K.B.

Oliveira

Rock’n Roll Marrom

Bem , quem eu sou ? É um termo complicado para se explicar . Mas vocês entederão , a partir do momento em que começarem a ler minha história . Bem sou Christian , a nasci lá pelos anos 50 , um menino sem muito futuro . Afinal quando se nasce você é um zé ninguém . Todos adoram seu jeito de ser , pode até ser levado , que todos irão levar suas palhaçadas em consideração , se fizer uma cara do tipo “gato de botas” daquele desenho Shrek . Bom , mas vamos começar a falar . Como já havia dito , entrei nesse grande mundo de loucos . Moravamos em uma casa pequena , mas , requintada , em uma rua onde os vizinhos eram adoráveis , tão adoráveis que as vezes davam medo . Eu tinha apenas oito anos quando nós nos conhecemos . Quem ela era , uma menina também adorável . Mas ela tinha uma doença , na época não entendia , porque meus pais queriam que eu ficasse longe dela , afinal , não via muita coisa de diferente nela . Bem , hoje compreendo , afinal AIDs , é uma doença complicada . Porém não me importava , eu continuava a andar com ela , e brincar muito . Brincavamos e aprontavamos , até que eu me matriculei na escola onde ela estudava . Foram ótimos momentos juntos , foram muitos anos felizes de sorrisos e amizades . Ah ! Quase me esqueço , Cristina , era como ela se chamava , a mulher da minha vida . Eu estava tão feliz , uma simples amizade que se desenvolveu em algo maior . Pois é acreditem , quando estavamos terminando a oitava série , eu a pedi em namoro . Lembro como se fosse hoje . Em um belo dia de sol , na hora do intervalo , cheguei perto dela : - Cristina , posso falar com você ? – falei meio tenso - Claro – respondeu ela . Ela saiu de perto de suas amigas e me acompanhou até uma pequena praça . Tinha uma fonte no centro , onde todos se sentavam ,as vezes, para conversar com os amigos . Foi para lá que fomos . Ela se sentou e eu me sentei ao seu lado . Nesse dia ela estava mais bonita que o de costume . Ela era branquinha , com o cabelo ruivo na altura dos ombros , meio ondulado . Ela usava aquelas saias rodadas , que as meninas na época usavam , uma camisa branca de botão , e uma fita no cabelo , sapatinho preto e meia soquete . Como disse , ela estava linda . Eu também estava apresentavel . Uma calça jeans , com sapato preto , uma blusa de manga comprida , branca , e o cabelo arrumado em um topete , naquela época era assim que os meninos se vestiam . - Cristina , você sabe a a quanto tempo nos conhecemos né ?! – falei olhando para ela . - Claro seu bobo – respondeu ela sorrindo – somos amigos desde infância . Aquele sorriso sempre me deixava sem jeito , bobo .

- Então , você está gostando de alguém ? – não custava tentar . - Estou sim . E já tem um tempo que eu estou sentindo isso . Ela começou a olhar para sua saia , mechendo nela como se a estivesse ajeitando . - E você já disse a ele ? – perguntei - Sim – respondeu ela – Acabei de falar ! - E o que ele disse ? - Me perguntou se eu já tinha dito a ele ! E ela voltou a olhar para mim , se aproximando até nossos lábios se tocarem . Olha tudo bem , seria muito bom se as coisas tivessem acontecido dessa maneira . No entanto , não foi tão fácil assim . Quem tomou a iniciativa foi eu . E foi desse jeito aqui : - Cristina ! – eu a gritei , Quando ela olhou para trás eu já estava atrás dela , e a puxei e dei um beijo naquela linda boca , e ela correspondeu . Bom , pelo menos eu achava . Meu mundo girava e eu nem acreditava que aquilo era tão bom . Porém , como havia dito antes , achava mesmo que ela correspondia . Até que a soltei , e ela me deu um tapa , na cara . Nossa doeu , em meu coração , em tudo o que restava de mim . Por um minuto eu quase chorei , cheguei bem perto . Eu ia embora , quando ela se aproximou de mim , me segurou pelo braço e me levou para um lugar bem afastado do centro da escola . - O que você pensa que está fazendo ? – perguntou ela , furiosa , e ao mesmo tempo meio tímida . - O que você acha ? – respondi a está perguntando , com sarcasmo – Eu estava lhe beijando . Mas , pelo que pude perceber , você não está afim , da mesma maneira que eu estou de você . - Não é por isso ! - Ah , não ! Sério ! Porque não foi o que pareceu . - Você sabe da minha doença . E se nossos filhos tiverem o mesmo problema que o meu ?! Você já pensou , ela é contagiosa , principalmente , por meio de ... de .... a você sabe , aquelas coisas que os adultos fazem , para ter filhos . Ela estava brincando só podia . Filhos ? Como assim ? Eu mal tinha pedido- a em namoro . E bem ela já pensava em sexo . Tudo bem , isso era bom , mas , ela estava bem a frente de mim nessa questão . - Você não acha que está exagerando , tipo assim , muito ? - perguntei a ela – Até agora eu só lhe pedi em namoro , quer dizer , nem em namoro eu tive a chance de te pedir . E você já está a uns trinta anos a minha frente . Isso é um pouco de exagero . E não tem nada a ver com sua doença , da maneira como fala, se transforma em uma monstra , a ponto de acabar com a humanidade .

- Mas , você sabe que é verdade ... - Não mesmo , a única que sabe dessa maluquice toda aqui , é você . Eu mesmo , não tinha pensado dessa maneira . Jamais a vi como um alienigêna , eu quero você mais do que qualquer coisa no mundo . Não me importa a sua doença , desde que esteja comigo . Ela estava olhando para mim , mais relaxada , do que antes . Sem falar nada , uma única palavra sequer . Eu mesmo fiquei em silêncio . Mal acreditava no que tinha acabado de falar , ela tinha abaixado a guarda novamente . Nesse momento não resisti e a puxei novamente para um beijo . Olha, passamos o tempo todo lá , namorando . Uma semana depois eu fui falar com seus pais . Até que foi tranquilo , eu já conhecia seus pais , era muito fácil . Sua mãe preparou um almoço , eu fui lá . Como moravamos na mesma rua , ficava fácil , nem precisava me adiantar para chegar. Podia ir bem perto do horário mesmo .Pedi a ela para não contar nada a seus pais ainda , que podia deixar que eu me encarregava disso . Almoçamos , e fomos para a sala conversar , ela , eu , sua mãe e o pai dela . Nossa nesse momento fiquei meio tenso . Mas ela sentou-se ao meu lado , e segurou a minha mãe apertandoa , para deixar o recado do tipo “eu estarei aqui o tempo todo , com você” , quando olhei em seus olhos . Voltei a olhar para seus pais . - Os senhores devem saber , que nos conhecemos tem muito tempo ! – comecei Não houve nenhuma resposta nesse momento , ficou muito , mas muito quieto . Nossa , podia passar um grilo ali , que seria a única coisa que iria se escutar . Já que não houve nenhuma manifestação , eu continuei com meu “discurso” : - Pois então , eu vim pedir a mão de sua filha em namoro . Eu sei que ela é nova demais , mas , eu a amo o bastante , para lidar com ela e todo problema que ela tiver . Sei de sua doença , mas , eu não ligo . Quero ela . Assim sendo quero o permissão dos senhores , para que possamos namorar ! Terminei de falar . Por um momento ninguém falou nada , o pai dela ficou tão silencioso que eu achei que ele podia me matar naquele momento . Sabe como os pais são com as filhas , né ?! Sua expressão era indecifravel . Até ele começar a responder . Ele se levantou , e eu me levantei também . Ele abriu os braços . - Ora, – falou ele me abraçando , com um sorriso estampado no rosto – mas já estava na hora . Sabe , eu sabia que isso algum dia iria acontecer , já esperava . Não tem ideia de como tenho orgulho de ter você como gênro . - Haha (risos), fico feliz que o senhor tenha aceitado o meu pedido , e que tenha ficado feliz. - Mas , você tem que tomar cuidado com minha filha , afinal ela ainda é menor de idade ! Não quero que nada de ruím aconteça com ela . - Pode deixar senhor ! E foi isso , conversamos um pouco , e no fim , tive que ir embora . Cristina me acompanhou até o portão .

- Nossa até que fim , vou poder ficar a sós com você por pelo menos um minuto . – eu disse abraçando-a - É , mas nao abusa ! Sou moça de família . - Cristina , eu também sou moço de família , mas não tem nada de mais em eu querer beijar minha namorada as vezes , não acha ?! - Ah , claro . – disse ela sorrindo . Com um meio sorriso , eu a beijei , era muito bom beija-la . Era um passatempo que eu amava . Bem , e assim começava nossa vida . Ou pelo menos eu achava. Minha juventude brotava e eu me apaixonava pela vida , e claro , por ela .

O tempo passava muito rápido , rápido demais até . Mas , veio o dia à dia e meu sonho crescia de viver com ela para sempre . Eu passava , horas , minutos , segundos , dias , meses , semanas trabalhando e estudando . Eu trabalhava meio período em uma lanchonete , nos dias da semana , e nos finais de semana , na parte da noite , eu tocava com a minha banda em uma boate . Era vocalista e guitarrista da banda , o grande sucesso dessa época era o rock e nesse tempo passava muitas músicas do “Beattles” , até que gostavamos do som . O público do qual tocavamos tinha idade entre 15 e 20 e poucos anos . Um público bem divertido até . Esse tempo todo e já estavamos para nos formar . Pois é , já fazia quatro anos de namoro . Nosso namoro permanecia firme e forte , sempre . Brigavamos um pouco , mas , era normal , afinal qual casal não brigava . Não tinhamos passado pela nossa primeira vez , ainda , é claro . Mas até que estavamos indo bem até ai . Bem , mas uma semana antes da formatura . Umas coisas começaram a acontecer , ela começou a não sentir-se bem . E por fim , ela foi parar no hospital , uma doença a pegou . Tubercuose , para ser mais exato . Fui vê-la no hospital , ela estava em um quarto separado dos outros , e tinha que entrar com uma máscara . Para evitar o contagio da doença . Porém ,eu já sabia que ela não poderia ir na formatura comigo . - Como você está ?- perguntei só por educação , porque a resposta era possível ver em seu rosto . - Como você acha ?! Pareço bem ? – falava ela , sarcastica. - Desculpa a pergunta . – eu respondi – Foi uma pergunta estupida de mais . - Olha , pare de se desculpar . Você não fez nada de mais . Precisamos de conversar . Olha depois disso , eu quase , faltou pouco mesmo , para eu sair correndo .Assim eu não pecisaria passar pelo que estava prestes a acontecer . - Christian , eu não quero mais ficar contigo , amanhã atlvez te ligo . Quero ser independente . Meu mundo explodia , veio um mar de água fria e congelou meu coração . Eu comecei a chorar , berrar para ser mais exato , como ela podia fazer aquilo comigo , eu trabalhei horas e mais

horas , fui visita-la no hospital , e ela me retribui assim , terminando comigo , acabando com meu coração . E tudo por causa de uma doença , que simplesmente a estava matando aos poucos . E se ela queria ser independente poderia muito bem , fazer isso ao meu lado , não ligo . Eu deixo ela trabalhar , não que eu fosse contra , mas , precisava terminar comigo para ser independente . - Não me deixa – falei me ajoelhando ao lado da cama dela – eu te amo , tanto ! Eu implorava , era humilhante fazer o que eu estava fazendo , mas , eu fazia , pois eu realmente gostava dela . - A ta já sei , é uma brincadeira ! – falei tentando fazer eu mesmo acreditar nisso . - Christian , eu estou morrendo e você acha mesmo que eu iria brincar com isso !? - A , mas eu não entendo , porque você quer me deixar . - PORQUE EU ESTOU MORRENDO ! – ela gritou , e começou a tossir Ela se ajeitou na cama , e começou a respirar normalmente , sem tossir . - É isso que você quer ?- era uma pergunta idiota , mas eu tinha esperança de ter outra resposta . - Não tenha duvidas disso . - Então espero que você melhore ! – e eu saí . Cheguei em casa , e fui direto para meu quarto . Joguei minhas coisas no chão e fui para cama . Me deitei em uma posição fetal e agarrei meu travesseiro . Chorei como uma criança , quando perde seu doce , eu tinha acabdo de perder meu “doce” , era única coisa que eu podia fazer , chorar . Berrei , chorei e chorei . Até que adormeci .

No dia seguinte , ao acontecido , minha mãe veio me acordar . Eu ainda não havia lhe contado o ocorrido , contei o que havia sonhado , ela veio do meu lado e me saí com essa : - Toma seu moleque otário , trabalhar ganhar salário para gastar com aquelazinha , agora está ai jogado . Eu já tinha te avisado e você me ignorava !

Depois de um tempo recebo a notícia de que Cristina havia morrido . Bem , por vezes eu havia desejado isso , mas , depois que fiquei sabendo da notícia , chagei a pensar que não ra isso que eu queria . Não mesmo . Agora uns 15 anos depois , estou mesmo sem nada , sem minha mãe , sem namorada , desprezado e carente . Tentei até o seminário , realmente , quis virar padre . Sabe como é ? Depois de uma decepção , o lado negro parece atrativo . Porém , isso só serve para quem jamais passou por um relacionamento qualquer . Depois de alguns meses , quase pirei , sem mulheres

não dava . Depois disso entrei de cabeça na banda até ela acabar . Só falta eu virar presidente , o que por sinal , talvez , não fosse assim tão mal . Bem é isso , espero que tenham rido bastante , porque na época eu não ri nada , mas , chorei rios de lágrimas . Que coisa não !

Fim
Música e compositor :
Cueio Limão – Minha Juventude Eu tinha apenas oito anos Quando nós nos conhecemos lá na rua da minha casa A gente brincava e aprontava e até me matriculei na escola onde ela estudava E foram muitos anos felizes De sorrisos e amizade até que um dia aconteceu Eu olhei pra ela e dei um beijo naquela linda boca e ela correspondeu. E meu mundo girava e eu nem acreditava que aquilo era tão bom Minha juventude brotava E eu me apaixonava pela vida e por meu som E aí veio o dia-a-dia, e meu sonho crescia de viver com ela pra sempre O dia inteiro estudando, trabalhando e cantando pra ter dinheiro pra gente. E quando eu já me formava De repente ela veio e falou na minha frente: eu não quero mais ficar contigo, amanhã talvez te ligo, quero ser independente. E meu mundo explodia, veio um mar de água fria, e congelou meu coração Não sei onde me escondo, eu só sei ficar compondo junto com meu violão. Mas veio minha mãe de manhãzinha, me gritou pra levantar e eu acordei assustado Contei o que havia sonhado ela veio do meu lado e "susurrou" no meu ouvido Toma seu moleque otário, trabalhar ganhar salário pra gastar com aquela vaca, agora tá aí jogado, eu já tinha te avisado e você me ignorava. Agora estou mesmo sem nada sem minha mãe, sem namorada, desprezado e carente. Já tentei até o seminário para completar meu calvário só falta ser presidente.

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