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ISMAIL XAVIER O DISCURSO CINEMATOGRAFICO a opacidade e a transparéncia 32 edigdo Revista e ampliada PAZ E TERRA © Ismail Xavier Fotos: Acervo Cinemateca Brasileira CIP-Brasil. Catalogagao-na-fonte (Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ) Xavier, Ismail, 1947- X19d discurso cinematogréfico: a opacidade e a transparéncia, 3° edicao ~ Sao Paulo, Paz e Terra, 2005 ISBN 85-219-0676-5 Inclui bibliografia 1. Cinema ~ Estética. 2. Cinema - Filosofia I. Ticulo ILS 03-1822 CDD-791.4301 CDU-791.43.01 EDITORA PAZ E TERRA SIA Rua do Triunfo, 177 Santa Efigénia, Si0 Paulo, SP — CEP: 01212-010 Tel: (O11) 3337-8399 Esmail: vendas@pazererra.com.br HomePage: www.pazeterra.com.br 2005 Impresso no Brasil / Pinted in Brazil PREFACIO Ha quase trinta anos, 0 livro O discurso cinematogréfico resiste bravamente como a mais importante obra sobre teoria cinematogrifica produzida no Brasil, mesmo considerando a ex- celéncia de outras contribuigoes que vieram depois, algumas inclusive do mesmo Ismail Xavier. Varias geragoes de profissionais do cinema, audiovisual e comunicacio em geral se formaram nas universidades tendo este livro como a sua principal referéncia bibliogréfica. As razbes si0 simples de elucidar. Em primeiro lugar, Xavier tem uma vasta bagagem de leituras, abrangendo praticamente tudo 0 que de importante foi pensado ¢ escrito no terreno dos estudos de cinema desde as suas origens até as mais recentes discusses sobre o atual reordenamento do audiovisual. ‘Tem também uma invejvel capacidade de condensagio e sintese, sabendo extrair da babel dos debates entre as diferentes tendéncias tedricas o seu fundo conceitual mais importante, para depois destilar isso tudo numa linguagem clara ¢ acessivel, mas sem comprometer a complexi- dade das questdes discutidas, nem sacrificar a necessdria densidade conceitual em nome de qualquer didatismo simplificador. E além de tudo isso, é um autor com opiniao: nao apenas apresenta objetivamente as varias reorias, mas se posiciona com relacio a elas. Eis porque um livto como O discurso cinematogrfico demandava uma edigio nova e atualizada. Evidentemente, um livro publicado originalmente em 1977 reflete as discusses que estavam em proceso naquele momento. Nos anos 1970, 0 processo de recepgio do filme ¢ 0 modo como a posicao, a subjetividade ¢ os afetos do espectador sio trabalhados ou “programa- dos” no cinema mereceram uma atengao concentrada da critica, a ponto desses temas terem se constituido no foco de atengio privilegiado tanto das teorias estruturalistas, psicanaliticas € desconstrucionistas, quanto das andlises mais “engajadas” nas vérias perspectivas marxistas, feministas ¢ multiculturalistas. Nessas abordagens, o aparato tecnoldgico ¢ econémico do cine- ma (na época chamado de “o dispositive”), bem como a modelagao do imagindrio forjada por seus produtos foram submetidos a uma investigacao minuciosa ¢ intensiva, no sentido de veri- ficar como o cinema (um certo tipo de cinema) trabalha para interpelar o seu espectador en-