Vossa Excelência

Titãs
Estão nas mangas Dos Senhores Ministros Nas capas Dos Senhores Magistrados Nas golas Dos Senhores Deputados Nos fundilhos Dos Senhores Vereadores Nas perucas Dos Senhores Senadores...·. (Refrão) Senhores! Senhores! Senhores! Minha Senhora! Senhores! Senhores! Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão! Senhores! Filha da Puta! Bandido! Senhores! Corrupto! Ladrão!...

Sorrindo para a câmera sem saber que estamos vendo Chorando que dá pena Quando sabem que estão em cena Sorrindo para as câmeras sem saber que são filmados Um dia o sol ainda vai nascer Quadrado!...

Estão nas mangas Dos Senhores Ministros Nas capas Dos Senhores Magistrados Nas golas Dos Senhores Deputados Nos fundilhos Dos Senhores Vereadores Nas perucas Dos Senhores Senadores...·. (Refrão) -"Isso não prova nada Sob pressão da opinião pública É que não haveremos de tomar nenhuma decisão Vamos esperar que tudo caia no esquecimento Aí então! Faça-se a justiça!"

Sorrindo para a câmera sem saber que estamos vendo Chorando que dá pena Quando sabem que estão em cena Sorrindo para as câmeras sem saber que são filmados Um dia o sol ainda vai nascer Quadrado!... -"Estamos preparando Vossas acomodações Excelência!"

Filha da Puta!

Bandido! Senhores! Corrupto! Ladrão! Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão! Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão! Filha da Puta! Bandido! Corrupto! Ladrão!... Fonte: Terra – letras de músicas.

Corrupção amarela
Narhima Abbas

- Chefe, temos alguns estudantes na entrada do prédio. - Chame a policia então. – disse o Deputado enquanto prestava atenção na tela de seu computador. - Isso funcionava no ano 2000, não no ano 2114. Os policiais estão no meio do protesto. – disse por fim o secretário de forma nervosa e ofegante. Nem ele mesmo aguentava mais a ignorância de seus superiores, que dirá estudantes que estavam sofrendo há dias com a falta de luz nas escolas. - Mas por que os policiais estariam revoltados. Não me diga que se esqueceu de entregar a “maleta” para o delegado? – disse o Deputado se levantando da mesa bruscamente. - Senhor Deputado, o senhor sabe que isso não funciona mais. Os policiais não estão mais... digamos...suscetíveis a tais subornos. – disse o secretário tentando ser delicado. - Está de brincadeira? Todos gostam de dinheiro, ainda mais com o salário mínimo baixo desse jeito. Acho que deveríamos abaixar mais, assim os subornos seriam mais valorizados. – disse o deputado dando a volta na mesa e olhando com as mãos no queixo janela afora. - Senhor, devo lembrar que esse protesto é pela falta de luz nas escolas, imagine o que farão se os salários abaixarem. – disse o secretário adentrando a sala de forma cautelosa. - O que está acontecendo com esse lugar? Não se pode aumentar o próprio salário sem que isso repercuta na imprensa mundial.

- O mundo mudou. Somente os políticos não acompanharam essa mudança. – disse o secretário não contendo mais a burrice a qual estava sendo exposto. – O senhor tem um compromisso com um novo projeto de lei. Deve começar daqui a alguns minutos. - Tem razão. Esse projeto de lei é realmente muito importante. – disse o Deputado enquanto colocava alguns papeis em uma maleta bege. - Nossa, que projeto é esse? – disse o jovem com esperança nos olhos. - Pode me acompanhar até a votação para essa nova lei. – disse o Deputado de forma engomada e ignorando o protesto que estava ocorrendo do lado de fora. Seguiram os dois pelo corredor e passaram pelas salas vazias dos outros deputados e senadores. - Por que será que o prédio está tão vazio? – perguntou o secretário perplexo. - Ainda é cedo para trabalhar. – disse o Deputado seguindo imponente pelo corredor. O secretário parou em meio ao corredor e olhou em seu relógio. Eram três horas da tarde de uma terça feira. Não tinham nem a desculpa do horário de almoço. Parece que não é o tempo que cura velhos hábitos. - Senhor! Senhor! Não acha que já é tarde para o prédio estar tão vazio? – disse o secretário correndo para alcançar o Deputado que andava a passos largos e pomposos. - Com esse projeto de lei que estou propondo, garanto que os deputados e senadores terão gosto de trabalhar. Seguiram ambos em silencio pelo resto do caminho. Por fim chegaram ao tribunal onde seria votada a lei. O secretário entrou e se posicionou no canto, como se fosse um mero vigia. O lugar tinha alguns poucos políticos, mas mesmo com esses poucos presentes em corpo. Posso garantir que não estavam presentes em alma. Alguns estavam dormindo sentados em suas confortáveis poltronas luxuosas. Todas pagas com o dinheiro que deveria ter isso para as escolas que estavam sem luz. Devo comentar que tais cadeiras eram vibratórias e com porta copos? Por que é impossível trabalhar sem que suas costas estivessem devidamente massageadas e seus corpos com a maior hidratação possível. É lógico que não preciso mencionar que cada um deles recebia, juntamente com seu humilde salário, um vale para que pudessem

complementar seu humilde vestuário. Sem falar no vale transporte, alimentação, auxilio para que seus gabinetes tenham máxima tecnologia, auxilio para passagens aéreas e fretamento de voos exclusivos, dinheiro para divulgação do que estão fazendo durante seu mandato, serviços de TV, internet, gasolina, entre outros beneficio realmente muito necessários para aqueles que ganham quase 27 mil reais de salário por mês. Juro que não consigo entender como que esses pobres coitados conseguem viver com um orçamento tão limitado quanto esse. Sempre pensamos que o futuro seria repleto de tecnologias e comodidades por todo lugar, mas nos esquecemos de que o futuro é baseado nas ações presentes. Nos anos de 2012 vivemos um momento único na história do país. Um momento em que o numero de adultos era consideravelmente maior do que o de jovens e de idosos. Se esse momento tivesse sido realmente aproveitado o país teria tido um ritmo de desenvolvimento muito maior do que o esperado, e só assim tonaríamos uma potencia mundial. Mas durante esses anos de ouro investimos o dinheiro publico em copas e olimpíadas, a velha política do pão e circo para o povo. Isso garantiu alguns momentos de felicidade para a nação, mas reduziu à zero a chance do país se tornar uma potencia mundial. Estamos agora estagnados, nas mãos de preguiçosos, e só agora percebemos que não podemos deixar na mão do futuro a tecnologia e as mudanças sociais que são necessárias para o presente. O secretário acabou por sair da votação da lei pelo simples fato de não estar havendo uma votação de uma importante lei. Apenas uma breve discussão sobre a falta de incentivo para o trabalho deles próprios. - Como que Vossa excelência espera que tenhamos incentivo para virmos trabalhar se ainda fornecem para nós automóveis comuns para virmos trabalhar? Como esperam que cheguemos aqui incentivados a melhorar o país se nos oferecem bebidas quentes para trabalharmos? Isso sem falar da completa falta de respeito com a climatização do ambiente em que nós estamos. O secretário apenas ouviu essas poucas palavras antes de sair do grande salão. Abriu a porta e tomou um grande susto ao ver uma multidão de estudantes invadindo o salão. - Vocês estão de brincadeira nãoé mesmo? – disse um dos estudantes com a voz extremamente imponente. - Eu exijo que se retirem daqui, ou serão retirados a força pelos nobres policiais. – disse um dos deputados que bebia de forma satisfeita um grande copo de refrigerante.

- Como disse senhor? – disse um homem fardado aparecendo de trás dos estudantes. O deputado voltou a se resignar no refrigerante enquanto os estudantes tomavam as cadeiras e se sentavam. - Esse local é... - Totalmente publico. Podem olhar na constituição que vocês mesmos escreveram. – disse um segundo estudantes enquanto se ajeitava na grande cadeira. Grande demais para um menino tão franzino quanto aquele. - Quem deixou eles lerem essa tal de constituição? – perguntou o presidente da câmara para o companheiro que estava ao seu lado. - Não sei, talvez na internet. - Demita-a imediatamente. – disse o juiz ainda sussurrando. - Não tem como demitir algo eletrônico senhor. – disse o funcionário pessoal desse mesmo juiz. - Então censure, funciona às vezes. - Não acham mais fácil resolver o problema nas escolas. Censurar a internet será um pouco difícil já que todos aqui já estão sabendo disso. – disse uma estudante que olhava sem crer no que havia ouvido. - Como eles ouviram o que estávamos falando? – perguntou o juiz voltando a sussurrar. - Você tem um microfone no paletó. Ele amplifica tudo o que você fala senhor. – disse o empregado indignado com a burrice do próprio superior. - Demita esse tal de... - Não tem como, é um eletrônico. – disse a mesma estudante ainda risonha com a burrice demonstrada em um lugar onde deveriam ter apenas pessoas da mais alta intelectualidade. Aquela era a prova viva que palavras pomposas e frases bem formadas nunca sustentariam falsos argumentos nem as baboseiras que saiam por aquelas bocas. Todos os presentes desataram a rir daquilo o que fez o juiz se resignar e apenas olhar fixamente para o próprio ser.

- Vocês estão votando no que? – perguntou o porta-voz dos estudantes. - Estamos votando qual será o incentivo para que os deputados... - Traduzindo: Aumento de salário. – disse o porta-voz através do microfone. - Corte a verba das escolas e faculdades. – disse um dos deputados para seu acessor/escravo. - Eu vou te mostrar o que você deveria cortar. – disse uma das estudantes avançando para cima do político, mas foi segurada por dois meninos cujos rostos estavam pintados. - Ah meus meninos e meninas, curtam a vida. Esqueçam essas coisas de política. – disse um andarilho que se esparramava em uma das confortáveis cadeiras. - Mano, eles tiraram a água, o esgoto e a luz das escolas. Nem dá pra fazer suco de saquinho, nem macarrão. Você sabe de algum estudante que viva sem macarrão instantâneo? – disse o porta-voz dos estudantes. - A coisa ficou séria agora. – disse o andarilho se endireitando na cadeira. - Então, como vai ser. Pela paz ou pela violência? – disse o porta-voz voltando o rosto com as sobrancelhas arqueadas para os deputados e senadores presentes. Assim que ele disse a palavra “violência” os estudantes sacaram todo tipo de armas que possuíam. Elas iam de estilingues feitos de sutiã até garrafas e tomates podres. - Como que os policiais permitirão tal infração contra nós seres humanos? – disse o juiz levantando o tom de voz. - Oi? Quem disse que estou vendo alguma coisa? – disse o chefe da policia colocando uma venda sobre os olhos. Todos os policiais presentes estavam vendados agora, e como o velho ditado diz: “O que os olhos não veem o coração nem o.”. Nesse instante pode-se ouvir o som da porta principal bater e logo se abrir revelando uma mulher franzina e vestida de terno. - Senhores, temos quatro grupos de protestantes bem na frente do prédio. – disse a mulher de forma ofegante. - O que? – todos disseram de forma surpresa.

- Sim, mas o pior não é isso. Os idosos estão batendo nos viciados com as bengalas, e os andarilhos estão atormentando os comerciantes. E pior, estão querendo todos invadir o prédio por causa do aumento salarial dos políticos. - Opa, minha carona chegou. Tchau gente. – disse o juiz saindo realmente apressado da sala.

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