Curso Básico de Marxismo

Compilação do Comitê Municipal do PCB de Cascavel

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Curso Básico de Marxismo Introdução ao Comunismo 1

“As revoluções se criticam constantemente a si próprias, interrompem continuamente seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçá-lo outra vez” (Karl Marx, em 18 Brumário de Luis Bonaparte)

Operários – pintura de Tarsila do Amaral

A intenção, aqui, é de ser apenas uma introdução ao pensamento marxista, desenvolvendo alguns de seus principais conceitos. *** De onde surgiu a ideia, a filosofia comunista? As massas exploradas sempre sonharam com um futuro feliz, mas seus pensadores não conseguiam “bolar” um sistema capaz de pôr fim à exploração que os trabalhadores sofriam. Karl Marx e Friedrich Engels, fi1ósofos alemães, conseguiram esta façanha, criando a proposta comunista. Com base na filosofia clássica alemã, na economia política inglesa e no socialismo utópico francês, Marx e Engels estudaram o mecanismo de exploração do Capitalismo e apontaram as ações necessárias para derrubá-lo e em seu lugar iniciar o Socialismo, primeira etapa comunista.
“Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela suporta, e jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes que as condições materiais para a sua existência tenham amadurecido no seio da própria sociedade antiga” (Karl Marx)

Marx e Engels

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Quem foi Karl Marx? Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 – Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista. O pensamento de Marx influencia várias áreas, tais como Filosofia, História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Psicologia, Economia, Comunicação, Arquitetura, Geografia e outras. Em uma pesquisa da rádio BBC de Londres, realizada em 2005, Karl Marx foi eleito o maior filósofo de todos os tempos. Quem foi Friedrich Engels? Friedrich Engels (Barmen, 28 de novembro de 1820 – Londres, 5 de agosto de 1895) foi um filósofo alemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi co-autor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador. Engels foi um filósofo como poucos: soube analisar a sociedade de forma muito eficiente, influenciando diversos autores marxistas. Para compreender melhor o pensamento de Marx e Engels é necessário conhecer a concepção científica do mundo, que se divide em três partes: a) Filosofia – A ciência das leis mais gerais do desenvolvimento, da natureza, da sociedade e do conhecimento; b) Economia – Ciência que estuda o desenvolvimento das relações de produção. c) Teoria combinada da Filosofia e Economia – Que revela as leis que regem o aparecimento e o desenvolvimento da sociedade comunista do futuro. A seguir: O Comunismo é uma crença? Teoria e prática se completam

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Curso Básico de Marxismo Uma crença ou um método de análise? 2
“Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas em vossa sociedade a propriedade privada está abolida para nove décimos de seus membros. E é precisamente porque não existe para estes nove décimos que ela existe para vós” – Marx e Engels
Com Karl Marx, o Socialismo adquire uma condição científica

O Comunismo, como proposta, pode ser resumido assim: É um sistema coerente de pontos de vista científicos sobre as leis gerais que regem o desenvolvimento da natureza e da sociedade, sobre o triunfo da transformação socialista e as vias para a edificação do Socialismo e do Comunismo. É preciso prestar atenção para o fato de que a proposta comunista é científica. Não algo fechado, impositivo, dogmático: é um método para avaliação dos fatos da realidade e para tomar as melhores decisões políticas. O Comunismo não é uma crença, mas vida prática, real. Baseia-se na análise da realidade. Aí está a sua força. Mas como nem só de teoria se vive, Vladimir Lênin desenvolveu as ideias de Marx e Engels e liderou a primeira Revolução Socialista da humanidade, na Rússia, em 1917. Lênin: pondo em prática as lições do Marxismo O povo russo, explorado pelo Czar, latifundiários e capitalistas urbanos, libertou-se e saiu da miséria.

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Ainda não conseguiu chegar ao Socialismo, que deverá ser um fenômeno mundial e não vai acontecer em apenas um país isolado. Mas a experiência mostrou pela primeira vez que a classe operária (simbolizada pelo malho do trabalho) e a classe camponesa (simbolizada pela foice da colheita) pode tomar seu destino nas mãos. As classes produtoras, porém, não podem ficar isoladas: elas precisam se aliar aos setores médios da população (militares, profissionais liberais, educadores, jornalistas, escritores, artistas, pequenos e médios empresários progressistas etc).
Os capitalistas chamam 'liberdade' a dos ricos de enriquecer e a dos operários para morrer de fome. Os capitalistas chamam liberdade de imprensa a compra dela pelos ricos, servindo-se da riqueza para fabricar e falsificar a opinião pública” - Lênin

Quem foi Lênin?
Vladimir Ilitch Lênin ou Lênine; nascido Vladimir Ilyitch Ulianov (1870– 1924) foi um revolucionário e chefe de Estado russo, responsável em grande parte pela execução da Revolução Russa de 1917. Líder do Partido Comunista e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética, influenciou teoricamente os partidos comunistas de todo o mundo, e suas contribuições resultaram na criação de uma corrente teórica denominada leninismo. Diversos pensadores e estudiosos escreveram sobre a sua importância para a história recente, entre eles o historiador Eric Hobsbawm, para quem Lênin foi “o personagem mais influente do século XX”. Quem se interessar pelos detalhes da teoria marxista-leninista poderá consultar livros sobre assuntos mais complexos, como Representações Filosóficas do Mundo (encadeamento universal dos fenômenos etc), que constituem a concepção científica do mundo, a base para o compreender o Comunismo e o Marxismo. A seguir: o ser social trabalha para sobreviver

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Curso Básico de Marxismo O ser social trabalha para sobreviver 3
“Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social, que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado compreende-se a classe dos trabalhadores assalariados modernos que, privados de meios de produção próprios, se vêem obrigados a vender sua força de trabalho para poder existir” (Nota de F. Engels à edição inglesa de 1888)
Obtenha seu exemplar na Internet: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000042.pdf

As teses apresentadas por Marx e Engels levaram a uma total modificação do caminho que vinha sendo percorrido pelas idéias socialistas e constituíram a base da proposta socialista moderna. Apesar de obras anteriores, é o Manifesto do Partido Comunista que inova definitivamente o ideário socialista. A partir de sua publicação em 1848, tanto Marx quanto Engels aprofundaram e detalharam, em suas demais obras, suas concepções sobre a nova sociedade e sobre a História da humanidade. Antes de qualquer coisa, devemos fugir à idéia de que antes de Marx existissem apenas trevas. As três partes
“A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais”.

O que há de genial no trabalho de Marx é sua aguçada visão da História e dos movimentos sociais e a utilização de instrumentos de análise que ele próprio criou. Marx se serve de três principais correntes do pensamento que se vinham se desenvolvendo, na Europa, no século XIX, coloca-as em relação umas com as outras e as completa em uma síntese.

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Sem a inspiração nestas três correntes, admite o próprio Marx, a elaboração de suas idéias teria sido impossível. São elas: a dialética, a economia política inglesa e o socialismo. Lênin comenta essas bases do marxismo no livro As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo. Pode-se obter uma cópia pela Internet:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ma000005.pdf

Para Marx o movimento dialético não possui por base algo “espiritual”, imaginário, mas sim um fundamento material, que pode ser percebido. Logo de saída é preciso tirar da cabeça aquela ideia infantil de materialista como sendo alguém quer só pensa em dinheiro ou bens. O materialismo na verdade, é um conceito filosófico e precisa ser estudado como tal. O Materialismo Dialético é o conceito central da filosofia marxista, mas Marx não se contentou em introduzir esta importante modificação apenas no terreno da filosofia. Ele entrou no terreno da História e ali desenvolveu uma teoria científica: o materialismo histórico. O mundo não foi “criado” O Materialismo Histórico é a concepção materialista da História desenvolvida por Marx e Engels. É uma ruptura à História como vinha sendo estudada até então. A História idealista que dominava até aquela época chamava-se História da Humanidade ou História da Civilização. Algo que não passava de mera sequência ordenada de fatos históricos relativos às religiões, impérios, reinados, imperadores, reis etc. Para Marx, as coisas não funcionam desta maneira. Em primeiro lugar, interessava-lhe descobrir a base material daquelas sociedades, religiões, impérios etc, pois não foi “espírito” ou “deus” algum que forjou as sucessivas sociedades exploradoras/escravistas. Por isso se diz materialismo: não é um mundo que foi “criado”, mas um mundo que se desenvolveu, concretamente, de forma perceptível à compreensão e à inteligência. É o trabalho que “cria”, ou seja, estabelece relações e mudanças. É o ser social trabalhando para sobreviver. A seguir: O povo é que faz a história

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Curso Básico de Marxismo O povo é que faz a História 4
“Toda, ou quase toda renda pública, na maioria dos países, é empregada em manter mãos improdutivas. Assim são as pessoas que compõem uma numerosa e esplêndida corte, um grande estabelecimento eclesiástico, grandes esquadras e exércitos, que, em tempo de paz, nada produzem e que, em tempo de guerra, nada adquirem que possa compensar a despesa de sua manutenção, mesmo enquanto dure a guerra” Adam Smith

Karl Marx pretendia investigar qual era a base econômica que sustentava uma sociedade: quem produzia, como produzia, com que produzia, para quem produzia e assim por diante. Foi visando a isto que ele se lançou ao estudo da Economia Política, tomando como ponto de partida a escola inglesa, cujos expoentes máximos eram Adam Smith e David Ricardo. Em segundo lugar, uma vez que a base filosófica de todo o pensamento marxista (e, portanto, também de sua visão de história) era o Materialismo Dialético, Marx queria mostrar o movimento da história das civilizações enquanto movimento dialético. O desenvolvimento desses estudos levou Marx a aprofundar a concepção científica do mundo. Essa concepção é, filosoficamente, materialista.

O homem é um ser social Para subsistir, o homem tem que satisfazer suas necessidades materiais em roupa, calçado, habitação etc. Queira ou não, para isso ele precisa entrar em relação com a natureza e com os outros homens: lavrar os campos, construir a casa, fazer a roupa, fabricar instrumentos de trabalho e trocar os produtos. É assim que ele se torna um ser social.

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O que caracteriza o ser social é o trabalho. Tudo é trabalho. O trabalho é contra a ideia de inércia, a paralisia, o imobilismo. O trabalho leva ao desenvolvimento e à transformação. Assim, o ser social do homem determina também a sua consciência social, ou seja, as ideias, as opiniões, a “espiritualidade”. Tudo isso vem do trabalho. Podemos dizer que a consciência social do capitalismo é explorar e justificar a exploração. A consciência social dos operários e demais trabalhadores é lutar para acabar com a exploração.
“O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, político e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que lhes determina o ser; é, inversamente, o ser social que lhes determina a consciência” – Marx e Engels

A cadeira, bem produzido pelo trabalho Vemos, assim, que cada classe tem a sua própria consciência. E essa consciência é determinada pelas formas de produção (resultado do trabalho). Para compreender as forças produtivas e as relações de produção é preciso ver quais são os seus componentes básicos. Começa pelo objeto inicial para a fabricação das coisas que os homens necessitam: madeira, metal etc. É o objeto do trabalho que criará forma, nas mãos do homem. Ou seja, o material. As máquinas, martelos, tornos etc são os instrumentos de trabalho. Meios de trabalho são as instalações e locais para trabalhar: edifícios fabris, armazéns, depósitos, fontes de energia. Estradas, linhas de transmissão de energia, lavouras etc. A soma dos objetos de produção (material e instrumentos) com os meios de trabalho integram os meios de produção. Isto significa o conjunto das condições materiais, sem as quais não há produção. Mas sem o homem, as máquinas não produzem nada. Assim, os trabalhadores são os produtores de bens. São o mais importante de todos os fatores de produção. A seguir: O trabalho no comunismo primitivo

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Curso Básico de Marxismo O trabalho no comunismo primitivo 5
O marxismo é o sucessor legítimo do que de melhor criou a humanidade no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês – Lênin

Trabalho rural

A soma dos meios de produção com os produtores de bens compõe as forças produtivas da sociedade. O grau de desenvolvimento delas indica o grau em que o homem conseguiu dominar a natureza. Os meios de trabalho, a experiência de produção e o produto do trabalho são o resultado da atividade conjunta dos homens, no decurso do qual eles contraem relações de produção. Na Antiguidade, a relação de produção era a obtenção dos meios imprescindíveis para a subsistência da comunidade: todos se ajudavam mutuamente, produziam e consumiam em conjunto. Era o comunismo primitivo. Nas sociedades que vieram depois, a escravagista, a feudal e a capitalista, as relações de produção são bens diferentes: muitos trabalham e alguns poucos exploram. É o que ainda hoje ocorre no mundo, submetido ao capitalismo. Mas ao passar para o Socialismo, o quadro das relações entre os homens voltará a se modificar: vão se estabelecer entre eles relações de colaboração e os bens materiais são distribuídos de acordo com o trabalho realizado. Isto será assim porque, no Socialismo, os meios de produção pertencem à sociedade.

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Nota-se que as relações de produção dependem de em que mãos estão as propriedades. Por isso, as relações de produção também são relações de propriedade. Os homens não podem viver sem se apropriarem de bens materiais por eles criados. Ao fazê-lo, estabelecem entre si relações de propriedade. A produção é impossível sem uma ou outra forma de propriedade como forma historicamente determinada de apropriação dos bens. A propriedade privada sobre os meios de produção gera relações de exploração. A propriedade social determina relações de colaboração no trabalho. Do sistema primitivo à exploração No princípio, a produção era muito baixa. Os instrumentos de trabalho principais eram o machado de pedra, a lança e mais tarde o arco-e-flecha. Agindo associadamente, conseguia-se satisfazer um mínimo de necessidades. O produto do trabalho pertencia a todos. Era o Comunismo Primitivo, que, ao contrário do novo Comunismo proposto por Marx, baseava-se na escassez: no futuro, o Comunismo se implantará pela abundância da produção altamente desenvolvida. O Comunismo Primitivo (antiguidade) desapareceu justamente devido à sua base nas privações. Logo os instrumentos de produção se aperfeiçoariam, surgindo as ferramentas metálicas. Dá-se, então, a divisão social do trabalho: uns cultivam a terra, outros cuidam de animais ou se dedicam ao artesanato. Com a divisão do trabalho, dá-se a necessidade da troca de produtos. O lavrador precisa de carne, o pecuarista precisa de artigos manufaturados, o artesão precisa de produtos agrícolas e assim por diante. Só a troca é capaz de satisfazer essas necessidades. Com o desenvolvimento dessas relações de produção e as trocas, surge a propriedade privada, que vai gerar a desigualdade econômica. Essa desigualdade permite que os anciãos e chefes das tribos enriqueçam. Com a evolução dos instrumentos de trabalho, portanto, o homem começa a produzir mais do que precisa para sobreviver. Com o aparecimento de produção excedente – sobra – aparece pela primeira a exploração do homem: os ricos subjugam os pobres e fazem escravos os prisioneiros de guerra (a guerra é uma forma de obter propriedade privada). A seguir: Surge o Escravismo

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Curso Básico de Marxismo Escravismo abre caminho ao Feudalismo 6
O refinamento da dominação do homem sobre o próprio homem atingiu tal grau de irracionalidade no mundo moderno que “Dante sentiria suas fantasias mais cruéis sobre o inferno ultrapassadas”, diz Marx em O Capital ao descrever o processo de exploração nas manufaturas inglessas do século XIX.
Escravidão

O regime comunal primitivo é substituído pelo regime escravagista. Os homens se tornam propriedade privada! No Escravismo, os meios de produção são propriedades dos escravagistas, também proprietários dos trabalhadores (escravos). O progresso ou desenvolvimento econômico é resultado da exploração impiedosa da mão-deobra dos escravos. Das mãos dos escravos surgem as maravilhas do mundo civilizado: canais de irrigação, aquedutos, pirâmides, teatros, estádios, templos, palácios. Ocorre uma nova etapa na divisão do trabalho: a separação do trabalho intelectual do trabalho manual. Livres do trabalho manual, sábios, poetas e filósofos tinham a possibilidade de se dedicar às atividades do espírito. É assim que nascem a ciência e a arte. Eleva-se o nível da agricultura. Conseguem-se êxitos na produção de metais e ferramentas metálicas. Aumentam a experiência e a destreza dos artesãos. O desenvolvimento dos meios físicos e das habilidades humanas prepara uma nova revolução. Toda mudança de um sistema de produção e formação social para outro é uma revolução. No Escravismo, o escravo não sente interesse por um trabalho que realiza sob o chicote do capataz, tornando-se pouco produtivo. Com isso, aos poucos o Escravismo vai decaindo, cedendo lugar às relações feudais. No Feudalismo, os meios de produção pertencem aos latifundiários feudais. Os trabalhadores não são mais escravos, mas camponeses que possuem instrumentos para cultivar a terra (que não é sua) e cuidar do gado.

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Aproveitando-se de que esses trabalhadores não têm terras, o latifundiário os transforma em servos, emprestando-lhes um pouco de terra e obrigando-os em troca a lhe dar uma parte da colheita (renda em espécie) e trabalhar as terras (prestação pessoal).
Para que o capitalista possa converter dinheiro em capital e daí extrair mais dinheiro é fundamental que o trabalhador exista como “trabalhador livre”. Mas para Marx esse “trabalhador livre” é destituído de todos os meios objetivos de realização de sua humanidade como trabalhador

Pirâmide da dominação feudal

Isso leva a novos progressos: não mais escravo, mas servo, materialmente interessado no resultado de seu trabalho – pois uma parte da colheita é sua –, o camponês se aplica no trabalho e alcança maior produção. Os senhores dos servos vivem em castelos e os artesãos reúnem-se em vilarejos ao redor (as futuras cidades, os burgos). Amplia-se a divisão do trabalho e assim aumenta o volume de trocas. A formação desse mercado de trocas abala o sistema feudal. Aparece a manufatura como desenvolvimento do artesanato. Surgem as primeiras máquinas. Cresce o número de fábricas. A nova técnica – indústria – exige mão-de-obra livre da servidão e trabalhadores com certos conhecimentos. A existência dos servos, assim, torna-se um entrave ao progresso. Desse modo, o Feudalismo é liquidado, vindo em seu lugar o Capitalismo. No Capitalismo, os meios de produção concentram-se nas mãos dos burgueses (donos das cidades). Livres, mas sem terras nem fábricas, os trabalhadores são obrigados a vender ou alugar aos capitalistas a sua força de trabalho. A seguir: A formação do Capitalismo

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Curso Básico de Marxismo A formação do Capitalismo 7 O Capitalismo resulta de um enorme avanço
técnico e, por evolução, também vai determinar novos e mais rápidos avanços em seu futuro. Mas esse processo não ocorre sem defeitos, como já se viu nas formações anteriores: todas elas tinham, dentro de si, os elementos que a destruíram. O maior defeito do Capitalismo é similar às antigas formações: explorar o trabalho humano. Se, do ponto de vista positivo, o Capitalismo traz avanços, até porque avançar é da condição humana e da natureza, ele ao mesmo tempo causa uma infinidade de crises.
A guerra, grande símbolo do capitalismo

As crises resultam de suas contradições e, especialmente, de ser um sistema injusto, em que alguns poucos lucram com o trabalho de muitos. O Capitalismo não consegue ser capaz, por seus defeitos e contradições mais notáveis, de utilizar em proveito de toda a humanidade as imensas possibilidades que a evolução da técnica oferece. O Capitalismo expõe a cada instante as consequências de suas agudas contradições, que se manifestam no desemprego, nas guerras e na destruição das forças produtivas. Explorados, os trabalhadores evoluem em sua consciência e criam seus instrumentos de defesa. Alguns são orgânicos, ou seja, realmente defendem a classe. Outros são oportunistas: simulam defender a classe, mas a dividem e atrapalham. O instrumento de verdadeira unidade da classe trabalhadora é o Partido Comunista, mas é a sua prática – e não seu nome – que vai determinar seu caráter. Um partido que se declara “comunista” terá que educar os trabalhadores para a Revolução, ou estará traindo sua classe. É a Revolução que vai preparar a transição do Capitalismo para o Socialismo, com vistas a uma futura Sociedade Comunista.

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Essa Revolução, portanto, será socialista. A transição entre as grosseiras injustiças do Capitalismo, do reinado do dinheiro sobre as necessidades e aspirações humanas, para uma sociedade evoluída, em que o homem seja irmão do homem e não o lobo do homem.
No campo e na cidade, trabalhar pelo pão

Vimos nos capítulos anteriores que os sistemas de exploração têm cada vez duração mais curta, mesmo a nova formação sendo sempre melhor e mais evoluída que a anterior. O Comunitarismo Primitivo durou centenas de milhares de anos. O Escravismo, vários milênios. O Feudalismo, mais de um milênio. O capitalismo já dura alguns séculos, mas já viu crescer na sociedade do trabalho os elementos de uma nova Revolução, com o aparecimento do Socialismo Científico. Marx, estudando todo o processo histórico, observando a economia e a sociedade, a cultura e a ciência, descobriu a lei da correspondência entre as relações de produção e o nível de desenvolvimento e o caráter das forças produtivas. Esta lei resume a principal mola do progresso histórico: o velho modo de produção é sempre substituído pelo novo, mais progressista, mais evoluído. Esta lei, que é também chamada de Lei do Desenvolvimento Social, determina o curso da história, cujo conhecimento é indispensável para a compreensão dos acontecimentos da vida e para a luta pelo progresso real, que é o desenvolvimento social. Não basta um PIB (a soma das riquezas de um país) ser muito alto: é preciso que ele seja bem distribuído entre a população, especialmente para os setores com maiores necessidades.
A pirâmide do capitalismo

A seguir: A Lei do Desenvolvimento Social

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Curso Básico de Marxismo A Lei do Desenvolvimento Social 8
O sistema de produção vincula-se diretamente com a consciência. A moral burguesa (capitalista), por exemplo, está impregnada do espírito mercantilista, fazendo com que o lucro seja o principal objetivo da produção. Ora, o principal objetivo da produção deve ser a satisfação das necessidades humanas!
Lucro, base da moral capitalista

As teorias e conceitos econômicos e políticos burgueses defendem somente os interesses do Capital. Já o Socialismo estabelecerá entre os homens um novo tipo de relações de produção, baseadas na propriedade comum (de todos) dos meios de produção. Ou seja: a moral capitalista se baseia na ganância e a moral socialista (comunista) se baseia na satisfação das necessidades do homem. Toda a vida social, a espiritualidade e a cultura se baseiam na moral. É fácil compreender que a moral baseada na ganância só vai produzir miséria e delinquência, fatos visíveis no capitalismo. Já a moral baseada na justiça e na igualdade inspira a paz mundial, o desenvolvimento da cultura e uma vida digna e feliz para todos os que a cultivarem. As formações econômicas e as classes sociais A história da sociedade é a história do desenvolvimento e da sucessão das formações econômico-sociais. Cada formação sempre surge de uma Revolução que supera amplamente a anterior Até agora, são conhecidas quatro formações: Comunista primitiva (Comunitarismo) Escravismo Feudalismo Capitalismo
No Comunitarismo primitivo, tudo era de todos

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Cada vez que muda o modo de produção também se modifica a estrutura econômica da sociedade, instalando uma nova Formação EconômicoSocial. Se compararmos o nível de desenvolvimento das forças produtivas nas diferentes formações, é fácil verificar que este se eleva continuamente ao passar de uma formação a outra. O movimento para frente se observa, sem dúvida, também no desenvolvimento espiritual (ntelectual). Como ocorre a exploração do trabalho Por que razão o capitalista recebe mais riquezas sociais que o operário? Simplesmente porque o primeiro tem nas mãos os Meios de Produção, com o que tem a possibilidade de controlar a economia e explorar os operários, apropriando-se do seu trabalho. Senhoras dos meios de produção, as classes exploradoras dispõem de uma força econômica enorme. A vontade da classe dominante é aplicada à força, através do Direito, que é um conjunto de leis e outras normas jurídicas. Mas o Direito, por si só, nada significa sem um aparelho capaz de garantir a observância de suas ordens, e aí entra a força. Esse papel é desempenhado pelo Estado, uma organização do poder político que dispõe de órgãos como a Polícia, o Exército, os tribunais, as prisões. Em todas O capitalismo usa polícia, eleições, as formações econômico-sociais, o Estado é o instrumento de dominação da classe mídia (imprensa, rádio, TV), exploradora sobre quem trabalha. divertimentos e forças armadas para promover guerras e impor sua Qual é, afinal, a origem do Estado? Por que ele surgiu? Surgiu com a formação da exploração sobre o trabalho propriedade privada. E, com ela, surgiram humano as classes sociais. A seguir: O Estado é o poder exercido pela classe dominante

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Curso Básico de Marxismo O Estado é o poder exercido pela classe dominante 9
No Comunitarismo Primitivo, a função de dirigir os assuntos públicos era exercida por todos, em comum. A autoridade dos velhos (anciãos) e chefes das tribos baseava-se ns suas qualidades pessoais: experiência, sabedoria etc. Nessa etapa, ainda não havia o Estado. O Estado surgiu com o aparecimento da propriedade privada e com a divisão da sociedade em classes. Desde então o poder se separou do povo, transformando-se em instrumento da classe exploradora.
A autoridade era do ancião ou chefe da tribo

O exercício do poder se tornou função de um grupo especial de pessoas, ou seja, o aparelho do Estado, dividido em vários departamentos: finanças, forças armadas, ordem pública etc. A preocupação principal desse Estado sempre foi oprimir, na defesa da ordem estabelecida pelas classes dirigentes. Numa sociedade exploradora, a democracia não pode ser ampla. Nas repúblicas “democráticas” escravistas, como as de Atenas ou Roma, a maioria da população (escravos) não tinha direitos. Nas repúblicas urbanas feudais (Veneza, Florença) o poder pertencia aos ricos negociantes, os mestres das corporações... Nas democracias burguesas de hoje, mesmo com o “voto direto”, está no poder a grande burguesia, que utiliza seu domínio através do controle dos meios de produção.
Escravos sem direitos nas “democracias” clássicas

O controle pela grande burguesia é exercido pelo poder econômico, que lhe permite a utilização de todos os elos do aparelho de Estado e os meios de propaganda (imprensa, rádio, TV), o suborno, a fraude e a corrupção para continuar com as rédeas do governo (Estado).

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Apesar de suas limitações de classe, contudo, a “democracia” burguesa permite condições mais propícias para a luta pela melhoria da situação da classe operária e dos camponeses, que é o objetivo do Partido Comunista. Aproveitando as liberdades políticas, podemos nos organizar melhor para a tarefa principal, que é substituir o Capitalismo. Não é por acaso que a burguesia monopolista, temerosa do avanço da organização popular, procura acabar com a democracia e implantar a sua ditadura descarada.
Na ditadura, as armas garantem a exploração

Por isso, uma das tarefas mais importantes da classe operária é lutar para manter e radicalizar a democracia, mesmo burguesa. Para conseguir cumprir essa tarefa, devemos ampliar a consciência de classe entre os trabalhadores, educar os melhores trabalhadores na teoria e na luta, tendo como horizonte imediato a conquista do Socialismo. O aperfeiçoamento da democracia é a linha principal do desenvolvimento da estrutura do Estado socialista (que virá desmontar o Estado burguês). É sabido que a luta de classes preenche toda a história humana. Os Estados escravistas da Grécia e de Roma tremeram mais de uma vez, sacudidos pelas insurreições dos escravos. Na época feudal se produziram levantes em massa de camponeses. Desde o século XIX desencadeiam-se em todo o mundo lutas desenvolvidas pelo operariado contra a exploração urbana e dos camponeses pelo acesso à terra para produzir, pois no campo e na cidade, a classe exploradora tomou para si os meios de produção e os emprega para produzir a “sua” riqueza, mediante a exploração do trabalho das classes oprimidas.
Spartacus, líder de grandes rebeliões de escravos

A seguir: A luta de classes

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Curso Básico de Marxismo A luta de classes 10 Qual é a razão da luta de classes e que papel
desempenha na sociedade? A luta de classes é consequência lógica dos antagonismos sociais entre explorados e exploradores. A própria situação das classes exploradas na sociedade, os vexames de que são objeto por parte dos opressores, empurra-os para a ação transformadora. Os capitalistas afirmam que os interesses das classes opostas podem conciliar-se. Mas como podem se conciliar opressor e oprimido, enquanto houver opressão? Para isso, seria preciso que os exploradores renunciassem voluntariamente à propriedade privada dos meios de produção. Mas a experiência demonstra que nunca fizeram nem pretendem fazer semelhante coisa. Ou então a classe oprimida teria que se resignar a ser subjugada. Ora, isso não é possível! Assim, a única forma de libertação das classes oprimidas é acabar com as classes, objetivo maior do Comunismo. Para liquidar a exploração será preciso privar os exploradores da propriedade dos meios de produção. Ou seja: a substituição de um regime social mais atrasado por outro, mais progressista, não pode vir por si só, automaticamente, embora as relações de produção atrasadas já sejam um obstáculo ao progresso. Para que isso aconteça, é necessário derrotar a resistência das classes reacionárias que se erguem em defesa das velhas relações de produção. É assim que as classes oprimidas limpam o caminho do desenvolvimento social das armadilhas criadas pelos exploradores. A luta de classes é a força motora da história em todas as formações baseadas na exploração. Sem essa luta, seria impossível o progresso social nas sociedades divididas em classes antagônicas, contrárias uma à outra.

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Vejamos como acontece a luta de classes desde o início da humanidade. As primeiras comunas foram as famílias e a tribo, constituída por laços de parentesco direto. Esses grupos viviam em comunas porque isso lhes era imposto pela necessidade de conduzir sua economia, de acumular hábitos de trabalho e assegurar a descendência (filhos).
A família se desdobra em tribos

Com o tempo, essas comunas cresceram, desmembrando-se em outras comunas. Os laços de parentesco ainda eram evidentes, mas já eram milhares de pessoas. Ocupavam determinado território, onde viviam e caçavam. Os membros da tribo falavam a mesma língua e tinham as mesmas “ideias” religiosas, ritos e costumes próprios. A vida da tribo se baseava em princípios democráticos espontâneos As comunas eram dirigidas pelos anciãos eleitos por todos os membros adultos. À frente da tribo havia um conselho eleito em assembleia geral. Depois, começaram a se constituir tribos com parentesco diferente. A formação desses grupos se dava em torno de necessidades econômicas ou militares. A substituição dos laços de parentesco pelos laços de territorialidade, provocados pelo desenvolvimento da economia, conduziu à formação da nacionalidade, surgindo assim a nação. Em seguida, a nação atravessou os períodos escravista, feudal e capitalista, o período que estamos atravessando agora. Em todas, a classe dominante sempre quer fazer acreditar que a nação é de “todos” e que todos precisam se unir pelo “bem da nação”...
A nação: um território com um povo

A seguir: A nação e o “nacionalismo”

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Curso Básico de Marxismo A nação e o “nacionalismo” 11 Especialmente

na formação capitalista, a burguesia procura utilizar para seu interesse de classe a propaganda do nacionalismo (que nada tem a ver com patriotismo). Lança a ideia da superioridade de uma nação sobre outra (como fizeram a Inglaterra na Índia e China e os EUA, atualmente, no Afeganistão e Iraque). Esforça-se para ofuscar as massas com o nacionalismo para impedir a elevação da consciência de classe dos trabalhadores, semeando entre eles as discórdias e as guerras.

Hitler e o nazismo, frutos do nacionalismo

Na verdade, a exploração é internacional. Os operários são explorados aqui, na Europa ou no Japão. O que varia é o grau de consciência e resistência dos trabalhadores aqui ou ali. Quanto maior a consciência de classe, mais direitos podem ser conquistados. A classe operária enfrenta o nacionalismo burguês com o internacionalismo proletário, que é a solidariedade de classe dos trabalhadores de todas as nações e raças na luta contra o capital, para se libertar de todas as formas de opressão social. O famoso chamado de Karl Marx − “Proletários de todos os países, uni-vos!” − tornou-se a bandeira de combate e fraternidade internacional dos operários. O internacionalismo operário surge da própria situação da classe trabalhadora na sociedade capitalista. O capital é uma força internacional que explora os operários independentemente de sua nacionalidade ou cor.
“Proletários de todos os países, uni-vos!”

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Os lucros que chegam às toneladas aos cofres das grandes empresas multinacionais são produto do trabalho dos operários dos mais diversos países. Para quebrar o poder do capital é necessária a aliança internacional da classe operária e de todos os trabalhadores. A atividade do setor avançado (revolucionário) da classe operária (o Partido Comunista) baseia-se no princípio do internacionalismo proletário. Não se trata de negar os interesses nacionais, mas de fazer com que esses interesses concordem com os interesses gerais da classe operária. Em nome do nacionalismo, Hitler ensanguentou o mundo na II Guerra Mundial. Getúlio Vargas esmagou o movimento nacional-libertador de 1935 e em 1937 implantou uma ditadura fascista descarada. Nas ditaduras nacionalistas, o herói nacional a serviço do capitalismo é o ditador, que encarna a nação e comanda as guerras contra outros povos ou contra partes de seu povo que são contra seu mandonismo opressivo. Dividindo as nações e causando rivalidades entre elas, o nacionalismo semeia o ódio e a hostilidade entre os povos, provocando guerras. Para os internacionalistas, a nação só será feliz quando os trabalhadores não forem mais escravizados e oprimidos pelo capital em todo o mundo.
O culto à personalidade do ditador Getúlio Vargas

Como a sociedade e a natureza se desenvolvem segundo leis objetivas – a evolução sempre vem – pode-se colocar a seguinte questão: que papel desempenham os homens no processo histórico, se a evolução sempre vem? Não serão, nesse caso, um instrumento cego da necessidade histórica? Para que lutar contra a opressão se ela, por ser injusta, um dia terá que ter fim? Acontece que, diferentemente das leis da natureza, as leis da história atuam, obrigatoriamente, por meio da ação dos homens. A necessidade histórica não resulta de nenhum processo milagroso, de algum “deus” que dispensa a ação do homem. Com o desenvolvimento da produção, amadurecem na sociedade as novas necessidades materiais que movem grandes grupos de pessoas a atuar numa determinada direção. E a necessidade, agora, é superar o estágio capitalista. A seguir: O homem, agente da história

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Curso Básico de Marxismo A ação dos homens é decisiva 12 Quando as relações feudais se tornaram um
entrave para as forças produtivas, surgiu a necessidade material de lhes pôr um fim. Essa necessidade teve sua expressão nas ações revolucionárias da burguesia e do campesinato, que sofriam a opressão das relações feudais. A luta revolucionária dessas classes varreu o regime feudal. Na França, os soldados da revolução, com energia e bravura formidáveis, assaltaram a Bastilha e defenderam o novo regime da contrarrevolução feudal.
A vitória da Revolução Francesa

A classe derrotada sempre tenta reagir, e alguma vezes consegue voltar, como ocorreu na URSS em 1991, quando um golpe mafioso de direita derrubou o presidente Gorbatchóv. Sem a luta revolucionária – sem a ação dos homens, portanto – o regime feudal não teria desmoronado nessa época e por longo tempo ainda continuaria prejudicando o desenvolvimento da sociedade. Isso prova que as leis da História não atuam automaticamente. Os homens fazem sua própria história, atuando de acordo com as circunstâncias que os rodeiam, cujo fator principal é a necessidade econômica. Essa necessidade determina os interesses de cada classe: a exploradora pretende continuar explorando, a oprimida tenta se libertar! Mas nem toda a gente oprimida em determinada sociedade luta por mudanças progressistas.
Mikhail Gorbatchov, ex-presidente da URSS

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Por inconsciência de classe, atraiçoam suas famílias, amigos e colegas de trabalho permitindo que a exploração se mantenha, por omissão ou submissão ao explorador. Por sua vez, as forças reacionárias – cuja missão é reagir, negar e impedir as transformações – atuam severamente contra os trabalhadores, que ameaçam o seu poder, ao exigir Justiça e melhores condição de vida. A atuação das forças reacionárias não pode deter o progresso social, mas pode retardá-lo por algum tempo, desviá-lo do rumo direto e mais fácil para um caminho doloroso ou em zig-zag. Como fazer para marchar no caminho certo ou melhor? Em primeiro lugar, compreender o que é o Capitalismo, a última formação econômicosocial baseada na exploração do homem. Charles Fourrier e outros socialistas utópicos criticaram profundamente o Capitalismo. Mas nem eles, nem os economistas políticos burgueses conseguiram resolver a tarefa principal dessa compreensão: revelar o mecanismo da exploração do trabalho: como ela acontece.
Engels e Marx

Essa tarefa só foi realizada pelos fundadores do Socialismo Científico: Karl Marx e Friedrich Engels. O Capitalismo, apontaram eles, caracteriza-se pelo predomínio absoluto da produção mercantil (mercadoria). A mercadoria é o produto do trabalho destinado à troca. Entende-se por produção mercantil uma organização da economia social em que os produtos não se destinam ao consumo próprio, mas à venda, ao lucro, à acumulação de capital. A produção mercantil capitalista nasceu no seio da sociedade feudal. O reforço da divisão social do trabalho entre os ofícios artesanais e a agricultura (entre a cidade e o campo) arrastou cada vez mais a economia feudal para as relações de mercado, caindo sob o poder do dinheiro, que a destruiu. A seguir: Pensam mais em dinheiro que na família

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Curso Básico de Marxismo Pensam mais em dinheiro que na família 13 Sob o Capitalismo,

as fábricas e empresas agropecuárias produzem geralmente para a venda. As relações monetário-mercantis (dinheiro compra produto) são a obsessão maior de toda a vida na sociedade capitalista. Praticamente tudo se faz por dinheiro, não por amor, solidariedade, precisão, amizade, familiaridade ou justiça.

Arranjar dinheiro e gastar, a obsessão

A mercadoria é o produto do trabalho que se destina à troca. Deve satisfazer, claro está, determinadas necessidades humanas, pois de outro modo ninguém a compraria. As características que as coisas têm de satisfazer determinadas necessidades dos homens se chama valor de uso. O valor de uso do pão, do açúcar, da manteiga, do leite, da carne etc, está em que esses artigos satisfazem as necessidades alimentares das pessoas. As fontes do valor de uso são a natureza e o trabalho. Em cada valor de uso há substância natural e um gasto de trabalho humano. Se o valor é em si o trabalho materializado na mercadoria, a sua amplitude dependerá da quantidade de trabalho gasto na sua produção. A quantidade de trabalho se mede pela sua duração, pelo tempo que se passou trabalhando. Desse modo, a medida do trabalho e a medida do valor estão no tempo de trabalho. O tempo de trabalho se mede por horas, dias, semanas, meses. Quanto maior é o trabalho gasto na produção da mercadoria, maior é o valor dela. Agora já podemos definir o que é valor: é o trabalho socialmente necessário gasto na produção de uma mercadoria. O tempo socialmente necessário gasto da produção da mercadoria é alterável. Reduz-se à medida em que se desenvolvem as forças produtivas, em que progridem a técnica e a ciência.

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Já a produtividade do trabalho se mede pela quantidade de produção obtida por unidade de tempo (hora, dia etc). A produtividade depende dos instrumentos de trabalho, de seu aperfeiçoamento técnico: quanto mais perfeitas forem as máquinas, mais renderá o trabalho dos operários. A produtividade do trabalho se determina, também, pela qualificação técnica dos trabalhadores, pela sua destreza em manejar os recursos técnicos. Quando organizam a produção, os capitalistas atuam geralmente por sua conta e risco, isolados, egoisticamente, uns dos outros. Isso não tem lógica!
Só é “livre” a iniciativa de quem controla os fios da produção

Chamam isso de “livre iniciativa”. Por isso, ninguém sabe, antecipadamente e com exatidão quantas empresas se dedicarão a produzir o mesmo tipo de mercadoria, qual será o volume da massa de produtos que se fabricará dentro de um certo período, quantas unidades serão lançadas no mercado nem quanta gente poderá comprar. Começa a se revelar aí, nessa desorganização, a tragédia do capitalismo. A sociedade que se baseia nisso é uma bagunça, não funciona: os mais violentos e poderosos oprimem e calam os que reagem, mas não calarão para sempre. Como esse sistema caótico engendra a anarquia da produção e a desorganização da economia, é carente de um plano de conjunto, que só o Socialismo poderá proporcionar. Sendo o “dono” absoluto da “sua” empresa, o capitalista continua a ser escravo do mercado, onde atuam desordenadamente as leis da economia.
O capitalismo produz muito dinheiro falso, ilusório – as “bolhas”

A anarquia na produção é causada pela concorrência: a luta encarniçada entre os capitalistas para conseguir condições mais vantajosas de produção e venda, de modo a obter maiores lucros. Em suma, no Capitalismo os proprietários não se interessam em usar os meios de produção da melhor forma para a sociedade. A seguir: O único objetivo é enriquecer

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Curso Básico de Marxismo O único objetivo é enriquecer 14
A produção capitalista está subordinada a um só objetivo: o enriquecimento dos capitalistas. Mas como eles enriquecem? À custa de quem? Antes de vender as mercadorias e obter lucro, é preciso produzi-las. Mas é o trabalho (e só o trabalho) que pode criar valor. Como o capitalista vai ter trabalho à disposição se não possui nem escravos nem servos dos quais possa dispor à sua vontade? De fato, ele não é dono da força de trabalho, mas tomou conta dos meios de produção. Enquanto isso, a outra classe existente, a proletária, foi impedida de ter os meios de produção, mas tem a força de trabalho. O operário não precisaria trabalhar para o burguês, mas para sobreviver é obrigado a vender a única mercadoria que possui (a força de trabalho) ao capitalista. Este, ao comprá-la, conquista a única mercadoria existente capaz de criar valor. É por isso que se diz: toda riqueza é produzida pelo trabalho. O fator humano é o mais importante da produção.
Só o trabalho produz valor

Por que o trabalho é o fator mais importante da produção? O valor da força de trabalho é equivalente ao valor dos meios de vida necessários para o sustento do operário e da sua família. O que influi na dimensão do valor da força de trabalho é a luta de classes do operariado contra a burguesia para melhorar a sua situação. É por meio dessa luta que nós avançaremos ao Socialismo. É no processo de produção que se realiza a união da força de trabalho com os meios de produção. A força de trabalho cria um valor novo, enquanto que os meios de produção, sozinhos, não podem criar qualquer valor. Com o trabalho do operário, o valor dos meios de produção se conserva, transferindo-se para as novas mercadorias produzidas à medida que os meios de produção são utilizados. O novo valor criado pelo operário no processo de produção capitalista ultrapassa, pela sua importância, o valor da força de trabalho.

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A diferença para mais é tomada pelo capitalista. Essa diferença é a fonte de seu enriquecimento às nossas custas. Chama-se mais-valia. Pouca gente sabe disso! Por esse motivo é tão necessário divulgar ao máximo os ensinamentos de Marx para, como classe, saber como lutar para superar a exploração. Essa exploração consiste, em essência, na produção de mais-valia e na sua apropriação pelos capitalistas. O trabalho assalariado é um sistema de escravidão assalariada, pois o operário vende a única fonte que tem para obter os meios de vida (a força de trabalho), mas a maior parte da sua produção é tomada, sem indenização, pelo capitalista.
O capitalista explora o trabalho humano

A produção de mais-valia pela exploração dos assalariados constitui a lei econômica fundamental do Capitalismo. A ânsia de obter mais-valia é o principal estímulo da atividade do capitalista. Em grande parte, não lhe importa o que está produzindo: quer sejam artigos úteis ao homem, como roupa, calçado, carne, pão, açúcar, quer sejam armas portadoras de destruição e morte. Produz aquilo que lhe dá lucro! Mas terá sempre que produzir valores de uso, pois essa é uma condição imprescindível para obter maisvalia pela exploração do trabalho. Os burgueses dizem que o capital surgiu graças à sua capacidade e coragem: “Aqueles que trabalharam e souberam economizar se tornaram capitalistas”. Tentam ocultar a verdade de que exploram o trabalho humano e querem manter sempre tal situação.
A indústria da morte dá grandes lucros aos capitalistas

No fundo, os ociosos e esbanjadores se dizem melhores trabalhadores do que aqueles realmente trabalham e aos quais é negada a possibilidade de “economizar” para ter terras, bancos e fábricas. Aquele que trabalha para sustentar o luxo do rico, segundo este, precisa agradecer a sua “caridade”: ele quer sempre parecer o dedicado “empresário que gera empregos” por generosidade e não por ganância de lucro! A seguir: Desemprego e crise, marcas registradas do capitalismo.

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Curso Básico de Marxismo Desemprego e crise, marcas registradas do capitalismo 15
Marx demonstrou quais eram as fontes da acumulação inicial do capital. Ele nasceu do roubo, da violência, da expropriação das terras dos camponeses e da pilhagem colonial.(Sobre o Brasil, por exemplo.) Mesmo admitindo que o primeiro capital tivesse origem no trabalho, isso não modificaria a sua essência, pois, ao passar dos anos, todo o capital é de qualquer modo gasto, sendo substituído pela mais-valia (valor que o capitalista toma dos empregados). Esse capital vai se transformar sempre em resultado da exploração, pois os capitalistas cobrem as suas despesas com a mais-valia. Se não fosse por explorar os operários assalariados que criam a mais-valia, os capitalistas, somente para sobreviver, esgotariam rapidamente seu capital inicial e teriam ficado sem nada.
Patrão: “Cuidado! Eles podem ouvir!”

Daqui, tiramos duas conclusões: 1) todo capital é produto da exploração; 2) nenhuma importância em dinheiro, por maior que seja, nem o conjunto dos meios de produção (fábricas, matérias-primas, combustíveis, maquinaria) são, por si, só, capital. Só podem se transformar em capital em certas condições: a existência da classe dos proprietários privados, “donos” dos meios de produção, e da classe dos assalariados, que vendem a sua força de trabalho como mercadoria. Com o aumento da produção cresce o volume de mais-valia apropriada pelos capitalistas. Enquanto num polo da sociedade se concentram imensas riquezas, no outro aumenta a exploração do proletariado. Aprofunda-se a distância entre aqueles que criam com o seu trabalho todas as riquezas e aqueles que se apropriam delas.

2 É a Lei da Acumulação Capitalista. É com ela que os capitalistas enganam, mentem, atraiçoam, fraudam. À medida que o capital se acumulou, com a maisvalia, os negociantes que mais prosperavam juntavam fortunas colossais. Aí está a explicação do motivo porque alguns são muito ricos e a maioria do povo é miserável. Vítimas dessa injusta acumulação, a maioria sofre. O capitalismo não só garante a um punhado de parasitas a possibilidade de viver no luxo à custa da exploração dos operários: condena boa parte dos trabalhadores ao desemprego e à miséria, privandoos dos meios de subsistência.

A mais-valia que os deixa ricos é tirada dos pobres

O desemprego, como as crises econômicas, acompanha inseparavelmente o sistema capitalista, o que se fez sentir logo em suas primeiras fases. O desemprego resulta, portanto, do sistema capitalista de economia. O desemprego ajuda os capitalistas a pressionar a parte da classe operária que trabalha, para aumentar a intensidade do trabalho. Mas, sempre, a agressão dos capitalistas contra os direitos vitais (sobrevivência) dos trabalhadores vai esbarrar na resistência tenaz da classe operária. Por conta de suas ações corajosas (greves, manifestações políticas unitárias, a construção do Partido Comunista etc) o proletariado arranca algumas concessões: um certo aumento de salários ou redução da jornada de trabalho. Mas isso não elimina o fato de que no conjunto do mundo capitalista está aumentando a exploração do operariado. E aí surgem as crises! Todas as crises econômicas são calamitosas para a classe operária. As crises se repetem periodicamente e são provocadas pelo caráter cíclico da reprodução do capital. É importante compreender o mecanismo de reprodução do capital: os capitalistas tendem sempre a aumentar a produção, sendo impelidos não só pela ânsia do lucro, mas, além disso, pela concorrência. Mas nada disso faz o trabalhador ganhar mais.
O sistema sempre favorece o capitalista

A seguir: A saída para as crises será o Socialismo

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Curso Básico de Marxismo A saída para as crises será o Socialismo 16 O capitalista tem a urgência de estar sempre
aumentando a produção, para obter mais lucros. Ao contrário dos ganhos dos capitalistas, porém, os rendimentos da população não aumentam ou, se aumentam, é com muita lentidão e para pagar custos mais altos dos produtos e serviços. Isso causa uma crise de oferta e procura: a procura de mercadorias vai se tornando inferior à sua produção (oferta).
O capitalismo tem ânsia de provocar o consumo excessivo

Esse atraso da procura em acompanhar a oferta acarretará a acumulação de produtos que não terão procura. E isto leva à ruína os pequenos e médios produtores e, por vezes, aumenta vertiginosamente o desemprego e se reduzem os salários (achatamento ou arrocho). Após a II Guerra Mundial, provocada pela crise de 1929/30, o capitalismo foi atingido por uma nova e grave crise. Em 1975, a produção industrial nos países capitalistas foi forçada a se reduzir em mais de 11% em relação ao ano anterior. Todos os ramos da indústria foram afetados pela crise e, em maior grau, a indústria de automóveis e a fundição de aço, que retrocederam aos níveis de 1969 e 1970. Depois dessa, vieram muitas outras crises, como a de 2008, que causou uma pane financeira no mundo. As crises criam uma onda de desemprego e menor qualidade de vida da população: ambiente poluído, insegurança, violência, preços altos de comida, educação, remédios e transporte.
O “monstro” da superprodução gera crise e conflitos

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As crises econômicas, portanto, são um exemplo claríssimo do caráter antinatural da produção capitalista, que sentimos na própria pele. Como se vê, as diversas medidas anticrise adotadas pela burguesia não foram capazes de acabar com as causas profundas desse fenômeno, que tem origem nos próprios fundamentos do capitalismo, em que a produção não atende aos interesses dos homens, que são todos, mas à obtenção de lucros por uma pequena minoria de exploradores. Como resistir às crises e vencêlas? A consciência e o grau de organização do operariado fazem dele a classe mais revolucionária, ou seja, desejosa e capaz de promover mudanças. A outra parte da classe trabalhadora – o campesinato – também está submetida a uma cruel exploração. Mas como alguns camponeses têm o “seu” bocado de terra, chocam-se em sua consciência os pontos de vista de trabalhador e de proprietário. Os operários, em contrapartida, não têm nenhuma ilusão que os afaste da luta: de seu, só possuem a força de trabalho. I O operário só tem sua força de trabalho “O principal da doutrina de Marx,” escreveu Lênin, “é o esclarecimento do papel histórico mundial do proletariado como o criador da sociedade socialista”. Existindo em seu território nacional, o proletariado participa da criação e manutenção do idioma. Da cultura e das tradições históricas da Nação. Pertencendo à classe revolucionária, que reúne em torno de si a maioria do povo trabalhador, o operário é o principal porta-voz dos interesses e das aspirações da Nação. Ao mesmo tempo, as condições de vida dos operários os levam à compreensão de que só podem vencer o capitalismo com a ajuda mútua – comum a todos, e por isso ter o nome de comunista − em escala internacional. Eis porque a palavra de ordem principal do movimento operário se tornou a expressão final do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels: “Proletários de todos os países, uni-vos!” A seguir: Os inimigos da democracia

Curso Básico de Marxismo Os inimigos da democracia 17

As mudanças políticas num sentido verdadeiramente democrático preparam o terreno para a transformação socialista. Aproximam a sua conquista.

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Os avanços democráticos ampliam a base e incorporam na luta socialista novas camadas da pequena burguesia e das massas que trabalham, mesmo em negócios próprios. Por isso, a luta pela democracia é parte integrante da luta pelo Socialismo. Na sociedade capitalista atual, os principais inimigos da democracia são os grandes monopólios, que sugam o trabalho da imensa maioria da população: empresas multinacionais e bancos, por exemplo.
O documentário A Corporação expõe a antidemocracia

O grande capital atropela os interesses dos pequenos e médios camponeses e das camadas médias urbanas (pequenos industriais e comerciantes, artesãos e um setor de empregados). Estas camadas sociais se arruínam ou caem sob a dependência dos monopólios, transnacionais e bancos. Estes setores centrais da exploração defendem o “direito” de explorar usando a política, o rádio, a TV, certas “igrejas” e “filosofias”. Muitas vezes se dizem “verdes”, “socialistas” e até “comunistas”, para mascarar de um falso progressismo atitudes de conciliação e manutenção do capitalismo. São como certas “igrejas” que falsificam “milagres” para iludir e controlar a população mais ingênua. Mas é a prática de cada grupo ou partido que lhe dá o verdadeiro caráter – não apenas um nome ou autopropaganda. Aliás, os piores traidores da classe operária se fingem de “verdes”, “democratas”, “cristãos” e “socialistas”.
“Partido Verde”: defesa do capitalismo em roupagem “ecológica”

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Para enfrentar essa máquina de falsificação, de maneira crescentemente ativa se incorporam os jovens operários, estudantes e aprendizes. Não vendo perspectivas numa sociedade dominada pelos monopólios e mergulhada numa profunda crise, reclamam mudanças verdadeiras, substanciais. As ações juventude são frequentemente espontâneas. Por vezes, os jovens se deixam arrastar para concepções anarquistas ou por outras ideias falsamente revolucionárias. São conceitos pequeno-burgueses, modismos, “radicais”, superficiais. Mas quanto mais os jovens de aprofundam no estudo do Marxismo, mais adquirem clareza quanto ao grande objetivo da luta proletária: a conquista do Socialismo. Passam, então, a militar em um partido político com uma tática e uma estratégia para fazer a Revolução Socialista: o Partido Comunista.
Jovens conscientes associam estudo e luta pelo Socialismo

A incorporação na luta antimonopolista, anticapitalista e antiimperialista de grupos sociais jovens e mais amplos vai reduzir continuamente a base social do poder dos bancos, das transnacionais e das máfias. A juventude, ao se educar e educar o povo, cria condições para agrupar todas as forças e correntes democráticas numa aliança política: a Frente Anticapitalista. Torna-se realidade, com ela, a união de todas as forças progressistas, a fusão de todas elas numa coligação contra o capitalismo. Desempenhando o papel de dirigente do movimento democrático anticapitalista, a classe operária é capaz de impor a aplicação de medidas que ultrapassem os limites das reformas burguesas, para facilitar a sua luta posterior pela vitória do Socialismo.
Karl Marx Friedrich Engels Vladimir Lênin Mao Tsé-Tung Che Guevara: Teoria e prática revolucionárias

Fim
Se desejar estudos mais aprofundados sobre o Marxismo solicite material, gratuitamente, pelo e-mail naroda@ig.com.br

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