Tipos de Resistências

Em função da tecnologia subjacente à sua construção e das aplicações visadas, as resistências podem ser agrupadas em três classes principais: (i) resistências discretas, utilizadas para construir circuitos com componentes discretos em placas de circuito impresso ou de montagem; (ii) resistências híbridas, utilizadas na construção de circuitos híbridos discreto-integrados; (iii) resistências integradas, neste caso com dimensões micrométricas e utilizadas na realização de circuitos integrados em tecnologia de silício. Este livro limita-se a estudar os grupos de resistências discretas e híbridas, deixando a cargo da disciplina Electrónica dos Sistemas Integrados a apresentação das múltiplas alternativas em matéria de resistências integradas. Para além da tecnologia subjacente à sua construção, é comum classificar as resistências discretas em fixas, ajustáveis e variáveis. O valor nominal de uma resistência fixa é pré-estabelecido durante o processo de fabricação da mesma, ao passo que aquele relativo às resistências ajustáveis e variáveis pode ser alterado pelo utilizador. A distinção entre resistência ajustável e variável é mínima. Esta depende essencialmente da aplicação a que se destinam: as resistências ajustáveis são normalmente inacessíveis ao utilizador comum e são utilizadas no ajuste fino do desempenho dos circuitos, que em regra é feito imediatamente após a sua produção, ao passo que, pelo contrário, as resistências variáveis destinam-se a ser acessíveis ao utilizador comum e são usadas, por exemplo, no controlo do volume de som de um rádio, do brilho ou do contraste de um aparelho de televisão, etc. Apesar da sua enorme variedade, as resistências discretas mais utilizadas na prática são as seguintes: (i) as de carvão, na realidade de pasta de aglomerados de grafite; (ii) as de película ou camada fina de material metálico ou de carvão; (iii) as de fio metálico bobinado. Para além das diferenças tecnológicas de construção, é comum utilizarem-se adjectivos como: resistências de montagem superficial (resistências de pequenas dimensões para montagem superficial sobre a placa de circuito impresso), redes ou agregados de resistências (encapsuladas em invólucros semelhantes aos dos circuitos integrados), resistências de potência, etc.

3.3.1 Resistências de Carvão
As resistências de carvão são construídas a partir de uma massa homogénea de grafite misturada com um elemento aglutinador. A massa é prensada com o formato desejado, encapsulada num invólucro isolante de material plástico e ligada ao exterior através de um material bom condutor. Na Figura 3.8 ilustram-se alguns detalhes relativos à construção deste tipo de resistências.

a composição e a espessura da camada determinam o valor nominal da resistência eléctrica implementada.8 Aspectos tecnológicos da construção de uma resistência de carvão O valor nominal de uma resistência de carvão é uma função das dimensões físicas e da percentagem. etc. sendo em geral o conjunto protegido mecanicamente do exterior por um invólucro de material cerâmico selado com silicone (Figura 3. Em alguns casos.9. Em qualquer dos casos. tipicamente inferiores a 10 k.Figura 3. 3. de grafite utilizada no aglomerado (mais grafite é igual a menor resistência).10.2 Resistências de Película ou Camada Fina As resistências de película fina são construídas a partir da deposição de uma finíssima camada de carvão ou metal resistivo (níquel-crómio.3 Resistências Bobinadas As resistências bobinadas são construídas a partir do enrolamento de um fio metálico resistivo em torno de um núcleo cilíndrico de material isolante (Figura 3. Por exemplo. O material resistivo mais utilizado é o constantan. Existem resistências bobinadas cujas dimensões vão desde alguns milímetros até vários centímetros. As resistências de fio bobinado são comercializadas em gamas de valores nominais inferiores a 100 k. 2/3 W.9 Aspectos tecnológicos da construção de uma resistência de película ou camada fina 3.7  e 22 M.10. as resistências de filme fino de carvão existem para os valores estandardizados de 1/10 W. Figura 3. cobre e manganésio. As resistências de película fina existem numa gama de valores nominais e de máxima potência dissipável muito variada.3. 3/2 W e 2 W. as resistências bobinadas podem ser esmaltadas. óxido de estanho.) sobre um corpo cilíndrico de material isolante.9. sendo o conjunto protegido do exterior através de uma tinta isolante.a). O corpo da resistência é constituído por um material isolante.b). ao passo que nas de maior valor se adopta a solução de construir uma espiral de filme em torno do corpo cilíndrico (Figura 3. No que respeita ao isolamento. . 1/3 W. e para diversos valores da potência máxima dissipável. cobrindo no entanto uma gama de máxima potência dissipável razoavelmente elevada (tipicamente até uma a duas dezenas de watt). maior ou menor. As resistências de carvão existem numa gama muito variada de valores.3. o material resistivo é depositado sob a forma de uma camada contínua que une os respectivos terminais de acesso (Figura 3. designadamente no intervalo compreendido entre 2. as extremidades do fio bobinado são ligadas a braçadeiras que permitem a ligação e a fixação da resistência ao circuito. 1 W. em geral um material vítreo ou cerâmico. que consiste basicamente numa liga metálica de níquel.b). ¼ W. Nas resistências de menor valor absoluto. ½ W. vitrificadas ou cimentadas.a). ½ W. tipicamente ¼ W. 1 W e 2 W.

Na Figura 3. Na base da Figura 3. Exemplos da aplicação de resistências variáveis são o controlo do volume de som de um rádio. simples ou em tandem.3.11 ilustra-se um conjunto variado de resistências fixas actualmente existentes no mercado. a dimensão deste tipo de resistências é relativamente reduzida (da ordem do milímetro). de carvão ou de metal.3. e o níquel crómio.4 Resistências Híbridas de Filme Espesso e de Filme Fino As resistências de filme espesso e de filme fino são utilizadas na realização de circuitos híbridos discreto-integrados. quartzo. com escala linear ou logarítmica. e rénio. safira. etc. irídio. o controlo do brilho ou contraste de um monitor TV. Em face das aplicações a que se destinam. o ajuste do período de oscilação em circuitos temporizadores.). fitas cuja espessura é da ordem das dezenas de m na tecnologia de filme espesso e inferior ao m (até algumas dezenas de angstrom) no caso das tecnologias de filme fino. multivoltas ou de volta única. o nitrato de tântalo e o dióxido de estanho no caso das de filme fino. disponibilizando neste caso um conjunto variado de resistências independentes ou com terminais comuns. manípulo ou ranhura. Existem resistências com controlo por tubo rotativo. também designadas por reóstatos. potenciómetros ou. intermédia entre aquelas características dos componentes discretos e integrados. são utilizadas em aplicações nas quais se exige a afinação ou a variação continuada do valor nominal de uma resistência. etc. etc. vidro.Figura 3. Na Figura 3. o esquema de ligações e um croqui do mecanismo de controlo utilizado. . trimmers. em adaptação da designação em língua inglesa. Os materiais resistivos mais utilizados são os compostos de ruténio. encapsuladas ou desprotegidas.11 Algumas resistências fixas actualmente existentes no mercado 3. magnesia.12 encontrará algumas das soluções actualmente comercializadas. no caso das resistências de filme espesso.5 Resistências Ajustáveis e Variáveis As resistências ajustáveis e variáveis. Figura 3.12 representa-se o símbolo. As resistências deste tipo são construídas por deposição de uma fita de material resistivo sobre um substrato isolante (alumina.10 Aspectos tecnológicos da construção de uma resistência de fio bobinado 3. Existem também resistências de filme espesso encapsuladas em suportes semelhantes aos utilizados para os circuitos integrados.

pode conduzir a desempenhos bastante diferentes daqueles previstos no projecto. as de película fina metálica. em particular a tolerância. por ordem. A não consideração de algumas destas características. seguindo-selhes.6 Características Técnicas das Resistências A selecção e utilização de resistências em circuitos nos quais a precisão é um dos factores decisivos do desempenho. e sabemos que essa oposição à corrente elétrica pode ser calculada da seguinte forma: . de carvão e as aglomeradas). fora da qual se tornam significativas as capacidades e as indutâncias parasitas associadas. (ii) à potência máxima dissipável. (vii) à linearidade. deve ser acompanhada de precauções técnicas. (iii) ao coeficiente de temperatura.Figura 3. as resistências mais estáveis são as de fio bobinado.3. quanto: (i) à tolerância do valor nominal e à sua estabilidade em função das condições de armazenamento e de funcionamento (por exemplo. seja ao corpo. seja aos terminais de acesso.12 Algumas resistências variáveis e ajustáveis actualmente disponíveis 3. (vi) à gama de frequências recomendada. (iv) à tensão máxima aos terminais. (v) ao ruído de fundo. É dito resistência elétrica a oposição que um determinado condutor oferece à passagem de corrente elétrica de intensidade i através dele. a máxima potência dissipável e o coeficiente de temperatura.

a resistência de um condutor pode variar. Dentre esses fatores podemos citar o material do qual ele é feito. a temperatura pode fazer com que o valor da resistência sofra grandes variações. Nos metais a resistência aumenta com o aumento da temperatura. ou seja. em homenagem ao físico alemão George Simon Ohm. De acordo com a Lei de Ohm. por exemplo. que corrente e resistência elétrica são grandezas inversamente proporcionais e. pode ser calculada. com boa aproximação. temos que quanto maior for o valor de R maior será a oposição que o condutor apresentará à passagem de corrente elétrica. Sim. Existem alguns fatores que influenciam na determinação do valor da resistência elétrica de um fio condutor de eletricidade. a temperatura t. .Onde U é a diferença de potencial aplicada no condutor. através da seguinte relação matemática: R = Ro(1 + αΔt) Onde α é um coeficiente que depende do material que constitui o condutor. através da equação descrita acima. já em outros materiais como o carbono e o telúrio. acontece o contrário: a resistência diminui com o aumento de temperatura. contudo nem sempre ocorre dessa forma. É possível de se perceber. i a corrente elétrica e a unidade de medida de R no Sistema Internacional de Unidades (SI) é o ohm (Ω). dessa maneira. a área da seção reta do fio e a temperatura do fio. Experiências mostram que a resistência de um condutor. sabemos que um condutor é dito condutor ôhmico quando a resistência dele se mantém constante independentemente do valor da diferença de potencial que é aplicada sobre ele.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful