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Topologias de Redes de Distribuição Elétrica

Rede de distribuição elétrica: conceitos, padrões e referências técnicas
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Introdução

A configuração básica e o tipo de sistema de uma rede de distribuição são definidos


conforme o grau de importância do serviço, a relevância da carga e a localidade a ser
atendida.​
As fontes apontam que existem três tipos padronizados principais: Rede Radial Simples,
Rede Radial com Recurso e Rede em Anel.​
Essas configurações podem adotar disposição aérea ou subterrânea, sendo aplicadas
tanto em redes primárias (MT) quanto secundárias (BT).

1. Topologias da Rede de Distribuição Primária (MT)


A rede primária, em média tensão (13,8 kV em geral), pode ser construída em configuração
aérea ou subterrânea.

a) Construção Aérea

1. Rede Radial Simples

●​ Topologia: Estrutura em árvore ou espinha de peixe. O tronco corresponde ao


alimentador principal, com ramificações laterais.​

●​ Características: Sistema mais simples, de baixo custo de implantação, mas com


baixa confiabilidade.​

●​ Aplicação (ENEL-CE): Adotado em áreas onde não é viável a criação de pontos de


interligação, geralmente em locais de baixa ou média densidade de carga.​

●​ Melhoria: A confiabilidade pode ser aumentada com uso de religadores,


seccionalizadores e chaves fusíveis.​

2. Rede Radial com Recurso

●​ Estrutura: Semelhante ao radial simples, mas com interligações operacionais entre


alimentadores da mesma subestação ou de subestações próximas.​

●​ Características: Interligação normalmente aberta entre alimentadores.​

●​ Confiabilidade: Cada alimentador mantém reserva de capacidade para assumir


carga em caso de defeito, reduzindo o número de consumidores afetados.​
●​ Aplicação: Usada em áreas críticas como hospitais, centros de processamento e
sistemas de abastecimento de água.​

3. Variantes do Sistema Radial

●​ Alimentador Expresso: Atende cargas essenciais em regiões de média densidade,


garantindo maior continuidade de serviço.​

●​ Dupla Alimentação com Reserva: Unidades consumidoras recebem energia de


dois alimentadores diferentes, com chaveamento manual ou automático por CTA.​

4. Rede em Anel Aberto

●​ Estrutura: Dois alimentadores saem da mesma subestação e podem ser


conectados, mantendo normalmente a interligação aberta.​

●​ Aplicação: Indicada em áreas industriais e urbanas com grandes cargas próximas


da subestação.​

5. Sistema em Malha (Esquema H)

●​ Estrutura: Dois alimentadores interligados por derivações em malha.​

●​ Vantagem: Aumenta significativamente a continuidade de serviço.​

b) Construção Subterrânea (MT)

Indicada em áreas de alta densidade de carga (28–30 MVA/km²) ou em regiões que


exigem preservação estética e ambiental.

●​ Primário Radial: Mais confiável que o aéreo. Pode alimentar secundários radiais ou
reticulados.​

●​ Primário Seletivo: Permite alimentação alternativa, com menor custo inicial que o
radial.​

●​ Primário em Anel Aberto: Cada alimentador deve ter capacidade para assumir a
carga total do anel. Exige sinalização de defeito.​

●​ Primário em Anel Fechado (Loop): As cargas são alimentadas por dois caminhos
independentes. Requer que qualquer alimentador suporte toda a carga do sistema
em caso de falha. A proteção é feita por disjuntores comandados por relés
direcionais.​

2. Topologias da Rede de Distribuição Secundária (BT)


A rede secundária opera em baixa tensão (380/220 V), levando energia do transformador
até os consumidores.

a) Construção Aérea

●​ Radial Simples (padrão ENEL-CE): Principal configuração em redes aéreas de BT.​

●​ Rede em Anel: Em grandes centros urbanos podem existir arranjos semelhantes a


anel aberto, mesmo que o padrão seja radial.​

b) Construção Subterrânea

●​ BT Radial: Rede radial com cabos subterrâneos isolados, o que já aumenta a


confiabilidade.​

●​ BT Reticulado:​

○​ Generalizado: Cabos interligados nos cruzamentos, com altíssima


confiabilidade, aplicado em áreas de elevada densidade de carga.​

○​ Exclusivo (Spot-network): Interligação parcial limitada a 2 ou 3


transformadores. Também garante alta confiabilidade, mas com custo menor
que o reticulado generalizado.​

Conclusão
A escolha da topologia de rede depende do balanço entre custo, confiabilidade e
importância das cargas atendidas. As redes aéreas radiais simples predominam por seu
baixo custo, enquanto arranjos subterrâneos e em malha são preferidos em regiões críticas
ou de alta densidade de consumo, onde a continuidade do serviço é essencial.

Referências (modelo ABNT)


[1] ANEEL. Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional
– PRODIST. Brasília, 2022.​
[2] PINTO, J. A. Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC,
2019.​
[3] NERY, F. L. Redes Elétricas de Distribuição: conceitos e aplicações. São Paulo: Érica,
2018.​
[4] ENEL-CE. Normas Técnicas de Distribuição de Energia Elétrica. Fortaleza, 2021.​
[5] MONTEIRO, R. C. Planejamento de Sistemas de Distribuição. Belo Horizonte: UFMG,
2020.​
[6] SILVA, J. P. Proteção e Automação em Sistemas de Distribuição. Porto Alegre:
Bookman, 2020.

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