Temporada 01 Capítulo 11

Um Segredo entre Nós
By We Love True Blood

Seems like yesterday I lay down next to your boots and I prayed For your anger to end Oh Father I have sinned

Sookita sentiu um frio na barriga, não acreditava no que estava vendo. Tentou sacudir a cabeça, de repente ainda estava sonhando. Mas sem sucesso, Eric continuava deitado ao seu lado e dormindo como uma pedra ou um morto, apesar de que ele era morto mesmo. Ela jogou o lençol em cima dele, pronta para sair correndo da cama, quando reparou que não estava mais usando o vestido de festa. Passou a mão pelo seu corpo e usava apenas o sutiã tomara-que-caia e uma calcinha minúscula que foi obrigada a usar por conta do vestido. Até seu corpete tinha sido tirado. Ela tinha certeza que tinha ido dormir com o vestido, quanto a isso não tinha dúvidas. Estava tão cansada após a festa, apenas se lembrava de Eric sair do quarto e desabou na cama em seguida. A cor fugiu do seu rosto ao imaginar que ele tirou a roupa dela, e se tinham feito alguma coisa e ela não se lembrava? Será que o sonho tinha sido real? Ele a teria mordido? Pensou em pânico. Correu na direção do banheiro, fitou-se no espelho, observando o pescoço, aparentemente estava tudo normal. Um alivio tomou conta do seu corpo, mas estava com um aparência horrível, cansada, sentia uma vontade enorme de beber muita agua, sua garganta estava seca. Voltou caminhando devagar para o quarto, evitando de olhar na direção da cama, e se ele estivesse nu? Nem queria pensar nisso. Deu a volta na cama parando ao lado do vampiro, era estranho observar alguém dormindo que não respirava. E se ela aproveitasse o momento de total dormência dele e o esbofeteasse na cara por todos os constrangimentos que ele a fez passar? E se ele acordasse e mordesse, ele poderia fazer isso? Bom, era melhor nem tentar, pensou

Sookita. Resolveu arriscar em levantar o lençol, rezando baixinho para ele estar vestido. Ele estava dormindo de barriga pra cima. Sookita pegou o lençol e levantou devagar, abaixou a cabeça perto dele para olhar melhor. Respirou aliviada quando notou que ele usava uma cueca. Antes que pudesse se afastar, sentiu o olhar dele, tinha acordado. E ela estava lá, naquela posição constrangedora, apenas de calcinha e sutiã espiando o corpo dele. “Eu...desculpe...não sei o que aconteceu...”, balbuciou algumas palavras confusas. Ele a encarou e disse: “Sookita...”, e fechou os olhos novamente. “Eric? Eric?” Não ousou chegar perto e sacudi-lo. Bill havia dito uma vez que os vampiros quando dormem, só acordam por algo realmente importante, e apenas por alguns segundos. Por isso, são alvos fáceis quando dormem e evitam revelarem sobre suas casas. Não estava preparada para enfrentá-lo, ainda mais vestido daquela maneira. Ainda sentia aquela sensação de frio na barriga, não era muito cristão o que tinha feito. Tinha ficado meio bêbada, foi carregada por ele, e acabou dormindo na mesma cama e em trajes sumários. Foi para o closet, trancou a porta, respirou fundo e colocou um vestido simples. Precisava encontrar alguma igreja para se confessar. Sua avó jamais aprovaria esse tipo de comportamento. Na verdade ela deve ter se revirado em seu túmulo várias vezes durante a noite passada. -----------------------------Sam estava sentado em seu escritório, o movimento aquele dia estava fraco, alias como em todos os outros dias. Os negócios não andavam muito bem. Nem poderia pagar como gostaria seus funcionários. Ainda tinha a falta de Sookita em sua vida diária, teria que dar um jeito dela voltar a trabalhar no bar. Não conseguia ficar um dia sem vê-la, ainda mais se controlar ao lado dela. Tara abriu a porta do escritório sentando com má vontade na cadeira em frente

à mesa e disse emburrada: “O que você quer, Sam?” “Quero saber o que está acontecendo com Sookita? Você aquele dia fez o maior drama e passei vergonha por conta disso.” “Pelo amor, você sempre passa vergonha quando o assunto é Sookita. Eu apenas fiquei preocupada com ela, nada demais e como sei que você é louco por ela.”, ela deu de ombros. “Você não sabe de nada, gosto dela como amiga. E fico preocupado com minha amiga.” “Obrigada por ter ido aquele dia, mas ela está viajando. Você pode perguntar quanto voltar.” Ele encarou Tara, ficou pensativo por alguns segundos e perguntou: “Para onde ela foi?” “Visitar uns parentes, acho que em Acapulco...”, Sookita não tinha dado muitos detalhes e se tivesse não iria contar para ele. “Foi sozinha? Sem Bill?” “Claro que foi. Não tinha motivo para o prefeito ir junto. Você me chamou aqui só pra isso?”, respondeu irritada. “Na verdade, outro dia sem querer, eu fui até a casa de Sookita...” Tara o interrompeu: “Foi lá para vigiá-la?”, balançou a cabeça. “Nada disso, fiquei preocupado com aquele seu ataque do outro dia. Fui averiguar se estava tudo bem.”, ele fez um gesto com a mão. “Só que vi algo interessante. Jason estava enterrando algo no jardim.” “E daí? Aquele lá é pancada da cabeça, você sabe disso.” “Um pancada enterrando um monte de frascos cheios de sangue de vampiro?” “Jason só se mete em confusão, isso porque é policial. Não faço ideia do que

seja e por que eu saberia?” “Ele vive grudado naquele seu primo Lafayette. Achei que poderia estar envolvida em alguma coisa.” Ela levantou com raiva encarando Sam: “Só porque eu tenho personalidade, não significa que me envolvo nas baixarias de Jason e Lafa.” “Então tem alguma coisa aí...estão traficando sangue de vampiro? Achei que isso era coisa de cidade grande.” “Não quero saber, Sam. Acho melhor você ir falar para o prefeito.” Caminhou na direção da porta e disse: “Ah, eu hoje vou sair mais cedo. Tenho um encontro importante mais tarde.” Sam concordou com a cabeça, sabia que Tara trabalhava algumas noites para Lafayette. Não achava correto, mas não podia pagar melhor, então ficava quieto. Sentou-se na cadeira e meditou se deveria ou não contar para o prefeito. Ele era o namorado de Sookita, poderia ter interesse em cuidar disso. --------------------------------------Sookita ajeitou a barra de sua saia e fechou mais o decote, tinha que estar muito decente ao entrar na igreja. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, ela já não tinha mais tanta segurança e desconfiava que seus pecados estivessem escritos em sua testa, para que todos pudessem ver. Só de pensar nisso, já estava ficando vermelha. Caminhou até o altar, parou em frente à cruz e se benzeu. Olhou em volta procurando o confessionário, e quando o avistou quase correu em sua direção. Precisava confessar logo tudo, só assim, sabendo que Deus a havia perdoado é que poderia seguir em frente. Provavelmente era a igreja principal da cidade. Não precisou andar muito para encontrar, mas por sorte estava meio vazia naquele horário. Entrou numa das cabines de madeira. Ajoelhou-se no genuflexório, sentiu a madeira fria. Evitou ler os pensamentos do padre, não achava que era correto. Concentrou-se em seus problemas. O padre abriu a portinhola e disse:

“Estou aqui, minha filha.” “Perdoe-me Padre, porque eu pequei.” “O que você fez? Estamos na Casa de Deus, tudo aqui é perdoado.”, ele disse numa voz bondosa. “Eu conto com isso Padre porque sei que Deus entenderá minha aflição.” “Não tema nada, minha filha. Diga o que te aflige.” “Padre, eu estou junto de gente muito perigosa, não sei como isso foi acontecer, na verdade eu sei, eu fiz por amor...por amor. Agora estou tendo que fingir ser uma outra pessoa, conspirar e mentir. Sem falar que dormi com outro homem, é claro que ainda sou pura igual a Nossa Senhora, mas não sei se ele aproveitou-se de mim, ou se eu fiz algo mais devido à bebida, e agora não lembro. Padre o que devo fazer?” Algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto, ela abriu sua bolsa e tirou um lenço de papel. Após enxugar as lágrimas, assoou o nariz, assustando até o padre. “Acalme-se, minha filha. Deus perdoa tudo. Por isso, está aqui nesse momento se confessando. Se arrependendo de seus pecados. O justo é se afastar de tudo que a está desviando do caminho de Nosso Senhor.” “Obrigada. Eu preciso que Deus me perdoe, eu preciso.” “Mais alguma coisa que gostaria de confessar, minha filha?” “Sim...eu tenho um namorado sabe, e ele quer esperar até a noite de núpcias do nosso casamento para poder me fazer sua, mas eu.. tentei seduzir ele, tentei fazer com que ele fizesse amor comigo...eu sou uma pessoa ruim, não mereço um homem tão bom. Ainda bem que ele colocou juízo em minha cabeça, e me manteve pura e intacta como deve ser.” “O seu namorado é um homem sério, temente a Deus, sabe que o correto é procriar apenas depois do casamento. Espero minha filha, que o ouça mais vezes. ” “ Padre, infelizmente eu nunca terei um filhinho com a cara e os olhos de meu amado Bill...porque ele é um vampiro! Mas é o vampiro mais decente e digno que já caminhou neste mundo. Totalmente diferente do vampiro que eu dormi

que é um narcisista, fútil, manipulador e sórdido. Como eu pude deixar ele me carregar nos braços, como?” Sookita escutou um barulho do outro lado, o padre se movimentava de maneira nervosa, parecia bater os pés no chão de madeira. “Peço que se retire da casa de Nosso Senhor. Não aceitamos adoradores do diabo aqui entre nós. Não perdoamos quem vaga junto dos sanguessugas.”, a voz dele tremia. “Mas...mas Deus ama a todos os seus filhos...por favor Padre, aceite minha confissão.”, ela dizia desperadamente. “Não terá ave-marias e pais-nossos o suficiente para você rezar. Se ainda existisse a Santa Inquisição, a fogueira seria o melhor lugar para pessoas como você e esses mortos-vivos. ” Ele saiu do confessionário, abriu a porta onde Sookita estava e disse numa voz raivosa: “Saia daqui e se tiver vergonha na cara nunca mais pise na Casa de Deus.” Ainda atônita e trêmula, Sookita abriu a porta do confessionário e correu até a saída da igreja, sem olhar para trás. --------------------------------Jessica terminava de chupar pelo canudinho o resto de TruBlood da garrafa. Havia acordado faz uma hora, ainda estava sentada na cama e Alcide do outro lado numa poltrona com o cenho franzido. “Por que está com essa cara de panaca?”“, ela disse para provocá-lo. “Não vou fazer o que me pediu.” “Qual o problema de ligar para meu pai dizendo que viu Sookita mui amiga do vampiro bonitão?” “Menina Jessica, não foi isso que vimos. E estava meio longe.” “Achei que bichos peludos como você tinham boa visão. Eu vi muito bem da distância que estávamos lá no Cassino. Eles foram juntinhos para o elevador.”, tentou parecer convincente.

Alcide soltou um suspiro mexendo-se toda hora na poltrona. “Ele foi à frente e largou ela pra trás. Eu não faria algo assim, eu respeito às moças que me acompanham.”, falou num tom sério. “Ah, sei bem. Você é muito respeitoso.”, ela pegou o celular que estava na cômoda, demorou alguns minutos procurando algo, jogando em seguida no colo dele. Alcide virou a cabeça, nem precisava olhar para ter certeza de que era mais uma foto comprometedora. Não sabia quanto tempo aguentaria em ser chantageado. E o quanto tempo Jessica iria esconder isso de Bill. “Qual é a sua intenção com isso? Não entendo...”. Ele passou a mão nos cabelos que estavam um pouco oleosos pela falta de banho. Desde que chegaram Alcide não teve tempo de se arrumar direito. Na noite anterior já tiveram que sair com pressa na tentativa de observar o que aconteceu na festa de casamento. Pelo menos não tinha falhado com seu patrão. Jessica levantou da cama e no mesmo instante estava ao lado do lobo. Chegou perto do ouvido dele sussurrando: “Eu quero destruir Sookita. Ela tem as duas coisas que mais aprecio na vida. O amor de meu pai e Sam. E se meu pai é burro o suficiente para não enxergar. Farei que veja o que está embaixo do nariz dele.” Um arrepiou percorreu o corpo dele conforme ela falou. Sentiu-se mais ainda desconfortável, como ela o deixava perdido, e com vontade de fazer loucuras. “Mas não deve jogar o Senhor Bill contra o Vampiro Eric. Eles já não se dão bem, pode sair morte.” “É o que pretendo...quem sabe não será a de Sookita? Uma vampira pode sonhar...”, cutucou Alcide e apontou na direção do celular dele. Alcide discou o número a contragosto e esperou ansiosamente seu patrão atender do outro lado. “Depois vá tomar um banho.”, Jessica disse tampando o nariz. -----------------------------------

Mal tinha começado a noite e Pam já estava no escritório de Eric Henrique, totalmente imersa na contabilidade do Santo Martillo. Esta, sem dúvida era pior parte de seu cargo de sócia e gerente do clube. Claro que a melhor parte era poder monitorar Eric de perto. Já havia desligado o computador e iria se dirigindo para o bar, quando alguém bateu à porta. “Carmelita o que foi agora? Alguma outra ninfeta entrou sem o tapado do Frederico perceber?” “Senhorita Lerõnho, é Lafayette Escobar e acompanhante.” ‘Oh...sim, podem entrar.”, ela fez um movimento displicente com a mão. Lafayette abriu a porta com uma expressão nervosa no rosto. Tara entrou em seguida, timidamente. “ Boa noite, madame. Essa é a minha amiga Tara.”, apontou na direção da prima. “Claro...”, Pam sempre foi curta e grossa. Não gostava de perder tempo com formalidades. Tara fez um cumprimento com a cabeça mas não disse nada. Lafayette queria acabar logo com aquilo e enfiar a mão na grana. “Bem...e agora?”, ele perguntou para a vampira. “Desembuche de uma vez. Quem é a moça?”, disse meio impaciente. Tara postou-se em frente a Lafayette e falou numa voz firme: “Eu digo. Com uma condição e não será por dinheiro.” Lafa arregalou os olhos, sentiu vontade de socar a sua prima. Como não era por dinheiro? Tudo era por dinheiro. Pam sentou-se na ponta da mesa olhando interessada para a moça. Parecia corajosa pelo menos, diferente do outro idiota, pensou. “Qual é a sua condição?” Lafayette estava quase explodindo de desespero, mas não se movia para não irritar a vampira.

Tara respondeu calmamente: “Eu e minha amiga trabalharmos aqui de garçonete. Sabemos que vocês pagam bem, as gorjetas são ótimas e já temos experiência anterior.” Pam soltou uma gargalhada, não imaginava que a conversa tomaria esse rumo. Lafa ficou pálido, sentiu o mundo girando, não acreditava no que tinha ouvido. “Hum...a outra amiga seria a dançarina?” “Sim, Sookita Montenegro.” “Tara, meu Deus que está no céu, o que você está fazendo?”, ele estava desesperado. Pam voltou-se para ele dizendo: “Cale a boca, antes que eu te machuque.”, olhou novamente para Tara. “Gostei da sua atitude, se considere empregada. Quanto à outra, só se meu patrão permitir.” Lafayette desabou no sofá que ficava encostado na parede em frente à mesa. Estava sem forças, não acreditava que tinha sido traído por Tara dessa maneira. Sua prima não continha a felicidade, pelo jeito não trabalharia mais para ele. “Fale com Carmelita, passe os seus dados. Você ficará num período de teste de uma semana, se for bem o emprego é seu em definitivo.” “Obrigada, obrigada. Espero que seu patrão aprove a minha amiga, ela é muito competente.” “Deu para perceber.”, Pam gargalhou novamente, a noite estava realmente muito boa. “Agora podem sair, estou muito ocupada.” “Mas...e a minha recompensa?”, Lafa disse num tom esperançoso. “Ah, você poderá beber de graça aqui por uma semana. Espero que aproveite bem.”, a vampira disse empurrando os dois pela porta. Caminhou até a mesa, pegou o telefone e discou. --------------------------

Sookita caminhava pelas ruas de Tijuana, irritada. No inicio tinha chorado e se sentido triste, mas agora todo aquele desamparo e descontentamento tinha se tornado raiva e indignação. Nunca poderia imaginar que um homem de Deus faria isso com ela, uma pessoa tão cristã e devota. Aos seus olhos, o Criador amava a todos, mesmo eles não estando vivos como o resto da população. Claro que existiam vampiros ruins, assim como existiam pessoas ruins, e Bill obviamente não se encaixava nesta parcela. A única coisa que ela tinha certeza agora era de que a culpa das pessoas julgarem tão mal a raça vampírica, devia à existência de exemplares como Eric Henrique. Um ser tão baixo e mesquinho, que nunca em toda sua existência havia se preocupado com alguém que não fosse ele mesmo. Tudo o que ele queria das pessoas era apenas seu sangue, na verdade queria seus corpos também. E ele era tão profano, tão primitivo... Tão Eric. Se ela não podia fazer com que as pessoas enxergassem a bondade de vampiros como Bill. Ela pelo menos iria ensinar a vampiros ruins que nem tudo estava perdido, que Deus também os ama e eles podem se arrependerem de seus pecados, afinal eles ganharam uma segunda chance, ainda dava tempo de se tornarem seguidores da palavra do Senhor. E ela já sabia por onde, ou melhor, por quem começar. Só que este vampiro não seria alvo de sua compaixão... Eric acordou de seu sono profundo, e descobriu que estava sozinho na cama. Não ficou tão surpreso, pois sabia que Sookita sendo como é, daria logo um jeito de se afastar. Ele recordava vagamente dela mexendo nele, não sabia exatamente para o que, perguntaria isso mais tarde. Pelo menos não enfiou uma estaca em seu coração, o que já era um avanço, pensou ele Levantou e foi imediatamente procurar por sua parceira de missão. Bateu à porta do banheiro, mas ninguém respondeu, olhou no sofá e ela não estava dormindo ali, nem vendo Tv, assim como também não estava na varanda do quarto. Onde diabos ela estaria? Voltou no quarto, vestiu a calça de um moletom cinza e aproveitou para pegar seu celular. Foi logo mandando uma SMS para Sookita: “Onde você está? Por que saiu? Esqueceu que não podemos nos arriscar? Volte imediatamente para o quarto...eu não estou de brincadeira.” Assim que enviou a mensagem, escutou o celular apitando. Obviamente Sookita tinha saído sem o celular. Bufando de raiva, Eric pegou o celular dela que estava em cima da mesinha de centro na sala e olhou as mensagens.

Antes da sua tinha uma de Bill: “Sookita, como estão às coisas? Está conseguindo aturar Eric? Beijo.” Ele procurou na caixa de saída por alguma resposta, não tinha nada. Não gostaria de admitir, mas ficou curioso com o que ela poderia responder. Beijo? Que tipo de intimidade o prefeito tinha com a telepata? Estava começando a formular teorias em sua cabeça quando escutou a porta sendo aberta. Sookita abriu a porta com violência, seu rosto estava vermelho, lágrimas escorriam pelas bochechas. Ela parou alguns segundos antes de fechar a porta com um pontapé. Em alguns passos chegou perto de Eric desferindo um tapa com toda a força que tinha. Uma marca de mão se formou no rosto pálido dele. “Hey, pra que isso? Eu só estava dando uma olhada no seu celular, não é nada demais.”, ele jogou o celular no sofá. Ela ficou meio sem entender, enquanto olhava seu celular ser jogado no sofá por ele. “Além de tirar a minha roupa, ainda mexe no meu celular? Você que acabar com a minha vida? É isso? Este é o seu plano maligno?”, ela disse raivosa. “Eu quis te deixar confortável. Você ficou sem ar por causa dele na festa. Eu estava sendo solidário, cara Sookita.” o vampiro deu um sorriso. Mas a telepata não estava para joguinhos, ela queria acabar com a raça dele. “Você me enganou aquele dia na minha casa. Eu fui solidária com você, não o contrário. Tentei acreditar na sua bondade. Que você poderia ser uma boa pessoa.” Eric segurou uma risada, não seria um bom momento para se divertir à custa dela. “Achei que já tínhamos resolvido esse assunto. Foi você quem quis acreditar, eu não menti em nada. Você veio porque quis. Que fique bem claro.” Sookita não respondeu aos insultos de Eric, ao invés disso pegou o vaso que decorava a sala e arremessou na direção do vampiro. Eric desviou sem dificuldade, foi até ela e colocou as mãos em seus ombros apertando fortemente.

“Pare de se comportar como uma menina mimada. Saía desse seu mundinho cor-de-rosa, Sookita.”, ele a largou. “Não encoste suas mãos em mim. Nunca mais, está entendendo?” “Como quiser, Milady! Agora vá tomar banho, temos que trabalhar. A missão não se resolverá sozinha.” Sookita enxugou as lágrimas e caminhou para o banheiro fechando a porta do quarto atrás de si. Duas horas depois Eric dirigia o carro velozmente pelas ruas de Tijuana. Sookita continuava calada, sem total vontade de conversar. Ela queria apenas que tudo aquilo acabasse logo e ela pudesse voltar para sua vida pacata, junto de Bill, é claro. Passava mentalmente na cabeça o que fariam na boate. Eric disse que era um inferninho qualquer e um dos prováveis passadores de V para os traficantes de Vale de los Sanguijuelas frequentava o local. Sabiam apenas o biótipo físico do rapaz, cheio de piercings e tatuagens. Só que Sookita iria descobrir quem era através da telepatia. Depois Eric o pegaria, em seguida o hipnotizaria e assim, conseguiria as informações necessárias. Sentia calafrios de pensar no que teria pela frente, e o medo latente do nome de Jason surgir na boca de algum deles. O que ela faria? Não bastava tudo que passou hoje, ainda teria que passar por mais essa situação, ainda mais ao lado de Eric. Ele parou o carro num estacionamento de uma movimentada avenida. Mais uma vez teve dificuldades de descer do carro, dessa vez estava usando um pretinho básico, bem justo, mas não muito curto. E evitou o salto alto, usava uma sapatilha estilo bailarina, achou que tinha ficado bonita. Maquiagem discreta, cabelos presos num rabo de cavalo. Caminhavam distantes um do outro num beco escuro, Sookita estava sentindo um pouco de medo, e se Eric a atacasse? Se vingasse pelo que falou pra ele mais cedo? Tentou tirar esses pensamentos de sua mente. Ele não fazia esforço para quebrar o clima chato e não seria ela quem quebraria também. Perdida nos seus pensamentos confusos, não reparou que Eric não estava mais ao seu lado. Olhou ao redor e nada dele, só o escuro em sua volta. Antes que pudesse perceber, Sookita não sentia mais o chão. Sentiu um frio intenso na barriga, parecido quando andava na Roda Gigante em Acapulco. Ela se sentia leve. Mas... como assim? Estava voando? Sim, ela estava voando.

Sookita entrou em desespero e começou a gritar. “Ah, Meu Deus! Eric me põe no chão, agora mesmo! Esta tentando me matar?” Eric a segurava pela cintura de costas para ele, sempre pressionando contra o corpo dele para que não caísse. Estavam pairando bem alto sobre a cidade. “Não, apenas estou bancando o Superman para a minha Lois Lane.”, ele sorriu. “Fique tranquila que eu não vou te soltar.” “É tudo tão bonito aqui de cima. As luzes da cidade...” Um pouco mais calma. Sookita ficou maravilhada conforme o luar batia nas ondas do mar ao longe. Tijuana parecia tão tranquila, como se tudo fosse sempre em paz. “Eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento no hotel. Não foi correto o que fiz com você.” Ela sentiu o rosto corar, sorte que estava de costas para ele. Estava tão confusa e surpresa com a atitude dele que nem conseguiu responder. “Saiba que não faço isso com todas as mulheres que saio. É muito cansativo carregar outra pessoa junto de mim. Só faço quando vale a pena.”, ele deu um sorriso de canto. Nesse momento Eric a virou de frente para ele apertando mais ainda as mãos em volta da cintura. Ela estava tão bonita sem aquele jeito puritano, parecia à mesma moça que o deixou desconsertado no banheiro durante a festa. “Sei que você me proibiu de toca-la...” Antes que Sookita pudesse responder, eles já estavam no chão novamente. Ela queria que tivesse durado muito mais, muitas horas. A sensação lá em cima era maravilhosa. Parecia que tinha apagado todo o sofrimento que teve hoje. Ela o encarou, mesmo estando escuro, conseguia ver nitidamente os olhos azuis dele. “Obrigada, foi uma das melhores sensações da minha vida.” Ele confirmou com a cabeça e indicou o caminho para a boate. Havia uma

porta no fim do beco e o barulho do outro lado era bem alto. Sookita ainda estava pensando no que tinha acontecido, será que ele estava mesmo arrependido? Ou queria salvar o resto da missão? O local estava lotado, quente, um ambiente pesado e sufocado. Uma banda estava tocando, várias mesas, muita gente bebendo. O bar não tinha espaço. A maioria lá se vestia de preto, com cabelos moicanos, piercings, as mulheres de batom preto. Sookie balançou a cabeça em reprovação. Eric disse baixinho: “Sei que será difícil para você se concentrar com todo esse barulho. Só tínhamos a indicação desse lugar e uma descrição física básica do cara pelo nosso informante. Estou vendo que será a mesma coisa que achar uma agulha num palheiro.” Sookita reparou que todo mundo parecia igual. O celular de Eric tocou, ele não atendeu. Ficou imaginando quem poderia ser àquela hora e ela ainda nem havia respondido a mensagem de Bill. Sentaram-se numa mesa de canto, Eric foi ao bar pedir um TruBlood e uma cerveja. Pelo jeito ele pensava que ela gostava mesmo de beber. Começou a ouvir a mente de quem estava por ali, uma confusão de pensamentos, todo tipo de coisa. Sexo, drogas, violência, morte, vampiros...alguns vampiros estavam ali, pois em alguns deles Sookita não conseguia captar os pensamentos. Eric voltou com a bebida, parecia tão gelada e convidativa a cerveja. Sookita bebeu um gole e fez uma careta, meio azeda. Ele bebeu o sangue sintético de uma vez só, parecia meio tenso. Alguns pensamentos ficaram mais claros em sua mente, um em particular. Conseguiu ouvir algo sobre V, dinheiro, retirada, entrega. Vinha de um rapaz alto, bonito, usando uma jaqueta de couro, calça jeans e muitos piercings. Batia meio com a descrição, assim como muitos outros. Mas era dele quem sentiu isso. Alguns nomes surgiram, Cardoso, Velasquez, Albuquerque...Sookita tossiu quando ouviu isso. Era o sobrenome de Jason. Não poderia ser coincidência. Não poderia entregar seu único irmão, Eric descobriria rapidamente e o mataria sem piedade. Pensou nas palavras do padre. A vida de seu irmão valeria menos que a de um vampiro? Apontaria a pessoa errada, não tinha jeito. Teria que sabotar a missão dessa vez. Mas depois faria Jason pagar cada centavo do que estava passando nesse momento.

“Descobriu alguma coisa?”, perguntou Eric a olhando com curiosidade. “Acho que sim.”, ela confirmou com a cabeça. “Quem é?” “Aquele ali no canto esquerdo do palco. O de cabelo azul.”, pegou um rapaz qualquer. Parecia sobre influência de drogas. Não falaria nada coerente para o vampiro. “Tem certeza?”, perguntou ansioso. “Absoluta, eu li os pensamentos dele sobre entrega e retirada de V.”, sentiu uma pontada de culpa, mas não podia correr riscos. O celular de Eric tocou novamente e mais uma vez ele não atendeu. “Vou lá pega-lo. Encontre-me do lado de fora.” Sookita levantou da cadeira tremendo, nem terminou de tomar a cerveja. Foi caminhando para a saída, por sorte não atraiu muito a atenção, era comum demais ali. Respirou aliviada quando saiu do local, ar fresco. Mesmo que tudo ainda estivesse numa penumbra. Não tinha ninguém por ali. Caminhou um pouco no beco esperando por ele. Aproveitou e respondeu a mensagem de Bill. Escreveu que tudo estava ocorrendo bem, sentia falta dele. Notou que tinha também uma mensagem irritada de Eric, era por isso que estava mexendo no seu telefone naquela hora. Ele não demorou a sair com o rapaz que balbuciava palavras desconexas. “Tem certeza que é esse mesmo?” Ela apenas confirmou. Eric encostou o rapaz na parede e o hipnotizou. “Onde você irá retirar o V?” “Que? V, eu quero...comprar.....quero....sim” O rapaz não falava de maneira coerente. Eric o cheirou e sentiu sangue de vampiro no rapaz. O informante deixou claro que o rapaz não era viciado, a pista era quente. Sookita observava de longe apreensiva. Logo ele descobriria que era o cara

errado. “Você tomou V hoje?” “Muito bom, cara. Quer um pouco também?” Eric esmurrou a parede, largou o rapaz que caiu no chão. Foi até Sookita. “Você se confundiu. Esse imbecil é viciado em V, não é o traficante que procuramos.” “Não sei, era muito barulho. Acho que me confundi mesmo.” “Você me deu certeza, Sookita. Não se brinca com essas coisas, não temos tempo a perder.” “Não farei isso na próxima vez.”, ela disse fingindo confiança. “Você me obrigou a fazer isso...” Eric foi à direção do rapaz, o pegou pelos ombros e Sookita só ouviu o clique do pescoço quebrando. Com uma mão ele matou o viciado. Largando o corpo perto de uma lixeira. Ela quase gritou em desespero: “Por que fez isso? Meu Deus, Meu Deus...”, o que ela tinha feito, era apenas um inocente. “Não poderia deixar um viciado desses andando por aí. E você não cometerá mais erros também.” Antes que ela pudesse falar alguma coisa. O celular de Eric tocou mais uma vez e dessa vez ele atendeu irritado: “Pam, o que você quer? Estou ocupado, não percebeu?” Sookita ainda pensava no pobre rapaz morto por sua causa. Valia a pena tirar uma vida inocente a troco de outra? Não sabia mais o que fazer. Estava com medo de enlouquecer nessa missão e nunca mais ser a mesma. “Sei, sobre isso...trabalho? Se você achou certo...não vou discutir. A outra também quer? Aquela lá não, só mande o dinheiro...estará de bom tamanho. Eu sei que foi difícil conseguir a informação... sim, já sei. Agora me diga de

uma vez, quem é a moça?” De repente ele ficou quieto...

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