Você está na página 1de 95
BIOTECNOLOGIA (BIOLOGIA) 1

BIOTECNOLOGIA

(BIOLOGIA)

BIOTECNOLOGIA

Definição

BIOTECNOLOGIA Definição 1. O QUE É BIOTECONOLOGIA? A biotecnologia consiste na aplicação em grande escala dos

1. O QUE É BIOTECONOLOGIA?

A biotecnologia consiste na aplicação em grande escala dos avanços científicos e tecnológicos, a partir de organismos vivos (células e/ou moléculas) para produção racionalizada de substâncias, que resultam em produtos comercializáveis.

A biotecnologia encontra muitas aplicações importantes em:

• Indústria (química, petroquímica, alimentos, farmacêutica) • Agricultura/Pecuária • Saúde • Preservação do meio ambiente

Embora a palavra biotecnologia tenha sido usada pela primeira vez em 1919 por um engenheiro agrícola da Hungria, o crescimento dessa área somente ocorreu a partir da década de 70 com o desenvolvimento da tecnologia do ácido desoxirribonucléico (DNA)recombinante.

BIOTECNOLOGIA

Definição

BIOTECNOLOGIA Definição Interação da biotecnologia indust rial com ramos do conhecimento Bioquímica Biologia molecular Química Biologia

Interação da biotecnologia industrial com ramos do conhecimento

Bioquímica Biologia molecular Química Biologia Biotecnologia Industrial Engenharia Química Bioquímica Industria Engenharia Engenharia Química
Bioquímica
Biologia
molecular
Química
Biologia
Biotecnologia
Industrial
Engenharia
Química
Bioquímica
Industria
Engenharia
Engenharia Química

3

BIOTECNOLOGIA

História

BIOTECNOLOGIA História 2. EVOLUÇÃO DA BIOTECNOLOGIA • As técnicas de fermentação, que até o presente momento

2. EVOLUÇÃO DA BIOTECNOLOGIA

• As técnicas de fermentação, que até o presente momento constituem os processos principais da biotecnologia, são conhecidos e utilizados desde a Antigüidade, principalmente na produção de cervejas e vinhos. No oriente, os antigos já utilizavam bebidas fermentadas, da mesma forma de que, na América pré-colombiana, também já se produziam bebidas com a utilização de processos rudimentares de fermentação. Há séculos que no Japão e na China se utilizam processos de produção de bebidas e alimentos pela técnica de fermentação.

• O troglodita sabia que a carne deixada em repouso alguns dias era mais saborosa que aquela ingerida logo após a matança; Sabia, também que bebidas intoxicantes poderiam ser feitas de grãos e frutas. O envelhecimento da carne e a fabricação de bebidas alcoólicas foram os primeiros usos de fermentação pelo homem;

• A fabricação de queijo e molho de soja na China e no Japão é conhecida há milhares de anos;

• Foram encontrados pães nas pirâmides egípcias construídas há milhares de anos;

BIOTECNOLOGIA

História

• Quanto a usos medicinais da fermentação , os chineses há mais de 3000 anos utilizavam
• Quanto
a usos
medicinais da fermentação , os chineses há mais de 3000 anos
utilizavam
coalhada mofada de soja para curar
infecções
da
pele
;
os primitivos

habitantes da América Central empregavam fungos para o tratamento de feridas infeccionadas;

• As primeiras plantas industriais a utilizarem tecnologia de fermentação foram as fábricas de cerveja. No entanto, foi só no final do século XIX e início do século XX que essa tecnologia passou a ser gradativamente utilizada, tanto na indústria de bebidas e alimentos, como na indústria química.

• A indústria química, no início do século XX, iniciou a produção de solventes orgânicos. Só no início da I Guerra Mundial as necessidades de acetona na produção de explosivos estimularam substancialmente a pesquisa no potencial da tecnologia de fermentação.

• Em 1901 Rudolf Emmerich e Oscar Low, isolaram a piociânase, o primeiro antibiótico do mundo. Problemas de padronização do produto, não existiam técnicas para garantir que cada partida produzida da substância pudesse ser igualmente efetiva, causando insucesso em alguns casos , levou ao abandono deste;

• Em 1923 , Pfizer inaugurou a primeira fábrica para a produção de ácido cítrico por via fermentativa. O processo envolvia uma fermentação utilizando o fungo aspergillus niger, pelo qual açúcar era transformado em ácido cítrico

5

BIOTECNOLOGIA

História

BIOTECNOLOGIA História • Uma descoberta casual: um funcionár io de um mercado encontrou um melão embolorado

Uma descoberta casual: um funcionário de um mercado encontrou um melão embolorado por uma linhagem de Penicillium que podia prosperar quando cultivado em tanques fundos com aeração, e que produzia duzentas vezes mais penicilina que o bolor de Fleming cultivado em meio sólido. Outros antibióticos apareceram rapidamente.

• O progresso da fermentação prossegue a passadas largas. A cada ano novos produtos são incorporados à lista de produtos derivados da fermentação. Várias vitaminas são produzidas pelo emprego de etapas de fermentação em sua síntese (B-2 riboflavina, B-12 cianocobalamina e C ácido ascórbico).

• Alguns dos bioprocessos mais interessantes são as desidrogenações e hidroxilações específicas do núcleo esteróide. Essas transformações são vias econômicas utilizadas na obtenção da cortisona antiartrítica e seus derivados.

• As sínteses biotecnológicas dos aminoácidos L-lisina e L-ácido glutâmico estão sendo utilizadas comercialmente, assim como a produção de ácidos nucléicos como compostos intensificadores de sabor.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos 3. OS BIOPROCESSOS • Bioprocessos compreendem um conjunto de operações que incluem o •

3. OS BIOPROCESSOS

Bioprocessos compreendem um conjunto de operações que incluem o

tratamento da matéria prima; • preparo dos meios de propagação e produção; esterilização e a transformação do substrato em produto(s); processos de produção; processos de separação e purificação de produto(s).

• A distinção entre bioprocessos e processos químicos está calcada na natureza dos catalisadores utilizados em suas reações. Os bioprocessos são conduzidos mediante ação de:

microrganismos; células animais ou vegetais; enzimas.

Esquema geral de um bioprocesso

Esquema geral de um bioprocesso Matérias-primas Meio de cultura selecionado Microrganismo selecionado Preparo inoculo: etapa de

Matérias-primas

Meio de cultura

selecionado

Esquema geral de um bioprocesso Matérias-primas Meio de cultura selecionado Microrganismo selecionado Preparo inoculo: etapa de
Esquema geral de um bioprocesso Matérias-primas Meio de cultura selecionado Microrganismo selecionado Preparo inoculo: etapa de
Microrganismo selecionado Preparo inoculo: etapa de laboratório Preparo inoculo: etapa industrial
Microrganismo selecionado
Preparo inoculo: etapa de
laboratório
Preparo inoculo: etapa
industrial
Ar
Ar
Compressor
Compressor
Esterilização Células Biorreator Separação das células Industrial Caldo fermentado Recuperação Produto
Esterilização
Células
Biorreator
Separação das
células
Industrial
Caldo fermentado
Recuperação Produto
Produto
Produto

Esterilização do ar

Esquema geral de um bioprocesso Matérias-primas Meio de cultura selecionado Microrganismo selecionado Preparo inoculo: etapa de

Tratamento efluentes

8

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4. BIOPROCESSOS CATALISADOS POR ENZIMAS ENZIMA é uma proteína sintetizada na célu la termodinamicamente

4. BIOPROCESSOS CATALISADOS POR ENZIMAS

ENZIMA é

uma proteína sintetizada na célula

termodinamicamente possível.

viva que catalisa

uma reação

• As enzimas são de ocorrência universal nos materiais biológicos. • Grande crescimento nos últimos anos devido sua importância nas áreas :

farmacologia, tecnologia de alimentos, toxicologia, medicina, engenharia química, biotecnologia, etc. • As enzimas são hidrossolúveis. • A enzima não modifica a constante de equilíbrio de uma reação pois atua em concentrações muito baixas que não guardam proporção com a mudança catalisada. • Natureza de especificidade. • Origens: Humana : pepsina (estômago), amilases (saliva), proteases, amilases, lipases ( pâncreas ) renina ( estômago de ruminantes); Vegetal : papaina ( mamão ), bromelina ( abacaxi ), ficina ( figo ); Microbianas ( bactérias, leveduras, fungos ). • Presença indesejável : escurecimento de vegetais; clarificação; rancificação, etc.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.1 Cinética • Do ponto de vista termodinâmico, uma enz ima é um catalisador

4.1 Cinética

• Do ponto de vista termodinâmico, uma enzima é um catalisador que acelera uma reação porque diminui a energia de ativaç ão. Isto acontece porque a enzima aumenta o número de moléculas ativas, capazes de reagir.

A ne E a para reação não enzimática A e E a para reação enzimática dF
A ne
E a para reação não enzimática
A e
E a para reação enzimática
dF de reação
C
oo
dr
ne
da a s d e
ne e gr
ai

Coordenadas de reação

10

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Influência da Concentração de enzima, Conc entração de substrato,Temperatura, pH, na cinética de

• Influência da Concentração de enzima, Conc entração de substrato,Temperatura, pH, na cinética de reações catalisadas por enzimas. (rever)

4.2 Extremozimas

• Há cerca de 30 anos, os cientistas pensavam que só existia vida em um número muito limitado de habitats. Hoje, porém, não resta dúvida de que até mesmo os ambientes mais extremos são colonizados por microorganismos especiais, muito bem adaptados a esses “ninhos” ecológicos. Esses organismos, os extremófilos, estão presentes em biótipos onde outras criaturas não conseguem sobreviver.

• Os extremófilos são encontrados em altas temperaturas (termófilos), sob condições de frio extremo, como geleiras (organismos psicrofílicos), em lagos de elevada salinidade (halófilos) e em ambientes extremamente ácidos (acidófilos) ou alcalinos (alcalinófilos), nas altas pressões do fundo do mar ou na abundância de metais tóxicos (metalófilos)

• A descoberta de organismos extremófilos abre novas oportunidades para o desenvolvimento de enzimas que apresentam atividade sob as circunstâncias extremas (as extremozimas), encontradas com freqüência em processos industriais.

11

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.3 Classificação das enzimas OXIDO-REDUTASES : catalisam as reaç ões de óxido-redução. Os nomes

4.3 Classificação das enzimas

OXIDO-REDUTASES : catalisam as reações de óxido-redução. Os nomes comuns para muitas dessa enzimas são: desidrogenases, oxidases, peroxidades.

HIDROLASES : catalisam as reações de hidrólise. Há um grande número dessas enzimas.

TRANSFERASES : catalisam a transferência de grupos. Alguns nomes comuns:

transaminases quinases, transacetilases.

ISOMERASES : catalisam diferentes tipos de isomerisação. São divididas em:

racemases, epimerases, cis-trans isomerase, cetol isomerases intramoleculares, mutases ou transferases intramoleculares.

LIGASES : catalisam reações que unem duas moléculas conjugadamente com o rompimento de uma ligação pirofosfórica.

LIASES : catalisam reversivelmente a remoção de grupos do substrato não hidroliticamente. A fumarase catalisa a remoção de água de malato de modo

reversível dando fumarato.

12

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas Vantagens • Baixo consumo de energia ( temperatura ótima de atividade ) • Enzimas

Vantagens

• Baixo consumo de energia ( temperatura ótima de atividade ) • Enzimas com alto grau de pureza • Pequena produção de produtos colaterais ( especificidade ) • Aproveitamento quase total da matéria-prima • Reações de fácil controle

Desvantagens

• Dificuldade de reutilização de algumas enzimas • Uso restringido de algumas enzimas pela necessidade de co-fator • Reações susceptíveis à ação de substâncias inibidoras

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.4 Hidrolases/Carbohidrases • Alfa amilase : É uma endoenzima que catalisa as reações de

4.4 Hidrolases/Carbohidrases

Alfa amilase: É uma endoenzima que catalisa as reações de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-4) do amido internamente, de forma desordenada.

O produto da hidrólise são oligossacarídeos de médio P.M. (dextrinas).

Origem das α-amilases: suco pancreático, saliva; durante germinação de cereais; fúngica ou bacteriana.

Beta amilase: É uma exoenzima que catalisa a reação de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-4) de duas em duas unidades de glicose a partir da extremidade não redutora das moléculas do amido.

Os produtos da hidrólise são maltose e beta limite dextrina.

Origem das beta amilases: cereais como a cevada, soja, batata doce; microbiana –

bactérias. A batata doce crua tem gosto de amido. Após cozimento tem sabor

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Amiloglicosidase : É uma exoenzima que catalisa a reação de hidrólise das ligações

Amiloglicosidase: É uma exoenzima que catalisa a reação de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-4) e α-(1-6) de uma em uma unidade de glicose a partir da extremidade não redutora.

O produto da hidrólise é a glicose.

Desramificantes: É uma endoenzima que catalisa a reação de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-6). Transforma amilopectina em amilose.

Ciclodextrina-glicosil-transferase ( CGTase): catalisa as reações de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-4) e em seguida catalisa a ciclização do oligossacarídeo. O produto são ciclodextrinas formadas principalmente por seis unidades de glicose (α-ciclodextrina); sete unidades de glicose (β-ciclodextrinas) e oito unidades de glicose (γ-ciclodextrinas), podendo chegar a até 12 unidades.

As ciclodextrinas possuem uma superfície exterior polar e uma cavidade apolar. Dado o caráter hidrófilo da superfície exterior, as ciclodextrinas podem dissolver-se na água, ao mesmo tempo que disponibilizam uma cavidade apolar (hidrófoba) capaz de formar complexos de inclusão com vários tipos de moléculas hóspedes.

15

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas A β -ciclodextrina é a que apresenta menor solubilidade, em função do elevado número

A β-ciclodextrina é a que apresenta menor solubilidade, em função do elevado número de ligações hidrogênio intramolecular entre os grupos hidroxilo secundários existentes na molécula. Na α-ciclodextrina só quatro das suas seis possíveis ligações de hidrogênio podem ser estabelecidas, em virtude de uma unidade de glicose se encontrar em posição distorcida. A γ-ciclodextrina por ser uma molécula de estrutura mais flexível, é a mais solúvel das três.

As ciclodextrinas são usadas com finalidades muito diversas. Além das aplicações farmacêuticas, são aplicadas em produtos alimentícios, cosméticos, pesticidas, produtos químicos, química analítica.

A inclusão de um composto numa ciclodextrina podem levar às seguintes alterações nas propriedades desse composto:

- A solubilidade e velocidade de dissolução de substâncias pouco solúveis podem ser significativamente aumentadas;

- Muitas substâncias podem ser protegidas contra hidrólise , oxidação, racemização, isomerização, foto-oxidação ou outros processos de decomposição;

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas - Compostos voláteis podem ser fi xados, evitando-se a sua perda por evaporação; -
  • - Compostos voláteis podem ser fixados, evitando-se a sua perda por

evaporação;

  • - Compostos líquidos podem ser transformados em pós, para posterior incorporação em formas sólidas;

    • - Compostos incompatíveis podem ser misturados, quando um deles for

complexado;

  • - O

mascarados;

sabor e odor desagradáveis de algumas substâncias podem ser

  • - Produtos facilmente solúveis para preparações injetáveis, podem ser obtidos por liofilização com ciclodextrinas;

    • - Liberação controlada de fármacos

  • - As ciclodextrinas e seus complexos são geralmente não higroscópicos, possibilitando a preparação de comprimidos com características melhores;

    • - O efeito da complexação com ciclodextrinas, que aumenta a solubilidade ou

a velocidade de dissolução de uma substância ativa, pode melhorar a respectiva

17

biodisponibilidade após administração oral.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Dextram sacarase : Catalisa a reação de hidrólise da sacarose e em seguida

Dextram sacarase: Catalisa a reação de hidrólise da sacarose e em seguida catalisa a polimerização das unidades de glicose através de ligações glicosídicas α-(1-6) e α-(1-3). O polímero que se forma é denominado de Dextrano.

O dextrano reduz o rendimento industrial de sacarose porque: aumenta a viscosidade do caldo dificultando a clarificação deste; reduz a velocidade de cristalização da sacarose; causa entupimento dos filtros; perda de sacarose que se transforma em dextrano.

Na indústria farmacêutica essa enzima é empregada justamente para se obter o dextrano utilizado como substituto do plasma sanguíneo.

Nas indústrias química e de alimentos o dextrano é utilizado como espessante em processos tecnológicos.

Invertase: Catalisa a reação de hidrólise da sacarose produzindo açúcar invertido – glicose mais frutose.

Glicose 70% da doçura da sacarose Frutose 50% mais doce que a sacarose

18

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • α -galactosidase : Catalisa as reações de hidról ise das ligações glicosídicas α

α-galactosidase: Catalisa as reações de hidrólise das ligações glicosídicas α-(1-6) dos oligossacarídeos que possuem a galactose na estrutura molecular (rafinose, estaquiose).

β-galactosidase ou lactase: Catalisa as reações de hidrólise das ligações glicosídicas β-(1-4) dos oligossacarídeos que possuem a galactose na estrutura molecular. Os seres humanos sintetizam essa enzima, principalmente na infância quando o consumo de lactose é maior. A falta de lactase no organismo causa flatulência e diarreia pois a lactose não pode ser hidrolisada e absorvida no trato digestivo, sendo fermentada por microorganismos. (Lactose é um dissacarídeo formado por galactose e glicose unidas por ligações glicosídicas β-(1-4).

Celulases, hemicelulases e fenoloxidases: catalisam reações de hidrólise da celulose, hemiclulose e lignina.

Celulose: polissacarídeo estrutural mais abundante na natureza formado por unidades de glicose unidas por ligações glicosídicas β-(1-4). O peso molecular varia de 200.000 a 2.000.000;

hemicelulose (polioses): polímero heterogêneo constituídos por galactose, xilose e arabinose principalmente, além de outros monossacarídeos e ácido urônico.

19

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas Lignina: composta basicamente de unidades de fenilpropano formando uma macromolécula tridimensional e amorfa, repr

Lignina: composta basicamente de unidades de fenilpropano formando uma macromolécula tridimensional e amorfa, representando de 20 a 30% do total da madeira.

A biodegradação da celulose é feita pela ação de três grupos de enzimas que atuam sinérgicamente: endo-glucanase; exoglucanase; β-glucosidase.

As endo-glucanases catalisam a hidrólise das moléculas de celulose internamente, ao acaso, produzindo fragmentos de celulose denominados de oligômeros, que servem de substrato para as exo-glucanases que por sua vez catalisam externamente a hidrólise dessas moléculas à celobiose. As β-glucosidases catalisam a hidrólise da celobiose até glicose.

O grau de sinergismo das celulases é bastante grande. A atividade relativa da cada grupo de enzimas atuando de maneira isolada é bastante baixa, enquanto que, os três grupos em conjunto, permitem a hidrólise total da celulose com rendimento superior a 100%.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas A biodegradação das polioses (hemicelulose) ocorre de maneira semelhante à da celulose. A xilanases

A biodegradação das polioses (hemicelulose) ocorre de maneira semelhante à da celulose. A xilanases catalisam a hidrólise das ligações glicosídicas entre unidades de xilose, as mananases atuam sobre ligações glicosídicas entre moléculas de manose e as glucuronidases sobre ligações de ácidos urônicos com moléculas de açúcares.

Assim como as celulases as hemicelulase são divididas em endo-hemicelulases e exo- hemicelulases.

Um vasto grupo de enzimas está relacionado à biodegradação da lignina agrupadas em:

  • a) Fenoloxidases

peroxidases (lignina peroxidase, manganês peroxidase);

lacase.

  • b) Enzimas produtoras de H 2 O 2 (glicose oxidase, metanol oxidase)

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.5 Processo de produção de dextrinas ( Liquefação do amido) A liquefação do amido
  • 4.5 Processo de produção de dextrinas ( Liquefação do amido)

A liquefação do amido consiste na obtenção de suspensões com alta concentração de oligossacarídeos de pesos moleculares variados.

• Liquefação ácida

• Liquefação enzimática

  • 4.6 Processo de produção de glicose,frutose,ciclodextrinas

  • 4.7 Hidrolases/Pectinases

Substâncias pecticas: são polímeros do ácido D-galacturônico unidos por ligações glicosídicas α-(1-4) e se constituem basicamente em protopectinas, ácido pécticos, ácido péctinicos e pectinas.

Pectina: polímero de ácido galacturônico interligados por ligações glicosídicas α-(1-4), metoxilados em diversos graus (baixo médio e alto). Formam soluções altamente viscosas mesmo em baixas concentrações. Formam géis com sacarose e ácidos. Pectinas naturais possuem cerca de 50% dos grupos carboxilas metoxilados

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Pectina metil esteraze : catalisa a remoção de grupos metoxila esterificados nas substâncias

Pectina metil esteraze: catalisa a remoção de grupos metoxila esterificados nas

substâncias pécticas.

Polimetil galacturanase: catalisa a hidrólise das ligações glicosídicas dos ácidos galacturônicos metoxilados. A forma endo catalisa a hidrólise de forma desordenada enquanto que a forma exo remove unidades a partir das extremidades.

4.8 Aplicações das pectinases

• Extração

• Clarificação

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.9 Hidrolases/Proteases • Proteases ou enzimas proteolíticas : catalisam reações de hidrólise das ligações

4.9 Hidrolases/Proteases

Proteases ou enzimas proteolíticas: catalisam reações de hidrólise das ligações peptídicas das proteínas.

• Exopeptidases; catalisam as reações de hidrólise dos aminoácidos das extremidades das cadeias protêicas. São encontradas as carboxipeptidases e as aminopeptidases

• Endopeptidases: catalisam as reações de hidrólise das ligações peptidicas internas às moléculas de proteínas. São encontradas as:

• Serina protease: no centro ativo da enzima há uma serina.

• SH protease: centro ativo contem grupo sulfidrila.

• Metalo protease: centro ativo contem metais - Mg, Zn, Co, Fe, Cu, Ni, Cd.

• Protease ácida: possui pH ótimo de atividade em torno de 2 a 5. Em geral, seu centro ativo possui grupo carboxila.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.10 Aplicações de proteases 4.11 Hidrolases/Lipases • Lipases ou enzimas lipolíticas : catalisam reações

4.10 Aplicações de proteases

4.11 Hidrolases/Lipases

Lipases ou enzimas lipolíticas: catalisam reações de hidrólise de lipídeos a glicerol, mono ou diglicerídeos. São encontradas no pâncreas, plasma sangüíneo, saliva, suco pancreático, leite e plantas oleaginosas. Há vários microorganismos produtores de lipases, fungos leveduras e bactérias.

Tecnologicamente é muito importante não apenas a função catalítica de hidrólise mas também as funções catalíticas em reverso em reações de transesterificação e de esterificação, dependendo das condições de reação.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.12 Oxiredutases São enzimas que catalisam reações de oxidação e de redução. • Dehidrogenases:

4.12 Oxiredutases

São enzimas que catalisam reações de oxidação e de redução.

• Dehidrogenases: catalisam reações de oxidação provocando a eliminação de hidrogênio do substrato.

• Oxigenases: catalisam reações de oxidação, incorporando oxigênio molecular ao substrato pela ativação do oxigênio.

• Peroxidases: utilizam o peróxido de hidrogênio como oxidante para provocar a oxidação do substrato.

• Fenolases: catalisam a oxidação de compostos fenólicos. Principal enzima é a polifenoloxidase.

•Catalase: catalisa especificamente a decomposição da água oxigenada em oxigênio molecular e água.

• Lipoxigenase: encontrada apenas em vegetais, particularmente em leguminosas. Catalisam reações de degradação e oxidação de ácidos graxos insaturados, dando origem ao ranço lipolítco-enzimático. Os radicais livres originários da

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Ácido ascórbico oxidase: catalisa a reação de oxidação do ácido L-ascórbico a L-dehidroascórbico.

• Ácido ascórbico oxidase: catalisa a reação de oxidação do ácido L-ascórbico a L-dehidroascórbico. A reação pode ser revertida utilizando-se a enzima ácido ascórbico redutase.

4.13 Isomerases

Catalisam diferentes tipos de isomerisação. São divididas em: racemases, epimerases, cis-trans isomerase, cetol isomerases intramoleculares, mutases ou transferases intramoleculares.

• Glicose isomerase: catalisa a interconversão entre aldose e cetose.

Glicose

Frutose

• Xilose isomerase: catalisa a interconversão entre aldose e cetose.

Xilose

Xilulose

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.14 Outras Aplicações de Biocatalisadores • Álcool Etílico No Brasil o álcool combustível é

4.14 Outras Aplicações de Biocatalisadores

Álcool Etílico

No Brasil o álcool combustível é produzido facilmente a partir de cana de açúcar, um substrato diretamente fermentável que dispensa pré-tratamento e hidrólise.

O

álcool combustível pode se

obtido

a partir

de amido

de

milho, sendo um dos

grandes objetivos da biotecnologia americana e de muitos países europeus a

viabilização econômica do álcool de materiais lignocelulósicos e principalmente de resíduos da agroindústria.

A produção de etanol de mandioca e de resíduos da agroindústria, chamados de biomassa, envolve a hidrólise destes materiais à açúcares fermentáveis.

Ração animal As enzimas para ração animal, adicionadas à ração de suínos e aves domésticas, destinam-se a reduzir a excreção de produtos residuais e melhorar a digestibilidade de matérias-primas.

As xilanases e as fitases encontram-se entre as enzimas de ração animal mais conhecidas, sendo ambas produzidas por meio de microorganismos modificados pela

engenharia genética.

28

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

A xilanase hidrolisa as hemiceluloses presentes no trigo e no milho, facilitando a
A xilanase hidrolisa as hemiceluloses presentes no
trigo
e
no
milho, facilitando a

digestão de fósforo.

todos os

nutrientes e reduzindo a excreção de estrume, nitrogênio e

A fitase decompõe o fitato, composto fosforoso presente nos grãos de ração animal. Os animais requerem fosfatos para seu adequado crescimento esquelético, mas não são capazes de digerir o fitato. Costuma-se, portanto, acrescentar fósforo (inorgânico) à ração, o que leva à excreção de grandes volumes de fósforo e à poluição do meio ambiente.

O fitato pode ser digerido pela adição de fitase à ração animal. Reduz-se assim a necessidade de usar suplementos de fosfato inorgânico com vantagens econômicas e ambientais.

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Alimentos Cerveja Clarificação de cerveja Malteação Sucos de Frutas Vinhos Extração Clarificação Extração

Alimentos

Cerveja

Clarificação de cerveja

Malteação

Sucos de Frutas

Vinhos

Extração

Clarificação

Extração

Panificação

Proteases

Amilases

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas Carnes Amaciamento Leite Deslactação Sorvete/Doce de leite ......... 31

Carnes

 

Amaciamento

Leite

Deslactação

Sorvete/Doce de leite

.........

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas 4.15 Reatores com células ou enzimas Imobilizadas Os sistemas com agentes imobilizados têm co

4.15 Reatores com células ou enzimas Imobilizadas

Os sistemas com agentes imobilizados têm como principal característica o uso de algumas estruturas físicas de confinamento que obrigas os agentes do bioprocesso a permanecerem em uma região particular do biorreator. A opção entre as formas solúvel e imobilizada de uso de uma enzima ou célula depende da natureza do processo de conversão e da estabilidade operacional das duas formas.

No caso das células imobilizadas há que considerar dois tipos de bioprocessos.

O primeiro é aquele que utiliza uma ou algumas enzimas contidas nas célula, não havendo necessidade de coenzimas e vias anabólicas presentes na replicação celular. As células não necessitam estar vivas quando imobilizadas; somente deve estar ativo o sistema enzimático envolvido na conversão bioquímica requerida.

O segundo tipo de processo que utiliza células imobilizada é aquele em que se impõe a necessidade de manter a viabilidade celular, uma vez que os produtos a serem formados requerem múltiplos passos de transformações, regeneração de coenzimas, presença de cadeia respiratória, vias metabólicas geradoras de intermediários e

outros mecanismos inerentes às células vivas.

32

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas As principais vantagens da utilização de agentes biotecnológicos imobilizados são: - possibilidade de utilização

As principais vantagens da utilização de agentes biotecnológicos imobilizados são:

  • - possibilidade de utilização de altas concentrações do agente no volume reacional, implicando em maiores velocidades de processamento;

  • - operação de sistemas contínuos à vazão específica de alimentação;

  • - maior proteção ao sistema biológico em relação ao estresse ambiental, ocasionado por elevadas concentrações de substrato, pH e cisalhamento;

  • - reuso do agente de bioprocesso;

  • - redução do investimento fixo nas instalações;

  • - redução do custo operacional.

Processos que utilizam células imobilizadas

Produção de ácido acético (vinagre) Produção de etanol Produção de antibióticos Tratamento de resíduos Produção de metabólitos utilizando células animais ou vegetais

BIOTECNOLOGIA

Bioprocessos/Enzimas

BIOTECNOLOGIA Bioprocessos/Enzimas • Métodos de Imobilização de biocatalisadores Enzimas Imobilizadas Ligação a suporte * Entrelaçamento Ligação

Métodos de Imobilização de biocatalisadores

Enzimas Imobilizadas

Ligação a suporte * Entrelaçamento
Ligação a suporte *
Entrelaçamento

Ligação

iônica

Ligação

covalente

matrizes
matrizes

microcápsula

Adsorsão

física

* Com ligação cruzada ou não

BIOTECNOLOGIA

“Fermentações”

BIOTECNOLOGIA “Fermentações” 5. PROCESSOS “FERMENTATIVOS” 5.1 Substrato • Uma grande variedade de matérias-pri mas, geralmente provenientes

5. PROCESSOS “FERMENTATIVOS”

5.1 Substrato

• Uma grande variedade de matérias-primas, geralmente provenientes da agroindústria, são utilizadas como fonte(s) de substrato(s) e outros nutrientes. De uma forma geral, as matérias-primas de bioconversões podem ser agrupadas em função da estrutura e da complexidade molecular dos substratos.

• A matéria-prima é um dos componentes mais relevantes nos custos de produção, havendo casos em que pode representar até 75% do custo total, sendo esta uma das razões pelo crescente interesse no aprov eitamento de resíduos agroindustriais.

• A escolha dos nutrientes adequados à geração do produto de interesse está relacionada à atividade metabólica desenvolvida pelos microrganismos. Nesse ponto, destaca-se a importância das informações obtidas sobre as exigências nutricionais da população microbiana envolvida no processo. Torna-se necessário, então, utilizar fontes adequadas, isto é, que possuam os componentes necessários ao bom desempenho do microrganismo. Assim, é precis o fortificar a matéria-prima com os

componentes que faltam e retirar aqueles que inibem, de modo a permitir uma rápida

35

e eficiente conversão do substrato em produto com o rendimento desejado.

BIOTECNOLOGIA

“Fermentações”

BIOTECNOLOGIA “Fermentações” • As condições que permitem a produção máxima de massa molecular não são necessariamente

As condições que permitem a produção máxima de massa molecular não são necessariamente as mesmas que permitem a máxima produção de um determinado produto. Aspergillus niger , por exemplo , dá melhores rendimentos de ácido cítrico, quando seu crescimento é restringido , por concentrações de semi-inanição de nitrogênio, fósforo, porem com alta concentração de açúcar.

Agrupamento das fontes de substrato em função da estrutura e da complexidade molecular dos substratos.

Substratos solúveis que podem ser facilmente extraídos produto(s) como por exemplo, sacarose, glicose, frutose e lactose, provenientes de cana-de-açúcar, beterraba, melaço, soro de leite, etc.

Substratos insolúveis, que precisam de tratamento moderado para solubilização e hidrólise, antes da conversão em produto(s) como por exemplo, amido de milho, mandioca, trigo, cevada, batata, etc.

Substratos insolúveis muito resistentes, que necessitam de pré- tratamento físico, seguido de hidrólise química ou enzimática para produzir substratos na forma monomérica a ser convertidos em produto(s) como, por exemplo, celulose e hemicelulose.

36

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.1.1 Fonte de energia : A adenosina-trifosfato (ATP) é o composto mais importante nas

5.1.1 Fonte de energia: A adenosina-trifosfato (ATP) é o composto mais importante nas

transformações de energia das células. As bactérias e as algas fotossintéticas podem utilizar a

energia da luz para formação de ATP; as bactérias autotróficas podem gerar ATP pela oxidação de

compostos inorgânicos; ao passo que as bactérias, leveduras e fungos heterotróficos formam ATP

oxidando compostos orgânicos. Nas indústrias de fermentação, a fonte mais comum de energia é

amido ou melaço.

5.1.2 Fonte de carbono: As necessidades de carbono são supridas com a fonte de energia, porém

as bactérias autotróficas e fotossintéticas utilizam dióxido de carbono. A via pela qual os

heterotróficos metabolizam carbono de substrato é importante para se determinar a quantidade de

carbono convertido em material celular. Verifica-se que os organismos facultativos incorporam

cerca de 10% do carbono do substrato quando metabolizam anaerobiamente, porém 50 - 55% com

metabolismo completamente aeróbio.

5.1.3 Fonte de nitrogênio: O nitrogênio pode ser suprido à maioria dos organismos

industrialmente importantes por meio de amônia ou de seus sais, embora o crescimento seja mais

rápido quando se utiliza nitrogênio orgânico. Os compostos orgânicos nitrogenados mais utilizados

industrialmente são: farelo de soja, farelo de amendoim, farinhas de peixe ou carne, as borras de

cerveja, extrato de levedura, soro de leite.

5.1.4 Fonte de minerais: fósforo e magnésio são constituintes particularmente importantes no

meio de cultura, pois são relacionados com todas as reações de transferência de energia

envolvendo ATP. Também são indispensáveis para o bom desenvolvimento da cultura, o cálcio,

potássio, enxofre e sódio, assim como os micronutrientes: ferro, cobalto, cobre e zinco.

37

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.2 Esterilização de equipamentos e substrato Esterilização é o processo físico ou químic o

5.2 Esterilização de equipamentos e substrato

Esterilização é o processo físico ou químico que destrói ou inativa todas as formas de vida presentes em um determinado material, especialmente microrganismos incluindo bactérias, fungos - tanto em suas formas vegetativas como esporuladas - e viros. O termo esterilização possui um significado absoluto e não relativo, ou seja, uma substância ou material não pode ser parcialmente estéril. Um material estéril é totalmente isento de qualquer organismo ativo.

Em alguns processos biotecnológicos industriais, a eliminação parcial da população microbiana dos equipamentos e meios de crescimento é suficiente para garantir a qualidade que se deseja no produto. Por exemplo, nos processos onde inibidores de crescimento são produzidos (fermentação alcoólica, produção de vinagre, ácido láctico, antibióticos e outro biocidas), o teor de inibidor impede em maior ou menor grau o crescimento de vários microorganismos.

Existem, também, bioprocessos em que se prescinde totalmente de assepsia, como é o caso dos biotratamentos, nos quais a microbiota nativa, atuando de forma consorciada é extremamente desejável, para que haja redução da carga orgânica poluidora. Na prática, considera-se que uma esterilização foi realizada com sucesso quando estiver

garantida a assepsia adequada.

38

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações A esterilização pode ser pela destr uição ou pela retirada dos microrganismos do meio

A esterilização pode ser pela destruição ou pela retirada dos microrganismos do meio A destruição é feita pela aplicação de calor , produtos químicos ou radiação . A retirada é feita por processo de filtração .

5.2.1 Calor: De todos os processos empregados para a destruição de microrganismo, o calor é, sem dúvida, o mais eficiente e econômico. Pode ser empregado de duas maneiras:

seco ou úmido. Calor seco age promovendo uma oxidação violenta de compostos do protoplasma. Sua eficiência é relativamente baixa, pois tem pouca capacidade de penetração. Nem todo tipo de material pode ser submetido às temperaturas necessárias para esterilização pelo calor seco (160 a 180 o C) durante um tempo mínimo de uma ou duas horas. Calor úmido é muito mais eficiente. Age promovendo a destruição de proteínas e dissolução de lipídeos. Tem alta capacidade de penetração e pode ser utilizado para uma grande variedade de materiais . A forma mais comum de emprego do calor úmido consiste na utilização de vapor de água superaquecido sob pressão.

A esterilização com calor pode ser descontínua (batelada) ou contínua.

Nos dois casos, o aquecimento poderá ser pela circulação de meio aquecedor como

vapor ou pela injeção direta de vapor no meio.

39

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações • Na esterilização em batelada, o tempo tota l de esterilização é relativamente grande,

Na esterilização em batelada, o tempo total de esterilização é relativamente grande, podendo dar origem a decomposição de nutrientes termo-sensíveis, como vitaminas, ou provocar reações indesejáveis entre os constituintes do meio, como, por exemplo, reações entre aminoácidos e açúcares redutores (reação de Maillard). Esta modalidade de esterilização vem sendo subs tituída, sempre que possível, pela esterilização contínua, na qual se preserva mais a integridade dos constituintes do meio, já que o aquecimento e o resfriamento são praticamente instantâneos. Obviamente, a esterilização contínua é essencial para sistemas contínuos de fermentação.

Esterilização em batelada , com vapor (descontínua) - Todo conteúdo do biorreator é esterilizado em uma só operação . Pode ser de duas maneiras :

- em uma autoclave . Aquecimento da água contida na autoclave . Injeção de vapor - no próprio biorreator . Circulação de vapor . Injeção direta de vapor

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Esterilização em batelada , com vapor (descontínua) 120 100 50 Tempo T e m

Esterilização em batelada , com vapor (descontínua)

120 100 50 Tempo T e m p e ar ut ar
120
100
50
Tempo
T e m p e ar
ut
ar

aquecimento

esterilização

resfriamento

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações • Esterilização contínua com vapor - As vantagens com relação à esterilização em batelada

Esterilização contínua com vapor - As vantagens com relação à esterilização em batelada são :

  • - Ciclos de esterilização mais curtos;

  • - Melhor utilização de energia;

  • - Redução da perda de nutrientes;

  • - Facilidade de condução do processo;

• Esse tipo de esterilização pode ser aquecimento indireto com vapor.

por

injeção

direta

de

vapor

ou

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.2.2 Esterilização química : é um método menos importa nte que os anteriores. É
  • 5.2.2 Esterilização química: é um método menos importante que os anteriores. É

utilizado para a esterilização de superfícies. Para a esterilização de equipamentos é muito utilizado o óxido de etileno. Ele destroe tanto células vegetativas, como esporos, mas só é efetivo em presença de água. Ë utilizado em mistura com dióxido de carbono ou nitrogênio, na forma gasosa (2-50% de concentração). Dois grupos:

- Desinfetantes: são substâncias que agem diretamente sobre estruturas microbianas, causando a morte do microrganismo. Agem tanto sobre microrganismos como sobre seres superiores. São portanto, tóxicos gerais, sem especificidade;

- Agentes quimioterápicos: São substâncias que interferem em determinadas vias metabólicas. São portanto específicos aos microrganismos que possuem a via metabólica sensível. Podem ser sintéticos como as sulfas e cloranfenicol ou naturais como os antibióticos.

  • 5.2.3 Esterilização por irradiação de luz ultravioleta: A radiação UV é absorvida por

muitas substâncias celulares, mas de modo mais significativo por ácidos nucleicos, onde geralmente ocorrem as lesões. A região do espectro de UV com ação esterilizaste é de 220 a 300 nm, muitas vezes chamada de região “abiótica”.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.3 Esterilização de ar A produção de grande quantidade de ar estéril para bioprocessos

5.3 Esterilização de ar

A produção de grande quantidade de ar estéril para bioprocessos aeróbicos é comum ao processos industriais. Apenas para se ter uma idéia da importância da esterilização do ar, imagine-se a necessidade de fornecer ar esterilizado para um reator de 100 m 3 razão específica de 0,5/min. ou 0,5 v.v.m. (0,5 volume de ar por volume de meio por minuto). Portanto seria necessário esterilizar 0,5 m 3 ar/min. Admitindo-se uma contaminação do ar ambiental da ordem de 10 3 partículas/m3, caso não houvesse a esterilização do ar , introduzir-se-ia no reator 5x10 4 partículas/min. Sabendo-se que um bioprocesso pode freqüentemente ocorrer durante 100 horas, isto significaria introduzir um total de 3x10 8 partículas contendo microrganismos, ao longo de 100 horas de processo.

5.3.1 Esterilização por Calor: deve-se utilizar temperaturas elevadas (218 o C, em 24 segundos), pois as bactérias e esporos são resistentes ao calor seco;

5.3.2 Esterilização por radiações: apenas as radiações ultravioleta encontram aplicação prática. Em virtude de seu baixo poder de penetração, há necessidade de tempos de exposição muito longos, dificultando seu uso em larga escala.A energia sônica, os raios

catódicos de alta energia e os raios gamas podem ser aplicados na esterilização de ar. Na

prática os custos de investimento inviabilizam o uso corrente.

44

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.3.3 Filtração mecânica: é sem dúvida a solução mais adequada para a obtenção de

5.3.3 Filtração mecânica: é sem dúvida a solução mais adequada para a obtenção de elevados

volumes de ar esterilizado, em virtude do baixo custo desse processo, além de se dispor de filtros bastante confiáveis. Inicialmente, utilizava-se fibras de algodão, papel, carvão. substituídas pelas fibras de vidro. As fibras de vidro dão uma queda mais baixa na pressão de ar e são menos sujeitas à humidificação e à combustão. Atualmente, o material filtrante mais utilizado é a membrana polimérica porosa (polietileno e silicone). Para o futuro se prevê o emprego de membranas seletivas que alem de esterilizar o ar, proporciona o enriquecimento deste em oxigênio.

A prática corrente de esterilização de ar é a combinação de calor com a filtragem mecânica.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4 Agentes de fermentação: microrganismos • O meio preparado e esterilizado deve sofrer a

5.4 Agentes de fermentação: microrganismos

• O meio preparado e esterilizado deve sofrer a ação dos biocatalisadores, pela inoculação de uma suspensão suficientemente concentrada de células ativadas ou recicladas ao processo.

- Bactérias: As bactérias são onipresentes na natureza, em ambientes aeróbios e anaeróbios contendo água. Entre os gêneros, as habilidades sintéticas variam desde àquelas das espécies autotróficas, que requerem apenas compostos inorgânicos para o crescimento, àquelas das espécies heterotróficas. Igualmente há uma enorme amplitude de habilidade degradativa. Por causa dessas capacidades diversas, as bactérias tem sido exploradas industrialmente para acumular produtos intermediários e finais do metabolismo. São uma rica fonte de produção de enzimas.

- Vírus: Os vírus são os menores microrganismos. Os vírus parasitos de bactérias são denominados bacteriófagos. A cultura de vírus para testar drogas antivirais e para a produção de vacinas é um importante empreendimento industrial.

46

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações - Fungos : Os fungos são amplamente espalh ados na natureza em ambientes de

- Fungos: Os fungos são amplamente espalhados na natureza em ambientes de umidade mais baixa do que aquela que favorece as bactérias. O metabolismo de fungos é essencialmente aeróbio. Do ponto de vista morfológico os fungos são divididos em dois grandes grupos: os bolores e as leveduras.

Bolores: caracterizam-se por formarem um micélio que é um conjunto de estruturas filamentosas denominadas hifas.

Leveduras: são fungos geralmente unicelulares de forma e tamanho muito variados, indo desde elementos esféricos até células elípticas, quase filamentosas.

Para todos os microrganismos existem três temperaturas cardeais: temperatura mínima abaixo da qual não há crescimento; temperatura máxima acima da qual não há crescimento; temperatura ótima, onde o crescimento é máximo. A temperatura ótima de crescimento microbiano varia com o tipo de microrganismo . A faixa de crescimento mais comum situa-se entre 25 e 45 ºC .

Termófilas: em torno de

60 0 C

Criófilas:

em torno de

10 0 C

Mesófilas:

entre

20 e 40 0 C

47

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações • Fontes de microrganismos de interesse Microrganismos que possam ter interesse industrial, podem ser

Fontes de microrganismos de interesse Microrganismos que possam ter interesse industrial, podem ser obtidos basicamente das seguintes formas:

isolamento a partir de recursos naturais; compra em coleções de cultura; obtenção de mutantes naturais; obtenção de mutantes induzidos por métodos convencionais; obtenção de microrganismos recombinantes por técnicas de engenharia genética. • Características desejáveis de microrganismos Para uma aplicação industrial, espera-se que os microrganismos apresentem as seguintes características gerais:

elevada eficiência na conversão do substrato em produto;

permitir o acúmulo de produto no meio para se ter elevada concentração do

produto

no substrato;

não produzir substâncias incompatíveis com o produto; apresentar constância quanto ao comportamento fisiológico; não ser patogênico; não exigir condições de processo muito complexas; não exigir substratos dispendiosos; permitir a rápida liberação do produto para o meio.

48

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4.2 Desenvolvimento dos agentes de bioprocessos e a exigência de oxigênio Muitas células vivas

5.4.2 Desenvolvimento dos agentes de bioprocessos e a exigência de oxigênio

Muitas células vivas necessitam de oxigênio para manutenção de seu metabolismo. Nos bioprocessos conduzidos com microrganismos aeróbios, (Bioprocessos aeróbicos) o oxigênio é suprido ao biorreator, via de regra, como bolhas de ar, através de um compressor, como será visto mais adiante.

Nos bioprocessos anaeróbicos, os microrganismos obtém o oxigênio metabólico através de substâncias que contém oxigênio ligado molecularmente.

Nos primeiros, o suprimento adequado de oxigênio para atender a demanda da célula é imperativo, assim como a manutenção de condições anaeróbias estritas no segundo caso. Se essas exigências não forem atendidas o processo terá seu potencial limitado, podendo haver desvios no metabolismo celular ou mesmo sua interrupção, com a conseqüente morte da célula.

Fungos algas e algumas bactérias são aeróbicos obrigatórios ; Algumas bactérias são anaeróbicas estritas ; Leveduras e muitas bactérias podem desenvolver-se em ambas as condições, são aeróbicas facultativas.

49

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4.3 Desenvolvimento dos agentes de fermentação e estado físico do substrato - Substrato líquido

5.4.3 Desenvolvimento dos agentes de fermentação e estado físico do substrato

  • - Substrato líquido superfície profundidade (submerso)

  • - Substrato sólido ou semi-sólido.

5.4.3.1 Fermentação em estado líquido: é o processo que se desenvolve na presença de grande quantidade de água. O processo de fermentação é conduzido em tanques de fermentação com grande variação no tamanho, tipo de material de construção, abertos ou

fechados, etc.

• O surgimento desse processo permitiu o aumento de escala para muitos produtos limitados pelo processo de fermentação em meio sólido.

• Vários produtos são obtidos por esse processo: álcool etílico; bebidas alcóolicas; antibióticos vitaminas; vacinas; enzimas; insulina e muitos outros.

• A fermentação líquida apresenta uma série de vantagens operacionais sobre a fermentação em meio sólido tais como:

  • - medição e controle de pH, temperatura, oxigênio, produto substrato;

  • - separação e purificação do produto;

  • - maior facilidade de se ter um processo contínuo e automatizado.

50

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4.3.2 Processos de fermentação em meio líquido e na superfície São aqueles em que

5.4.3.2 Processos de fermentação em meio líquido e na superfície

São aqueles em que a biomassa situa-se na superfície do meio líquido, em contato direto com o ar atmosférico, que fornece o oxigênio necessário à produção microbiana. A diminuição da concentração de nutrientes nas camadas superficiais faz com que cheguem à superfície, por difusão, os nutrientes das camadas mais profundas.Também, por difusão, o(s) produto(s) do metabolismo se dispersa(m) no meio em fermentação.

Portanto, a difusão e a relação entre

a

área oferecida e

o

volume de meio

desempenham papel importante em bioprocessos operados em superfície.

O meio de cultivo é colocado em recipientes rasos, de modo a oferecer grande área ao desenvolvimento do agente. Como as taxas de transferência de massa de nutrientes são lentas, os tempos de fermentação são consideravelmente longos.

Os processos em superfície são de operação difícil e são considerados antieconômicos, devido ao alto custo de produção resultante da manipulação custosa da esterilização (incluindo ambiente), enchimento, esvaziamento e limpeza das várias bandejas necessárias a produção em larga escala. Este tipo de processo limita-se, via de regra, aos fungos filamentosos, que tendem a formar película micelial na superfície do meio.

51

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4.3.3 Processos de fermentação em meio líquido submersos São aqueles em que o microrganismo

5.4.3.3 Processos de fermentação em meio líquido submersos

São aqueles em que o microrganismo produtor se desenvolve no interior do meio de fermentação, geralmente agitado. No caso de fermentações aeróbias, o oxigênio necessário à população em desenvolvimento é suprido, através de um compressor, por borbulhamento de ar.

• A maioria das fermentações industriais importantes é realizada por processo submerso. Pode-se citar que uma determinante redução no preço de muitos produtos, anteriormente obtidos por processos em superfície, foi a possibilidade de adaptá-los aos processos submersos.

• Comparados com os processos em superfície, os processos submersos oferecem uma série de vantagens:

  • - pode-se manipular, com maior facilidade, maiores volumes de meio;

  • - a massa de microrganismos responsáveis pela transformação fica

totalmente submersa no meio nutriente de maneira uniforme, o que pode ser ajustado para fornecer as condições ideais de crescimento e produção;

  • - a absorção de nutrientes e excreção de metabólitos são executadas com maior eficiência, levando a menores tempos de fermentação e,

consequentemente, melhor

produtividade;

52

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.4.3.4 Fermentação em estado sólido Processo que refere-se a cu ltura de microrganismos sobre

5.4.3.4 Fermentação em estado sólido

Processo que refere-se a cultura de microrganismos sobre ou no interior de partículas em matriz sólida, onde o conteúdo de líquido ligado a ela está a um nível de atividade de água que, assegure o crescimento e metabolismo das células e, por outro lado, não exceda a máxima capacidade de ligação da água com a matriz sólida.A fermentação em estado sólido, também denominada de Fermentação em meio semi-sólido, é o mais antigo processo fermentativo.

Evolução da fermentação semi-sólida(estado sólido)

2.600

a.C.

Produção de pão pelos egípcios

2.500

a.C.

Produção de “koji” no Japão

Século XVIII

Produção de vinagre de polpas

1.900

-1920

Produção de enzimas fúngicas

1.920

-1940

Enzimas fúngicas, ác.cítrico

1.940

-1.950

Produção de penicilina

1.950

-1.960

Produção de esteróis

1.960

-1980

Micotoxinas e alimentos enriquecidos

1.990

-

....

Vários outro produtos, enzimas, álcool

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Fermentação em estado sólido remete à i déia de dois tipos de materiais insolúveis

Fermentação em estado sólido remete à idéia de dois tipos de materiais insolúveis em água, sobre os quais os microrganismos irão crescer: quando o suporte sólido atua ele próprio como fonte nutrientes e e no caso em que os nutrientes são solúveis em água e os microrganismos estão aderidos a uma matriz sólida, inerte ou não, que irá absorver o meio de cultura líquido. A maioria dos processos utilizam o princípio em que o suporte sólido atua também como fonte de nutrientes.

Os Substratos tradicionalmente utilizados são produtos agrícolas como o arroz, o trigo, o painço, a cevada, o milho e a soja, além de substratos não convencionais como os resíduos agro-industriais e florestais, destacando-se: o bagaço de cana-de- açúcar, o sabugo de milho, o farelo de trigo e a palha de arroz.

O grande interesse nesses processos decorre do fato dessas matérias-primas não possuírem custos de produção associados diretamente, sendo uma forma de se agregar valor a resíduos que se formam em abundância.

Em linhas gerais, a operação dos bioprocessos em meios

semi-sólidos, pode ser

realizada sem agitação mecânica, com agitação ocasional ou contínua em reatores

dos tipos: bandeja; tambor rotativo; esteira rolante; reator tubular horizontal; tubular

vertical; sacos plásticos.

54

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações A fermentação em meio sólido apr esenta as seguintes vantagens: - Simplicidade dos meios

A fermentação em meio sólido apresenta as seguintes vantagens:

  • - Simplicidade dos meios de fermentação. O substrato sólido pode requerer somente adição de água, embora outros nutrientes possam ser

adicionados;

  • - Ausência de requerimentos de máquinas e equipamentos sofisticados;

  • - Demanda reduzida de energia;

  • - Baixo grau de umidade, reduzindo os problemas de contaminação;

  • - As condições de crescimento do microrganismo agente do bioprocesso são similares às encontradas em seu ambiente natural;

  • - Ausência de formação de espuma;

• Fatores limitantes:

  • - Menor acessibilidade e disponibilidade de substrato;

  • - Problemas de transferência de massa (oxigênio e nutrientes), calor;

  • - Dificuldades no Controle de variáveis físico-químicas: pH, temperatura, oxigênio;

  • - Dificuldades no aumento de escala.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5 .5 Cinética dos bioprocessos A cinética de um bioprocesso consiste na análise da

5.5 Cinética dos bioprocessos

A cinética de um bioprocesso consiste na análise da evolução dos valores de concentração de um ou mais componentes do sistema produt ivo, em função do tempo do bioprocesso. Entende-se como componentes, o microrganismo 9biomassa), os produtos do processo (metabólitos) e os nutrientes ou substratos que compõe o meio de cultura.

X - Biomassa

S - Substrato

P - Produto

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5 .5 Cinética dos bioprocessos A cinética de um bioprocesso consiste na análise da

X

S

P

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Curva de crescimento do microrganismo em cultivo descontínuo representado em ordenadas semilogarítmica Fase de

Curva de crescimento do microrganismo em cultivo descontínuo representado em ordenadas semilogarítmica

Fase de transição Fase estacionária Fase exponencial Fase de morte Fase LAG Tempo [ h ]
Fase de transição
Fase estacionária
Fase exponencial
Fase de morte
Fase LAG
Tempo [ h ]
57
Log,número de células

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações • Fase LAG ( adaptação ) - As células que foram inoculadas se adaptam

Fase LAG ( adaptação ) - As células que foram inoculadas se adaptam ao novo meio. As células sintetizam as enzimas necessárias ao metabolismo dos componentes presentes no meio. Não há reprodução celular. A duração dessa fase varia com a concentração do inoculo, com a idade do microrganismo (tempo de pré cultivo) e com o seu estado fisiológico.

Fase exponencial ou logarítmica - Caracterizada por uma grande velocidade de crescimento. A produção de biomassa atinge velocidade máxima.

Fase de transição - A velocidade de crescimento começa a diminuir por motivos como:

  • a) inibição por produtos da fermentação

  • b) inibição pela alta [ ] de biomassa

  • c) deficiência de oxigênio

  • d) inibição por produtos secundários tóxicos

Fase estacionária - A taxa de crescimento iguala-se à taxa de morte de células.

Fase de morte - Caso o processo seja continuado , observa-se uma fase decrescente na curva de desenvolvimento celular porque a taxa de morte de células passa a ser

maior do que a de crescimento.

58

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

5.6 Biorreatores
5.6 Biorreatores

Denomina-se biorreatores, reatores bioquímicos, reatores biológicos, os reatores químicos nos quais ocorre uma série de reações químicas catalisadas por biocatalisadores que podem ser enzimas, ou células vivas ( microbianas, animais ou

vegetais).

Classificação geral dos biorreatores

I. Reatores em fase aquosa (bioprocesso submerso) I.1 Células/enzimas livres

Reatores agitados mecanicamente Reatores agitados pneumaticamente Coluna de bolhas (“bubble column”) Reatores “air-lift” Reatores de fluxo pistonado (“plug-flow”)

I.2 Células/enzimas imobilizadas em suporte

Reatores com leito fixo Reatores com leito fluidizado Outras concepções

I.3 Células/enzimas confinadas entre membranas

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações II. Reatores em fase não-aquosa (bioprocesso semi-sólido) Reatores estáticos (reatores com bandeja) Reatores com

II. Reatores em fase não-aquosa (bioprocesso semi-sólido)

Reatores estáticos (reatores com bandeja) Reatores com agitação (tambor rotativo) Reatores com leito fixo Reatores com leito fluidizado gás-sólido

Como se pode verificar, há uma grande variedade de configurações possíveis para os biorreatores, no entanto, os mais amplamente empregados são os reatores agitação mecânica (STR), conhecidos também com reatores de mistura, constituindo cerca de 80% do total de reatores utilizados industrialmente.

A capacidade dos biorreatores é bastante variável, conforme o processo, podendo-se distinguir três grandes grupos no que se refere a escala de produção industrial:

Reatores da ordem de algumas centenas de litro até 1 a 2 m 3 de capacidade são empregados no cultivo de microrganismos patogênicos, ou para o crescimento de células animais e vegetais, em geral objetivando a produção de produtos ligados à área da saúde. Isto é particularmente importante para as

companhias farmacêuticas, pois diferentes substâncias podem ser produzidas

60

no mesmo biorreator durante o seu tempo de vida útil.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Uma escala intermediária , na ordem de dezenas de metros cúbicos até 100 a

Uma escala intermediária , na ordem de dezenas de metros cúbicos até 100 a 200 m 3 , especialmente empregados na produção de enzimas, antibióticos e vitaminas;

Para processos que exigem poucos ou até mesmo nenhum cuidado de assepsia, como é o caso da fermentação alcoólica ou do tratamento biológico de resíduos pode-se atingir reatores com alguns milhares de metros cúbicos da capacidade.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5.6.1 – Formas de condução de bioprocessos Existem infinitas formas de se conduz ir

5.6.1 – Formas de condução de bioprocessos

Existem infinitas formas de se conduzir um reator biológico, dependendo das características próprias do microrganismo, meio de cultivo, e dos objetivos específicos do processo que se pretende executar.

Serão abordadas as formas mais gerais , entendendo tal estratégia permitirá as particularizações que se fizerem necessárias:

• Descontínuo • com um inoculo por tanque • com recirculação de células • Semicontínuos • sem recirculação de células • com recirculação de células • Descontínuo alimentado • sem recirculação de células • com recirculação de células • Contínuo • executado em um reator (com ou sem recirculação de células) • executado em vários reatores (com ou sem recirculação de células)

62

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Descontínuo simples O processo descontínuo simples, ou se ja, aquele efetuado com um inoculo

Descontínuo simples

O processo descontínuo simples, ou seja, aquele efetuado com um inoculo por tanque, consiste na preparação do substrato adequado ao desenvolvimento do microrganismo; colocar esse substrato em um biorreator ; adicionar o microrganismo responsável pelo bioprocesso e aguardar que o processo ocorra. Após o tempo necessário de processo, retira-se o caldo do biorreator e executa-se as operações unitárias necessárias para a recuperação e purificação do produto.

No nível de aplicações práticas, para um bioprocesso razoavelmente evoluído, dificilmente será conduzido como um reator descontínuo simples, havendo freqüentemente alguma elaboração adicional. O descontínuo será sempre a base para as comparações de eficiências atingidas nessas elaborações, mas a sua baixa eficiência estimula o surgimento das formas alternativas.

O principal problema desta forma de operar bioprocessos é decorrente de fenômenos de inibição pelo substrato, produto, ou outros metabólitos. Concentrações elevadas de substrato inibem o agente biológico. Este efeito está relacionado, em células vivas, a fenômenos osmóticos que resultam em plasmólise celular. As possíveis razões para o fenômeno são a repressão na síntese de enzimas e a

desidratação dos sistemas enzimáticos, devida à perda de água da célula ou à inibição do

63

transporte de nutrientes para o seu interior.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

É fato bem conhecido que a célula viva polui seu ambiente com produtos do seu
É
fato
bem conhecido
que
a célula
viva
polui
seu ambiente com produtos
do
seu

metabolismo até fazer cessar o crescimento e, eventualmente, perder sua viabilidade,

fenômeno conhecido como inibição pelo produto.

Descontínuo com recirculação de célula

Uma alternativa ao processo batelada simples é a recirculação de células, ou seja, ao se encerrar a batelada efetua-se a separação das células por centrifugação ou mesmo sedimentação no interior do próprio biorreator, enviando apenas o líquido fermentado para a recuperação do produto. Com isso busca evitar o preparo de um novo inoculo para cada batelada, reduzindo custos e redução de tempo para a obtenção de altas concentrações de célula no reator. Esse processo é também conhecido como batelada repetida.

Contínuo

No processo contínuo procura-se estabelecer um fluxo contínuo de líquido através do reator, ou reatores dispostos em série. A operação de um sistema contínuo, constituído por vários reatores em série, no qual

a alimentação de um dado reator da série é o efluente do reator anterior, visa o

estabelecimento de diferentes condições nos vários biorreatores da série.

64

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações O reator contínuo permite o reciclo de célu las. O líquido bioprocessado, efluente de

O reator contínuo permite o reciclo de células. O líquido bioprocessado, efluente de um dado biorreator, pode ser submetido a um sistema de separação dos microrganismos, os quis podem ser retornados ao volume de reação, sendo líquido enviado para recuperação do produto. Em se tratando de reatores em série, essa operação pode ser efetuada em qualquer reator da série, retornando-se o microrganismo para o fermentador mais adequado.

Descontínuo alimentado (“fed batch”)

É aquele no qual inicialmente se introduz o inoculo, ocupando um uma fração do volume útil da ordem de 10 a 20%, iniciando-se então a alimentação com o meio de cultura, a uma vazão adequada, sem ocorrer a retirada de líquido processado. Essa operação prolonga-se até o preenchimento do volume útil do reator, quando então inicia-se a retirada do caldo processado para a recuperação do produto. Pode-se incluir a essas operações o reciclo de células a fim de se iniciar um novo período de alimentação. A alimentação pode ser constante ou intermitente, com vazões constantes ou não. Como também, pode-se variar a composição do meio de alimentação.

O processo descontínuo alimentado pode ser dividido em dois grupos, baseados no fato de a adição de substrato ser ou não controlada por um mecanismo de retroalimentação.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações No modo de operação com controle por retroalimentação, o forn ecimento de substrato pode

No modo de operação com controle por retroalimentação, o fornecimento de substrato pode ser controlado em função da concentração deste no meio (controle direto) ou em função de outros parâmetros (controle indireto)´tais como densidade óptica, pH, quociente respiratório, e outros.

Semicontínuo

O sistema semicontínuo diferencia-se do descontínuo alimentado, pelo fato de se retirar o líquido processado e se proceder o preenchimento do reator a uma vazão muito elevada, de forma a se imaginar que o reator esteja sendo preenchido instantaneamente. Ao final do novo ciclo, procede-se novamente à retirada de uma dada fração do volume, 30 a 60% e se preenche o reator instantaneamente. Na verdade, na prática, para grandes volumes esse preenchimento contínuo não ocorre, recaindo no no reator descontínuo alimentado. De qualquer forma, trata-se de uma técnica distinta, na qual está embutida a idéia a operação por choques de carga de substrato.

Alertamos sobre a possibilidade de uso de misturas de conceito (descontínuo, contínuo, descontínuo alimentado), a fim de se conseguir o máximo de desempenho de um dado sistema biológico, reforçando a idéia sobre a enorme flexibilidade que dispõe para a operação de um biorreator.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Vantagens e desvantagens do processo contínuo em relação ao processo descontínuo As principais vantagens

Vantagens e desvantagens do processo contínuo em relação ao processo descontínuo

As principais vantagens apresentadas pelo processo contínuo , em relação ao descontínuo, tradicional, são decorrentes da operação em estado estacionário, podendo- se destacar:

• aumento da produtividade do processo, em virtude de uma redução dos tempos mortos ou não produtivos;

• obtenção de caldo bioprocessado uniforme, o que facilita o projeto das operações unitárias de recuperação e purificação do produto de interesse (downstream);

• manutenção das células em um mesmo estado fisiológico;

• possibilidade de associação com outras operações contínuas na linha de produção;

• maior facilidade no emprego de controles avançados;

• menor necessidade de mão de obra.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

Entretanto, ao lado das inúmeras vantagens apontadas, o processo contínuo
Entretanto,
ao
lado
das
inúmeras
vantagens
apontadas,
o
processo
contínuo

apresenta também algumas desvantagens ou problemas práticos, os quais destacamos:

• maior investimento fixo na planta;

• possibilidade de ocorrência de mutação genética espontânea, resultando da seleção de mutantes menos produtivos;

• maior possibilidade de ocorrência de contaminação, por se tratar de um sistema essencialmente aberto, necessitando de manutenção de condições de assepsia nos sistemas de alimentação e retirada de meio;

• dificuldade de manutenção de homogeneidade no reator, quando se trabalha com baixas vazões, ou quando o caldo adquire comportamento psedoplástico, como é o caso do cultivo de fungos filamentosos;

• dificuldade de operação em estado estacionário em determinadas situações (formação de espuma, crescimento do microrganismo nas paredes de reator, ou ainda nos sistemas de entra e saída de líquido.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 7. PROCESSO DE OBTENÇÃO DE AGUARDENTE E ÁLCOOL DE CANA DE AÇÚCAR 7.1 Extração
  • 7. PROCESSO DE OBTENÇÃO DE AGUARDENTE E ÁLCOOL DE CANA DE

AÇÚCAR

7.1 Extração do caldo de cana: A extração é feita por moendas de ternos múltiplos com embebição do bagaço para maior extração do açúcar que chega a 96% ou mais. Nas unidades pequenas, onde a extração é feita em apenas um único terno, um bom rendimento está em torno de 75%.

7.2 Preparo do mosto: Mosto é todo líquido açucarado apto a fermentar. No seu preparo, a correção compreende todas as operações tecnológicas que visam transformar e corrigir a matéria-prima em um líquido açucarado de fácil fermentação. Um mosto ideal deve ter as seguintes características:

  • - concentração de açúcares: a quantidade de açúcar no mosto é calculada

para se conseguir vinho com 7 a 8 0 GL o que corresponde a 14 a 16% de de açucares fermentecíveis.Na prática industrial usa-se o grau Brix.

  • - acidez: Os valores de acidez devem estar entre 2,5 a 3,0g/l. Uma outra

medida importante é o pH pois a levedura tem atividade ótima em pH 4,0 a 4,5.

  • - sais minerais: usa-se enriquecer o mosto de fermentação com 0,2g/l de

diamino fosfato (DAP) que fornece o nitrogênio e fosfato, indispensável ao processo

fermentativo.

69

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações - vitaminas: a levedura alcoólica tem a capacidade de sintetizar todas as vitaminas que

- vitaminas: a levedura alcoólica tem a capacidade de sintetizar todas as vitaminas que necessita. Pode-se adicionar vitaminas do complexo B para estimular o processo, através da adição de farelo de arroz na proporção de 1g por litro de mosto.

7.3 Processo fermentativo:

A fermentação alcóolica é um processo que resulta na transformação de açúcares solúveis em etanol e gás carbônico, realizado, principalmente, pelas leveduras e é descrita de modo geral pela equação:

C 6 H 12 O 6 + 2 ADP 2C 2 H 5 OH + 2CO 2 + 2ATP + Energia (54,05 Kcal/Kg Substrato)

BIOTECNOLOGIA Fermentações - vitaminas: a levedura alcoólica tem a capacidade de sintetizar todas as vitaminas que

A equação mostra que 1 mol (180 g) de glicose produz 2 moles (92 g) de etanol, 2 moles de CO 2 (88 g) e 2 moles de ATP que pode ser utilizados para a síntese de componentes celulares, além de energia (57 Kcal/mol de glicose).

Desta forma o rendimento teórico de etanol a partir de glicose é de 0,511 gramas de etanol produzido por grama de glicose consumida.

De forma geral os rendimentos reais observados atingem somente 90-95% do

rendimento teórico uma vez que parte da glicose é utilizada para síntese de material

celular e para reações de manutenção do microrganismo.

70

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

As leveduras mais utilizadas na fermentação alcóolica são Saccharomyces
As
leveduras
mais
utilizadas
na
fermentação
alcóolica
são
Saccharomyces

cerevisae (panificação, cervejaria, usina de álcool), Saccharomyces cerevisae var.

ellipsoides (vinho) e S. carlsbergensis (cervejaria).

A cultura pura de levedura é adquirida de laboratórios especializados na forma liofilizada e no momento do uso deve-se proceder a ativação das células. Após a reativação tem-se a cultura na forma de repique em tubos de cultura. O processo de multiplicação das células de levedura é feito em duas etapas: (1) laboratorial e (2) industrial.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5

Laboratório

BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5
BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5
BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5
BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5
BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5

2,5l mosto 9 B + sais

12,5l mosto 11 B + sais

Tubo de

100ml mosto 5 B

500ml mosto 7 B

cultura

+ sais

+ sais

Planta industrial Vaso A 200 l Vaso B 1.000 l Pré-fermentador
Planta industrial
Vaso A
200 l
Vaso B
1.000 l
Pré-fermentador

Ar

BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5

Vapor

Dornas

50.000 72 l

BIOTECNOLOGIA Fermentações Laboratório 2,5l mosto 9 B + sais + sais Tubo de 100ml mosto 5

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Descrição do processo de multiplicação das células para início da operação de fermentação 1.

Descrição do processo de multiplicação das células para início da operação de fermentação

1. Cultura

em

tubo de cultura,

laboratório especializado;

reativada a partir da cultura liofilizada adquirida de

  • 2. Inocula-se a massa de células de um tubo de cultura em frasco cônico de 500mL,

contendo 100 mL do mosto a 5 0 Brix, enriquecido com minerais e esterilizado em autoclave a 121 0 C durante 20 minutos. Incuba-se o frasco a 28-30 0 C por cerca de 24 horas, sob agitação;

  • 3. Na etapa seguinte, o conteúdo do frasco é transferido para frasco maior de 2L,

contendo 500 mL do mosto a 7 0 Brix, enriquecido e esterilizado. A incubação é por 24 horas a 28-30 0 C;

  • 4. Na nova transferência usa-se um balão de 6l contendo 2,5 L do mosto com 9 0 Brix

enriquecido e esterilizado. Incubação a 28-30 0 C por 24 horas com agitação periódica

para evitar a deposição das células;

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 5. A última transferência de laboratór io é feita para uma bombona de 20
  • 5. A última transferência de laboratório é feita para uma bombona de 20 a 30L

contendo 12,5L de mosto a 11 0 Brix enriquecido. A esterilização é feita em autoclave grande. A incubação é feita a 28-30 0 C por 24 a 48 horas;

  • 6. Admite-se o mosto no vaso A até atingir cerca de metade de seu volume e

adiciona-se os minerais. A esterilização é feita por injeção direta de vapor sob pressão de 1g/cm por 30 minutos. O resfriamento é feito por circulação de água externa até atingir 30 0 C. Inocula-se assepticamente com o fermento proveniente do laboratório. A incubação é feita por 24 horas, arejando-se continuamente com ar esterilizado. A temperatura é mantida a 28-30 0 C através da circulação de água. Quando a concentração dos açúcares se reduzir a metade da inicial, transfere-se todo o conteúdo para o vaso B;

  • 7. O vaso B é prepara da mesma forma que o vaso. A esterilização é feita por

injeção de vapor fluente e não sob pressão por 1 hora. A transferência de fermento do vaso A para o vaso B é feita por meio de pressão de ar exercida naquele vaso. A

fermentação é conduzida sob aeração e resfriamento;Terminada a fermentação o conteúdo pode ser transferido para fermentador industrial ou para um pré- fermentador se necessitar mais uma etapa de multiplicação.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 7.4 Fases da fermentação alcoólica: O processo fermentativo inicia logo que a levedura entra

7.4 Fases da fermentação alcoólica: O processo fermentativo inicia logo que a levedura entra em contato com o mosto, e pode ser dividido em três fases:

Fermentação preliminar

Compreende o período entre a adição do mosto no “pé-de-cuba” e o início do desprendimento de gás carbônico. Há uma intensa atividade das leveduras para formação de novas células. Como conseqüência há um considerável consumo de açúcar, com pouca ou quase nem uma produção de álcool. Cerca de 1,5 a 2,0 g de

sacarose são consumidos para cada grama de massa seca de levedura produzida. O processo é conduzido a temperatura de 30 0 C sob aeração por um período de cerca de 4 a 6 horas. Esse período pode ser abreviado pelo uso de elevada concentração de levedura no “pé-de-cuba” ou pelo uso de processo contínuo com recirculação de células.

Fermentação principal

Inicia-se com o desprendimento intenso de gás carbônico e formação rápida de álcool. Há também grande desprendimento de calor e é responsável pela maior parte do álcool produzido. Com o desprendimento do gás carbônico há formação de espuma necessitando a adição de anti-espumante. Paralelamente ao

desprendimento de gás carbônico há redução da densidade do mosto e elevação de

acidez por causa de alguns sub-produtos formados.

75

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações O desprendimento intenso de gás carbônico, na presença de substâncias gomosas, bagacilhos e outros

O desprendimento intenso de gás carbônico, na presença de substâncias gomosas, bagacilhos e outros componente, aumenta a retenção de gás, fazendo o volume aparente do líquido aumentar de 50 a 60%. Isso provoca o transbordamento das dornas, reduzindo a produtividade e o rendimento do processo. A atividade bioquímica intensa nessa fase causa um desprendimento intenso de calor que deve ser removido. Nas dornas pequenas, até 30.000 L essa remoção é feita pela troca de calor através da parede pelo escoamento externo de água resfriada (dornas de ferro ou aço). Em dornas maiores ou dornas de madeira ou alvenaria há a necessidade do uso de serpentinas internas ou acoplamento de trocador de calor tubular ou placas para resfriamento do mosto. O final da fermentação principal é caracterizado pela redução do desprendimento de gás carbônico, abaixamento da formação de calor, e diminuição na movimentação superficial do mosto. O período dessa fase da fermentação é de 12 a 16 horas.

Fermentação complementar ou pós-fermentação

Essa fase inicia-se com a diminuição rápida da atividade fermentativa observada pela redução do gás carbônico desprendido; diminuição no movimento superficial; desaparecimento da espuma; redução da temperatura; aumento da acidez; formação

de álcoois superiores.

76

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Essa fase termina com a parada completa de desprendimento de gás carbônico, devendo ser

Essa fase termina com a parada completa de desprendimento de gás carbônico, devendo ser a mais curta possível para se evitar contaminação do vinho por bactérias. Toda vez que duas ou três leituras consecutivas de Brix do vinho a cada duas horas apresentarem resultados iguais, o vinho deve ser enviado para destilação.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 7.5 Processos alternativos para produção de etanol via fermentativa A fermentação alcóolica pode ser

7.5 Processos alternativos para produção de etanol via fermentativa

A fermentação alcóolica pode ser conduzida através de três processos distintos: batelada,

batelada alimentada e contínuo. As destilarias mais recentes utilizam o processo contínuo.

Vantagens e inconvenientes dos processos contínuos e descontínuos de fermentação alcóolica;

Processo Descontínuo

(batelada e batelada alimentada)

Processo Contínuo

Vantagens

- maior controle

sobre contaminação

- maior produtividade

- tempos de residência

reduzidos

 

-

maior

adaptabilidade

ao

controle automático

Inconvenientes

- inibição pela concentração

de açúcar e etanol

  • - tempo de residência longo

  • - baixa produtividade

- contaminação e mutação

- menor flexibilidade

78

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 7.6 Destilação do vinho Os componentes líquidos são representados por água e álcool. O

7.6 Destilação do vinho

Os componentes líquidos são representados por água e álcool. O álcool representa de 5 a 10% em volume, dependendo da natureza do mosto. Estão ainda presentes os ácidos acético, succínico e láctico, álcoois superiores como amílico, isoamílico, propílico, isopropílico, butílico, isobutílico e glicerol, furfural, aldeidos e ésteres. Os componentes sólidos podem estar em suspensão ou em solução.

A qualidade da aguardente é determinada principalmente pela qualidade e quantidade das impurezas formadas pelos aldeídos, ácidos, ésteres, álcoois superiores. A qualidade final depende da qualidade do vinho e do equipamento e processo de destilação. Os componentes voláteis possuem diferentes graus de volatilidade, sendo possível a separação por processo de destilação.

Os componentes mais voláteis são recolhidos na primeira fração do condensado denominada de “cabeça” e os menos voláteis nas frações finais ”cauda”. A porção intermediária é denominada “coração”. Essas três porções constituem o flegma. Flegma de baixo teor alcóolico entre 55 e65 GL. Flegma de alto grau entre 90 e 95 GL. A vinhaça ou vinhoto ou restilo, constitui a fração não volátil.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Na prática há dois processo s de destilação: o simples ou intermitente e o

Na prática há dois processos de destilação: o simples ou intermitente e o sistemático ou contínuo.

Destilação simples

Conduzida no equipamento conhecido como “alambique”. É de construção simples e é utilizado normalmente por pequenos produtores. Se o projeto obedece as condições essenciais e a operação executada de forma adequada o produto pode ser de boa qualidade.

Os alambiques podem ser de corpo simples ou de três corpos. O alambique simples não permite um bom esgotamento do vinho e em condições normais de operação pode produzir aguardente rica em compostos secundários.

A qualidade da aguardente pode ser melhorada separando-se as frações de “cabeça e “cauda”, mas pode ser antieconômico. O ciclo desse aparelho é longo havendo maior consumo de combustível e água.

O produto obtido em alambique de três corpos é de qualidade superior. É mais econômico com consumo menor de água de resfriamento e menor consumo de energia.

80

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 81

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA 82

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Destilação contínua É o processo utilizado em destilarias de médio e grande porte. O

Destilação contínua

É o processo utilizado em destilarias de médio e grande porte. O equipamento utilizado é bastante flexível podendo-se obter produtos de variado grau alcóolico. A coluna de destilação é empregada nesse processo.

A coluna de destilação consiste de uma série de caldeiras de destilação superpostas denominadas de “pratos” ou “bandejas”. Os pratos, geralmente circulares, são sobrepostos formando um cilindro vertical denominado tronco de destilação.

A coluna usada na fabricação de aguardente é de “baixo grau”, possui de 15 a pratos e produz flegma de 35 a 65 GL.

20

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA 84

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 8. PROCESSO PARA PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICO POR FERMENTAÇÃO 8.1 Procura e isolamento de microrganismos

8. PROCESSO PARA PRODUÇÃO DE ANTIBIÓTICO POR FERMENTAÇÃO

  • 8.1 Procura e isolamento de microrganismos produtores de antibióticos

Ao se procurar isolar um microrganismo para fins industriais, deve-se ter em mente as

características que deverá apresentar, quais sejam:

  • - crescimento rápido em substrato econômico;

  • - produção das substâncias desejadas em quantidades e condições econômicas;

  • - conservação das características biosintéticas sem grandes riscos de variação;

  • - baixa produção de substânc ias que interfiram com a extração do antibiótico;

  • - ausência de patogenicidade, etc.

É cada vez mais difícil encontrar microrganismos capazes de produzir antibióticos novos. De

10.000 amostras de actinomicetos isolados de amostras de terra diferentes, isolam-se 2.500

tipos capazes de produzir antibiótico. Destes, apenas 10 fornecem novos antibióticos. E, desses,

apenas 1 mostra por suas propriedades, ter utilidade clínica.

  • 8.2 Conservação da cepa produtora

Congelamento e liofilização são as duas técnicas usadas preferencialmente na conservação de

estoques industriais.

85

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3 Processo industrial de produção de penicilina O primeiro antibiótico produzido industrialmente foi a

8.3 Processo industrial de produção de penicilina

O primeiro antibiótico produzido industrialmente foi a penicilina. De início, sua produção era feita

em superfície, sendo o meio de cultura esterilizado em camadas delgadas em frascos, garrafas

ou bandejas. Ao meio esterilizado inoculava-se uma suspensão de esporos de Penicillium. Os

meios inoculados eram incubados a 24 - 28 0 C, sem agitação.

As desvantagens do método eram:

  • - deficiência na penetração de oxigênio no meio;

  • - parte aérea do micélio tinha pouco acesso aos nutrientes;

  • - problemas de contaminação constantes;

  • - dificuldades de extração do antibiótico do meio.

Selecionando-se amostras de Penicillium, reformulando-se o meio de fermentação, e adaptando-

se o microrganismo para o desenvolvimento em profundidade em caldo aerado, é possível

produzir o antibiótico em larga escala economicamente.

8.3.1 controles operacionais:

A produção de espuma reduz a capacidade útil do equipamento, dificulta as trocas gasosas entre

o meio de fermentação e o ar e pode causar, por efeito de flotação, exaustão de alguns dos

componentes do meio de fermentação.

No caso

de antibióticos produzidos por meio de

86

bactérias, poderia ocasionar concentração de células na espuma.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Controle fisiológico No caso de produção de penicilina o pH deve ser mantido em

Controle fisiológico

No caso de produção de penicilina o pH deve ser mantido em limites estreitos. Por isso,o meio de

produção contém Ca, Mg e fosfato como tampão; além disso, ácido sulfurico e hidróxido de sódio

devem ser adicionados durante a fermentação para se manter o pH próximo a neutralidade.

Além do pH, controla-se as quantidades de açúcares e de nitrogênio, afim de se manterem

condições que favoreçam as atividades metabólicas desejáveis do microrganismo.

Caldos fermentados contendo fungos e actomicetos apresentam características não-newtonianas

de fluxo. Comportam-se normalmente como pseudoplásticos. A medida que o caldo apresenta

características não-newtonianas, torna-se difícil dispersar homogeneamente nutrientes no meio e

fornecer oxigênio às células. O aumento da viscosidade do caldo, no decorrer da fermentação,

acarreta diminuição da disponibilidade de oxigênio. Uma diluição apropriada do meio causa

diminuição da viscosidade sem prejudicar a capacidade de produção.

Meios de cultura

Bons rendimentos de antibiótico ocorrem quando quantidades relativamente grandes de C e de N

são fornecidas para as atividades metabólicas do microrganismo.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

O meio de cultura , além de fornecer nutrientes, em condições adequadas para o
O
meio
de
cultura
,
além
de
fornecer
nutrientes,
em
condições
adequadas
para
o

desenvolvimento do microrganismo e formação do antibiótico, deve:

  • - ter capacidade de tamponamento;

  • - permitir o mínimo de formação de espuma;

  • - dificultar o crescimento de contaminantes;

  • - contribuir para a estabilidade gené tica do agente de fermentação;

  • - permitir aeração e agitação vigorosa;

  • - permitir fácil recuperação do produto;

  • - ser passível de esterilização;

  • - conter precursores necessários à formação do antibiótico;

  • - ser economicamente exeqüível.

As fontes de energia e carbono mais utilizadas são o melaço, o açúcar e o amido de milho e

óleos vegetais, particularmente os de milho, girassol e soja.

A água de milho, subproduto da fabricação de amido de milho, é a fonte de nitrogênio muito

utilizada em indústrias de fermentação, por exemplo na produção de penicilina.

Além de nitrogênio, a água de milho fornece ácido láctico, glicose, aminoácidos e vitaminas.

Também se utiliza industrialmente como fonte de N, o levedo de cerveja, que além de fornecer N

orgânico é fonte de vitaminas e fatores de crescimento, a torta de amendoim, a farinha de peixe,

extratos de carne, caseína, etc.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios

8.3.2 Extração de antibióticos após a fermentação

Retirada de sólidos
Retirada de
sólidos

Caldo fermentado

BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios
BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios

Micélios

Células

Resíduos sólidos

Fracionamento

Extração

ou

Concentração

Purificação do

Antibiótico

Recuperação de

solvente

BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios
BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios
BIOTECNOLOGIA Fermentações 8.3.2 Extração de antibi óticos após a fermentação Retirada de sólidos Caldo fermentado Micélios
Antibiótico bruto
Antibiótico
bruto

A extração de antibiótico é dificultada pela baixa concentração de produto (1 a 2%), sensibilidade ao

pH, temperatura, e a presença de diferentes materiais dissolvidos ou em suspensão no caldo

fermentado.

89

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações - Retirada dos sólidos no caldo fermentado A primeira dificuldade na retirada de sólidos
  • - Retirada dos sólidos no caldo fermentado

A primeira dificuldade na retirada de sólidos de um caldo fermentado deve-se à presença de

partículas em suspensão coloidal. Essa dificuldade pode ser superada:

  • a) variando-se o pH.

  • b) adicionando-se agentes floculantes.

  • c) usando-se colóides de carga contrária.

  • d) usando-se enzimas clarificantes.

  • e) controlando-se as condições de fermentação.

    • - Processos de extração

Na extração de antibióticos, os processos mais empregados são: a precipitação, a extração

com solventes e a adsorsão por meio de resinas de troca iônica

A precipitação pode ser usada para recuperação de vários antibióticos ou ainda na

concentração e purificação dos mesmos. No caso de tetraciclinas, pode-se fazer a precipitação

com água de cal e separar o produto por filtração ou centrifugação.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações A extração por solventes é feita, pelo menos, em duas etapas: mistura do solvente

A extração por solventes é feita, pelo menos, em duas etapas: mistura do solvente com o caldo,

e separação das fases aquosa e orgânica. A mistura deve ser feita em alta turbulência, permitindo

o maior contato possível entre o caldo e o solvente. O tempo de contato deve ser suficiente para

permitir o estabelecimento de equilíbrio na partição do antibiótico entre o caldo e o solvente. O pH

e a temperatura devem ser ajustados de modo a favorecerem a transferência do antibiótico da

fase aquosa para o solvente. As duas fases, aquosa e orgânica, são normalmente separadas por

centrifugação.

- Concentração e Purificação de antibióticos

Depois que o antibiótico é extraído do caldo, pode ser ressolubilizado . É submetido então a uma

cristalização (controlando-se pH e temperatura), precipitação ou reextração com um solvente

aquoso, como se faz com a penicilina.

Na purificação da penicilina por exemplo, pode-se depois de filtrado o caldo, resfriá-lo e acertar o

pH a 2,2 +/- 0,2, com ácido sulfúrico ou fosfórico. Faz-se a extração com hidrocarbonetos. Eleva-

se o pH a 6,7 +/- 0,2 e reextrai com tampão aquoso. O processo é repetido, de modo a se obter

uma purificação do antibiótico, que é submetido, finalmente a um processo de cristalização ou

liofilização.

A concentração e purificação de antibióticos pode ser ainda por:

Resinas líquidas;

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 9. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO DE OBTE NÇÃO DE VITAMINAS: ÁCIDO ASCÓRBICO Trata-se da vitamina que

9. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO DE OBTENÇÃO DE VITAMINAS: ÁCIDO ASCÓRBICO

Trata-se da vitamina que se obtém em maior quantidade biotecnologicamente.

O processo completo inclui uma síntese mista química-biotecnológica:

  • 1. D-glicose se transforma por redução catalítica em D-sorbitol;

  • 2. Em processo fermentativo com Acetobacter suboxidan o C 2 do sorbitol é oxidado

originando L-sorbosa com rendimento quase estequiométrico;

  • 3. Por tratamento com hidróxido sódico obtem-se o sal de sódio na forma enólica do

ácido 2-oxo-L-glucônico, que se transforma por acidificação diretamente em ácido L-

ascórbico.

A transformação biotecnológica de D-sorbitol em L-sorbosa ocorre em tanques de fermentação

com cultivo de Acetobacter suboxidans.

Condições do processo fermentativo:

Substrato

Solução de D-sorbitol a 20% e 0,5% de extrato de levedura ou 0,3% de extrato de grãos de

milho.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações Inoculo O inoculo Acetobacter suboxidan representa 3% do substrato. Fermentação A fermentação transcorre a

Inoculo

O inoculo Acetobacter suboxidan representa 3% do substrato.

Fermentação

A fermentação transcorre a 30-35 0 C com aeração e agitação vigorosas e termina após 2 a 3 dias.

O processo é então interrompido elevando-se a temperatura a 50 0 C.

Separação purificação e concentração

A solução contendo L-sorbosa é separada das células mediante sucessivas filtrações. A descoloração do filtrado se processa em filtros de carvão ativo e a concentração é feita lentamente até que ocorra a cristalização.

Assim procedendo se consegue cristais de L-sorbosa muito puros que após transformação química se obtêm o ácido L-ascórbico.

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 9.1. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO PARA OBTENÇÃO DE COBALAMINA (Vit. B ) Em um tanque de

9.1. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO PARA OBTENÇÃO DE COBALAMINA (Vit. B 12 )

Em um tanque de mistura os componentes do substrato são misturados com água, esterilizado e

resfriado.

O substrato esterilizado é adicionado asceticamente ao fermentador que está esterilizado e é

aerado em maior ou menor grau dependendo da espécie de bactéria a ser utilizada.

Se inocula e incuba a temperatura de 18 a 21 0 C. A duração do processo de fermentação

depende do microrganismo.

As bactérias do ácido propiônico fermentam primeiramente 3 dias anaerobicamente, depois 3-4

dias aerobicamente e assim se obtêm rendimento de 19 a 23 mg/L.

As fermentações com Bacillus megaterium, Pseudomonas denitrificans e Streptomices olivaceus

duram 6 horas, 2, 3 e 4 dias respectivamente com uma produção de 15 mg/L

Ao final da fermentação o caldo de cultivo pode ser empregado para a obtenção de concentrado

ou cristais de vitamina B 12 O concentrado é obtido por evaporação.

Para a obtenção de preparados puros se acidifica o caldo de cultivo com H 2 SO 4 e Na 2 SO 3 a um

pH 5,0 para estabilizar a cobalamina e separá-la das células. Depois a solução é filtrada e se

purifica a solução com carvão ativo.

O passo seguinte consiste na concentração por evaporação seguido da adição de solventes

BIOTECNOLOGIA

Fermentações

BIOTECNOLOGIA Fermentações 10. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO PARA OBTENÇÃO DE POLISSACARÍDEOS: DEXTRANA As dextranas que se utiliza como

10. PROCESSO BIOTECNOLÓGICO PARA OBTENÇÃO DE POLISSACARÍDEOS:

DEXTRANA

As dextranas que se utiliza como substitutos do plasma tem que ter um peso molecular médio de

40.000 a 80.000. Uma solução 6% de dextrano com esse peso molecular, tem a viscosidade e

pressão osmótica muito próximas ao plasma sangüíneo. Na maioria das vezes os dextranos se

formam com peso molecular elevado.

Com o cultivo bacteriano ou soluções enzimáticas obtem-se dextranos de elevado peso molecular

e a partir destes por hidrólise o peso molecular desejado. O melhor é estabelecer as condições de

processo de modo a se obter dextranos de peso molecular na faixa desejada.

Os substratos preparados com sais inorgânicos, 2% de extrato de milho, 10% de sacarose e pH

de 6,5 a 7,0 é filtrado, esterilizado, resfriado, adicionado ao fermentador sob agitação e inoculado

com Leuconostoc ou Xanthomonas. Após 2-4 dias a 25 0 C o processo está concluído com a

formação de uma massa gelatinosa com o pH baixando para 4,0 devido à formação de ácido

láctico.

O conteúdo do fermentador é então bombeado à tanques de precipitação e resfriado a 1,0 0 C. Os

dextranos se precipitam pela adição de metanol que se recupera por destilação apartir da solução

resultante.

A fração precipitada de elevado peso molecular é hidrolisada com ácido clorídrico a 100 0 C,

controlando se a viscosidade e se resfria gradativamente até se obter as cadeias de PM

desejada, e se neutraliza com NaOH.

95