TEOLOGIA

(DOUTRINA DE DEUS)

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ÍNDICE
1. LIÇÃO: o que é teologia? Por que estudar teologia? Para quê serve a teologia? A origem da idéia de DEUS. 2. LIÇÃO: TEORIAS QUE COGITAM SOBER DEUS Ateísmo, Politeísmo Monoteísmo, Henoteísmo, Deísmo Teísmo, Panteísmo, panenteísmo Triteísmo, Sabelianismo, Trinitarismo 3. LIÇÃO: A auto-existência de DEUS

A negação da existência de Deus em suas Várias Formas. Prova Bíblica da Existência de Deus. As Assim Chamadas Provas Racionais da Existência de Deus A incompreensibilidade de DEUS
4. LIÇÃO: Os atributos de DEUS Atributos incomunicáveis de DEUS Atributos comunicáveis de DEUS 5. LIÇÃO: Os atributos intelectuais de DEUS Os atributos morais de DEUS Atributos da soberania de DEUS 6. LIÇÃO: Principais nomes de DEUS Breve estudo A Trindade Bibliografia

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Introdução:

Como ser um Grande Teólogo

Conselho aos Estudantes de Teologia
Caso você seja um estudante de teologia atente para alguns dos perigos que cercam aqueles que se lançam ao estudo sistemático da Palavra de Deus. Considere estes conselhos com grande estima para que a sua saúde espiritual não venha a ser afetada durante o seu ministério. Estes perigos podem tornar-te enfermo, alguém que poderá contaminar todo o rebanho. Se o estudo da teologia não for parte da prática da nossa santificação, então, devemos temer, e perguntar-nos por que ao lidar com a Palavra de Deus, meio de graça, não estamos sendo talhados pelo Espírito Santo? O ilustre teólogo Benjamin B. Warfield nos adverte: Que se você não achar a Cristo no auditório é porque não O trouxe consigo, ali; se depois de um dia comum de trabalho você está muito cansado para reunir-se com seus companheiros, no fim do dia, em oração, é porque o impulso para orar está fraco em seu coração. Se não há fogo no púlpito, cabe a você acendê-lo nos bancos. Nenhum homem pode fracassar em encontrar-se com Deus no santuário, se ele traz Deus consigo para ali. O primeiro perigo envolve o abandono dos livros, que muitos estudantes fazem após terminarem o seu período letivo no seminário. Certamente, você vai perceber, que em cada matéria do curso teológico, concluída vai ser possível analisar exaustivamente todos os seus pormenores. Cada semestre que finda fica a certeza de que tenho o que aprender ainda. De fato, em cada semestre somos introduzidos àqueles assuntos, e no dever de prosseguir em aprendê-los melhor. Quero chamar a sua atenção a algo que Lewis S. Shafer disse em seus anos de aprendizado nas salas de aula, o estudante de teologia deve assimilar todo o campo de doutrina, para que possa ser preparado, a fim de continuar a sua pesquisa em cada porção da Bíblia por todo o seu ministério, para que se torne apto a proceder inteligentemente em cada fase da revelação divina. O amor pela erudição é algo muito sedutor para alguns dos estudantes de teologia. Aqui temos o oposto do que falamos anteriormente. É possível usarmos a erudição como uma fuga para nossa inaptidão pastoral. Todo pastor deve esmerar-se em ser um erudito! Mas nem todo erudito foi chamado para pastorear! Por melhor que seja a sua formação, não seja voluntário para este serviço, se você não foi chamado! Novamente, mencionando a Benjamin B.

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“Nada 4 . com etimologias e flexões.Warfield falando aos seus alunos de teologia do Seminário Teológico de Princeton: O ministro precisa ser um estudioso. Isso é algo possível quando nos esquecemos que o objeto de nosso estudo. diz John Newton. Ainda noutro lugar ele observa que: Eu pediria a vocês que retornassem a ter esse padrão de seriedade. Mas antes e acima de ser erudito. Em terceiro lugar. e os convidaria a cultivá-la. mais iguais a tantos outros fatos que ocorrem no tempo e espaço em nossa percepção. A erudição não é um mal em si. na grandeza da questão que está atrelada à dignidade ou indignidade de vocês em exercer a elevada função de ministro. a Escritura. porém sem maior significado que vá além de suas próprias conclusões lógicas e formais. sem dúvida apropriadamente formuladas. O orgulho do saber pode sutilmente contaminar-nos (1 Co 8:1-3). sempre disponível. Os passos imponentes de Deus no processo redentivo podem tornar-se para você uma mera série de fatos históricos. e ministros que não precisam ser envergonhados no futuro. Os livros são nossos mestres mudos. Para o desenvolvimento de um ministério pastoral vigoroso é indispensável o apego aos livros. com premissas e conclusões. “Ninguém mais que Aquele que fez o mundo”. um ministro tem que ser dedicado a Deus. um ministro que seja digno. sob pena de ser absolutamente incompetente para este trabalho. Warfield novamente nos adverte para este fato. Pensem na excelência da vocação do ministro. devemos cuidar para que não façamos da “erudição” um ídolo no altar de nossas mentes. “Deus não tinha mais que um Filho”. Os raciocínios que estabelecem os mistérios das atividades salvadoras dEle podem vir a ser meros paradigmas lógicos para você. de curiosa interação na produção de condições sociais e religiosas peculiares. “e fez dEle um ministro”. que estão em nosso escritório pastoral. Deus confiou-nos tão sublime tarefa (1 Ts 2:4). Ela é um instrumento necessário para a nossa legítima santificação. crer é também pensar. verificando que: As palavras que falam da terrível majestade de Deus ou de sua bondade gloriosa podem vir a ser meras palavras para você – palavras hebraicas e gregas. Desconfiemos de qualquer sentimento de superioridade que em nós possa surgir. a já ser homens de Deus agora. Afinal. diz Thomas Goodwin. e o nosso trabalho pastoral é sagrado. Eles apontam talvez para questões que se tornam alvo de nossa sagaz conjetura. “pode fazer um ministro” – isto é. para tirar as nossas dúvidas! O quarto perigo envolve a perca do senso da grandiosidade da nossa vocação. e decidam de uma vez por todas que com a ajuda de Deus vocês serão dignos. e triunfantemente convincentes.

como a medicina é a do médico. que nos mostrarão o caminho da salvação. guarda-o no melhor lugar. para o estudante aposentado. e ele descerá sobre nós como a chuva serôdia que rega a terra. e na contemplação do que homens especulativos e reflexivos podem passar em suas horas de lazer e de solidão. A melhor ilustração desta verdade foi o grande teólogo holandês Abraham Kuyper que obteve uma formação liberal. dEle se desviarão. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR. além de considerar o seu bem-estar pessoal. e em breve.façais por partidarismo ou vanglória. mas que em seu primeiro pastorado. Influenciado pela piedade dos seus paroquianos. para o mais feliz propósito (Sl 119:11). em Beesd “passou por uma conversão evangélica. Sua alegação de atenção universal é manifesta por sua narrativa sucinta que agora foi dada de sua natureza. e a lei de um advogado. sabe quão precioso instrumento ele foi nas mão do Senhor! Mesmo em seu liberalismo teológico. os desejos de fama. pois. O discípulo de Cristo é sempre um insaciável aprendiz. Suas instruções são dirigidas a pessoas de qualquer descrição. (Os 6:3. Busque o mais precioso tesouro. e de seu Filho. Não pense que você não tem o que aprender com as ovelhas que o Supremo Pastor confiou a você! Inclusive algumas delas poderão te ensinar a ser pastor. pela graça. inspirando-se na tradição calvinista holandesa.” Aqueles que conhecem a história deste homem. por que ela deveria ser não somente uma parcela dos seus pensamentos. A teologia é a profissão de vocês. Deveria ser a ambição de vocês a de sobressaírem-se. a sua vinda é certa. para a proclamação da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. ele soube ouvir as necessidades espirituais das suas ovelhas e aprendeu com elas. mas tendo em vista desincumbir-se fiel e honradamente dos deveres do ofício com o qual um dia vocês esperam ser incumbidos. ou de perspectiva de lucro. como a alva. há uma razão particular. para os eruditos. Ela é interessante para todos. Felizes são aqueles que aprenderam a aprender. Lembre-se fomos chamados à graça. não. começou de novo o seu estudo de teologia. e para os não-eruditos. Estes homens são servos do Deus Altíssimo. mas por humildade. ARA). mas o objeto principal de suas pesquisas. para proporcionar o conhecimento de Deus. e para aquele que está comprometido com as cenas apressadas da vida. Deus resiste ao soberbo (Tg 4:6). Cuidemos. que é a fonte da vida eterna. considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3 ARA). entretanto. Pensamentos contaminados pelo pecado são reprovados pelo santo Deus. pelos mesmos motivos que estimulam o esforço dos homens de outras profissões. 5 . Mas no caso de vocês. que é reservado para os curiosos investigarem. Servos não podem se dar ao luxo de serem pedantes! O teólogo escocês John Dick em suas palestras de teologia disse: A teologia não é um daqueles assuntos escondidos.

conclusões que violam ao mesmo tempo a nossa natureza moral. Todo o estudos de teologia tem que ter sua base em DEUS que revelado na bíblia Na tarefa teológica. por meiode quem. é: "o assunto acerca de Deus". no sentido etimológico. procura-se expressar de forma nítida e detalhada a natureza de Deus. 6 . logo o esforço para definir a Deus é de início impossível. como sejam: especulativo.Esses têm conduzido os homens a conclusões contrárias às Escrituras. dogmático e místico. e para quem são todas as coisas. se partirmos da admissão de que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem. sobre a qual iremos estudar. Como Deus é além da criação. os seus planos para com a humanidade. assunto o mais elevado de que é capaz de se ocupar a mente humana. não é possível conter a Deus dentro de uma caixinha bem definida. Há boas razões para começarcom a Doutrina de Deus. Deus é maior que a compreensão humana.A teologia. As obras de dogmática ou de Teologia Sistemática geralmentecomeçam com a Doutrina de Deus. Vários métodos de teologia têm sido propostos. e a resposta devida do homem em relação a Deus. deístico. racionalista.

Porque contempla e discuta essa realidade. Referia-se à genuína compreensão das Escrituras. especialmente pela defesa da divindade de Cristo. a informação por ele revelada a nós. o emprego estava restrito ao conhecimento a respeito da pessoa de Deus. Gregório de Nazianzo (c. e “logos” que denota” estudo”. os poetas foram os primeiros a se intitular teólogos “por comporem versos em honra aos deuses”.1.) usou esse vocábulo com o sentido de história de mitos e lendas dos deuses contados pelos poetas. na condição de verdade cristã a respeito de Deus. a teologia se preocupa com a realidade última. Visto que é o estudo da realidade última. de uma maneira sistemática. a palavra pode incluir todas as outras doutrinas reveladas na Escritura. A palavra TEOLOGIA refere-se ao estudo de Deus. conseqüentemente. 215) contrapôs theologia a mythologia. nada é mais importante. uma vez que teologia referia-se às discussões filosóficas a respeito de seres divinos (teogonias) e do mundo (cosmogonias). No final do século II. ela. Platão (427-347 a. Da origem grega. Quando usada num sentido mais amplo. obra de Abelardo (1079-1142). Na Grécia antiga. Clemente de Alexandria (c. 150-c. Contudo. João Calvino (1509-1564) foi denominado “o Teólogo” por Filipe Melanchthon (1497-1560). passou a designar um corpo de doutrina. Apesar da palavra teologia não aparecer nas Escrituras sagradas. A partir de Theologia christiana. 330-389) também recebeu esse título.Os pais da Igreja cognominaram o evangelista João de “o teólogo”. a reflexão teológica é a atividade humana última. o termo” teologia “vem do vocábulo grego “theos”. Aquela. Deus é o supremo ser que criou e até agora sustenta tudo o que existe. e a teologia procura entender e articular. que significa “deus”. a idéia sobre ela está sempre presente em toda a Bíblia. A palavra “teologia” parece ter sido incorporada à linguagem cristã nos séculos IV e V. era superior às histórias da mitologia pagã. O que é teologia? “Definição: “Etimologicamente falando. 7 . a palavra teologia quer dizer simplesmente “estudos sobre Deus”. Portanto. assim como Deus é o ser ou realidade última. por tratar mais detalhadamente do “relacionamento internodas pessoas da Trindade”. Assim.C. Ora. define e governa cada área da vida e do pensamento.

Por que estudar teologia? O estudo de teologia é necessário conhecer o DEUS que amamos e servi-lo melhor. Teologia não é um produto da imaginação humana. então a tese do caráter prático da teologia serve somente a DEUS não ao nosso intelecto. por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. Perguntamos. mas designa a notícia de DEUS divino e revelado por ele. Não é disto que falamos aqui. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja. ou. E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica.A teologia é um estudo sempre em andamento. Na devemos desejar algo à não ser para nos tornarmos mais santos e para crescermos na sabedoria que leva a DEUS. e que aplica tais verdades a todo aspecto da vida e do pensamento humano. do que por meio de descrições abstratas e proposicionais. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam. ♦ O texto bíblico apresenta Deus muito mais através do que faz. É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e. que alguém pode ser cristão sem 8 . “é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra”. E até a “boa teologia”. se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. Teologia é o estudo de Deus. quando se torna um fim em si mesma. O saber de DEUS por parte das criaturas não poderia ser um saber prático. pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. toda teologia se deve ao saber de DEUS a respeito de si mesmo. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana. sim. DEUS é o objetivo da teologia. teologia é perda de tempo. DEUS é o ponto de referência de todos os temas da teologia. 2. ♦ Não se deve separar teologia do conceito de revelação. É a disciplina que apresenta uma formulação unificada da verdade de DEUS e seu relacionamento com a humanidade e o universo conforme a revelação divina os expõe. conscientemente. de vida”. Teologia não é em primeiro lugar produto da atividade humana. e sim somente um saber teórico. definindo mais formalmente. O conceito de teologia se expressa de modo mais claro e é plausível em medida máxima se DEUS é tomado como o verdadeiro e abrangente objetivo da teologia. De outro modo. por conseguinte. pois o homem é finito e não chega a um ponto de compreender plenamente o infinito. pois é somente pela autorevelação de Deus que se pode conhecer a Deus Teologia é a ciência de DEUS e do seu relacionamento com o homem e o mundo físico e espiritual.

O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações. de que Ele pode ser conhecido. contudo. Muitos advertem contra estudar teologia para o próprio bem dessa. portanto. Jeremias 9:23-24 diz: Assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza. qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base. não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras. meio e princípio regulador não é “teologia”. nas Santas Escrituras (Revelação Especial . de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência . mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. a teologia. mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. que eles recusam acrer que alguma atividade intelectual possua valor intrínseco.Revelação Geral . A teologia serve para expressar a unidade de saber o amor de DEUS como 9 . Por isso. At 14:17). como.O principal objetivo da teologia é estudar a cerca de DEUS. Nosso conhecimento de Deus não é intuitivo. o segundo. nem mesmo “descobrir” a Deus. visto que estudar teologia é conhecer a Deus. com justiça e com retidão sobre a terra. se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. declaram Senhor. Para conhecer melhor o DEUS da bíblia.2. devidamente entendida. embora não de modo exaustivo e completo. 1 Pd 1:20.21). É porque Deus Se revelou que podemos conhecê-Lo. e esse é o maior propósito do homem. Devemos estudar teologia para conhecer melhor as verdades de DEUS reveladas na bíblia sagrada para nos orientar. principalmente.Sl19: 1. mas quem se gloriar.2. portanto. pois é dessas coisas que me agrado”. é. possui um valor intrínseco. até mesmo conhecer a Deus deve servir para um propósito maior. “Fazer teologia”. O espírito anti-intelectual dessa geração tem se infiltrado de tal maneira na igreja.Hb1:1. etc. Os cristãos devem afirmar que. nem natural. Ter informação sobre DEUS não é o mesmo que ter uma experiência com o próprio DEUS. Para eles. Não se faz teologia sem vida. e o terceiro. Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz quem somos nós em relação a Ele. glorie-se nisto: emcompreender-me e conhecer-me.. DEUS é o objetivo da teologia e todos os estudos da bíblia devem ao saber de DEUS. pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe. provavelmente pragmático ou ético.conhecer a Deus. Embora o conhecimento de Deus deva afetar a conduta de alguém. o que Ele requer de nós. um engano pensar que o empreendimento intelectual da teologia sirva a um propósito que seja maior do que ela mesma.

o amor que nasce da fé deseja saber as razões porque ama. a teologia serve para iluminar. a pessoa ama a verdade que crê a revolve no seu espírito e a abraça procurando encontrar razões para seu amor. desde a visão de alguém da história e da filosofia. E.Em primeiro lugar. Visto que este é o seu universo.Devemos estudar teologia porque amamos aquele em que cremos. ele tem o direito e a capacidade de dirigir todos os aspectos das nossas vidas. É possível o crente ser rico em graça e pobre em conhecimento. A teologia é necessária não somente para as atividades cristãs. a ignorância com respeito à revelação divina afeta tudo da vida e do pensamento. alguns crentes distinguem entre conhecer a Deus e conhecer sobre Deus. Cada outra categoria de conhecimento é um meio para um fim. O amor é um elemento da fé. Temos que estudar teologia com uma só finalidade: conhecer melhor a DEUS e o seu propósito para com esse mundo. Ela lucifica a mente do crente lhe fazendo compreender a sua missão desenvolvendo o seu papel no corpo de Cristo. A questão aqui não é a sua função. PARA QUÊ SERVE A TEOLOGIA? Já vimos porque devemos estudar teologia. quem ama medita. Contudo. Um conhecimento teológico de uma pessoa é desproporcional a quão bem 10 . alguém pode saber muito sobre Deus sem conhecê-Lo. mas a sua missão. e isto significa estudar teologia. E.3). pensa. 1. mas também para tudo da vida e do pensamento. qual a sua finalidade. Por amor a DEUS. até a interpretação da música e literatura. Visto que Deus é tanto máximo quanto onipotente. A teologia procura entender e sistematizar sua revelação verbal.18 AT 22. A teologia é central para tudo da vida e do pensamento. a teologia é necessária. Mas o ideal é (2 PE 3. Uma das maiores razões para se estudar teologia é o valor intrínseco do conhecimento sobre Deus. Assim como a teologia nasce do coração da própria fé sedenta de conhecimento de mesma. Para iluminar. O amante deseja 3. visto que é preciso ouvir de Deus. Tomás de Aquino disse: no fervor de sua fé. então. Sucumbindo ao espírito anti-intelectual desta geração. mas o conhecimento de Deus é um fim digno em si mesmo. Se “conhecer sobre Deus” se refere ao estudo formal da teologia. a fonte derradeira de informação e interpretação de tudo da vida e do pensamento é a revelação divina. agora veremos para que serve a teologia.fundamento para a vida cristã. e alguém pode conhecer a Deus sem conhecer muito sobre Ele. para eles. visto que Deus Se revelou através da Escritura. e o entendimento de matemática e da física. e é autorizada até onde ela reflete o ensino da Escritura. conhecer a Escritura é conhecê-Lo. porque ela trata com a revelação verbal do supremo ser — a realidade essencial que dá existência e significado a tudo. A necessidade de teologia é uma questão da necessidade de comunicação de Deus.

A Escritura governa cada aspecto da oração e adoração. assumindo. Para o labor da vida cristã. ela deve determinar.6) OS três primeiro passos para a finalidade da teologia são: conhecer. para nos tornar mais santos e crescermos na sabedoria que leva a DEUS. o que a pessoa ganha ainda é um conhecimento sobre Deus. ou uma informação intelectual redutível à proposições. mas até isso é definido e interpretado pela teologia. mas não sabe como é isso. mas são capazes de orar e adorar. amar e agir (praticar). o estudo da teologia é a atividade humana mais importante. ou conhecimento sobre Deus. De outro modo teologia seria perda de tempo. Ele quer saber o que é que DEUS quer que ele faça para servir melhor (at. O conhecimento da Escritura — conhecer sobre Deus ou estudar teologia — deve estar cima de tudo da vida e pensamento humano. do amor. da vida cristã. A maioria das pessoas que resiste aos estudos teológicos não pensos muito sobre estas questões. portanto. Subseqüentemente. ela deve primeiro determinar a quem ela deva oferecer oração e adoração. vem de Sua revelação verbal. (hb 11. freqüentemente sem garantia. Ela está cima de todas as outras necessidades (Lucas 10:42). Uma repudiação de teologia é também uma recusa de conhecer a Deus através do modo prescrito por Ele. O conhecimento de Deus. Portanto. Alguém pode responder que conhecemos a Deus através de experiências religiosas. tanto o objeto como a prática da oração e da adoração permanecem indefinidos até que esta pessoa estude teologia. A teologia existe para o exercício da fé. Mas. Estudar teologia somente por curiosidade e é reunir conhecimento incorreto. e não de meios ou exercícios religiosos não-verbais. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Elas se baseiam em duas falsas antíteses: 11 . à partir da revelação bíblica. O que é uma experiência religiosa? Como a alguém a recebe? O que um sentimento ou sensação particular significa? Respostas para estas questões podem somente vir pelo estudo da revelação verbal de Deus. Antes de alguém poder orar e adorar. A teologia define e dá significado a tudo que alguém possa pensar ou fazer. 9. o objeto e a maneira destas práticas espirituais. O estudante de teologia que não tem essa atitude está perdendo tempo na velha egoidade humana.6). 2. o modo no qual ela deve oferecer oração e adoração.o crente crê em DEUS. Mesmo se fosse possível conhecer a Deus através da experiência religiosa.ela conhece a Deus. Alguém pode reivindicar conhecer a Deus através da oração e da adoração. nenhuma outra tarefa ou disciplina se aproxima dela em significância.

cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14). nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo. Podemos hoje entender que “os céus manifestam a glória de Deus” (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. portanto. Sua ascensão e assentamento à direita do Pai. Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. nesse sentido. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias. não está apenas apresentando um fato. são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos. O Cristianismo. Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25). Warfield. Como viemos. Sua ressurreição. mas pela própria pessoa de Cristo. Sua morte substitutiva. a saber. como 12 . mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. A doutrina não salva. mesmo que extraídas corretamente da Bíblia. A obra de Cristo. Ele diz: “A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem. é que assegura essa graça. Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. Sem essa explicação. Isto é o que se vê em toda a Escritura.1. especialmente nas epístolas. mas fato sem doutrina é mera história. Sua vida de perfeita obediência à Lei. É possível alguém ser “bom teólogo”. na expressão de B. Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teria esses acontecimentos se não tivesse sido interpretado? É a doutrina que lhes dá sentido. consiste em “fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos”. Sua segunda vinda. devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente. que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição. garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. A doutrina realmente não salva. nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados”. mas se isso não for um fato histórico também. e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. Quando João diz: “E o Verbo se fez carne. e habitou entre nós. está explicando-o também.B. a que damos o nome de “doutrina”. mas pelo próprio ato expiatório. há dois mil anos atrás. Seu nascimento sobrenatural. de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões. Doutrina sem fato é mito. gerando a idolatria (devido ao pecado). sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador.

à razão.lemos em Rm 1:18-32. que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto. falta à alma da verdadeira religião. mas esta àquela. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância. e não somente que Ele aja. Até chamam a isso de “teologia contemporanizada” ou “contextualizada”. pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta nos moldes escriturísticos. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale. depois nos dias de Lutero e Calvino. argumentam. Não é o acontece quando as pessoas dizem que “a natureza é sábia”. fria. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida. mas também no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã. é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo. então não haverá verdade absoluta. fluente. Tito 1:9. a doutrina é o que menos interessa. não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo”. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2. Há até quem interprete assim a célebre divisa: “Igreja reformada sempre se reformando”. nem princípio fixo. portanto. desde que mutável. depois nos dias de Warfield e 13 . mas o espírito vivifica”. as emoções. não a sua norma. nem revelação objetiva. depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira. e que sejam facilmente levados “por todo vento de doutrina”. adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às “necessidades” da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo. Segundo esse ponto de vista. “Religião é vida e a vida é dinâmica. ou quando a chamam de “mãe natureza”? Sem a revelação do Criador. ou. não em doutrina Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo. e. Concordamos também que Cristianismo é vida. 2Tm 2:2. com base na palavra de Deus. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho. não é a doutrina que deve dirigir a vida. que o Cristianismo é vida e não doutrina. Ef 4:11). o sentimento religioso do homem. primeiramente vida. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Não admira que haja tanta “fluidez” e instabilidade entre os que assim pensam. a criatura toma o seu lugar. 2. dizem. Concluímos. portanto. das emoções. “A letra mata. a doutrina é estática. Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer. da “piedade”. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina. Para estes.

não estamos afirmando que apenas a doutrina. para que seja aplicável em todas as épocas. sem esta. até os nossos dias. Por isso. A doutrina é isto sim. sucessivamente. É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor. da razão. a tua palavra é a verdade” (Jo 15 :17) e em João 7:17. ninguém verá o Senhor ( 1 Ts 4:3. independente da obra santificadora do Espírito. o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade dele. O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina. no século XVI. Hb 12:14). É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Reformar é voltar às origens. pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. O princípio de que “a Igreja reformada deve estar sempre se reformando” visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade. não alterá-la. 12-16: prática). 14 . Rm 1-11: doutrina. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que. Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo. assim. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. Ef 5:26). É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Sem dúvida. o ensino da doutrina é indispensável na Igreja. que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida. em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: “Santifica-os na verdade. que é quem nos santifica (Lv 20:7-8.dos Hodge e. produz vida. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração. Foi à falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. conhecerá a respeito da doutrina. Nas epístolas paulinas.É a doutrina que dá característica à vida. para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. tanto através do púlpito como pelos estudos semanais. ao que foi intencionado no princípio por Deus. mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17). tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja. Foi à doutrina bíblica.

Sem fé é impossível agradar a Deus. que não têm a lei. alguém que é Senhor e Soberano. Todos os homens têm um senso de obrigação daquilo que é certo e errado. nós admitimos que o conhecimento humano do bem e do mal e seu senso de dever são certamente provenientes de Deus. os teólogos se divergem. Alguém que discorresse sobre o conhecimento de Deus não poderia abordar esse propósito mediante uma dúvida acerca do que Deus é ou não é. tal que não podemos adorar e confiar nEle sem fé. e dão três respostas diferentes: 1. tal que as coisas que são vistas não foram feitas daquilo que é visível” (vv. e que podem abordar a incompreensibilidade de Deus. que a Igreja precisa da Teologia. Sem fé é impossível encontrá-lo. porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã. Queremos aprender para melhor adorá-lo. Baseado na bíblia devo dizer que todos os homens têm algum grau de conhecimento de DEUS. racionais e morais. somado a um sentimento inegável de responsabilidade de fazer o que é certo e um senso de auto-reprovação quando se faz o que é mau. 1. além disso. A prova moral para a existência de Deus é encontrada em sua forma mais simples no imperativo categórico de Kant. Novamente. portanto. (2) Nosso alvo é conhecer o Deus vivo. Os pagãos. (Tu deves). ou com uma franca negação da sua existência. Origem da idéia de DEUS Antes de começar. tal que a sua própria consciência constantemente dá testemunho. qual é a origem da idéia de DEUS? Em face dessa pergunta. Há nele como se fosse uma voz que não é silenciada. Então qual é a fonte dessa certeza? Em outras palavras. Esse autor da ordem na consciência moral do homem é Deus. Esse conhecimento nasce conosco. há duas coisas para guardar em mente: 1) não estamos estudando com o propósito de aprender algo abstrato apenas para satisfazer nossa curiosidade intelectual. Isto é.3). É a fé. amá-lo. têm a obra da lei escrita em seus corações. Isso pressupõe que existe um locutor e. e obedecer-lhe. Isso é verdade não apenas num sentido espiritual e ético. ou seja o conhecimento se deve à nossa constituição como seres sensitivos. Conhecimento inato Alguns entendem que a convicção da existência de DEUS é inata. 4. temos certeza de que existe um ser de quem somos dependentes e perante a quem somos responsáveis. uma evidência das coisas que não se vêem e a essência daquilo que se espera que é capaz de “entender que os mundos foram formados pela palavra de Deus. ora defendendo ora acusando-os uns aos outros 15 . sempre dizendo à sua consciência interior. “Quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11:6).Concluímos. mas é também verdadeiro num sentido intelectual.

como conhecimento de Deus. sob o objeto do seu conhecimento. e. Mas por esse argumento é completamente impossível provar a existência de Deus a alguém que não esteja partindo da fé em Deus e na sua revelação. 19-21. o 16 . Tudo isso é feito sem nenhuma demonstração preliminar da existência de DEUS. limitando em todos os aspectos e em milhares de formas o amor-próprio. Deus é. difere num importante ponto de todos os demais tipos de conhecimento. Por isso afirma que. 32 ). Noutras palavras. No estudo de todas as outras ciências. têm-se feito tentativas para mostrar que quanto mais um povo se distancia dos judeus (possuidores dos oráculos divinos). A idéia de DEUS esta impressa em cada linguagem humana. e quanto mais o povo se aproxima dos judeus. 3. divorciada na sua totalidade do conhecimento de Deus e dos seus preceitos. em todas as épocas e em todos os lugares do mundo. O humanismo desenvolve a sua própria ética. mas. há alguma forma de religião. no passado. acerca dos pagãos. Para preservar essa teoria. DEUS se revelou aos nossos progenitores e eles passaram esse conhecimento a posteridade. o homem se coloca acima do objeto de sua investigação e ativamente extrai dele o seu conhecimento pelo método que lhe pareça mais apropriado. A história demostra que o elemento religioso de nossa natureza é tanto universal quanto racional ou social. o homem só pode conhecer a Deus na medida em que Este ativamente se faz conhecido. Onde quer que a existência humana seja detectada. mas que tem sua origem na sociedade. ele não pode colocar-se acima.(Romanos 2:14-16). O apóstolo assevera termos diretos. mas aprimorado é o seu conhecimento sobre DEUS. ( RM1. menos conhecimento de DEUS ele passa a ter. sem limitação como aqueles que possuem conhecimento de DEUS. antes de tudo. DEUS TRANSMITE CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO AO HOMEM. Kuyper chama a atenção para o fato de que a teologia. e que tal conhecimento tanto exprime sua impiedade quanto deixa sem justificativa sua imoralidade. 2. Pode apresentar as seguintes referências em prova desta doutrina: o testemunho da Escritura. na teologia. A bíblia assevera que o conhecimento de DEUS é neste caso universal. e quando conhecimento foi se esvaindo. 4. DEUS revelou novamente a Abraão. e este comunicou as verdades divinas aos seus descendentes e chegaram até nós por meio dos escritos e da tradição. Conhecimento sobrenatural preservado pela tradição Esse conceito parte da idéia de que é impossível que a natureza caída do homem possa ser constituída do conhecimento de DEUS. Pressupõe-se que os homens saibam que DEUS existe e que eles próprios estão ao seu governo moral. sim. Spencer demonstra que esse “Du sollst” não tem nada a ver com a voz de um ser supremo e Senhor. Conhecimento da razão universal Outros pensam que essa convicção é uma dedução da razão: uma conclusão alcançada por um processo de generalização.

deve-se manter a posição que afirma que a teologia seria totalmente impossível. mas é Deus que se descerra aos olhos da fé. Este último relaciona-se com o primeiro como uma cópia com o seu original e. e em Cristo chega aos homens no momento existencial das suas vidas. de outro.sujeito que transmite conhecimento ao homem. como tal. ectípico e analógico. Todavia. portanto. e diz repetidamente que Deus é sempre o sujeito. Contudo. visto que é uma cópia do conhecimento arquetípico que Deus tem em Si mesmo. e só pode tornar-se objeto de estudo do homem na medida em que este assimila e reflete o conhecimento a ele transmitido pela revelação. Diz Paulo. e as revela ao homem. Não é. o homem pode. Ao lado do conhecimento arquetípico de Deus. é também verdadeiro e preciso. dado ao homem por meio da revelação. Sem a revelação. o nosso conhecimento é. (1 Co 2. há também um conhecimento ectípico dele. de um lado. sem uma auto-revelação de Deus. senão o seu próprio espírito que está nele? Assim também as cousas de Deus ninguém conhece. E. um ato sobrenatural de auto-comunicação. da parte o Deus Vivente. A revelação é sempre algo puramente subjetivo e jamais poderá transformar-se em algo objetivo como apalavra escrita da Bíblia e. de uma vez por todas. e nunca um objeto de conhecimento. sob a direção do Espírito Santo. o homem nunca seria capaz de adquirir qualquer conhecimento de Deus. um ato prenhe de propósito. “qual dos homens sabe cousas do homem. mesmo depois de Deus ter-se revelado objetivamente. não é a razão humana que descobre Deus. senão o Espírito de Deus”. Até mesmo as profundezas de Deus. e na medida em que o faz. Ele afirma que não existe nenhum caminho do homem para Deus. empregamos o termo no sentido estrito da palavra. um mero “tornar-se manifesto”. vir a ser um objeto de estudo. pela aplicação da razão humana santificada ao estudo da palavra de Deus. 17 . Todo o nosso conhecimento de Deus é derivado da Sua auto-revelação na natureza e na Escritura. Até certo ponto isso é verdade também quanto ao homem. não tem as mesmas proporções de clareza e perfeição. Não há nada surpreendente no fato de que Deus só pode ser conhecido se Ele se revela. E quando falamos de revelação. mas uma coisa na qual Ele ativamente se faz conhecido. Barth também salienta o fato de que o homem só pode conhecer a Deus quando Deus vem a ele num ato de revelação. Não se trata de uma coisa na qual Deus é passivo. mas. O Espírito Santo perscruta todas as cousas. mas somente de Deus para o homem. Deus tem-se dado a conhecer.11). em Jesus Cristo. como muitos pensadores modernos o vêem. obter um sempre crescente conhecimento de Deus. A revelação foi dada. um aprofundamento discernimento espiritual que leva a um sempre crescente descobrimento de Deus por parte do homem. Conseqüentemente. mas sim. que se acha no próprio Deus.

mas não o que ele é plenamente. Refutação Deus não deixa de existir somente porque o homem diz que ele não existe. Ali é usada na forma plural para designar a condição de estar sem o verdadeiro DEUS. temos compromisso e responsabilidade somente com um. o politeísmo consistia na personificação de certos elementos e fenômenos da natureza. só existem três grandes religiões que não são politeístas: judaísmo. Tudo de bom que podemos entender sobre ele. O ateu crê que o conceito de DEUS é incompatível com a dúvida que permanece no homem. que DEUS deveria comunicar sua existência e sentido aos homens de tal modo que a questão se tornasse bem óbvia para todos. Deste a Antiguidade o politeísmo tem predominado nas mais diversas religiões do mundo. Em sua forma primária. Em todas as religiões do mundo. Refutando essa idéia tão absurda poderíamos perguntar: como um DEUS infinito ser plenamente compreendido por uma mente finita. o amor. Ateísmo O terno “ateísmo” vem do grego “a” que significa não. uma vez que o finito em demanda do infinito está sempre numa distância infinita? Sendo assim. é o que ele é realmente. o poder. que é a crença na existência de um só deus: e como o henoteísmo. 3. como o sol. a chuva. Todo politeísmo é teísta: por isso. islamismo e cristianismo. que significa “muitos” e” theós” que significa “deus”. não deixando nenhuma sombra de dúvidas.12. Opina ele. admite a existência de vários deuses que se interessam pela humanidade. Politeísmo A “palavra “politeísmo vem de dois vocábulos gregos: “poli”.1. O politeísmo contrasta com o monoteísmo. Esse termo é usado para designar a crença na existência de vários deuses. a violência e a misericórdia. Uma vez que isso não se sucede. o trovão. e “théos” que significa deus. e não de acordo com o que ele é. mantendo alguma espécie de contatos. que se baseia na crença de que apesar de existir vários deuses. A palavra grega “athéos ” (sem DEUS ) apareça apenas um vez no Novo Testamento. a fertilidade. Entretanto. mostra que não existe um DEUS que esteja se comunicando com os homens. tudo o que sabemos acerca dele é de acordo á nossa capacidade de saber. em EF 2. 2. Teorias que cogitam sobre DEUS 1. tanto judeus 18 .

por conseguinte não castigaria o homem por suas maldades. Monoteísmo Esse vocábulo vem de duas palavras gregas: “monos” que significa único. Henoteísmo Esse vocábulo é derivado de duas palavras gregas: ”hen” que é um adjetivo numeral que significa “um” e “ theós” que significa deus. Essas palavras trás o sentido da existência de um único DEUS. Isso significa que DEUS Não faria intervenção na história da humanidade e. que o apostolo Paulo discutiu com seus discípulos em Atenas (AT17. 6. o qual se interessa por esse mundo. nações ou culturas deste mundo e por isso vê um deus favoritista. Por não conseguir concilia a onisciência de DEUS com o problema do mal. que de Jeová recebiam autoridade. Porém. Isto quer dizer que alguns teólogos defendem o deísmo. O monoteísmo se contrasta com o politeísmo que afirma a existência de vários deuses.como islâmicos. ele está divorciado de sua criação tendo estabelecido as leis naturais para governa o mundo em seu lugar. O deísmo ensina que apesar de existir um DEUS CRIADOR. 18). intervindo na história da humanidade. e por isso não se intervém na história. ou seja. não nega a existência de outros deuses. O monoteísmo é de natureza teísta. O henoteísmo é teista. e entende que DEUS tem preferência por certos povos. Os israelitas também entendiam que Jeová era o maior de todos os deuses. e com o henoteísmo que admite uma pluralidade de deuses. vêem o conceito trinitariano cristão como uma velada de monoteísmo. alguns intérpretes entendem que em princípio o povo hebreu tinha uma cultura henoteísta. 5. É a crença em um só deus que se importa com a humanidade e age em favor dele. Deísmo Conceito filosófico. e “theós”. e muito menos galardoá- 19 . 4. Isso quer dizer que por muito tempo o povo hebreu pensava que Jeová era DEUS somente deles e não do resto das nações. que têm a autoridade e agem em outras dimensões da vida. e só mais tarde se tornaram puramente monoteístas. mas não está interessado nos seus problemas. Por esse motivo. admitindo que há um só DEUS. apesar de afirmar ter relações e compromissos com um só deus. e não descartavam a existência de outros deuses. mas tarde o deísmo foi introduzido na teologia cristã por alguns teólogos.O deísmo é uma corrente filosófico-teológica que foi criada por Epicuro o filósofo grego. Aqui temos uma combinação de politeísmo com monoteísmo: isso significa que na pratica eles eram monoteístas e na teoria eram politeístas: e nessa idéia politeísta incluía o teísmo. que significa DEUS. acreditam que existe um só DEUS que criou esse mundo.

os pensadores gregos diziam: DEUS ou alguns deuses realmente existiram: mas à nossa semelhança eles seriam tanto bons quanto maus. mas somente a de um grande arquiteto que modelou o mundo. essas pessoas não simpatizam com o pensamento deísta. 20 . De acordo com o deísta. controla o processo do mundo. Os gregos também imaginavam a existência de deuses todo-bondoso e benévolo. Hegel considerava este argumento válido. o criador. Teísmo cristão O teísmo sempre acreditou num Deus que é transcendente e imanente. juntamente com todos os outros argumentos. Esse ponto de vista pessimista elimina a perfeita benevolência de DEUS. mas os neoteístas o aceitam. Ele poderia ser todopoderoso. Apesar de essa teoria ter sido abraçada por muitos filósofos e até mesmo por alguns teólogos. exceto em esferas e meios muito limitados. a saber. mas alega que ele não prova a existência de Deus. mas não se cuida de nada. nem de um criador. mas não todo-bondoso. como puro refugo. É superior ao argumento cosmológico. suficiente para explicar a quantidade de teleologia que nele transparece”. pelo que poderiam ser causa direta do mal. o mal existe. 8. Mas iremos tratar somente dois deles. teleológico. razão ou consolo em tais explicações: visto que o pensamento deísta apresenta um deus que criou tudo. pessoal. 7. Os teólogos sociais dos nossos dias rejeitam-no.Com respeito ao teísmo. ao menos em considerável medida. Conceito teleológico Esse argumento pode ser exposto da seguinte forma: Em toda parte o mundo revela inteligência. uma vez que eles não encontram qualquer sastifação. que o mundo contém evidências de inteligência e propósito. Diz Wright. cosmológico e o moral. mas aos quais simplesmente faltava o poder de imporem sua vontade. “indica apenas a provável existência de uma mente que. ordem. Kant considera este argumento o. Teísmo O teísmo é uma doutrina de um DEUS extraterreno. Conceito filosófico. preservador e governador do mundo. “A prova teológica”. harmonia e propósito. Existem alguns argumentos que usualmente enfatizam esse tema são eles: filosófico. mas não existe nenhum deus contra ou a favor. e assim implica a existência de um ser inteligente e com propósito.los-ia por suas bondades. mas o tratava como um argumento subordinado. Não se segue necessariamente que este ser é o Criador do mundo. apropriado para a produção de um mundo como este.

pelas experiências místicas com o próprio DEUS. nos guardando. sobre tudo. pela razão e. muito pelo contrário. versos 4 e 16 declaram: “Ainda a palavra me não chegou à língua. Em contradição ao teísmo aberto. mas Ele “muda de idéia” com relação às Suas idéias baseado nas nossas ações. "O que é teísmo aberto?” Resposta: "Teísmo aberto”. Além de tudo isso. respondendo as nossas orações e procurando nos ajudar em tudo quando dele necessitamos. Deus é imanente em sua natureza e não absolutamente transcendente a ela. e tu. já a conheces toda. Deus não sabe absolutamente tudo sobre o futuro. e no teu livro foram escritos todos os meus dias. À luz de diversas outras Escrituras que declaram o conhecimento de Deus acerca do futuro. os seres humanos não poderiam ser verdadeiramente livres. Como Deus poderia prever detalhes intricados sobre Jesus Cristo no Antigo Testamento se Ele não conhecesse o futuro? Como Deus poderia de alguma maneira garantir a nossa salvação eterna se Ele não soubesse o que haveria de acontecer no futuro? Por fim. é uma tentativa de explicar a relação entre o pré-conhecimento de Deus sobre os fatos e o livre arbítrio dos homens. ele está sempre presente a nós. Ele é quem preserva todos os valores humanos. Deus deve ser entendido por fé. O teísmo aberto falha ao rejeitar a verdadeira onisciência de Deus. 9. 22:12. Salmos 139. também conhecido como “teologia da abertura” e “abertura de Deus”. Deus estando “surpreso” e decepcionado com a perversidade da humanidade não significa que Ele não sabia que as coisas iriam ocorrer. Deus sabe quais serão nossas ações e decisões. Jonas 3:10). O teísmo aberto baseia estas crenças em Escrituras que descrevem Deus “mudando de idéia”. estas Escrituras devem ser entendidos como Deus descrevendo a si próprios de maneira que possamos entender. nossas experiências físicas e espirituais nos faz saber que DEUS não abandonou o unirveso. O teísmo aberto acredita que o futuro não pode ser conhecido.O teísmo cristão afirma obter (embora limitado) conhecimento de DEUS. quando nem um deles havia ainda”. Portanto. pelos desígnios de DEUS neste mundo. o teísmo aberto falha na sua tentativa de explicar o inexplicável – a relação entre o pré-conhecimento de Deus e o livre arbítrio da humanidade. (2) se Deus soubesse o futuro absolutamente. SENHOR. pois 21 . portanto. Deus sabe tudo o que pode ser sabido – mas Ele não conhece o futuro. ou “sendo surpreendido”. pela revelação do próprio DEUS nos livros da bíblia. (3). pela intuição. ou “parecendo adquirir conhecimento” (Gênesis 6:6. cada um deles escrito e determinado.. Os argumentos do teísmo aberto são essencialmente estes: (1) seres humanos são verdadeiramente livres. Êxodo 32:14..

Panteísmo O termo panteísmo vem do grego pan (que significa tudo) e theós (que que significa DEUS). um animal é Deus. O Panteísmo é a suposição por trás de muitas seitas e religiões falsas (ex: Hinduísmo e Budismo. O Panteísmo não é de qualquer forma uma crença bíblica e é incompatível com fé em Jesus Cristo como Salvador (João 14:6. Segundo o panteísmo DEUS é a cabeça da totalidade. visto que Ele inclui também todo o mal do mundo. Mesmo que o teísmo aberto seja uma explicação para a relação entre o préconhecimento de Deus e o livre arbítrio humano – ele não é a explicação bíblica. da mesma forma que se tentasse beber um oceano inteiro. Ousadamente declara que tudo é Deus. o finito e o infinito numa só substância. portanto. A Bíblia ensina o Panteísmo? Não. É simplesmente outra forma de o homem finito com a sua mente finita tentar entender um Deus infinito. você é Deus. e o mundo é o seu corpo.“sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). Isso não é o mesmo que Panteísmo. eis que tu ali estás também. uma rocha é Deus. O que muitas pessoas confundem com Panteísmo é a doutrina da onipresença de Deus. e os adoradores da mãe natureza). portanto dotado. assim se envolve naquilo a que Brightman chama “a expansão de Deus”. Uma árvore é Deus. mas vai além dele ao ensinar que tudo é Deus. Atos 4:12). ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu. como dotado de inteligência e vontade. 22 . se fizer no inferno a minha cama. Não há qualquer lugar no universo onde Deus não esteja presente. de modo que temos “muito de Deus”." A onipresença de Deus significa que Ele está presente em todos os lugares. escritural. Isto exclui o Deus da escritura. Sim. não ensina. o sol é Deus. O Panteísmo é semelhante ao Politeísmo (a crença em muitos deuses). mas não O concebe como pessoal e. o céu é Deus. lá tu estás. Deus está em todo canto. O conceito do teísmo aberto não é. O teísmo aberto deve ser rejeitado pelos seguidores de Cristo. Muitas vezes fala de Deus como base oculta do mundo fenomenal. mas isso não torna aquela árvore ou pessoa Deus. etc. as várias seitas de unidade e unificação. Deus está "presente" dentro de uma árvore ou de uma pessoa. "O que é o Panteísmo?” Resposta: O Panteísmo é a crença de que Deus é tudo o que existe e tudo o que existe é Deus. 10. O panteísmo funde o natural e o sobrenatural. mas Ele não é tudo. Salmos 139:7-8 declaram: "Para onde me irei do teu espírito.

Trás a idéia de que “tudo está em DEUS” ou “DEUS está em tudo”. 12. obreiros e crentes de um modo geral. 23 . O mundo dependeria de deus para existir. e defensor da tese. Esse termo pode significar que a natureza faz parte de DEUS. intervindo na história humana. Ele foi um discípulo de Noeto. Triteísmo Triteísmo é o nome da doutrina que crer em três deuses que se interessa pelo homem. ou pelo menos que DEUS está em todas as coisas apesar de não ser ele todas as coisas. motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas fontes patrísticas de Noecianos. Panenteísmo Essa palavra vem da raiz grega “pan” que significa tudo e “theós” que significa DEUS. são abarcadas por ela. têm ensinado o triteísmo em lugar da trindade. muitos pastores. todas as coisas estão na divindade. Um deus que criou a si mesmo e que está em constante mudança. monarquianismo modalista ou monarquianismo modal) é a crença não-trinitária de que o Deus Pai. O termo sabelianismo deriva de Sabélio. visto que concebem a idéia da existência de muitos deuses. mas deus é maior que o universo. galardoando os bons e punindo os maus: Pai. sem necessariamente perder sua unidade (ou seja. que o PAI. O termo foi criado por Karl Krauser e também é conhecido como krausismo. Já Tertuliano batizou-a de Patripassianismo. a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais). O panenteísmo admite a identidade de DEUS separada da totalidade das coisas existentes. transcendente a elas. todas as coisas estão dentro dele. Panenteísmo é a filosofia que diz que o universo está contido em deus. mas o diretor cósmico. 13. O seu deus não é soberano no mundo. filho e o espírito santo. um padre e teólogo do século III d. algo além de todas as coisas.11. Muitos cristãos têm sido triteísta. mas deus dependeria do mundo para se manifestar. sem saber. Deus Filho e o Espírito Santo são diferentes "modos" ou "aspectos" de um Deus único percebido pelo crente ao invés de três pessoas distintas de Deus. sabelianismo (também conhecido como modalismo. Os mórmons. o FILHO eo ESPIRITO SANTO são três deuses em três pessoas: mas esse conceito não passa de um politeísmo disfarçado. Essa teoria diz que embora DEUS não faça da totalidade das coisas. mas trabalha em cooperação com o mundo. Sabelianismo No cristianismo. Para os panenteístas.C. mas a divindade é. identificam-se (ponto em comum com o panteísmo). Pelo fato de se tornar difícil explicar a trindade. além de serem abertamente triteísta defendem um politeísmo teórico. No panenteísmo. além disso. deus não é o criador do mundo.

como Deus Espírito Santo. ela não podia ser recebida pelo povo de DEUS. gerando. Ensinava que havia uma única essência na divindade. Deus se apresentou como Deus Pai. se torna esta. uma crença conhecida como Monarquianismo. criando e administrando. 24 . fazendo a manutenção das obras anteriores. a quem adoração e orações eram dirigidas. mediando.Significado e origens O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus. de três deuses. E finalmente e sucessivamente. o sabelianismo acredita em uma forma de unitarismo. contudo. Sabélio negava. Primeiramente. como um discípulo de Noeto e Práxeas. afirmando que o Pai. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A verdadeira questão. portanto. Uma só Pessoa e três manifestações temporárias e sucessivas. redimindo. executando a justiça.C. Afirmava que isso designaria um culto triteísta. Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio. que ensinava uma forma dele em Roma no século III d. Em seguida. redentor e doador da vida. Esta última ele admitia completamente. substancial. o Filho eo Espírito santo seriam sucessivas manifestações do mesmo DEUS que cumpriu diferentes atividades: criador. essencial à própria divindade? Ou é parte dos desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si para suas criaturas? A primeira opção. A questão poderia ser resolvida. pelo conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações. o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na Divindade? É original. rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. Eles negam a personalidade distintiva do Pai e do Espírito santo. sustentando e guardando. afirmava. como Deus Filho. com quem cada crente mantinha uma relação pessoal. isto é.

o que procura é especificar a singularidade de YHWH e a necessidade humana de depender completamente em YHWH seu Criador. bem poderíamos esperar que fosse completamente um estudo de Deus. por meio de quem. No curso do tempo tornou-se comum falar do descobrimento de Deus feito pelo homem. E conhecê-lo e glorificá-lo têm que ser o nosso único propósito (João 17. e toda descoberta feita nesse processo foi dignificada com o nome de “revelação”. (GN1. A Bíblia não procura provar a existência de Deus. se partirmos da admissão que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem. A bíblia não argumenta sobre a existência de DEUS. Há boas razões para começar com a Doutrina de Deus. Em muitos casos. a saber: (1) Que Deus existe. e para quem são todas as coisas. A única “prova” que se dá na Bíblia são as interpretações dos eventos da intervenção de YHWH na vida do seu povo. embora somente o primeiro locus ou capítulo teológico trate diretamente de Deus. do começo ao fim. A opinião prevalecente tem reconhecido sempre este procedimento mais lógico. em todas as suas ramificações. a sua existência não veio de nenhum fator alheio. Esse termo só pode ser atribuído a DEUS. dever-se-ia aceitar o fato de que a Bíblia não procura provar a existência de Deus. Não é assunto propriamente de a teologia sustentar provas da existência divina. Iniciamos o estudo de teologia com duas pressuposições. A perspectiva da teologia cristã parte de pressupostos devidos a uma aceitação de fé no Deus que não se vê. A auto-existência de DEUS As obras de dogmática ou de teologia sistemática geralmente começam com a Doutrina de Deus. 25 . 20).1. enquanto que as partes ou loci subseqüentes tratam dele de maneira mais indireta. como se o homem alguma vez O tivesse descoberto. mesmo aqueles cujos princípios fundamentais pareceriam exigir outro arranjo. RM1. Em vez de surpreender-nos de que a dogmática comece com a Doutrina de Deus. O nosso ponto de partida deveria tomar esta pressuposição dignamente. é isto exatamente o que se pretende que seja. 1.3). e ainda continua apontando na mesma direção. O homem deixou de ser ou de reconhecer o conhecimento de Deus como algo que lhe foi dado na Escritura e começou a orgulhar-se de Ter a Deus como seu objeto de pesquisa. continuam na prática tradicional.ele declara. Se a teologia realmente começa com a Bíblia e é uma tentativa de sistematizar o ensino da mesma. (2) Que Ele se revelou em Sua Palavra divina. A religião gradativamente tomou o lugar de Deus como objeto da teologia. ou seja. Como uma questão de fato. O termo auto-existência significa existência própria.

auto-existente e autoconsciente. É somente quando se crê que é possível enxergar a realidade de Deus. e vivem como se Deus não existisse. os ateus práticos e os teóricos. na verdade. começa-se uma procura de conhecer a Deus já pressupondo não apenas a Sua existência. Em vista deste fato. E Paulo lembra aos Efésios que eles tinham estado anteriormente “sem Deus no mundo”.4b). Como Hebreus capítulos onze trata a questão. que não há indivíduos que negam a existência de Deus completamente. Uma grande classe de teólogos e filósofos nega que a existência de DEUS seja suscetível de provas. mas pode ser em parte comprovada na vida daquele que aceita o pressuposto. Geralmente são de um tipo mais intelectual e procuram justificar a afirmação de que não há Deus por meio de argumentação racional. Esses pontos de apoio à fé ajudam o indivíduo a averiguar a veracidade daquilo que crê e ajudam-no a confiar no Criador. e baseiam a sua negação num processo de raciocínio. de um tipo mais intelectual. A experiência também dá abundante testemunho da presença deles no mundo. provar Deus é um esforço além das limitações humanas. É com esta base de fé que se olha ao mundo ao redor e vê a presença e atuação de Deus no mundo ao redor. que realiza todas as coisas segundo um plano predeterminado. É esta última forma de negação que temos particularmente em mente aqui. uma Pessoa de perfeições infinitas. alguns chegam a negar a existência de pessoas que negam a existência de Deus. A respeito dos ímpios o Salmo 14. Os primeiros são simplesmente pessoas não religiosas. tem assumido várias formas no curso da história. Sl 10. 2. Dado a metodologia científica e filosófica.12. Os estudiosos de religiões comparadas e os missionários freqüentemente dão testemunho do fato de que a idéia de Deus é praticamente universal na raça humana. I. É encontrada até mesmo entre as mais atrasadas nações e tribos do mundo. O que se usa como provas são mais verdadeiramente comprovantes da realidade já aceita. visto que tanto a Escritura como a experiência a atestam. Os ateus teóricos são doutra espécie. pessoas que na vida prática não contam com Deus. A negação da existência de Deus em suas Várias Formas. Isto não significa. Esta realidade não pode ser provada. Procuram provar que Deus não existe usando para este fim aquilo que lhes parece argumentos racionais conclusivos. Não se pode duvidar da existência de ateus práticos. a 26 .1 declara: “Diz o insensato no seu coração: não há Deus” (cf. Ela pode assumir várias formas e. II. Efésios 2. O professor Flint distingue três espécies de ateísmo teórico. contudo. (HB11. 6). nem tampouco que não há um bom número de pessoas em terras cristãs que negam a existência de Deus como Ele é revelado na Escritura. Os últimos são em regra. a saber. que haja verdadeiros ateus. mas também que Deus recompensa aquele que procura conhecê-Lo.O pressuposto mais central é da existência de Deus.

O preparo para esta obra. especialmente na escolha e direção do povo de Israel na velha aliança. A Bíblia pressupõe a existência de Deus em sua declaração inicial. mas fé baseada em provas. e revela a gradativa realização do Seu grandioso propósito de redenção. Não significa. A pressuposição da teologia cristã é um tipo muito definido. algum poder ou tendência com propósito. que. na Escritura como a Palavra de Deus inspirada. Vê-se Deus em quase todas as páginas da Escritura Sagrada em que Ele se revela em palavras e atos. se não se admite que Deus existe. vê-se claramente no Velho Testamento. (1) Ateísmo dogmático. sim. mas que há um ser pessoal autoconsciente. A suposição não é Não apenas de que há alguma coisa. O Cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. que nega peremptoriamente a existência de um ser divino. 3. e. contudo. esta fé. Esta revelação de Deus constitui a base da nossa fé na existência de Deus. Estes freqüentemente caminham de mãos dadas. se baseia numa informação confiável. que é a origem de todas as coisas e que transcende a criação inteira. auto-existente. Prova Bíblica da Existência de Deus. alguma idéia ou ideal. e a sua culminação inicial na Pessoa e Obra de Cristo ergue-se grande clareza nas páginas do Novo testamento. Existem alguns caminhos para argumentar a existência de DEUS. mas também como o Sustentador de todas as Suas criaturas. As Assim Chamadas Provas Racionais da Existência de Deus. embora verdade da existência de Deus seja aceita pela fé. que sustenta que não há nenhuma prova válida da existência de deus. na revelação de Deus na natureza. Mas esta fé não é uma fé cega. que a existência de Deus é passível de uma demonstração lógica que não deixa lugar nenhum para dúvida. Há sentido em falar-se do conhecimento de Deus. mas ao mesmo tempo é imanente em cada parte da criação. E como o Governador de indivíduos e nações. (2) Ateísmo cético. e a torna uma fé inteiramente razoável. (3) Ateísmo crítico. a abordagem a priori que argumenta com base em um conceito de DEUS como um ser tão prefeito que sua inexistência é inconcebível. que duvida da capacidade da mente humana de determinar se há ou não há um Deus. Ela testifica o fato de que Deus opera todas as coisas de acordo com o conselho da Sua vontade. “No principio criou Deus os céus e a terra”. e as provas se acham.saber. vamos apresentar duas: em primeiro lugar. mas significa. Este argumento tem o objetivo de mostra que a real existência de DEUS se acha envolvido 27 . primariamente. mas mesmo o mais moderado deles realmente declara que toda e qualquer crença em Deus é uma ilusão. 4. secundariamente. Ela não somente descreve a Deus como o Criador de todas as coisas. a que se possa aplicar o nome de Deus.

Mas é evidente que não podemos tirar uma conclusão quanto à existência real partindo de um pensamento abstrato. do universo observável e empírico. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO. o argumento não produz convicção. como 28 . Samuel Clark. Contudo. Esta dificuldade levou a uma construção ligeiramente diversa do argumento como.P.Esta abordagem é a base do famoso argumento ontológico (estudo do ser ) A. ao passo que o teleológico ressalta o designo do universo. portanto. portanto. Em virtude podemos dizer: “Tenho idéia de Deus: portanto. isto é. mas Hegel o aclamou como um grande argumento em favor da existência de Deus. somos suposição de que o cosmo teve uma cauda única. Este argumenta que o homem tem a idéia de um ser absolutamente perfeito. A abordagem a priori. insustentável este argumento. em geral. e. a que B. por exemplo. Além disto. com ênfase.na idéia desse ser. a abordagem a posteriori que oferece evidências extraídas do mundo.a mentalidade popular parece gostar mais da abordagem a posteriori. Descartes. este argumento pressupõe tacitamente como já existente na mente humana o próprio conhecimento da existência de Deus que teria que derivar de uma demonstração lógica. e que. se tudo que existe tem uma causa adequada. O Argumento cosmológico. que a existência é atributo de perfeição. Alguns idealistas modernos sugeriram que ele poderia ser proposto de forma um tanto diferente. isto se aplica também a Deus. e outros. mas os argumentos cosmológicos e teleológicos requerem um exame cuidadoso. um ser absolutamente perfeito tem que existir. e Kant assinalou que. Foi apresentado em sua mais perfeita forma por Anselmo. A abordagem a posteriori. O argumento cosmológico focaliza a causa. e. uma causa indefinidamente grande. sendo assim. portanto. assim. O argumento ontológico pode ser feito sem nunca apelar aos sentidos. Em segundo lugar. Em geral se apresenta como segue: Cada coisa existente no mundo tem que ter uma causa adequada. Este argumento tem aparecido em diversas formas. tenho experiência de Deus”. Anselmo considerava a negação da existência de DEUS totalmente impossível. Este argumento foi apresentado em várias formas por Anselmo. não prova a existência de Deus. B. como a que Hocking chamou “O registro da experiência”. o universo também tem que ter uma causa adequada. uma causa pessoal e absoluta.Bowne fez. Kant declarou. O universo material aparece como sistema interativo e. Hume questionou a própria lei de causa e efeito. O fato de que temos uma idéia de Deus ainda não prova a Sua existência objetiva.

Por designo se pretende: 1-a seleção de um fim a ser alcançado. este superior a qualquer dos outros.uma unidade que consiste de várias partes. 2-a escolha de meios adequados para sua consecução. Este argumento afirma que todo o universo uma ordem. não torna obrigatória a crença em um Deus. e sua busca do ideal moral exige e necessita da existência de um Deus que converta esse ideal em realidade. um designo pressupõe um designador. tem absoluto direito de dominar o homem. em um Criador ou em um Ser de infinitas perfeições. e deste deferiu a existência de alguém que. Em sua opinião. O ARGUMENTO MORAL.a aplicação real de meios para a concretização do fim proposto D. também o universo inteiro (o cosmos) deve ter uma causa. Esta pode ser uma das razões pelas quais este argumento é mais geralmente reconhecido do que qualquer outro. uma harmonia e um desígnio / objetivo. exige um árbitro justo. doutrina ou estudo). Deus. Alguns argumentam baseados na desigualdade muitas vezes observada entre a conduta moral dos homens e a prosperidade que eles gozam na vida presente. e uma causa infinitamente grande. este também assumiu diferentes formas. C. 20). 29 . (RM1. em especial na forma de que o reconhecimento que o homem tem do Sumo Bem e a sua busca de uma ideal moral exigem e necessitam a existência de um ser santo e justo. Diz este argumento que o reconhecimento pelo ser humano de um bem supremo. por sua vez. 3. uma inteligência. Percebemos que todos os aspectos da vida e demonstram um designo extremamente completo. Argumento teleológico. Como os outros argumentos. portanto. Esse argumento baseia nos desígnos de DEUS como o grande planejador de tudo. sendo assim. portanto essa causa seria Deus. embora nem sempre com a mesma formulação.Esse vocábulo vem das palavras gregas “telos” fim e “logos” (razão. É o argumento argumento em que é muito se apóia principalmente. Daí deve haver um Agente Integrante que veicule a interação das várias partes ou constitua a base dinâmica da existência delas. Declara este argumento que tudo o que existe no mundo tem uma causa. Kant tomou seu ponto de partida no imperativo categórico. como legislador e juiz. Isto mostraria então a existência de um ser inteligente que planejou tudo isto que os nossos olhos contemplam. em sua tentativa de provar a existência de Deus. Ou seja. A teologia moderna também o usa amplamente. e acham que isso requer um ajustamento no futuro que.

A teologia reformada sustenta que Deus pode ser conhecido. que a respeito de si própria. Geralmente essa negação se baseia nos supostos limites da faculdade cognitiva humana.conhecer a relação que esses atributos têm uns com os outros e com a substância a que pertencem. 2. temor de Deus. quer a respeito de algo que se acha fora dela. embora se apresente de diferentes formas. E se isto é verdade.conhecer a relação que o objeto conhecido tem com todos os demais objetos. A religião necessariamente pressupõe tal conhecimento. é necessariamente ignorante quanto às coisas supersensoriais e divinas. Contudo. Ter esse conhecimento de Deus seria equivalente a compreendê-lo. Estes se acham inteiramente alinhados com os céticos dos séculos anteriores e da filosofia grega. serviço de adoração. o verdadeiro conhecimento de Deus só pode ser adquirido graças à auto-revelação divina. os 30 . A possibilidade de conhecer a Deus tem sido negada sobre diferentes bases. 4. mas que ao homem é impossível Ter um exaustivo e perfeito conhecimento de Deus. porém é conhecido: quanto se diz que DEUS pode ser conhecido. sustenta-se que o homem pode obter um conhecimento de Deus perfeitamente adequado à realização do propósito divino na vida do homem. mas apenas uma descrição parcial. BNegação da Cognoscibilidade de Deus. e. ser-lhe-ia impossível assumir uma atitude religiosa. e isto está completamente fora de questão. não se pretende dizer que ele possa ser compreendido. Huxley foi o primeiro a aplicar àqueles que assumem esta posição. ele próprio incluído. 3. relação na qual o homem tem consciência da absoluta grandeza e majestade de Deus como o Ser Supremo. o nome de “agnósticos”. segue-se que a religião pressupõe o conhecimento de Deus no homem. de modo algum. Ademais. Este conhecimento é a mais sagrada relação entre o homem e seu Deus. Compreender é: 1-conhecer a essência assim como os atributos de um objeto. e de sua completa insignificância e sujeição ao Altíssimo e Santo Ser. portanto. A incompreensibilidade de DEUS ADEUS é incompreensível.conhecer não apenas alguns. o homem não pode dar uma definição de Deus no sentido exato da palavra. Uma definição lógica é impossível porque Deus não pode ser consubstanciado de forma sumária debaixo de algum gênero mais alto. piedade. Em regra. mas todos os atributos.5. Se o homem fosse deixado absolutamente nas trevas a respeito do Ser de Deus. Ao mesmo tempo. Não podemos entender o Onipotente com perfeição. Não poderia haver reverência. e somente pelo homem que aceita isso com fé semelhante à de uma criança. Tal conhecimento é obviamente impossível numa criatura. A posição fundamental é a de que a mente humana é incapaz de conhecer qualquer coisa que esteja além e por trás dos fenômenos naturais.

negam de fato que possam Ter algum real conhecimento dele. idéias como amor. também aprendemos por contraste. mas declaram que não sabem se Ele existe ou não e. pode. (4) Todo o nosso conhecimento é relativo ao sujeito que exerce o conhecimento. mas correspondem à natureza das coisas. Os escolásticos falavam da via negationis pela qual eles. As leis da percepção e do pensamento não são arbitrárias. portanto. Além disso. Mas. ser muito real e perfeitamente adequado às nossas necessidades. é 31 . O nosso conhecimento de Deus. Num sentido. portanto não pode conhecê-lo. não possa comunicar alguma idéia positiva. nós os torcemos e lhes damos colorido. que é infinito. a posição é a de que o homem não pode compreender a Deus. não como eles são objetivamente. nós os torcemos e lhes damos colorido. mas o significado insinuado pela assertiva em foco parece consistir em que. isto não significa que. Em muitos casos as diferenças são precisamente as coisas que chamam a nossa atenção. o que de fato significa que não podemos Ter deles absolutamente nenhuma concepção. (2) O homem realmente conhece somente aquilo que ele pode captar em sua inteireza. Sem tal correspondência. desde que este é sempre incompleto. embora seja verdade que muito daquilo que nós atribuímos a Deus é negativo. A ansiedade de Deus inclui a idéias positivas da Sua auto-existência e auto-suficiência. quanto à sua forma. e. No processo de conhecimento. ao mesmo tempo. Em resumo. Além disso. desde que eles não negam absolutamente a existência de um Deus. não pode Ter um exaustivo conhecimento dele. em muitos casos. (3) Todos os predicados de Deus são negativos e. espiritualidade e santidade são positivas. invalidaria todo o nosso conhecimento. na medida em que temos algum real conhecimento das coisas.agnósticos não gostam de ser rotulados de ateus. não devemos esquecer que o homem foi feito a imagem de Deus. Conhecemos somente aquilo que tem alguma analogia com a nossa natureza ou com a nossa experiência. não só o conhecimento de Deus. suposição que. não fornecem conhecimento real. não estão certos de terem algum genuíno conhecimento dele. Diz Hamilton que o Absoluto e o Infinito só podem ser concebidos como uma negação imaginável. mas somente como eles são em sua relação com os nossos sentidos e faculdades. Mas isto não é verdade. e. mas também todo verdadeiro conhecimento seria completamente impossível (1) O homem só tem conhecimento mediante analogia.faculdades. eliminavam de Deus as imperfeições da criatura. esse conhecimento corresponde à realidade objetiva. é perfeitamente certo que todo o nosso conhecimento é subjetivamente condicionado. Mas. em seu pensamento. No processo de conhecimento. contudo. Mas esta posição parte da duvidosa suposição de que um conhecimento parcial não pode ser um conhecimento real. na verdade. embora seja verdade que aprendemos muita coisa por meio de analogia. e que existem importantes analogias entre a natureza divina e a natureza do homem. mesmo que exista. Diz-se que conhecemos os objetos de conhecimento. não as conhecemos como elas são. uma vez que só conhecemos as coisas por intermédio dos nossos sentidos e faculdades. Num sentido. conquanto exaustivo.

Avaliação final.perfeitamente certo que todo o nosso conhecimento é subjetivamente condicionado.concluímos que o conhecimento que temos de DEUS. 32 . Sem tal correspondência. uma vez que só conhecemos as coisas por intermédio dos nossos sentidos e faculdades. não as conhecemos como elas são. esse conhecimento corresponde à realidade objetiva. jamais ultrapassará um conhecimento parcial. não só o conhecimento de Deus. mas também todo verdadeiro conhecimento seria completamente impossível. mas o significado insinuado pela assertiva em foco parece consistir em que. e que embora seja parcial é o suficiente para nos levar a glorificar a DEUS. na medida em que temos algum real conhecimento das coisas. As leis da percepção e do pensamento não são arbitrárias. mas correspondem à natureza das coisas. Mas isto não é verdade.

Para aqueles que não conhecem a Deus o mundo é um lugar estranho. OS ATRIBUTOS DE DEUS Houve um tempo em que o tema dos atributos de Deus era considerados tão importantes que eram ensinados na igreja para crianças. mas hoje poucos cristãos têm escutado pregações e lido livros sobre a doutrina do caráter divino. penoso. qualidades inerentes ao Ser de DEUS. como também seria um erro conceber os atributos como características aditivas e acidentais do Ser Divino. Da simplicidade de Deus segue-se que Deus e Seus atributos são um. Por meio desses atributos. ao contrário dos homens. Quando falamos dos atributos de Deus. e todos os adultos também deveriam conhecê-los. Naturalmente devemos resguardar-nos contra o perigo de separar a essência divina dos atributos ou perfeições divinas. espiritualidade. Nunca devemos pensar que os atributos de Deus são apenas uma questão de debate e discussão teológica. nas profundezas do Seu Ser. “Conhecer a Deus é crucialmente importante para nossa vida. noutras palavras. pois. Os atributos são reais determinativos do Ser Divino ou. há dois extremos a evitar. conhecemos quem e o que ele é. Deus não é composto de diversas partes. Os atributos de Deus são sua unidade. mas somente o que Ele é em relação às Suas criaturas. Eles são vitalmente importantes para nós. portanto. Atributos são características pessoais – tais como cor dos olhos. São eles qualidades essenciais de Deus. louco. cada um deles revela-nos algum aspecto do Ser de Deus.A. tipo de personalidade. Primeiro não devemos representar DEUS como um 33 . Tampouco devemos considerá-los como alguma coisa acrescentada ao Ser de Deus. estamos descrevendo ele. Estas qualidades não podem ser alteradas sem alterar o Ser essencial de Deus. graça. Não devemos considerar os atributos como outras tantas partes que entram na composição de Deus. com através do uso de catecismos. e coisas semelhantes. de Deus. A tentar explicar a relação dos atributos de DEUS com sua essência e uns com os outros. soberania. e viver nele algo de decepcionante e desagradável. sua glória e as coisas que ele revelou de si mesmo em sua Palavra. Tomás de Aquino tinha o um propósito em mente quando afirmava que os atributos não revelam o que Deus é em Si mesmo. bondade e todas as outras palavras que são usadas na Escritura para nos dizer quem ele é. Seria um erro conceber a essência de Deus como existente por Si própria e anterior aos atributos. e também contra um falso conceito da sua relação mútua. inerentes ao Seu próprio Ser e com Ele coexistentes. E desde que são qualidades essenciais.

assim chamados.5-6. etc. não devemos confundir os atributos. imensidade.21.2.veja textos onde DEUS é apresentado com emoções humana. similar á anatomia humana. o que equivale negar ele todos. (GN3. 34 . A objeção a essa classificação é que os atributos morais. todas as perfeições de Deus são relativas. Uns falam de atributos naturais e atributos morais.8. e. esta distinção não achou nenhum favor da parte dos luteranos. qualificam-no como um Ser moral.8.ser composto. É usada para atribuir sentimentos humanos a qualquer coisa não-humana. portanto. como autoexistência.11. retidão. ao passo que os últimos pertencem à essência divina. Mas não é assim. atributos como onipresença e onisciência. Esta divisão parece partir do pressuposto de que podemos ter algum conhecimento de Deus como Ele é em si mesmo. imensidade e eternidade. aqueles com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia. infinidade. boca (NM12. ÊX24. que se constitui de diferentes elementos: E. 1Antropomorfismo: Este termo vem da palavra grega “anthropomorfos” que significa” de forma humana”..11. DIVISÕES DOS ATRIBUTOS DE DEUS Os atributos de Deus têm sido classificados de diferentes formas. de maneira distinta de Sua vontade. considerada em si mesma. os últimos. indicando o que Ele é em relação ao mundo.JS4. B. falando com propriedade.. inteiramente à parte das relações que mantém com as Suas criaturas.etc. bondade. etc. A primeira classe inclui atributos como auto-existência. como na verdade. originais) em Deus como os demais. Os primeiros são aqueles aos quais nada análogo existe na criatura. simplicidade.13). Os últimos. Outros distinguem entre atributos absolutos e relativos. são tão verdadeiramente naturais (isto é. a outra. santidade. mas sempre foi popular nos círculos calvinistas. Os primeiros. como poder.. Ele é descrito com pés.6.ZC1. Que é atribuição de qualidade humana ao ser divino. A distinção mais comum é entre atributos incomunicáveis e comunicáveis.EF4. justiça. etc.(GN6. ou a idéia de que DEUS tem alguma espécie de formato.24). é dito de acordo à nossa capacidade. misericórdia. misericórdia. considerada em relação à Sua criação. Os primeiros pertencem à essência de Deus. segundo. como ansiedade.8.30). para relacioná-los entre si e para facilitar a memorização.10) mãos (ÊX24. Antes de começar a falar sobre os atributos de DEUS veremos o que significa o termo antropopatismo e antropomorfismo: porque tudo o que atribuímos a DEUS.JR7. 2Antropopatismo: Esse termo vem do grego “anthropos” que significa “homem” e “pathein” que significa” sofrer. pertencem à natureza constitutiva de Deus. É bom lembrar que os atributos encontrados em DEUS são visto de forma antropopáticas e antropomórficas. simplicidade. fazendo todos eles significar a mesma coisa. bondade.

depende do conceito que se tenha do Absoluto. indicando procedência) e solvere (soltar) e.C. ser e atributos. pois este Deus entra em relação com criaturas finitas. às vezes se pensa que o Absoluto da filosofia e o Deus do teísmo são um só e o mesmo Ser. Na metafísica a expressão “o Absoluto” é um designativo do fundamento último de toda a existência. significa livre quanto à condição. Ele é autosuficiente. o termo “absoluto” é mais característico da filosofia que da teologia. Esta idéia fundamental foi formulada da vários modos. se o Absoluto da filosofia pode ser identificado com o Deus da teologia. do qual todas as coisas particulares são apenas modos transitórios. ou livre de todas as diferenças ou distinções fenomenológicas. uma vez que o teísta fala também de Deus como o fundamento último de toda existência. os atributos comunicáveis acentuam o fato de que ele entra em várias relações com as Suas criaturas. Ao mesmo tempo. ou como o único Ser auto-existente. identificando assim Deus e o mundo. de todas as relações (o Irrelacionado). não podemos compartir sua idéia de que este Absoluto é Deus. Quando Hegel vê o Absoluto é Deus. concordamos com ele que o seu Absoluto não pode ser o Deus da religião cristã. Mas quando o Absoluto é definido como a Causa Primeira de todas as coisas existentes. na teologia. ou como o fundamento último de toda realidade. De fato. Os Atributos Incomunicáveis (Deus como o Ser Absoluto) É muito comum. E quando Bradley declara que o seu Absoluto não se relaciona com nada. No presente capítulo serão consideradas as Seguintes perfeições de Deus: 35 . de sorte que o Absoluto foi considerado como aquilo que é livre de todas as condições (ou Incondicionado ou Auto-existente). Bradley não consegue conceber o Deus da religião senão como um Deus finito. porém. de novo achamos impossível segui-lo na consideração deste Absoluto como Deus.A resposta à questão. O termo “Absoluto” é derivado do termo latino absoluto. e. Se Spinoza concebe o Absoluto como único Ser Auto-subsistente. pode ser considerado idêntico ao Deus da teologia. e que não pode existir nenhuma relação prática entre ele e a vontade finita. assim. Quando Hegel vê o Absoluto como a unidade do pensamento e do ser. Enquanto os atributos incomunicáveis salientam o Ser Absoluto de Deus. ou livre de limitação ou restrição. como totalidade de todas as coisas. a concepção usual do Absoluto impossibilita igualá-la ao Deus da Bíblia e da teologia cristã. a Realidade última). como matéria e espírito. que inclui todas as relações. mas ao mesmo tempo pode entrar livremente em várias relações com Sua criação como um todo e com Suas criaturas. de todas as imperfeições (o perfeito). sujeito e objeto. falar de Deus como o Ser absoluto. aparência e realidade (o Real. e em que todas as discordâncias do presente se resolvem em perfeita unidade. composto de ab (preposição de. Não necessariamente.

Sl 115.11. Ele não é condicionado pela criação. é testemunho da independência de Deus.26. Às vezes esta idéias é expressa dizendo-se que Ele é a causa sui (a Sua própria causa). desde que Deus é o não acusado. e em Seu conselho. conquanto absolutamente dependente. Esta auto-existência de Deus acha expressão no nome Jeová. e nas afirmações que implicam que Ele é independente em Seu pensamento. e está implícito nas religiões pagãs e no Absoluto da filosofia. e totalmente realizado. 36 . também concedeu ao Filho Ter vida em si mesmo”. significando auto-originado. decretos. em sua vontade. em Seu poder. mas os teólogos reformados em geral o substituíram pela palavra indenpendentia (independência). por outro lado. Ef 1. É somente como o Ser auto-existente e independente que Deus pode dar a certeza de que permanecerá eternamente o mesmo. Dn 4. mas também que é independente em tudo mais: em Suas virtudes..35. Encontram-se indicações adicionais disso na afirmação presente em Jo 5. Ele nãoprecisa da criação e Ele não a criaram porque Ele estava se sentindo solitário! Ele não precisava da criação para ter algo com que compartilhar o amor. e tem a causa da sua existência fora dele próprio. como também faz tudo depender dele..25. Mas.33.A. obras. Quando se concebe o Absoluto como a base ultima e auto-existente. A idéia da auto-existência de Deus era geralmente expressa pelo termo aseitas (asseidade).11. Ap. tem sua existência própria e distinta. Rm 9. mas isto só pode significar que a criatura. “Porque assim como o pai tem vida em si mesmo. O fato de que Deus existia na eternidade passada (do ponto de vista humano). Rm 11. na declaração de que Ele é independente de todas as coisas e que todas as coisas só existem por meio dele. não existe necessariamente. EXISTENCIA AUTÔNOMA DE DEUS Deus é auto-existente. Sl 94. portanto. mas a criação é completamente sujeita a sua vontade.18s. mas não se pode considerar exata esta expressão. Ele é auto-existente e não deriva Seu Ser de algo anterior. Pode-se dizer que há um tênue vestígio desta perfeição na criatura.8s. que existe pela necessitado do Seu próprio Ser e. Sl 33. e assim por diante.distinto da criação. longe está de ser auto-existente.3.19. 4. necessariamente. Ele não só é independente. isto é. Ele já tinha tudo que precisava no Seu próprio Ser Trino. Este atributo de Deus é reconhecido geralmente. expressando com ela não somente que Deus é independente em Seu Ser. 34. com relação ao Seu povo. ele tem sem Si mesmo a base da Sua existência. At 7. naturalmente. Is 40. O homem.5.

B. A ETERNIDADE DE DEUS

A infinitude de DEUS, relativamente ao espaço, é sua imensidão ou onipresença; relativamente á duração, é sua eternidade. DEUS é contraposto á decadência de tudo que é terreno, pois é a fonte de toda vida. Como ele é insento de todas as limitações do espaço, assim ele é exaltado acima de todas as limitações do tempo. Como ele não está em um lugar, mas que o outro, mas está igualmente em toda parte, assim ele não existe por um período de duração mais que em outro. Para ele não há distinção alguma entre o presente, o passado e o futuro; mas todas as coisas estão igual e perenemente presentes para ele. Este é o conceito popular que a escritura mantém sobre a eternidade de DEUS. (SL. 90.2,4; 102.25-27; IS57. 15; 46.6; 2PE3. 8; HB13. 8; AP.1.4). O que nestas passagens e outras semelhantes ensinam é, antes de tudo, que DEUS é sem princípios de anos ou fim dias. De eternidade a eternidade - isso significa propriamente: desde o passado inconcebível até o futuro mais distante ele existe, sempre existiu e sempre existirá; e, em segundo lugar, para ele não há passado nem futuro; o passado e o futuro estão sempre e igualmente presentes.

C. IMUTABILIDADE DE DEUS O Deus Imutável

INTRODUÇÃO O século XX assistiu ao nascimento de uma teologia conhecida como “Teologia do Processo”. Ela afirmava que Deus, ao se relacionar com sua criação, encontra-se em processo de mutação, aperfeiçoando seu caráter à medida que se envolve com suas criaturas. Para tal teologia, um deus verdadeiramente relacional que interage com pessoas dentro do tempo e do espaço, necessariamente irá se desenvolver enquanto ser, assim como as pessoas amadurece e muda no contato umas com as outras. Esse era o deus mutável da “Teologia do Processo”. Em anos mais recentes, na década de 80, Clark Pinnock, escreveu um artigo intitulado “God limits his knowledge” *Deus limita seu conhecimento], dando início àquilo que se difundiu sorrateiramente dentro da teologia evangélica, conhecido como “Open Theism”, em português “Teísmo Aberto”. O Teísmo Aberto não atacou diretamente a imutabilidade de Deus, e sim, a sua onisciência. Todavia, como conseqüência de tal redefinição do conhecimento de Deus, isso, conseqüentemente, afetou verdades das Escrituras que se relacionam

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intimamente com a imutabilidade do caráter dEle. Já que Deus não pode conhecer o futuro, apenas a realidade passada e presente, logo, a cada ação humana, Ele adapta seus planos. Isto é, o plano de Deus para a humanidade está em constante mutação, dependendo do modo como suas criaturas agem e reagem. O teísmo aberto tem penetrado na igreja evangélica brasileira com outro nome, “Teologia Relacional”. O rótulo mudou, mas a essência da praga é a mesma. Com isso, é urgente nos voltarmos para as Escrituras e compreendermos o que elas afirmam acerca do caráter imutável de Deus e, também, de seus planos, propósitos e ações que são coerentes com o Seu ser. DEUS É IMUTÁVEL EM SEU SER E EXISTÊNCIA Como bem declarou Arthur W. Pink: [A imutabilidade] é uma das excelências que distinguem o Criador das criaturas. Deus é o mesmo perpetuamente, não está sujeito à mudança alguma no seu ser, atributos ou determinações. Por tal atributo, Deus é comparado a uma rocha (Dt 32.4) que permanece imóvel quando o oceano que a rodeia flutua continuamente. Ainda que todas as criaturas estejam sujeitas à mudança, Deus é imutável. Ele não conhece mudança alguma, porque não tem início nem fim, Deus é desde sempre. Em primeiro lugar, Deus é imutável em sua essência. Sua natureza e ser são infinitos, portanto, não está sujeito a mudança alguma. Nunca houve um tempo em que ele não existisse; nunca haverá um dia em que Ele deixe de existir. Deus nunca evoluiu, cresceu ou melhorou. O que é hoje tem sido sempre e sempre será. “Eu, o SENHOR, não mudo” (Ml 3.6). A Bíblia não se cansa de nos lembrar que Deus é sempre o mesmo. Deus não pode melhorar, nem piorar. É exatamente por ser perfeito que necessariamente é imutável. Ele não amadurece em seu Ser nem se desenvolve. Depois de mostrar aos irmãos de comunidades judaicas dispersas pelo império romano, que Deus não tenta a ninguém com o mal nem pode ser tentado, Tiago faz uma afirmação acerca do caráter bondoso imutável de Deus: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tg 1.17). O autor da carta apóia sua confiança de que Deus de modo algum pode estar envolvido com o mal, exatamente pelo caráter bom e imutável dEle. Se Deus é bom e imutável, logo não pode praticar o mal nem ser atraído por este, pois se o fizesse, deixaria de ser bom ou precisaria ser imutavelmente mau. Deus não passou a ser bondoso, nem deixará de o ser, Ele é Bom porque é Imutável. A mesma verdade acerca da imutabilidade de Deus levou o profeta Malaquias a explicar aos seus contemporâneos o único motivo pelo qual ainda não haviam sido destruídos. O povo vinha quebrando a lei de Deus constantemente: casamento com mulheres que não faziam parte do povo da aliança, animais imperfeitos eram

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oferecidos para sacrificar, sacerdotes negligentes, infidelidade matrimonial, tudo isso provocava a ira justa de Deus contra a nação de Judá. Então, por que Deus não aniquilou aquele povo sempre rebelde (Ml 3.7)? Porque “Eu, o SENHOR, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos”. Deus havia feito uma aliança com Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas do povo de Israel, que é constantemente reafirmada no livro de Gênesis (Ex.: Gn 12; 15; 17; 22; 26; 28). Ele abençoaria aquela nação, cuidaria dela e a multiplicaria. O que implicava no fato de que jamais o povo de Israel fosse destruído. Por isso, Deus afirma que eles são “descendentes de Jacó”. Como Deus não muda em Sua fidelidade, sempre cumpre o que promete a nação de Judá não havia sido destruída. Deus não muda em seu caráter, é sempre Fiel. Além de não mudar em seu Ser ou em seus atributos, Deus, também, não muda em sua existência. Ou seja, Deus nunca passou a ser, Ele sempre é. “Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim” (Sl 102.26, 27). Deus não surgiu nem foi criado, Ele sempre existiu, existe e existirá. Ele não experimenta a velhice, sua vida não diminui nem aumenta, “de eternidade a eternidade tu és Deus” (Sl 90.2). Isso nos dá a garantia de que o mesmo Deus que não muda em nada do que é, também não deixará de existir, por isso, cumprirá todas as Suas promessas e podemos dormir tranqüilos, sem nos preocupar se amanhã Ele estará vivo para manter a ordem do Universo e a nossa existência (At 17.28, 29; Hb 1.3). DEUS É IMUTÁVEL EM SEUS PLANOS E PROPÓSITOS O desdobramento do Deus que é imutável em seu Ser é que, conseqüentemente, também é imutável em seus planos e obras. “O que Deus faz no tempo, planejou desde a eternidade. E o que planejou na eternidade, leva a cabo no tempo”. Deus não muda em seu modo de pensar nem no que projetou para cumprir na história. “Mas os planos do SENHOR permanecem para sempre, os propósitos do seu coração, por todas as gerações” (Sl 33.11). Jó reconheceu isso de modo sublime: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado”(Jó 42.2). Nisso Deus difere completamente de nós, seres humanos: Há duas causas que fazem o homem mudar de opinião e inverter seus planos: a falta de previsão para antecipar-se aos acontecimentos e a falta de poder para cumpri-los. Mas, tendo admitido que Deus é onisciente e onipotente, nunca precisa corrigir seus decretos … é por isso que lemos acerca da “natureza imutável do seu propósito” (Hb 6.17). É com base na imutabilidade do propósito de Deus que o autor de Hebreus motiva seus leitores a confiarem nEle e em Sua promessa. É essa imutabilidade de propósito e caráter que produz esperança em nós e nos mantém firmes e perseverantes na fé porque Deus é Fiel para cumprir o que prometeu (Hb 6.11-20). O plano e as promessas

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Bom e Soberano de Deus. nenhum dos teus planos podem ser frustrados”! Isso deve sempre consolar o nosso coração. e deixa de agir? Acaso promete. até o fim dos tempos” . A IMUTABILIDADE DE DEUS E SUAS IMPLICAÇÕES PRÁTICAS A primeira implicação prática da imutabilidade de Deus para nós como cristãos é o conforto e o consolo de que as promessas dEle em Sua Palavra são reais não só para a época dos crentes do século I. hoje. dos que são chamados segundo o Seu propósito” (Rm 8. Dt 4. já que ele é imutavelmente “fogo consumidor” (Hb 12. Ele não abriu mão de Sua justiça. e deixa de cumprir? Recebi uma ordem para abençoar. Deus é Soberano sobre tudo e nada altera Seu plano. Mas. Essa é uma verdade que o teísmo aberto tem atacado com suas falácias. Deus continua perdoando pecados daqueles que confessam suas falhas a Ele (1 Jo 1. de como agiu na época do Antigo Testamento. este sistema dirá que Deus não sabia que isso ocorreria e que não fazia parte do Seu plano. pois “bem sei que tudo podes.35. Também.19-20). se Deus é sempre o mesmo.24).29. nem deixou de disciplinar aqueles de Seu povo que o desobedecem.9). sabendo que Deus continua Justo e Amoroso em meio às adversidades da vida. Acabam criando dois deuses diferentes. a imutabilidade de Deus é um consolo imenso de que Ele não deixou de ser sábio e bondoso conosco. como também. Como diria John Piper: Da menor 40 . 36).29). Ele abençoou. nos anima a passar por elas de um modo que o agrade (1 Co 10. nada do que ocorre foge do plano Sábio.Mt 28. em que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.30). eu retribuirei … O Senhor julgará o Seu povo” (Dt 23. Assim como Moisés declarou: “A mim pertence a vingança. Diante de situações de profundo sofrimento. nenhum desastre natural. nas tragédias da vida. nem filho do homem para que se arrependa.13).6-7). nem perdeu o controle da situação.imutáveis de Deus impediram Balaão de amaldiçoar o povo escolhido de Deus: “Deus não é homem para que minta. o autor de Hebreus confirmou a mesma verdade para nós cristãos (Hb 10. para nós. precisamos cultivar uma vida de temor e tremor perante Deus. Isso rouba a esperança e tira a confiança de qualquer cristão na Soberania de Deus. Por fim. nenhuma negligência ou maldade humana. Diante disso. como esteve com os primeiros discípulos. e não posso mudar isso” (Nm 23. uma espécie de neo-marcianismo evangélico. Acham que Deus age de forma diferente atualmente. A certeza de que estará conosco hoje.19-20). mantém-se sempre pronto a nos dar a Sua paz quando colocamos diante de Sua presença nossas preocupações e problemas (Fp 4. deve nos motivar a proclamar o evangelho (“eu estarei com vocês. já que elas não mudam. Alguns crentes hoje em dia ignoram a justiça de Deus e transformam a graça dEle em libertinagem (Jd 4). A convicção de que Ele é Fiel e sempre nos dará as condições necessárias para enfrentarmos nossas provações. cf. nunca além do que podemos suportar. Acaso Ele fala.

Até a razão nos ensina que não é possível nenhuma mudança em Deus. Não é certo que Aquele que habita a eternidade passou à criação do mundo. pois era do Seu eterno beneplácito enviar ao mundo o Filho do Seu amor. Mas em Deus. Deus sempre em ação. Rm 1. melhoramento e deterioração são igualmente impossíveis. mas não há nenhuma mudança em Seu Ser.14. mas no homem e nas relações do homem com Deus.11. Seu conhecimento e Seus planos. de modo que Suas decisões dependem em grande medida das ações do homem.23. mudanças nas relações dos homens com Ele. a mudança não é em Deus.26. em Seus motivos de ação. nem em Suas promessas. de Sua mudança de intenção. em Seus atributos.26-28. em Seus propósitos. boa e má. 48. e de que o Absoluto inconsciente vai-se desenvolvendo gradativamente rumo à personalidade 41 . devemos lembrar-nos de que se trata apenas de um modo antropopático de falar. na verdade não em Seu Ser. A Bíblia nos ensina que Deus entra em multiformes relações com os homens e. em Seus propósitos e em suas promessas.10-14. 27. A encarnação não produziu mudança no Ser e nas perfeições de Deus. como vindo e indo. e como procedendo diferentemente com o homem antes e depois da sua conversão? Cf. por assim dizer. visto que qualquer mudança é para melhor ou para pior. A imutabilidade de Deus é necessariamente concomitante com a Sua asseidade. mas não houve mudança nele quando esse propósito foi levado a efeito por um único ato de Sua vontade.17. Tg 1.22. É importante sustentar a doutrina da imutabilidade de Deus contra a doutrina pelagiana e arminiana de que Deus é sujeito a mudança. como se arrependendo e mudando de intenção. É hábito na teologia falar-se de Deus como actus Purus. encarnou-se em Cristo. e da alteração que faz de sua relação com pecadores quando estes se arrependem. 3.20. justos e bons propósitos (Is 46. A imutabilidade de Deus é claramente ensinada em passagens da Escritura como Êx. pagão e cristão. e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em Seu Ser e em Suas perfeições.4. mas também em Suas perfeições. mas em Seu conhecimento e em Sua vontade. Seu propósito de criar o mundo é eterno como Ele. nem em Seu propósito. Hb 1. e não um Ser absoluto. contra a noção panteísta de que Deus é um eterno vir-a-ser. Sl 18.10). A imutabilidade divina não deve ser entendida no sentido de imobilidade. Sl 102. a perfeição absoluta. Ao mesmo tempo. dor e prazer – Deus governa tudo por Seus sábios. Êx 32. Ml 3. há muitas passagens bíblicas que parecem atribuir mudança a Deus. A objeção aqui presente baseia-se até certo ponto em errônea compreensão. Em virtude deste atributo. Pv 11.. 12.coisa à maior. como se não houvesse movimento em Deus. Seus princípios morais e Suas Volições permanecem sempre os mesmos.10. feliz e triste. E se a Escritura fala do seu arrependimento.12. Is 41. Jn 3. 12. vive sua vida com eles. não somente em Seu Ser.6. Na realidade. e no Espírito Santo fez morada na Igreja? Não é Ele apresentado como revelando-se e ocultando-se. Ele é exaltado acima de tudo quanto há. É a perfeição pela qual não há mudança nele. Ele está cercado de mudanças.

e contra a tendência atual de alguns. negando todas as limitações do espaço ao Ser Divino. da sabedoria infinita. e não deve ser confundida com extensão ilimitada.(b) potencialidade ilimitada”. O mesmo se pode dizer do conhecimento infinito. antes que extensiva. embora seja perfeitamente verdadeiro que não podemos formar uma idéia positiva da infinidade.48. outra ali. uma parte aqui. Distinguimos três modos de presença no espaço.7-10. mas qualitativo. uma santidade qualitativamente livre de toda limitação ou defeito. comas quais Ele mantém relação. ela qualifica todos os atributos comunicáveis de Deus. negamos que haja ou que possa haver quaisquer limitações do Ser divino e dos Seus atributos. Distinguimos vários aspectos da infinidade de Deus. Esta é a infinidade do Ser Divino considerada em si mesma. nem exclui a coexistência das coisas finitas e derivadas. então. É uma realidade em Deus e só por Ele compreendida plenamente. Não deve ser considerada num sentido quantitativo. pois Deus não tem corpo e. Os corpos ocupam o espaço circunscritivamente. porque são limitados por ele. mas sim. a infinidade de Deus é simplesmente idêntica à perfeição do Seu divino Ser. A infinidade de Deus também pode ser vista com referência ao espaço. Ao atribuí-la a Deus. Neste sentido da palavra. (ONIPRESENÇA) ONIPRESENÇA=TODA PRESENÇA Infinidade é a perfeição de Deus pela qual Ele é isento de toda e qualquer limitação. Mt 5. como se uma parte do Seu Ser estivesse num lugar e outra parte noutro. sendo. Diz o dr. O poder infinito não é um quantum absoluto. e que Ele não fica encerrado no universo. SUA PERFEIÇÃO ABSOLUTA. As últimas palavras são acrescentadas para evitar a idéia de que Deus se difunde pelo espaço. Ela tem um lado negativo e um lado positivo.consciente no homem. os espíritos finitos ocupam 42 . não tem extensão espacial. está presente em todos os pontos do espaço com todo o Seu Ser. Orr: “Talvez possamos dizer que. A prova bíblica disto acha-se em Jó 11. e afirmando que Deus está acima do espaço e ocupa todas as partes deste com todo o Seu Ser. contudo. que se esforça e que se desenvolve gradativamente.3. portanto. Isto não implica Sua identidade com a soma total das coisas existentes. do amor infinito e da justiça infinita. A infinidade de Deus deve ser concebida como intensiva. SUA IMENSIDADE. Sl 145. C. denominada imensidade. Esta pode ser definida como a perfeição do Ser Divino pela qual Ele transcende todas as limitações espaciais e. Isto implica que Ele não é limitado de maneira nenhuma pelo universo. Tampouco deve ser considerada como um conceito meramente negativo. como se Deus estivesse espalhado pelo universo todo. por este mundo caracterizado pela relação tempo-espaço. ausência de toda limitação e defeito. em última análise a infinidade de Deus é: (a) interna e qualitativamente. de falar de um Deus finito. A Infinidade de Deus.

Apesar do fato de que Deus é distinto do mundo e não pode ser identificado com ele. podem ser considerados sinônimos. inteligente livre. A questão se uma existência pessoal combina com as idéias do absoluto se há muito prendeu a atenção dos filósofos. At 7. Sl 139. Deus é imanente em todas as Suas criaturas. nem tampouco está mais presente numa parte que noutra. em distinção de ambos estes modos. 28. mas também per essentiam. e. Jr 23. porque ele preenche todo o espaço. e.27.23. como são aplicados a Deus. denotam a mesma coisa e. não porém (com a essência e natureza do Seu Ser). e ao mesmo tempo Ele preenche ambos e é Deus acessível. Não significa. que ele está igualmente presente. At 17. devemos evitar. porém.27. como Ser pessoal no mais elevado sentido da palavra. visto que não estão em toda parte. 24. O primeiro salienta a Transcendência.1. Ele não habita na terra do mesmo modo como habita no céu. Is 66. por um lado. há um ponto de diferença que deve ser observado cuidadosamente. No que diz respeito à relação de Deus com o mundo.7-10. tão característico de grande parte do pensamento atual. A natureza da Sua permanência está em harmonia com a das Suas criaturas. o conceito deísta de que Deus está de fato de que Deus está de fato presente na criação (com o Seu poder). 49. mas somente num dado e definido lugar. Em certo sentido. consciente. Ele não está ausente de nenhuma parte do espaço. 1 Rs 8. não obstante está presente em cada parte da Sua criação. nem dos ímpios como nos piedosos.48.o espaço definidamente. D. e na medida em que elas revelam Deus aos que têm olhos para ver. e presente no mesmo sentido em todas as Suas criaturas. Deus ocupa o espaço repetitivamente. É nos atributos comunicáveis que Deus se posiciona como Ser moral. portanto. nem na Igreja como em Cristo. os termos “imensidade” e “onipresença”. o erro do panteísmo. Todavia. nem nos animais como habita no homem. O céu e aterra não podem contê-lo. nem na criação inorgânica como na orgânica. ao passo que “onipresença” denota que. e ainda é objeto de 43 . por outro lado. e o último. a imanência de Deus. não obstante. Há uma infinda variedade nas maneiras pelas quais ele é imanente em Suas criaturas. e age sobre o mundo à distância. OS ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS DE DEUS (Deus como Espírito Pessoal) Se os atributos discutidos no capítulo anterior salientam o absoluto Ser de Deus. na Sua criação inteira. Ele preenche todas as partes do espaço com todo o Seu Ser. A onipresença de Deus é revelada claramente na Escritura. não somente per potenciam. mas de modo nenhum é limitado a esta. os que restam considerar acentuam a Sua natureza pessoal. com a sua negação da transcendência de Deus e a sua suposição de que o Ser de Deus é realmente substância de todas as coisas. “Imensidade” aponta para o fato de que Deus transcende todo o espaço e não está sujeito às suas limitações.

em sua argumentação. devemos ter em mente que. os filósofos sempre estiveram operando com a idéia de personalidade como concretizada no homem. e o que vemos no homem é apenas uma cópia finita do original. Doutro modo. Além disso. sem conteúdo nenhum. desde que não se pode pensar em personalidade desvinculada de relações. A resposta depende em grande medida do sentido que se atribua à palavra “absoluto”. A causa pressuposta deve ser suficiente para explicar totalmente o efeito. tal absoluto ou realidade última é apenas um conceito abstrato e vazio. O homem não é um ser auto-existente e eterno. isto implica necessariamente a existência de um Legislador supremo. Pode expressar-se no finito e por ele. personalidade perfeita só se acha em Deus. e isto seria completamente impossível. (3) A natureza moral e religiosa do homem também aponta para a personalidade de Deus. e não viam que. das emoções mais profundas. mas u ser finito. o Absoluto é o irrelacionado do qual nada se pode conhecer. que podem ser denominados sentidos agnóstico. e de uma vontade todo-poderosa. em Deus. da qual não se acha analogia alguma nos seres humanos. A Sua natureza Lhe impõe um senso de obrigação de fazer o que é reto. como uma pessoa. com princípio e fim. Tal concepção do Absoluto não é incoerente com a idéia de personalidade. Na verdade. uma vez que só se conhecem as coisas em suas relações. Ademais. Quanto ao sentido agnóstico.debate. há uma tri personalidade em Deus. Atribuir-lhe personalidade seria limitá-lo a um modo de ser. e destruiria o seu caráter absoluto. e o universal mais elevado é a realidade última. Em toda a sua estrutura e constituição ele revela os mais claros sinais de uma inteligência infinita. mas faz todas as coisas dependerem dele. Ainda mais. somos constrangidos a subir do mundo para o Criador do mundo como um Ser com inteligência. mas nada que seja finito pode expressar a sua natureza essencial. De fato. Além disso. Visto que o homem é um produto pessoal. (1) A personalidade humana requer um Deus pessoal para sua explicação. Deste modo é a substância absoluta de Spinoza. isto é. O conceito causal do Absoluto apresenta-o como o fundamento último de todas as coisas. (2) O mundo em geral dá testemunho da personalidade de Deus. No Absoluto lógico o individual está subordinado ao universal. Conseqüentemente. sensibilidade e vontade. Além disso.Para provar a personalidade de Deus têm sido apresentadas provas naturais muito parecidas com as citadas em prol da existência de Deus. não se lhe pode atribuir personalidade. como também o espírito absoluto de Hegel. E se não se pode conhecer nada dele. existe no efeito alguma coisa superior ao que quer que se ache na causa. mas pode entrar em várias relações com as criaturas finitas. Não depende de nada que lhe seja alheio. ele não é necessária e completamente irrelacionado. não pode ser identificada com um Absoluto que em sua própria essência é o irrelacionado. a sua natureza 44 . lógico e causal. a personalidade pode ser infinitamente mais perfeito. o poder que originou também deve ser pessoal. mais elevadas e mais ternas. Na filosofia a palavra tem sido empregada em três sentidos diversos.

A presença de Deus. A espiritualidade de Deus inclui o pensamento de que todas as qualidades que pertencem à perfeita idéia de Espírito se acham nele: que Ele é um Ser autoconsciente e auto-determinante. é uma. assim chamadas. e enche os seus corações da alegria da libertação e vitória. A ESPIRITUALIDADE DE DEUS O significado da palavra “ESPÍRITO” Bíblia não nos dá uma definição de Deus. a Escritura atesta a personalidade de Deus de diversas maneiras. como descrita pelos escritores do Velho e do Novo Testamentos. e todos os elementos e atividades da religião requerem um Deus pessoal como seu objeto e fim último. a teologia salienta o fato de que Deus tem um Ser substancial exclusivamente Seu e distinto do mundo. em quem podem confiar. é uma presença claramente pessoal. não tem sentido. E as representações antropomórficas e antropopáticas de Deus na Escritura. que chegam bem perto de expressar a idéia. E finalmente. muitas vezes testificam inconscientemente de crença num Deus pessoal. a menos que encontrem seu objeto apropriado num Deus Pessoal. é simplesmente próprio discutir primeiro a espiritualidade de Deus. Pelo ensino da espiritualidade de Deus. fé e obediência. e sem composição nem extensão. como o hebraico panim e o grego prosopon. com atributos do como um Deus pessoal. vê o Pai”. Ao mesmo tempo.9. O fato é que coisas como penitência. de uma declaração que visa a dizer-nos numa única palavra o que Deus é. lealdade no servir e sacrifício. embora devem ser interpretadas de modo que não militem contra a pura espiritualidade e santidade de Deus. Jo 14. A.Mas.religiosa constantemente o incita a procurar comunhão pessoal com algum Ser superior. Mesmo as religiões panteístas. que os sustenta nas suas provações. O Senhor não diz meramente que Deus é um espírito. a mais alta revelação de Deus de que a Bíblia dá testemunho é uma revelação pessoal. Jo 4. Jesus Cristo revela o Pai de maneira tão perfeita que pôde dizer a Filipe: “Quem me vê a mim.24. mas que Ele é Espírito. Trata-se. só podem justificar-se com o pressuposto de que o Ser a quem se aplicam é uma pessoa real. Provas mais pormenorizadas aparecerão na discussão dos atributos comunicáveis. ao menos. conquanto todas estas considerações sejam verdadeiras e tenham valor como testemunha. invisível. se bem que há vocábulos. não são as provas de que a teologia depende em sua doutrina da personalidade de Deus. O termo “pessoa” não é aplicado a Deus na Bíblia. com quem os homens têm capacidade e permissão de conversar. comunhão e amor. e que este Ser substancial é imaterial. E devido a esta clara declaração. 45 . Ela busca prova na revelação que Deus faz de Si na Escritura. O que mais se aproxima disso é a palavra dita por Jesus à mulher samaritana: “Deus é Espírito”. confiança na vida e na morte.

2-6. porque a Bíblia atribui a Ele partes corporais? Estas devem ser consideradas como antropomórficas e simbólicas. não há nele nenhuma composição de partes. imortal.5. braço e mão – Sua eficiência. Quando se fala que Deus aparece aos patriarcas e anda com eles. Por Deus ser Espírito puro estas passagens deve ser tomadas num sentido figurado e simbólico. que habita em luz inacessível. Paulo fala dele como o “Rei eterno.30. o coração – a sinceridade das Suas afeições. O olho – Sua sabedoria. não que Ele tivesse um corpo (A H Strong). Gênesis 32. A ele honra e poder eterno. Deuteronômio 34. as palavras ZEC (ruah) e pneuma significavam ar em movimento. os pés – a Sua presença. portanto.18. O que significa a palavra espírito? Ao responder a esta pergunta. segue-se necessariamente que ele é uma pessoa – um agente autoconsciente. Portanto. e como “o Rei dos reis e Senhor dos senhores.19. (1 Tim 6. Atribuindo espiritualidade a Deus. podemos afirmar que Ele não tem nenhuma das propriedades pertencentes à matéria. a boca – revelação da Sua vontade. a quem homem algum jamais viu. de longe. ao espírito ou à vista deles. ao fazê-lo. ao revelar-nos que DEUS é espírito. as narinas – aceitação das nossas orações.10 somente podem ensinar que Deus se manifestou a Jacó e a Moisés numa representação que adequava à mente. assim. que DEUS é ESPÍRITO. A idéia de espiritualidade exclui necessariamente a atribuição de qualquer coisa semelhante à corporalidade a Deus e. mas. as entranhas – Sua compaixão. olhos e ouvidos. invisível” (1 Tm 1. o único que possui imortalidade.17). Seus ouvidos – a Sua prontidão 46 . a face – Seu favor. transcende o nosso conhecimento humano.Desde que Ele é Espírito no sentido mais absoluto e mais puro da palavra.20. Se DEUS é espírito. à maneira dos homens.JO12. TEOFANIA DE DEUS: A palavra “TEOFANIA” é composta de sois vocábulos gregos “THEÓS”(deus) e “PHAÌNEI” (aparecer) e significa aparição ou manifestação de DEUS (EX3. condena as fantasias de alguns antigos gnósticos e dos místicos que a Bíblia fala de mãos e pés. a mão – a força do Seu poder.16. 15. Amém”. nem é capaz de ver. inteligente e voluntário.19.28) Se “Deus é Espírito”.17. tais passagens devem ser explicadas como se referindo às manifestações temporárias do próprio Deus em forma humana – manifestações que prefiguravam o tabernacular final do Filho de Deus em carne”. Originalmente.17. e não à Sua natureza invisível. 16). Estas representações aludem à Sua obra. Também por elas. nosso Senhor nos autoriza a crer que tudo quanto é essencial á idéia de espírito. e que os sentidos corporais não O podem discernir.MT3. aprendemos o que nosso Senhor pretendia dizer quando declarou que DEUS é ESPÍRITO. refere-se a DEUS para determinar sua natureza. Nelas são manifestas as Suas perfeições ao homem: os olhos e os ouvidos – onisciência. está falando antropomórfica ou figuradamente daquele que. boca e narinas de Deus. Ele nos ensina e nos conforta: Seus olhos – a Sua vigilância sobre nós. ela nos revela que não se pode designar nenhum atributo material a essência divina. e de quem só podemos falar aos gaguejos. segundo aprendemos de nossa própria consciência.18. especialmente o fôlego. Ao dizer.

15. Isaías 51. para aliviar os Seus e para destruir os inimigos. Salmos 34.em ouvir as súplicas dos oprimidos.9. 47 . Seu braço – Seu poder.

Como tal. totalmente abrangente e imutável. um conhecimento que repousa na consciência de Sua onipotência. Funda-se no conhecimento infinito que Deus tem do Seu propósito eterno. isto é. freqüentemente indistinto.13. Sua natureza.3. É arquetípico. Além disso. Is 29. o conhecimento e a sabedoria de Deus. como o nosso. O CONHECIMENTO DE DEUS (ONICIÊNCIA). como perfeito em Sua vida intelectual. É inato e imediato. que existem no presente ou que existirão no futuro. é intuitivo. e é chamado livre conhecimento porque é determinado por um ato concomitante da vontade. e não resulta de observação ou de um processo de raciocínio. Também é denominado scientia visionis. Em conexão com o conhecimento de Deus. 40. Também é conhecido como conhecimento de simples inteligência. É chamado necessário porque não é determinado por uma ação da vontade divina. portanto. Faz-se distinção entre o conhecimento necessário e o livre conhecimento de Deus. é completo e plenamente consciente. Na Escritura Deus é apresentado como Luz e. em vista do fato de que é pura e simplesmente um ato do intelecto divino.9. o que significa que Ele conhece o universo como ele existe em Sua própria idéia anterior à sua existência como realidade finita no tempo e no espaço. vários pontos pedem consideração.4. 28. 48 . como. e não fragmentadas uma após a outra. de modo que Ele vê as coisas de uma vez em sua totalidade. Sendo perfeito. conhece-se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples. A. sem nenhuma ação concomitante da vontade divina. antes que demonstrativo ou discursivo. de maneira inteiramente única. Jó 12. Sl 94. É um conhecimento caracterizado por perfeição absoluta.15.B. O primeiro é o conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as coisas possíveis. e muitas vezes não consegue ascender à clara luz da consciência. Esta categoria compreende duas perfeições divinas. a saber. enquanto que o conhecimento do homem é sempre parcial. 147. conhecimento de vista. 1.Atributos Intelectuais. por exemplo. é também simultâneo e não sucessivo. O livre conhecimento de Deus é aquele que Ele tem de todas as coisas reais. O conhecimento de Deus difere do dos homens nalguns pontos importantes. das coisas que existiram no passado.ONICIÊNCIA=TODO SABER Pode-se definir o conhecimento de Deus como a perfeição de Deus pela qual Ele. em 1 Sm 2. A Bíblia atesta abundantemente o conhecimento. e esse conhecimento não é obtido de fora.27.

SL139. dos eventos condicionais. 1 Sm 16. Sua extensão.13. É chamado onisciência. mas achamos difícil conceber um conhecimento prévio de ações que o homem origina livremente. o método comum de sanar a dificuldade de conciliar presciência com liberdade era representá-la como meramente subjetiva.9.5-8. Ele conhece o que é possível.7. que só observava as manifestações externas da vida. É nos levantado um problema aqui. mas para o coração. Para uma adequada avaliação desse atributo.20.22.168. Socino e todos quantos acreditam num Deus finito. conquanto seja possível aproximar-nos de uma solução. JO14. Se DEUS ignorasse de que forma atuariam os agentes livres. como Marcion . Ele conhece todas as coisas como realmente se dão. passadas.18. Ele é perfeito em conhecimento. Sl 33. GN18. 19. o que é totalmente inconsciente com a verdadeira idéia de sua natureza. Diversas passagens da Escritura ensinam claramente a onisciência de Deus. conhece o lugar da sua habitação. e a Sua presciência das 49 . O conhecimento de Deus não é perfeito somente em sua natureza. 94. e daqueles que. Além disso. ela não nos deixa em dúvida quanto à liberdade do homem. que não podemos resolver plenamente. 5Mt 10. mas também em sua abrangência.6.12. É preciso defender esta doutrina do conhecimento de Deus contra todas as tendências panteístas de apresentar Deus como base inconsciente do mundo fenomenológico. Não existe tal diferença em DEUS. em que o conhecimento do homem não pode penetrar. 17-19. portanto. como conhece o que existe concretamente. Entre os objetos do divino conhecimento estão os atos livres dos homens. só atribuem a Ele um conhecimento limitado. C.9. EX3. 20. todas as coisas que poderiam ocorrer em certas circunstâncias são atuais para a Sua mente. PRESCIÊNCIA DE DEUS Contudo. e as conhece em suas reais relações. Segundo Agostinho. É perfeitamente evidente que a Escritura ensina a presciência divina de eventos contingentes. Ele não vê como vê o homem. A dificuldade deste problema levou alguns a negarem a presciência das ações livres e outros a negarem a liberdade humana. Deus decretou todas as coisas. 1-2. então seu conhecimento seria limitado e estaria constantemente aumentando. mas penetra as profundezas do coração humano. há uma questão que requer discussão especial. 9. 45. 147.30.B.16. Jó 37.5. Sl 37.6. 17.23. Ele conhece a essência oculta das coisas.12. Sl 1. 25. EZ11. podemos particularizá-lo como segue: Deus se conhece a Si próprio e em Si próprio todas as coisas que dele provêm (conhecimento interno). presentes e futuras. e as decretou com as suas causas e condições na exata ordem em que ocorrem. A distinção entre conhecimento e presciência está somente em nós. porque é absolutamente compreensivo. Refere-se à presciência de Deus quanto às livres ações dos homens e. não olha para a aparência exterior. Podemos entender como Deus pode Ter conhecimento prévio onde a necessidade domina. 5. 1 Cr 28. O certo é que ela não permite a negação de nenhum dos dois termos do problema. e os dias da sua vida. 119. Além disso.

É uma tentativa de conciliar duas coisas que logicamente se excluem uma à outra. mas que são totalmente dependentes da vontade arbitrária do homem. assim. Fp 2. Teólogos jesuítas. Mas agora surge a questão: A predeterminação das coisas é coerente com o livre arbítrio do homem? E a resposta certamente é que não é. mas numa concepção revista da liberdade. 50 . a saber. Pois. dificilmente pode ser objeto do pré-conhecimento divino. absolutamente. Isto soluciona o problema no que se refere à presciência de Deus. porém. Chamam-lhe média. se considerar a liberdade da vontade (arbitrariedade). não é solução de problema.coisas e também dos eventos contingentes apóia-se em Seu decreto.11. “porque supõem que Deus chega a esse conhecimento. O nome indica o fato de que ela ocupa o ponto intermediário entre o conhecimento necessário de Deus e o livre. Mas. Em resumo. não em negar a liberdade. e deste em que a sua base não é o eterno propósito de Deus. porque torna o conhecimento divino dependente da escolha do homem. mas o homem seguro. luteranos e arminianos sugeriram a ciência media assim chamada. mas uma classe especial de coisas realmente futuras. Provavelmente ela está. nega implicitamente a onisciência de Deus. é objetável. E se concebemos a nossa liberdade humana como (autodeterminação racional). embora as nossas mentes não consigam captá-la. confiável. não temos base suficiente para dizer que é incoerente com a presciência divina. Diz o dr. uma coisa solta no ar. Rm 9. Também é contrária a passagens da Escritura como At 2. liberdade não é arbitrariedade. ligada aos nossos mais profundos instintos e emoções. O homem verdadeiramente livre não é o homem incerto e imprevisível. mas indiretamente. Ações que de maneira nenhuma são determinadas por Deus.23. permanece um elemento de mistério”. Difere daquele em que seu objeto não é todas as coisas possíveis. deve-se reconhecer. conhecendo o Seu propósito de efetua-la. Ademais. em parte. Ef 1. e determinada por nossas considerações intelectuais e por nosso próprio caráter. diz Dabney. pela Sua infinita compreensão da maneira pela qual a causa secundária e contingente atuará. Ao invés disso é uma coisa arraigada em nossa natureza. afinal de contas. a liberdade de ação no sentido pelagiano e uma certa presciência dessa ação. Em toda ação racional há um porquê para agir – uma razão que decide a ação. Orr: “Há uma solução para este problema. não diretamente. previstas ou produzidas por Deus”. A vontade humana não é uma coisa inteiramente indeterminada. como solução do problema.13. Isto. a liberdade tem suas leis – leis espirituais – e a Mente onisciente sabe quais são. mas não há base segura para esta concepção da liberdade do homem. direta ou indiretamente. virtualmente anula a certeza do conhecimento dos eventos futuros e.16. mas a livre ação da criatura como simplesmente prevista. em dadas circunstâncias externas. E que pode pender arbitrariamente numa ou noutra direção.

fidedignidade. Ef 1. Rm 11. 10. Ef 3. Ela indica o fato de que Ele sempre busca os melhores fins possíveis. como tal.4-8. Êx 34. e ‘amen. A Escritura utiliza várias palavras para expressar a veracidade de Deus: no Velho testamento ‘emeth.18. e até a apresenta como personificada em Provérbios 8. Is 65. Implica um fim último ao qual todos os fins secundários estão subordinados.33. mas também em todos os campos da atividade científica. Nm 23. Ele é também a verdade num sentido lógico e.19.A SABEDORIA DE DEUS. na providência. Jr 10. alethinos.5. Deve-se ter em mente. esta deve ser entendida em seu sentido mais abrangente. E. é perfeitamente confiável em sua revelação.6. como tal. e pistis. a verdade de Deus é o alicerce de todo conhecimento. Em vista do precedente.134. A Escritura é muito enfática em suas referências a Deus como verdade. Ele é também a verdade num sentido ético e. Pode-se considerar a sabedoria de Deus como um aspecto do Seu conhecimento. B.10.16. Vê-se esta sabedoria particularmente na criação. 1 51 . Sl 96. Isto já indica o fato de que ela inclui diversas idéias.16. A sabedoria de Deus é a Sua inteligência como manifestada na adaptação de meios e fins. os quais são chamados ídolos. É devido a esta perfeição que Ele é a fonte de toda verdade.19. mas também a realidade das coisas.7. segundo a Escritura. que é única em Deus. distingue-se de todos os deuses. Sl 25. 1 Co 2. Hb 6. 11.6. Quando se diz que Deus é a verdade. 10. assim chamados. Rm 3. Rm 8. 8. isto é. 12. e vê as coisas como realmente são. Hb 6. Finalmente. em virtude disto.4. 10. A Escritura se refere à sabedoria de Deus em muitas passagens. conhece as coisas como realmente são. 14. nele a idéia da Divindade se concretiza perfeitamente. Is 44. que esses três sentidos são apenas diferentes aspectos da verdade. Tt 1. pois estão intimamente relacionados É evidente que conhecimento e sabedoria não são a mesma coisa. H. e. e escolhe os melhores meios para a consecução dos Seus propósitos.9. ademais. podemos definir a veracidade ou verdade de Deus como a perfeição de Deus em virtude da qual Ele responde plenamente à idéia da Divindade.28. Ele é a verdade num sentido metafísico. de modo que a Sua revelação é absolutamente confiável. Primeiramente. Ele é tudo que como Deus deveria ser e. este fim último é a glória de Deus. 104.4. Sl 33. Sl 19. e constitui de tal modo a mente do homem que este pode conhecer não apenas a aparência.D. Cl 1. 31. revela-se como realmente é. A VERACIDADE DE DEUS.6. Dt 32. e fidelidade. Jo 14. como verdade.33. 115.1-7.3. Rm 11. 97.7.11. ‘amunah.18. Assim. e no Novo Testamento alethes (aletheia). Podemos ser um pouco mais específicos e chamarlhe a perfeição de Deus pela qual ele aplica o Seu conhecimento à consecução dos Seus fins de um modo que O glorifica o máximo. Smith define a sabedoria divina como “o atributo de Deus pelo qual Ele produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis”. A sabedoria se manifesta na seleção de fins próprios e de meios próprios para a consecução desses fins.2. nulidades e mentiras. 17.7. não somente na esfera moral e da religião.10.8. Nm 23.11. e na redenção.

Daí. 1. (2) a santidade de Deus. 2 Tm 2. Ele é a fonte de todo bem.19. na tua luz vemos a luz”. a misericórdia e a graça. Falamos que uma coisa é boa quando ela corresponde em todas as suas partes ao ideal. Dt 7. como determinados pela natureza dos seus objetos. naturalmente damos ênfase à bondade ética de Deus e a seus diferentes aspectos. Geralmente são discutidos sob três títulos: (1) a bondade de Deus. e a causa do seu regozijo. Na presente conexão. fluem para elas deste manancial inexaurível. Sl 89. tudo aquilo que deve ser como Deus. Todas as boas coisas que as criaturas fruem no presente e esperam no futuro. ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS Os atributos morais de Deus são geralmente considerados como as perfeições divinas mais gloriosas. A bondade de DEUS. Ele é bom na acepção metafísica da palavra. é também bom para as Suas criaturas. 52 . e. e um aspecto sempre considerado da maior importância. 19. Mc 10.18. o fundamento da sua esperança. É a base da sua confiança.9. embora em diferentes graus e na medida em que correspondem ao propósito da sua existência. Mas. É neste sentido que Jesus disse ao homem de posição: “Ninguém é bom senão um só. Não se deve confundir a bondade de Deus com Sua benevolência. em nossa atribuição de bondade de Deus.33.18. mesmo quando estão profundamente cônscios do fato de que perderam o direito a todas as bênçãos de Deus. é perfeição absoluta e felicidade perfeita em Si mesmo. e assim é apresentada de várias maneiras na Bíblia toda. Esta fidelidade de Deus é de máxima significação prática para o povo de Deus. mas. O poeta canta: “Pois em ti está o manancial da vida. e enche os seus corações de jubilosas antecipações.9.9. 18. Ela os salva do desespero ao qual a sua própria infidelidade facilmente os poderia levar.17. desde que Deus é bom em Si mesmo. 10. mas Deus é também.20. E não somente isso. Nm 23. A BONDADE DE DEUS. o sumo bem. Hb 6. portanto. Há ainda outro aspecto desta perfeição divina. Geralmente se lhe chama fidelidade. que é Deus”. 1 Co 1. dá-lhes coragem para prosseguirem. no sentido bíblico do termo.13. e (3) a justiça de Deus.21. as perfeições morais de Deus refulgem com um esplendor todo seu. B. a idéia fundamental é que Ele é. para todas as Suas criaturas.7. Não que um atributo de Deus seja em si mesmo mais perfeito e mais glorioso que outro. corresponde perfeitamente ao ideal expresso pela palavra “Deus”. inclui a benevolência. A bondade geralmente é tratada como uma concepção genérica. em todos os aspectos e por todos os modos. Lc 18. o amor. que é um conceito mais restrito.23.Jo 5. incluindo diversas variedades que se distinguem de acordo com os seus objetos. relativamente ao homem. Is 49. em virtude da qual Ele está sempre atento à Sua aliança e cumpre todas as promessas que fez ao Seu povo. a despeito de todos os seus fracassos. Sl 36.

Ele reconhece um portador da Sua imagem. mas também pelos homens.16. É a estes que Ele se comunica no sentido mais rico e mais completo. estes são até privados dele.22. Rt 2. 39. visto que. a seu tempo. mesmo no pecador. apesar de que o pecado deste é uma abominação para Ele. Mt 5. porém.26. para expressá-lo doutra forma. E embora não se restrinja aos crentes.45. e ainda se pode distinguir este amor de acordo com os objetos aos quais se limita. Segundo a Escritura. 47. O amor de Deus. 16. que a graça é a concessão de bondade a alguém que não tem nenhum direito a ela. Ele ama as Suas criaturas racionais por amor a Si mesmo. Gn 33. é manifestada não só por Deus. At 14.8. B.21.18. Sua obra e Seus dons. A significativa palavra “graça” é uma tradução do termo hebraico chanan e do grego charis. 16. Em distinção da bondade de Deus em geral. Jo 3.. 1 Jo 3.9.A. É este particularmente o caso em que a graça a que se faz referência é a graça de Deus. o Seu amor pode ser definido como a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. Desde que Deus é absolutamente bom em Si mesmo. Jo 16. Esta pode ser definida como a perfeição de Deus que O leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas. somente estes manifestam apropriada apreciação das bênçãos que dela provêm. 45. assume o caráter mais elevado de amor. lhes dás o alimento. e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras. Rm 5. ou. Ao mesmo tempo. Suas virtudes.6. 6. 15. Quando a bondade de Deus é exercida para com as Suas criaturas racionais. Em ti esperam os olhos de todos.4. É a afeição que o Criador sente para com as Suas criaturas dotadas de sensibilidade consciente como tais. Nestes casos não implica necessariamente que o favor é imerecido. A Bíblia geralmente emprega apalavra para indicar a imerecida bondade ou amor de 53 . quando mostrado a pecadores. Ele ama os crentes com amor especial. Ele nem mesmo retira completamente o Seu amor do pecador em seu estado pecaminoso atual. como Sl 36. assim. 1 Sm 1. Mt 5. 104. Lc 6. desejo de usa-las no serviço do seu Deus e. Seu amor ao ser humano é sempre imerecido e.35. Em geral se pode dizer. A graça de Deus. C. A Bíblia refere-se a esta bondade de Deus em muitas passagens.. Este benévolo interesse de Deus é revelado em Seu cuidado pelo bemestar da criatura e corresponde à natureza e às circunstâncias da criatura. caso em que denota o favor de um homem a outro.8. Varia naturalmente em grau.25. e tu. 18. neles Ele se ama a Si mesmo. de acordo com a capacidade que os seus objetos têm de recebe-lo. dado que os vê como Seus filhos espirituais em Cristo.27. Sl 145.44. A bondade de Deus para com Suas criaturas em geral (benevolência).17. com toda a plenitude da Sua graça e misericórdia. Seu amor não pode achar completa satisfação em nenhum objeto falto de perfeição absoluta. O salmista a exalta com as bem conhecidas palavras: “O Senhor é bom para todos. Abres a tua mão e satisfazes de benevolência a todo vivente”. desfrutam-na em medida mais rica e mais completa. 10.2.1.

9. portanto.11. Tt 1.4-7. Tt 2. Jo 1. Sl 145. Jr 16.5. A palavra hebraica mais geralmente empregada para esta perfeição é chesed. Felizmente há algumas evidências de uma renovada ênfase ao pecado. 1 Cr 16. Há outra palavra. 2 Co 8. No Novo Testamento é muitas vezes mencionada ao lado da graça de Deus.4.7-9. são enriquecidos de bênçãos espirituais. 2 Ts 2. A misericórdia de Deus. e que a mensagem da redenção foi levada ao mundo. Sl 57. que se acha em lastimável condição. Esta misericórdia é generosa. 4. como em Is 26. e os poetas de Israel se dedicam em entoar canções descrevendo-a como duradoura e eterna. 1 Tm 1. É pela graça que o caminho da redenção foi aberto para eles. Ef 2. coisa inteiramente externa. As ternas misericórdias de Deus estão sobre todas as Suas obras. especialmente nas saudações. Embora a Bíblia fale muitas vezes da graça de Deus como graça salvadora. Pela graça eles são justificados. e até os que não O temem compartilham 54 . a misericórdia de Deus o vê como um ser que está suportando as conseqüências do pecado. Pode-se definir a misericórdia divina como a bondade ou amor de Deus demonstrado para com os que se acham na miséria ou na desgraça. 2 Cr 7.6. necessitado de perdão. conquanto a desfrutem em medida especial. 2 Tm 1.10.7. independentemente dos seus méritos. porém. 2. A Septuaginta e o Novo Testamento empregam a palavra grega eleos para designar a misericórdia de Deus. ex 20. e de uma recém-despertada consciência da necessidade da graça divina. lemos a seu respeito em Ef 1.10. No modernismo teológico.2. com sua crença na bondade inerente do homem e em sua capacidade de bastar-se a si próprio. 86. 2 Co 8.7.16. também faz menção dela num sentido mais amplo. A graça de Deus é a fonte de todas as bênçãos espirituais concedidas aos pecadores. a palavra racham. Tt 3. Sl 86. portanto. Não significa.50. Ef 2. Rm 3.9. Outro importante aspecto da bondade e amor de Deus é a Sua misericórdia ou terna compaixão. a saber. porém.1. Tt 2. por natureza.16. estão sob a sentença de condenação. necessita do socorro divino.27. Vendo-se absolutamente sem méritos próprios ficam na total dependência da graça de Deus em Cristo.3. At18. Rm 3. que se limita a eles.8. Sl 136. e mesmo a palavra “graça” foi esvaziada de toda significação espiritual e desapareceu dos discursos religiosos. às vezes lindamente traduzida por “terna misericórdia”.16. 6.10. Ed 3. que expressa uma terna e profunda compaixão.2. 3.24. que tem pena dos que se acham na miséria e está sempre pronto a aliviar a sua desgraça. Dt 5.24.5.11.13. D. Lc 1.34. Se a graça de Deus vê o homem como culpado diante de Deus e. Em Sua misericórdia Deus se revela um Deus compassivo. Como tal. Só foi conservada no sentido de “graciosidade”. A graça de Deus é da maior significação prática para os pecadores. At 14. Dt 7.Deus aos que perderam o direito a ela e. e finalmente herdam a salvação.11. a doutrina da salvação pela graça tornou-se praticamente um “acorde perdido”. Repetidamente se nos diz que essa perfeição divina é demonstrada para com os que temem a Deus.8. pela graça os pecadores recebem o dom de Deus em Jesus Cristo.9. e que.9.

53. e as palavras gregas boule e thelema. 95.35. Outros termos empregados para expressar a misericórdia de Deus são “piedade”.5. Ez 18. enquanto que o grego expressa a mesma idéia com a palavra makrothymia. o céu.6. 36.6.5. Em virtude de Sua obra criadora. a saber. que significa literalmente “grande de rosto” e daí também “lento para a ira”.23. 135. a saber. 115.6.6. Ele é apresentado como o Criador. A importância da vontade divina aparece de várias maneiras na Escritura.delas. Rm 2. Ela é exercida somente em harmonia com a mais estrita justiça de Deus. A longanimidade de Deus é ainda outro aspecto da Sua grande bondade ou amor.4. é a palavra “paciência”. As provas bíblicas da soberania de Deus são abundantes.10-12. 145. É o aspecto da bondade ou amor de Deus em virtude do qual Ele tolera os rebeldes e maus. 17. Dois dos atributos requerem discussão sob este título.14. E. “benignidade”. 3. A VONTADE SOBERANA DE DEUS. Ele está revestido de autoridade absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. Jr 18. e (2) o poder soberano de Deus. 2 Pe 3.11.1. 7. não obstante as admoestações e advertência que lhe vêm.15. Ex 18. aterra e tudo o que eles contêm Lhe pertencem. e Sua vontade como a causa de todas as coisas. A Escritura fala da longanimidade de Deus em Êx 34. com uma conotação ligeiramente diversa. Pv 21.6. At 17. 1. 1 Cr 29. Revela-se no adiantamento do merecido julgamento. O hebraico emprega a expressão ‘erek ‘aph. ATRIBUTOS DA SOBERANIA DE DEUS (A ONIPOTÊNCIA DE DEUS) ONIPOTÊNCIA=TODO PODER A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. É apresentada como a causa final de todas as coisas. 33. Jr 27. Sl 50.15. 12.11-13. mas aqui nos limitaremos a referir-nos a algumas das passagens mais significativas: Gn 14. 32. 1 Pe 3.20.3-5. 6.28.11. 8.6.19. Lc 6. e determina os fins que elas estão destinadas a cumprir. Dt 10. Ap 4. 5. 47. o governo. e todas as coisas dependem dele e Lhe são subservientes. A Bíblia emprega várias palavras para indicar a vontade de Deus. a despeito da sua prolongada desobediência. Sl 22. (1) a vontade soberana de Deus.11. tsebhu e raston. em vista dos méritos de Jesus Cristo. “compaixão”. 2 Cr 20. A longanimidade de Deus. Ne 9. No exercício deste atributo o pecador é visto como permanecendo em pecado. Lc 1. Tudo é derivado dela: a criação e a preservação. as palavras hebraicas chaphets. Não se pode apresentar a misericórdia de Deus como oposta à Sua justiça. A vontade de Deus em geral.3.2.24-26. Um termo sinônimo. Sl 86. Ap 19. Ele sustenta todas as coisas com a Sua onipotência. Sl 135. Ele governa como Rei no sentido mais absoluto da palavra. 55 . A.11.

é a base do ser e da continuada existência delas. foram aceitas mais geralmente. isto é. Distinções aplicadas à vontade de Deus. (4) o poder de executar este plano e de realizar este propósito (a vontade em ação. A segunda é a regra de vida que Deus firmou para as Suas criaturas morais.35. Pode denotar (1) toda a natureza moral de Deus. Tg 1. o plano ou propósito predeterminado. a tentativa de fundamentar tudo no próprio Ser de Deus geralmente redunda em panteísmo. At 18.42. calvinista. Algumas destas encontraram pouco apoio da parte da teologia reformada. ou seja. (2) a faculdade de autodeterminação. Rm 15.13.15. a vida e o destino do homem. É primariamente na vontade de Deus como a faculdade de autodeterminação que estamos interessados no momento. Com referência ao universo e a todas as criaturas que ele contém. como aconteceu com a distinção entre uma vontade de Deus antecedente e uma vontade conseqüente. os sofrimentos de Cristo. a onipotência). a santificação. dirige-se a Si mesmo como o Sumo Bem (isto é. Esta divisão não se relaciona tanto com o propósito de fazer algo. Outras. embora a filosofia às vezes mostre uma inclinação para procurar uma causa mais profunda no próprio Ser do Absoluto. B. num ato sumamente simples. quer permita que venha a ocorrer por meio da livre ação das Suas criaturas racionais.29.15. Daí.23. e até as menores coisas da vida. isto é. Lc 22.Dn 4. a eleição e a reprovação.17.11. Fp 2. a regeneração. portanto. 16. Estas distinções não somente estavam expostas a uma compreensão errônea. e com a distinção entre uma vontade absoluta e uma condicional. (3) o produto desta atividade. quer pretenda realizá-lo efetivamente (causativamente). incluindo atributos como amor. Todavia. Esta pode ser definida como a perfeição do Seu Ser pela qual Ele. porém. assim. (2) A vontade de eudokia e a vontade de eurestia. At 2. ao passo que a segunda é desobedecida com freqüência. no sentido em que é aplicada a Deus. foram consideradas úteis e. Estas podem ser asseveradas como segue: (1) A vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva. indicando os deveres que lhes impõe. Mt 10. nem sempre tem a mesma conotação na Escritura. A primeira é a vontade de Deus pela qual ele projeta ou decreta tudo que virá a acontecer. Tg 4. Ef 1. santidade. A palavra “vontade”. 56 . Têm-se aplicado várias distinções à vontade de Deus. 1 Pe 3. mas principalmente com o prazer de fazer algo ou com o desejo de ver alguma coisa feita. etc. Rm 9.21. e (5) a regra de vida firmada para as criaturas racionais.32. a teologia cristã sempre reconheceu a vontade de Deus como a causa última de todas as coisas. justiça. os sofrimentos dos crentes.18. mas de fato foram interpretadas de maneiras passíveis de objeção. A primeira é realizada sempre. o poder de determinar que o Eu siga um curso de ação ou formule um plano. deleita-se em Si mesmo como tal) e as Suas criaturas por amor do Seu nome e. isto naturalmente inclui a idéia de causação.

e não ao mal. portanto. A primeira é a vontade do decreto de Deus. São absolutamente fixas.26.33. Esta distinção é a mais comum. Rm 10. A distinção baseia-se em Dt 29.2:17. A vontade de eudokia e a vontade de eurestia relacionam-se ao prazer em realizar algo. quer permita que venha a ocorrer por meio da livre ação de suas criaturas (At.18. Toda e qualquer vontade revelada torna-se um signum.44:28. A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas que Ele quer efetuar ou permitir. em Mt 7. tal como acontece com a vontade decretória (Sl. corresponde à divisão anterior. Ef 1. Mt 11. 12. Dn 4. tal como acontece com a vontade preceptiva (Is. A vontade decretória e a vontade preceptiva relacionam-se ao propósito em realizar algo. como a do preceito.55:11). O beneplácito de Deus também acha expressão em Sua vontade preceptiva. A palavra eudokia só se refere ao bem. 9.46:9-11). (3) A vontade do beneplacitum e a vontade do signum. compreende aquilo que será realizado com certeza. A vontade decretória é sempre obedecida.11:26).2:23.14. Dt 30. cf. 11.8:20).29.3. 11. Rm 9.34.2. 35. e Sua vontade revelada.50. 19. 34. Esta vontade. A vontade de eudokia não se refere somente ao bem. no fato de que a vontade de eudokia. mas que pode ser desobedecido. É incorreto dizer que o elemento de complacência ou deleite está sempre presente nela.IJo.Dt. Aquela de novo denota a vontade de Deus como incorporada em Seu conselho oculto. Vontade Decretória: Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a acontecer.115:3. Esta última é acessível a todos. Jo 4. e não está longe de nós. 25.21. 57 . A vontade revelada prescreve os deveres do homem e apresenta o modo pelo qual ele pode fruir as bênçãos de Deus. e nela não está sempre presente o elemento de deleite (Mt. em grande medida oculta em Deus. mas dificilmente se pode dizer que o faça. embora não se relacione com o propósito de fazer algo. A vontade secreta de Deus é mencionada em Sl 115.17. Vontade de Eudokia: Na qual Deus deleita-se com prazer em realizar um fato e com desejo de ver alguma coisa feita. como a do decreto.65:12). Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que Suas criaturas façam.Contudo. Is.8. Esta distinção visa a corresponder à que se faz entre a vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva. abrange simplesmente o que Deus apraz que as Suas criaturas façam. 7. 32. Is. Vontade Preceptiva: Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida de Suas criaturas racionais. Esta vontade pode ser desobedecida com freqüência (At. quer pretenda realizá-lo causativamente. enquanto não o torna conhecido por alguma revelação ou pelo próprio evento. (4) A vontade secreta de Deus e Sua vontade revelada.13:22.17. mas sim com o prazer de fazer algo. enquanto que a segunda é a vontade do preceito. contudo corresponde àquilo que será realizado com certeza. Vontade de Eurestia: Na qual Deus deleita-se com prazer ao vê-la cumprida por Suas criaturas. e a decretatória às vezes também chega ao nosso conhecimento por meio de um signum. e que.5. Is. revelada na Lei e no Evangelho. Rm 12. enquanto que a vontade de eurestia.

10. Abrange todo o conselho secreto e oculto de Deus. Quando esta vontade nos é revelada. foi rejeitada pela igreja. Deus tem Suas razões para querer como quer.1. 58 . Pv 21. lugares e circunstâncias de suas vidas. Exatamente como há uma scientia necessaria e uma scientia libera. Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas racionais. e uma série de meios para realizar um fim. mas age de acordo com a lei do Seu Ser. O dr. Duns Scotus falava de uma vontade de Deus em nenhum sentido determinada. bem como as distinções pessoais da Divindade. Em cada caso há um motivo predominante. Todavia. 33. agindo com perfeita indiferença. A Bíblia fala desta liberdade da vontade de Deus nos termos mais absolutos.11. mas também deu ênfase ao fato de que não pode ser considerada como indiferença absoluta. razões que O induzem a escolher um fim e não outro. Deus mesmo é o objeto da primeira. e os tempos. contudo Sua vontade lhes controla as ações. conquanto necessária. É mais que evidente que a idéia de causa ação está ausente neste ponto. Freqüentemente se debate a questão se Deus. porque todas as tentativas desse jaez redundam em procurar uma base para a criatura no próprio Ser de Deus. A resposta a esta questão requer cuidadosa discriminação. e que a de complacência ou de autoaprovação está no primeiro plano. Is 10. E embora as dote de liberdade. à Sua sabedoria ou amor. As criaturas de Deus são.Vontade de Beneplacitum: Também chamada Vontade Secreta. os objetos da Sua voluntas libera. e tampouco permitido. porém. embora não sejamos capazes de determinar que motivo é esse. 1 Co 12. procurar alguma base mais profunda que a vontade de Deus em que as coisas se fundam. e esta. Em geral se pode dizer que Deus não pode querer nada que seja contrário à Sua natureza. A liberdade de Deus não é pura indiferença. privando-o do seu caráter contingente e tornando-a necessária.15 – 18. mas esta idéia de uma vontade cega.11. Ele não está sob nenhuma compulsão. 21. Jo 11. ela torna-se Vontade do Signum ou Vontade Revelada. eterna. determina o seu destino e as utiliza para os Seus propósitos. no exercício de Sua vontade. há também uma voluntas necessaria (vontade necessária) e uma voluntas libera (vontade livre) em Deus. Deus determina voluntariamente o que e quem Ele criará. Rm 9. C. 20. divina. à Sua justiça ou santidade. e que não nos é possível. age necessária ou livremente. mas autodeterminação racional. Bavinck assinala que raramente podemos discernir por que Deus quis uma coisa e não outra.16. Ele necessariamente quer a Si próprio e quer a Sua natureza santa. A igreja sempre defendeu esta liberdade.15. Sl 115. que torna o fim escolhido e os meios selecionados sumamente agradáveis a Ele.13. A liberdade da vontade de Deus.3. Significa que Ele necessariamente se ama a Si próprio e tem prazer na contemplação e Suas perfeições. 45.9.15. Mt 20. 29. em preferência a outros meios. é também a suprema liberdade. Ap 4.

que a vontade decretatória de Deus inclui também os atos pecaminosos do homem. A doutrina da vontade de Deus muitas vezes dá surgimento a graves questões. Conquanto uma solução perfeitamente satisfatória da dificuldade esteja fora de questão no presente. a vontade de Deus de permitir o pecado não implica necessariamente que Ele tem deleite ou prazer no pecado. Admitem francamente que não podem resolver a dificuldade. permitindo o pecado. com base em passagens como At 2. em certo sentido. com isso Deus é o autor do pecado e realmente quer uma coisa contrária às Suas perfeições morais. empregamos a palavra “vontade” em dois sentidos diferentes. A vontade de Deus em relação ao pecado. A vontade decretatória e a vontade preceptiva de Deus não estão em conflito no sentido de que 59 . Êx 4. portanto. é de grande importância sustentar tanto a vontade decretatória como a preceptiva. cf. às vezes indicam uma simples determinação da vontade. podemos aproximarnos de uma solução. ainda. 2 Rs 20. Levantam-se aqui problemas que nunca foram resolvidos e que provavelmente são insolúveis para o homem.23. sempre têm o cuidado de assinalar que se deve conceber isto de modo que não se faça de Deus o autor do pecado. Gn20. At 2.21-23. mas ao mesmo tempo fazem algumas valiosas distinções de comprovada utilidade. etc.23.7. (1) Diz-se que. depende do Seu pré-conhecimento do curso que o homem escolheria.1-7.D. Para fugirem à dificuldade. A maioria deles insiste em que a vontade de Deus quanto ao pecado é de permitir o pecado. Gn 22. Deve-se ter em mente que a vontade de Deus de permitir o pecado leva consigo a certeza de que o pecado virá a ocorrer. embora mantendo. que a vontade decretatória de Deus e Sua vontade preceptiva muitas vezes são contraditórias. embora os termos “vontade” e “querer” possam incluir a idéia de complacência ou deleite. Outros chamam a tenção para o fato de que. Quando falamos da vontade decretatória e da vontade preceptiva de Deus. Deus determinou o que Ele fará ou o que virá a acontecer. a regra do nosso viver. é também. É uma expressão da Sua natureza santa e daquilo que esta naturalmente requer de todas as criaturas morais. pois Ele realiza o bem moral. (2) Diz-se. que Sua vontade decretatória inclui muitas coisas que Ele proíbe em Sua vontade preceptiva. Todavia. se a vontade decretatória de Deus determinou também a entrada do pecado no mundo. supondo-se que seja compreendida corretamente. 17.8. a encarnação da vontade de Deus. são fundamentalmente uma só em Deus. e exclui muitas coisas que Ele ordena em Sua vontade preceptiva. Is63. devemos lembrar-nos de que a lei moral. mas com o definido entendimento de que. na segunda Ele nos revela o que estamos na obrigação de fazer.. e que. Ao mesmo tempo. e não de efetuá-lo. os arminianos dizem que a vontade de Deus. 31. Daí. 3. Os teólogos reformados (calvinistas). embora nos pareçam diversas. 6. Esta terminologia é permissível. outra observação pode ser acrescentada à anterior. Pela primeira.

mas que tem possibilidade de ser feito. por um lado. Gn 18. Zc 8. ou em Seu poder de executar a Sua vontade. Contudo. e mesmo de acordo com a vontade preceptiva Ele não quer a salvação de todos os indivíduos com uma volição positiva. Pode-se denominar o poder de Deus a eficaz energia da Sua natureza. 60 . É costume distinguir entre uma potentia Dei absoluta (um absoluto poder de Deus) e uma potentia Dei ordinata (poder ordenado de Deus). o poder absoluto é a eficiência divina. Jr 32. o que Ele ordenou ou marcou para ser posto em exercício. 2. se fosse esta a Sua intenção.na primeira Ele tem prazer no pecado e na segunda não.14. O Seu poder ordenado é parte do Seu poder absoluto. Nesse sentido podemos falar em potencia absoluta. mas um e o mesmo poder. isto é. Mas o exercício fatual do poder de Deus não representa os seus limites. não somente na vontade divina. de acordo com a primeira. nem no sentido de que. os quais não são poderes distintos. e de acordo com a segunda. Deus poderia fazer mais que isso. ou a perfeiçãodo Seu Ser pela qual Ele é a causalidade absoluta e suprema. mediante o simples exercício da Sua vontade. como Schleiermacher e Strauss. limita-se àquilo que o Seu decreto eterno abrange. não teria poder para fazer tudo que deseja”. A potência ordenada pode ser definida como a perfeição de Deus pela qual Ele. em virtude do Seu poder absoluto. Mas em nossa afirmação do poder absoluto de Deus precisamos acautelar-nos contra noções errôneas. em seu exercício fatual. a teologia reformada. exercida pela ordenada operação de causas secundárias.27. exercida sem a intervenção de causas secundárias. sustentam que o poder de Deus se limita àquilo que Ele realiza de fato. Mesmo de acordo com a vontade decretatória Deus não tem prazer no pecado. Ao mesmo tempo. O conceito mais geral é exposto por Charnock como segue: “Absoluto é o poder pelo qual Deus é capaz de fazer o que Ele não fará.9.6. adota a distinção como expressão de uma verdade real. O PODER SOBERANO DE DEUS. pode efetuar contradições. e pode até pecar e aniquilar-se a Si próprio. 26. O poder de Deus.53. Ele não quer a salvação de todos os indivíduos como uma violação positiva. Deve-se manter esta posição contra aqueles que. pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. ou poder absoluto de Deus. ordenado é o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer. que o poder de Deus estende-se além daquilo que é realizado de fato. quer. De acordo com Hodge e Shedd. rejeita esta distinção no sentido em que a entendiam os escolásticos. A Bíblia nos ensina. mas também na onipotência de Deus. enquanto que o poder ordenado é a eficiência de Deus. embora nem sempre a apresente do mesmo modo. que afirmavam que Deus. calvinista. Mt 3. A soberania de Deus acha expressão. pois se Ele não tivesse poder para fazer tudo o que pudesse desejar.

61 . 1 Sm 15. ela indica também que há muitas coisas que Deus não pode fazer. Tg 1. e não pode negar-se a Si próprio.18. Rm 1. Deus manifesta o Seu poder na criação.19. nas obras da providencia.16.3. Rm 1. e a Bíblia fala a seu respeito em termos que não deixam dúvida. Lc 1. 17.13.24. Não há poder absoluto nele. 1 Co 1. Mas. em passagens como Jó 9. Jr 32. Rm 4.26. Hb 1. Nm 23.29. Mt 19.13. A idéia da onipotência de Deus é expressa pelo nome ‘El-Shaddai.24. 2 Tm 2. Ef 1. Hb 6. Is 44.19. não podemos dizer que aquilo que Deus não realiza concretamente não Lhe é possível realizar.12.17. e em virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas inerentemente contraditórias entre si. mudar.20.37. divorciado de Suas perfeições.Portanto.17. e na redenção de pecadores. Ele não pode mentir pecar. Sl 115. por outro lado.3.

Como se pode explicar isto? Com que base estes nomes são aplicados ao Deus infinito e incompreensível? Deve-se Ter em mente que eles não foram inventados pelo homem e não atestam sua compreensão do Ser de Deus propriamente dito. que expressam o multiforme Ser de Deus. Deus teve que condescender em nivelar-se ao homem. O que possibilitou isso foi o fato de que o mundo. nas seguintes declarações: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” Êx. é teve o objetivo de ser uma revelação de Deus. o nome geral de Deus é subdividido em muitos nomes. Para nós. Dado o que O Incompreensível revelou-se em Suas criaturas. mas têm origem divina. segundo o pensamento oriental. É um designativo dele. Ele tem muitos nomes. Deus é O Incompreensível. “Torre forte é o nome do Senhor. não Lhe podemos dar nome e. São antropomórficos e assinalam uma condescendente aproximação de Deus ao homem. os nomes dos diversos deuses eram utilizados nos encantamentos para se exercer poder sobre eles. por exemplo. Por um lado. mas sim. acomodar-se à limitada e finita faculdade 62 . assim o teu louvor se estende até os confins da terra” Sl 48. A fim de fazer-se conhecido ao homem. Os nomes de Deus constituem uma dificuldade para o intelecto humano.7. Os nomes de Deus não são uma invenção humana. embora tomados da linguagem humana e derivados das relações humanas e terrenas. uma revelação do Ser divino. Foram dados por Deus com a certeza de que contém. Então. É unicamente porque Deus se revelou em Seu nome que podemos designá-lo por esse nome de várias formas (nomina indita). infinitamente exaltado acima de tudo o que é temporal. e se assemelha ao homem.1: “Como o teu nome. não como Ele existe nas profundezas do Seu Ser Divino. mas como Ele se revela especialmente em Suas relações com o homem. jamais um nome era considerado como simples vocábulo. mas em Seus nomes Ele desce a tudo que é finito. como expressão da natureza da coisa por ele designada. fala também do Nome de Deus no singular como. em certa medida. ó Deus.10. é possível ao homem dar-lhe nome à maneira de uma criatura. Deve-se este uso ao fato de que. “Grande o seu nome em Israel” Sl 76. no sentido mais geral da palavra. ou simplesmente pela pessoa.OS NOMES DE DEUS A. o nome de Deus é Sua autorevelação.10. Conquanto a Bíblia registre vários nomes de Deus. Saber o nome de uma pessoa era Ter poder sobre ela. 20. Os Nomes de Deus em Geral.1. Nesses casos “o nome” vale por toda manifestação de Deus em Sua relação com o Seu povo. “Quão magnífico em toda terra é o teu nome!” Sl 8. com todas as suas relações. à qual o justo se acolhe e está seguro” Pv 18. de modo que se constitui sinônimo de Deus. por outro lado.

Nos primeiros tempos. e designa Deus como alto e exaltado Ser. Gn 14. Todos os nomes mencionados até aqui descrevem Deus como Altíssimo. estes nomes não são nomina propria. isso com maior razão e em maior grau é verdade quanto à revelação de Deus na criação. como dizem alguns. ‘Eloah) deriva provavelmente da mesma raiz ou de ‘alahh. e não apenas os atributos de Ser Divino em geral.cognitiva e psíquica humana. o homem não está relacionado com Deus. antes esconde Deus. ‘ELYON. Gn 33.16. mostra Deus como o Ser forte e poderoso. a quem tudo está sujeito e com quem tudo está sujeito e com quem o homem se relaciona como servo. portanto.19. como pai e Filho e Espírito Santo). mas também os atributos de Deus. O plural deve ser considerado como intensivo e. portanto.3. Êx 7. 22. Este nome relaciona-se com os anteriores. ou atributos). exceto na poesia.1. a homens. Neste caso.Do que foi dito acerca do nome de Deus em geral segue-se que podemos incluir sob os nomes de Deus. não somente aos apelativos pelos quais Ele é indicado como um Ser pessoal e independente. revelam Deus como Governante todo-poderoso. No presente capítulo nos limitaremos à primeira classe de nomes.8.20. Êx 21. e distingue entre nomina propria (nomes próprios). e falar em língua humana. O nome ‘Elyon é derivado de ‘alah. ser elevado. quer no de ser forte e poderoso. O nome ‘Elohim (sing. ‘ELOHIM. era o nome com o qual Israel normalmente se dirigia a Deus.10. mas também os que qualificam separadamente as Pessoas da Trindade. Bavinck baseia a sua divisão dos nomes Deus nesse amplo conceito deles. 2. Nm 24. possivelmente derivado de ‘ul. o mundo não revela. Sl 82. Os Nomes do Velho Testamento e Seu Significado 1. mas simplesmente forma uma antítese a Ele: e ficamos encerrados num agnosticismo sem esperança. ‘EL. Contudo. nomina essentialia (nomes essenciais. quanto ao seu significado. no sentido estrito da palavra. o Deus transcendente.6. e a governantes. O Dr. ser senhor. A. e com os quais o homem se dirige a Ele. O nome raramente ocorre no singular.5.1. governar e . 96. Se denominar Deus como nomes antropomórficos envolve limitação de Deus. Jz 5. O nome mais simples pelo qual Deus é designado no Velho Testamento é o nome ‘El. pois também são empregados com referência a ídolos. Com o tempo foi suplantado pelo nome Jeová (Yahweh). Sl 95. Encontra-se especialmente na poesia. Os nomes subseqüentes 63 . quer no sentido de ser primeiro. ou como objeto de temor. serve para indicar plenitude de poder. ambos os quais significam julgar. subir.14. É derivado de dun (din) ou de ‘adan. ‘ADONAI.8-10. Is 14. assim. e nomina personalia (nomes pessoais. estar ferido pelo temor.

2. É especialmente no nome Yahweh.8. em que Shaddai considera a Deus como sujeitando todos os poderes da natureza e fazendo-os subservientes à obra da graça divina.16 como segue: “Aquele que mencionar o nome de Yahweh será morto”. senhor. ser poderoso. 3.13. estão mais ou menos perdidos na obscuridade. O Pentateuco liga o nome ao verbo hebraico hayah. Segundo outros. Assim interpretado. O nome contém a segurança de que Deus será para o povo dos dias de Moisés o que foi para os seus pais – Abraão. senão unicamente com referência ao Deus de Israel. Sempre foi tido como o mais sagrado e o mais distintivo nome de Deus. Da força dessa passagem podemos supor que. SHADDAI e ’EL-SHADDAI. é derivado de shad. Embora dê ênfase à grandiosidade de Deus. Daí. substituíram-no por ‘Adonai ou por ‘Elohim. e os massoretas. o nome indica a imutabilidade de Deus. No que se refere à forma.3. Os judeus temiam supersticiosamente usá-lo. O caráter exclusivo deste nome transparece do fato de que nunca ocorre no plural nem com sufixo. “Eu sou o que sou” ou “Eu serei o que serei”. Os 12. 64 . Isaque e Jacó. o nome incomunicável. Hawah. formas que nunca se acham principalmente em nomes compostos. mas como fonte de bem-aventurança e consolação. 3. não é empregado com referência a ninguém mais. A verdadeira derivação do nome. Contudo. onde se traduz. porém. não se tem tanto em vista a imutabilidade do Seu Ser essencial. mais provavelmente de qal. não apresenta como objeto de temor e terror. geralmente o de ‘Adonai. com toda probabilidade.19. 14. Is 42. portanto. Salienta a fidelidade pactual de Deus. Êx 15. ao lerem as Escrituras. é Seu nome próprio par excellence. É deveras difícil determinar a que se refere o vocábulo tsebhaoth. O nome Shaddai é derivado de shadad. Num ponto importante difere de ‘Elohim. o nome deriva de uma forma arcaica daquele verbo.6. ser. É o nome com o qual Deus apareceu a Abraão. visto que liam Lv 24. Orígenes e Jerônimo o consideravam uma aposição.Muitas vezes o nome Yahweh é fortalecido pelo acréscimo de Tsebhaoth. e indica que Deus possui todo o poder no céu e na terra. embora deixando as consoantes intactas. Êx 6. ligaram a elas as vogais de um destes nomes. o pai dos que crêem. YAHWEH e YAHWEH TSEBHAOTH. a saber. Êx 3. porque Yahweh não admite condição de construto. mas mormente a imutabilidade de Sua relação com o Seu povo. e sua pronúncia e sentido de origem. Sl 83. o Deus da criação e da natureza. que gradativamente superou os nomes anteriores. que Deus se revela o Deus da graça. e. O sentido é explicado em Êx. Mas esta interpretação não tem suficiente suporte e dificilmente propicia um sentido inteligível. pode ser considerado como a terceira pessoa do imperfeito de qal ou de hiphil.mostram que este Ser exaltado condescendeu em estabelecer relação com as Suas criaturas.14. 4. Yah e Yahu são formas abreviadas dele.

Lc 1. seja no sentido mediatório. Ml 1. 16. THEOS. o Possuidor. Todavia. sou. 8.8. “que é. enquanto que Israel é chamado filho de Deus.7. pode.20. Este nome não tem exatamente a mesma conotação de Yahweh. 19. 32. 11.18. 2 Co 6.13. Dt 14. Mc 5. O nome Yahweh é aplicado algumas vezes por variantes de tipo descritivo. Êx 4. que é dos nomes aplicados a Deus o mais comum.22.32. mas designa a Deus como o Poderoso. Dt 32. Tg 1.B. Senhor. 35. Os nomes Shadda e ‘El-Shadday são vertidos para Pantokrator e Theos Pantokrator. Sl 103.8. No sentido geral de originado ou criador é empregado nas seguintes passagens do Novo Testamento: 1 Co 8. Muitas vezes se diz que o Novo Testamento introduziu um novo nome de Deus.6.10.6.10. 75.8. É empregado não somente som referência a Deus. embora estritamente falando expresse divindade essencial. PATER. o Novo Testamento segue a Septuaginta. Ef 3. O Novo testamento tem equivalentes gregos dos nomes do Velho Testamento. hemon.4.48. “o princípio e o fim”. Ap 1.17. 1. 22. porém. na religião.6. “o primeiro e o último”. 65 . e que há de vir”. 3.17. ser empregado com referência a deuses pagãos. Jr 31. Ap 1. 4. At 7. É utilizado repetidamente no Velho Testamento para designar a relação de Deus com Israel. Nestes casos o nome expressa a relação teocrática especial que Deus mantém com Israel. Como ‘Elohim.13. KYRIOS. 31. Is 1. quanto ao mais.7.1. Mais geralmente. o Governador que tem poder e autoridade legal.2.3. 2. 2. Is 63. por acomodação. vêse Theos com um genitivo possessivo. 64.15. Hb 7. Os 1. que substitui por ‘Adonai. que era. A idéia nacional do Velho Testamento deu lugar à individual. como “o Alfa e o Ômega”. a rigor. Mas isto.9.1. porque em Cristo Deus pode ser considerado como o Deus de todos e de cada um dos Seus filhos. a saber.6. Pater (Pai). com o Filho de Deus. hymon.18. ou a relação ética de Deus com todos os crentes como Seus filhos espirituais. Para ‘El ‘Elohim. derivado de kyros. Jr 3. como mou. seja no sentido metafísico. e o traduz por Kyrios. ‘Elyon é traduzido por Hypsistos Theos.9.8. O nome Pai é empregado com alusão a Deus mesmo em religiões pagãs. mas também a Cristo. 15. 16. não é certo. 21.4. e ‘Elyon temos nele Theos. Os Nomes do Novo testamento e Seu Significado. poder. Em todos os outros lugares ele serve para expressar a relação especial da primeira Pessoa da Trindade com Cristo. Hb 12. 2.19.16. 17. 14.

a respeito de Deus. A. desde que aceitemos que o sentido da Escritura é também Escritura. A tripla personalidade de Deus é. mas em alusões fragmentárias. portanto. 1. em seus esforços para formulá-la. Os judeus do tempo de Jesus davam muita ênfase à unidade de Deus.TRINTADE (TRINITARÍSMO) A doutrina da Trindade é talvez. O resultado foi que alguns eliminaram completamente as distinções pessoais da Divindade. Devido à natureza do assunto. Orígenes foi mais longe nesta direção. a doutrina da Trindade é-nos apresentada nas Escrituras. sim. ensinando explicitamente que o Filho é subordinado ao Pai 66 . O TERMO “TRINDADE” A expressão “Trindade” não é uma expressão bíblica. a doutrina mais misteriosa e difícil que encontramos nas Escrituras. mas estamos. em linguagem tão alheia à Bíblia. E a definição de uma doutrina bíblica. tenha sido repetidamente tentada a racionalizá-la e a dar-lhe uma construção que deixava de fazer justiça aos dados da Escritura. Tertuliano foi o primeiro a empregar o termo “Trindade” e a formular a doutrina. entrando mais completamente no significado dessas Escrituras. Ou. não deixa de ser bíblica. não numa definição formulada. não é de admirar que a igreja. Uma doutrina assim definida só pode ser considerada como doutrina bíblica. o pouco que as Escrituras nos revelam. e da Trindade. A doutrina da Trindade está. nas Escrituras: ao se cristalizar dos seus solventes. é uma insensatez afirmar que podemos dar uma explicação completa sobre ela. não estamos abandonando as Escrituras. para não falar em linguagem figurada. PERÍODO DA PRÉ-REFORMA. Por isto. mas surge mais claramente. só podemos saber. provida pela reflexão filosófica. sem solução. mas a doutrina apresentada é uma doutrina genuinamente bíblica. mas distintas em subsistência. quando reunimos os disjecta membra na sua unidade orgânica. nem usamos linguagem bíblica quando definimos o que ela expressa como sendo a doutrina de que há um só Deus verdadeiro. Podemos apresentar a doutrina em termos técnicos. mas que na unidade da Divindade existem três Pessoas co-eternas e coiguais. e esta ênfase foi trazida para dentro da igreja cristã. iguais em substância. desde que envolvia uma infundada subordinação do Filho ao Pai. mas a sua formulação foi deficiente. A Doutrina da Trindade na História A doutrina da trindade sempre enfrentou dificuldades e. e que outros não fizeram plena justiça à divindade essencial da segunda e da terceira pessoas da Trindade Santa. 1. só se pode justificar se aceitarmos o princípio de que é melhor conservar a verdade das Escrituras do que as palavras das Escrituras. uma verdade da Revelação. exclusivamente.

Emanuel Swedenborg. No Oriente. que sustentava que o eterno Deus-homem fez-se carne no Filho. Os arianos ainda conservaram resquícios da doutrina das três pessoas da Divindade. caíram neste erro. o Filho é Deus como passando a uma personalidade consciente no homem.) declarou que o Filho é co-essencial com o Pai. Por outro lado. Eles atribuíram ao Pai uma certa preeminência sobre as outras pessoas – em ordem. Quanto à interrelação dos três. ensinando uma espécie de modalismo. A primeira ainda retém um elemento de subordinação. e o Espírito Santo como a primeira criatura do Filho. e no Ocidente. principalmente para defender a unidade da Trindade. a doutrina da Trindade encontrou a sua proposição mais completa na obra de João de Damasco. O monarquianismo dinâmico via em Jesus apenas homem e no espírito Santo uma influencia divina. enquanto que o monarquianismo modalista considerava o Pai. Alguns dos monofisistas mais recentes. e o Espírito Santo é Deus vivendo ma igreja. Os arminianos. Curceleu e Limborgh reavivaram a doutrina da subordinação. que fala do Pai como Deus em Si. que acabaram no triteísmo. a consubstancialidade do Filho e do Espírito Santo com o Pai foi sacrificada. mas esta foi inteiramente sacrificada pelo monarquianismo. embora não com a mesma precisão. De Trinitate. enquanto que o Concílio de Constantinopla (381 A. Posição um tanto parecida foi tomada por Samuel Clarke. do Filho como Deus se objetivando. na Inglaterra. e que o Espírito Santo é subordinado até mesmo ao Filho. na grande obra de Agostinho. em parte no interesse da unidade de Deus e em parte para manter a divindade do Filho. e que o Espírito procede do Pai e do Filho. e Schleiermacher. inteiramente eliminado pela segunda. Depois da Reforma não temos maior desenvolvimento da doutrina da Trindade. mas o que encontramos repetidamente são algumas das errôneas formulações antigas. Episcópio. e agia através do Espírito Santo. Os 67 . Durante a Idade Média. o Filho e o Espírito Santo meramente como três modos de manifestação assumidos sucessivamente pela Divindade. ao que parece. com o fim de preservar a unidade. Assim.D. apresentando o Filho como a primeira criatura do Pai. outra vez. por exemplo. e do Espírito como Deus retornando a Si mesmo. as três pessoas da Divindade diferem em grau de dignidade. segundo esse conceito. O Concílio de Nicéia (325 A. A igreja começou a formular a sua doutrina da Trindade no século quarto.) afirmou a divindade do Espírito. também houve alguns que a tal ponto perderam de vista a unidade de Deus.quanto à essência. e pelo teólogo luterano Kahnis.D. e. dignidade e poder. Outros seguiram o caminho indicado por Sabélio. como. que considera as três pessoas simplesmente como três aspectos de Deus: o Pai é Deus como a subjacente unidade de todas as coisas. foi oficialmente declarado que o Filho é gerado pelo Pai. Hegel. 2. PERÍODO DA PÓS-REFORMA. o nominalista Roscelino foi acusado do mesmo erro. como João Ascunages e João Philopono. que negavam a divindade do Filho e do espírito Santo. Ele desacreditou a divindade essencial destas duas pessoas do Ser Divino e forneceu um ponto de partida aos arianos.

queriam livrar-se dela e se satisfizeram com a doutrina de uma Trindade econômica. por outro. em unidade incólume. “Deus fala”.7-13. também se atribui.4. 9. Ao mesmo tempo. por um lado. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que. pois ele reconhece três pessoas na Divindade. Brunner e Barth chamaram de novo a atenção para a sua importância. e lhe dedica 220 páginas da sua Dogmática. também houve alguns que.9).6. e noutros quem fala é Deus. 18. mas formal e logicamente. L. Além disso. precisamente este modo tríplice de existência”. nem teríamos sido capazes de 68 . Sl 33. Is 48. Deus e Sua revelação se identificam. o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. em Sua variedade incólume. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas. Pv 8. 61. Assim. que falam de Jesus como um mestre divino e identificam o Espírito Santo com o Deus imanente.21. W. Ml 3.8. por vezes abandonaram a idéia de uma unidade nua e crua em Deus. Ele se revela.vivo e de auto-distinção. declinou o interesse pela doutrina da Trindade. é identificado com Jeová e.12-31. Em Sua revelação Ele continua sendo Deus.PROVA BÍBLICA DA DOUTRINA DA TRINDADE. mas apenas uma pluralidade de pessoas. Esta idéia de Barth não é uma espécie de sabelianismo. Exemplos de defensores desta idéia são Moses Stuart. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa. É verdade que a razão humana pode sugerir algumas idéias para consubstanciar a doutrina. 7 (com. Alexander e W.1-28. Finalmente. Brown.1. fundados em bases puramente filosóficas. e que os homens.socinianos da época da reforma seguiam as linhas arianas. 45. é Revelador. Também é verdade que a experiência cristã parece exigir algo parecido com esta construção da doutrina de Deus. Sl 33. Este último a coloca em primeiro plano.1.10. e apresentaram a idéia do movimento surgiram uma triplicidade.6. como consideravam ininteligível a afirmação da doutrina de uma Trindade ontológica. é a Revelação e é também o conteúdo da Revelação. 63. Ver Gn 16. Revelação (Filho) e Revelatura∗(Espírito Santo). 19. que menciona Deus e o Espírito. Materialmente. absolutamente livre e soberano. Ele é Revelador (Pai). Diz ele: “Assim. acha que ela está envolvida na simples sentença. ele não admite nenhuma subordinação.16. uma Trindade como se vê revelada na obra de redenção e na experiência humana. A. 6. distingue-se dele. mas foram além de Ário. é uma doutrina que não teríamos conhecido. e a discussão teológica centralizou-se mais particularmente na personalidade de Deus.1. ele deriva da Escritura a doutrina. ou quem fala é o Messias. discutindo-a em conexão com a doutrina da revelação. B. Revelação e Revelatura. Eles foram os precursores dos unitários e também dos teólogos modernistas. pois para eles Cristo era simples homem e o Espírito Santo apenas um poder ou influencia. Hb 1. A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação. ao mesmo Deus que. Durante um considerável período de tempo. que menciona o Messias e o Espírito.

Se no Velho Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador do Seu povo. é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas.16. Os 13. Jr 14. 11. Is 41.10. 11.21.21. o socinianos e os arminianos eram de opinião que não há nada desta doutrina ali. É muito mais plausível entender que as passagens em que Deus fala de Si mesmo no plural. É exatamente isto que se poderia esperar. na medida em que a obra redentora de Deus é revelada mais claramente. Gn 1. antes que com palavras. 19.3.4. Jó 19.8. Tanto aqueles como estes estavam enganados. conquanto não surgiram uma triplicidade. 47.35. 18. 60. e também no Plural Elohim. Hb 1.12-31. Sl 33. em suas várias relações. Assim. distingue-se dele. e noutros quem fala é Deus.1-28. Portanto.4.7. como uma realidade viva. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas. Sl 33. Pv 8.3. mas particularmente em relação à obra de redenção. 6. que menciona Deus e o Espírito. mas apenas uma pluralidade de pessoas. Ml 3.6.3. por vezes. 9. é identificado com Jeová e. Provas do Velho Testamento. desconsiderando o caráter progressivo da revelação de Deus. Sua revelação mais fundamental é revelação dada com fatos. contêm uma indicação de distinções pessoais em Deus. por um lado. opinaram que a doutrina da Trindade foi revelada completamente no Velho Testamento. O Velho Testamento não contém plena revelação da existência trinitária de Deus.16. 49. o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento.9). 78.E quanto mais a gloriosa realidade da Trindade é exposta nos fatos da história.14. provas da Trindade na distinção entre Jeová e Elohim. Is 48. 26. 106.6. para dizer o mínimo. e que o Espírito Santo fez da igreja Sua habitação. Ver Gn 16. mais claras vão sendo as afirmações da doutrina. E esta revelação vai tendo maior clareza. 50.14.14. Alguns dos primeiros pais da igreja. 7 (com. em certa medida em conexão com as obras da criação e da providência. que menciona o Messias e o Espírito. mas a primeira não tem nenhum fundamento. e mesmo alguns teólogos mais recentes. 45. 2.1.Provas do Novo Testamento.1.25. mas contém várias indicações dela. 1. assim chamados. somente com base na experiência. 61. 14. e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus. Devese a mais completa revelação da Trindade no Novo Testamento ao fato de que o Verbo se fez carne. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que.7.Têm-se visto.26. no Novo Testamento e o Filho de Deus 69 . por outro. duvidosa. O Novo Testamento traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade.7-13. A Bíblia nunca trata da doutrina da Trindade como uma verdade abstrata. e a última é. mas revela a subsistência trinitária.1.sustentar com algum grau de confiança. quem fala é o Messias. como na encarnação do Filho e no derramamento do Espírito. 63. Por outro lado. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa. 43. Sl 19.

(2) Atribui-se também o nome ao Deus Triúno para expressar a relação teocrática que Ele mantém com Israel como o Seu povo no Velho Testamento.8. Tg 4. 2 Co 13. 57.6. Gl 4.6.15. 21.16. Ef 3.4.19.3. e 1 Pe 1. Assim.7. Gl 4. Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas: “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.39. 2. 1. (1) Às vezes se aplica ao Deus Triúno como a origem de todas as coisas criadas.76-79. 1 Jo 4.18.26. Lc 3.16.16. Is 8.17. O FILHO.17. 6. 14. Gl 4.6.16.30.26. num sentido ético. Rm 8.9.10. Também são mencionadas juntamente em 1 Co 12. 4. Este nome nem sempre é empregado com relação a Deus com o mesmo sentido na Escritura. 1 Co 8.6. são expostas com clareza às nossas mentes.16. (1) Num sentido 70 . Rm 8. 13. 26. Jo 11. Mc 1. contudo.13. Hb 1. Is 63. Jo 14. Lc 1. Rm 8.15.2. A primeira pessoa é o Pai da segunda num sentido metafísico. 11. Fl 3. 14. As Três Pessoas Consideradas Separadamente.22. Tt 2. 18. Mt 3.5.13. o Filho comunicando-se com o Pai.45.42. At 5. (4) Num sentido inteiramente diverso. Esta é a paternidade originária de Deus. 135.17-26.21. Vemos o pai dirigindo-se ao Filho.54.14. Gl 3. Mt 28.7. da qual toda paternidade terrena é apenas pálido reflexo. OU A PRIMEIRA PESSOA DA TRINDADE O nome “Pai” em sua aplicação a Deus. refere-se mais particularmente à primeira pessoa. a quem a obra da criação é mais especialmente atribuída na Escritura.22.9.27. ouvindo-se do céu a Sua voz.4. mas sua genuinidade é duvidosa. 8. as pessoas da Trindade. Mt 1.10. 15. Jo 4. Ez 43. Dt 32. Jr 3. Jl 3. 1 Jo 3. 12. Ml 1.6.6-15. Jo 3. Conquanto nestes casos o nome se aplique ao Deus Triúno.13. 28. razão pela qual foi eliminada das mais recentes edições críticas do Novo Testamento. e o Espírito Santo orando a Deus nos corações dos crentes.7-9. 26. Mt 5. o pai fala.12. Mt 11. (3) Mo Novo Testamento o nome é geralmente empregado para designar o Deus Triúno como Pai.Jo 5. Tg 1. Jô 1. No batismo do Filho. E se no Velho Testamento é Jeová que habita em Israel e nos corações dos que O temem. e do pai e Filho enviando o Espírito.6.9. de todos os Seus filhos espirituais. 5.41. At 2. O PAI. o nome é aplicado à primeira pessoa da Trindade em Sua relação com a segunda pessoa. 2. Zc 2.2.17. 1 Co 3.4. 11. A única passagem que fala de tri-unidade é 1. 17. A segunda pessoa da Trindade é chamada “Filho” ou “Filho de Deus” em mais de um sentido do termo.1. no Novo testamento é o Espírito Santo que habita na igreja. 64. separadas. 2.11. 4-6. Ef 2. Sl 74. e o Espírito Santo desce na forma de pomba.distingue-se nessa capacidade.26. OU A SEGUNDA PESSOA DA TRINDADE O nome “Filho” em sua aplicação à segunda pessoa.21.25.5 O Novo Testamento oferece clara revelação de Deus enviando Seu filho ao mundo. Hb 12. 16.

18. 6. e com isso mostra que estava cônscio de uma relação única. a filiação e a messianidade refletem a filiação eterna de Cristo.24 que Deus é Espírito. vêem em Jesus apenas um homem.1.63 (onde este sentido vem ligado ao outro). e provavelmente se pode inferir também de Jo 1.14. 10. O ESPÍRITO SANTO. ele foi gerado pela operação sobrenatural do Espírito Santo. derivam de raízes que significam “soprar”.63.32.7. (3) Num sentido natalício. ou fala do “Espírito de Deus” ou 71 . “respirar”. O termo hebraico com o qual Ele é designado é Ruach. primariamente como um título honorário conferido a Ele. Jesus. (f) Os judeus certamente entendiam que Jesus afirmava que era o Filho de Deus num sentido metafísico.16.3. (b) É chamado o “unigênito” Filho de Deus ou do pai.(2) Num sentido oficial ou messiânico.6. 11.38. 6. Ez 37. expressão que não se aplicaria a Ele. É muito evidente que Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus na Escritura. Também se dá a Jesus o nome “Filho de Deus” em vista do fato de que deveu o Seu nascimento à paternidade de Deus.31. (a) Ele é mencionado como o Filho de Deus do ponto de vista da pré-encarnação. Além disso.12. Ele mesmo fala dele chamando-lhe simplesmente “pai” ou “meu Pai”. Jô 5.11: JO 3. (e) De acordo com mt 11. ambos os quais. Nalgumas passagens este sentido é associado ao sentido mencionado acima. 18. 7. Lc 1. 6. como o vocábulo latino spiritus.8.27.18-25. Jo 17. Jo 5. OU A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE.17. Jó 2. Ef 4. 2 Co 11.1: 1 Rs 19. Ef 1. 1 Co 8. e nesse sentido é o Filho de Deus.40.5.21. Daí.5.29. que rejeitam a idéia de uma Divindade tri pessoal.14. pois consideravam blasfêmia o modo como Ele falava de Si mesmo como o Filho de Deus. 26. independentemente de Sua posição e obra como Mediador. As passagens subseqüentes aplicam o nome “Filho de Deus” a Cristo como Mediador. Mt 8.17. De acordo com a Sua natureza humana. É somente porque Ele era o Filho de Deus essencial e eterno.4. Jo 20. ou “vento”. que podia ser chamado Filho de Deus como Messias.9.18. por exemplo em Jó 1. Hb 1. Lc 3. Gn 8.metafísico. Naturalmente. arroga-se um conhecimento único de Deus. Deve-se sustentar isto contrariamente aos socinianos e aos unitários. Mt 6. Jo 1. Gn 2.7.14. Jo 1. conhecimento que ninguém mais pode possuir. 1 Jo 4. com o Pai. Comparar com 2 Sm 7. O Velho Testamento geralmente emprega o termo “espírito” sem qualificativos.3. e consideram o nome “Filho de Deus” a Ele aplicado. 3.13. o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. se Ele fosse o Filho de Deus somente num sentido oficial ou ético. esta filiação e a messianidade se relacionam com a filiação originária de Cristo. também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego”.18.27. como o Filho de Deus.49. é pneuma. Jo 1. Sl 2. Mt 26. O nome aplicado à terceira pessoa da Trindade. 27. 35 o indica claramente. Apesar de se nos dizer em Jo 4. Gl 4. singular. e às vezes é mencionado como Deus em distinção do Senhor. É do ponto de vista desta filiação e messianidade que até Deus é chamado Deus do Filho. .36. (d) Embora Jesus ensine os Seus discípulos a falarem de Deus e a dirigir-se a Ele como “Pai nosso”.9. 3. e o grego. (c) Nalgumas passagens o contexto evidencia muito bem que o nome indica a divindade de cristo.

A própria riqueza e variedade de expressão da sua subordinação. e o Espírito ao Filho. 3:23). em modos de operação. nas formas de operação. mas apenas leva o que é de Cristo e o mostra ao Seu povo (João 17. e que.18. enquanto o Velho Testamento repetidamente chama a Deus “o Santo de Israel”. assim como nós somos de Cristo (I Cor.10. 89. 48.11. porém. mas utiliza freqüentemente para caracterizar o Espírito. e. e temos a afirmação do próprio Senhor Jesus. Não é. como é tecnicamente designado.11. é que o Filho está subordinado ao Pai.). nas funções atribuídas às varias pessoas da Trindade. e muito especialmente nas operações pelas quais se cumpre a redenção.17. nas operações de Deus. 11:3). 41.22. o faz mediante o Filho (Rom.3. enquanto que o Novo Testamento esta veio a ser uma designação da terceira pessoal da Trindade. 5:9. no processo de redenção.17. de forma evidente. cria uma dificuldade em atingir a certeza de que são representados. que “o Pai é maior do que eu” (João 14:28). como estando subordinados entre Si. o Filho segundo. também. o Espírito é enviado pelo Filho e não fala de Si mesmo. assim como Cristo é “a cabeça de todo o varão”.7 seg. e o Espírito Santo terceiro. não há duvida que nas “formas de operação”. É o Espírito Santo que faz Sua habitação nos corações dos crentes. O Pai é primeiro. e o Filho que envia o Espírito. Em cada caso da aparente sugestão de subordinação. isto é. como é tecnicamente conhecido— isto é. I Tes. este pode explicar-se. em toda a matéria das relações de Deus com o mundo — se exprime. 2:16. Pode ser natural supor que uma subordinação em modos de operação se baseie numa subordinação em modos de subsistência. Sl 71. afinal de contas. ou não. mais amplamente. e que os purifica do pecado. Is 63. 1:5. 5:1. O Filho é enviado pelo Pai e faz a vontade de Seu Pai (João 6:38). e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em Sl 51. com clara decisão. Com toda a probabilidade isto se deve ao fato de que foi especialmente no Espírito e Sua obra santificadora que Deus se revelou como Santo. que os separa para Deus. 11. O que o Pai faz. Devemos. Nosso Senhor até declara. 3:22. Ef. como sendo apenas mais uma expressão de subordinação. 4. por meio do Espírito. também “Deus é a cabeça de Cristo” (I Cor. uns para com os outros. que a razão por que é o Pai que envia o Filho. tal como nos estão reveladas. na relação obrigatória das Pessoas da Trindade entre Si. Tito 3:5).21.20. de que o enviado não é maior do que aquele que o enviou (João 13:16). em modos de subsistência. porém. ter em mente que estas relações de subordinarão em modos 72 . É um fato notável que. e Paulo diz-nos que Cristo é de Deus. surge a pergunta se. em geral.“Espírito do Senhor”. A QUESTÃO DE SUBORDINAÇÃO Claro. o Novo Testamento raramente se aplica o adjetivo “santo” a Deus em geral. Is 10. o princípio da subordinação. nos modos de subsistência. tão evidente que o princípio de subordinação governe também os “modos de subsistência”.

em que o Filho. anunciada por Jesus (Mat. como num eixo. afinal. em virtude de ter assumido a natureza de uma criatura. tanto de fato como em teoria. todo o conceito cristão de Deus. pelo menos. recebeu a sua elaboração mais completa. na qual revolve. Foi por meio destes dois princípios fundamentais — a verdadeira divindade de Cristo e a fórmula batismal — que se provaram todas as tentativas para formular a doutrina cristã acerca de Deus. um século mais tarde. da qual derivou o plano principal das confissões batismais e das “regras de fé” que. e foi por intermédio do seu poder modelador que a Igreja se encontrou.de operação. A FORMULAÇÃO DA DOUTRINA O impulso determinante para a formulação da doutrina da Trindade. que provas definitivas da subordinação em modos de subsistência. No caso da relação do Filho para com o Pai. sob a experiência da salvação. Portanto. 28:19). caracterizadas por um aspecto deliberadamente subordinado. que a doutrina que se tornou doutrina da Igreja. foi a convicção profunda que ela tinha da absoluta deidade de Cristo. na Igreja. porém.Foi. refletidos no Novo Testamento. na posse de uma forma de declaração que prestava inteira justiça aos dados da revelação redentora. O princípio que dava direção na formulação da doutrina foi fornecido pela Fórmula Batismal. em união Consigo próprio. entra em novas relações com o Pai. às mãos de Agostinho. Editada pelo Presbítero Edirlei Pereira de Souza 73 . e nas exigências do coração dos cristãos. desde os primeiros dias do cristianismo. podem muito bem ser a conseqüência de uma convenção. é muitíssimo desejável. e uma declaração mais cuidadosamente fundamentada. sejam descobertas antes que esta seja aceite como fato provado. 5. há ainda a dificuldade da encarnação. um acordo. começaram a ser enunciadas em toda a Igreja. em breve. entre as Pessoas da Trindade — um “Pacto” como é tecnicamente designado — em virtude do qual uma determinada função na obra da redenção é voluntariamente aceite por cada uma delas.

SEM vida.SEM ânimo. impenetrável. e que supõe má fé por parte de quem o apresenta. JUNG. propósito. SOFISMA. COGNOSCÍVEL. ASCENSIONAL. CABALMENTE. inteiro. morto. VOLIÇÃO.Consentir em. DESÍGNIO.dar por direito.Argumento aparentemente válido. aprovar.Ponto de semenhança entre coisas diferentes. que sobe ou ascende.Algo desconhecido. ANALOGIA. 74 . OUTORGAR. perfeito. apogeu.intent.Conceito que é ou parece contrário ao comum.Conforme a doutrina tida como verdadeira.Vontade.mas na realidade. plano. INERENTE. intenção.conceder.Teoria que afirma está todas as coisas determinadas.Pensador que viveu na Suíça por volta do ano 1875-1961. INANIMADO.relative à ascensão. EXAURIR.que procede de análise. pleno.o Ponto mais elevado. não conclusive. apresentar ANALÍTICO.diz respeito aquilo que é complete. INESCRUTÁVEL. PARADOXO. DETERMINISMO. contrasenso.esgota completamente. absurdo. ÀPICE. inclusive a salvação e a perdição. IGNOTO. ORTODOXO.que se pode conhecer.trazer. projeto.GLOSSÁRIO ADUZIDAS.o que está por natureza inseparavelmente ligado a uma coisa ou pessoa.Insondável.

Bibliografia Bíblia de estudo genebra Teologia sistemática vl1 (Wolfhart Pannernberg) Teologia sistemática (Louis berkhof) Teologia sistemática (Charles Hodge) Doutrinas bíblicas vl1 (Dr Martyn Lloyd-jones) Teologia SETAD (Marinho Espedito) Teologia sistemática (Franklin ferreira/Alan myatt) A Doutrina da trindade (Benjamin Breckinridge Warfield) 75 .

Nome: ________________________________________________DATA / / QUESTIONÁRIO (só uma das alternativas está correta) (sobre a doutrina de DEUS) 1) Os três primeiro passos para a finalidade da teologia são: □ □ □ □ A erudição. amar e agir Amar. profetiza e falar em outras línguas 2) O triteísmo e a doutrina que ensina: □ A onipotência □ Um deus em três formas □ Três pessoas em uma só essência □ Três deuses 3) Antropopatismo quer dizer: □ Atributos de DEUS □ Santidade de DEUS □ Sentimentos humanos a DEUS □ Forma humana a DEUS 4) O teísmo aberto ataca primeiro: □ A existência autônoma de DEUS □ A onisciência de DEUS □ Os atributos comunicáveis de DEUS □ O nome EL-SHADDAI 5) No estudo da soberania de DEUS ele é apresentado como: □ Criador e sua vontade como a causa de todas as coisas □ Antropomorfismo □ Triteista □ Mutável 76 . pregar e conhecer Conhecer. a sabedoria e o orgulho Agir.

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