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Actividade Formativa 1

Recomendações importantes:
• A resolução correcta das questões envolve, além da óbvia correcção do resultado
final, a capacidade de escrever clara, objectiva e correctamente, de estruturar lo-
gicamente as respostas e de desenvolver e de apresentar os cálculos e os raciocı́nios
matemáticos utilizando notação apropriada.

• Justifique cuidadosa e detalhadamente todos os cálculos, raciocı́nios e afirmações


que efectuar.

1. Observe que    
1 √ 1 1 √ 1 1 √
1+ √ = 2 √ + > 2 + = 2
2 2 2 2 2
e que    
1 1 √ 1 1 1 √ 1 1 1 √
1+ √ + √ = 3 √ + √ + > 3 + + = 3.
2 3 3 6 3 3 3 3
Conjecture qual deva ser a expressão análoga para um minorante do valor da soma
1 1 1
1+ √ + √ +···+ √ , n ∈ {2, 3, 4, . . .}
2 3 n

e prove que a sua conjectura é verdadeira usando o princı́pio de indução.


S 1 1

2. Considere o conjunto B = n∈N Bn , onde Bn = 2n , 2n−1 .

a) Determine o interior, o exterior e a fronteira de B. Classifique B quanto a ser


aberto/fechado, limitado/não-limitado.

b) Determine, caso existam, ou justifique porque não existem, o máximo, o mı́nimo, o


supremo e o ı́nfimo de B.

c) Indique quais das afirmações seguintes são verdadeiras e quais são falsas:
P
(i) Para qualquer sucessão an tal que an ∈ Bn , ∀n, a série n an é divergente.
P
(ii) Existem sucessões estritamente decrescentes bn de termos em B para as quais n bn
é convergente.

(iii) Qualquer sucessão estritamente decrescente de termos em B converge para zero.

3. Calcule, se existirem, ou prove que não existem, os limites das seguintes sucessões:
an −3
a) un = a2n +1
, onde a ∈ R é uma constante independente de n.
q
(2n)!
b) vn = n
(n!)2
.

1
4. a) Sejam α e β duas constantes positivas. Considere uma sucessão real xn definida por
r
αβ 2 + x2n
xn+1 = , n∈N
α+1
com x1 ∈]0, β[. Mostre que xn é convergente e calcule o seu limite.
b) Uma sucessão real wn diz-se contractiva se existir uma constante K ∈]0, 1[ tal que

∀n ∈ N, |wn+2 − wn+1| 6 K |wn+1 − wn | .

Prove que qualquer sucessão contractiva é de Cauchy e, portanto, convergente.


5. Determine a natureza das seguintes séries numéricas
∞ ∞ ∞  2n
X 1 X 1 X 2n − 1
, , ,
n=1
n(n + 2) n=3
n(log n)(log log n) n=1
3n + 1

e determine o valor da soma da primeira delas.


1
P
6. Sejam an e bn duas sucessões de termos não-negativos tais que an → 3
e a série n bn é
convergente. Estude a natureza das séries
X X X
an bn , (an + bn ), (an )n .
n n n

fim

resolução da actividade formativa 1

1. Observando os dois exemplos dados, é natural conjecturar que


1 1 1 √
1 + √ + √ + · · · + √ > n.
2 3 n
Vejamos se esta conjectura é verdadeira recorrendo ao princı́pio de indução. A ex-
pressão é claramente válida quando n = 2, já que é o caso apresentado no primeiro
exemplo do enunciado. Atentemos agora na propriedade da hereditariedade: suponha-
mos que a conjectura é válida para um dado n e vejamos o que se pode dizer sobre o
caso com n + 1:
1 1 1 1
1 + √ + √ + · · · + √ +√ >
2 3 n n+1
| √ {z }
> n, por hipótese de indução
√ √
√ 1 n+1 n+1
> n+ √ = √
n+1 n+1
√ √
n n+1 n+1 √
> √ = √ = n + 1.
n+1 n+1
Consequentemente, como a propriedade hereditária é válida e a desigualdade é ver-
dadeira no primeiro caso (n = 2), conclui-se, pelo princı́pio de indução, que a nossa
conjectura é verdadeira.

2
2.a) Comecemos por observar que o conjunto B é uma reunião numerável de intervalos
1 1 1
fechados. Para todos os naturais n tem-se 2n+1 < 2n < 2n−1 . Pela primeira desigual-
dade, podemos concluir que o supremo de Bn+1 é inferior ao ı́nfimo de Bn e portanto
Bn+1 ∩ Bn = ∅, ∀n; pela segunda desigualdade tem-se que, para cada intervalo Bn ,
inf Bn < sup  1Bn e, portanto,
 o interior de cada Bn é não vazio e é igual ao inter-
1
valo aberto 2n , 2n−1 . Estes dois factos permitem-nos concluir que o interior de B é
S
n∈N int(Bn ). Novamente devido ao facto dos Bn serem intervalos disjuntos, podemos
concluir que os pontos da fronteira de cada Bn estão também na fronteira de B. Além
deste, a fronteira de B também inclui a origem: para concluir isto basta reparar que
qualquer vizinhança de 0, digamos ] − ε, ε[, contém sempre pelo menos um ponto de
R \ B e um ponto de B: de facto todos os pontos negativos de ] − ε, ε[ estão no com-
1 1
plementar de B e, se tomarmos n > (2ε)−1 S, então 2n
 1  < ε e portanto 2n ∈ B∩] − ε, ε[.
Concluimos assim que front(B) = {0} ∪ n∈N n . Finalmente, o exterior de B não
é mais do que

[  1 !
1
ext(B) = R \ (int(B) ∪ front(B)) = ] − ∞, 0[ ∪ , ∪ ]1, +∞[.
n∈N
2n + 1 2n

Observando que, quer B 6= int(B), quer B 6= B, concluimos que B não é, nem aberto
nem fechado. Como o intervalo ] − ∞, 0[ é parte do exterior de B temos que B é
limitado inferiormente. Analogamente, como ]1, +∞[ está em ext(B), o conjunto B
também é limitado superiorment. Portanto B é um conjunto limitado.

2.b) Pelos resultados da alı́nea anterior sabe-se que [1, +∞[ é o conjunto dos majorantes
de B. Consequentemente 1 = sup B. Como 1 ∈ B conclui-se que é o máximo de B.
Analogamente, como ] − ∞, 0] é o conjunto dos minorantes de B tem-se 0 = inf B. No
entanto, como 0 6∈ B, conclui-se que B não tem minı́mo.

2.c)(i) Considere-se uma qualquer sucessão an tal que, para cada n, an ∈ Bn , ou seja, para
1 1
cada n, tem-se 2n < an < 2n−1 . Então, a primeira desigualdade permite escrever

N N N
X X 1 1X1
an > = (1)
n=1 n=1
2n 2 n=1 n
P
Como sabemos que a série de termos não-negativos n n1 é divergente, podemos con-
cluir que a sucessão das suas somas parciais
Ptende para +∞ e, portanto, conclui-se de
(1) que a sucessão das somas parciais de n an diverge para +∞, pelo que a série é
divergente. A afirmação no enunciado é, portanto, verdadeira.

2.c)(ii) Observe-se que se a sucessão bn ∈ B for tal que se tenha bn ∈ Bn , então cai-se
no caso da alı́nea anterior. Se a sucessão for tal que todos os Bj contêm pelo menos
um termo da sucessão, mas alguns podem conter mais do que um, é natural esperar
que o caso só piore, visto que teremos mais termos daPsucessão “afastados” de zero
e portanto é natural esperar que as somas parciais de n bn ainda sejam maiores
P do
que no caso anterior1 ; Portanto, para termos alguma esperança de que b
n n seja
convergente, a sucessão bn tem de ser esparsamente distribuida pelos Bj , ou seja, nem
1
Que isto é de facto assim iremos confirmar mais adiante, mas, sendo esta ideia intuitiva natural, é
preferı́vel tentarmos explorar primeiro o caso que resta, e para o qual pode haver alguma esperança da
resposta à questão ser positiva, ou seja, a situação em que nem todos os Bj têm elementos da sucessão bn .

3
todos os Bj podem conter um termo da sucessão. De facto, encontrar um exemplo
1
nestas condições é muito fácil: relembremos que para a sucessão bn = (2n) 2 a série
P 2 1
n bn é convergente . Agora resta observar que todas as fracções do tipo (2n)2 podem-
1 1 2
se escrever como 2(2n 2 ) = 2j , onde o inteiro j é j = 2n . Note-se que esta sucessão

está esparsamente distribuida pelos Bn havendo um (e um só) termo da sucessão em


B2 , B8 , B18 , etc. Como 2j1 é um ponto de Bj , concluı́mos que a sucessão bn está em B
P
e que a série n bn é convergente. Portanto, a afirmação do enunciado é verdadeira.
Já tendo respondido à questão colocada, a resolução do problema terminou no parágrafo
anterior. No entanto, apenas para ilustrar como, por vezes, transformar uma ideia
intuitiva num argumento matematicamente rigoroso pode envolver algum esforço, pro-
varemos de seguida que se a sucessão bn for tal que todos os Bj contêm pelo menos P
um termo da sucessão, mas alguns podem conter mais do que um, então a série n bn
é forçosamente divergente. Comecemos por designar por #j o número de elementos
da sucessão bn que estão no conjunto Bj . Por hipótese tem-se #j > 1. Somemos
agora todos os termos da sucessão bn que estão nos conjuntos B1 , B2 , .P . . , BN . Isto é,
considere-se a seguinte subsucessão da sucessão das somas parciais de n bn :
N  X  N  X  X N  X  X N N N
X X 1 1 1 X 1 1X1
bn > = 1 = #j > = .
j=1 bn ∈Bj j=1 b ∈B
2j j=1
2j b ∈B j=1
2j j=1
2j 2 j=1
j
n j n j

O último termo no membro direito é exactamente o que já tinha


P surgido na alı́nea ante-
rior. Consequentemente, a sucessão das somas parciaisPde n bn tem uma subsucessão
divergente e, portanto, é divergente. Ou seja, a série n bn diverge.
1
2.c)(iii) A afirmação é obviamente falsa: basta considerar a sucessão cn = 12 + 2n , a qual está
1 1
contida em B1 ⊂ B, é estritamente decrescente (visto que cn+1 − cn = 2(n+1) − 2n < 0)
1
e convergente para 2 6= 0.
n
3. Para estudar o limite da sucessão un = aa2n−3
+1
é necessário ter presente os comportamentos
n
limite da sucessão a para os possı́veis valores de a, que, relembramos, são os seguintes:


 0 se |a| < 1

1 se a = 1
lim an =


 +∞ se a > 1

não existe se a 6 −1

Tendo isto presente, há dois casos imediatamente óbvios: se |a| < 1 então também
|a2 | < |a| < 1 e tem-se, pelos resultados algébricos sobre limites,

an − 3 an − 3 lim(an − 3) 0−3
lim 2n = lim 2 n = 2
= = −3;
a +1 (a ) + 1 lim((a ) + 1)
n 0+1

o outro caso imediato é quando a = 1, para o qual tem-se também a2 = a = 1 e


portanto
an − 3
lim 2n = −1.
a +1
2 1 1 P 1
Para isso basta recorrer,P por exemplo, ao critério de comparação: como 2n2 < n2 e como a série n n2
1
é convergente, então a série n (2n) 2 também é convergente

4
Para os restantes casos há que proceder com algum cuidado adicional. Comecemos
pelo caso a = −1: neste caso tem-se a2 = (−1)2 = 1 e portanto a sucessão fica

an − 3 (−1)n − 3 (−1)n − 3
un = = = ,
a2n + 1 1+1 2
a qual não tem limite, visto que a subsucessão dos termos de ordem par, u2k = −1, e a
subsucessão dos termos de ordem ı́mpar, u2k−1 = −2, tendem para limites distintos. Os
casos que restam, a saber, a > 1 e a < −1, podem ser tratados simultaneamente devido
à seguinte observação: note-se que em ambos os casos a2 > 1 e portanto 2n 2 n
  a = (a ) → n
a2n a2
+∞. Por outro lado a2n ≫ |an | quando n → ∞, ou seja: |a|n
= |a|
= |a|n → ∞.
n
Isto sugere imediatamente que em un = aa2n−3 +1
o denominador cresce mais rapidamente
para infinito do que o (módulo do) numerador e que portanto deveremos, para calcular
o limite, factorizar da expressão de un o termo que cresce mais rapidamente, a2n :

an − 3 1 a1n − a2n3
0−0
2n
= 2n 1 −−−→ 0 · = 0.
a +1 a 1 + a2n n→∞ 1+0
q
Consideremos agora a sucessão vn = n (2n)!(n!)2
. Atendendo ao resultado que estabelece
xn+1 √
que, para sucessões xn positivas, se xn → L ∈ [0, +∞] então também n xn → L, e
atendendo a que
(2(n+1))!
((n+1)!)2 (2(n + 1))! (n!)2
(2n)!
=
(2n)! ((n + 1)!)2
(n!)2
(2n)!(2n + 1)(2n + 2) (n!)2
=
(2n)! (n!)2 (n + 1)2
(2n + 1)(2n + 2)
= −−−→ 4,
(n + 1)2 n→∞

conclui-se que este é também o valor do limite da sucessão vn .

4.a) Como a sucessão é dada recursivamente, ou por recorrência (i.e., calculamos o termo
de ordem n + 1 da sucessão à custa do que sabemos acerca do termo de ordem n), não
é inteiramente óbvio como poderemos provar que a sucessão é convergente. É claro
que, se soubermos que a sucessão xn converge para um dado número real ℓ, então
também xn+1 converge para o mesmo limite3 Mas então, aplicando limites à expressão
que define (por recorrência) a sucessão xn tem-se
r r
αβ 2 + x2n αβ 2 + ℓ2
xn+1 = −−−→ ℓ = .
α + 1 n→∞ α+1
Repare-se que o resultado é uma equação da qual o limite ℓ, no caso de existir, terá de
ser solução. Elevando ambos os membros da equação ao quadrado e resolvendo para
a variável ℓ2 obtem-se ℓ2 = β 2 e, consequentemente, temos que, ou ℓ = β, ou ℓ = −β.
Note-se, no entanto, que ainda não resolvemos a questão colocada visto que, por um
lado, os cálculos que fizemos foram feitos sob a hipótese do limite existir (facto que,
nesta altura, ainda desconhecemos se é, ou não, verdade), por outro lado, se o limite
3
Note que xn+1 pode ser considerada a subsucessão de xn à qual foi retirado o primeiro termo, uma vez
que o ı́ndice começa em n + 1 = 1 + 1 = 2. Portanto ambas têm o mesmo comportamento limite.

5
existir, ele será necessariamente único e, nesta altura, temos dois candidatos para o
limite β e −β (que, atendendo à condição β > 0 dada no enunciado, são diferentes um
do outro!). A questão que se coloca agora é, antes de mais, averiguarmos se a sucessão
é, ou não, convergente. Várias abordagens podem ser pensadas, mas não tendo uma
expressão explicita para xn (mas apenas uma fórmula recursiva) talvez seja razoável
começarmos por tentar aplicar resultados abstractos sobre a convergência de sucessões.
Um dos mais simples é o teorema que nos garante que todas as sucessões monótonas e
limitadas são convergentes.
Será xn limitada? Como a expressão que nos informa sobre o comportamento de xn
é uma fórmula recursiva é natural tentar aplicar o método de indução e tentar provar
que existe um conjunto I ⊂ R, independente de n, que contém todos os elementos da
sucessão xn . Observe que um possı́vel candidato para I é dado no enunciado: é o in-
tervalo onde podemos escolher o primeiro termo da sucessão: é óbvio que se o conjunto
I terá de conter todos os elementos da sucessão, terá, em particular, que conter o seu
primeiro elemento, x1 , e portanto terá de satisfazer I ⊇]0, β[∋ x1 . Experimentemos,
então, provar por indução que se verifica xn ∈ I =]0, β[, ∀n ∈ N. Para o caso n = 1 não
é necessário verificar nada porque a inclusão é dada no próprio enunciado. Vejamos a
hereditariedade: suponhamos que xn ∈]0, β[ e investiguemos o que se passa com xn+1 :
como, por hipótese de indução, 0 < xn < β 2 , concluimos que
r r r
αβ 2 + x2n αβ 2 + β 2 (α + 1)β 2 p 2
xn+1 = < = = β = |β| = β
α+1 α+1 α+1
e também r r
αβ 2 + x2n αβ 2
xn+1 = > > 0.
α+1 α+1
Portanto verifica-se que também xn+1 ∈ I e, por indução, provámos que a sucessão é
limitada.
Resta provar que a sucessão é monótona, o que é, agora, essencialmente imediato:
como acabámos de provar que 0 < x2n < β 2 , podemos agora usar este resultado para
obter a estimativa seguinte
r r r
αβ 2 + x2n αx2n + x2n (α + 1)x2n p 2
xn+1 = > = = xn = |xn | = xn ,
α+1 α+1 α+1
a qual nos diz que a sucessão é monótona estritamente crescente.
Concluimos, deste modo, que a sucessão dada é convergente. Como tinhamos começado
por verificar que, caso existisse, o limite teria de ser igual ou a β > 0 ou a −β < 0, e
atendendo a que agora sabemos que todos os termos da sucessão estão em I =]0, β[,
obtemos imediatamente que o limite não pode ser negativo e portanto só pode ser igual
a β.

4.b) Seja wn uma sucessão contractiva. Para provarmos que wn é de Cauchy temos de
estimar as diferenças |xm − xn |. Sem perder generalidade pode-se sempre considerar
que m > n. Comecemos por observar que a desigualdade triangular permite escrever

|xm − xn | = |xm − xm−1 + xm−1 − · · · − xn−1 + xn−1 − xn |


6 |xm − xm−1 | + |xm−1 − xm−2 | + · · · + |xn−1 − xn |.

6
Agora reparemos que a definição de sucessão contractiva permite estimar cada uma
das diferenças que surgem no membro direito da desigualdade anterior. De facto, pela
definição de sucessão contractiva tem-se, ∀p ∈ N,

|wp+2 − wp+1| 6 K |wp+1 − wp | 6 K 2 |wp − wp−1 |


6 K 3 |wp−1 − wp−2| 6 . . . 6 K p |w2 − w1 |

Substituindo estas estimativas na expressão anterior tem-se

|xm −xn | 6 (K m−2 + K m−3 + . . .+ K n−1 )|x2 −x1 | = K n−1 (1 + K + . . .+ K m−n )|x2 −x1 |.

Como a soma entre parentesis no membro direito desta expressão é a soma de uma
m−n
progressão geométrica de razão K, a sua soma é igual a 1−K
1−K
1
< 1−K . Portanto,
podemos finalmente escrever
K n−1
|xm − xn | < |x2 − x1 |. (2)
1−K
Seja agora δ > 0 arbitrário. Tome-se p ∈ N como sendo o menor inteiro tal que
K p−1
1−K
|x2 − x1 | < δ (sabemos que um tal p existe visto que, como K < 1, o membro
esquerdo tende para zero e, portanto, a partir de certa ordem, há-de ser sempre menor
que o número fixado para o membro direito). Então, como K n < K p se n > p
(novamente porque K < 1), concluimos por (2) que, para todos os m > n > p, se tem
|xm − xn | < δe que, portanto, a sucessão wn é de Cauchy.
5. Para a primeira série, comecemos por observar que o seu termo geral pode ser escrito
como a diferença de dois termos de uma outra sucessão conveniente e que, portanto,
1
se trata de uma série de Mengoli. De facto, podemos escrever n(n+2) = 12 n1 − n+2
1
e,
4
portanto, para a sucessão das somas parciais da série, tem-se
N   N N
! N N +2
!
1X 1 1 1 X1 X 1 1 X1 X 1
SN = − = − = −
2 n=1 n n + 2 2 n=1 n n=1 n + 2 2 n=1 n n+2=3 n + 2
N N +2
! N N +2
!  
1 X 1 X 1 1 X 1 X 1 1 1 1 1 1
= − = − = + − −
2 n=1 n j=3 j 2 n=1 n n=3 n 2 1 2 N +1 N +2
 
3 1 1 1 3
= − + −−−→ ∈ R,
4 2 N + 1 N + 2 N →∞ 4

e portanto a série é convergente e a sua soma é 43 . Para estudarmos a segunda série é


natural utilizarmos o critério de condensação
P P de kCauchy: se uma sucessão an for posi-
tiva e decrescente, então as séries n an e k 2 a2k têm a mesma natureza. Sabendo
que as funções x 7→ x e x 7→ log x são monótonas estritamente crescente, conclui-se
1
imediatamente que a sucessão an = n(log n)(log log n)
é monótona estritamente decres-
cente. Tendo presente que n > 3 > e, conclui-se que an > 0. Podemos, pois, aplicar o
critério de condensação de Cauchy: Atendendo a que
1 1 1 1
2k a2k = 2k = =
2k (log 2k )(log log 2k ) k(log 2) log(k log 2) log 2 k log(k log 2)
4
Alguns dos passos da dedução poderiam (e deveriam!) estar ausentes, visto tratarem-se apenas de passos
elementares de manipulação de somatórios. São apresentados apenas para que não surjam quaisquer dúvidas
sobre as manipulações envolvidas.

7
P
sabemos que a nossa série é da mesma natureza que k k log(k1 log 2) . Não é, no entanto,
óbvia qual a natureza desta última série. Para ultrapassar este problema podemos
observar que o termo geral da série não é muito diferente do que tinhamos inicialmente,
embora seja apreciavelmente mais simples, tendo desaparecido um dos logaritmos. Isto
sugere aplicarmos outra vez o critério de condensação: seja bk = k log(k1 log 2) ; então

1 1 1 1 1
2p b2p = 2p = = =
2p p
log(2 log 2) p
log(2 log 2) p log 2 + log 2 log 2 p + 1

e agora basta reconhecer que a série cujo termo geral surge no membro direito é diver-
gente5 para concluir que a série dada no enunciado é também divergente.
Por fim, para a última série basta observar que
s 2n  2  2
n 2n − 1 2n − 1 2
= −−−→ < 1,
3n + 1 3n + 1 n→∞ 3

para concluir que, pelo critério da raı́z, a série dada é convergente.

6. Observe-se que, sendo an convergente, é necessariamente limitada. portanto, existe P uma


constante K tal que an 6 K. Então, tem-se an bb 6 Kbn e, como por Phipótese n bn é
convergente, o critério de comparação permite concluir que a série n an bn é também
convergente.
A segunda série é, obviamente,
P divergente, uma vez que o termo geral não tende para
zero: como sabemos que “ n bn convergente ⇒ bn → 0”, concluı́mos que lim(an +bn ) =
lim an = 31 .
No caso da última série do enunciado, observemos que, de an → 31 concluimos que
todos os termos, a partir de uma certa ordem, estão suficientemente próximos do valor
limite 13 . Em particular, podemos certamente escolher uma ordem a partir da qual
todos os termos são inferiores a 1. Precisemos um pouco mais: escolha-se ε > 0 de
tal modo pequeno que 31 + ε < 1. Sabemos, da definição de limite, que existe uma
ordem n0 = n0 (ε) a partir da qual (i.e., para todos os n > n0 ) os termos da sucessão
satisfazem an < 31 + ε < 1. Como a natureza de uma série não depende do que acontece
a um número
P finito dos seus termos, a natureza da série do enunciado é a mesma que a
da série n>n0 (an )n e como a série de termo geral 31 + ε é convergente (porque é uma
série geométrica de razão inferior a 1) concluimos, pelo critério de comparação, que a
série dada também é convergente.

5
Basta, por exemplo, aplicar o corolário do critério de comparação com a série de Dirichlet de termo geral
1
p, a qual se sabe que é divergente.