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VI EPBEM – Monteiro, PB – 09, 10 e 11 de novembro de 2010 www.sbempb.com.br/epbem

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REFLEXÕES SOBRE A IMPORTÂNCIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA PRÁTICA DOCENTE

Vilmara Luiza Almeida Cabral vilmaraluisa@gmail.com

Cristiane Borges Angelo cristianeangelo@ccae.ufpb.br

Resumo: O presente relato aborda o trabalho realizado em uma escola municipal de Bayeux/PB, na qual foi desenvolvida a prática referente a um componente curricular do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Federal da Paraíba - Campus IV - Litoral Norte, habilitada por meio da disciplina de Estágio Supervisionado I. O foco deste trabalho é a atividade de observação da escola-campo de estágio, desenvolvida na disciplina supracitada, enfatizando a relevância que esta disciplina teve em relação à construção do Projeto Político pedagógico (PPP) da escola em questão e a minha prática de ensino. Pretendo refletir nesse trabalho acerca da formação do professor de matemática e da importância da sua atuação fora da sala de aula, possibilitada a partir das bases curriculares da disciplina de estágio. Para subsidiar as reflexões, apoiei-me nos estudos de Barreiro e Gebran (2006); Pimenta e Lima (2009); Nóvoa (1997); e Sousa e Fernandes (2004). Nesse sentido, irei relatar a minha visão, enquanto licencianda e professora que já atua na Educação Básica - Ensino Fundamental, sobre a importância da disciplina de Estágio Supervisionado I e como a atividade de observação da escola-campo repercutiu de forma positiva na escola, culminando, inclusive, na elaboração de documentos norteadores das ações da escola que, até o momento da observação, não existiam.

Palavras-chave: Formação de Professores, Projeto Político Pedagógico, Estágio Supervisionado

Introdução Neste trabalho irei relatar a minha experiência enquanto licencianda do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Federal da Paraíba - Campus IV - Litoral Norte, desenvolvida na disciplina de Estágio Supervisionado I, tendo como foco a atividade de observação da escola-campo de estágio. A disciplina de Estágio Supervisionado I, cuja carga-horária é de 75 horas (5 créditos), tem por objetivos discutir a realidade do ensino-aprendizagem da Matemática no Ensino Fundamental das escolas públicas brasileiras, especificamente, do Estado da Paraíba. O Estágio Supervisionado é a exteriorização do aprendizado acadêmico fora dos limites da universidade. É o espaço onde o licenciando irá desenvolver seus conhecimentos junto às instituições públicas e privadas, integrando a teoria e a prática, contribuindo para uma análise de pontos fortes e fracos das organizações e propondo melhorias para as instituições.

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O Estágio, nessa perspectiva, possibilita uma aproximação da realidade da sala de aula

e da escola, sendo que esta leva a uma reflexão teórica sobre a prática, sobre tudo o que

observamos e vivenciamos durante a mesma, propiciando ao aluno a oportunidade de aproximar-se da realidade a qual atua ou, futuramente, atuará. O espaço destinado para o estágio possibilita ao licenciando a disponibilidade de consolidar seus conhecimentos com os entraves que a prática do dia-a-dia oferece. Nesta configuração, a troca de experiência fará com que o futuro profissional torne-se mais preparado para atuar em diferentes áreas e lidar com a complexidade da realidade cotidiana inerente à escola. A atividade de observação da escola-campo de estágio foi desenvolvida na Escola Municipal de Ensino Fundamental Luciano Ribeiro de Morais, a qual já atuo como professora de Matemática, no Ensino Fundamental, no 6º e 7º ano. Nesse trabalho irei relatar a minha visão, enquanto licencianda e professora que já atua na Educação Básica - Ensino Fundamental, sobre a importância da disciplina de Estágio

Supervisionado I e da atividade de observação da escola-campo desenvolvida nessa disciplina

e como essa atividade repercutiu de forma positiva na escola, culminando, inclusive, na elaboração de documentos norteadores das ações da escola que, até o momento da observação, não existiam.

O papel do estágio na formação do educador matemático

A formação de professores é influenciada por inúmeros fatores, que devem ser estudados adequadamente para que, assim, se possa intervir de maneira construtiva na formação dos licenciandos que futuramente estarão regendo atividades didáticas em sala de aula. Essa formação, “deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça aos professores os meios de um pensamento autônomo e que facilite as dinâmicas de auto- formação participada”. (NÓVOA, 1997, p.25).

É preciso formar professores que reflitam sobre a própria prática educativa, sendo que esta reflexão propiciará um enorme crescimento intelectual desses profissionais. A reflexão é entendida hoje como um requisito fundamental para as transformações que se fazem necessárias na educação. A formação é aqui entendida como processo contínuo e permanente

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de desenvolvimento, o que exige do professor disponibilidade para a aprendizagem contínua. (BRASIL, 1999).

O Estágio Supervisionado desenvolvido na perspectiva da integração entre a teoria e

a prática deve proporcionar uma aproximação da realidade da sala de aula e da escola, sendo

que esta leva a uma reflexão teórica sobre a prática, sobre tudo o que observamos e vivenciamos durante a mesma, propiciando ao aluno a oportunidade de fazer uma síntese da teoria e da prática. Mas, faz-se necessário, que se mude a idéia de que a formação teórica recebida nos primeiros anos da formação inicial é uma espécie de receituário, em que a prática é uma aplicação da teoria” (SOUSA e FERNANDES, 2004, p.92). Além disso, é necessário romper com a visão de formação que tenha como foco “como deve ser um professor, o que deve fazer, que conteúdos estudar e os métodos para os ensinarem, mas pouco ou nada lhes é dito, por exemplo, acerca do controlo e disciplina dos alunos” (SOUSA

e FERNANDES, 2004, p.92). A partir desta idéia, muitos professores afirmam que universidades ensinam muitas coisas que não fazem falta, que não utilizarão no seu dia-a-dia como professores e esquecem de ensinar outras que consideram muito importante e úteis para o desenvolvimento das suas aulas, para que melhor pudessem enfrentar a realidade da sala de aula. Existe ainda, uma grande tradição acadêmica, onde a formação é orientada de modo a ter os aspectos e as preocupações pedagógicas em segundo plano (SOUSA e FERNANDES, 2004). Com isso, continua o conflito entre a formação teórica e a dificuldade em se transferir esses conhecimentos para a prática, que é uma das críticas habituais dos professores estagiários e que não deixa de ser um aspecto crítico da formação inicial merecedor de reflexão” (SOUSA e FERNANDES, 2004, p.92). Logo, considera-se a formação de professores bastante teórica em muitas universidades, estando afastada da realidade do ensino básico, dando-se ainda, pouca importância à prática e supervalorizando a teoria (SOUSA e FERNANDES, 2004). Em oposição a essa visão, a disciplina de Estágio Supervisionado, no curso a qual estou vinculada, entende que a participação do estagiário na escola não deve “passar em branco”, podendo promover mudanças significativas no espaço escolar. Dessa forma, “o período de estágio, ainda que transitório, é um exercício de participação, de conquista e de negociação do lugar do estagiário na escola” (PIMENTA; LIMA, 2009, p. 116).

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A experiência da observação da escola campo de estágio

Uma das atividades desenvolvidas na disciplina de Estágio Supervisionado I, consistiu na observação da escola-campo de estágio. Essa atividade objetivou aproximar os alunos da vida da escola, inteirando-os da sua estrutura e funcionamento, de sua organização pedagógica e administrativa e do seu papel na comunidade a qual está inserida. Essa atividade me levou a refletir sobre os vários aspectos que são inerentes ao processo educativo favorecendo, dessa forma, a construção de novas ações e de novas práticas. Na atividade de observação, elaborei o diagnóstico da escola que, segundo Libâneo (2001, apud PIMENTA E LIMA, 2004), “consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução”. Esse trabalho permitiu que fossem detectados os problemas, as necessidades e as possibilidades de atuação na escola ou na sala de aula.

Após o diagnóstico, elaborei o “Relatório de observação da escola-campo” baseado em quatro questões centrais: 1) Como é a escola e em que estágio ela se encontra? 2) Como a escola se vê? 3) Como você vê a escola? 4) Como o diagnóstico da escola pode ajudar na sua prática docente?

Durante o desenvolvimento da atividade de observação e da elaboração do meu relatório de observação da escola-campo, observei o grande antagonismo entre os questionamentos levantados e os documentos apresentados pela escola. Observei também que há uma dicotomia entre os documentos oficiais (Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental e Parâmetros Curriculares Nacionais - Matemática) e a prática, que resulta em um fracasso no rendimento escolar.

Ao avaliar a parte estrutural, administrativa e pedagógica da escola, compreendi que a prática de ensino não se restringe ao espaço de sala de aula. Essa prática extrapola esse espaço. Foi compreendendo essa realidade acerca da estruturação do currículo e das propostas pedagógicas da escola, que adquiri outro posicionamento perante a escola e percebi que temos que buscar uma escola para todos, uma escola que realmente educa, na perspectiva da formação integral de seus alunos.

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Por meio das pesquisas que realizei houve um alerta perante a regularização da escola e a própria legislação que rege as questões educacionais como um todo. Só após os estudos realizados por mim nesta escola, percebi que houve um avanço gradativo na regularização da escola e na preocupação com a estrutura educacional. A partir de minha intervenção algumas ações foram desenvolvidas. Foi elaborado inicialmente um plano de ação com o corpo docente, a direção e a supervisão, objetivando diminuir o índice de evasão e de repetência nos anos finais do ensino fundamental. Além disso, foi requerido em caráter de urgência a elaboração do PPP que, por sua vez, foi elaborado junto ao colegiado da escola, ao corpo docente, a direção e supervisão. Foi por meio da disciplina de Estágio Supervisionado I que compreendi a necessidade da elaboração do PPP e defendi na escola a elaboração de um documento norteador da prática da docência e da equipe administrativa da escola. Assim,

A partir de observações, relatórios, investigações e análise do espaço escolar e da sala de aula, esse processo ultrapassa a situação dinâmica ensino-aprendizagem, favorecendo os espaços de reflexão e o desenvolvimento de ações coletivas e integradoras”. (BARREIRO; GEBRAN, 2006, p. 91)

Nessa perspectiva, e por já exercer a docência em Matemática nessa escola, o estágio foi uma oportunidade de formação contínua, pois me proporcionou, a partir das reflexões sobre a prática, uma re-significação de saberes. Nesse sentido, defendo que a formação continuada é um processo contínuo, que nos leva a enxergar todo o meio escolar e a transpassar a linha divisória da sala de aula. Romper com amarras e apatias educacionais é possibilitado por meio de disciplinas como Estágio Supervisionado. Portanto, o estágio oferece ao licenciado um conhecimento da real situação do trabalho em sala de aula e nas particularidades em todo âmbito escolar, sendo também, um momento para se verificar as competências adquiridas ao longo do curso na prática profissional. Objetiva também levar o estagiário a uma reflexão sobre a sua profissão e se realmente deseja se dedicar a essa profissão. É o momento para muitas decisões sobre a profissão professor.

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Considerações finais

A partir das observações realizadas durante todo o período letivo em que cursei a

disciplina de Estágio Supervisionado I, percebi que esta disciplina me possibilitou um

aprendizado de extrema relevância acerca da prática da docência, pois ser professor é ser

atuante, crítico, investigador e pesquisador, características essas que desenvolvi no decorrer

desta disciplina. Atuar na elaboração do Projeto Político Pedagógico, na escola em que já atuo

como professora de Matemática, me fez vivenciar as fundamentações teóricas que embasam o

estudo de Estágio e concluir que não há aprendizado significativo sem que ocorra a atuação, a

prática da teoria estudada. Nesse sentido, pude vivenciar a superação da dicotomia teoria e

prática, conhecendo e aproximando-me da realidade escolar em que já atuo.

Referências

PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 2009.

BARREIRO, Iraíde Marques de Freitas; GEBRAN, Raimunda Abou. Prática de ensino e estágio supervisionado na formação de professores. São Paulo:

Avercamp, 2006.

NÓVOA, António. Formação de professores e profissão docente In: António Nóvoa (coord.). Os Professores e a sua Formação. 3ª ed. Lisboa (Portugal): Publicações Dom Quixote. 1997,

p.15-33.

SOUSA, Manuela Valentina. FERNANDES, José António. Dificuldades de professores estagiários de Matemática e sua relação com a formação inicial. Quadrante. Lisboa, p.91-113.

2004.