APOSTILA

CONTABILIDADE SOCIETÁRIA I
Atualizada de acordo com as Normas Internacionais

PROFESSOR: CARLOS ANTÔNIO MACIEL MENESES

SALVADOR Julho de 2010

SUMÁRIO
1 1.1 1.2 1.3 1.4 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 3 3.1 3.2 3.3 3.4 4 4.1 4.2 5 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 6 6.1 6.2 7 7.1 7.2 7.3 8 8.1 8.2 8.3 8.4 8.5 9 9.1 9.2 9.3 9.4 9.5 9.6 10 A EMPRESA NO NOVO CÓDIGO CIVIL ................... .................. ................... ................... .... 03 INTRODUÇÃO .................... ................... ................... .................. ................... ................... .... 03 CONCEITO DE EMPRESA E DE EMPRESÁRIO ........ .................. ................... ................... .... 03 CLASSIFICAÇÃO DE EMPRESAS ......... ................... .................. ................... ................... .... 04 INSCRIÇÃO DO EMPRESÁRIO.............. ................... .................. ................... ................... .... 07 SOCIEDADE LIMITADA ..... ................... ................... .................. ................... ................... .... 08 CARACTERÍSTICAS........... ................... ................... .................. ................... ................... .... 08 AS NOVAS REGRAS DO NOVO CÓDIGO CIVIL........ .................. ................... ................... .... 09 O CONTRATO SOCIAL ...... ................... ................... .................. ................... ................... .... 09 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ..... ................... .................. ................... ................... .... 10 QUOTAS DE CAPITAL SOCIAL.............. ................... .................. ................... ................... .... 10 CONSELHO FISCAL........... ................... ................... .................. ................... ................... .... 11 DELIBERAÇÃO DOS SÓCIOS ............... ................... .................. ................... ................... .... 11 SOCIEDADE POR AÇÕES. ................... ................... .................. ................... ................... .... 13 CARACTERÍSTICAS........... ................... ................... .................. ................... ................... .... 13 ESPÉCIES DE COMPANHIAS................ ................... .................. ................... ................... .... 13 AÇÕES DO CAPITAL SOCIAL................ ................... .................. ................... ................... .... 14 ÓRGÃOS SOCIAIS ............. ................... ................... .................. ................... ................... .... 14 PLANO DE CONTAS.......... ................... ................... .................. ................... ................... .... 16 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ........ ................... .................. ................... ................... .... 16 COMPOSIÇÃO ................... ................... ................... .................. ................... ................... .... 16 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS - COMPRAS .... .................. ................... ................... .... 21 COMPOSIÇÃO DOS ESTOQUES .......... ................... .................. ................... ................... .... 21 INVENTÁRIO ...................... ................... ................... .................. ................... ................... .... 21 LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO ................... .................. ................... ................... .... 22 CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES .............. .................. ................... ................... .... 22 SISTEMAS DE CONTROLE DE ESTOQUES ............. .................. ................... ................... .... 22 CRITÉRIOS DE CUSTEIO DOS ESTOQUES ............. .................. ................... ................... .... 23 PRINCIPAIS OPERAÇÕES COM ESTOQUES DE MERCADORIAS NO COMÉRCIO ........... .... 25 OPERAÇÕES COM MERCADORIAS – VENDAS ...... .................. ................... ................... .... 28 REGIME DE COMPETÊNCIA DE EXERCÍCIOS ......... .................. ................... ................... .... 28 VENDAS DE MERCADORIAS ................ ................... .................. ................... ................... .... 28 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS.......... ................... .................. ................... ................... .... 33 O BALANÇO PATRIMONIAL .................. ................... .................. ................... ................... .... 34 A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO ............... ................... ................... .... 45 A DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS ................ ................... .... 50 OPERAÇÕES COM IMOBILIZADO ........ ................... .................. ................... ................... .... 53 CONCEITO ......................... ................... ................... .................. ................... ................... .... 53 CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS DO ATIVO IMOBILIZADO... ................... ................... .... 53 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO .................. ................... .................. ................... ................... .... 53 TAXAS DE DEPRECIAÇÃO ................... ................... .................. ................... ................... .... 54 BAIXA DOS BENS DO IMOBILIZADO .... ................... .................. ................... ................... .... 55 TÓPICOS ESPECIAIS DE CONTABILIDADE............. .................. ................... ................... .... 56 PROVISÃO PARA CRÉDITO DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA.......... ................... ................... .... 56 DISPONIBILIDADES........... ................... ................... .................. ................... ................... .... 57 CONCILIAÇÃO BANCÁRIA ................... ................... .................. ................... ................... .... 60 CONTAS DE COMPENSAÇÃO............... ................... .................. ................... ................... .... 62 RESERVAS E PROVISÕES ................... ................... .................. ................... ................... .... 64 OPERAÇÕES FINANCEIRAS ................. ................... .................. ................... ................... .... 65 REFERÊNCIAS .................. ................... ................... .................. ................... ................... .... 71

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1. A EMPRESA NO NOVO CÓDIGO CIVIL
1.1 INTRODUÇÃO O Novo Código Civil – NCC, aprovado pela Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002, é a Lei federal que disciplina todas as relações jurídicas de natureza civil. Sua vigência se deu a partir de 11 de janeiro de 2003. Revogou a Lei n.º 3.071, de 01 de janeiro de 1916 (Código Civil) e a parte I da Lei n.º 556, de 25 de junho de 1850 (Código Comercial). O Direito de empresa constante da Parte Especial, Livro II do NCC, substituiu as normas que estavam contidas na parte I do antigo Código Comercial (Lei n.º 556, de 25/06/1850), revogado pelo art. 2.045 do NCC, reunindo também as normas de direito societário que se encontravam esparsas em diversas legislações complementares ao Código Comercial. O direito de empresa está disciplinado nos arts. 966 ao 1.195 do NCC. 1.2 CONCEITO DE EMPRESA E DE EMPRESÁRIO Empresa é a unidade econômica organizada que, combinando capital e trabalho, produz ou comercializa bens ou presta serviços, com a finalidade de lucro. Adquire personalidade jurídica pela inscrição de seus atos constitutivos no órgão de registro próprio, adquirindo, dessa forma, capacidade jurídica para assumir direitos e obrigações. O NCC trata as organizações empresariais como Sociedades Empresárias e Sociedades Simples. O NCC define Empresário em seu art. 966: “Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. Diante dessa nova conceituação de empresário, interpreta-se que um profissional liberal como, por exemplo, um contador, estabelecido como escritório para exercer profissionalmente a atividade econômica de prestação de serviços contábeis e de consultoria, mesmo com o concurso de auxiliares e colaboradores, não é empresário. Por conseqüência, seu escritório não é considerado empresa. O mesmo raciocínio aplica-se para o exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, tradutor, pintor, escultor, escritor, economista, etc. A ressalva do parágrafo único do art. 966 possibilita que essas atividades sejam consideradas empresárias nos casos em que o exercício da profissão constitua elementos de empresa, porém gera polêmicas e interpretações diversas, no que se refere ao que seja elemento de empresa. Considerando que, para exercer uma atividade econômica com objetivo de lucro, a empresa necessita reunir os seguintes elementos:

a. O capital, representado por dinheiro ou bens tangíveis (mercadorias, máquinas,
equipamentos, etc);

b. O trabalho, com ou sem vínculo empregatício; c. O estabelecimento ou local onde se realizam as operações relativas à prática de sua
atividade econômica de produção e circulação de bens e serviços; e

d. O objetivo ou o tipo de atividade econômica que terá que ser exercida para atingir o lucro,
que é o fim para o qual se organiza uma empresa.

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3 CLASSIFICAÇÃO DE EMPRESAS 1.2 Classificação quanto à responsabilidade dos sócios Responsabilidade Limitada: a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor de suas quotas de capital. 981 a 1. inclusive os de profissão intelectual. a fim de permitir que as sociedades simples. Sociedades Empresárias: são as sociedades que exercem atividade econômica própria de empresário. Era a antiga sociedade civil. serão consideradas sociedades empresárias. terão que registrar seus atos constitutivos no Registro Público de Empresas Mercantis (Juntas Comerciais).3. comércio e prestação de serviços. terá que ser alterada para se adaptar ao NCC. literária ou artística. mas pelo antigo Código Civil que não considerava o prestador de serviço como comerciante.: sociedade em nome coletivo. 1. A Legislação de Registro Público Mercantil.934/94. que só considerava como mercantil as atividades econômicas de produção (indústria) e de circulação de bens (comércio). antigas sociedades civis. ou seja. entretanto. Com a entrada em vigor do NCC. Esse conceito de empresário do NCC é mais abrangente que o antigo conceito de comerciante do Código Comercial. O atual conceito de empresário abrange todas as atividades de indústria. os profissionais liberais são considerados empresários e. Adquirem personalidade jurídica quando registram seus atos constitutivos no Registro Público de Empresas Mercantis (Juntas Comerciais). tendo em vista a existência dos elementos constitutivos de empresas. Ex. exercidos sem a existência de elementos de empresa. As atividades de prestação de serviços não eram regidas pelo Código Comercial. As Sociedades Simples adquirem personalidade jurídica quando registram seus atos constitutivos no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. portanto. com exceção das sociedades por ações que continuam regidas por Lei especial.1 Classificação quanto ao objeto Sociedades Simples: são as sociedades que exercem atividade econômica de prestação de serviços em geral.: sociedade limitada.Considerando que a melhor forma para executar em larga escala a prestação de serviços de natureza intelectual é organizar-se em forma de empresa. Ex.º 8. Se as sociedades simples utilizarem elementos de empresa na prestação de serviços. a produção e circulação de bens ou de serviços. sociedades por ações. consideradas como sociedades empresárias por utilizarem elementos de empresa na prestação de serviços. as normas sobre sociedades em geral passam a estar contidas no Direito de Empresa (arts. Antes da vigência do NCC as sociedades eram classificadas em Sociedades Civis e Sociedades Comerciais. conseqüentemente os estabelecimentos utilizados para a prestação de seus serviços são considerados empresas. porém se utilizarem elementos de empresa na prestação de serviços.141). nem o seu estabelecimento como comercial. os sócios respondem com seus bens particulares pelo saldo da dívida que restar após a liquidação dos bens da sociedade. ou seja. 4 . consideradas como sociedades empresárias. empresa individual. os sócios respondem com seus bens particulares nos casos em que os bens da sociedade não sejam suficientes para atender à execução civil ou fiscal. literária ou artística. seja ela de natureza científica.3. todos os sócios respondem solidariamente pela integralização do capital social. exceto os serviços considerados como de profissão intelectual. Lei n. possam ser registradas nas Juntas Comerciais. de natureza científica. Nesses casos. 1. Responsabilidade Ilimitada: a responsabilidade de cada sócio é subsidiária. a Lei das sociedades por ações.

saúde. está confiada ao poder público municipal. hotelaria. 1. Obs. que detêm a maioria das ações e o controle administrativo.4 Classificação quanto aos ramos de atividades Empresas Comerciais: são aquelas que se dedicam à atividade de compra e venda de mercadorias. em seu contrato social. Empresas Públicas: são empresa que exploram um ramo de atividade que.3. Executam serviços de utilidade pública.: de acordo no o NCC. conseqüentemente assim será a sua administração e gerência. com o objetivo de lucro. 1. Empresas prestadoras de serviços: são aquelas que se dedicam à prestação de serviços diversos dentre os quais pode mos citar: transportes. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. o Distrito Federal e os Municípios.3. por conveniência. cujo sócio majoritário será sempre a União. segurança ou interesse social. bem como a sua gerência a administração. Executam serviços públicos.3.Responsabilidade mista: a composição societária admite sócios com responsabilidade ilimitada e sócios com responsabilidade limitada. comunicação. estadual.6 Classificação quanto à forma jurídica Sociedade Limitada: é o tipo de sociedade cuja responsabilidade de cada sócio é restrita ou limitada ao valor de suas quotas. 1. se a responsabilidade dos sócios será limitada ou subsidiária (ilimitada). 5 . etc.3 Classificação quanto ao número de proprietários Firma Individual: empresa constituída por apenas um sócio. financeiros.5 Classificação quanto à origem dos capitais Empresas Privadas: são as empresas cujo capital social que as constitui é de origem privada ou particular. Ex. turismo.: sociedade em comandita simples. cabendo ao governo prover as verbas necessárias para o seu funcionamento. Empresas Industriais: são aquelas que se dedicam à transformação da matéria-prima em produtos acabados e a sua comercialização. com o objetivo de lucro. as Sociedades Simples (antigas sociedades civis) podem prever. Empresas de economia mista: são sociedades por ações de participação pública e privada. Sociedade: empresa formada por mais de um sócio pessoa física e/ou jurídica. 1. distrital ou federal. É equiparada a pessoa jurídica para fins da Legislação do Imposto de Renda. sociedade em comandita por ações e sociedade de capital e indústria. conforme dispõe o art. dos resultados. entre si. 150 do regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. que se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e a partilha.3. os Estados.

apenas investem capital na sociedade e têm responsabilidade limitada ao valor de sua quota de capital social. só podem provar a existência da sociedade por escrito.: Sociedade em comum e Sociedade em Conta de Participação. Ex. É uma sociedade de pessoas. bastando que configure uma unidade econômica ou profissional (art. Para fins fiscais. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas que.7 Outros tipos de classificação Sociedades não personificadas: são as sociedades que não possuem seus atos constitutivos registrados nos órgãos próprios (Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou Registro Público de Empresas Mercantis). com poderes de administração. de proveito comum e sem finalidade lucrativa. 6 .Sociedade Anônima: também conhecida como companhia. portanto. como as sociedades por ações podem ser constituídas com pelo menos dois acionistas. do CTN). que representam e administram a sociedade. não é possível separar o patrimônio da sociedade do patrimônio particular dos sócios. São regidas pela Lei das Sociedades por ações (Lei n. mas apenas firma. com responsabilidade solidária e ilimitada em face das obrigações sociais. a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída. não possui capacidade jurídica para adquirir direitos e assumir obrigações. de natureza civil.3. Ex. Como não está personificada juridicamente. nas relações entre si ou com terceiros. Se o número acionistas fosse inferior a sete. recorria-se à sociedade em comandita por ações. ou da administração direta de seus bens ou negócios. A responsabilidade dos sócios é ilimitada. II – de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis. comerciais ou profissionais. não adquirem personalidade jurídica. é uma sociedade de fato e não de direito. cujas pessoas se obrigam a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica. 126. Sociedade em Comandita Simples: tipo de sociedade em que existem dois tipos de sócios: os sócios comanditados.: Maciel & Cia Ltda.404/76). A capacidade tributária passiva independe: I – da capacidade civil das pessoas naturais. entretanto.° 2. ou por apenas alguns deles. estão legalmente proibidas de participar da administração. Seus sócios. Por não ser uma pessoa jurídica. a Sociedade em Comandita por ações não tem mais nenhuma utilidade. e se caracteriza por não poder adotar denominação social em seu nome empresarial. e os sócios comanditários.627/40). com forma e natureza jurídica próprias. Atualmente. tratadas no NCC como sociedades em comum. Sociedade Cooperativa: é um tipo especial de sociedade que poderá ser constituída mesmo sem capital. são as sociedades cujo capital dividese em ações. III. não sujeita à falência. Sociedade em Comandita por Ações: tipo de sociedade que só foi utilizado durante a vigência da antiga Lei das Sociedades por Ações (Decreto-lei n. 1. comercial ou civil. 126. Será sempre uma sociedade simples. que exigia o mínimo de sete acionistas para constituir uma sociedade por ações. “Art.º 6. Sociedade em nome coletivo: é uma típica sociedade de pessoas que possui como objetivo a realização de determinada atividade econômica. A firma ou nome empresarial deve obrigatoriamente ser formado pelo nome dos sócios que a integram. ou ainda por um deles. A responsabilidade dos sócios é ilimitada e todos respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações assumidas pela sociedade em comum. Só pode ser composta por pessoas físicas. São consideradas sociedades de fato e não de direito. obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. • Sociedade em comum – conforme mencionado anteriormente.

com capacidade de adquirir direitos e assumir obrigações. O contrato social produz efeitos somente entre os sócios e sua eventual inscrição em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. a sede da empresa O empresário que instituir sucursal. A inscrição do empresário será feita mediante requerimento com as seguintes informações: a. d. Somente o sócio ostensivo obriga-se perante terceiros. em lugar sujeito à jurisdição de outra Junta Comercial.III – de estar a pessoa jurídica regularmente constituída. Sociedade Cooperativa. pessoa jurídica. o capital. 969 do NCC). Será representada ativa e passivamente por seus administradores. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios admitidos em direito. dotada de patrimônio próprio distinto do patrimônio de seus sócios. estado civil e. filial ou agência. nacionalidade. o objeto. Sociedade em Comandita por Ações. antes do início de suas atividades. 1. b. na forma prevista em seu contrato de participação.: Sociedades Simples.4 INSCRIÇÃO DO EMPRESÁRIO É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis (Juntas Comerciais) da respectiva sede. o seu nome. Sociedade Limitada. O sócio participante obriga-se exclusivamente perante o sócio ostensivo. • Sociedade em Conta de Participação – tipo societário em que há a existência de dois tipos de sócio: o ostensivo e o participante. Sociedade Anônima. Sociedade em Nome Coletivo. domicílio. o regime de bens. e e. A atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo. tornado-se sociedades de direito. a firma. se casado. Sociedade em Comandita Simples. com a prova da inscrição originária da empresa matriz (art. em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Ex. c. 7 . participando os demais dos resultados correspondentes. estará obrigado a inscrevê-la nessa. Sociedades Personificadas: são as sociedades que possuem seus atos constitutivos registrados nos órgãos próprios. com a respectiva assinatura.

a forma societária mais adotada pelas pequenas. de quotas correspondentes a 20% do capital social. com o seu objetivo social e o mercado onde vai atuar. No novo sistema do NCC. para a tomada de vários tipos de decisões. ao longo dos tempos. podemos citar: a. 8 . o que não acontece nas sociedades institucionais. de termo de posse de administradores e conselheiros fiscais.1 CARACTERÍSTICAS É o tipo de sociedade cuja responsabilidade de cada sócio é restrita ou limitada ao valor de suas quotas. como titular de 60% das quotas de capital social. Era regida pelo Decreto n.708/19). desde que observadas as cláusulas básicas exigidas em lei. 75% (3/4) do capital social (art. pelo menos. nas sociedades por ações. os sócios têm plena liberdade de contratar as demais cláusulas. do aumento ou redução do capital. b. tornando-as muito parecidas com as Sociedades por Ações. 2. exigência de unanimidade para a aprovação. A sociedade limitada tem sido. cada um. etc. a aprovação das contas da administração deve ser feita em assembléia de sócios. como por exemplo. tais como o de registro de presença de sócios na assembléia.2 AS NOVAS REGRAS DO NCC As novas regras estabelecidas pelo NCC desfazem a simplicidade de constituição e a liberdade de contratação das demais cláusulas das Sociedades Limitadas. Dentre as novas regras.708.º 3. inclusive sobre a repartição dos lucros. entre outros assuntos. pelo menos. pois suas cláusulas devem ser cuidadosamente estudadas e escolhidas.2. 1. atualmente designados como administradores. Tomando como exemplo uma sociedade formada por três sócios. devido a sua relativa simplicidade. e o seu contrato social estava subordinado às disposições dos arts. o sócio A poderia decidir. necessidade de novos livros societários. ou seja. alteração da denominação social. d. a possibilidade de limitar a responsabilidade de cada sócio ao total do capital e pelo fato de ser uma sociedade contratual. De acordo com as novas regras impostas pelo NCC. comprometendo a tomada de decisão de forma rápida e eficiente. No regime anterior (Decreto 3. a modificação do contrato social precisa de. em que o sócio A é titular de 60% das quotas e os sócios B e C são detentores. de forma que sejam compatíveis com as pessoas que estão associando-se. A observância dessas cláusulas visa evitar problemas futuros entre sócios e em relação a terceiros. para admissão de novo sócio. Diante dessas novas regras. o sócio A precisará de votos de pelo menos um dos sócios para esse tipo de decisão. SOCIEDADE LIMITADA 2. nota-se o aumento da burocracia na gestão societária dessas empresas. tinha os votos necessários para proceder a qualquer modificação no contrato social. 51% das quotas do capital social.076. exigência de assembléia de sócios das sociedades com mais de 10 sócios. No regime anterior ao NCC. O capital social é dividido em Quotas. de atas de assembléia. sobre todas as alterações.052 a 1087 do NCC. c. os encarregados de gerir os negócios da sociedade. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. além de exigir que o seu contrato social seja elaborado por profissional competente. médias e até grandes empresas. de 10 de janeiro de 1919. I). o titular de. mudança de sede. 1. nas sociedades com mais de 10 sócios. Com a vigência do NCC passou a denominar-se apenas de Sociedade Limitada e a ser regida pelas normas dos arts. inclusive nomear os sócios gerentes. Na sociedade contratual. 300 a 302 do Código Comercial.

estado civil. após a averbação e publicação. pode ser citado o nome de um deles acrescido da expressão & Cia Ltda. em relação à sociedade. §3º A renúncia de administrador torna-se eficaz. VI – as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade. ou pelo término do prazo se. escolhendo a regência supletiva pela Lei das SAs. do titular. Se houver vários sócios.” O contrato deve indicar. até 11/01/2004. Dentre as cláusulas básicas podemos citar: “Art. IV – a quota de cada sócio no capital social. pelas obrigações sociais. nacionalidade e sede dos sócios. com a finalidade de dotar as sociedades limitadas de instrumentos hábeis para desenvolver sua atividade econômica. objeto. se jurídicas. cuja contribuição consista em serviços. sede e prazo da sociedade. expresso em moeda corrente. de forma supletiva. e. isto é. Deve conter o nome de um ou mais sócios. 9 . as sociedades limitadas serão regidas. desde o momento em que esta toma conhecimento da comunicação escrita do renunciante. se pessoas naturais. O mesmo artigo prevê a regência supletiva da sociedade limitada pela Lei das sociedades por ações.” Foi estabelecido o prazo de um ano a partir da vigência do NCC (11/01/2003). nos casos omissos. o nome com o qual a sociedade se apresenta no mercado. profissão e residência dos sócios. podendo compreender qualquer espécie de bens. que. sendo recomendável que seja incluída uma cláusula nesse sentido. nacionalidade. adaptem seus contratos às novas regras. ou seja. sua destituição somente se opera pela aprovação de titulares de quotas correspondentes. 1. Por exemplo: Maciel e Meneses Ltda. 997. e firma ou denominação. indicadas no Art. particular ou público. salvo disposição contratual diversa. por meio de cláusula expressa no contrato social. 1. III – capital da sociedade. mencionará: I – nome. simples ou empresárias. § 1º): “Art. somente poderá ser destituído pelo voto dos sócios que representem 2/3 do capital social (art. O contrato social é composto pelas cláusulas básicas. quando a sociedade é composta por vários sócios. 2. 997. não houver recondução. 1. mediante requerimento apresentado nos dez dias seguintes ao da ocorrência.053 do NCC. para que as sociedades. o sócio que for nomeado administrador. VII – a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. pelas normas das sociedades simples. §2º A cessação do exercício do cargo de administrador deve ser averbada no registro competente. e outras cláusulas livremente contratadas. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição.063. também. e seus poderes e atribuições. subsidiariamente. VIII – se os sócios respondem. em relação a terceiros. De acordo com o NCC. No exemplo. seguida da expressão abreviada Ltda. suscetíveis de avaliação pecuniária.063. V – as prestações a que se obriga o sócio. a dois terços do capital social. II – denominação. ou não. além de cláusulas estipuladas pelas partes. fixado no contrato ou em ato separado. se for o caso. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito.Outra modificação relevante é a que trata da nomeação e destituição de administradores da sociedade limitada. em qualquer tempo. a firma social. poderá ser: Maciel & Cia Ltda. no mínimo. Geralmente se utiliza o nome do sócio administrador na firma social. antigos sócios-gerentes. e o modo de realizá-la.3 O CONTRATO SOCIAL De acordo com o art. §1º Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato.

a Sociedade Limitada era regida pelo Decreto n. Na Sociedade Limitada. Pode. 2. por expressa disposição constitucional (art. haver a transferência de quotas para não sócios. A cessão de quotas de capital social somente terá efeito jurídico. todos possuem a mesma quantidade de quotas. os administradores ou os sócios que derem nome à firma não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade. 2. que em seu art. contados da data do registro da sociedade ou do aumento de capital. os administradores e os sócios que dão nome à firma serão considerados solidários e ilimitadamente responsáveis. se os bens da sociedade não forem suficientes para o pagamento integral do débito tributário. Essa proteção do patrimônio dos sócios pode parecer injusta do ponto de vista dos credores. Não é permitida a participação de sócio cuja contribuição social consista apenas em prestação de serviços. violação do contrato ou da Lei. desde que não haja oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social (25%). Trata-se da desconsideração da personalidade jurídica da empresa. deve.708. ou seja. a partir da averbação do respectivo instrumento. pelo prazo de cinco anos. 2º limitava a responsabilidade dos sócios ao total do capital social. assinado pelos sócios concordantes. que vem sendo adotada pela jurisprudência. As quotas podem ser subscritas igualmente pelos sócios. uma vez integralizado o capital social. 10 . logo. O capital poderá ser integralizado em bens móveis ou imóveis. porém enquanto não for totalmente integralizado o capital social. 1. Exemplificando. os casos de não pagamentos de tributos devidos são contrários à lei. total ou parcialmente. pessoas estranhas à sociedade.º 3. conforme dispõe o art.Se a denominação social for um nome fantasia. ou de forma desigual. 1. principalmente nos casos de execuções trabalhistas e previdenciárias. de 10 de janeiro de 1919.052.055 do NCC. Portanto. Para efeito de transferência de quotas e não havendo disposição em contrário no contrato social. A integralização do capital com bens imóveis é isenta do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis e de Direitos a eles Relativos (ITBI) inter vivos. respondendo os sócios pela exata estimação dos valores conferidos ao capital. responderão solidária e ilimitadamente. os sócios administradores e os que derem nome à firma respondem com seus bens particulares até o saldo do débito tributário que superar o valor dos bens da empresa. A garantia de limitação da responsabilidade ao valor da quota de capital de cada sócio separa efetivamente o patrimônio da sociedade do patrimônio particular dos sócios. O NCC modifica essa regra da seguinte forma: “Art. Comércio de Calçados Dupé Ltda. a outro sócio. independentemente de ouvir os demais. cada sócio responde exclusivamente até o valor de suas quotas de capital.5 QUOTAS DE CAPITAL SOCIAL O capital da Sociedade Limitada é dividido em quotas representativas da participação dos sócios. também.4 RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Conforme comentado anteriormente. porém. subscrevendo alguns sócios mais quotas que outros. informar o objetivo da sociedade. 156). Por exemplo. todos os sócios respondem pelo total desse capital. a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Como regra geral. quanto à sociedade. que fica a salvo de cobrança de terceiros. o sócio pode ceder suas quotas. de competência municipal. mas representa o preço do risco que envolve toda atividade econômica. credores da sociedade. sempre que possível. Se a expressão limita for omitida. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social”. nos casos de atos praticados com desvio de poder. na execução fiscal.

tendo em vista as disposições especiais reguladoras da liquidação. individual ou conjuntamente. a instalação do conselho fiscal. ou contra a economia popular. enquanto perdurarem os efeitos da condenação”. Caso o contrato social preveja a instalação do conselho fiscal. as deliberações de determinadas matérias de maior relevância para a sociedade e de repercussão nos direitos dos sócios e de terceiros. ele será composto por três ou mais membros e respectivos suplentes. 1. concussão. 1. os membros da administração da sociedade ou de outra por ela controlada.071 do NCC: “Art. os deveres seguintes: I – examinar. peita ou suborno. Em geral. IV – denunciar os erros.069 do NCC: “Art. sócios ou não. V – convocar a assembléia dos sócios se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual. Além de outras atribuições determinadas em lei ou no contrato social. não é conveniente nem recomendável. 1. devendo os administradores ou os liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas.071. ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes. o cônjuge ou parentes até terceiro grau dos administradores. instalação e funcionamento do conselho fiscal na limitada só se justificam nas sociedades com número significativo de sócios que não participam da administração ou estão afastados do dia-a-dia da empresa. Essas matérias estão enumeradas no art. eleitos em assembléia anual dos sócios. além de outras matérias indicadas na lei ou no contrato: 11 . residentes e domiciliados no país. o acesso a cargos públicos. 1. III – exarar no mesmo livro e apresentar à assembléia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem. as obrigações assumidas e a situação financeira. além das pessoas impedidas por lei especial. 1. durante o período de liquidação da sociedade. tomando por base o balanço patrimonial e o de resultado econômico. contra o sistema financeiro nacional. a fé pública ou a propriedade.2. os atos a que se refere este artigo.011 do NCC. pelo menos trimestralmente. ainda que temporariamente. fraudes ou crimes que descobrirem. § 1º. VI – praticar. além dos inelegíveis enumerados no § 1º do art. 1. dentre as quais o controle da movimentação financeira. os sócios convivem com o quotidiano da sociedade e acompanham seus negócios. Não podem ser administradores. nas pequenas e médias empresas. a fim de preservar. Não podem fazer parte do conselho fiscal. Dependem da deliberação dos sócios.011. os livros e papéis da sociedade e o estado do caixa e da carteira.6 CONSELHO FISCAL A nomeação. aos membros do conselho fiscal incumbem. “Art. As atribuições do conselho fiscal estão elencadas no art. as obrigações assumidas pela sociedade e outras deliberações que não exigem maiores formalidades. as deliberações que devem ser tomadas em assembléia de sócios. os condenados a pena que vede. do ponto de vista econômico. contra as relações de consumo. No entanto.069. de prevaricação. sugerindo providências úteis à sociedade. os empregados de quaisquer delas. por escrito. ou por crime falimentar. 2. Nessas condições. II – lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos no inciso I deste artigo. contra as normas de defesa da concorrência. peculato. exigem algumas formalidades previstas em lei.7 DELIBERAÇÃO DOS SÓCIOS Os sócios das pequenas e médias empresas normalmente estão presentes nas principais atividades quotidianas.

se o capital social não estiver ainda totalmente integralizado. se o capital social estiver totalmente integralizado. a assembléia ou reunião dos sócios poderá ser substituída por documento que exponha de forma detalhada todas as deliberações e que seja assinado pela totalidade dos sócios. VI – a incorporação. pois simplifica a aprovação das contas e evita custos desnecessários de convocação e publicação na imprensa oficial e jornal de grande circulação. a realização de assembléia. que as deliberações sobre as matérias nele indicadas poderão ser aprovadas em reunião de sócios. VIII – o pedido de concordata. regularmente convocada e instalada. para dissolver sociedade contratada por prazo indeterminado. c. d. para destituir administrador sócio designado em ato separado do contrato social. a não ser que o contrato social tenha previsto quorum diverso. para designar administrador não sócio. Aprovação com 2/3 ou 67%: a. dissolução da sociedade ou levantamento da liquidação. VII – a nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas. ou a cessação do estado de liquidação. para destituir administrador não sócio. As deliberações acima elencadas só podem ser aprovadas em assembléia. para dissolver a sociedade com prazo determinado. para expulsar sócio minoritário se permitido no contrato social. deve ser prevista no contrato social sendo de suma importância para as pequenas e médias empresas. dessa forma. para designar administrador em ato separado do contrato social. para ter validade legal. Mais da metade do capital social ou 51% a. fusão. b. II – a designação dos administradores. A Lei exige quorum especial para as seguintes deliberações: Aprovação por unanimidade: a. atendido o quorum deliberativo previsto na lei para cada tipo de deliberação. em seu contrato social. para destituir administrador sócio nomeado no contrato social. para designar administrador não sócio. cisão. e. para alteração do contrato social. c. Aprovação com 3/4 ou 75%: a. quando feita em ato separado. Nos casos de empresas com até dez sócios. IV .I – a aprovação das contas da administração. Essa substituição. b. dispensando-se.o modo de sua remuneração. As sociedades com no máximo dez sócios podem prever. b. para aprovar incorporação. 12 . quando não estabelecida no contrato. a fusão e a dissolução da sociedade. V – a modificação do contrato social. III – a destituição dos administradores.

b.º 6. e nos casos omissos deverá ser aplicada as disposições do Novo Código Civil . É regida por Lei especial. Seus valores mobiliários não são negociáveis em bolsas de valores.3. 13 . o titular da ação é chamado de acionista. g. as contas da diretoria. a Lei n. desde que não impeçam sua negociação nem sujeitem o acionista ao arbítrio dos órgãos de administração ou dos acionistas controladores. falecendo o titular da ação. a sociedade será designada por denominação. se não forem bem administrados. Exemplo: Companhia Brasileira de Distribuição.NCC. seu órgão deliberativo máximo é a Assembléia Geral que tem poder para aprovar e reformar os estatutos sociais. i. instituições financeiras. ou seja. etc. podem ser negociadas na bolsa de valores ou no mercado de balcão. Dentre as principais características podemos citar: a. as sociedades por ações são uma sociedade de capital e não de pessoas. que são títulos representativos de participação societária no capital da companhia. 3. f. depois de registrados na comissão de Valores Mobiliários (CVM).404/76. debêntures. partes beneficiárias. como por exemplo: telecomunicações. não poderá ser impedido o ingresso de seus sucessores no quadro da sociedade. acompanhada das expressões companhia ou sociedades por ações por extenso ou abreviadamente (Cia ou S/A) sendo que a expressão companhia só poderá figurar no início ou no meio do nome empresarial. aprovar. e. Companhia de Capital Fechado: É aquela em que seu estatuto pode estabelecer limites à livre circulação das ações representativas de seu capital social. Uma das vantagens das companhias de capital aberto é a opção de captar recursos financeiros mediante a emissão e colocação no mercado acionário.2 ESPÉCIES DE COMPANHIAS Existem dois tipos de companhias: as de capital aberto e as de capital fechado. d. mesmo que seu objeto seja civil. dos valores mobiliários. a companhia é sempre empresarial. prestação de serviços gerais. razão pela qual nenhum acionista pode impedir a entrada de outro na companhia. SOCIEDADE POR AÇÕES 3. etc. c. etc.1 CARACTERÍSTICAS A sociedade anônima ou companhia é o tipo de sociedade em que o capital é dividido em ações. a cada ano. as ações são livremente negociáveis. h.). com juros muito altos e capazes de inviabilizar a atividade dos tomadores de empréstimos. eleger seus dirigentes (conselho de administração e diretoria). obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. Companhia de Capital Aberto: É aquela em que os valores mobiliários de sua emissão (ações. energia elétrica. a responsabilidade do acionista vai até o preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir. sem precisar recorrer ao crédito bancário. seu capital social é dividido em ações. seus fiscais (conselhos fiscais). diferenciando-se uma da outra pela negociação ou não de suas ações na bolsa de valores ou no mercado de balcão.

3 AÇÕES DO CAPITAL SOCIAL As ações são a menor parcela em que é dividido o capital social de uma companhia. a Diretoria e o Conselho Fiscal.021/90 foram extintas as ações endossáveis e ao portador. o estatuto poderá livremente prevê outros órgãos de assessoria ou de execução. que detém a custódia dessas ações. o Conselho de Administração. resultantes da amortização de ações ordinárias ou preferenciais. Ações Preferenciais: são aquelas para as quais o estatuto outorga determinados privilégios em relação às ordinárias. ainda utilizada no NCC e também nos jornais de grande circulação. Com exceção das ações nominativas. Segundo. também não há. 3. Ações Ordinárias: são aquelas de emissão obrigatória em todas as companhias e que conferem a seus titulares o direito de voto pleno ou restrito. ou seja. A partir da vigência da Lei n. deixar de conferir-lhes o direito a voto ou restringi-lo. 14 . a emissão dessas ações está limitada a 50% do total das ações emitidas. torna-se obrigatória a auditoria independentes de suas Demonstrações Contábeis e da divulgação. Com a vigência da Lei n. sendo considerada como amortização. a título de antecipação. daí o surgimento da denominação de sociedade anônima. através de notas explicativas. Quanto à espécie.4 ÓRGÃOS SOCIAIS De acordo com a Lei n. como chamá-la de sociedade anônima. como ela tem um nome e endereço conhecido. Somente as companhias de capital fechado poderão ter mais de uma classe de ações ordinárias. São classificadas quanto à forma e quanto à espécie. Não são emitidos certificados e sua transferência opera-se por meio de lançamento da operação nos registros próprios da instituição financeira depositária. endossáveis e ao portador. porque não restou nenhuma possibilidade de anonimato do acionista com a extinção das ações endossáveis e ao portador. a rigor. a expressão sociedade anônima.404/76. são quatro os principais órgãos da companhia: a Assembléia Geral. eram classificadas em: nominativas registradas. Além desses órgãos. Quanto à forma. Entre os privilégios podemos citar a prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso do capital. as demais permitiam o anonimato dos seus possuidores. no que diz respeito à própria companhia.Para que a companhia possa recorrer ao mercado acionário em busca de recursos financeiros.º 8. Ações Nominativas Escriturais: são aquelas mantidas em conta de depósito em instituição financeira. Ações Nominativas Registradas: são representadas por certificado e transferidas mediante registro no livro próprio da sociedade emissora. de quantias pagas a título de reembolso de capital. as ações são classificadas em: ações ordinárias. Primeiro. 3.º 6. podendo. O número de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito estava limitado a 2/3 do total das ações. em contrapartida. a distribuição aos acionistas. preferenciais e ações de fruição. perdeu o seu significado. Ações de Fruição: são aquelas emitidas em substituição às ações de outras espécies. em nome do titular. o Registro de Transferência de Ações. nominativas escriturais.303/2001. dos principais critérios utilizados na avaliação dos elementos patrimoniais e da composição dos valores mais relevantes constantes dessas Demonstrações. restando somente as nominativas registradas e as nominativas escriturais. Por esse motivo.º 10. A auditoria independente confere maior credibilidade e transparências dos relatórios contábeis divulgados aos usuários externos.

no mínimo.3 Diretoria É o órgão executivo das deliberações da Assembléia Geral e do Conselho de Administração e de representação legal da companhia. É de existência obrigatória. cônjuge ou parente até terceiro grau de administrador da empresa. e a atribuição de poderes de cada diretor. 3. três e no máximo cinco membros. em seguida ao encerramento da AGO. examinar. empregado da companhia ou de sociedade por ela controlada ou do mesmo grupo. nas sociedades de economia mista e nas sociedades de capital autorizado. tendo competência restrita aos seguintes temas: tomar as contas dos administradores. A Lei exige a realização de uma Assembléia Geral Ordinária (AGO) nos quatro meses imediatamente seguintes ao encerramento do exercício social. Quem elege e destitui seus membros a qualquer tempo é a Assembléia Geral.1 Assembléia Geral É o órgão máximo da companhia e dela participam todos os acionistas com direito a voto.3. a Lei assegura-lhes o direito de manifestar-se sobre as matérias constantes da pauta. é um órgão cuja criação é facultativa. 3. 15 . É um colegiado de caráter deliberativo ao qual a Lei atribui parcela da competência da Assembléia Geral.2 Conselho de Administração Em regra.4. O Conselho de Administração delibera sempre por maioria de votos e só pode ser conselheiro quem for acionista. Mesmo para os acionistas sem direito a voto. Pode e deve ser assessorado por contabilista registrado no CRC do local de sua atuação.4 Conselho Fiscal É um órgão colegiado destinado à fiscalização da administração da companhia. Compete ao estatuto fixar o número de conselheiros e o tempo de duração do mandato de seus integrantes. porém.4. Seu caráter é exclusivamente deliberativo. Nesse caso. Sua função é proteger os interesse da empresa e de todos os seus acionistas. deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos. se for o caso. Poderá ser realizada no mesmo dia. o Conselho Fiscal deverá ser composto de.4. Nas sociedades de capital aberto. de funcionamento facultativo. ou na falta deste. com a finalidade de agilizar a tomada de decisões de interesse da companhia. O estatuto deve prever o número mínimo e máximo de diretores. no mínimo. a criação desse órgão é obrigatória. pela Assembléia Geral. 3. eleger os administradores e fiscais. especialmente convocada e que tem poderes para tratar de qualquer assunto referente aos interesses da companhia. a duração do mandato. devendo o estatuto dispor sobre o seu funcionamento. Os diretores não precisam ser acionistas e são eleitos pelo Conselho de Administração. Qualquer outro tema só poderá ser discutido e votado em Assembléia Geral Extraordinária (AGE). que não deve ser inferir a dois. discutir e votar as Demonstrações Financeiras. Se a Assembléia Geral deliberar sobre o seu funcionamento. três conselheiros. Deve ser composto por. Não poderá ser fiscal: quem seja membro de órgão de administração. que não deve ser superior a três anos. acionistas ou não. que não poderá ser superior a três anos. o relatório da administração e os demonstrativos contábeis apresentados à Assembléia Geral devem vir acompanhados do parecer do Conselho Fiscal.4. bem como o modo de sua substituição.

A configuração do plano de contas depende do ramo de atividade da empresa e de seu porte (micro. dependendo da necessidade de cada organização. registrem.1 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS É o agrupamento ordenado de todas as contas que serão utilizadas pela contabilidade de determinada empresa. A seguir encontra-se uma sugestão de plano de contas de uma empresa do ramo industrial.2 COMPOSIÇÃO O plano de contas é enumerado ou codificado de forma racional. O elenco de todas as contas é indispensável para o registro de todos os fatos contábeis. 16 . Os números subseqüentes indicarão os grupos e subgrupos a que pertencem cada conta. embora não movimentadas no momento. 2 . deverá constar as contas que serão movimentadas pela contabilidade em decorrência das operações da empresa. e.para as contas de receita e deduções de receitas 5 . o mesmo deverá sofrer algumas alterações no sentido de aperfeiçoá-lo. provisão para créditos incobráveis ou provisão para devedores duvidosos. tendo em vista existência de diversas nomenclaturas para uma mesma conta. Poderemos atribuir a seguinte codificação: 1 .para as contas dedutivas do resultado do exercício (custos. com o decorrer do tempo e com o aumento da complexidade das transações da empresa. 4.4. Portanto. abrangendo as contas patrimoniais e de resultado. o detalhamento de cada subgrupo. um mesmo fato contábil ou uma mesma operação. um plano de contas evidenciando um único título de conta para determinada operação evita que diversas pessoas ligadas ao setor contábil.para as contas de passivo exigível. 3 . com código de até quatro dígitos. terão grande perspectiva de serem utilizadas no futuro. evitando a utilização de nomenclaturas diferentes para um mesmo evento. ou. com nomenclaturas diferentes. facilitando a realização dos lançamentos contábeis por meios mecânicos ou eletrônicos. Na formulação do plano de contas. despesas. média ou grande). em algumas situações. pequena.para as contas de ativo.para as contas de patrimônio líquido 4 . as contas que. Essa codificação facilita a identificação do grupo patrimonial a que pertence cada conta. Nenhum plano de contas é perfeito.: Duplicatas a receber ou clientes. PLANO DE CONTAS 4. ainda. O plano de contas confere uma padronização das contas a serem utilizadas para o registro dos fatos contábeis. Ex. participações). etc.

1 1.2.1.4 1.1.2.1.1 1.2.1.10 1.8 1.4.2.5 1.2.2 1.2.3.3 1.4 1.3.3.2.2.3 1.2.1.2.2.1.1 1.1.2.1.2.1.2.2.3.1 1.2.2.5 1.4.1 1.1.1.2 1.3 1.2.2.5.1.2.3.1.3 1.1 1.1 1.3.4.11 1.2.2 1.3 1.2.2.1.1 1.1.3 1.3.4 1.1 1.1.1.4 CONTAS ATIVO Circulante Disponível Caixa Banco conta movimento Aplicações de liquidez imediata Créditos Duplicatas a receber (-) Duplicatas descontadas (-) Provisão para Créditos incobráveis Títulos a receber Contas a receber Estoques Estoques de matéria-prima Estoques de produtos em elaboração Estoques de produtos acabados Estoques de material de consumo Pagamentos antecipados Prêmios de seguros a vencer Assinaturas de revistas Tributos a recuperar IPI a recuperar ICMS a recuperar PIS a recuperar COFINS a recuperar Não Circulante Realizável a longo prazo Duplicatas a receber (-) Duplicatas descontadas (-) Provisão para Créditos incobráveis (-) Ajuste a valor presente Empréstimos a coligadas e controladas Empréstimo a Sócios e Acionistas Investimentos Participações em outras sociedades Imóveis de renda Imóveis para futura utilização Imobilizado Terreno Edifícios Instalações Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Computadores e periféricos Benfeitorias em propriedade de terceiros Imobilizado em andamento (-) Depreciação acumulada (-) Amortização Acumulada Intangível Marcas e Patentes Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Direitos autorais (-) Amortização Acumulada 17 .4 1.1 1.CÓDIGO 1 1.1.3 1.5.2.3 1.2 1.2.4 1.1.2.2 1.2.1.1.5 1.1.3.7 1.3.1.6 1.1.4 1.2.2.5.2.5.4.2.3.2.2 1.1.1.3.1.3 1.1 1.2.2.1.4.2.2 1.1.2 1.1.3.4 1.2.9 1.4.1.6 1.2 1.1.2 1.2 1.5 1.1 1.3.3.3 1.2 1.3.

1.1.10 2.1.1.1.6 2.1.4.2 3.1.7 3.1 3.5 3.1.1.3 3.2 3.2.1.2.4 2.1.CÓDIGO 2 2.4.1.1 2.1 2.6 CONTAS PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social Capital subscrito ou integralizado (-) Capital a subscrever ou integralizar Reservas de Capital Ágio na emissão de ações Alienação de partes beneficiárias Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de Lucros Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingências Reserva de lucros a realizar Reserva de retenção de lucros Reserva de incentivos fiscais Reserva especial de dividendo obrigatório não distrib.2.4.4.1.1 3.2.9 2.2 2.1.1.2.2 2.1.5 2.11 2.1.4 2.1.4 3.4.1.1.1 3.1 2.4.1 2.4.8 2.3 2.2 3.6 3.1 2.2.1.1.1.2 2.2.12 2.3 3.1. (-) Prejuízos Acumulados (-) Ações em Tesouraria 18 .1 3.1.2 3.1.5 CONTAS PASSIVO Circulante Exigível a curto prazo Fornecedores ICMS a recolher IPI a recolher PIS a recolher COFINS a recolher IRRF a recolher INSS a recolher Provisão para IR Provisão para CSLL Contas a pagar Títulos a pagar Empréstimos bancários Não Circulante Exigível a longo prazo Financiamentos Títulos a pagar Debêntures a pagar Resultados não realizados (-) Ajuste a valor presente CÓDIGO 3 3.1.1.3 2.2.7 2.4 3.1.5 3.1.1.1.

2.2.1.2.1.3.2.2.2 5.2 4.2.1.3.2.1.1 5.3.2.7 5.1.2.1.1 5.2.2.7 4.1 5.2.3.3.2.1.2 4.3 5.1.1.1.4.3 5.9 5.2 5.2.2.5 4.3 5.1.1.1.4 5.5 5.1.2.4 5.2 5.2.2.2.2 4.4 4.2 5.2.2.2.3 4.1.4 5.1.4 CONTAS CUSTOS E DESPESAS (-) Custo dos Produtos Vendidos Matéria-prima Matéria-prima X Matéria-prima Y Mão-de-obra Salários Gratificações Horas extras Encargos de FGTS Encargos de INSS Férias e encargos Décimo terceiro e encargos Custo Indireto de Fabricação Material secundário Aluguéis de fábrica Seguros de fábrica Energia elétrica Manutenção Mão-de-obra indireta (-) Despesas Operacionais Vendas Salários Comissões Encargos de FGTS Encargos de INSS Férias e encargos Décimo terceiro e encargos Propaganda e publicidade Provisão para créditos incobráveis Depreciação Administrativas Salários Honorários da diretoria Aluguéis Encargos de FGTS 19 .2.1.2 5.2.1.1.5 5.1.6 5.1.1.1.2 5.5 5.1 4.1.1 5.2.1 5.CÓDIGO 4 4.1.1.1.1.4 4.3 4.6 5.2 5.1.1 5.6 4.1 5.2.1 CONTAS RECEITAS Receita Bruta de vendas Vendas Serviços (-) Deduções da receita bruta Vendas canceladas Descontos e abatimentos incondicionais IPI ICMS ISS PIS COFINS Receitas Financeiras Receitas de juros Descontos obtidos Receitas não-operacionais Ganhos de capital permanente CÓDIGO 5 5.2.1 4.2.1 5.3.3.2.6 5.2.2.2 4.1.1 4.3 5.3 5.3.8 5.2.2.1.2 5.1 4.7 5.

2.3.2.2.4.2.6 5.9 5.2.2.4 5.1 5.4.2 5.2.3.2.10 5.2.5 Encargos de INSS Férias e encargos Décimo terceiro e encargos Depreciação Seguros Serviços Profissionais Financeiras Juros pagos ou incorridos Descontos concedidos Correção monetária pré-fixada (-) Despesas não-operacionais Perda de capital permanente (-) Participações e Contribuições Debêntures Empregados Administradores Partes Beneficiárias Doações e Contribuições para fundo de previdência 20 .1 5.2.7 5.3 5.2.2 5.3.4.3 5.5.4 5.2.3 5.4.5 5.2.4.3.8 5.2.2.3 5.2.1 5.

O valor pago pelo comprador inclui somente o valor da mercadoria. embora estejam em poder de terceiros. etc. Dentre os itens que fazem parte dos estoques das entidades. a exemplo dos bens recebidos para conserto. Resumidamente. etc. materiais auxiliares e materiais de consumo. seja para transformação (matérias-primas ou materiais em processo). desde que os mesmos tenham sido adquiridos sob condições de compra FOB (Free on board). consiste no processo de verificação da existência física dos estoques na entidade. embora estejam fisicamente na empresa. Empresas de Serviços: basicamente material de consumo e material de reposição. seguro e frete. Os estoques englobam todos os bens produzidos. beneficiamento. Compra (FOB) Free on board – expressão inglesa que significa livre a bordo. inventário inclui também a verificação da existência física dos bens que fazem parte do ativo imobilizado da entidade. os gastos referentes ao seguro e ao frete serão de responsabilidade do comprador. bens remetidos para conserto. No sentido amplo. demonstração. as mercadorias adquiridas e os materiais de consumo. armazenagem. se a empresa fornecê-los juntamente com os serviços. caracterizam o inventário. os produtos industrializados. Empresas Comerciais: mercadorias e material de consumo. 21 . os estoques representam bens à disposição da entidade. nas instalações do fornecedor. como por exemplo. no sentido restrito. Dessa forma. produtos acabados e materiais auxiliares. c. seja para consumo (material de escritório).2 INVENTÁRIO O inventário. etc. independentemente de sua posse ou controle. De uma forma geral.COMPRAS 5. 5. Insurance. beneficiamento. seja para vendas (mercadorias e produtos acabados). excetuando-se aqueles que. particularmente naquelas cujo objeto social seja a comercialização ou produção de bens para venda.5. são de propriedade de terceiros. Um item deve ser registrado no subgrupo estoques de uma entidade quando ocorrer a transferência jurídica de sua propriedade. Em suma. O valor pago pelo comprador inclui o valor das mercadorias mais os gastos com frete e seguro. a verificação e a contagem física do bem. and Freight – expressão inglesa que significa custo. armazenagem. das contas a receber. produtos em elaboração. Dessa forma os critérios para avaliar os estoques são de extrema importância para a formação do resultado do exercício. das contas a pagar. consignação. OPERAÇÕES COM MERCADORIAS . in loco. os estoques de matérias-primas. Compra (CIF) Cost. os estoques serão compostos por: a. Itens de propriedade da entidade que integram fisicamente seus estoques. demonstração.1 COMPOSIÇÃO DOS ESTOQUES Os estoques representam valores expressivos na composição do ativo das entidades. Dessa forma. ponto de embarque. o frete e o seguro serão de responsabilidade do vendedor. Itens de propriedade da entidade. nos quais se incluem as mercadorias para revenda. podemos citar: Empresas Industriais: matérias-primas. consignação. que deverá entregar a mercadoria no local indicado pelo comprador. b. Itens adquiridos pela entidade que ainda se encontram em trânsito na data do encerramento das demonstrações contábeis. os bens utilizados na produção.

oportunidade em que serão apurados os resultados? 1. As empresas que optaram pelo lucro real trimestral estão obrigadas a registrar no livro de registro de inventário os estoques existentes ao final de cada trimestre.5. ou seja. Na hipótese do valor de mercado ser inferior ao valor de custo.600. ou pelo cartório de registro de títulos e documentos ou de registro civil das pessoas jurídicas.3 LIVRO DE REGISTRO DE INVENTÁRIO As pessoas jurídicas tributadas pelo regime de tributação do lucro real estão obrigadas a escriturar o Livro de Registro de Inventário. no caso de sociedades civis. 5. serão avaliados pelo custo de aquisição ou produção.400. já as empresas que optaram pelo real anual. Esse livro destina-se a listar as mercadorias.200. ou seja. terão que fazer esse registro somente por ocasião do encerramento do exercício. o critério de avaliação dos estoques é o custo histórico. os produtos manufaturados. que dispõe em seu inciso II do artigo 183: “Os direitos que tiverem por objetos mercadorias e produtos do comércio da companhia. o valor despendido para adquiri-lo. em observância ao princípio contábil do conservadorismo ou prudência. conforme dispõe os arts.00 15. deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado. constante da nota fiscal de compra.00 1.00) 22 . com pagamento mensal por estimativa. os estoques deverão ser ajustados por meio de uma provisão para representarem o valor que provavelmente será recuperado.400. produtos em fabricação e bens em almoxarifado.4 CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES Os bens pertencentes aos estoques deverão ser avaliados de acordo com os procedimentos estabelecidos pela Lei das Sociedades por Ações. quando são elaboradas as demonstrações contábeis. assim como matérias-primas. Dessa forma. ou será feito somente no final do exercício ou do mês. Exemplo: Estoque a valor de custo Estoque a valor de mercado Ajuste dos estoques a valor de mercado Registro contábil: D – Despesa com provisão para ajuste a valor de mercado C – Provisão para ajuste a valor de mercado 5. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido e as optantes pelo SIMPLES também estão obrigadas a registrar no livro de registro de inventário os estoques existentes em 31 de dezembro de cada ano calendário. quando este for inferior”. o controle será permanente a cada entrada e saída de mercadoria. O Livro de Registro de Inventário ou as fichas que o substituírem deverão ser autenticados pelas juntas comerciais ou repartições encarregadas do registro do comércio. os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data de encerramento do exercício social. as matérias-primas. no caso de empresas mercantis. matérias-primas e materiais auxiliares para revenda e o custo de produção para os produtos em elaboração e produtos acabados.400. nos casos de mercadorias.00 14.00 (1.5 SISTEMAS DE CONTROLE DE ESTOQUES Os sistemas de controles de estoques dizem respeito à forma como a movimentação dos estoques vai ser controlada. 260 e 261 do RIR/99.

500 – 22.6 CRITÉRIOS DE CUSTEIO DOS ESTOQUES Antes de nos referirmos aos critérios de custeio dos estoques. levando em consideração o porte da empresa. 5. seja pela variedade de mercadorias transacionadas. consideremos que a empresa Mercearia São José possuísse saldo inicial de estoques no valor de R$ 23. CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) EI (Estoque Inicial) EF (Estoque Final) Exemplificando. em quantidade e valores. Atualmente as médias e grandes empresas utilizam sistemas informatizados que já registram a baixa da mercadoria em estoque no momento da venda a terceiros. necessita-se obrigatoriamente do levantamento físico do estoque no final de cada período de apuração. 5.000 + 104.Cabe à administração da empresa decidir qual sistema de controle irá adotar. despesas aduaneiras.500. de maneira que. os custos para colocá-la no estabelecimento da empresa inclui os fretes e seguros sobre compras. Esse sistema é essencial para empresas que movimentem valores relevantes em estoques. além de sua comprovada utilidade gerencial. e os impostos não-recuperáveis são aqueles que não poderão ser cobrados nas operações subseqüentes como o imposto sobre importação.00 (valor líquido do ICMS) e no final do período apurou um estoque final de R$ 22. utilizando-se do sistema de controle periódico. seu ramo de atividade e suas necessidades gerenciais.00. 23 . avaliado ao preço de custo. os custos incorridos para colocá-la no estabelecimento da empresa e os impostos não-recuperáveis. 5.00 e durante o período realizou compras de mercadorias no valor de R$ 104. custos com despachantes e imposto sobre operações financeiras (IOF). Geralmente esse tipo de inventário é adotado quando se torna inviável a utilização do inventário permanente. O custo de aquisição é formado pelo valor da mercadoria. torna-se necessário destacar quais são os componentes do custo de aquisição.2 Inventário Periódico Consiste em registrar todas as compras efetuadas durante o período numa conta cumulativa de compras e apurar o inventário somente no final de cada período.5.5. O Custo das Mercadorias Vendidas será calculado da seguinte forma: CMV = EI + Compras – EF CMV = 23.000. se disponha da posição atualizada dos estoques e dos custos das mercadorias vendidas.000 Para apurar o custo das mercadorias vendidas e dos estoques existentes na empresa no final do período ou por ocasião do encerramento do exercício. a qualquer momento. seja pelo fato da empresa não dispor de tecnologia para essa finalidade.1 Inventário Permanente Consiste em manter controle contínuo das entradas e saídas de mercadorias. Os dois sistemas de controle de estoques conhecidos são: inventário permanente e inventário periódico.500 CMV = 105.500. O Custo da mercadoria vendida é obtido através da fórmula: CMV = EI + Compras + Fretes – Devoluções de Compras – EF. O valor da mercadoria é aquele constante do documento fiscal.

5. 24 . Esse critério é aceito pela legislação fiscal. atribuindo como custo das mercadorias vendidas o valor da última mercadoria que deu entrada nos estoques.3 Média Ponderada Móvel É o critério de custeio mais utilizado no Brasil e consiste em avaliar os estoques pelo custo médio de aquisição apurado a cada entrada de mercadoria. implica no ajuste do custo médio. 5. tratores. à medida que ocorrem as vendas. último a entrar. cada entrada com custo unitário de aquisição diferente do custo médio anterior. Para que seja possível adotar esse procedimento. primeiro a sair. Esse critério não é aceito pela legislação fiscal. ou seja.6.4 Custo Específico ou identificado É o critério de custeio no qual a empresa controla o custo específico de cada item comprado ou vendido. Esse critério de custeio subavalia o custo das mercadorias vendidas e conseqüentemente sobreavalia o lucro bruto ou resultado da conta mercadorias. Primeiro a Sair Custo Médio Ponderado Custo Específico 5.6. Os critérios de custeio de estoques mais freqüentemente empregados são: • • • • PEPS – Primeiro a Entrar. é necessário proceder a um controle por lotes de compra. Esse critério estabelece ordem de saída contrária à do PEPS. uma vez que os produtos ou mercadorias foram adquiridos em datas distintas a preços também distintos. o que significa dizer que a ordem de saída das mercadorias (vendas) é a mesma das entradas (compras).1 Critério de custeio PEPS (FIFO) Consiste em atribuir às quantidades vendidas o custo das compras efetuadas em primeiro lugar e dessa forma obter o custo das mercadorias vendidas. por apresentar um custo das mercadorias vendidas menor que o apurado através da média ponderada móvel. dá-se baixa das primeiras compras. é necessário proceder a um controle por lotes de compra. 5.2 Critério de custeio UEPS (LIFO) Consiste em atribuir às quantidades vendidas o custo das compras efetuadas em último lugar e dessa forma obter o custo das mercadorias vendidas.6. sendo o mais adequado apenas para mercadorias ou produtos de preço elevado e de pouca rotação. A mercadoria ou produto é baixado no estoque pelo seu preço de custo específico. primeiro a entrar. ponderado pelas quantidades adicionadas e pelas anteriormente existentes. ou seja. Primeiro a Sair UEPS – Último a Entrar.6. automóveis etc. deve-se definir qual o preço unitário do produto ou mercadoria que deverá ser atribuído aos estoques na data do encerramento do período ou do exercício social. porém. justamente porque sobreavalia o custo das mercadorias vendidas e subavalia o lucro bruto ou resultado da conta mercadorias. Dessa forma. Da mesma forma que na utilização do critério de custeio PEPS. é pouco utilizado no Brasil. Nesse critério. como por exemplo. Possui a vantagem de não necessitar do controle de custos por lotes de compras.Uma vez conhecidos os componentes do custo de aquisição. primeiro a sair.

as quais devem ser registradas contabilmente em contas apropriadas. Essa conta corrente possui a peculiaridade de ser uma conta transitória. devendo ser aplicado o mesmo tratamento relativo às compras. 5. que ainda não são do domínio dos estudantes da disciplina de contabilidade introdutória. escolhemos o ramo comercial para discorrermos sobre as principais operações que envolvem os estoques. de mercadorias por uma empresa não sujeita ao PIS e COFINS não cumulativos. caso o saldo seja devedor ou credor. os custos incorridos para colocá-la no estabelecimento da empresa compradora e os impostos não-recuperáveis. fazendo a confrontação dos mesmos. Os fatos contábeis relacionados aos estoques de mercadorias. com ICMS de R$ 20.000 x 17%) destacado na nota fiscal.7. O frete poderá ser tributado pelo ICMS.º 10.833/03. ou seja. conforme comentado anteriormente. ou seja.7. Registra os impostos a recuperar e a recolher. respectivamente. Direito Tributário e Contabilidade Avançada. PIS e COFINS. mão-de-obra e gastos gerais de fabricação. 25 . no valor de R$ 120. Dessa forma. materiais auxiliares.00 (120. a prazo. O registro contábil da compra será realizado da seguinte forma: D – Estoque de mercadorias D – Conta corrente de ICMS C – Fornecedores 99. O respectivo montante integra o custo das mercadorias e será incorporado às unidades adquiridas. Observação: Salientamos que o procedimento de substituição tributária e o registro do PIS e COFINS não cumulativos não serão objeto de nosso estudo. ao serem escriturados. que geram créditos tributários nas compras de mercadorias. a empresa adquirente poderá recuperar o IPI. ICMS. 5. a exemplo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do ICMS (Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual.000 Caso a operação estivesse sujeita à substituição tributária do ICMS. deverá ser contabilizado como impostos a recuperar. ou seja.1 Compras de Mercadorias O custo de aquisição é formado pelo valor da mercadoria.600 20. no final do período de apuração seu saldo é transferido para o ativo circulante ou passivo circulante. Os impostos recuperáveis. tornando-se o ICMS um imposto não recuperável. Com o advento das Leis n. deverão obedecer aos sistemas de controle de estoques e ao critério de custeio adotado pela empresa. o fornecedor já tivesse destacado na nota fiscal e recolhido seu ICMS normal.000.400. as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real estão sujeitas ao PIS e COFINS não cumulativos.400 120. o ICMS representaria um custo para a empresa adquirente.637/2002 e 10. intermunicipal e de comunicações).7 PRINCIPAIS OPERAÇÕES COM ESTOQUES DE MERCADORIAS NO COMÉRCIO São inúmeras as operações que envolvem estoques de mercadorias. visando o controle dessas operações bem como a elaboração das Demonstrações Contábeis.5.2 Frete sobre compras de mercadorias Os fretes sobre compras representam os valores despendidos relativos ao transportes das mercadorias adquiridas para revenda. Exemplo: suponhamos uma compra de 100 unidades. pois serão tratados nas disciplinas de Contabilidade Tributária. Para fins didáticos. deverão ser excluídos do custo de aquisição e registrados como impostos a recuperar ou numa conta corrente de IPI e ICMS.00. bem como o relativo à substituição tributária. tendo em vista que praticamente não existem estoques nas empresas de serviços e na empresas industriais o custo dos produtos vendidos envolver outros itens como matéria-prima.

Exemplo: supondo que na compra realizada no item anterior.00.7. Nesse caso o custo das mercadorias não sofrerá alterações e a empresa obterá uma receita financeira denominada de descontos financeiros obtidos.000. ao devolver as mercadorias adquiridas. os registros contábeis serão realizados da seguinte forma: D – Fornecedores C – Estoques – Devoluções de compra C – Conta corrente de ICMS 5.00. tomará como base de valor os dados constantes da nota fiscal que gerou a entrada da mercadoria na empresa.200 x 12%). no vencimento.00: D – Duplicatas a pagar C – Caixa ou bancos C – Descontos Financeiros obtidos 12.000. preço ou qualquer outro fator esteja em desacordo com o seu pedido ou com a nota fiscal. já constando da nota fiscal. em que o comprador terá um desconto se efetuar o pagamento da duplicata até a data do vencimento. Exemplo: registro contábil do pagamento. no valor de R$ 1.000 3.000.3 Descontos incondicionais recebidos sobre compras Também conhecido como descontos comerciais.7. não sendo evidenciado na nota fiscal.000 9.200.000 60. É considerado como incondicional porque não depende de nenhuma condição exigida do comprador. e b) solicitar um abatimento ao vendedor. por se tratar de cliente especial ou outro motivo qualquer. a empresa tenha incorrido em despesas com fretes. com ICMS de 12%. Em virtude dessa ocorrência. o registro contábil será realizado da seguinte forma: D – Estoques – Fretes sobre compras D – Conta corrente de ICMS C – Fretes a pagar 1.00 (1. Exemplo: Suponha-se que uma empresa.00 com aproveitamento de desconto financeiro de R$ 3. são considerados como deduções que são concedidas sobre o preço da operação comercial em virtude da quantidade negociada.00 (60. de uma duplicata no valor de R$ 12. devolva metade das mercadorias adquiridas a prazo. qualidade. o comprador poderá adotar uma das seguintes medidas: a) devolver as mercadorias adquiridas. no valor de R$ 144.4 Devoluções de compras As devoluções de compras geralmente ocorrem quando o adquirente se vê prejudicado ao receber certa mercadoria cujo tipo. com ICMS de R$ 10. normalmente o desconto comercial já vem deduzido no preço de venda.056 144 1.000 49. A empresa compradora. Geralmente decorrem do pagamento antecipado do título ou em função do cumprimento de prazo estipulado pelo fornecedor. não sujeita ao PIS e CONFINS não cumulativos.7. A devolução de compras deve ser registrada na ficha de estoques como retificação das compras (entradas) e não como saídas. no valor R$ 60.200 26 .200. 5. total ou parcialmente.800 10. Na prática.5 Descontos financeiros obtidos São descontos que estão condicionados ao cumprimento de determinada condição pelo comprador e sua obtenção ocorre posteriormente à operação de compra das mercadorias.200 5.000 x 17%). para pagamento a prazo.

000 Quando do recebimento da mercadoria.000 27 .600 20.400 50.7. pois o fato gerador do mesmo é a saída da mercadoria.5. Em se tratando de empresas comerciais. o registro contábil será o seguinte: D – Estoques – Compras D – Conta corrente de ICMS C – Adiantamento a fornecedores C – Fornecedores 99.000 50. Exemplo: suponhamos que determinada empresa comercial adquira mercadorias para revenda no valor e R$ 120. não ocorre a tributação do ICMS.00. Esses adiantamentos devem ser classificados no ativo circulante caso a entrega seja até o término do exercício seguinte e representa um direito da entidade perante os fornecedores. cuja entrega seja no curto ou longo prazo. com a condição de efetuarse um adiantamento no momento do pedido no valor de R$ 50.00 em dinheiro e o pagamento do saldo restante da compra será efetuado após 90 dias do recebimento da mercadoria.000.000 70. cuja entrega será efetuada dentro de 60 dias. Registro do adiantamento: D – Adiantamento a fornecedores C – Caixa ou bancos 50. É importante destacar que nos casos de adiantamento a fornecedores.000. geralmente as entregas se dão no curto prazo. supondo que a empresa não esteja sujeita ao PIS e COFINS não cumulativos.6 Adiantamento a fornecedores São antecipações de recursos financeiros efetuados a fornecedores para aquisição de mercadorias para revenda.

6.600. não serão abordados no presente conteúdo restrito à Contabilidade Introdutória. Os conceitos tributários expostos também são aplicáveis às empresas industriais que. O regime de competência se diferencia do regime de caixa pelo fato desse último considerar como receitas e despesas do período as que foram efetivamente recebidas ou pagas.00 (3%) e Custo das Mercadorias Vendidas no valor de R$ 50.2 VENDAS DE MERCADORIAS 6. registro de apuração do ISS. registro de inventário.400.6.65%). desenvolvem atividades com o objetivo de lucro.VENDAS 6.637/02 e 10. que não serão objeto do nosso estudo no momento. OPERAÇÕES COM MERCADORIAS . PIS e COFINS. o PIS e a COFINS também passaram a ser tributos recuperáveis e não cumulativos. sendo destacado o ICMS. que é um imposto recuperável ou não cumulativo. pois a grande maioria das empresas comerciais não opta por esse regime de tributação. Caso seja adotado o sistema de controle de estoques do inventário permanente.200. foco de nossos estudos. O documento que comprova uma operação de venda de mercadoria é a nota fiscal de venda. registro de apuração do ICMS. respectivamente.833/03. não importando se tenham sido recebidas ou não.00 (17%). acrescenta ao custo dessas mercadorias. Atualmente. através das Leis n. não sujeita ao PIS e COFINS não cumulativos. portanto. não importando se tenham sido pagas ou não. ao adquirir uma mercadoria para revenda.00 (0. No valor do preço de venda das mercadorias estão embutidos os tributos indiretos como: ICMS. com ICMS destacado na nota fiscal de R$ 20. No valor do preço dos serviços está embutido o ISS.º 10.00.2. As empresas comerciais. as receitas e as despesas são consideradas em função de seu fato gerador e não em função de seu recebimento ou pagamento. apuração do lucro real). até chegar ao consumidor final que é quem assume a carga tributária. possua um estoque inicial de 500 unidades ao preço unitário de R$ 500. PIS no valor de R$ 780. de 100 unidades pelo preço unitário de R$ 1.00 e realize uma venda de mercadorias.00. Dentre as principais obrigações acessórias a serem cumpridas pelas empresas comerciais nas operações de venda de mercadorias podemos citar: escrituração dos livros contábeis obrigatórios (diário e razão) e escrituração dos livros fiscais (registro de entrada de mercadorias. o valor dos tributos indiretos citados anteriormente e a margem de lucro. que exige uma séria de obrigações acessórias. por apresentarem uma estrutura de custos mais complexa. nos casos de empresas tributadas pelo lucro real. Supondo que uma empresa. os registros contábeis referentes a essa transação são os seguintes: Registro da Venda D – Clientes C – Receita de vendas 120. As receitas do exercício são aquelas efetivamente ganhas no período. registro de saída de mercadorias.000 28 .1 Tributos incidentes sobre vendas As receitas de vendas de mercadorias ou serviços compreendem o produto da transferência de propriedade dos bens que constam dos estoques da empresa para terceiros e o preço dos serviços por ela prestados. a prazo. COFINS no valor de R$ 3.000 120. ou seja.000. As despesas do exercício são aquelas efetivamente incorridas no período. o valor pago na transação de compra será recuperado na transação de revenda.1 REGIME DE COMPETÊNCIA DE EXERCÍCIOS De acordo com o regime de competência de exercícios.

2 Frete sobre vendas Quando o valor do frete for devido ou pago pela empresa vendedora. com ICMS de 17%.2.780) 0 95.000 50. ele será considerado uma despesa para vender as mercadorias da empresa. por subavaliar o lucro.600 Se a empresa adotar o sistema de controle de estoques do inventário periódico. e sim no final do período. dependendo da legislação de cada estado da federação.600 3. Nesse caso seria utilizada a fórmula: CMV = EI + Compra – EF para apuração do Custo das Mercadorias Vendidas. se ele é tributado ou diferido. chegaremos ao conceito de Resultado da Conta Mercadorias (RCM) ou lucro bruto.400 20.00 representa cerca de 37.200.400 780 780 3. Nesse caso. que evidencia a diferença entre a receita líquida de vendas e o custo das mercadorias vendidas. fornecendo informações gerenciais para tomada de decisões. do custo das mercadorias e dos impostos incidentes sobre vendas. deve-se verificar o tratamento fiscal do ICMS sobre o frete. já comentado na parte relativa a compras de mercadorias.000 (24. objetivando utilizá-lo como diferencial mercadológico. a empresa poderia optar pelo critério PEPS ou pelo Custo Médio Ponderado.Registro do Custo das Mercadorias D – Custo das Mercadorias Vendidas C – Estoques 50. tendo em vista que a legislação fiscal não admite a adoção do critério de custeio UEPS. percentual esse que representa a margem bruta que irá remunerar as demais despesas e o capital investido pelos sócios. conforme demonstrado abaixo: Receita Operacional Bruta (-) Tributos incidentes sobre vendas (-) Descontos. Partindo para a análise dos efeitos dos lançamentos contábeis referentes ao registro das vendas. O lucro bruto da empresa acima referida. no valor de R$ 45. pois fornecem a informação do resultado da empresa antes da inclusão das demais receitas e despesas. Devoluções Receita Operacional Líquida (-) Custo das Mercadorias Vendidas Lucro Bruto (RCM) 120. Quanto ao critério de custeio dos estoques. Abatimentos. Suponhamos que a empresa vendedora tenha pago frete à vista no valor de R$ 1.º 87/96 estabelece a alíquota interna de 17% para as operações de circulação de mercadorias e de serviços de transportes. o registro contábil será o seguinte: 29 . a baixa dos estoques não ocorreria neste momento. 6.220 (50. Esse percentual poderá ser comparado com o índice de lucro bruto das empresas do setor. O Regulamento do ICMS do Estada da Bahia e a Lei Complementar n.220 O conhecimento do resultado bruto ou lucro bruto é de grande importância para as empresas comerciais que trabalham com compra e vendas de mercadorias.000) 45.7% da receita operacional bruta.000 Registro dos tributos incidentes sobre vendas D – ICMS sobre vendas C – Conta Corrente de ICMS D – PIS sobre vendas C – PIS a recolher D – COFINS sobre vendas C – COFINS a recolher 20.00. ou seja.220.

substituindo. receba. demora na entrega. com ICMS de 17%.600 3.000 6. e que a administradora do cartão de crédito cobre uma taxa de 5% de comissão sobre o valor da venda.D – Despesas com Fretes D – Conta corrente de ICMS C – Caixa 6. As vendas por meio de cartões de crédito têm se tornado a modalidade mais utilizada como forma de pagamento. 02). especificação técnica.000 114. Supondo que a venda do exemplo anterior (pág.400 780 780 3. tendo em vista que as sociedades administradoras de cartões somente efetuam o pagamento ao comerciante. em devolução. O registro contábil da devolução de venda é realizado da seguinte forma: 20.200 As vendas de mercadorias ou serviços efetuadas por meio de cartões de crédito. as vendas através de cheques. muitas vezes. em geral. após 20 dias da entrega das autorizações de pagamentos.600 30 . não sujeita ao PIS e COFINS não cumulativos e sujeita ao ICMS de 17%.000 50.3 Vendas com cartão de crédito 996 204 1.4 Devoluções de vendas A empresa pode receber em devolução as mercadorias anteriormente vendidas por vários motivos. divergência no pedido.2. são caracterizadas como vendas a prazo. por qualquer motivo. Dessa forma. O registro da devolução da venda será realizado com base nos valores da venda anteriormente efetuada e o retorno ao estoque deve ser feito pelo custo unitário atribuído a essas mercadorias quando de sua baixa por ocasião da venda. 50% das vendas a prazo efetuadas de acordo com os exemplos apresentados anteriormente.2.000 Registro dos tributos incidentes sobre vendas D – ICMS sobre vendas C – Conta Corrente de ICMS D – PIS sobre vendas C – PIS a recolher D – COFINS sobre vendas C – COFINS a recolher 6. dentre os quais vale destacar: problemas de qualidade. O registro contábil será realizado da seguinte forma: Registro da Venda D – Cartão de crédito a receber D – Comissões sobre cartão de crédito C – Receita de vendas Registro do Custo das Mercadorias D – Custo das Mercadorias Vendidas C – Estoques 50. tenha sido realizada por meio de cartão de crédito no sistema de controle de estoque do inventário permanente. o registro na ficha de estoque deve ser realizado como retificação das vendas (saídas) e não como entradas. adotando o sistema de controle de estoques do inventário permanente. por uma empresa não sujeita ao PIS e COFINS não cumulativos.000 120. etc. Suponhamos que a empresa.400 20.

Tais descontos não devem ser confundidos com os abatimentos.200 10. Caso haja necessidade e interesse da empresa de registrar os descontos comerciais. O registro contábil do abatimento sobre vendas é realizado da seguinte forma: D – Abatimento sobre vendas C – Clientes 2. tanto na contabilidade do comprador quanto do vendedor.6 Descontos comerciais (incondicionais) concedidos Os descontos comerciais são concedidos pelo vendedor ao comprador.000. Suponhamos que uma empresa concedeu ao cliente um abatimento no valor de R$ 2. qualidade. para compensar as falhas apontadas. Os abatimentos possuem a finalidade evitar as devoluções de vendas.00 ao cliente.800 1.5 Abatimentos sobre vendas 390 390 1. etc. decorrente de uma venda a prazo. total ou parcialmente.Registro da devolução da venda D – Devolução de vendas C – Clientes Registro da reincorporação aos estoques D – Estoques C – Custo das Mercadorias 25.00. dentre os quais podemos citar: pela grande quantidade comprada.2. Enquanto os abatimentos são concedidos após a venda. ou solicitar um abatimento. o registro contábil será da seguinte forma: 31 . em função de vários motivos. decorrente de uma venda a prazo. sendo a operação de venda registrada pelo valor líquido. os descontos comerciais são contratados no ato da venda. pelo fato do comprador ser considerado um cliente especial. São concedidos após a venda.000 6. no ato da compra.200 D – PIS a recolher C – PIS sobre vendas D – COFINS a recolher C – COFINS sobre vendas 6. etc. Supondo que a empresa concedeu um desconto comercial no valor de R$ 500. pelo tempo de relacionamento do cliente com a empresa vendedora.000 25. especificação. o procedimento será idêntico ao caso das devoluções e abatimentos. em função da mercadoria ter apresentado defeitos de qualidade.000 2.000 60.000 Registro do estorno dos tributos incidentes sobre vendas D – Conta Corrente de ICMS C – ICMS sobre vendas 10. identificados após a entrega. com a abertura de uma conta específica de descontos comerciais concedidos (para o vendedor) e descontos comerciais obtidos (para o comprador).2. no que se refere a preço.800 Os abatimentos são uma concessão da empresa vendedora ao cliente que se vê prejudicado quando a mercadoria adquirida esteja em desacordo com o pedido ou com a nota fiscal.000 60. O procedimento mais comum é o não-registro dos descontos comerciais. tendo em vista que o cliente prejudicado poderá devolver as mercadorias.

Essa operação configura uma obrigação da empresa no que se refere à entrega futura da mercadoria ou prestação do serviço. Suponhamos que um cliente efetua o pagamento do título na data de vencimento. 6. mas poderá também ser concedido em função do pagamento dentro do prazo estipulado. no sistema de controle de estoques do inventário permanente.8 Bonificações concedidas São as mercadorias dadas aos clientes. O valor recebido a título de adiantamento será registrado no ativo circulante (caixa ou banco) e a contrapartida será no passivo circulante (Adiantamento de Clientes). debitando-se a conta de Adiantamento de Clientes e creditando-se a receita. Admitamos que o valor de custo dessas mercadorias seja no montante de R$ 6.000 32 . O registro contábil é o seguinte: D – Despesas com bonificações concedidas C – Estoques – Bonificações C – Conta corrente de ICMS 6. Nesse caso. Normalmente decorrem do recebimento antecipado do título de crédito proveniente da operação. São consideradas despesas de vendas.2.000. cuja concessão é posterior à operação de venda das mercadorias. a empresa conceda uma bonificação ao cliente. com ICMS de 17%.00. deverá ser emitida uma nota fiscal no valor de custo das mercadorias dadas em bonificação. no valor de R$ 20. em função do volume de vendas. pelo princípio contábil da competência.024. sem ônus.00. geralmente em decorrência de promoção especial ou pelo atendimento de metas fixadas pela empresa.000 1. a receita deverá ser reconhecida.2.9 Adiantamento de clientes É o recebimento antecipado decorrente de uma operação de venda em que a empresa vendedora ainda não entregou a mercadoria ou prestou o serviço ao cliente. no valor de R$ 800. equivalente a dez itens de mercadorias. aproveitando o desconto financeiro estabelecido no contrato.D – Descontos comerciais concedidos C – Clientes 6. em função do volume de compras do cliente.7 Descontos financeiros concedidos 500 500 São os descontos que decorrem de uma condição.024 5.024 19. Posteriormente.200 800 20. à medida que as mercadorias forem sendo entregues ou os serviços prestados. numa venda realizada.00. O registro contábil é o seguinte: D – Banco D – Descontos financeiros concedidos C – Clientes 6.2. Supondo que.

176 da Lei n.404/76. i) Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham.º 11. com patrimônio líquido inferior a R$ 2. serão elaboradas. V. 176 da Lei das Sociedades por Ações. g) As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício. espécies e classes das ações do capital social.00 (dois milhões de reais). ou possam vir a ter. dos cálculos de depreciação. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Conforme o Art. c) O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações. Essas notas explicativas deverão indicar: a) Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais. a companhia de capital fechado. especialmente estoques. IV.000. II. dois exercícios. e) A taxa de juros. efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. d) Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo. 33 . ao fim de cada exercício. para fins de comparabilidade da evolução do patrimônio de um exercício para outro. se companhia aberta As Demonstrações Contábeis serão sempre publicadas com a indicação dos valores correspondentes a. Com relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa. b) Os investimentos em outras sociedades.000. Esses relatórios contábeis deverão ser assinados pelos administradores e por contabilista legalmente habilitado. que serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados nessa Comissão. se publicada pela companhia. Serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou Demonstrações Contábeis necessários para o esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. não será obrigada à sua elaboração e publicação. pois esta última é mais completa e já contém a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. A Demonstração do Valor Adicionado só será publicada pelas companhias abertas. III. as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes. que deverão evidenciar com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I.º 6. de constituição de provisões para encargos ou riscos. As companhias de capital aberto são obrigadas a publicarem as Demonstrações Contábeis discriminadas no Art. amortização e exaustão. Lei n.404/76. h) Os ajustes de exercícios anteriores. as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo. com base na escrituração mercantil. devendo observar as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Balanço Patrimonial Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados ou Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Demonstração do Resultado do Exercício Demonstração dos Fluxos de Caixa Demonstração do Valor Adicionado.638/2007. 6.7. no mínimo. f) O número. quando relevantes. e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo. as seguintes Demonstrações Contábeis. atualizada pela Lei n. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Liquido.

serão abordadas apenas as três primeiras Demonstrações Contábeis.000.As sociedades limitadas não estavam obrigadas a publicarem suas Demonstrações Contábeis.000. as sociedades por ações de capital fechado com patrimônio líquido superior a R$ 2. O ativo compreende os recursos da empresa capazes de gerar fluxos futuros de caixa e são representados por bens e direitos. as disposições da Lei n.000. no exercício social anterior.404/76.º 6.” São consideradas sociedades de grande porte. além das sociedades por ações de capital aberto.000. a situação patrimonial e financeira da empresa num determinado momento. ativo total superior a R$ 240. investimentos. nos seguintes grupos: I.941/2009 em seu § 1º estabelece: § 1º No ativo. 7. 7. ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações. II.1.º 11. No ativo as contas serão dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez. para fins exclusivos da legislação societária. a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver.00 (dois milhões de reais) e as sociedades de grande porte deverão publicar os relatórios contábeis citados anteriormente. 3. ou seja. Ativo circulante Ativo não circulante. que eram elaboradas meramente para finalidades internas e para atendimento da Legislação fiscal. de forma quantitativa e qualitativa.00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300. imobilizado e intangível. em seu Art.º 11.00 (trezentos milhões de reais). que tem por finalidade evidenciar. A partir da vigência da Lei n. Dessa forma.º: “aplicam-se às sociedades de grande porte. Geralmente é elaborado no final do exercício social juntamente com outras demonstrações contábeis/financeiras.000.º 6. as contas serão dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez dos elementos nelas registrados.404/76. de acordo com o prazo em que o bem ou direito se converterá em dinheiro. primeiro deverá ser classificado o bem de maior liquidez e assim sucessivamente. com a finalidade de avaliar a gestão. Para fins dos objetivos propostos pela disciplina de contabilidade societária I. Os subgrupos das contas do ativo serão classificados da seguinte forma: Ativo Circulante Disponibilidades Direitos realizáveis Pagamentos antecipados Ativo não circulante Realizável a longo prazo Investimentos Imobilizado Intangível 34 . subdividido em realizável a longo prazo. sobre escrituração e elaboração de Demonstrações Contábeis e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários.638/2007. mas pode ser elaborado gerencialmente no momento que a empresa dele necessitar.000. 178 da lei n.1 O Ativo O art.1 O BALANÇO PATRIMONIAL O Balanço Patrimonial é uma demonstração contábil estática. com a nova redação da Lei n.

trata da nova estrutura para o ativo no Balanço Patrimonial. ou decorrentes de outras transações que geram valores a receber. 179 da Lei n. seguros pagos antecipadamente e aluguéis pagos antecipadamente. assim como os derivados de vendas. 178 da Lei das Sociedades por ações. Direitos Realizáveis (créditos): nesse subgrupo são classificados os direitos de créditos oriundos de receitas de vendas a prazo. Ex. adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (art. provisão para crédito de liquidação duvidosa. 179 da Lei n. Ex. Disponibilidades: nesse subgrupo são classificados o dinheiro em caixa. adiantamento de viagens. impostos a recuperar. aluguéis a receber. Essa Norma. as aplicações financeiras de liquidez imediata e os numerários em trânsito.1 O Ativo Circulante O art. 7. duplicatas descontadas. adiantamentos a fornecedores. produtos em elaboração e produtos acabados. aplicações de liquidez imediata e numerário em trânsito. cuja contraprestação de serviço ainda não foi realizada. Resumidamente. de mercadorias e serviços a clientes. Referem-se a aplicações de recursos em despesas que deverão constituir um direito da entidade. tendo em vista que só se transformarão em despesas em função do tempo decorrido. os depósitos bancários à vista.1. emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. trata da apresentação das Demonstrações Contábeis. que tecnicamente seriam melhor denominadas de pagamentos antecipados.O Pronunciamento Técnico CPC 26. Sinteticamente podemos afirmar que serão classificados no ativo circulante o dinheiro em caixa e os bens e direitos que serão transformados em dinheiro durante o ciclo operacional da empresa.404/76 estabelece em seu inciso II os componentes do ativo realizável a longo prazo: II – No ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte. Também se classificam nesse subgrupo os estoques de mercadorias para revenda.1. contas a receber.º 6.404/76 estabelece em seu inciso I os componentes do ativo circulante: I – no ativo circulante: as disponibilidades. acionistas ou participantes no lucro da companhia.: assinaturas pagas antecipadamente.2 O Ativo Não circulante Realizável a longo prazo O art. os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. estoques. 7. matérias-primas. bancos.: caixa.º 6. Ex.1.: clientes. pelo regime de competência. com o objetivo de destacá-lo por representar valores significativos do ativo circulante nas empresas comerciais e industriais. representam dinheiro em mãos e aqueles depositados em bancos. Já a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) T-3 classifica os estoques em subgrupo separado. duplicatas a receber. os recursos disponíveis na data da elaboração das Demonstrações Contábeis. diretores. nos itens 66 a 68.1. além das despesas do exercício seguinte. 35 . Despesas do Exercício Seguinte: são classificados nesse grupo os valores referentes a pagamento antecipados que deverão ser apropriados como despesas no decurso do exercício social atual e o seguinte. etc. Resumidamente. que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia. ou seja. engloba todas as despesas não incorridas contratadas junto a terceiros. em consonância com os padrões internacionais de contabilidade e com o art. 243).

A forma de utilização ou o destino do bem é o elemento essencial para a sua classificação contábil. ainda que o prazo para pagamento do empréstimo ou adiantamento seja fixado no curto prazo. laranja. empréstimos a sócios. Investimentos O art. Os direitos classificados no ativo imobilizado têm por objeto bens corpóreos. e os direitos de qualquer natureza não classificáveis no ativo circulante. é irrelevante o prazo de realização quando se tratar de empréstimos ou adiantamentos. 36 . figurarão nos estoques. sendo considerados no realizável a longo prazo. postes. Com relação à condição do devedor. As culturas permanentes. ou ainda que produza uma única vez.º 6. devem ser classificadas no ativo imobilizado. adiantamento a controladas. empréstimos compulsórios. etc. por serem verdadeiras máquinas a produzir os produtos a serem vendidos pela entidade. Ex. adiantamento a diretores. tais como os adiantamentos a fornecedores de bens destinados ao ativo imobilizado. depósitos judiciais. devem ser classificados no realizável a longo prazo. os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte.404/76 estabelece em seu inciso III: III – em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza não classificáveis no ativo circulante. produz mais de uma vez em sua vida útil econômica. etc.: contas a receber a longo prazo. 179 da Lei n. coligada ou controlada. empréstimos a controladas. possuem as seguintes características: • • • têm prazo de maturação e produção superior a um ano. em dinheiro. com o objetivo de permanência em outras sociedades. obras de arte. imobilizado ou intangível. maçã. inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios.A classificação no longo prazo. conforme o texto legal obedece a dois fatores determinantes: o tempo e a condição do devedor. São classificados no subgrupo investimentos as participações societárias a título de ações ou quotas. o imobilizado representa os recursos aplicados na exploração do objeto social e na manutenção das atividades da companhia. participações em outras empresas. realizável a longo prazo. Imobilizado O art.: participações em controladas. contabilmente falando. riscos e controle desses bens.º 6. Ex.404/76 estabelece em seu inciso IV: IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade. toras. Com relação ao fator tempo. 179 da Lei n. participações em incentivos fiscais. desde que o ato de conceder empréstimos não seja objeto de exploração da companhia. Seus produtos como o café. tenha prazo de maturação e produção superior a pelo menos dois anos. e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa. acionista. a diretor. bananas. imóveis de renda. ou seja. A distinção entre os direitos que tenham por objeto bens destinados a manter a atividade da companhia e os direitos exercidos com essa finalidade serve para justificar a inclusão de determinados direitos de crédito no imobilizado. As culturas permanentes. móveis ou imóveis. etc.

instalações. dividido em capital social.638/2007. 178 da Lei n. veículos. II. efetivamente. tendo em vista que este último não pode ser considerado como capital de terceiros. e Patrimônio líquido.º 11. Na prática esse tratamento torna-se inviável devido ao grande volume de transações que ocorrem nas entidades. 179 da Lei n.Ex. equipamentos de informática.º 6. 7. O passivo exigível é subdivido nos seguintes grupos: I. Ex. o ativo e o passivo. para o aumento do resultado de mais de um exercício social e que não configurem tão-somente uma redução de custos ou acréscimo na eficiência operacional. II. Dessa forma. Com as mudanças introduzidas pela Lei n. que serão classificados no imobilizado. III. Com a extinção desse subgrupo. animais de reprodução. florestas formadas e respectivas contas de depreciação.941/2009 revogou o inciso V do art. as despesas pré-operacionais e os gastos de reestruturação serão registrados como despesas do período. dos bens imateriais. ajustes de avaliação patrimonial. ficam definitivamente separados os bens materiais. gastos com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e os gastos de reestruturação que contribuirão.: marcas. A extinção desse subgrupo se justifica pelo fato de não ser contemplado pelas Normais Internacionais de Contabilidade. Embora a Lei trate o patrimônio dividido em dois grandes grupos. o patrimônio líquido. a realidade evidencia a existência de três grandes grupos patrimoniais: o ativo.2 O Passivo O art. o passivo e o patrimônio líquido. 179 da Lei n.º 6. Passivo circulante. animais de tração. inclusive o fundo de comércio adquirido.404/76 estabelece em seu inciso VI: VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade. que serão classificados no intangível. O lado direito do Balanço Patrimonial é representado pelas origens de recursos de terceiros. direitos autorais.404/76 que tratava do subgrupo Diferido.404/76 estabelece em seu § 2º: “§ 2º No passivo. quanto menor o prazo de vencimento da obrigação. Já os gastos com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos passam a ser registrado no intangível. considera-se apenas a divisão em curto e longo prazo para atender a esse dispositivo da Lei.1. prédios (imóveis de uso). e pelas origens de recursos próprios. Nesse subgrupo eram classificadas as despesas pré-operacionais. reservas de capital. amortização e exaustão. mais no início do passivo ela deve ser classificada. móveis e utensílios. ou seja. gastos com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. as contas serão classificadas nos seguintes grupos: I. embora no texto legal o passivo englobe inclusive o patrimônio líquido. direito de exploração de processo industrial (patentes).º 6. as contas serão dispostas em ordem crescente de exigibilidade dos elementos nelas registrados. máquinas e equipamentos. A lei n. Passivo Circulante Passivo não circulante 37 .º 11. No passivo. etc. reservas de lucros. Intangível O art.: terrenos em uso. ações em tesouraria e prejuízos acumulados. o passivo exigível. Passivo não circulante. fundo de comércio.

ou seja.” 7.. energia elétrica a pagar. 7. etc. Exemplos: fornecedores. trata da estrutura do passivo no Balanço Patrimonial. serão classificadas no passivo circulante. trata da apresentação das Demonstrações Contábeis.º 6. A Lei n. 180 da Lei das Sociedades por ações.º 6. etc. 181 da Lei n. provisão para décimo terceiro e encargos sociais. emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis.1.. dividendos a pagar.2 – Passivo Circulante Nesse subgrupo do passivo exigível são classificadas as obrigações da entidade cujo prazo de vencimento ocorra até o término do exercício seguinte. diminuídas dos custos e despesas a elas correspondentes. O passivo é estruturado da seguinte forma: Passivo Circulante Obrigações operacionais de curto prazo Provisões Empréstimos de curto prazo Passivo Não-circulante Exigível a longo prazo Resultados não realizados 7. mas que tenham vencimento em prazo superior ao ciclo operacional ou após o exercício seguinte. A classificação das obrigações no passivo circulante obedecerá aos mesmos critérios do ativo circulante no que se refere a prazo de vencimento.º 11. que devem ser registradas por meio de provisões. Exemplos: fornecedores.1.2. quando se vencerem no exercício seguinte. Essa Norma. provisão para férias e encargos sociais.O Pronunciamento Técnico CPC 26.1 Passivo Exigível O art. nos itens 69 a 76. salários a pagar. provisão para imposto de renda.2.1. em consonância com os padrões internacionais de contabilidade e com o art. adiantamento de clientes. financiamentos a pagar. financiamentos a pagar. e no passivo não circulante.941/2009 revogou o art. desde que o risco seja conhecido ou calculável. que tratava do subgrupo resultados de exercícios futuros. se tiverem vencimento em prazo maior. com base em valores estimados.404/76 estabelece: “as obrigações da companhia.2. referem-se aos mesmos itens classificados no passivo circulante. prêmio de seguros a pagar. provisão para contribuição social sobre o lucro líquido. provisão para imposto de Renda diferido. debêntures a pagar. ou seja.3 – Passivo não circulante Nesse subgrupo do passivo exigível são classificadas as obrigações da companhia cujo vencimento ocorra após o término do exercício seguinte.404/76. assim entendidas as receitas de exercícios futuros. 180 da Lei n. No passivo circulante devem ser registradas tanto as obrigações formalizadas quanto as não formalizadas. resultados não realizados. inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante. o que ultrapassar o ciclo operacional ou o exercício seguinte será classificado no passivo não circulante. contas a pagar. 38 .

1. Geralmente eram registrados nesse subgrupo os contratos de longo prazo. restando apenas a conta de prejuízos acumulados. Reservas de Capital. que se configuram como a menor parcela do capital social. todo resultado positivo (lucros) deve ser totalmente distribuído. Só poderão ser utilizadas para absorver prejuízos e para incorporação ao capital social. Dessa forma. A conta capital social discriminará o montante subscrito ou integralizado e. As receitas de exercícios futuros correspondiam a um acréscimo no ativo da companhia que ocorre antes de a companhia cumprir sua obrigação contratual.638/2007 promoveu algumas mudanças na composição do patrimônio líquido. pode ser conceituado como a diferença entre o ativo e o passivo exigível. Vale salientar que essas reservas não são originadas do resultado do exercício. o patrimônio líquido ou passivo não exigível. Reservas de Lucros. especialmente transações referentes a atividades de compra e venda. ajustes de avaliação patrimonial. Segundo Perez Júnior e Begalli (2002. As contas que compõem o patrimônio líquido não obedecem a um critério de classificação. na maioria das vezes. são reservas de capital: 39 . as contas do patrimônio líquido são dispostas na seguinte ordem: Capital Social. Conforme dispõe a Lei das Sociedades por Ações.1. Com a eliminação desse subgrupo do passivo. as receitas recebidas antecipadamente e as despesas a elas correspondentes. sendo substituída pelos ajustes de avaliação patrimonial e a extinção da conta lucros acumulados. tendo em vista a sua condição de não exigível. São originadas de contribuições dos acionistas que ultrapassarem o valor nominal das ações. às apropriações dos resultados e aos resultados acumulados.3.º 11. Exemplos: aluguéis recebidos antecipadamente (não reembolsáveis). A Lei n. incorporação e construção de imóveis. já deduzidas as despesas a elas correspondentes. que normalmente corresponde à entrega da coisa vendida.3 O Patrimônio Líquido De uma forma simplista.1 Capital Social Representa o investimento inicial dos sócios (acionistas ou quotistas) bem como a parte do lucro ou reservas incorporadas ao capital. ou à prestação do serviço contratado. De acordo com o § 1º do Art. p. 7. a extinção das reservas de reavaliação. 22) o patrimônio líquido é composto pelos recursos aplicados pelos proprietários e pelos resultados gerados pelas atividades. corresponde ao capital aplicado pelos sócios. dentre as mais importantes.Nesse subgrupo eram classificadas as receitas recebidas antecipadamente. em outras palavras. são utilizadas para aumento de capital. O capital social será dividido em partes.3. denominadas de ações ou quotas. ações em tesouraria e prejuízos acumulados. 182 da Lei das SAs. passam a ser registradas no passivo não circulante na conta de resultados não realizados. a parcela ainda não integralizada. de alienação de partes beneficiárias e de bônus de subscrição.2 Reservas de capital São acréscimos ao patrimônio líquido que.1. 7. por dedução. 7.

A existência de resultados negativos (prejuízos) acumulados ocorre quando o montante desse valor superar as reservas de capital e de lucros.3 Ajustes de avaliação patrimonial A reserva de reavaliação consistia em nova avaliação de itens do ativo permanente pelo seu valor de mercado e ocorria normalmente quando o item estava registrado por um valor defasado em relação ao seu real valor de mercado.de 2007) (Revogado pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11. São classificadas da seguinte forma: • • • • • • Reserva legal Reservas estatutárias Reserva para contingências Reservas de incentivos fiscais Reservas de retenção de lucros Reservas de lucros a realizar. que deixam de ser reservas de capital e passam a ser contabilizadas diretamente no resultado como receitas. serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial. ao prêmio recebido na emissão de debêntures e às doações e subvenções para investimentos.1. b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição.de 2007). em decorrência da sua avaliação a preço de mercado.941/2009.a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social. 7.638.1.638. e d) (revogada). cedendo lugar aos ajustes de avaliação patrimonial. c) (revogada). inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias.de 2007).3.4 Reservas de lucros São as apropriações de lucros da empresa e possuem o objetivo de fortalecer e manter a integridade do capital social.638.5 Prejuízos acumulados Representa a soma dos resultados negativos acumulados pela entidade ao longo de sua existência. Segundo alguns autores. (Redação dada pela Lei nº 11. 7. Portanto. enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência. como poderão ser destinadas à formação da Reservas de incentivos fiscais. As doações e subvenções para investimentos poderão ser consideradas receitas e registradas resultado do exercício.3. esse procedimento contrariava o Princípio Contábil do registro pelo valor original e o da Prudência.de 2007) (Revogado pela Lei nº 11. a reserva de reavaliação foi extinta com a entrada em vigor da Lei n.638/2007 e 11. as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo. 40 . Por esse motivo. em consonância com as práticas contábeis internacionais. Os itens “c” e “d” correspondiam. .1. que é uma reserva de lucro.3. 7.638. respectivamente.º 11.

No patrimônio líquido • • • Capital a integralizar Prejuízos acumulados Ações em tesouraria 41 . podemos fazer a seguinte relação: Bens e Direitos Tangíveis Intangíveis Ajustes Depreciação Amortização Desvalorização em função de Uso. A amortização representa a perda de valor do capital aplicado na aquisição de direitos de propriedade industrial (patentes) ou comercial (marcas) e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada. sendo os demais ajustados quando também houver efeito relevante. Dentre as principais contas retificadoras. dos direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais.1. do uso e da obsolescência. podemos citar as seguintes: No ativo circulante • • • • provisão para créditos incobráveis (provisão para devedores duvidosos) duplicatas descontadas provisão para desvalorização provisão para perdas As provisões retificadoras do ativo circulante possuem o objetivo de ajustar esses itens ao seu valor provável de realização. do passivo e do patrimônio líquido.4 As Contas Retificadoras As contas retificadoras aparecem na estrutura do Balanço Patrimonial com os saldos negativos. 183 da Lei das Sociedades por ações. A exaustão representa a perda de valor. A depreciação representa a perda da eficiência funcional dos bens tangíveis sujeitos a desgastes ou perda de utilidade em função da ação da natureza. que serão ajustados ao seu valor presente. 184 trata das obrigações. Tais provisões são contabilizadas a débito de uma conta de despesa e a crédito de uma conta de provisão que identifique a natureza da perda estimada. sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. decorrente da exploração. os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente. ação da natureza ou obsolescência Exploração quantitativa ou temporária Exploração quantitativa ou temporária Recursos Minerais ou Florestais Exaustão De acordo com o inciso VIII do art. reduzindo o valor dos itens patrimoniais a que se referem.7. ou cujo objeto sejam bens intangíveis de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado. Existem contas retificadoras do ativo. Já o inciso III do art. exaustão e amortização têm a finalidade de ajustar os valores desses bens e direitos do ativo permanente em função de sua vida útil e da perda da capacidade de geração de fluxos de caixa para a entidade. Após essa breve descrição. No ativo não circulante • • • • depreciação acumulada exaustão acumulada amortização acumulada ajuste a valor presente As contas de depreciação. encargos e os riscos classificados no passivo não circulante.

etc.5. é necessário seguir as seguintes etapas: 1ª etapa . as Demonstrações Contábeis obtidas com base nessa escrituração devem refletir. o resultado das operações e as mudanças na posição financeira da empresa de determinado período de apuração. as provisões de salários e encargos. muitas vezes. o que for menor. 7. efetuar lançamentos de ajustes. conversão e atualização cambial. reconhecimento de receitas antecipadas pelo regime de competência.Encerrar as contas de resultado 4ª etapa . férias e décimo terceiro. Considerando que a escrituração contábil das operações realizadas pela entidade obedece às disposições legais. transportado para o livro razão e um novo Balancete de Verificação será elaborado.O capital a integralizar representa a parcela ainda não integralizada ou subscrita pelos sócios ou acionistas.Elaborar o Balancete de verificação do último mês com base no livro razão 2ª etapa .Elaborar os ajustes das contas 3ª etapa . correção monetária e juros de contratos ativos e passivos. as apropriações de seguros e demais pagamentos antecipados. com a finalidade de devolução de capital a certos sócios ou retirada temporária de circulação. aos Princípios Fundamentais de Contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade. o mais corretamente possível. Os lançamentos de ajustes deverão ser escriturados no livro diário. Os prejuízos acumulados representam uma redução do patrimônio líquido em função da ocorrência de resultados negativos das operações da empresa em determinados períodos.Elaborar as Demonstrações Contábeis e as Notas Explicativas.5 Como se elabora o Balanço Patrimonial Para se elaborar o Balanço Patrimonial. Devem ser destacadas como redutora da conta de patrimônio líquido que registrarem a origem de recursos aplicados em sua aquisição. 7. determinação do valor provável de realização dos valores a receber e dos estoques. atualização dos estoques e direitos pelo critério do custo ou mercado. Dentre os diversos ajustes a serem realizados. determinação dos ganhos de equivalência patrimonial.5.1. reservas de capital e reservas de lucros. ajuste a valor presente de direitos e obrigações de longo prazo. porém não identifica se a conta utilizada foi a correta.1. a situação patrimonial.1 Elaboração do Balancete de verificação do último mês com base no livro razão A elaboração do Balancete de Verificação do último mês é o ponto de partida para Elaborar as Demonstrações Contábeis e consiste na verificação da exatidão matemática dos saldos das contas patrimoniais e de resultado. Para atingir esse objetivo é necessário.2 Elaboração dos ajustes das contas Esta etapa se constitui no trabalho técnico-contábil mais importante para a elaboração do Balanço Patrimonial. As ações em tesouraria representam as ações emitidas pela própria empresa e por ela readquiridas. a fim de que todas as contas indiquem os valores corretos. a posição financeira. O total dos saldos devedores tem que ser igual ao dos saldos credores. Identifica se os lançamentos foram registrados corretamente com as suas respectivas contrapartidas.1. denominado de Balancete de Verificação após os ajustes ou Balancete Ajustado. com objetivo específico de especulação. que superem a existência de lucros acumulados. 42 . amortizações e exaustões. de complementação e de correção. podemos citar: o cálculo das depreciações. 7.

é elaborado outro Balancete de Verificação (Balancete após a apuração do resultado) e. Proposta de distribuição do lucro pela administração. 2. provisão para imposto de renda. apuração e distribuição do resultado do exercício. recebe um tratamento especial. Na hipótese de se apurar lucro em determinado período. Normas estatutárias. o mesmo será distribuído por meio de lançamentos contábeis de forma a tender: • • • Normas legais. considerada o elo de ligação entre a Demonstração de Resultado do Exercício e o Balanço Patrimonial. que representar lucro ou prejuízo líquido do exercício será transferido para a conta de lucros ou prejuízos acumulados (resultados acumulados). O ponto de partida para o encerramento das contas de resultado é o Balancete Ajustado. pela constituição de reservas especiais.5. 3. aos proprietários (sócios e acionistas). ao término de cada exercício social. por seu respectivo saldo. Credita-se as contas de reservas e/ou do passivo circulante (Dividendos propostos. ganhos. encerrando-as. Essa etapa é desdobrada em duas partes: a apuração do resultado do exercício e a distribuição do resultado. por seu respectivo saldo e credita-se a conta de Apuração de Resultado do Exercício. debita-se a conta Apuração do Resultado do Exercício e credita-se cada conta de resultado. pertencente ao grupo do Patrimônio Líquido. sendo inclusive obrigatório. e participações nos lucros. debita-se cada conta de resultado. O lançamento contábil da distribuição do lucro será da seguinte forma: Debita-se a conta de lucros ou prejuízos acumulados.1. A conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados é tão importante para a contabilidade que. despesas. pela constituição da reserva legal. Demonstração do Fluxo de Caixa. seus saldos são sempre encerrados no final do período para a apuração do resultado do exercício. após a transferência para a conta de lucros ou prejuízos acumulados.4 Elaboração das Demonstrações Contábeis e das Notas Explicativas Após o encerramento das contas de resultado. debita-se a conta de Apuração do Resultado do Exercício e credita-se as contas do passivo de: provisão para contribuição social sobre o lucro.3 Encerramento das contas de resultado As contas de resultado são contas periódicas. ou seja. com o objetivo de verificar o resultado das operações da entidade (lucro ou prejuízo). que seja elaborada a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. com saldo credor. custos e perdas. lucros a distribuir ou outra denominação). A apuração do resultado é realizada da seguinte forma: 1. A apuração do resultado é o procedimento utilizado para confrontar receitas.7. são elaborados os seguintes relatórios contábeis básicos. O saldo da conta de Apuração do Resulta do Exercício. acompanhados das notas explicativas: • • • • • Balanço Patrimonial Demonstração de Resultado do Exercício Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados ou a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.5. 7. muito embora seja considerada uma retenção de lucros (quando positivo). sem prejuízo dos dividendos normais. em seguida. com saldo devedor.1. e Demonstração do Valor Adicionado 43 .

000 Total 790.000 580.000 10.000 650.000 150.000 390.000 420.000 Patrimônio Líquido 80.000 350.000 Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível 50.000 60.000 300.000 Total 44 .000 340.000 10.000 400.000 830.000 10.000 90.000 160.000 830.000 60.000 Estrutura do Balanço Patrimonial depois das alterações da Lei n.000 50.000 Permanente Investimentos Imobilizado Diferido 60.000 Capital 10.000 150.000 10.000 Não Circulante 40.000 220.000 6.000 200.000 650.000 200.000 60.000 830.000 10.000 14.000 Capital Social Reservas de Lucros 100.Estrutura do Balanço Patrimonial antes das alterações da Lei n.º 6.000 Realizável a Longo Prazo Empréstimos a Coligadas 50.000 30.000 60.000 210.000 340.000 50.000 80.000 50.000 40.404/76 ATIVO Circulante Caixa Duplicatas a receber Estoques BALANÇO PATRIMONIAL Casa das Lingeries Ltda 31/12/98 31/12/99 PASSIVO Circulante Fornecedores Salários a Pagar Impostos a Pagar Dividendos a Pagar 31/12/98 31/12/99 40.000 830.000 Total 790.000 Exigível a Longo Prazo Financiamentos Resultado de Exercícios Futuros 100.000 280.000 580.000 220.000 300.000 280.000 Patrimônio Líquido 180.000 220.000 Exigível a Longo Prazo 50.000 150.000 220.000 Total 790.000 14.000 350.º 6.000 30.000 40.000 50.000 60.000 420.000 790.000 90. 31/12/98 31/12/99 PASSIVO Circulante Fornecedores Salários a Pagar Impostos a Pagar Dividendos a Pagar 31/12/98 31/12/99 40.404/76 ATIVO Circulante Disponibilidade Duplicatas a Receber Estoques BALANÇO PATRIMONIAL Casas das Lingeries Ltda.000 Reservas de Lucros 140.000 400.000 50.000 6.000 390.000 150.000 40.000 340.000 340.

7. 7.º 6. em que as receitas e despesas são reconhecidas no momento da ocorrência do fato gerador.2 A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO 7.2. conteúdo. É apresentada na posição vertical. É considerada uma demonstração dinâmica. juntamente com as notas explicativas. o resultado antes das participações. Como o exercício social é um lapso de tempo muito grande para avaliar a gestão. que evidencia a posição financeira e patrimonial num determinado momento. discriminando seus componentes de forma ordenada de tal forma que fiquem evidenciados: o lucro bruto.3 Estrutura A Norma Brasileira de Contabilidade. que é uma demonstração estática. trata do conceito. as despesas financeiras. Norma Técnica . as despesas com as vendas. bem como para fins gerenciais.2 Conceito e Objetivo A Demonstração de Resultado do Exercício destina-se a evidenciar a formação do resultado mediante o confronto das receitas e ganhos com as despesas. a Demonstração de Resultado é o relatório que evidencia o retorno do capital investido. além de outras informações relevantes. de observância obrigatória pelo profissional da contabilidade no exercício da profissão. independentemente de recebimento ou pagamento. tendo em vista que evidencia a situação econômica de um determinado período.404/76. a Demonstração de Resultado do Exercício discriminará: I. que é o retorno dos investimentos dos sócios ou acionistas (lucro ou prejuízo). o resultado operacional. Lei n. servindo como base de comparação com o retorno de outros investimentos.1 Aspectos introdutórios Ao final de cada exercício social. cuja finalidade é informar os principais critérios de avaliação utilizados pela empresa. corrigindo os possíveis desvios em relação ao planejado pela administração. o lucro líquido do exercício e o lucro por ação. o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto. a Demonstração de Resultado do Exercício. 45 . a contabilidade da empresa elabora. o resultado antes do imposto de renda e da contribuição social.2. conforme disposições da Lei das Sociedades por Ações. as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais. que evidencia um grande indicador global de eficiência. no que se refere ao acompanhamento da situação econômica da entidade. ou seja. entre outros relatórios contábeis. II. as entidades apuram o resultado de suas operações num espaço de tempo menor. As sociedades por Ações e as sociedades de grande porte estão obrigadas a publicarem suas Demonstrações Contábeis.2. 187 da Lei das Sociedades por Ações. em contraposição ao Balanço Patrimonial. A determinação do resultado do exercício observará o princípio contábil da competência. mensalmente. 7. estrutura e nomenclatura das Demonstrações Contábeis. Segundo o art. a receita bruta das vendas e serviços. quando se tratar de sociedades por ações. III. com vistas ao atendimento da legislação fiscal na apuração dos tributos a serem recolhidos mensalmente. as deduções das vendas. Como o objetivo principal das entidades empresárias é o lucro. os abatimentos e os impostos. deduzidas das receitas. custos e perdas incorridas no exercício. a receita líquida das vendas e serviços.NBC T 3. ao pagamento mensal de suas despesas operacionais. bem como a composição dos valores mais significativos do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado.

4 Receita Bruta de Vendas Demonstra o valor das receitas decorrentes das atividades normais da empresa. que não se caracterizem como despesas. Conteúdo. a receita líquida não é mencionada na norma profissional. embora esteja implícita. o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para o imposto. a norma societária não trata da contribuição social sobre o lucro líquido. comprovadas por notas fiscais de vendas de mercadorias.2. as devoluções e os cancelamentos. os ganhos e perdas operacionais. e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. não existia tal tributo. a exemplo do IPI. deduzindo-o posteriormente para se chegar ao valor da receita bruta.000 46 . VI. Nota-se muita semelhança entre as duas estruturas da Demonstração de Resultado do Exercício apresentadas pela Legislação societária e pela legislação profissional. entre as quais podemos citar: • • • as deduções das vendas estão melhor explicitadas na norma profissional. os descontos incondicionais. os abatimentos. mesmo na forma de instrumentos financeiros. as provisões para impostos e contribuições sobre o resultado.000 (2. norma técnica. as receitas e despesas e os ganhos e perdas não decorrentes das atividades fins. 7. produtos ou prestação de serviços. as devoluções e os abatimentos sobre vendas. os tributos. pois. V. o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. NBC T 3 – Conceito. VII. e de forma ordenada: • • • • • • • • • • • • as receitas decorrentes da exploração das atividades fins. que serão classificadas como deduções das vendas. o lucro ou prejuízo operacional. Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis. empregados. Já o art. financeiras e outras e as receitas financeiras. o resultado antes das participações e dos impostos. as outras receitas e as outras despesas. com pequenas diferenças.000) 12. quando de sua edição. em 1976. a Demonstração de Resultado do Exercício evidenciará. os impostos incidentes sobre as operações. as despesas administrativas. De acordo com o disposto nas Normas Brasileiras de Contabilidade. o resultado operacional. 187 da Lei das Sociedades por Ações deixa subentendido que os impostos não cumulativos integram a receita bruta. o resultado bruto do período. conforme discriminado abaixo: Faturamento Bruto (-) IPI sobre o faturamento Receita Bruta 14. Diante dessa controvérsia. Dessa forma. o resultado líquido do período. os custos dos produtos ou mercadorias vendidos e dos serviços prestados. 279 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. As vendas devem ser registradas pelo valor bruto.IV. incluindo o valor dos tributos. não se incluem na receita bruta de vendas os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador. com vendas. as participações no resultado. para atender à legislação fiscal e a legislação societária convencionou-se denominar de faturamento bruto o valor da receita bruta incluindo o IPI. deverão ser registrados em contas devedoras específicas. as participações de debêntures. administradores e partes beneficiárias. no mínimo. De acordo com o Art.

Dessa forma. Dentre os tributos incidentes sobre vendas podemos citar: o ICMS. sob a justificativa de que as mesmas não são essenciais ao desenvolvimento das atividades operacionais da empresa. as despesas operacionais são: as despesas com vendas (comerciais).7 Despesas Operacionais As despesas operacionais são aquelas incorridas com a finalidade de vender os produtos. sendo necessário um sistema contabilidade de custos para apurar com maior exatidão os custos dos produtos bem como para fins de controle. 187 da Lei das Sociedades por Ações. as despesas gerais e administrativas e outras despesas operacionais. o IPI. a determinação do custo do produto vendido é mais complexa. telefone. dentre os quais podemos citar: avarias. bastando se reportar aos documentos fiscais de entradas e os demais gastos relativos a fretes e seguros.6 Custo das Vendas O custo das mercadorias. produto fora de especificação. Os tributos incidentes sobre vendas são as deduções que guardam proporcionalidade com o preço de venda das mercadorias ou produtos e dos serviços prestados. mercadorias ou serviços da entidade.2. mão-de-obra e demais gastos indiretos de fabricação. De acordo com o inciso III do art. propaganda e publicidade. a COFINS. outros a consideram como operacionais. Os descontos incondicionais concedidos são as deduções da receita que representam uma concessão da empresa vendedora à empresa compradora em termos de redução do preço em função da quantidade adquirida pelo cliente. etc. comissões e encargos sociais com o pessoal da área de vendas. bem como os demais gastos da área de vendas. confrontando as receitas e despesas financeiras da entidade. E finalmente as devoluções são as deduções da receita que correspondem ao desfazimento da transação de vendas por motivos diversos. 47 . o ISS.7. os abatimentos e as devoluções de vendas. é remunerado com juros. seguros. Nas empresas comerciais o método de apuração do custo das mercadorias vendidas é mais simples. Embora a intenção fosse apurar o resultado financeiro. os descontos incondicionais. ou seja. perdas com créditos incobráveis (devedores duvidosos). As despesas com vendas ou comerciais representam os gastos com a promoção. 7. energia elétrica. tais como: salários. não parece lógico figurar uma receita. Está diretamente relacionado aos estoques da companhia por representar os valores baixados dos estoques em função das vendas realizadas no período. depreciação dos bens localizados na área de vendas. etc. o PIS. São concedidos no ato da venda e. preço acima do acordado entre as partes. sabemos que as empresas precisam de capital de terceiros para financiar as suas operações e esse capital é oneroso. melhor seria criar um grupo com essa denominação. não vemos nenhum entrave para que as despesas financeiras sejam consideradas como operacionais. produtos ou serviços vendidos é o gasto incorrido pela empresa para colocá-los à disposição do cliente no ponto de venda. marketing. por se tratar de um cliente especial. Sem querer polemizar a discussão teórico-doutrinária.2. as despesas financeiras deduzidas das receitas financeiras. São concedidos após a venda. mercadorias ou serviços e para administrar a empresa. 7. Já que o grupo se refere às despesas operacionais. O ponto negativo do texto da Lei Societária é a disposição da receita financeira confrontada com as despesas financeiras no grupo das despesas operacionais. a colocação e distribuição dos produtos. etc. Já no caso das empresas industriais.5 Deduções da Receita Bruta As deduções da receita bruta são representadas pelos tributos incidentes sobre vendas. qualidade. Os abatimentos concedidos são deduções da receita representada por redução do preço em função de alguma avaria na mercadoria. Alguns teóricos da contabilidade não consideram as despesas financeiras como operacionais. frete sobre vendas. aluguel da área de vendas. na maioria das vezes. guardam proporcionalidade com o preço de venda.2. pois envolve gastos com matéria-prima.

as variações monetárias ativas. que passou a ser obrigatória pelas Sociedades por Ações de capital aberto e grandes corporações. Dentre os tipos de participações nos resultados podemos citar: participações de debêntures. a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica correspondem. as tarifas bancárias diversa. As receitas financeiras também estão indiretamente ligadas ao objeto social da entidade e são decorrentes das aplicações de recursos excedentes ou ociosos. sociedade e governo. investidores. descontos financeiros concedidos. essencialmente.2.2. São exemplos de receitas financeiras: os juros recebidos. As despesas financeiras estão indiretamente ligadas ao objeto social da entidade. etc. etc. diretoria e conselho de administração. salários e encargos sociais do pessoal administrativo. com a finalidade obtenção de recursos adicionais. telefone. energia elétrica e seguros da área administrativa. os rendimentos de aplicações financeiras. as variações monetárias passivas. credores. Se aplicam essencialmente às sociedades por ações. as despesas não-operacionais não são oriundas da exploração do objeto social da entidade. A participação do governo na distribuição do resultado das empresas justifica-se pela disponibilidade da infra-estrutura para exploração da atividade econômica.9 Receitas e Despesas Não-Operacionais As receitas não-operacionais são basicamente os ganhos de capital decorrentes da alienação de bens do ativo permanente por valor superior ao seu valor líquido contábil (valor deduzido da depreciação). despesas com amortização de ágio ou receita com amortização de deságio de investimentos. depreciação dos bens localizados na área administrativa. Dentre as despesas financeiras podemos citar: os juros pagos. A Demonstração do Valor Adicionado. etc. por exemplo: resultado de equivalência patrimonial. dividendos recebidos de investimentos avaliados pelo método do custo.As despesas gerais e administrativas representam os gastos pagos ou incorridos para a gestão da empresa e basicamente se referem às atividades gerais que beneficiam todas as fases da exploração do negócio da entidade. tem o papel de demonstrar a geração da riqueza e sua distribuição entre os agentes geradores dessa riqueza.2. Da mesma forma que as receitas. 7. à participação do governo nos resultados da entidade. material de escritório. São rendimentos oriundos de atividades que não fazem parte do objeto social da entidade. empregados. empregados. 7. As despesas não-operacionais são basicamente as perdas de capital decorrentes da alienação de bens do ativo permanente por valor inferior ao valor líquido contábil. de participações societárias permanentes em outras sociedades como.11 Participações Correspondem às parcelas do lucro distribuídas a alguns favorecidos nos termos do estatuto da companhia.2. decorrentes. 7.8 Outras Receitas e Despesas Operacionais São classificadas como outras receitas e despesas operacionais os resultados provenientes de atividades acessórias da empresa. 7. ou seja.10 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda Embora tratados como despesas. Dentre esses gastos podemos citar: honorários da administração. 48 . descontos financeiros obtidos. aluguel. basicamente. sendo incorridas quando da necessidade de recursos financeiros para a consecução de suas atividades operacionais. correspondem à distribuição do resultado do empreendimento ao setor governamental em forma de tributos sobre o lucro. quais sejam.

administradores, partes beneficiárias e contribuições para fundos de assistência e previdência de empregados.
Companhia Maciel DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO
Exercício findo em 31/12

Faturamento Bruto (-) IPI sobre o faturamento Receita Bruta de vendas (-) Deduções da Receita bruta Tributos sobre vendas Devoluções de vendas Descontos incondicionais Abatimentos Receita Líquida de vendas (-) Custo das Mercadorias Vendidas Resultado Operacional Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas Administrativas Despesas Comerciais Despesas Financeiras (+) Receitas Financeiras (+) Outras receitas operacionais (-) Outras despesas operacionais Resultado Operacional Líquido (+) Receitas Não-operacionais (-) Despesas Não-operacionais Resultado antes da Contribuição Social e Imposto de Renda (-) Contribuição Social (-) Imposto de Renda Resultado antes das participações (-) Participações Debêntures Empregados Administradores Partes beneficiárias Contribuição para fundos de previd. e assist. dos empregados Resultado Líquido do Exercício Resultado líquido por ação

Ano 1

Ano 2

49

7.3 A DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS 7.3.1 Aspectos Introdutórios O Balanço Patrimonial é publicado com os valores relativos a dois exercícios, sendo que o saldo final da conta Lucros ou prejuízos acumulados do exercício imediatamente anterior (que corresponde ao saldo inicial do exercício seguinte), normalmente apresenta valores diferentes em relação ao saldo final do período subseqüente. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados visa explicar os motivos dessa variação de um período para outro, conforme exemplo abaixo: Patrimônio Líquido Capital Social Ano 1 Ano 2

300.000 340.000 60.000

Resultados Acumulados 50.000 7.3.2 Conceito e Objetivos

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é um relatório contábil destinado a evidenciar, num determinado período, as mutações ocorridas nos resultados acumulados da entidade. Dessa forma, evidencia o lucro apurado no exercício e sua destinação para constituição de reservas, compensações de prejuízos, incorporação ao capital ou distribuição aos acionistas em forma de dividendos. Revela, também, os eventos que interferiram no saldo inicial da conta lucros ou prejuízos acumulados, os ajustes de exercícios anteriores e as reversões de reservas. È considerada a Demonstração que faz o elo de ligação entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício. 7.3.3 Estrutura A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve ser estruturada observando-se o que disciplina o art. 186 da Lei n.º 6.404/76: “Art. 186. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados discriminará: I – o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II – as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III – as transferências para as reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo no fim do período. § 1º - Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. § 2º - A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido se elaborada e publicada pela companhia.

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7.3.3.1 Ajustes de Exercícios Anteriores Conforme o disposto no § 1º do art. 186 da Lei das Sociedades por Ações, os ajustes de exercícios anteriores correspondem a mudança de critério contábil ou erro imputável a determinado exercício anterior. A mudança de critério contábil refere-se à utilização de critério alternativo de avaliação diferente do ano anterior. É desaconselhável a mudança de critério de avaliação ou mensuração dos elementos patrimoniais de um exercício para outro, em função da Convenção Contábil da Consistência ou Uniformidade, para que não fique prejudicada a comparabilidade das informações contábeis. Se a mudança resultar em melhoria no aspecto qualitativo das informações contábeis, poderá ser implementada, desde que seus efeitos sejam mensurados no resultado do exercício imediatamente anterior para fins de manutenção da comparabilidade, e desde que constem das notas explicativas às Demonstrações Contábeis. Como exemplo de mudança de critério contábil podemos citar: mudança de critério de custeio de estoques (PEPS para média ponderada), mudança de critério de avaliação de investimentos (Equivalência patrimonial para custo), etc. Os efeitos negativos ou positivos das mudanças de critério contábil serão registrados diretamente na conta lucros ou prejuízos acumulados. Os erros atribuíveis a exercícios anteriores geralmente são os decorrentes de escrituração, os quais não possam ser incluídos no exercício presente. Geralmente são erros de cálculo, omissão de lançamentos, erros de avaliação de estoques, complementação de lançamentos, etc. Salvo casos excepcionais, todo erro identificado após devidamente concluído os procedimentos necessários à apuração do resultado do exercício e estando as Demonstrações Contábeis devidamente elaboradas e publicadas, deverá ser ajustado no exercício em que for constatado, a débito ou a crédito da conta lucros ou prejuízos acumulados. Exemplo: Suponhamos que no mês de agosto de 2010 se constatou que uma receita de aluguéis, no valor de R$ 6.500,00, referente ao mês de novembro de 2009, foi contabilizada a crédito da conta clientes, quando o correto seria a crédito da conta de Aluguéis ativos ou receita de aluguéis. O erro, além de provocar a diminuição do resultado do exercício de 2009, resultou na redução indevida no saldo da conta representativa de direitos a receber de clientes. O ajuste deverá ser realizado no mês de agosto de 2010, mediante o seguinte lançamento: D – Clientes C – Resultados Acumulados 6.500,00 6.500,00.

Nos casos em que o erro implicar na falta de recolhimento de qualquer tributo relativo a anos anteriores, a empresa deverá proceder ao recolhimento espontâneo com os acréscimos legais devidos, efetuando os ajustes diretamente na conta de lucros ou prejuízos acumulados. 7.3.3.2 Reversões de Reservas As reversões de reservas consistem no procedimento de reverter para os resultados acumulados os valores das reservas não utilizadas no período, através de um lançamento a débito da conta de reservas e a crédito da conta de resultados acumulados. 7.3.3.3 Destinações do Resultado do Exercício As destinações do resultado do exercício são baseadas na Lei societária, que determina que as Demonstrações Financeiras devem registrar a destinação dos lucros segundo a proposta da dos órgãos da administração, sujeito à aprovação pela Assembléia Geral. As destinações do resultado podem ser realizadas através de transferência para reservas, pagamentos de

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caso a entidade apure lucro no exercício. das reservas de lucro e das reservas de capital. o mesmo só prevalecerá se superar o valor dos lucros acumulados. COMPANHIA MACIEL DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS Exercício findos em 31/12 Ano 1 Saldo Inicial (+/-) Ajustes de Exercícios anteriores (=) Saldo Inicial Ajustado (+/-) Lucro ou prejuízo Líquido do Exercício (+) Reversões de Reservas (=) Saldo à disposição da entidade (-) Destinação do Resultado Transferência para reservas Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingências Outras Reservas Dividendos a distribuir Incorporação ao Capital Social (=) Saldo Final Dividendo por ação do capital social Ano 2 52 .dividendos e incorporação ao capital social. Em caso de prejuízo no exercício.

imóveis. ajustado pelas contas que registrem a perda de utilidade ou redução da eficiência funcional do bem ou direito. o imobilizado deverá ser avaliado por seu custo de aquisição mais todos os gastos necessários para a colocação do bem em condições de uso. florestas. OPERAÇÕES COM ATIVO IMOBILIZADO 8. reservas petrolíferas. instalações. Bens recebidos por integralização de capital: pelo valor de mercado por meio de laudo de avaliação. Após a vigência dessa lei. Sujeitos a exaustão: recursos naturais e florestais (minas. móveis e utensílios. 8. ou exercidos com essa finalidade. mão-de-obra e custos gerais.1 CONCEITO De acordo com o disposto no art. veículos. “V – Os direitos classificados no imobilizado. O imobilizado pode estar constituído de bens com a seguinte natureza: Bens comprados de terceiros: serão avaliados pelo preço de compra mais os impostos não recuperáveis. com a nova redação dada pela Lei n.638/2007. etc. respeitando o princípio contábil do custo histórico como base de valor. com as alterações na Lei das Sociedades por ações. 53 . amortização ou exaustão”. o ativo imobilizado é o conjunto de direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades operacionais da empresa.638/2007. é composto pelos direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia ou que sejam exercidos com essa finalidade.8. deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação. pelo custo de aquisição. Bens recebidos por doação: serão avaliados pelo valor de mercado obtido por meio de laudo de avaliação. foi criado o subgrupo intangível para registrar os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade. Não sujeitos à depreciação: terrenos. Antes da vigência da Lei n.2 CLASSIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS DO ATIVO IMOBILIZADO Conforme comentado anteriormente. a título de depreciação. obras de arte. o frete e o seguro relativos a transporte. como já foi comentado.º 11.3 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO O subgrupo imobilizado do ativo não circulante. inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios.) 8. o ativo imobilizado é composto de bens materiais: • • • Sujeitos à depreciação: máquinas e equipamentos. Bens produzidos ou construídos: serão avaliados pelos custos incorridos na produção ou construção. inclusive o fundo de comércio adquirido. amortização ou exaustão. que são os materiais.º 11. Dessa forma. 179 da Lei das Sociedades por Ações. antiguidades. etc. gastos com escritura e com instalações e montagem. O critério de avaliação está descrito no inciso V do art. 183. no imobilizado só serão registrados bens tangíveis. riscos e controle desses bens. no imobilizado eram registrados bens tangíveis e intangíveis. Assim como os demais ativos.

Com a adoção das Normas Internacionais de contabilidade pelo Brasil. Conforme a Instrução Normativa da SRF n. quando os bens são adquiridos usados. que foi extinto a partir de 01/01/1996. metade será 5 anos. logo. b) Restante da vida útil do bem. Esse teste visa impedir que um ativo esteja contabilizado por um valor superior àquele possível de ser recuperado por uso ou venda a terceiros.33% Deve ser utilizado o maior prazo de vida útil que é de 5 anos.º 11. equivalente a taxa anual de 20%. com a vigência da Lei n. 130 do RIR/99 determina que. as principais taxas anuais de depreciação e vida útil do bem. não será explorado o teste de recuperabilidade de ativos.º 130/99. no Brasil. não há necessidade de ajustálo ao valor de mercado.638/2007 e 11. Durante muitos anos foi adotado. a taxa de depreciação a ser utilizada é obtida da seguinte forma: a) Vida útil do bem novo = 10 anos.Como o imobilizado não se destina à negociação ou venda. s Para fins dos objetivos da disciplina Contabilidade Societária I. em observância ao princípio ou convenção contábil do conservadorismo. Como exemplo podemos citar: se a empresa adquire uma máquina com sete anos de uso. o custo histórico corrigido.1 Bens adquiridos usados O art.941/2009. as empresas devem fazer o teste de recuperabilidade de ativos. a partir das Leis n. 8. quando este for menor.4.º 9.4 TAXAS DE DEPRECIAÇÃO A taxa anual de depreciação é fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) atual Receita Federal do Brasil (RFB). admissível para o bem adquirido novo. em função da vida útil do bem.249/95. são as seguintes: BENS Móveis e utensílios Software Equipamentos de informática Tratores Prédios em uso Veículos Instalações Máquinas e equipamentos TAXA ANUAL 10% 20% 20% 25% 4% 20% 10% 10% VIDA ÚTIL 10 anos 5 anos 5 anos 4 anos 25 anos 5 anos 10 anos 10 anos 8. 54 . o prazo de vida útil admissível para fins de depreciação é o maior entre os seguintes: a) Metade da vida útil. equivalente a 20% b) Restante da vida útil do bem = 3 anos. equivalente a 33.

000 35. A venda ou alienação de um bem do imobilizado.8. poderemos saber se houve uma perda ou um ganho não operacional.00 até certo momento de sua vida útil. D – Caixa C – Venda de imobilizado D – Custo contábil do imobilizado vendido C – Veículos D – Depreciação Acumulada – Veículo C – Custo contábil do imobilizado vendido 35.000. As contas de vendas do ativo imobilizado e custo do imobilizado vendido fazem parte do grupo ganhos e perdas na alienação do imobilizado.000 70. deve ser registrada da seguinte forma: a) Debita-se a conta caixa.000. Registre esse fato contábil.000. parcial ou totalmente depreciado. ou antes. é vendido por R$ 35. Da comparação entre o valor de alienação e do valor contábil líquido.5 BAIXA DOS BENS DO IMOBILIZADO Em situações não muito comuns. houve um ganho não-operacional na alienação do imobilizado no valor de R$ 5.000 70. Exemplo: um veículo comprado por R$ 70.000.000 40.00. transferindo para a conta de custo desse ativo.000 Na hipótese acima. b) Apura-se o valor contábil do bem vendido.000 40.00 à vista. o valor da depreciação acumulada referente a esse bem. a empresa pode desfazer-se de alguns itens do seu imobilizado. Essa reposição poderá ocorrer ao final da vida útil do bem.00 e depreciado no valor de R$ 40. 55 . bancos ou contas a receber pelo valor da alienação e credita-se a conta de receita de venda de ativo imobilizado. com a finalidade de reposição desses itens.

000. a empresa deve registrar como perdas do exercício o valor que ultrapassar a provisão. geralmente originados de vendas a prazo. no valor de R$ 200.9. Ao contrário das contas de depreciação.00 no final exercício social de 2009 e que a média de perdas da empresa nos últimos três anos foi equivalente a 3% do saldo das duplicatas a receber no final de cada ano. perdas decorrentes do não-recebimento de direitos da empresa. 9. O percentual a ser aplicado para o cálculo desta provisão deve ser resultante de estudos realizados pela empresa com base em perdas efetivas ocorridas em exercícios anteriores. produtos e de serviços.00 56 . amortização e exaustão. Essa provisão é constituída para atender ao Princípio Contábil do Conservadorismo ou Prudência bem como para avaliar o direito pelo seu valor provável de realização. levando em consideração que parte da provisão do ano anterior.600. o percentual aplicado pelas empresas do setor. nos casos de empresas em início de atividade ou com menos de 3 anos de existência.00. Estas contas são normalmente denominadas de clientes ou duplicatas a receber. a maioria das empresas utiliza como base de cálculo da provisão o saldo das duplicatas a receber no final do exercício. Qual será o valor da provisão para crédito de liquidação duvidosa para o ano de 2010. A base de cálculo da provisão poderá ser o total das vendas a prazo durante o ano (mais recomendável) ou o saldo das duplicatas a receber no final do exercício. a provisão para crédito de liquidação duvidosa não é cumulativa.800. em face da nova estimativa para o ano seguinte. Por questões de simplicidade. ou seja.000 x 3% = R$ 1.00 1.600. em função do não-recebimento de seus direitos decorrentes de vendas a prazo. Poderá ser utilizado como parâmetro o valor da média aritmética das perdas efetivas ocorridas nos três últimos anos ou. constituindo-se nova provisão.600.00 O registro contábil da provisão para crédito de liquidação duvidosa será realizado da seguinte forma: D – Despesas com Crédito de liquidação duvidosa C – Provisão para crédito de liquidação duvidosa 1.00 (-) saldo não utilizado da provisão do ano de 2009 = (R$ 200.00) = Complemento da Provisão para 2010 = R$ 1.1. quando são elaboradas as Demonstrações Contábeis. não foi utilizado? Cálculo da estimativa da provisão para 2010 = 60. TÓPICOS ESPECIAIS DE CONTABILIDADE 9.1 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA Consiste em estimar um valor que será provisionado no final de cada exercício social para cobrir. levando em consideração eventuais prejuízos com o não-recebimento de créditos da entidade. ou complementado. Exemplo: Suponhamos que a empresa Cia dos Tecidos possua um saldo de duplicatas a receber no valor de R$ 60. Caso o valor da provisão tenha sido insuficiente para cobrir as perdas com devedores insolváveis. ao final de cada exercício. o saldo anterior não utilizado para cobertura de prejuízos com clientes deverá ser revertido para o resultado do exercício.1 Cálculo e registro da Provisão O valor dessa provisão é obtido mediante a aplicação de um percentual sobre os direitos existentes no final do exercício. no exercício seguinte. As contas que devem servir de base para o cálculo da provisão para crédito de liquidação duvidosa são aquelas que registram direitos provenientes de vendas a prazo de mercadorias.

os depósitos bancários e as aplicações de liquidez imediata. respectivamente.Após o registro da provisão.00 (1.º 9. suponhamos que um título pertencente a um determinado cliente. a empresa resolve baixá-lo.2 Baixa de Créditos incobráveis A baixa de créditos incobráveis é realizada mediante um lançamento a débito da conta de provisão para créditos incobráveis e a crédito da conta de duplicatas a receber ou clientes. podese creditar a conta provisão para devedores duvidosos. considerado incobrável e. A baixa desse crédito incobrável será realizada da seguinte forma: D – Provisão para créditos de liquidação duvidosa C – Duplicatas a receber 9. o cliente paga a dívida. a conta duplicatas a receber deverá figurar no Balanço Patrimonial da seguinte forma: Duplicatas a receber (-) Provisão para crédito de liquidação duvidosa 60. Após diversas tentativas de cobrança.00 180.00 se tornou incobrável. 9. não sendo recomendável figurarem na conta caixa. com a vigência da Lei n. posteriormente. Ainda de acordo com o exemplo anterior.800.1.00 180.1. É importante notar que a baixa de créditos incobráveis não poderá ser em conta de despesa.3 Recuperação de créditos anteriormente baixados Podem ocorrer situações em que a empresa promove a baixa de algum crédito.1 Caixa O caixa representa o numerário à disposição da empresa e os cheques em mãos. em virtude da não localização do mesmo em seu endereço.430/96 a provisão para créditos de liquidação duvidosa passou a ser indedutível para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real. no valor de R$ 180. tendo em vista que a mesma já foi apropriada quando da constituição provisão.00) A partir de 01/01/1997.000. o registro contábil da recuperação do crédito (receita) será da seguinte forma: D – Caixa C – Recuperação de créditos baixados 180.00 Caso a recuperação do crédito ocorra dentro do próprio exercício contábil da baixa. ainda não depositados. Nesse caso.2 DISPONIBILIDADES As disponibilidades representam os ativo de maior liquidez e são representadas por dinheiro em caixa. 9. São os recursos da entidade utilizados para honrar seus compromissos imediatos relativos às suas atividades operacionais. Os cheques a receber e os vales a receber devem ser classificados em contas a receber e adiantamentos.2.00 180. 57 . 9.

e Exigência para que todos os pagamentos sejam feitos em cheque nominativos. seja com ou sem fins lucrativos. os rendimentos são menores. com uma divisão de trabalho que permita a descoberta automática de erros e que previna a ocorrência de desvios de dinheiro.3 Aplicações Financeiras de liquidez imediata Representam as aplicações em títulos cujo prazo de resgate é de curtíssimo prazo. comparativamente aos demais tipos de aplicações. Exigência para que todos os recebimentos em dinheiro sejam depositados diariamente na conta bancária da empresa.2 Depósitos Bancários à vista São os depósitos efetuados na conta bancária da empresa. Com esse nível de controle (segregação de funções e supervisão).2. 9. 9. ou seja. tendo em vista que os recursos são escassos e as necessidades são crescentes.9. Em função do prazo curto de aplicação. Funcionários que fazem recebimentos ou pagamentos não devem ter acesso aos registros e aqueles encarregados dos registros.2. As empresas recorrem a esse tipo de aplicação com o objetivo de obterem ganhos adicionais em função do excesso de recursos financeiros em conta bancária em certos períodos. não devem ter a seu alcance as disponibilidades. Um sistema de controle do disponível possui os seguintes objetivos: • • Proteção das disponibilidades Exatidão dos registros contábeis Esses objetivos são facilmente atingidos quando é possível segregar a função de custódia dos elementos do ativo da função dos registros das operações.2. um sistema básico de controle interno de disponibilidades incluiria os seguintes aspectos: • Estabelecimento de uma rotina de trabalho definida para o registro das operações de caixa e bancos. precisam de uma atenção especial para não ficar à mercê da cobiça alheia. • • • • 58 . A existência de conta bancária em nome da empresa é essencial nos dias de hoje. O controle se torna mais efetivo quando o trabalho de registro é dividido de tal forma que permita a verificação por outro profissional. por representarem valores monetários á disposição da entidade e por ser um meio de satisfação das necessidades humanas. pois. as instituições financeiras exigem algum tipo de relacionamento para a concessão de crédito.4 Controle interno das disponibilidades As disponibilidades. De forma geral. Separação. recebimentos de vendas em dinheiro ou em cheques ou rendimentos de aplicações financeiras dentre outras fontes. se possível. ou seja. só ocorreriam irregularidades quando houvesse conspiração de pessoas. das atividades que estejam associadas com os pagamentos daquelas que estejam ligadas aos recebimentos. quem controla o caixa não pode ter acesso aos registros contábeis e vice-versa. podem ser resgatados a qualquer momento. Um bom sistema de controle interno de disponibilidades é de fundamental importância para qualquer entidade. decorrentes de transferência da conta caixa. por seu turno. Separação do trabalho de manuseio de disponibilidades da função de registro.

9.9.00 Histórico: pela emissão e recebimento do cheque n. de acordo com a política de controle interno adotada pela empresa. uma quantia razoavelmente pequena de dinheiro para fazer frente a essas pequenas despesas recorrentes. Toda e qualquer despesa paga com o recurso do caixa tem que estar suportada por documentos. 9.2.2 Utilização do fundo fixo O fundo é utilizado para pagamentos das pequenas despesas através do caixa. que é registrado no livro diário da seguinte forma: D – Caixa (fundo fixo) C – Bancos 500. que é constituída com base nas despesas diárias da empresa no que se refere às pequenas despesas. Essa quantia de dinheiro é conhecida como fundo fixo de caixa.00 430.00 Histórico: pela emissão e recebimento do cheque n. ou seja. Fixado o valor e a periodicidade de cobertura do fundo fixo de caixa. 59 . Diante da necessidade de pagamentos das pequenas despesas como as de condução.00 e supondo que foram realizados pagamentos de despesas no montante total de R$ 430.00 230. gorjetas.2.º xxx1 para recomposição do fundo fixo de caixa. 9. constituindo o fundo inicial.5 Fundo fixo de caixa Como norma geral de controle. Levando em consideração que o fundo foi constituído com o valor de R$ 500.5. R$ 430. O fundo deve ser recomposto mediante a emissão de um cheque no valor das despesas realizadas.5. telegramas.00 500.º xxxx para constituição do fundo inicial de nosso caixa. Nenhum registro contábil é realizado por ocasião de tais pagamentos. material de escritório. que geralmente não ultrapassa 15 dias. O lançamento deve ser o seguinte: D – Diversos C – Bancos Despesas com correio Material de escritório Despesas de condução 60. todos os recebimentos devem ser depositados diariamente na conta bancária da empresa e todos os pagamentos devem ser feitos em cheque nominativo.1 Constituição do fundo fixo Para constituir esse fundo é necessário estipular o valor e a periodicidade de reposição. tendo em vista a periodicidade fixada pela empresa.3 Restabelecimento do fundo fixo Sempre que o valor do fundo esteja quase totalmente utilizado. torna-se necessária a sua recomposição. etc.2. cujos comprovantes são devidamente arquivados. a quantia é retirada da conta bancária mediante a emissão de cheque. existe a necessidade de que seja disponibilizada em caixa.00 140.00 é chegado o momento de sua recomposição.5.00.2. cujos pagamentos seguem discriminados com base nos comprovantes anexos.

Finalmente. deve-se ter o cuidado de contabilizar as despesas. do fornecimento de talões de cheques. Esse procedimento é uma exceção ao princípio da oportunidade. o da materialidade ou relevância. etc. já para a contabilidade bancária. em que as transações devem ser registradas no momento de sua ocorrência. trimestrais. b) o banco poderá efetuar lançamentos a débito ou a crédito na conta corrente da empresa. uma redução na conta bancária do cliente. sem a devida comunicação ou comunicá-la com atraso. mais o valor dos comprovantes dos pagamentos efetuados. quando houver necessidade de aumento ou diminuição do fundo. 60 . um débito para contabilidade financeira representa um fato positivo. 9. sendo que o fornecedor poderá descontar esse cheque alguns dias depois. de cobrança de juros e taxas bancárias por serviços prestados. de cobrança de CPMF. recompondo seu respectivo fundo. sejam eles mensais. A vantagem da utilização do fundo fixo de caixa reside nos seguintes aspectos: • • Diversos pagamentos sendo coberto por um único cheque Utilização de apenas uma partida de diário para registrar diversas despesas. Segundo Ribeiro (2005). O acompanhamento diário dos registros contábeis e bancários permitirá o monitoramento. contabilizando essa operação como redutora da conta bancos. a identificação e correção das divergências entre esses saldos (o contábil e o bancário). é um procedimento obrigatório que deve ser realizado por ocasião da apuração dos resultados da entidade. É importante observar que a conta caixa só é debitada quando o fundo é constituído. a fim de evitar que as referidas despesas sejam excluídas da apuração do resultado do exercício. semestrais ou anuais. um acréscimo na conta bancos. ou seja. pois visa identificar possíveis divergências entre o saldo constante da escrituração contábil com aquele informado pela instituição bancária. mas diante da irrelevância dos valores envolvidos. Os débitos ou créditos efetuados pelo banco na conta corrente da empresa podem ser decorrentes de recebimentos de duplicatas que estavam em cobrança no banco. tendo em vista que dificilmente o saldo constante do razonete da conta bancos coincidirá com o saldo constante do extrato da conta corrente da empresa. pois está sendo observado um outro princípio contábil. um débito na conta bancos representa um fato negativo. esse saldo permanente deve sempre corresponder ao dinheiro em espécie existente em qualquer tempo.É importante notar que as contas de despesas são debitadas em contrapartida da conta bancos somente por ocasião de sua recomposição e não quando os desembolsos de caixa foram efetivamente realizados. por exemplo. ou seja. A principal causa das divergências entre o saldo bancário e o saldo contábil é a defasagem entre as datas de escrituração da empresa e do banco. Essa defasagem ocorre em função de determinadas situações quotidianas.3 CONCILIAÇÃO BANCÁRIA Representa o confronto entre o movimento registrado no razonete da conta bancos e o contido no extrato bancário. não representa uma inobservância a tal princípio. É necessário ressaltar que o conceito de débito e crédito da contabilidade financeira é totalmente diferente da contabilidade bancária. Quando o movimento bancário da empresa for expressivo. como por exemplo: a) a empresa poderá realizar um pagamento a fornecedor por meio de cheque. sendo que outros lançamentos só ocorrerão quando da necessidade de redimensionamento do fundo fixo. é recomendável que as conciliações sejam realizadas diariamente. cujos comprovantes estão no caixa. Tendo em vista que o caixa não tem seu saldo alterado pelos pagamentos realizados e tampouco pela recomposição do fundo em dinheiro.

a conciliação bancária pode ser efetuada de duas formas: partindo-se do saldo do livro razão e chegando-se ao valor do saldo bancário ou partindo-se do saldo bancário para se chegar ao valor do saldo do livro razão. que correspondem ao lançamentos que não foram marcados tanto na ficha razão quanto no extrato bancário. Erros nos registros contábeis da empresa ou nos registros bancários poderão contribuir para a existência dessas divergências. No banco. sendo necessário o controle individualizado. aplicações financeiras. abertas em cada estabelecimento bancário. no segundo caso. É necessário definir qual critério de conciliação deverá ser adotado. • • 61 . a empresa necessita dispor do extrato bancário atualizado para que possa compará-lo com o saldo da conta bancos no livro razão e dessa forma. a conta é considerada conciliada quando o saldo do razão é ajustado até coincidir com o saldo do extrato bancário. lançamentos indevidos na conta da empresa referente a outro correntista. se a empresa a possuir em outros estabelecimentos. os erros poderão se referir a: omissões de lançamentos. omissões de lançamentos. Com a difusão das transações via meio eletrônico. decorrentes de contrato de serviços com a empresa correntista. relacionar as divergências. a conta é considerada conciliada quando o saldo bancário é ajustado até coincidir com o saldo do livro razão. marcando os lançamentos coincidentes (não esquecer que os débitos no razão correspondem aos créditos no extrato bancário). 9. A empresa normalmente credita a conta bancos pelos: • • cheques emitidos despesas bancárias referentes à cobrança de títulos e descontos de duplicatas. é desdobrada em subcontas individualizadas. proceder à conciliação. Na empresa. lançamentos a maior ou a menor. proceder à conciliação dos valores. A empresa normalmente debita a contas bancos pelos: • • • depósitos em dinheiro ou em cheques. Definido o critério de conciliação e de posse da ficha razão da conta banco e do extrato bancário. Aos bancos são atribuídas várias tarefas. referente a outro estabelecimento bancário. etc.Não é só a defasagem entre as datas de escrituração da empresa e do banco que causam divergências entre o saldo contábil e o saldo bancário. os erros poderão se referir a: duplicidade de lançamentos. empréstimos obtidos de bancos.3. a empresa poderá obter facilmente o extrato bancário pela rede mundial de computadores (Internet). dentre elas a cobrança de títulos referentes a contas a receber da empresa.3. No primeiro caso. valores lançados a maior ou a menor. etc. etc. o responsável pela conciliação deverá adotar os seguintes procedimentos: • conferir os lançamentos do extrato bancário e da ficha razão da conta bancos. A conta coletiva bancos conta movimento ou simplesmente bancos. 9. desconto de duplicatas. duplicidade de lançamentos.2 A técnica de Conciliação Bancária Segundo Ribeiro (2005). lançamentos indevidos numa conta bancária.1 Controle dos saldos bancários Para realizar o procedimento de conciliação. avisos de cobranças efetuadas pelo banco em nome da empresa.

Os atos administrativos relevantes são aqueles que ocorrem no ambiente empresarial. Mercadorias recebidas em consignação: o registro desse evento por meio de contas de compensação permite a comprovação. contudo. 62 .Para proceder à conciliação dos valores devemos identificar os débitos e créditos constantes do razão não considerados no extrato bem como os débitos e créditos constantes no extrato não considerados no razão. 2005). Remessa de duplicatas para cobrança simples: ocorre quando a empresa encaminha ao banco lotes de duplicatas de sua emissão para cobrança.5.4 CONTAS DE COMPENSAÇÃO 9. • • • • 9.5 – Das contas de compensação 2. pois seu impacto se dará no futuro.5. não o faça. de parte dos estoques de posse da empresa. de 17 de dezembro de 1985. 2.4.2 – Nas contas de compensação registrar-se-ão os atos relevantes cujos efeitos possam se traduzir em modificações no patrimônio da entidade. Dentre esses fatos podemos citar: • • Aval de títulos: ato que coloca em risco o patrimônio da empresa. abaixo reproduzida: “NBC .5 – aprovada pela Resolução CFC N.. também denominadas de contas extrapatrimoniais.T 2 – Da escrituração contábil NBC – T 2.4. 9.1 Conceito e aplicações As contas de compensação. roubo. nos registros contábeis. etc.1 – As contas de compensação constituem sistema próprio. constituem um sistema próprio de contas destinado ao registro dos atos administrativos relevantes (RIBEIRO. roubos. provocar modificações no patrimônio da entidade no momento de sua ocorrência. etc.5. Produtos semi-acabados encaminhados para industrialização (beneficiamento) em outros estabelecimentos: o registro desse evento por meio de contas de compensação permite o controle das remessas bem como dos retornos dos produtos na contabilidade da empresa. sem.3 – A escrituração das contas de compensação será obrigatória nos casos que se obrigue especificamente. Contratação de seguros: ocorre quando a empresa contrata com uma companhia seguradora a cobertura de riscos contra incêndio. que se compromete a pagar uma dívida caso o devedor (avalizado pela empresa). que se obriga pagar o aluguel caso o devedor (afiançado pela empresa) não faça. que também põe em risco o patrimônio da empresa. Fianças em favor de terceiros: atos comuns nos contratos de locação de imóveis. 2. É um ato relevante que deve ser contabilizado para configurar que os respectivos títulos representativos de direito foram transferidos ao banco para cobrança. Trata-se de ato relevante que revela a preocupação da empresa com o ressarcimento de possíveis perdas por sinistro.º 612. porém de propriedade de terceiros.2 Obrigatoriedade de contabilização A obrigatoriedade de contabilização dos atos administrativos relevantes está disciplinado na Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.

000 D – Seguro contratados C – Contratos de seguros Histórico: pela contratação.000 200. tendo em vista o seu vencimento nesta data. conforme apólice 11111.3. conforme apólice n.000 C – Concessão de fiança 30.000 Histórico: baixa da responsabilidade por fiança concedida à empresa Comercial Lima Ltda.3 Casos práticos 9. devido ao seu caráter de contas extrapatrimoniais e por fazer parte de um sistema próprio de contas.000 Histórico: fiança prestada à empresa Comercial Lima Ltda.4.º 11111 com vigência no período de 01/10/2008 a 30/09/2009.000 200. em contrato de locação pelo período de 01/10/2008 a 30/09/2009.4. Embora a Lei societária determine que as contas de compensação sejam apresentadas no Balanço Patrimonial.4. 9. com a Cia de seguro Aliança. sejam indicadas na apresentação do Balanço Patrimonial. 9.º 6.000 C – Endosso para cobrança de duplicatas 12.000 C – Fiança em favor de terceiros 30.3 Valores em poder de terceiros • Remessa de duplicatas para cobrança simples D – Duplicatas em cobrança bancária 12. porém dispõe que os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo.A Lei das Sociedades por Ações. • Baixa pelo vencimento do contrato 200. Sua finalidade essencial é de controle. não faz referência as contas de compensação. as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes.1 Contratos • Contratação de seguros 200. • Baixa da responsabilidade D – Concessão de fiança 30.404/76. através das notas explicativas”.000 D – Contrato de seguros C – Seguros Contratados Histórico: pela baixa do contrato de seguro contra incêndio firmado com a Cia de Seguros Aliança.3.4. é recomendável que as mesmas não sejam apresentadas juntamente com as contas patrimoniais. de seguro contra incêndio.3. Lei n. tendo em vista o vencimento do contrato de locação.000 63 . 9.2 Riscos e Ônus Patrimoniais • Fianças em favor de terceiros D – Fianças em favor de terceiros 30.

São originadas.2.5.5.2 Reservas de Reavaliação São as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo permanente. de contribuições dos acionistas que ultrapassarem o valor nominal das ações e de doações.2. 64 . Um critério bastante simples e pragmático de distinguir uma da outra é aquele segundo o qual as provisões são constituídas antes da apuração do resultado.000 C – Duplicatas em cobrança bancária 12. em virtude de novas avaliações com base em laudos emitidos por. São reservas de capital: • • ágio na emissão de ações alienação de partes beneficiárias 9. RESERVAS E PROVISÕES 9. evidentemente. De outra maneira.1 Reservas de Capital São acréscimos ao patrimônio líquido que. 9. Só poderão ser utilizadas para: absorver prejuízos incorporação ao capital social resgate de partes beneficiárias resgate. ao passo que as provisões são constituídas tendo em vista a onerar o resultado das empresas. reembolso ou compra de ações. Vale salientar que essas reservas não são originadas do resultado do exercício. podemos afirmar que as reservas são constituídas com a própria distribuição de resultados. conforme determinação da Lei das Sociedades por ações.5. no mínimo. de borderô de duplicatas para cobrança simples no Banco do Brasil S/A • Baixa pelo recebimento das duplicatas D – Endosso para cobrança de duplicatas 12. 9.Histórico: pela remessa. A reavaliação consiste em nova avaliação de itens do ativo permanente pelo seu valor de mercado e ocorre normalmente quando o item está registrado por um valor defasado em relação ao seu real valor de mercado. basicamente.1 Diferenças entre Reservas e Provisões As reservas são comumente confundidas com as provisões. quando este é.000 Histórico: Pelo recebimento de todas as duplicatas constantes do borderô de 05/05/2009.5. três peritos. e as reservas depois da apuração do resultado.5. em 05/05/2009.2 Os principais tipos de Reservas 9. são utilizadas para aumento de capital. na maioria das vezes. positivo. não importando que seja negativo ou positivo. conforme aviso bancário.

com a entrada em vigor da Lei n. Por esse motivo. que alterou a Lei das Sociedades por Ações. Só poderão ser utilizadas para compensação de prejuízo e incorporação ao capital social. e b) Empréstimos (operações financeiras passivas). Dentre as provisões mais conhecidas no âmbito contábil podemos citar: Provisão pra crédito de liquidação duvidosa. São classificadas da seguinte forma: • • • • • • Reserva Legal Reservas Estatutárias Reserva para Contingências Reservas de incentivos fiscais Reservas de retenção de lucros Reservas de Lucros a Realizar. 9. Nas provisões para contingências o fato gerador já ocorreu e existe grande perspectiva de desembolso por parte da empresa.2. a reserva de reavaliação foi extinta. de 28 de dezembro de 2007. enquanto que nas reservas para contingências o fato gerador ainda não ocorreu.638. as operações financeiras são realizadas pelas empresas com o objetivo de gerar recursos financeiros (dinheiro).6 OPERAÇÕES FINANCEIRAS Segundo Ribeiro (2005).3 Os principais tipos de Provisões Conforme comentado anteriormente.3 Reservas de Lucros São as apropriações de lucros da empresa que possuem o objetivo de fortalecer e manter a integridade do capital.404/76. esse procedimento contraria o Princípio Contábil do registro pelo valor original e o da Prudência. 65 . 9. São calculadas com base em estimativas. Para efeito de imposto de renda.5. Provisão para férias mais encargos sociais Provisão para décimo terceiro salário mais encargos sociais Provisão para o imposto de renda da pessoa jurídica Provisão para a contribuição social sobre o lucro líquido Provisão para ajustes a valor de mercado Provisão para perdas em investimentos permanentes Provisão para contingências (ações trabalhistas) As provisões para contingências não devem ser confundidas com reservas para contingências. 9. Grande parte dessas transações é realizada com os estabelecimentos bancários. Lei n.º 11.º 6. O adequado tratamento e movimentação dessas reservas (formação e reversão) é de suma importância devido à sua influência para fins de cálculo do dividendo obrigatório. a provisão para contingência deduzida como despesa ou custo no resultado do período não é considerada como despesa dedutível.5.Segundo alguns autores. as provisões são constituídas antes da apuração do resultado e possuem a finalidade de reconhecimento de despesas e custos pelo regime de competência. As operações financeiras são classificadas em duas categorias: a) Investimentos (operações financeiras ativas).

sendo os mais comuns o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Esses encargos podem variar conforme a legislação tributária.6. onde mantém conta corrente.00 referentes ao imposto de renda. garantindo rendimentos adicionais às empresas. as quais.200. Diante da diversidade de aplicações financeiras.00 referente aos rendimentos. e sobre seus rendimentos incidem encargos financeiros para a empresa.000. na Banco da Amazônia S/A.00 correspondentes ao capital investido e R$ 200.9. sendo R$ 10.1.1 Aplicações de Liquidez Imediata São aplicações de curtíssimo prazo. podem ser investidos com a finalidade de obtenção de rendimentos. normalmente. conforme o interesse da empresa. Exemplo: Suponhamos que em 02 de novembro de 2009 a Companhia Introdutória aplicou a importância de R$ 10.6.000. Contabilização da aplicação: D – Aplicações de Liquidez Imediata C – Bancos conta movimento Contabilização do resgate: D – Bancos conta movimento C – Diversos Aplicações de Liquidez Imediata Receitas Financeiras 10. figuram no Balanço Patrimonial no ativo circulante. A principal característica desse tipo de investimento é oferecer a possibilidade de resgate a qualquer momento. enquanto não forem utilizados para atender a compromissos já assumidos pela empresa ou para adquirir novos ativos. subgrupo das disponibilidades.000 66 . etc. a empresa poderá aplicá-los na compra de títulos de créditos ou de valores mobiliários no mercado financeiro ou no mercado de capitais. São aplicações financeiras realizadas. Dependendo do volume de recursos disponíveis. apenas as mais comuns. O Banco da Amazônia descontou a importância de R$ 40. não trataremos de todas no presente estudo. Representam as aplicações de recursos financeiros feitas por poucos dias. garantidos pelo governo.00. o Imposto de Renda (IR) e outros. por serem transformadas em dinheiro a qualquer momento.00. utilizadas para evitar que as sobras de recursos em bancos permaneçam sem movimentação.1 Investimentos Os excessos de recursos financeiros que temporariamente permanecem compondo o saldo da conta caixa ou bancos.000 200 10. No dia 14 de novembro a companhia resgatou R$ 10. em títulos públicos. 9.200 10. a curto prazo. Dentre as diversas modalidades de aplicações financeiras podemos citar: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) Fundos de liquidez imediata Fundos de investimentos de renda fixa ou variável Certificados de depósitos bancários (CDB) Recibos de depósitos bancários (RDB) Depósitos a prazo fixo Títulos e letras do tesouro nacional ou dos estados Letras de câmbio Debêntures Aplicações em ouro Depósitos em cadernetas de poupança Aplicações em títulos representativos do capital de outras sociedades.000 10.

a concessão de empréstimo é uma transação onerosa. tanto os juros quanto a correção monetária já são conhecidos. Exemplo: a Companhia Introdutória efetuou um empréstimo no valor de R$ 6.000 5. Normalmente é emitida uma nota promissória pelo devedor que assume a obrigação de pagamento.000 940 940 60 60 6.2 Empréstimo com correção monetária pós-fixada Nessa modalidade de empréstimo. com vencimento em 23 de outubro de 2009.Contabilização do imposto de renda: D – IRRF a recuperar C – Bancos conta movimento 9. O pagamento gradativo de um empréstimo é conhecido como amortização da dívida. A empresa emitiu uma nota promissória no valor total da dívida. sendo contabilizados no momento da concessão do empréstimo. cálculos dos juros e da correção monetária pré-fixada ou pós-fixada. durante determinado tempo. 6. Existem vários tipos de empréstimos. etc. Em sua essência.00. pois haverá a incidência de juros.000.6. liberando para a empresa a importância líquida de R$ 5.000 940 60 40 40 67 . Contabilização do empréstimo: D – Diversos C – Banco conta empréstimo ou promissórias a pagar Banco conta movimento Variações monetárias passivas a vencer Juros passivos a vencer Contabilização do pagamento: D – Banco conta empréstimo ou promissórias a pagar C – Banco conta movimento D – Variações monetárias passivas C – Variações monetárias passivas a vencer D – Juros passivos C – juros passivos a vencer 9.1 Empréstimo com correção monetária pré-fixada Nessa modalidade de empréstimo. diferindo um dos outros quanto à forma. comprometendo-se a devolver o capital emprestado acrescido de juros e correção monetária de uma só vez na data estipulada ou em parcelas mensais.000 6.2. prazo de pagamento. com ou sem acréscimo de juros e correção monetária. tanto os juros quanto a correção monetária só serão conhecidos quando do pagamento da dívida.000.00 de juros.2 Empréstimos É o ato de ceder a alguma pessoa física ou jurídica.00 de correção monetária e R$ 60.00 na Banco do Brasil S/A em 24 de setembro de 2009. que será restituída posteriormente ao concedente do empréstimo. O banco cobrou R$ 940. 9.2.6. certa quantidade de dinheiro.6.

9. A operação de cobrança se resume nas seguintes fases: 1. aos estabelecimentos bancários que prestam serviços à empresa. data do vencimento do empréstimo. do valor das vendas ou dos serviços a eles prestados.400.1 Cobrança Simples de Duplicatas A cobrança simples de duplicatas consiste na remessa de títulos. Contabilização do empréstimo: D – Banco conta movimento C – Banco conta empréstimo ou promissórias a pagar 50. Com esses títulos. o banco cobrou R$ 2. também calculados no vencimento.000 400 52.00. com correção monetária pós-fixada mais juros de 12% a.400 52. Nesse tipo de operação.a. Para remetê-los ao banco.3 Operações com Duplicatas As empresas comerciais. para que sejam cobrados dos respectivos devedores.00 referentes à correção monetária do período mais R$ 400.00 em 01 de setembro de 2009.000. produtos ou prestarem serviços a prazo.000. Dessa forma a empresa liquidou a dívida no valor total de R$ 52. pela remessa dos títulos ao banco: a) registro da operação por meio das contas de compensação. que garantem ao vendedor (comerciante ou prestador de serviços) o direito de recebimento de seus clientes. b) baixa dos direitos por meio de débito na conta Bancos conta movimento pelo recebimento das importâncias referentes aos títulos e crédito na conta duplicatas a receber ou clientes para baixa dos respectivos direitos. porém a propriedade desses títulos continua sendo da empresa. para pagamento no dia 10 de novembro de 2009. sendo as mais comuns a cobrança simples de duplicatas e descontos de duplicatas. as empresas efetuam transações nos estabelecimentos bancários..6. além da fatura. emitirão duplicatas as quais receberão o aceite (assinatura) dos clientes.000 Contabilização do pagamento: em 10 de novembro de 2009.400 2. as empresas relacionam esses títulos em um documento conhecido como borderô. industriais ou prestadoras de serviços. pelo recebimento das importâncias referentes aos títulos: o banco comunica que os títulos foram quitados: a) baixa da responsabilidade por meio de lançamento no sistema de compensação. D – Diversos C – Banco conta empréstimo ou promissórias a pagar Variações monetárias passivas Juros passivos D – Bancos conta empréstimo ou promissórias a pagar C – Bancos conta movimento 9. 2.000 50. As duplicatas são títulos de crédito decorrentes de operações mercantis. b) registro das despesas (comissões) cobradas pelo banco com a cobrança dos títulos 2. sobre o valor do empréstimo.6. ao venderem mercadorias.400 68 . atualizado pela taxa do dia.00 de juros.3.Exemplo: a Companhia Introdutória efetuou um empréstimo no Banco do Brasil S/A no valor de R$ 50. a empresa transfere a posse dos títulos ao banco.

o único procedimento contábil será dar baixa no sistema de compensação. Contabilização pelo recebimento do título: • Baixa do direito 520 520 D – Caixa C – Duplicatas a receber • Baixa da responsabilidade no sistema de compensação 520 520 D – Endossos para cobrança C – Títulos em cobrança Obs.º 52. n. Exemplo: Duplicatas sem quitação na data do vencimento Após o vencimento das duplicatas que se encontravam no estabelecimento bancário para cobrança.000 D – Títulos em cobrança C – Endossos para cobrança • Registro das despesas D – Despesas bancárias C – Bancos conta movimento 50 50 Contabilização pelo recebimento dos títulos: • Baixa da responsabilidade no sistema de compensação 1. de 02 de agosto de 2009.000 D – Endossos para cobrança C – Títulos em cobrança • Baixa dos direitos D – Bancos conta movimento C – Duplicatas a receber ou clientes 1. que não foram quitadas no vencimento.00 referentes à duplicata de seu aceite. Nesse caso.00 de comissões e taxas.000 1.000 1. 69 . tendo sido encaminhada através do borderô n.000. conforme borderô no valor total de R$ 1. O Banco do Brasil cobrou R$ 50. o banco devolve cinco delas.º 733. a qual se encontrava em cobrança no Banco do Brasil. no valor total de R$ 380.000 1.00.: a empresa deverá comunicar ao banco o recebimento do crédito e solicitar a devolução do respectivo título.00.Exemplo: Remessa de duplicatas com quitação normal A Companhia Introdutória remeteu um lote de duplicatas ao Banco do Brasil S/A para cobrança simples. Contabilização pela remessa dos títulos ao banco: • Lançamento de compensação 1.000 Exemplo: Duplicatas com quitação na empresa O cliente José Pereira resolveu pagar na empresa a importância de R$ 520.

Baixa da responsabilidade no sistema de compensação D – Endossos para cobrança C – Títulos em cobrança 9. Essa transação configura-se como uma antecipação dos recebimentos. no Banco do Brasil S/A.3.6. Na operação de desconto. no valor nominal de R$ 1. Exemplo: Remessa de duplicatas descontadas com quitação normal A Companhia Introdutória desconta. mediante endosso ao portador.00. De posse das duplicatas de sua emissão. Contabilização do reembolso: D – Duplicatas descontadas C – Bancos conta movimento 100 100 70 . com vencimentos futuros. ou seja. a empresa transfere ao banco o direito de recebimento dos títulos. o Banco do Brasil devolve o título à empresa. recebendo o montante líquido dos descontos. o banco desconta na conta da empresa o valor referente ao título.000 1. a empresa poderá descontá-la no estabelecimento bancário. Contabilização pela remessa dos títulos ao banco: D – Diversos C – Duplicatas descontadas Bancos conta movimento Juros passivos a vencer Despesas bancárias 380 380 1. que é determinado em função do número de dias que faltam para que os títulos sejam liquidados. com cobrança de juros pelo banco em função do prazo de antecipação. sendo reembolsado mediante débito na conta corrente da empresa e comunicando o fato. dez duplicatas de sua emissão.000 D – Duplicatas descontadas C – Duplicatas a receber • Apropriação dos juros D – Juros passivos C – Juros passivos a vencer 150 150 Exemplo: Duplicatas descontadas não quitadas no vencimento Após o vencimento de uma duplicata no valor de R$ 100.00.000.2 Descontos de Duplicatas O desconto de duplicatas consiste na transferência dos títulos ao banco.00. conforme relação (borderô).000 820 150 30 Contabilização pela quitação das duplicatas: • Baixa dos direitos 1. O banco cobra juros no valor de R$ 150. caso o devedor não quite a dívida.00 e comissões e taxas no valor de R$ 30. A empresa endossante é responsável e coobrigada pela liquidação dos títulos descontados.

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