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UNIDADE II: COMPETNCIA TRIBUTRIA

2.1. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA , TRIBUTÁRIA E CAPACIDADE TRIBUTÁRIA

ATIVA.

Competência legislativa: “é a aptidão de que são dotadas as pessoas políticas para

expedir regras jurídicas, inovando o ordenamento positivo. A competência para legislar sobre direito

tributário está regulada no art.24, e §§, da CF. Tal competência não significa o poder de instituir tributos,

mas o de estabelecer os conceitos e as estruturas básicas do direito tributário”.

Competência tributária: é uma das parcelas entre as prerrogativas legiferantes de que

são portadoras as pessoa políticas, consubstanciada na faculdade de legislar para a produção de

normas jurídicas sobre tributos” 1 . Em outras palavras, é a atribuição ou o poder, diretamente haurido da

Carta Magna­ arts. 145 e 153 a 156 ­, para editar leis que abstratamente instituam tributos. Por este

motivo, somente têm competência tributária, em nosso país, as pessoas que possuem capacidade para

legislar, ou seja, as denominadas pessoas políticas, ou entes federados: União, Estados, DF e

Municípios.

“É a aptidão para criar, in abstrato, tributos. No Brasil, por injunção do princípio da

legalidade, os tributos são criados, in abstrato, por meio de lei (art. 150, I, da CF), que deve descrever

todos os elementos essenciais da norma jurídica tributária.” “ competência tributária é a possibilidade

de criar, in abstrato, tributos, descrevendo, legislativamente, suas hipóteses de incidência, seus sujeitos

ativos, seus sujeitos passivos, suas bases de cálculo e suas alíquotas” “ exercitar a competência

tributária é dar nascimento, no plano abstrato, a tributos” 2 .

Nenhuma outra pessoa, física ou jurídica, possui competência tributária em nosso

ordenamento, nem mesmo as autarquias, pessoas jurídicas de Direito Público com atribuições

1 Paulo de Barros Carvalho, in Curso

2 Roque Antonio Carrazza, in Curso

tipicamente estatais. O que pode ocorrer é que algumas autarquias, como era exemplo o INSS, receba

da pessoa política que detém a competência tributária, por outorga, atribuições relativas à arrecadação

e fiscalização de tributos, bem como à execução de atos normativos em matéria tributária e

prerrogativas processuais, ou seja, a denominada capacidade tributária ativa. Destaca­se que,

atualmente, as contribuições previdenciárias, art. 195, I, “a”, e II, da CF, são fiscalizadas pela própria

União, através da Secretaria da Receita Previdenciária­ SRP.

Continuando na mesma esteira de raciocínio, a pessoa jurídica de Direito Público que

receba, da pessoa política competente, tais atribuições passa a ter a denominada capacidade tributária

ativa, ou seja, está apta a integrar a relação jurídica obrigacional tributária no pólo ativo, como sujeito

ativo da relação. O fato de pessoas jurídicas de Direito Público, como o INSS, poderem ser sujeitos

ativos de relações jurídicas tributárias não confere a elas competência tributária. Esta, a competência, é

indelegável e somente a possui quem pode legislar, vale repetir, as pessoas políticas, entretanto, são

passíveis de serem transferidas a outras pessoas jurídicas de Direito Público as atribuições de

fiscalizar, arrecadar tributos e executar leis, normas e atos. Trata­se da transferência da capacidade

tributária ativa.

Portanto, quando falarmos em competência tributária, a primeira idéia que deve vir à nossa

cabeça é: Constituição Federal e suas Emendas. Com efeito, em nosso ordenamento jurídico,

especialmente em decorrência da forma de Estado que adotamos (que é a forma Federativa), e pelo fato

de sermos um país de Constituição escrita e rígida, a matéria pertinente à competência tributária (e às

competências legislativas e político­administrativas em geral) obrigatoriamente se encontra tratada na

Constituição Federal ou nas suas Emendas. O estudo da competência tributária é um momento anterior

à existência mesma do tributo, situando­se no plano constitucional. Já a capacidade tributária ativa, que

tem como contranota a capacidade tributária passiva, é tema a ser considerado no ensejo do

desempenho das competências.

O tema competência tributária é também tratado pelo CTN nos arts. 6º a 8º, a seguir

transcritos:

“ Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa

plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas

Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei.”

Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas

de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos.

Vide Súmula 69 do STF:

“A Constituição Estadual não pode estabelecer limite para o aumento de tributos municipais.”

Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar

tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida

por uma pessoa jurídica de direito público a outra ( )”.

§ 1º A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica

de direito público que a conferir.”

§ 2º A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito

público que a tenha conferido.

§ 3º Não constitui delegação de competência o cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo

ou da função de arrecadar tributos.

“Ementa:

estatais para o exercício de funções descentralizadas consolidouse na jurisprudência do extinto TFR e do STJ.

I. O entendimento sobre a legitimidade da delegação de poderes às autarquias e empresas

II. Indelegável é o poder de tributar, isto é, de instituir impostos, taxas, contribuições e empréstimos

” (STJ. REsp 7828/DF. Rel.:

compulsórios, reservado ao Estado pela Constituição Federal (art. 145)

Min. Francisco Peçanha Martins. 2ª Turma. Decisão: 28/03/96. DJ de 03/06/96, p. 19.230.)

Art. 8º O não­exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público

diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído.

“Ementa:

tributante qualidade para utilizá­la (art. 8º do CTN). Ilegítima a cobrança, por Município, de Imposto

” (TRF­2ª Região. REO 91.02.05382­9/RJ.

sobre Telecomunicações, de privativa competência

Rel.: Des. Federal Alberto Nogueira. 2ª Turma. Decisão: 29/09/93. DJ de 19/04/94.)

Em matéria de competência o não­exercício por seu titular não confere a outra entidade

Seguindo o raciocínio dos parágrafos acima e analisando o Código Tributário Nacional­

CTN 3, nos art. 6.º a 8.º, deflui que a competência tributária é o poder que a Constituição outorga aos

entes políticos para, por meio de leis, instituírem tributos, de acordo com a distribuição nela definida (a

Constituição não institui tributos, apenas outorga competência para cada ente da federação). Cumpre

reforçar, no entanto, que a competência tributária, indelegável, abrange quatro funções básicas: instituir

tributos, fiscalizar, arrecadar e executar as normas inerentes à respectiva legislação tributária.

Tal competência tributária não deve ser confundida com a capacidade tributária ativa, esta

prevista no art. 119 do CTN, que corresponde à possibilidade de uma pessoa jurídica de Direito

Público ocupar o pólo ativo da relação tributária, exercendo atribuições relativas à fiscalização e/ou

arrecadação de tributos bem como à execução de leis, serviços, atos ou decisões administrativas em

matéria tributária.

Cabe ressaltar que a capacidade tributária ativa pode ser exercida pelo próprio ente político

titular da competência tributária. É o que ocorre, por exemplo, quando a União, além de instituir por lei o

imposto de importação, ainda ocupa a posição de sujeito ativo, exercendo por seus próprios órgãos a

fiscalização do cumprimento da legislação tributária relativa ao imposto, constituindo pelo lançamento os

créditos dela decorrentes, e exigindo seu adimplemento pelos sujeitos passivos.

Ainda, quanto à capacidade tributária, deve­se atentar para o disposto nos §§ 1º e 2º do art.

7º do CTN, haja vista o primeiro estender a entidade delegatária as garantias e os privilégios

processuais previstos no ordenamento pátrio para o ente com competência tributária, ao passo que o

segundo, estabelece que a delegação possa ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da

pessoa política titular da competência tributária (aquela que tenha instituído o tributo). Foi o que

3 Atualmente, a lei complementar exigida pelo art. 146 da Constituição, notadamente para veicular normas gerais, está representada no Código Tributário Nacional. Originalmente editado como lei ordinária (Lei n. 5.172, de 1966), possui o status (a força) de lei complementar, por conta do princípio ou teoria da recepção (art. 34, §5o. do ADCT ­ Ato das Disposições Constitucionais Transitórias). O princípio ou teoria da recepção consiste basicamente no aproveitamento na nova ordem constitucional de diplomas legais editados perante a ordem constitucional anterior, desde que não conflitem com os mais recentes ditames constitucionais.

aconteceu, recentemente, com as contribuições previdenciárias, pois o INSS deixou de ser o sujeito

ativo da relação obrigacional previdenciária.

Já o §º 3 do art.7º supracitado autoriza o cometimento a pessoas de Direito Privado da

função de arrecadar tributos, afirmando ainda que tal cometimento não constitui delegação de

competência, uma vez que esta entrega ao particular envolve apenas a atividade de recebimento dos

pagamentos efetuados pelos sujeitos passivos. Tal função é normalmente atribuída aos bancos.

O art. 8º, de fácil entendimento, significa dizer que o não­exercício da competência tributária,

conferida pela Constituição a um ente político, não permite o seu exercício por outro. Temos como

exemplo o Imposto sobre Grandes Fortunas­ IGF, de competência da União, que até hoje não foi por ela

instituído, o que não permite nem autoriza a instituição por outro ente diverso (Estado, DF ou município).

2.1.1. Características da Competência Tributária:

¸ privativa cada pessoa política tem seus próprios tributos;

¸ incaducável não está submetida a prazo para ser validamente exercitada (ex. impostos sobre

grandes fortunas­ IGF);

¸ exercício facultativo a pessoa política é livre para instituir ou não o tributo;

¸ irrenunciável pode deixar de exercitar mas, não pode abrir mão em definitivo; O legislador de

hoje não pode criar entraves para o de amanhã.

¸ indelegável não pode delegar o que recebeu por delegação, na verdade, o que se delega é a

capacidade tributária ativa.

2.1.2. Competência Concorrente:

A competência para legislar sobre Direito Tributário é CONCORRENTE (União, Estados e

Distrito Federal – não inclui os Municípios), conforme art. 24 da CF e §§, in fine:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

I ­ direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;

§ 1 No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar­se­á a estabelecer normas

gerais.

§ 2 A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar

dos Estados.

§ 3 Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena,

para atender as suas peculiaridades

§ 4 A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe

for contrário.

A CF adotou, assim, a competência concorrente não­cumulativa ou vertical, de forma que a

competência da União está adstrita ao estabelecimento de normas gerais(servem como formas de

orientação, padronização e uniformização da legislação tributária, estabelecedoras de conceitos,

definições, princípios, etc devendo os Estados e o DF especificá­las, conforme suas peculiaridades,

)

por meio de suas respectivas leis (competência suplementar). A mesma matéria é regulada por mais de

uma entidade federativa, com primazia da União no que tange à fixação de normas gerais. Destaca­se,

como bem aponta Misabel Derzi, que no direito tributário pátrio, o veículo introdutor de normas gerais

são as leis complementares da União (art.146 CF) e as resoluções do Senado Federal (art.155 § 2º, V, a

e b CF.), que obrigam a todos os entes políticos estatais.

Por sua vez, a competência suplementar é dividida em:

¸ Complementar – existindo norma geral, cabe aos Estados e ao DF detalhá­la, desdobrar seu

conteúdo, complementá­la, sempre obedecendo aos limites e as diretrizes essenciais

estabelecidos pela União;

¸ Supletiva não existindo norma geral, os Estados e o DF temporariamente (até que a União

exerça sua competência, ou seja, edite a norma geral) têm competência plena para suprir esta

ausência, podendo elaborar leis específicas ou de caráter geral para disciplinar a matéria.

Entretanto, assim que a União editar a norma geral, cessa a competência supletiva dos Estados

e do DF, suspendendo a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.

Obs: os Municípios legislam de forma suplementar com base no art 30,I,II da CF.

Vejamosumaquestãosobreesteponto!

1­ (ESAF/AUDITOR MUNICIPAL RECIFE 2003):

Avalie as formulações seguintes, observadas as disposições pertinentes ao tema "competência

tributária", constantes do Código Tributário Nacional, e, ao final, assinale a opção que corresponde à

resposta correta.

I. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios o cometimento, a pessoas de

direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos.

II. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito

público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos.

III. A atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, conferida por uma pessoa jurídica de

direito público a outra, pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de

direito público que a tenha conferido.

IV. A atribuição das funções de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria

tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, compreende as garantias e os

privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir.

a) Apenas as formulações I, II e III são corretas.

b) Apenas as formulações II, III e IV são corretas.

c) Apenas as formulações I, III e IV são corretas.

d) Apenas as formulações II e IV são corretas.

e) Todas as formulações são corretas.

Gabarito: B

Atéonossopróximoencontro!

Alberto Alves

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