2231 INTERNACIONALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR: FEDERAL DE UBERLÂNDIA

UM

ESTUDO

DE

CASO

NA

UNIVERSIDADE

Janaína Siegler Irene K. Miura Resumo De Witt (1998), destaca que a internacionalização é um processo e ao mesmo tempo uma resposta à globalização, mas não deve ser confundida com a globalização por ela mesma, a internacionalização inclui tanto aspectos locais como internacionais. A pesquisa realizada para esse trabalho foi do tipo qualitativa, de natureza exploratória, utilizando como estratégia o estudo de caso e baseando-se nos roteiros de entrevistas propostos por Miura (2006). Teve como objetivo analisar as ações de internacionalização promovidas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), considerando as estratégias organizacionais e programáticas adotadas pela instituição. A análise dos resultados revelou que o processo de internacionalização dessa instituição iniciou-se por ações isoladas no início da década de 1980 e que, apesar de ser bastante recente muitas ações já foram realizadas, especialmente nos últimos anos com a criação da Assessoria de Relações Internacionais o que levou a um aumento expressivo no número de acordos internacionais assinados e por conseqüência o aumento da mobilidade acadêmica, especialmente na graduação. A análise também sugere pontos importantes sobre as fragilidades e conseqüente ameaça para um processo sustentável de acordo com o círculo para a internacionalização proposto por Knight (1994). Acredita-se que a definição de uma política formal explicitando o que é a internacionalização na sua missão e quais são as diretrizes para todas as unidades acadêmicas da UFU, possa direcionar esforços para que a internacionalização seja um processo auto-sustentável, contínuo e enraizado na cultura da instituição, fomentando o que Knight (1994) define com sendo a “cultura que encoraja a internacionalização”. Palavras Chaves: internacionalização do ensino superior, estratégias de internacionalização, mobilidade acadêmica.

1 Introdução A economia globalizada da atualidade, e que ganhou notoriedade no século XX, impacta diretamente no sistema acadêmico internacional, pressionando as universidades a se adaptarem frente a essas novas circunstâncias, no entanto, segundo Miura (2006, p.2) “somente nas últimas décadas, a internacionalização do ensino superior tem ganhado força nas discussões acadêmicas, tendo em vista os impactos da globalização na educação”. De Witt (1998), destaca que a internacionalização é um processo e ao mesmo tempo uma resposta à globalização, mas não deve ser confundida com a globalização por ela mesma. Internacionalização inclui tanto aspectos locais como internacionais, ou seja, elementos interculturais. A globalização pode ser considerada uma causa para o processo de internacionalização das instituições de ensino superior (IES), na medida em que gera uma demanda por profissionais mais bem preparados para atuar no ambiente internacional. Teles (2005) acredita

considerando o modelo proposto por Knight (1994)? A escolha da Universidade Federal de Uberlândia como objeto de estudo desse trabalho. em grande medida. Desde 2007. biotecnologia. partindo da premissa de que as razões. além do campus avançado na cidades de Ituiutaba. Desta forma. inclusive com uma reunião nacional de assessorias de relações internacionais de universidades brasileiras promovido na cidade de Diamantina-MG (FAUBAI. . abordagens e estratégias de internacionalização ocorrem de forma diferenciada em cada IES. deu-se com base na importância e representatividade dessa instituição na região de sua abrangência. as universidades. o presente trabalho propôsse a responder a seguinte pergunta de pesquisa: Como tem acontecido o processo de internacionalização da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)? Esta pergunta de pesquisa pretendia dar respostas às seguintes questões específicas deste trabalho: a) Quais são os propósitos/razões que levam a instituição ao processo de internacionalização? b) Quais as principais ações e estratégias de internacionalização em níveis organizacionais e programáticos usadas? c) Como está o processo de internacionalização da UFU. o sul e o sudoeste de Goiás. vêm destacando a necessidade de interiorizar a internacionalização do ensino superior no Brasil. 2011). são responsáveis pela produção de pesquisas básicas e aplicadas que impulsionam a inovação em diferentes áreas do conhecimento. para que não se concentre apenas nas cidades litorâneas ou os grandes centros brasileiros. Uberlândia é uma cidade localizada no interior do estado brasileiro de Minas Gerais. pela formação dos quadros profissionais das IES recém criadas na cidade e seu entorno. e Monte Carmelo. o Alto Paranaíba. 2011). A cidade é destaque em agronegócios. assumindo um papel central na sociedade do conhecimento do século XXI.2232 que: “A internacionalização universitária representa o despertar de uma consciência para um novo perfil profissional necessário para atuar no mundo em rápida transformação. o desenvolvimento da pesquisa e da extensão e responde. bem como pela formação continuada de docentes das redes de ensino da educação básica e profissional (site UFU. o noroeste e partes do norte de Minas. Posicionada atualmente com o 3º maior PIB de Minas Gerais. Neste âmbito. o 7º maior entre as cidades do interior do Brasil e o 27º maior PIB brasileiro à frente de 14 capitais (fonte: Sec. considerando a internacionalização do ensino superior um processo complexo e. que lhe exige postura crítica com desenvoltura internacional. em uma região conhecida como Triângulo Mineiro. a UFU. movimentada por multinacionais. telecomunicações e call center.” Segundo Altbach (2001). que possui sede e três campi na cidade. um movimento apoiado pelo DAD (da Alemanha). polariza a oferta de vagas e de cursos de graduação e pós-graduação. turismo de negócios e eventos. Uberlândia é o maior centro atacadista da América Latina. 2009). o norte de São Paulo e o leste do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso. além de fornecerem a formação e o treinamento dos recursos humanos requeridos pelas empresas. Desenvolvimento Econômico de MG. Uberlândia possui vinte e uma IES particulares e uma universidade pública. A UFU é o principal centro de referência em Ciência e Tecnologia de uma ampla região do Brasil que engloba o Triângulo Mineiro.

Para o termo globalização.1998. 2004. tradições. 1997. Desta forma. que se reuniam em busca de conhecimento. valores e idéias. tecnologias de informação e comunicação. a formação dessas escolas chamadas universitas. consequentemente tem inúmeros efeitos sobre a educação (.1 Internacionalização do Ensino Superior: definições. Professores provenientes de várias partes do mundo foram recrutados para iniciar as primeiras atividades de ensino e pesquisa. a formulação de estratégias e de políticas de internacionalização .são pontos cruciais que definirão um processo sustentável de internacionalização da instituição. 2. sociais e educacionais. O tema internacionalização da educação tem sido central em discussões e debates no Brasil e no mundo. contava com professores e estudantes de diferentes regiões e países.5). e mesmo pela iniciativa individual de departamentos e instituições para se adaptar ou explorar de forma criativa os desafios impostos pela globalização.2233 2 Referencial Teórico Uma breve retrospectiva histórica demonstra que a origem das Universidades tem forte influência internacional. Segundo Knight e De Witt (1998. como se fossem sinônimos. pesquisas conjuntas. confundem-se os termos internacionalização e globalização. O espaço para a criatividade parece estar nas mãos das instituições que devem escolher as melhores formas para se adaptar ao ambiente acadêmico internacional acomodando. acordos internacionais. liberalização comercial e trocas de estruturas de governo. desta forma. intercâmbio de estudantes e professores . que oportunizam intercâmbios econômicos.. DE WITT. como: a sociedade do conhecimento. Para tanto. A internacionalização contempla políticas e programas específicos organizados em diferentes níveis: governos. Stallivieri (2004) lembra que o caráter internacional das universidades está presente desde a Idade Média com a criação das primeiras escolas européias. pois os avanços na área educacional e na área tecnológica promovem mudanças que vêm definindo os rumos da humanidade ao mesmo tempo em que novas relações e modelos estão se configurando entre os países e entre as instituições educacionais. economia de mercado. gente. Segundo Oliveira (2007).responsáveis pela estruturação das ações como reforma curricular.6) o termo globalização define-se como “o fluxo de tecnologia. conhecimento. cultura e fatores ambientais que. p.) “a internacionalização está mudando o mundo da educação e a globalização está mudando o mundo da internacionalização” (KNIGHT. razões e políticas. Constantemente. além das fronteiras”. alguns elementos são essenciais no seu contexto. p. 2002). abordagens. economia. os dois termos carregam. instituições acadêmicas. apresentando. em sua constituição. comunidades internacionais. valores diferenciados. o foco desta discussão tem centrado as discussões na constatação de que não há mais fronteiras para a educação. em suas definições. SCOTT.. A globalização afeta a economia de cada país de modo diferente devido à sua história. No contexto das políticas de internacionalização da educação superior fazem parte a própria tradição universitária de parcerias e vários tipos de cooperação objetivando aumentar a qualidade acadêmica e a relevância social da educação superior. Porém. diferentes graus de autonomia e iniciativa (KNIGHT e DE WITT. pode-se dizer que a internacionalização é um processo que remete à análise das fundações das antigas Universidades de Paris e Bolonha no século XIII. .

IAU survey report (2006) revela uma diversidade de metas. os órgãos internacionais e o setor privado estão envolvidos nas atividades de internacionalização das IES? Diferentes motivos (razões) podem levar as IES a diferentes formas e abordagens de internacionalização e. pesquisa e serviços. reputação da IES.2234 Razões também podem ser interpretadas como os motivos da incorporação da dimensão internacional pelas IES em suas atividades. A Figura 1 ilustra as principais razões para internacionalização apontadas pelas IES.Principais razões para internacionalização apontadas pelas IES Fonte: IAU Survey Report (2006) 2. Miura (2009) sugere que as razões devem responder. por exemplo. os governos nacionais. Por estratégias entendem-se as iniciativas organizacionais e programáticas adotadas no nível institucional. ou . práticas e modelos.2 Estratégias. Uma pesquisa realizada pela International Association of Universities . tanto em nível institucional como governamental. ações e modelos da internacionalização do ensino superior Stalivieri (2004) entende que a ausência de uma estratégia. além de um novo cenário geográfico. qualidade do ensino. a saber: • razões políticas (busca pela paz e entendimento mútuo). exposição cultural decorrente da mobilidade de estudantes e professores). • razões acadêmicas (qualificação das pessoas para o mercado de trabalho. • razões sócio-culturais (expansão de valores morais e nacionais). Principais razões para internacionalização (IES) Diversidade de renda Inovação Curicular Diversidade de professores/alunos Qualidade acadêmica Perfil internacional Desenvolvimento de pesquisas Mobilidade de alunos e professores 4% 8% 13% 14% 18% 21% 22% Figura 1. Além de ser uma resposta à globalização. • razões econômicas (preocupação com a competitividade e crescimento econômico). Miura (2006) indica outras razões que podem conduzir as IES ao processo de internacionalização. estratégias. razões. às perguntas que se seguem: Por que a internacionalização é um fenômeno em ascensão? Por que as instituições de ensino superior. consequentemente a diferentes resultados esperados e alcançados. pode ser fator de retardamento na obtenção de inúmeros resultados de desenvolvimento e projeção institucional no panorama internacional.

uma vez que preparar cidadãos do futuro para um mundo interligado e interdependente requer um sistema de educação superior cujo processo de internacionalização permita o conhecimento direto e o respeito pela diversidade cultural. ou pelo menos a ausência de parte delas poderia caracterizar-se como uma forma de obstáculo ao processo de internacionalização das IES em geral. portanto escolhido como base para esse trabalho. Paralelamente existem as ações relacionadas ao ensino. a autora enfatiza a necessidade de haver uma cultura organizacional que apóie a integração das ações de internacionalização (9. 7) revisão para avaliar a qualidade e os impactos do processo. 5) operacionalização das atividades e serviços. Efeito da integração). acima de todos os conceitos. há necessidade de revisão da etapa anterior: 1) análise do contexto. O modelo apresenta um fluxo de duas mãos entre cada uma das seis etapas indicando que a cada nova etapa alcançada. O modelo considerado mais abrangente e. a ausência destas estratégias. pesquisa conjunta. o treinamento intercultural. conselhos diretores. Normalmente. É possível perceber que diferentes estratégias programáticas e organizacionais serão escolhidas de acordo com razões e abordagens da internacionalização de cada instituição. . conforme demonstrado na figura 2. podendo ser centralizadas ou ainda contar a participação de outras instâncias institucionais ou unidades acadêmicas. Entre as principais ações de internacionalização estão as chamadas parcerias internacionais que se caracterizam pelos acordos institucionais. Nesse modelo. Uma das grandes dificuldades enfrentadas por muitas IES é definir em qual modelo de internacionalização do ensino superior ela deverá basear-se para a avaliação dos processos em que se encontram. importância da aprendizagem de uma língua estrangeira. o entendimento e o respeito pela multiplicidade de valores e a tolerância entre os povos (MARCKOVITCH. enfim. 4) planejamento das prioridades e estratégias. o modelo de elementos para o desenvolvimento de uma estratégia de internacionalização em universidade de Davies (2001). utilização da literatura e inserção do ensino em língua estrangeira e. finalmente os modelos propostos por Knight (1993 e 1994). podem ser citados o modelo processual e fractal de internacionalização de Rudzky (1998). promovendo. do corpo diretivo das instituições. 1994).2235 seja. professores e estudantes. 2) consciência dos propósitos e benefícios. as estratégias são definidas nos planos superiores. com conteúdo internacional e aproveitamento de créditos. o modelo NUFFIC para a internacionalização da educação superior de Van der Vende (1997) e. que englobam aspectos relacionados ao desenvolvimento da estrutura curricular flexível. uma abordagem planejada e integrada às mudanças que decorrem do crescimento no aspecto comercial da internacionalização. desenvolvimento tecnológico e mobilidade de estudantes/professores. reitorias. 3) comprometimento da alta administração. como dos escritórios de assuntos internacionais constituídos em várias IES. 8) reforço para incentivar e reconhecer a participação dos atores da internacionalização e. ela identifica diferentes etapas do processo numa tentativa de integração da dimensão internacional na cultura e no sistema da universidade. além dos oito fatores. foi o círculo da internacionalização proposto por Knight (1994). Portanto. Dentre os principais modelos de internacionalização das IES referenciados pela literatura disponível sobre o assunto. programas de cooperação. Essas ações tornam-se cada vez mais importantes. 6) implementação de programas e estratégias organizacionais. As estratégias organizacionais e programáticas são consideradas por Knight (2004) como um suporte necessário para o processo de internacionalização.

versão modificada por Knight (1994) Fonte: Adaptado de Knight (1994) A grande inovação desse modelo é que a autora não considera a internacionalização como um processo linear ou estático. mas sobre seu próprio mérito. 3. pesquisa e funções de serviços da instituição. Em muitos casos assume-se que a internacionalização tem um efeito de integração. porém. Para demonstrar essa idéia. a autora enfatiza fortemente a conscientização e o comprometimento da alta administração em relação ao planejamento das estratégias. Uma explicação para esta disposição. operacionalização de atividades e serviços. p. Vale ressaltar que o efeito de integração. ela não é primariamente julgada sobre quais efeitos. não há intenção planejada de integração da dimensão internacional nas atividades de ensino e pesquisa. a pesquisa qualitativa do tipo exploratória. No modelo do círculo da internacionalização. Knight (1994) desenvolve um modelo cuja estrutura baseiase num ciclo contínuo de avaliação e aprimoramento. fora do círculo de internacionalização.137). sem a preocupação deliberada e consciente de integrá-la no ensino. . Metodologia Como o presente estudo pretendia explorar e compreender o processo de internacionalização da Universidade Federal de Uberlândia. segundo De Witt (2002) é que em muitas instituições. além de uma adequada revisão visando o melhoramento do processo. é propositalmente inserido no centro do modelo.2236 Figura 2: Círculo da Internacionalização . (DE WITT. porém. ou seja. apesar das conexões com todas as etapas. como citado abaixo: É possível ver a internacionalização como uma estratégia em si mesma. a internacionalização é vista como um fim em si mesmo. utilizando como estratégia o estudo de caso foi considerada a mais adequada. 2002.

exatas e ciências humanas ou sociais aplicadas. com essa representação heterogênea dos sujeitos da pesquisa. em Janeiro de 2009 foi feita uma nova entrevista com a atual Diretora de Relações Internacionais da Instituição. a UFU é o principal centro de referência em Ciência e Tecnologia de uma ampla região do Brasil. dos que se dedicam a analisar eventos sobre os quais a possibilidade de controle é reduzida ou quando os fenômenos analisados são atuais e só fazem sentido dentro de um contexto específico (NEVES. A seleção das pessoas entrevistadas deu-se a partir de sua ligação mais próxima do fenômeno da internacionalização do ensino superior naquela instituição. assessores. O tempo de duração das entrevistas variou de trinta e cinco minutos a quatro horas e quinze minutos. pela formação dos quadros profissionais das IES recém criadas na cidade e seu entorno. A instituição busca também manter estreitas relações com a comunidade. Os dados coletados por meio de documentos e registros em arquivos foram organizados e analisados. As entrevistas foram gravadas e transcritas. Os dados secundários foram coletados no início do ano de 2009 e atualizados nos primeiros meses do ano de 2011 e a pesquisa foi direcionada no sentido de responder às questões de pesquisa expostas na introdução deste trabalho e respondidas no próximo tópico. 1994). demonstrar como ocorre o processo de internacionalização na UFU. Resultados e discussão 4. bem como pela formação continuada de docentes das redes de ensino da educação básica e profissional. Oito dessas entrevistas aconteceram no período compreendido entre os meses de junho a setembro de 2008. em grande medida. 4. como descrito na introdução. Envolve levantamento bibliográfico. O presente trabalho foi dividido em duas fases: uma fase teórica constituída por pesquisa bibliográfica. Como houve troca de gestão da Universidade no final daquele ano. Assume. foi a importância de se entrevistar ao menos uma pessoa ligada a cada uma das três áreas do conhecimento: ciências da saúde. as formas de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. Objetivou-se. em geral. O critério que auxiliou nessa decisão. O estudo de caso é utilizado quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento (GIL.1 A descrição do contexto em que a pesquisa se desenvolve (estudo de caso) – UFU Com sede na cidade de Uberlândia/MG. polarizando a oferta de vagas e de cursos de graduação e pós-graduação. 1996). entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem sua compreensão. tornando-a . Para realização deste estudo foram entrevistadas 09 (nove) pessoas que atuavam em diferentes áreas da UFU.2237 A pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. uma vez que os serviços oferecidos nas diversas áreas conferem-lhe uma importância singular. O estudo de caso é amplamente usado em estudo de administração e tem se tornado a modalidade preferida daqueles que procuram saber como e porque certos fenômenos acontecem. diretores e coordenadores de curso. o desenvolvimento da pesquisa e da extensão além de responder. incluindo o reitor da instituição à época. e uma fase empírica constituída pela condução de entrevistas e análise de dados secundários (fase documental).

Atualmente conta com 31 unidades acadêmicas e oferece 61 cursos de graduação presenciais em campis nas cidades de Uberlândia e Ituiutaba. mas também dos países e instituições com as quais a UFU estabelece acordos de cooperação internacional. primordialmente. também é importante ressaltar como vêm acontecendo as ações de internacionalização na UFU e a atuação de área de relações internacionais. a . Os primeiros anos do século XXI são marcados pela ampliação não apenas das áreas de abrangência dos convênios. 4. isto é. INEP e SESu mostram que a instituição mantém excelentes resultados acadêmicos e absorve uma forte demanda reprimida por vagas na educação universitária pública no espaço de sua atuação. Indicadores adotados pelo CNPq. FAPEMIG. a partir de razões acadêmicas e de reputação internacional. 15 de doutorado. com os convênios firmados na área das engenharias. especialmente com instituições francesas. ações e laços de cooperação interinstitucional.568 alunos divididos em cursos de graduação. destacando-se. científico e social de toda a região (site UFU. grande impulso foi dado a partir do final dos anos 1980.2 Análise das razões que impulsionam ao processo de internacionalização Os resultados da pesquisa de campo demonstraram que o processo de internacionalização na UFU ocorre. do respeito às diferenças e da luta incessante pela igualdade de direitos e por justiça social (MANUAL DO INTERCAMBISTA. aproximadamente 40 cursos de especialização e 110 cursos de extensão em todas as áreas do conhecimento. e o corpo discente totalizava 23. fundamental para o desenvolvimento político. ensino infantil. ações isoladas de cooperação internacionais e interinstitucionais existem desde a criação das primeiras faculdades que posteriormente deram origem ao que hoje conhecemos como UFU. 2011). ensino médio e línguas estrangeiras (site UFU. considerados importantes instrumentos para o crescimento da Universidade por fortalecerem o conhecimento recíproco. o que contribui com o seu aprimoramento profissional e pessoal. 30 cursos de mestrado. As diretrizes da UFU para a área internacional contemplam a consolidação de programas de mobilidade internacional. De fato. Existe uma forte concordância por parte de todos os entrevistados em relação à importância da Assessoria de Relações Internacionais (ASDRI) no estabelecimento de políticas e regras para o processo de internacionalização da UFU. educação profissional. pós-graduação.401 docentes. ao desenvolvimento das cidades e do campo corresponde com a formação de profissionais capacitados em mais de 30 áreas específicas e com a qualidade dos serviços oferecidos. Seu corpo docente dos três níveis de ensino é composto por aproximadamente 1. A relação que mantém com a comunidade local e regional é considerada orgânica. Sobre o contexto em que a pesquisa se desenvolve. 2008) A UFU busca propiciar aos seus alunos e aos alunos estrangeiros oportunidades de estabelecerem contato com outras culturas e diferentes formas de aprendizagem. a UFU desfruta de um conceito de excelência. Do conjunto das instituições federais de ensino superior (IFES). procura fortificar seus convênios internacionais na expectativa de que as experiências existentes expandam-se. pois. além do desenvolvimento de alunos e professores. É. constituindo-se em agente de integração da cultura nacional e da formação de cidadãos.2238 uma instituição de grande prestígio para a coletividade. 2009). aprimorem-se e sejam referências de uma universidade plural e multicultural em cujo contexto devem prevalecer os princípios da tolerância. Por isso. Porém.

as razões sócio-culturais e políticas. * programas de cooperação.) é fundamental articular as motivações para a internacionalização com as políticas. a busca pela excelência nos padrões de ensino e pesquisa. conforme figura 3. * oferta de cursos de lingua estrangeira. aprendendo e desenvolvendo-se individualmente e coletivamente a partir dessas experiências.. colocando algumas vezes esta razão a frente da razão acadêmica no que tange ao enriquecimento curricular do aluno ou do professor e por conseqüência seu crescimento profissional. estratégias e resultados. reconhecimento nacional e internacional. * flexibilzação curricular. estão relacionadas à capacidade de compreender e respeitar as diversidades culturais. paz e entendimento mútuo além da identidade regional). além das ações relacionadas ao ensino como o estabelecimento de currículos com conteúdo internacional.2239 construção da instituição. programas. Ações relacionadas ao ensino * currículo com conteúdo internacional.28) enfatiza que. aproveitamento de créditos e flexibilização curricular. Knight (2004. a despeito das razões individuais. desenvolvimento de estudantes e professores. recursos da pró-reitoria de pósgraduação. p. O aspecto econômico. especialmente o estabelecimento de acordos institucionais. . Fonte: autoras. A pesquisa de campo demonstra que as principais ações de internacionalização adotadas pela UFU foram as parcerias internacionais. * pesquisa conjunta. Parcerias internacionais * acordos institucionais.3 Mapeamento das ações e estratégias de internacionalização na UFU Muito da expansão da UFU pode ser associada às ações do tipo parcerias internacionais e ações ligadas ao ensino. foram muito citadas também pelos entrevistados razões sócio-culturais e do tipo políticas (cooperação para desenvolvimento. Figura 3. aspectos muito ressaltados no discurso de alguns entrevistados. 4. possivelmente por se tratar de uma universidade pública e gratuita do sistema federal de ensino superior brasileiro. Segundo Knight (2004). oferta de cursos de língua estrangeira. etc). programas de cooperação. Concomitantemente às razões acadêmicas. “(. pesquisa conjunta e a mobilidade de estudantes e professores. O único aspecto relevante a ser considerado numa razão econômica é a busca por incentivos financeiros para possibilitar a realização da mobilidade internacional docente e discente (grants ou recursos de organismos internacionais.. relacionado ao recrutamento de estudantes ou venda de programas acadêmicos visando geração de receita alternativa para a instituição não foi citado por nenhum dos entrevistados. * aproveitamento de créditos. * mobilidade de estudantes e professores.Principais ações de internacionalização promovidas pela UFU. bolsas de órgãos de fomento nacionais. corroborando com Knight (2004). pois todos são ligados e guiados por razões explícitas e mesmo implícitas”.

UFU (2009) Nº alunos em mobilidade internacional 140 120 100 80 60 40 20 0 Nº Alunos 1997 2 1998 1 1999 1 2000 3 2002 5 2003 11 2004 15 2005 27 2006 44 2007 118 2008 99 Figura 5.Número de contratos UFU de convênios internacionais assinados ao longo dos últimos 26 anos Fonte: autoras. intensifica os laços de cooperação e amizade imprescindíveis para o crescimento e o aprimoramento institucional (REUNI. orientando ou co-orientando teses. Uma comparação entre os gráficos relativos ao número de acordos de cooperação internacional assinados (Figura 4) e o número de alunos em mobilidade internacional (Figura 5) comprova o quanto foi válido o esforço na conquista. publicando artigos e livros em co-autoria com docentes da UFU. 2008). professores e pesquisadores de diferentes instituições. manutenção e recuperação dessas parcerias. das relações internacionais e interinstitucionais estabelecidas entre a UFU e outras universidades e centros de pesquisa. Fonte: autoras com base nos dados site ASDRI – UFU (2009) . recebe professores-pesquisadores visitantes. principalmente. por meio de convênios e protocolos. ministrando aulas na Pós-Graduação. participando de bancas. gera pesquisas e publicações coletivas e. Figura 4.2240 Como fruto dos acordos internacionais já estabelecidos. dentre outras atividades. com base nos dados constantes no site da ASDRI .Número de alunos UFU que partiram em mobilidade internacional por ano. proferindo palestras. possibilita contatos entre alunos. situados no âmbito nacional e internacional. A formalização. a UFU promove eventos internacionais em diferentes áreas. docentes de distintos países que participam ativamente da vida acadêmica da UFU.

também uma comparação destes números nos períodos de 2009 e 2011 por continente encontra-se demonstrada na Figura 7. vale um destaque para a Europa. participantes do programa. de todas as áreas do conhecimento. também foi possível perceber que paulatinamente vem crescendo a participação dos mais diversos cursos. Fonte: autoras com base nos dados site ASDRI – UFU (2011) Em relação ao número de convênios mantidos. especialmente da África e da América Latina e que visa possibilitar que cidadãos desses países realizem seus estudos de graduação (PEC-G) e pós-graduações (PEC-PG) em instituições de ensino superior brasileiras. África Ásia 3% 3% América Central 9% América do Norte 11% América do Sul 10% Europa 64% Figura 6 – Distribuição geográfica dos convênios internacionais da UFU por continente. especialmente a França. Atualmente a UFU mantêm convênios com IES em todos os continentes (Figura 6). Entre o primeiro . Continente América Central América do Norte América do Sul Europa África Ásia 2009 10 11 12 53 3 2 2011 9 12 10 66 3 3 Comparação -10% 9% -17% 25% 0% 50% 13% TOTAL 91 103 Figura 7– Número de convênios internacionais assinados da UFU por continente. onde iniciaram-se as primeiras parcerias com os cursos de Engenharias ainda década de 1980 onde apenas neste país a UFU mantém 38 convênios ativos o que representa 37% de todos os convênios vigentes em 2011.2241 De acordo com os dados levantados. A distribuição do número de convênios internacionais assinados que a UFU mantinha com diversos países e. O PEC-G e PEC-PG são programas de cooperação educacional do Governo brasileiro com outros países em desenvolvimento. Fonte: autoras com base nos dados site ASDRI – UFU (2009 e 2011) É importante ainda ressaltar a movimentação de alunos intercambistas provenientes dos Programas PEC-G e PEC-PG na UFU nos últimos anos. no processo de mobilidade acadêmica na UFU e também uma ampliação geográfica dos convênios firmados.

são práticas que começam a surgir. por exemplo. O duplo diploma e a co-tutela.2242 semestre de 2007 e o primeiro semestre de 2011. espanhol. francês. Relativo à flexibilização dos currículos. Relacionado ao ensino de línguas estrangeiras. com destaque para os países Guiné-Bissau (32%). Outra ação importante foi a participação na criação e direção da Associação Grupo Coimbra de Dirigentes de Universidades Brasileiras na ANDIFES. o aluno tem parte de sua carga horária livre para que ele possa decidir como melhor aproveitá-la. . cuja distribuição está demonstrada na Figura 8. 4. italiano e alemão. Fonte: autoras com base nos dados site ASDRI – UFU (2011) A UFU também vem adotando algumas ações de internacionalização relacionadas diretamente ao ensino para poder viabilizar efetivamente a mobilidade acadêmica discente. que também são ações relacionadas ao ensino. a UFU recebeu 44 alunos pelo programa PEC-G. Além desse documento não foi encontrado nenhuma resolução ou portaria referente à internacionalização da UFU. o duplo-diploma e a co-tutela. que oferece cursos regulares dos idiomas inglês. Angola (30%) Cabo-Verde (14%) e Equador (7%). Nas figuras 9 e 10 estão descritas as principais estratégias organizacionais e programáticas percebidas a partir da pesquisa na UFU. a UFU conta com a Central de Línguas – CELIN. algumas já finalizadas e outras ainda acontecendo. provenientes de diversos países. com alunos dos programas de graduação e pós-graduação. Ações também relacionadas a firmar acordos de parceria com instituições não governamentais e da iniciativa privada estão sendo efetivadas de forma a viabilizar o financiamento de bolsas para a realização da mobilidade internacional. a flexibilização curricular. especialmente nos cursos de engenharia e que se referem à adequação dos currículos para o aproveitamento dos créditos das disciplinas cursadas em IES de outros países. Figura 8 – Distribuição geográfica dos de alunos provenientes do programa PEC-G. conforme política institucionalizada pela pró-reitoria de graduação (PROGRAD). além da disseminação e a troca do conhecimento.4 Políticas e estratégias de internacionalização praticadas pela UFU No parágrafo 6º do estatuto em vigor da UFU está registrada a importância do estabelecimento da cooperação internacional na consecução de seus objetivos propostos como Universidade. algumas que já vêm sendo realizadas e com bastante êxito como. além de português para estrangeiros.

* mobilidade professores/ funcionários. * programas de intercâmbio para pesquisa. * reconhecimento da dimensão internacional na missão. grupo Coimbra). Figura 10 – Estratégias programáticas – UFU Fonte: autoras . * artigos e trabalhos publicados. Estratégias Programáticas . * área e centros temáticos. planejamento e documentos de política (ainda muito incipiente). * treinamento contract-based e programas de pesquisa e serviços.doutorado e pósdoutorado). Recursos Humanos * atividades de desenvolvimento profissional dos professores e funcionários. conselhos sobre vistos. *dimensão internacional do currículo.2243 Governança: * compromisso expresso por líderes. * estudo de idiomas estrangeiros. * envolvimento ativo do corpo de funcionários (parcial). Relações Exteriores Plano Doméstico. * (sem informações à respeito). * razões e objetivos para internacionalização bem articulados (em fase inicial). * projetos de assistência para desenvolvimento internacional. * projetos de pesquisa conjunta. Atividades Relacionadas à Pesquisa * acordos internacionais de pesquisa. * entrega cross-border de programas educacionais (não-comerciais). treinamento do corpo de funcionários (ainda em fase muito inicial). * apoio financeiro adequado e sistemas de alocação de recursos (ainda muito aquem das necessidades e demandas). * treinamento intercultural. * serviços de apoio para estudantes recebidos e enviados: programas de orientação. Estratégias Organizacionais UFU Serviços * apoio de unidades de serviços da instituição (ASDRI): tecnologia de informação. * envolvimento de unidades de apoio acadêmico: desenvolvimento do currículo. * apoio para trabalhos internacionais e concessão de licenças para fins de estudo (sabbaticals) (a UFU concede licenças à professores para realizarem parte de sua formação fora do país . Operações: * estruturas organizacionais apropriadas: sistemas formais e informais para comunicação. ligação e coordenação (em fase de implantação). * professores e palestrantes visitantes. Cross-border. * vínculos. * programas de duplo diploma.UFU Atividades Extracurriculares * eventos internacionais/interculturais (campus). Figura 9 – Estratégias organizacionais – UFU Fonte: autoras Programas Acadêmicos * intercâmbio de estudantes (graduação e pósgraduação). * conferências e seminários internacionais. parcerias internacionais e redes (por exemplo.

8. 2. considerando desde a análise do contexto (externo e interno) da instituição.Implementação Implementação de programas e estratégias organizacionais 5. 1994) Dentre os vários modelos para a explicação do processo de internacionalização das IES encontrados na revisão da literatura. bem como pontos em desenvolvimento (amarelo) e alguns fatores que podem ser destacados como bons (verdes). foi o círculo da internacionalização proposto por Knight em 1993 e atualizado em 1994.5 Análise do processo de internacionalização da UFU (modelo proposto por Knight.2244 4. pesquisas e serviços 3. Nesse sentido. 1. portanto escolhido como base para esse trabalho. Operacionalização Atividades acadêmicas e serviços. funcionários e participação de estudantes . O modelo de Knight (1994) foi escolhido porque fornece uma visão geral do processo de internacionalização. Com base no modelo de Knight (1994). 9. o modelo considerado mais abrangente e. Planejamento Identificar necessidades e recursos. governos. Fatores organizacionais e princípios-guia 4. desenvolvendo a compreensão das habilidades interculturais. é possível perceber que a UFU caminha rumo à internacionalização de seus programas de graduação e pós-graduação. funcionários e sociedade. propósitos e objetivos. seria muito prematuro. Miura (2009) defende que um currículo internacional deve provocar no estudante a empatia e a curiosidade intelectual para que os aprendizes participem e obtenham benefícios desenvolvendo a consciência multicultural do processo de aprendizagem. Comprometimento Da administração. mas afirmar que teriam já avançado na integração da dimensão internacional ao ensino e à pesquisa. Análise do Contexto Analisar o contexto externo e interno (documentos das políticas e declarações). os cuidados na implementação dos programas e a integração entre ensino. pesquisa e serviços (Figura 11). reconhecimento e recompensas para professores. Consciência Das necessidades. 7. funcionários e estudantes 6. prioridades e estratégias Figura 11 – Análise do processo de internacionalização da UFU – segundo modelo de Knight (1994) Fonte: autoras . professores. a análise revela pontos de alta fragilidade (destaques em vermelho) no processo de internacionalização da UFU. Efeito da integração Impactos no ensino. propósitos e benefícios da internacionalização para estudantes. professores. Reforço Desenvolver iniciativas. Revisão Avaliar e melhorar a qualidade e impacto das iniciativas e progresso da estratégia.

ou seja. não se poderia afirmar que a dimensão internacional esteja sendo incorporada em todos os aspectos relacionados ao ensino. parágrafo VI). ainda é vista algumas vezes. tais como o intercâmbio de estudantes e a mobilidade de docentes. apesar da inexistência de uma política formal de internacionalização da UFU. sendo reconhecida regional e nacionalmente. nota-se no discurso dos entrevistados uma forte conscientização das unidades acadêmicas pesquisadas sobre a necessidade de ampliação e fortalecimento das estratégias organizacionais e programáticas na UFU. No que diz respeito às estratégias programáticas muitas ações têm sido realizadas em várias unidades da UFU. como afirma De Witt (2002) que em muitas instituições. a internacionalização é vista como um fim em si mesmo. tais como a reformulação de currículos e a integração da dimensão internacional no projeto pedagógico. e que especialmente a esse respeito a internacionalização não deve ter como finalidade apenas o enriquecimento curricular e profissional. na IES estudada. A despeito da inexistência de políticas formais. portanto. fato esse explicitado pelo posicionamento de todos os entrevistados de que a internacionalização é um processo bem vindo. Acredita-se então que caberia uma reflexão acerca da situação sobre como estão sendo julgados os esforços da internacionalização e seus efeitos na qualidade do ensino. porém ainda de forma muito inicial na grande maioria dos cursos e. Ver figura 11. nenhuma portaria ou resolução oficial sobre o tema. reforço (reconhecimento e recompensas). Em termos de política de internacionalização a UFU apresenta um parágrafo em seu estatuto que se refere às estratégias da instituição para atingir seus objetivos propostos (art. algo dinâmico. porém não existiam até a finalização desse trabalho. pesquisa e serviços da instituição ou se a internacionalização nesta IES vem sendo incentivada apenas sobre seu próprio mérito.2245 Os fatores que podem ser classificados como estando em bom estágio de desenvolvimento são: consciência e comprometimento. não há uma intenção planejada de integração da dimensão internacional nas atividades primordiais da universidade. mas sempre e principalmente. planejamento (prioridades e recursos) e operacionalização de atividades acadêmicas e prestação de serviços. 5 Conclusões A internacionalização. que ainda não atingiu o seu fim. Em fase de desenvolvimento podem ser citados: análise do contexto (políticas formais de internacionalização). Em relação às estratégias organizacionais. Mas é interessante notar que. pesquisa e serviços). observa-se que essa instituição tem conseguido desenvolver bem seu processo de internacionalização. diretrizes e definindo suas prioridades. por meio do estabelecimento e cumprimento de metas. necessário e . efeito de integração (impactos no ensino. como uma atividade isolada ou um conjunto de atividades. ou seja. revisão (impactos do processo. a busca do crescimento do indivíduo como cidadão e a busca do entendimento mútuo entre os povos (razões sócio-políticas) em complementaridade às razões acadêmicas e econômicas. qualidade). criando suas próprias estratégias. 6º. Pontos destacados por sua alta fragilidade foram: implementação (estratégias organizacionais). alguns atores-chave nos programas aqui apresentados entendem a internacionalização como um processo.

DE WITT. No entanto.26. España: Artes Gráficas Grupo S. por consequência o destaque desta instituição do interior do Brasil no cenário nacional e internacional como uma das melhores ações da administração (2000-2008). n. por exemplo – para as suas unidades. (2001). octubre) Educación Superior Comparada: el conocimeniento. (2001. Rationales for Internationalization of Higher Education. (2007. 11: 11-19. efetivamente. v.3/4. algo que poderia estimular o processo de internacionalização em todas as unidades que integram a universidade. Higher Education in Europe. No tocante à continuidade do trabalho de internacionalização da UFU. J. seria necessária uma definição mais clara acerca do que a universidade considera como internacionalização para que sua política fosse. v. la Universidad y el desarrollo. J. Fall/Winter). ainda prevalece uma percepção de que tem faltado melhor divulgação de tal política da UFU – suas diretrizes. CALLAN. o desenvolvimento e a institucionalização de uma política de internacionalização por parte da UFU são considerados necessários.2246 fundamental para o avanço do conhecimento e para a melhoria dos cursos de graduação e programas de pós-graduação na UFU. (1998). (2003) Internationalization of universities: A university culture-base framework. vol. ALTBACH. P. G & KNIGHT. um fato relevante foi a citação dos candidatos à reitoria para o período de 2009 a 2012. pp. institucionalizada e para que houvesse um direcionamento de esforços da universidade nesse sentido. P. . 1. A Revolution in Teaching and Learning in Higher Education: The Challenges and Implications for the Relatively Traditional University. mas não é e nem deveria ser a única em todos os níveis – graduação. sobre o grande crescimento da internacionalização da UFU e. Higher Education. Madrid. pósgraduação e extensão. DAVIES. Isso pode significar que existe um reconhecimento por parte da alta administração da UFU no que diz respeito à importância do processo de internacionalização nesta Universidade. 11 No. no. 25. 45. 290-305. 6 REFERÊNCIAS ALTBACH. Higher Education in Europe. n. 4. H. Os entrevistados também reconhecem que a internacionalização é uma das prioridades para a UFU.ª Nicolas Morales. BARTELL. Além disso. The Internationalization of Higher Education: Motivation and Realities. Higher Education Internationalization Strategies: of marginal significance or all-pervasive? The international vision in practice: A Decade of Evolution. Journal Studies in International Education. M. Assim. L. Millenium 3. (2000). H. n. G.

dri. H. Diamantina. Internationalization of higher education in Asia Pacific Countries. QIANG. (2003) Internationalization of Higher Education: towards a conceptual framework. I. (2006). and Rationales.ufu. and conceptual analysis. REUNI (2008). 1997. Cooperação Internacional: Estratégia e Gestão. A. IAU. 1994. Tese de Livre Docência.M.7). In. 2009. By Dr Jane Knight. Internationalization: Elements and checkpoints (Research Monograph. MIURA. Internacionalização da Educação: indicadores para a educação superior. . 2009. J. (eds) (1997). (Org.Preliminary findings report. K. Z. A. In Caderno de Pesquisas em Administração.R. Plano de expansão da Universidade Federal de Uberlândia – período 20082012 – Proposta da Comissão designada para elaboração de Projeto para inclusão da UFU no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI. comparative. 2. Vol. Disponível em www. KNIGHT.D.8. FAUBAI. Internationalization of Higher Education in the United States of America and Europe: a historical . São Paulo: Atlas. usos e possibilidades. (1996) Pesquisa qualitativa: características. Interiorização da Internacionalização. ______. (2006) O processo de internacionalização da Universidade de São Paulo: um estudo de três áreas do conhecimento.1. & DE WIT.3. Greenwood Studies in Higher Education.br . XXXIII Encontro da ANPAD.2247 ______. (1994). v. Ottawa.br <acessado em dezembro 2008>.).4. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 1. Approaches. Disponível no site www. MIURA. NEVES. ______. OLIVEIRA. São Paulo. (2007).ufu. MANUAL DO INTERCAMBISTA UFU. Internationalization Survey .C. I. FEA-RP. v. 2011. MARCOVITCH. São Paulo. (1994). In: EnaAnpad. (1994). n. Amsterdam: European Association for International Education. J. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. No. Canada: Canadian Bureau for International Education. Journal of Studies in International Education. (2004) Internationalization Remodeled: Definition. L. GIL. Ph. K. Policy Futures in Education. O Processo de Internacionalização da Universidade de São Paulo: Um Estudo em Três Áreas de Conhecimento. n. nº 1. Cadernos ANPAE n. São Paulo. J. (2002).

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