Conjuntos e Funções

Ivan Eugênio da Cunha
1 de Janeiro de 2011

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Conteúdo Capítulo I – Conjuntos e Relações ........................................................................ 5
1 – Noções Elementares Sobre Conjuntos .............................................................. 5 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 1.10 1.11 – Conjunto e elemento ......................................................................................... 5 – Pertinência ........................................................................................................... 5 – Representação ..................................................................................................... 5 – Conjunto unitário e vazio ............................................................................... 6 – Conjunto universo ............................................................................................. 7 – Subconjuntos e igualdade entre conjuntos ............................................ 7 – União e intersecção ........................................................................................... 9 – Diferença e complementar ........................................................................... 14 – Conjunto das partes e partição de conjuntos ...................................... 18 – Diferença simétrica..................................................................................... 20 – Generalizações .............................................................................................. 21

Exercícios I – 1..................................................................................................................... 24 2 – Pares Ordenados e Produto Cartesiano......................................................... 26 2.1 2.2 – Par ordenado ..................................................................................................... 26 – Produto cartesiano.......................................................................................... 27

Exercícios I – 2..................................................................................................................... 29 3 – Noção de Cardinalidade ........................................................................................ 30 3.1 3.2 – Cardinalidade de alguns conjuntos finitos ........................................... 30 – Alguns exemplos ............................................................................................... 31

Exercícios I – 3..................................................................................................................... 34 4 – Relações ....................................................................................................................... 35 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 – Plano cartesiano............................................................................................... 36 – Relações binárias ............................................................................................. 37 – Funções ................................................................................................................ 40 – Relações de equivalência.............................................................................. 42 – Relações de ordem total ................................................................................ 45

Exercícios I – 4..................................................................................................................... 48

Capítulo II – Funções e Estruturas ................................................................... 51
1 – Características Gerais ........................................................................................... 51 1.1 – Definição de função e notação ................................................................... 51

2 1.2 1.3 1.4 – Igualdade entre funções................................................................................ 51 – União de funções .............................................................................................. 53 – Imagens e pré-imagens de funções ........................................................... 55

Exercícios II – 1 ................................................................................................................... 60 2 – Funções Injetoras, Sobrejetoras e Bijetoras ................................................ 62 2.1 – Definições ............................................................................................................ 62

2.2 – Imagens e pré-imagens de injeções, sobrejeções e bijeções; função inversa. ................................................................................................................. 64 Exercícios II – 2 ................................................................................................................... 66 3 – Conjuntos Indexados e Generalizações .......................................................... 67 3.1 3.2 – Conjuntos indexados ...................................................................................... 67 – Generalizações .................................................................................................. 69

Exercícios II – 3 ................................................................................................................... 73 4 – Produtos Cartesianos: Caso Geral .................................................................... 74 4.1 4.2 – O Axioma da Escolha ...................................................................................... 74 – Generalização do produto cartesiano ..................................................... 75

Exercícios II – 4 ................................................................................................................... 79 5 – Operações Unárias e Binárias; Estruturas Algébricas Básicas ........... 80 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 – Operações e Relações ..................................................................................... 80 – Comutatividade, associatividade e distributividade........................ 80 – Grupos .................................................................................................................. 82 – Anéis ...................................................................................................................... 86 – Corpos ................................................................................................................... 86

Exercícios II – 5 ................................................................................................................... 91 6 – Composição de Funções; Mais Sobre Grupos .............................................. 92 6.1 6.2 6.3 6.4 – Composição de funções ................................................................................. 92 – Morfismos de grupos ...................................................................................... 97 – Grupo de permutações................................................................................... 99 – Grupos diedrais .............................................................................................. 101

Exercícios II – 6 ................................................................................................................. 106

Capítulo III – Conjuntos Numéricos............................................................... 108
1 – Conjunto dos Naturais ......................................................................................... 108 1.1 1.2 – Axiomas de Peano .......................................................................................... 108 – Soma e produto de números naturais ................................................... 110

......7 2...................................6 2........................ 112 – Potência de números naturais .........................................................................................4 1..........................................................3 2......................................................3 1...........................................................................5 2.. 153 ..5 1.....................................................................................................................8 – Conjuntos finitos .......................................3 1.....................................6 – Relação de ordem em ℕ .................. Aritmética de Cardinais ..........................1 2............................................................ 129 Exercícios III – 1 .........................................................2 2......................................................................... 142 – Equipotência de conjuntos ..... 117 – Teorema Binomial de Newton ....... 136 – Conjuntos infinitos..........................................................................................................4 2.. 140 – Conjuntos enumeráveis................................... 145 – Ordenação de números cardinais ................ 151 – Aritmética de cardinais .. 133 2 – Conjuntos Finitos e Infinitos..................... 146 – Cardinais finitos .................. 136 2................ 144 – Números cardinais ....................................................... 116 – Somatório e produtório .................................

4 .

Uma forma que. Para indicar que um elemento pertence a um conjunto. dado um conjunto .2 – Pertinência Outra noção primitiva é a de pertinência.5 Capítulo I – Conjuntos e Relações A noção de conjunto é uma das mais fundamentais da matemática. usa-se a indicação “∉” e. além da utilização de vírgula para a separação desses. É interessante notar que. que desempenham papel significativo na matemática (inclusive na construção de conjuntos). para indicar que um elemento pertence a . que faz a relação entre elementos e conjuntos. elemento ). assim. é conveniente consiste em simplesmente explicitar os elementos do conjunto. pode-se ter que um conjunto pertença a outro. escrever: = . podemos ter conjuntos cujos elementos também são conjuntos. A utilização de chaves ao início e fim da listagem de elementos. Um conjunto. não são definidas. Para isso. em vezes. 1. se usa o símbolo “∈”. intuitivamente. Normalmente esses conjuntos. sendo um conjunto e . Por exemplo. pois (quase) toda a matemática é construída com base no conceito de conjunto e suas propriedades. mas temos uma noção intuitiva. conjunto ) e letras minúsculas para indicar elementos (por exemplo. Para a representação. Ou seja. se escreve ∈ . . é uma convenção e será adotada nesse texto. . se escreve ∉ para indicar que não pertence.1 – Conjunto e elemento As noções de conjunto e elemento são primitivas. e seus elementos (por exemplo). esses chamados de elementos. Nessa parte do texto serão apresentados alguns rudimentos da Teoria “Ingênua” dos Conjuntos e o que se denominam relações binárias. Também se pode indicar que um determinado elemento não pertence a um dado conjunto .3 – Representação A representação de um conjunto pode ser feita de diversas maneiras. 1 – Noções Elementares Sobre Conjuntos 1. como um elemento de um conjunto pode ser qualquer objeto. 1. são chamados de famílias de conjuntos ou coleções de conjuntos. Ou seja. é um agrupamento de objetos (de qualquer natureza). quando explicitado que se trata de conjuntos formados de conjuntos. ou seja. se usa comumente letras maiúsculas para indicar conjuntos (por exemplo.

podemos escrever o conjunto dos naturais como sendo ℕ = 1. Por exemplo. mas apresentando alguns elementos que tornem evidente qual conjunto se está tratando e acrescentando reticências no final da listagem. na verdade. se indique o último elemento. . ⋯ .4. É interessante ressaltar que a propriedade pode. pode-se representar na forma de listagem. unitário. se é unitário e . ⋯ . os elementos e pertencem ao conjunto ( .3.2. .4. caso o elemento não pertença ao conjunto. Uma última observação a ser feita é que a notação . Outra forma de representar um conjunto é destacando alguma propriedade que caracterize esse.4. ser uma combinação de propriedades.6 Quando o conjunto é infinito. ∈ . Exemplo 1.500 . sendo um conjunto e uma propriedade exclusiva dos elementos desse conjunto. Por exemplo.4 – Conjunto unitário e vazio ∈ significa ∈ e Definição 1. após as reticências. representar por: = | Lê-se “Conjunto dos elementos tal que possui a propriedade ” (a barra vertical. 1.3. ∈ ) enquanto o não pertence ( ∉ ): ∈ . A saber. Ou seja.1: O conjunto formado pelas soluções da equação 2 + 3 = 0 é Definição 1.2. é lida como “tal que”). Essa representação consiste em representar o conjunto como sendo um círculo onde se coloca o elemento dentro do círculo para dizer que ele pertence ao conjunto ou fora. No exemplo abaixo. Por exemplo. é = − . bastando que. Mas as reticências também podem ser usadas em conjuntos finitos. o conjunto solução.1: Um conjunto é dito unitário se possui um único elemento. |. podemos dizer que o conjunto é formado pelos números naturais pares menores que 100 ( = ∈ℕ| é < 100 ) Uma terceira forma de representar um conjunto é através do diagrama de Euler-Venn. o conjunto dos quinhentos primeiros números naturais pode ser dado por = 1.2: O conjunto vazio é aquele que não possui elementos. então = . Ou seja.4.

1: Um conjunto é dito ser subconjunto de um conjunto se todos os elementos de forem também elementos de . existe algum que pertence a . 1. Também é comum a utilização da notação ⊆ . ∈ ⟹ ∈ (o símbolo ⟹ se lê “implica”).” ou “é condição necessária e suficiente”). no desenvolver de certos assuntos em matemática. então. Representamos a implicação dada simplesmente escrevendo ⊂ . Diz-se. Agora se pode entender as duas notações usadas: em alguns textos. Definição 1. onde o símbolo ⇏ significa “não implica”. Uma forma equivalente de apresentar essa definição é dizendo que ⊂ é uma inclusão própria quando. Ou seja.7 Mais comumente. se usa a notação ⊂ exclusivamente quando é um subconjunto próprio de e ⊆ quando se admite a possibilidade de = (é uma notação análoga ao de ≤ nos números reais quando se quer dizer que é menor ou igual a ). 1.6 – Subconjuntos e igualdade entre conjuntos Definição 1. mas existe algum tal que ∈ ⇏ ∈ . “se. onde ∃ se lê “existe algum”). é o que define a igualdade entre dois conjuntos (o símbolo ⇔ é uma composição da implicação ⇒ com a ⇐ e pode ser lido como “é equivalente”. Quando a condição ∈ ⇔ ∈ . que será esclarecida logo abaixo. mas existe algum tal que ∈ e ∉ . e somente se. Ou seja. se a solução que se procura para um problema é um número real. Abaixo está a representação diagramática do que foi discutido. ∈ ⟹ ∈ .5 – Conjunto universo Em geral.3: O caso oposto. para todo . Por exemplo. pois nenhum número real satisfaz essa condição.6. que é um subconjunto próprio de (ou parte própria de ).2: Se ⊂ . quando se tem ⊂ e todos os elementos de pertencem a .6. Definição 1. . admite-se a existência de um conjunto universo (genericamente representado por ). Tal é o conjunto ao qual pertencem todos os elementos envolvidos no assunto. Esse conjunto pode aparecer quando a propriedade dada ao conjunto é logicamente falsa. Por exemplo. o conjunto definido acima é representado pelo símbolo ∅. o conjunto dos números reais tais que ≠ ( = ∈ ℝ | ≠ ) é o conjunto vazio. mas também pode ser representado por . se escreve = . a inclusão é própria (podemos reescrever isso como ∃ | ∈ ∉ . mas não a . para todo .6. Com mesmo significado também se diz que está incluído em ou que é parte de . ∈ ⇔ ∈ . tal fato será explicitado. Mas aqui usaremos a notação ⊂ mesmo que exista a possibilidade de = . Quando for subconjunto próprio de . o conjunto universo adotado é o dos números reais (tal situação será muito comum nesse texto). ou seja. para todo . exclusivamente. para todo . é satisfeita.

= Exercício 1. na verdade. para completar o exemplo. a igualdade entre conjuntos não depende da ordem em que são listados os elementos. .6. Dizemos que um conjunto não é subconjunto do conjunto . . mas sim que. de forma geral. pode ocorrer uma (e. . . claro. Ou seja. deve existir algum elemento de que não pertence a . podemos dizer que = ? SUGESTÃO: Use a Definição 1. e = . quando existe algum ∈ tal que ∉ .3.3 e ⊂ .2. .2: Se um conjunto é dado por = . De forma geral. . Existem também as relações de negação referentes às definições apresentadas. Aqui temos a situação onde há um ou inclusivo. temos Exercício 1. para algum . Exemplo 1. muito comumente. = 1. Perceba que isso é a negação da afirmação ∈ ⟹ ∈ para todo . está. apenas uma) das duas situações. .8 Observação: Na esquerda. . dizer que um conjunto é diferente de um conjunto (denotamos ≠ ) é equivalente a dizer que existe algum elemento de que não pertence a ou que existe algum elemento de que não pertence a . 1. se se tem um símbolo para representar uma afirmação (como o ⟹ para indicar implicação). Para a igualdade. mostre que = . . e é dado por . ∈ ⇏ ∈ . .6.1: Sendo o conjunto = . . representada a inclusão própria e na direita a igualdade entre conjuntos. Veja que. . Uma observação geral é que. pois cada elemento de também é elemento de . representamos “não implica” por ⇏). quando ⊂ .1: Dado = .6. Isso quer dizer que não necessariamente uma ou . e denotamos isso por ⊄ . 3 .6. a negação é dada pelo mesmo símbolo acrescentando um corte (como já ocorreu várias vezes nesse texto e. . Não estamos dizendo que nenhum elemento de pertença a .

6. Perceba que a dupla implicação é a composição de duas implicações (⇒ e ⇐) e. .9 (exclusivo) outra afirmação deva ser verdadeira. ∈ 1. para todo . basta que uma das implicações seja falsa para a dupla implicação ser falsa. Como se pode ver. o conjunto vazio não possui elementos). é intuitiva. De fato a implicação é verdadeira. pois parte de uma propriedade lógica não muito comum. para algum . para todo . para todo . mas ∈ Listemos algumas propriedades da inclusão em forma de teoremas. pois. Isso mostra que qualquer conjunto possui como subconjunto o conjunto vazio. pois ∈ ∅ é falso para todo (afinal.4: ( ⊂ Teorema 1.6. Teorema 1. são. se ≠ . ∈ ⇍ ∈ e. se ⊂ . . mostrar que. 1 e 1 ∉ . ∈ ⇏ ∈ e. mas ∈ pode ser verdadeiro ou falso. ∈ ∅ ⟹ ∈ . . Usaremos conjuntos arbitrários . mas 2 ∉ . ∉ ⟹ ∉ ∅ (tal implicação. ∈ ⇎ ∈ . ∈ ⇏ ∈ e.3: Demonstre esses últimos três teoremas.6. Assim.2 . 1. para todo . ∈ são subconjuntos um do outro). essa seria uma inclusão própria de em ) 3) Para algum . Demonstração: A demonstração é anti-intuitiva. e . ⊂ é equivalente a ∈ ⟹ ∈ para todo . . essa seria uma inclusão própria de em ) 2) Para algum . inicialmente. Ou seja. que. ⇍ ∈ ≠ .6.6.2: (transitividade) Exercício 1. ∈ 1.6.2. definidas duas operações: união e intersecção. um elemento que não pertença a não pode pertencer a ). para algum . .3: ( ⊂ Teorema 1. uma das seguintes situações acontece: 1) Para algum .2: Sendo = . a implicação é verdadeira.6. de forma geral.1: ∅ ⊂ . ≠ é o mesmo que dizer que. de forma equivalente. Se ambas as afirmações forem verdadeiras também se diz que é diferente de (como é intuitivo). Também é possível ver que isso é a negação da definição de igualdade apresentada. Também se tem que 2 ∈ . ⊂ QED (propriedade reflexiva) e e ⊂ )⇒ ⊂ ⊂ ) ⇒ A=B (anti-simetria) Teorema 1. pois 1 ∈ . devemos mostrar que essa implicação é verdadeira quando = ∅. = ⇐ ∈ (pela definição (pela definição (nem nem ⇒ Exemplo 1. Pela definição. dessa forma. Assim.2.7 – União e intersecção Para os conjuntos. Isso fica mais claro quando escrevemos.6.

2: Dado um conjunto universo intersecção entre e . o elemento deve. se pertence a e simultaneamente. é definida por: ∩ = ∈ | ∈ ∈ e sendo . para ser um elemento da intersecção. ∪ )∪ = ∪ ∪ )e ∩ )∩ = ∩ ∩ ) quaisquer que sejam .2: A união e a intersecção possuem propriedade associativa. . Teorema 1. Isso quer dizer que. ele ainda pertence à união. é Uma observação que deve ser feita é que o “ou” dessa definição é inclusivo. a união entre e definida por: ∪ = ∈ | ∈ ∈ e sendo . a Deve-se perceber que.1: A união e intersecção são comutativas.7.7. . ⊂ . ⊂ .1: Dado um conjunto universo notação indica que ⊂ e ⊂ ). Definição 1. nesse caso.7. denotada por ∩ . ⊂ . Abaixo são apresentadas as principais propriedades dessas operações. pertencer simultaneamente a ambos os conjuntos. não se exclui os casos em que ambas as afirmações são verdadeiras (a de que ∈ e a de que ∈ ). Ou seja. ∩ = ∩ Demonstração: Tomando a definição: ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ ∈ = ∪ ∪ = ∪ e QED Teorema 1. para tornar algumas propriedades mais claras. Ou seja. Ou seja.10 Definição 1. denotada por (essa ∪ .7. Também são apresentadas algumas representações na forma de diagramas de Euler-Venn.

Ou seja. mas isso leva a um absurdo. QED ⊂ ⟺ ∪ = ⟺ ∩ = Teorema 1. suponhamos por absurdo que não seja subconjunto de .3: A união e a intersecção são operações fechadas. Assim.6: Dados verdadeiras: e quaisquer. Demonstração: Pela definição: ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ = QED Teorema 1.11 Demonstração: Pela definição: ∪ )∪ = = = = ∈ ∈ ∈ ∪ | | | ∪ ∈ ∈ ∈ ) ∪ ∈ ∈ ∪ ∈ ∈ QED Teorema 1. Dessa forma ∪ = ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ = . para todo ∈ . as seguintes afirmações são . o conjunto resultante ainda é um subconjunto do conjunto universo.7. existe pertencente a tal que não pertence a . Ou seja. . QED ∪ Teorema 1. pois todos os elementos dos conjuntos usados pertencem ao conjunto universo. De forma equivalente.4: A união e intersecção são operações idempotentes. o mencionado tem que pertencer a . pois ∪ = ⇒ ∈ | ∈ ∈ = ∈ | ∈ .7. ∈ ⟹ ∈ .7. = e ∩ = . os elementos do conjunto dado pela união ou intersecção de subconjuntos de ainda serão elementos de . Ou seja. Reciprocamente. se ∪ = . Demonstração: O resultado é imediato. Dessa forma. ⊂ ⟹ ∪ ⊂ ∩ ⊂ ).5: As seguintes equivalências são verdadeiras: Demonstração: Pela definição de inclusão.7.

que. Qualquer que seja . Demonstração: Basta mostrar que ⊂ ∪ . ⊂ .8: A união é distributiva em relação à intersecção e a intersecção é distributiva em relação à união. ∅ ⊂ ⇔ ∅ ∪ = . QED Teorema 1. .7. ∪ ∅ = e ∩ ∅ = ∅. ∅⊂ (Teorema 1. Também se tem que o conjunto universo é o elemento neutro da intersecção.7.5. Dessa forma. quaisquer que sejam . pela definição de subconjunto. ∪ ∩ )= ∪ )∩ ∪ )e ∩ ∪ )= ∩ ) ∪ ∩ ). é o mesmo que dizer que ⊂ ∪ . pelo Teorema 1.6.12 .7: O conjunto vazio é o elemento neutro da união e o elemento “nulo” da intersecção. de forma equivalente. ∩ = . ∈ ⇒ ∈ ∪ . Ou seja. QED Teorema 1. pois os conjuntos são arbitrários. ou. Isso quer dizer que. Demonstração: Pela definição: ∪ ∩ )= = = = = ∈ | ∈ ∪ ∈ | ∈ ∈ ∈ | ∈ ∈ ∈ ) ∈ | ∈ ∈ ) ∈ ∈ ) ∈ | ∈ ∈ ∩ ∈ | ∈ ∈ ∪ )∩ ∪ ) QED . demonstrando o resultado.1) e. ⊂ ∪ ∩ ⊂ . para todo ∈ .7. Pela definição. ∪ = ∈ | ∈ ∈ . Demonstração: Usemos alguns resultados já demonstrados.

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Por fim, listemos as propriedades apresentadas: 1) 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8)

∪ = ∪ e ∩ = ∩ (comutativa) ∪ )∪ = ∪ ∪ )e ∩ )∩ = ∩ ∩ ) (associativa) , ⊂ ⟹ ∪ ⊂ ∩ ⊂ ) (fecho) ∪ = e ∩ = (idempotência) ⊂ ⟺ ∪ = ⟺ ∩ = , ⊂ ∪ e ∩ ⊂ , ∪ ∅ = , ∩ ∅ = ∅ e ∩ = (elementos neutros e “nulos”). ∪ ∩ )= ∪ )∩ ∪ )e ∩ ∪ )= ∩ )∪ ∩ ) (distributiva)

Essas propriedades são básicas e é importante que se tenha familiaridade com elas. Exercício 1.7.1: Os teoremas acima foram demonstrados apenas para a união. Faça as demonstrações que faltam (referentes à intersecção). Faça também a representação dessas propriedades na forma de diagramas de Euler-Venn quando não for uma propriedade imediata. Exercício 1.7.2: Demonstre os seguintes apresentados acima: ∪ ∩ ) = e ∩ ∪ ) = . corolários dos teoremas

Definição 1.7.3: Se e são conjuntos quaisquer e ∩ = ∅, e são ditos conjuntos disjuntos. Quando isso ocorre, a união ∪ é chamada de união disjunta. No decorrer do texto será dito algumas vezes que certas uniões são disjuntas, mas não se estará, em geral, acrescentando uma propriedade à união e sim ressaltando a propriedade referida acima.

14 Exercício 1.7.3: Mostre que a definição acima para conjuntos disjuntos é equivalente a “ e são disjuntos se, e somente se, para todo , ∈ ⇒ ∉ ”. Justifique porque não é necessário impor que, para todo , ∈ ⇒ ∉ . Definição 1.8.1: Dados , ⊂ ( o conjunto universo), a diferença entre e , denotada por − (lê-se “ menos ”) ou \ , é o conjunto dado por: − = ∈ | ∈ ∉ 1.8 – Diferença e complementar

Essa definição concorda com a noção intuitiva de diferença, pois se está “subtraindo” de os elementos que pertencem a . Mas se deve perceber que os elementos de que não pertencem a não interferem na diferença. Por exemplo, se = 1,2,3,4 e = 3,4,5,6,7,8 , − = 1,2 . Teorema 1.8.1: Dado − − um conjunto universo e , , ∪ )= ∈ − )∩ ∉ | ∈ ∈ − ) ∉ ⊂ , tem-se que:

Demonstração: = = = =

∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ − )∩ − )

∪ )=

∪ ∉ QED

| ∈

15 Corolário: − ∪ )=∅ −

Teorema 1.8.2: Dado −

um conjunto universo e , , ∩ )= ∈ − )∪ | ∈ − ) ∉ ∩ ∉

⊂ , tem-se que:

Demonstração: = = = =

∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ ∈ | ∈ ∉ − )∪ − )

∩ )=

∈ ∉ ) ∈ | ∈

QED

A parte que pode ser confusa na demonstração é a passagem da segunda para a terceira linha. Perceba que não pertencer à intersecção significa que ele não pertence a e simultaneamente. A condição ∉ ∉ nos diz que, lembrando que se trata de um “ou” inclusivo, ou pertence a , mas não a , ou pertence a , mas não a , ou não pertence nem a nem a . De forma mais sucinta, dado um , existem as três possibilidades seguintes: ∈ ∉ , ∉ ∈ ou ∉ ∉ . Isso é o mesmo que dizer que o elemento não pertence à intersecção (que é a única possibilidade que não pode acontecer, a saber, ∈ ∈ ). Corolário: Teorema 1.8.3: conjunto universo. Teorema 1.8.4: conjunto universo. − ∩ )= ∩ )− − = − )∩ − ), com , , ⊂ e sendo o

∪ )−

=

− )∪

− ), com , ,

e

sendo o

Exercício 1.8.1: Demonstre esses dois últimos teoremas. Faça também as representações diagramáticas.

8. Tal conjunto é denotado por: ∁ = é chamado de complemento de A noção de complemento só faz sentido se um conjunto for parte de outro.8.8. =∅ | ∈ ∉ ∈ =∅ QED Demonstração: ∁ Teorema 1.8.16 Exercício 1.5: ∁ )∩ ∈ )∩ =∅e ∁ = ∈ | ∈ )∪ = ∉ ∩ ∈ | ∈ que =∁ = − Perceba que a conclusão foi devida ao fato de não poder existir pertença a e.7: ∁ ∁ Exercício 1. Vemos que o complemento é o conjunto de todos os elementos de que não pertencem a (diagrama abaixo).8.8.2: Mostre que ∩ − )= − ∩ − ∩ . Quando se tem um conjunto universo e se quer o complementar de um conjunto ⊂ em relação a . Demonstração: ∁ = Teorema 1. Definição 1. ⊂ ⊂ . o conjunto − em relação a . ao mesmo tempo.4: Demonstre que ∁ ∅ = . não pertença a . Existem as propriedades que podem ser generalizadas e isso será feito mais adiante.2: Se ⊂ .3: Demonstre que ∁ =∅e∁ ∅= = ∈ | ∈ )∪ ∉ = .8. como se pode ver na condição de que ⊂ . Exercício 1. )= )= ∈ | ∈ ∉ ∈ ∉ QED ∈ ∈ | ∈ | ∈ ∈ = ∉ .6: ∁ Demonstração: ∁ ∁ = = Teorema 1. a notação usada é: Algumas propriedades elementares da complementação são apresentadas abaixo tomando .

8. ∁ ≠ ∅.8. ⊂ .8.2. − = ∩∁ ∩∁ = ∩ Teorema 1.9: ∁ ∪ )= ∁ )∩ ∁ ) Demonstração: Usando o Exercício 1. Teorema 1.8.17 QED O resultado é intuitivo.5: Demonstre esse teorema e represente em forma de diagrama.8. então essa é uma inclusão própria se. Demonstração: Por definição.1. SUGESTÃO: Use o Teorema 1. pois o complemento de em relação a ∁ ) são todos os elementos de que não pertencem a e o complemento do complemento de em relação a (∁ ∁ )) são todos os elementos de que não pertencem ao complemento de . ∁ ∁ ∩ )= − ∩ )= Teorema 1. 1. Exercício 1.8. QED .8. temos que − )= ∩ − ∩ = − ∩ = − . se e somente se. o próprio . Isto é.8: ∁ ∩ )= ∁ )∪ ∁ . ⊂ . Usando o Teorema )∪ ∁ ) − )∪ − )= ∁ QED Exercício 1.2: ∩ )= ) − ∩ ). .6: Mostre que.10: Sendo .8.

deve-se saber o que é . denotado por ). pois é um caso particular do que já foi tratado (apenas usando o próprio como subconjunto de ). Ou seja. 1. ∅ . . Assim. Antes de passar a definição de partição.18 Pode-se também apresentar as mesmas propriedades quando o complemento é em relação a um conjunto universo. para se usar = ∪ .1: Dado um conjunto . Como já dito. As propriedades 4 e 5 listadas são chamadas de regras de De Morgan (Augustus De Morgan) e uma generalização delas será feita mais adiante. No final das contas.9 – Conjunto das partes e partição de conjuntos Definição 1. Definição 1. chamamos de conjunto das partes de . Também se diz que a coleção de todos os subconjuntos de . . então . essa definição nos permite escrever a união de conjuntos de forma mais compacta. .9. pois esses )é são todos os subconjuntos que podem ser extraídos de .9. obteremos o seguinte resultado: = ∪ ∪ ⋯∪ . com ⊂ . . é interessante que sejam definidos os “operadores grandes” de união e intersecção. as propriedades tomam a forma: 1) 2) 3) 4) 5) ∩ =∅e ∪ =∅e∅ = ) = ∪ ) = ∩ ∩ ) = ∪ = As demonstrações já foram realizadas. a notação usada é = ∁ = − . nesse caso.9. Mas está bem definido.1: Dado = . Se continuarmos a recorrência até − − 1) = 1.2: = = ∪ )= | ⊂ só está bem definido se Essa definição é uma recorrência. Ou seja: )= Exemplo 1. o conjunto formado por todos os subconjuntos de .

Apenas repitamos a seguinte observação: = ∩ ∩ ⋯∩ Exemplo 1. o número de subconjuntos de que existem na partição . Dessa Observação importante: Será visto no capítulo seguinte que existe a possibilidade de índices distintos corresponderem a um mesmo elemento do conjunto.9.2: Seja desses conjuntos é: = . . = .9. . e do Exemplo 1. .9.19 Uma observação a ser feita é que os conjuntos . A união = Definição 1.⋯. . = = ∩ A discussão desse operador é inteiramente análoga a do anterior. que vamos definir. mas a distinção foi dada pelos índices 1.3: Usando os mesmos conjuntos = ∩ ∩ = .9. Exemplo 1.3: ∪ ∪ = . ∈ e ≠ .9. então ∩ = ∅.4: Uma partição de é um conjunto formado de subconjuntos não vazios de tal que as seguintes propriedades sejam satisfeitas: a) Se .2 e = . 1.2: qualquer número natural de 1 até (sendo o número de elementos de forma. são chamados de (eventualmente ) com (ou ) podendo ser ). . Antes da definição. .2. . Então convencionaremos que será admitida a possibilidade de índices distintos referirem a elementos iguais somente quando chamarmos o conjunto de família (família de elementos ou família de conjuntos). . . 1. . índices diferentes indicam elementos distintos de . Definição 1. .2. . convencionemos que os elementos do conjunto . . = b) Sendo . . . não são necessariamente iguais. Não se usou diferentes letras para distingui-los. . .

com as mesmas convenções prévias adotadas para . a união dos conjuntos. ′= = . ∈ . ⊂ . Observação: Cada elemento de é notado por . .4). Ou seja. Isto é.1 (importante): Se uma coleção de subconjuntos de . A primeira condição diz que. Definição 1.10 – Diferença simétrica e . então esses elementos são disjuntos. . Mostre também que há recíproca. um elemento de é disjunto de todos os outros elementos de (diz-se que os elementos são disjuntos aos pares). é o conjunto dado por: De forma equivalente: ∆ = ∆ = ∈ | ∈ ∪ − ∪ ∩ . possui a propriedade: para cada ∈ . Observemos também que ⊂ essa inclusão é própria.9. . ∉ ∩ 1. Ou seja. . dados dois elementos (subconjuntos de ) quaisquer que pertençam à partição . . pertence a um. .1: Dados . Exemplo 1.4: Dado Mas também poderia ser = . que.9. Abaixo está apresentado o diagrama de uma possível partição de . se não se trata do mesmo elemento (que é o significado de ≠ ). se é uma partição de (pela definição 1. mostre que é uma partição de . uma partição possível é . são partições de . . No entanto nem = = . .9. . e somente um. possui a propriedade apresentada na primeira parte desse exercício. . . a diferença simétrica entre simbolizada por ∆ . Perceba que uma partição de “divide” (particiona) em uma coleção de ) e que subconjuntos disjuntos uns dos outros. A segunda condição simplesmente afirma que a união (disjunta) de todos os elementos de resulta no próprio . mas tirando os elementos da intersecção. nem Exercício 1.10.20 Alguns comentários podem tornar a definição mais clara.

10. Se isso acontece. existem conjuntos na família ℬ (o índice faz a distinção entre os conjuntos). Represente os diagramas correspondentes. então. também se conclui que ∉ para todo de 1 até (se não pertence à união dos conjuntos. se ∈ − − )).10.2: ∆ )∆ = ∆ (elemento neutro) ∆ ) (associatividade) Teorema 1.4: ∆ = ∅ Exercício 1. então. ). Mostremos agora a recíproca. pertence a tirando os elementos de todos os .1: ∆ = ∆ (comutatividade) Teorema 1. então ∉ Demonstração: Se ∈ − . sempre temos que ∈ − ) para qualquer de 1 até . pertence à intersecção de todos os conjuntos − ). 1. e conjuntos arbitrários. afinal.21 Exercício 1. não .3: ∆∅ = Teorema 1. pois. As demonstrações delas são deixadas como exercício. se pertencesse existiria tal que ∈ e. não pertence a nenhum conjunto da união). Se ∈ − )).11 – Generalizações ∆ ) ∩ ) (distributividade da Teorema 1.2: Demonstre os teoremas acima.10.10.10.1: Mostre que equivalente para a diferença simétrica.10. A indicação entre parênteses no início de cada teorema será referente ao teorema que se está generalizando.1): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária (qualquer) de conjuntos . ). com podendo tomar valores naturais de 1 até . assim. ∆ = − )∪ − ) é uma definição Abaixo estão listadas as principais propriedades da diferença simétrica tomando como conjunto universo e .5: ∩ ∆ ) = ∩ )∆ intersecção em relação à diferença simétrica) Teorema 1. pois pertence a cada um desses conjuntos. Então: − = − ) Agora generalizaremos alguns teoremas apresentados durante essa secção. então não pertence a nenhum conjunto .8. Assim.10.11. Teorema 1.6: ∆ ⊂ ∆ )∪ Teorema 1. como se pode ver pela definição de subconjunto. então ∈ que ∈ − )). Concluímos. Mas pertence a e. ou seja. Ou seja.10. o que acabamos de mostrar é que − ⊂ − ).1 (1. SUGESTÃO: Leia a estratégia apresentada na subsecção seguinte para demonstrar igualdades entre conjuntos. Mas isso não prova a igualdade.

ao tentar demonstrar a igualdade entre conjuntos. Como antes.9): Sendo um conjunto qualquer e ℬ uma família de subconjuntos de (com podendo tomar valores naturais de 1 até ). Dessa forma se pode concluir que pertence a − ) para algum . com não pertencendo a nenhum . o que levaria a concluir que não pertence a intersecção dada. Isso não pertence à união deles. de forma geral. Simplesmente partíamos do conjunto inicial e seguíamos por igualdades até o conjunto que se queria demonstrar a igualdade.3. Logo. concluímos que: − = − ) QED Até agora demonstramos igualdades entre conjuntos de forma direta. pois basta seguir as igualdades no caminho inverso. provar diretamente igualdades entre conjuntos pode ser muito complicado e a estratégia acima. Pela definição de mostra que ∈ − )) implica ∈ − subconjunto.6. Assim. então ∉ Demonstração: Se ∈ − . Dessa forma. ∉ . tem-se que: ∁ = ∁ ) Teorema 1. ∉ para algum . que − ). pertence a − ) para algum . Dessa forma. ∈ − ). é que )⊂ − − ). Então: − = − ) ). Essa forma torna a recíproca imediata. ∉ .22 pertenceria a − para esse em particular. isso ainda não conclui a demonstração. Fica como sugestão que. − A recíproca é um caminho de retorno pelo raciocínio feito acima. Corolário (1. acabamos de mostrar. Se ∈ − ). mostramos logo acima que − )⊂ − ⊂ − ) e. de provar primeiro que um conjunto é subconjunto do outro e. Mas. pois.8.11. pois o que mostramos.8. pode tornar o trabalho mais simples. pois se pertencesse a todos os . se não pertencesse a nenhum ). Ora. ). a recíproca. então. com i podendo tomar valores naturais de 1 até . se use a estratégia apresentada acima. ∈ − − ). Então ) implica ∈ ∈ − ). Assim. pertenceria à intersecção . ou seja. nessa parte da demonstração. na verdade. não pertenceria à união desses conjuntos. para ao menos um . juntando as duas informações e tendo o Teorema 1.2 (1. depois.2): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária (qualquer) de conjuntos .

sabendo que pertence a .11.11. ∈ − − ) ). com podendo tomar valores naturais de 1 até .8): Sendo um conjunto qualquer e ℬ uma família de subconjuntos de (com podendo tomar valores naturais de 1 até ). Então: − = − ) Teorema 1. com podendo tomar valores naturais de 1 até .8. Logo. ).2. Ou seja.1 e 1. pois existe ao qual não pertence. que ∉ . tem-se que: ∁ = ∁ ) Exercício 1. usando a notação já apresentada para a complementação em relação ao conjunto universo.3 (1.8.4 (1.11.11. os corolários apresentados tomam a forma: = e = ) ) Teorema 1. tem-se que: − = − ) Teorema 1. ∈ Assim. tem-se que: .8. então. com podendo tomar valores naturais de 1 até . Quando é o conjunto universo.8): Dado o conjunto e uma família ℬ arbitrária de conjuntos . Podemos concluir. que: − = − ) QED Corolário (1.4): Sendo um conjunto e ℬ uma família arbitrária de conjuntos .23 . ). − implica ∈ − − )⊂ tendo demonstrado essa inclusão e a anterior.1: Demonstre os corolários apresentados. SUGESTÃO: use os teoremas 1. Chagamos finalmente.4 (1.3): Seja um conjunto e ℬ uma família arbitrária de conjuntos .11.7.11.

a) Conjunto dos cinco primeiro números primos. e = . dê os 4 – Seja = 1.4 .4.4 .24 ∪ 1. = .2.5 . Represente os seguintes conjuntos por uma lista de elementos e por diagramas de Euler-Venn. c) Conjunto das letras da palavra “matemática”. . 3.6 e = 3.4. = ∪ ) ∩ = ∩ ) Esse último teorema é a generalização das leis distributivas do Teorema Exercícios I – 1 1 – Represente os seguintes conjuntos listando seus elementos. 2 – Indique quais dos conjuntos abaixo são vazios.4. 3. mas não faremos tais generalizações aqui.4. . As demonstrações dos casos mais gerais são quase idênticas às feitas para esses casos menos gerais. .3. b) Conjunto dos números naturais pares.7.5.6.7. As generalizações apresentadas aqui ainda não são as mais gerais possíveis. a) b) c) d) e) f) ∪ ∩ ∪ ∩ ) ∪ )∩ ∆ ∩ ∆ ) . a) b) c) d) = = = = ∈ℕ|−1− >0 ∈ℤ| ∙0=1 ∈ℕ| −1>0 ∈ℕ| >3 >4 = 3 – Dados conjuntos abaixos.5. .3. a) b) c) d) e) f) g) ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∁ ∪ ) )∪ )∩ ∁ )∪ ∁ ∆ ) ) ) .11. pois falta a apresentação de conceitos que permitem entendê-las.2: Demonstre esses últimos três teoremas. Exercício 1. = 3. 4.6 .8. = 2.8.

5 . então ∪ ⊂ ∪ .4 ∪ = 1.4. = 4.3. então ∪ ⊂ ∪ e ∩ ⊂ ∩ qualquer que seja .8. Esse paradoxo mostrou que a formulação original da teoria dos conjuntos.3. SUGESTÃO: Perceba que.6.6.11.6 .3.4. SUGESTÃO: Use os teoremas 1. a inclusão ⊂ seja própria. a Teoria Axiomática dos Conjuntos. ∩ ∆ ) ) ) (conjunto das = 4.2. e somente se. SUGESTÃO: O resultado é imediato para = . 6 – Dado o conjunto = . então = .6 .4. chamado de Paradoxo de Russell. (de Cantor e Frege). 3. Sabe-se que = . supondo que )⊂ ) é uma inclusão própria.4.25 5 – Sendo = 1. 8 – A Teoria “Ingênua” dos Conjuntos permite que se defina o seguinte conjunto: = | ∉ Mas surge um problema ao se definir esse conjunto.5. Sendo um conjunto arbitrário. .9 . Encontre os conjuntos e . .8. .2.3. partes de ) e dê dois exemplos de partições de 7 – Dados os conjuntos = 6.10 . e ∆ = . represente os seguintes conjuntos: a) b) c) d) = 4. .1 e 1. que .6. encontre: a) b) − )∪ − )∩ − )∪ − )∩ − ) − ) = 1. represente o conjunto ).10 e = 2. d) Se ⊂ .4 ∪ ⊂ ∪ . b) Se ⊂ .5. No entanto esse problema é evitado na teoria de conjuntos moderna. 11 – Demonstre os seguintes teoremas: 1. c) Se ⊂ e ⊂ .2.2. a “ingênua”. usando o resultado do exercício anterior.7. então mostre. levava a contradições.4.5.10 . . ∪ tal que 10 – Sejam e conjuntos disjuntos e = . . Você consegue identificar o paradoxo? 9 – Encontre o conjunto 1.10 e = 1.8.3.9. = .3. .4 ∩ = 3 .5 e 2.8 . = 12 – Seja ℬ uma família arbitrária de conjuntos com podendo tomar valores naturais de 1 até .4. mostre que: a) ∪ = ∩ se. que se pode fazer ∪ ⊂ ∪ . )⊂ ) com )= ) se.2.11. . e somente se.

Tome e − )= ) − com podendo tomar 13 – Sendo ℬ uma família arbitrária de conjuntos valores naturais de 1 até e outra família arbitrária de conjuntos com podendo tomar valores naturais de 1 até ∩ e ∪ ) = ∪ = ∪ ) ) = . Ou seja.2 e. e somente se.1 – Par ordenado . denotado por . .11. ∈ ( um conjunto genérico). . ) se. 2 – Pares Ordenados e Produto Cartesiano Um par ordenado é uma lista de dois elementos. ). chame )) .1 e 1. Em outras palavras. podemos escrever o teorema como sendo: ∩ e ∪ = ∪ = ∪ = ∩ = ∩ SUGESTÃO: Use o Teorema 1. onde existe distinção entre ser o primeiro elemento (no caso: ) ou o segundo (no caso: ). ) com . mostre que: = ∩ ∩ ) Eliminando os colchetes. É comum que se chame o primeiro elemento do par de primeira coordenada e o segundo de segunda coordenada.11.26 − = = ) = ) − ) SUGESTÃO: Use os teoremas 1. = e = . ) = .4 diversas vezes. e . 2. quando for conveniente. ) não é o mesmo que .11.

27 Essa apresentação de par ordenado é intuitiva. como visto logo acima. 1). com ∈ e ∈ . 1). Isso porque.1: Para fixar a idéia de conjunto de pares ordenados. em geral. ). Outra observação é que o produto cartesiano faz sentido quaisquer que sejam os conjuntos e (podendo esses até serem produtos cartesianos entre outros conjuntos). 2) e definidos como no Exemplo 2. onde os pares ordenados são pares de coordenadas que indicam a posição de um ponto no plano. o conjunto formado por todos os pares . . em geral. Percebemos que ainda é válido. 2). ) não é o mesmo que .2. denotado por × . em geral. ) não é o mesmo que . ou forem vazios.1: Dados dois conjuntos. ) onde o primeiro elemento é um número real ( ∈ ℝ) e o segundo também é ( ∈ ℝ). não é o mesmo que o formado por todos os pares . × ≠ × .2. no produto cartesiano × . ). que um par . 2.2: O produto cartesiano ℝ × ℝ = ℝ (produto cartesiano entre o conjunto dos reais e ele próprio) é o conjunto de todos os pares ordenados . de forma geral.2 – Produto cartesiano Definição 2. .1: Faça o conjunto exemplo acima. ) tal que ∈ e ∈ .2 . × = . Quando se tem o produto cartesiano entre conjuntos iguais. ). O produto cartesiano × é dado pelo conjunto: Exercício 2. chamamos de produto cartesiano de por . finitos definidos como = . como pode-se ver na representação abaixo. .2. Ou seja: × ∅ = ∅. pois a ordem dos elementos é diferente. o produto cartesiano por é definido como sendo o conjunto vazio. peguemos dois conjuntos. e . e = 1. tomando . e . De forma mais sucinta: Uma observação que podemos fazer é que. Dessa forma. usa-se mais comumente a seguinte notação: Se. )| ∈ ∈ de Exemplo 2. o conjunto de todos os pares ordenados .2. × . durante o texto. com ∈ e ∈ . No entanto vamos tomá-la. Uma forma de representação desse conjunto é o plano cartesiano. sem necessidade de uma apresentação formal do conceito de par ordenado. ∅ × =∅ ∅×∅=∅ × = × = . mas não é formal. ).

Demonstração: Pela definição: × ∪ )= = = = = .3: O produto cartesiano é distributivo à esquerda em relação à diferença. dados . ∈ ∪ × )∪ × ) ∈ ∈ . e quaisquer. . Ou seja. × ∪ )= × )∪ × ) e × ∩ )= × ) ∩ × ). ∪ )× = × )∪ × ) e ∩ )× = × ) ∩ × ).2. )| ∈ ∈ ) )| ∈ . Ou seja.1: O produto cartesiano é distributivo à esquerda em relação à união e intersecção.28 Tendo . seguem os teoremas abaixo.2: O produto cartesiano é distributivo à direita em relação à união e intersecção. Demonstração: Pela definição: . Teorema 2. Teorema 2. )| ∈ ∪ ∈ .2.2: Demonstre a parte referente à intersecção nos dois teoremas acima.2. )| ∈ ∈ ) ∈ QED Exercício 2. )| ∈ ∈ ) ∈ QED Teorema 2. )| ∈ ∈ ) . Ou seja.2. . . Demonstração: Pela definição: ∪ )× = = = = = . × − )= × − × . × )| ∈ ∈ ∪ )| ∈ ∈ )| ∈ ∈ ) )| ∈ ∈ ∪ )∪ × ) ∈ ) ∈ . e conjuntos arbitrários.

. tanto a multiplicação quanto a adição possuem como resultados números reais. ∈ e ∈ . )| ∈ ∈ QED A passagem da terceira para a quarta linha se deu pelo fato de pertencer a . . De forma inteiramente análoga. pois as operações união. Ou seja. × )| )| )| )| − ∈ ∈ ∈ ∈ × ∈ ∈ ∈ ∈ − ) ∉ ∈ ∉ − .4: Sendo ∪ )× ∪ ). . sabendo que a operação de união é fechada. Segue. × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ) (tome ∪ )× ∪ ) como conjunto universo e consulte o Teorema 1. temos × )∪ × )⊂ Demonstração: Mostremos que × ⊂ ∪ )× ∪ ).3: Demonstre que há também distributividade pela direita. . se conclui que × ⊂ ∪ )× ∪ ) e. . devemos ver que chamar essas propriedades de distributividade foi um abuso de linguagem. para todo ∈ e ∈ . e = .29 × − )= = = = = . então. Mas ⊂ ∪ qualquer que seja e ⊂ ∪ para qualquer . no caso dos números reais. represente os seguintes × ) . Existe a necessidade de se demonstrar a distributividade pela esquerda e pela direita (separadamente) devido ao fato do produto cartesiano não ser comutativo. )∈ ∪ )× ∪ ) pela definição de produto cartesiano. mas não pertencer a implica que o par . intersecção e diferença não tem como resultado conjuntos de pares ordenados entre os conjuntos considerados ao passo que o produto cartesiano tem. mais rigorosamente.7. ∈ ∪ e ∈ ∪ .2. . ) que pertence a × − ) não pertence a × . . QED Exercícios I – 2 1 – Seja conjuntos: a) b) c) d) e) = × × × )∩ × × )× . onde se tem a distributividade da multiplicação em relação à soma. 3 . Teorema 2. Dessa forma.2. ) ∈ × se. 2. Mas. e = 1. que × ⊂ ∪ )× ∪ ). Vemos que. e conjuntos. e somente se.3). . Exercício 2. .

4. chamamos o primeiro contado de 1 e prosseguimos na seqüência – 2.1 – Cardinalidade de alguns conjuntos finitos Inicialmente vamos nos ater a uma noção intuitiva de cardinalidade. para qualquer . Teorema 3. = . Ou seja. sendo .1. que não foram apresentados.30 2 – Mostre que × ) ∩ × )= Parta da definição de produto cartesiano. então. e somente se. Em particular. × )∩ × )= ∩ . se não há elementos compartilhados entre os conjuntos. pois. o número de elementos de não pode ultrapassar o de . pois. Tal resultado é intuitivo. contar o número de elementos.6.7. O número natural associado ao último objeto contado nos dá o número de elementos do conjunto que se estava contando e chamamos esse número de cardinalidade do conjunto ou número cardinal do conjunto.5 e × )∩ × ). = 4. se ⊂ . use o resultado do exercício × ⊂ × . para uma definição mais formal e geral. . 6 – Mostre que. é natural que se queira saber quantos elementos ele possui. Essa é o número natural (| | = ∈ ℕ) que indica a quantidade de elementos do conjunto . . ⊂ . 4 – Sendo anterior para obter = 1. – até chegar no último elemento.2. então | ∪ | = | | + | | − |∅| = | | + | |. por exemplo). pois todos os elementos de pertencem a assim. se ∩ = ∅. 5 – Demonstre que. então: e. . . SUGESTÃO: × )= ∩ ) . Tendo um conjunto finito. × )∩ × )= ∩ )× ∩ ) (veja que o resultado do exercício 3 é um corolário desse caso mais geral). é necessária a introdução do conceito de função e os números naturais. denotamos por | | a cardinalidade de . Se é um conjunto finito. associamos números naturais sucessivos a cada elemento contado.3.1: Se e são conjuntos finitos e | | = | | se.3. e conjuntos.2: Se | ∪ | = | |+| |−| ∩ | e são conjuntos finitos.9 .1. × )∩ 3 – Noção de Cardinalidade 3. Quando contamos (número de fotos de um álbum. Teorema 3. Ou seja. . pois a cardinalidade do conjunto vazio é 0 (e é o único conjunto com cardinalidade 0). 3 – Mostre que ∩ ) = ∩ e conclua que SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior. . então | | ≤ | | com Esse resultado é intuitivo.5.

7. então ∩ = . para cada elemento de .31 a união deles terá um número de elementos igual à soma do número de elementos de cada conjunto.2. Mas podemos dar algumas justificativas não rigorosas para esses resultados. o número total de pares ordenados será + + ⋯ + = ⋅ . Resolução: Pelo Teorema 1.1. Como existem Teorema 3.1. pois se está simplesmente não contando os elementos que pertencem a e simultaneamente.4.2. se descobriu que 400 lêem o jornal . se ⊂ . das partes de ) possui 2 elementos. Em particular. cuja cardinalidade é | | = 2000. 3. Ou seja. 500 lêem o jornal . | Teorema 3. O Teorema 3.4: Se e são conjuntos finitos e | | = | × |= ∙ e| |= ) (conjunto . 100 dos que lêem o jornal lêem também o jornal e nenhum dos que lêem o jornal lêem o jornal . o nosso conjunto universo é o dos entrevistados (chamaremos de conjunto ). então: A demonstração desses teoremas será feita no Capítulo III.1. Ou seja. pode-se ver que. Claramente.5 pode ser entendido imediatamente. | ∩ | = | | = 3. elementos em . pois ainda não temos uma definição rigorosa do que significa um conjunto finito possuir elementos.1. 800 lêem o jornal . No Teorema 3. | ∩ |=3 e Exemplo 3. Teorema 3. Já no Teorema 3. | | = 27 3 = 9.3).4. | × | = | | ∙ | | = 3 ∙ | | = 27.1. ao tomar | | + | |. para ter o número correto de elementos da união.1.5. pode-se ver que. Assim. Para o Teorema 3. se ⊂ .1.7. deve-se subtrair uma vez a cardinalidade da intersecção. então | − | = |∁ | = | | − | |. então )| = 2 .2 – Alguns exemplos ⊂ . 200 dos que lêem o jornal também lêem o jornal .2: Numa cidade circulam três jornais diferentes (jornais .5: Sendo e conjuntos finitos. Ao se entrevistar 2000 moradores. Quantos dos entrevistados não lêem nenhum dos três jornais? Resolução: Devemos transformar esse problema em um problema de encontrar a cardinalidade do conjunto dos entrevistados que não lêem nenhum dos três jornais. esse forma um par ordenado com cada um dos elementos de . temos | − | = | | − | ∩ |.1: Sendo e conjuntos finitos tais que | × | = 27. e ). assim.3: Se é um conjunto finito com | | = . Pelo Teorema 3. A cardinalidade do . qual a cardinalidade de e de ? completando a resolução.3 não há uma justificativa simples.2. nessa soma se está contando duas vezes os elementos da intersecção e. Exemplo 3.1. mas uma demonstração relativamente simples é dada no Capítulo III (Teorema 2.

dos que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 800 e dos que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 500. Para descobrir a solução. ∪ )| = | ∩ )∪ ∩ )| = 200 + 100 = 300. Queremos saber quantas pessoas lêem algum jornal (para ser possível dizer quantas não lêem nenhum).1. 200 e | ∩ )| é o número de leitores que lêem tanto o jornal quanto o . temos que: | ∪ ∪ |=| ∪ ∪ )| = | |+| ∪ |−| ∩ ∪ )| Sabemos a cardinalidade de e de ∪ . segue. a cardinalidade do conjunto ∪ é | ∪ | = | | + | | = 400 + 500 = 900. mas não sabemos a cardinalidade de ∩ ∪ ). Usando o Teorema 3. Já | ∩ )| é o número de leitores que lêem tanto o jornal quanto o . temos agora que a cardinalidade dessa união é: Sabendo que a união ∪ ∪ é que o complemento dessa união. é o conjunto dos entrevistados que cardinalidade desse complemento dá o dos jornais. a cardinalidade dessa intersecção é: ∩ )∪ ∩ | ∩ )| + | =| =| ∩ )| + | )|= | ∩ )| + | ∩ )| − | ∩ ∩ ∩ )| − | ∩ ∩ ∩ )| − | ∩ | ∩ )| ∩ )∩ ∩ )| Juntamos a intersecção de com porque já sabemos que essa é vazia. mas foi feita de tal maneira para mostrar que o resultado foi obtido inteiramente através das propriedades dos conjuntos. representamos os conjuntos na forma de diagramas e damos valores correspondentes às cardinalidades às partes dos conjuntos. ∪ ∪ não lêem nenhum dos jornais. Usando a distributividade da intersecção em relação à união: ∩ ∪ )= ∩ )∪ ∩ ). como não existem pessoas que lêem o jornal e simultaneamente. | ∩ | = 0. Dessa forma.2. ∪ Ou seja. Uma forma mais simples de tratar o problema é usando diagramas de Euler-Venn.32 conjunto dos entrevistados que lêem o jornal (chamaremos de conjunto ) é | | = 400. | ∪ ∪ ) |= | |−| ∪ | = 2000 − 1400 = 600 Não é realmente necessário que a resolução seja feita de forma tão cuidadosa (talvez preciosista) como foi feita acima. Então.5.2. Usando o Teorema 3. Voltando à união que | ∩ ∪ ∪ . então. . que é 100. ou seja. O diagrama abaixo representa o problema anterior. devemos encontrar a cardinalidade de ∪ ∪ . usando o Teorema 3. Assim. 600 entrevistados não lêem nenhum dos jornais. Mas.1.1. pois a intersecção é vazia. o que garante que | ∩ ∩ ∩ )| = | ∩ ∩ ∅| = |∅| = 0. temos que a número de pessoas que não lêem nenhum temos: | |+| ∪ |−| ∩ ∪ )| = 800 + 900 − 300 = 1400 subconjunto do conjunto universo e ) .

A percentagem da parte do conjunto que não faz parte da intersecção é 60% − e a da parte de que não faz parte da intersecção é 75% − . Tal procedimento é válido mesmo que não se conheça a cardinalidade de alguma intersecção.33 Vemos que. Qual a percentagem dos alunos que fazem tanto quinta quanto terça? Resolução: A percentagem total deve ser claramente 100%. Comecemos a completar o diagrama do problema chamando o conjunto dos que fazem às terças de e dos que fazem às quintas de e colocando uma incógnita. no lugar da percentagem da intersecção. O procedimento. 60% dos alunos fazem às terças e 75% fazem às quintas. Coloquemos essas informações no diagrama. pois se pode atribuir alguma incógnita à cardinalidade da intersecção. A soma dessas percentagens deve ser 100%. se atribui um valor (a cardinalidade).2. os alunos podem fazer educação física às terças ou quintas. . nesse caso. O exemplo abaixo ilustra isso. para cada área limitada (que não pode ser cortada por nenhuma linha).3: Numa escola. é atribuir valores às intersecções e só depois atribuir valores às partes dos conjuntos que não fazem parte das intersecções. Exemplo 3. Assim: .

34 60% − ) + + 75% − ) = 100% = 100% Ou seja. mostre que e não são disjuntos. . 7 – Sendo | | + | | = 7 e | ∩ | = 2. dê a cardinalidade de ∆ ) . mostre que | ∆ | = | ∪ | − | ∩ | = ∆ ) e 8 – Sejam e conjuntos finitos. dê o conjunto 5 – Considere os conjuntos e finitos. Não se usou diretamente a cardinalidade dos conjuntos (não sabemos de quantos alunos o problema trata). quantos subconjuntos de possuem ou ? conjuntos finitos. 1 – Sejam e conjuntos finitos com | ∪ | − | − | = 4. . Quanto são as cardinalidades | ∪ | e | − |? É possível determinar as cardinalidades de e a partir das informações dadas? × 2 – Sabendo que | × | = 6. −1). qual a cardinalidade de × ) ∩ × )? SUGESTÃO: Consulte o exercício 6 da secção anterior. qual a cardinalidade de e de ? 4 – Sendo e | | + | | − 2| ∩ |. 10 – Uma pesquisa de mercado. mesmo assim. 6 – Sendo = . e conjuntos finitos tais que | ∩ | = 5 e | ∩ | = 7. × . mas. Sabendo que | ∪ | ≤ 2| | e | × | > | | . e . . 35% dos alunos fazem educação física às terças e quintas. é possível trabalhar apenas com a percentagem da cardinalidade associada ao conjunto (lembrando que o total deve dar 100%). sobre as marcas de sabão em pó mostrou os seguintes resultados: . Sabe-se que | × − )| = 15. . | × | = 6 e | | > | |. . | | = 3 e | ∆ | = 8. ⊂ e 2. −1. Qual a cardinalidade de ∩ e qual a cardinalidade de ? SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior. 9 – Sendo . | ∪ | + | − | = 10.1) ⊂ = 60% + 75% − 100% = 135% − 100% = 35% 60% + 75% − Exercícios I – 3 3 – Se e são finitos e disjuntos com | ∪ | = 5. listando seus elementos.

Além disso. o número de pessoas que praticam natação é o dobro do que praticam tênis e um terço dos que praticam tênis também praticam natação. sendo que o número de pessoas que estudam inglês e espanhol (simultaneamente) é igual ao que estudam inglês e francês (também simultaneamente). admitiremos conhecidos resultados básicos sobre números reais e naturais.35 a) Qual a percentagem de consultados que usam apenas a marca ? b) Quanto vale a percentagem dos que usam apenas a marca entre os consultados? c) Qual a percentagem de usuários consultados que usam as marcas e . português. quantas pessoas praticam tanto natação quanto tênis e quantas praticam somente natação? 12 – Numa escola. 1/3 estuda espanhol e 1/3 estuda francês. quantos alunos a escola possui? 13 – Observe o diagrama abaixo: Sabendo que | ∪ ∪ | = 100. quanto é ? 4 – Relações Como foi feito até agora. os alunos podem estudar espanhol. Também se sabe que nenhum dos que estudam francês estuda espanhol. dessa metade. Esses conjuntos numéricos serão tratados com mais cuidado no Capítulo III. mas não usam a ? d) Qual a percentagem de consultados que não usam nenhuma das três marcas? 11 – Num clube de natação e tênis. Qual fração do total: a) b) c) d) estuda francês? estuda tanto francês quanto inglês? estuda apenas espanhol? Se o número de alunos que estuda apenas espanhol é 50. 2/3 estuda inglês. . apenas metade dos que estudam português estuda alguma das outras línguas e. duas línguas além do português. Sabe-se que todos devem estudar português e podem estudar. Sabendo que 30 pessoas praticam tênis. no máximo. inglês e francês.

O eixo é dito ser o eixo das abscissas. As coordenadas de são indicadas pelo par . existe um único par de pontos e e.1: Existe uma correspondência biunívoca entre o plano cartesiano e o conjunto ℝ (= ℝ × ℝ). representado por . ) correspondente ao ponto . O sistema formado pelos eixos das abscissas e das ordenadas é o sistema cartesiano de eixos ortogonais. pelas definições apresentadas. ) ∈ ℝ . (b) e (c). Sendo um ponto qualquer de ( ∈ ). ). um único par Demonstração: a demonstração é dada em duas partes. De fato isso ocorre. existe um. ) ∈ ℝ corresponde a um único ponto do plano cartesiano.1 (Plano Cartesiano): Sendo e dois eixos perpendiculares em 0 (figura abaixo). Chamemos a intersecção entre ′ e o eixo de e a intersecção de ’ com o eixo de . De fato. esses determinam o plano . pois. O plano determinado pelos eixos e é o plano cartesiano. é representado por e representado por . criemos duas retas. ’ seja paralela ao eixo e a intersecção ocorra no ponto (figura). pois. pelas definições (a). Criando uma reta ’ que passa por e é paralela . ) com a abscissa sendo o primeiro elemento do par. só Teorema 4. Isso mostra que cada ordenado de coordenadas P corresponde a um par . Sendo assim. Primeiro vamos demonstrar que para cada ponto existe um único par de pontos e . a cada .1.1 – Plano cartesiano Definição 4. a reta ’ intersecta o eixo em um único ponto e a reta ’ intersecta o eixo em um único ponto. Agora vamos demonstrar que cada .36 4. O eixo é chamado de eixo das ordenadas. . ’ e ’. Com isso seguem as seguintes definições: a) A abscissa de é o (único) número real b) A ordenada de é o (único) número real c) d) e) f) g) h) representado por .1. O ponto 0 é chamado de origem do sistema. tal que ’ seja paralela ao eixo .

2). Ou seja: é relação binária de em ⟺ ⊂ × e ≠ ∅.1: Localizemos no plano cartesiano abaixo os pontos . 3. 3.1: Dados dois conjuntos. 3.2 – Relações binárias Definição 4. 2.3). −1. ’.1).2). −2) e Exemplo 4. e . Também é possível representar subconjuntos de ℝ no plano cartesiano.3).2 . .2. que cada par .2). que passa por e é paralela ao eixo das ordenadas. O exemplo abaixo ilustra isso.1. essas duas retas se intersectam em um único ponto .1. então. −2. = 1. QED 1.37 ao eixo das abscissas e outra.1). ) ∈ ℝ corresponde a um único ponto do plano cartesiano e isso completa a demonstração. qualquer subconjunto não vazio do produto cartesiano × é chamada de relação de em .2) no 4.2: Representemos o conjunto plano cartesiano. Exemplo 4. Concluímos. 2.

2). e . em geral. se . chamamos de domínio da relação (denotamos )) o conjuntos dos elementos pertencentes a tal que .2.1: Sejam dada por = . ) ∈ para algum pertencente a .2: Dado um conjunto . )∈ ∈ uma relação binária )) o conjuntos dos pertencente a . ) ∈ para algum seja: )= ∈ | . ) ∈ e o conjunto ) nos dá todos os elementos ∈ tais que exista algum tal que .3: Sendo e conjuntos e ⊂ × uma relação entre eles.2. Ou seja: Definição 4. se um par .5. = 1. ) pertence à relação binária. e usar setas para representar a relação entre os elementos do conjunto de saída e de chegada. ) ∉ . Em alguns casos. . )∈ )= ∈ | .2. representamos isso com uma seta que parte do elemento . Podemos representar relações binárias de forma diagramática. na forma de diagramas de Euler-Venn. Exemplo 4. Por exemplo. em geral. Ou seja.38 O conjunto é chamado de conjunto de partida da relação de conjunto de chegada (ou contradomínio) da relação . e vai até o elemento no conjunto de chegada. . O conjunto dá todos os elementos ∈ tais que exista algum tal que . 1).2.4: Sendo e conjuntos e ⊂ × entre eles. ) pertence a ( . relação é: = . ) ∈ × pertençam à relação . ∈ . uma relação relação binária em . 5) . . é conveniente usar a notação e quando . se tem um símbolo diferente para representá-la (estamos usando para representar o caso geral).4. Essa representação consiste em representar os conjuntos como se fez até agora. sendo um subconjunto de × . ) ∈ ). no conjunto de partida.2. ) ∈ × que não pertencem à relação . . não é de se esperar que todos os pares ordenados . e é chamado Para cada tipo de relação. ⊂ × é chamada de Perceba que.3. Ou Definição 4. chamamos de imagem da relação (denotamos elementos pertencentes a tal que .6 e uma relação binária representação diagramática dessa Definição 4. ) ∈ . 4). ) nos existem pares .

3. nem que não pertença à imagem da relação. 2. o conjunto de chegada e uma relação binária de em . basta inverter a ordem de e em cada par pertencente a .39 Podemos pensar essas duas últimas definições em termos da representação diagramática dada acima.2).2. Ou seja. Assim. o que difere os tipos de relações binárias são as restrições (condições) que impomos sobre o domínio e imagem da relação. = 1. .2). )∈ × | . Função é um tipo particular de relação binária e possui particularidades em relação ao domínio e imagem. ) ∈ se. No entanto vemos que . como será visto logo a seguir.2. . ALERTA: embora essas definições possuam relação com os conceitos de domínio e imagem de funções.5 e uma relação binária ⊂ × dada por = 1. chama-se de relação inversa de o conjunto ⊂ × tal que: Ou seja. O exemplo abaixo ilustra isso.3. para se ter a relação inversa. mas pares como 1.5: Sendo e conjuntos arbitrários não vazios e uma relação binária ⊂ × . e somente se. a representação em forma de diagrama dessa relação é: Vemos que todos os elementos de pertencem ao domínio da relação.2: Dados = 1. etc não pertencem à relação . Exemplo 4. ) ∈ . = . )∈ Definição 4.2) . 1. Sendo o conjunto de partida.4. 2. ) ∉ não implica necessariamente que não pertença ao domínio da relação. Um exemplo disso são as funções. Alguns resultados imediatos são: a) b) ) )= = )e )= ) Nem sempre a relação inversa é do tipo da relação original. 4.2).3. o domínio da relação binária é o conjunto de todos os elementos de de onde parte alguma seta e a imagem da relação binária é o conjunto de todos os elementos de onde termina alguma seta (elementos que são “flechados”). as noções não devem ser identificadas. Na verdade.1). .2.4 . cuja definição é dada mais adiante.4). nem sempre as restrições que impomos na relação original são aplicáveis na relação inversa.2.1). ) ou ∉ mas implica que uma das duas seguintes situações ocorre: ∉ ).

ela passará pela altura 5 metros durante a subida (em um instante t) e . Diz-se que o acréscimo (total) está em função da quantidade de horas extras que se trabalha. 3.2. pois existe uma dependência do ganho extra com as horas extras trabalhadas. Uma observação que podemos fazer é que não faz sentido. Exemplo 4. a posição da pedra pode ser dada em função do tempo (vemos que. Exemplo 4.2).2).4) .3. 2. se ligamos um cronômetro no instante em que se joga a pedra.3).3. a relação inversa a de = 1. Em forma de diagrama: O efeito sobre o diagrama. mas em instantes diferentes dos que estavam associados às mesmas posições durante a subida. vejamos primeiro alguns exemplos intuitivos. O conceito de função permeia toda a matemática e acaba recebendo vários nomes dependendo do contexto em que está sendo usado (como.2.1).1: Se um trabalhador recebe um determinado acréscimo no salário a cada hora extra que trabalha. pois zero seria um valor).40 Exemplo 4. produto. Isso motiva a condição (a) da definição de função que será dada abaixo. como acima.2). 2. Exemplo 4.3: Tomando os conjuntos do Exemplo 4. 2.). operação. Então.3 – Funções Essa talvez seja a relação mais importante das que serão apresentadas. aplicação. Percebamos que a pedra irá subir e descer. para servir de motivação para a definição que será dada. por exemplo. mas não exista nenhum valor correspondente a essa quantidade (nem mesmo zero. 4. que se possa colocar alguma quantidade de gasolina no carro. por exemplo. se a pedra vai até uma altura de 10 metros. simplesmente inverter o sentido das setas.3.. ou seja.2: Quando se vai a um posto de gasolina abastecer. é intuitivo que o total acrescido varia de acordo com quantas horas extras são trabalhadas..2). 4.3: Ao se jogar uma pedra verticalmente para cima.2) é ⊂ × dada por = 2. as posições que a pedra vai assumir durante a subida serão repetidas na descida. podemos associar cada instante à posição – altura – em que a pedra se encontra). Por exemplo. ao se tomar a relação inversa. então. se diz que o preço pago está em função da quantidade de gasolina colocada no carro. Antes da definição de função.2. o preço (total) pago pela gasolina é tanto maior quanto mais se coloca gasolina no carro. é. 2.

). para todo pertencente a . pois o domínio da relação é o próprio e.1 (função): Dados dois conjuntos. ) ∈ com mesmo (vemos que. portanto.4: Dados os conjuntos = 1. ′) ∈ = ′. ).3. é comum usar a notação . Abaixo está representado o diagrama da função .5: Dados agora = 1.3.2. a função leva cada do domínio a um único da imagem (o Exemplo 4. 2. Atentemos desde já que será comum chamarmos de função . ). ). então = 1. existe algum ) = ). Exemplo 4. e . ) = . Por causa da unicidade do elemento . ) continua sendo uma função. . e ⊂ × uma relação binária de em . 2. ) não é função de em porque não satisfaz nenhuma das duas condições necessárias. .41 passará pela mesma altura 5 metros durante a descida (mas num instante posterior – portanto. No entanto não faz sentido associar duas posições diferentes a um mesmo instante. em termos de diagramas. ) (trinca ordenada) é dita ser uma função de em ou aplicação de em quando satisfaz ambas as seguintes condições: a) b) )= . satisfazendo as condições (a) e (b)) e o diagrama é dado abaixo.2. Em outras palavras. pertencentes ao domínio de (e. ) ∈ e . correspondente a um ) para indicar os elementos da dado do domínio. Exemplo 4. Vemos. se pôde associar dois instantes diferentes a uma mesma altura). o elemento correspondente a na imagem de é único. ). . Já a pertencente a tal que . Por exemplo. a trinca ordenada . Mas perceba que nada proíbe que existam dois elementos distintos. deve partir alguma seta e a condição (b) quer dizer que só pode partir uma única seta de cada elemento de . Mas perceba que = 1. ). ) é uma função de em . a ) tais que .3. ) ∈ (mas não é necessário que segunda nos assegura que. 2. e ’. . 2. o terno .3. Definição 4.3 e = . mas de em (pois continua = 1. . dado um . a condição (a) da definição de função quer dizer que. de cada elemento de . que. implica A primeira condição diz que. esse é associado a apenas um elemento em . então. Ou seja. . função embora a função seja. ).3 e = .3. na imagem. para cada elemento de . no Exemplo 4.3 dá uma motivação para se definir assim). diferente – ao t). na verdade.3. 3. )∈ e . 3. a pedra não pode estar no chão e na altura 5 metros no mesmo instante.

um ∈ levado a dois (ou mais) diferentes na imagem. dadas as restrições (a) e (b). a relação inversa de uma função nem sempre é uma função. ′) = . implica .3.2. é uma relação de equivalência em quando forem satisfeitas as seguintes propriedades: a) b) . não exista ′ ≠ tal que ≠ ′. em geral. na relação inversa. pois o domínio dessa relação inversa não é e. )∈ com mesmo . ) ∈ (simetria).4. Como.1: A relação dada no Exemplo 4.1? Trabalharemos funções de forma mais detalhada no capítulo seguinte. a relação inversa não será uma função se isso ocorrer. Por fim. se ) = . ) ∈ e . Afinal.3.42 Exercício 4. pela definição. mas perceba que. )∈ para todo ∈ (reflexibilidade). ) ∈ e .1: Dado o conjunto e sendo ⊂ × uma relação binária em . as relações de equivalência também são presentes em vários campos da matemática.5 não são funções? Dê um exemplo de função cuja relação inversa também é uma função. se teria. do domínio) é a mesma que a do contradomínio (esse termo é mais comum quando se trata de funções). a relação inversa não pode ser uma função.3. Se ⊂ × é uma função e a imagem dessa não é o próprio . dizemos que essa relação inversa é a função inversa. se pode ter . Note que isso só é possível quando a cardinalidade do conjunto de partida (conseqüentemente. Quando a relação inversa de uma função é uma função também. usando a notação . Mesmo que a relação inversa tenha como domínio . é necessário que o domínio de uma função seja o próprio conjunto de partida. Exercício 4. só é possível que a relação inversa seja uma função quando a imagem de ⊂ × for o próprio e não ocorrer de .4 – Relações de equivalência Além das funções. Informalmente podemos dizer que uma relação de equivalência estabelece uma condição que define uma “igualdade” entre elementos de um conjunto. Definição 4. ) ∈ com )). . essa relação inversa ainda tem que levar cada elemento de a um único elemento de para ser uma função (condição (b) da definição).2. Ou seja.4 e 4.3. )∈ .2 é uma função? E a dada no Exemplo 4.2: Por que as relações inversas das funções apresentadas nos exemplos 4. 4.

~ (transitividade).1: Dado o conjunto = . então − é racional. Duas relações de equivalência sempre são possíveis de serem feitas num conjunto. essa relação binária é uma relação de equivalência em (verifique!). ) . A outra é a que os elementos . )∈ℝ×ℝ| − )∈ℚ a) ~ .4. e uma relação binária em dada por = . então. Ou seja. . ~ implica ~ (demonstrando a reflexibilidade). ∈ são equivalentes quando = (por essa relação de equivalência. )∈ (transitividade). se escreve ≁ . ∈ (reflexibilidade). .2: Definamos uma relação de equivalência em ℝ da seguinte forma: dizemos que é equivalente a quando − é racional ( − ) ∈ ℚ). Exemplo 4. quando os elementos . Ou seja. se escreve simplesmente ~ para indicar que os elementos e são equivalentes pela relação de equivalência considerada e ≁ caso não sejam equivalentes. ). ). então − )− − )= − − + = − é racional. ⊂ ℝ × ℝ tal que: Mostremos que tal relação é. Se os elementos . Assim. Usemos isso para demonstrar a transitividade. − ) e − )) é um número racional. uma relação de equivalência: = . . ). Tomamos a relação de equivalência com o conjunto de partida sendo e o de chegada ele mesmo e isso é necessário. . )∈ e . No caso em que não há perigo de confusão. pois a subtração de racionais (no caso.4. pois − = − − ) e o oposto de um número racional é racional. ∈ são equivalentes por . onde. b) Se − é racional. Se − é racional e − é racional. Ou seja. y-z racional implica z-y racional. que é racional (demonstrando a simetria). pois − = 0. Assim.43 c) Se . Uma é relação identidade (ou diagonal). ~ e ~ implica ~ (demonstrando a transitividade). dado um conjunto . . os elementos de só são equivalentes a eles mesmos). de fato. ∈ não são equivalentes por . as condições dadas acima podem ser reescritas como sendo: a’) b’) ~ para todo ~ implica ~ (simetria). escrevemos ~ . então. ). . ) ∈ . Normalmente se usa o símbolo ~ para indicar a equivalência pela relação . . todos os elementos de são equivalentes a todos os elementos de ). . c’) Se ~ e ~ . Exemplo 4. c) Pela propriedade demonstrada anteriormente. Perceba que as propriedades são tais que não existe possibilidade de existir uma relação de equivalência com o conjunto de partida diferente do de chegada. ∈ são equivalentes quando esses pertencem a (por essa relação de equivalência.

então ∈ e. Pelo enunciado do exercício. Ou seja. para cada ∈ . ou seja. ℰ é uma partição de . e somente uma.9. . fixado . ∈ Demonstração: Com efeito. = . )∈ Vemos que.4. então ∈ . pelo Lema 4. o conjunto nunca é vazio. esse deve pertencer a uma. QED Esse último teorema nos diz que um conjunto pode ser dado pela união disjunta de todas as classes de equivalência (distintas) de uma relação de equivalência. devido à propriedade (a) da definição de relação de equivalência. para mostrar que ℰ é uma partição de .1: Se ℰ é o conjunto de todas as classes de equivalências de pela relação de equivalência . e.4. QED De fato. que pode ser escrito como ℰ = também.3. De forma inteiramente análoga conclui-se que ⊂ . esse pertence a. O teorema é a razão das relações de equivalências serem tão presentes na matemática e é chamado de Teorema Fundamental das Equivalências. classe de equivalência pertencente a ℰ. dado um elemento do conjunto .1: Sendo ⊂ × são tais que ~ .6. se ~ .1 para demonstrar esse teorema. interessante ter o conjunto de todos os elementos equivalentes a (tal conjunto definido abaixo). ~ . pertence a uma. | ∈ . devemos mostrar que. Ora. é. se . uma relação de equivalência em . classe de equivalência pertencente a ℰ. Teorema 4. então ~ (transitividade). pois sempre se tem que ∈ . e somente uma. O conjunto ℰ.1. se ~ e ~ . em geral.4. para todo ∈ . todo elemento que pertence a também pertence a . pelo Teorema 1. Abaixo seguem um lema e um teorema referentes a essa definição. = . Demonstração: Usaremos o resultado que foi pedido para ser demonstrado no Exercício 1. é chamado. se ∈ para algum ∈ . então = . se ~ . Definição 4. que nos leva a concluir.4. ao menos. que é o mesmo que dizer que ⊂ .44 Sendo um conjunto não vazio e uma relação de equivalência em . que implica ∈ . Para cada ∈ definimos a classe de equivalência de (pela relação de equivalência ) pelo conjunto: = ∈ | .2: Seja um conjunto e ⊂ × uma relação de equivalência em . uma classe de equivalência. o conjunto é o de todos os elementos equivalentes a e que sempre se tem ∈ . Ou seja. Lema 4. de conjunto quociente de por e pode ser representado por ℰ = / . que é o mesmo que dizer que ℰ é uma partição de . Logo. para todo elemento ∈ .

mostremos que o conjunto dos racionais é uma das classes de equivalência daquela relação. que é um ser irracional. Por exemplo.1) e a do é = . 4. entre os elementos. como mostrado pelo Lema 4. mas a demonstração dessa recíproca será omitida. mas − é racional.4. chegaríamos à seguinte contradição: suponha que é racional e é irracional.3: Usando o conjunto e a relação de equivalência dada no Exemplo 4. Assim. entrando em contradição com a hipótese de Concluímos. que é uma partição de . 2 − 2 − 1 = 1. A igualdade não é. . A relação que nos permite dizer isso nos permite ordenar os números inteiros (por exemplo. ou seja. se fosse. Exemplo 4. no conjunto dos números inteiros. que uma das classes de equivalência de ℝ | − ) ∈ ℚ é ℚ. se é racional e é racional. inclusive). mas é possível se ter soma ou subtração de irracionais com resultado racional (diferente de zero.4. números inteiros (com e não nulos). dizemos que 2 é maior que −1 e representamos isso por 2 > −1.1. Por exemplo. . dados dois elementos de um conjunto com relação de ordem. Um racional pode ser escrito como a divisão entre dois números inteiros. em geral.4.2. então já se tem que é equivalente a pela relação dada. ℰ = . mas a subtração dada é um número racional. )∈ℝ× e Foi dito no início dessa subsecção que a relação de equivalência estabelecia uma “igualdade” entre elementos de um conjunto. Observação: a soma (ou subtração) de um racional com irracional nunca será um racional. Mas também se tem que nenhum irracional pode ser equivalente a um racional.45 Vemos que a relação de equivalência equivalências. “agrupamentos” dos elementos com mesmas propriedades. podemos ordenar de forma crescente os números inteiros).4. Exemplo 4. 2 . então. Evidentemente a subtração de racionais é um racional. = − = . então.4. = . se vê que a classe de equivalência dos elementos e é = . número racional. então. pois. com . As classes de equivalência são. de acordo com a relação de equivalência dada. Dessa forma. .5 – Relações de ordem total Em alguns conjuntos é natural dizermos que um elemento é maior que outro. escrevamos = e − = − = . realmente “divide” com as classes de A recíproca do teorema acima também é verdadeira: toda partição de um conjunto é um conjunto de todas as classes de equivalência de alguma relação de equivalência. mas aparece entre as classes de equivalência. Uma relação de ordem é total quando sempre é possível dizer.1.4: Usando a relação de equivalência nos reais apresentada no Exemplo 4. = (Lema 4.4. O conjunto das classes de equivalência é. se um é irracional e 2 − 1 também é.

1: Dada uma família arbitrária não vazia de conjuntos. Um conjunto com uma relação de ordem total é dito totalmente ordenado ou linearmente ordenado (pela relação ). . Usando essa notação. então ou . o índice R é omitido. ∈ . Mas as relações de ordem não se restringem a conjuntos numéricos (naturais. ≥ . . ≥ se ⊂ . inteiros. através da propriedade (c). ) ∈ e . (anti-simetria). Não demonstraremos esse teorema. ≥ (totalidade). ≥ . Essas propriedades são bem familiares. Existem outras relações de ordem (que não serão tratadas aqui) e por isso se explicita que a relação de ordem é total.5. ) ∈ (transitividade). como deve ser. que é possível obter uma relação de ordem tal que o conjunto é dito bem ordenado (noção que não foi apresentada) por essa relação de d’) Para todo . Para todo . para . ) ∈ (totalidade). Se . além de outras razões. pois. ) ∈ (reflexibilidade). ) deve pertencer a relação. pois são as mesmas das relações de ordem dos números naturais.1 (Teorema do Bom Ordenamento): Dado um conjunto não vazio . O símbolo ≥ é lido como “maior ou igual” e isso logo se justifica. )∉ . ) ∈ ou . ) ∈ . = ≥ (transitividade). então . em geral. dado um conjunto qualquer. uma relação de ordem total? Qual condição deve ser satisfeita para que a relação dada seja uma relação de ordem total? Teorema 4. pois pela mesma relação. igual ou menor que outro. inteiros. ) ∈ e ≱ para indicar que . Veremos que. é sempre possível encontrar uma relação de ordem tal que é totalmente ordenado por essa relação. então ∈ . esse teorema garante. Exercício 4.. .5. racionais e reais (esses servem de exemplos para esse tipo de relação binária). Por que essa relação não é. A primeira condição apenas impõem que . se conclui que = . ∈ . .46 elemento é maior. então = (anti-simetria). Definição 4. Quando não há perigo de confusão. Se . usamos a notação ≥ para indicar que . na verdade. ≥ ≥ (reflexibilidade). podemos reescrever as condições: a’) Para todo b’) Se c’) Se ≥ ≥ e e ∈ .. ) ∈ .5. criemos uma relação de ordem em tal que dizemos que. sempre é possível criar uma relação de ordem total no conjunto. racionais.1: Sendo um conjunto e ⊂ × uma relação binária em é uma relação de ordem total em se forem satisfeitas as seguintes condições: Para todo ∈ .). ) ∈ e . a) b) c) d) De forma análoga ao que foi feito para relações de equivalência.

1) > 2. 3. Essa forma de ordenar totalmente produtos cartesianos de conjuntos que já possuem uma relação de total pode ser generalizada.2) > 3. Chamaremos a relação de ordem de ℕ de e a de ℕ × ℕ de .2: Mostre que essa relação apresentada é de fato uma relação de ordem total em ℕ × ℕ.2).5).1) < 2.1). )≥ . Por exemplo.47 ordem. se as primeiras coordenadas forem iguais. onde o ponto preto é o 2. se = a relação passa a ser entre a segunda coordenada e se tem .5. podemos fazer com que (= × × ⋯ × n vezes) seja totalmente ordenado por uma relação fazendo . 3. fica a questão: como ter uma relação de ordem total em conjuntos como o ℕ × ℕ? Podemos obter tal relação usando o fato de ℕ já possuir uma relação de ordem. Perceba que os elementos menores que 2. Sabendo da veracidade desse teorema. ) (independente de ≥ ou não). Se é um conjunto com uma relação de ordem total .1) > 2.3). mas. . 2. no plano cartesiano. a relação de ordem desse conjunto. . Ou seja. ) ≥ .⋯. Exercício 4. ). 1. Tal construção é apresentada abaixo. ) quando ≥ . )≥ . 2. Definamos a relação de ordem total em ℕ × ℕ da seguinte forma: dados . ) quando. chamados de n- . Mas é possível demonstrar que todo conjunto bem ordenado é completamente ordenado pela mesma relação de ordem.2).2). como foi feito acima. . > . Ordens desse tipo. Exemplo 4. > 1. mas ≥ .1). ) ∈ ℕ × ℕ. já se tem .2) são os que estão à esquerda ou abaixo desse e os maiores os que estão à direita ou acima. 3. onde se usa uma relação de ordem total em para induzir uma relação de ordem total em da forma como foi feita.1: Peguemos o subconjunto = 1.2) e os maiores que 2. ) se ≥ ou se = . ⋯ .5. 3. temos que 3. .2) são vermelhos e os menores verdes. pode-se fazer o produto cartesiano entre conjuntos obtendo um conjunto cujos elementos são “pares ordenados” (na verdade. 1. Abaixo está ilustrada.3).3) de ℕ × ℕ.1). se > .5) e 2. mas.3) > 3. 2. Observação: Ainda não generalizamos a noção de produto cartesiano. são chamadas de ordens lexicográficas por razões que ficarão claras a seguir. ) ≥ .3) >. Usando a relação de ordem apresentada acima para ℕ × ℕ.1).

∈ e ∈ . fazendo caso aparecer depois de casa no dicionário. Por exemplo.6 e = . . Tal forma de ordenação pode parecer estranha a primeira vista. ) onde ∈ . pegamos duas palavras e vamos comparando as letras das palavras (a partir do início dela) até que se encontre uma “coordenada” distinta entre essas palavras.0).3) e 5 3 .3. ). Assim. Exercícios I – 4 2 – Sendo binárias de em = 1. encontre os pontos 0. mas > (no sentido de aparecer depois de no alfabeto). dadas as duas letras distintas..2. . sendo . . . Vamos primeiro colocar as letras como quadras ordenadas: . . 0 . por exemplo) e. comparamos as primeiras letras e. se usa a ordem já dada para o alfabeto para dizer que uma palavra é “maior” que outra (no sentido de que.5. . −1). Quando é encontrada a diferença. passamos a comparar a segunda e assim por diante até que haja diferença. ) e . A ordem alfabética (usada para ordenar palavras de um dicionário) é uma ordem desse tipo. o exemplo foi simplificado. comparemos as palavras casa e caso. × × é o conjuntos de todas as trincas ordenadas . . 1 3 . etc. pois nem todas as palavras possuem quatro letras. mas um caso desse tipo de ordem é bastante comum e bem familiar a todos. −2. As três primeiras letras são iguais. em forma de diagramas: . 4 3 . Perceba que ordenamos inicialmente o alfabeto (dizemos que > . e conjuntos não vazios. . e existem letras com acentos. hífens. represente as seguintes relações . se as letras forem iguais. que devem ser acrescidos no “alfabeto”. . 2. Ou seja. . uma aparece depois da outra no alfabeto). .4. ) > . ao ordenar palavras. 1 – No plano cartesiano abaixo. Por exemplo.48 uplas) com elementos ordenados (com cada elemento pertencendo ao conjunto correspondente à posição que se encontra na n-upla). . . Claro. de forma que seriam necessárias mais “coordenadas” e algum elemento que preencha as “coordenadas” sem letras. ).

5. indique quais das relações abaixo são relações de equivalência em A. indique qual(ais) condição(ões) falha(m). ). ). Caso não seja. 2. 3. ). 6. ). ) ). 1. ). 1. 6. 3. ) ) ). ). 6. ). 1. 3. ). 5 – A partir dos diagramas de relações binárias apresentados abaixo. 4. ). 2. 4. ). represente as relações binárias listando seus elementos e dê o domínio e a imagem de cada relação. 3. 3. a) b) c) 6 – Sendo = 1. ). ). 5. ). 4 – Escreva as relações inversas das relações binárias apresentadas no exercício 2 e represente-as em forma de diagramas.3 . ). 6. 5. ) ).49 a) b) c) d) e) = = = = = 1. ). . ) 3 – Dê o domínio e a imagem das relações apresentadas no exercício 2 e indique quais relações são funções de em . 1. ). ). 4. 5. 3. ). 3.2. 2. 6. ).

3.1). 14 – Usando a ordem lexicográfica definida para ℕ .2).4.1). . SUGESTÃO: Para poupar trabalho. 1.3).1.3). 3. 13 – Seja definido como ℤ × ℤ − 0 ).6). Mostre que essa relação é uma relação de equivalência. 1. 11 – Defina para ℕ uma relação binária tal que . 3. uma relação que seja de equivalência e uma que não seja e represente-as em forma de diagrama.3). . e somente se.2). 3.50 a) b) c) d) e) f) g) = = = = = = = 1. destaque os pontos que compõem a relação. | ) e um elemento é equivalente a.3). 3. 1.2).1).3). no máximo. os pontos na ordem crescente.2).3).3). 2.1) 12 – Defina uma relação análoga a feita no exercício anterior. 6. mas para ℕ .1). 4. 2.7). Defina uma relação em fazendo com que . 2.1. )~ .5. 4. ) (ou seja.5) 1. 3. 3. em cada caso abaixo.3) 3. 9 – Mostre que uma relação de equivalência em um conjunto em se.4). a) b) c) d) 1. 1.3).2) 6. 3.1). 1.2).5). . escreva. 1.1).8). 4. 2. um elemento distinto. 8 – Represente as classes de equivalências das relações de equivalência existentes no exercício 6 e dê o conjunto quociente em cada caso. ). ). 3.4.1).5.2).2) 3.6.3). 3.3.2). Represente essas classes de equivalência no plano cartesiano.3).1).1.1).2. 2.2) de 10 – Alguma relação binária do exercício 6 é uma relação de ordem total? Se sim.3).3).2) 2. ) ∈ ) se + + = + + . 2. 2. representando no plano cartesiano.3). 2.2).1. 1.1. 2. use o Lema 4.4.2).2).2) e 3. 2. 3.1). 2. 2. é a relação identidade.3).4). é uma função 2. 3. 3.1). .3. )~ .3. faça também a representação do conjunto no plano cartesiano e destaque (circulando. )) se = . por exemplo) os pontos que compõem a relação de equivalência.1).1) 7 – Escolha. no exercício acima. 1. .2.2) 2.7). 1. 1. 2. | = 3 (cardinalidade do conjunto quociente 15 – Se | | = 5. Mostre que essa relação é uma relação de equivalência. .1).2).2).2).2. No caso da relação de equivalência. 1.1). indique-a e.2). 1. 2. 3. ) ∈ (ou . 1.1. 1. .2) 3. 2. quanto é | | (cardinalidade da relação de equivalência)? . Dê as classes de equivalência de 1.1) 2. 2.45.

1 (função): Dados dois conjuntos.1: Seja : → uma função e imagem de : → está contida em ). também escrevemos = ). )∈ e . e . Como o conjunto de partida de uma função é sempre igual ao domínio. onde o conceito de função estará sempre presente.51 Capítulo II – Funções e Estruturas Nesse capítulo será apresentado um tratamento mais geral de funções. De fato isso acontece. passaremos a representar funções por : → (lê-se “função definida de em ”). notemos que. a trinca ordenada . é possível alterar o contradomínio de uma função sem alterar outras características dessa. então é chamado de imagem de sob (com certo abuso de linguagem.1 – Definição de função e notações Definição 1. Reapresentemos a definição de função. Atentemos também ao fato de. ′) ∈ = ′. Também serão apresentadas estruturas algébricas básicas. é comum omitir o “sob ”). Como já foi dito no capítulo anterior. Por exemplo. anéis e corpos. )⊂ (a implica Teorema 1. ) é dita ser uma função de em ou aplicação de em quando satisfaz ambas as seguintes condições: a) b) )= . . chamamos o conjunto de partida simplesmente de domínio da função e o conjunto de chegada é mais comumente referido como o contradomínio da função (lembrando que a imagem da função é um subconjunto do contradomínio). Então : → . usarmos com freqüência letras minúsculas para representar funções. representamos a função simplesmente por . e ⊂ × uma relação binária de em .2. o conceito de função é presente em toda a matemática e por isso o estudo dele é de particular importância. No lugar de . Algumas novas notações devem ser introduzidas. como a imagem de uma função não necessariamente é igual ao contradomínio. .2 – Igualdade entre funções Antes de apresentarmos a igualdade entre funções. Também devido a esse fato. : → . tais como grupos.1. Como já foi introduzido no capítulo anterior. a partir de agora. Quando o domínio e o contradomínio são subentendidos. como mostra o teorema seguinte. se = ). : → tal que é uma função. ). é comum indicar que um dado do domínio corresponde a um determinado na imagem por ↦ (ou ↦ )). 1. Outra conseqüência dessa unicidade é que. devido à unicidade de na imagem correspondente a um no domínio. 1 – Características Gerais 1.

Concluímos. Ou seja. Assim. ) ∈ . O diagrama abaixo ilustra a função.1: Seja : ℕ → ℕ tal que As imagens de = 1. pois. Ou seja. ) = . mas apresenta uma forma equivalente de afirmar = . . no teorema anterior. no exemplo anterior. escrevemos ) em termos de . Assim. escrever Exemplo 1. ) (embora seja comum chamarmos a relação de função). = 2 e = 4 são respectivamente 1) = 2 ⋅ 1 = 2. ) ∈ × . ). que se pode reduzir o contradomínio a somente os pares positivos sem alterar os outros aspectos da função. poderíamos fazer : ℕ → . ↦ 2) = 2 ⋅ 2 = 4 e ) = 2 (pode-se. . também. ) ≠ . . elas continuam sendo satisfeitas.52 ). 4) = 2 ⋅ 4 = 8. Um abuso de linguagem que é bastante freqüente (e cometeremos aqui também) é chamar a regra definidora da função. = e = .2. QED Uma função pode ser definida a partir de uma “regra”. Já que )⊂ . de função. No teorema abaixo. então. podemos escrever a função como :ℕ→ℕ ). A última função também exemplifica o teorema demonstrado logo acima. Demonstração: Se . que. que : → é uma função. então. já se está tomando os domínios e os contradomínios iguais. quando mudamos o contradomínio. . mostrando que ⊂ × . pois . mudamos a função. : → . a função : → é diferente de : → . Por exemplo. Sabendo a regra que define a função. . mas se deve sempre estar atento para não confundir os conceitos. Mas também poderíamos tomar um contradomínio maior. onde é o conjunto dos números pares positivos. então ∈ e ∈ temos que ∈ . Vemos. ). ↦ ) onde ) é a regra em questão. A função propriamente dita é a trinca . = . como satisfaz as condições (a) e (b) da definição de função. Isso quer dizer que podemos estabelecer um padrão na obtenção do na imagem a partir do do domínio. Afinal. a função poderia ser : ℕ → ℝ. . A imagem da função é composta por todos os números pares positivos. e só se. ) se. . então. se é diferente de . o par . Perceba.

a intersecção dos : −∞. se pertence a . tais que QED mostrando que as funções são iguais. Para mostrar isso. ) e ) = . basta mostrar que para todo ≠ 1. se não pertence. são iguais.3. existirão funções cujas imagens serão definidas por mais de uma regra (cada regra referente a um subconjunto do domínio).0 ) → ℝ e : ℝ − −1. Usando a notação = → funções. A domínios e contradomínios já são iguais.1: Seja Podemos criar uma função : um subconjunto de um conjunto não vazio → 0. Exercício 1.3 – União de funções É comum que a regra definidora de uma função não seja a mesma em todo o domínio.2. Vemos que )= = ) + 1. A primeira ) = 1 e a segunda : − ) → 0 tal que ) = 0. donde segue que recíproca é obtida seguindo a demonstração no sentido contrário. pois.2. )∈ .53 : Teorema 1. )) ∈ ⇔ . Essa função é chamada de função característica de . ∞) → ℝ tal que ) = . Assim. : ℝ − −1. ⇔ . mas devemos tomar cuidado.2: Pode-se ter : ℝ → ℝ definida por: )= ² ≥1 ≤1 No primeiro exemplo. 1 → ℝ tal que . Exemplo 1. então )= ). sabendo que ) para todo ∈ ℝ − 1 ). Ou seja.1 de forma que: )= 1 0 ∈ ∈ − ) .2: As funções e )= ∈ ℝ − 1 ).2. exemplo. No segundo competem. )∈ Demonstração: Se as funções são iguais. se tem )= ) )= Exemplo 1. Exemplo 1. sendo ) = e ℎ: 1.0 ) → ℝ tais que 1. a imagem desse é 1.1: Sejam ) = +1 = e. Assim. → é igual a . para todo ∈ .1 ) dessas duas funções e usando as regras respectivas nas partes do domínio que as = ∪ . podemos decompor a função em duas. Então : )= ). : ℝ− 1 )→ℝ e = ) ) ). mas. a equivalência é escrita como = . pois o . já que ⊂ ) e os contradomínios ( 0 ∪ 1 = 0. )) ∈ . Ou seja. Os dois exemplos abaixo ilustram isso. e somente se. Juntando : → 1 tal que os domínios ( ∪ − ) = . observemos que os )= ) : ℝ − 1 ) → ℝ. a imagem é 0. dessa forma. Mostre que essas funções são iguais.2: Sejam : → e : → se.3. Segue que é único. conseguimos a função original. situação semelhante ocorre.

⊂ × e ⊂ × . mas é fácil ver que as regras coincidem nessa intersecção. Sejam também : → tal que = 1. mas já adiantemos que −∞. 4) define uma função ℎ: ∪ → ∪ . Mas × ⊂ ∪ )× ∪ ). 3.2. não se está tirando elementos que pertençam a × (veja o Teorema 2.3).4 . Ou seja: tal que: ℎ= ∪ ): ∪ ) ) → ∪ Motivados por esses exemplos. 2.54 domínios não é vazia (é 1 ). . Exemplo 1.5. Observação: Definiremos no capítulo seguinte o conceito de intervalo de números reais. ℎ ⊂ ∪ )× ∪ ). ∞) = ∈ ℝ| ≥ 1 . = 2.2). ℎ ) é definido de forma única em todo o domínio.3).2). Assim.3. 3). afinal. ao unir as funções. = 1.3: Sejam = 1. .1: Sejam : → e : → funções tais que todo ∈ ∩ . 4) .4 do Capítulo I).3. ao se unir um conjunto ao conjunto e outro ao conjunto . Então a união ∪ define uma função ℎ de ∪ em ∪ de domínio ∪ e contradomínio ∪ ). 3. enunciemos o seguinte teorema. ) para (função Demonstração: e são relações binárias. mostrando que é de fato uma função. . então. Assim. e = 2. 1 = ∈ ℝ| ≤ 1 e 1.2. )= Teorema 1. Concluímos.3). × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ).3. 2. Então a relação ℎ = ∪ = 1.3). cuja representação diagramática é dada abaixo. QED ℎ= ∪ ⊂ × )∪ × )⊂ ∪ )× ∪ ) ℎ )= ∈ ∈ .3) e : → tal que = 1. ∪ . obtemos a função original ( ∪ ℎ = ). De forma semelhante × ⊂ ∪ )× ∪ ). .6 . 2. . Como no caso anterior.2.3 .2).3. que: Ou seja. Já que e são funções e ) para todo ∈ ∩ . podemos ver que. que é o mesmo que dizer que ℎ é uma relação )= binária de ∪ em ∪ . 3). Segue que ∪ ⊂ × ∪ × .

Definição 1. Mas nessa nova definição devemos perceber que pode ser qualquer subconjunto do contradomínio e esse pode possuir elementos que não pertençam à imagem da função. que “ ) se.1.1: Dê o domínio e a imagem das funções .1: Mostre que Exercício 1.4 – Imagens e pré-imagens de funções Perceba que a imagem de sob é um subconjunto da imagem da função )⊂ ).4. A pré-imagem de sob ). em geral. . então.3. = e ⊂ . : → e ℎ apresentadas é dita ser uma extensão Definição 1. onde é o domínio da função. isto é. no exemplo anterior. de : No Teorema 1.4. denotada por ) ∈ .4. deve-se atentar que ) é um elemento da imagem enquanto ) é um subconjunto da imagem. e somente se. = ”. Em notação mais sucinta: )= | )∈ A pré-imagem de um subconjunto do contradomínio da função é. quando → . Numa notação mais compacta: )= )| ∈ 1. A imagem de sob . Exercício 1. um subconjunto do domínio da função. sob é a própria imagem da função. Em particular. a imagem de : → . é o conjunto de todos os elementos do domínio tais que . Ou seja.3. )= no caso geral. )= ).4. Embora a semelhança nas notações )e ).2: Mostre com um contra-exemplo que não é possível afirmar.1: Seja : → uma função e ⊂ . é o conjunto de todas as imagens ) tais que ∈ . pode existir ∈ tal que ≠ ) para todo ∈ .55 Exercício 1.2: Seja : → uma função e ⊂ . denotada por ).

3. ) .9 . Vemos. ) que.4. a pré-imagem de sob é ) = 2.7.2.3. pela definição.9 e : → uma função definida por = 1. ∈ ∈ ∈ ). a imagem de sob ) = 6.4. mostrando que ∈ ℕ.7). Ou seja.3: Faça a representação diagramática do que foi discutido no parágrafo acima. por fim. Afinal.2. Sendo = 1.8) . que. que implica ) ⊂ . Já a pré-imagem de sob é o conjunto dos elementos no domínio de onde partem as setas que terminam nos elementos de .8 .8). então. quer dizer ( a ) . mas a pré-imagem ) ∈ para todo de sob é ℕ. + 1 é par. em termos de diagramas. então existe ) ⇒ ∈ levando. Também se tem que. que nos leva a concluir que ) ⊂ . ∈ .5 . respectivamente. 3. 2.2: Seja = 1. 1. ⊂ ) = 7.4. sendo ) = 2. Esses resultados são gerais e apresentaremos como um teorema.8.2 . Ou seja.8. Ou seja. Teorema 1.4. A imagem +1 é de (conjunto dos pares) sob é o próprio conjunto dos pares. 4. QED . Segue abaixo a representação diagramática.5 .7 . mas Nesse último exemplo podemos ver que ) . valem as inclusões: Demonstração: ( ⊂ ∈ ) ⊂ ): Se ∈ ⊂ ) ) ): Se ⊂ ∈ .5 . pela ) tal que )= . 5. que definição de subconjunto. se é ímpar.56 é .1: Seja : ℕ → ℕ tal que )= Exemplo 1. ∈ ⇒ ) ⊂ )∈ Exercício 1. Já sendo é o conjunto = 7. = 6. então ) . Exemplo 1.4. donde segue.6).3 .4.1: Sendo : → uma função arbitrária e ⊂ e ⊂ subconjuntos quaisquer do domínio e contradomínio. ) = ) = 6.4. a imagem de sob é o conjunto dos elementos no contradomínio onde terminam as setas que começam nos elementos de .7).3.7 .

No 1.2 ) → primeiro caso. valem as afirmações abaixo. mostre que. se observe os caminhos 1.2 .2 ) . ) = .1 .2 já mostra que. 1 = 1 .1. )⊂ ∈ ∅. )∈ ∅).2 ) e −1. Exercício 1.2 ) = −1.2 → 1. “volta” pelas linhas vermelhas até −2.2 “ir” para −1. Demonstração: (a): Não existe se conclui ∅) = ∅. concordando com o teorema. as inclusões apresentadas no comentário são próprias. o caminho “segue” pelas linhas vermelhas de 1. não existe ). depois.4 . e faz o conjunto −1.4: Se : ℕ → ℕ é uma função tal que para todo subconjunto do contradomínio tal que 1 ∉ .2 ) = 1 . a) ∅) = ∅ )= ) b) c) Se ⊂ ⊂ .2 ) = 1.1. de onde . 2 = 1. −1. Exemplo 1.3: Seja : ℤ → ℤ tal que 1. pois −2) = 4 e −1. as inclusões demonstradas não podem ser substituídas por igualdades. )⊂ ).1. então Teorema 1.2 → −1. −1. pois não existe quadrado de inteiro cujo resultado seja −1 1.4. afinal.4 e.1.4.2: Sendo : → ) = + 1. então d) Se ⊂ ⊂ .1.2 ) = −1. Já no segundo caso.4. )= .1. na representação feita acima.1.57 O comentário feito sobre o Exemplo 1.4 ) = nem quadrado inteiro com resultado 2.1.4.2 a 1.4 e −1. Depois o conjunto “volta” pelas linhas vermelhas até 1 . Abaixo a representação da função é feita no plano cartesiano. −1) . logo.1 . uma função.1 ) = −1) = 1. −2. No entanto.2 ) → −1. onde os pontos pretos são os pertencentes a . o elemento 1 é o único que pode “seguir” pela linha vermelha. e É interessante que. no caso geral.

então existe Mas ∈ ∪ ⇒ ∈ ou ∈ .4. então existe ∈ tal que disso.4: Sendo : ℤ → ℤ tal que Demonstração: (a): Se ∈ ∪ ). dessa forma. ∪ ). então ) ∈ . e somente se. por seguinte. = ”. a igualdade e o exemplo seguinte mostra isso.4. ⊂ . ∈ ) ou ∈ união. donde se tem ∈ )∩ ∩ )⇒ ∈ ). ∈ e )∩ ).6: Encontre contra-exemplos que mostrem que as afirmações “ )⊂ ) somente se ⊂ ” e “ )⊂ ) somente se ⊂ ” são falsas. Teorema 1.5: Dê um exemplo de função : ℕ → ℕ tal que. Disso se tem que ∈ ∪ e. Ou seja. se conclui que ∈ ) para todo ∈ . . com )= sendo o domínio. em geral. dessa forma. . Ou seja.3: Seja : ∪ )= ∩ )⊂ )∪ )∩ ) ) → uma função e . QED )= . ∈ donde segue que ∪ )⊂ )∪ ). Dessa forma. Então: Exercício 1. que é o mesmo que )⊂ ). Ou seja. então existe ∈ ou ∈ tal que = ). Na parte (b) do teorema. )∩ ). pela definição de ∪ )⇒ ∈ )∪ ). ∈ ∪ ). é o mesmo que ∈ )∪ ). ∈ ) e ∈ ). então ) se. ∈ ∈ (b): Se ∈ ∩ ). Como ⊂ . como só há um em ⇒ eo ∈ ) ∈ .58 )= ) ∈ ) e. ) = . Assim. que é o mesmo que ∩ )⊂ ). Ou seja. para algum subconjunto do domínio. a) b) Reciprocamente. mostrar que não existe a recíproca das partes (c) e (d) do teorema acima. Ou seja. então existe ∈ ∩ tal que = e. (b): Pela definição correspondente é único. não é possível obter. Ou seja. exista ⊂ de forma que essa inclusão seja própria e )= ). um contra-exemplo para a afirmação “se ⊂ ⊂ .4. ∈ (d): Se ∈ ).4. se ∈ )∪ ). Exemplo 1. )⊂ ). ). finalmente temos que ∪ )∪ ). tem-se 2 )= 2) = QED Exercício 1. que. ∈ )∪ )⊂ )∪ )⇒ ∈ ∪ ) e. Essas duas propriedades podem ser generalizadas e faremos isso mais adiante. então ∈ )⇒ ∈ ). Ou seja. )= ). 5. Mas ∈ (c): Se ∈ ). Dessa inclusão e )= a anterior. ∈ ∪ tal que ). Logo. )= + 3.

4. Portanto ∈ ∪ ) e acabamos de mostrar que ∈ )∪ ) )∪ )⊂ ⇒ ∈ ∪ ).4.8: Mostre com um contra-exemplo que não é. verdadeiro.4: Seja : ∪ )= ∩ )= )∪ )∩ → ) ) uma função e . Disso segue que ∈ que ou ) ou ∈ ). ou seja. portanto. )⊂ )∪ ). em geral. tem-se ∩ = ∅ e. portanto. pois ∈ ∈ ∪ ∪ )⇒ ∈ )∪ ). Abaixo segue a representação diagramática. que é o ) ∈ − . concluímos que ∪ )= )∪ ). então Demonstração: Se ∈ )∈ e )e ∉ )− ) ∉ . por definição. − )⊂ ).4. que é o mesmo Demonstração: (a): Se ∈ ∪ ). que é diferente de Mas ∩ ). então ) ∈ ou ) ∈ . que implica )∈ ∪ ) ou ∈ ). que. Exercício 1. ∈ ). Disso temos ) ∉ . Mostrada essa inclusão e a anterior. ) ∈ ∪ .2 . )− ⊂ . mostrando que )∪ ).59 Exemplo 1. se ∈ )∈ e ) e ∉ ). = 3 e : → tal que = 1. − )= )− QED ) . então ∈ ). Assim ∈ ) e. que quer dizer − ).7: Demonstre a parte (b) do teorema acima. Então: ) a) b) Teorema 1. Reciprocamente.3). Sendo = 1 e = 2 . donde se conclui )⊂ ).4. Demonstradas essa inclusão e a anterior.5: Seja = 1. Teorema 1. assim. )= − − )− ). ⊂ . )− )− Dessa forma. ∈ )− mesmo que − ).3) . donde se tem ∈ . quer dizer ∪ ). então )∈ ) ∈ .4. QED Exercício 1. Por seguinte.5: Seja : Também generalizaremos esse último teorema mais adiante. se ∈ )∪ ). → − )= uma função e . ∩ ) = ∅) = ∅. 2. Então: ) ∈ − . )= 3 e ) = 3 e. )∩ ) = 3 . Reciprocamente.

). .7 e ⊂ tal que = )− )= 7. Exercício 1.5). 3. 2. indique quais relações abaixo são funções de A em B e. 3 – Indique quais diagramas abaixo representam funções de .8 . ). ). ). 2.6: Seja : → uma função com = 1. 1.7.6 ) = 2 . ).4 e = 5.3 e = . que é o resultado anterior. nos casos que são. 1. ).6. 3.7 ) − 7. . 2.2. 3.60 Exemplo 1. 5.8 ) = 2. . Sendo ⊂ tal que = 5.8) . Por outro lado. − )= 5. a) b) c) d) e) = = = = = 1. .5: − )= − ) 1 – Sendo = 1. 4. 2.8 e = 1.9: Demonstre o seguinte corolário do Teorema 1. ).7). = 1. ) ) ) Exercícios II – 1 que = 2 – No exercício anterior. 1.3 em a) b) c) . ).4. 3. ). ) ) ). faça a representação diagramática dos casos em é uma função de em .4 = 2 .4.4. 1. .5).3 − 3. dê a imagem.2. 3. 1.6.2. 2.3. 1.6. ). 1.

→ são funções e ⊂ . onde e são funções. 2. a) b) c) d) e) f) : : : : : : → → → → → → e e e e e e : : : : : : → → → → → → tais que = tais que = tais que = tais que = tais que = tais que = 1.3).3 . represente ℎ listando seus elementos. 7 – Considere os conjuntos = 1.3) . 5) . 3. →ℕ . 1). 5.3). 5.1).4) . ). ).3. . são funções. 5. . ).2). ) . 2.2. 4. 12). ∪ define 8 – No exercício anterior. . . 4.5 . 2). . ) e = 3. e Em cada caso abaixo. 1. 5). SUGESTÃO: O enunciado já afirma que Teorema 1. 2. 3) e = 1. .5). 4. 3). para cada ∈ para mostrar que h é uma função. então = . . ↦ ² e : ⊂ . e dê a imagem da função.1). e = 1. Caso defina.3). . : .4. Então. 1) e = 1. 9) e −1 é é ã 1 é 11).1).4). . . que ) ∪ por diagramas. 1. . .1. 1. represente a relação ℎ = quando essa definir uma função. . 3).3) e = 3.61 d) 4 – Seja : ℕ → ℕ uma função definida por: )= ² 5 – Mostre que. 1. 2. ) . = .1). verifique se a relação ℎ = uma função. ). . 3. ). . = 3. 2). ).1) e = 3. ). se : → SUGESTÃO: Só falta mostrar que 6 – Dê a imagem da função Encontre 2). ) . . 3.4) e = . pelo )∩ )= ).1). basta verificar. 3.2).

1.9 ) e = 1.2.1 (função injetora): Seja : → uma função.4 ). então )≠ ′).2. e) 1. A função é relação de em ). Sendo ⊂ × ( é uma )= )= ) e ). Essa função é injetora. = 10 – Dado : → tal 1. g) h) . ). ). é importante que se tenha familiaridade com as noções apresentadas nessa secção. ) = e : × → tal que . . Chame o conjunto dos primos positivos de ℕ . encontre 1. . Definição 2. 3.3. Assim. .4 ) . ) . Mostre que: 12 – Sejam e conjuntos não vazios e considere as funções : × → tal que . 4. se ). SUGESTÃO: = . 5. ). ) = . mostre que chamada de projeção canônica sobre e de projeção canônica sobre . temos que Exemplo 2. c) 1. d) 1. então = ′. ′ ∈ ≠ ′. pois não existem elementos distintos no domínio com a mesma imagem. pois. e a) a imagem da função. = 4.2. . )∩ ⊂ e ⊂ . 11 – Seja : ∩ a) b) ) = ) = → )∩ uma função.4 .1 – Definições e Exemplo 2. b) 1. 2 – Funções Injetoras.3. .1.5. 2.5). ). . .2. Uma forma equivalente de definir é substituir a condição por: se .2. .7 e = 1.3 .5.6) .4 ).2. ).2 ).9. = uma função.6. Sobrejetoras e Bijetoras Funções injetoras.1: Seja )=3 ≠3 :ℕ→ℕ ↦ 2. A representação diagramática segue abaixo. encontre: que 4.3 ). : → é )= dita injetora (ou injetiva) quando é satisfeita a condição: se .1.2: Seja : → tal que = 1. Essa função é injetora. ′ ∈ e ′). f) . ).4). 3. 2.3 ).62 9 – No exercício 4. ≠ ′.2. sobrejetoras e bijetoras são tipos de funções que possuem uma importância especial em diversos casos.

63 Perceba que.1.1. injetora e sobrejetora. a relação identidade. uma função é sobrejetora quando Podemos chamar funções sobrejetoras simplesmente de sobrejeções. Para mostrar que essa função é ↦ ≠ . : → é dita sobrejetora quando é satisfeita a condição: se ∈ então existe ∈ tal que )= . bijetora. Exemplo 2. : → | = define uma função bijetora . Abaixo está a = 1.2 (função sobrejetora): Seja : → uma função. 2. que. )∈ Exemplo 2. em termos de diagramas. Definição 2.5: Sendo A um conjunto. Exercício 2.3: Seja X um conjunto não vazio e A um subconjunto não vazio de X tal que ⊂ seja uma inclusão própria.3 (função bijetora): Seja : → uma função.1: Mostre que a função Definição 2. x tal que :ℕ→ℕ ↦ é injetora. B={5. Exemplo 2.1) é uma função sobrejetora.4: Seja : → uma função tal que A={1.1.3. : → é dita bijetora quando é. Então a função característica de A (consulte o Exemplo 1. Podemos ver. É comum que se chame as funções bijetoras de bijeções ou correspondências um-para-um. portanto. a condição para uma função ser sobrejetora é que todos os elementos do contradomínio devem ser “flechados”.7) .7). Essa função é sobrejetora. devemos mostrar que é injetora e sobrejetora. 3.4}. simultaneamente.6.1.5). pois existem ∈ e ∈ ) = 1 e x’ tal que ) = 0.2.1.1. então.7} e ) = . se = . a condição para que a função seja injetora é que cada elemento na imagem deve ser “flechado” uma única vez.3. Com efeito. = ). De forma equivalente. pois. 4.6). em termos de diagramas. pois representação diagramática. − ) e.

∈ ) ⇒ ∈ . em termos de diagramas. sobrejeções e bijeções.2. é sobrejetora. usaremos o que já foi demonstrado no Teorema ) ⊂ . )= ≠ = ) e. Portanto.1. pois a notação : → já indica que é a relação Exemplo 2. se ) = . existe : → ↦ ∈ (domínio) tal que Não é necessário escrever .1. então )∈ )= ∈ ). ∈ (contradomínio). Podemos ver no diagrama abaixo que as condições já apresentadas. basta escrever sem explicitar a regra.4. Essa função é injetora. Teorema 2.1: Seja : ) = ) = ) = se se e → uma função com ⊂ e ⊂ . (b): Como anteriormente. muitos teoremas podem ser melhorados. donde segue que ∈ . está enunciada uma “extensão” do Teorema 1.c} e = 1. temos Demonstração: (a): Já foi demonstrado para o caso geral que ⊂ ) . pois não existem elementos distintos ) = .1 para esses tipos de funções. ). que. que implica ∈ ). então: a) b) c) é injetora. = )∈ ) para todo ) ∈ . B={a. Assim. sendo injetora.3}. e é sobrejetora. pois bijetora. ). Sabemos que ) quando ⊂ é sobrejetora. 3. que é o mesmo que ) ⊂ . necessariamente = ′. segue de ser sobrejetora que ) ∈ . ) . ) . = ∈ ⇒ ∈ .4.6: Seja : → tal que. Ou seja. função inversa Para esses tipos especiais de funções. ) = se é bijetora. a função é no domínio com mesma imagem. Se ) . conhecido. 2. esse é = . identidade e. então devemos mostrar que ) ⊂ quando é injetora. para algum ∈ . portanto.64 . Usando esse resultado e o já ) = . = ) para algum ∈ . A={1. mas.2 – Imagens e pré-imagens de injeções. Se ∈ .2. para ser injetora e sobrejetora são simultaneamente satisfeitas: todos os elementos da imagem são “flechados” uma única vez (é injetora) e todos os elementos do contradomínio são “flechados” (é sobrejetora). Ou seja. 2. Então. então é apenas necessário demonstrar que 1.b. Assim. Abaixo. ).

Assim. Usando o teorema.2. então é injetora e sobrejetora. Mas ) = .1: Se : → e chamada de função inversa de : → . advêm simplesmente do fato de . ). mas o fato de ser injetora diz que. qual a condição deve ser satisfeita para a relação inversa ser uma função. ′) ∈ implica = e que ser uma função. ) ∈ . Definição 2. . ′. Do capítulo anterior. o domínio da relação partida). não foi necessário supor que é sobrejetora ou injetora. a de que ) = . Corolário: Se : → e : → são funções. Então é bijetora. satisfazendo a condição (b) da é uma função. (c): Se segue que ) = . então : → é bijetora. que é bijetora. ). então = ′. ∈ corresponde a um único ∈ . ) ∈ . ) ∈ então . QED No capítulo anterior foi dito que. ). então . é injetora. . é uma função. ). Dos resultados anteriores ) = e ) = . precisamente. é bijetora. Logo. tendo esse resultando e o já equivalentemente. Demonstração: Como dito. donde segue = pelo próprio fato de ser uma )= função e. definição de função e mostrando que Agora demonstraremos que é bijetora. ′. ) ∈ . . Bem se sabe do capítulo anterior que )= é Y (o próprio conjunto de ). Veremos agora. Como Demonstração: Vamos. Teorema 2. ). inicialmente. então : → é uma bijeção. Assim. então . satisfazendo a condição (a) da definição de função. então já demonstramos que é bijetora. que nos leva a concluir que é sobrejetora. nos diz demonstrado. mas que existia a possibilidade da relação inversa ser uma função.2. ). junto ao resultado anterior. a relação inversa de uma função não é uma função. Disso obtemos a recíproca do teorema como um corolário. : → : → QED é são funções. portanto. QED Observação: Na demonstração de que é bijetora. em geral. Ambas as características usadas. mostrar que )= = é sobrejetora. mostrando. Suponhamos que . na segunda parte do teorema não foi necessário supor que era bijetora.65 ⊂ ) . Se . .2: Se : → é uma bijeção. como já se sabe do capítulo anterior (a relação inversa da relação inversa é a própria relação). bijetora implica que ) é bijetora. ′) ∈ . se . ). já sabemos que ) = .

) . ↦ . A relação inversa é = . de :ℕ→ ↦ Observação: Deve-se tomar cuidado para não confundir a notação função inversa com a de pré-imagem.2. o teorema e o corolário nos dizem que uma função possui inversa se. Assim. ).2. Devido ao teorema. sobrejetora ou bijetora (caso possam ser classificadas como tais). que também é uma bijeção. ).4}. ).z.t} e = 1. 3). onde P é o conjunto dos pares positivos. 1).2: Seja : → tal que. Essa função é bijetora (verifique!). mas de B em A. é comum que se chame uma bijeção : → de correspondência um-para-um entre X e Y. . 2. Exemplo 2.1: A função : →ℕ . é bijetora. 4) .y. B={x. Exercícios II – 2 1 – Dados os diagramas de funções abaixo. e somente se.2. . classifique cada função como injetora. a) b) c) d) .66 Dizemos que uma função possui inversa quando a relação inversa é uma função. 4. 2). é uma função bijetora e sua inversa é Exemplo 2. 3. A={1. .3.

4 – Seja : → ). . Dizemos que A é indexado pelo conjunto Λ quando existe uma função sobrejetora : Λ → A. 3 – Conjuntos Indexados e Generalizações 3. Isso já foi feito ao longo do texto quando se usou famílias de conjuntos contendo um número finito de conjuntos (por exemplo. quando ℎ for bijetora. b) se e são sobrejetoras. : uma função sobrejetora e . Definição 3. formalmente.1 – Conjuntos indexados Em muitos casos. então ℎ: ∪ → ∪ ℎ = ∪ é injetora. mostre que essas funções são sobrejetoras.1. Os elementos de Λ são chamados de índices e a imagem de um ∈ Λ é escrita como . se ⊂ . mostre que )= e como definidas no exercício 12. Em que condições é injetora? ∈ 7 – Considere as funções : ∩ . então ℎ: ∪ → ∪ tal que ℎ = sobrejetora. tal que ∪ é 8 – Dê um exemplo de função bijetora entre os naturais e os inteiros (só é necessário conjecturar). encontre a função inversa e represente essa em forma de diagrama.1: Seja A um conjunto não vazio arbitrário. → . 6 – Considerando as funções Exercícios II – 1. Mostre que: → e : → tais que )= ) para todo 5 – Sendo )− ). conjunto dos conjuntos com i natural de 1 até n). Exercícios II – 1. uma função injetora e ⊂ . − )= a) se e são injetoras e ∩ = ∅ = ∩ . então = . identifique se a função é injetora. onde ∈ . bijetora ou não pode ser classificada dessa forma. Mostre que. quando ℎ definir uma função. como indexar elementos de um conjunto. sobrejetora.67 2 – No exercício 7. 3 – No exercício anterior. é bastante útil utilizarmos índices para diferenciar elementos de um conjunto. Apresentaremos agora.

68 Sempre é possível indexar um conjunto, pois podemos tomar Λ = função identidade. e a

Exemplo 3.1.1: Seja A um conjunto de 5 elementos. Podemos indexar esse conjunto com o conjunto {1,2,3,4,5}. Para tanto, chamamos 1) = , 2) = , ⋯ , 5) = . Ou seja, = , , , ,

Observemos que indexação vale para qualquer conjunto de cinco elementos. Assim, podemos tomar conjuntos indexando seus elementos sem a necessidade de explicitar os elementos do conjunto.

Em especial, como foi feito até agora, podemos indexar famílias de conjuntos. Para isso, basta tomar um conjunto Λ de forma que exista : Λ → sobrejetora, onde é a família de conjuntos. A idéia de indexar elementos de um conjunto é, na verdade, simples. Apenas se troca a necessidade de usar símbolos diferentes para diferenciar elementos pela de usar índices diferentes. Mas, como a função não é necessariamente bijetora, pode-se indexar um elemento duas ou mais vezes, de forma que podem existir elementos com mais de um índice. Por exemplo, podemos indexar a família de conjuntos = ℕ, ℤ, ℝ, ℝ com o conjunto {1,2,3,4} chamando = ℕ, = ℤ, =ℝ = ℝ, mesmo tendo = . Esse detalhe será considerado quando e generalizarmos a noção de produto cartesiano. Observação: Lembremos que foi convencionado que só admitiremos a possibilidade de índices distintos se referirem a elementos iguais quando chamarmos o conjunto de família. Ou seja, se o conjunto não for chamado de família (de conjuntos ou elementos), então a função indicada na definição será bijetora.

Às vezes não é importante qual é a função sobrejetora : Λ → A, mas apenas se ela existe. Por vezes se omitirá o conjunto indexado e associaremos os índices diretamente aos elementos.

Exemplo 3.1.2: Seja uma família de conjuntos tal que seja indexada pelo conjunto ℕ. Então um elemento qualquer de é tal que ∈ ℕ e o conjunto pode ser representado por = , ,⋯, ,⋯ .

Podemos introduzir uma notação para conjuntos indexados pelos n primeiros números naturais (ℕ = 1,2, ⋯ , ) e até mesmo para os indexados por todos os naturais. Podemos escrever o conjunto = , ,⋯, simplesmente como sendo = ( = , ,⋯, ) e o conjunto = , ,⋯ como = ( = , , ⋯ ). Ou seja, nos exemplos 2.2.1 e 2.2.2 poderíamos escrever = e = respectivamente. Observação: Passaremos a adotar a notação ℕ conjunto dos n primeiros números naturais ( 1,2, ⋯ , ). para representar o

69 A notação apresentada é particular de conjuntos indexados por naturais, mas podemos ter uma notação mais geral. Seja A um conjunto indexado pelo conjunto Λ, então podemos chamar o conjunto A de = ∈ . Em particular, um conjunto A indexado pelos naturais (Λ = ℕ) pode, também, ser representado por = ∈ℕ . Quando escrevemos ∈ já se está informando que o conjunto é indexado e qual conjunto de índices, mostrando que essa notação é concisa. Observação: Podemos ainda escrever o conjunto | ∈Λ . 3.2 – Generalizações =

como

=

Em posse da definição de indexação, podemos generalizar alguns resultados e fazer algumas redefinições. No que se segue, a indicação entre parênteses nas definições são referentes à definição que se está redefinindo e nos teoremas ao teorema que está sendo generalizado. Definição 3.2.1 (1.9.2 – I e 1.9.3 – I): Seja X um conjunto arbitrário não vazio e ∈ uma família arbitrária não vazia de subconjuntos de X. A união e intersecção de todos os conjuntos são definidas, respectivamente, por:

=

∈ | ∈

∈Λ

Ou seja, é o conjunto de todos os elementos de X tais que esses pertençam a algum .

=

∈ | ∈

∈Λ

Ou seja, o conjunto dos elementos de X que pertençam, simultaneamente, a todos os subconjuntos . Para o caso particular de Λ = ℕ , ainda é conveniente usar a notação apresentada no primeiro capítulo. Quando Λ = ℕ, também é comum serem usadas e . as notações Exercício 3.2.1: Mostre que: a) b)
∈ ∈

Tente visualizar esses resultados de forma intuitiva. Pelo fato da união ser comutativa e associativa, na (a) podemos imaginar que juntamos todos os num “lado” da seqüência de uniões e todos os no outro. Por exemplo ∪ )= ∪ )∪ ∪ )∪ ∪ )= ∪ ∪ )∪ ∪ ∪ )= ∪ . = Exemplo 3.2.1: Considere a seguinte família de conjuntos: 1,2 , 1,3 , 1,4 ⋯ . Podemos indexar os conjuntos com os naturais de forma

∪ ∩

)= )=

∈ ∈

)∪ )∩

∈ ∈

) )

70 conveniente: sendo = 1, + 1 . Ou seja, podemos escrever 1, + 1 ∈ℕ . Assim, a união desses conjuntos é dada por:
∈ℕ

=

∈ℕ

=

=

∈ℕ

1, + 1 = ℕ

afinal, contem o número 1 e o sucessor de cada natural. Já a intersecção dos conjuntos é: = 1, + 1 = 1 ∪ +1 )= 1 ∪ +1 = 1, +1 ≠

∈ℕ

pois, sendo +1 .

+1 e

∈ℕ

+ 1 com ≠ ′, então + 1 ≠

∈ℕ

+ 1, que implica que

∈ℕ

. .

Vamos redefinir agora a noção de partição de conjuntos.

Definição 3.2.2 (1.9.4 – I): Uma partição de um conjunto A é um conjunto = tal que cada seja subconjunto não vazio de A e as seguintes ∈ condições sejam satisfeitas. a) Se , ∈ b) = ∈ e ≠ , então ∩ = ∅.

O que foi pedido para ser demonstrado no Exercício 1.9.1 – I permanece válido nesse caso mais geral. Então o Teorema Fundamental das Equivalências continua válido. Tendo o conjuntos dos inteiros não negativos, ℤ = 0,1,2,3, ⋯ , podemos indexar o conjunto = 0 , 1, −1 , 2, −2 , ⋯ de forma conveniente com ℤ chamando ,−
∈ℤ

Exemplo 3.2.2: Podemos particionar o conjunto ℤ da seguinte forma: = ,− . = 0 , 1, −1 , 2, −2 , ⋯ =

a)

, − , , − ∈ e ≠ , então , − ∩ , − = ∅. Isso porque, se ≠ então − ≠ − . É bom lembrar que , ∈ ℤ e, portanto, não há perigo de = − . b) , − = ℤ. Isso de fato acontece, pois notemos que ,− = ∈ℤ ∈ℤ negativos pertencem à união e também os inteiros não positivos. Portanto, , − = ℤ. ∈ℤ
∈ℤ

. Demonstremos que esse conjunto é uma partição de ℤ:

de

Assim,

∈ℤ

=

∪ − )=

∈ℤ

∈ℤ

. Ou seja, todos os inteiros não

Exercício 3.2.2: No capítulo anterior foi afirmado que o teorema fundamental das relações de equivalência possui recíproca. Portanto, a partição apresentada acima está ligada a uma relação de equivalência. Qual é ela?

O restante será deixado como exercício. Assim. temos ).11.3 – I) (1.2 – I): ∁ Corolário: Se ∈ é uma família de subconjuntos de A. ). = = = ∈ ∈ ∈ ∈ ∈ − ) − ) ∪ ) − − ) ) ∩ ∈ = ∈ ∩ ). Isto é. então ∉ ∈ Se ∈ − ∈ .2.1 – I) (1.3 e 1.4. agora. Exercício 3.11. ). também se conclui que ∉ significa que x não pertence a nenhum .11.2 (1. x não pertence à união deles. Teorema 3. ∉ ∈ pertence a A e. ∈ − ∈ − )) implica ∈ ). Mas x para todo ∈ Λ. então ∈ − ∈ − )). Assim. por definição. Teorema 3.Então.11. temos: ∈ ∈ Em cada parte do corolário.11.3): Seja : arbitrária de subconjuntos de X. ). ou seja.4.2: Demonstre as partes que faltam no teorema acima e o corolário. Assim.5 – I) − − ∪ ∈ ∈ ∈ ∈ ∈ )− )− = = Mostremos. então. → uma função e ∈ = = ∈ ∈ ∁ ∁ )e )e ∈ ∈ ) = ) = ∈ ∈ ). x pertence à intersecção de todos os conjuntos − ).11. se ∈ ∈ ∈ acabamos de mostrar que − ∈ ⊂ ∈ − ) Demonstração: Demonstraremos apenas a (a) para mostrar a semelhança com a demonstração já feita para o caso menos geral. sempre temos que ∈ − ) para qualquer ∈ Λ. Então: a) b) c) d) e) (1.71 Agora generalizaremos os teoremas apresentados na subsecção 1.2.11. a expressão após o “e” é a notação quando A é o conjunto universo.11 do Capítulo I. afinal. Ora. ou seja. por definição.2 – I) (1. assim.4 – I) (1. Se ∈ − )). o que nos leva a concluir: − ∈ ). a recíproca.1: Seja X um conjunto arbitrário não vazio.1 – I): ∁ b) (Corolário – 1. uma ∈ família arbitrária não vazia de subconjuntos de X e A um conjunto qualquer. Assim. ∈ − )). uma família . Dessa forma.4. donde se tem que ∉ qualquer que seja ∈ Λ. mostramos ∈ − ∈ − )) ⊂ − ∈ ∈ logo acima que − ∈ ⊂ ∈ − ). ∈ ∈ − para todo ∈ Λ. Então: Agora generalizaremos os teoremas 1. = ∈ − ) QED a) (Corolário – 1.2. com x não pertencendo a nenhum . Isso mostra que ∈ ∉ ∈ .4.

que é o mesmo que existir ∈ . ∈ Teorema 3.2. obtemos a demonstração de (b). ∈ ∈ )éo ∈ mesmo que ∈ ) para algum ∈ Λ.3 (1. que é o ∈ )∈ para algum ∈ Λ. temos que ). ). ∈ Teorema 3. demonstradas essa inclusão e a . que significa ∈ ∈ ). ∈ ) para algum ∈ Λ. Por definição. então. mesmo que )⊂ que é equivalente a ∈ ∈ ). existe ∈ . para algum ∈ Λ. finalmente. temos.3: Faça as mudanças sugeridas na parte (b) do teorema acima. então ∈ ) para algum ∈ )∈ )∈ ∈ Λ. implica ∈ ∈ que .4. )⊂ ∈ ∈ ∈ )= ∈ anterior. Logo. levando-nos a concluir que ).2. tal ) = . então. então )∈ ∈ Demonstração: (a): Se ∈ . então existe ∈ ∈ Demonstração: (a) Se ∈ tal que ∈ )= . então existe ∈ ∈ ) = . que é (b): Se ∈ tal que ∈ ) = . para algum ∈ Λ. ao trocarmos por algum” por “para todo”. se ∈ ∈ ).2 pode ser melhorada para funções injetoras. que ). )⊂ ∈ Mostramos.72 a) b) ∈ ∈ ). Assim. Por seguinte. Reciprocamente. para algum ∈ Λ. significa ) e. Dessa forma.2. concluímos que ). equivalentemente. para todo ∈ Λ. e a expressão “para )= )= ∈ ∈ ) ) → QED uma função e ∈ uma família QED Exercício 3. isso significa que ∈ ∈ ). que.4): Seja : arbitrária de subconjuntos de Y. Assim. Assim. Mostramos. Então: a) b) ∈ ∈ )= )⊂ ∈ ∈ ) ) ). Mostramos. ∈ ) para algum ∈ Λ. ∈ ). Reciprocamente. Então: = ) uma família ∈ ∈ . que. Demonstrada ∈ )⊂ ∈ ∈ ∈ )= ∈ essa inclusão e a anterior. tal que )⊂ todo ∈ Λ.2. tal que Assim. como mostrado no teorema abaixo.4: Seja : → uma função injetora e arbitrária de subconjuntos de X. então. que ∈ ). ) = . A parte (b) do Teorema 3. ∈ (b): Na demonstração acima. por definição. ∈ ) para equivalente a existir ∈ . que ∈ ).

∩ )= ∈ ∩ ∈∆ = ∈∆ ∈ ∩ ) e ∪ )= ∪ = ∪ ) ∈ ∈∆ ∈ ∈∆ ∈∆ ∈ ∈ 3 – Dada a família de conjuntos não vazia vazio. dado um elemento do conjunto . existe um conjunto ao qual não pertence. ∈ para todo ∈ Λ. por ser injetora. portanto. 2 – Generalize os resultados do exercício 13. que é o mesmo que ∈ ∈ . Mas. ) = . . ⋯ e mostre que: conjunto com os naturais de forma que = a) b) ∈ℕ ∈ℕ ) para o ) quando é Exercícios II – 3 SUGESTÃO: Faça uma indexação que seja conveniente e represente os conjuntos pela propriedade que os caracterizam. ⋯ . ⋯ . que seguinte. então. ∈ QED 1 – Considere o conjunto = 2. ⋯ . ). Como é único.8. onde =∅ = 2.6. 6. )⊂ ∈ )⊂ ∈ ∈ Se ∈ ∈ ). mostre que: ∈ ∈∆ = . chamemos de . Concluímos.73 Demonstração: Já foi demonstrado que caso geral. mostre que: a) b) × × ∈ ∈ e um conjunto A não × ) × ) )= )= ∈ ∈ ∈ 4 – Sendo × × × × )e )e )⊂ ∈ ∈ )× )× × = = ∈ ∈ uma família de conjuntos. ⋯ . ⋯ . mostre que: ∈ ∈ ∈ SUGESTÃO: Use o fato da união ser uma operação fechada. Exercícios I – 1. que ). dadas as famílias de conjuntos não vazias ∈ . demonstrando.4. então ∈ ) para todo ∈ Λ. para todo ∈ Λ. Por )= . sabendo que ∈ ∈ ). 4. temos que todos esses existe ∈ tal que devem ser iguais e. Assim. esse deve pertencer a todos os . então precisamos mostrar que ∈ injetora.e ∈∆ . )⊂ ) implica ∈ ∈ ∈ ∈ )= ∈ dessa forma. Indexe esse . pois ∈ ∈ ). ou seja.8.10. Na (b). mostre que. Ou seja. .4.

chamado de conjunto escolha. 2) = e 3) = . pois é suficiente para discutirmos o caso geral de produtos cartesianos.1 – O Axioma da Escolha A Teoria Axiomática dos Conjuntos é composta de uma série de axiomas. Mais precisamente. .1.1. com esses elementos. . escolha possível é : 1. o axioma diz que existem funções : Λ → ∈ tais )∈ que para todo ∈ Λ.1: Encontre mais dois exemplos de funções escolha no exemplo acima.74 )= 5 – Seja : → ∈ uma família não vazia de funções tais que ) para todo ∈ ∩ . axioma. dê os conjuntos escolha e represente a funções diagramaticamente. na forma mais técnica de se enunciar o ) ∈ . o Axioma da Escolha. 4. 4 – Produtos Cartesianos: Caso Geral Até o momento nos atemos a uma noção intuitiva de conjunto sem tocar diretamente em algum ponto da Teoria Axiomática dos Conjuntos. e apenas um. tal que ℎ = ∈ . elemento de cada um desses conjuntos e formar um conjunto A com esses elementos. a existência da função : Λ → ∈ tal que garante a existência do conjunto A ao qual pertence um elemento de cada . Exercício 4. Ou seja. .2. = . O conjunto A é a imagem da função. Mas vamos apresentar agora um axioma que garantirá que a definição generalizada de produto cartesiano de fato pode ser feita e que o objeto procurado existe.1 (Axioma da Escolha): Se ∈ é uma família não vazia de conjuntos não vazios. O Exemplo 4. Axioma 4. e = .1. então é possível tomar (“escolher”) um. . funções cuja imagem de um ∈ Λ é um (conjunto correspondente ao índice). para todo ∈ Λ. elemento de Observação: Indiretamente. Mostre que ℎ: → ∈ . mas apresentaremos apenas um deles. A função do tipo apresentado no axioma é chamada de função escolha. pois se “escolhe” um elemento de cada conjunto e se constrói um conjunto A.1: Sendo = . uma função tal que 1) = . é ∈ uma função.3 → ∪ ∪ conjunto escolha nesse caso é = . SUGESTÃO: Use o resultado do exercício anterior e reveja como foi demonstrada a forma menos geral desse teorema.

mas não é possível obter o axioma de afirmações mais fundamentais. O teorema abaixo. para cada ∈ . tendo pelo menos um objeto. Vendo dessa forma. onde = uma função sobrejetora. Um exemplo simples de situação onde se usa o axioma da escolha é quando. ∈ são equivalentes se ser sobrejetora )= para algum ∈ e esse é uma temos que. ∈ .1. Os elementos “escolhidos”. Definição 4.2 – Generalização do produto cartesiano Tendo a idéia de par ordenado e produto cartesiano. existe classe de equivalência pela definição de pré-imagem. É possível também restringir o domínio junto ao contradomínio da função em alguns casos.2 → QED . Usando o axioma da escolha. portanto. mesmo com infinito. definimos o conceito de função. podemos chamar : → de : → . No caso geral. o axioma garante que podemos pegar exatamente um objeto de cada cesta e formar um conjunto com esses objetos. Agora usaremos funções para redefinir a noção de produto cartesiano entre dois conjuntos. o conjunto de todas as funções : 1. pois apenas se mudou o domínio da função (mas também podemos usar = ).1: Dados os conjuntos A e B. o axioma parece dizer o obvio. ). nesse caso. mas nesses casos )∈ se pode exibir explicitamente uma função escolha : Λ → ∈ tal que para todo ∈ Λ. cada uma. então ≠ e. 4. nem sempre é possível exibir tais funções. Assim. já que.2. criamos uma relação de equivalência E em X e construímos um conjunto ⊂ “escolhendo” um elemento de cada classe de equivalência (sem uso de uma regra para obter esses elementos). em que não é necessário o ∈ axioma da escolha para garantir a existência do conjunto escolha. que será muito utilizado ao longo do texto. são chamados de representantes das classes de equivalência. e é injetora. : Teorema 4. para uma família ∈ qualquer não não vazios. Existe )⊂ . mas deve-se sempre tomar os devidos cuidados com essas “manobras”. tenhamos com um elemento de cada classe de equivalência. tendo um conjunto X não vazio.75 Uma maneira informal de se ver o que o axioma garante é a seguinte: tendo uma quantidade de cestas (talvez infinitas) com. se . mas o vazia de conjuntos axioma da escolha garante que elas existem. Com um certo abuso de linguagem. pois por possuir um elemento de cada classe de )≠ equivalência. denotado por × . ou seja. De seguinte forma: .1: Seja : → → é uma bijeção. Existem casos. chamamos de produto cartesiano entre A e B. : → é )= sobrejetora. ⊂ tal que Demonstração: Construamos uma relação de equivalência em da )= ). ilustra esse procedimento.

2.2 1. . Ou seja. Mas. ATENÇÃO: Essa forma de tomar par ordenado e produto cartesiano não é rigorosamente igual a que já foi apresentada anteriormente e. 3) Ou seja. o par ordenado usado quando definimos conceitos anteriores como.2. ∪ = . dizemos que o par ordenado . 1. × em que Devemos encontrar todas as funções possíveis de se fazer com 1. Listemo-las: a) b) c) d) e) f) : : : : : : 1. ⋯ .2.2.2 → ∪ em que 1) = ∈ e 2) = ∈ .2 1. ⋯ . )∈ é o conjunto de todas as funções : 1. não distinguiremos eles.2.2 1. . uma família de conjuntos não vazios. ⋯ . Exemplo 4. portanto. . ⋯ .1: Construa o conjunto forma como foi feita acima. 2).y. é o conjunto × = : 1.2 sendo o domínio.m} da Ainda não acrescentamos nada de novo em termos práticos. 1) . 3) . pois já tínhamos uma definição de produto cartesiano e apenas a substituímos por outra.3}. . funções não é o mesmo apresentado aqui. → tais que para todo ∈ 1. 1).b} e B={1. 1). Para isso.1: Usemos a definição para construir o conjunto A={a.2 1. ordenados definidos como acima.l. → )∈ ∈ 1. 2) . .2. usando a mesma idéia. denotado por × ×⋯× .2. 1) . 2) . = = = = = = . podemos definir o produto cartesiano entre um número finito de conjuntos como segue abaixo.2 → → → → → → ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ tal que tal que tal que tal que tal que tal que 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = e e e e e e 2) = 1 2) = 2 2) = 3 2) = 1 2) = 2 2) = 3 . ) é uma função em que é a imagem de 1 (por ser a primeira coordenada) e a imagem de 2 (por ser a segunda coordenada).2: Sendo produto cartesiano entre os conjuntos dessa família.z} e B={k. 3) . 3). × = . mas com esses pares tal que A={x. Ou seja.2 → ∪ Ainda podemos dizer que o conjunto × é o conjunto de todos os pares ordenados .76 ∪ tais que 1) ∈ | 1) ∈ 2) ∈ .2. . Exercício 4.3 sendo o contradomínio e tendo 1) ∈ e 2) ∈ . ) com ∈ e ∈ . e 2) ∈ . . o Definição 4. para efeitos práticos. × . ) é a função : 1.2 1. 2). Ou seja: × × ⋯× = : 1. Mas.2. por exemplo.

construa o conjunto × × . as funções são chamadas de n-uplas e denotadas por . × Exemplo 4. . . . . . ). ). Primeiro notemos que são três conjuntos que compõem o produto cartesiano. Ou seja: de todas as funções : Λ → ∈ ∈ = :Λ → ∈ ′) ∈ ∈Λ Nas duas primeiras definições. .2. . onde de ∈ ∈ )= × ⋯× e ∈ℕ ∈ . o 2 tem como imagem um elemento de de e está associado à segunda coordenada e assim por diante até chegar a . Como se pode . O produto cartesiano entre esses conjuntos. Exercício 4. .b}. .3 → → → → → → → → ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ ∪ tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = . . . Como antes.2: Sendo A={a. Nesse caso. No caso particular de Λ = 1. tais que 1) ∈ .2.2. .2. .3 1. 2) ∈ e 3) ∈ . Então o conjunto de índices é {1. . ). 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = e e e e e e e e 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = = = = = = = = = . . . ∈ℕ .77 Nesse caso. com essas trincas ordenadas definidas como feito acima. . .2. .2. . encontremos o conjunto × . . chamamos os elementos de ∈ .2. representamos os cartesiano por listas ordenadas.2. → onde = é. ⋯ . .y}. ⋯ .3 1. ). ) . ) elementos do produto é possível fazer tal ). . mas geralmente não representação. ) ∈ . Assim. .2. . ). dispor os elementos . .….3 1.3 1. = × ∈ℕ )= Também é possível usar a notação ∈ ) pode ser escrito como ∈ℕ curta. .2. .2: Com os conjuntos A e B definidos como acima.3}. ⋯ . então. . Para isso basta tomar um conjunto não vazio de índices qualquer. ) onde ∈ .⋯. Façamos a lista delas: a) b) c) d) e) f) g) h) : : : : : : : : 1. ). . . ) ) ) ) ) ) ) ) Assim.3 1. B={b. devemos encontrar todas as funções com domínio {1. com ∈ . . que é um pouco mais )= ) . Definição 4.2. . O papel da função : 1. numa ordem: o 1 tem como imagem um elemento e está associado à primeira coordenada. ). . ).2. denotado por é o conjunto ∈ )∈ tais que para todo ∈ Λ.2. É possível generalizar ainda mais o conceito de produto cartesiano.3: Seja ∈ uma família não vazia de conjuntos não vazios .3 1.c} e C={x. . .2. o conjunto procurado é × × = . Λ. . .2. .3 1.3} e contradomínio ∪ ∪ = . . . .

. ).3 → a) b) c) d) e) f) g) h) : : : : : : : : 1. Com as e até mesmo generalizações.2. . . ). . . Com efeito. ). . . se ∈ . o elemento que pertence a e “devolve” ao conjunto . podemos chamar o ∈ . .⋯ ℝ =ℝ (esse último mais comumente representado por ℝ ). .3 → → → → → → → → tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que tal que = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = 1) = .3: Sendo = . . . nenhum demonstrar de forma geral que o produto cartesiano entre conjuntos não vazios é não vazio. Em particular. . a projeção ∈ canônica sobre o conjunto ( ∈ Λ é um índice fixo) é a função : ∈ → ) ∈ )= tal que . . . forem iguais.2. mas é mais comum ser escrito como ℝ .4: Um tipo de função especialmente importante (em especial na Topologia) com domínio sendo um produto cartesiano são as projeções canônicas. Exemplo 4. todos os é o conjunto de todas as funções de A em A. ℝ = ℝ . . essa é uma notação semelhante à apresentada na secção anterior para ) ∈ como um “conjunto ordenado” de conjuntos indexados.3 1. .2.2. afinal. na verdade.2.3 1.3 1. chamamos esses de A ( = para Se por acaso todos os todo ∈ Λ) e usamos a notação = . que o Axioma da Escolha garante que o produto cartesiano é não vazio sempre que Λ é não vazio e ∈ é vazio.2. . sem o Axioma da Escolha. . . Então o que foi feito nos exemplos 4. 4. o conjunto funções : 1. ). .3 1. . . ). . .2. podemos ainda ter ℝ = ℝ . Por exemplo. . Vemos. um elemento ∈ ).2.⋯. .3 → ∪ ∪ = : 1. seja. a projeção canônica “pega”.2.1.2.78 ver. se Λ = A.3 1.3 1.3 é encontrar todas as funções escolha. . Podemos pensar elementos . . Sendo uma família não vazia de conjuntos não vazios. . 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = 2) = e e e e e e e e é o conjunto de todas as = = = = = = = = . . . assim. então : Λ → A = : A → A e. ) ) ) ) ) ) ) ) Podemos observar que todas as funções usadas nas definições apresentadas são funções escolha. 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = 3) = . Demonstremos que toda projeção canônica é sobrejetora. .2. . produto cartesiano ℝ × ℝ de ℝ .3 1. Incrivelmente. . . então. Exemplo 4. ) ∈ é uma função escolha e a imagem possui um elemento de cada (em especial. : Λ → ∈ = : Λ → A quando são iguais. . .2.2. O que a função faz. . na imagem de cada ) ∈ . ). ). não seria possível.2.2 e 4. ). . então existe uma função escolha :Λ → ∈ )∈ ∈ tal que . .2. . é simples: sabendo que Ou . Vemos que éo conjuntos de todas as funções de Λ em A. ℕ .

⋯. se uma projeção é injetora para algum possuir mais ) ∈ e com Definimos o produto cartesiano entre conjuntos não vazios como um conjunto de funções escolha. Assim. no entanto. Por exemplo. se : ∈ No caso especial de Λ = 1. existe :Λ → ∈ mostrando que a função é sobrejetora (lembrando que )∈ ∈ × ⋯ × ). ∈ ).2. existem n projeções canônicas.2.2} em ℝ para trabalhar com relações de equivalência em ℝ. Ou seja. Exercício 4. a função : ∈ℕ . Use o axioma da escolha para mostrar que existe ⊂ tal que define uma )→ ). 2 – Considere a família de conjuntos não vazios ⊂ ∈ ∈ Exercícios II – 4 . ∈ . ⋯ . = ℕ . nenhuma projeção canônica será injetiva se algum conjunto ) de um elemento. Exercícios II – 3. 1 – Sejam e conjuntos não vazios e ⊂ × uma relação binária de em . Ou seja. sendo . todas as outras são. Ou seja. = . podemos “esquecer” esse detalhe caso o interesse seja apenas no fato dos elementos serem “conjuntos ordenados”. SUGESTÃO: Tome dois elementos distintos todo = para ≠ e ≠ . as funções e lá definidas são projeções canônicas sobre X e Y respectivamente. SUGESTÃO: Defina uma relação de equivalência na imagem de de forma que.4: No exercício anterior. Exercícios II – 1. : ∈ → não é injetora.3: Mostre que. mas não devemos abandonar a noção intuitiva que já tínhamos de produto cartesiano. ∼ se existe ∈ tal que . ∈ → é injetora para todo : ∈ → ∈ Λ. no caso dado.2. Embora seja necessário saber que os elementos do produto cartesiano são funções (funções escolha) em alguns casos. Ou seja.79 )= . mostre. ) ∈ . Pode-se observar que existe uma projeção canônica sobre cada conjunto do produto cartesiano. ) = é a projeção canônica sobre (lembrando que tal que ) ∈ = :Λ → ) → ∈ℕ ∈ ∈ )= ). SUGESTÃO: Suponha que alguma outra não seja injetiva e mostre que isso implica que a : ∈ → não é injetiva (contrariando a hipótese). Mostre que: ∈ ∈ ∈ ∈ Essa é uma generalização do exercício 4. . não é necessário saber que os elementos de ℝ são funções escolha de {1. ). tal que × canônica é bijetora (já que todas são sobrejetoras). então Exercício 4. que. mostre que toda relação binária contém uma função : função com mesmo domínio da relação. . se algum conjunto do produto cartesiano é não unitário. No exercício 12.

Por exemplo.2: Um exemplo de operação binária é a soma de números reais. que é mais comum e conveniente. uma relação ⊂ é dita ser uma relação finitária quando Λ é finito.1. e é chamada de operação n-ária. nos casos em que R é uma relação finitária. Um detalhe adicional. Exemplo 5. Analogamente. Analogamente. )↦ → e uma Em particular. e são os casos de maior relevância. a operação : → toma a forma : ℕ → ou : → . a operação é dita finitária e é possível nesse caso. nesse caso. ou seja. Um exemplo é Exemplo 5. ) ↦ .1. Mais comumente. onde A é não vazio O Axioma da Escolha garante que essa função sempre existe. )↦ tal que . Estruturas Algébricas Básicas Definição 5. Quando o conjunto Λ é finito. ⊂ ) e exemplos relevantes desse tipo de relação já foram apresentados no capítulo anterior. chamada de notação mesofixa. R é dita uma relação n-ária. O tipo mais importante de relação já foi apresentado: é a 2-ária (ou binária. como foi feito na secção anterior. 2. é que chamamos de tipo → a cardinalidade do conjunto Λ.…. : ℝ → ℝ tal que . podemos ter : ℝ → ℝ e. devemos introduzir uma notação muito comum para operações binárias. Assim. Esse é a operação que leva cada elemento a seu oposto aditivo. podemos tomar Λ = ℕ sem perda de generalidade e. ). uma operação 2-ária é uma função do tipo : operação 1-ária uma função do tipo : → . . 5. Dada uma operação binária : → .3: Nos reais também é possível encontrar um exemplo simples de operação unária. mas é mais comum que se represente como . )=− .1: Uma operação é uma função : e Λ um conjunto de índices não vazio. temos que . pois garante que o conjunto é não vazio. : ℝ → ℝ definida da seguinte forma: . Essa é uma operação n-ária sobre ℝ. nesse caso. respectivamente. Por exemplo. colocando o símbolo da operação entre as duas coordenadas. ) ↦ .3) = = 2. tomar Λ = ℕ sem perda de generalidade.1 – Operações e Relações → . o tipo de uma relação ⊂ é a cardinalidade de Λ. A operação soma é a função +: ℝ → ℝ tal que + .1. em relação à nomenclatura. associatividade e distributividade Inicialmente.1. 5.80 5 – Operações Unárias e Binárias. ⋯ Exemplo 5.1: Seja . Ou seja. Como anteriormente. ) = + .1. ou seja. esses tipos de operações são referidos por binária e unária. o tipo de uma da operação : função binária é 2.2 – Comutatividade.

etc.1: Uma operação : → é dita comutativa quando. Definição 5. mas. sendo .2. = . ) = . ∙ = ∙ . ∈ . ou seja. para todo . . )= .2.1: Dê um exemplo de operação entre números reais que não seja comutativa. nesse caso. não há ambigüidade ao se escrever (e usaremos esse fato inúmeras vezes).2. ∈ . ). em geral. é diferente de Exercício 5. ) = . Nesse caso. .2. para todo . Exemplo 5. em notação mesofixa. ).2: Tomemos a operação Essa operação é comutativa. . que. quando )= ) . Mas. por um lado. + + ) = + ) + e ∙ ⋅ ) = ⋅ )⋅ .81 a operação soma entre números reais. . . De fato se sabe que. ou seja. +: ℝ → ℝ. de ).3: Sejam : → e : → duas operações binárias. ∈ ℝ. mas não é associativa.2: Uma operação : → é dita associativa quando. ) por + . .3: Sejam : Dizemos que a operação é distributiva à esquerda em relação à quando. → e : → duas operações binárias.É comum também que se chamem operações binárias comutativas de abelianas. Exemplo 5. ). a propriedade é uma relação entre duas operações. onde. Por isso será comum usarmos os termos multiplicação usual e adição usual para nos referirmos as operações multiplicação e adição como normalmente são definidas. .1: Exemplos bem familiares de operações que possuem essas duas propriedades são a soma e multiplicação de números reais. simbolizamos + .2. em notação mesofixa.2. Definição 5. portanto. por outro lado. Definição 5.2. quando = . sempre estaremos nos referindo às soma e multiplicação usuais. Definição 5. fato da operação soma ser comutativa e. Observação: Podem-se definir operações nos conjuntos numéricos (tais como os reais. nem mesmo possuem características que normalmente atribuímos a essas operações). Abaixo está definida outra propriedade importante envolvendo operações binárias.) e chamá-las de multiplicação ou adição (soma) sem que sejam o que normalmente chamamos de soma ou multiplicação (às vezes. mas. ) = = : ℝ → ℝ definida por = )= pelo próprio = . se não for dito o contrário. em notação mesofixa. ∈ . e. ou seja. De fato. Dizemos que a operação é distributiva à direita em relação à quando. para todo . + = + . sendo +: ℝ → ℝ e ∙: ℝ → ℝ as operações soma e multiplicação respectivamente. ) . )= ) ). racionais. para todo . . . ).

3. e somente se.2. Naturalmente. que afirmemos que + = 2 ∙ .3: Por que. Definição 5.∩). . . 2.1.1: Um exemplo de estrutura algébrica pode ser construído a partir do Exemplo 5. Tomando um conjunto A e seu conjunto das partes. dizemos simplesmente que a operação é distributiva em relação à . a operação é distributiva à esquerda em relação à se.2. Na verdade.3 – Grupos Começaremos a apresentar agora algumas estruturas algébricas. definidas de ) em ). escrever simplesmente A para indicar a estrutura sobre o conjunto A. .2. ). Exemplo 5. Essas também são exemplos de operações comutativas e associativas. já sabemos do capítulo anterior que as operações binárias ∪ e ∩ (união e intersecção). para tanto.∪ e intersecção entre elementos de P(A).2: Mostre isso. tendo definido 1 + 1 ≔ 2 e sabendo que = 1 ∙ . ) . O importante ao se representar uma estrutura é que esteja claro de qual estrutura se está tratando.82 . De fato. ℛ) é chamado de estrutura relacional. Representamos essa estrutura por . o par . é distributiva à direita. também é à direita (e vice-versa). pois + = 1 ∙ + 1 ∙ = 1 + 1) ∙ = 2 ∙ . mas.2. Exercício 5. . ∈ . no Capítulo I. ℛ). em notação mesofixa. foi um abuso de linguagem chamar as propriedades demonstradas nos teoremas 2. quando ℱ = ∅ e ℛ ≠ ∅.3 de distributividades? Exemplo 5. Mas. devemos saber antes o que é uma estrutura e como a representamos. Exemplo 5.4. são distributivas uma em relação à outra. ) = .2. quando a estrutura é subentendida. se é distributiva à esquerda de . a comutatividade apenas de já garante que.3. mas ℱ ≠ ∅. ) = ) ). ℱ) é chamado de estrutura algébrica (foco do que será apresentado).3: Novamente temos como exemplo a multiplicação e soma entre reais. então o par . É comum que. É esse fato que nos permite. Chama-se estrutura sobre A a tripla . A notação não é fixa e tanto ℱ quanto ℛ podem ser vazios. ).2. ou seja. Se ℛ = ∅. P(A).2 e 2. se as operações e são comutativas. ou seja. Exercício 5. Quando uma operação é distributiva tanto pela esquerda quanto pela direita em relação à . Vemos que a notação para estruturas é flexível e é comum explicitar as operações de uma estrutura algébrica. ∙ + ) = + ) ∙ = ∙ ) + ∙ ). ℱ.1: Seja A um conjunto não vazio. 5. Afinal é bem conhecida a distributividade da multiplicação em relação à soma.2. podemos criar uma estrutura algébrica sobre P(A) introduzindo as operações união ).2.4: Sendo A um conjunto e P(A) o conjunto das partes de A. ℱ uma coleção de operações (não necessariamente finitárias) sobre A e ℛ uma coleção de relações (não necessariamente finitárias) sobre A.

pois ∗ (c): Usando a associatividade: ) = ∗ = ∗ .2 (grupo): Seja G um conjunto e ∗: → uma operação binária. . = ∗ ⟹ = )= ∗ . ∗ Demonstração: (a): Suponhamos que exista um elemento = para todo ∈ . Comumente representamos esse elemento b por (elemento inverso). Então = ∗ = . Teorema 5. = ∗ = ∗ ∗ ∗ )∗ = ∗ mostrado a unicidade. ∈ as equações ∗ = e ∗ = possuem solução única em G. mas bastante fundamentais e importantes. A Teoria de Grupos é a parte da matemática que estuda as propriedades dessas estruturas. para todo ∈ . Grupos são estruturas algébricas simples. Então valem as seguintes afirmações: a) O elemento neutro. chamada produto. além de apresentar essas propriedades. e. c) d) Valem as leis de corte ∗ = ∗ ⇒ = e ∗ = ∗ ⇒ = para todo . é único. a) Para todo . Naturalmente.∗) é um grupo quando as seguintes condições forem satisfeitas: Quando. b) Existe um elemento ∈ tal que. então: = ⟹ ) ∗ = ) ∗ ∗ )= ⟹ ∗ ∗ ) ∗ )∗ ∗ = ) ∗ = . o grupo é chamado de grupo Abeliano. usando a = = . .83 Definição 5.3. o produto ∗ for comutativo.3. não será possível explicitar a importância dos grupos nem suas aplicações. pois essas aparecem em assuntos avançados de Matemática e Física. . o inverso de é ele próprio. Dizemos que a estrutura . é único. ) = para todo ∈ . ∗ = ∗ = (elemento neutro) c) Para todo ∈ existe um elemento tal que ∗ = ∗ = .1: Seja . mostrando a unicidade.∗) um grupo. sobre G. o elemento inverso de . b) Sendo ∈ . (b): Suponhamos que exista tal que ∗ tal que = associatividade. ∈ vale que ∗ ∗ ) = ∗ ) ∗ (associatividade). (d): Se = ∗ )∗ ∗ )∗ ∗ Analogamente se demonstra a segunda parte da afirmação. . Então. e) Para todo . Algumas propriedades elementares dos grupos são apresentadas abaixo. Infelizmente. na situação pedestre que nos encontramos. ∈ .

Agora. Para mostrar isso.3 . portanto = 4− 4) = 4 − ∈ ℤ nesse caso. ∗ ) = ∗ (mostre que ∗ ) = isso só ocorre se é Abeliano). O elemento neutro da operação é o elemento 0. Exercício 5. pois ∈ ℤ . De fato isso acontece. portanto. ∗ . para cada ∈ ). para cada elemento ∈ ℤ. pois ⨁0 = +0 4) = 4) = .∗) um grupo.1. Além disso.3. Demonstremos que essa estrutura é um grupo Abeliano. − 1 e ⨁ = ): basta substituir 4 por n. ⨁) é = + 3⨁2 = 3 + 2 4) = 5 4) = 1. ⨁) onde 4) (lê-se “a mais b módulo quatro”). existe um elemento neutro da soma.1: Sendo . primeiro demonstremos que ∈ ℤ .2. A ). que ∈ ℤ . mostre que. De fato.2. ∈ ℤ é definida como sendo a ⨁ = . lembremos que ∈ 0. O que foi feito acima é facilmente generalizado para mostra que ℤ . um grupo.4: Outro exemplo simples de grupo é a estrutura ℤ .2: A estrutura ℤ. pois a operação soma é associativa e comutativa. e.3: Seja A um conjunto e P(A) o conjunto das partes de A.2. Observe que. Conclui-se. = + Exemplo 5. demonstremos que esse é realmente o inverso de . Exemplo 5. Por exemplo. que ℤ .3 e a adição entre . ou seja. pois 1 é o resto da divisão de 5 por 4. De fato é. então: ∗ ⟹ ∗ )= ∗ Analogamente se demonstra a segunda parte da afirmação. . onde n é um natural. A é seu próprio elemento inverso. ∈ . ⨁) é um grupo. afinal. QED = ∗ ∗ ⟹ ⟹ ∗ )∗ = ∗ = ∗ Exemplo 5. Mas a notação mais comumente empregada para representar esse resto é A operação é associativa e comutativa. se = 0.1. afinal. 0 < 4 − < 4 quando ≠ 0 e. ⋯ . ∆). =4 4) = 0 (o resto de 4 dividido por 4 é 0). para quaisquer . Mostramos.1. Mas. +) é um grupo Abeliano. ⨁ = + 4− ) 4) = 4 4) = 0. pois a operação é associativa.3.3. existe um elemento chamado – tal que + − ) = 0. o elemento neutro é o conjunto vazio e. pois ⨁ )⨁ = + )+ 4) = + + ) 4) = ⨁ ⨁ ) e ⨁ = + 4) = + 4) = ⨁ . 0. dessa forma. comutativa. ℤ = 0.3. é um grupo Abeliano.3. ℤ = 0.84 (e): Se ∗ = . então. onde ∆: ) → estrutura ) é a operação diferença simétrica. tem-se ∆ = ∅. e. se é Abeliano. O elemento inverso de um ∈ ℤ é o elemento = 4− 4).

e Dizemos que H é um subgrupo de G quando: a) ℎ ∗ ℎ ∈ para todo ℎ .∙) não é um grupo. pois a operação também é comutativa).4. chamamos a estrutura de monóide. o resultado de ∗ está no cruzamento da linha de com a coluna de . onde e é o elemento neutro. como se trata da mesma operação que torna G um grupo.3.1. ⊂ . ℎ ∈ b) ∈ c) Se ℎ ∈ .∙) é um monóide (mais especificamente. e G são subgrupos de G. embora o produto de números naturais seja associativo e possua elemento neutro. Para grupos finitos. onde a primeira linha possui o símbolo da operação e um elemento do grupo em cada outro espaço da linha e o mesmo acontece na primeira coluna. Definição 5. sempre se tem que . no Exemplo 5.2. apenas o número 1 possui elemento inverso. Por exemplo. pois. Quando apenas essas duas características de grupo são satisfeitas. . 1. mas. monóide Abeliano.3. − 1 . chamada tabela de Cayley. Como exemplo. onde G é um grupo. é interessante verificar se H é.2 é infinito. existem muitos grupos finitos importantes. então ℎ ∈ .3.3: Seja . Ou seja. é possível construir uma tabela. Exemplo 5. ele mesmo. o grupo é claramente finito. Grupos podem ser finitos ou infinitos.5: A estrutura ℕ. Claro. um grupo com relação à mesma operação. O resultado da operação entre dois elementos é escrito no espaço onde se cruzam a linha e a coluna dos elementos em questão. Naturalmente.3. O subgrupo é dito trivial. mas seguem na definição abaixo as outras condições que tornam H um grupo. a estrutura ℕ. Embora a maioria dos exemplos que podemos encontrar de grupos sejam infinitos. Ao tomarmos um subconjunto ⊂ .85 Observação: Passaremos a adotar a notação ℤ = 0.∗) um grupo. Damos o nome de ordem do grupo à cardinalidade do conjunto do grupo. O grupo apresentado no Exemplo 5. façamos a tabela de ℤ com a operação ⨁ definida acima.3. ⋯ . a operação já é associativa.

5.∙).5 – Corpos Definição 5. ∈ ∙ ∙ ) = ∙ ) ∙ (associatividade de ∙).∙) é dita um anel quando operações binárias. é um subgrupo de ℤ.4. Anéis são presentes em quase toda a matemática e também possuem uma área destinada ao estudo de suas propriedades. pertence ao conjunto P e. Para todo . Exemplo 5. na verdade.2: Mostre que a condição (b) da definição acima decorre. A estrutura . Com efeito. −4. ∈ + = + (comutatividade de +).3.4. +. Exemplo 5. o elemento neutro. f) Para todo . Como se pode ver.4.1 (anel): Seja A um conjunto onde estão definidas duas → e ∙: → . É comum que um anel tenha elemento neutro para a multiplicação. A estrutura . já que.1: Um exemplo de anel é a estrutura ℤ. . então – ∈ . tal que ∙ 1 = 1 ∙ = para todo ∈ e alguns autores até incluem essa propriedade como exigência na definição de anel. chamado de 1. assim. mas aqui chamaremos tais anéis de anéis com unidade.2. onde = − . se ∈ .∙) é dita um corpo quando são satisfeitas as seguintes condições: 1 – Propriedades da adição (+): a) Para todo . Mais especificamente. o que já foi demonstrado para grupos continua valendo para a adição no anel.0.6: A estrutura . e) Para todo . 0. para algum n inteiro. pois a operação multiplicação é comutativa e existe elemento neutro para essa. +: são satisfeitas as seguintes condições: Para todo . então − = −2 = 2 ′. se = 2 . um elemento. . ⋯ é o conjunto dos números pares. . 5. se e são números pares. todo anel é um grupo Abeliano em relação à adição (operação +) e. +. então + é um número par (verifique sabendo = ∈ ℤ| = 2 ∈ ℤ ). esse anel é um anel comutativo com unidade.4 – Anéis Definição 5. das condições (a) e (c). ∈ + + ) = + ) + (associatividade de +). +).5.86 Exercício 5.3. que é um número inteiro. ∈ + = + (comutatividade de +). o número 1.1 (corpo): Seja um conjunto onde estão definidas duas operações binárias. onde = ⋯ . +). Existe um elemento 0 tal que + 0 = 0 + = (elemento neutro de +). . a Teoria de Anéis. +: → e ∙: → . ou seja. Para todo ∈ existe um elemento denominado – tal que + − ) = − ) + = 0 (elemento inverso por +). −2. +. ∈ ∙ + )= ∙ + ∙ e + )∙ = ∙ + ∙ a) b) c) d) Observação: Não é exigido um elemento neutro para a multiplicação (operação ∙) nem essa precisa ser comutativa.

Observação 2: É comum ser usada a notação − 0 = ∗ e a usaremos. na verdade.1: Se . chamado de unidade tal que ∙ 1 = 1 ∙ = (elemento neutro de ∙). Observação 1: É comum omitir o símbolo da multiplicação ao se fazer a operação e faremos isso com freqüência. Um corpo não é um grupo em relação à multiplicação pelo simples fato de 0 não possuir inverso multiplicativo (veja a afirmativa (a) do teorema abaixo). ∈ . +. chamado de elemento nulo. assim.∙) é um corpo. e um anel. já que a multiplicação é comutativa. as propriedades demonstradas para grupos valem na multiplicação quando não consideramos o elemento 0. é distributivo à direita também.∙) e ℝ. . b) Para todo . Algumas outras propriedades gerais de corpos são apresentadas no teorema abaixo. 2 – Propriedades da multiplicação ∙): A condição 1 ≠ 0 pode parecer estranha (tente não associar quantidades a esses símbolos). d) Definindo ∙ ≔ . então valem: (regras dos sinais). ∙ = 0 ⇔ = 0 ou = 0. Lembrando que ∀ significa “para todo” e ⇔ significa “se. ∈ ∙ ∙ ) = ∙ ) ∙ (associatividade de ∙). ∗ Mas . c) Existe um elemento 0 ∈ . e somente se”. então = ± .∙) é um grupo Abeliano e. ∈ + + ) = + ) + (associatividade de +). ∙ + ) = ∙ + ∙ . a) Para todo . todo corpo é um grupo Abeliano. . Naturalmente. o que foi demonstrado para grupos continua valendo para a adição em um corpo. mas é necessária para não cair num caso trivial (verifique o que acontece se 1 = 0). 3 – Distributividade: o produto é distributivo em relação à adição. pois essas estruturas inspiraram a definição posta. se Teorema 5. Veremos mais adiante que as estruturas ℚ. +. tal que + 0 = 0 + = (elemento neutro de +). Assim. .5. +.87 b) Para todo . d) Para todo ∈ existe um elemento denominado – ∈ tal que + − ) = − ) + = 0 (elemento inverso por +). ∈ . c) ∙ − )= − )∙ =− ∙ )e − )∙ − )= ∙ = . Ou seja. não é de se espantar com isso. ∈ ∙ = ∙ (comutatividade de ∙). em relação à adição. d) Para todo ∈ − 0 ) existe um elemento denominado ∈ tal que ∙ = ∙ = 1 (elemento inverso por ∙). c) Existe um elemento 1 ≠ 0. a) ∙0=0∀ ∈ b) Sendo . Claramente.∙) são corpos e. . para todo .

+. Para tanto. Exercício 5. De (b). que ocorre só quando = − ou = . Definição 5.3: Demonstre o teorema acima. . SUGESTÃO: Lembre-se da validade do teorema demonstrado para grupos. (b): Como e são arbitrários. = . ≠ 0.1: Na letra (d) do teorema anterior.5. que. que ∙ ∙ =0∙ = 0 ⇔ = 0. pois 0 não possui inverso multiplicativo. as operações : → . é possível criar mais duas operações úteis (e bastante familiares nos corpos ℝ e ℚ).5. )↦ / Algumas propriedades (bem familiares) da divisão estão listadas abaixo.88 Demonstração: (a): Usando a distributividade. indique qual propriedade (de corpos) ou teorema foi utilizado. de subtração e divisão. Assim.∙) um corpo. ≠ 0. onde usamos o que foi demonstrado em (a). + − ) = 0. . temos ∙ − )+ ∙ + – ∙ ) =– ∙ )⇔ ∙ − )+ ∙ 0 =– ∙ ) ⇔ ∙ − ) = − ∙ ). ∙ ) em ambos os lados. temos. Assim.5. temos ∙ − ) + ∙ = ∙ − + ) = ∙ 0 = 0.2: Sendo são chamadas. ∙ 0 + = = + 0. + = ≠ 0. sendo ∙ = 0. +. ao multiplicar ambos os lados por . temos que − ) ∙ − ) = − ∙ − ) = − − ∙ ) = ∙ . ∙ 0 + = ∙ 0 + ∙ 1 = ∙ 0 + 1) = ∙ 1 = . essa chamada de diferença. Claro. SUGESTÃO: Lembre-se de que / = ∙ . = . e ∙ = / . nesse último caso. – (c): Usando a distributividade. . Teorema 5.5. De forma análoga se conclui que − ) ∙ = − ). suponhamos que ≠ 0. Através das propriedades dos corpos. em cada passo da demonstração. equivale a ∙ 0 = 0. respectivamente. somando (d): = ⇔ + − )=0⇔ ∙ + − ∙ ) = ∙ + ∙ + − ∙ ) + − ∙ ) = ∙ + )+ ∙ − )+ ∙ − )= ∙ + )+ + )∙ − ) = + )∙ + − )= + )∙ + + ) ∙ − ) = + ) ∙ + − ) = 0. chamada de quociente. Usando esse fato. Ou seja.∙) e definida a operação divisão. usaremos as notações + − ) = − . ∙ − ) + ∙ = 0. sabe-se que + ) ∙ + − ) = 0 ⇔ + ) = 0 ou + − ) = 0.2: Considerando o corpo tem-se que: a) Sendo b) Sendo c) Sendo d) Sendo ≠0e ≠0e ≠0e ≠ 0. . )↦ e /: × ∗ → . Ou seja. = . QED Exercício 5. sabendo que vale a lei de corte para a soma. ≠ 0 e ≠ 0. ≠ 0.

+. vemos na tabela que a operação é comutativa e a unidade é 1. ⨁. é um subgrupo do grupo Abeliano 0∈ℚ . as propriedades da multiplicação e a distributividade. ⨀) é um corpo porque nem sempre todos os elementos diferentes de 0 possuem inverso multiplicativo por ⨀. e somente se. usaremos o fato de ℚ. ⨁. é um corpo: Pela definição de corpo que tomamos (exigindo 1 ≠ 0). é possível demonstrar (embora não façamos aqui) que ℤ . Na verdade. conjunto dos números reais da forma + 2 com e racionais. Exemplo 5. No entanto. SUGESTÃO: Observe que – Exemplo 5. Com efeito. nem sempre ℤ . como será mostrado. Note que a comutatividade. ou seja. pois ⨀ )⨀ ≔ ⋅ )⋅ 2) = ⋅ ⋅ ) 2) = ⨀ ⨀ ). 2 e.1: Tomemos a estrutura ℤ . Distributividade se obtém vendo que ⨀ ⨁ ) = ⋅ + ) 2) = ⋅ + ⋅ 2) = ⨀ )⨁ ⨀ ).4: Mostre que – + )=− 1 + ). Isso nos leva a questionar se a estrutura ℤ . Durante a demonstração que se segue. então. A associatividade existe em geral. ⨀) é um corpo se. ⨀) não é um corpo para todo > 1 natural. Também se vê que o único elemento diferente de 0 é 1 e o inverso multiplicativo desse é ele mesmo.5. que ℤ . Mostramos. 0+0 2= 2 . onde ⋅ é a multiplicação usual em ℤ.5. +). ⨀) onde a soma ⨁ é definida como já foi feito e ⨀ ≔ ⋅ 2). ℝ. +. que. ⨁) é um grupo Abeliano. n é primo. então as propriedades da adição (em corpos) são satisfeitas (e observe o curioso fato de 1⨁1 = 0.2: Outro exemplo “exótico” de corpo é a estrutura ℚ 2 .+ então – 2 = + )+ + 2 =− + − ) 2∈ ℚ + ) 2∈ℚ 2 . Já sabemos que ℤ . + ℚ 2 . existência da unidade e a distributividade decorrem imediatamente dessas propriedades na soma e produtos usuais em ℤ (verifique!).89 Exercício 5.⋅) ser um corpo e alguns conhecimentos operacionais básicos. Devemos demonstrar. o corpo construído no exemplo anterior é o menor corpo que se pode obter. finalmente. onde as operações são as usuais do corpo dos reais e ℚ 2 = + 2 ∈ ℝ . Montemos a tabela de Cayley para a soma e multiplicação nessa estrutura.5. ⨁. ⨁. Para a multiplicação. mostrando que 1 é seu próprio inverso). + ) = − − .⋅ . se Primeiro mostremos que + + 2∈ℚ 2 + 2 . ⨀) é um corpo. ∈ ℚ . ⨁. associatividade.

o fato da soma de racionais ser racional. > 0. ∈ . então – também é. respectivamente. . que 2 + 2 ∈ℚ 2 . ∈ . ∈ . pois − = 0 (reflexibilidade). . ≥ e ≥ implica a = . temos que. garantidamente. se é racional. pertence a ℚ 2 . então + ∈ (fecho por adição). Demonstremos que se trata de uma relação de ordem total: . donde temos que − )+ − ) = − ) ∈ ⇔ > (transitividade). Isso mostra que a operação está bem definida.5. ∈ . = 1.3: Um corpo . b) ∀ . observemos que a operação ⋅ é comutativa. d) ∀ . afinal. então ≥ . + 2 + 2 ∈ ℚ 2 e que. então − 0) ∈ e. se b não é Usamos a notação ≥ para indicar que − = 0 ou − ) ∈ . esse elemento possui inverso multiplicativo e. das seguintes opções é verdadeira: ∈ ou = 0 (tricotomia). uma. Dessa forma. evidentemente temos que ≥ . então ∈ (fecho por multiplicação). se ∈ . concluímos que − = 0 (antisimetria). c) ∀ . fazendo com que a diferença − 2 fosse. Um resultado imediato é que. . não nula. 0 ser um número racional e. portanto. Nos reais. ∈ ou ≥ ou ≥ . 2 é irracional (a multiplicação de um racional não nulo por um irracional é sempre irracional). = + ) 2 + 2 = + 2⋅ 2+ 2+ 2= +2 )+ b) Seja = + 2 ∈ ℚ 2 com ≠ 0 ou ≠ 0 (de forma que + 2 ≠ 0). +. a) ∀ ∈ . O que devemos mostrar é que a operação está bem definida. possui unidade e é distributiva em relação à + pelo simples fato dessas operações serem as usuais. Observe que só foi possível a manipulação pois. Para a multiplicação. assim. associativa. se ≥ e ≥ .90 Usamos. e apenas uma.∙) é dito um corpo ordenado quando existe um subconjunto próprio ⊂ (chamado de conjunto dos números positivos) com as seguintes propriedades: a) ∀ – b) Se c) Se ∈ . para todo ∈ ℚ 2 − 0 . já que não se pode ter − )∈ e − ) ∈ simultaneamente. Isso é evidente pela definição (totalidade). De fato. mostrando que ⋅ + 2 =1⇔ = ∈ℚ 2 . ∈ ou nulo. Também é bastante comum ser usada a notação > para indicar que − ) ∈ . ou seja. existe ∈ ℝ tal que ⋅ = 2. a) + + + ) 2. = Definição 5. ou seja. > ⇔ − )∈ e > ⇔ − ) ∈ .

3 – Seja a) b) ∪ ∩ . portanto. assim. que viola o fecho por adição. ⨀) não é ordenado. mostre que o conjunto de todos os elementos que possuem inverso multiplicativo desse anel forma um grupo com a operação de multiplicação. sendo ∅.5. Demonstração: Se > . ≔ ⋅ ≥ 0. ⊂ subgrupos de . temos que – ∈ e. Demonstração: Se ∈ ou = 0. Assim. − − )= − ) ∈ . ⨁. Exemplos de corpos ordenados são os racionais e reais (como veremos no próximo capítulo). para todo − = + − e. temos que − ) ∈ .5 (monotonicidade da multiplicação): Se então. Mas se tem que − = + ) − + ). Como − )= − .91 Observação: Se omitiu os casos em que as diferenças são nulas por serem casos triviais. então < . Por exemplo. então. Mostre que: ⊂ .1 os subconjuntos de ℤ . ⋅ = ∈ . Exercícios II – 5 2 – Considerando o anel com unidade . Mas nem todo corpo pode ser ordenado. +. nesse corpo. 0 e 0. se < 0.⋅). > QED e > 0. mostre que ∗ = . . Demonstração: Se > e > 0.5. a única escolha que poderíamos ter para ser o conjuntos dos positivos é 1 .∗) um grupo e . ∈ Teorema 5.∗) sendo um grupo é subgrupo de . se ∉ e ≠ 0. se < 0. temos que − ) ∈ e. o corpo ℤ . Abeliano. . donde se tem que + )− + ) ∈ + > + .…. é subgrupo de ⇔ ⊂ ou . > . QED Teorema 5. então – ∈ e. Sendo = Teorema 5. tem-se + > + . 1 . portanto − ) − ) ∈ . pelo fecho por multiplicação. mas se sabe que − ) − ) = ⋅ . pois. 1⨁1 = 0. > . mas. Mas. então − ) ∈ . que nos leva a concluir que < . Uma conseqüência desse teorema é que 1 > 0. pois 1 ≠ 0 e 1 ⋅ 1 = 1 ∈ . mas se sabe que.5. QED 1 – Considere = . com a estrutura ∗ … ∗ . Por outro lado.4 (monotonicidade da adição): Se . nada se tem para demonstrar. portanto. > .3: ∀ ∈ .

0< 0< < 6 – Sendo um corpo ordenado e . ∗ = ∗ para algum em . Vendo dessa forma. ∈ . então < < e <1 e < .∗) se. então > . mas. se 0 < ∈ um corpo ordenado e . mostre que. se 0 < < 1. 6. se > 1. então 0 < < . 9 – Mostre que. temos que. mostre que. Uma conseqüência disso é que. . sendo então + < + . ) (Figura inserir . se 0 < 6 – Composição de Funções. se 0 < < . não parece estranho combinarmos máquinas. se < 1. obter 2). 7 – Sendo um corpo ordenado e e. única máquina. de forma que ℎ ) = . . obter ).92 4 – Mostre que a equação ∗ ∗ = somente se. então 0 < < . Mais Sobre Grupos Uma forma um tanto pictórica de imaginar uma função é ver ela como uma máquina. com . mostre que. Podemos identificar o processo feito pelas duas máquinas como sendo o de uma ) (Figura 3). ℎ. . tem solução num grupo < . combinando com uma máquina . . onde se insere um dado e essa máquina nos dá um produto ) (Figura 1). .1 – Composição de funções 8 – Considerando o corpo ordenado > 0. ∈ . se ∈ onde . ∈ . então > 0. e e 5 – Mostre que. então 0 < < 1. Ou seja. num corpo ordenado .

. ).1. ). ). é preciso que ). Motivados por essa apresentação.1. ). . A função composta é a ) . . Claro. ) .1. e as funções : → tal que = 1. 3. . . Definição 6.2: Considere os conjuntos = 1.93 Para podermos combinar as máquinas e . Ou seja. )∈ × | ∈ : → funções. 2. de obtemos ∘ ) )= Exemplo 6. e = . é necessário que seja possível )⊂ inserir ) em . 3. mas o contradomínio é o contradomínio de . . 2. )∈ Pode-se ver que o domínio da função composta é o domínio de . = .1: Seja tal que ∘ ) )= ) é definida por: ) = + 2) = ∘ . )∈ . que é diferente. em geral. ). é possível fazer mais de uma composição bastando fazer a composição da função composta ∘ com outra função. em geral.2. Usando a definição. ). ) e : → tal que = . ) . Exemplo 6. :ℝ→ℝ ↦ e :ℝ→ℝ ↦ funções. A função composta + 2) = +4 +4 ∘ :ℝ → ℝ Mas também é possível a composição ∘ : ℝ → ℝ e dessa composição ) = )= + 2.1: Sejam : → e função ∘ : → (lê-se “g bola f”) tal que ∘ = . ∘ ≠ . ) . definamos a composição de funções. Ou seja: ∘ ) )= . vemos que ∘ = 1. De forma mais precisa. ).3 .

efetivamente. pela definição. tem-se que ℎ ∘ ) ∘ = ℎ ∘ ∘ ). para mostrarmos que ℎ ∘ ) ∘ = ℎ ∘ ) = ℎ ∘ ∘ ) ). mostrando que )= ∘ℎ = ℎ ) = : → e : → ∘ são as funções identidades. para todo ∈ . mostramos que é sobrejetora. ela é associativa. : Demonstração: Devemos perceber que ambas as funções são funções de X em W. A função ℎ é chamada de inversa à direita de . Pela QED . Em 2.1. Ora. ) =ℎ ∘ ) ) = ℎ∘ ∘ ) ). devemos mostrar que ℎ ∘ ) ∘ Portanto. Como sabemos pelo Teorema 1. Devido a esse teorema. ↦ ∘ . existe ∈ tal que definição de função sobrejetora. Ou seja. : → e ℎ: → funções. é omitido (lembremos que.3: Considere as funções a composição dessas funções é ℎ∘ ∘ ) )=ℎ ∘ ∘ ℎ: ℕ → ℝ tal que: =ℎ :ℕ→ℕ . as setas vermelhas em 1 destacam o “caminho” da função composta. ∘ ) )= .1. que é intermediário. valem as afirmações abaixo: +1 = 2 ) = é injetora. se Ou seja. Observação: As funções Demonstração: (a): Suponhamos que )= ). A função é chamada de inversa à esquerda de . ℎ ∘ ) ∘ ℎ∘ )∘ )= ℎ∘ ) =ℎ∘ ) =ℎ ∘ ). ∘ ℎ) ) = )= (b): Supondo que . Embora. QED Temos.1. = = ) = . então é sobrejetora. sem ambigüidade.2. então que +1 2 a) Se existe uma função : → tal que ∘ = . = .2.1: A composição de funções é associativa. = ). Teorema 6. sendo → . temos que: Isso demonstra que. Teorema 6. b) Se existe uma função ℎ: → tal que ∘ ℎ = . ↦ :ℕ→ℝ ↦ e :ℝ→ℝ . podemos escrever. a função composta ∘ é uma função de A em C). então é injetora. temos: Assim. o conjunto B. a composição de funções não seja comutativa.2: Sendo : ) → + 1) = ℎ uma função. ou seja. ∘ ).94 Na representação diagramática acima. ℎ ∘ Exemplo 6. como mostra o teorema abaixo.

e somente se. se existem : → e ℎ: → tais que ∘ = e ∘ ℎ = . é o conjunto dos pares . então ∘ : → é sobrejetora. ) ∈ ⇒ = ∘ = . é a função inversa (lembremos que uma função possui inversa se. Uma conseqüência imediata do teorema é que.1.1.4: Sendo inversa. então .3: Sejam : e e são injetoras. Demonstração: Por definição. ) = . : → é bijetora. quando isso acontece. temos que )= ). Teorema 6. se e são bijeções. existe ∈ tal que ). sendo sobrejetora. Então a função ∘ : → . → . A segunda parte do teorema se ′. mostrando que ∘ ) ) é sobrejetora. Então: a) Se b) Se ) = e. assim. = .95 ∘ Exercício 6. portanto. QED Os resultados. para todo ∈ . demonstra analogamente observando que = QED Pode-se ver que a função inversa realmente “inverte” o que a função faz. ′) tais que exista ∈ de forma que . ) = e. mostrando que a composição é injetiva. leva um determinado ∈ a um ∈ e a função inversa leva esse de volta ao em questão. : → e dois elementos quaisquer de X. ) ∈ e . Mas conclui que também é injetora e. Mas antes vejamos outros resultados bastante úteis. (b): A função é sobrejetora. portanto. então ∘ : → é injetora. ∘ ) )= ∘ ) )⇒ = . se que ∘ ) )= ∘ ) ). ∘ ) = ∘ . funções bijetoras e ∘ : → a ∘ ) : → é igual à função Teorema 6. = ℎ = onde : → . )| ∈ = . existe ∈ tal que ) = . = )= ) = ∈ como ∘ ) ) para algum ∈ . . Ora. → e : → funções. dessa forma. ) ∈ e. Supondo Demonstração: (a): Sejam ) = ) . Ou seja. : → uma função bijetora e = .1 (importante): Considerando a função : = = ∘ . mostre que Claro. . na verdade. pelo fato de ser uma função.1. ′) ∈ . Por ser injetora. são sobrejetoras. é bijetora). Logo. Segue que ) . são intuitivos (faça alguns exemplos com diagramas para ambos os casos). ). para todo ∈ . então ∘ é uma bijeção. ) tais que . fazendo a composição levar a ele mesmo (função identidade). Mas. Disso temos que. ∘ é o conjunto dos pares . podemos escrever qualquer para todo ∈ . Ou seja. Demonstraremos abaixo que. temos ∘ = e ∘ sua . Corolário 1: Sejam : → e : → composição dessas funções.

então. é possível a composição ∘ )∘ : → . pois pode) = :ℝ → ℝ 2 − 2) = também + é ∈ℕ . então ∘ℎ = ∘ℎ ⇔ℎ =ℎ Demonstração: Basta observar que ∘ = ⇔ = . Analogamente se demonstra que ℎ = . ∘ : → . Se considerarmos a função ℎ: ℕ → ℝ tal que ℎ ) = .3: A função : ℝ → ℝ tal que seja. tendo : ℝ → ℝ tal que +1 −2 = +2−2= .4: 2 se ver que. ∘ ) = ∘ . pois ℎ ) ∈ ℕ. Conclui-se. pois. ∘ )∘ = ∘ )∘ ⇔ ∘ ∘ ∘ ∘ ∘ ⇔ = .1. Como é definida de Y em X. e ∘ = ⇔ ∘ ∘ = ∘ ∘ . então = ℎ = . Demonstração: Do teorema anterior temos que ∘ = . ∘ )∘ ∘ ) ∘ ∘ ∘ = ∘ ) ∘ ∘ ) ∘ ∘ = ∘ ∘ = ∘ .2: Faça a demonstração de que ℎ = ) = 2 − 2. sendo essa última bijetora. com o mesmo 1 = − 1 + 1 = . : ℝ → ℝ é a função inversa de : ℝ → ℝ . a função :ℝ → ℕ tal . onde. ∘ ) ). Exercício: 6. ou seja. 1 ∈ ℝ − ℕ) ) = = ℕ . ℎ: → = ∘ ⇔ = QED .1. )= Exemplo 6.1. ∘ ) )= Mas ) = + 1 é injetora. )= )⇔ ∘ = Assim. usamos o teorema. ) = +1 = : → e ℎ: → QED de sobrejetora.1. do teorema temos que ). : → e : → que e o conjunto .1. vemos que ∘ ℎ: ℕ → ℕ é tal que ∘ ℎ) ) = ℎ ) = Ou seja. que =ℎ= . Assim. então ∘ = ∘ . pois. A segunda parte se Teorema 6. temos ∘ ) )= = ℝ.96 Demonstração: Sendo ∘ ) = ∘ ) ∘ . novamente. Ou Exemplo 6. Corolário 2: Considerando as funções : → ℎ : → e : → . Mas ainda se tem ∘ ∘ ) ∘ = ∘ ) ∘ ∘ = ∘ )∘ = ∘ )∘ )= ) ∘ ∘ ∘ . Considere Teorema 6.6: Considerando as funções ) = ⊂ . Dessa forma. : ℝ → ℕ é sobrejetora. ∘ = . onde usamos o teorema para ter ∘ demonstra analogamente. pelo teorema. = .5: Se : → é uma função e existem forma que ∘ = e ∘ ℎ = . . ∘ QED no teorema acima. Dessa forma.

1: Sejam as estruturas . Uma função : → é dita ser um morfismo ou homomorfismo de G em H se: a) b) )= ∗ )= )⋆ ) para todo . Portanto . esse Demonstração: Por definição. De : ℝ → ℝ − 0 .2. então ). ∘ ) )= ∈ | = ∘ ) ) ∈ .⋆). a aplicação ) = 2 .⋆). Como ) = Exemplo 6. .1: Sendo preserva inversa. homomorfismo. assim. ∈ . QED QED ) .1: Considerando os grupos ℝ. Assim. fato. Portanto. +) em ℝ − 0 . a imagem de um homomorfismo de G em H é sempre um subgrupo de H.∗) e .1: Demonstre que a propriedade (b) implica a propriedade (a).∗) em )⋆ )= Note que. SUGESTÃO: Observe que ∗ )= Lema 6. )= → é um homomorfismo de .⋆) grupos onde e são os elementos neutros de . o primeiro produto é o de G e o segundo é o de H. é um homomorfismo de ℝ. ∗ ).∙). 6. Com efeito. ) = .⋆). Teorema 6. De forma análoga se tem ) . QED Definição 6. +) e ℝ − 0 .∗) em )∈ .2. que pertence a (b): Por definição. )= ∗ )⋆ ) = . tal que ) ). Ou seja. pois 0) = 2 = 1 e + )=2 =2 2 = Exercício 6.1: Se : ) ⊂ é um subgrupo de Demonstração: (a): A operação é fechada. então )= ∈ ). pois. se )⋆ )= ).2. ).∗) e . se )∈ .∙).⋆) respectivamente. como veremos abaixo.97 ) = ∈ = ) ∈ ∘ ) ). então ). na condição (b). : → )= um homomorfismo de ) . . ) = . Demonstração: Com efeito.2 – Morfismos de grupos e segue o resultado. Morfismos de grupos são definidos através dessas propriedades porque elas fazem as propriedades algébricas do grupo G (ao menos as que fazem de G um grupo) serem preservadas através da função .2. (c): Do lema acima temos que ) ∈ ).2. basta demonstrar a propriedade (b) para mostrar que uma aplicação é um )= )⋆ ).

2: A função :ℤ→ℤ ↦ é um automorfismo entre o grupo dos ∈ . então esse homomorfismo é dito ser um isomorfismo. pois: mostrar que o é. se .⋆).∗) um grupo e é um endomorfismo (verifique!).98 Exercício 6. : Lema 6. existe uma inteiramente análoga em termos do produto ⋆ de H. Se é uma bijeção. assim )⋆ b) Por definição. é um grupo Abeliano.⋆) são grupos e : → é um isomorfismo.⋆) grupos e : → e : → Se é injetivo. que é um : → . merece uma atenção especial.∗) em . onde se usou a definição de = função composta e o Teorema 6.2. ∗ )= ∗ ) = ) ⇔ )⋆ ) ⇔ )⋆ ∘ ) ∗ )= ∗ )= ) ⇔ ∗ = )⋆ ) . Se é sobrejetivo. ∗ Exemplo 6.∗) e . Por causa desse lema. de isomorfismo. então esse homomorfismo é dito ser um monomorfismo. Definição 6. : → )= ∗ inteiros (com operação de soma) e o (sub)grupo dos pares. então ) = )⇔ a) Por definição.⋆) em .2.∗) em .2: Se . se esse é um isomorfismo entre G e H.1. se existe um isomorfismo de . Pode-se dizer que.⋆).4. para toda propriedade algébrica que o produto ∗ de G tenha.∗) e . tal que . a existência de um isomorfismo de .2. Basta ) = .∗) em .⋆).2: Sendo homomorfismos: a) b) c) d) e) . : → QED é um isomorfismo. então esse homomorfismo é dito ser um epimorfismo. Veja que homomorfismos preservam a propriedade Abeliana.⋆) significa que esses são algebricamente idênticos. é chamado de endomorfismo.2.∗) (isso será mostrado abaixo). Alguns homomorfismos recebem nomes especiais dependendo de alguma propriedade extra que possuam. ∘ ) )= )⇔ )= )⇔ ). esses grupos são “iguais a menos dos nomes dos elementos”. Se é um isomorfismo. podemos dizer que. )⋆ ). De fato é.∗) e → é um isomorfismo.∗) é um grupo Abeliano.⋆) e o homomorfismo ).2. então existe um isomorfismo de . esse é chamado automorfismo. Exemplo 6. a (c). Dentre as definições acima. então subgrupo de H.2: Considere os grupos . Mostre que.3: Sendo . Isso quer dizer que. Se existe um isomorfismo de . então : → Demonstração: : → é uma bijeção porque : → é um homomorfismo. . Enquanto grupos.

∗) em .⋆). na verdade. Dado um conjunto não vazio A.3.3 .99 Definição 6. esse é = . se existe algum isomorfismo : então G e H são ditos isomorfos e simbolizamos isso por ≅ . 2) = 3 e 3) = 1. de que a composição de isomorfismos é um isomorfismo. ∘ : → é um isomorfismo. sendo : → e : → isomorfismos.⋆).3: Sendo G e H grupos. : → Exemplo 6. → . e . (c): Sendo . uma estrutura importante que pode ser construída de forma que a composição de funções é uma operação é o grupo de permutações de A. o ).3. QED Na parte (c) da demonstração acima. dessa forma. Com efeito. antes de definirmos esse grupo. temos que ≅ bastando fazer a composição dos isomorfismos. mas.2. se : → é um monomorfismo de . uma possível permutação em A é a função : → tal que 1) = 2.2. Ou seja.∗) em . vale.⋆) e podemos interpretar isso como “existe uma grupo . Vemos.4 e do Teorema 6.3 – Grupo de permutações Nas demonstrações dos corolários do Teorema 6.⋆)”. como toda operação. para homomorfismos em geral.2.⋄) grupos com ≅ e ≅ . pois ∘ é uma bijeção pelo )⋆ ) = ) ⋄ fato de e o serem e ∘ ) ∗ )= ∗ ) = ) = ∘ ) )⋄ ∘ ) ). Demonstração: (a): Sempre existe um isomorfismo entre o grupo G e ele mesmo. pois uma bijeção de A em A permuta os elementos de A. Definição 6.1: Sendo A um conjunto não vazio.2: A relação de isomorfia é uma relação de equivalência.1. Podemos observar que. toda função bijetora é dita uma permutação em A (ou de A).5. podemos observar que manipulamos a composição de funções como se fosse uma operação (tal como soma ou multiplicação).1. então ≅ . devemos definir o conjunto onde ela está definida. definamos o que é uma permutação.∗) é isomorfo a “cópia” de .∗). De fato podemos pensar a composição de funções como uma operação. que o nome permutação se justifica. Teorema 6. (b): Do lema e da definição acima temos que. se ≅ . o fato apresentado. Mas. Quando isso ocorre dizemos que o grupo G está imerso em H 6.1: Sendo = 1. . . a composição de homomorfismos é um homomorfismo.

a composição de bijeções é uma bijeção. pois funções identidades são sempre bijeções. Esse é → por ) ) → a) Antes de tudo. Com efeito. A estrutura ) → ) é a composição de funções.2: O grupo = 1 2 3 = 1 2 3 1 1 2 3 3 2 1 2 1 2 é o conjunto dado pelas funções (matrizes): = 1 2 2 1 1 2 2 1 é a função identidade e Como se pode ver. como bem se sabe.3. inversa. ∘ = = ∘ . conforme mostrado na subsecção anterior.∘) é. como mostrado na subsecção anterior. vamos representar as permutações : matrizes da seguinte forma: = 1 ⋯ 1) ⋯ ) . se ∘ ∈ ). temos que ∘ = = ∘ . temos as matrizes: = = 3 3 = possui a si próprio como 1 3 2 3 2 1 = = ∘ Para ver como se realiza a composição dessas funções.4. devemos verificar se a operação ∘: ) para quaisquer . Portanto. e. Demonstremos isso. ∘ = 1 3 2 3 ∘ 1 2 2 3 2 1 3 = 1 2 3 = 1 2 1 3 1 2 2 3 3 1 = 1 3 2 3 1 2 .1.∘). onde a operação . Exemplo 6. ∘: ). Com essas demonstrações concluímos que a estrutura um grupo. é um grupo. bijeção. consideremos o conjunto de todas as permutações de A. )= : → | : → é ). Do Teorema 6. Na primeira linha estão os números naturais (em ordem crescente) até n e na segunda estão as respectivas imagens dos elementos. Para simplificar a notação. está bem definida. Ou seja. donde temos que elemento neutro e esse pertence a ). b) A composição de funções é associativa. d) O fato de : → ser uma bijeção implica que : → também é uma ∈ ). é o elemento inverso de . Um caso especial de grupo de permutações é quando = chamado de grupo de permutações de n elementos e simbolizado por = ℕ . ∈ está bem definida. O interesse em estudar grupos de permutações reside no fato de que se pode mostrar que todo grupo é um subgrupo de algum grupo de permutações. ou seja. de fato. Para . assim.100 Agora. éo c) Como é definida de A em A. pois. vejamos a composição .

que é: quaisquer que sejam . ) no plano.3. que é outra propriedade intuitiva geometricamente. para invertermos uma função. mais uma propriedade (essa não tão evidente). como mostrado abaixo: = 1 2 3 1 3 → 2 = 3 1 1 2 2 3 = 1 2 2 3 3 1 çã = Não demonstraremos aqui. Por exemplo.1: faça as composições . a distância entre − ) )= − ) + = . então . .101 Os símbolos sobrescritos destacam o “caminho” da imagem de 2. Essa é chamada de . Também se pode ver que . se e essa é a única situação em que isso ocorre (em todos os outros casos a distância é positiva). antes de apresentarmos o que são grupos diedrais. em . ainda. basta inverter as linhas (listas horizontais de números) e reorganizar as colunas (listas verticais de números). . 6. Temos. Isso porque o grupo que será apresentado possui interpretação geométrica. 2 possui imagem 3. faremos uma breve digressão relacionada à definição de distância no plano (que podemos identificar com o plano cartesiano). ) e = . Considerando os pontos esses dois pontos é definida por: . como visto. )≤ . ). Exercício 6. o grupo possui 3 ∙ 2 ∙ 1 = 6 elementos. mas. a composição leva ∘ ∘ ∘ em 2 a 1. e . e . = . ). Vemos que. mas o grupo de permutações de n elementos possui − 1) − 2) ⋯ 1 elementos. )=0 Uma propriedade imediata (e intuitiva) é que. 3 corresponde a 1. Assim. Mas. )+ . )= . Nessa notação.4 – Grupos diedrais Grupos diedrais são outros exemplos de estruturas que possuem a composição de funções como operação.

que não )= ) com ≠ . ) para todo . Assim. ). Definição 6. ). ) = 0.1: Considerando ⊂ ℝ . também. mas a ilustração dá uma justificativa geométrica. então . O caso de igualdade na expressão ocorre quando = ou = . . . contrariando a hipótese de que a distância é preservada. ∘ ) = ). chamado de forma um grupo pela composição de funções. ) . uma simetria é uma transformação que leva vértices adjacentes em vértices adjacentes. afinal. como se pode ver na ilustração abaixo. observemos que já foi mostrado que o conjunto das bijeções sobre um conjunto é um grupo. sendo ). ) e = ). O conjunto de todas as simetrias de um conjunto ⊂ ℝ . Isso implica que a transformação “transporta” a figura para o caso transformado rigidamente. Observemos que os pontos . = ). pois . . injetora e. suponhamos. o nome se justifica. pode-se tomar o conjunto A como formado apenas pelos vértices do polígono regular. ) Observemos que uma simetria é uma transformação (aplicação) que permuta os pontos de uma figura no plano (um subconjunto de ℝ ) sem causar “deformações internas” (as distâncias são preservadas). ) = a) A função identidade é uma simetria. efeito. a inversa também é. Não a demonstraremos.102 desigualdade triangular e. )= . Com ) . uma aplicação : → é dita uma simetria de A quando é sobrejetora e preserva distâncias. a composição dessas é uma simetria. Ou seja. c) Dadas duas simetrias. a função é. Para efetuarmos a demonstração. se ≠ . por absurdo. No caso particular em que ⊂ ℝ é um polígono regular de n lados. uma bijeção de A em si próprio. Para isso ocorrer. Embora não esteja explícito. ∈ . devemos ter que exista )= ). ) ≠ 0 e. Mas se sabe que. ) = ). )= ). ). portanto. Então basta mostrar que o conjunto das simetrias é subgrupo do grupo de permutações de A.4. ∘ ) . Para mostrar isso. b) Sendo uma simetria. e formam um triângulo e bem se sabe que a soma dos comprimentos de dois lados de um triângulo é sempre maior que do terceiro. seja injetora. pois o .

Mais comumente. . ao fazermos isso (inverter o ponto com o ). . geometricamente.4. . a distância entre e muda. se tornou o comprimento da diagonal. . Chamemos os vértices de . e como na figura abaixo. . que era o comprimento do lado. Por exemplo.2: Chamamos de grupo diedral de ordem 2 a estrutura ). por: = = . três das simetrias. os internos. . . ). = = = = Dada ).∘) onde A é um polígono regular de n lados. a distância. . nesse caso. . afinal. . . . vamos representá-la ) . pois. simetria ∈ . . . denotamos Exemplo 6. . . por . então. . = = . . uma ). também. . . .103 grupo será isomorfo aos grupos em que se tomam todos os pontos dos lados da figura ou incluindo. O conjunto de simetrias é dado. Nem todas as permutações são simetrias.1: Consideremos A como sendo um quadrado. Abaixo estão representadas. . . Definição 6. . não podemos ter = . . = = .4. ) por .

Poderíamos ter chamados os vértices de 1. . Grupos estão relacionados a transformações que mantêm algo invariante por essas transformações. 2. As transformações feitas sobre o quadrado não mudam ele. Mas. muitas vezes. O rodam ou refletem.104 Vemos que as simetrias são rotações e reflexões. grupos diedrais possuem 2 elementos (a ordem é dobro do número de vértices) onde desses são rotações (considerando a identidade como uma rotação de 0 ) e são reflexões. é uma reflexão em torno do eixo que passa pelos pontos e e é uma reflexão em torno do eixo que passa pela médios dos lados diagonal . os grupos não são tão simples quantos os diedrais e nem a invariância está ligada a algo tão visível quanto distância e posição de pontos. 3 e 4 e notado que o grupo apresentado é isomorfo a um subgrupo de . De fato é comum tomarmos esse subgrupo como sendo o grupo diedral de ordem oito e dizermos que ⊂ . Em geral podemos dizer que ⊂ . Embora não demonstremos aqui. é uma rotação de no sentido anti-horário. mas sempre mantendo a distância entre os vértices invariante. Aqui podemos observar como os grupos se “manifestam”.

. Façamos também a tabela de Cayley do grupo .105 Exercício 6. Na ilustração abaixo podemos observar que o quadrado realmente se transformou como refletido e depois rodado. . . Observemos o subgrupo destacado (quadro em destaque) e comparemos com a . em .4. em . tem imagem . . ∘ . de forma que a composição leva a . façamos a composição ∘ : ∘ = . . = . construa o grupo diedral de ordem seis. Dê a representação geométrica de cada uma dessas simetrias e monte a tabela de Cayley. Exercício 6. Como exemplo de como a composição dois elementos de quadrado. Pode-se ver algumas características do grupo a partir dessa tabela. e . atuam sobre o = O processo é muito semelhante ao feito nos grupos de permutações.2: Realize as composições Represente-as geometricamente. Por exemplo.1: Dado um triângulo eqüilátero de vértices . ∘ ∘ e ∘ ∘ .4. ∘ . mas tem como imagem aqui se omite a primeira linha da matriz. e. .

Observe que. O conjunto chamado de núcleo do homomorfismo .∘) é um monóide as funções de em (não apenas bijeções). 4 – No exercício acima. = 2 – Seja . onde ↦ . ℎ′) = ∗ ′. Vemos que o subgrupo destacado é isomorfo ao grupo ℤ (basta fazer a correspondência ↦ − 1)). mostre que o conjunto de todos os apenas um número finito de coordenadas é diferente da identidade forma um subgrupo de . definimos o produto direto desses grupo pela ) ∈ ⋅ ℎ ) ∈ = ⋅ℎ = estrutura . Tendo uma família não vazia de grupos (com operações não necessariamente iguais) . ∘ não é comutativa. ∘ ∘ : → é injetora se. ) ∈ tais que 6 – No exercício acima.∘) é um grupo.⋅) tal que .∗) ∈ e é denotado por ⊕ ∈ . .∗) com não vazio tal que a operação binária ∗ seja associativa e possua elemento neutro. : → é injetora. 7 – Obtenha a tabela de Cayley do grupo ⊕ .⋆) grupos.⋅) tal que ∗ ℎ ) ∈ .∘) de tal forma que ∘ é a composição de funções e ≠ 0 . SUGESTÃO: O ∈ ) ∈ e ℎ ) ∈ possuem um número fecho do produto é obtido observando que. mostre que o )= )= ) é conjunto ∈ | forma um subgrupo de . e somente se. sendo : → uma função bijetora. se existirem finitos grupos no produto cartesiano .3). 1 – Chama-se monóide a estrutura . Além disso. Em geral se pode ter que ℤ está imerso em . a soma direta coincide com o produto direto. Podemos ver ainda que a composição reflexões resulta numa rotação. pode-se ver que o subgrupo destacado é o das rotações. Exercícios II – 6 2 – Mostre que. ⊕ é isomorfo a ⊕ .∗) e . Enuncie e demonstre uma afirmação análoga para ∘ ∘ : → sobrejetora. Sendo o conjunto de todas . ℎ) ⋅ ′. a composição de uma rotação com uma reflexão (ou vice-versa) é uma reflexão e que reflexões são suas próprias inversas.∘) é chamada de monóide das transformações de . mostre que 5 – Pode-se fazer uma generalização da noção de produto direto entre grupos. mostre que a estrutura × . 8 – Sendo : → um homomorfismo do grupo .⋅). Ou seja. um número finito de coordenadas diferentes da identidade (isso deve ser mostrado).106 tabela do grupo ℤ (feita na subsecção 5. Mostre que. :ℝ→ℝ . ∈ℝ . ℎ ⋆ ℎ′) é um grupo.∗) em .∗) ∈ . é chamada de soma direta ou produto direto dos grupos e . A estrutura . se não é unitário. Esse subgrupo é chamado de soma direta dos grupos . Mostre que . ∈ℝ ℝ . Essa estrutura. 3 – Sendo . comumente denotada por ⊕ . ℤ está imerso em . ℎ ) ∈ ∈ ) ∈ = e se usou e ℎ ) ∈ = ℎ. Mostre que essa ∈ estrutura é um grupo. se ) ∈ ⋅ ℎ ) ∈ também possuirá finito de coordenadas diferentes da identidade. a estrutura (verifique).⋆). onde ∈ ) ∈ .

107 )= 9 – No exercício anterior. e somente se. :ℤ ×ℤ →ℤ . é ) = . 12 – Seja o grupo de permutação de três elementos. . mostre que )= injetivo (um monomorfismo). ℤ .⊕) e ℤ ⊕ ℤ . e somente se.∗) é de . 15 – Sendo e os grupos diedrais de ordem 6 e 12. então é um 11 – Mostre que é um homomorfismo se.⊕) e ℤ. mostre que a função )) desse. Generalize para é um homomorfismo e obtenha o núcleo ( : → ↦ se. se e isomorfismo. e um elemento fixo ∈ ℕ . o conjunto de todas as permutações tais que . Obtenha as imagens )= )= : → tal que ∘ ∘ e : → tal que ∘ ∘ e grupos diedrais com > e o conjunto dos vértices 14 – Sendo do polígono regular referente ao grupo . SUGESTÃO: Use a interpretação geométrica das transformações. Veja que. Explicite o subgrupo isomorfo a . mostre que demonstrar que está imerso em é equivalente a encontrar um subconjunto de vértices em que forme um polígono regular. Abeliano. +). demonstre que está imerso em . mostre que 13 – Dado o grupo de permutações ) = forma um subgrupo de . )↦ ⊕ ) 10 – Considerando os grupos ℤ .

obtemos que P vale para Um exemplo de demonstração por esse método segue no teorema abaixo. e essa é uma motivação para defini-los. dá a base para um método de demonstração chamado método de indução. vale para n” na demonstração da validade para ∈ Axioma 1. chamados de Axiomas de Peano. usar a hipótese “ ) é lícito. que o conjunto dos naturais não é vazio. ou seja. Axioma 1. das características de conjuntos finitos e infinitos. mais que isso. afirma a existência dessa função e. . Axioma 1. Mas trataremos dessa relação na secção seguinte. portanto.3: Se um conjunto ) ∈ . 1 – Conjunto dos Naturais A idéia de números naturais está ligada com a de contar elementos de um conjunto. Já o segundo diz que existe um (único) número natural que não é sucessor de nenhum outro número natural (intuitivamente. chamado de Princípio da Indução. afirma a existência do conjunto dos naturais (ℕ). Também iremos tratar. racionais e reais). obter as principais propriedades dos números naturais. então a propriedade P vale para todo ∈ ℕ”. de forma precisa. 1 ∈ ℕ. ⇒ ⊂ ℕ é tal que 1 ∈ e ) é )≠ ) ⊂ . então = ℕ. mas. são as três propriedades básicas que definem os números naturais.108 Capítulo III – Conjuntos Numéricos Começaremos agora o estudo de alguns conjuntos numéricos (dos naturais. como veremos mais adiante. garante que o conjunto dos naturais é infinito. dessa forma. com uma breve introdução à aritmética de cardinais. ao supor* que P valha ).1.2: Existe um único número natural. Esse axioma afirma. a partir de axiomas e definições. A imagem Expliquemos brevemente os axiomas. O terceiro axioma. além disso. Esse método consiste na seguinte afirmativa: “se uma propriedade P vale para o número 1 e. podemos pensar esse número como o primeiro número natural). Nessa secção vamos. inteiros. mas. 1∀ : ℕ → ℕ.1: Existe uma função injetiva chamada de sucessor de . Observação: A suposição referida no destaque feito por * é chamada de hipótese indutiva. claro.1 – Axiomas de Peano Os axiomas apresentados abaixo.1. para n. O primeiro axioma define uma função. tal que ∈ ℕ. Construiremos os conjuntos e exporemos suas propriedades básicas.1. Veja que o que se deve mostrar é que a implicação )⇒ ) é verdadeira e. 1.

Um exemplo de porque não devemos ceder à tentação é a função. também temos que vale para 1) e assim por diante percorrendo todos os naturais. como pode ser qualquer natural. Mas lembremos que os naturais são infinitos e. mas devemos mostrar tal validade e o princípio da indução é o que nos permite. de certa forma se está supondo para todos os naturais. teríamos )= . O terceiro axioma (Princípio da Indução) merece explicações extras devido a suas sutilezas. “Coincidências” podem servir de motivação para conjecturar que alguma propriedade valha para todos os naturais. Mostrando para uma propriedade para = 1 e a implicação da indução. Observação 2: Muitos são tentados a se convencerem de alguma suposta propriedade dos números naturais através de exemplos. mas a contraditório diante do fato de termos de provar para demonstração importante nessa parte do processo é a da implicação (mostrar que )⇒ ) ). Junto à primeira parte do processo. Ou seja. o Princípio da Indução consiste em afirmar que todo número natural pode ser obtido através de diversas aplicações da função sucessor sobre o número 1 (tornando possível percorrer os naturais por sucessões a partir do 1). ) = ).1. podemos verificar que gera números primos até = 39. assim. na hipótese indutiva se está supondo para um em particular. mas. afinal a função é injetiva e. mas esse detalhe foi a demonstração mostrando que 1 ∈ e que ∈ ⇒ omitido e muitas vezes se fará isso. deveríamos ter definido um subconjunto ⊂ ℕ tal que = ∈ ℕ| ) ≠ e seguir ) ∈ . pois 40) = 40 + 40 + 41 = 40 40 + 1) + 41 = 40 ⋅ 41 + 41 = 40 + 1) ⋅ 41 = 41 .1. sempre existirá uma infinidade deles para os quais não se pode garantir que valha. mostrando a validade para casos particulares. temos que a afirmação vale para 1). em essência. por mais que mostremos que uma propriedade vale para muitos naturais. isto é.2. Na hipótese indutiva. existem casos em que é útil fazer a demonstração considerando esse detalhe. muitas vezes. realizar a demonstração. se tivéssemos contrariando a hipótese indutiva. + + 41. sendo mais preciosistas. Isso parece ) logo em seguida. que. mas falha em gerar um número primo para = 40.1: ∀ ∈ ℕ tem-se )≠ . definida nos )= naturais. ) ≠ . Ou seja. Supondo que valha para n. Não seria estranho conjecturar que qualquer número natural pode ser obtido aplicando a função . ). 1) ≠ 1. QED Observação 1: Na demonstração acima. temos que ) ≠ ou seja. Demonstração: Pelo Axioma 1. já temos que a afirmação vale para 1. mostrar para = 1. mas 1) é um número natural e. com paciência. deve ser “livre” no sentido de que não exista alguma condição que o impeça de ser determinados valores naturais (não se pode impor uma condição que obrigue ≠ 5 por exemplo). podemos observar a intuição por trás do axioma. Isso nos leva a perguntar se o axioma não é dispensável já que os dois primeiros nos garantem que só o número 1 não é sucessor de outro natural e a função é injetora. No entanto.109 Teorema 1. Sendo assim.

que garante que ) = e. muitas vezes.1. . nada garante que. sempre que ⋅ está definido.1. ∈ ℕ. mas essas operações são consistentes com os axiomas e são únicas (isto é.1). No entanto.1.2. pois. Ou seja. Sem esse teorema. sempre que + está definida.110 sucessor diversas vezes sobre o número 1 apenas com os dois primeiros axiomas.2. Como ilustração de como obtemos a soma entre dois números naturais. foi necessária a indução para mostrar o Teorema 1. Exercício 1.1. é chamada de produto. no método de Observação 1: Como definimos acima que ) ∈ ” pode ser reescrita como “ ∈ ⇒ + 1 ∈ ”.2 – Soma e produto de números naturais ) +1= )= + Definição 1. ) = + 1.2: A operação ⋅: ℕ → ℕ. mas não valha o Teorema 1.2. não se conseguiria percorrer todos os naturais por momento sucessões a partir do 1. a) b) a) b) Definição 1. Devemos ficar atentos a quais propriedades já foram demonstradas.1.1: Demonstre que + ≠ ∀ . mas não valha o Princípio da Indução. SUGESTÃO: Use os naturais mais um “apêndice” consistente com os dois primeiros axiomas e o teorema. em algum 1.2: Encontre um conjunto onde valham os dois primeiros axiomas.1. indução a condição “ ∈ ⇒ Observação 2: Podemos omitir o símbolo do produto e escrever Exercício 1. o Princípio da Indução não pode ser obtido a partir dos outros dois axiomas. Exercício 1. usaremos teoremas já demonstrados sem aviso. Não demonstraremos aqui. 1. as propriedades apresentadas são suficientes para definir as operações). tal que: ⋅1= )= ⋅ ⋅ + . é chamada de soma.1.1 (veja Exercício ) ≠ .1: A operação +: ℕ → ℕ.1: Encontre um conjunto onde valham os dois primeiros axiomas. façamos a soma 2 + 3: 1) ≔ 2 2 + 1 = 2) ≔ 3 2 + 2 = 2 + 1) = 2 + 3 = 2 + 2) = 3) ≔ 4 4) ≔ 5 Agora demonstraremos algumas propriedades básicas dessas operações. ⋅ = . assim. tal que: + ).1. o Teorema 1.

isto é. ∈ ℕ. ∈ ℕ.2.1 e a associatividade respectivamente. obtemos que vale ) = ⋅ para = + 1.1: +1=1+ ∀ ∈ ℕ. ou seja. . e + + )= + )+ )= Para = 1 é verdade.2. temos que vale ) = + + + ) = para = + 1. Teorema ∀ . mas veja que o que usamos foi a hipótese indutiva.2.1 (associatividade da soma): ∀ . Teorema 1. O teorema é válido para = 1. Nas últimas duas passagens. Demonstração: Para = 1 vale claramente. pois + 1 = 1 + pelo Lema 1. pois + + 1) = + + )= + ) + 1. QED Observação: Na passagem destacada com *. ⋅ + ) = ⋅ + ⋅ . ∈ ℕ.3 (associatividade do produto): ⋅ = + Teorema 1.5 (distributividade): ⋅ ⋅ ∀ . ou seja.2. . + = + . ∈ ℕ. 1. usamos o Lema 1. pois ⋅ + + 1) = ⋅ + + )= ⋅ + )+ = ⋅ + ⋅ ) + = ⋅ + ⋅ + ) = ⋅ + ⋅ + 1). . o que é lícito.2: Mostre que 1 ⋅ = ∀ ∈ ℕ. afinal. afinal.2. + 1 = 1 + .1.111 Teorema 1. ⋅ ⋅ )= QED ⋅ )⋅ + = + ∀ . Supondo para = . + + ) = + ) + . ⋅ ∀ . + 1) = 1 + ) = 1 + Exercício 1. QED Lema 1. arbitrários. então vale para = + 1. temos que vale para = + 1. Supondo para = .2. Demonstração: Fixemos por indução sobre . A afirmação vale para = 1. pois ⋅ + 1) = ⋅ definição.2. Demonstração: Tomemos e arbitrários e prossigamos por indução ) = ⋅ + por sobre . + 1) + 1 = )+1= ) = 1 + + 1).2. Supondo que valha para = . pois 1 + 1 = 1 + 1. ∈ ℕ. Vamos mostrar a propriedade Teorema 1.2. ou seja.2: (comutatividade da soma): Demonstração: Fixemos um n arbitrário e façamos a indução sobre m. já que + + 1) = + )= + )= + ) = + + 1) = + 1 + ) = + 1) + .3: Demonstre os dois últimos teoremas. parece que usamos o que queremos demonstrar para chegar à nossa conclusão.2. .4 (comutatividade do produto): ⋅ + )= Exercício 1. Supondo para = . + + + 1) = + + + ) = + )+ ∗= + )+ )= + )+ + 1).

4: Faça a demonstração da parte (b) do teorema acima. as propriedades não são tão evidentes. Teorema 1.1: Dizemos que é menor que e denotamos por < quando existe ∈ ℕ tal que + = . + + 1) = + + 1) ⇔ )= + )⇔ + + )= + ) ⇔ + = + .2. Axiomaticamente.5: Caso tenha dúvida em algum teorema demonstrado. de não incluí-lo. obtemos que vale para = + 1. pois a única mudança nos axiomas é a troca do símbolo “1” pelo “0”. é equivalente a = . a soma e produto são definidos de forma diferente.3. afinal.3 – Relação de ordem em ℕ Tendo à disposição as propriedades da adição. respectivamente. ou seja.1: O número 1 é o menor número natural. 1. pela hipótese indutiva. + = + )⇔ = )⇔ = ) = ) . A opção tomada aqui. que é uma mera questão de notação. Ou seja. QED Exercício 1. já que : ℕ → ℕ é injetora. permanece o mesmo. A mudança está na estrutura formada sobre ℕ. Supondo que valha para = . ou não. que. identifique as propriedades (definições e teoremas) usadas em cada passo da demonstração. Observamos que. onde o zero faz o papel de elemento neutro da soma e nulo do produto. do ponto de vista formal.2. Muitas vezes também é útil termos à disposição as relações ≤ (lê-se “n é menor ou igual a m”) e ≥ (“n é maior ou igual a m”). Dizemos que é maior que e denotamos > quando < . foi devida a “gosto” e algumas facilidades em termos de demonstrações e definições. + = + )⇔ = ). o conjunto ℕ com o zero incluído.112 QED a) b) Teorema 1.2. Observação: “Mas e o zero?” Muitos aprendem os naturais com o zero incluído. “ < = ”e“ > = ”. O que foi feito até agora (e esse é o objetivo desse capítulo) foi uma formalização de propriedades operacionais que nos são comuns desde a infância. = 1 ou . pois + 1 = + 1 ⇔ . )= )⇔ = temos que a propriedade vale para = 1. podemos definir uma relação de ordem em ℕ através da definição abaixo. que significam. Exercício 1.6 (leis de corte): ∀ . Definição 1. ou seja.3. ∈ ℕ valem que: Demonstração: (a): Considerando e fixos e fazendo a indução sobre . > 1 ∀ ∈ ℕ.

= + )+ = + + ) ⇔ > . > ⇔ + + > > Teorema 1. e apenas + e Agora mostremos que para todo . Exercício 1. = + 1 e. dessa forma. pelo Axioma 1.2: Demonstre que.1. Mas. então = + exclui a possibilidade de = (Exercício 1. assim. para prosseguir a demonstração (provar que ∈ ⇒ +1∈ ). assim. Ou seja. das afirmações: > .3. temos que = + e. Se ≠ 1. concluímos que + 1 > .3. as restantes não podem ser. ∈ ℕ são tais que + . temos.2 (transitividade da ordem): Se e > . Supondo que ∈ . existe ∈ ℕ de forma que = + .1). > 1. Vamos mostrar. pois 1 = 1. que implica + 1 ∈ para algum ∈ ℕ. onde = + . Temos que 1 ∈ pelo Teorema 1. se > e > . observemos que existe ∈ ℕ ) = + 1.3 (monotonicidade da ordem): ⇔ ⋅ > ⋅ . Supondo. que = + e = + . .2 (1 é o único natural que não é sucessor de outro). Mas. Bastando inverter e se consegue a demonstração para > . Obtendo o sucessor de ambos os membros. Exercício 1.4 (tricotomia): Dados . + 1 ∈ . devemos separar nos casos < . ) = + 1 e. temos + 1 = + ) + 1 = + + 1) e. consideremos o conjunto = ∈ ℕ| = > > . Isso já > > ): Se > . Caso = 1. + QED e Demonstração: Primeiro mostremos que só pode valer uma dessas afirmativas. QED Demonstração: Sabendo que > temos = + )+ = + + )= + > ⋅ = + e > ⇔ = > . a) Teorema 1.2. que é tal que = o mesmo que > + 1. não se pode ter > nem > . b) = ): Se = . > e = . ou seja.3. b) ( > ): Vemos. ⇔ ⇔ . então > . vamos ter que +1 ∈ . portanto. vale uma.113 Demonstração: A propriedade claramente vale para = 1. por indução sobre n. que existe ∈ ℕ tal que = > Teorema 1. então > ⋅ .1: Demonstre o teorema acima. Sendo um natural arbitrário fixo. que = + para algum ∈ ℕ. ∈ ℕ quaisquer.3.1.3. Logo + 1 ∈ também nesse caso. uma. . ao ser uma verdadeira. a) ( < ): Nesse caso. nesse caso. = + = + + 1) = + 1) + . pois implicariam. se ≠ 1. que = ℕ. que é um absurdo. por absurdo que também vale > . SUGESTÃO: Use os dois últimos teoremas. ∈ ℕ alguma dessas propriedades deve ser satisfeita. > e = . respectivamente.3.

se ∈ .2. Exercício 1. pois 1 ⊂ é equivalente a 1 ∈ .7. portanto. Demonstração: Seja o conjunto ⊂ ℕ tal que 1 ∈ e 1. pela hipótese indutiva e a propriedade do conjunto . faz dessa relação de ordem uma ordem total. junto à tricotomia.2. pois. ⋯ .3: Sendo um natural e + 1 seu sucessor. ⊂ ℕ.2. = ℕ e = − 1⋯. ⋯ . − 1 = ℕ − 1⋯. A demonstração fica como exercício. Supondo que ∈ . = ℕ. 1 ∈ e 1. − 1 . Assim. usamos um fato que ainda não foi demonstrado: não existe número natural entre e + 1. Mostramos. QED Na demonstração do teorema acima. − 1 .2. 1 ∈ . que é verdade por hipótese. pois. como mostrado abaixo. ⊂ . 1. ⋯ . . para todo > tal que ∈ . SUGESTÃO: Não é necessário usar indução. temos que + 1 ∈ e. Mostraremos que = ℕ e. ⊂ .3. + 1. QED Para demonstrar o Teorema 1. a transitividade continua valendo e. que = ℕ.3. Teorema 1. ∈ + 1 ∈ . então + 1 ∈ (seja porque ∈ − = 1 ⋯ . mostrando que + 1 ∈ . se tem Demonstração: Consideremos o conjunto = 1 ⋯ . e. ⋯ . 1. mais uma generalização da indução. Teorema 1.2. .5 (Indução Completa): Se + 1 ∈ ) . = ℕ e. ⋯ . Tem-se que 1 ∈ e. ou seja. por seguinte. − 1 ) ou porque ∈ . então = ℕ. que é um dos resultados mais importantes da relação de ordem. Consideremos também o conjunto = ∈ ℕ| 1. para que se encaixe precisamente na definição que damos para relação de ordem total.6: Se ⊂ ℕ. Logo. ) ∈ ℕ tais que = . temos que + 1 ∈ . portanto. ainda. + 1 ⊂ . Logo. donde + 1 ∈ pela propriedade do conjunto ). Pode-se dizer que ℕ é totalmente ordenado por >. como se pode ver. então = ℕ − 1. vamos usar uma nova formulação da indução. dada abaixo. Observemos que ⊂ . assim. ⊂ ) ⇒ ⊂ ℕ definido por + 1 ∈ ) .3. basta acrescentar os pares . Pode-se ter. tomando como relação de ordem a dada por “≥”. − 1 ∪ . ⊂ )⇒ Observação: Veja que. mostre que não existe número natural tal que < < + 1.114 c) ( = ): Basta observar que +1= + 1 > . que = ℕ.3. ⋯ .

o novo vértice aparece entre dois já existentes e o seguimento de reta que liga esses dois já existentes se torna uma diagonal). quando ∈ e.7. esse novo polígono possuirá um número de diagonais igual a mostrando o resultado. Abaixo está ilustrada a passagem de um quadrilátero para um pentágono. ∀ ∈ ) − ∅ ).1: O número de diagonais de um polígono convexo de = ) vértices é triângulo não possui diagonais. ao acrescentar um novo vértice. ≥ (≥ é uma relação de ordem total). ≤ .6. ∀ ∈ . mostremos que vale para = + 1.6.115 QED Observação: Embora não seja possível definir uma operação de subtração entre naturais. .7. que são os seguimentos de reta que ligam o novo vértice a cada vértice não adjacente (isto é. Definição 1.3.9 = 1 e max 1.3 (boa ordem): Um conjunto é dito bem ordenado quando todo subconjunto não vazio de possui menor elemento.3. ∀ ∈ . −2 = ) indução. De forma análoga. Tendo um polígono convexo de vértices. ∃ ∈ | = min .2: Considerando min 1.2 (mínimo e máximo): Diz-se que é o elemento mínimo (ou menor elemento) de um conjunto e denotamos por = min . Em símbolos.3.3. o conjunto 1. onde ) é o conjunto das partes de . chamaremos − o número natural tal que − ) + = . tem o ângulo interno inferior a . Supondo que valha para = . quando ∈ e.3.3. Observação 2: Chamasse polígono convexo o que.6. não vizinho).7. = +1+ Assim. Exemplo 1.9 = 9. todas as diagonais do polígono anterior continuam a ser diagonais do novo e um dos lados se torna uma diagonal (afinal.9 . em cada vértice. temos que Definição 1. Veja que devemos ter < para que − seja natural. Exemplo 1. Façamos a demonstração desse teorema da geometria por = 3 (triângulo). O resultado é válido para .3. se formam mais − 2 diagonais. Além disso. diz-se que é o elemento máximo (ou maior elemento) de um conjunto e denotamos por = max . Observação 1: No exemplo acima usamos um pouco de liberdade sem nos prender só ao que temos formalmente estabelecido até o momento. pois ) = 0 e se sabe que o + −1= ) = ) = ) ) = ) ) .

Mostraremos que esse só pode ser o conjunto vazio. a de garantir a existência embora. ≤ . ⊂ ℕ limitado. não pode pertencer a .116 Observação: As duas últimas definições não se restringem apenas aos naturais.5.3. no conjunto dos naturais é possível explicitar a ordem que o faz bem ordenado e essa é a ordem que definimos. portanto. pelo fato de ser um mínimo (máximo). muitas vezes.4: Dado que. Pode-se ver que.5. Embora tenhamos usado esse teorema como motivação para encontrar uma relação de ordem total em ℕ . pelo fato de ser um mínimo (máximo). como foi alertado lá. ∀ ∈ .2. pode-se definir a potência de números naturais.4. Definição 1. esse seria o menor elemento de . ⊂ ℕ. Com efeito.1: Sendo . Suponhamos que 1. ⊂ . haja a impossibilidade de mostrar explicitamente. ⋯ .4 – Potência de números naturais Com as operações de soma e produto definidas.3. Demonstração: Consideremos a existência de um conjunto ⊂ ℕ que não possui menor elemento. então ≤ ( ≥ ). pois é o menor número natural e. mas nem sempre é possível explicitá-las. Exercício 1.7 (Princípio da Boa Ordem): ℕ é bem ordenado. esse. Lembrando do Teorema 4. Bem se viu que o Axioma da Escolha garante a existência de certas funções (funções escolha).3. esse é dito limitado se existe ∈ ℕ de forma Exercício 1. Definição 1. afirma que todo conjunto pode ser bem ordenado por alguma relação de ordem. = = ∙ sempre que ∈ ℕ definimos: a) b) está bem definido. assim. ele é único.3. se tivéssemos + 1 ∈ . . pois.1 – I (Teorema do Bom Ordenamento). Sendo = ℕ − .4: Mostre que ℕ não possui elemento máximo. mostre que esse possui QED Teorema 1. se um conjunto possui elemento mínimo (máximo).5: Considerando elemento máximo. Como veremos abaixo. e ≤ ( ≥ ). 1 ∈ . Logo = . nem sempre é possível explicitar a relação de ordem que faz do conjunto bem ordenado e tal fato se justifica: o Teorema do Bom Ordenamento é equivalente ao Axioma da Escolha. = ℕ e. então temos que + 1 ∈ . Então não é espantoso que essa característica. Pelo Teorema 1. se e são mínimos (máximos) de um conjunto .3. = ∅. 1. se mantenha no Teorema do Bom Ordenamento.

1: Como exemplo de como obter potências de naturais. a) b) c) ) . Exercício 1. 2 > 2 + 1. Para = 3 temos 2 = 8 > 7 = 2 ⋅ 3 + 1. temos que 1 =1 ∙1= 1 ∙ 1 = 1. temos que vale para = + 1. por seguinte.3. vemos que vale para = + ) ) ) = 1. afinal. temos comutatividade do produto.4.2: Demonstre que 2 > ∀ ≥ 4. 1 = 1 por definição.4. Supondo para = . SUGESTÃO: QED 1. ou seja. Através da definição. se > e > . Teorema 1. sendo ≥ 3. Isso completa a demonstração. ou seja. Demonstração: Demonstremos por indução sobre n. temos 2 ≥ ∈ ℕ. (b): Novamente tomaremos arbitrários e prosseguiremos por indução ∙ ) = ) pela definição. completando a demonstração. isto é. 2 > 2 + 1. e 2 > 2. Supondo que valha para = . pois a segunda igualdade é imediata pela que basta mostrar que = ) .2: ∀ . Supondo para = .1: 2 > 2 + 1 para todo ≥ 3.3.4. ) = Supondo que valha para = . . Para = 1 temos ) . Observemos = = sobre . = = ∙ = ∙ e = = ∙ = ∙ ∙ . temos que vale para = + definição. lembrando do Teorema 1.4.4. por hipótese. Exercício 1. = = = . então + > + ). afinal. onde usamos a parte (a) do = = = teorema. para todo Use o resultado do exemplo acima. ) = (c): = . temos = . encontremos . Para = 1.5 – Somatório e produtório . Para = 1 temos = ∙ = ⋅ por = ∙ . . ) ) 1.1: 1 = 1 ∀ ∈ ℕ. demonstraremos a propriedade por indução sobre . ∈ ℕ valem: QED Demonstração: (a): Sendo um natural arbitrário. temos 2 =2 ⋅2=2 + 2 > 2 + 1 + 2 = 2 + 1) + 1 (isso porque. mostrando que a propriedade vale para = 1. demonstrada acima. 1 = 1. pois = = ∙ = ∙ ∙ = ∙ . ∀ ∈ ℕ.117 Exemplo 1. isto é. = ∙ ) = = ∙ ) = ∙ ∙ Teorema 1. ou seja. = ) ) ) = ) . Exemplo 1.1: Mostre que. Supondo para = . mostrando que vale para = + 1 e. .4.

mostrando que não depende da indexação. tal que 1 ⋅ = ∀ ∈ ). Pela associatividade e comutatividade da soma. QED Corolário: O somatório não depende de uma particular indexação de Demonstração: Sendo = + ⋯ + a soma por uma indexação. definimos o operador somatório desses elementos por: a) b) = = + a) A operação + (soma) é comutativa e associativa. afinal. = . temos que é verdade para = + 1. Demonstração: Demonstremos por indução sobre n. consideremos outra indexação tal que = + ⋯ + . indexado pelos primeiros números naturais. = + ⋯+ . ou seja. b) A operação ∙ (produto) é comutativa.∙) com as seguintes propriedades: Definição 1. a soma + ⋯+ deve ser igual à + ⋯+ .5. Teorema 1. +. associativa. Diz-se que os índices são mudos. = : Como exemplo. Supondo que seja verdade para = .5. sempre que está definido. ou seja.118 Para um tratamento mais geral (embora não o mais geral possível) dos operadores que serão apresentados.1: = + ⋯+ ∀ ∈ ℕ. obtemos o somatório dos elementos do conjunto = = = + + = = + + + por Observação: Pode-se ver que. exemplo. QED . . chamado de “1”. distributiva em relação à soma e possui unidade (elemento. consideraremos uma estrutura qualquer . ou seja. ao mudarmos o índice " " por qualquer outro.1 (somatório): Sendo ⊂ uma família de elementos tal que = . o somatório não se altera. Para = 1 é verdade por definição. " ". = + = +⋯+ + .

já que Observação: Estamos chamando de ∈ unidades (1 + ⋯ + 1 n vezes). Como veremos.5.5. aditiva): + )= QED + Demonstração: +⋯+ = + comutatividade da soma. Teorema ∀ ∈ ℕ. ∈ Teorema 1.5. além das propriedades já exigidas para a estrutura sobre . Demonstração: Para = 1 a afirmação é verdadeira já que = = ⋅ 1. será verdadeira para = + = + = + 1). ou )= − seja. ∀ ∈ ∃ − ) ∈ | + − ) = − = 0. a soma possuir elemento neutro para a soma (esse chamado de 0) e todo elemento de possuir elemento inverso pela soma. 1. onde foi apenas necessário “deslocar” os parênteses (usando associatividade) de forma que os termos que se anulam fossem somados.4 ⊂ (propriedade ⊂ ).1 e da distributividade do produto em relação à soma. temos que = + ⋯+ = + ⋯+ ) = . Teorema ⊂ ) 1. = 1. a vantagem da notação de somatório vai além de ser uma notação compacta: muitas manipulações complexas de serem realizadas são mais simples através de somatórios.5 (propriedade telescópica): Se. Supondo que seja verdadeira para = .2: = ∀ ∈ℕ . isto é. onde se usou o Teorema 1.5. e justifica seu nome. ∈ ) Demonstração: Do Teorema 1. = + 1. = . Abaixo são apresentadas algumas propriedades do somatório.119 O teorema apresentado é a motivação para se definir o somatório. )= Demonstração: − − )+ − )+ ⋯+ − )+ ) = + − + )+ ⋯+ − + )− − = − .5.5. QED .1 e a associatividade e QED Teorema 1. + )= + ) + ⋯+ + ) = + ⋯+ + .3 (homogeneidade): QED o resultado da soma de n = ∀ ∈ ℕ. então − ∀ ∈ℕ ⊂ . ou seja.

120
)

Exemplo 1.5.1: O somatório (de números reais) vendo que
)

teorema acima, nos leva a

= −

(verifique!). De fato, pois, sendo
)

=

Exercício 1.5.1: Mostre que propriedade telescópica.

=

= −

= ,

pode ser obtido = , que, pelo .

onde

∈ ℝ. SUGESTÃO: Use a

=1−

Sabe-se que a indexação de é obtida por uma função sobrejetora : ℕ → , onde = . É natural que possa existir alguma regra que defina ). Como essa função e, assim, muitas vezes se pode escrever = também é possível ter o mesmo conjunto como a imagem de : ℕ → (com mesma regra definidora), é mais comum definirmos as funções com contradomínio e obter como a imagem. Para algumas “classes” de conjuntos, é possível obter uma fórmula fechada para o operador somatório. O exemplo abaixo, onde encontramos uma fórmula fechada para subconjuntos de ℕ da forma ℕ = 1, … , , ilustra isso. conjunto é dado por para
)

Exemplo 1.5.2: Considere o subconjunto ℕ = , isto é,
)

por indução. De fato, o resultado é válido para = + + 1) = =
)

=

)

. A demonstração de tal resultado pode ser obtida = 1 e, ao supor que seja válido
)

de ℕ. O somatório desse = + 1, afinal,

.

+

)

, temos que o resultado vale para + 1) =
)

+

=

)

)

=

Observação: Como ainda não temos os naturais como um subconjunto dos reais, devemos tomar cuidado com o que estamos simbolizando por = . Estamos expressão possua sentido). Ou seja,
)

+ 1). No entanto, embora seja necessário salientar tais detalhes para um tratamento mais rigoroso, vezes iremos manipular expressões omitindo essas explicações “preciosistas”. (1 < Em alguns casos, podemos querer a soma dos elementos de ≤ ) a = e não de = 1 a = . Definimos, para esses casos, = + sempre que e, nesse caso, sendo = + .

considerando que os três números da expressão são naturais e eles são tais que = (veja que é necessário que seja um múltiplo inteiro de para que a é o número natural tal que 2 =

está definido. Também é possível que se (1 < ≤ )

de = = e

queira não considerar algum elemento de o elemento não considerado, definimos

Observação 1: Nas definições acima, usamos o sinal de menos, que está, normalmente, associado à soma com o inverso aditivo ( − = + − )), mas,

121 mesmo que a estrutura sobre A (conjunto do qual é subconjunto) não admita inverso aditivo para seus elementos, é possível definir uma “subtração” em A da forma como foi feita com os números naturais (veja a observação após o Teorema 1.3.6). Observação 2: Considerando a expressão inferior do somatório e = − de limite superior do somatório. é , chamamos de limite

Observação 3: Uma definição alternativa, em alguns casos, para , mas nem sempre é conveniente. − )= − com ≥ .

Exercício 1.5.2: Mostre que

Exemplo 1.5.3: Usando o que foi mostrado no Exemplo 1.5.2, podemos ver que = ≤ . − = + 1) − 2 − 1) 2 − 1) + 1 + ) = 2 + − 2 +

=

+ )

onde

− )+ 2

+ )

=

− )+1

Exercício 1.5.3: Mostre que usando as propriedades do somatório. Exercício 1.5.4: Mostre que

2 − 1) = =

de duas formas: por indução e +

. Essa propriedade é = +

chamada de abertura e uma manipulação útil que pode ser feita é = + . seja, ter expressões da forma somatório duplo (expressão da forma se tivermos o conjunto )= de forma que ,

Muitas vezes se deseja aplicar o operador somatório mais de uma vez, ou , etc.. Para o ), pode-se ver que isso é possível = ∀ ∈ ℕ (o que faz com que o índice

sendo somado e sim pode admitir um valor arbitrário em ℕ . Um índice que apareça dessa forma é chamado de índice livre. Observamos também que existe uma coerência do índice livre em ambos os membros da expressão, ou seja, o índice livre recebe mesmo “nome” (no caso, ) em ambos os lados da expressão. = Pelo Teorema 1.5.1 obtemos que o somatório de um conjunto é dado por: )= = + + ⋯+ + tal que

). Veja que na expressão

=

não está

122 + + Exemplo 1.5.4: Seja temos: = = = + + + ⋯+ + ⋯+ = ⋅ . Nesse caso +

⊂ ℕ de forma que 1⋅ =1+2+3=6 2⋅ =2 3⋅ =3

= 2 1 + 2 + 3) = 12 = 3 1 + 2 + 3) = 18

=

⋅ = 6 + 12 + 18 = 36

Para um somatório múltiplo (duplo, triplo,...), podemos ter uma notação um pouco mais curta, como feito abaixo (com somatórios): …
, ⋯

=

,

,⋯,

, ,⋯,

Por exemplo, podemos denotar o somatório duplo
, ,

por

única vez (por exemplo,

,

. No caso de todos os limites superiores coincidirem, basta escrevê-lo uma =
,

). Também é comum omitir os limites

inferiores e superiores caso sejam subentendidos. Por exemplo, se se está trabalhando sempre com somatórios de 1 até , se subentende por . Teorema 1.5.6 (comutatividade do somatório): ∀ =
, ,

tal que

compacta,

fato dos índices serem mudos – apenas se renomeou por e vice-versa). Demonstração: Demonstremos por indução sobre arbitrário. Para = 1, o resultado é verdadeiro, pois . = Supondo que valha que para , temos vale para

=

) tem-se
, ,

=

,

,

(veja que essa última igualdade vem do ′ tomando um = = = + 1, ou

=

ou, em notação mais

,

∈ℕ e

= ,

seja,

afinal,

Corolário: ∀ + . . Naturalmente. temos = . . . denotado 0.5: Mostre que sempre vale . Definição 1. . )= . que é uma conseqüência imediata do teorema. SUGESTÃO: Veja que Exemplo = . . . que é muito útil algebricamente. então definimos a função : ℕ → de forma que: . . basta vermos que = (pois = 1 e todos os outros termos se anulam). .2). + ) = QED e. a propriedade também vale caso existam outros índices livres além de . sendo 1 ≤ ≤ para todo > para = (caso > De fato. . .5.123 = + ) + ) = = .6: Verifique explicitamente o resultado do exemplo anterior . . pois . se anula para todo > Exercício 1.5. 1. = Esse corolário. ou seja. = . Se admitirmos na estrutura sobre A um elemento neutro para a soma (elemento 0). = = O + + ⋯+ somatório = . e 1 ≤ ≤ ′. ) = . dado por (veja a Definição 1. chamada de Delta de Kronecker.7: Mostre que = . é . = = (1 ≤ ≤ ). é devido ao (caso > ) ou ).5. tal que 0 + = ∀ ∈ . é um resultado muitas vezes útil. = Para visualizar melhor a última passagem. lembre-se que assim. .5. )= =1 =0 = ≠ A principal propriedade dessa função é mostrar essa propriedade. Para +⋯+ + ⋯+ = .3.2 (Delta de Kronecker): Se existe em A um elemento. ∈ℕe ⊂ tal que = ) tem-se 2 . . Em particular. = (k e j são índices livres).5: fato de que.5. podemos definir uma função. O min . SUGESTÃO: Observe que . Exercício 1. Exercício 1. .

≥ ≥ = sendo . ∀ ∈ ℕ . que vale para = + 1. ∈ com ≥ e ≥ temos + ≥ + . ou seja.124 Exemplo 1. O que está “dentro” de um somatório pode ser manipulado da mesma forma como é feito caso não existisse o somatório (na última passagem simplesmente se considerou uma constante e. pelo Teorema ⋅ .6: Para adequarmos algumas expressões a determinadas convenções. pôde “entrar” no somatório de índice ).5.5. . ≥ e ≥ . Mas o que há de errado na manipulação feita inicialmente? Devemos ver que os índices são independentes (a “variação” de um não influencia na do outro) e. podemos ver que ) 1.5. . onde se usou o resultado obtido no Exemplo 1. mas é simples encontrar um contra exemplo que mostre a falsidade dessa expressão. a expressão correta é ⋅ = )⋅ ) = ). para o próximo teorema. )⋅ )= ) = . um corpo ordenado. )= ) = ) = ⋅ = Consideremos. Teorema 1. às vezes é necessário realizar uma fatoração do tipo + = propriedade + = = . pela monotonicidade da soma. poderíamos pensar que ⋅ = onde se usou o Teorema 1. Demonstração: A propriedade vale para = 1. com a relação de ordem definida para ℕ (subsecção 1. que a estrutura sobre mais precisamente. Com efeito. assim. + ≥ + e + ≥ + e.5. Com efeito.7: Considerando os conjuntos . Exemplo 1. = = + e ⋅ = + ) + )= + que = + + . ao fazer o produto posto.3.3). afinal.5. pois temos = + . Veja que ℕ não é um corpo. + ≥ + . Para que tenhamos o próximo resultado. + = + .3. Ou seja. = + ao passo = + . teremos que considerar um resultado preliminar: quaisquer que sejam .5. devemos renomear ao menos um dos índices para garantir a independência. então ≥ = . constitui. temos + = QED Exercício 1. se.7: Considerando a soma ) ⋅ = . portanto. ≥ ≥ . Supondo que valha para = . quanto é ⋅ ? Num primeiro impulso.5. ⊂ com um corpo e a relação de ordem ≥ a de um corpo ordenado.2. onde usamos a Sendo = e = .8: Mostre que o resultado acima vale para = ℕ. Aqui podemos ver uma das = vantagens da notação de somatório. . pois por hipótese.

A segunda igualdade se demonstra analogamente. +. + 1) = ) − )= QED Exemplo 1. ≥ ≥ ∀ . pois − 2) = − 2) = 7 − 2) + 8 − 2) + 9 − 2) + 10 − 2) = 5) + 6) + 7) + 8).125 )= e )= Exemplo 1. temos que )= − )= + ). Mas vemos que o somatório não se altera ao somarmos 2 aos limites do somatório e subtrairmos 2 da variável. como feito abaixo.8 (mudança de variável): Sendo : ℕ → . teorema é válido para = .3 (potência com expoente inteiro): Sendo . ou seja. é possível dizer que um somatório é maior que o outro.5.5.6 para realizar a demonstração. )+ = .8. )= ≥ = )∀ ∈ℕ que ≥ = pois (mostre isso). por outro lado.2. Veja que. SUGESTÃO: O teorema seguinte garante uma manipulação bastante útil em várias situações.5.5. Definição 1. por um lado. . afinal.5.5. que não apresentaremos agora. definimos: a) b) c) =1 = = ⋅ sempre que está definido. está definido. ∈ e ∈ corpo. Exercício 1. podemos ver o quanto ela é simples por um exemplo. ) = ).3. pois. 6) + 7) + 8). − )= − ). onde . ) Teorema 1. e são tais que as subtrações )= − )= ).⋅) um ∈ | =0 = 1 ∈ℕ . se Não é difícil verificar que as propriedades demonstradas para a potência de naturais continuam válidas para esse caso. O )= ) e.5. temos que vale para ) + )− − )+ = ). Demonstração: Usemos o Teorema 1. temos )= ). feitas sejam positivas (num caso mais geral. : ℕ → ℕ. embora não saibamos os resultados explícitos dos somatórios. Ou seja. essa restrição pode ser eliminada). Supondo que valha para + )+1 − )= = + 1. Temos ainda que = ⋅ =1⋅ = . Podemos definir em um corpo uma potência de expoente “inteiro”. De fato.9: Embora possa parecer estranha a manipulação apresentada no Teorema 1. ∈ ℕ.8: Considerando com .9: Mostre que Lembre-se do Teorema 1. Considere ) = 5) + : ℕ → de forma que queiramos o somatório de 5 a 8.

obtemos que o resultado vale para = isso completa a demonstração. pois = =0 =0 . O resultado vale para = ⋅ = ⋅ ⋅ ao supor que valha para + 1. . mas. qualquer expoente = . e. fazendo-nos pensar se é realmente uma definição apropriada. Demonstração: (a): Se nesse caso. =1= = e. = 0. Isso parece contraditório. Duas outras propriedades dessa definição de potência são dadas no teorema abaixo. QED Essa definição é semelhante à de somatório (apenas se trocou a soma pelo produto). definimos o operador produtório desses elementos por: = = ⋅ sempre que está definido. Observação: Os índices do produtório também são mudos.⋅) um corpo com a potência de expoente inteiro definida como acima. No caso de é válido e. mas o resultado apresentado é conveniente por diversos motivos.5. temos é válido para = = ⋅ assim. . +. isto é. temos que: a) b) = = se se ≠ 0. demonstremos o resultado por indução sobre = = 0. afinal. sendo ≠ 0. = ⋅ ⋅ …⋅ e o corolário também continua válido. ou seja. A propriedade demonstrada no Teorema 1. ao supormos que valha para = ⋅ = 1 já que . (b): Demonstremos por indução sobre para = = . o produtório não muda se mudarmos o nome dos índices. ≠ 0 ou = 0. ⋅ = = 0 e.5. 0 = 0. já observando que o resultado = . 0 = 1. O resultado vale para = ⋅ = que vale para mostrando o resultado.1 possui análogo nesse caso (mostre isso).4 (produtório): Sendo ⊂ uma família de elementos tal = . ⋅ = já vendo que o resultado é válido = 1. . Ou seja. a expressão só fica definida com = ≠ 0. temos ) ⋅ = = .9: Sendo . Como será visto. afinal. já que e = . Teorema 1. existem outras mais características do operador produtório que são análogas a alguma do somatório.5. pois = + 1. que a) b) Defninição 1. ou seja.126 Pela definição. = 0.

3 e 1. )↦ / .12: Sendo : ℕ → ℝ tal que ) = 1 + + . ⋅ ∀ . 1.11: Mostre o teorema acima. Já a apresentada na parte (b) é a propriedade telescópica do produtório. = . Teorema 1.5. temos que se ≠0∀ ∈ℕ .127 Para simplificar o tratamento do que será visto a seguir. encontre ). Ora. )= .5. ⊂ Salvo alguns detalhes. Assim.11: Considerando : ℕ → ℝ tal que = .11: Sendo vale: a) b) = = ≠ 0 ∀ ∈ ℕ . quanto é +1= )= e. podemos usar o . De fato. pois Exercício 1.10: Mostre o teorema acima. Assim. sendo = + 1. temos que esse produtório é telescópico )= . : ℕ → ℝ tal que ) = + 1. resultado anterior para encontrar o produtório = e. A propriedade apresentada na parte (a) do teorema acima na verdade é análoga a uma propriedade não apresentada do somatório: − )= − (mostre isso considerando a operação subtração definida para corpos).10: Para o produtório valem as seguintes afirmações: a) b) c) = ∀ ∈ ⋅ = ⋅ = ∀ ∈ ⊂ Exercício 1. Mas algumas das propriedades podem valer para outras estruturas se forem tomados os devidos cuidados. .5. dessa forma. Muitas demonstrações serão deixadas como exercício devido à semelhança com as já feitas para o somatório.10: Sendo +1 = + 1 ? Podemos resolver tal questão observando que +1 = . podemos ver que essas propriedades são análogas às mostradas nos teoremas 1. temos o teorema seguinte. Exercício 1.4. Lembremos que num corpo é sempre possível definir uma operação chamada divisão. vamos admitir que a estrutura sobre é um corpo ordenado.5. Teorema 1.5.2. = = Exemplo 1.5.5.5. ⊂ com /: × ∗ → . .5. Exemplo 1. portanto. onde = ⋅ .5.

. onde .11. ∈ℕ e ⊂ Corolário: = . definimos = Exercício 1.5.10 e 1. = .17: Demonstre o corolário acima.5.12 (comutatividade do produtório): ∀ = . triplo. de forma mais . )= = e os resultados dos exemplos 1. podemos adotar todas as notações já introduzidas para somatórios múltiplos. = .15: Mostre que propriedade de abertura para o produtório.14: Mostre que. ∈ℕ . pois . temos que ) ⋅ 1 = 1. . Também podemos não e. Assim.5. = ) tem-se . = 1. Poder-se-ia obter o mesmo resultado usando o corolário do teorema. Teorema 1. índices serem mudos – apenas se renomeou por e vice-versa).5.128 De forma análoga ao somatório.. e ⊂ tal que = ) tem-se Exercício 1. onde se usou o fato de ) ) = :ℕ → tal que = ) . )= ⋅ ) ser um produto telescópico ) ) = ) . Como o caso é análogo ao do somatório. Exemplo 1. e são tais que as subtrações . para esse caso. ) ) ⋅ ) ) = Teorema 1. é possível que se queira o produtório de um conjunto ⊂ de (1 ≤ ≤ ) a e. .5. Exercício 1. definimos = e querer considerar um determinado elemento de ). ) ) . ∀ ⋅ . . . . ⋅ (1 ≤ ≤ ). : ℕ → ℝ tal que = ⋅ )=1− = . podemos ter expressões do tipo . sendo = ) = ⋅ sempre que está definido. De fato. . temos que )= − )= + ).16: Mostre o teorema acima. o indesejado = com . . (essa última igualdade vem do fato dos = ou. Esse corolário é o resultado análogo ao obtido para o somatório.5. etc.5.5.5.13 (mudança de variável): Sendo : ℕ → . sendo ≥ .13: Mostre que Exercício 1. Essa é a Também não é estranha a idéia de produtório duplo. tal que compacta.5. ) . Exercício 1.12: Considerando .

Para a próxima definição. Não é difícil ver polinômio (expressão da forma que a expressão + ) dá origem a um polinômio. ! = .6 – Teorema Binomial de Newton O Teorema Binomial de Newton é o teorema que nos permite expandir expressões da forma + ) ( . Supondo que valha para + )+1 − ) = = + 1. que não será apresentado agora). Outro resultado é (mostre isso). . )∈ )| ! )! De imediato podemos ver que 1! = 1 ⋅ 1 − 1)! = 1 ⋅ 0! = 0! = 1. ∈ ∈ ) ).3. por outro lado. A segunda igualdade se QED ) )= − )= − ). Definição 1. O teorema é válido para = .2 (coeficiente binomial): O coeficiente binomial é definido pela função ( ): → tal que: . tomemos = . O fatorial é útil em várias áreas na matemática.6. chamados de binômios. = + )= + 1) ⋅ + 2) ⋅ … ⋅ ≥ + ) se >0 . para auxiliar as definições o conjunto tal que que serão feitas. definiremos ) ⊂ ∈ | =0 = 1 ∈ℕ . afinal. ) ⋅ + 1) = − )= ). temos ) − Consideraremos a estrutura . Um resultado que podemos ter é que ! = Demonstremos isso por indução. ou seja.1 (fatorial): Definimos a função fatorial !: 0! = 1 != ⋅ − 1)! sempre que − 1)! está definido. ao supor que valha para = . pois. Definição 1. por um lado. temos que vale para = + 1.⋅) um corpo e. pois = 1 = 1! e. = .6. em um → por: a) b) = 1 ⋅ 2 ⋅ … ⋅ se > 0. Demonstração: Usemos o Teorema 1. )= = ! ! − )! . isto é. . ) facilmente. ) = + + ⋯+ + ). Em especial. pois = ⋅ + 1) = + 1) ⋅ ! = + 1)!. +. − )= + )− que vale para ) ⋅ = ). ) 1.129 feitas sejam positivas (é possível tirar essa restrição num caso mais geral. )= ) e.6. … . ) demonstra analogamente. O resultado vale para = 1. na Análise Combinatória. mas o teorema que será demonstrado nos permite encontrar os coeficientes do polinômio (os . .

130 = = 1e = ! = Duas propriedades que podemos perceber dessa função são ! )! ) + 1.1 (relação de Stifel): Sendo temos que: +1 = + −1 .6. = .1: Mostre que = . De fato. Assim. tomando o lado direito da expressão: −1 = = + + Demonstração: Sendo = = = + + )! + )! = + −1 − 1)! + ) − − 1) ! ! + )− ! + )! + )! + )! + )! + = + − 1)! + 1)! − 1)! ! − 1)! ! + 1) ! ! + )! 1 1 + )! +1+ + = − 1)! ! +1 − 1)! ! + 1) )! + + 1) + + + 1)! = − 1)! ⋅ ! + 1) ! + 1)! + + 1)! + +1 +1 = = ! + + 1) − )! ∈ ≥ . = ! ! )! = ! ! ! =1= ! ! ! = ! ! )! = e Exercício 1. ∈ ) − 0 com ≥ = + + .6. Com efeito: = . temos que vale para + = + 1. ) + 1. Abaixo segue um teorema que nos será necessário na demonstração do Teorema Binomial de Newton. pois = ! ! ) ! = + 1. Ao supor que valha para = = 1 já que já observando que o ) =1= 1+ ) . pois = Podemos ver que o resultado vale para 1+ ) = ) + ) = ) . isto é. Essa definição também é muito freqüente na matemática em diversas áreas. Teorema 1. vale que: 1+ ) = −1 ) Demonstração: Demonstraremos por indução sobre ) resultado é satisfeito para = 0.2 (Teorema Binomial de Newton): Para quaisquer ) . pode-se ver que existe em ) tal que QED e ∈ Teorema 1.6.

Poderíamos ter demonstrado já para o caso QED . Mas o que queremos é o resultado para + ) em geral.131 1+ ) = 1+ ) 1+ ) = = + 1) −1 −1 1+ ) ) ) ) ) −1 ) = = = 1−1 0 −1 + + + −1 ) ) ) −1 −1 = = + + −1 −1 ) ) ) + + −2 ç + á −1 ) ) −2 ) + = = + + + + + +2−2 ) ) −1 + ) −1 −1 = = + çã + = = +1 1−1 +1 −1 ) −2 ) ) −2 −2 ) ) +1 +1 ) +1 +1 −1 + ) = +1 −1 ) +1 ) +1 −1 + +1 +2−1 ) ) E esse é o resultado procurado. embora o resultado acima já seja realmente útil.

vale que: ) Demonstração: Como o resultado é claro para = 0 (esse é um dos motivos de 0 = 1 ser conveniente). calcular esses soma começa de = 0) do binômio + ) é igual à soma dos coeficientes + 1 e do binômio + ) ”.132 geral. se precisa apenas calcular os coeficientes (ou > 0. coeficientes que a expressão + ) por multiplicações sucessivas. Demonstrado o teorema acima. basicamente. podemos “improvisar” definindo ) = 0) + ) se ∈ ℕ. que é uma expressão visivelmente mais 0) se )= simples. temos: + ) = +1 −1 = ) ) = = −1 ) ) = = −1 ) −1 1 ) ) 1 ) −1 QED Existem generalizações do teorema para fracionário e negativo. em geral. a relação = + pode ser vista como “o coeficiente + 1 (lembrando que a se a soma começa de 0). Corolário: Para quaisquer . onde se usou o teorema com se = 1. vamos demonstrar para ≠ 0. mas esses casos resultam em polinômios de infinitos termos (uma série infinita – foram esses os casos que Newton realmente estudou). É muito mais simples. onde se usou o teorema com = −1. Nesse caso. tivemos que enunciar o teorema como feito acima. Dentro do que temos. o resultado geral é um corolário. onde : ℕ ∪ 0 → com 0 ∈ . Considerando os binômios + ) e + ) . podemos reescrever o teorema como + ) = . respectivamente. O Teorema Binomial de Newton transforma expressões da forma + ) em uma soma onde. com coeficientes binomiais. Essa afirmação só faz sentido caso não corresponda a uma . Observação importante: Devido à nossa escolha de não incluir o zero nos naturais. + ) = ∈ e −1 ∈ ). por uma mudança de variável (por enquanto ilícita). =0e a) 2 = b) 0 = Alguns resultados imediatos do teorema são: −1) . da forma e . mas a relação de Stifel nos traz mais um resultado facilitador. No entanto pode-se ver que. mas tornaria a demonstração mais complicada.

Nos exercícios 6. 7 e 8.133 extremidade do binômio ( = 0 ou = + 1 no caso de sabe que nas extremidades o coeficiente binomial é 1. no entanto se Começando pelos binômios + ) = 1. 1 – Mostre que o Princípio da Boa Ordem implica o Princípio da Indução (Axioma 1. é par ou ímpar e não pode ser ambos. + ) ). + ) ∈ . Assim. ∈ ⇔ . Realizando sucessivamente esse processo obtemos os seguintes resultados: = 0: 1 = 1: 1 1 = 2: 1 2 1 2=1+1 = 3: 1 3 3 1 3 = 1 + 2 = 2 + 1 = 4: 1 4 6 4 1 4 = 1 + 3 = 3 + 1 6 = 3 + 3 ⋮ Como se pode ver. . Não é difícil verificar . Mais precisamente. existe ∈ ℕ de forma que = ∈ ℕ| = múltiplos de ). + e − . é simples obter essa sucessão (chamada de Triângulo de Pascal). Mostre que. Por exemplo.1. sendo o conjunto dos naturais pares e o conjunto dos naturais ímpares. por exemplo. que possui coeficientes binomiais 1 e 1. onde + ) . 2 e 1.6. 2 – Um número natural é dito par se existe ∈ ℕ tal que = 2 e um número é dito ímpar se existe ∈ ℕ tal que = 2 − 1. considere que as propriedades operacionais e de ordem são a de um corpo. Considere também que ∈ | =0 = ) = ∈ ℕ . os coeficientes de + ) são 1. dado um ∈ ℕ. mostre que ℕ = ∪ e que ∩ = ∅.2: Faça a expansão dos binômios Exercícios III – 1 Durante os exercícios. considerando o binômio + ) = até 0 ao passo que o de cresce de 0 até + ) pode ser escrita como + ) = usamos o Triângulo de Pascal.3). donde se tem que o coeficiente é 1. as demonstrações não precisam ser 1 de todo rigorosas (como feito no Exemplo 1. Mas. 3 – Dado ⊂ ℕ não vazio tal que . onde o primeiro e o último são 1 por serem extremidades e o segundo se obtêm por = = + = 2. mostre que ∈ ℕ (conjunto dos . Exercício 1. além dos coeficientes. temos que ter os expoentes. o expoente de decresce de que.3. e + ) = + .1). podemos obter os coeficientes dos binômios com > 1 pela relação de Stifel. a expressão +4 +6 +4 + .

134 4 – Mostre que todo natural par ∈ ℕ e ímpar. a) 6 ⋅ = = + 1) 2 + 1) + 1) ≥ pode ser escrito como =2 para algum

5 – Usando indução, mostre que:

c) d) e)

b) 4 ⋅

6 – Torre de Hanói é um conhecido jogo constituído de três hastes (1, 2 e 3) e um conjunto de discos com diâmetros distintos, os quais colocados em ordem crescente de diâmetro na haste 1 (contando de cima para baixo). O objetivo é passar esses discos para a haste 3 com o menor números de movimentos possível (um movimento consiste em passar um disco de uma haste para outra). As regras são as seguintes: a) Só se pode mover um disco de cada vez. b) Só se pode mover o disco de menor diâmetro numa haste. c) Um disco de diâmetro menor nunca poderá estar embaixo de um disco de diâmetro maior. Mostre que o menor número possível de movimentos para uma Torre de Hanói com discos é 2 − 1. Compare o resultado com o do item (c) do exercício anterior e interprete-o. SUGESTÃO: Use indução e observe que, para uma torre de ( > 1) discos, precisamos colocar − 1 primeiros discos na haste 2 para ser possível passar o último (de diâmetro maior) para a haste 3.

2 =2 −1 !>2 ∀ ≥4 ≥ se ≥ e

.

7 – Considere retas num plano. Mostre que o “mapa” formado por essas retas pode ser colorido com duas cores sem que regiões vizinhas sejam coloridas com a mesma cor (uma região é vizinha de outra se existe um segmento de reta separando-as).

135 8 – Considere o grupo diedral e os grupos diedrais , onde ∈ ℕ. que é isomorfo a . SUGESTÃO: Mostre que existe um único subgrupo de Consulte o resultado do exercício 14, Exercícios II – 6. Observe que de um polígono regular de 2 vértices para um de 2 vértices se dobra o número de vértices. Pode-se imaginar a construção desse polígono com o dobro de vértices acrescentando esses vértices nos lados do polígono anterior, como ilustrado abaixo, onde se passa de um triângulo para um hexágono.

Demonstração: Demonstremos por indução. O resultado é válido para = 1, )= ) . Supondo que seja válida para = , isto é, )= pois com ∈ e possuindo elementos, temos que é válida para = + 1. De fato, pois, considerando com + 1 elementos e tomando dois elementos quaisquer distintos , ∈ , temos que = − e = − possuem elementos e, pela )= )= )= hipótese indutiva, e , que implica ∪ )= )∪ )= , mostrando o resultado. *: De forma geral, uma função : → é dita constante quando para algum ∈ , ou seja, quando a imagem de é um conjunto unitário. Teorema 2: Considerando ∈ e ∈
)

Teorema 1: Uma função : → tal que possui elementos (indexado pelos primeiros números naturais) necessariamente é uma função constante*.

9 – Os seguintes “teoremas”, claramente falsos, possuem falhas em suas “demonstrações”. Encontre essas falhas:

)=

− 0 , temos

= .

Demonstração: Usaremos a indução completa para demonstrar esse teorema. O resultado é válido para = 1, pois = . Supondo que seja válido para ) todo ∈ 1, … , , temos que é válido para = + 1, afinal = =

=

10 – Sendo : ℕ →

= .

)

e

∈ , mostre que

136
)

=

)

11 – Encontre formulas para as seguintes expressões: a) b) c) d) e) f)
,

com com 2
)

1+

≤ . ≤ .

12 – Mostre que: a) b) c) d) e) f) g) h) i) 1) −1) = = 1 e −1) = 2 + 1) .
)

,…,

=

=

+ 1)

= −1 com =

)

=

=

SUGESTÃO: Aplique o teorema binomial à

+

que )

13 – Considere a função : ℕ → de forma que , ) = 0, onde ∈ )− 0 . , 14 – Seja = ∘ …∘ uma família de funções . :

=

)

)

, )=− →

, ). Demonstre ∘ …∘

, mostre que

2 – Conjuntos Finitos e Infinitos; Aritmética de Cardinais
Uma das motivações para se ter o conjunto dos naturais é conseguir contar elementos de um conjunto. Nessa secção daremos uma noção rigorosa do que seja contar elementos de um conjunto (finito). Além disso, veremos também que existem infinitos distintos e que o conjunto dos naturais possui a menor cardinalidade infinita. 2.1 – Conjuntos finitos Definição 2.1.1 (conjunto finito): Dado um conjunto finito se é vazio ou existe ∈ ℕ tal que : ℕ → é bijetora. dizemos que esse é

pois não existe natural elemento. QED Desse resultado podemos obter fundamentais sobre conjuntos finitos. então ∘ :ℕ bijeção e. então = . Corolário 1: Sendo : ℕ → ℕ como corolários = alguns resultados Demonstração: Se < . se ⊂ ℕ . A definição corresponde ao que entendemos intuitivamente por contar elementos de um conjunto. É comum denotarmos | | como o número cardinal de (notação já introduzida no primeiro capítulo).137 Vemos que isso significa que o conjunto é vazio ou é indexado por ℕ e.1. 2 ↦ 2) = ) = ). pois se está fazendo uma correspondência um-para-um entre os naturais do conjunto ℕ e os elementos de (1 ↦ 1) = . se < .1: Se ⊂ ℕ é uma inclusão própria. se redefinirmos ⊂ℕ para : uma inclusão própria. QED Demonstração: Ora. então é uma bijeção entre ℕ e ℕ e. A bijeção é chamada de contagem dos elementos de e é chamado de números de elementos ou número cardinal de . que um conjunto finito só pode ser associado a um único número cardinal. se e são bijeções.7) que esse conjunto possui menor > 1. |∅| = 0. Ou seja. teremos era o menor uma bijeção entre . Logo se vê que menor que 1. assim. . podemos escrever = (quando não é vazio). pelo corolário acima.…. isto é. Demonstração: Consideremos o conjunto de todos os números naturais para os quais existe uma bijeção : → ℕ com ⊂ ℕ sendo uma inclusão própria. isso só pode acontecer se = . Para o conjunto vazio.3. então : → ℕ pode ser bijetora somente se = ℕ . Ora. chamemos esse de . ↦ Teorema 2. associamos o símbolo 0 para indicar sua cardinalidade. então é uma bijeção entre ℕ e ℕ . peguemos − )→ ℕ . ∈ Sendo tal que : )= →ℕ uma bijeção e eℕ − . . uma bijeção. Ambas as situações absurdas pelo teorema. contrariando a hipótese de que natural para o qual isso seria possível. → ℕ é uma QED Esse corolário mostra que o número cardinal está bem definido. então . Corolário 2: Se : ℕ → e :ℕ → são bijeções. De forma equivalente. Segue do Princípio da Boa Ordem (Teorema 1. então não existe bijeção : → ℕ .

QED ∈ Corolário 4: Sendo própria. usando o teorema. assim. inclusão própria. Mostremos isso. O teorema é evidente para = 1 e. ) e :ℕ → ) é uma bijeção. que )= ) = . podemos fazer + 1) = e. existe uma bijeção : → tal que → é uma bijeção. existe uma bijeção : ℕ → para algum ∘ ∘ :ℕ → ∈ ℕ. é sobrejetora. implica que é finito.138 Corolário 3: Se somente se. Disso obtemos que dessa forma. então existe ⊂ ℕ tal que : → ℕ é uma bijeção e.2: Um subconjunto de um conjunto finito é também um conjunto finito. ao supor que vale para = .1. o teorema é claro para = ∅. já que a inclusão ⊂ é própria. ⊂ − − − é finito com elementos que. sendo )= . então é injetoras ou sobrejetoras). se é sobrejetora. se a inclusão é própria. Demonstremos o teorema por indução sobre . Ora. mas. Como é finito e não vazio. definamos tomando )= Demonstração: Sendo e )= ) quando ∈ . QED Corolário 1: Sendo um conjunto finito. ℕ é injetora ou sobrejetora respectivamente (é uma composição de funções ∘ ∘ de . temos que: Teorema 2. então. mas distinto de e . pela hipótese indutiva. . se = nada se tem para mostrar. ∘ ∘ : ℕ → é uma bijeção e isso é uma contradição pelo teorema. Facilmente se vê )= e definida dessa forma é uma bijeção. e Demonstração: Sendo finito. é um conjunto finito. isto é. Quando não é vazio. então : → é injetora se. Lema 2.1: Se e são finitos e : ∈ . ∘ : ℕ → é ) = ⊂ ℕ deve ser uma uma bijeção. ⊂ QED uma inclusão Demonstração: Suponha que exista uma bijeção : → . existe uma bijeção : ℕ → para algum ∈ ℕ e. sendo ℕ ) = . e . sendo : ℕ → uma bijeção. existe bijeção : ℕ → . temos que vale para = + 1. e somente se. só ocorre se = ℕ . pois. Portanto também é uma bijeção nesse caso.1. Chamemos sobrejetora. QED Demonstração: Sendo um conjunto finito. isso só ocorre se = ℕ . um subconjunto de é finito. pelo teorema. Se é injetora. Usando o lema. existe ∈ tal que ∉ . não existe bijeção : um conjunto finito não vazio e → . Por outro lado. Chamando : → a bijeção obtida pela restrição do domínio a . : ℕ → é uma bijeção e. Considerando a bijeção : ℕ → e um subconjunto ⊂ . A função : → é injetora ou sobrejetora se.

∗) e um ∗ = . )= (b): Por : → ser injetora. Demonstração: (a): Como é sobrejetora. Corolário 2: Um subconjunto de ℕ é finito se. Dessa forma. esse possui máximo (veja Exercício 1. é uma coleção de conjuntos tais que ao menos um é ∈ um conjunto finito. Por esses conjuntos serem finitos e : ℕ → . o resultado é imediato. pelo Corolário 1 do teorema acima. e somente se. então vamos supor que não são vazios.139 a) Se : b) Se : → → é sobrejetora. podemos restringir o contradomínio a ⊂ e disso obter : → bijetora.o QED é finito. existe ⊂ tal que : → é bijetora. existe bijeção : ℕ → . Demonstração: Se é finito. é comum serem usadas as notações . então podemos escrever Considerando o somatório desses elementos. QED Observando bem esses resultados. mostrando que é finito. temos que qualquer que seja . dada uma estrutura elemento ∈ . temos que existem bijeções : ℕ → podemos ver que ℎ: ℕ → + tal que ℎ ) = + é uma bijeção. existe : ℕ → bijetora. então é finito. ∪ ⊂ . Teorema 2. temos a sobrejeção ∪ ∘ ℎ : ℕ → ∪ . ∘ : ℕ → é uma bijeção. Fazendo a união dessa função com a e vendo que ℕ ∪ + =ℕ . mas também não vazios. Logo. temos que é finito e. já que ∘ : ℕ → é uma bijeção (composição de bijeções). concluímos que ∪ é finito. se ⊂ ℕ é um conjunto limitado. então é finito. pelo teorema concluímos que é finito.1. pois . Observação importante: De forma geral. logo se vê que ⊂ ℕ . é finito. Logo.3: Se e são conjuntos finitos. Do teorema temos que é finito e. QED Corolário 3: Se finito. portanto. .donde. ∘ℎ : + → é uma bijeção. é limitado. então ∈ é finito. Como ℕ é finito.5) e. Dessa forma. então Demonstração: No caso se algum desses conjuntos ser vazio. assim. sendo esse ∈ ℕ. Pelo teorema. pode-se ver que todos são “óbvios” pelo que entendemos intuitivamente por conjunto finito. Reciprocamente. ∈ = + ≤ QED ⊂ ℕ. Sabendo que resultado segue imediatamente do teorema.3. é injetora. Demonstração: Seja ∈ é limitado.

1. ℕ não é finito e. Teorema 2. mas é equivalente a dizer que um conjunto é infinito quando não é vazio e não existe bijeção : ℕ → qualquer que seja ∈ ℕ. mostre que × é finito. Exercício 2. não existe ∈ ℕ tal que esse seja o número de elementos de um conjunto infinito. é infinito.1: Se é infinito e é finito.2: Se é infinito. portanto. donde temos que QED .2. − QED é infinito. onde ∈ − )).1. Por exemplo.1. = 1. Ou seja.140 ∈ | = ∗ ∈ e ∗ = ∈ | = ∗ ∈ .1: Sendo e Generalize para o caso com Exercício 2. é injetora Demonstração: A função sucessor. Definição 2. assim. sendo )∈ :ℕ → definida por > . Do Corolário 3 do Teorema 2. então existe função injetora : ℕ → . ) ao passo que − )). por ∩ ⊂ .2 – Conjuntos infinitos é uma família de conjuntos finitos. Exercício 2. sendo uma família de conjuntos finitos. onde ⊂ . Tomando + 1. então Demonstração: Definamos uma coleção : ℕ → ∈ℕ de funções injetivas ). ) com ∈ e = ∪ 2. +ℕ )= +ℕ = +ℕ ⋅ . mostremos ∩ ≠ . temos que esse é finito e. ) onde ∈ − Supondo já conseguidos as primeiras funções injetivas :ℕ → com = ∪ . se então é finito. que ∩ Demonstração: Sabendo que − = − ∩ e que ∩ ⊂ . poderíamos ter escrito o conjunto + como + ℕ = ∈ ℕ| = + ∈ ℕ . Teorema 2.1. Essa definição parece vazia.3: Mostre que 2. )∈ )≠ ). pois.1: ℕ é infinito. )= ). conjuntos finitos. : ℕ → ℕ tal que sem ser sobrejetora. essa é injetora. de forma indutiva. já que − ) ≠ ∅ pelo lema. é evidente que ≠ . Outro exemplo é que podemos escrever o conjunto dos naturais pares como 2 ⋅ ℕ = ∈ ℕ| = 2 ∈ℕ . podemos fazer = ∪ ) com ∈ − )). o que é intuitivo. ) = + 1.2: Mostre que.2. Ora.2.2.1. ) para > 1.1 (conjunto infinito): Um conjunto é infinito quando não é finito. QED Lema 2.

1. e somente se. se é infinito. na demonstração do corolário. é uma bijeção. mostrando que é infinito. que “os pares são tão numerosos quanto os naturais”. a composição ) é uma bijeção. O resultado do corolário é contra-intuitivo. No entanto o corolário acima nos diz que isso não só pode acontecer.141 Corolário: Um conjunto esse e alguma parte própria sua. Ao vermos que uma bijeção é uma correspondência um-para-um. ∈ ∈ Demonstração: Basta observar que. Além da função sucessor. donde o resultado segue imediatamente do teorema. obtemos ∪ ℎ: → − é uma função bijetora entre e sua parte própria − . existe função injetora : ℕ → . pode-se ver que :ℕ→ ↦ . Por simplicidade. mas também que é necessário para considerarmos um conjunto infinito. Como a função sucessor bijeções : ℕ → : ℕ− 1 )→ ∈ℕ e ℕ− ∘ ∘ definida como : ℕ → ℕ − 1 ) é uma função bijetora. QED Observação: Observe que.3: Se é infinito e ⊂ . de forma equivalente. sendo infinito. Demonstração: Como é infinito. mas a existência de uma bijeção entre ℕ e nos diz que “existem tantos pares quanto naturais” ou.2. é infinito em virtude do Corolário 4 do Teorema 2. então é infinito.1. Reciprocamente. temos a função injetora : ℕ → . existe bijeção entre Demonstração: Pelo teorema. Considerando a função ℎ: − − ∈ℕ ) → ∈ℕ ) tal que ). se existe bijeção entre e um subconjunto próprio desse. QED Corolário 1: Seja um seja infinito. pois se mostrou que a existência de uma função injetora : ℕ → implica a existência de uma bijeção entre e alguma parte própria desse conjunto. ou seja. Dessa forma. um conjunto . se demonstrou a recíproca do teorema. então existe função injetora : ℕ → . QED . onde é o conjunto dos pares naturais. a idéia de que possa existir uma bijeção entre um conjunto e alguma parte própria desse parece absurda. temos as ). é infinito se. que ℎ ) = . bastando estender o contradomínio para . uma coleção de conjuntos de forma que ao menos é infinito. uma relação que toma um elemento de um conjunto e relaciona a um único de outro conjunto. Denotemos a imagem dessa função por ∈ℕ . vamos escrever : ∈ℕ → ℕ− ∘ ∘ = . ao unirmos essa função com a anterior. Então ⊂ ∈ ∈ ∈ Teorema 2. Intuitivamente poderíamos pensar que o conjunto dos pares naturais corresponde à metade dos naturais.

temos a existência da − ). é.1: Demonstre o último corolário. Ora.2 como “todo conjunto infinito possui um subconjunto infinito enumerável”. Demonstração: Se ou é finito.3 – Conjuntos enumeráveis Definição 2. Definamos : → ℕ de forma que pois. Tomando Ω = teorema. temos ∘ : ℕ → bijetora. Corolário 1: Se ℕ ∩ + 1. ∈ℕ .2. temos a bijeção : ℕ − Ω) → . assim. Ora. sobrejetora. então é infinito. então. sendo um conjunto infinito. temos: injetora.1: Todo subconjunto de ℕ é enumerável. …. então suponhamos que ambos sejam infinitos. ∈ ). Demonstração: Se é finito. ℕ já conseguidos. Assim. Veremos mais adiante que isso significa que o infinito enumerável é o menor dos infinitos.1: Um conjunto é dito enumerável se é finito ou existe bijeção : ℕ → . completando a demonstração. supondo indução: sendo o menor elemento de . Essa função é injetora. … . existe ⊂ tal que : ℕ → é bijetora. Teorema 2.2. 2) = . é enumerável. ) fazendo ∩ = )= ℕ ℕ = min ∩ ∩ ∪ = −ℕ com . sendo > ( . então seja ) = |ℕ ∩ |. tenhamos ∩ ∩ = ℕ = )= ℕ ∪ ∩ = 1. então e e uma função : → QED temos: ⊂ é enumerável. ou seja. infinito.3. portanto. essa chamada de enumeração dos elementos de . fazendo |ℕ ∩ | ≠ |ℕ ∩ |. poderíamos enunciar o Teorema 2. Corolário 2: Considerando os conjuntos a) Se é injetora e é enumerável. temos = escrevemos 1) = . Observamos que. donde se tem ∩ = = min − de que | ∪ | = | | + | | − | ∩ |. existe função injetora : ℕ → e. A demonstração de que é sobrejetora pode ser feita por )= ℕ ∩ =| | = 1 e. então é infinito. 2. quando existe bijeção ) = . … .142 Corolário 2: Considerando os conjuntos a) Se b) Se é infinito e existe : é infinito e existe : → → e . )= ℕ + ) (1 < ≤ ). assim. Exercício 2. Como no caso de conjuntos finitos. :ℕ → . ℕ ∩ ⊂ ℕ ∩ é uma inclusão própria.3. nada temos para demonstrar. existe : ℕ → ℕ − Ω) bijetora e. De ser infinito. infinito e enumerável. nada temos o que demonstrar. pelo bijeção : ℕ → . ℕ − Ω é enumerável e. . onde foi utilizado o fato não demonstrado ainda QED é enumerável.

Tomando ⊂ ℕ tal que ∘ : → seja bijetora. ímpares) e Exemplo 2. é enumerável. temos. dado = 2 2 − 1) ∈ℕ para > 1. o qual enumerável pelo teorema. Para o caso da união de um número finito de conjuntos. Essas funções também são sobrejetoras. é suficiente ter uma aplicação injetiva : ℕ → ℕ. ) é uma sobrejeção. vamos decompor ℕ numa coleção infinita enumerável de conjuntos onde cada é infinitos enumeráveis disjuntos dois a dois. ao tomarmos a união de todas. Definamos a coleção = 2 − 1 ∈ℕ (conjunto dos ∈ℕ da seguinte forma: partição de ℕ. finalmente. → é bijetora. demonstrando o teorema. Ou seja. . portanto.3. Então basta mostrar que ℕ é enumerável. ∈ℕ com Exercício 2. Como os forma que . ℎ: ℕ → × tal que ℎ . temos a família de funções sobrejetoras :ℕ → :ℕ × → ∈ℕ . é QED Com a parte (b) do corolário acima.143 b) Se é sobrejetora e é enumerável.3. ∘ : → ℕ é injetora. que será demonstrado na próxima secção). Os conjuntos são disjuntos. assim. sejam e conjuntos enumeráveis. podemos afirmar que um conjunto enumerável quando existe função sobrejetora : ℕ → . ) = 2 3 . (b): Tomando ⊂ tal que : enumerável e. )= domínios dessas funções são disjuntos. Observando que ∈ℕ ℕ × =ℕ× = ℕ × ℕ e que ∈ℕ = . é Corolário 3: O produto cartesiano de dois conjuntos enumeráveis é enumerável. Demonstração: (a): Basta observar que existe : ℕ → bijetora e. Definamos a coleção ∈ℕ de ). Pelo Corolário 4: Sendo é enumerável. essa é uma bijeção entre e um subconjunto de .1: Como exemplo de uma união enumerável de conjuntos enumeráveis. Demonstremos que ∈ ℕ e sendo ∈ℕ é uma com e . ∈ℕ uma família de conjuntos enumeráveis. Existem sobrejeções : ℕ → e : ℕ → e. dessa forma. Corolário 2.1: Mostre que ℕ com QED natural é enumerável. então é enumerável. isto é. temos a função sobrejetora ∈ℕ : ∈ℕ ℕ × → ∈ℕ . pois a decomposição de um natural em primos é única (Teorema Fundamental da Aritmética. ) = ). basta termos a família = para > . QED ∈ℕ Demonstração: Com efeito. do Corolário 1. pois. Tal é obtida definindo . = Demonstração: De esses conjuntos serem enumeráveis. que ∈ℕ : ℕ × ℕ → é uma ∈ℕ sobrejeção. ℕ = ∈ℕ infinito e disjunto de todos os outros (veja que se trata de uma partição de ℕ).

1 ℕ pode ser igual a 0. temos )≠ ). seja ) o m-ésimo termo da seqüência .1 . se ∈ ℕ é ímpar. como será mostrado mais adiante.0.0. Se 2 ∈ . No entanto a existência de bijeção entre conjuntos infinitos continua sendo um critério intuitivo para afirmar que são de mesmo “tamanho”. Para o caso de ≠ . De fato existem. Um exemplo mais simples de conjunto não-enumerável segue abaixo. ou seja. 0. Com efeito. se = . No entanto não se trata de uma relação de equivalência porque a definição se estende a todos os conjuntos e não . Nesse caso.1 (equipotência): Dados os conjuntos e esses são ditos equipotentes quando existe bijeção : → . De fato. Com efeito. 2 Como veremos.1. Agora demonstraremos que um natural pertence a algum desses conjuntos. então ∈ e. contrariando a hipótese de que é ímpar. mas não se pode falar em números de elementos para conjuntos infinitos como se faz mais costumeiramente. se é par.1 . para todo natural.4 – Equipotência de conjuntos É natural. … )). Pode-se ver que ~ e.0. além disso. mostraremos que nenhum subconjunto enumerável de 0. Para tanto. Construamos a seqüência com ) = 0 se )=1 e ) = 1 se ) = 0.1 ℕ. Também podemos pensar 0.144 < . ≠ qualquer que seja já que Dessa forma. seja = + e um elemento =2 ∈ ( ímpar). o conjunto 0. pois. mas isso leva a um absurdo. Definição 2. Mas já deixamos a entender que existem conjuntos infinitos que não são enumeráveis. para conjuntos finitos. existe natural e ímpar de forma que = 2 . Tomando um subconjunto enumerável ∈ℕ ⊂ 0. pois teríamos = 2 . fica demonstrado que não é ∈ℕ ≠ 0. que tenham mesmo número de elementos quando existe bijeção entre esses. então ~ e.1.1 .3. se ~ e ~ . a relação de equipotência possui as propriedades de uma relação de equivalência. 2.4. então ~ (demonstre essas afirmações).1 .1 enumerável.0. O conjunto dos reais não é enumerável. não pertence a ∈ℕ . então ∉ .2 (conjunto não-enumerável): Consideremos o conjunto 0. se ~ . Assim. pois ℕ ℕ )≠ ). ℕ = ∈ℕ e ∩ = ∅ sempre que ≠ .1. Portanto. se ∈ . Ou seja.1. O exemplo ainda mostra que o produto cartesiano de uma coleção enumerável de conjuntos em geral não é enumerável. vê-se isso pelo fato de ser um conjunto de pares qualquer que seja > 1. escrevemos ~ . ℕ O raciocínio desenvolvido acima para demonstrar que 0.1 ℕ é o conjunto de todas as seqüência com zeros e uns (seqüências do tipo 1.1 ℕ não é enumerável é chamado de método da diagonal e é devido a Georg Cantor.1 ℕ como o conjunto de todas ℕ as funções : ℕ → 0. Vamos mostrar que ele não é enumerável. Assim. então =2 para algum ímpar. Exemplo 2. exemplos de conjuntos enumeráveis além dos subconjuntos de ℕ são o conjunto dos inteiros e o dos racionais.

) = e que. QED Demonstração: Tomando : − )~ − ) e a função identidade . não é interessante saber o que é um número natural e sim como os manipulamos. ~ e ~ com ∩ =∅= ∩ . temos ∪ ∪ QED Exercício 2. e ficará mais claro ao longo do texto. através da definição. mas também aos infinitos. então existe ℎ: ∪ Demonstração: Seja : ~ e : ~ . Como já foi percebido. buscaremos não só ligar números cardinais aos conjuntos finitos. Observação: Podemos.2: Dados os conjuntos 2. Teorema 2.4. não nos importa muitas vezes o que sejam os objetos matemáticos em si. a relação de equipotência é uma relação de equivalência. em toda coleção de conjuntos. mas como podemos manipulá-los. então × ~ × .2: Se ~ e ~ . Dessa forma. ) .4. Corolário: Se − )~ − ). ∪ − )∪ ∪ − Δ )= e − ) ∪ ∪ − Δ ) = . definamos ℎ: × → × de ).5 – Números cardinais e . pode-se ver que − )∩ ∪ − Δ )=∅= − ) ∩ ∪ − Δ ). Demonstração: Dados : ~ e : ~ . QED Teorema 2. Nessa subsecção. Por exemplo. portanto.1: Se ~ ∪ .4. × ~ × . Os números cardinais associados aos conjuntos infinitos indicam quantidade de elementos num sentido mais amplo e não mais restrito à simples contagem. então ~ . vamos considerar todos os conjuntos em questão não vazios.1: Complete os detalhes na demonstração do corolário acima. teorema. Não é difícil verificar que tal função é uma bijeção forma que ℎ . Para conjuntos finitos.145 existe um conjunto de todos os conjuntos. Nos teoremas que se seguem. mostre que × ~ × . De fato introduzimos os naturais através de suas propriedades e a idéia de número natural . usando o ): ~ .4. introduzir a seguinte notação para funções bijetoras: : ~ . SUGESTÃO: Lembre-se que = − )∪ − ) e use diagramas para visualizar o resultado. temos ∪ = ℎ): ∪ ~ ∪ . a idéia de número cardinal está ligada à de indicar quantos elementos um conjunto tem. Exercício 2. Entretanto segue que. Como os domínios e contradomínios são disjuntos.

de forma um pouco simplista. 2. Vamos convencionar que. que 5 > 2. Não podemos aplicar a ordem dos naturais aos cardinais transfinitos e também não é satisfatório que tenhamos critérios diferentes para tratar a ordem de cardinais finitos e transfinitos. Axioma 2.5. então | | = .4 podem ser obtidos como resultados no caso de conjuntos finitos. 0 ≤ . para os cardinais finitos distintos de 0. Assim. vamos introduzir os números cardinais de forma axiomática.5. essa definição reproduz a ordem de números naturais.5.1 ℕ . Axioma 2.4: Dados os conjuntos Os axiomas 2. pelo Axioma 2. Pode-se. e . Mas para cardinais transfinitos os axiomas que tomamos apenas indicam quando são iguais. A definição abaixo é intuitiva cumpre esse papel. para todo número cardinal .5. No entanto é de se esperar que possamos dizer que um cardinal transfinito é maior que outro. mas lembremos que queremos tratar também dos cardinais associados a conjuntos infinitos e. se | | = e | | = . dizemos que | | é menor ou igual a | | e denotamos | | ≤ | | quando existe aplicação injetiva : → .3: Se ~ Axioma 2.5.5. mas sim suas propriedades. SUGESTÃO: Basta mostrar que . A unicidade do número cardinal é garantida pelo fato de que ~ .1: Cada conjunto está associado a um número cardinal.6.4. pois.1: Considerando os conjuntos e .3 se referem aos números cardinais dos conjuntos finitos e afirmam que 0 e cada número natural são números cardinais. pois afirmam a existência de números cardinais associados a esses conjuntos e como podemos dizer que um número cardinal é igual a outro.1 e 2. denotado | |. e cada número cardinal está associado a algum conjunto de forma que | | = .2: | | = 0 ⇔ para algum =∅ ∈ ℕ.5. o que buscamos é uma definição que reproduza a ordem dos cardinais finitos e seja aplicável aos cardinais transfinitos.2 e 2. Exemplos de números cardinais transfinitos são |ℕ| e 0. Seguindo essa linha. Os axiomas 2. ditando não o que seja um número cardinal.146 foi tomada como primitiva (não definida).1: Mostre que. Axioma 2.5.6 – Ordenação de números cardinais Para cardinais finitos. existe uma ordem (total) herdada da dos números naturais e podemos dizer. esses axiomas são necessários.| |=| |⇔ ~ . pensar um número cardinal como a propriedade que um conjunto compartilha com todos os conjuntos equipotentes a ele. Os números cardinais associados a conjuntos finitos são chamados de cardinais finitos e os associados a conjuntos infinitos são chamados de cardinais transfinitos. como os naturais.6. nesse caso. por exemplo. Exercício 2. Definição 2.5. então = .

6.3. e números cardinais tais que Demonstração: Com efeito.3: Mostre que. Teorema 2. ∈ ℕ tal que Como se sabe. ℵ ≤ .147 para esses cardinais | | ≤ | | é equivalente a | | = | | ou existe | | + = | |. se ⊂ ⊂ e ~ . Bastando fazer a composição. existem as funções injetoras : → e : → .6.2. temos a função injetora ∘ : → . existe função injetora : ℕ → .3 (transitividade): Sejam . Por definição.2. mas não existe ⊂ tal que ~ e = .6. se : → é injetora.5. ≤ Teorema 2. Pelo Teorema 2.6. já observando que ≤ qualquer que seja o número cardinal . e respectivamente. então | | ≤ | |. Exercício 2. donde se conclui que ≤ . Ou seja. QED Como já havia sido mencionado. Exercício 2. então ~ . : → ↦ < ℵ para todo cardinal finito .1: |ℕ| < 0. Exemplo 2. ℵ ≤ .1: Para todo cardinal transfinito . Também é interessante termos a notação | | < | | para indicar que ~ para algum ⊂ . como demonstrado no Exemplo 2.2: Mostre que Teorema 2. esses cardinais estão associados a conjuntos e sejam esses . e ≤ . Demonstração: Pelo Axioma 2.2. .1. poderíamos reescrever a definição afirmando que | | ≤ | | quando ~ para algum ⊂ . então existe ⊂ tal que : → seja bijetora. que só é equipotente a subconjuntos próprios de . QED As duas propriedades que ainda faltam serem demonstradas para completar as características de ordem total não são resultados triviais. o enumerável é o menor dos infinitos. está associado a algum conjunto (infinito). Seja esse . Demonstração: Basta tomar resultado. Logo.2: Se ⊂ .1 ℕ Observação: A partir de agora passaremos a usar a notação |ℕ| = ℵ (lê-se “álef-zero”). ou seja. Demonstraremos . então ≤ .6. donde se conclui o QED Demonstraremos agora que a ordem apresentada possui as propriedades de uma ordem total. (uma função injetora).6.

supondo que existam . para isso. )= ∈ − ) )⊂ . portanto. assim. Por último. Façamos algumas observações. então ~ . pois − )= − ) = − . mas. afinal. Assim: )= = = − )∪ − )∪ − ∈ )= ∈ ∪ℕ − ) = ∈ ∪ℕ − ) = ∈ ∪ℕ − )= ) ) = )= Onde usamos − − ) ∪ − − ) devido ao fato de que ) ∩ − ) = ∅. não é uma relação (binária) de fato. Também temos que ∈ℕ Lema 2. então suponhamos que ⊂ seja uma inclusão própria. ∈ )= ). basta = . demonstraremos um caso particular como lema. − )∩ − ) = ∅. pois − ) − )= − )= − ) e. Comecemos = . − ) ⊂ .148 primeiro a anti-simetria (Teorema de Schröder-Bernstein). pode-se afirmar que todo conjunto formado por números cardinais é totalmente ordenado com a definição de ordem acima. mas não demonstraremos isso.1: Se ⊂ e existe função injetora : → . os números cardinais são bem ordenados (todo conjunto de números cardinais possui menor elemento). mas podemos ter conjuntos formados por números cardinais (ℕ é um exemplo) e. : → é uma bijeção e. definindo = ∈ ∪ℕ − ) onde )= ) ∈ Agora seja : → tal que . Se = .6. ~ . = − =∁ ∁ = = = = − ∪ℕ − ) ∪ ∈ℕ − − − − ) ∩ − ) ) − ) ∪ − ) ∩ − )∪ − − ) ) ∈ℕ − ) ∪ ∈ℕ ) ∩ − ∪ ) − ) ) ) ∪ . = e = ∘ para > 1. que tais que é uma contradição (lembrando que o contradomínio de é ). sendo > . Ou seja. temos ) = )⇒ ) = ∈ ∩ − ). Segue do resultado que )= ) = . Observação 1: Estamos falando de características de uma relação de ordem total porque não existe um conjunto de todos os números cardinais. Observação 2: Na verdade. Como essa função é injetora. − ) ⊂ . Demonstração: Devemos mostrar que existe bijeção : → .

Demonstração: Supondo falso | | ≤ | |. Lema 2. pelo lema. não existe função injetora de em . Pelo lema. dessa ∘ ℎ: ~ .4 (Teorema de Schröder-Bernstein): Dados os conjuntos e . forma. ∘ : → é injetora.6.6. Demonstração: Sejam ⊂ e ⊂ tais que ~ e ~ e consideremos as bijeções : ~ e : ~ . então ~ . : → é uma função injetora.5: Mostre que | | ≤ | | se. Assim. existe função sobrejetora : → . QED Teorema 2.4: Demonstre esse corolário. Exercício 2. se é equipotente a um subconjunto de e é equipotente a um subconjunto de . Exercício 2. Corolário: Sendo e números cardinais tais que ≤ e ≤ . ou existe função injetora de ou existe função injetora de em . isso implica que existe função injetora : → .2: Sendo e conjuntos não vazios. .5: Considerando os conjuntos e . e somente se. donde concluímos que | | ≤ | |.6. Restringindo o domínio de a . temos = .149 QED O esquema abaixo ilustra o raciocínio usado na demonstração acima. em Demonstraremos esse lema ao final dessa secção porque alguns conceitos devem ser introduzidos. Agora será demonstrada a totalidade para essa ordem. | | ≤ | | ou | | ≤ | |. então QED Teorema 2. mostrando o resultado.6. existe ℎ: ~ e.6. mas.

pela definição de . Suponhamos que exista ) e seja ) (conjunto dos elementos de : ~ = ∈ | ∉ que não )e : ~ ). | | < | )|. Como ∈ tal que ) = . em 1938. se existe algum que seja maior que todos os outros. assim. O teorema abaixo. assim. então ∉ ∈ (novamente uma contradição). segue que existe pertencem a suas imagens). Podemos nos perguntar se existem apenas esses e. Estando esse associado ao )|. devido a Cantor. se )= ⇒ ) ∉ ∉ . podemos concluir através dele que não existe um número cardinal maior que todos os outros. contrariando a conjunto . mesmo existindo outros.6. Resta-nos mostrar que não se tem ~ ). em 1963. foi demonstrado que a hipótese do contínuo não pode ser mostrada nem verdadeira nem falsa através dos axiomas da Teoria Axiomática de Conjuntos.1 ℕ como exemplos de cardinais transfinitos. que. está demonstrado que | |≤| )|. temos apenas os números cardinais ℵ e 0. Segue. Isso leva a uma contradição. Exercício 2. mostrou que a afirmação é consistente com os axiomas da teoria de conjuntos e. | | < | )|. então. mostra que existe uma infinidade de outros cardinais transfinitos e. portanto. Exercício 2. A ) tal que )= função : → é injetora e. Demonstração: Supondo que exista. que e. mostre que. se ~ . pode-se perceber que o argumento usado é o método da diagonal já apresentado no Exemplo 2. seja esse . pois. então é Teorema 2. tenhamos = | hipótese de que era o maior de todos.7: Usando o resultado do exercício anterior. e . infinito e enumerável. ). Do teorema temos que < . Demonstração: É fato que |∅| = 0 < 1 = | ∅)|.6. não existe : ~ QED Corolário: Não existe número cardinal maior que todos os outros.150 Até agora. após mais de meio século depois de ser conjecturada. No entanto. então .6: Considerando os conjuntos )~ ). então seja não vazio. mas ) = (contradição) e. além disso.3. se ∈ . Paul Cohen finalmente mostrou que a hipótese do contínuo não pode ser demonstrada pelos axiomas da teoria de conjuntos. ) e. Uma questão natural que surge com esse teorema é se existe número cardinal tal que |ℕ| < < | ℕ)|. pela definição de . O primeiro passo foi dado por Kurt Gödel. QED Observação: Vendo atentamente a demonstração do Teorema de Cantor.6 (Teorema de Cantor): Sendo um conjunto.6. mostre que.2. A afirmação de que não existe é chamada de hipótese do contínuo e foi conjecturada pelo próprio Cantor. se ) não é enumerável.

e são finitos e ⊂ . demonstremos os teoremas enunciados na Secção 3 do Capítulo I e alguns outros resultados importantes. Mas se ∩ ≠ ∅. Como os domínios são disjuntos − 1) + . 1) = QED é difícil observar que são todas funções bijetoras. ∪ ). tomemos = ∪ são ∅ e . pelo Corolário 4 do Teorema 2. ou seja.7 – Cardinais finitos Antes de introduzirmos a aritmética de cardinais de forma geral.7. Com efeito. pois | | = . Demonstração: Já foi demonstrado que | | ≤ | | de forma geral.3: Se é finito com | | = . Ou seja. Teorema 2. mas logo se vê que o único conjunto formado com = ∪ ∅ e isso completa a demonstração. então | | ≤ | | com | | = | | se. = . então | × | = .151 2. Demonstremos por indução já observando que | ∅)| = 1 e convencionando 2 = 1. Teorema 2. | | = + 1.4: Se . não . que ⋅ Teorema 2. A união de subconjuntos de ( ∉ ). mas. )= e| |= . Se ∩ = ∅.2: Se e são finitos. Para ver que esses são os únicos elementos.7. Supondo para | | = . ) possui 2 elementos. Definindo : ℕ ~ de forma que ℕ ) = ∩ (isso é possível pelo Lema 2. Vemos que | ∪ pertence a ).1: Se e somente se. então | ∪ | = | | + | | − | ∩ |. então )| = 2 . basta observar )é independente de . O resultado vale para = 1. | | = e | ∩ | = .7.7. O resultado segue da última igualdade. Portanto ) possui ao menos ∉ 2⋅2 =2 elementos. Teorema 2.1.1. pois os únicos subconjuntos de )| = 2 . QED Demonstração: Existem : ℕ ~ e : ℕ ~ .1. para cada ∈ ). donde segue que | ∪ | = | | + | |. podemos definir : +ℕ ~ ∪ ∪ :ℕ − ∩ ) = ∪ :ℕ ~ ∪ − ) = ∪ :ℕ ~ ∪ ). não existe bijeção : ~ se ⊂ é uma inclusão própria e claramente existe se = . esse é finito com elementos ( ≤ e ≤ ). então basta mostrar que | | = | | ⇔ = . basta tomarmos : + ℕ )~ e termos ∪ : ℕ ~ ∪ . | ) (conjunto das partes de QED Demonstração: Aqui omitiremos detalhes para não tornar a demonstração maçante. :ℕ × e são finitos com | | = → ) Demonstração: Considerando a função e a coleção de funções : ℕ × 1 → ℕ tal que tais que .1) e tendo : ℕ ~ − )~ − ∩ ) e ter ∩ ).

a união de ) com − 1 elementos será um conjunto com algum ∈ elementos. Sabendo que existem : ℕ ~ e : ℕ ~ . =ℕ × | Corolário: Se |= . seja = ∪ com ∉ .7.7. Portanto existem ao menos elementos. como se pode verificar. a função ∘ : ℕ ⋅ → × é. já existem subconjuntos de com elementos e com − 1 elementos (esses são subconjuntos de subconjuntos de com ). isto é. Tomando arbitrário. obtemos ) = ℕ × ℕ . pelo teorema. Ora. concluímos que | − | = |ℕ Teorema 2. já observando que o resultado ) = ∅.152 : ℕ × →ℕ ∪ ) Observando que ℕ ∪ assim como as imagens. então para Demonstração: Façamos a demonstração por indução sobre .6: Tendo subconjuntos de finito com | | = . é uma bijeção. como : ℕ → com temos : | = − = | | − | ∩ |. com elementos em com que o único conjunto com 0 elementos é o vazio. Por hipótese. QED se Teorema 2. ) = + é uma ~ − ∩ ) e. =ℕ =ℕ ⋅ e que ℕ × bijetora. temos que vale = = demonstração. que existem ) subconjuntos de com elementos em . completa × a Exercício 2. = + 1. Assim. bijeção. ⋅| |= é uma família de conjuntos finitos com | | = . se ≠ 0. podemos definir a função : ℕ × ℕ → × tal que . existem exatamente ) (0 ≤ ≤ ). então. bijetora. supondo para = . Com efeito.7. vale para = ∅. o resultado vale. então | − | = |∁ | = | | − | |. | − | = | | − | ∩ |. QED O resultado geral é obtido como um corolário. )= ). que. | | = e | ∩ | = ( < e < ). Com efeito. se = 0. Se | | = 1. então e o resultado vale. demonstremos que vale para | | = + 1. pois = 1 e se sabe Demonstração: Demonstremos por indução. consideremos a : ℕ ~ de forma que ℕ ) = ∩ .1: Mostre que Demonstração: Seja | | = . Para ver que são os únicos.5: Sendo e finitos. ⊂ . o que demonstra o resultado. o que . . Mas. ~ × QED . Sendo − = − ∩ . ⋅ ~ = × e. ) . Em particular. ou seja. Supondo para | | = . observemos + = (0 ≤ ≤ ). O resultado é claro para = 1 e. podemos escrever : ℕ × ℕ ~ℕ ⋅ .

2. | ∪ |. de forma análoga. sendo ≠ . como já foi observado na secção anterior. Teorema 2. tendo que existe : ℕ ~ . a função : ∈ → ∈ ) = ∘ : ℕ → ) é injetora.2. sabendo que ∈ de índices e. temos que Demonstração: Ora.1: A soma de números cardinais é comutativa e associativa. essa definição corresponde à definição de soma que já temos para cardinais finitos.2 ∪ 3.5 | = 5. ~ e ∩ = ∅ é garantido pelo Teorema 2. Pelo Teorema de Schröder-Bernstein. | | = − 1. ∪ QED Podemos obter o Teorema 2. podemos observar que |= Dessa forma. existindo : ℕ ~ . fica demonstrado que ~ se ~ (sendo esses conjuntos finitos ou infinitos). donde se tem a união disjunta × 1 ∪ × 2 .8 – Aritmética de cardinais Para cardinais finitos. e somente se. e.1. então.3. é dada por + = | |= . = 2 . | ∈ | = | = . ∈ QED Observação importante: Uma forma mais detalhada de ver que ~ é observando que.7. Por exemplo. são novas definições que abranjam os cardinais transfinitos e reproduza a aritmética de cardinais finitos. Podemos garantir que existem conjuntos correspondentes a e disjuntos observando que ~ × 1 e ~ × 2 quaisquer que sejam e . O que buscamos. nesse argumento. ∘ ≠ ∘ já que é tal que bijetora.8.7. .7: Dado e todas as funções de em possui finitos com | | = elementos.1 (soma): Sendo e números cardinais. Dessa forma.5 | = | 1.4. onde e são disjuntos.3 como um corolário desse último teorema. | | = e denotada por + . conclui-se que ~ .8.4. a soma desses. Definição 2. Teorema 2. o conjunto de é um conjunto ~ . ∈ Observe que. e | | = . produto e potência). não foi necessário usar o fato dos conjuntos serem finitos.4. Embora não demonstremos explicitamente. pois. = . Com efeito. que : → tal que ℎ) = ℎ ∘ também ∈ é injetora.153 que os elementos de ) e que | ∪ com ∈ ) que não pertencem a ). já temos uma aritmética (soma. são os obtidos por | = se. Já o fato de que | ∪ | = | ∪ | se ~ . No entanto a forma como definimos essas operações para os naturais não podem ser aplicadas a cardinais transfinitos. 2 + 3 = | 1.

Teorema 2. que ~ − ). ) qualquer que seja o demonstramos que existe função bijetora : ~ − | | = ).8.2. . Primeiro mostramos que − e depois ) para chegar ao resultado (e o primeiro passo da supomos que ~ − )). mas a demonstração será apresentada só no final dessa secção. + Corolário: Dados os números cardinais . que ∩ ℕ = ∅. Segue. temos + = .8.8. indução é o resultado ~ − O teorema acima pode ser generalizado (teorema abaixo). O exemplo abaixo mostra que é possível + = com ≠ 0. temos ≤ . pois. .1: Mostre o teorema e o corolário acima. supondo ). pois envolve resultados e conceitos ainda não apresentados. Assim. ≤ + . = QED Observação: Na demonstração acima usamos indução implicitamente e de )~ − forma “invertida”.154 Demonstração: Segue imediatamente do fato da união ser comutativa e associativa. portanto.8. + Terorema 2. Exemplo 2. já temos que conjunto infinito (o qual estamos tomando com )~ − − pelo fato de − ser infinito ( ∈ ). um cardinal transfinito e ≤ . donde segue o resultado.4: Sendo Em particular. Teorema 2.3: Dado um número cardinal transfinito = para qualquer cardinal finito .2. .2: Sendo + ≤ + . + = . Agora definiremos o produto de números cardinais de forma que corresponda ao produto já conhecido para cardinais finitos. temos que ~ ~ℕ e ∩ = ∅. onde admitimos.8. podemos definir a bijeção : ∪ ℕ ~ tal que tendo a bijeção : ~ − ) ) ∈ − )= . por simplicidade. temos que ~ − . que ℵ + ℵ = | ∪ | = |ℕ| = ℵ . Mostre ainda que não podemos substituir ≤ por < e que ℵ + = ℵ qualquer que seja o cardinal finito . . QED Nem todas as propriedades comuns a cardinais finitos se estendem aos cardinais transfinitos. e números cardinais com ≤ ≤ . tem-se e com e Exercício 2.1: Tomando o conjunto dos números naturais pares e dos naturais ímpares. Ora. temos que Demonstração: Observando a demonstração do corolário do Teorema 2.

. para cardinais . pois 1 × ~ e ∅ × = ∅ com | | = . pois. para cardinais finitos. e .155 Definição 2. é dado por = | × |.8. tem- com se ≤ com e ≤ . onde | | = e | | = . definimos 0 = 0.3 (potência): Considerando os números cardinais = | |. . que | | = | |.8. Ambas as funções são injetoras.7. verificar se ~ e ~ implicam | | = | |. Essa é definida abaixo através da definição (geral) de produto cartesiano. temos | | = cardial 0. por seguinte.7. O fato de a definição estar bem definida é garantido pelo Teorema 2. afinal. e ≤ Exercício 2.8.8. a exponenciação (ou potência). pois. tendo que = e = e as bijeções : ~ e : ~ .5: O produto de números cardinais é comutativo. Ou seja.4. Em particular. definimos e tais que Mas precisamos verificar se essa definição está de fato bem definida. tomando ℎ. . se conclui que : → é injetora também (verifique!).2. temos ℎ) = ℎ )⇔ ∘ℎ∘ = ∘ℎ ∘ ⇔ ∘ℎ∘ ∘ = ∘ℎ ∘ ∘ ⇔ ∘ℎ = ∘ℎ ⇔ ∘ ∘ℎ = ∘ ∘ ℎ ⇔ ℎ = ℎ e. ≤ . Teorema 2.8.8. Demonstraremos esse teorema no final dessa secção. associativo e distributivo em relação à soma.7.8.6: Considerando os números cardinais . Para o número finitos ≠ 0 e ≠ 0 tais que = | | e = | |. de forma análoga. Assim. essa definição dá resultados coerentes com os do Teorema 2. concluímos que ~ e. pelo Teorema de Schröder-Bernstein. Essa definição é consistente com o Teorema 2. e Exemplo 2. no entanto. Teorema 2. temos = . = | | ≠ 0 e = | | ≠ 0. Definição 2. e tais que é transfinito e Teorema 2.4. afinal. Duas conseqüências imediatas da definição são que 1 ⋅ = qualquer número cardinal.2 (produto): O produto entre os cardinais .7: Dados os números cardinais ≥ . A operação de números cardinais de maior interesse é. onde ≠ 0. e 0⋅ = 0 para ≤ . denotado por Pode-se ver que. De fato isso ocorre.8. ℎ ∈ . ⋅ = . podemos definir ∈ ∈ )= → de forma que ℎ) = ∘ ℎ ∘ e : → de forma que ∘ : ∘ .2: Demonstre o teorema acima.3: Mostre o teorema e o corolário acima. Corolário: Tendo os números cardinais . se sabe que ℕ × ℕ~ℕ. = 1 e 0 = 1. temos Exercício 2.2: ℵ ℵ = ℵ .

definimos a função característica de por : → 0. podemos concluir que | consistente com o Teorema 2. × ) = quando.8. Logo. Esse resultado é Assim. | | = e | | = com ∩ = ∅. O conjunto precisamos mostrar que ) = ℎ ∈ . Basta-nos mostrar que × ~ ∪ . | | = e | | = .1 é a função característica de . é injetora pelo fato de que. Tomando : ) → com )= cada ∈ e ∈ . lembremos da definição de função característica (apresentada no Exemplo 1. ou seja. × ) é o conjunto de todas as ~ ) . = ∈ | | | | )| = | 0. chega-se no resultado esperado: × ~ ) . e conjuntos tais que | | = . e números cardinais. (veja que ∩ = ∅ já que os domínios são disjuntos) e ∪ ≠ ∪ ℎ se ≠ ℎ ∈ todo ∈ ∪ pode ser decomposto como = ∪ para algum ∈ e ∈ . QED Teorema 2. Ora.4: Sendo um número cardinal. ∈ ) 0 Será demonstrado agora que algumas características da potência de números cardinais finitos se estendem aos cardinais transfinitos.3.1 de forma que 1 ∈ . pelo Teorema de Schröder-Bernstein.3. visto )∀ ∈ . ).3: Dado não vazio. Podemos. temos que Com efeito. temos que ℎ = ℎ e. afinal : ∪ → . assim. definindo a função : × → ∪ através de . temos × )= = ℎ. funções de em 0. )= )= ). e conjuntos tais que | | = . )= . dados . Isto é. ) ⇒ = . pode-se verificar que se trata de uma função injetora e.8. Assim. verifiquemos que é de fato uma função. Exercício 2.1 (conjunto das Exemplo 2.9: Dados os números cardinais .1): sendo um subconjunto de um conjunto não vazio )= . pois. temos . ∈ ≠ (verifique!) e é sobrejetora já que. )= ∪ ( ∈ e ∈ ). para . pois × ) = quando.8.156 Observação: Lembre-se que é o conjunto de todas as funções de em . Teorema 2. = . mostre que ⋅ = . = . Com onde ∈ ) distintos. usar a notação funções : → . Demonstração: Sendo . tendo ∈ 0. Já o conjunto é o conjunto de todas as funções : × → . vendo que )= ) = = . efeito. essa é bijetora. temos . Antes de continuar. Assim. Para o próximo exemplo. definimos : → ) com ). Definindo a função : ) e : → 0. ℎ )= )⇒ temos que = .8. tenhamos ) → 0. essa é bijetora. então. se )=ℎ= )=ℎ )= ) ∀ ∈ .7. podemos tomar na imagem de o conjunto )| ) = 1 e isso faz de a função característica de ⊂ ( ∈ )).1 | = 2 .1 ). para cada ∈ e ∈ . Demonstração: Sejam . . ) e 0. valem em geral.1 de forma que )= . a função é imediatamente injetora.8: Sendo .1 . e .1 | = | 0.

sem perda de generalidade. mas. há resultados . finalmente. | | = e | | = . Considerando a família não vazios. sendo )= ). e | | = . que = = e = e. donde o resultado é Demonstração: Pelo teorema. | | ≤ | |. as propriedades da potência apresentadas acima são conhecidas para cardinais finitos. )= e : × → tal que . Para mostrar que é sobrejetora. onde : → × . donde se obtém. ∘ )⇔ ∘ = ∘ ∘ )= . . : → × definida por Teorema 2. como já aconteceu nas outras operações. temos que ∘ . ≥ e tais que ≥ ≥ QED e tais que | | = . a) b) (b): Nesse caso também podemos tomar ⊂ . temos que ≥ .10: Sendo . )= . podemos tomar obtido. nos lembremos da definição de projeção canônica. a ∈ de conjuntos projeção canônica sobre o conjunto é a função : ∈ → tal que ) ∈ )= . basta mostrar que × ~ × ) .157 QED Antes de apresentarmos o próximo teorema. e números cardinais. Demonstração: (a): Sendo os conjuntos . Bastando definir a função ) ∈ ∈ − ) ) = . obtemos | | ≤ | |. observando que . . ℎ) ∈ )= ). donde QED Como dito. que = . temos as projeções canônicas são : × → tal que . temos que. ∘ ). → tal que (injetora) : Corolário: Considerando os números cardinais ≥ . Em particular. definamos : × ) → )= × tal que ∘ . ) e )= ∘ ). ≥ ≥ e . é injetora. ℎ ) .11: Tendo os números cardinais . para todo ∈ .8. temos que concluímos que ≥ . observando que éo conjunto de todas as funções : → . Para tanto. ). podemos definir ) ∈ )= ∈ de forma que . ∘ )= ∘ . basta. e conjuntos tais que | | = . pois ⊂ . . se ≥ . então: QED Teorema 2. pois. se a família de conjuntos é . e .8. decompor essas funções como = ∘ e ℎ= ∘ com ter . ou seja. Demonstração: Considerando . Assim. ao × . temos que = ) . | | = e ⊂ .

8. 2ℵ = 1. então =2 . Teorema 2.5: | 2.8. Mas. ≤ ≤2 ⇒ =2 . Exemplo 2.12: Sendo um cardinal transfinito e tal que 2 ≤ ≤ 2 .158 que se aplicam apenas aos cardinais transfinitos e alguns desses são apresentados abaixo.7: ℕ) ℕ)|ℵ = 2ℵ )ℵ = 2ℵ ℕ) ℕ)|.11. = . explicitamente.4: Pelo Teorema 2. por onde concluímos que = 2 .8.6: ℕ)ℕ = | ℕ )| = 2ℵ = 2ℵ = | ℕ) . ℵ Exemplo 2.8. podendo ser “vencido”. Demonstração: É imediato pelo teorema. “existem tantas funções de ℕ em ℕ quanto subconjuntos de ℕ”.7.12. pois Exemplo 2.9 e 2.13 para ter ℵ = ℵ . pois 2 ≤ é um cardinal transfinito e Demonstração: O resultado é imediato para = 1.8. quase sempre. Supondo para isto é. = .13: Se então = . e um número cardinal . temos que vale para = + 1.8. vendo que ℵ = ℕℕ e que 2ℵ = | ℕ)|. temos 2 ≤ ≤ ⋅ 2 ) = 2 = 2 . Exemplo 2.2 quanto de ℕ em ℕ”.2 ℕ . apenas por um cardinal transfinito maior.8. é um número cardinal Demonstração: Usando os teoremas 2. 2. pois = = ⋅ = . donde também concluímos que “existem tantas funções de ℕ em 1.8. onde foi usado o Teorema ⋅ℵ = 2| ℕ)| ℵ = 2 = 2ℵ = | ℵ ℵ =2 ℵ ℕ)|.8. Ou seja. ℵ < 2ℵ (Teorema de Cantor) assim como < 2ℵ .8. temos que ℵ ℵ = ℵ = 2ℵ ( ∈ ℕ). QED QED Observação: Veja que as propriedades aritméticas dos cardinais transfinitos são tais que um cardinal transfinito é “resistente” à mudança pelas operações apresentadas. > 0 é um cardinal finito.8. ℵ =2 ℵ = . basta observar que 2 ≤ ≤ 2 QED Corolário: Considerando o cardinal transfinito se 2 ≤ ≤ . Teorema 2. Para ver que 2 = . temos que =2 = . o que é um resultado contra-intuitivo.

Para = 1. basta mostrar que ) é enumerável. observemos que onde )= )| | | = − 1 ( − 1. Também )= )| | | = 1 = obtemos que vale para = 2. Como ∈ a união enumerável de conjuntos enumeráveis é enumerável.8. ) = ∈ℕ ). |=| ∈ |.9 – Generalizações e o Teorema de König A soma e o produto de números cardinais foram definidos através da união e do produto cartesiano. se é enumerável. isso é claro pelo fato de ) = ∅ . temos: ∈ e ≤ que ∈ famílias de números cardinais tais ∈ ∈ .5: Mostre que. sendo . Teorema 2. Observação: Veja que não se explicita a forma como se escolhe cada na função definida acima. é injetora. Supondo ∈ ) é enumerável. Ora. então tomemos | |=ℵ . pois ∈ . pois a função : )→ )× ) tal que )= ). demonstremos que vale para = + 1.8: O conjunto dos subconjuntos finitos de um conjunto )= enumerável é enumerável. pois estamos incluindo o conjunto vazio). onde um conjunto infinito. temos temos | ∈ que existe : ~ . Ou seja.8.159 ) ) | Exemplo 2. Definição 2. assim temos que | )| ≤ )∈ para todo ∈ e que − | )× )| ≤ |ℕ × ℕ| = ℵ . é necessário verificar que a definição está bem definida. com ∈ . então basta definir = ∈ ): ∈ → ∈ . Tal fato é evidente se é finito. definimos a soma entre esses números cardinais por: ∈ )= . o que nos leva a tentar generalizar as noções de soma e produto entre números cardinais. é garantido da seguinte forma: para cada ∈ Λ.1: Sendo ≤ ∀ ∈ Λ. observemos que todo ∈ − ).9. − . pois os domínios dos são disjuntos entre si assim como os contradomínios. Mas temos noções generalizadas dessas operações de conjuntos. )= … )…) = e ∈ = ∈ Como antes.1: Dada uma coleção de conjuntos ∈ disjuntos dois a dois com | | = . ∈ 0 ∪ ℕ) com < . o conjunto )| é ∈ é enumerável. ou seja. se trata de uma função escolha. se ∈ e ∈ são tais que | | = | |. que é bijetora. Ou seja.9. )| para todo Exercício 2. 2. Já o fato de que. para = . que ) pode ser escrito como )∪ Para tanto. O fato de existir ∈ com conjuntos disjuntos dois a dois é garantido de forma análoga ao que já foi feito. Nesse caso.

∈ ∈ ∈ ∈ ×Λ = |Λ| = ~ tal que × Λ. existem as bijeções : ~ . QED Observação: Nem todo conjunto de números cardinais admite máximo (por exemplo. dessa forma temos que ≤ .1: Segue do último teorema um resultado esperado: ∈ℕ 1 = ℵ . o corolário acima vale apenas para conjuntos onde esse máximo exista. Exemplo 2. que é injetora pelo fato dos domínios dos serem |≤| ∈ |. ∈ = pelo corolário do Teorema de Schröder-Bernstein. . Assim. ≤ ∈ e = ∈ 1≤ ∈ . Mas. assim. Ora. onde usamos o teorema. Por QED Corolário: Sendo um cardinal transfinito e números cardinais não nulos tal que |Λ| = e = max . | ∈ donde segue o resultado. ∈ uma coleção de . vê-se que se trata de uma bijeção e. ∈ Demonstração: Por um lado. Por outro lado.9. disjuntos uns dos outros assim como os contradomínios. temos que: Assim. ℵ ≤ ∈ℕ 1 ≤ ∈ℕ ℵ . Logo. )= ∈ Demonstração: Sendo =| |= ∈ =| = ∈ |. No entanto o corolário pode ser generalizado ao acrescentar a noção de supremo de um conjunto (faremos isso na próxima secção). donde o resultado é obtido observando que ℵ = | ∈ℕ |. tomemos um . Definindo : ×Λ→ ). Logo. ℕ não possui máximo). portanto. com | | = ℵ e ∈ℕ ∩ é o Delta de Kronecker).9. ∈ . Isso porque 1 ≤ ℵ e ∈ℕ 1 ≥ ℵ (mostre isso). donde se conclui que ∈ ≤ ∈ . ∈ ∈ existem funções injetoras : → e. podemos definir ): ∈ = ∈ → ∈ .9.2: Dado Λ de forma que |Λ| = ∈ QED e um número cardinal . temos que = ∈ (Teorema 2. Teorema 2. assim. Assim.160 Demonstração: Sendo e tais que | | = e | |= .8. temos que: ∈ ∈ ∈ e = ∈ ∈ . hipótese. ∈ ≤ ∈ = . temos que ∈ = ∈ Teorema 2. sendo um cardinal transfinito e ∈ ≤ ∈ .7).3: Considerando as famílias de números cardinais . e que | ∈ℕ | = ℵ ( ∈ℕ ~ℕ pelo = ℵ ( fato da união enumerável de conjuntos enumeráveis ser enumerável). ≤ ∀ ∈ Λ e.

tomar |≤| ∈ |. Convencionaremos que ∈ = 0 quando = 0 para algum Algumas características do produto (já válidas em casos menos gerais) continuam válidas nesse caso mais geral. ∈ tal que | | = . ∈ Exercício 2.9. =| ∈ ∈ | ∈ × |= ∈ . ∈ ∈ ∈ ∈ e ∈ × ∈ de |= QED – 3. Esse produto está bem definido. temos: ∈ ∈ e ∈ ≤ | Demonstração: Sendo e coleções de conjuntos tais que ∈ ∈ |= e | |= para todo ∈ Λ.9. mostre que × = × .6: Considerando a família de números cardinais número cardinal . assim. podemos definir a bijeção ) ∈ = ) : ∈ → tal que . por onde se conclui que ∈ ∈ | ∈ Λ. sem perda de generalidade. |= Definição 2.9.2: Sendo ∈ uma coleção de conjuntos com | definimos o produto entre esses números cardinais por: = . SUGESTÃO: Use o exercício 3. ∈ ∈ ∈ |=| ∈ |. então existem funções : ~ e.9. se e são tais que ∈ ∈ | | = | |. ∈ Demonstração: Tomemos = | || | = . =| ∈ |= QED Teorema 2. como mostram os teoremas abaixo.4: Sendo Λ tal que |Λ| = temos que = . podemos. Assim.9. assim.1: Para completar a demonstração acima. Teorema 2. Assim. temos que | ∈ ⊂ . Exercícios II ∈ ∈ ∈ Agora generalizaremos a noção de produto entre números cardinais.161 Demonstração: Tomemos as coleções de conjuntos forma que | | = e | | = . ∈ ∈ QED ∈ ∈ Teorema 2. vale que: e o . pois ⊂ e. e considerando o número cardinal .5: Dadas as famílias de números cardinais tais que ≤ ∀ ∈ Λ. pois.

162 = Demonstração: Tomemos uma coleção de conjuntos ∈ de forma que | |= ) = | ∈ |)| | = e um conjunto tal que | | = .2: Exemplo 2.4). ∈ℕ ℵ =ℵ ∈ℕ = 2ℵ (veja o Exemplo 2. ∈ Em geral é bastante complexo analisar produtos de números cardinais. Ora.8. . temos que sendo ∘ ) ∈ = ∘ ) ∈ ⇔ ∘ = ∘ ∀ ∈ Λ ).9. onde : → ∈ ∈ ∈ ) e : ∈ → é a projeção canônica sobre . definindo a função : ∈ → através de ∈ ) ∈ = ∈ ( ∈ ). essa é bijetora. donde segue que ≥ ∈ℕ 2 = 2ℵ . Exemplo 2. definamos ∈ ∈ ) → )∈ )= : tal que ∘ ) ∈ .8. devemos mostrar que ) ~ ∈ | . é injetora. tem-se que: ∈ ∈ ∈ ∈ uma família de números cardinais e = ∈ um Demonstração: Sendo ∈ uma coleção de conjuntos disjuntos dois a dois tais que | | = e um conjunto tal | | = .9. já que os domínios são disjuntos) e todo ∈ ) ∈ ∈ ∈ pode ser decomposto como = ∈ para algum . = = 2ℵ . pois.8. Mas também temos ∈ℕ ∈ℕ ℵ = ℵ . Como ∈ ) |.7: Sendo número cardinal.9. que são os casos menos gerais dos dois últimos teoremas. ∈ℕ ∈ℕ ℵ ℵ Exercício 2.8 e 2. Para mostrar que é sobrejetora. ∈ = ∈ℕ ℵ ∈ pode ser decomposto como = ≤ ℵ ℵ Exemplo 2.9.10. basta donde se obtém que = ) ∈ ∈ ) ∈ = ) escrever cada como ∘ ) ∈ com : → ∈ ∈ )= ) . pois ≥ 2 ∀ ≥ 2. pois. ∈ afinal : ∈ → . mas vejamos alguns exemplos. ≠ ∈ se ≠ para ∈ algum ∈ Λ (veja que ∩ = ∅ se ≠ .9.3: que 2ℵ .4: = 2ℵ )ℵ = 2ℵ ℵ = 2ℵ e =2 ∈ℕ 2 ∈ℕ 2 ℵ ℵ ℵ donde segue que ∈ℕ 2 = ∈ℕ 2 = 2 . Para tanto. Basta-nos mostrar que ∈ ∈ ~ . (mostre isso). QED Observação: Veja as demonstrações dos teoremas 2. ∈ )= ).2: Mostre que ∈ ) ∈ ∈ para algum . definida por ∈ QED Teorema 2. um resultado contra-intuitivo.

para cada ∈ Λ. pois a afirmação acima é. que ∈ ∈ ∈ tal | | = . Portanto temos que | | ≤ que ∈ ) e | | < | | (para ver que | | ≤ | |. mostrando que ≤ ∈ ∉ . então. na verdade. basta observar que : → é sobrejetora). ∈ Assim. A utilização do Axioma da Escolha na demonstração acima foi crucial e. usando o Axioma da Escolha. se ) ∈ ∈ ) ∈ ∉ ∈ . Ora. deve ser possível encontrar uma coleção que de conjuntos ∈ disjuntos dois a dois de forma que | | = . podemos tomar ⊂ .9. Mas. ) ∈ ∉ ∉ . Tomando : ∈ → de forma que cada conjunto ∈ ∈ com = . tem-se que: ∈ e ∈ tais que Demonstração: Primeiramente. equivalente ao Axioma da Escolha. ter um conjunto com um elemento de )= ) ∈ − . definição. ⊂ e = ∈ ∈ ∈ ( é uma partição de ).163 O último exemplo mostra que o próximo teorema não é um resultado trivial. sendo 1 < 2. 2. Sem perda de isso. ∈ ∈ < ∈ = . Assim. consideremos ∈ ∈ generalidade. Percebe-se. Podemos mostrar isso observando que o Axioma da Escolha é equivalente a afirmar que ≠ ∅ se Λ ≠ ∅ e ≠ ∅ ∀ ∈ Λ (veja a Definição ∈ 4. Como as inclusões ⊂ são próprias. por absurdo. o que contraria nossa hipótese de que ∈ = e mostra o absurdo.8 (Teorema de König): Dadas as famílias de números cardinais < ∀ ∈ Λ. sendo |. pois. Sendo Agora suponhamos. tem-se |Λ| = ∈ 1 < ∈ 2= | | 2 . de fato. pois se tomou um elemento de cada − sem explicitar nenhum procedimento. resultados finais . mas . Da fato. então e isso vale para cada ∈ Λ. portanto. Teorema 2. donde segue que ∈ Λ ≠ ∅ e | | > 0. ⊂ é uma inclusão própria e. ) ∈ * não pertence a nenhum . por tal que ∉ .3). obtemos esse mesmo resultado através do teorema. existe. essa função é injetora (verifique!).2. tomemos : → tal ∈ ∈ ) ∈ = ∈ = ) ⊂ . não poderia ser diferente. pois. Para ∈ e tais que | | = e | | = . para cada ∈ Λ. pode-se ver que. equivalências do Axioma da Escolha. ∈ 0 = 0 < ≠ ∅.10 – Generalizações de máximos e mínimos. que a característica marcante do teorema e o que lhe dá importância é o fato de se garantir a desigualdade com “<” em vez de “≤”. Com efeito. ∈ ∈ QED Observação: Veja que em * acabamos usando o Axioma da Escolha. dessa forma. demonstremos que ∈ ≤ . pode-se. ∈ | |=| ∈ O Teorema de König pode ser visto como uma generalização do Teorema de Cantor.

Tal ordem é dita parcial e um exemplo natural dessa ocorre quando se tem uma família de conjuntos e definimos. A primeira definição a ser relembrada é a de ordem total. temos que é uma relação de ordem total em satisfeitas as seguintes condições: a) b) c) d) Para todo ∈ . ≥ definido por .2 (mínimo e máximo): Diz-se que é o elemento mínimo (ou menor elemento) de um conjunto e denotamos por = min . mas estendendo para ordens parciais.164 Nessa subsecção vamos realizar as demonstrações pendentes. mas ao longo de todo o texto. que ≥ quando ⊂ . Pode-se notar que.1: Considerando o conjunto ℕ . Relembremos agora as noções de mínimo e máximo. ∈ . quando ∈ e. ≤ . se ≠ . Definição 2. . ∀ ∈ . diz-se que é o elemento máximo (ou maior elemento) de um conjunto e denotamos por = max . mas. pode existir alguma coleção de conjuntos onde valha a propriedade (d) da definição. ≥ ou ≥ (totalidade). De forma análoga. já apresentada no final do Capítulo I. para cada ∈ ℕ.1 (ordem total): Sendo um conjunto e ⊂ relação binária em . Com Mas podemos “enfraquecer” a ordem tirando a última condição (a (d)) e mantendo as outras. quando ∈ e. então = (anti-simetria). Por exemplo. totalmente ordenados pela ordem considerada. então ≥ (transitividade). Inicialmente. × uma se forem Definição 2. Notemos que é possível que existam subconjuntos de um conjunto parcialmente ordenado que sejam.10. ≥ (reflexibilidade). Observação: Veja que toda ordem total é também uma ordem parcial. )∈ . Para todo . o conjunto ×ℕ= . os elementos . para . mas. Se ≥ e ≥ .10. ) ≥ . ) e . ) não são comparáveis (não se pode dizer que um é maior que o outro). na família considerada acima. antes devemos apresentar alguns conceitos e resultados novos. Se ≥ e ≥ . vamos relembrar algumas definições e acrescentar algumas outras que nos serão pertinentes não só aqui. na verdade. ) se = e ≥ (essa última ordem é a usual dos naturais). ∈ . )∈ℕ | = é uma cadeia de ℕ . ≥ (≥ é uma relação de ordem parcial). Observação: Uma nomenclatura comum (e adotá-la-emos) é chamar os subconjuntos totalmente ordenados de um conjunto parcialmente ordenado de cadeias. esse pode ser parcialmente ordenado pela relação ⊂ ℕ ) onde .10. ∀ ∈ . Exemplo 2.

3 .2 . como segue abaixo.10. no entanto.2. 1.3 e ∅. Exercício 2. ∈ é dito um elemento maximal quando = max para alguma cadeia maximal de . Isto é.2.5 (cotas superiores e inferiores): Sendo um conjunto parcialmente ordenado e ⊂ . De forma semelhante. minorante.165 Definição 2. não deixam clara a intenção da definição. 1. 3 . Isto é. O elemento maximal (e máximo também) desse conjunto é 1. esse é uma cota superior de e o análogo também ocorre caso tenha mínimo. é dito uma cadeia maximal quando não existe cadeia ⊂ tal que ⊂ seja uma inclusão própria. 1 .1 .3 . 3. É interessante muitas vezes definir o conjunto de todas as cotas superiores ou inferiores de ⊂ . que são definições mais práticas.2. ∈ é dito uma cota superior de se ≥ ∀ ∈ .10. 1.2. 2 . Observação: Outro nome comum para cota superior é majorante e. ter )= ∈ | ≥ ∀ ∈ )= ∈ | ≤ ∀ ∈ . Analogamente.10. poder-se-ia definir elemento maximal como ∈ tal que ≥ ⇒ = e elemento minimal por ∈ tal que ≤ ⇒ = (≤ sendo uma ordem parcial). em particular.1: Mostre a equivalência entre as definições (citada acima).3 .10. é uma cadeia maximal quando não está incluída propriamente numa outra cadeia.3 serão maximais. Segue da definição acima uma forma de generalização das noções de máximo e mínimo. tomar o conjunto com a mesma ordem e observar que os elementos 1 . 1 .3 .2 . ∅.3 (cadeia maximal): Sendo um conjunto parcialmente ordenado e sendo ⊂ uma cadeia. 1.3 . ∅. por essa relação. Observe que. no exemplo acima. mas. 1.2.3 são todas cadeias maximais. 2. Definição 2. ∈ disso. 1.4 (elementos maximais e minimais): Dado um conjunto parcialmente ordenado. e . Junto com a idéia de conjunto das cotas superiores e inferiores vem mais uma generalização da definição de mínimo e máximo. ∅.3 = e o minimal (e também mínimo) é ∅.2 . 2 . 1. 2 e 3 serão os elementos minimais e os elementos 1. 2. ∅. Além ordenado pela relação de inclusão (com ≤ quando .2. 1.3 . 3.3 . Observação: Nem sempre os elementos maximal e minimal são únicos.3 .1 .3 e ) = ∅. para cota inferior. Observa-se que ) é parcialmente ) e ⊂ ).10. 1. 3 . ∈ é dito uma cota inferior de se ≤ ∀ ∈ . basta. 1. se possui máximo. 3 . 2. ∅. 1 .3 e 2. 2 .2.2: Consideremos o conjunto = 1. Exemplo 2.2. 1. ∈ é dito um elemento minimal quando = min para alguma cadeia maximal de . Definição 2. ) − ∅. Com efeito.2 . De forma equivalente.2. 1.3 .

Além disso. onde foi usado o Teorema 2. em geral. temos que = ∈ ∈ .10. assim.10. temos que = ∈ (Teorema 2. Por outro lado. sendo um cardinal transfinito e ∈ .7). ∈ é dito o ínfimo de e denotamos por inf . . e denotamos sup . isto é. ou seja. Mas. ∈ = pelo corolário do Teorema de Schröder-Bernstein. que um conjunto ⊂ possua ínfimo ou supremo.10. quando existem. a maior das cotas inferiores.6 (ínfimo e supremo): Considerando um conjunto parcialmente ordenado e ⊂ . Observemos que tanto o supremo como o ínfimo de podem ou não pertencer ao conjunto (dependendo de se possui ou não máximo ou mínimo). QED Vê-se que a demonstração sofreu apenas uma pequena modificação. obviamente. Logo. se = min cotas superiores. ℵ ≥ ∀ ∈ ℕ e. pois é a menor das cotas superiores. ℵ = min ℵ . ≤ ∈ ∀ ∈ Λ e assim. donde se conclui que ≤ ∈ ∈ ≤ ∈ .2.1: Sendo um cardinal transfinito e ∈ uma coleção de números cardinais não nulos tal que |Λ| = e = sup . ≤ ∈ . a menor das dito o supremo de .3: Dado o conjunto ℕ ∪ ℵ com a ordem definida para cardinais. embora ℕ não possua máximo. dessa forma temos que ≤ . Podemos agora generalizar o corolário do Teorema 2.2. Ora. Além disso. donde se tem que ℵ = sup ℕ. Demonstração: Por um lado. ∈ ≤ ∈ = .10.2: Mostre que o supremo e o ínfimo. se ).9. = ∈ 1 ≤ ∈ . Exemplo 2. Também se pode ver que 1 = inf ℕ. ≤ ∀ ∈ Λ e. são únicos. De forma semelhante.166 Definição 2.8. ∈ é = max ). não é garantido. Teorema 2.9. Exercício 2.

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