Esta resenha tem como objeto a abordagem geral acerca da

temática Responsabilidade civil e seus aspectos.

.Para Maria Helena Diniz, a Responsabilidade Civil "é a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar o dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou de animal sob sua guarda, ou ainda, de simples imposição legal". Ou seja, é o mecanismo que o direito utiliza para reparar o dano ao cidadão, tanto na esfera material quanto moral. Então toda vez que o direito atinge certos contextos como a reparação de dano, indenizações, perdas e danos e ressarcimento, estaremos falando em responsabilidade civil. A Responsabilidade Civil se destrincha e vários tipos e subjetivos, como por exemplo, temos a responsabilidade Subjetiva e a Objetiva. A subjetiva se dá a respeito da culpa do agente, porém deve ser comprovada a culpa para gerar qualquer ônus indenizatório, pois, somente se configura se ele agiu com dolo ou culpa. Trata-se da teoria clássica, que também é conhecida como teoria da culpa ou teoria subjetiva, que abrange a prova da culpa lato sensu (abrangendo o dolo) ou stricto sensu se constitui num pressuposto do dano indenizável. E a objetiva que diz que independente do dano causado por outrem a obrigação de indenizar é clara e evidente, conceito que o próprio legislador montou em diversos aspectos do nosso código. Ou seja, basta haver o dano e nexo da causalidade para o agente concorrer a este tipo de conduta, claro que vamos depender sempre dos pressupostos da responsabilidade civil para classificar as espécies.

para acarretar a culpa do agente é necessário a comprovação do dano dela sofrido. que cause dano a outrem. mais do próprio ato. estudiosos. o dano é a lesão que o bem moral ou patrimonial sofreu durante determinado ato. uma lesão concreta a vitima. portanto são divididos em subtipos. A primeira considera a culpa do ponto de vista moral. Também conhecido como prejuízo. por isso. ou seja. Elemento importante na responsabilidade civil. mais hoje conseguimos amadurecer e ter uma definição aceitável no direito. também conhecidos como os elementos básicos da responsabilidade civil. dano (patrimonial e moral). pois sem este elemento preponderante não haveria o que reparar. tange em tudo ou todos que foram lesados quanto à ação do agente. historiadores e doutrinadores criaram definições vazias e preenchidas deste tema. ou seja. ou o fato de animal ou de coisa inanimada. a mais comum é: a ação. por ser um tema ainda muito relativo e histórico. do próprio agente ou de terceiro. comissivo ou omissivo. observamos que a doutrina é clara quanto à abrangência do conceito. Ele é divido em dois tipos o moral que é a lesão ao bem imaterial da pessoa física ou jurídica e o material que condiz com a lesão no patrimônio em ci. ao longo da história se deu vários conceitos sobre ela. claro que. porém não creio que possamos fazer uma definição tão sólida. claro que as doutrinas divergem quanto a sua classificação. gerando o dever de satisfazer os direitos do lesado”. O dano. como já foi dito são elementos que classificam a responsabilidade civil. A Culpa. ilícito ou licito. mesmo que a conduta tenha sido dolosa ou culposa. nexo da causalidade. como próximo passo desta etapa conceitual. A ação.Os Pressupostos da responsabilidade civil. ele é essencial para a continuidade do processo de atribuição sobre a responsabilidade civil do autor. quando defini que não só depende da vontade. ou seja. voluntário e objetivamente imputável. em sua essência é puramente definida por Maria Helena Diniz como “todo ato humano. Ao longo da historia pensadores. levando-se em conta. além de uma .

ex. 874 a 877 do CC). ex. sem considerações morais. leve (quando a lesão de direito puder ser evitada com atenção ordinária) e Levíssima (falta for evitável por uma atenção extraordinária. Entretanto. a maior parte dos juristas. ex. deixando-o morrer afogado. for negligente. Contudo.: um professor de natação que. A culpa in vigilando é aquela que decorre da falta de atenção com o procedimento de outrem. I e II do CC. com imprudência. Já a segunda vertente entende a infração de norma comportamental do ponto de vista social.infração a uma norma de conduta. como p. in vlilando e in custodiendo. houver negligência extrema do agente). in omittendo. como p. quer à coisa. É o que se observa no art. Também a culpa é graduada em três níveis: Grave (quando dolosamente. não se deixa influenciar pela gravidade da culpa para exercer a reparação sobre o dano. sendo um padrão ao critério do julgador. 1521. por estar distraído. o qual origina acidentes. isto é. 1521. Esta modalidade está prevista no art. incs. Quanto a seu conteúdo podemos afirmar que a culpa pode ser: in committendo ou in faciendo. ou seja. inc. . Tem-se a culpa in committendo quando o agente pratica um ato positivo. in eligendo. Mas se ele cometer uma abstenção. não socorre o aluno.: admitir ou manter a seu serviço empregado não habilitado legalmente ou sem aptidões requeridas. a omissão só poderá ser considerada causa jurídica do dano se houver existência do dever de praticar o ato não cumprido e certeza ou grande probabilidade do fato omitido ter impedido a produção do evento danoso. Já a culpa in eligendo advém da má escolha daquele em quem se confia a prática de um ato ou o adimplemento da obrigação. como p. cujo ato ilícito o responsável deve pagar. conforme os arts.: a ausência de fiscalização do patrão quer relativamente aos seus empregados. É a hipótese de empresa de transportes que permite a saída de ônibus sem freios. III do CC e na Súmula 341 do STF. Para se verificar essa infração compara-se tal atitude com a atitude que normalmente tomaria um homem médio (in abstrato). o livre arbítrio da pessoa. ou especial habilidade e conhecimento singular.

consoante os art. quando se confere sua sanabilidade e condições pessoais e espirituais.”Já a culpabilidade ou culpa em sentido amplo. verificar se o dano foi realmente decorrente daquela conduta.“É a violação de um dever jurídico. o patrão pelos danos causados por seus empregados. (ação + dano).E. sem ela o dano poderia existir. No direito brasileiro. segundo Maria Helena Diniz. em regra. Se o ato for realmente ilícito devemos levar em consideração dois conceitos principais. pois engloba o dolo (violação intencional do dever jurídico) e a culpa em sentido estrito (imprudência. . Assim. ou seja. ou seja. sob os cuidados do agente. 1521. os donos ou detentores de animais pelos prejuízos causados por esses a terceiros. 1527 e 1528 do CC. imputável a alguém. o nexo é o liame entre a conduta e o dano. animal ou objeto. mais a moderna doutrina afirma que a imputabilidade não só é um elemento mais sim um pressuposto da própria culpabilidade. O último pressuposto para que se tenha a responsabilidade civil é o nexo de causalidade. por fim. Muitos doutrinadores aceitam a tese de que a imputabilidade é elemento constitutivo da culpabilidade. em decorrência de fato intencional ou de omissão de diligência ou cautela”. que engloba o dolo. levando em conta que a imputabilidade deve preceder a culpabilidade. Tal modalidade possui presunção iuris tantum de culpa. se. . o proprietário do edifício ou construção pelos danos resultantes da ruína. a culpa in custodiendo é aquela que advém da falta de cautela ou atenção em relação a uma pessoa. presumem-se culpados os representantes legais por seus representados. podemos ver que a imputabilidade é uma aptidão de que é dotado o sujeito. Por isso. Com isso podemos dizer que se o agente encontrava-se em total discernimento dos fatos ele é imputável . imperícia e negligência). se está apto ou não para cometer atos ilícitos e suportar suas conseqüências.E é culpável aquele que agiu efetivamente com culpa em seu sentido lato. todos os atos livres e conscientes praticados por uma pessoa são a ela imputáveis.

37. vai pressupor a culpabilidade do autor do dano que pressuporá a ilicitude do ato do agente. . Sendo assim. o nexo causal e a imputabilidade daquele dano naquele agente. O dever de indenizar. principalmente quando tratamos de “risco administrativo” e “risco geral”. È ai que surge a teoria objetiva ou teoria do risco. causarem a terceiros. publicidade e. de qualquer dos Poderes da União. Vale ressaltar que quando o assunto é o estado. E. Art. o dano. onde basta a ação. em muita das vezes os elementos de prova se encontram em posse do antagonista ora acusado. também. então.. indireta ou fundacional.” . ou seja. a maioria dos doutrinadores defendem que a teoria do risco e subdivida e varias outros tratam como apenas um diferenciação semântica. “risco administrativo” e “risco perigo”. Vamos fazer uma abordagem especifica sobre o tema. espécies como “risco geral”. Risco proveito e o risco integral. Todavia.F. “C. Há também os tipos de risco que são o Risco criado.Não se deve confundir culpabilidade com ilicitude.É muito complicado para o lesado já estando em prejuízo provar a culpa do agente. . ficando a cargo do acusado provar sua inocência. A administração pública direta. direito objetivo. o ato é ilícito porque viola a lei. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. ao seguinte: § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. impessoalidade. moralidade. e pode ser que não viole um direito subjetivo. ninguém é obrigado a fazer provas contra si mesmo inicía-se assim uma objeção. tratamos o fato de existir a responsabilidade civil objetiva como um fato.Comentamos agora sobre a teoria do risco e seus aspectos. há a perturbação do ônus da prova. Não é basilar pela teoria do risco analisar a culpa do agente. uma vez que. “risco empresa”. nessa qualidade. dos Estados. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. pois esta é objetiva e tem como sinônimo a antijuricidade.

C. O art. . descreve o risco integral que cabe ao Estado. e o importador respondem independentemente da existência de culpa. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. causar dano a outrem. as mesmas elencadas na culpabilidade. fica obrigado a repará-lo. manipulação. fórmulas. na visão de certos autores. o construtor. por sua natureza. 37 da C. montagem.C. ainda que não haja culpa de sua parte. onde se admite duas excludentes. Um exemplo é a indústria radioativa que por força de lei é responsabilizada integralmente pelo material que utiliza em seu trabalho. . que entendem por excludentes o caso fortuito ou força maior e a culpa exclusiva da vítima. Ex: art. anteriormente os tipos de risco são três: Risco criado: é aquele em que colocando em risco os direitos alheios há o dever de indenizar. 12.F. C. fabricação. nos casos especificados em lei. nacional ou estrangeiro. 186 e 187). independentemente de culpa.Como comentado. C. CDC. risco para os direitos de outrem. Parágrafo único – Haverá obrigação de reparar o dano. é aquele em que só se deve indenizar uma vez que o dano gera algum proveito/lucro ao agente causador. bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. por ato ilícito (arts. O outro é Risco proveito: não é adotado no Direito pátrio (no Direito brasileiro). o produtor. 927. construção. Este é o risco adotado basicamente na legislação brasileira. Art. E o ultimo é o Risco integral: é aquele que não admite nenhuma excludente.Já no direito privado podemos contar a partir da década de 90 com o código de defesa do consumidor (Lei 8078/1990). Art. Importante notar que a teoria objetiva ou de risco somente será usada quando estiver expressamente determinada em lei. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto. 933. O fabricante. Aquele que. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente. 12 do Código de Defesa do Consumidor e 933 do Código Civil. apresentação ou acondicionamento de seus produtos. Art.

leis inconstitucionais. responsabilidade do Estado. Destacando hoje. E pode ser definida como um dos temas mais complexos e polêmicos do direito. consumidor. entre questões processuais e etc. pois ela define como a culpa do agente pode ser analisada em todos os casos da esfera civil. seguros. trânsito. quanto à responsabilidade civil cabem vários aspectos e teorias. em nossa legislação não podemos definir um só conceito para este tema tão vasto. alienação parental. atos judiciais do MP e do Defensor Público. e-commerce. podemos parear questões como dano moral.. transportes. então. demora na prestação jurisdicional. erro judiciário. bancos. o tema tem como conteúdo praticamente todas as questões que lhe nos são pertinentes quanto a esse ramo. arbitragem. imprensa. só nos permite dizer que ela é fato primordial enquanto a sua definição.Concluímos que. assédio sexual e moral. sobre bullying. . Temas como aos novos estudos. quanto a seus tipos de subtipos. consagrada por sua abrangência e atualidade.

Curso de Direito Civil Brasileiro volume 7. .Referências Bibliográficas BRITTO. Maria Helena. Doutrina e Jurisprudência. Teresina. Revista dos tribunais.23ª Ed. Rui. Tratado de Responsabilidade Civil . Jus Navigandi. Marcelo Silva. Responsabilidade Civil . n. 314. 17 maio 2004 DINIZ. 20 STOCO.8ªEd. ano 9. Alguns aspectos polêmicos da responsabilidade civil objetiva no novo Código Civil.

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