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Curso de Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente Disciplina: Laboratórios de Engenharia do Ambiente (IV) Semestre:

Curso de Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente

Disciplina: Laboratórios de Engenharia do Ambiente (IV)

Semestre: 2º

Ano: 4º

Trabalho: Correcção da agressividade

1.Introdução:

O crescimento demográfico e o desenvolvimento social vieram dar origem a preocupações ambientais relevantes. A implementação de estações de tratamento de águas residuais (etar´s) e estações de tratamento de água bruta (eta) acarretou uma melhoria ambiental significativa. Para dar resposta a todos os cenários foi desenvolvido uma nova área de estudo que incide no planeamento/projecto das instalações sanitárias. Passou-se então a ter em atenção quais os requisitos que instalações deste tipo devem respeitar. O tipo de material usado nos diferentes tipos de equipamentos foi também tido em conta pois dos processos de tratamento resulta muitas vezes emissões ácidas. Por outro lado a própria água pode também ser um problema para a durabilidade dos equipamentos. É nesse sentido que muitas vezes é necessário fazer a correcção da agressividade das águas. O problema da agressividade das águas está ligado sobretudo às águas destinadas ao consumo humano. Este fenómeno está ligado a águas com um grau de pureza elevado apresentando portanto uma baixa alcalinidade, baixa dureza e baixa condutividade [1] . O conjungação destas características acentua a capacidade erosiva da água sobre as condutas metálicas onde circula. De forma a diminuir a agressividade da água pode-se adicionar uma solução de leite de cal permitindo assim aumentar o carácter alcalino da água. A adição de CO 2 às águas tem como objectivo aumentar a alcalinidade total (ou seja a capacidade de neutralizar ácidos) ou a concentração da dureza cálcica. Esta adição para além de permitir que se melhor as características organolépticas da água promove também a formação de uma camada protectora contra a corrosão nas tubagens [2] . Relativamente à alcalinidade as maiores contribuições vêm dos iões bicarbonato, carbonato e hidróxido. Para águas superficiais, a alcalinidade abaixo de 30 mg/l é considerada baixa, acima de 250 mg/l é considerada elevada. Valores médios para águas dos rios rondam os 100-150 mg/l [3] . Estas espécies advêm da presença de CO 2 em solução. Nas expressões seguintes apresentam algumas reacções químicas que dão origem às espécies tamponantes.

(1)

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Trabalho: Correcção da agressividade

Na figura 1 demonstra-se como varia a concentração das espécies tamponantes em função do pH.

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Figura1. Variação das espécies tamponantes em função do pH [3] .

  • 2. Objectivos:

O objectivo do presente trabalho laboratorial passa pela avaliação tratabilidade da água tendo em conta as variações induzidas pela adição de certos reagentes bem com as eficácias de

tratamento em relação às doses usadas.

  • 3. Correcção da agressividade:

    • 3.1. Material, equipamentos e reagentes

eléctrodo de pH em vidro;

medidor pH;

gobelés;

leite de cal;

dióxido de carbono;

provetas;

  • 3.2. Procedimento

 

Introduzir em cada gobelé 800 ml de água filtrada por tratar (aula anterior);

numerar os gobelés;

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Trabalho: Correcção da agressividade

adicionar 10, 15, 20 e 30 ml de água de cal e agitar.

ler o pH para cada amostra;

introduzir dióxido de carbono, em continua agitação, até se obter um valor de pH

compreendido entre 8,3 e 8,5 e anotar o tempo total em que houve adição de CO 2 ; analisar para as 4 amostras (mais o branco) os seguintes parâmetros: alcalinidade, dureza, condutividade e sólidos dissolvidos totais;

4. Determinação dos sólidos dissolvidos totais:

 
  • 4.1. Material, equipamentos e reagentes balança analítica;

estufa de secagem;

conjunto de filtração por vácuo;

caixa de petri;

exsicador;

filtro;

  • 4.2. Procedimento

pesar 5 caixas de petri;

colocar o filtro no sistema de filtração por vácuo;

filtrar 100 ml de cada amostra devidamente homogeneizada;

colocar os 100 ml de filtrado na caixa de petri;

colocar a caixa de petri na estufa e aguardar até total evaporação da solução;

retirar o conjunto da estufa e colocar no exsicador durante 15min;

pesar a caixa de petri;

O cálculo dos sólidos suspensos dissolvidos (SSD) foi realizado tendo por base a seguinte expressão:

(1)

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  • 5. Determinação da condutividade:

    • 5.1. Material, equipamentos e reagentes

condutímetro;

gobelé;

  • 5.2. Procedimento

 

lavar a sonda com água destilada e mergulhá-la na amostra;

deixar estabilizar o valor de condutividade;

  • 6. Determinação da alcalinidade total:

 
  • 6.1. Material, equipamentos e reagentes medidor de pH;

agitador magnético e barra magnética;

solução de carbonato de sódio 0,05 N;

solução padrão de ácido sulfúrico 0,02 N;

  • 6.2. Procedimento

colocar 100 ml de cada solução contendo leite de cal num matraz de 250 ml;

titular usando a solução ácida até o pH estar compreendido entre 4,6 e 4,9;

registar o volume de solução ácida usada;

A determinação da alcalinidade requer bastante tempo e atenção por parte do operador.

A alcalinidade é calculada tendo por base a seguinte expressão:

Onde:

A ml de H 2 SO 4 gastos; N Normalidade do H 2 SO 4;

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7. Determinação da dureza total:

7.1.      Material, equipamentos e reagentes bureta de vidro; balões volumétricos; pipetas
7.1.
Material, equipamentos e reagentes
bureta de vidro;
balões volumétricos;
pipetas volumétricas;
matrazes de 250 ml;
solução de EDTA 0,01 M;
solução indicadora;
solução tampão;
7.2.
Procedimento
colocar 100 ml de amostra, contendo água de cal, num gobelé e adicionar 1 ml de
solução tampão e 1 gota de solução indicadora;
titular a solução anterior com EDTA 0,01 M até se verificar uma mudança de cor (cor-de-
rosa passa azul);
registar o volume de EDTA 0,01 M usado;

O cálculo da dureza total efectuado tendo por base a expressão 4:

onde:

A ml de EDTA gastos na titulação da amostra; B mg de CaCO 3 equivalente a 1,00 ml de EDTA; V ml de amostra;

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Trabalho: Correcção da agressividade

8. Resultados e discussão:

Após se ter adicionado diferentes dosagens de leite de cal à água filtrada promoveu-se o

ajuste de pH para a gama indicada no protocolo medindo-se também a condutividade da mesma. Na tabela 1 encontram-se os valores medidos na etapa de correcção da agressividade.

Tabela 1. Características iniciais das amostras com água de cal e valor final de pH.

Ensaio

V Ca(OH) 2

pH i

pH f

t de adição CO 2 (s)

Temper. (ºC)

Condutividade

(ml)

 

(μS/cm)

1

10

9,23

8,43

2,55

20,8

400

2

15

9,77

8,47

5,68

20,8

423

3

20

10,12

8,32

9,24

20,6

434

4

30

10,59

8,49

16,28

20,9

462

Branco

0

7,45

-*

-

20,9

376

pH i pH inicial; Temper temperatura;

 

pH f pH final;

V volume;

t tempo; *não foi necessário ajustar o pH;

Considerando o pH inicial como o pH que as amostras tem após se adicionar leite de cal nota-se que todas as soluções tem um carácter alcalino. Só após a adição de CO 2 é que o pH baixa (pH final). A diminuição do pH está directamente ligada ao facto de o CO 2 em solução tender a formar HCO 3 - . Depois se ter administrado diferentes dosagens de leite de cal às amostras de água filtrada foi calculada para cada uma delas os seguintes parâmetros: dureza, alcalinidade, condutividade e sólidos dissolvidos totais. Na tabela seguinte apresentam-se os dados relativos à dureza das amostras. O cálculo da dureza teve por base a aplicação da expressão 3.

Tabela 2. Volume de água bruta e de EDTA gasto para viragem de cor e respectivo resultado da dureza.

Ensaio

Volume EDTA gasto (ml)

Volume de amostra (ml)

Dureza (mg CaCO 3 /L)

1

11,2

 

112

2

12,8

128

3

13,0

100

130

4

14,8

148

Branco

8,70

87,0

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Como era de esperar a dureza aumenta à medida que a dosagem de leite de cal (CaOH) 2 aumenta. O ião Ca 2+ que é adicionado à solução por intermédio da água de cal irá ter tendência para reagir com CO 3 2- formando-se CaCO 3 . Idealmente o processo de correcção de agressividade quando aplicado tem como objectivo atingir um valor de dureza permanente na gama [80-100] mg CaCO 3 /L. Esta gama alia um baixo desgaste das tubagens e não exige o uso de elevadas doses de detergente. Apenas a amostra de água filtrada (sem tratamento) se encontra dentro da gama ideal de dureza. Deste modo percebe-se que naturalmente a água bruta já possui a dureza desejada. Adição de água de cal só faz aumentar a dureza. Pode-se considerar que uma amostra com dureza de 87,0 mg CaCO 3 /l é uma água de dureza média [4] .

Relativamente à alcalinidade a sua determinação foi feito usando-se a equação 2. Na tabela 3 estão representados os valores de alcalinidade de cada amostra. Para cada amostragem foi usado um volume de 100 ml e ácido sulfúrico com normalidade igual a 0,02.

Tabela 3. Alcalinidade calculada;

Ensaio

Alcalinidade (mg/l CaCO 3 )

1

40

2

50

3

60

4

75

Branco

20

Como era de esperar à medida que a dosagem de leite de cal é maior, maior também é a capacidade de tamponização da amostra e portanto a alcalinidade aumenta (elevada concentração de espécies tamponantes). É ainda possível relacionar-se graficamente como varia a alcalinidade à medida que pH se altera. No gráfico 1 encontra-se representado essa relação em relação a cada amostra analisada.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Variação do pH

pH

9 8 7 6 5 4 3 6 4 8 3 2 0 5 7 1
9
8
7
6
5
4
3
6
4
8
3
2
0
5
7
1

Volume de H 2 SO 4 (mL)

  • Ensaio 1

  • Ensaio 2

  • Ensaio 3

  • Ensaio 4

Branco

Gráfico 1. Variação do pH ao longo da titulação para cada amostra.

Como se pode ver graficamente, as amostras às quais se adicionou mais água de cal necessitam de mais ácido sulfúrico para que o seu pH fique próximo de 4. Tal fica-se a dever ao facto de a água de cal quando adicionada faz subir o pH. Em anexo 1 disponibilizam-se os volumes de ácido sulfúrico gasto e os respectivos valores de pH para cada amostra.

Para determinação dos sólidos dissolvidos totais (SDT) foi necessário efectuar algumas pesagens. Recorrendo-se aos valores da tabela 4 e à expressão 1 é então possível calcular-se a concentração de SDT.

Tabela 4. Dados relativos à determinação dos SDT;

Ensaio

Sólidos dissolvidos totais (g)

Sólidos dissolvidos totais (mg/l)

1

0,0273

273

2

0,0285

285

3

0,0291

291

4

0,0296

296

Branco

0,025

250

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Como se pode ver na tabela 4 os SDT do branco é inferior ao das restantes amostras. Pode-se assim concluir que a adição de água de cal introduz colóides nas amostras (“cal”) aumentando a presença de substâncias dissolvidas na água. É pois evidente que à medida que a dosagem de água de cal aumenta a presença de sólidos dissolvidos também aumenta.

9. Enquadramento legal das determinações efectuadas:

De modo a verificar-se se as amostras possuem as características necessárias para servirem para produção de água para consumo humano é necessário comparar com a legislação em vigor (DL nº 236/98).

Tabela 5. Parâmetros medidos;

Ensaio

pH inicial

pH final

Temperatura (ºC)

Condutividade (μS/cm)

1

9,23

8,43

20,8

400

2

9,77

8,47

20,8

423

3

10,12

8,32

20,6

434

4

10,59

8,49

20,9

462

Branco

7,45

-

20,9

376

Tabela 6. Valores legislados para água destinada à produção de água potável

Parâmetro

A1*

A2

A3

 

VMR

VMA

VMR

VMA

VMR

VMA

Condutividade (µS/cm, 20 ºC)

1000

---

1000

---

1000

---

pH inicial

6,5 8,5

--

5,5 9,0

---

5,5 9,0

---

pH final

6,5 8,5

---

5,5 9,0

---

5,5 9,0

---

Temperatura(ºC)

22

25

22

25

22

25

*tipo de tratamento (caracterizado na legislação);

Através da comparação dos dados recolhidos para cada amostra (tabela 5) com os dados legislados (tabela 6) conclui-se que é possível usar-se qualquer uma das amostras para produção de água potável. No entanto, para se ter total certeza que as amostras estão em

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Trabalho: Correcção da agressividade

condições de ser usados para produção de água potável é ainda necessário medir muitos outros parâmetros quê se encontram em falta.

É ainda possível comparar os valores medidos laboratorialmente com os valores legislados para uma água que é usada com a finalidade de ser consumida pelo ser humano. Na tabela seguinte apresentam-se os parâmetros medidos que é possível encontrar na legislação.

Tabela 7. Parâmetros medidos e legislação para água para consumo humano;

Ensaio

pH inicial

pH final

Temperatura

Condutividade

Dureza (mg

Alcalinidade (mg

SDT

 

(ºC)

(μS/cm)

CaCO 3 /l)

CaCO 3 /l)

(mg/l)

1

9,23

8,43

20,8

400

112

40

273

2

9,77

8,47

20,8

423

128

50

285

3

10,12

8,32

20,6

434

130

60

291

4

10,59

8,49

20,9

462

148

75

296

Branco

7,45

-

20,9

376

87

20

250

*VMR

6,5 8,5

6,5 8,5

12

400

-

-

-

*VMA

9,5

9,5

25

-

500

-

1500

*VMR valor máximo recomendado; VMA valor máximo admissível;

Como se pode ver nem todos os valores de pH inicial respeitam o valor máximo admissível. Só a amostra um apresenta um pH inicial inferior ao VMA. Os valores máximos recomendados só se conseguem atingir quando há correcção do pH (pH final).

Relativamente à temperatura todos os ensaios possuem temperatura inferior ao VMA. No entanto nenhuma delas tem uma temperatura inferior ao VMR.

Para a condutividade só o ensaio 1 respeita o valor máximo admissível apresentando igual valor ao VMR.

Para a dureza todos os ensaios têm dureza inferior ao VMA.

Os valores de alcalinidade determinados não podem ser comparados com nenhum valor pois para este parâmetro a legislação é omissa.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Por fim, para o parâmetro SDT verificou-se que, apesar do valor de SDT ir aumentando à medida que a dosagem de água de cal aumenta, todos os ensaios possuem valores de SDT inferiores ao valor máximo admissível.

10. Simulação através do modelo RTW4:

Para se simular a correcção da agressividade é necessário em primeiro lugar (passo 1) definir algumas características da água usada. Na tabela 8 apresentam-se os valores medidos:

Tabela 8. Parâmetros usados no passo 1;

Sólidos dissolvidos totais (mg/l)

250

Temperatura (ºC)

   

20,9

pH

7,45

Alcalinidade como CaCO 3 (mg/l)

   

20

Cálcio como CaCO 3 (mg/l)

87

Cloretos como Cl (mg/l)

   

39,9

Sulfatos como SO 4 (mg/l)

36,5

Os valores de cloretos e de sulfatos presentes na água não foram medidos na presente aula laboratorial. No entanto como a água filtrada usada era oriunda da água bruta da aula anterior e considerando que o processo de filtração não acarreta variações quer na concentração de cloretos quer na concentração de sulfatos então decidiu-se usar os valores para estas concentrações determinado na aula anterior.

De seguida é necessário fazer a determinação das dosagens óptimas de alumínio deca- hidratado, de CO 2 , de cal e de hipocloreto de sódio tendo sempre em atenção como varia a qualidade intermédia da água até que esta se aproxime dos valores desejavéis (target). Como no Excel fornecido não é possível usar-se a ferramente “solucionador” teve-se de fazer o processo iterativo à mão tendo sempre presente que o ideal é usar a mínima quantidade de reagentes. Na tabela 9 apresentam-se as quantidades de reagentes usados.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Tabela 9. Parâmetros usados no passo 2 (dosagem de reagentes);

Parâmetro

Valor escolhido

Alum *14H 2 O (mg/l)

12

Dióxido de Carbono (mg/l)

14

Cal (mg/l)

19

Hipoclorito de Sódio (mg/l)

3

Os valores da tabela 9 foram determinados tendo por base a qualidade intermédia da água. Na tabela 10 apresentam-se os valores calculados para a qualidade intermédia da água. Estes valores estão directamente dependentes da dosagem de reagente expressa na tabela 9.

Tabela 10. Parâmetros calculados para o passo 3 (qualidade da água);

Parâmetro

Valor calculado

Valor Desejável

Alcalinidade intermédia (mg/l)

42

> 40 mg/L

Ca intermédia, como CaCO 3 (mg/l)

113

> 40 mg/L

Alcalinidade/(Cl+SO 4 )

0,5

> 5.0

pH intermédio

9,25

6.8 - 9.3

Potência de precipitação (mg/l)

8,39

4 - 10 mg/L

Índice de Langelier

1,17

> 0

Analisando a qualidade intermédia da água verifica-se que para as dosagens “óptimas” (tabela 9) escolhidas apenas um parâmetro não é respeitado (Alcalinidade/(Cl+SO 4 )). Para se conseguir atingir o valor desejável para este parâmetro (>5,0) é necessário aumentar muito a dosagem dos reagentes o que não parece economicamente viável. Assim sendo optou-se por usar baixas dosagens de reagentes (tabela 9).

Cumprindo-se os passos anteriores é possível analisar-se a evolução que a água quando sujeita a um processo de correcção da agressividade sofre. Nas próximas 3 tabelas está representada essa evolução.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Tabela 11. Características iniciais da água (sem tratamento);

Parâmetro

Valor calculado

Acidez inicial (mg/l)

23

Ca saturada inicial, como CaCO 3 (mg/l)

1004

Carbono inorgânico dissolvido inicial, como CaCO 3 (mg/l)

43

Tabela 12. Características intermédias da água;

Parâmetro

Valor calculado

Acidez intermédia (mg/l)

33,0

Ca saturada intermédia, como CaCO 3 (mg/l)

9,0

Índice de Ryznar (>6, água agressiva)

6,91

Carbono inorgânico dissolvido intermédio, como CaCO 3 (mg/l)

75,0

Índice de agressividade (<12, água agressiva)

12,92

Tabela 13. Características finais da água;

Parâmetro

Valor calculado

Alcalinidade final (mg/l)

33,0

Ca final (mg/l)

104,0

Acidez final (mg/l)

33,0

pH final

8,22

Carbono inorgânico dissolvido final, como CaCO 3 (mg/l)

66,0

O que seria de esperar quando uma água é sujeita a processo de correcção da agressividade é que a água se torna-se menos agressiva. Ainda assim o que se verifica é que a água ainda possui um índice de Ryznar inferior a 6, característica de uma água pouco agressiva.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Daqui entende-se que é necessário mudar a dosagem de reagentes sendo obrigatório cumprir os valores desejados para os parâmetros da tabela 10. Se assim for, apesar de se usar dosagens de reagente muito elevados, consegue-se obter um índice de Ryznar muito baixo o que é sinónimo de uma água pouco agressiva.

11. Conclusões:

A realização desta actividade laboratorial permitiu ao aluno perceber e aprender acerca do processo de correcção de agressividade. Verificou-se também que a água filtrada usada no presente trabalho após sujeita a um processo de correcção da agressividade, na sua maioria não tem as características necessárias para ser consumida pelo ser humano. Apenas o ensaio 1 (ensaio com a menor dose de água de cal), após a correcção do pH, poderá eventualmente ser consumida, no entanto falta analisar os restantes parâmetros dispostos na legislação. Caso se pretenda usar as amostras para produção de água potável todas elas respeitam os valores máximos admissíveis que a legislação impõe. No entanto, é necessário determinar outros parâmetros para além daqueles que foram realizados na aula laboratorial.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Bibliografia

[1] Cheng Chia-Yau, Ensaio da correcção da agressividade, Mestrado Integrado de Engenharia

do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[2] Cheng Chia-Yau, correcção da agressividade in disciplina Tratamentos de Águas I, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[3] Botelho, Cidália, alcalinidade da água, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[4] Botelho, Cidália, dureza da água, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[5] Cheng Chia-Yau, Determinação da dureza, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[6] Cheng Chia-Yau, Determinação da alcalinidade, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[7] Cheng Chia-Yau, Determinação da condutividade, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[8] Cheng Chia-Yau, Determinação do pH, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

[9] Diário da República, Decreto-Lei 236/98 de 1 de Agosto.

[10] Cheng Chia-Yau, Modelo RTW 4, Mestrado Integrado de Engenharia do Ambiente, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2012.

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Trabalho: Correcção da agressividade

Anexo I

Tabela 1. Valores de pH obtido ao longo da adição de H2SO4 e valor de alcalinidade;

Ensaio

Volume H 2 SO 4 gasto (mL)

pH

Alcalinidade (mg/l CaCO 3 )

 

0

8,02

 

0,5

7,81

1

1

7,44

 

40

1,5

7,25

 

3

6,67

4

4,37

Tabela 2. Valores de pH obtido ao longo da adição de H2SO4 e valor de alcalinidade;

Ensaio

Volume H 2 SO 4 gasto (mL)

pH

Alcalinidade (mg/l CaCO 3 )

 

0

7,93

 

1,5

7,13

2

2,5

6,64

 

50

3,5

6,22

 

4,5

4,76

5

4,35

Tabela 3. Valores de pH obtido ao longo da adição de H2SO4 e valor de alcalinidade;

Ensaio

Volume H 2 SO 4 gasto (mL)

pH

Alcalinidade (mg/l CaCO 3 )

 

0

7,9

 

1,5

7,46

3

3,5

6,42

60

5

5,22

6

4,21

Tabela 4. Valores de pH obtido ao longo da adição de H2SO4 e valor de alcalinidade;

Ensaio

Volume H 2 SO 4 gasto (mL)

pH

Alcalinidade (mg/l

 

CaCO 3 )

 

0

8,07

 

2

7,28

4

4

6,81

75

6

6,09

7,5

4,34

Curso de Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente Disciplina: Laboratórios de Engenharia do Ambiente (IV) Semestre:

Curso de Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente

Disciplina: Laboratórios de Engenharia do Ambiente (IV)

Semestre: 2º

Ano: 4º

Trabalho: Correcção da agressividade

Tabela 5. Valores de pH obtido ao longo da adição de H2SO4 e valor de alcalinidade;

Ensaio

Volume H 2 SO 4 gasto (mL)

pH

Alcalinidade (mg/l CaCO 3 )

 

0

7,03

 

0,5

6,78

branco

1

5,94

20

1,5

4,58

2

4,2

Tabela 6. Ensaios e respectiva dosagem de leite de cal;

Ensaio

Dosagem de leite de cal (ml)

1

10

2

15

3

20

4

30

branco

0