e ntos

de int e gração

entr e o e x ércit o

e a so c i e dad e " ?

se realiza

mediante cons tant e doutrina ção

políti ca e procurando

E s ta garantir

que a grande maioria

comunista .

de relacionam e nto

c

que

dos oficiai s de pat e nte mais elevada s e j a m membro s d o p a rtid o

o modelo aris t o cr á tic o

co munist a.

N o últim o

d o s oldad o

pr o fi ss ional , com o m e mbr o

Assim, a int e gração dos va lores que c ar ac teriz av a

civil-militar

també m

faz part e d o mode l o

e s t a integraçã o

" através da p ol itizaçã o

a penas c o m o

um expert,

aso , con s egue-se

nã o mais ê tratado

ma s age também

do partido

c omunista

e através

d es t e parti c ipa

d a s deci sões

p o lít i ca s ,

soldado ,

ma s co mo c ida dão

politi ca m e nte

at ivo " . " Os p a i s e s co muni s t as

não com o t a mbém

empregam

largament e

ce rtos me ca nismos

d e c o ntrole ,

t a i s c o mo

a pr esença

d e

"~

c

o míssári o s político s nas unidade s mil i tares , o s e r v iço d e info rmações p o líti c a s e

o

s expurgas

ideológi c o s .

 

(\\

No m o d e l o

comunis ta

de r e lações

entr e

c ivis

e milit a r e s ,

há duas

á r e a s d e

:i,

c-

r

to

[\;

,

,-

"

manifesta d e bilidade .

o

o partido co munista s e e l e s e enfraqu ec e r,

ção cultur a l. >

No c a so de grande s am eaças e x terna s à segurança

por o bt e r autonomi a

pr o fissional ,

com o oc o rreu

n ac i o nal,

o s

fi c iais militar e s

se e s f o r ç am

o u procu ram d o minar

a r ev olu -

n a C hina dur a nt e

a nálise g e r a l , a s s im com o um a i nteres sa nt e desc rição d e um aspe c t o do m o delo - o sis t e ma d e

pr

( New

e n c ontra-s e e m Sarnuet

o moçã o

Huntington ,

por c o mpra co m o meio d e ligar a posi ção à riqueza - ,

Th e So /die r

an d l h e S/ale :

T h e Th e or y a n d P o liti c so t

C i v i l - M i litar y

R

e l a t i o n s

Y

o rk : Rand o m House, 1 9 64) . pp, 19-3 0 , 4 7 0-47 3 .

 

3

J e rzy Wiatr , "E x p ert and P o lit i c ian - lhe D i ve rgent A s p e c t s 0 1 the S o c ial R o le 01 th e A r my Man" ,

P

o l i s h Socio l o gice t

Revi e w ,

n .? 1 ( 1964) . p . 5 3 .

 

,

I e rzv Wiatr, " Military Pr o f e s s ionali s m a nd lransf o rmati o n s

of C l as s S tru c ture

in P o l a nd", in

A

r m ed F o r c e s a nd So c iety: Soc i o l o gi c a l

v an D oor n (Par i s : M o ut o n ,

1 9 68 ) . p .

23

8 . O grif o é n os so.

E ss a y s , ed. jacques .

S O estud o

mais c omplet o d a s relações e ntr e civis e milit a r e s na Uni ão Soviétic a é o d e Roman

Pa r t y ( Princet o n : P ri n c eton Uni ve rsit y Pre ss ,

uma des c ri ç ã o d o m e cani s m o d e co ntrol e militar do partid o , c r . pp. 81-9B. P a r a o ca s o

K o lkowi c z e m Th e So v i e t M i "ta r y and th e C om m u nist

1 967); para

d a China , c t. Ellis [of e , P a rt y a nd Army : Pr o fes sionali s m

andPoltti ca l

Controt in Ctunese Offic e r

2

Par a um a an á li s e s é ri a d e algun s co mp o nentes d o

m o d e l o arist ocr át ic o, cf. Ca e t a n o Mosca , T / J e

Cor ps , 7 9 4 9 - 796 4 , Harvard E ast Asian Mono graphs , ri .? 19 ( C ambridge , Ma ss.: Har v ard U niversit y

R

l J l Jn g C l e s s, tran s . H . O . K a hn ( N e w Y o r k : McGr aw -Hill Book Co mpan y , 1939 ) . pp . 2 2 2- 2 43 . Um a

Pr e s s , 19 6 5). P a r a o dram á ti co a ument o d o p o d e r políti c o d o e x é rcit o n a C hin a durant e a r e v o l u çã o

,

'

\

46

47

.~

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PARTE 11

.: ->

: ,\,-. : : ;

\

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I

O "Padrão Moderador" das ~e/ações entre Civis e Mi li-ta.,r~?:~\c'

- ' , .

Brasil, 1945-19641 1

Um as p ec to fund a m e ntal

d i ante

d

o r e la c i o nament o

c ivil-militar

d os g ov ernantes

é a tensã;' ~ ~ ; ; ~ C ~ i~ ' I'~~ ~" "

p o lítico s e da ordem

se man i f es ta

l

o

d e uma dupla n e c es sidad e

c i v i s: de um

inte rna

a do, man t e r uma f o r ç a armada co m o in s tru m e nto da políti ca

utro,

gar a ntir

qu e o p ode r

milit a r

nã o usurpe

o p o der

e, d e

Esta tensão t e m sid o

políti co .

resolvid a de modo di f er e nte

rente a e s t es proble mas pode ser r e sumida e m p o ucas palavra s , apontand o quatro

model os distinto s

Podemos c h a má-Ia s

em dif e rentes

país es. Grand e

parte da lite ratura

refe-

ou tip o s ideai s d o rela c ionam e nto

civil-militar .

!'-'f:--··

modelo s a ristocráti co ,

c o munista,

liberal e pr o fi ss ional.' Par a simplifi c ar ,

digamo s

que par a c ada um d est e s modelos diferentes

a s duas variáv e i s importantes

s ão o val o r

-

congru ê nc i a

e /o u o s mecani s mos de contr o le.

 

O m o delo

apre se nt a

a soluç ão

mais simpl e s da ten s ã o p o tencial

entre o p o d e r

ari s t oc r á ti c o ci vi l e o militar ,

e hi s toricam e nt e

foi o qu e o bteve

mai o r

ê xito .

Su a

e

militar es e p o líticas ,

ssên c ia

r es ide

no fat o d e que os val o res

s oc iai s e os inter es se s

são naturalm e nte

numa s oci e dade aristo c r á ti c a,

materiais das elit es

congruentes .

O s

o

ficiai s

d o Ex é rcito

pr o v ê m

sobretud o

da aristocra c ia

e s e definem

com o a risto c ra-

tas, e n ão

co mo

ofi c iai s .

Enquant o

aris tocrat as ,

c onservam

se u presti g io

e riquez a

media n t e

o a poio à fo rm a

aristo c r á ti c a

de go ve rn o.

O militar

t e m um nível de difer e n -

c

iação int e rna bai xo, d e

forma que pouco treinamento

es p ec ial é ne c e ss ário

para

íaz ê-lo

quali f i car- se

c omo ofi c i a l. Na ausência de um profis s ionalismo

militar ,

falta

a tensã o c l ás sica entr e a c lasse profi ss ional

de o fi c iais

qu e vi sa m sobretud o

objetiv os

m

i lita re s

e a elit e

p o líti ca.

E

s t e m o delo

co m eç a a det e ri o r a r- s e Co m a indu s tri a lização,

quand o a própri a so c i e dade

a r i s to c rata

entra

em d eco mp o sição .

acab a m p o r requ e r e r um quadr o d e ofici a i s m a i s esp ec ializado. Ampliando-se a s oportunidades edu cac i o nais, abre- s e o caminh o para a admissão a o ofi c ialato d e

elem e nt os es tranh o s à a ristocra c ia .

de t e n s ã o

os as p e ctos t éc ni co s da es traté gia milita r

por s e u turno ,

c ri a m uma fonte

passam progressiv a-

E s tes pro c ess os ,

poten c i a l

e ntr e

civi s e militares,

d a d o que os o fi c i a i s

ment e a se definir prim e iro c om o militare s pr o fission a is e somente d e p o is com o

arist oc rat a s . Em ce rt o m o ment o ,

de c o ntr o l e ,

num a t e nt a ti v a artifi c i a l de mant e r o valor-congruência.?

p o d e m emer g ir ce rtos m ec anismos auto c onsciente s

a o ingres so do s aristo c rata s

no quadr o

de oficiais ,

tais co m o a restri ç ã o

I É c l a r o q u e ex ist e m o utr os mod e l os . A pr e sent o es t e s quatr o , p o r r e sp o nderem mais signifi ca ti -

v arn e nt e à qu est ã o d e co m o os g ove rn os civ is p o d e m co ntr o l a r os militare s, e m v e z de s e r e m contr o lad os por e s t es .

' - , ~ )

'

No mode l o liberal do r e lacionam e nto

garantir

No plano

civil - milit a r ,

as elit es p o lítica s

militares

têm b a s tant e

e pr o c uram

a ra agir

a Uma v e z que

p

n

consciên c ia d o conflito p o tencial e xistente entr e e las e os

d

esfera política .

é re c onhecido

ê nfase aos esquemas de neutralização.

reduzido .

de compens ação ,

fa

e

plas vias d e ac e sso ao quadro

tem mai o r probabilidad e

civis forte s

c

e liberadam e nte

o conflito

que os militares

ideal,

o militar

não t e nham deve permanecer

leg itimidade a p o líti c o.

d e valores

como uma ameaça potenc ial, d á - se grande

O exércit o p e rmanent e é mantido c om e feti vo

rapidamente.

Criam-se forç as militare s

um fr e i o ao e x ér c it o

conv ocando

regular.

Podem- s e para o múlti-

cidadã os

de carreir a e forne ce ndo

c i v il-militar d e ins tituições

Após uma guerra, é desmobilizado

na forma de milícias ,

c omo

z er algumas investida s

xército

lássicos

em vez de confiar

e não

sofra

c ontra o v a lor-congru ê n c ía,

e m soldados

de ofi c iai s .

profission a i s

de êxito numa

constantes

Este padr ã o de rela c ion a mento

so c i e dad e

que dis p o nha

ameaças e x terna s à segurança. Os e x e mplo s

no séc ulo

XIX.

são a Suíça e os Estados Unidos

Ao contrário dos modelos aristocrático

onal atribuem

alto valo r

à força

milit a r

e liberal , os mode los e à es p ec ializaçã o.

co muni s t a T oda v ia,

e pr o fissi- e m a m b os

o

co

ntrole

dos militare s

p e l os civis é um elem e nt o

d e um militar

apolític o.

essencial.

Wiatr ,

o teóri co

N o modelo c o munista ,

repele-se

o ideal lib e ral

comunis t a

p o l o nês ,

esc reve:

" A r e jeição

d o conceito

d e militar

com o ex pert

politi co

t o rna-se ,

n o s paíse s

o c ialistas , integração

s

um dos elem e ntos

de int e gração

entr e o e x ércit o

e a so c i e dad e " ?

se realiza

mediante cons tant e doutrina ção

políti ca e procurando

E s ta garantir

que a grande maioria

comunista .

de relacionam e nto

c

que

dos oficiai s de pat e nte mais elevada s e j a m membro s d o p a rtid o

o modelo aris t o cr á tic o

co munist a.

N o últim o

d o s oldad o

pr o fi ss ional , com o m e mbr o

Assim, a int e gração dos va lores que c ar ac teriz av a

civil-militar

també m

faz part e d o mode l o

e s t a integraçã o

" através da p ol itizaçã o

a penas c o m o

um expert,

aso , con s egue-se

nã o mais ê tratado

ma s age também

do partido

c omunista

e através

d es t e parti c ipa

d a s deci sões

p o lít i ca s ,

soldado ,

ma s co mo c ida dão

politi ca m e nte

at ivo " . " Os p a i s e s co muni s t as

não com o t a mbém

empregam

largament e

ce rtos me ca nismos

d e c o ntrole ,

t a i s c o mo

a pr esença

d e

"~

c

o míssári o s político s nas unidade s mil i tares , o s e r v iço d e info rmações p o líti c a s e

o

s expurgas

ideológi c o s .

 

(\\

No m o d e l o

comunis ta

de r e lações

entr e

c ivis

e milit a r e s ,

há duas

á r e a s d e

:i,

c-

r

to

[\;

,

,-

"

manifesta d e bilidade .

o

o partido co munista s e e l e s e enfraqu ec e r,

ção cultur a l. >

No c a so de grande s am eaças e x terna s à segurança

por o bt e r autonomi a

pr o fissional ,

com o oc o rreu

n ac i o nal,

o s

fi c iais militar e s

se e s f o r ç am

o u procu ram d o minar

a r ev olu -

n a C hina dur a nt e

a nálise g e r a l , a s s im com o um a i nteres sa nt e desc rição d e um aspe c t o do m o delo - o sis t e ma d e

pr

( New

e n c ontra-s e e m Sarnuet

o moçã o

Huntington ,

por c o mpra co m o meio d e ligar a posi ção à riqueza - ,

Th e So /die r

an d l h e S/ale :

T h e Th e or y a n d P o liti c so t

C i v i l - M i litar y

R

e l a t i o n s

Y

o rk : Rand o m House, 1 9 64) . pp, 19-3 0 , 4 7 0-47 3 .

 

3

J e rzy Wiatr , "E x p ert and P o lit i c ian - lhe D i ve rgent A s p e c t s 0 1 the S o c ial R o le 01 th e A r my Man" ,

P

o l i s h Socio l o gice t

Revi e w ,

n .? 1 ( 1964) . p . 5 3 .

 

,

I e rzv Wiatr, " Military Pr o f e s s ionali s m a nd lransf o rmati o n s

of C l as s S tru c ture

in P o l a nd", in

A

r m ed F o r c e s a nd So c iety: Soc i o l o gi c a l

v an D oor n (Par i s : M o ut o n ,

1 9 68 ) . p .

23

8 . O grif o é n os so.

E ss a y s , ed. jacques .

S O estud o

mais c omplet o d a s relações e ntr e civis e milit a r e s na Uni ão Soviétic a é o d e Roman

Pa r t y ( Princet o n : P ri n c eton Uni ve rsit y Pre ss ,

uma des c ri ç ã o d o m e cani s m o d e co ntrol e militar do partid o , c r . pp. 81-9B. P a r a o ca s o

K o lkowi c z e m Th e So v i e t M i "ta r y and th e C om m u nist

1 967); para

d a China , c t. Ellis [of e , P a rt y a nd Army : Pr o fes sionali s m

andPoltti ca l

Controt in Ctunese Offic e r

2

Par a um a an á li s e s é ri a d e algun s co mp o nentes d o

m o d e l o arist ocr át ic o, cf. Ca e t a n o Mosca , T / J e

Cor ps , 7 9 4 9 - 796 4 , Harvard E ast Asian Mono graphs , ri .? 19 ( C ambridge , Ma ss.: Har v ard U niversit y

R

l J l Jn g C l e s s, tran s . H . O . K a hn ( N e w Y o r k : McGr aw -Hill Book Co mpan y , 1939 ) . pp . 2 2 2- 2 43 . Um a

Pr e s s , 19 6 5). P a r a o dram á ti co a ument o d o p o d e r políti c o d o e x é rcit o n a C hin a durant e a r e v o l u çã o

,

'

\

46

47

No modelo profis si on a l ,

co m o n o co munista ,

o o bj e ti vo

dos polític os

c i y i s é

manter uma força militar pod e rosa sob co ntrole do go ve rno c i v il. O principal t eó ri c o

afirma que o controle c ivil é realizado , não atrav és

do valor-congruên c ia ou d e extensos esqu e mas de control e, mas pela tolerância d os civis para com o desenvolvimento aut õ n o m o da influência militar dentro da esfera

militar . Sustenta Huntington

rnilitares

não-política. "A essên c ia do c ontrole objetivo civil é o reconhecimento

nalismo militar autõnomo." 6

porque os grupos militares

dade, mas porque sã o

mas

simplesmente porque é sua obrigaçã o obedecer " . 7

militares obedecem ao governo

deste modelo , Samuel Huntington ,

que a busca de objetivos militares profissionais

a restringir

pelos

tende,

em si mesma ,

a energia militar à sU,%:esfera própria ,

c o nsegue-se o controle

do profissio-

civil

" nã o

Os líder e s

com suas políti c as ,

Em sua opiniã o ,

partilhem

valore s so c iais e ideologias políticas da

a tais valores

e a tais ideologias.

indif e rente s

nã o porque c o ncordem

São estes os quatr o mod e los clás s i c os das relaçõe s entre civis e militares e mpr e - gados para descrever a forma c omo o militar é controlado por políticos civis. Exi s tem ,

é claro , outros

nos quais está au s ent e o c ontrol e c ivil e o s militares controlam todo o sistema polític o.

mod e l o s,

tai s c omo o da ditadura

militar ou o militar modernizador ,

A partir destas formula çõ e s

que ponto

modelos? As elit e s p o líti ca s

objetivos descritos em algum dos quatro modelos?

su c iritas , podemos colocar as seguintes questões:

na Am é ri c a latina se aproximam

de modo coerente

para atingir

At é

dest es

o s

as rela çõ es entre c ivis e militar e s

c ivis se e s forçam

Pode-se dizer que, na Am é ri c a

latina

do

sé c ulo XX, nenhum

país preenche as

condições do model o aristo c ráti c o

d e r e laci o nam e nto

civil-militar.

O quadro

de

oficiais é formado , predom i nantemente ,

mais d e indivíduos

da classe média ,

na

composição

enquanto a sociedade latin o -ameri c ana

pode ser caracterizada c o mo ari s to c ráti c a em Sua organização global. Finalmente , na

maioria dos paíse s , o quadr o de oficiai s é pr o fissionalizado ,

havendo portanto um c erto

social ,

do que da classe aristo c rática

ou da c/asse alta. Além

disso ,

tiver uma mobilidade

apenas parcial , não

pelo menos em parte ,

e as civis.

grau de t e n s ão entr e as elites militares

A aplicabilidad e

d o m o d e lo c omuni s ta

C Om s e u partido

também é limitada:

Cuba e , at é

parecem adaptar-se a este

somente

certo ponto ,

modelo.

o M é xic o

úni c o dominant e

Isto nos dei x a , e ntão, os modelos

liberal e profissional

e conscientement e

ou não, a maioria dos autores qu e tratam da s r e la çõ es e ntre civis e militares manif e sta -

de acordo com um ou o utr o

desses dois modelos . Tal fat o é c ompreen s ível , já que em muitos países latin o -

americanos s e encontram

Em muito s

ram a tendéncia a analisar a experi ê n c ia latino-ameri c ana

el e m e nt os

superfi c iais

de s te s dois padrões .

países , Como O Peru e o Bra s il ; o s militar es são , a té ce rt o p o nto , profissionalizados

em

sua estrutura institu c ional ,

edu c açã o e · tr e inamento

té c nico . Alguns elemento s

do

modelo m i litar

liberal pod e m é ilegítim o :

s e r d esc ob e rtos

na c r e nça g e neralizada

No entanto , na mai o ria d o s c aso s, t e ntar e nquadrar - dentro

de que o go v erno

destes dois modelo s

as relações entr e civi s e militar es na Am é ri c a latina vi o lenta a sua realidade política.

Para que se possa atribuir a um determinado país o m o delo liberal de relacionament o

cultural, ct. Stephen A . Sirns, " The N e w R o le of th e Military" ,

(November-December , 1 9 69) , pp . 2 & -32 , e Ralph l. Powell , " The Party , lhe Government and th e Cun", Asian Survey , X (Jun e 19 7 0 ) , 44 1 -4 7 1 .

a n d lh e S t e t e , p . 8 3 . Huntingt o n c hama este mod e lo d e

6 " controle Samuel ob Huntington, j etivo" T h e So ldi e r

Problems

of Communísm

7 Samuel Huntington , " Civilia . n Contr o l of the Military : A Theoretical Statement ", in Politica!

Behavior:

A Reeder

in Th e o r y

and R ese erc b ,

ed . H e inz Bulau , Samu e l I. Eldersveld e M o rri s

lanowitz (Glencoe , 111.: The Fre e Pr es s , 1 9 56 ) " p . 3 61 .

48

c i v il-militar ,

ti co, por parte dos principais protagonista s político s , a fim d e

da políti c a . Toda v ia , como irei mostrar mais tarde , a pr ó pria aus ê ncia d e in s tituiçõe s

politi c a s sólidas num país como o Brasil teve c om o resultado a tentati v a do s principais

pol í ticos de cooptar os militares como força sustentadora

o bjetivos políticos. Quanto ao modelo profissional ,

seu su c esso depende de um sistema político suficientemente estável para impedir

que o s políticos interfiram em assuntos militares puram e nt e internos

militares para propósitos políticos partidários. " A antítese do controle

a parti c ipação do militar na política." grup o s c i vis " relutarem simplesmente

n e utro " e enquanto houver "grupos civis multifários ansiosos para maximizar seu poder em a s suntos militares " . " Tais grupos civis , às vezes, são bastante numerosos

no s países lat i no-americanos . Os quatro modelos descritos acima são ne ce s s ariament e

abstratos , e

nenhum sistema político representa um tipo puro . No s E s tad os Unidos do sé c ulo XX, por exemplo, encontramos uma combinação dos mod e los liberal e profissional. A Al e manha e a Áustria do final do século XIX combinavam os modelo s aristocrático e

pr o fis s i o nal. C o ntudo, a própria dificuldade de adequar satisfatoriamente o s padrões

são necessária s instituições

civis s ó lida s e e xig e- s e um e sf o rç o

s istemá-

mant e r os militares fora

adicional ,

na bus c a de reconheceu, o

ou utilizem

os

objetivo

civil é

como Huntington

O "controle

objetivo " é impossível enquanto

em aceitar um quadro de ofi c iais politicamente

bast a nt e

latino-americanos do relacionamento

trados na literatura insinua a utilidade da formulação de outros modelos para com- preender os padrões recorrentes das relações entre civis e militares. A Segunda Parte

d es t e estudo é dedicada à análise do modelo que classifiquei com o " moderador ".

civil-militar a algum dos quatro modelos encon-

O MODELO MODERADOR DAS RELAÇÕES

ENTRE C IVIS E MILITARES

Ante s d e d e screver as características específica s do modelo, é conveniente deli-

n e ar a lguns

padrã o. A maioria dos países latino-americanos

e litistas, semimobilizados

o u partido políti c o utilizou efetivamente o poder político e e c onômi c o para satisfazer

a s ne ce ssidades do desenvolvimento.

capacidade politica de convertê-Ias em resultad o s efetivos é p e quena . A sociedade ê

" pr e toriana ", no sentido de que todas as institui ç õe s - a igr e ja , ° trabalho , os

e s tudantes - são altamente politizado s .

p o líti c as são fracas . " Nesse tipo de sociedade , os militares tamb é m são poJitizados e todos os grupos

t e ntam cooptá-Ios para aumentar sua força p o líti c a . Esta c ooptação constante , se- gundo Huntington , exclui a profissionalização , me s mo que possam surgir indícios formai s de crescente profissionalismo. A s sim , no ca s o d o Peru , Brasil e Argentina, a

e strutura hierárquica, a diferenciação

o s militares são razoavelmente profissionalizados ma s , a o m e smo tempo, sã o alta-

traços básicos da cultura

polítiça dentro

da qual se desenvolve

este

combina caracterí s ticas

de serni-

e semidesenvolvidos.

Caracteristi c amente , nenhum grupo

políticas são e levadas ,

mas a

por é m , as instituições

As exigên c ia s

Ao mesmo t e mpo ,

interna e o s padrões d e promoçã o

indicam que

8 Huntingt o n , The Soldier

9 U ma tentati v a sistemática de definir a soc i edade " pr e toriana " e n c ontra-s e e m Da v id Rap o p o rt , " A C omparative Theory of Militar)' and Political Types " , in Changing Patt e rns o f MiJitar y P o i i t ic s , e d . Samuel Huntington (New York: The Free Pre ss , 1963) , pp. 71-101 . Uma análi se que se apro x ima da minha idéia é a de Samuel Huntington , P o líti c a I O rd er in C h a n g ln g Soc i e ti e s ' ( N ew Ha v en : Yal e Univer s it y Pres s . 19&8 ) . pp. 192-263 .

49

and the State ,

pp. 8 3 -84 .

mente polit í z ados .!e E s t e padr ão

políticos

m

das r e laç ões

e

nvol ve r

é um militar

entr e civis e militares ,

os militare s apolít ico .

na política ,

Comum e nt e

liberal ,

pr oc uram

o delo

cuj o obj e t iv o

no qual tod os 0 5

distingu e -s e

d o

Não ob s tante , es ta politi z açã o militar n o rmalment e não é muito e v idente , porqu e

parte integrant e da cultur a

as elites sociais e p o líti c a s

da Am é r ic a latina s e co nsideram

da Europa O c idental.

parlamentarismo c o mo algo

gundo

problema do desenvolvi mento . Tais a spiraçõ e s co existem c om uma sociedade

c omo solução legítima

E um do s traços in e r e nt e

d es ta sua h e rança

é justament e

en ca r a r

o

S e - para o preto-

a um govern o des e nvolvido

militar é r e j e itado

e civilizad o.

este ponto de vi s ta , o g o v e rn o

'[

·.:·T.···

riana. Esta difí c il c oe xistén c ia

é provavelm e nt e

o componente

principal

do model o

moderador

das rela ç ões entre civis e militar es. Igualm e nt e

esclarece, de algum mod o,

a natureza

e os limite s

do pap e l

em tal tipo de sociedade.

• •

Tipicamente,

os pr oc e s s o s

dos militar e s p a rlam e ntares

tentados

c omo

a forma

ideal d e go-

verno forne c em um m e c anismo

inefi c az para r es ol v er

os c onflitos

políti co s

n u m a

}.

Os p o lí ti cos

im portantes

garante m l e git imi dad e

aos m i lita r e s ,

so b c e rt a s c ir -

c

un s tâ n c ias ,

par a a g i rem

co m o mode r a d o r e s

d o p r o c esso

p o lít i c o ,

c o ntr o -

4

l

s

vo s g rupo s a nt e ri o rment e

a n d o O IJ depondo

o exec ut i v o ,

qua ndo

o u a t é m es m o ev i ta ndo a r u pt ur a do p r 6 p r i o

i s t o e n v o l ve

i s t e m a , es p ec ialm e nt e

ur na mobili za ç ã o

ma c i ç a d e n o-

p o l í ti co .

h e t e r ogê n eos

exc luídos d a p a rti c ipação

n o pr o ce s so

. A apr ovação para d e por

d a d a pelas e lit es c i v i s a o s m ilit a r es

o exec uti vo

f a c ilit a b a s t a n te

p o l i ti c am e nt e

a f o rm ação

d e um a c o a lizão

g o l p i s ta

ve n ce d o r a . A n e gaç ão, pel o s civ is, d e que a depos i ç ão do e x ec u ti v o pel o s m ilit ares s e j a um ato legítimo , inve r s a m e n t e, im p e d e a f o r mação de um a co a liz ão gol pis ta vitoriosa.

5

. Ex i s t e ur na c r e nça

firme

entre

a s e lit e s

c i v i s e os o fi c i a i s

milita r e s

de que,

mbo ra se j a l egítima

e

ex e r c íc io

i s t e ma

s

t e m p o r á r i o

p o l i ti c o

para os

militar es a inte r ve n çã o

é i l egítim o

n o p r oces s o

do p o d e r ,

para e l e s a ss u m i r

por longos p e r ío d os d e t e m p o .

pol ític o a dir e ção

e n o d o

sociedade pret o riana . O s partido s políti cos, geralmente ,

são fragmentados.

C o n s id

6. T o rn ado gen e ri c amente,

e s t e v a l o r -co n g r u ê n cia

é o r e s u lt a do d a so c ializaçã o

rando o desejo das e li tes políti c a s

d e mant e r a ordem

inte rna ,

de frear o e x ecuti v o

e - e d e

c

a tr a v és da edu c a ção

e da lit e ratur a .

A d o utrina

milit a r

d o d e se n -

controlar a mobiliza ç ão

políti c a

d e n o vo s g rupos

e tendo

em

vista tamb é m a ausên c i a

i v il e milit a r vo l v im e nt o

també m é , d e m o d o g e r a l , c o n g ru e nt e co m a d e g ru pos p a rlam e n-

de outras instituiçõ e s

p a r a e xec ut a r

es t as tarefa s

d e modo

eficaz , as elites política s

t

ar es . A co ndescendê n ci a

soc i a l e int e l e c tu a l

d o s o fi ciai s

milit a r es

em r e lação

geralmente julgam co nv e ni e nt e

dade para desempenhar es tas fun ç õ es e spe c ífi c a s sob certas condições . Contud o ,

somente

lado pelos próprio s

co n ce d e r

ao s militar es

um grau lim i tado

de legitim i -

contr o -

se c onfer e

um grau redu z id o milit a res .

d e l eg itimidade

à idéia de um governo

ca

aos c i v i s f ac ili t a

a c ooptaçã o

e a co ntínua

lider a n ç a

Dad a a per s p e c tiva

deste padr ão

d e r e l a ç õ e s

e nt re

r a c t e r í s ti ca s

a l go paradoxais

da políti ca l a tin o - a m e ri c a n a

c i vi l.

c i v i s

e milit a r e s,

muitas

m e n os o b s c u -

t o rn a m- se

 

Em tal modelo da s rela ções

e ntr e c ivis e militare s,

es t e s são chamados

rep e tid as

 

r

as . Ate nd e ndo

que a intervenção

militar

f o i co n s ide r a d a ,

tr adi c i o n a lm e nt e ,

vezes para agir com o

m od erad o r es

da a tivid a d e

p o l í ti c a,

mas Ihes é negado sist e mati -

r

e p r e se nt at i va

d a dec o mposição

do sist e m a polí t i c o ,

n o m o d e l o

m o d e r a d o r

co m o e l a pod e

camente o direito d e tent a r diri g ir

qu a i s qu e r mud a nças dentro

do sistema p o líti c o .

 

s

e r r e put a d a

co m o o m é todo

normal d e c o mp o si ç ã o

n a v i da p o líti ca.

O que a nt es f o r a

longe de se c on s titu í r e m

n o s " c o n s trut o r es

o u nos " ref o rmado re s " ,

c o m o

j

u

l gad o

g o l p es

d e e s ta do rápidos ,

s ec r e t os

o u unila t e r a i s ,

ex e c u tado s

p e l o s mílit a r es

s

ã o encarad o s

e m a lgun s

p aí s e s ,

n o m o d e l o

d a na ç ã o " m o d er ad o r

têm uma t a r e f a

co

n tr a g o v e rn os

c iv i s ,

ago ra

é v i s t o

co m o

um tip o d e r es pos t a

d e se n v o l v ida

l e n ta-

que con s i s t e ess enci a lm e nt e

n a ati v idad e c o n se r va d o ra

o s militare s d e m a nuten ç ão

do s i s t e ma.

O

m

e nt e ,

c l a r a e dua l d as e lit es

ci v i s e m ili t a r es

a c rí s e s polít icas p a rti c ula r es ,

n a s q u a i s

papel dos militare s, d e m o d o g e ral, s e r e s trin ge à d e p os i çã o

d

o chefe do e x e c uti v o

e à

t

a nt o os c i v i s c o m o

os m i litare s

procuram

n as F o r ç as Arm a d as

a so luçã o

d a c ri se.

O

transferên ci a

d o p o d e r

p o l ít i co

p a r a grup o s

c i v i s a lt e rn a ti vos .

A a c eita ç ã o

de s te p a p e l

q

u e f o i c h a m ado

" int e rvenc ionism o

p a t o l ó gico "

n o m ode l o

lib e r a l ,

t o rn a - se

o fun-

e da prat i c a b i l i dad e

 

c

i o n am e nt o

n o r ma l

d o s istema políti co

n o m ode l o

m o d e rado r ,

por m e i o d o qual os

pelos militares e st á co nd i c i o nad a das formas polític as p a rl a m e ntar e s ,

à su a a ce it aç ã o d a l e gitimidade b e m co m o à co n s t a t aç ã o,

porparte

c

i v i s c o nfi a m

aos mil i tares o desempenh o

d e um pap e l

m o d e r ado r

e m d e t e rmina-

res, de que po s su e m , reduzida de govern a r .

e m co mp a r ação

co m o s c i v i s,

um a ca pacidade

destes milita- relativam e nt e

d

o s m o m ent os. A S e g unda

P art e examina a política

br as ile ira

e a s r e l açõe s

e ntr e c i vi s e milit a r es

d os

m o d e l o s

e pr o fi ss i o n a l

do relacionamento

c ivil -

c

1

n

o m o u m p a r a dig ma do padrão mode r a d o r.

9 6 4 , d ur a nt e

o u a t é s ua d i sso lução

A a n á lise

a br a n g e

o p e r í o d o

o qua l es te padrão

de r e lac i o n a m e n t o

e ntr e c i v i s e milit a r es

com a re vo luç ã o

de 1 964 . In c o nt e s t avel m e nt e ,

de 1 9 4 5 a

a ri s t o c r á ti c o n ão se a p ó i a

pelos civis, mas s obr e um a s é ri e d e n o r mas

militar,

A exemplo o mod e lo

m o d e r ado r

so b r e um c o njunto de controles imp o st os

q u e o p e r a m ,

a um t e mpo;dentro

p r edo m i- n o Br as i l o s

instituição

militar.

T a is n o rm as

e s t im ul a m

um a a l t a p a rtici pação

d o s milita r es ,

e f o ra da c uj os

p

a r â m e t r o s

d o mode l o

f o r a m e s tabe l e c i d o s

co m

m a i s e f i cá cia,

a s r egr as do j ogo

atos político s,

admite

n o e nt a nt o,

são l i m i ta dos

um militar

qu e s e j a co ntr o l a d o ,

e m ce rt os a s p ec t os.

N ess e

sentido ,

o m o d e l o

 

f

o

r am c ompr e end ida s co m

maior amplitud e

e a s co muni c a ções

t o rn a r a m- se m a is

m as , n ão ob s tante,

altam e nt e

politi z ad o ;

a

so

f i s ti ca d as ,

e m r e laç ã o a o utr os

paí s e s d a

A m é ri c a

L a tin a . T oda v i a ,

a c r e dit o

que u ma

natureza de s te co ntrol e é muit o d i ve r sa da e n c ontrad a

nos

o utro s model os.

p

es qui s a detalhada

r evelaria

que algun s padr õ es

e a titu d es

d e

Os pr i ncip a is co mp o n e nt es

ser resumido s

e m al g un s

p on t os

des t e p a drã o de r e J a ci o nam e nt o b ás i c os:

c i v il-m i l i t a r

p od e m

u s t e n ta çã o q u e ca r ac t e ri z aram

s

r

es n o Br asil ,

de 1 9 45 a 1 964 , também

d e co mp o rt a m e nt o d a s r e l a ç ões e m v á r ias

o padr ão m ode r ado r

pr e d o mina r a m

e ntr e c i v i s e mil i t a -

e m m u i t os

é poc a s

 

ou t ros país e s latin o - a mericanos.

\ 1

1. Todos

norma

os prin c ip a i s

pr otago ni s t as

p o líti cos p r o c uram

cooptar os militar es .

A

A

s q u e s t õ e s

c o l oc adas

pelo mode l o

e que pr oc ur o

r es p o nde r

n a S e g unda

P a r te

é um milit a r

p o liti z ado .

s

ão a s s e guint e s:

Q uais os grupos

civis que d esej a r a m

que os mili t a r e s des e m penhas-

2. Os militares são p o liti c am e nt e

h e t e r ogê n eos ,

m as t a mbém procuram

m a nt e r

s

e m u m pap e l politic o

e por quê? Que tip o

de influ ê n c i a s

as a titu des

c i v i s t i v e ra m

um grau d e unid a d e

in s titu c i o n a l.

10 P a ra uma c riti c a d o u so d e ind íc i os

f o rm a i s d o d ese n vo l v im e nt o

C O mo medida d o dese n volv i -

 

11 E mb o r a o m o de l o

mo d erado r

se ten h a de s e n v o l v i d o

n o B r a si l e m 1 96 4 , n o d ec u r so

d es t e l ivro

 

mento p o líti co

Ex perien c e ", J o u m al of Int er n a t ion a l A f f ai r s , XX , n . ? 2 ( 196 6 ) . pp . 2 23 -2 3 4 .

Th eo r y :

p o r s i s ós , c I . meu artig o:

" P o liri ca l

Deve l o pm e nt

50

Th e L a tin A m e ri c an

e mpr e g o

c a r a c t e rí s ti c a s g e r a i s .

f r e qü e nte m e nt e

o p rese nt e

d o i n di c a t i vo

pa r a d e sc r e v ê- l o .

a fi m d e a ce ntu a r

s u a s

51

! I sobre a propensão e a capacidade da instituição militar de desempenhar

um ato

altamente político de depo s ição de um pr e sidente? Que condições determinam o

fracasso dos golp es ? O Capítulo 4 examina os motiv o s políticos , o desenvolvimento

histórico e a lógi c a interna deste padrã o d e relaci o namento

civil-militar. No Capitulo 5

são testadas algumas das principais hipóteses do modelo, comparando os movimen- tos militares e as suas tentativas no Brasil em 1945 , 1954, 1955, 1961 e 1964.

Nesta altura , podemos l evantar doi s pon tos intr o dutór i os:

um diz respeito

à

escolha da palavra " moderad o r " para des c rever o modelo

e o outro

se refere

à

I1I

li!

~ I

~I

~

1:

I"

~,

I

I"

(;

t:

l i

I I

J

~

t

r

I

definição da legitimidade

seguintes, os militares no Brasil desfrutaram do poder de moderar o sistema pel í tíco

em períodos de crise. O termo " poder moderad o r " tem um sentido específico para o

a faculdade constitucional de

intervir no conflito

Brasil, onde, durante a monarquia, o imp e rador d e tinha

militar.

D e a c ordo c om o modelo

descrito nos capítulos

polític o ,

em é po c as

d e

impasse institucional. Esta faculdade

chamou-se poder m o d e rad o r . Muito s bra s ileir o s ob se rvaram que , desde a queda da monarquia , em 1889 , os militar e s não só as s umiram c omo também Ihes foi delegado o tradicional " poder moderador " , originariamente exercido pelo imperador . Conservei a terminologia brasileira para este mod e lo de relacionamento civil-

militar , mas pretendo

dos dos termos " árbitro" e " mod e rad o r " . Pr e firo est e s termos a " guardião " , porque não pretendo inf e rir que os mi li tares bra s il e iros sempre tenham exercido uma autori- dade benevolente e pat e rnal. O term o " juiz" impli c a regras mais formais do qu e realmente existiram, e não fornece a ne c essária conotação de que o exercício da

função de árbitro-moderador

Entretanto, nenhuma analogia com a função moderadora é perfeita, e o sentido pleno

do termo somente e mergirá e m minha análise da dinâmi c a das relações_entre c ivis e

militares e dos movimentos

usá-Ia num sentido mai s gen é ri c o , para combinar os significa-

requeria um grau de convite eaceitação para ser efetiva.

militares ocorridos

no Brasil entre 1945 e 1964 .

O segundo p o nto qu e quer o e x p o r ref e r e - s e

a legitimidade nos r e ferir

à legit i midade

do papel políti c o para

ou de um papel

civi s

os militares. Quando discutim os

político para os militares , participantes consideravam

de um governo

quer e m o s

à quilo que os grupos políticos

processos pol í ti c os adequados , dadas todas as c ircun s-

tâncias. Minha análise indi c a qu e a instituição militar , normalmente, foi encarada

como

pante achava que precisavam ser realizadas. O cumprimento

controle do executivo , seja na manutenção da ord e m interna, recebe, assim, certo grau de legitimidade , m e smo da parte d e certos grupos que no campo cultural eram antimilitaristas convicto s .

a única organização disponível para realizar certas funções que a elite partici-

destas funções, seja no

Assim, quando dem o nstro ,

n o s c apítulos seguint e s , que grupos civis "sanciona-

ram" a intervenção militar

que cons i dero

esta ação

quão profundamente

em d e t e rminado s mom e nt o s, meu objetivo não é su s tentar

mas antes ilustrar

moralm e

nt e

legitima , justa ou correta,

enraizada estava tal atividad e no próprio sistema político . T e n -

teidesenvolver sistematic a m e nte a int e r es sante abordagem de lohn J. John s on ,

segundo a qual o fenômeno

precisa ser analisado - não é o " mil i tarismo " , mas o " militarismo civil". 12

qu e ex ist e em muitos pais e s da América latina

_ e qu e

1964 1 1 John ) , pp. J. Johnson 119.125. , Tlv e Militar y and Soc i e tv

52

i n Latin Ameri ca ( S ta nf o rd : Stanford University Press ,

Capítulo 4

Aspectos Civis do "Padrão Moderador"

INTR O DUÇÃO

Hist o ri c amente ,

os civis que formam as camadas politicam e nt e

imp o rtantes

da

so c i e dade bra s ileira sempre tentaram servir-s e dos mili ta r es para atingi r se us própr i os

objeti v os políticos. Juntamente com

bra s il e ira, denota este fato que ' os oficiais militares sempre foram altament e politiz a-

dos. Uma outra conseqüência

qu e fizeram o s grupos civis para atra í -lcs à política é que os milit a res não e s tã o

mas reflet e m normal m e nt e , at é c erto

a diversidade e a ab e rtura da instituição

militar

das cisões internas das For ç a s Armada s e da s tentativas

unidos p o nt o ,

e m sua s c o nvicçõe s políticas e ideologia ,

a ampla ílutuação

da opinião pública .

Para compre e nder

como tal situação surgiu n o Bra s il, p o d e mos

c os c ivis importantes em três grupos principais e examinar c ada

grupos

de e lit e são:

dividir os políti-

um del es .

E s tes

1. O pr e sidente e seus conselheiros,

2 . Os civi s anti-regime ,

isto é , o g o v e rno .

que

se opõ e m

nã o s ó ao g o v e rn o ,

ma s tamb é m

ao

pr ó prio regime e pretendem alterar a s leis bá s i c a s e a e s trutura da autoridad e.

3 . Os civis pró-regime temente discordam

que , embora apoiando

as l e is bási c a s d o r e gime, freqü e n -

o ex e c utiv o

do governo e desejam c o ntr o lar

' atravé s de

outros método s que não o legislativ o

e os mei o s e l e it o rai s.

Hist o ri c amente,

os civis pró-regime formar a m o grupo mai s imp o rtante

no sistema políti c o

e no c ur so dos golp es

na fixa-

no

çã o do papel dos militares

militare s

Bra s il. N o entanto , os outros dois grupos também de se mp e nharam

pap e l r e l e vant e .

POLITI Z AÇÃO

DOS MILITARES: O EXECUTIVO

u s ar os o fi c iai s

militar e s como instrumentos

outr os países em desenvol v imento , a capa c idade r e lativam e nte p e quena d o governo para m o bilizar recursos econôm i cos t e m sua c ontrapartida na tamb é m p e qu e na

c apacidade de regular, extrair e distribuir

m e nt e , vê seus prop ó sitos de reforma barrados p e l o C ongre sso , p o r e lit es pod e r o sa s ,

fortem e nt e entrincheiradas,

N o Brasil , c o mo e m muitos

P o r vá rio s motivos , os presidentes

do

Bra s il s empr e t e ntaram

pessoais de s e u governo.

e s ses recurso s. O pr es ident e, co nst a nt e -

co nflitant e s d e s e u eleitorado.

ou por reivindicaçõe s

N e stas c i rcunstâncias, uma manobra c lássica d o c hefe d o governo t e m sido tentar

suas proposi ç ões , como

ganhar o apoio dos militares, direta ou indiretament e, para

um c lub e contra seus oponentes. Sendo el e que designa os trê s ministro s militares e

esta s

n o m e aç ões

o s co mandantes d o s pri ncipais exércitos territ o riais ,

p o d e u s a r e u so u r e alm e nte

militar .

Há exe mplos d e co o ptação dos militares em qu a s e t o d os o s go v e rn os b r asileir o s ,

c omo

meio de obter

apoio

no p e ríodo

que v a i de 193 7 a 1964 , com exceção d o de Kubit s c h e k ,

e n vo l v am presi-

53

dentes

fortes, sem i-autoritários

como Getúlio

Vargas, ou presidentes

populistas,

fracos, como João Goulart.

Em 1937, por exemplo,

um

elemento-chave

na vitoriosa instituição

do Estado

Novo por Vargas foi o apoio ativo

dos militares; o Estado Novo concedeu-lhe

maiores

poderes que lhe permitiram

introduzir

muitas reformas sociais e econômicas

e pro-

longar sua permanência no cargo .'

Da mesma forma,

o presidente

lânio Quadros

tentou

usar os mili~3r&,s como

elemento principal de sua estratégia para ganhar sustentação politica mais adequada

onde insistiam

na realização imediata do plebiscito.

O Congresso

marcou

a data de

abril de 1963. Goulart pressionou

os parlamentares

mais firmemente,

para que fosse

realizado em outubro de 1962, juntamente

Estados

do Sul,

Este, no entanto, hesitava O general Jair Dantas

com as eleições para governador

dos

e para o Congresso. Seu cunhado, Leonel Brizola, governador

ameaçou

usar a força se o Congresso

não concordasse

e se esquivava. Ribeiro, comandante

do Rio Grande

com esta exigência.

no Rio

do I1I Exército, aquartelado

para seus programas. Jãnio Quadros renunciou em 1961, depois de permanecer

na

Grande do Sul, o maior do país, ameaçou então implicitamente

o Congresso, envian-

presidência

por menos

de sete meses.

Como

ele próprio

escreveu

mais tarde,

sua

do um telegrama

ao Ministro da Guerra. Ao divulgá-Ia

à imprensa, o general atribuiu-

renúncia fora uma manobra com intuito de aumentar seu poder político, mobilizando

apoio popular e militar.'

Do ponto de vista do presidente,

ele achou que as reformas

estruturais

necessárias haviam sido barradas porum

Congresso "pu Iverizado"

por

diferenças

regionais, estaduais, municipais e personalísticas.

lânio ali rma que os ministros mili tares também estavam convictos da necessidade

lhe o caráter de manifesto ou ultimato:

Face à intransigência

manifestações de desagrado que se prenunciam nos territórios dos Estados

ocupados

do Parlamento,

e tendo

informar

ainda

em vista

as primeiras

pelo 111 Exército, cumpre-me

a V. exa., como responsável

de mudar a estrutura política e

participaram

na procura de "fórmulas

ou soluções,

pela garantia

da lei,

da ordem

e da propriedade

privada deste território

tentando fortalecer a autoridade

do governo,

sem sacrificar os aspectos fundamentais

que me encontro sem condições

para assu mir com segurança e êxito a responsa-

I~

"I

111/

11»

I~

ir.

Il

I"~

,I"

'~

"

"

1M

r:

t:

do processo democrático". Sua tentativa de modificar o sistema político segundo a

linha gaullista fracassou, comentário de Iânio.>

devido à "hesitação

dos militares",

conforme

o amargo

Também João Goulart, quando presidente,

póde usar com muita eficiência

ele-

mentos militares

em várias situações de crise. Embora eles tivessem oposto

resistên-

cia considerável

à sua posse na presidência

em 1961 e apesar de ter sido deposto

por

eles próprios

em abril

em nenhum

momento

pretendeu

que os

de 1964, Goulart fora da política. Goulart usou

militares permanecessem governo teve de' enfrentar,

pri nci pai s i nstru mentos políticos.

De fato, na maioria dos problemas

ativamente

que seu

um de seus

os militares

como

Na crise de sucessão de 1961, Goulart somente assumiu a presidência

depois de

haver firmado um compromisso

quecido com a criação do primeiro-ministro.

com os militares,

através do qual o cargo foi enfra-

estipulava a realização

O compromisso

de um plebiscito,

em 1965, a fim de decidir

se o Brasil deveria

manter

a forma

parlamentarista

de governo,

ou retornar aos plenos

poderes presidenciais.

Naturalmente

Goulart ficou bastante insatisfeito

com este compromisso

e deu

início

a uma campanha

para antecipar

a realização do plebiscito.

Declaraçóes

e

manifestos

de generais que ele nomeara para posições-chave

tiveram

parte vital na

campanha.

A 10 de agosto

de 1962, os ministros

militares lançaram uma declaração

1 O esclarecimento de Vargas a um auditório militar, expondo as razóes da necessidade do Estado

Novo e seu elogio aos militares pelo apoio manifestado

Janeiro: Livraria José Olympio

em

(Rio de

estão em seu livro A Nova Política

Editora,

1938), V, 242-243. Para uma análise do Estado Novo

w

'ij

inglês, d. o trabalho de John W.F. Dulles, Vàrgas of Brazil: a Political Biography (Austin:

01 Texas Press, 1967), pp. 162-274.

University

1 De inicio, admitia-se

em

todos os meios que lânio Quadros havia renunciado

porque

lhe faltará

o apoio

Jaguaribe, "A Renúncia do Presidente Quadros e a crise política brasileira",

CiênCIas Sociais, I (novembro

dos militares,

ou porque

ele pretendera

evitar

um golpe

iminente.

CI.,

e.g.,

Hélio

Revista Bresileirs: de

qualquer evidência

de 1961), 272-31L Todavia, não se descobriu

sólida que comprovasse

tal fato.

Norris

Lyle, em sua tese de doutoramento

em história

pela

Universidade

da Califórnia,

em Los Angeles,

fez ampla pesquisa

de campo sobre a carreira

de

,

~

~

1

~

Jânio e afirma que, com base

a renunciar.

3 Jânio Quadros

vembro

complexo e ambíguo que nem mesmo esta explicação pode ser tomada como a palavra definitiva sobre a renúncia.

nos dados que obteve, os militares não pressionaram

de Mello

Franco,

"O Porquê da Renúncia",

lâruo Quadros

Realidade

(no-

e Afonso Arinos

de 1967), pp. 31-34. Tanto como político quanto como personalidade,

lânio Quadros é tão

54

bilidade do cumprimento

cia de o Congresso

mente com as eleições de outubro próximo vindouro"

de tais missões,

se o povo se insurgir

pela círcunstân-

recusar o plebiscito

para antes ou no máximo simultanea-

Na época,

o presidente

Goulart não

condenou

a óbvia ameaça

política

feita

pelo general.

O plebiscito,

que em larga medida

foi o resultado

destas pressóes,

foi marcado

general Dantas Ribeiro, Ministro

para janeiro

de 1963. Em junho

da Guerra,

do mesmo

ano, Goulart

nomeou

o posto

mais elevado

do Exército.

o

 

Um correspondente

francês no país, escrevendo

sobre a vitoriosa

manobra

de

Goulart, no caso do plebiscito,

comentou

que os generais nomeados

pelo presi-

dente para comandar

de pressão mais eficientes contra o Congresso

ciallsrno"." Outro exemplo da utilização

a 5 de outubro

principais

representantes a 7 de outubro

de Goulart,

O importante,

os

o I, o 11 e o 111 Exércitos

eram

para ele "os instrumentos

ao presiden-

na batalha para o retorno

dos militares por Goulart

do centro

foi o pedido ao Congresso,

o estado de sítio. Nos dois dias seguintes,

de 1963, para que decretasse

governadores

da esquerda,

dos partidos políticos,

de 1963. 6 Neste

os três ministros

entretanto,

e da direita,

Goulart

os sindicatos,

retirou

o pedido

os

todos protestaram.

o pedido

os aliados militares

inicial.

sua suposta retaguarda

caso, foram

provavelmente

militares,

que o instigaram

a fazer

é que João Goulart,

com base na

militar, estabeleceu

nal, sem uma coordenação civis. Ele estava propenso

instrumento

O Brasil não é o único

Armadas uma participação

a principal

abertura

para alterar

as regras do jogo político

uma sondagem

como

nacio-

aos grupos o seu principal

política anterior

ou sem

a confiar nos militares

e utilizá-Ios

político.

país da América Latina cujo presidente

ativa, em vez de neutralidade

profissional

exigiu das Forças ou passividade.

No Chile,

foi conseqüência,

o principal

de ativismo

em grande parte, da tentativa deliberada

período

militar

na política,

entre 1924 e 1931,

Alessandri

do presidente

4 Declaração publicada -' J.j. Faust, A Revoluçso

em O Estado de São Paulo, Devora seus Presidentes

13 de setembro (RIO de janeiro:

de 1962.

Editora

Saga, 1965), p. 39.

6 Para uma descrição

Justiça

(Rio de janeiro:

dos protestos,

especialmente

da esquerda,

U/timos

de Goulart,

Abelardo [u re rna. Sexta-Feira

Edições O Cruzeiro,

13: Os

1964), pp. 129-131.

cf o relato

do Ministro

da

Dias do

Governo JozJO Gou/art

55

----------------------------------------------~1

1 'i "

i.

de politizar

aprovar sua legislaçao reformlsta ,7 .

os militar es ,

-

d e modo a pre s sionarem

.

o Congresso

recalcitrante

para

mentos

O r d

s leres

no s doi s olíticos

p .

maiores

destes

do, da Un;>O M;n"

d

.deararn

esenca id d

C . ,,; ,

e ", o C r a nde do S ul.

para

V á , ri os .

Esta d

Esta os

uma gr a nde ca mpanha

ant es

d a re vo lta.

d o E xé r ci t o

Outro exemplo

clá s sic o da utilização

do s militares

pelos chefes

de governo

consiste . em seu emprego

Uma das primeira s

federal,

os governa 1916, o primeiro

d

bastante

como

fi orça ' extra ega

I

Roca, da Argentina,

para reprimir

.

,

oponentes

pol í ticos .

,

,

vezes em que o pre s idente

forte

na d éc ada

8

,

usou o exército

r o poder

lU ao po

d

er, em

HiRPlito Yri-

de 1880 , por exemplo,

P '

ostenormente,

de class e média,

.

foi para diminui

bi

d

ores provrnciars

.

g

depois que su

o verno radi c al

o

novo presidente,

goyen, tentou sistematicamente .

ca pessoal para controlar

deral foi utilizado com fr e qüên c ia

me

.

.

C

tran s formar o exercito profissional numa força polfti-

,

.

.

o Exército

te-

s

e-

.

"

"

as eleições provinciais . " No Brasil , também ,

n o período d a " República

um exemplo trptc ,. o

do presidente

a

d

a ,

d

d

G

Velha " com propósitos .

b

o-se

d

I

h

antes .

f

erren

ais recentemente ,

h

M

o uso do Exercito . . Goulart de prender d

uana

ara , servrn .

para eliminar

seu crítico

um adversário político

mais .

foi a tentativa

d

or

o, o governa

ar I os lacer

e uma

unidade de pãra-quedrstas.!«

Estes exemplos indi c am que a utilização

dos militares pelo presidente

na pol í tica

obt e r

generais . ocuP .

o apoio

ou,

ao menos ,

a passlvdl a e , c ito foram

co ntra

ando . postos superiores .

o exer luçã o

inform a d os

o

regime

d e antemão ,

" d es tabelecia.

de

q ue

os CIVIS deflagrarram

um;

;:~~

s e estabele ce r

uma n o va orde m

política

Argum e ntava-se

que, dada a_nedcessl ~I't

s era n ão r e sistir.' ?

O s ofi c iai s

e praç as

no

d o Ri o Grande

tos regionais .

.

pars. o

dev er e obngaçao

os ml I are

id

.

t mati c ament e

re vo lução

a e s tes e outros ar g umen- n o E s tado .' ?

d

do Sul foram submedtl

.

mu

OSSI S de

ito antes de ter SI o IniCia

em 1945, quando

e democrática ,

a a

o Estado Novo

9 64

N ov amente

f o i d e rru b ado ,

. e e m 1 .

elhant fo: e s ,

o

i u a políti c a c ompetitiva

h o u v e e s f o r ços s l s t ematl cos

s e me

c

da part e de c i v is e militares ,

c ontrária s

nal e ap o lítico . ment e a retórica

do Brasil requer que se tornem participantes

a

para a I ' terar o regime

p o lít ico

. '

1 4 Ef e ti va m e nt e

T

T

e mpr e garam

d ~s rru uares

d e n o va o r

'

a r s fi orças s si o -

-

olítica.

~ Ia um