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Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a Experiência Estrangeira e sua Aplicação
Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a Experiência Estrangeira e sua Aplicação

Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a

Experiência Estrangeira e sua Aplicação nas Cidades Brasileiras

Alexandre A. C. Meirelles

Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte SA - BHTRANS

Resumo

O advento dos sistemas inteligentes de transportes (ITS), impulsionado pela evolução da telemática,

além de trazer diversos benefícios para o gerenciamento do tráfego urbano, possibilitou aos órgãos gestores de trânsito disponibilizar informações sobre as condições de tráfego para os usuários.

Os diversos mecanismos de monitoração do tráfego, tais como: detectores de congestionamento ou de incidentes, câmeras de circuito fechado de TV, radares, etiquetas eletrônicas, receptores de GPS, dentre outros, constituem a fonte de dados que alimenta um sistema de informações sobre as condições de tráfego.

Estes sistemas são conhecidos no universo dos sistemas de ITS como ATIS - advanced traveler information systems ou sistemas avançados de informações aos “viajantes”. Estes sistemas podem veicular uma variedade de informações, desde situações de congestionamento, acidentes e obras, até mesmo informações personalizadas sobre trajetos, a partir de call-centers, painéis de mensagens variáveis, internet, telefonia celular, canais de rádio ou TV etc.

O presente trabalho aborda a integração entre os sistemas de gerenciamento inteligente de tráfego e

os sistemas de informação aos usuários pela internet, destaca os pré-requisitos para elaboração de um site de informações sobre tráfego urbano. Também é conduzida uma análise dos tipos de informações veiculadas em sites especializados da Internet, identificando os conteúdos mais comuns dos sites estrangeiros e brasileiros.

Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a Experiência Estrangeira e sua Aplicação
Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a Experiência Estrangeira e sua Aplicação

Sistemas de Informações de Tráfego Urbano na Internet: Analisando a Experiência Estrangeira e sua Aplicação nas Cidades Brasileiras

1.

Introdução

O

trânsito tem se tornado nos últimos anos um tema do cotidiano dos brasileiros que moram nas cidades de

grande e médio porte. Os congestionamentos, os acidentes de trânsito, a poluição, as dificuldades de estacionamento, a legislação de trânsito, a fiscalização eletrônica têm se tornado foco da mídia, tema de debates, alvo de movimentos populares e assunto de conversas informais. Começa-se assim a reconhecer que os problemas de trânsito têm uma dimensão social, que afeta a saúde e a qualidade de vida da nossa população, sem mencionar as deseconomias geradas pelos congestionamentos, pelos acidentes de trânsito e pelas emissões que provocam o efeito estufa. O incremento da complexidade dos problemas do transporte urbano tem exigido um grau crescente de sofisticação tecnológica capaz de propiciar à gestão de trânsito ferramentas compatíveis com

as

dificuldades encontradas. A aplicação da tecnologia da informação, aliada à telecomunicação e à eletrônica,

no

planejamento, gestão, operação e fiscalização do transporte urbano tornou-se um novo campo de pesquisas e

desenvolvimentos, tendo sido denominado como Sistemas Inteligentes de Transportes (ITS - Intelligent Transportation Systems). Esta nova “ciência” encontra-se em franca expansão nos países desenvolvidos e no Brasil. As principais aplicações de ITS no transporte rodoviário urbano brasileiro são a bilhetagem eletrônica e os sistemas de controle de tráfego, englobando o controle semafórico centralizado, os sistemas de circuito fechado de TV, os painéis de mensagens variáveis e a fiscalização eletrônica.

Pode-se entender que a estrutura necessária para funcionamento dos sistemas de ITS é composta por: sistemas de informação, sistemas de telecomunicação de dados e/ou imagens e o próprio sistema de transporte. Esses três sistemas operam simultaneamente, de forma a permitir a execução das operações básicas de funcionamento de um sistema inteligente de transporte: captação de dados, transmissão de dados, armazenamento de dados, tratamento de dados, geração de informações, disseminação de informações e intervenção no sistema de transporte (SILVA JÚNIOR, 2004). Naturalmente, esse ciclo se cumpre na maior parte das vezes, mas em raras situações voltado para a informação ao usuário – passageiro ou motorista. É neste campo que se situa o objetivo deste trabalho, demonstrar que as aplicações de ITS no campo do gerenciamento e operação de tráfego, já existentes em cidades brasileiras como: Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Florianópolis, dentre outras, permitem que se disponibilize informações para os usuários de automóveis, no caso presente via internet, servindo para orientação e otimização dos seus deslocamentos.

2.

Os Sistemas de ITS aplicados ao transporte rodoviário urbano e rural

O

ITS Joint Program Office do Departamento de Transportes dos EUA (USDOT) define que os sistemas de ITS

englobam um amplo espectro da tecnologia da informação e da eletrônica, ambos baseados em sistemas de comunicação com e sem fio. Quando integrados à infra-estrutura de transporte ou aos veículos, essas tecnologias reduzem os congestionamentos, melhoram segurança e aumentam a produtividade. Define ainda que o ITS é composto de 16 tipos diferentes de sistemas tecnológicos, divididos em duas categorias: infra-estrutura inteligente e veículos inteligentes, conforme quadro abaixo.

Áreas de Aplicação de ITS

INFRA-ESTRUTURA INTELIGENTE

VEÍCULOS INTELIGENTES

1. Gerenciamento de Vias Arteriais

1. Sistemas de Prevenção de Colisões

2. Gerenciamento de Rodovias

2. Sistemas de Notificação de Colisões

3. Gerenciamento de Transporte Público

3. Sistemas de Ajuda aos Motoristas

4. Gerenciamento de Incidentes

 
5. Gerenciamento de Emergências 6. Pagamento Eletrônico 7. Informação ao Usuário 8. Gerenciamento da
5. Gerenciamento de Emergências 6. Pagamento Eletrônico 7. Informação ao Usuário 8. Gerenciamento da

5. Gerenciamento de Emergências

6. Pagamento Eletrônico

7. Informação ao Usuário

8. Gerenciamento da Informação

9. Segurança e Prevenção e Acidentes

10. Manutenção e Operação Viária

11. Gerenciamento de Informações Metereológicas

12. Operações de Veículos Comerciais

13. Gerenciamento de Cargas Intermodais

Fonte: Visão geral dos Sistemas Inteligentes de Transportes (http://www.itsoverview.its.dot.gov/)

3. Características gerais dos sistemas de informação aos usuários (SIU)

Os sistemas de informação aos usuários (SIU) aqui abordados são aqueles denominados na língua inglesa como:

ATIS - Advanced Traveler Information Systems ou Sistemas Avançados de Informação aos Viajantes ou TTI – Traffic and Traveller Information Services ou Serviços de Informação aos Viajante e sobre o Tráfego. De uma maneira geral, estes sistemas têm como objetivo disponibilizar, para os usuários de transporte privado ou público, informações que lhes possibilitem escolher de forma otimizada o melhor modo de transporte, o melhor trajeto e/ou o melhor horário para realizar uma determinada viagem.

Os SIUs talvez sejam uma das mais complexas aplicações de ITS, pois envolvem a integração de uma rede de outros sistemas e até mesmo de instituições, a partir dos quais dados de boa qualidade devem ser coletados a tempo e a hora, transformados em informações, consolidados e formatados, do ponto de vista mercadológico, e remetidos para os dispositivos de informação (ITSA, 2000). Existem duas categorias de sistema, dependendo do tipo de informação a ser fornecida. Uma destinada a disponibilizar informações e serviços relacionados ao tráfego e, portanto, destinadas aos condutores de veículos privados e outra destinada aos usuários de transporte público ou ainda a meios de transporte alternativos como o caminhar ou o uso da bicicleta.

Para levar a informação aos usuários, os SIUs utilizam-se de algum meio de comunicação, sendo os mais comuns a televisão, o rádio, a internet, o telefone, quiosques públicos de informação, aparelhos pessoais portáteis ou navegadores de bordo. O meio utilizado e a informação a ser consultada dependem do momento da viagem no qual o usuário está. Deste ponto de vista, existem três momentos na viagem: antes do seu início (pre- trip information), durante o transcurso da viagem (on-trip information) e após o percurso (pos-trip information). Outras modalidades de serviços de informação são: serviços de informação personalizados (personal information services) e orientação de roteamento e navegação (route guidance and navigation). Em geral, quando se consulta um SIU antes de se iniciar uma viagem, o que se busca é conhecer de antemão a situação de congestionamento das vias, buscando evitar a áreas mais congestionadas e eventualmente buscar uma hora mais conveniente para realizar a viagem. Quando se consulta um SIU durante o transcurso da viagem, geralmente é porque o usuário necessita transferir-se da rota anteriormente planejada para um novo caminho.

Segundo CUEVAS (2003), os SIUs devem prover informações e serviços que satisfaçam múltiplos propósitos, sejam de indivíduos ou de organizações. Para os indivíduos, deslocando-se a trabalho, a lazer ou condutores de veículos de carga, os SIUs implicam em maior segurança, melhor controle do tempo e menos estresse. Para as organizações gestoras do transporte, os SIUs são uma ferramenta para levar a cabo estratégias de ação. Todos os usuários do sistema de transporte podem ser beneficiados. Dentre esses benefícios pode-se citar:

Melhora na mobilidade. O tempo de deslocamento diminui.

Otimização do sistema de transporte. As vias são mais bem utilizadas, equilibrando o seu uso.

Satisfação dos usuários, pois eles se sentem beneficiados e valorizados, poupando-lhes tempo, dinheiro e proporcionando-lhes segurança.

SILVA JUNIOR (2004) destaca em sua pesquisa que os SI Us são também elementos de
SILVA JUNIOR (2004) destaca em sua pesquisa que os SI Us são também elementos de

SILVA JUNIOR (2004) destaca em sua pesquisa que os SIUs são também elementos de melhoria de qualidade de vida da população, submetida ao estresse dos congestionamentos e da falta de informações em seus deslocamentos. Para ele, o fornecimento de informações em tempo real para motoristas e passageiros leva a uma distribuição mais eficiente desses usuários em rotas e modais, levando-os a escolhas por deslocamentos mais eficientes, além de auxiliar na redução da ansiedade e estresse associados ao planejamento e realização das viagens. Em geral, as informações para usuários devem (McDONALD and LI, 2006):

Ser precisas e confiáveis para dar aos usuários total confiança no seu uso;

Cobrir opções multimodais, de forma que os usuários estejam plenamente cientes das opções de transporte público e outras modalidades de transporte;

Ser constantemente atualizadas em relação a atrasos, interrupção dos serviços etc., a fim de prevenir o mais cedo possível os usuários quanto a problemas potenciais e assim facilitar qualquer mudança de planos;

Distribuir a informação de maneira eficiente para facilitar a compreensão das mensagens e torná-las disponíveis via múltiplos canais.

São as seguintes as plataformas utilizadas para acessar a informação, em função do momento da viagem:

ANTES DA VIAGEM

DURANTE A VIAGEM

APÓS A VIAGEM

Quiosques

Rádio

Sítios na internet

Sítios na internet

Telefones celulares

 

Televisão

Computadores portáteis

 

Telefones com áudio ou texto

Dispositivos de navegação

 

Pagers, PDAs, relógios de pulso de informação

Painéis de mensagens variáveis

 

4. Sistemas de informação aos usuários (SIU) na Internet

Inicialmente, vale salientar que o presente trabalho se propõe a abordar os sistemas de informações de tráfego urbano disponibilizadas por meio da internet. Como se pode constatar no item anterior, é possível em qualquer etapa da viagem ter acesso a sítios da web. Esta opção de disposição e acesso a informações tem claras vantagens frente às demais, porém algumas considerações devem ser feitas em relação ao seu uso:

Conexão à internet: A conexão pode ser física ou sem fio (wireless). Para acesso a informações durante as viagens, será necessária uma conexão sem fio.

Computadores pessoais e smartphones: Considerando que esses equipamentos têm cada vez menores dimensões e maiores funcionalidades, eles podem substituir com vantagem os dispositivos de navegação.

É possível incorporar neles componentes de localização por satélite ou de reconhecimento de voz

Informação multimídia: O uso de imagens, áudio, texto, vídeo, mapas digitais interativos, aplicações de planejamento de trajetos e até mesmo de transações comerciais facilitam a interação com o usuário e a compreensão da informação.

Componentes de software: Para acessar um website, é necessário apenas um software de navegação na web.

Interação e personalização: Comparados com outros dispositivos de informação, os websites permitem um incomparável nível de personalização da informação e interação com o usuário.

Evolução: Os websites têm grande potencial de evolução, melhorando a qualidade e a interatividade com

o usuário.

4.1. Usuários de informações de tráfego

Os usuários de informações de tráfego pela internet são principalmente pessoas que têm atividades profissionais e que perdem muito tempo nos deslocamentos entre sua casa e o trabalho. Além disso, são pessoas que

vivenciam com freqüência situações de congestionamento nos seus trajetos. CUEVAS (2003) reporta um estudo que
vivenciam com freqüência situações de congestionamento nos seus trajetos. CUEVAS (2003) reporta um estudo que

vivenciam com freqüência situações de congestionamento nos seus trajetos. CUEVAS (2003) reporta um estudo que segmentou os usuários baseando-se nas suas atitudes, necessidades de controle, valor do tempo, preferências pessoais de viagem e uso de tecnologias avançadas e determinou que existem três grupos principais de usuários. São eles: buscadores de controle, usuários focados na web e buscadores de informações antes das viagens. O primeiro grupo é composto de usuários que se utilizam de equipamentos portáteis, como computadores e celulares e utilizam o SIU para cumprir suas agendas, manterem-se informados, pouparem tempo e serem eficientes. O segundo grupo de usuários focados na web é formado por usuários que utilizam fortemente as tecnologias mais inovadoras, principalmente computadores, PDAs (personal data assistant), smartphones e a internet. São fanáticos pela tecnologia em si mesma e a vêm como algo mais que uma ferramenta que potencializa a capacidade das pessoas. O terceiro grupo, de buscadores de informações prévias às viagens, são os que estão menos predispostos a utilizar novas tecnologias. Têm baixa aceitação da internet, procuram serviços telefônicos e TV, sendo formado por pessoas mais idosas do que aquelas dos grupos anteriores.

4.2. Aceitação dos sistemas de informação

A principal barreira à aceitação dos SIUs pelos condutores é que para eles a principal referência sobre as

condições de tráfego é sua própria experiência. Geralmente, avaliam que sua habilidade de prever as condições

de tráfego é boa e consideram que outros meios não são confiáveis. Assim, pensam que não é possível obter

informações precisas e úteis. Outros pensam que não há alternativas a não ser enfrentar os congestionamentos e, portanto não há razão para utilizar um sistema de informação. Apesar destas opiniões, têm uma grande expectativa pelo SIUs, principalmente por sistemas que utilizam sítios na Internet.

4.3. Razões para consultar informações de tráfego

As principais razões para consultar informações de tráfego são reduzir as incertezas durante a viagem, diminuir

os atrasos devido a congestionamentos e poder controlar o tempo. Também existem outras razões importantes

que têm relação com a segurança, a qualidade de vida e o custo monetário e ambiental que advêm dos congestionamentos. A demanda de informações de tráfego depende de distintos fatores, por exemplo, (CUEVAS, 2003):

As características locais de tráfego, principalmente do tamanho da área urbana e dos níveis de congestionamentos diários. Quanto maior, maior será a demanda de informações.

A qualidade do serviço de informação. Este ponto é tão importante quanto o anterior, já que determinará a freqüência de consultas, o nível de confiança e se é útil para o usuário e atende às suas expectativas.

As características das viagens. O motivo da viagem e a relação que há entre sua duração e os atrasos pelo congestionamento, são razões para consulta. A existência de flexibilidade para o momento da partida também é motivo para a consulta, na busca de um momento mais adequado.

As características do condutor. Dependendo da atitude e dos valores do condutor, ele preferirá consultar um sistema de informação ou pedi-las a uma outra pessoa. Em geral os condutores mais jovens e sentem mais confiantes no uso da tecnologia e estão mais predispostos a usar informações de tráfego na web.

PEIRCE e LAPPIN (2005) relatam que em pesquisas realizadas na região de Seattle, EUA, envolvendo 3.110 usuários, foi constatado que a maioria dos motoristas busca sistemas de informação sobre tráfego quando realizam viagens de longa distância e/ou longa duração, viagens realizadas no pico da manhã ou da tarde e

viagens em que a hora da chegada é “sensível ao tempo”, tais como viagens a trabalho, para consultas médicas

ou para o aeroporto.

Usuários do website do Departamento de Transportes do Estado de Washington (EUA) consultam o site pelas seguintes razões (LAPIN, 2000):

Evitar congestionamentos nos seus trajetos.

Avaliar os efeitos de incidentes em seus deslocamentos.

• Decidir entre trajetos alternativos. • Estimar a duração do deslocamento. • Estimar melhor hora

Decidir entre trajetos alternativos.

Estimar a duração do deslocamento.

Estimar melhor hora de partida.

do deslocamento. • Estimar melhor hora de partida. Os usuários que utilizam sistemas de informações reportam

Os usuários que utilizam sistemas de informações reportam que as ações mais comuns tomadas por eles ao consultar a informação são: mudar o horário de partida, mudar parte ou todo o trajeto da viagem, com possibilidade de estender o percurso ou a duração da viagem e ajustar suas expectativas, por exemplo, levando mais um CD de música, fazendo ajustes em suas agendas etc. Eles relatam como os quatro principais benefícios e uso dos SIUs, em ordem de importância: poupar tempo, evitar congestionamentos, reduzir o estresse e evitar condições inseguras.

4.4. Conteúdo dos SIUs de tráfego

Os tipos de informações a serem disponibilizadas em um website de tráfego são muito variados e dependem principalmente das condições de tráfego do local. No entanto, alguns tipos de informações são válidos para praticamente qualquer local, naturalmente dependendo dos desejos e necessidades dos usuários.

CUEVAS (2003) sugere em seu trabalho as seguintes categorias de informação de acordo com suas funcionalidades:

Serviços de informação, que inclui informação turística, comercial, hotéis etc.

Informação antes do início da viagem, como: condições climáticas ou condições do trajeto.

Planejamento da rota ou trajeto. Este serviço recomenda as rotas mais favoráveis para a viagem. As rotas são definidas em função da menor distância ou menor tempo para percorrer um determinado percurso.

Informações durante o transcurso da viagem. Por exemplo, advertência da presença de obras, congestionamentos, incidentes ou desvios.

Notificação de emergências. Mediante este serviço o usuário pode solicitar ajuda.

Já SANTOS (2005) propõe a divisão das informações em duas categorias: informações on-line, aquelas publicadas em tempo real à medida que os eventos ocorrem; informações de banco de dados, aquelas obtidas a partir de eventos pré-programados ou dados históricos; e informações mistas. Combinando as proposições de SANTOS (2005) e SILVA JÚNIOR (2004), podem-se recomendar as seguintes informações para websites de tráfego urbano:

INFORMAÇÕES ON-LINE Mapas de fluidez em avenidas: Mostra as condições de tráfego, monitorados em tempo
INFORMAÇÕES ON-LINE
Mapas de fluidez em avenidas: Mostra as condições de
tráfego, monitorados em tempo real, por meio de detecção
automatizada do volume, velocidade e/ou densidade do
fluxo veicular em vias urbanas. Mapas de fluidez em
rodovias. (ex.: Barcelona http://www.bcn.es/cgi-
bin/pt.pl?url=/transit/nv2/index_s.htm&i=e)
Câmeras de CFTV em avenidas: Apresenta as imagens de trechos do viário urbano obtidas através
Câmeras de CFTV em avenidas: Apresenta as imagens de trechos do viário urbano obtidas através

Câmeras de CFTV em avenidas: Apresenta as imagens de

Câmeras de CFTV em avenidas: Apresenta as imagens de

trechos do viário urbano obtidas através de câmeras de circuito fechado de TV. Câmeras de CFTV em rodovias.

(ex.:

Londres

Informações de PMV: Reproduz na Internet informações de painéis de mensagem variáveis instalados em avenidas e

Informações de PMV: Reproduz na Internet informações de painéis de mensagem variáveis instalados em avenidas e

rodovias.

(ex.:

Houston,

EUA

Disponibilidade de vagas em estacionamentos. (ex.: Southampton http://southampton.romanse.org.uk/)

Disponibilidade de va g as em estacionamentos. (ex.: Southampton http://southampton.romanse.org.uk/ )
INFORMAÇÕES DE BANCO DE DADOS     Aviso de obras e vias fechadas: Informa por
INFORMAÇÕES DE BANCO DE DADOS     Aviso de obras e vias fechadas: Informa por

INFORMAÇÕES DE BANCO DE DADOS

   

Aviso de obras e vias fechadas: Informa por meio de mapa digital trechos em obras no leito viário, seu nível de interferência no fluxo e duração do evento.

por meio de mapa digital trechos em obras no leito viário, seu nível de interferência no

Plano de viajem: Após o usuário informar a origem e o destino desejados, a página na Internet retorna com sugestões de meios de transporte e rota a utilizar.

a origem e o destino desejados, a página na Internet retorna com sugestões de meios de
 

Tarifas de pedágio, projetos e alterações no sentido de

Tarifas de pedágio, projetos e alterações no sentido de

tráfego.

(Ex.:

Londres

Informações para ciclistas: Informa rotas com pista exclusiva para ciclistas, locai s para estacionar e
Informações para ciclistas: Informa rotas com pista exclusiva para ciclistas, locai s para estacionar e

Informações para ciclistas: Informa rotas com pista exclusiva para ciclistas, locais para estacionar e pontos de transbordo para outros modos de transporte.

com pista exclusiva para ciclistas, locai s para estacionar e pontos de transbordo para outros modos

(ex.: Nottingham http://www.itsnottingham.info )

Informações para pedestres: Informa rotas com melhor acessibilidade para pedestres.

 

Informações sobre estacionamentos: Informa os locais onde estacionar, se o estacionamento é na via ou em edificações, valores das tarifas e horários.

Informa os locais onde estacionar, se o estacionamento é na via ou em edificações, valores das

(ex.:

Nottingham

INFORMAÇÕES MISTAS Aviso de obstruções, manifestações, eventos e acidentes: Incidentes em vias urbanas ou trechos
INFORMAÇÕES MISTAS
Aviso de obstruções, manifestações, eventos e acidentes:
Incidentes em vias urbanas ou trechos de rodovias,
detectados de forma automática pela central de operações,
tem seu impacto sobre o tráfego analisado, sendo depois
divulgado na página sua extensão e duração.
(ex.: Los Angeles http://trafficinfo.lacity.org/ )
Calcula tempo de viagem: Após o usuário indicar os pontos de origem e destino e
Calcula tempo de viagem: Após o usuário indicar os pontos de origem e destino e

Calcula tempo de viagem: Após o usuário indicar os pontos de origem e destino e os modos de transporte que deseja utilizar, o site retorna o tempo estimado de viagem.

os pontos de origem e destino e os modos de transporte que deseja utilizar, o site

(ex.:

Bilbao

Condições metereológicas e previsão do tempo.

Condições metereológicas e previsão do tempo.

(ex.:

New

York

SANTOS(2005) realizou uma pesquisa abrangendo 42 metrópoles européias e norte-americanas, analisando o conteúdo de seus websites de transporte público e tráfego, co o objetivo de quantificar os tipos de informações publicadas. No tocante às informações de tráfego, as mais comuns foram: aviso de obras e vias fechadas (90%), informações sobre estacionamentos (86%), mapas e rotas (86%), informações para ciclistas (69%), aviso de acidentes e incidentes (60%), mapas de fluidez em avenidas (57%), câmeras de CFTV em avenidas (45%), informações para pedestres (33%), cálculo de tempo de viagem (29%) e informações de PMV (14%). As informações mais acessadas, por ordem de citações, foram: imagens de câmeras e condições de tráfego, ambas em tempo real e advindas de sistemas de ITS.

4.5. Características de um website de informações de tráfego

Os SIUs de tráfego na internet devem ser concebidos e desenvolvidos com dois objetivos básicos: o primeiro de atender às necessidades dos usuários e, em segundo lugar, eles devem ser de fácil manuseio. Assim, o primeiro acesso do usuário ao site é determinante se ele voltará a acessá-lo ou não. Se o website é na primeira visita difícil de usar, poucos usuários irão despender tempo para aprender como utilizá-lo e assim irão buscar a informação em outra fonte.

KENYON, LYONS e JOHN AUSTIN (1999) desenvolveram um manual de boas práticas para construção de websites de informações sobre o transporte público. Apresenta-se, a seguir, as principais recomendações a serem observadas na construção e manutenção de websites de informações de tráfego, tendo-se utilizado como base as propostas e pontos de destaque presentes no referido manual.

• Os usuários de websites de informações de tráfego têm diferentes necessidades, objetivos e prioridades.
• Os usuários de websites de informações de tráfego têm diferentes necessidades, objetivos e prioridades.

Os usuários de websites de informações de tráfego têm diferentes necessidades, objetivos e prioridades. A maioria deles deseja acessar informações específicas de forma rápida e com facilidade. Mais do que sites sofisticados e de design arrojado, os usuários buscam facilidade para navegar e simplicidade de uso.

É fundamental para o sucesso dos websites de informações de tráfego que eles sejam focados no usuário. A definição de um perfil do usuário e um público alvo pode assegurar que o conteúdo do site e a apresentação da informação sejam de fácil uso e úteis. É recomendável um processo de consulta aos usuários nas etapas de anterior ao projeto, durante os testes com usuários e após a conclusão do projeto. Da mesma maneira, o feedback dos usuários, após o lançamento do site, pode assegurar que ele continue a atender as necessidades dos usuários.

O desenvolvimento da interface com o usuário dos websites de informações de tráfego deve observar os seguintes pontos:

Serem acessíveis, não sendo desinteressantes, difíceis de operar ou tecnicamente complexos. Para garantir que o website seja acessível a todos se deve considerar questões como: cores de fundo e de fontes, estilo de fontes, a habilidade dos usuários para personalizar certas funções ou características, uso de imagens gráficas ao invés ou em conjunto com textos etc.

Terem consistência com padrões já existentes na internet, fazendo com que seu uso seja mais fácil e rápido.

A informação sobre deslocamentos deve ser a mais recente e atualizada constantemente, para ser considerada, de fato, útil pelos usuários. Deve-se indicar no site os períodos de atualização, tornando a informação mais confiável.

A página inicial de abertura (homepage) é a parte mais visível de um site. É, na verdade, a janela para o site. Uma página abertura deve ter um design atrativo, fácil de usar, deve informar o usuário sobre o conteúdo, a forma de uso e a adequação do site às necessidades dos usuários.

Os hiperlinks são o principal método de navegação dentro de um site, ligando os usuários às informações internas e externas.

Características sofisticadas como textos em movimento são interessantes e chamam a atenção. No entanto, devem ser usadas com cautela, pois podem causar confusão nos usuários quando usados de forma inapropriada e sem redundância.

Tempos reduzidos de download podem ampliar o uso e a utilidade do site.

A presença de um serviço de suporte ou ajuda pode promover a confiança e encorajar os usuários a buscar suas informações dentro do site. Isto pode ser oferecido por meio de serviços de ajuda, contatos e perguntas freqüentes (FAQs).

5. Os sites de informações de tráfego brasileiros

Existem bons websites de informações de tráfego em rodovias concedidas à iniciativa privada, visto que as empresas concessionárias já usam de forma intensiva sistemas de ITS, função de obrigações contratuais, necessidades operacionais e uma preocupação em atender bem seu usuário. Todavia, ainda são poucas as aplicações de ITS pelos gestores de tráfego urbano no Brasil e, por conseqüência, também existem poucos websites que publicam informações sobre as condições de tráfego. Uma rápida revisão, sem a pretensão de esgotar o assunto, identificou a presença destas informações em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Florianópolis e Porto Alegre. O quadro abaixo apresenta as principais características destes sites.

CIDADE

CONTEÚDO

Rio de Janeiro

Site Trânsito OnLine da CET-RIO apresenta boletins de condições de trânsito, obtidas a partir de imagens de câmeras de CFTV. Esses boletins estão conjugados com as respectivas imagens fixas de câmeras, de forma gráfica e em texto. Também podem ser visualizadas rotas de câmeras pré-definidas ou personalizadas pelo usuário, que deve se registrar no site. Desta maneira, o usuário pode selecionar uma seqüência de câmeras

  compatível com seus trajetos. Há telas de aj uda para os usuários, instruindo sobre
  compatível com seus trajetos. Há telas de aj uda para os usuários, instruindo sobre
 

compatível com seus trajetos. Há telas de ajuda para os usuários, instruindo sobre as funcionalidades disponíveis. (http://www2.rio.rj.gov.br/transitopub/)

São Paulo

No

site da CET-SP, há o mapa de fluidez do trânsito em importantes corredores de São

Paulo, atualizado a cada 30 minutos com informações sobre situação do trânsito. Há

indicação de rotas entre as principais rodovias que chegam à cidade. Também foi identificada a possibilidade de aquisição de talões de Zona Azul através do site. (http://www.cetsp.com.br/)

Fortaleza

O

site

da

AMC

possibilita

o

acesso

às

imagens

das

câmeras

do

CTA-FOR.

(http://www.cetsp.com.br/)

 

Florianópolis

O

site do IPUF apresenta informações em um mapa com níveis de tráfego atualizados a

cada 30 segundos. Também apresenta rotas alternativas para alguns trajetos pré-

definidos. (http://cta.ipuf.sc.gov.br/sistema.html)

 

Porto Alegre

O

site da EPTC apresenta informações sobre ocorrências de trânsito, desvios e obras.

(http://www.eptc.com.br/)

 

Embora, não tenha sido objeto do presente trabalho fazer uma comparação entre sites brasileiros e estrangeiros, pode-se constatar uma grande diferença em termos de conteúdo entre os mesmos. Uma das principais explicações para esse fato, certamente reside na falta ou nos baixos investimentos dos municípios em sistemas e equipes de controle de tráfego. A disponibilização de informações para usuários deve fazer parte de uma política global de mobilidade urbana, que ofereça alternativas de deslocamento por diferentes modos de transporte. Concluindo, tomemos o exemplo da cidade de Paris, que demonstra claramente a linha de conduta da política de transportes urbanos do governo local. As informações das condições de tráfego estão no site da RATP (gestora dos transportes públicos de Paris), a busca por trajetos apresenta opções por transporte público ou automóvel, qual deles é mais vantajoso em termos de tempo de viagem, e a seção do site destinada a prover informações de tráfego é denominada embouteillages ou engarrafamentos.

6. Referências bibliográficas

CUEVAS, Daniel Giosa. Sistemas de Información de Tráfico. Tesis para el titulo de Magíster en Informática. Instituto De Computación, Facultad De Ingeniería, Universidad De La República Oriental Del Uruguay, Diciembre de 2003.

ITSA - ITS America and USDOT, Closing the Data Gap: Guidelines for Quality Advanced Traveler Information System (ATIS) Data. Version 1.0, September 2000.

LAPPIN, Jane, Advanced Traveler Information Service (ATIS): What do ATIS Customers Want? John A. Volpe National Transportation Systems Center Cambridge, Massachusetts January 2000

KENYON, Susan, LYONS, Glenn and AUSTIN, John. Public Transport Information Web sites: How to Get It Right - A Best Practice Guide. The Institute of Logistics and Transport (ILT) 1999.

MCDONALD, Mike and LI, Yanying. Delivering Information for the Management of Infrastructure and the Movement of Goods and People. Transportation Research Group, School of Civil Engineering and the Environment, University of Southampton, 2006.

PEIRCE, Sean and LAPPIN, Jane. Why don’t more people use advanced traveler information? Evidence from the Seattle area. Originally presented at: Transportation Research Board. 83rd Annual Meeting, Washington, DC January 2004. Updated version revised May 2005.

SILVA JUNIOR, Mário Martins. Contribuição à Implantação de Serviços de Informações de Trânsito e transporte Público, Utilizando Tecnologias de ITS, na Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. Programa de Engenharia de Transportes. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2004.