Cuiabá, abr/2012 - Ano 1 - Edição 1

Anamnese
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Resolvendo a dor crônica
escubra como novos tratamentos baseados nos mecanismos próprios do corpo poderão diminuir a dor de longa duração. pg 03

Laboratório morfofuncional

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Revitalização da FM
Com a intenção de melhorar o ambiente da faculdade e auxiliar na qualidade do trabalho e do aprendizado, professores da Faculdade de Medicina dão nova cara ao jardim do primeiro andar. A ideia agora é expandir essa ação e dar outra imagem para a fachada e entradas laterais do bloco. pg 06

Laboratório Morfofuncional na Faculdade de Medicina, espaço que permite a realização de atividades teóricas e práticas do curso, foi inaugurado no final de 2011. Com investimento de aproximadamente R$ 600 mil e após dois anos de trabalho, o laboratório está pronto para utilização, contando com livros, bonecos, computadores e outros materiais para estudo. pg 06

M
Ligas e projetos
Informe-se a respeito das ligas e projetos da faculdade. Nesta edição, informações sobre a Liga Acadêmica de Cardiologia (LAC), o Projeto Começando Cedo e a Bateria Metralha. pgs 06, 07 e 08

E você, o que sabe sobre a dengue?
uito se fala sobre essa doença, diariamente a mídia veicula informações sobre casos de dengue, modo de transmissão e sobre sua prevenção, mas como futuros médicos é necessário que saibamos diagnosticar, tratar, enfim, compreender mais sobre uma doença tão incidente no nosso país, mais do que como evitar focos de mosquitos, como não manter água parada, etc. pg 07

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Anamnese

Sejam bem-vindos

Editorial

Calouros
ara quem começou o ano com o pé direito, com a ótima notícia da aprovação, chegou a hora galera! O tão esperado curso de medicina começou e promete! Vocês ingressaram em uma federal, o sonho de muitos conquistados por poucos. Foram necessários esforço, horas de sono dispensadas, aulas e intermináveis exercícios, simulados, apostilas, vestibulares... Mas agora vocês são estudantes de medicina e já podem se preparar para mais esforço ainda, pois, como os veteranos adoram incentivar, “daqui para frente só piora”. A jornada de estudos se torna maior que antes, a quantidade de matéria e a dificuldade das provas só aumentarão e o abalo emocional acontecerá. Pode ser que vocês cheguem a pensar em desistir, mas perceberão que, apesar de tudo, é isso mesmo que vocês querem e que no final vai valer a pena. Apesar desse mau prognóstico inicial, é muito bom viver esse sonho e é gratificante conquistar passo-a-passo o conhecimento médico. Novos objetivos, novas lutas exigirão esperança renovada, comprometimento e muita paciência. Muitos vieram de longe, deixaram família e amigos. A vida está mudando completamente, vocês viverão uma das melhores épocas da vida. Envolvam-se! Participem da faculdade que agora é de vocês. Na FM-UFMT existem diversas atividades de ensino, extensão, pesquisa, esportes e vivência acadêmica. Então aproveitem ao máximo! Conheçam a cidade, o campus, a faculdade, os professores, os colegas e não esqueçam que todos já foram calouros um dia e, em breve, vocês serão veteranos também. Sentirão essa satisfação, não de sacanear quem está chegando, mas de evoluir e do jeito veterano de ser, receber os seus próprios calouros. Enfim, as dificuldades e os louros virão e, independentemente de quaisquer um deles, vocês venceram uma difícil etapa e devem curtir muito esse momento. Vocês agora são nossos calouros: orgulhem-se! E sejam todos muito bem-vindos à UFMT! Gabriella Bastos Acadêmica do 6º semestre

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Expediente

Equipe
Equipe editorial e redatores: Bruna Luiza Fernandes Fernanda Bacagini Guedes Gabriella Bastos de Castro Gabriel Lopes de Amorim Marta Carolina Marques Sousa Pedro Henrique Bauth Silva Diagramação e colaboração: Vicente Mamede de Arruda Filho

O Jornal “Anamnese” é produzido pelo Programa de Educação Tutorial (PET-Medicina). Publicação experimental dos estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso.

Revisores: Alexandre Paulo Machado Livia Pulcherio

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Os mecanismos próprios do organismo para dispersar a resposta inflamatória podem ser a chave para novos tratamentos para a dor crônica
A matéria original completa está disponível no site: http://the-scientist.com/2012/01/01/resolving-chronic-pain

Anamnese

Resolvendo a dor crônica

Artigo

A inflamação é corretamente acusada de ser uma das principais causas da dor aguda e da dor crônica – e mais. A inflamação crônica está por trás de desordens como a artrite reumatóide, a doença intestinal inflamatória, doenças autoimunes, e também está envolvida na patogênese do câncer, da falência crônica cardíaca e patologias neurológicas como as doenças de Parkinson e Alzheimer. Esses problemas de saúde afetam milhares de pessoas e implicam altos custos socioeconômicos e sobre os sistemas de saúde. A inflamação é uma importante resposta fisiológica que impulsiona a reparação tecidual e cuidadosamente regula as reações imunes. Sem ela, nós não poderíamos lutar contra infecções e nos curarmos de ferimentos. Por que e como esse indispensável aliado se transforma em um inimigo? Atualmente, acredita-se que a Síndrome Complexa de Dor Regional seja iniciada por uma reação inflamatória intensa e extensa, pouco comum nos casos de trauma, e com o tratamento nem sempre bem sucedido. A maioria dos casos de dor crônica envolve inflamação. As opções terapêuticas para a dor crônica são complicadas por causa da natureza do andamento dos sintomas.

possibilidade de identificar os fatores de resolução que diminuem a inflamação e usá-los para melhorar a dor que acompanha a inflamação crônica.

O que é dor?
Para a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), esta é “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão tecidual real ou virtual, ou descrita em termos de tal lesão”.

Reduzindo a inflamação
No ano de 2000, enquanto pesquisadores procuravam por moléculas bioativas derivadas do metabolismo do ácido graxo ômega-3, o laboratório de Charlie Sherhan, em Brigham, e o Hospital da Mulher da Escola Médica de Harvard descobriram um composto que naturalmente reduz a inflamação depois de uma reação aguda. Os ácidos graxos ômega3, que podem ser encontrados em alimentos como os peixes e a semente de linhaça, incluem o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA). Esses dois ácidos graxos são conhecidos por terem efeitos benéficos na redução de riscos para muitas doenças, como arterosclerose, asma, doenças cardíacas e câncer. A American Heart Association até recomenda a ingestão de peixes ricos em ômega-3 para a prevenção de doenças cardiovasculares. Entretanto, não se sabe se o ômega-3 ativamente reduz a inflamação. A confusão existe porque nos estudos para investigação dos efeitos do ômega-3 estavam incluídos pacientes em uso de aspirina, dificultando a separação da contribuição anti-inflamatória de cada um destes compostos. O laboratório do professor Serhan começou a analisar a interação do EPA e do DHA com a aspirina e a identificar os compostos moleculares derivados dos ácidos graxos. Primeiramente, eles analisaram a composição dos componentes lipídicos que estavam presentes nos tecidos durante a resolução da inflamação aguda nos camundongos. Os camundongos produziram metabólitos lipídicos que os pesquisadores nomearam de “resolvinas”, pela capacidade de reduzir a reação inflamatória. Embora esses componentes parecessem resolver a inflamação, o processo era diferente da supressão ativa promovida pelo sistema imune. As resolvinas não impediram a ação de células imunes, mas reduziram a atividade inflamatória de populações de células específicas e bloquearam suas produções de quimiocinas pró-inflamatórias, enquanto aumentaram a ação de células imunes que “limpavam” os tecidos mortos. A equipe de Serhan também mostrou que essas moléculas resolutivas eram naturalmente derivadas dos ácidos graxos ômega-3 – e que a aspirina ampliava essa conversão. Quando eles administraram as resolvinas para modelos animais com inflamações agudas e crôni-

Você sabia?
Para a Sociedade Americana de Dor, essa sensação é o quinto sinal vital e deve ser pesquisada e registrada ao mesmo tempo e no mesmo ambiente clínico em que são avaliados os outros quatro sinais: temperatura, pulso, respiração e pressão arterial.

NA DOR CRÔNICA, OS FATORES INFLAMATÓRIOS NUNCA SAEM COMPLETAMENTE DO ORGANISMO.
Enquanto as causas para dor crônica são muitas e variadas, os efeitos que ela provoca no paciente são universais e incluem sintomas como inabilidade para o trabalho, ansiedade, depressão e até estresse póstraumático. Opiáceos como a morfina são considerados os melhores medicamentos para o alívio da dor, mas eles possuem um risco de tolerância e adicção, especialmente, no uso de longa duração. Muitos médicos preferem prescrever drogas antiinflamatórias como os inibidores da ciclo-oxigenase (COX). Os inibidores da COX como a aspirina ou o ibuprofeno podem causar sangramentos gastrointestinais e danos renais se usados em altas doses e inibidores seletivos da COX-2 como o Vioxx estão envolvidos com o aumento de risco para doenças cardiovasculares. Além do mais, essas drogas são mais efetivas para dores brandas e moderadas. Elas têm também uma quantidade máxima de ingestão, além da qual, nenhum efeito adicional é observado. Uma diferença entre a inflamação aguda e a inflamação persistente, que pode levar à dor crônica, é que na última, os fatores inflamatórios nunca são completamente eliminados do organismo. Pesquisas recentes mostraram que a eliminação desses fatores é um processo ativo e que não ocorre simplesmente como o passar do tempo. Essa descoberta oferece a

Para relembrar os aspectos fisiológicos da dor, acesse: http:// migre.me/8fcDB Para conhecer algumas formas de classificação, diagnóstico e tratamento da dor, acesse: http:// migre.me/8fcCv Para conhecer melhor os metabólitos envolvidos na dor crônica, acesse: http://migre. me/8fcEh Acesse o fascículo “Dor crônica persistente: como evitar e tratar”, produzido pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) pelo link: http://migre. me/8fcMB

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cas como peritonite, colite ou asma, foi possível observar um retorno acelerado à homeostase. O estudo demonstrou como a aspirina pode aumentar a produção de mediadores inflamatórios próprios do organismo pela catalisação do metabolismo dos ácidos graxos do ômega-3 em formas químicas que diminuem a inflamação. Além do mais, esses mediadores recém-descobertos aparentemente permitem que um estágio agressivo da inflamação aguda ocorra, o que é fisiologicamente importante antes de subjugar a reação e promover o retorno à homeostase corporal. Mas ainda não está claro se a redução na inflamação também reduz a dor. A inflamação inclui vários processos, nem todos associados com a dor. Por exemplo, enquanto infecções sistêmicas como um resfriado ou uma gripe desencadeiam uma reação inflamatória intensa, elas raramente se relacionam com a dor. A dor só ocorre quando citocinas inflamatórias são lançadas próximas a fibras nervosas nociceptivas ou sinalizadoras de danos. Tecidos danificados liberam seus conteúdos durante ferimentos ou inflamações, inundando os tecidos vizinhos com prostaglandinas e bradicininas, que ativam a secreção de histaminas. Juntas, essas substâncias deixam os vasos permeáveis a ponto de permitir a entrada de células imunes oriundas da circulação. Após esse evento, as prostaglandinas liberadas produzem o inchaço (edema), que é um sintoma característico da inflamação. Quando esse processo ocorre em tecidos ricamente inervados, os mediadores inflamatórios excitam os nociceptores vizinhos, produzindo a sensação de dor.

Anamnese

Artigo
40 nanogramas de RvD1 são injetados na medula espinal em até dois dias após o trauma cirúrgico. Entretanto, se a RvE1 é administrada nos dias 9 ou 17 pós-operatórios, a reversão da dor é apenas temporária e incompleta. Em um modelo de dor que mimetiza a artrite inflamatória em ratos, a RvD1 reduziu a sensibilidade aumentada à dor. O efeito foi parcialmente mediado por um decréscimo no TNF-α e na interleucina-1β – citocinas que levam à inflamação e que também estão envolvidas com o aumento da hipersensibilidade à dor no sistema nervoso central. Nesse modelo, injeções sistêmicas, no lugar de injeções medulares de resolvinas provaram ser efetivas, promovendo uma aplicação clínica mais factível, já que as injeções na medula espinal estão associadas a uma dor significativa. Além do mais, nas culturas celulares, a RvD1 inibiu outros membros da família de receptores TRP. Posteriormente, experimentos in vivo demonstraram que a injeção subdérmica de RvD1 foi suficiente para atenuar a dor causada pela ativação direta desses receptores TRP nos camundongos.

Resolvendo a dor
Considerando que as resolvinas são derivadas de ácidos graxos como o ômega-3 – isto é, de fatores nutricionais essenciais – e que elas são substâncias anti-inflamatórias endógenas, é uma hipótese provável que elas também tenham efeito na dor relacionada à inflamação. Em 2010, o laboratório de Ru-Rong Ji, no Brigham and Women’s Hospital, em Boston, em colaboração com o professor Serhan, explorou essa questão. Usando um modelo animal para dor, os investigadores injetaram formalina na pata de camundongos, o que produziu duas fases de dor: uma reação imediata, retransmitida pelos nervos periféricos e uma reação atrasada, mediada pela inflamação e por neurônios da medula espinal. A primeira fase é caracterizada pelos camundongos lambendo as patas que receberam a injeção pelos cinco minutos seguintes. Depois de um intervalo de 20 a 30 minutos, a segunda fase começa com outra rodada de lambidas nas patas. Os pesquisadores administraram dois tipos de moléculas de resolvinas (Rv), RvD1 e RvE1, para testar as habilidades dessas substâncias em diminuir esse padrão de dor e descobriram que ambas as moléculas são efetivadas quando injetadas nas patas ou na medula espinal. Eles também notaram que a RvE1 diminuiu o edema e os marcadores da resposta inflamatória, o que, em comparação com a morfina ou os inibidores da COX-2, requer uma dose muito menor dessa resolvina para produzir o mesmo alívio. Curiosamente, apenas a segunda fase desse padrão de dor – mediada por mecanismos da medula espinal semelhantes aos ocorridos durante a dor crônica – foi atenuada, indicando que tanto a RvD1 como a RvE1 estavam atuando por meio de um receptor conhecido como Chem23, um receptor de proteína G encontrado

em neurônios nociceptores no gânglio da raiz dorsal e no corno dorsal da medula espinal. Esses neurônios também expressam o receptor de potencial transitório vanilloid 1 (TRPV1), que é o receptor para o irritante indutor de inflamação encontrado na pimenta malagueta, a capsaicina. Em camundongos vivos, a RvE1 conseguiu bloquear a dor causada pela capsaicina. Os mesmos pesquisadores ainda investigaram outro modelo de dor inflamatória causada pela injeção de carragenina, que também dá início a duas fases de dor, porém é considerado um modelo mais próximo à dor muscular encontrada nos seres humanos. Quando os camundongos recebiam RvD1 ou RvE1 nas patas traseiras antes da aplicação de uma injeção de carragenina, o pré-tratamento marcadamente reduzia a inflamação: os camundongos demonstraram menor inchaço, menor número de neutrófilos infiltrados no tecido danificado e um número reduzido de citocinas pró-inflamatórias. Assim como a morfina, a RvE1 não possui a habilidade de reduzir a dor “normal”. Em outras palavras, os ratos não passaram por um entorpecimento, mas sim por um alívio específico da dor associada com a inflamação. Recentemente, pesquisadores começaram a investigar se a dor crônica persistente pode ser um resultado de uma resposta aprendida pelos neurônios medulares. Os neurônios mudam de forma quando são ativamente envolvidos no processo de aprendizagem, tanto em termos do número de conexões físicas entre as células, como no número de receptores nas sinapses dessas conexões. Pesquisadores propuseram que, quando a dor persiste, as conexões neuronais que retransmitem o reforço da dor tornam mais fácil a transmissão da resposta – e depois diminuindo o limiar de dor. Para testar se as resolvinas podem prevenir a formação dessa reação de dor aprendida pela medula, pesquisadores obtiveram fatias de medulas espinais de camundongos e testaram como a transmissão entre neurônios mudava na presença ou na ausência de resolvinas. As resolvinas bloquearam um aumento na ação do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) – uma citocina que acredita-se que atua no aumento da frequência da transmissão sináptica e ainda aumenta a probabilidade de formação de uma “memória da dor” – sem bloquear os níveis normais de transmissão. Posteriormente, os pesquisadores mostraram que a RvE1 também inibe a liberação de glutamato – substância necessária para alguns tipos de aprendizagem neuronal – para um patamar dependente da quinase extracelular regulada por sinal (ERK). Adicionalmente, a RvE1 alterou a atividade do receptor de ácido glutamato N-metil-D-aspártico (NMDAR), também pela via da ERK, dando crédito ao conceito de que o bloqueio da via do ERK pode ser uma promessa terapêutica para o tratamento da dor. Desde a publicação do primeiro artigo pelo professor Ji e seus colegas descrevendo o efeito analgésico das resolvinas, muitos outros artigos vieram. Esses novos estudos descreveram efeitos benéficos em outros modelos de dor e revelaram outros mecanismos pelos quais as resolvinas podem diminuir a dor. Por exemplo, mostrou-se que a RvD1 pode reduzir, prevenir, e até mesmo atenuar temporariamente a dor associada a traumas operatórios em ratazanas. Nesse estudo, a sensibilidade aumentada à dor, na qual um toque considerado benigno pode ser doloroso, foi reduzida ou prevenida quando 20 a

Um cenário mais claro para o futuro
A partir dos dados encontrados em animais, as resolvinas aparentemente serão as candidatas ideais para os novos analgésicos. Por serem derivadas de moléculas lipídicas encontradas naturalmente no organismo, as resolvinas contraatacam a inflamação de uma forma fisiológica. Seus precursores, os ácidos graxos ômega-3, foram testados com algum sucesso no tratamento da dor, embora uma meta-análise recente não demonstre um efeito definitivo. Entretanto, as resolvinas parecem demonstrar efeitos em concentrações cerca de dez mil vezes menores do que doses efetivas de ômega-3 – uma vantagem para o desenvolvimento de uma droga. Intrigantemente, um dos mecanismos que Ji e seus colegas identificaram para a ação analgésica das resolvinas é de que elas bloqueiam vários receptores TRP (particularmente o TRPV1) indiretamente pelo bloqueio da liberação de glutamato dependente de TRPV1. Isso é particularmente interessante, de modo que provê um melhor caminho para o bloqueio do TRPV. De fato, antagonistas de TRPV1 recémdescobertos e testados em humanos resultaram em efeitos colaterais sérios, como a febre alta. A razão mais provável para esse efeito colateral é de que o TRPV1 converte apenas informações sobre dor, mas também sobre temperatura. Bloqueios completos desse receptor, entretanto, também bloqueiam a chegada de informações sobre febre ao cérebro, o que impediria o início de mecanismos de resfriamento corporal como a sudorese. Como as resolvinas bloqueiam o glutamato ao invés de agirem diretamente no TRPV1, elas podem evitar tais efeitos colaterais ameaçadores da vida. Os efeitos colaterais do bloqueio de TRP podem ser ainda mais reduzidos com o uso de resolvinas que atuam especificamente em certos receptores de TRP, como recentemente demonstrado in vivo e in vitro com a RvD1, que parece ser específica para TRPV3. Essa especificidade a receptores pode potencialmente pavimentar o caminho para um tratamento sob medida para sintomas de dor individualizados como hipersensibilidade dolorosa térmica ou mecânica. Outra vantagem potencial das resolvinas é que elas podem ter uma função dual como analgésicos e também como uma droga mo-

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dificadora de doenças inflamatórias. De fato, muitas moléculas com esse potencial já foram investigadas, incluindo fatores de crescimento neuronal e seus antagonistas no tratamento de lesões neurais, dor neuropática ou osteoartrite; eritropoietina na neuropatia diabética; e inibidores da citocina na artrite reumatoide. Infelizmente, desses citados, apenas os inibidores da citocina conseguiram chegar à aplicação clínica. O desafio agora, assim como para todas as moléculas promissoras no estágio pré-clínico de investigação, será o de desenvolver resolvinas em uma forma clinicamente aplicável. Muitas das aplicações experimentais foram por via medular, o que limitaria seu uso em humanos. Como drogas, essas moléculas precisariam ser

Acontece na FM
estáveis – assim elas poderiam ser aplicadas oralmente, por exemplo – de longa ação. Por conta de sua atuação no sistema imune, elas podem ter efeitos colaterais indesejáveis, que precisam de investigações adicionais. Além disso, embora os resultados apresentados por Ji e outros autores sejam impressionantes e racionais, o tamanho do efeito no comportamento da dor nos animais é moderado. Outras drogas analgésicas que têm efeitos ainda mais fortes que as resolvinas em modelos animais, falharam em testes clínicos em humanos porque seus impactos não eram suficiente maiores daqueles obtidos com placebos. O motivo pode ser que a dor humana seja significantemente diferente mesmo do melhor e mais elaborado modelo de dor animal. Com todos esses cuidados, usar resolvinas em testes clínicos vai ser a melhor forma de determinar se o alívio da inflamação crônica de baixo grau, um fator subjacente não só à dor patogênica mas também às condições que variam desde o câncer até a obesidade, poderá reduzir a morbidade e a mortalidade.

Anamnese

Atualidades do CAMED

Fernanda Bacagini Guedes Acadêmica do 5º semestre

Laboratório morfofuncional

No início deste ano, a nova representação do Centro Acadêmico de Medicina (CAMED) começou suas atividades com variados projetos para o ano de 2012. O atual Coordenador Geral do Camed Pedro Henrique Maggi Carlesso explica que a nova gestão propôs uma Semana do Calouro, como ocorreu no mês de março, repleta de palestras e debates. A finalidade foi abordar temas relevantes sobre saúde e o mercado de atuação do médico no atual cenário mato-grossense. Dentre os outros planos do Centro Acadêmico, estão a reforma do espaço físico da entidade. O ambiente presta-se à interação entre as diversas turmas e como ponto de apoio às atividades acadêmicas e passará por mudanças como ampliação do espaço destinado ao descanso e novo ambiente para reuniões. O Centro Acadêmico conta com representatividade no Colegiado e Congregação de curso. Nas primeiras reuniões deste ano foi mencionado que as Ligas Acadêmicas terão maior apoio, sendo o Camed ativo no seu papel de colaborador, através de uma futura normatização de seu estatuto. Em breve, o Centro Acadêmico promoverá a primeira Assembleia Geral de 2012 que abordará temas pertinentes ao período da greve estudantil ocorrida em 2011. Como visto, há sempre novidades do Camed, assim o presente jornal prontifica-se em sempre ser um vínculo entre o CA e os estudantes.

No final de 2011, foi inaugurado o Laboratório Morfofuncional na Faculdade de Medicina, espaço que permite a realização de atividades teóricas e práticas, otimizando recursos e permitindo o ensino integrado. Estiveram presentes na inauguração a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli Neder, o diretor da Faculdade de Medicina, Antônio José de Amorim, docentes da Faculdade de Medicina e alunos. Foram dois anos para concretizar o laboratório, reivindicado pelos estudantes de Medicina. Foram investidos aproximadamente R$ 600 mil para a aquisição de livros, bonecos, computadores e outros materiais. Vários professores também doaram livros para a montagem da biblioteca setorial presente no laboratório. Os alunos podem utilizar as estantes com roteiros de estudo, que permitem uma abordagem mais didática aos temas de anatomia. Os computadores auxiliam nas pesquisas na internet. A biblioteca setorial possui literatura atualizada e variada. O trabalho de pintura das estruturas ósseas, feito pelo professor Flávio Tampelini, também será feito em breve com grupos musculares, facilitando ainda mais o aprendizado da matéria. Os bonecos utilizados para simulação de procedimentos de saúde da mulher e da criança foram colocados na sala 52 da Faculdade de Medicina, onde agora funciona o Laboratório de Habilidades Clínicas. O espaço possui simulador neonatal e materno, de parto avançado e bebê para RCP e práticas de medidas, materiais de simulação de exame ginecológicos, exame de próstata, emergência pediátrica, nascimento avançado, punção venosa adulto, intubação de crianças, modelo de auscultar cardiorrespiratório, modelo avançado de bebê para treinamento emergencial, modelo de treinamento de suporte básico de vida (BLS), dentre outros. O professor Flavio pretende ainda montar dentro do Laboratório Morfofuncional uma videoteca com filmes, séries e documentários ligados a Medicina. Com o auxílio de alunos, também produzirá vídeos para ensino das matérias de Anatomia. Assim, os alunos poderão complementar as aulas teóricas e práticas com os vídeos produzidos na faculdade, que também serão disponibilizados online. A modernização do laboratório de Anatomia também é um dos planos do professor, com a instalação de um projetor e um painel para auxiliar os alunos nas aulas práticas. O laboratório funciona de segunda à sexta, das 7:00h às 11:30h, das 13:30h às 17:30h e das 18:00h às 21:00h. Aos sábados, o laboratório abre das 8:30h às 11:30h. Durante a semana, no período da noite, o laboratório fica por conta dos monitores Dimitria Doi (turma 46), Carlos Justi (turma 47), Antonio Lavinda (47), Marco Túlio (47), Bianca Lellis (47) e Rafael Abe (47). Gabriel Lopes de Amorim Acadêmico do 5º semestre

Marta C. M. Sousa (5º semestre) Pedro Maggi Carlesso (6º semestre)

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Informamos que a Liga Acadêmica de Cardiologia (LAC), fundada em junho de 2011, teve seu funcionamento regularizado em agosto do ano passado por meio de sua aprovação pelo Colegiado de Curso da FM – UFMT. A LAC está sob coordenação do professor Jarbas Ferrari Júnior e tem como presidente o acadêmico Antônio Lavinda, graduando do segundo ano. A atuação da LAC é pautada no tripé ensino, pesquisa e extensão. Dentre suas atividades incluem-se: - Reuniões científicas, que ocorrem às segundas-feiras das 18h às 20h na FM. Práticas semanais no Hospital do Câncer de MT. - Pesquisas conjuntas às Faculdades de Nutrição, Enfermagem e Educação Física no Núcleo de Aptidão Física, Metabolismo e Saúde. Os integrantes da LAC são compostos, neste momento, apenas

Liga Acadêmica de Cardiologia

Acontece na FM
por seus idealizadores, que incluem acadêmicos do segundo e terceiro ano do curso de Medicina. De acordo com o estatuto que rege a liga, quando houver abertura de processo seletivo, discentes a partir da UC-2 estarão aptos para prestá-la. No último mês de novembro a LAC realizou sua primeira atividade com a comunidade que frequenta a UFMT para a prática esportiva. Foram promovidas ações de prevenção e controle do diabetes em conjunto com a Faculdade de Educação Física (FEF-UFMT). Nessa ocasião, utilizou-se um novo método de se medir hemoglobina glicada e que permite a obtenção de resultados em apenas seis minutos. O surpreendente resultado (21% das pessoas atendidas possuiam glicemia média acima do normal) tem motivado o grupo na idealização de projetos que serão colocados em prática no ano de 2012 com o objetivo de reduzir esse índice. Fabrício Sanches Acadêmico do 4º semestre

Anamnese

Revitalização da FM
O bloco do DCBS III, onde se localizam as Faculdades de Medicina e Nutrição da UFMT, é um prédio antigo e sofre com dificuldades relacionadas à infra-estrutura, como a maioria absoluta das faculdades públicas. Foi pensando na melhoria do ambiente da faculdade que os professores Bianca Galera, Flávio Tampelini, Carmem Bassi, Naiana Leotti e Juliane Dalbem se juntaram no início de janeiro para mudar a situação. Com o apoio da faculdade e de diversos professores, a equipe mudou o visual do jardim I, revitalizando o primeiro andar. Os bancos pintados e os vasos de plantas por todos os corredores do prédio e mesas da cantina também foi ideia deles. Grande parte do material foi financiado pelos próprios professores. Eles acreditam que a melhoria do ambiente da faculdade auxilia na qualidade do trabalho e do aprendizado. A ideia foi

aprovada pela faculdade e alunos e o trote solidário aplicado aos novos calouros também envolveu o trabalho nos jardins e áreas externas da faculdade. A ideia agora é expandir essa ação e dar uma outra aparência para a fachada e entradas laterais do bloco. Para isso, foi criado um projeto de extensão para revitalização do bloco, orientado pelo Prof. Flávio Tampelini e que será conduzido durante o primeiro semestre de 2012. O professor Flávio pede a ajuda dos alunos para que deem sugestões de nome para o Jardim! O Jornal Anamnese apoia a causa e agradece a todos os professores e alunos envolvidos na melhoria da qualidade do ambiente de estudo e trabalho! Gabriel Lopes de Amorim Acadêmico do 5º semestre

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Muito se fala sobre essa doença. Quase diariamente, a mídia veicula informações sobre casos de dengue, modo de transmissão e, insistentemente sobre sua prevenção. Como futuros médicos, é necessário que saibamos diagnosticar, tratar, enfim, compreender mais sobre essa doença tão incidente no nosso país, mais do que como evitar focos de mosquitos, como não manter água parada, etc. A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através da fêmea do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo. Já foram identificados vários tipos de dengue, pois o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A dengue tipo 4 representa risco a pessoas já contaminadas com os vírus 1, 2 ou 3, já que não tem defesa a esse sorotipo, assim tornam-se vulneráveis à manifestação alternativa da doença e complicações hemorrágicas.

Anamnese

E você, o que sabe sobre a dengue?
Na infecção inaparente o pacientes não apresentam nenhum sintoma. A maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. A dengue clássica se apresenta semelhante à gripe, tem início súbito e dura entre cinco a sete dias. Os sintomas incluem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros. A Dengue Hemorrágica é uma forma grave, inicia-se de maneira semelhante à forma clássica, mas é caracterizada por alterações da coagulação sanguínea e, após o terceiro ou quarto dia, surgem hemorragias (nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas). Quando os sintomas de febre cessam a pressão arterial do doente cai, o que pode levar a tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. A Síndrome de Choque da Dengue se caracteriza por uma grande queda da pressão arterial, o paciente apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência. Nesta forma, podem ocorrer complicações neurológicas, problemas Quando suspeitar de dengue? cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Assim Em casos de doença febril que dure até sete se não tratada com rapidez, pode levar à morte. dias e se apresente associada a pelo menos dois dos sintomas: dor de cabeça, dor atrás dos olhos, Como se faz o diagnóstico dessa dores musculares, dores nas juntas, prostração doença? e vermelhidão no corpo, há suspeita de dengue. O diagnóstico da dengue é realizado Como a dengue se manifesta? com base na história clínica do doente, Inicialmente, para descartar outras doenças. Existem quatro formas diferentes de Em seguida são realizados exames de sangue, apresentação da doença: Infecção Inaparente, que indicam a gravidade da doença, como Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue hematócrito e contagem de plaquetas. Para e Síndrome de Choque da Dengue, mas dentre comprovar a infecção com o vírus da dengue, elas tem destaque a Dengue Clássica e a Febre é necessário fazer exames específicos para Hemorrágica da Dengue. isolamento do vírus em culturas ou anticorpos

Informe-se
específicos, como a sorologia. Entre os exames que podem identificar a dengue hemorrágica utilizam-se: a prova do laço, a contagem das plaquetas e a contagem dos glóbulos vermelhos.

SINAIS DE ALERTA!
É importante destacar que a dengue é uma doença dinâmica, que pode evoluir rapidamente de forma mais branda para uma mais grave. Devemos estar atentos a alguns sinais durante a evolução do paciente com dengue que podem indicar uma apresentação mais grave da doença e necessidade de maiores intervenções terapêuticas. Os principais sinais e sintomas são: dor abdominal intensa e contínua (não cede com medicação usual); agitação ou letargia; vômitos persistentes; pulso rápido e fraco; hepatomegalia dolorosa; extremidades frias; derrames cavitários; cianose; sangramentos expontâneos e/ou prova de laço positiva; lipotimia; hipotensão arterial; sudorese profusa; hipotensão postural; aumento repentino do hematócrito; diminuição da diurese; melhora súbita do quadro febril até o 5º dia; taquicardia.

E quando se confirma o diagnóstico, como tratar?
O tratamento da dengue se baseia em repouso e hidratação, é importante orientar o paciente quanto à abundante ingestão de água abundantemente, sucos naturais e chá. Também podem ser usados antitérmicos. O paciente não deve tomar remédios à base de ácido acetil salicílico, como AAS, Melhoral, Doril, Sonrisal, Alka-Seltzer, Engov, Cibalena, Doloxene e Buferin, são anticoagulantes e podem promover os sangramentos. Gabriella Bastos Acadêmica do 6º semestre

Começando o ano cedo
A cada novo ano em que entramos, buscamos planos e projetos a fim de aprimoramentos. Com o Projeto Começando Cedo não é diferente, 2012 promete. Nosso estimado projeto dispensa apresentações e vem com uma carga muito positiva, graças aos nossos queridos companheiros Paulo Reis e Denise França que seguem apoiando a cada decisão dentro da nova coordenação. Para esse novo ano, iniciamos já com uma nova cara, um símbolo que representa muito bem os princípios do Começando Cedo. Além do novo símbolo, contaremos também com um blog (disponível em www. comecandocedo.blogspot.com) no qual todos poderão conhecer a nossa história, ler relatos dos integrantes, acessar fotos e deixar críticas e comentários a fim de nos engrandecer cada vez mais. Os cinco novos coordenadores, Adriana Mucio, Lucas Caixeta, Luciano Loyola, Susane Marafon e Thiêgo Maia serão agora separados por setores do HUJM com o objetivo de facilitar o monitoramento, sempre pensando no progresso do projeto. Por fim, buscaremos tornar mais dinâmicas as visitas, para isso teremos treinamentos específicos, principalmente aos novos integrantes. Nós da nova coordenação reconhecemos a importância do projeto e o que ela representa ao nosso hospital universitário, por isso tentaremos carregar de forma digna o nome Começando Cedo, sempre calcados na alegria e descontração. Bom ano para todos, que a felicidade comece muito cedo e nunca acabe.

Luciano de Paula Loyola Netto Acadêmico do 3º semestre

Novo símbolo do Projeto Começando Cedo.

08

Anamnese

Projeto ACERTO
O Projeto ACERTO (ACEleração da Recuperação TOtal Pósoperatória) é um programa que visa a acelerar a recuperação pós-operatória de pacientes. Baseado em um programa europeu já existente (ERAS) e fundamentado no paradigma da medicina baseada em evidências, o Projeto ACERTO é, antes de tudo, um programa educativo. O tradicional cuidado pós-operatório tem sido questionado e evidências têm mostrado que muitas condutas e práticas peri-operatórias são obsoletas e não têm respaldo científico. São quase empíricas e transmitidas a novos cirurgiões há décadas sem devido questionamento. A experiência do protocolo ACERTO mostrou nos últimos anos a vantagem de seguir protocolos. Os resultados desse projeto ao longo de cinco anos foram mostrados em vários trabalhos publicados e no livro ACERTO. A implementação desse protocolo pioneiro no Brasil desde 2005 fez baixar índices de mortalidade, de morbidade e tempo de internação hospitalar no Hospital Universitário Júlio Müller. No Departamento de Clínica Cirúrgica do Hospital Universitário Júlio Müller a implantação do protocolo ACERTO foi feita a partir de um treinamento em seminário realizado em julho de 2005 com a participação de médicos (docentes, médicos e residentes dos serviços de cirurgia e anestesia), nutricionistas, enfermeiros e fisioterapeutas. Nesse seminário, abordou-se os seguintes temas: 1. nutrição peri-operatória; 2. hidratação venosa peri-operatória; 3. importância da analgesia e redução de vômitos na redução da resposta metabólica ao trauma; 4. cuidados com o paciente (informação pré-operatória, drenos, sondas e deambulação ultra-precoce); 5. evidência contrária ao preparo mecânico do cólon; e 6. racionalização do uso de antibióticos em cirurgia. Confeccionou-se uma apostila para facilitar a implantação do projeto que foi entregue aos profissionais, residentes e estudantes, e também colocada à disposição na enfermaria do serviço de cirurgia geral. Foram apresentados dados de auditoria realizada para se conhecer alguns índices de qualidade de cuidados peri-operatórios da enfermaria e a morbi-mortalidade. Ao final do seminário, a implantação do protocolo ACERTO no dia seguinte foi por aderência e não por imposição. Rotinas como o jejum pré-operatório e pós-operatório imposto a pacientes podem agravar a resposta metabólica e estado nutricional predispondo pacientes a uma maior resposta orgânica ao trauma e queda do estado imunológico. O uso indiscriminado de antibióticos vistos como

Acerte!

salvavidas, não tem fundamento e o uso criterioso não só elimina custos como também é seguro e previne a resistência bacteriana. Novos avanços na anestesia e analgesia beneficiam o paciente e o auxiliam na sua mobilidade precoce e alta hospitalar abreviada. A avaliação do estado nutricional é vital e estudos mostram que no Brasil ela é bastante negligenciada. O suporte nutricional adequado no período peri-operatório é uma arma terapêutica que melhora os resultados operatórios em grupos específicos de pacientes. Para alcançar aprimoramento, é necessário um programa construído de modo multidisciplinar em que todas essas rotinas façam parte. A lei primeira do programa ACERTO é: o dia da operação é o primeiro dia da recuperação do paciente. Além da vasta produção acadêmica como artigos, temas livres, teses, livros e comunicações orais em diversos congressos Brasil e do exterior, a equipe do ACERTO realiza treinamento em vários hospitais do país. Esse ano a equipe do Projeto ACERTO realizou o congresso anual entre os dias 15 a 17 de março no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. Antes, no dia 14 de março houve o pré-congresso, para que muitos que ainda não estavam familiarizados com o protocolo pudessem conhecê-lo melhor antes das palestras e debates. Vieram congressistas e palestrantes de vários lugares do Brasil, inclusive um palestrante internacional, Dr. Olle Ljungqvist da Suécia. Para mais informações, acesse http://www.projetoacerto.com.br.

Metralha

Prof. Dr. José Eduardo Aguilar-Nascimento Pedro Henrique Bauth Silva (5º semestre)

Assim como em quase todas as Faculdades de Medicina do país, a FMUFMT conta com uma Atlética, aqui nomeada de Associação Atlética Acadêmica Paulo Henrique Kohatsu, a mesma tem por finalidade máxima de interação e união entre os discentes de medicina. Para esta finalidade conta com inúmeras confraternizações que exemplificam o “jeito metralha” de ser, estas atividades começaram cedo no ano de 2012, com inovações no trote solidário entre os calouros. Foi proposto um cronograma que juntamente com o Centro Acadêmico promoveu atividades de cunho filantrópico (atividades de doação de alimentos a asilo e de sangue ao Hemocentro) e sociocultural, ressaltando o repúdio a trotes violentos. As atividades esportivas da Metralha incluem jogos e treinos de voleibol, handball, futebol, atletismo, basquete, futsal e natação, incluindo modalidades tanto femininas quanto masculinas. Os treinos são uma prévia do que acontecerá nos jogos interclasse. A Atlética, com a Bateria, tem seu advento máximo na participação do Intermed, que tipicamente acontece em outubro, sendo este ano realizado em Campo Grande, MS.

A Atlética promoveu no dia 24 de março um encontro para os interessados em aprender a tocar instrumentos de uma bateria. Ao longo do semestre, acontecerão eventos festivos da Associação, mostrando a versatilidade e união de seus participantes. Neste ano a Associação conta com nova direção que integra acadêmicos de várias turmas, inovando o grupo, tornado as ações culturais e solidárias da mesma mais visíveis, sem, contudo perder o tradicionalismo do Leão. A Metralha encontra-se sempre aberta a todos que queiram participar de seus eventos e fazer parte do grupo, intitulado por eles mesmos como família. Assim, a todos e em especial aos calouros, fica o convite pra que participem das atividades.

Marta Carolina Marques Sousa Acadêmica do 5º semestre

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