CONSTITUIÇÃO FEDERAL E MEIO AMBIENTE

1. Afirmação de um direito ao meio ambiente 1.1. Direito subjetivo e de titularidade coletiva A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a primeira Constituição Brasileira em que a expressão "meio ambiente" é mencionada. Em seu art.255, caput, estabelece que: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações." Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O direito ao meio ambiente equilibrado é de cada um, como pessoa humana, independentemente de sua nacionalidade, raça, sexo, idade, estado de saúde, profissão, renda ou residência. O uso do pronome indefinido "todos" alarga a abrangência da norma jurídica, pois, não particularizando quem tem direito ao meio ambiente, evita que se excluam quem quer que seja. O meio ambiente é um bem coletivo de desfrute individual e geral ao mesmo tempo. O direito ao meio ambiente é de cada pessoa, mas não só dela, sendo ao mesmo tempo "transindividual". Por isso, o direito ao meio ambiente entra na categoria de interesse difuso, não se esgotando numa só pessoa, mas se espraiando para uma coletividade indeterminada. A locução "todos têm direito" cria um direito subjetivo, oponível erga omnes, que é completado pelo direito ao exercício da ação popular ambiental (art. 52, LXXIII, da CF). Após a entrada em vigência da Carta de 1988, não se pode mais pensar em tutela ambiental restrita a um único bem. Assim é porque o bem jurídico ambiente é complexo. O meio ambiente é uma totalidade e só assim pode ser compreendido e estudado. O caput do art. 225 é antropocêntrico. É um direito fundamental da pessoa humana, como forma de preservar a vida e a dignidade das pessoas - núcleo essencial dos direitos fundamentais pois ninguém contesta que o quadro da destruição ambiental no mundo compromete a possibilidade de uma existência digna para a Humanidade e põe em risco a própria vida humana. 1.2. Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado Equilíbrio ecológico é o estado de equilíbrio entre os diversos fatores que formam um ecossistema ou habitat, suas cadeias tróficas, vegetação, clima, microorganismos, solo, ar, água, que pode ser desestabilizado pela ação humana, seja por poluição ambiental, por eliminação ou introdução de espécies animais e vegetais. O equilíbrio ecológico não significa uma permanente inalterabilidade das condições naturais. Contudo, a harmonia ou a proporção e a sanidade entre os vários elementos que compõem a ecologia - populações, comunidades, ecossistemas e a biosfera - hão de ser buscadas intensamente pelo Poder Público, pela coletividade e por todas as pessoas. 1.3. Direito ao meio ambiente como bem de uso comum do povo O Código Civil Brasileiro de 1916 já havia inserido a noção de bem de uso comum do povo, com a inclusão de no mínimo os seguintes bens: mares, rios, estradas, praias, ruas e praças. A CF, em seu art. 225, deu uma nova dimensão ao conceito de meio ambiente como bem de uso comum do povo. Não elimina o conceito antigo, mas o amplia. Insere a função social e a função ambiental da propriedade como bases da gestão do meio ambiente, ultrapassando o conceito de propriedade privada e pública. O Poder Público passa a figurar não como proprietário de bens ambientais - das águas e da fauna - mas como um gestor ou gerente, que administra bens que não são dele e, por isso, deve explicar convincentemente sua gestão. A aceitação dessa concepção jurídica vai conduzir o Poder Público a melhor informar, a alargar a participação da sociedade civil na gestão dos bens ambientais e a ter que prestar contas sobre a utilização dos bens "de uso comum do povo", concretizando um "Estado Democrático e Ecológico de Direito."

para aquilatar se esses elementos estão em estado de sanidade e se de seu uso advêm saúde ou doenças e incômodos para os seres humanos. tanto que no art. O Poder Público e a coletividade e a responsabilidade ambiental entre gerações O texto emprega figuras genéricas . orientando-se para uma série de princípios.1º. Direito ao meio ambiente como bem essencial à sadia qualidade de vida A sadia qualidade de vida só pode ser conseguida e mantida se o meio ambiente estiver ecologicamente equilibrado. A Constituição foi bem-formulada ao terem sido colocados conjuntamente o Poder Público e a coletividade como agentes fundamentais na ação defensora e preservadora do meio ambiente. sem comprometer a possibilidade para as gerações futuras de vir a satisfazer as suas necessidades. e não qualquer meio ambiente. Não é papel isolado do Estado cuidar sozinho do meio ambiente. a CF faz um vínculo desse direito com a qualidade de vida. O art. com o fim de superar a estreita visão quantitativa. O relacionamento das gerações com o meio ambiente não poderá ser levado a efeito de forma separada. "Poder Público" não significa só o Poder Executivo.4.águas. onde se unem a felicidade do indivíduo e o bem comum.Toda pessoa tem direito de viver em meio ambiente sadio e a dispor dos serviços públicos básicos. Contudo. 2. Portanto. Essa ótica influenciou a maioria dos países. da CF esses três Poderes constam como "Poderes da União". 11. Uma geração deve tentar ser solidária entre todos os que a compõem. A saúde dos seres humanos não existe somente numa contraposição a não ter doenças diagnosticadas no presente. O dano . e em suas Constituições passou a existir a afirmação do direito a um ambiente sadio.isso já seria meritório. fauna e paisagem . respondendo às necessidades do presente. pois essa tarefa não pode ser eficientemente executada sem a cooperação do corpo social. Mas foram além. Além de ter afirmado o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O Protocolo Adicional à Convenção Americana de Direitos Humanos prevê. . Resguarda-se a dignidade da pessoa humana (art. O meio ambiente a ser defendido e preservado é aquele ecologicamente equilibrado. Na Constituição de 1988 há um avanço.III da CF) e é feita a introdução do direito à sadia qualidade de vida. O direito à vida foi sempre assegurado como direito fundamental nas Constituições Brasileiras. antes expressa no conceito de nível de vida. mas abrange o Poder Legislativo e o Poder Judiciário. Os constituintes poderiam ter criado somente um direito ao meio ambiente sadio .1. pois as gerações presentes não podem usar o meio ambiente fabricando a escassez e a debilidade para as gerações vindouras. que: . solo. É preciso que ocorra um desenvolvimento sustentado.. Leva-se em conta o estado dos elementos da Natureza . Ter uma sadia qualidade de vida é ter um meio ambiente não-poluído. descumprem a Constituição tanto o Poder Público como a coletividade quando permitem ou possibilitam o desequilíbrio do meio ambiente. ar. A Constituição estabelece as presentes e futuras gerações como destinatárias da defesa e da preservação do meio ambiente. flora. São conceitos que precisam de normas e de políticas públicas para serem dimensionados completamente. seus alicerces estão fincados constitucionalmente para a construção de uma sociedade política ecologicamente democrática e de direito. em seu Art. À "coletividade" cabe também o dever de defender e preservar o meio ambiente se entende que os constituintes fizeram um chamamento à ação dos grupos sociais em prol do meio ambiente.como sendo aquelas obrigadas a preservar e defender o meio ambiente. O princípio da responsabilidade ambiental entre gerações refere-se a um conceito de economia que conserva o recurso sem esgotá-lo. preservação e melhoramento do meio ambiente. como se a presença humana no planeta não fosse uma cadeia de elos sucessivos. A qualidade de vida é um elemento finalista do Poder Público. O Poder Público e a coletividade deverão defender e preservar o meio ambiente desejado pela Constituição. 225 consagra a ética da solidariedade entre as gerações. 2º.Os Estados-Partes promoverão a proteção."Poder Público" e "coletividade" .

com valor real ou potencial.enfim. Ex. A diversidade de formas de vida deveria ser encarada como um tesouro nacional e internacional. incumbe ao Poder Público "preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais" (art. é claramente do nosso interesse preservar a extraordinária diversificação representada por alguns táxons que se desenvolveram durante a evolução da biosfera através de milhões de anos. as UCs sao espaços territoriais especialmente protegidos para proteger ou restaurar ecossistemas. Para isso pode se fazer pesquisas inclusive dentro das UCs. caput.2. 4. 3. Patrimônio genético pode ser entendido como o conjunto de material genético. na ordem dos seus valores. Enquanto não tivermos uma evidência realmente científica que indique o contrário. causa enormes problemas à ordenação atual da sociedade industrial. §1º. Grandes riscos ambientais. porém a diversidade das espécies. exceto no caso de algumas espécies que são parasitas diretos ou competidores. Assim. da CF. devem ser reduzidos numa medida calculável e submetida a contrato de seguro. os ecossistemas e o patrimônio genético 3.. aí compreendido todo o material de origem vegetal.foi objeto de um posicionamento de vanguarda dos constituintes de 1988. que estão presentes na comunidade. As espécies. Não basta permitir a perpetuidade das espécies e dos ecossistemas. a relação entre as espécies e número de indivíduos ou biomassa e a dispersão (arranjo espacial) dos indivíduos de cada espécie. O homem deve pensar mais em termos de controle e utilização da Natureza. mas a Constituição ordena que o Poder Público zele pela integridade desse patrimônio. microbiana ou outra que contenha unidades funcionais de hereditariedade. agride o dever da conservação íntegra do patrimônio genético. a qualidade de vida. pois constituem a fonte dessa diversidade. Do dever do Poder Público de preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético A Constituição. Diante dessa obrigação constitucional de ser preservada a diversidade genética no País. Conservação do ecossistema em lugar da conservação desta ou daquela espécie. parecem-me inconstitucionais as atividades e obras que possam extinguir uma espécie ou ecossistema. 3. animal. 225. que possa ser importante para as gerações presentes e futuras.1. Entre a competência comum da União. O risco ambiental O risco para a vida. isto é. ocasionando acasalamentos que provoquem degenerescência da espécie. dos Estados. por atividades e obras. o risco para o meio ambiente . e não em termos de extermínio total. Dever do Poder Público de preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e dos ecossistemas Para a efetividade do direito assegurado no art. colocou com prioridade o patrimônio genético do País. do Distrito Federal e dos Municípios está a de "combater . já exigida pela geração atual. 225.ambiental das emissões e dos lançamentos de rejeitos não deve superar a absorção da parte do próprio meio ambiente. O consumo dos recursos não-renováveis deve-se limitar a um nível mínimo. que possam prejudicar outros recursos. Outro aspecto de grande importância é a estrutura em espécies do ecossistema. O Poder Público precisa prevenir na origem os problemas de poluição e de degradação da Natureza. orientada para o crescimento contínuo. A Constituição determina ao Poder Público "fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético".: a Lei 9985/00 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservaçao. Podem ser de proteção integral (sendo proibido seu uso direito ou indireto) ou de uso sustentável. A estrutura em espécies não inclui somente o número e tipos de espécies presentes. a redução voluntária dos territórios em que vivem normalmente as espécies. a fauna e a flora . I). Esta norma geral.

A Constituição incorporou a metodologia das medidas liminares. que é preciso proibir as práticas que põem risco a existência da fauna e da flora. 225. por exemplo).. Percebe-se o equívoco que muitas vezes acontece. Visa a evitar uma prevenção falsa ou deturpada. o momento temporal em que ele deverá ser utilizado. quando o empreendimento já iniciou sua . a Constituição diz. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente Estudo Prévio de Impacto Ambiental.24. que tem uma diferença com o instituto já existente. Três pontos podem ser destacados no mandamento constitucional: 6. no emprego de técnicas (como a biotecnologia) e de substâncias (como agrotóxicos). ao obrigar à prevenção do risco do dano ambiental. §1º.) VII . 225. inegavelmente. sem sombra de dúvidas.. O texto constitucional inseriu o termo "Prévio" para situar. Crueldade é "a característica ou condição do que é cruel. A Constituição criou especificamente esse instituto jurídico. O risco na produção (da energia nuclear. não só a humana. §1º. competindo à União. sem nenhuma dúvida. 225 da Constituição Federal encerra. é inegável que a semente desse princípio está contida no art.. em matéria ambiental.. sem rodeios. VI). A Constituição Brasileira foi a primeira a inserir o Estudo de Impacto Ambiental . Se a Constituição não mencionou expressamente o princípio da precaução (que manda prevenir mesmo na incerteza do risco).e. na comercialização. sustentado no valor cultural ou recreativo que possa representar determinada atividade humana em relação aos animais. O disposto no art. §1º. na forma da lei.EIA. Analisando a Constituição Brasileira. têm função ecológica (art. 225. vedadas.proteger a fauna e a flora.a poluição em qualquer de suas formas" (art. por isso. Esse Estudo não pode ser concomitante e nem posterior à implantação da obra ou à realização da atividade. 6.V).o que quer dizer que há atos cruéis que acabam tornando-se hábitos. na forma da lei.. seja efetivada a ênfase na prevenção do dano ambiental.225. VII). o Estudo de Impacto Ambiental . 5. para a indução e direção de comportamentos.1. prazer em derramar sangue.EIA. Caráter prévio do EPIA O Estudo Prévio de Impacto Ambiental deve ser anterior ao licenciamento ambiental da obra ou da atividade. §1º. Myriam Fritz-Legendre afirma que "o termo 'extinção' parece traduzir a idéia de irreversibilidade".23. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade". indicando o periculum in mora como um dos critérios para antecipar a ação administrativa eficiente para proteger o homem e a biota. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. IV). Diante das situações de risco previstas na Constituição. que. possibilitando. Interdição das praticas que submetam os animais a crueldade e interpretação da expressão "na forma da lei" Diz a Constituição: "Para assegurar a efetividade desse direito. O texto constitucional fala em "práticas" . normas-objetivo determinantes dos fins a serem perseguidos pelo Estado e pela sociedade. Quando se chega a uma situação irreversível é porque nada há mais para fazer . A Constituição teve o mérito de focalizar o tema e de proibir a crueldade contra os animais. causar dor".exigir. consistente em acobertar perversidades ou violências sob o manto antropocentrista. destarte. a que se dará publicidade" (art. o Poder Público e a coletividade têm o dever de exigir medidas eficazes e rápidas na manutenção de toda forma de vida. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre o "controle da poluição" (art. VI). As práticas que provoquem a extinção das espécies (como represamento das águas em grandes áreas ou uso incontrolado de queimadas) devem ser vedadas.. V e VII. A valorização da prevenção através do Estudo Prévio de Impacto Ambiental A Constituição preceitua que: "Para assegurar a efetividade desse direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado incumbe ao Poder Público: IV . tem que ser controlado pelo Poder Público (art. incumbe ao Poder Público: (. por meio de políticas públicas. muitas vezes chamados erroneamente de manifestações culturais.

mesmo uma pequena alteração só pode ser feita por lei. a Mata Atlântica. assim. incumbe ao Poder Público: (. pois passa a ser dever do Poder Público levar o teor do Estudo ao conhecimento público. 7. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei. flora. pois recentemente tentou-se transformar uma via interna de comunicação do Parque Nacional de Iguaçu em estrada de rodagem. Áreas protegidas e patrimônio nacional como a Floresta Amazônica Brasileira. A Constituição foi explícita ao vedar toda forma de utilização que fira qualquer atributo do espaço territorial protegido. Não se protege um ou outro atributo.sido obstada pelo Poder Judiciário. na forma da lei. Ao contrário do que pode ocorrer como nos casos de sigilo industrial ou comercial. O estudo prévio de impacto ambiental deve ser exigido sem qualquer exceção Não é uma faculdade e sim uma obrigação. O EPIA e o direito a informação O EPIA deve ser publico. sendo todo seu conteúdo. Proibição de qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam a proteção dos espaços territoriais A utilização dessas unidades de conservação e/ou áreas de proteção ambiental só poderá ser feita de modo que não comprometa a totalidade dos atributos que justificam a proteção desses espaços. A audiência pública no EPIA. Conforme for o tipo de unidade de conservação haverá uma justificativa para sua proteção. e não uma parte . dentro de condições que assegurem a preservação do meio .implantação ou quando os planos de construção foram elaborados sem o EPIA. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. A alteração e a supressão das áreas protegidas somente através de lei Diz a Constituição Federal: "Para assegurar a efetividade desse direito. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam sua proteção" (art. subsolo.isto é.2. paisagem) . por todos os meios eficazes e disponíveis. Deixar o Estudo à disposição do público não é cumprir o preceito constitucional. o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional.) III . ainda que não prevista expressamente pela Constituição. pois . a dimensão da vedação de utilização não ficou unificada para todos os tipos de unidades de conservação. através de ação civil pública. Veda-se a utilização para não fragmentar a proteção do espaço e para não debilitar os "componentes" do espaço (fauna.APPs e reservas legais florestais. 7. A norma constitucional não abriu qualquer exceção à modificação dos espaços territoriais. pois dar publicidade é partilhar a informação.3. como..ainda que em resumo . áreas de preservação permanente.2. evita-se assim tentativas de escapar tentado escapar de elaborar a avaliação ambiental.definir. implicitamente está contida no texto constitucional. a Serra do Mar. decreto. III). em todas as unidades da Federação. A Constituição inova profundamente na proteção dos espaços territoriais. não pode haver dispensa de elaboração do EPIA. águas. solo...o Estudo de Impacto em órgão de comunicação adequado. e. ar. §1º. E vemos que foi necessária a previsão constitucional.salvo melhor juízo . mas todos ao mesmo tempo e em conjunto. nele nada há de secreto. Ao dizer a Constituição "veda qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justificam sua proteção". tendo a tentativa . Poderão essas áreas serem criadas por lei.1.o sentido da expressão "dará publicidade" é publicar.acessível ao público.apoiada por forças poderosas . 225. As características de cada tipo de unidade de conservação é que farão surgir o regime de proteção para esse espaço territorial. ficando proibida "qualquer utilização" que comprometa a integridade64 das referidas características ou atributos. 6. As áreas protegidas 7. a unidade de conservação fica integralmente protegida conforme seu tipo legal. por exemplo. portaria ou resolução. Dar publicidade ao Estudo transcende o conceito de possibilitar a leitura do Estudo ao público. 6. sua utilização far-se-á. unidades de conservação.

não sujeita à sanção do Presidente da República. §4º. valorizou a prevenção. e é da competência exclusiva do Congresso Nacional "aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares" (art. Nem toda atividade nuclear ficou submetida à prévia fiscalização do Congresso Nacional (só a usina nuclear). 225. Diz o §2º. indicando que os regionalismos não se devem sobrepor aos interesses ambientais nacionais. na Constituição. Assim. "Esta disposição traduz a idéia de reencontrar a dinâmica que existia antes. constitucionalmente. pois pode vetar as iniciativas nucleares do Poder Executivo. inclusive quanto ao uso dos recursos naturais (art. mas não esqueceu da reparação. dos recursos naturais existentes naquelas áreas que estejam sujeitas ao domínio privado. É. que a Constituição Federal precisou entrar especificamente na aplicação do princípio da reparação.. Sobre a localização das usinas nucleares. em exame. A obrigação de reparar o dano ambiental A Constituição agasalha os princípios da restauração. O §4º. pois se deixou de incluir o cerrado e a caatinga. O controle da energia nuclear A Constituição teve uma atenção especial para tratar da matéria. 225: Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. Mas já é um avanço enorme o poder que passou a ter o Congresso Nacional. "a"). Inovou. dizendo que "toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos". A recuperação do meio ambiente passou. recuperação e reparação do meio ambiente no art. 225. na forma da lei. a fazer parte do processo de exploração de recursos minerais. portanto. depois. XIV). não torna permissiva a legislação ambiental nas áreas não contempladas no texto. sem o quê não poderão ser instaladas" (§6º. para afirmar que "independe da existência de culpa" (art. "c"). 9. o licenciamento da mesma. desde que observadas às prescrições legais e respeitadas as condições necessárias à preservação ambiental. I. o parágrafo que encerra o art. do art. Acentua este parágrafo que a obrigação de reparar é independente da aplicação de sanções penais e administrativas.ambiente. 21. 225 diz: "As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal. condição indispensável para a instalação de usina nuclear que sua localização seja definida em lei federal. de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente. qualquer atividade nuclear militar. portanto. Houve omissão no texto constitucional. pois "aprovar as iniciativas nucleares do Poder Executivo" é uma competência do Parlamento exercida a posteriori. 225 consta a obrigação de reparar o dano causado ao meio ambiente. O Supremo Tribunal Federal entende que essas áreas não se transformaram em bens da União por serem chamadas de "patrimônio nacional". aponta a obrigação de "restaurar os processos ecológicos essenciais". vetando. Em seu §1º. Nenhum órgão público poderá autorizar qualquer pesquisa ou lavra mineral em que não esteja prevista a recuperação ambiental. Diante da obrigação do §2º." No §3º. do art. O traço marcante no texto constitucional é o controle da energia nuclear pelo Congresso Nacional. De tal magnitude estava a degradação causada pela exploração dos recursos minerais. Entrou na matéria de responsabilidade civil por danos nucleares. 49. toda atividade nuclear só será admitida mediante a aprovação do Congresso Nacional (art. XXIII. São duas etapas diferentes: escolha do local para situar a usina e. 21.. não impede a utilização. O Direito Ambiental. . isto é. pelos próprios particulares.). O texto é pedagógico no dizer que essas áreas integram o "patrimônio nacional". do art. Há de se reconhecer que são áreas frágeis e possuidoras de expressiva diversidade biológica. Além disso.).255. 8. no uso de sua competência "exclusiva". a legislação infraconstitucional não poderá ser complacente ou omissa com os que deixarem de efetuar a referida recuperação. XXIII.

IX .redução das desigualdades regionais e sociais. É preciso regrá-los no que se passou a chamar de desenvolvimento sustentado. desde que se tenha uma compreensão sistemática do ordenamento jurídico brasileiro. Banco do Brasil) coloque no seu estatuto jurídico "sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade". conforme os ditames da justiça social. Os constituintes de 1988 foram sábios em fazer essa junção de princípios para tentar bem conduzir o País e formar uma sociedade "livre. V . Os princípios da atividade econômica brasileira No Título VII ("Da Ordem Econômica e Financeira") são apresentados os princípios gerais da atividade econômica: "Art. Reconhecer que a propriedade tem. Há o elemento individual. há o componente ambiental. §1º.3. Juntam-se. Os direitos de propriedade e do meio ambiente. 11. salvo nos casos previstos em lei. independentemente de autorização de órgãos públicos.soberania nacional. um desenvolvimento econômico. 11. tem por fim assegurar a todos existência digna. VII .tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. observados os seguintes princípios: I . mas um fator que a Carta Maior manda levar em conta. III . também. Registro a determinação da Constituição de que a Administração indireta (empresas públicas e sociedades de economia mista e suas subsidiárias . VI . fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. O direito a educação ambiental A Constituição diz que incumbe ao Poder Público "promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização Publica para a preservação do meio ambiente" (art. A função social da propriedade e o meio ambiente Não existe um conflito entre o direito de propriedade e a proteção jurídica do meio ambiente.função social da propriedade.10. uma função social é tratar a propriedade como um ente isolado na sociedade.795/1999 dispôs sobre a educação ambiental e instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. um desenvolvimento social. por exemplo. A fruição da propriedade não pode legitimar a emissão de poluentes que vão invadir a propriedade de outros indivíduos. O conteúdo da propriedade não reside num só elemento.busca do pleno emprego. 11. sob o enfoque da sustentabilidade". aí. VI).defesa do consumidor. 170 e 32). Pretende-se um desenvolvimento ambiental. justa e solidária". Desenvolvimento ambiental e desenvolvimento sustentado A defesa do meio ambiente é uma dessas questões que obrigatoriamente devem constar da agenda econômica pública e privada.1. Petrobrás.como. 170. que possibilita o gozo e o lucro para o proprietário. são compatíveis. A defesa do meio ambiente não é uma questão de gosto. Afirmar a propriedade tem uma função social não é transformá-la em vítima da sociedade. função social e fiscalização pela sociedade. de ideologia e de moda.2.defesa do meio ambiente. II . VIII . A Lei 9. considerando a interdependência entre o meio natural..propriedade privada. A defesa do meio ambiente passa a fazer parte do desenvolvimento nacional (arts. . O desenvolvimento e o meio ambiente 11. IV .livre concorrência. 225. o sócio-econômico e o cultural. Parágrafo único. A ordem econômica. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. Como um dos objetivos da lei está o incentivo à participação individual e coletiva. Entre seus princípios básicos está a "concepção do meio ambiente em sua totalidade. inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. Mas outros elementos aglutinam-se a esse: além do fator social.

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