Você está na página 1de 12

FIM DE ANO

Relaxar em tempos de crise


Especialistas indicam técnicas para combater os efeitos do
estresse de fim de ano que podem ser feitas em pouco tempo e
sem gastar muito dinheiro

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Escalda-pés com flores de lavanda, melissa, cidreira-de-árvore,


manjericão e pétalas de rosa

IARA BIDERMAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O caos regulamentar de dezembro -trânsito, confraternizações, filas


em lojas e estacionamentos, trabalho acumulado antes das folgas-
é o suficiente para tirar qualquer um do sério. Segundo Ana Maria
Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management
Association), o estresse de fim de ano afeta pelo menos 80% da
população. Neste ano, as conseqüências da crise econômica
mundial ajudam a armar a bomba.

Fugir ou lutar? Das duas reações primárias ao estresse, a primeira


ganha nesta situação, já que é difícil lutar contra a economia
mundial e os compromissos profissionais e sociais da época.

Sumir, nem que seja por duas horas, em um spa ou uma clínica de
massagem, é uma idéia tentadora para quem está tentando relaxar.
Os problemas são: que tempo dedicar a isso? E quanto pagar?
Para evitar inflacionar a já lotada agenda de compromissos e gastar
mais uma fatia do 13º salário na sessão de relaxamento,
especialistas ensinam o passo-a-passo de técnicas que podem ser
feitas por conta própria, gastando pouco tempo e pouco dinheiro.
"Há várias estratégias, como meditação, que ajudam no controle
das reações fisiológicas do estresse. Podem ser feitas mesmo por
quem não tem grande desenvoltura técnica e o ideal é que sejam
feitas todo dia, em casa mesmo", diz José Roberto Leite,
coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp
(Universidade Federal de São Paulo).

Leite acredita que fazer o seu spa em casa é até mais válido do que
pagar para usufruir dos tratamentos. "Em vez de delegar a outra
pessoa o poder de fazê-lo relaxar, quem está sofrendo os efeitos do
estresse assume o controle do processo de gerenciar a crise e os
seus efeitos no corpo, o que tem efeitos mais duradouros."

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1812200808.htm

BANHO RELAXANTE
Banhos com ervas aromáticas costumam estrelar os programas de
spas de todos os tipos, dos mais luxuosos aos alternativos. Por um
custo muito menor, eles podem ser feitos em casa, na banheira ou
no chuveiro. Simone Pacheco, fisioterapeuta do spa Lapinha, no
Paraná, e Sabrina Jeha, herborista da Sabor de Fazenda, empresa
de São Paulo que produz e distribui ervas me-dicinais orgânicas,
dão as dicas para preparar um banho terapêutico

1
Prepare a mistura de ervas: ferva um litro de água, desligue o fogo
e coloque seis galhos de lavanda fresca, seis galhos de melissa ou
de cidreira-de-árvore, seis galhos de manjericão e pétalas de seis
rosas brancas. Se não achar as plantas frescas, use uma colher de
sopa de cada erva seca. Tampe e deixe em infusão por 25 minutos

2
Coe a infusão e coloque em uma jarra ou bacia. No chuveiro, deixe
o recipiente com a infusão dentro do box e tome um banho normal.
Depois de se ensaboar e se enxaguar, tempere a infusão com a
água da ducha, para que fique em temperatura morna. Feche a
torneira e jogue a água da infusão sobre os ombros e o resto do
corpo

3
Para quem tem banheira: encha-a de água em uma temperatura de
cerca de 36OC. Coloque a infusão preparada na banheira.
Permaneça na banheira por cerca de 25 minutos

4
Outra opção é um banho relaxante das extremidades do corpo
(pernas e braços). Prepare dois baldes, um com água quente e
outro com água fria. Coloque uma pequena porção das plantas
(lavanda, melissa, manjericão) em cada recipiente

5
Para o escalda-pés, coloque as pernas, até a altura dos joelhos, no
balde de água quente por cinco minutos. Passe para o balde de
água fria por 15 segundos. Repita a seqüência três vezes. A mesma
coisa pode ser feita com os membros superiores, colocando as
mãos e o antebraço (até a altura do cotovelo) nos dois recipientes
alternadamente

RESPIRAÇÃO
O "pranayama" (exercício respiratório) das três etapas é uma das
técnicas ensinadas nos cursos da ONG Arte de Viver. Segundo
Cristina Armelin, coordenadora da ONG em São Paulo, a seqüência
aumenta a capacidade pulmonar e tem efeito imediato na redução
do estresse

1
Deitado de costas ou sentado em uma cadeira, com os pés
totalmente apoiados no chão e a coluna ereta, coloque as mãos
sobre o abdômen. Inspire profundamente, levando o ar até a região
abdominal. Sinta o ar empurrar as mãos pousadas sobre a barriga.
Expire lentamente, sentindo a barriga afundar em direção às
costelas. Repita cinco vezes
2
Coloque as mãos sobre a caixa torácica. Na inspiração, sinta o ar
expandindo lateralmente as costelas. Expire lentamente,
esvaziando completamente os pulmões. Repita cinco vezes

3
Coloque as mãos sobre as clavículas. Inspire, sentindo o ar elevar
essa região superior do corpo. Expire lentamente, abaixando a
parte superior do tronco. Repita cinco vezes

4
Faça todas as respirações (abdominal, torácica e clavicular) juntas:
inspire, levando o ar até o abdômen, expandindo a caixa torácica e
chegando até a região das clavículas. Expire lentamente, até sentir
o pulmão se esvaziar totalmente. Repita cinco vezes

5
Levante-se devagar. Se estiver deitado, passe antes pela posição
sentada para não sentir tontura. De pé, inspire lentamente,
preenchendo de ar o abdômen, o tórax e a parte superior do peito.
Expire vigorosamente, soltando o ar de uma só vez e emitindo um
som como "ah" junto com a expiração. Repita de cinco a dez vezes

RITUAL PARA DORMIR BEM


Flávio Alóe, neurologista do Centro Interdepartamental para
Estudos do Sono do Hospital das Clínicas de São Paulo, diz que
algumas modalidades de tratamento comportamental para insônia
já comprovadas podem ajudar quem está com dificuldade em ter
uma boa noite de sono por conta do estresse de fim de ano.
Acompanhe o ritual do sono

1
Oito horas antes de ir para cama: evite bebidas cafeinadas (café,
chá, refrigerantes)

2
Seis a cinco horas antes: faça uma atividade física de intensidade
leve a moderada (como uma caminhada), de preferência sob
exposição da luz solar

3
Duas horas antes: tome um banho quente, na banheira ou no
chuveiro, com duração de 15 a 20 minutos

4
Uma hora e meia antes: desligue o computador. Se possível,
diminua a intensidade da luz. Quem gosta, pode iluminar a casa
com velas aromáticas (escolha aromas indicados para relaxar)

5
60 a 45 minutos antes: pratique 15 minutos de relaxamento. A
técnica de relaxamento progressivo, uma das mais estudadas para
tratamento de insônia, consiste em tensionar e relaxar os grandes
grupos musculares de forma seqüencial, observando a sensação de
tensão e relaxamento

6
15 minutos antes: tome um copo de leite ou uma xícara de infusão
de ervas. A herborista Sabrina Jeha recomenda uma infusão feita
com 1 colher (sobremesa) de cidreira-de-árvore, 1 colher (chá) de
capim-limão e duas folhas de manjericão

7
Na cama: permaneça passivamente acordado na cama, sem tentar
adormecer. Essa técnica, chamada intenção paradoxal, reduz a
ansiedade antecipatória associada ao medo de não conseguir
dormir e é útil para casos de insônia inicial

MEDITAÇÃO
Apesar de algumas técnicas de meditação serem bastante
avançadas e exigirem experiência para a sua realização, Anderson
Allegro, biólogo e professor de ioga da Aruna Yoga, em São Paulo,
diz que há métodos simples e bastante eficientes. Podem ser feitos
mesmo por quem não pratica ioga

1
Desligue o telefone, o celular e peça para não ser incomodado.
Sente-se sobre uma almofada, apóie as costas na parede e cruze
as pernas. Repouse as mãos sobre os joelhos

2
Para quem nunca meditou, cinco minutos podem parecer uma
eternidade. Por isso, coloque um despertador para tocar em 15
minutos. Assim, o tempo previsto para a prática é garantido,
evitando que você se distraia pensando nele

3
Feche os olhos e observe o fluxo do ar entrando e saindo do corpo.
Apenas concentre-se na respiração, sem tentar interferir em seu
ritmo

4
Visualize uma luz azul e imagine que está inspirando e expirando
essa luz, no ritmo da respiração. Mantenha a mente fixa apenas na
luz e na respiração

5
Ao surgir algum pensamento que o distraia, simplesmente retorne
ao objeto visual da meditação, sem se culpar pela distração. Faça
isso quantas vezes for preciso

6
Quando o despertador tocar, inspire e expire lentamente. Estenda
os braços para o alto, fazendo movimentos como se estivesse se
espreguiçando. Movimente as pernas e levante-se devagar

REFLEXOLOGIA
Segundo Henrique Cirilo, professor de reflexologia do curso de
naturologia da Universidade Anhembi Morumbi, o pé reflete órgãos
e estruturas do corpo, e a massagem nessa região estimula e
equilibra as funções orgânicas. Ele explica como fazer uma
massagem para se beneficiar dos princípios da reflexologia

1
Comece com um escalda-pés, deixando os pés em água quente por
cerca de dez minutos

2
Enxugue o pé e aplique um creme hidratante para facilitar o
deslizamento das mãos. Massageie toda a extensão da planta e do
peito do pé

3
Ao encontrar um ponto mais dolorido, faça uma pressão com o
dedão e massageie em forma de círculos, até sentir a tensão
dissolver

4
Massageie a lateral interna do pé com movimentos de vai-e-vem.
Isso ajuda a aliviar dores de coluna

5
Massageie cada um dos dedos para aliviar dores de cabeça e
pescoço

PONTOS DA SOLA DO PÉ

1 - Cabeça e pescoço
2 - Órgãos dos sentidos
3 - Tireóide e paratireóide
4 - Pulmão e diafragma
5 - Nervos
6 - Intestino grosso
7 - Vias urinárias
8 - Área gastrointestinal
9 - Área pélvica
10 - Nervo ciático

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1812200813.htm

-------------------------------------

NEUROCIÊNCIA

Suzana Herculano-Houzel

Com febre, jogada no sofá


[...] No que tange à nossa
temperatura, o hipotálamo age
como um termostato de ar-
condicionado: ele monitora a
temperatura do sangue e a
compara a um ponto de
referência interno, que depende
da atividade de neurônios do
próprio hipotálamo

Duas semanas atrás, meu hipotálamo me mandou de volta à cama


– e agora repete a dose, após dois dias de gravação para a TV em
um estúdio gelado combinados a três apresentações seguidas de
dança. Abro mão do cinema de domingo, volto para casa -e me jogo
no sofá, com febre.

A febre, além da letargia e da falta de motivação, é mais uma das


estratégias do hipotálamo para promover a recuperação do corpo.
Já que vários vírus e bactérias têm dificuldades para se reproduzir a
temperaturas acima de 37ºC, o aumento na temperatura interna do
corpo o ajuda a combater a maior parte das infecções. E um truque
esperto permite ao hipotálamo saber quando deve causar febre: ele
detecta as próprias interleucinas produzidas pelo sistema imunitário
como parte da resposta à infecção e, acionado por elas, aumenta o
ponto de ajuste da temperatura corporal.
No que tange à nossa temperatura, o hipotálamo age como um
termostato de ar-condicionado: ele monitora constantemente a
temperatura do sangue e a compara com um ponto de referência
interno, que depende da atividade de neurônios do próprio
hipotálamo. Quando a temperatura do sangue sobe (por exemplo,
porque você começa a dançar) e fica acima do ponto de ajuste, o
hipotálamo aciona mecanismos de perda de calor corporal, como o
suor, que evapora com o calor da pele. Se a temperatura interna, ao
contrário, desce (porque você está em um estúdio gelado) e cai
abaixo do ponto de ajuste, mecanismos de produção de calor são
acionados; o metabolismo sobe, e você pode tremer.

Mas se interleucinas fazem o ponto de ajuste de temperatura do


hipotálamo subir – por exemplo, para 39ºC –, os 37ºC atuais do
corpo passam a ser considerados insuficientes. Resultado: aquela
sensação desconfortável de frio que dura até o hipotálamo
conseguir fazer o sangue chegar aos 39ºC necessários. Aí
chegando, ficamos com a pele ardendo até o corpo se livrar do
invasor – ou tomarmos um antipirético –, o que traz o ponto de
ajuste do hipotálamo de volta aos 37ºC originais. Estar a 39ºC
subitamente volta a ser excessivo e, com isso, vem o suadouro, que
faz a temperatura voltar ao normal. Chutar a coberta, nessa hora, é
um alívio só.
SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ
e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do
site "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (www.cerebronosso.bio.br)

suzana.herculano-houzel@grupofolha.com.br

-----------------------------------------

Francês diz ter encontrado cura


para o alcoolismo
sábado, 6 de dezembro de 2008, 21:27 | Online

Cardiologista alega substância usada para relaxar músculos o


levou a abandonar a bebida.

De Paris para a BBC - Um médico lançou uma polêmica na França


ao alegar em um livro que pode ter descoberto a cura para o
alcoolismo.
Olivier Ameisen, um dos mais conceituados cardiologistas do país,
alega que ele mesmo conseguiu abandonar o vício usando uma
droga hoje receitada para relaxar os músculos chamada baclofen.

O livro em que narra sua experiência, Le Derrier Verre ("O Último


Copo", em tradução livre) ele pede para que cientistas façam testes
clínicos para provar que o baclofen elimina o desejo de beber.

A popularização do livro por meio da imprensa francesa levou


muitos alcoólatras a buscarem o mesmo tratamento, e alguns
médicos de fato revelaram que seus pacientes tiveram sucesso ao
usar a droga contra o alcoolismo.

Mas outros especialistas mantêm o ceticismo, advertindo para o


perigo por trás das chamadas "curas milagrosas".

"Precisava de álcool"

Ameisen era professor de cardiologia na Universidade Cornell, de


Nova York, e em 1994 abriu um lucrativo consultório em Manhattan.

Mas, acometido de um forte sensação de insegurança – ele se


sentia como "um impostor esperando ser desmascarado" – ele
passou a procurar alívio em grandes doses de uísque e gim.

"Eu detestava o gosto do álcool. Mas eu precisava de seus efeitos


para existir em sociedade", diz o livro.

O médico diz que tentou todos os recursos conhecidos para acabar


com sua dependência. Entre 1997 e 1999, ele passou um total de
nove meses confinado em clínicas para alcoólatras, mas nada
funcionou.

Temendo pela segurança de seus próprios pacientes, Ameisen


decidiu parar de atendê-los e voltou a Paris. Então, em 2000, ele
leu um artigo sobre um americano que foi tratado com baclofen para
espasmos musculares, mas alegou que, durante o tratamento,
sentiu que ficou mais fácil abandonar seu vício em cocaína.

Estudos adicionais revelaram que a droga ajudava cobaias a se


livrarem do vício em álcool ou cocaína. Contudo, para a surpresa do
cardiologista, especialistas em dependência desconheciam o
baclofen.

Em março de 2002, ele começou a testar a droga em si mesmo com


doses diárias de cinco miligramas.

"Os efeitos iniciais foram um relaxamento muscular mágico e um


sono de bebê", disse Ameisen. Quase imediatamente, ele passou a
sentir menos vontade de beber.

Gradualmente, ele aumentou para a dosagem máxima de 270 mg e


então se viu "curado". Hoje, usa, de 30mg a 50 mg por dia.

"Meu caso é o primeiro em que um tratamento médico suprimiu


completamente o vício em álcool", alega. "Hoje, eu posso beber um
copo e não tem efeito. Acima de tudo, eu não tenho aquela
necessidade irresistível de beber."

Best seller

Le Derrier Verre se transformou em um best seller na França,


levando milhares de alcoólatras em recuperação a pedir que seus
médicos lhe receitassem baclofen.

Alguns médicos decidiram ignorar que a droga não está


oficialmente liberada para tratar alcoolismo e dizem ter
testemunhado excelentes resultados.

"Eu o prescrevi a dois alcoólatras que realmente estavam no fim da


linha. Para ser honesto, foi bem milagroso", disse o doutor Renaud
de Beaurepaire, do hospital Paul-Guiraud, da cidade de Villejuif,
perto de Paris.

Em Genebra, o doutor Pascal Garche disse ter submetido 12


pacientes ao tratamento, dos quais sete mostraram notável
melhoria.

"Nunca tive reações como esta antes. Não podemos ignorar


descobertas como esta", disse.

Mas especialistas temem que a badalação da mídia a respeito do


"remédio" de Ameisen esteja ofuscando a complexa natureza do
alcoolismo.
"Incentivar pessoas a pensar que há uma substância milagrosa é
entender errado completamente a natureza do alcoolismo e é
extremamente irresponsável", disse o doutor Michel Reynaud, do
hospital Paul-Brousse, em Paris.

Alain Rigaud, presidente da Associação Nacional para a Prevenção


do Alcoolismo e da Dependência da França, também tem suas
reservas. "Nós precisamos de testes abrangentes para determinar
como a droga age, se é eficiente e em qual dose, e se é
verdadeiramente inofensiva no logo prazo", disse.

"Mas mesmo se a droga realmente funcionar, isso não significa que


só a droga, isoladamente, é a solução."

Fonte:
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid289686,0.htm

-------------------------------------