Você está na página 1de 7

MAIS UMA ESCOLA APROVA MOÇÃO QUE SUSPENDE AVALIAÇÂO:

ESCOLA SECUNDÁRIA POETA ANTÓNIO ALEIXO, EM PORTIMÃO

A Escola Secundária Poeta António Aleixo, em Portimão, junta-se à

contestação a este modelo de avaliação de professores e a uma tutela que

mais não faz que desrespeitar os Professores deste país.

Em moção assinada por 101 Professores, de 135, a maioria dos docentes

deste estabelecimento declaram não entregar os seus objectivos individuais

nem pactuar com este simplex temporário de um modelo considerado injusto e

incoerente, que contribuirá para a degradação da qualidade do ensino da

Escola Pública.

Aguardam que algum bom senso conduza a um modelo transitório,

verdadeiramente negociado e de compromisso, que possibilite a avaliação

ainda neste ano.


Apresenta-se de seguida a moção aprovada pela grande maioria dos

professores da escola:

ESCOLA SECUNDÁRIA POETA ANTÓNIO ALEIXO

MOÇÃO

SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO MODELO DE


AVALIAÇÃO
EM NOME DE UMA AVALIAÇÃO PROMOTORA DO SUCESSO EDUCATIVO E DA
DIGNIFICAÇÃO DA CARREIRA DOCENTE

EXMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

EXMO SENHOR PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

EXMO SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO

EXMA SENHORA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

EXMO SENHOR DIRECTOR REGIONAL DE EDUCAÇÃO DO ALGARVE

EXMO SENHOR PRESIDENTE DA COMISSÃO ADMINISTRATIVA


PROVISÓRIA

C/ conhecimento ao Conselho Geral Transitório e ao Conselho Pedagógico

Foi enviado no passado dia 14 de Novembro do presente, um pedido de


esclarecimento, subscrito por 113 professores desta escola, dirigido à Sra
Ministra da Educação, onde se solicitava resposta a questões acerca da
implementação deste modelo de avaliação do desempenho dos professores.
O mesmo documento expressava a determinação dos subscritores, caso não
obtivessem resposta, em suspenderem todas as iniciativas e actividades
relacionadas com o processo de avaliação em curso.
Até ao presente momento não foram dadas respostas às questões colocadas,
por parte da tutela.
Os docentes da Escola Secundária Poeta António, abaixo assinados, reunidos
em Reunião Extraordinária no dia 10 de Dezembro de 2008, aprovaram a
seguinte moção de suspensão de aplicação do modelo de avaliação de
desempenho docente, consignado no Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10
de Janeiro com as alterações introduzidas pela informação de 25 de Novembro
de 2008.

Os professores da Escola Secundária Poeta António Aleixo não questionam a


avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização
das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos
alunos e promotor do desenvolvimento profissional.

Consideram ser fundamental uma avaliação de professores que vise,


efectivamente, a melhoria do processo de ensino/aprendizagem, o
consequente sucesso educativo e o aumento da qualidade do ensino público.

Porém, consideram que


1. O actual modelo de Avaliação de Desempenho Docente, simplificado
exclusivamente para este ano lectivo, é complexo, inadequado,
burocrático e inexequível, assentando numa divisão artificial da classe
docente que nada tem a ver com a competência pedagógica, técnica e
científica.

2. A subjectividade dos parâmetros de avaliação definidos nos instrumentos


a
aplicar é inibidora do rigor, ao incluir termos como “disponibilidade”,
“empenhamento”, “criação de climas favoráveis”, tornando muito difícil ou
até impossível a sua aplicação.

3. A sobrecarga de trabalho que, todos sem excepção, reconhecem


decorrente da aplicação do modelo põe em causa o dever de cooperação
preconizado no Artigo 1O do Estatuto da Carreira Docente, menorizando o
papel fundamental do docente na preparação e execução da actividade
lectiva.
4. Os professores avaliadores não possuem, na sua grande maioria,
formação
especializada nem têm experiência em supervisão que garanta uma
avaliação justa, objectiva e rigorosa, facto que se alia ao tempo destinado
na carga horária não lectiva, definitivamente insuficiente, para a consecução
de todos os procedimentos que a avaliação do número de professores por
avaliador pressupõe.

5. A existência de quotas (“percentagens máximas”) de atribuição de


Excelentes e de Muito Bons impõe manipulação dos resultados da
avaliação, gerando nas escolas situações de profunda injustiça e
parcialidade sempre que o número de professores avaliados como
Excelente ou Muito Bom supere as quotas da escola, reflectindo claramente
objectivos meramente economicistas.
6. Este modelo de avaliação desencadeia processos e relações de grande
complexidade, dado que os actuais avaliadores poderão assumir o papel de
avaliados e vice-versa. A formação científico/pedagógica de graus
académicos diferentes entre os docentes, quer avaliados, quer avaliadores,
cria situações constrangedoras, injustas, inadequadas e contraproducentes,
uma vez que qualificações académicas díspares se relacionam
arbitrariamente. De salientar, mais uma vez, que a possibilidade do avaliado
requerer que o avaliador seja detentor da mesma formação científica
vigorará exclusivamente durante este ano lectivo.

7. Este modelo de avaliação de desempenho continua a colidir com


normativos legais, nomeadamente o Artigo 44 da Secção VI (das garantias
de imparcialidade) do Código de Procedimento Administrativo, o qual
estabelece, no ponto 1, alíneas a) e c), a existência de casos de
impedimento sempre que o órgão ou agente da Administração Pública
intervenha em actos ou questões em que tenha interesses semelhantes aos
implicados, na decisão sobre tais actos ou questões. Neste caso, os
professores avaliadores concorrem com os professores por si avaliados, no
mesmo processo de progressão na carreira, disputando lugares nas quotas
a serem definidas.

8. Este modelo de avaliação fomenta o individualismo em detrimento do


trabalho colegial, que sempre foi apanágio da profissão, ao dissolver grupos
naturais de trabalho e cooperação em relações de avaliador/avaliado.

9. A existência de turmas com alunos possuidores de diferentes graus de


proficiência, oriundos de universos socioeconómicos culturais e familiares
diversos, poderá, a priori, redundar em resultados não imputáveis à
actuação do professor. Ao ser avaliado por este modelo, o docente depara-
se ainda com inúmeras variáveis que poderão causar um índice de
abandono escolar ao qual o docente é completamente alheio, sem que
possa ter a oportunidade de o impedir. A tutela, perante esta evidência,
propõe que, exclusivamente para este ano, o avaliado prescinda deste
parâmetro na sua avaliação.

10. A transição entre ciclos de ensino, assentes em graus de exigência


diferentes
e numa disparidade de definição de critérios de avaliação, torna a análise
dos
resultados dos alunos falaciosa.

11. Os docentes que leccionam turmas com situações problemáticas e com


maiores dificuldades de aprendizagem serão discriminados negativamente.
A imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos
seus alunos configura uma violação grosseira do previsto na legislação em
vigor quanto à decisão da avaliação final do aluno, a qual é da competência
do Conselho de Turma.

12. Parte dos docentes são avaliados tomando em consideração os


resultados das provas de avaliação externa e outros não o são, pela
inexistência das mesmas, o que configura uma situação discriminatória.
13. A desmotivação que o processo de avaliação de desempenho docente
está a
provocar nos professores, desde a sua desvalorização profissional, o
aumento
exponencial dos pedidos de reforma antecipada, por parte de docentes
qualificados, muitos deles, alicerce das boas prestações públicas do ensino,
torna
o ambiente de trabalho insustentável e ameaça a qualidade do ensino
público.

14. É fundamental a implementação de um modelo de avaliação de


desempenho docente que possa apreciar, de forma séria, práticas docentes
e promover a melhoria, efectiva, do processo de ensino/aprendizagem
prestado, numa perspectiva de formação e reflexão sobre a tarefa do
professor, contribuindo, assim, para o prestígio da escola pública.

15. A fase experimental de uma avaliação de desempenho, que se entende


séria,
é condição essencial para credibilizar qualquer instrumento de avaliação, a
fim
de ser testado, reformulado, melhorado e aperfeiçoado ou substituído por
outro modelo.

16. As alterações propostas pela tutela em reunião de Conselho de


Ministros de 20 de Novembro vieram criar maiores desigualdades na classe
docente na medida em que possibilitam metodologias diferentes para a
avaliação. Assim, só o docente que pretender ascender à classificação de
Muito Bom ou Excelente terá de solicitar aulas supervisionadas. Parece-
nos que o princípio da transparência e da igualdade de oportunidades assim
como o efectivo reconhecimento do mérito não ficam, de forma alguma,
consignados nestas alterações. É urgente restabelecer um clima de
serenidade de modo a que o trabalho docente se cumpra naquela que é a
sua verdadeira função e essência: ensinar com qualidade e rigor.
Os professores avaliadores signatários deste documento esclarecem que
suspendem a sua avaliação, mas encontram-se disponíveis para cumprir as
suas obrigações legais no que se refere à avaliação de outros professores.

Enquanto este modelo de avaliação não for efectivamente substituído e


eliminadas todas as suas arbitrariedades, incoerências e injustiças a ele
inerentes, os professores signatários desta moção, por não lhe
reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do
seu desempenho profissional, decidem:

1- Exigir a revogação do Decreto Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro


(Avaliação do Desempenho dos Docentes);

2- Suspender a sua avaliação do desempenho, recusando concretizar


qualquer actividade que conduza à implementação ou desenvolvimento
deste modelo, até que seja elaborado um outro modelo de avaliação,
justo e exequível.