ASSÉDIO MORAL: MOTIVO DA RESCISÃO INDIRETA DO CONTRATO DE TRABALHO

Celso Teixeira Júnior1
O assédio moral, mesmo persistindo desde tempos remotos, é matéria que não encontra na legislação específica dispositivo capaz de coibir esta prática, ainda nos dias de hoje. O estudo de tal matéria se faz necessário ante a importância para o Direito.

1. INTRODUÇÃO

A configuração do assédio moral, embora existente desde tempos remotos, tem enfoque doutrinário recente para o direito brasileiro e ainda não possui legislação específica no ordenamento jurídico. Caracterizar uma situação como sendo de assédio moral implica estabelecer seu conceito, analisar o contexto em que ocorreu e estabelecer elo entre a conduta agressora e o dano psíquico-emocional. Recentemente o assédio moral vem sendo estudado pela doutrina, ante sua carência por leis específicas, porém a interpretação por analogia de alguns dispositivos do Direito Civil e a observância de princípios fundamentais aduzem pela consideração do assédio moral como sendo um dos motivos de rescisão indireta do contrato de trabalho, tendo a vítima direito à indenização pelo dano psíquicoemocional sofrido. A comunidade jurídica se movimenta para consolidar os estudos a fim de diagnosticar e coibir esta prática, bem como amparar àqueles que sofrem com a agressão. Difundir o estudo e os debates acerca de tão importante tema é de extrema importância não só para o Direto do Trabalho, como para todos os ramos do Direito.

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Estudante de Direito. Contato: c_teixeirajr@yahoo.com.br. Publicação autorizada pelo autor, 2009.

na acepção da palavra. Nota-se. 2006. p. para ele é difícil aceitar alguém que pensa ou age de forma diferente ou que tem espírito crítico. diferenças estas que devem ser superadas para que se possa alcançar o bem-estar social. Quando a recusa se origina de um grupo. as relações interpessoais criadas entre empregadores e empregados. Porém o conceito de assédio moral. como bem ensina Hirigoyen (2002. apud RUFINO. 2006.43): O assédio moral começa freqüentemente pela recusa de uma diferença. Provavelmente.27). nas condutas assediadoras. pois pode revelar a não aceitação das diferenças existentes entre os seres humanos. o que no Direito Trabalhista se dá o nome de assédio moral. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho (HIRYGOYEN. muitas vezes impossibilitam a harmonia no ambiente de trabalho. figura recente.2. e é tido como: Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se. se situa além da simples ocorrência de perseguição ou pretensões constantes. sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém” (HOUAISS.. da discriminação chegou-se ao assédio moral. uma semelhança desta com a figura da discriminação. à dignidade e à honra do empregado. perseguição. Assim o desrespeito à estas diferenças pode ensejar o assédio moral. sobretudo por comportamentos. No contrato de trabalho. uma “insistência impertinente. apud AGUIAR.. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. recorre-se ao léxico para daí extrair-se a definição de assédio que é. Assim algumas condutas dos empregadores podem gerar dano à personalidade. p. atos. ASSÉDIO MORAL NO AMBIENTE DE TRABALHO Para que se possa entender o que é o assédio moral. escritos que possam trazer dano à personalidade. . mais sutil e menos identificável. gestos. palavras. Ela se manifesta por um comportamento no limite da discriminação – propostas sexistas para desencorajar uma mulher a aceitar uma função tipicamente masculina. 2007). brincadeiras grosseiras a respeito de um homossexual. porém muito importante no Direito do Trabalho. a fim de não correr o risco de receber uma sanção. 2001.

. quando da observação de uma conduta. onde agressor incute na vítima o pensamento de que não é qualificada. É preciso vestir a camisa da firma e não se mostrar demasiado diferente.1. por parte da pessoa visada. histérica ou uma falha de personalidade – para caricaturá-la e levá-la a descrer de si mesma. lesão a honra e intimidade do empregado.49): o perverso tenta levar sua vítima a agir contra ele para denunciá-la a seguir como “má”. Uma conduta esporádica. ou mesmo de submissão. apud AGUIAR. que seus valores não se encaixam ao perfil da empresa. A CONDUTA DO AGRESSOR A conduta é componente essencial para constatação do assédio moral. O agressor serve-se de falha do outro – um tendência depressiva. expondo-a a situações vexatórias e humilhantes. p. ocasionada por um descontrole ao qual qualquer ser humano está sujeito. ser estigmatizado e ver-se jogado na próxima onda de demissões. pois é em decorrência dela que se constatará a existência de dano a direito da personalidade da vítima. apud AGUIAR. p. que não querem ver o que se passa em torno deles. mas também por parte dos colegas que deixam que tal aconteça. Quem está em torno teme. É o que dá no atual reinado do individualismo. que seus préstimos são dispensáveis. ou seja. Para o empregado é instalado um estado de submissão ideológica. Assim para Hirigoyen (2001. Induzir o outro ao erro permite criticá-lo e rebaixá-lo. para verificação da ocorrência do assédio moral. porém alguns elementos devem ser analisados. ou seja. Porém é necessário tomar muito cuidado. escondendo-se atrás de supostos conselhos para situar a vítima como sendo a causadora de da situação vexatória. acima de tudo. do “cada um por si”. não se pode levantar ondas. pode provocar lesão a direito alheio. 2006. que nada pode contribuir. (HIRIGOYEN 2001. como bem explicita Marie-France Hirigoyen: O medo gera condutas de obediência. caso se mostre solidário. O que importa é que a vítima pareça responsável pelo que acontece.41). Assim o empregador utiliza-se de um mecanismo engendrado de destruição moral da vítima. dá-lhe uma imagem negativa de si mesmo e reforça assim sua culpa. 2006. mas.2. patrimônio moral do indivíduo. Em uma empresa. para que se configure o assédio moral é necessário que se verifique conduta capaz de ferir direito subjetivo.

] a importância da aplicação do princípio da proporcionalidade. negligência ou imprudência. agrava doenças pré-existentes ou desencadeia novas doenças podendo. apud CAHALI. 2002. apud AGUIAR. qualquer descontrole comportamental do ofensor. 2006. A definição dada pelo Código Civil Brasileiro ao ato ilícito ilustra o reconhecimento de condutas capazes de gerar dano. este que. como se vê através do seu artigo 186. para que não seja considerado assédio. mesmo que minimamente.2. pp. 19 e 20). por espaço de tempo onde se instale o dano. como se entende Rufino (2006. A expressão dano moral deve ser reservada exclusivamente para designar o agravo que não produz qualquer efeito patrimonial.51). 2. por ação ou omissão voluntária. caracterizada pela reiteração da conduta. portanto. 1976. o dano deixa de ser extrapatrimonial”. 1998. comete ato ilícito”. Qualquer doença psíquica desencadeada por agressão.. causa.. se a conduta efetivamente visava humilhar e expor a vítima à situação vexatória. por ser vítima do assédio moral. Todavia. Para ocorrência da figura de assédio moral então. inclusive. busca-se a configuração de dano subjetivo. como já visto. situa-se além da simples possibilidade de ocorrência de ofensa a direito personalíssimo. dano este capaz atingir o indivíduo em sua intimidade. dano psíquico-emocional. (GOMES. culminar no suicídio” (BARRETO. “[. . que pode ser assim descrito: Assim o atentado ao direito à honra e boa fama de alguém pode determinar prejuízos na órbita patrimonial do ofendido ou causar apenas sofrimento moral. violar direito e causar dano a outrem. Se há conseqüências de ordem patrimonial. seu direito e invadindo o de outrem. p. somente as condutas efetivamente vexatórias e graves.. caracterizando o dano moral.] altera o comportamento. pois os humanos são passíveis de erros e descontroles.como por exemplo.45): [. se configurarão como assédio. p. mesmo que somente a direito subjetivo. extrapolando. dano este de natureza subjetiva. Indeniza-se o indivíduo.. ainda que exclusivamente moral. no ambiente de trabalho. que assim estabelece: “Aquele que. ainda que mediante repercussão. A CARACTERIZAÇÃO DO DANO A agressão causada pelo assediador à vítima fere o direito à personalidade.

deve existir o dano psíquico-emocional. Revela a perversidade do agressor por acometer a vítima a uma atitude engendrada. onde fica latente a presença do agressor como se seu único objetivo fosse a destituição da vítima na relação laboral.. que se manifesta de forma meticulosa e premeditada. Este é mais que mera lesão a direito personalíssimo. . como leciona Sonia Nascimento Mascaro (2006.. muito menos a possibilidade de indenização.Faz-se imperioso que exista ofensa. além de ser constatada a instalação do dano psíquico-emocional.24 a 25). não há que se falar em assédio moral. 2007). pois visa estabelecer vínculo entre os problemas psíquicos encontrados hodiernamente em virtude de uma relação de trabalho desvirtuada. a finalidade do agressor que toma esta conduta. A atitude do agressor foge da finalidade e do objeto do contrato de trabalho. 2. Ressalte-se ainda que tal comportamento de agressão. torna o assédio moral o resultado de um elaborado processo e não de um ato eventual e esporádico que não tenha uma finalidade determinada (PAROSKI. é necessário o reconhecimento de vários fatores. p. pois desrespeita nitidamente os direitos que tal relação deve guardar. que podem ser comprovadas através de laudo médico. 2006. a uma série de atitudes conscientes. representado por doenças psíquicas como depressão. como já visto.] nem todo dano à personalidade configura o assédio moral”. no entanto. correndo-se o risco de não ver configurada situação pretendida. deve haver por trás deste mascarada. Nota-se. p. Assim para ocorrência de assédio moral.3. ansiedade. sem que haja ofensa à direito personalíssimo. angústia. que não é qualquer ocorrência de dano. pois: “[...43). e a “[. Daí enseja-se a possibilidade de laudo médico para a comprovação da existência do dano. gravidade. NEXO ENTRE CONDUTA E DANO A discussão trazida à tona é de fundamental importância para todos os ramos do Direito. ou seja. capaz de embasar reparação por ocorrência de assédio moral. amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho” (RUFINO. à direito personalíssimo.] novidade reside na intensificação.

objetiva humilhá-la. Pode intentar. Ao que opina Adriana Vieira de Castro (2007) afirmando que: [. O assédio moral pode ser entendido quanto à sua finalidade. o que desobriga o empregador de arcar com suas obrigações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho.. onde a conduta é a agressão vexatória e humilhante. que adota uma conduta assediadora. 2. reconhecer esta ligação entre a conduta agressora e o dano sofrido constitui contribuição muito importante da Justiça do Trabalho ao Direito. como uma conduta que visa perseguir a vítima. às quais se submete a vítima por diversos fatores. não é um elemento objetivo. que demonstra ser vingança pessoal. vindo até mesmo se afastar da relação de trabalho. FINALIDADE DA CONDUTA O empregador. busca expor seu empregado a situações humilhantes e vexatórias. ou o assédio moral. criando-se uma situação que obrigue a extinção do contrato de trabalho por decisão do próprio empregado. pois estimulam os empregados a findarem o contrato de trabalho. esquivar-se das obrigações trabalhistas próprias da dispensa direta. feri-la no que se considera direito fundamental. porém o que faz comprovar que tal conduta gerou o dano advindo da relação de trabalho. .] o assédio moral tem por escopo a exclusão da vítima do mundo do trabalho. fazendo diminuir sua auto-estima. com esta atitude. a vítima se vê lesada em sua dignidade e honra caracteres caráter subjetivos do indivíduo. como o desemprego. É de extrema relevância estabelecer esta ligação lógica entre a conduta e o resultado lesivo. surgindo o assédio moral.Ou seja.. por exemplo. repetitiva e prolongada e o resultado é o dano psíquico-emocional. e para tanto se elege o mais perverso meio para execução desta atitude. atingir sua intimidade e expô-la a situações humilhantes.4. podendo demonstrar ainda a esquiva do empregador às obrigações resultantes do rompimento do contrato de trabalho de sua parte. e sim subjetivo.

. além de socialmente necessário. ou seja.] rescisão indireta ou dispensa indireta é a forma de cessação do contrato de trabalho por decisão do empregado em virtude da justa causa praticada pelo empregador (art. (Proc TRT/15ª Reg.58). pelo contrato de trabalho. 483. 2006. caracterizada pela culpa exclusiva do empregador.. O respeito mútuo. mas somente aquelas que se fizerem necessárias a perfeita prestação laboral. cria-se uma subordinação do empregado em relação ao empregador.483 da CLT)” (MARTINS. 187. Mariane Khayat F. do Código Civil Brasileiro: Também comete ato . O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: e) praticar o empregador ou seus prepostos.. Juíza Rel.35). cuja violação implicaria na infração dos ditames contratuais e das leis trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho. N. como se vê pelo julgado: A subordinação no contrato de trabalho diz respeito à atividade laborativa e. além da legitimação do direito obreiro de resistência. p. do Nascimento) (RUFINO. porém esta subordinação não representa submissão a todas e quaisquer ordens do empregador. além da personalidade moral de seu empregado e os direitos relativos à sua dignidade. como se verifica no Art. é algo que deve ser cumprido pelas partes contratantes. não implica submissão da personalidade e dignidade do empregado em fae do poder patronal”. A RESCISÃO INDIRETA DO CONTRATO DE TRABALHO POR OCORRÊNCIA DE ASSÉDIO MORAL A rescisão indireta do contrato de trabalho é o fato que finda a relação trabalhista.3. assim. Recorrente: Comercial Seller Ltda. contra ele ou pessoas de sua família. resolve o contrato de trabalho. 2006. Assim.] a obrigação contratual do empregador de respeitar os direitos trabalhistas. Os excessos cometidos pelo empregador podem ensejar a ocorrência de ato ilícito. 2001. que se consuma com a recusa ao cumprimento de ordens ilícitas (RUFINO.334). ensejando o direito do empregado à indenização correspondente. p. em seu Art. elenca um rol exemplificativo de situações capazes de ensejar a rescisão indireta das quais se pode destacar: “Art.. pois: [.. 01711-2001-111-15-00-0 RO (20534/2002-RO-2). 483. Recorrido: Luciano Leandro de Almeida. ato lesivo da honra e boa fama”. e viceversa. p. a “[.

é difícil conseguir nova colocação no mercado de trabalho (MARTINS. reconhecidos em outras normas aplicáveis. principalmente em épocas de crise. no entanto: . Assim. pela proteção dos direitos à personalidade do trabalhador. Martins (2001. somente na proteção da jornada de trabalho.27): Atualmente. pois também revela capacidade de ensejar a rescisão indireta do contrato de trabalho. porém. pois. 2001. outrossim. como assim ensina: A irregularidade cometida pelo empregador deve ser de tal monta que abale ou torne impossível a continuidade do contrato. nada mais é que a plena eficiência dos princípios contidos na Constituição Federal do Brasil.334) ensina que uma falta grave causada pelo empregador enseja a rescisão do contrato de trabalho de forma indireta. Se o empregado tolera repetidamente pequenas infrações cometidas pelo empregador. pois este é que decide por termo ao contrato de trabalho. da Consolidação das Leis do Trabalho. devendo o juiz preservar a relação de emprego. pela satisfação do empregado no ambiente do trabalho. não existe dispensa do empregado. em virtude da falta cometida por empregador contra si.ilícito o titular de um direito que. que tal falta é de gravidade extremada. de igualdade e de inviolabilidade da honra. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. vindo a ajuizar ação na Justiça do Trabalho para ter seu direito atendido.336). como ressalta Rufino (2006. O dano causado pelo assédio moral. para que se possa dar maior segurança aos trabalhadores na busca de seu bem-estar. p. direitos estes não previstos expressamente na legislação especializada (Consolidação das Leis do Trabalho). não existe nenhuma lei no âmbito federal capaz de determinar sanção para esta prática. portanto poderia ser inserido pelo legislador no rol das hipóteses do artigo 483. ao exercê-lo. Luta-se. contidos nos incisos III. A proteção do bem-estar do trabalhador. por uma maior liberdade de trabalho. e imprescindíveis à valorização do trabalho humano. p. do salário e demais direitos materiais trabalhistas. Salienta ainda citado autor. pela boa-fé ou pelos bons costumes. não se fala. V e X do artigo 5º. p. Porém. pois motivo o empregado a romper o contrato de trabalho. não se poderá falar em rescisão indireta. para a proteção de direitos dos empregados.

2006. não importando se o mesmo conhecia. (RUFINO. essas medias devem afastar. pelo menos. apesar de inexistir uma norma específica dispondo e identificando o assédio moral.] a prática do assédio moral gera conseqüências jurídicas para o ofensor e. suas conseqüências e sanções.]. Porém..[.91) E para efetivo cumprimento desta obrigação de dever ser. ou. o qual.. p.. refletem a não aceitação da subordinação imposta pelo empregador e podem ser interpretadas como sinal de resistência aos desmandos no local de trabalho. como vemos: [. impondo ao empregador o cumprimento fiel à proteção jurídica de direitos dos trabalhadores. com ditames trabalhistas. (IDEM) Estas condutas vexatórias combatidas em juízo demonstram amadurecimento do empregado de seu papel na relação de trabalho.. previstas na CLT [. muito inexista no âmbito trabalhista nacional uma lei específica sobre o fenômeno. p. para evitar-ser esta conduta. com pedidos de indenização por danos morais. o empregador deverá delimitar sua conduta em outras regras de proteção jurídica. mitigar a responsabilidade do empregador pelo evento danoso.. deverão ser aplicadas outras normas por analogia.103: “) . 2006.] uma vez praticados mecanismos por parte do próprio proprietário da empresa. também. se violado.. é que se deve fazer uso da analogia para que se possa estabelecer sanção. p.82) Porém deve-se reconhecer o esforço de empresas que criam canais de comunicação com seus empregados. ensejará a respectiva sanção. como a implicância da rescisão indireta. inclusive como reação à impunidade dos que praticam o assédio moral. o que entende o autor: De tal modo. a ausência destas medidas poderá responsabilizar o empregador. a prática do assédio dentro da empresa. (AGUIAR. ou não. limitando sua conduta. onde o empregado deixa de se enquadrar como objeto e passa a ser parte da relação de trabalho. pois. tomam nitidamente postura a coibir a prática de assédio moral. (RUFINO. 2006. com amplas possibilidades de prevenção e repressão do assédio. e para tanto pode ver afastada a responsabilidade. que impõem o “dever-se” nesta relação. como elucida: As causas trabalhistas. para a vítima.

visa salvaguardar valores e princípios constitucionais.]. para o nível de protetor de direitos fundamentais. b) ocorrência de um dano patrimonial ou moral sendo que pela Súmula 37 do Superior Tribunal de Justiça serão cumuláveis as indenizações por dano material e moral decorrentes do mesmo fato [. causar dano a outrem.]. (DINIZ. fica obrigado a repará-lo. Constitucional e Trabalhista.198). por ação ou omissão voluntária. Aquele que. 196 e 197) . o “[. traz como efeito o dever de indenizar”. 927. deve-se respeitar o contrato de trabalho.4. ou seja. Assim. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Para que se configure o ato ilícito será imprescindível que haja: a) fato lesivo voluntário. 2004. risco para os direitos de outrem..]. Ou seja. p. como a psiquiatria. por sua natureza. Assim a relação trabalhista visa também garantir valores e princípios que emanam do senso comum.. e qualquer lesão a um desses princípios constitucionais. negligência ou imprudência [. o ato ilícito causador de dano a outrem. como vemos in verbis: Art. nos casos especificados em lei. como também para área da saúde. mas sim porque esta relação irradia seus efeitos para todas as áreas.. por onde se exterioriza a vontade das partes. AS INDENIZAÇÕES POR ASSÉDIO MORAL O contrato de trabalho então revela mais que uma necessidade da sociedade de regulamentar uma relação trabalho. (DINIZ. transcende a forma de meio de materialização de uma relação jurídica. não somente tendo conseqüências na área do Direito Penal. 186 e 187).. independentemente de culpa. 2004.. poder ou coisa além do permitido ou extrapolando as limitações jurídicas. gera o dever de indenizar. com garantias e obrigações estritamente ligadas ao ramo do Direito Trabalhista. e c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente [. Haverá obrigação de reparar o dano.. como determina o Código Civil Brasileiro em seu artigo 927. deve indenizar aquele que cause dano a alguém. independentemente de culpa. causado pelo agente.. não somente por ele estabelecer uma relação jurídica. pode ensejar o pedido de indenização. psicologia e medicina do trabalho que buscam garantir o bemestar do indivíduo.] uso de um direito.. pp. Parágrafo único. por ato ilícito (arts. lesando alguém.

da auto-estima” (MENEZES.196).. apud AGUIAR. 2006. p. provocada por ato lesivo. Causa dano patrimonial ou moral a outrem.83). psicólogos.83) O aspecto da indenização se faz importante analisar.651) Para se analisar e fixar indenização. criando o dever de repará-lo (CC. violando direito subjetivo individual. apresentando-se para o lesado como uma compensação pelo prejuízo sofrido. art. Conclui-se que a indenização “é a possibilidade de gerar a reparação dos danos patrimoniais e morais pelos gravames de ordem econômica (perda do emprego. 2002. tem-se legalmente gerada a obrigação de reparação do dano pelo cometimento de ato ilícito e “O ato ilícito é praticado em desacordo com a ordem jurídica. apud AGUIAR. do auto-respeito e da saúde psíquica e física. Enfim. p. pois se contempla que “[. 2004.] o dano moral é a lesão de interesses não patrimoniais de pessoa física ou jurídica. pp. pois com o reconhecimento de existência de assédio moral. da boa fama.Assim. p. repercutirá. 2006.. como se vê: A indenização deve ser proporcional ao dano causado pelo lesante. a gravidade e repercussão da ofensa. 2003 apud RUFINO. . 1997.) e na esfera da honra. 2004. a situação econômica do ofensor e a extensão do prejuízo causado”. 2006. como “[. deve-se observar vários fatores. como se trata de lesão à direito subjetivo. o dano moral causado deve ser reparado.. Mas.. em seu interesse” (DINIZ. caracterizado o dano e configurado o assédio moral. 927)” (DINIZ. despesas com médicos. (BARROS. torna-se difícil sua valoração para fins de indenização.. até onde suportarem as forças do patrimônio do devedor. respaldo na jurisprudência brasileira. O direito à indenização pela ocorrência de dano moral é facilmente entendido. Porém. e este conceito deve ser estendido aos casos onde haja prática de assédio moral.] a intensidade do sofrimento do ofendido. faz-se necessário buscar um instrumento capaz de minorar as ofensas sofridas. p. procurando cobri-lo em todos os seus aspectos. deve-se procurar parâmetros para sua aplicação. embora não seja fácil determiná-la. tendo encontrado este. para aplicação de sanção para coibir tal conduta..95 e 96). necessariamente. a intensidade do dolo ou da culpa. pois a indenização visa reparar o dano causado. (DINIZ. Qualquer lesão que alguém sofra no objeto de seu direito.

Ou seja. o Direito do Trabalho contribui aos demais ramos do Direito à medida que oferece uma medida eficaz para coerção de condutas lesivas a direitos personalíssimos. o reconhecimento da rescisão indireta do contrato de trabalho tendo como motivo o assédio moral. tem por finalidade a obediência ao princípio da dignidade da pessoa humana. trazendo a possibilidade de punição à prática advinda de tempos remotos. muito importantes para o contrato de trabalho. dignificando este tão importante princípio que. E vai além. Destaca-se que o reconhecimento da ocorrência de tal conduta lesiva e a busca pela coação de tais práticas se mostra uma conquista para os trabalhadores. garantindo efetividade aos princípios e garantias fundamentais previstos Constituição Federal do Brasil. porém constatada à pouco pelo doutrina e combatida nos dias de hoje pelas recentes decisões dos Tribunais. a Justiça do Trabalho dá um passo importante no progresso da ciência jurídica.5. Mesmo carente de dispositivo específico. esta inova. se tornam. ressalta o que preceitua a Carta Magna. . carece de efetividade. com a análise dos dias de hoje. CONCLUSÃO Ante a falta de legislação específica para o reconhecimento do assédio moral na relação de emprego. muito embora deva ser norteador das relações jurídicas. que mesmo não se comparando às que resultaram na própria Consolidação das Leis do Trabalho. ao reconhecer esta lesão. trazendo benefícios aos trabalhadores. A Justiça do Trabalho.

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