®iva tattva

As verdades conclusivas (tattva) sobre a nossa identidade e a do Senhor ®iva, estão aqui reveladas por Sua Divina Graça ®r…la Bhaktivedānta NārāyaŠa Mahārāja, o mais proeminente embaixador espiritual da Índia nos dias de hoje. Essa antologia de palestras é somente uma gota do néctar do oceano transcendental da sabedoria, encontrada na tradição Gau…ya Vai÷Šava. ®r…la NārāyaŠa Mahārāja compartilha todo o conhecimento que ele obteve de uma vida inteira dedicada aos seus amados mestres espirituais e instrutores, ®r…la Bhakti Prajñāna Keava Gosvām… Mahārāja e ®r…la Bhaktivedānta Swami Prabhupāda. Sua natureza gentil e seu exemplo de vida iluminam o caminho do esforço da vida espiritual. “O Senhor ®iva é extremamente bondoso por natureza, e é a morada do amor.” ®r…la NārāyaŠa Mahārājá

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Índice Capítuo1 A maior bênção do Senhor ®iva. Trapaceando os trapaceiros O princípio de ®iva Concedendo amor perfeito Capítulo 2 O posto e a pessoa O dever de destruição O associado pessoal 20 22 8 11 12

Capítulo 3 Três reflexões Verdade estabelecida Serviço nos passatempos de opulência Serviço em passatempos como ser humano 25 27 31

Capítulo 4 O Guardião da morada do amor

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Prefácio O Senhor ®iva é manifesto a partir do desejo divino do Senhor Supremo. Uma compreensão de ®iva-tattva (o princípio de ®iva) é portanto essencial na realização do profundo significado do verdadeiro propósito da vida humana e seus relacionamentos. O Senhor ®iva é uma personalidade com muitas formas e nomes, tais como ®a‰kara, ®ambu e Mahea. Ele está situado, eternamente, em sua forma original como Gop…vara e nesta forma ele guarda a entrada do que nos é mais importante - nossa vida transcendental. Por sua abnegada dedicação, essa personalidade gentil e misteriosa pacientemente, guia aqueles que cruzam o caminho para o Absoluto, assegurando uma passagem segura através de todos os estágios da devoção. No livro ®iva-tattva, ®r…la Bhaktivedānta NārāyaŠa Mahārāja esclarece, de uma maneira brilhante, a santa trindade Hindu: Brahmā, Vi÷Šu e ®iva. Com a autoridade dada pelos seus mestres espirituais na sucessão discípular da tradição Gau…ya Vai÷Šava, ele revela a verdade conclusiva (tattva) da posição original do Senhor ®iva e nos mostra sua natureza querida e afetuosa. As diversas histórias intrigantes narradas aqui, todas provindas de literaturas védicas autorizadas, são entremeadas com conclusões filosóficas. Dessa forma, ®iva-tattva revela a bela harmonia das qualidades, aparentemente contraditórias, do Senhor ®iva. Ele é o destruidor e, simultaneamente, a causa ingrediente da criação. Ele é a deidade predominante do modo da ignorância e ao mesmo tempo o reservatório do conhecimento absoluto. Ele é o esperto trapaceiro e, concomitantemente, quem dá misericórdia. Seus associados são fantasmas, demônios e bruxas e ao mesmo tempo ele associa-se com os mais exaltados semideuses, sábios e até mesmo Deus em pessoa. O tópico profundo de ®iva-tattva é tão vasto que esse trabalho poderia ter incluído capítulos inteiros para cada uma das glórias, passatempos e manifestações do Senhor ®iva. A intenção desta edição ,entretanto, é inspirar o leitor com sua essência e despertar seu interesse na evolução da consciência.

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®iva-tattva começa com a história de uma missão especial, originalmente contada no épico de ®r…la Sanātana Gosvām…, ®r… Bhad-bhāgavatāmta. O objetivo dessa missão era estabelecer, no mundo, a meta final de todas as práticas de yoga, prema-bhakti. Numa conversa íntima com o sábio Nārada Muni, o Senhor ®iva esclarece as qualidades de um vai÷Šava genuíno ou devoto da Suprema Personalidade de Deus. Preparando o cenário para essa conversa divina, ®r…la Sanātana Gosvām… escreve: Em sua própria morada, o Senhor ®iva havia recém terminado sua adoração ao Senhor Sa‰kar÷aŠa e, absorto em amor extático, começou a dançar e fazer k…rtana. Seus seguidores, liderados por ®r… Nandivara, estavam amavelmente elogiando-o, cantando, tocando instrumentos musicais e exclamando: “Jaya! Jaya! Todas as glórias á você! Todas as glórias a você! Com suas mãos de lótus, Pārvat…-dev… criava um ritmo encantador com Karatālas e o Senhor ®iva a elogiava por isso. Vendo tudo aquilo à distância, o sábio Nārada, com alegria, ofereceu reverências e começou a tocar sua vina. Repetidamente, ele disse: “Você é o maior beneficiário da misericórdia de K÷Ša”. Repetindo as palavras do Senhor Brahmā, ele começou a glorificar ®iva com uma voz melodiosa. Quando ®r… Nārada aproximou-se de ®r… Rudra (Senhor ®iva) para pegar a poeira dos seus pés de lótus, ®iva, que estava intoxicado com o fluxo de néctar de K÷Ša-prema, e que é muito querido aos Vai÷Šavas, puxou o sábio Nārada para perto, o abraçou, e respeitosamente disse: ‘Ó, filho de Brahmā! O que você está dizendo?!’ (®r… Bhadbhāgavatāmta Capítulo três, versos 1-5) A fama do Senhor ®iva, como o melhor devoto do Senhor K÷Ša, foi primeiramente apresentada ao mundo ocidental, por Sua Divina Graça ®r…la A.C Bhaktivedānta Swami Prabhupāda; O pregador internacional mais proeminente do Gau…ya Vai÷Šavismo. ®r…la Prabhupāda inspirou um movimento internacional. Ele deu ao mundo o verdadeiro tesouro, nas suas traduções para o inglês da literatura Védica. E foi desse tesouro que, continuamente, extraímos informações para enriquecer esta publicação, com notas de pé de páginas e suplementos. Foi á pedido de ®r…la Prabhupāda, que hoje ®r…la NārāyaŠa Mahārāja viaja e prega para pessoas do mundo inteiro, cultivando a vida espiritual de muitos. ®iva tattva é uma compilação de quatro palestras transcritas de ®r… NārāyaŠa Mahārāja que, embora não tenha sido falada em série, leva o leitor a uma maravilhosa jornada. Os capítulos um e dois foram narrados durante sua turnê mundial em 1997 na Hollanda, na manhã e na noite do dia 3 de julho. O capítulo três veio da tradução para o inglês de uma de
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suas aulas em hindi, dada em Mathurā, Índia, na véspera de ®iva-Ratri, dia 5 de março de 2000. Finalmente, no quarto capítulo, num discurso feito em 10 de outubro de 2001, ele nos leva a uma peregrinação a um templo na antiga cidade de Jagannātha Pur…, onde o Senhor ®iva reside como Lokanātha Mahādeva. As crônicas e personalidades discutidas nesse livro não pertencem ao campo da religião ou da mitologia; pelo contrário, elas contêm a verdade universal. O uso de palavras em Sânscrito, a linguagem na qual a ciência védica foi originalmente falada, foi reduzido ao mínimo para fácil compreensão. As palavras que sejam, porventura, apresentadas em Sânscrito como, por exemplo, bhakti, (que significa devoção), são claramente explicadas no texto. Implorando pela misericórdia de ®r… Hari, Guru e Vai÷Šavas, nós humildemente apresentamos as glorificações feitas por ®r…la NārāyaŠa Mahārāja, do mais inconvencional das personalidades transcendentais, o Senhor ®iva. Nós pedimos perdão aos leitores por quaisquer erros ou defeitos nossos na nossa apresentação desta oferenda ao Senhor ®iva, na ocasião auspiciosa de ®iva-Ratri – Março/ 2005. Os editores

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Capítulo 1 A maior bênção do Senhor ®iva

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Certa vez, o grande sábio Nārada Muni foi visitar a morada do Senhor ®iva, e começou a glorificá-lo, dizendo: “Você é muito íntimo e querido ao Supremo Senhor K÷Ša. E não é só isso, você é também a manifestação de K÷Ša; você não é diferente dEle. Você pode dar liberação e também K÷Ša-prema, a rara jóia do amor transcendental por K÷Ša”. Ouvindo Nārada glorificá-lo de várias maneiras, o Senhor ®iva ficou bravo e disse: “Sua glorificação a mim é falsa. Eu não sou, de forma alguma, querido por ®r… K÷Ša.” O Senhor ®iva, na verdade, é o mais querido de ®r… K÷Ša, então, K÷Ša pode dar-lhe serviços os quais Ele não pode dar a mais ninguém. Quando os semideuses e demônios estavam batendo o oceano de leite para obter o néctar da imortalidade, a primeira substância produzida foi um veneno poderoso e perigoso, que queimava o mundo inteiro. Os semideuses apelaram a ®r… K÷Ša, que os aconselhou a pedir ao Senhor ®iva para que ele bebesse o veneno. Assim, eles adoraram o Senhor ®iva e pediram: “Por favor, nos salve! Somente você pode nos proteger.” O Senhor ®iva recolheu o veneno e o colocou em sua boca, mas, hesitou em engoli-lo, considerando: “O Senhor K÷Ša está em meu coração. O veneno irá afetá-Lo.” Ele então, manteve o veneno em sua garganta, que foi queimando, até que se tornasse azul. Agora, por genuína humildade, o Senhor ®iva falou a Nārada: “Eu quero ser o amado devoto de ®r… K÷Ša, mas, na verdade, eu não sou. Você sabe, eu sempre uso as cinzas dos crematórios, e uma guirlanda de caveiras. Todos os meus associados são fantasmas e bruxas, então, eu não sou qualificado para ser um devoto querido de K÷Ša. Se eu sou tão querido por Ele, por que Ele mandaria que eu me ocupasse com o modo da ignorância, na terrível função de destruir o universo? Se eu fosse um recipiente tão grandioso da Sua misericórdia, por que ele me daria a ordem de me tornar ®a‰karācārya e pregar uma filosofia que é contrária a Ele?” Na verdade, mesmo que ele negue, é devido ao fato de ®iva ser tão querido a K÷Ša que K÷Ša foi capaz de dar-lhe a difícil tarefa de vir como ®a‰karācārya. Muitas pessoas vêm adorando o Senhor Supremo somente para satisfazer seus interesses, pensando: “Deus satisfará nossos desejos mundanos simplesmente com nossa adoração.” Eles só o adoravam para, rapidamente, obter os resultados e terem suas necessidades supridas; não para compraze-Lo. O Senhor K÷Ša pensou: “Isto é muito perigoso.” Ele chamou o Senhor ®iva, e o instruiu: “Tais falsos devotos criarão grandes
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perturbações, então mantenha-os longe de Mim. Crie uma filosofia que ensine: ‘brahma satyaˆ jagan mithyā - (o absoluto é verdadeiro, esse mundo é falso.)’ Você deve pregar: todas as almas são ®iva; todas as almas são Brahmā; tudo é um. Você é Brahma, o Absoluto impessoal. Não há necessidade de adorar nenhum outro Deus; você é o Deus Supremo.’ “Relutante, o Senhor ®iva perguntou a K÷Ša: “Por favor, o Senhor pode pedir para outra pessoa fazer isso? Eu não sou qualificado para esse serviço.” K÷Ša respondeu: “Não, você terá que fazer isso. No mundo inteiro, eu não vejo ninguém que seja tão capaz. Sentindo-se envergonhado, agora, o Senhor ®iva disse a Nārada: “Por fim, tive que concordar em seguir Sua ordem. Aparecendo como ®a‰karācārya, preguei em muitos lugares: ‘Você é Brahma, você é Brahma, você é o Brahma impessoal. O mundo inteiro é falso. ’ Lamento muito por ter feito isso. Sei que cometi uma grande ofensa fazendo que tantas pessoas se tornassem contrárias ao Senhor K÷Ša. Ainda assim, para executar Sua ordem espalhei essa doutrina. Está bem claro, pelo fato de Ele ás vezes me dar tais ordens, que eu não sou o Seu mais querido”. Trapaceando os trapaceiros O Senhor ®iva expressou a Nārada seu arrependimento em ter dado bênçãos aos inimigos do Senhor K÷Ša. Para cumprir os desejos do Senhor K÷Ša, ele deu bênçãos a demônios como Rāvana, Vkāsura, ®ālva e Jayadratha e, desta forma, ele realizou várias vezes atividades que eram, aparentemente, opostas ao Senhor K÷Ša e a K÷Ša-bhakti. Nārada Muni disse: “Mestre, por favor, não tente enganar-me. Sei que tudo o que você faz é para satisfação do Senhor K÷Ša e para ajudá-Lo em seus passatempos, para o beneficio de todos os seres. Você me disse que, muitas vezes, deu bênçãos aos inimigos dEle. Os inimigos dEle, assim como os inimigos dos primos dEle, os PāŠavas, o adoram para obter bênçãos mal-intensionadas. Eu também sei que você lhes concede bênçãos, mas essas bênçãos são a prova de tolos; elas sempre têm um ponto fraco. Na verdade, você engana essas pessoas somente para agradar K÷Ša. “Você é, sem dúvidas, Seu melhor amigo”. ®iva e Nārada continuaram a discutir alguns incidentes históricos que, de acordo com ®iva, provavam que ele não era querido por K÷Ša, mas, de acordo com Nārada, provavam o oposto. Um ponto fraco O grande épico Mahābhārata nos conta sobre o Rei Jayadratha, um dos tantos demônios que receberam tal bênção astuta do Senhor ®iva. Duryodhana, o primo paterno dos cinco irmãos PāŠavas, deu sua irmã
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Dushala em casamento ao Rei Jayadratha, e portanto, o Rei passou a ser considerado cunhado dos PāŠavas. Certa vez, Jayadratha tentou seqüestrar a esposa dos PāŠavas, Draupad…, pois tinha o grande desejo de fazer dela sua esposa. Sendo forçada a entrar na carruagem, ela o avisou, chorando: “eu sou a esposa dos PāŠavas. Quando você for pego, será punido e morto!” A arrogância de Jayadratha o impediu de ouvi-la, dando continuidade ao seqüestro. Enquanto isso, o sábio Nārada aproximou-se dos PāŠavas e os informou: “Oh, eu vi Jayadratha levando Draupad… embora, e ela estava chorando!” - Dois dos PāŠavas, Bh…ma e Arjuna, imediatamente, saíram atrás dele. Bh…ma desceu de sua carruagem e correu mais rápido que os cavalos de Jayadratha. Com seu arco e flecha, Arjuna criou um círculo de fogo que rodeou a carruagem de Jayadratha, que foi capturado e não pôde se mexer. Ele foi severamente espancado por Bh…ma e preso por Arjuna, amarrado à carruagem e levado para onde Yudhi÷˜hira Mahārāja encontrava-se com Draupad…. Bh…ma e Arjuna falaram com Yudhi÷˜hira, seu respeitável irmão mais velho. Bh…ma insistiu: “Eu quero matar Jayadratha. Por favor, ordena-me que o mate”. Apoiando Bh…ma, Arjuna disse: “Jayadratha cometeu uma ato hediondo e deve ser morto”. O rei Yudhi÷˜hira respondeu: “A ofensa foi cometida contra Draupad…. Devemos levar o caso até ela, e faremos o que ela mandar!” Quando Jayadratha foi trazido aos pés de Draupad…, ela, misericordiosamente, pediu a seus maridos: ‘”Não o matem; perdoem-no. Ele é nosso cunhado. Se vocês o matarem, sua prima-irmã será viúva e lamentará pelo resto de sua vida”. Bh…ma e Arjuna então, foram ao Senhor K÷Ša e apelaram: “O que devemos fazer? Juramos matar Jayadratha e agora, Draupad… nos pede para perdoá-lo”. K÷Ša respondeu: “Para alguém que já foi honrado, a desonra é pior do que a morte”. Arjuna raspou o cabelo do Rei Jayadratha, deixando cinco mechas de cabelo e ele raspou a barba apenas de um lado de seu rosto. Jayadratha sentiu-se humilhado e, depois de ter sido liberado por Bh…ma e Arjuna, ele achava melhor ter sido morto. Ele pensou: “De qualquer me vingarei”. Pensando assim, ele foi a Gangotr… nos Himālayas e adotou uma penitência severa para satisfazer o Senhor ®iva. Depois de alguns meses, ele abandonou o consumo de comida, água e atividades corporais e estava quase morrendo. Nesse ponto, o Senhor ®iva veio e perguntou que bênção ele queria como resultado de tanta austeridade. Jayadratha respondeu: ”Eu quero vingança contra os PāŠavas. Quero derrotar e matar todos eles”. O Senhor ®iva disse: “Você pode
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derrotar os PāŠavas, mas, somente Yudhi÷˜hira, Bh…ma, Nakula e Sahadeva; não Arjuna”. Jayadratha disse: “Se esse pedido não pode ser completamente satisfeito, então, por favor, conceda que nem Arjuna, nem ninguém será capaz de matar-me”. O Senhor ®iva respondeu: “Posso conceder-lhe o seguinte: se sua cabeça for cortada e cair ao chão, a pessoa que causou isso morrerá imediatamente. Sua vida será salva e sua cabeça será restituída ao seu corpo. Você poderá ser morto centenas de milhares de vezes, mas, você não morrerá. De outra forma, se sua cabeça decepada cair nas mãos de seu pai e ele a jogar no chão, então, você morrerá”. Jayadratha estava satisfeito, pensando: “Meu pai nunca faria isso”. Quando a batalha de Kuruk÷etra começou, Jayadratha adotou o lado dos inimigos dos PāŠavas, Duryodhana. Numa tarde, durante a batalha, quando o sol estava se pondo, o pai de jayadratha estava absorto orando e fazendo uma oferenda de água ao deus do Sol. Arjuna viu esse momento oportuno. Com um hábil arremesso de uma flecha, ele separou a cabeça de Jayadratha de seu corpo e fez com que a cabeça caísse nas mãos de seu pai que estava meditando. Assustado e sem pensar, o pai de Jayadratha jogou a cabeça no chão. Então, abrindo os olhos, indagou: - O que era aquela coisa molhada? Vendo que ele acabara de jogar a cabeça de seu filho ao chão, começou a chorar, “Oh meu filho! Oh meu filho! Você está morto agora!”

Uma bênção astuta Invejoso de K÷Ša e com o desejo de ter o poder para destruí-lo, o demônio ®ālva também se abrigou no Senhor ®iva. Ele praticou uma severa austeridade e não comia mais do que um punhado de cinzas diariamente. Depois de um ano, o Senhor ®iva ficou satisfeito e concedeu-lhe o pedido de uma benção. ®ālva implorou ao Senhor ®iva um aeroplano, dizendo: “Esse aeroplano deve agir como eu desejar; deve ser operado pela minha mente. Pela minha ordem ele deve ir ao céu e onde quer que eu deseje. No verão ele deve ser ventilado. Se tiver somente duas pessoas, então deve haver somente dois assentos e, se eu quiser viajar com centenas de milhares de pessoas, vários assentos devem se manifestar. Ele nunca deve quebrar, ter problemas mecânicos e deve ser equipado com todos os tipos de armas. Deve ser perigoso e aterrorizante para os Yadus.” O Senhor ®iva concordou. ®ālva teve a ajuda do demônio Maya Dānava para manufaturar o aeroplano místico, que começou a destruir Dvārakā, a morada do Senhor K÷Ša. ®ālva atacava pessoalmente de cima e seus

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soldados, do solo. Liderados por Pradyumna, os guerreiros da dinastia dos Yadus lutaram contra ®ālva e seu exército, mas, não podiam derrotá-los. Finalmente, o Senhor K÷Ša apareceu pessoalmente no campo de batalha e, depois de uma luta intensa de ambos os lados e muitas exibições místicas de ®ālva, o Senhor pegou seu disco, cortou a cabeça do demônio e deu-lhe liberação. Dessa maneira, as bênçãos dadas pelo Senhor ®iva para os inimigos do Senhor K÷Ša sempre têm um ponto fraco. O Senhor ®iva é extremamente esperto e ele está sempre servindo seu Senhor, ®r… K÷Ša. Nārada sabia desse fato e queria tornar públicas as glórias do Senhor ®iva. ®iva é muito íntimo e querido pelo Senhor K÷Ša, e não-diferente dEle. Tente honrá-lo sempre. Porque ele é o melhor devoto do Senhor K÷Ša. nimna-gānāˆ yathā ga‰gā devānām acyuto yathā vai÷Šavānāˆ yathā ambhuƒ purāŠānām idam tathā ®r…mad-Bhāgavatam (12.13.16) Assim como o Ganges é o mais elevado de todos os rios, O Senhor Acyuta (K÷Ša) o supremo entre as deidades e O Senhor ®ambu (®iva), o mais elevado dos Vai÷Šavas, O ®r…mad-Bhāgavatam é o mais elevado de todos os purāŠas.

O Princípio de ®iva O princípio de ®iva - iva-tattva - é extremamente complexo. O princípio de Brahmā não é tão complicado, porque O Senhor Brahmā é sempre uma j…va, uma alma espiritual finita. Ás vezes, quando não há uma j…va qualificada, o Senhor Vi÷Šu (a expansão de K÷Ša), pessoalmente toma o posto de Brahmā, mas isso é raro. O Senhor ®iva não é assim; ele não é uma alma finita. Depois de passar as oito camadas materias, e depois de atravessar o Virajā (o rio que divide o mundo material e o mundo espiritual) e o planeta do Senhor Brahmā (o planeta material mais elevado), você chega ao
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planeta de ®iva. Lá, ele é conhecido como Sadāiva, uma manifestação do Senhor Vi÷Šu. ®iva-tattva pode ser compreendido pela analogia do iogurte e do leite. Iogurte nada mais é do que uma transformação do leite. O leite pode se tornar iogurte, mas o iogurte não pode se tornar leite. Essa analogia é encontrada no livro ®r… Brahma-Saˆhitā e esclarecida no comentário de ®r…la Jiva Gosvām…: “Assim como o leite se torna iogurte, pelo contato de um agente transformador, ®r… Govinda, O Senhor K÷Ša, similarmente aceita a forma de ®ambu (®iva), com uma finalidade especifica.” O exemplo de iogurte é na verdade dado com o objetivo de passar a idéia de causa e efeito, não a idéia de transformação. ®r… K÷Ša é Realidade e não pode ser transformado, então não é possível pra Ele submeter-se a nenhum tipo de distorção. Uma pedra de toque manifesta várias coisas de acorde com o desejo de alguém, ainda assim ela mantém sua natureza constitucional imutável. Rāmevara Mahādeva Quando ®r… Rāmacandra estava construindo uma ponte para La‰kā, ele estabeleceu uma ®iva-li‰ga (uma deidade do Senhor ®iva), chamada Rāmevara. Todas as pessoas da área começaram a glorificar o Senhor ®iva, dizendo: “Rāmevara ki jay! Você é ivara de Rāma, o Senhor de Rāma:” Os semideuses estavam insatisfeitos com isso, e então anunciaram através de uma vóz em coro, “Rāmas ca asau …varaƒ: Rāma é Deus, e ®a‰kara também é Deus; eles são o mesmo.” Ouvindo isso, a ®iva-li‰ga quebrou. O Senhor ®iva apareceu da li‰ga e disse a todos eles: “Vocês são todos tolos; vocês não sabem minha tattva, a verdade sobre minha identidade. O Senhor Rāma é meu amado e meu Deus, e é por isso que sou chamado Rāmevara”. Concedendo Amor Perfeito O Senhor ®iva reside eternamente na morada do Senhor K÷Ša, Vndāvana, onde ele aparece em várias formas para prestar serviço devocional a K÷Ša. A forma de Gop…vara Mahādeva foi manifesta pelo desejo do Senhor K÷Ša. Quando K÷Ša desejou realizar a dança da rāsa, ®r…mat… Rādhikā, a personificação de sua potência de prazer, manifestou-se de Seu lado esquerdo e Gop…vara Mahādeva de Seu lado direito. A forma de ®iva que reside em Kā… ou Kailāsa no mundo material, é uma manifestação parcial do Sadāiva original (Gop…vara Mahādeva) em Vndāvana. As outras várias formas de ®iva geralmente adoradas são expansões de Sadāiva. Elas não são a original. Expansões parciais, tais como, Pippalevara Mahādeva, Bh™tevara Mahādeva, Ra‰gevara
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Mahādeva e outras, não podem conceder a benção que pode ser alcançada pela misericórdia de Gop…vara - a perfeição mais elevada do amor, chamado vraja-prema. ®r…la Raghunātha dasa gosvām… compôs uma oração em seu Vraja-vilāsastava: mudā gopendrasyatmaja bhuja parisranga n…dhaye sphurad gopirvrndair yam iha bhāgavatam pranayibhih bhajadbhistair bhaktyās vamabhilasitam prāptam acirād yamitire gop…varam anudinam tam kila bhaje Diariamente eu adoro Gop…vara Mahādeva, que está situado nas margens do Yamunā. Esse mesmo Gop…vara era adorado com profunda devoção pelas gop…s, e ele rapidamente satisfez seus desejos de obter a jóia supremamente valiosa, na forma do abraço do filho de Nanda Mahārāja [K÷Ša].

®r…la Sanātana Gosvām…, o grande santo Vai÷Šava, que residia em Vndāvana perto do antigo templo ®r… Madana-Mohana, costumava ir diariamente ver Gop…vara Mahādeva em seu templo. Certa vez, na velhice, Sanātana Gosvām… teve um sonho onde Gop…vara Mahādeva apareceu e o instruiu: “Agora na velhice, por favor, não se dê a tanto trabalho para me ver.” Sanātana Gosvām… respondeu: “Eu continuarei vindo. Não posso mudar esse hábito.” Gop…vara Mahādeva disse: “Então eu ficarei bem perto de sua residência, aparecendo em Bankhand….” No dia seguinte, ®r… Gop…vara Mahādeva apareceu em Bankhand…, que ficava na metade do caminho entre seu templo original e a residência de Srila Sanātana Gosvām…. Vendo isso, Sanātana Gosvām… ficou inundado de êxtase transcendental, e a partir daquele dia ele visitava diariamente Bankhand… Mahādeva. Onde quer que estivesse, ®r…la Sanātana Gosvām… não podia viver sem seu amado Senhor ®iva – Gop…vara Mahādeva e Bankhand… Mahādeva em Vndāvana, e Kāmevara Mahādeva na floresta Kāmyavana. Em Govardhana, ele ficava perto de seu querido amigo, Cakrevara Mahādeva, que ganhou esse nome quando serviu a Colina de Govardhana e os

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Vrajavās…s, segurando seu tridente como uma cakra, para proteje-los do dilúvio torrencial enviado pelo rei Indra. Anteriormente, O Senhor ®iva pediu a ®r… K÷Ša uma benção, para poder presenciar seus passatempos infantis. K÷Ša mandou que ele ficasse em Nandagaon, na forma de uma colina. ®iva seguiu a ordem e tornou-se a Colina Nandivara, e então ele ficou conhecido como Nandivara. (O Senhor Brahmā tornou-se Brahma-parvata, a montanha que fica no lugar onde ®r…mat… Rādhikā nasceu, Var÷āŠā. Pelo fato do Senhor Brahmā ser tão próximo à ®r…mat… Rādhikā, ele também é nosso Gurudeva.) Nós honramos o Senhor ®iva como um grande Vai÷Šava e como Guru. Não o adoramos separadamente. Nós observamos ®iva-ratri, o aparecimento do Senhor ®iva, e o glorificamos pela relação que ele tem com K÷Ša. ®r…la Sanātana Gosvām… escreveu em seu Hari-bhakti-vilāsa, que todos os Vai÷Šavas devem festejar ®iva-carturda… (®iva-ratri). O Senhor ®iva, aquele em que residem todas as boas qualidades, deve ser certamente honrado pela celebração desse dia.

Gop…vara Mahādeva em Vndāvana, U.P Índia

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Nós oferecemos reverências ao Senhor ®iva com orações como essa: vndāvanāvani-pate! jaya soma soma-maule sanaka-sanandana-sanātana-nāradeya gop…vara! vraja-vilāsi-yugānghri-padme prema prayaccha nirupādhi namo namas te (Sa‰kalpa-kalpadruma 103)

Ó guardião de Vndāvana! Ó Soma, todas as glórias a você! Ó você que tem a testa decorada com a lua, e que é adorado pelos sábios encabeçados por Sanaka, Sanandana, Sanātana e Nārada! Ó Gop…vara! Desejando que me conceda prema aos pés de lótus de ®r… ®r… Rādhā-Mādhava, que executam alegres passatempos em Vraja-dhāma, eu ofereço reverências a você repetidamente.

Pela benção de ®iva Um brāhmaŠa em Kā… VārāŠas… certa vez orou ao Senhor ®iva: “Eu quero dar a mão da minha filha em casamento, mas eu não tenho dinheiro. Por favor, dê-me dinheiro”. O Senhor ®iva disse: “Vá à Vndāvana e encontre ®r…la Sanātana Gosvām…. Você pode pedir a ele recursos para o casamento de sua filha.” O brāhmaŠa foi a Vndāvana, andando, e lá ele perguntou às pessoas, onde morava uma pessoa chamada Sanātana Gosvām…. Como todos o conheciam, indicaram sua residência. ®r…la Sanātana Gosvām… estava praticando bhajana perto do Rio Yamunā, em Kāliya-hrada, a antiga morada da venenosa cobra chamada Kāliya. Kāliya-hrada era perto do Yamunā, portanto, as redondezas eram cheias de areia. ®r…la Sanātana Gosvām… usava somente uma peça simples de roupa. Ele costumava mendigar de porta em porta por um pouquinho de prasādam

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(os restos da comida de K÷Ša), e ele comia somente um chapatti seco (pão achatado), sem sal. O brāhmaŠa chegou a cabana de Sanātana Gosvām… e disse a ele: “Eu fui a ®a‰kara Mahādeva, Senhor ®iva, e ele me disse para lhe encontrar. Disse que você daria-me algum recurso para o casamento de minha filha.” Sanātana Goswami respondeu: “Eu não tenho posses alguma. Você pode ver que não tenho nada além de uma roupa velha.” Então ele pensou: “Oh! ®iva não mente. Ele é meu melhor amigo.” Pensando no Senhor ®iva e tentando encontrar a solução, ele lembrou-se de uma pedra dos desejos que tinha largado e se esquecido. Agora ele disse ao brāhmaŠa: “Vá até o Yamunā, remova um pouco da areia, e então encontrará uma pedra dos desejos. Esta lá em algum lugar na areia, mas eu não me lembro aonde.” O brāhmaŠa encontrou a pedra, encostou-a no ferro, e o ferro transformou-se em ouro. Ele estava muito, muito feliz, do Senhor ®iva ter lhe dito para ir á Vndāvana, e com muita gratidão pensou: “Minha oração foi atendida por ele.” No caminho para casa, no entanto, sua ambição por dinheiro aumentou e ele começou a pensar: “Por que Sanātana Gosvām… deixou a pedra dos desejos na areia? Ela não tinha utilidade lá. Ele deve ter jóias ainda mais valiosas.” Ele então retornou, e Sanātana Gosvām… perguntou: “Por que você voltou?” Ele respondeu: “Eu voltei por que eu sei que você deve ter jóias mais valiosas que essa. Sanātana Gosvām… então disse: “Vá e jogue essa pedra no Yamunā”. O brāhmaŠa então jogou com toda sua força, e Sanātana Gosvām… disse-lhe: “Venha cá, venha cá.” E deu-lhe o Mantra: “Hare K÷Ša Hare K÷Ša K÷Ša K÷Ša Hare Hare, Hare Rāma Hare Rāma Rāma Rāma Hare Hare: e disse: “Eu não tenho jóias materiais, mas tenho jóias transcendentais. A jóia do Senhor K÷Ša e de ®r… Rādhā virão pra você em pouco tempo. Então permaneça aqui. O casamento de sua filha acontecerá automaticamente. Fique aqui e cante Hare K÷Ša.” O brāhmaŠa seguiu suas instruções e tornou-se um santo muito elevado.

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Capítulo 2

O posto e a pessoa

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®r… Nārada desejava proclamar as glórias do Senhor ®iva. Como foi descrito anteriormente, ele elogiou ®iva como o melhor devoto do Senhor K÷Ša e mais querido por Ele, e o Senhor ®iva ficou chateado ouvindo essas glorificações. ®iva então relacionou um número de acontecimentos que na opinião dele era evidente que de maneira alguma ele era o mais querido de K÷Ša. O Senhor ®iva se compara a ®r… Prahlāda mahārāja, o famoso devoto do Senhor Nsiˆhadeva, descrito no ®r…mad-Bhāgavatam. Ele disse a Nārada: “®r… Prahlāda Mahārāja é superior a mim, e ele é o devoto querido do Senhor.” Mesmo que o Senhor ®iva seja superior a Prahlāda mahārāja, ele disse a Nārada que Prahlāda Mahārāja era superior. Por quê? Ele disse isso para encorajar as pessoas a seguirem o caráter perfeito e os ensinamentos de Prahlāda Mahārāja. Entretanto, Prahlāda Mahārāja não pode entrar na morada transcendental de ®r… K÷Ša, Vndāvana, mas o Senhor ®iva lá reside eternamente como Gop…vara. ®iva serve ®r… K÷Ša pessoalmente, de várias maneiras. Ele e sua esposa Pārvat…-dev…, meditam em a÷˜a-kāl…ya-l…lā, os passatempos confidenciais do Senhor ®r… K÷Ša que se manifestam nas oito partes do dia. Esses passatempos secretos são muito confidenciais, ainda assim, ambos ®iva e Pārvat… são capazes de meditar neles. ®iva é centena de milhares de vezes superior e mais adorável que ®r… Prahlāda Mahārāja, e ainda assim o habilidoso ®iva declarou Prahlāda Mahārāja como sendo superior. Por que ele agiu desta forma? Em um sentido Prahlāda Mahārāja é superior e em outro ele não é. Podemos conciliar isso, considerando as duas perspectivas para entender a identidade do Senhor ®iva: Nós podemos ver ®iva do ponto de vista de seu posto, e também do ponto de vista de sua personalidade. Como uma personalidade, separada de seu posto, ele aparece como um associado do Senhor Supremo, como Gop…vara, Hanumān e Bh…ma. Como Gop…vara ele reside eternamente em Vndāvana. Como Hanumān ele sempre se associa e serve o Senhor Brahmā. Como Bh…ma ele sempre serve o Senhor K÷Ša. E, quando Hanumān e Bh…ma se combinam juntos nessa era de Kaliyuga, eles se tornam Madhvācārya, nosso sampradāya-guru.(5) Do ponto de vista da função do Senhor ®iva como o deus da aniquilação, e também a de Brahmā como o criador secundário do universo, ®iva e Brahmā são na verdade postos. O Senhor Brahmā e o Senhor ®iva não são seres humanos ordinários, mas seus postos são como os de presidente e de primeiro ministro de uma nação, onde o homem representando o posto deve realizar um determinado trabalho definido.

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Ambos, como o posto e a pessoa, ®iva é superior a Brahmā. O Senhor ®iva é uma expansão do Senhor Vi÷Šu, mas às vezes uma j…va pode tornarse uma expansão de ®iva, conhecida como Rudra. Se um homem realiza puramente os deveres de varŠārama por cem nascimentos, ele pode se tornar Brahmā.(6) Em outras palavras, ele pode alcançar a posição ou posto de Brahmā. Por sua vez, quando um indivíduo no posto de Brahmā executa sua função com perícia por cem nascimentos, ele se torna qualificado para realizar a função de ®iva em sua manifestação como Rudra. O posto de ®iva é, portanto, superior ao de Brahmā, e isso é também uma evidência de que ®iva é mais poderoso que Brahmā.

O Dever de Destruição Qual é a função do posto do Senhor ®iva, e por que ela é superior a do Senhor Brahmā? Uma razão é que, o Senhor Brahmā não pode executar pralaya, a destruição completa do universo – que é algo muito perigoso, enquanto que ®iva pode. A função de ®iva como destruidor é como a de um fazendeiro que planta e cultiva uma grande área de trigo. O fazendeiro cuidadosamente molha e nutri a plantação, protegendo-a dos animais, e depois de cinco ou seis meses o trigo se desenvolve e amadurece. Então, manualmente ou com máquinas, o fazendeiro colhe as plantas e com muito cuidado remove os grãos dos bastões. Os restos são rejeitados, sujeito a apodrecer e atrair doenças, vermes e cobras. Então, o fazendeiro coloca fogo os queima. Assim como o fazendeiro extrai os grãos das plantas, o Senhor ®iva extrai as almas espirituais eternas dos seus corpos matérias e do mundo. Na hora da destruição ele cria um inferno, pondo o universo inteiro em chamas, mas as almas espirituais não são destruídas. Existem dois tipos de devastação universal: um no fim do dia do Senhor Brahmā e um no fim de sua vida. No fim do dia de Brahmā (4,320,000,000 anos solares) ele repousa num sono místico dentro do corpo de Garbhodakaāy… Vi÷Šu, e todas as entidades vivas condicionadas também entram.(7) Enquanto todo o universo é submergido em água, as entidades vivas descansam em seus corpos sutis dentro do corpo transcendental de Garbhodakaāy… Vi÷Šu. Elas aguardam o início do próximo dia de Brahmā, a próxima criação material ou manifestação. Algumas dessas almas são liberadas e outras não. Quando o Senhor Brahmā completa cem anos celestiais de vida, o Senhor ®iva novamente inicia seu dever de destruição. Nessa hora, todas as almas espirituais entram no corpo de KāraŠodakaāy… Vi÷Šu ou Mahā Vi÷Šu. No
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fim de cada dia do Senhor Brahmā, todas as almas entram no corpo de Garbhodakaāy… Vi÷Šu, e no fim da vida de Brahmā, até mesmo as milhões de manifestações de Garbhodakaāy… Vi÷Šu entram em KāraŠodakaāy… Vi÷Šu(8) junto com as almas espirituais. Na hora da criação, KāraŠodakaāy… Vi÷Šu gera inúmeras manifestações de Garbhodakaāy… Vi÷Šu, e na hora da destruição total eles entram de volta em seu corpo. (9) O Senhor ®iva não é uma entidade viva, mas ele também não está na categoria do Senhor Vi÷Šu. Ele é muito mais poderoso que qualquer entidade viva, até mesmo que o Senhor Brahmā. Entretanto, ele não é igual ao Senhor Vi÷Šu. Por ele ser quase tão bom quanto a Suprema Personalidade de Deus, ele pode ver as três fazes do tempo: Passado, presente e futuro. Um de seus olhos é como o sol e o outro e como a lua. Ele também tem um terceiro olho, localizado entre suas sobrancelhas. É desse terceiro olho que ele gera fogo e emprega isso na hora da destruição do universo.. Desta perspectiva – o destruidor – O Senhor ®iva não pode servir o Senhor K÷Ša diretamente, porque ele está ocupado em seu posto. Aquelas almas que são liberadas depois de centenas de milhares de vidas praticando serviço devocional, que renunciaram todas as responsabilidades e preocupacões desse mundo – incluindo ocupacões como a do Senhor Brahmā e do Senhor ®iva – e que constantemente ouvem, glorificam, e lembram-se do Senhor K÷Ša, nascem nesse mundo como devotos puros assim como Prahlāda mahārāja. Isso foi dito pelo Senhor ®iva a ®r… Nārada. Prahlāda Mahārāja não tem nada para fazer nesse mundo; nada para criar ou demolir. Tendo estas atividades como insignificantes, ele as rejeitou. Embora, ele tivesse herdado um grande reino, esse era controlado e governado por seus ministros. Seus sentidos estavam totalmente absortos em serviço transcendental amoroso ao Senhor Supremo. Ele estava sempre engajado em ouvir os nomes e as glórias do Senhor, cantando e falando sobre suas glórias, lembrando e meditando nEle, oferecendo orações, cumprindo suas ordens e se rendendo completamente. Devotos como Prahlāda Mahārāja não têm necessidade de aproximar-se das manifestações do Senhor K÷Ša, como o Senhor Nsiˆhadeva ou o Senhor Rāma, para o Senhor pessoalmente vir a eles nessas formas. O Senhor ®iva contou a ®r… Nārada que pelo motivo de ele estar sempre ocupado no posto de controlador do universo, ele não pode ver nem oferecer serviços ao Senhor diariamente, como Prahlāda Mahārāja vê o Senhor Vāmanadeva ou o Senhor Nsiˆhadeva. Vāmanadeva e Nsiˆhadeva são ambos as manifestações do mesmo Senhor, que regularmente dão sua associação divina a Prahlāda Mahārāja e a oportunidade de servir e oferecer reverencia aos seus pés de lótus. Embora ambos, Brahmā e ®iva sejam superiores a Prahlāda Mahārāja em Bhakti, seus postos envolvem contato com os três guŠas, ou modos da
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natureza material, chamados, bondade, paixão e ignorância. O papel do Senhor Brahmā é a criação e procriação em raja-guŠa, o modo da paixão. O papel do Senhor ®iva de demolição e dissolução está em tama-guŠa, o modo da ignorância. É por essa razão que eles são chamados de guŠaāvatāras, encarnações das qualidades materiais. Prahlāda Mahārāja é nirguŠa, transcendental aos três modos da natureza. Ele não tem nada a ver com as atividades nos modos da bondade, paixão e ignorância materiais, pelas quais esse mundo está acorrentado. O Senhor ®iva também está além dos três modos da natureza, mas ele adota o modo da ignorância (tama-guŠa), para realizar sua função eficientemente.

O associado pessoal. A respeito da glorificação do Senhor ®iva a Prahlāda Mahārāja, agora, considere a identidade do Senhor ®iva como uma personalidade transcendental – separada de seu posto. Às vezes sênior vai÷Šavas expressam um reconhecimento sincero pelo novato, inspirando ele ou ela no caminho da devoção. O Vai÷Šava pode dizer: “Oh, você trabalha tão duro e ganha dinheiro, e com esse dinheiro você me sustenta e me abriga. Eu não tenho recursos algum. Eu não faço nada além de vir e visitar por um curto tempo, comendo e dormindo as suas custas. Eu não seria capaz de falar as glórias do Senhor K÷Ša nesse festival se você não estivesse organizado e administrado todas as atividades aqui, então você é superior a mim.” Por sincera humildade, gratidão e afeição, almas liberadas falam dessa maneira agradável, e ao mesmo tempo eles estão fixos na realização de que estão sempre sendo pessoalmente mantidos pelo Senhor Supremo. O sênior Vai÷Šava tem em mente o benefício pessoal do discípulo. Entretanto, o Senhor ®iva não estava falando para o beneficio de Prahlāda Mahārāja, mas para ensinar aos aspirantes a devotos a respeito dos estágios da devoção. Seu desejo era facilitar o serviço de ®r… Nārada Muni e ®r…la Sanātana Gosvām… (10), cuja missão é mostrar ao mundo os diferentes graus de devoção e estabelecer as glórias do amor das gop…s como meta final. Tentem compreender todas essas verdades, e busquem gradualmente tornar-se firmemente situados em bhakti. Imagine que você está num mercado que têm milhares de variedades de lojas. Em algumas dessas lojas têm artigos de ferro, em outras de ouro, em algumas têm jóias, e em outras têm cintāmaŠi (pedras que realizam desejos). Um especialista está lhe guiando por todas as lojas, mostrando vários produtos e revelando qual é superior.

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Se houver 100 kg de ferro e uma pequena quantia de ouro, o ouro tem mais valor. Por outro lado, uma quantidade maior de ouro não compensará o valor de uma Kaustubha-mani ou uma pedra preciosa semelhante. Milhões de tais pedras preciosas não podem ser comparadas com uma pequena quantidade de cintāmaŠi, e até mesmo milhões de pedras cintāmaŠi não podem ser comparadas com um nome sagrado do Senhor K÷Ša. Agora suponha que alguém esteja cantando somente o nome do Senhor K÷Ša, e outro esteja absorto no nome de Rādhā-RamaŠa. O nome RādhāRamaŠa, significando ®r… K÷Ša, o desfrutador de passatempos com ®r…mat… RādhārāŠ…, tem mais gosto transcendental (rasa) do que só o nome K÷Ša. A pessoa absorta nesse nome sagrado, irá então experimentar um prazer transcendental ainda maior. Em relação à analogia das lojas no mercado, aquele especialista lhe diz: “Essa loja é boa, aquela loja é melhor, e esta é a melhor de todas”. Similarmente, em seu ®r… Bhad-bhāgavatāmta, ®r…la Sanātana Gosvām…, estabelece as gradações de excelência de vários devotos e suas respectivas devoções, para ajudar seus leitores a determinar seu caminho espiritual. A história de Nārada Muni vindo à morada do Senhor ®iva e glorificando-o, foi primeiramente narrada nesse ®r… Bhad-bhāgavatāmta. Como ®r…la Sanātana Gosvām…, Nārada é como aquele especialista descrito acima. Ele desejou estabelecer bhakti pura no mundo e, portanto, assumiu o papel de buscar o melhor devoto e beneficiário da misericórdia do Senhor K÷Ša. Sua busca o levou primeiro a “loja” do brāhmaŠa em Prayāga, e depois àquela ao sul da Índia, na “loja” de um rei. Então ele viajou para os céus, onde entrou na loja do Rei Indra, e Indra o mandou para a loja do Senhor Brahmā. Brahmā o mandou para o Senhor ®iva, e agora o Senhor ®iva o está mandando para Prahlāda Mahārāja. Gradualmente, ®r… Nārada nos trará para as maiores beneficiadas da misericórdia de K÷Ša, as gop…s. Na forma de Gop…vara, o Senhor ®iva é o amado servo e associado das Gop…s.

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Capítulo 3 Três reflexões

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Há três reflexões (vicāras) pelas quais podemos entender a relação entre o Senhor K÷Ša e o Senhor ®iva. Uma é chamada tattva-gata-vicāra – A reflexão da relação entre eles estabelecendo a verdade filosófica. A outra é chamada aivarya-gata-vicāra – a reflexão da relação entre eles nos passatempos de majestade do Senhor Supremo, e o terceiro é naravat-gata-vicāra - a reflexão da relação entre eles nos doces passatempos do Senhor Supremo como ser - humano. De acordo com as verdades filosóficas (tattva), a parte plenária de K÷Ša é Sadāiva, e a manifestação parcial de Sadāiva é o Senhor ®iva. Pela perspectiva dos passatempos do Senhor K÷Ša em opulência e majestade (aivarya), o Senhor K÷Ša é a deidade adorável de ®iva, que é sempre amado, honrado e respeitado por ele. De qualquer forma, em naravatgata-vicāra, K÷Ša realiza outro papel – aquele de um ser humano comum. Ele realiza passatempos como um pequeno bebe que não pode fazer nada sozinho. Sua mãe, ®r…mat… Yaodā Dev…, o alimenta e o atende em todas as suas necessidades. Durante esses passatempos como ser humano, o Senhor ®iva pode vir e dar a Ele Bênçãos. Nas escrituras chamadas os PurāŠas está declarado que quando K÷Ša residiu em Dvārakā ele adorou ®iva para gerar um filho no ventre de sua esposa Jāmbavat…. Embora ®iva seja adorado por K÷Ša nesses passatempos, ele nunca pensa que ele próprio é superior. Ele está sempre consciente de que K÷Ša é a Suprema Personalidade de Deus e que ele é um eterno servo de K÷Ša. É essencial ter um entendimento claro dessas verdades. Aquele que compreende essas três perspectivas ou reflexões pode entender a relação entre o Senhor ®iva e seu Senhor. Verdade estabelecida De acordo com o princípio da verdade filosófica, o Senhor ®iva é uma manifestação parcial de uma expansão completa de K÷Ša, Sadāiva. Quando K÷Ša tem o desejo de criar, ele se expande como MahāSa‰kar÷aŠa, e possuindo esse desejo criativo, Sa‰kar÷aŠa se expande como Mahā-Vi÷Šu (KāraŠodakaāy… Vi÷Šu). Mahā-vi÷Šu então tem o desejo de criar, e o seu desejo toma a forma de uma luz que emana de entre suas sobrancelhas. A sombra ou o reflexo fraco dessa luz é chamado ®ambhu-li‰ga (®iva). Muitas pessoas adoram o Senhor ®iva na forma de ®ambhu-li‰ga. A luz por si própria é eterna e não é ®ambhuli‰ga; ®ambhu-li‰ga é sua imagem ou sombra.

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Há também uma outra imagem chamada Yoni, e essa é a sombra de Ramā-dev…. Ramā-dev… é a potência espiritual de Mahā-Vi÷Šu, e em VaikuŠ˜ha ela é a amada esposa do Senhor NārāyaŠa, Lak÷m…-dev…. Essa é sua forma transcendental original, e sua sombra é a potência limitada de concepção – Yoni. Mahā-Vi÷Šu tem dois tipos de potência, com as quais ele cria os planetas materiais. Um tipo de potência é chamada nimitta – a causa instrumento da criação, e a outra é chamada upādāna – causa ingrediente. As causas Instrumento e ingrediente podem ser explicadas dessa maneira: Suponha que eu diga: “Eu matei uma cobra com uma vara”. A pessoa que desejou e que realizou a atividade é a causa instrumento (nimitta), e a vara é a causa ingrediente (upādāna). Em outro exemplo, um ceramista faz um pote. O desejo ou a vontade do ceramista de fazer o pote é a causa instrumento. A soma total de todos os instrumentos usados para criá-lo, como o disco, o barro, a argila e a água, são a causa ingrediente. A potência instrumental eterna de Mahā-Vi÷Šu, tem sua forma refletida como Yoni, a sombra limitada da potência, e a causa ingrediente assume a forma de ®ambhu-li‰ga. A criação então acontece pela união de ®ambhu-li‰ga e sua consorte feminina, Yoni. ®ambhu é chamado de “a li‰ga do Senhor Supremo”, que significa que ele é manifestação simbólica da capacidade geradora masculina do Senhor, e ele aparece com o objetivo de preparar as manifestação cósmica. Essa potência que dá nascimento a criação material é a energia chamada Māyā, e sua forma interna é Yoni. Na verdade a causa instrumento e ingrediente, originais, não são Yoni e ®ambhu; e sim Mahā-Vi÷Šu. A natureza material, como Yoni, deseja criar por meio da kāma-b…ja (semente do desejo), fecundada nela e ela portanto é a causa instrumental secundária. A semente do desejo deu a ela o ímpeto de criar, e por esse motivo, ela é chamada de causa instrumento. ®ambhu fornece os materiais da criação, por isso ele é chamado de causa ingrediente. ®ambhu, o reflexo fraco do olhar divino e repleto de desejo do Senhor Supremo, consuma sua relação com Yoni. Porém, ele não pode fazer nada independente da energia de MahāVi÷Šu. Mahā-Vi÷Šu é o desejo supremo personificado e é ele que promove a união dos dois – Yoni e ®ambhu. Ele é a pessoa divina dominante, a parte completa de K÷Ša e o criador dos mundos materiais. Para a criação acontecer, deve existir o desejo do Agente Supremo. Ele deve estar presente. A causa instrumento e ingrediente devem ser misturadas com o desejo ou o olhar de Mahā-Vi÷Šu. A forma inicial da criação é mahat-tattva, a soma total dos vinte e quatro elementos. (11) Essa mahat-tattva é um reflexo da kāma-b…ja, que é a semente original do desejo em Goloka Vndāvana. A semente do
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desejo criativo amoroso em Goloka é a corporificação da cognição pura. Ela é um protótipo do desejo sexual nesse mundo material, apesar de estar localizada longe dele. A semente do desejo sexual mundano é o reflexo pervertido da semente do desejo de criação original em Goloka Vndāvana. Serviço nos passatempos de opulência As histórias narradas a seguir são exemplos de aivarya-gata-vicāra, a relação do Senhor ®iva com K÷Ša, sob a perspectiva da majestade de K÷Ša. Essas histórias transcendentais, reveladas no ®r…madBhāgavatam, demonstram a dependência do Senhor ®iva em K÷Ša . Além disso, elas revelam que quando ®iva dá bênçãos para os inimigos de K÷Ša, ele faz isso somente para ajudar nos passatempos do Senhor Supremo, que são realizados para o benefício de todos os seres. A dependência de ®iva O ®r…mad-Bhāgavatam conta sobre um demônio chamado Vkāsura, que desejando desfrutar da esposa de ®iva, Pārvat…, realizou austeridades severas para “agradar” o Senhor ®iva. Quando o Senhor ®iva apareceu para conceder a benção, Vkāsura expressou seu desejo. Ele queria a benção de que quando tocasse na cabeça de alguém, ela imediatamente se despedaçaria e a pessoa morreria. O Senhor ®iva concedeu essa benção, e Vkāsura imediatamente apressou-se para usá-la contra ®iva. ®iva perguntou: “O que você está fazendo?” ele respondeu: “Agora estou aplicando minha benção.” Ele não disse “eu quero Pārvat….” Ele simplesmente olhou para Pārvat… e então correu atrás do Senhor ®iva. Temeroso, ®iva saiu correndo, e Vkāsura imediatamente correu atrás dele. O Senhor ®iva estava vestido numa pele de cervo, que caiu, e então seu tambor damaru também caiu. Ele continuou correndo, e lembrou-se de seu Senhor. Quem era esse Senhor de quem ele se lembrou? Era ®r… K÷Ša. Isso é aivarya-gata-vicāra. O Senhor ®iva correu da terra para o céu, e do céu para outros planetas, até que ele alcançou o limite do universo, mas Vkāsura continuou perseguindo ele. As deidades predominantes dos planetas superiores, tais como Brahmā, Indra e Candra, não foram capazes de salvá-lo desse perigo iminente, e finalmente ele se aproximou da encarnação de K÷Ša, O Senhor Vi÷Šu em ®vetadv…pa. Para proteger seu devoto, o Senhor Vi÷Šu apareceu como um brahmacār… perfeito, e o brilho que emanava de seu corpo era atrativo para ambos, ®iva e o demônio. Depois de parar Vkāsura, oferecendo
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reverências a ele, e conseguindo sua atenção, falando palavras doces e que o acalmavam, o Senhor Vi÷Šu perguntou: “Por que você está correndo atrás de ®iva?” Vkāsura respondeu: “Ele me deu uma benção de que quando eu colocar minhas mãos na cabeça de alguém, imediatamente ela se despedaçaria”. Agora eu irei usar essa benção nele. O Senhor Vi÷Šu vestido como um brahmacār… disse: “Você é muito tolo, você acredita nas bênçãos deste homem, que fuma gañjā, usa todos os tipos de intoxicação e mora nos crematórios? Você acredita que ele tem autorização e poder suficiente para dar bênçãos? Suas bênçãos se mostrarão inúteis. Ele só está lhe enganando. Você está correndo atrás dele, mas no fim, você irá ver que suas bênçãos não têm efeitos. Tente em você mesmo; ponha sua mão em sua cabeça. Você verá que nada acontecerá”. Vkāsura concordou: “Sim, eu vou experimentar.” Dessa maneira, pelas doces palavras do Senhor Vi÷Šu e pela expansão de sua energia ilusória, o demônio ficou confuso. Ele se esqueceu do poder do Senhor ®iva e de sua benção. Então, ele colocou sua mão em sua própria cabeça, e ela imediatamente se despedaçou e ele morreu. Esse passatempo é a prova de que o Senhor ®iva não é independente; sua deidade adorável é o Senhor K÷Ša.(12) O benfeitor de ®iva Todos os passatempos realizados por ®iva têm a intenção de ensinar a todos sobre a supremacia de ®r… K÷Ša, e inspirar a todos a servi-Lo e buscar abrigo nEle. A história a seguir é um outro exemplo disto. Certa vez os semideuses lutaram com os demônios e os derrotaram. Os demônios, então, recorreram ao líder deles, Māyā Dānava, que preparou para eles três residências místicas em forma de aeronaves. Os demônios então começaram a conquistar todos os sistemas planetários. Desde então, quando começaram a destruir os sistemas planetários superiores, os regentes daqueles planetas foram até o Senhor ®iva, se renderam diante dele, e disseram: “Querido Senhor, nós, os semideuses, estamos quase sendo derrotados. Nós somos seus seguidores. Por favor, salve-nos”. O Senhor ®iva os acalmou e disse: “Não tenham medo.” Ele fixou seu arco e flechas e as disparou em direção as três residências ocupadas por demônios, e todos eles foram mortos. O grande místico Māyā Dānava, então mergulhou todos os corpos dos demônios numa fonte nectária que ele próprio tinha criado, fazendo os demônios voltarem a viver e tornando-os praticamente invencíveis.

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®iva ficou muito preocupado. Vendo isso, o Senhor K÷Ša na forma do Senhor Vi÷Šu, pensava como poderia ajudar ®iva a destruir os demônios. O Senhor Vi÷Šu tornou-se uma vaca e o Senhor Brahmā um bezerro, eles entraram na residência e beberam todo o néctar da fonte. Então, por Sua potência pessoal de religião, sabedoria, renúncia, opulência, austeridade, educação e assim por diante, K÷Ša equipou o Senhor ®iva com tudo o que ele precisava para a batalha. Ele manifestou uma carruagem, um cocheiro, uma bandeira, cavalos, elefantes, um arco, um escudo e flechas, e o Senhor ®iva sentou na carruagem para lutar. Ele destruiu as três residências dos demônios e os habitantes dos planetas superiores glorificaram-no e o adoraram, e ele ficou conhecido como Tripurāri, o aniquilador das três moradas dos demônios. Portanto, não tenha medo. K÷Ša lhe salvará se você se render a Ele. Ele próprio prometeu isso no Bhagavad-g…tā. Se você lhe entregar todas suas responsabilidades na vida – não só sua subsistência, mas sua inteligência, seus sentidos e todas as suas posses – Ele terá muito cuidado e responsabilidade por você. Não tenha medo. Nenhum tipo de sofrimento ou tristezas serão capazes de atingi-lo. Além disso, você será capaz de entrar no reino de bhakti e ser feliz para sempre. A deidade adorável de ®iva Uma outra evidência da relação do Senhor ®iva com K÷Ša, nos passatempos majestosos do Senhor Supremo, é encontrada na história de Aniruddha. Aniruddha é o neto do Senhor K÷Ša, e ele queria casarse com a filha de BāŠāsura, uma pessoa demoníaca, que era um devoto fiel do Senhor ®iva. Pelas bênçãos do Senhor ®iva, BāŠāsura tinha mil braços, com os quais servia o Senhor ®iva. Ele ajudava na famosa dança de ®iva tocando tambores ritmicamente com seus mil braços, e assim, ele recebeu a benção de proteção contra seus inimigos. K÷Ša, foi informado por ®r… Nārada que BāŠāsura e seu exército tinham lutado com Aniruddha e prendido ele por ter tido relações íntimas com a filha de BāŠāsura, ¶÷ā. Assim, com o objetivo de salvar Aniruddha, ele chamou Seu próprio exército, a dinastia dos Yadus, e avançou para a cidade de BāŠāsura. Quando BāŠāsura viu o exército do Senhor K÷Ša, ele imediatamente ordenou seus homens a lutar. O Senhor ®iva chegou naquele momento, mas ao invés de orar para seu Senhor, ele aparentemente tomou o lado de seu próprio devoto, BāŠāsura. Ele pessoalmente começou a lutar com K÷Ša como comandante e chefe de BāŠāsura. Ele atirou várias armas em K÷Ša, incluindo sua Pāupata-astra e sua arma suprema, a ®iva-jvara, mas todas elas falharam.

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Durante a batalha, BāŠāsura atirou suas armas em K÷Ša com seus mil braços. Então K÷Ša cortou seus braços com sua Sudarana-cakra, deixando-o somente com quatro. Finalmente o Senhor ®iva, percebendo que era incapaz de salvar seu devoto, se rendeu ao Senhor K÷Ša e Lhe ofereceu suas sinceras orações. (13) Depois de ouvir as orações de ®iva, o Senhor K÷Ša lhe disse que devido a BāŠāsura ser o filho de Bali Mahārāja e o bisneto de Prahlāda Mahārāja, e por que ele era favorecido pelo próprio Senhor ®iva, Ele não iria apenas poupar a vida de BāŠāsura, mas iria lhe dar imortalidade. ®iva busca abrigo De acordo com o ®r…mad-Bhāgavatam e Skanda PurāŠa, quando K÷Ša morou em Dvārakā, Ele frequentemente assumia sua forma de Vāsudeva com quatro braços. De fato, Ele era famoso por isso. Naquela época, havia um rei chamado PauŠraka, que tinha colocado dois braços artificiais em seu corpo e declarado: “K÷Ša não é o verdadeiro Vāsudeva de quatro braços, eu sou esse Vāsudeva.” Ele mandou um mensageiro para ®r… K÷Ša declarando: “Pare de dizer que você é Vāsudeva de quatro braços. Eu é que sou.” Depois de ®r… K÷Ša e sua família real rirem um pouco, o Senhor mandou uma resposta para o desafio e se preparou para lutar. O Rei de Kā… era um devoto fiel ao Senhor ®iva e ele adotou o lado de PauŠraka Vāsudeva. Ele anteriormente tinha recebido uma bênção do Senhor ®iva, para ser capaz de derrotar K÷Ša num combate, mas nessa batalha ele não foi somente derrotado, mas morto. Com a ajuda de sua Sudarana cakra, ®r… K÷Ša matou PauŠraka, e com suas flechas ele matou o rei de Kā…. Tendo decepado a cabeça do rei, ele então a jogou na cidade de Kā…. O rei tinha um filho, chamado Sudak÷iŠa, que estava determinado em vingar-se da morte de seu pai. Sudak÷iŠa adorou o senhor de Kā…, Vivanātha – O Senhor ®iva – que o instruiu a praticar um ritual cerimonial especial, que invoca um demônio de fogo com o propósito de matar o inimigo de alguém. O Senhor ®iva também permitiu que seus companheiros fantasmagóricos acompanhassem o demônio de fogo, e então Dvārakā foi atacada. K÷Ša chamou por sua Sudarana cakra, que paralizou o demônio e forçou-o a retornar para Kā… e destruir seus criadores. Além disso, seguindo atrás do demônio a Sudarana cakra queimou a cidade inteira deixando-a em cinzas. Naquela hora até mesmo o Senhor ®iva teve que deixar a cidade. Onde sua pele de cervo caíra, ele não sabia. Ele também deixou pra trás seu
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tridente e tudo mais, incluindo sua esposa, e rapidamente escapou. Ele chegou a um lugar em Navadv…pa(14) chamado Harihara-k÷etra, e lá ele buscou abrigo em ®r… Caitanya Mahāprabhu.(13) De Navadv…pa ele foi a Ekāmra-kānana (conhecida como Bhuvanevara) perto de Pur…, em Orissa, onde buscou abrigo de ®r… K÷Ša na forma do Senhor Jagannātha. Esse passatempo é aivarya-gata-vicāra, e ele também revela que a deidade adorável do Senhor ®iva é ®r… Caitanya Mahāprabhu, ou ®r… K÷Ša.

Serviços em passatempos como ser humano
A adoração do Senhor Rāma ao Senhor ®iva é um exemplo de naravata-gata-vicāra – um doce passatempo como ser humano. Como declarado anteriormente, Rāma representou o papel de um ser-humano comun, que tinha que executar a difícil tarefa de atravessar o oceano para chegar a La‰kā, assim, ele adorou o Senhor ®iva para obter esse poder. O Senhor Rāma estabeleceu uma li‰ga de Rāmevara Mahādeva e começou a adorá-lo, pensando: “Pela misericórdia de ®iva eu atravessarei o mar.” Na verdade ele era poderoso o suficiente para atravessar o oceano em um segundo, mas ele estava executando um papel para inspirar as pessoas comuns. As pessoas comuns consideravam que Rāmevara Mahādeva era de fato o Senhor de Rāma, e por isso seu nome era Rāmevara. Os semideuses então apareceram e declararam, “Rāmevara Mahādeva e Rāma são ambos os mesmos. Não existe diferença entre eles. Ambos são …vara; ambos são Deus, o Senhor Supremo. Pessoas comuns pensam que Rāmevara é o Senhor de Rāma, mas elas não são inteligentes. Isso não é verdade.” Naquele momento o Senhor ®iva se manifestou da li‰ga e disse: “Não! Tentem entender esta verdade. Rāmevara significa, ‘aquele que, o Senhor é Rāma!’ Rāma é o meu Senhor!” Os passatempos do Senhor Rāma são encontrados no RāmāyaŠa, ®r…mad-Bhāgavatam, Os PurāŠas e Rāma-carita-mānasa, e eles acontecem numa era passada, chamada Tetrā-yuga. O demoníaco rei Rāvana, seqüestrou a esposa de Rāma, S…tā Dev…, e a levou para La‰kā. Antes de Rāma descobrir para onde S…tā tinha sido levada, ele estava chorando profundamente, e Lak÷maŠa estava tentando consolá-Lo. Por mais que Lak÷maŠa tentasse acalmá-Lo, mais amargamente ele chorava. Nesse estado mental, ele estava suplicando às árvores e criaturas da floresta, e até mesmo o rio Godāvar…. Ele apelou para as árvores da floresta Panjātavi: “Ó Panjātavi, você viu S…tā? Para onde ela foi? Ó cervo, você viu S…tā? Ó Godāvar…, você viu minha querida S…tā? Por que

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ela me deixou?” O Senhor Rāma ficou enlouquecido por tristeza inconsolável. Nesse momento o Senhor ®iva e sua esposa Sat… vieram para a floresta de DaŠakāraŠya, onde o Senhor Rāma esteve vivendo com S…tā e seu irmão Lak÷maŠa por quatorze anos, seguindo a ordem de Seu pai, o Rei Daaratha. ®iva estava assim presente para testemunhar os passatempos divinos do Senhor Rāma, e vendo-os, ele estava comovido; seu coração derretido. Ele ofereceu completas reverências, com todas as partes de seu corpo tocando o chão, e glorificando Rāma: “Ó! Esses passatempos são tão belos e maravilhosos que eles derreterão o coração de qualquer pessoa que os vejam”. Então, ele circungirou os limites externos daquela área, chorando devido as emoções transcendentais de tristeza em separação exibida nos passatempos de seu Senhor. Oferecendo seus respeitos finais, ®iva estava pronto para regressar à Kailāsa, quando Sat… perguntou a ele: “Meu querido esposo, para quem você está prestando reverências?” o Senhor ®iva respondeu: “®r… Rāma é minha deidade adorável. Eu o adoro sempre.” Sat… disse: “Eu vejo Rāma como um homem comum, chorando por sua esposa. Até mesmo eu sei onde S…tā está, mas Ele não sabe? Por que ele está sofrendo? Pra mim ele parece ser uma pessoa fraca. Ele não é forte o suficiente para trazer S…tā de Volta? Ele deve ser um homem comun, não Deus. Então, por que você o está honrando-O?” . “Você é ignorante”. O Senhor ®iva disse a sua esposa duvidosa: “Você não entende que Rāma é a Suprema Personalidade de Deus.” Ele disse a ela que se não acreditasse nele ela poderia fazer algum tipo de teste, para descobrir a posição de Rāma. O Senhor ®iva descansou debaixo de uma figueira-de-bengala, a uma pequena distância, e Sat…, com seus poderes místicos, tomou a forma de S…tā. Ela foi para o local onde ®r… Rāma estava procurando por S…tā num estado lamentável. Ela pensou que se aparecesse em frente de Rāma como S…tā, ele viria e a abraçaria num alegre alívio, acreditando que teria encontrado sua esposa. Mas apesar de ela ter aparecido diante dEle várias vezes, ele a ignorou todas às vezes. Ele simplesmente olhava longe. Finalmente ele disse a ela, “Mãe, por que você está vagando sozinha aqui na floresta? Onde está seu esposo, ®iva”? Sat… ficou surpreendida e com medo, e perguntava a si mesma, como Rāma sabia quem ela realmente era. Ela ajoelhou-se em reverência, e naquela hora ela não via mais as árvores, plantas, e animais selvagens na floresta como antes. Ela via S…tā e Rāma em todos os lugares e em tudo. Onde quer que ela olhasse na floresta – aqui, lá, em toda parte – ela via somente S…tā- Rāma, S…tā-Rāma, S…tā-Rāma. Dessa maneira, ®r… Rāma mostrou a Sat… que Ele e S…tā são eternamente inseparáveis, que ele estava realizando esse passatempo dramático
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apenas para cativar a mente dos seres humanos com essa lembrança, e que ele é, de fato, a Suprema Personalidade de Deus. Ela refletiu: “Meu esposo nunca se engana. Ele estava certo e eu estava errada”. Levantando-se, ela viu que Rāma ainda estava lá, sozinho na floresta com Lak÷maŠa, chorando: “Ó S…tā, onde você está, onde você está?” Então, reassumindo sua própria forma, ela retornou ao local onde o Senhor ®iva estava esperando, debaixo de uma figueira-de-bengala. Ele perguntou a ela: “Você testou Rāma para ver quem ele é?” Sat… mentiu: “Meu respeitoso marido, eu acredito em você; então não tive necessidade de testá-Lo.” O Senhor ®iva viu em um transe o que tinha realmente acontecido e silenciosamente prometeu: “Sat… assumiu a forma de S…tā, minha mãe; então, ela não será mais minha esposa. Agora ela será minha mãe, e a partir de agora eu vou tratá-la como tal”. Quando ele fez esse voto, os semideuses imediatamente derramaram flores doscéu, e elogiaram-no: “Você fez um excelente voto”. Sat… perguntou: “Qual voto você fez?” ®iva permaneceu em silêncio. O discípulo genuíno sempre tem fé em seu guru auto-realizado. O Senhor ®iva era o Guru de Sat…, mas ela não acreditou nele quando ele disse que Rāma era a Suprema personalidade de Deus. Se um discípulo não obedece seu gurudeva , sua bhakti e vida espiritual irão diminuir. Se um discípulo mente para seu gurudeva, ele irá para o inferno. Quando o Senhor ®iva e Sat…-dev…, retornaram para sua pequena cabana em Kailāsa, ®iva colocou o assento dela de frente ao dele. Na cultura védica a mulher senta-se ao lado esquerdo do marido e a mãe, respeitada como guru, senta-se em frente de seu filho, olhando pra ele. Um discípulo não presta reverências a seu gurudeva pelo lado esquerdo ou direito do guru, mas sempre de frente pra ele. O verdadeiro discípulo não permanece em silencio, mas respeitosamente faz perguntas relevantes ao seu guru auto-realizado e o serve. Ele não faz perguntas num humor desafiador, mas especialmente para aprender. Isso está declarado no Bhagavad-g…tā (4.34): tad viddhi praŠipātena paripranena sevayā upadek÷yanti te jñānaˆ jñāninas tattva-darinaƒ Tente aprender a verdade aproximando-se de um mestre espiritual. Indagando submissamente e prestando serviços a ele. As almas auto-realizadas podem lhe dar conhecimento porque elas vêem a verdade.

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O Senhor ®iva entrou em transe por vários milhares de anos, e Sat… sentiu uma profunda saudade dele. Ela pensou: “®iva me deixou. Ele está tratando-me como sua mãe porque eu tomei a forma de S…tā. Enquanto eu estiver nesse corpo ele não me aceitará como sendo sua esposa, então eu terei que abandonar esse corpo”. Depois de algum tempo, o pai de Sat…, Dak÷a, o filho do Senhor Brahmā, o grande criador do universo, começou um sacrifício. Apesar de todo sacrifício ter a intenção de satisfazer o Senhor Supremo Vi÷Šu, todos os semideuses, especialmente o Senhor Brahmā, o Senhor ®iva e outros semideuses principais, são convidados e participam. De qualquer forma, o Senhor ®iva não foi convidado para o sacrifício de Dak÷a. A casta Sat… ouviu os habitantes celestiais, que estavam voando pelo céu, falando sobre o grande sacrifício que estava sendo realizado por seu pai. Ela viu que as esposas dos habitantes celestiais, usando roupas finas, estavam vindo de todas as direções e estavam indo para o sacrifício. Ela aproximou-se de seu marido e disse: “Meu querido Senhor, seu sogro está agora realizando um grande sacrifício. Todos os semideuses convidados por ele estão indo. Se você deseja, nós também podemos ir”. O Senhor ®iva a advertiu para não ir, devido à inimizade e a inveja para com ele - uma inimizade que começara muito antes, numa era anterior. O Senhor ®iva lembrou-se das palavras cruéis ditas por seu sogro naquele dia. ®iva tinha ido ao conselho de Dak÷a, onde Dak÷a estava sendo honrado por muitos líderes do universo. A filha de Dak÷a estava casada com o Senhor ®iva, então ele considerava ®iva como sendo seu filho. Ele ofereceu reverencias a Brahmā pois Brahmā era seu pai, mas ele não mostrou nenhum respeito por ®iva. O Senhor Brahmā deu boas vindas a Dak÷a, mas ®iva estava absorto em meditação e cantando o maha-mantra: “Hare K÷Ša Hare K÷Ša K÷Ša K÷Ša Hare Hare, Hare Rāma Hare Rāma Rāma Rāma Hare Hare”. Insultado pela aparente negligência e considerando-se superior a ®iva, Dak÷a publicamente o criticou. Vários incidentes aconteceram como resultado disso, e ®iva retornou a Kailāsa. Antes disso, Dak÷a tinha criticado ®iva, estando perturbado que sua filha tivesse se casado com tal “pessoa inferior”, mas depois desse incidente, ele considerava ®iva seu inimigo. O Senhor ®iva, por outro lado, nunca sentiu inimizade por Dak÷a. Agora o Senhor ®iva disse a Sat…: “Uma mulher pode ir sem ser convidada para ver seu guru ou seu pai e mãe, mas se seu pai acha que seu marido é um inimigo, então ela não deve ir vê-lo. Você sabe que seu pai pensa que eu sou inimigo dele, embora eu nunca o considerei como tal.”

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A despeito das palavras de seu esposo, Sat… estava determinada a ir. Ela foi, mas quando chegou, viu Dak÷a desonrando ®iva. Ela iradamente condenou seu pai e glorificou o Senhor ®iva em frente de todos os presentes. Então, enquanto meditava nos pés de lótus do Senhor ®iva, ela abandonou seu corpo em um fogo místico que manifestara de seu coração. Abandonando seu corpo, Sat… foi capaz de desconectar-se de seu pai ofensivo e transferir-se para um outro corpo e se associar com o Senhor ®iva sem aquela contaminação. Entretanto, seu motivo principal era ficar livre dos resultados de suas próprias ofensas, e novamente ser aceita como a amada esposa do Senhor ®iva. Em sua próxima vida ela nasceu como Pārvat…, a filha dos Himālayas. Nesse nascimento ela realizou austeridades por muitos anos e alcançou seu objetivo desejado. Aqui nós vemos que a deidade adorável de ®iva é Rāma, e por Sat… ter tomado a forma de S…tā-dev…, ele a deixou. Ele é um Vai÷Šava casto, sempre servindo o Senhor K÷Ša e o Senhor Rāma. Sat…-dev… também é uma devota pura. Ela é a energia divina do Senhor Supremo, mas ela estava representando um papel para dar lições às pessoas comuns. Ambos, ®iva e Sat… serviram nos passatempos do Senhor Rāma como ser humano. Na verdade RāvaŠa não capturou a verdadeira S…tā. Ele não era capaz de tocá-la. Ele poderia pegar somente a māyā-S…tā. A verdadeira S…tā, a energia transcendental de Rāma, foi levada pra longe e protegida pelo deus do fogo, Agnideva. O choro e as perguntas de Rāma a cada planta, animal, árvore, montanha e rio, “Onde está minha S…tā?” era uma exibição de seu passatempo como ser humano. O grande santo Tuls…dāsa escreveu em seu ®r… Rāma-carita-mānasa, que nós devemos aceitar ®r… ®iva-Pārvat… como nosso Guru, e eles nos darão amor pelos pés de lótus de Rāma. Aqueles que adoram ®iva como um Senhor independente, são como Vkāsura. Eles querem satisfazer seus sentidos com a potência de K÷Ša. Ao invés de nos tornar-mos Vkāsura, nós devemos nos tornar devotos, e considerar ®iva-Pārvat… como nosso Guru no que se relaciona a devoção para o Senhor Supremo. Considerando a identidade da deidade adorável do Senhor ®iva. O mantra de ®iva é Rāma, e ele sempre canta os santos nomes de Rāma. A quem ele se refere? Embora o nome também se refira a S…tā-Rāma, o nome que ele canta é na verdade o de M™la-Sa‰kar÷aŠa, Balarāma, a primeira expansão do Senhor K÷Ša. ®r… Rāmacandra também é uma expansão de m™la-Rāma (o Rāma original) – Balarāma – mas de fato, a deidade adorável do Senhor ®iva é Balarāma. Em ultima analise, no mahā-mantra Hare K÷Ša, Rāma não se refere ao filho de Daaratha Rāma, nem a Paraurāma ou Balarāma. O Senhor

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Rāmacandra, o Senhor Paraurāma e o Senhor Balarāma são todos manifestações de ®r…-Rādhā-ramaŠa. Hare K÷Ša Hare K÷Ša K÷Ša K÷Ša Hare Hare, Hare Rāma Hare Rāma Rāma Rāma Hare Hare O significado de Rāma aqui é Rādhā-ramaŠa, ®r… K÷Ša que se ocupa em ramaŠa com Rādhā. “RamaŠa” significa brincando ou se divertindo. K÷Ša desfruta de passatempos prazerosos com RādhārāŠ…, e ele é então chamado RamaŠa ou Rāma. O Senhor ®iva não tem luxúria A história a seguir é um outro exemplo de naravata-gata-vicāra, ou madhurya-gata-vicāra. Há também um pouco de tattva-gata-vicāra aqui, no geral temos um copo cheio de madhurya (doçura) e tattva (verdade filosófica) – com um sabor muito bom. O Senhor ®iva é imensamente poderoso e ele não tem luxúria. Ele pode até estar nu, e sua esposa Pārvat… pode até estar nua em seu colo, mas eles não têm desejos luxuriosos. Se uma garota qualquer e um garoto ficarem perto um do outro, especialmente sem roupas, a luxúria certamente despertará em seus corações. No entanto, esta queda não acontece nos corações de ®iva e Pārvat…-dev… em nenhuma circunstância. Em relação a isto, um passatempo transcendental está descrito no sexto Canto do ®r…mad-Bhāgavatam. Uma vez, o Senhor ®iva estava dando uma palestra numa assembléia de grandes personalidades santas, Pārvat… estava sentada em seu colo, e ambos estavam completamente nus. Naquela hora, o rei Citraketu, um devoto elevado, veio e disse num tom amigável: “Olhe a posição em que você está dando sua palestra.” Pārvat… pensou que ele estava criticando o Senhor ®iva. Perturbada pelo pensamento de que ninguém poderia pensar que o Senhor ®iva tem desejos luxuriosos em seu coração, ela o amaldiçoou. O rei Citraketu estava em termos amigáveis com o Senhor ®iva, e pelo motivo deles terem o mesmo guru, M™la-Sa‰kar÷aŠa, ele e ®iva eram irmãos espirituais. Ele nunca quis dizer que luxúria estava no coração de ®iva. Ele estava simplesmente dizendo que esse não é o padrão correto de se dar uma palestra. O Senhor ®iva castigou Pārvat…: “Por que você o amaldiçoou? Ele é um devoto elevado. Olhe para o avanço dele em bhakti.” Embora ele seja completamente capaz de anular sua maldição e amaldiçoá-la numa
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retaliação, ele com prazer aceitou sua maldição. “Essa é sua grandiosidade – esse é o comportamento de um Vai÷Šava.” A luxúria não pode permanecer perto do Senhor ®iva. Nem o Senhor Sadāiva, nem a manifestação parcial de ®iva que fica com Pārvat… possuem luxúria em seus corações. Quando Kāmadeva, o Cupido, certa vez veio para perturbar a meditação do Senhor ®iva, o Senhor ®iva simplesmente abriu seu terceiro olho e o queimou até as cinzas. Como poderia o Senhor ®iva estar atraído pela bela forma de Mohin… M™rti? Mohin… é uma encarnação do Senhor K÷Ša em pessoa, e Ele é capaz de fazer qualquer coisa. Foi o Senhor K÷Ša que pessoalmente criou a atração no coração do Senhor ®iva, e K÷Ša que mostrou a ele essa forma de Mohin…. Servindo os passatempos de K÷Ša, sua energia ilusória interna, yogamāyā, é tão forte que ela pode fazer qualquer coisa.

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Capítulo 4 O guardião da morada do amor

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Em outubro de 2001, ®r…la NārāyaŠa Mahārāja levou um grupo de seiscentos peregrinos, incluindo mais de duzentos ocidentais, para a bela e sagrada cidade de Jagannātha Pur…, na costa leste de Orissa. Um dos vários lugares sagrados visitados pelos peregrinos foi o templo do Senhor ®iva em sua forma como Lokanātha Mahādeva. Chegando neste local, os peregrinos passaram por entre um grande portão, que conduzia a um pátio. Do lado direito do pátio, havia um belo reservatório de água e do lado esquerdo tinham algumas lojas vendendo doces e outros itens para adoração. Como acontece em vários templos indianos, o administrador do templo de Lokanātha Mahādeva não permitia a entrada de ocidentais. Portanto, ®r…la NārāyaŠa Mahārāja e os devotos indianos entraram no templo enquanto os devotos ocidentais esperavam pacientemente no pátio. Depois de alguns minutos, ®r…la NārāyaŠa Mahārāja veio de dentro do templo sozinho e sentou-se numa plataforma, em frente de uma das lojinhas. Ele foi imediatamente cercado pelos devotos ocidentais, que estavam ansiosos por ouvi-lo falar, e a seguir, há uma transcrição de sua conversa:

O Senhor ®iva é o devoto mais elevado do Supremo Senhor K÷Ša. Ele sempre serve o Senhor K÷Ša fielmente em todas Suas encarnações tais como, o Senhor Rāma, o Senhor Nsiˆha, o Senhor Kalki e o Senhor Varāha. Nesse mundo, o Senhor ®iva tem cinco diferentes tipos de manifestações: terra, água, fogo, ar e éter – do qual nosso corpo, a terra e o universo são feitos. Ele também é qualificado para aparecer pessoalmente em formas compostas por esses cinco elementos, para servir seu mestre. Vocês não têm capacidade de enxergar nada além desses cinco elementos, vocês não podem enxergar a alma, que é o seu verdadeiro “eu”. Se vocês desenvolverem bhakti, devoção amorosa pura a Sri K÷Ša, conseqüentemente poderão vê-Lo; e por sua misericórdia, poderão enxergar sua própria alma. Nós entramos no templo, e só o que vimos foi uma sala cheia de água, portanto, não tínhamos necessidade de entrar. Vocês são afortunados de estarem aqui fora nesse grande reservatório de água, chamado Gaur…39

kunda, que é um símbolo do Senhor ®iva. Vocês podem tocar nesse reservatório de água, fazer ācamana, podem oferecer reverências. Na Bengala e em outros lugares também existem ambu-li‰gas (li‰gas de água), e ®iva é adorado nesta forma. Os devotos indianos são afortunados de verem a deidade e oferecer arati (adorar), enquanto os devotos ocidentais não têm permissão de entrar no templo. Por causa disso, os devotos ocidentais têm a oportunidade de vir a Lokanātha Mahādeva com um sentimento de grande humildade – pensando serem muito baixos e caídos. De fato, se vocês vierem com esse sentimento, vocês são até mesmo mais afortunados do que aqueles devotos que podem entrar. Se vocês estão aqui fora chorando por Lokanātha – Gop…vara Mahādeva – orando: “Por favor, seja misericordioso comigo,” ele virá primeiro a vocês e concederá algumas gotas de sua misericórdia. O Senhor ®iva é uma manifestação do Senhor K÷Ša, e como tal, ele está sempre faminto por amor e afeição. Se vocês estão chorando e pensando: “Nós somos muito desafortunados,” o Senhor K÷Ša virá pessoalmente a vocês. Ele é muito misericordioso, então, não se preocupem se vocês não puderem entrar. Vocês são muito afortunados. Onde quer que K÷Ša resida, Sadāiva Vi÷Šu está sempre presente. Em Mathurā, e em todos os outros templos de K÷Ša, ou qualquer deidade de Vi÷Šu, Sadāiva como Lokanātha ou Gop…vara Mahādeva estará presente – para servir a morada do Senhor Supremo. ®iva serve K÷Ša em todos os lugares; ele está sempre em Kailāsa, sempre em Kā…, e sempre em Bhubanevara. Com nossa visão material externa, parece que ele deixa um lugar e vai para outro, mas essa não é verdadeira realidade. Em seus passatempos ele ia de Kailāsa para Kā…. Enquanto em Kā… ele ajudava o rei ateísta Kāirāja e o amigo do rei PauŠraka Vāsudeva, que artificialmente ficou com quatro braços e desafiou o Senhor K÷Ša. Na batalha, o Senhor K÷Ša decepou as cabeças de ambos, PauŠraka Vāsudeva e o rei de Kā…, que se considerava um dos melhores servos do Senhor ®iva. O mestre do rei, entretanto, não pôde salvá-lo quando a Sudarana cakra de K÷Ša queimou toda a cidade. Vendo sua cidade em chamas, o Senhor ®iva se foi. Depois de algum tempo ele chegou a Ekāmra-kānana em Bhubanevara e tomou abrigo do Senhor Jagannātha. O Senhor Jagannātha disse a ele: “Nunca tenha medo. Por você ter tomado abrigo em mim, eu lhe darei o posto de Lokanātha, o protetor da minha morada. Se qualquer pessoa vier a esse local sagrado e receber minha associação transcendental, sem receber a sua, sua vinda aqui não terá sido completa. Ele deve ir ao seu local depois de me visitar, e só assim ele terá completado sua missão e se tornará feliz”.

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O Senhor ®iva é extremamente bondoso por natureza, e ele é a morada do amor. A respeito disso, ®r…la Vivanātha Cakravart… µhākura escreveu em ( Sa‰kalpa-kalpadruma 103 ): vndāvanāvani-pate! jaya soma soma-maule sanaka-sanandana-sanātana-nāradeya gop…vara! vraja-vilāsi-yugā‰ghri-padme prema prayaccha nirupādhi namo namas te (Sa‰kalpa-kalpadruma 103) Ó guardião de Vndāvana! Ó Soma, todas as glórias a você! Ó você que tem a testa decorada com a lua, e que é adorado pelos sábios encabeçados por Sanaka, Sanandana, Sanātana e Nārada! Ó Gop…vara! Desejando que me conceda prema aos pés de lótus de ®r… ®r… Rādhā-Mādhava, que executam alegres passatempos em Vraja-dhāma, eu ofereço reverências a você repetidamente. Nós oramos: “Ó Senhor ®iva, até mesmo grandes personalidades como ®r… Nārada Muni e os quatro Kumāras o adoram. Você pode dar amor e afeição como o das gop…s. Em sua forma mais pura como Gop…vara Mahādeva, você é muito poderoso. Você é hari-hara-eka-ātmā, que significa que K÷Ša se tornou sua ātmā e você tornou-se a ātmā dEle.” Aqui, ātmā significa o mais querido ou muito amado, portanto, o Senhor K÷Ša e ®iva no íntimo são um só. O Senhor ®iva serve o Senhor Supremo como Hanuman, como Bh…ma, como Madhvācārya, como Advaita šcārya na época de ®r… Caitanya Mahāprabhu, e em várias outras formas. Nós viemos aqui para implorar pela misericórdia de Lokanātha, mas pessoalmente eu não vejo Lokanātha aqui. Eu vejo Gop…vara Mahādeva, de quem Lokanātha é uma expansão. Por favor, repitam comigo: (®r…la NārāyaŠa Mahārāja expressou cada meia linha do verso em sânscrito, mencionado acima, e os peregrinos presentes respondiam em harmonia. Então ele dividiu com eles os profundos e íntimos significados:). Nós oramos: “Ó Gop…vara Mahādeva, nós viemos a você. Aqui o seu nome é outro. Você se manifestou como Lokanātha, mas nós não o
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conhecemos como Lokanātha. Nós só o conhecemos como Gop…vara Mahādeva. Você não pode nos enganar se escondendo. Você pode enganar demônios como RāvaŠa, Kaˆsa, Jarāsandha, e outros, mas você não pode nunca nos enganar. Isto porque tomamos abrigo de Yogamāyā PurŠamās…. Se você nos enganar, nós teremos que reclamar com PurŠamās…, e ela irá “castigá-lo”. Você se lembra quando todas as gop…s te deram tantos tapas que suas bochechas ficaram inchadas? Gentilmente lembre-se disso.” (ver na página? A nota 3 no pé da página) Satisfeito com amor expressado nessa oração, o Senhor ®iva aparecerá em sua forma de Gop…vara Mahādeva. Ele poderá ajudar, e ficará feliz em conceder misericórdia. Lokanātha Mahādeva k… jaya! ®r… ®r… Gop…vara Mahādeva k… jaya! Kāmevara Mahādeva k… jaya! Nand…vara Mahādeva k… jaya! Cakalevara Mahādeva k… jaya! Pārvat…-pati k… jaya! ®ri ®r… ®a‰kara k… jaya! Hara Hara Hara Hara Mahādeva k… jaya! Eu dividi algo especial com você. Como vocês estão sentados aqui fora e sentindo separação do Senhor ®iva, ele certamente respingará misericórdia em vocês.

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Gop…vara Mahādeva em ®r… R™pa-Sanātana Gau…ya Ma˜ha Vndāvana, U.P. Índia

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“Bênçãos de todo coração”. Por compaixão por todas as almas, ®r…la NārāyaŠa Mahārāja apareceu nesse mundo em 1921, na província de Bihar, perto do Sagrado Rio Ganges. Ele primeiramente ensinou a filosofia Vai÷Šava por toda a Índia, e então começou a viajar extensivamente em 1996. Hoje em dia, seus discursos nutrem os corações de ouvintes em todo o mundo, mantendo suas vidas diariamente com uma contínua corrente de inspiração. ®r…la NārāyaŠa Mahārāja preserva a integridade inerente das maiores contribuições literárias da Índia para o mundo. Como um mestre erudito, ele escreveu

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traduções em Hindi e comentários de mais de trinta volumes das escrituras Védicas clássicas, originalmente escritas em Sânscrito e Bengali. Então, sob sua guia, seus seguidores traduziram seu trabalho para o inglês e outras línguas. Reconhecido internacionalmente por líderes seculares e religiosos, ®r…la NārāyaŠa Mahārāja é um membro da “Chama da paz universal,” por seu serviço abnegado para a humanidade e sua contribuição para o avanço da consciência de Deus. Ele é também um líder na restauração dos marcos da herança cultural na Índia. Sua profunda afeição, o torna muito querido por seus muitos amigos e alunos, cujas vidas foram transformadas por receberem suas ‘Bênçãos de coração. ’

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