Aplicações para Casas Inteligentes em Ambientes Pervasivos

Alessandro Lumertz Garcia1, Anderson Yanzer Cabral2
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Acadêmico do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA Guaíba < alaubr@gmail.com >

2

Professor Orientador do Curso de Sistemas de Informação da ULBRA Guaíba < yanzer@terra.com.br >

Resumo: Este artigo apresenta tipos de aplicações que podem existir nas casas inteligentes, bem como formas de integrar diferentes sistemas buscando uma operação invisível e independente da interação explícita do usuário. Além disso, baseia-se nos princípios da computação pervasiva ou ubíqua, que visa disponibilizar o uso de tecnologias computacionais de forma invisível e onipresente. Abstract: This paper presents different kind of applications that may exist in smart houses and how to integrate different systems searching for an invisible operation and independent of the explicit user interaction. Moreover, is based on the principles of pervasive or ubiquitous computing, which main goal is to provide the use of computational technologies in invisible and ubiquitous way.

1 - INTRODUÇÃO Este artigo apresenta uma análise das aplicações que podem existir em casas inteligentes em ambientes pervasivos, isto é, onde a tecnologia computacional está disponível de forma invisível aos usuários e presente em todo lugar. Para isso serão utilizados sistemas para casas inteligentes utilizados atualmente, mas que operam de forma isolada e independente uns dos outros. Será apresentada uma forma de integrar dispositivos e sistemas de forma que ocorra uma troca de informações entre eles a fim de que um dado coletado por meio de uma aplicação possa ser utilizado posteriormente por outro sistema em outra parte da casa. Um exemplo que pode ser dado é que ao detectar a presença de um morador nas dependências da casa, um dispositivo receberia essa informação e tomaria determinada atitude como, por exemplo, ligar o rádio ou a televisão na programação desejada ou ainda informar os recados armazenados na secretária eletrônica durante o período de ausência. Este tipo de comportamento ocorreria sem que o usuário explicitamente informasse que gostaria de ouvir rádio ou assistir TV, uma vez que este comportamento já teria sido previamente configurado. Este é um dos princípios básicos da computação

por exemplo. além do fato de não existir um padrão de utilização de tags para este fim. com o detalhamento das informações que devem ser gravadas a respeito de cada produto. acionar alarmes ou até chamar a polícia. Segundo ele. dentre outros. para criar um ambiente pervasivo em uma residência. alarmes. Além disso. é necessário que cada alimento tenha um identificador por rádio-freqüência. Outro exemplo é quando o sistema de identificação detectar uma tentativa de acesso não autorizado. poderia. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA O conceito de casa inteligente vem sendo explorado há bastante tempo e muitas soluções automatizadas já fazem parte do dia-a-dia de boa parte da população.2 pervasiva ou ubíqua. torna-se um desafio criar um ambiente de casa inteligente que possibilite a utilização de tais dispositivos interligados a um mesmo sistema de controle. Baseado nisso. 2004] para poder realizar a leitura dos tags contidos no seu interior. é preciso definir uma arquitetura de funcionamento que permita integrar os softwares com os mecanismos físicos. Haja vista controles de portões automáticos. ascender luzes. para saber quais alimentos existem no interior da geladeira. Contudo. sendo que a interface de comunicação com cada uma delas é definida pelo próprio fabricante. descritos por [WEISER. também chamado de tag. Entretanto existem diversas marcas e modelos de leitoras de RFID disponíveis no mercado. levando em consideração que tais dispositivos serão heterogêneos. . 1991]. os computadores habitariam os locais mais triviais do dia-a-dia de forma a tornar o seu uso invisível ao usuário. com diferentes protocolos de comunicação e diferentes interfaces. cercas elétricas. além de a geladeira ter uma antena ligada a uma leitora de RFID [BAZUIN. o que se encontra na maioria das residências são sistemas que atuam isoladamente uns dos outros devido ao alto nível de dificuldade de integrar diferentes sistemas em uma solução única. Por exemplo.

2005]. contudo a forma que melhor se adapta para integrar os dispositivos necessários na casa inteligente é criar um serviço gerenciador que irá centralizar a comunicação.3 2 . de integração e de aplicação. Figura 1 – Arquitetura Adaptada . foi adaptada uma arquitetura a fim de permitir a integração da aplicação da casa inteligente com sistemas já existentes. de controle.DEFINIÇÃO DA SOLUÇÃO PROPOSTA Alguns meios de integração foram anteriormente propostos. da plataforma de hardware. Isto se faz necessário devido à heterogeneidade dos aparelhos disponíveis. definindo a melhor maneira de se comunicar com cada equipamento ou com os dispositivos integradores. bem como a interação da aplicação com os mecanismos físicos. A Figura 1 apresenta a arquitetura proposta com uma estrutura dividida em camadas. Com base em [HELAL et al. Ela é dividida em cinco camadas: física. sendo que muitos possuem protocolos de comunicação próprios e requerem algum tipo de customização.

É a camada com a qual o morador terá mais contato. Um dos sistemas presentes nessa camada é o gerenciador gráfico. • Camada de aplicação: também terá interação com o usuário. pois nela estarão as interfaces que irão interligar o sistema aos dispositivos físicos. ou seja. verificando quais sensores estão ativos em determinado momento. • Camada de controle: É a principal camada desta arquitetura. É através dele que o usuário irá criar as regras que serão controladas pelo serviço gerenciador e poderá monitorar o funcionamento da casa. mas lógico. • Camada de integração: foi definida para permitir a integração da casa inteligente com sistemas já existentes.4 • Camada física: abriga todos os dispositivos físicos que serão utilizados para criar as funcionalidades da casa inteligente. É nela que serão definidas as regras de funcionamento da casa e onde serão controlados os dispositivos. • Camada da plataforma de hardware: poderia também ser integrada à camada física. É nela que estarão as aplicações cujas quais os moradores terão acesso. Entretanto nesta arquitetura ela está destacada pelo fato de poder tanto ser constituída por componentes dos elementos da camada física quanto abrigar placas genéricas que irão controlar diversos mecanismos além de se comunicar com o sistema gerenciador através de um protocolo comum pela rede TCP-IP. mas que hoje operam de forma isolada. onde os efeitos práticos serão mais facilmente percebidos. O serviço gerenciador será o responsável por monitorar e ativar os elementos da camada física para executar o efeito esperado em determinada regra. não em nível físico. Após ter sido apresentada essa arquitetura será desenvolvido um ambiente de casa inteligente com algumas funcionalidades a fim de demonstrar na prática o funcionamento e a aplicabilidade da estrutura proposta. É composta pelo serviço gerenciador e pelo conjunto de regras criadas pelos usuários. Seguem aplicações que serão utilizadas nessa validação: .

aplicação móvel e sistema intermediário para aplicação móvel. • Montagem de estrutura da aplicação móvel. Sistema de identificação de terceiros. com gerenciamento de regras. de modo que ao se identificar as luzes sejam acessas. Criado padrão de telas a ser utilizado e modelos que servirão de base para cadastros e demais formulários. Criado diagrama de entidade-relacionamento para criação dos objetos de banco de dados. Foram especificadas aplicações necessárias para validação da arquitetura proposta. • Início do desenvolvimento do gerenciador gráfico. como lâmpadas.ATIVIDADES REALIZADAS • Análise de sistemas existentes.5 • • • Controle de iluminação. sirenes. • Integração com aplicação de terceiros. Foi definida a forma de integração com uma aplicação de identificação de usuários que será utilizada no ambiente da casa inteligente. sensores. Foi montada uma placa controladora genérica para interligar os dispositivos físicos com a aplicação. Programação de sensores e atuadores. São elas: serviço gerenciador. • Estudo das aplicações que serão desenvolvidas. integrado ao ambiente da casa inteligente. Com isso foi possível definir como será a comunicação desse aplicativo com a central da casa. Foram analisadas formas de atuação e comunicação com dispositivos físicos utilizados atualmente. • Montagem de circuito que irá atuar na camada da plataforma de hardware. 3 . com acionamento através do telefone celular. Foi desenvolvido um aplicativo para o micro controlador que irá comandar o funcionamento da placa. gerenciador gráfico. Foi criado um protótipo de aplicação que irá ser utilizada nos aparelhos celulares. . • Definição da estrutura do banco de dados das aplicações. etc.

no. BAZUIN. pp. Bradley J. “The gator tech smart house: A programmable pervasive space”. “RFID: Radio Frequency Identification”. September. 94-104. Será criado um monitor dos dispositivos onde será possível observar o estado atual de cada equipamento ou ambiente da casa. vol. no. 5 . February 2004. 3. . et al. The Computer for the 21st Century. Serão criados os cadastros necessários para que sejam definidas e monitoradas as regras. • Desenvolvimento do serviço gerenciador. Scientific American. 3. March 2005. vol. HELAL. Apesar de já ter sido detalhada a estrutura de funcionamento das regras. Deverão ser criados scripts para troca de informações entre os telefones celulares e o banco de dados. 265. • Validação do ambiente e testes finais. pp. IEEE Computer Society. Mark. será preciso implementá-las baseadas nos dados cadastrados. Western Michigan University. 38.ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS • Finalização do gerenciador gráfico. 50–60. • Desenvolvimento de sistema intermediário para aplicação móvel. S.BIBLIOGRAFIA WEISER.6 4 . 1991.