Imunidades tributárias à luz do entendimento do Supremo Tribunal Federal Paulo Vitor Coelho Dias* 1 - Introdução

A Constituição Federal prevê 33 (trinta e três) hipóteses de imunidades tributárias em relação às diversas espécies, a seguir distribuídas. São 07 (sete) hipóteses de imunidades genéricas (dizem respeito somente a impostos) e 26 (vinte e seis) hipóteses são imunidades específicas, sendo que 11 (onze) dessas são referentes a impostos, 11 (onze) relativas a taxas e 04 (quatro) dizem respeito a contribuições. Estudaremos neste trabalho as imunidades genéricas previstas no artigo 150, VI, "a", "b", "c" e "d", e § § 2º a 4º, da Lei Maior, quais sejam, a imunidade recíproca; dos templos de qualquer culto; dos partidos políticos; das entidades sindicais de trabalhadores; das instituições de educação e assistência social; e dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Tais imunidades são consideradas genéricas porque dirigem vedações às pessoas políticas, abrangendo impostos que recaiam sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades. Abordaremos as lições de Hugo de Brito Machado, Aliomar Baleeiro, Paulo de Barros Carvalho, Ricardo Lobo Torres, Eduardo de Moraes Sabbag, Luciano Amaro, Kiyoshi Harada, Celso Ribeiro Bastos, dentre outros e, também, as de Regina Helena da Costa que demonstra tamanha sabedoria no estudo de imunidades tributárias. De há muito, já existiam as imunidades tributárias. As mesmas já eram previstas no texto da Constituição de 1967, exceto as hipóteses relativas às fundações instituídas e mantidas pelo poder público, às fundações dos partidos políticos e às entidades dos trabalhadores. A Constituição Federal de 1988 trouxe a expressão "sem fins lucrativos" prevista na alínea "c" do dispositivo constitucional supramencionado. Apesar de a Carta Magna prever em seu artigo 150, § 2º, a extensão das imunidades tributárias às autarquias e às fundações mantidas pelo poder público, trataremos nesta monografia as decisões do Supremo Tribunal Federal, estendendo-se as imunidades para determinadas empresas públicas e sociedades de economia mista. Pelo presente trabalho, extraiu-se a essência das imunidades tributárias previstas na Constituição Federal, pois a matéria encontra guarida em vários princípios constitucionais, tais como liberdade de expressão, acesso à cultura e à informação, livre manifestação de pensamento, capacidade contributiva, federalismo, autonomia municipal, difusão da liberdade política, proteção da liberdade sindical, liberdade religiosa no país e difusão das atividades de benemerência no âmbito social. Desta feita, procuramos, com esta pesquisa, tentar sintetizar, de forma clara e concisa, este tema, através de pesquisas em obras doutrinárias e jurisprudências do Supremo Tribunal Federal, sem perder a visão crítica de alguns aspectos que as cercam.

2 - Conceito
As imunidades tributárias estão insertas dentre as limitações constitucionais do poder de tributar, ganhando estatura, para o Supremo Tribunal Federal, de cláusulas pétreas, ou seja, imodificáveis por emendas constitucionais, em razão da impossibilidade destas estiolar direitos e garantias individuais previstos no artigo 60, § 4º, IV da Constituição Federal. A Constituição Federal intitula a Seção II do Capítulo VI "Das Limitações ao Poder de Tributar" e, dentro dela, insere, as imunidades tributárias propriamente ditas e os demais princípios de

normas reguladoras dos direitos e garantias individuais, como legalidade, irretroatividade, anterioridade, isonomia, vedação ao confisco, liberdade de tráfego e outros. Em análise aos limites do poder de tributar em relação aos princípios e às imunidades, podemos extrair a seguinte lição de Aliomar Baleeiro: Os princípios e imunidades geram os mesmos efeitos: limitam o poder de tributar. Mas os princípios são normas e diretrizes gerais, que não estabelecem a incompetência tributária sobre certos fatos ou situações determinados, enquanto as imunidades: 1. são normas que somente atingem certos fatos e situações, amplamente determinadas (ou necessariamente determináveis) na Constituição; 2. reduzem, parcialmente, o âmbito de abrangência das normas atributivas do poder aos entes políticos da Federação, delimitando-lhes negativamente a competência; 3. e, sendo proibições de tributar expressas (ou fortes), têm eficácia ampla e imediata; 4. criam direitos ou permissões em favor das pessoas imunes, de forma juridicamente qualificada.(01) De acordo com o autor supracitado, podemos conceituar imunidade tributária da seguinte maneira: É a norma que estabelece a incompetência. Ora, estabelecer incompetência é negar competência ou denegar poder de instituir tributos, conjunto de normas que só adquire sentido em contraste com outro conjunto que atribui ou concede poder tributário. Conjunto só inteligível se logicamente se pressupõe um outro conjunto, por ele reduzido ou delimitado: o das normas atributivas de poder.(02) Para Hugo de Brito Machado: Imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição à incidência de regra jurídica de tributação. O que é imune não pode ser tributado. A imunidade impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune. É limitação de competência tributária.(03) Frise-se que as imunidades demarcarão "campos" dentro dos quais não poderá haver a incidência tributária, sendo, portanto, "áreas de intributabilidade". A imunidade pode ser considerada o reverso da competência tributária. Nesse diapasão, como as imunidades tributárias constituem normas impeditivas de competência tributária, convém salientar alguns atributos tratados por Regina Helena da Costa,(04) a saber: a) privativa ou exclusiva porque se refere somente às pessoas, bens e situações expressamente indicadas no texto constitucional; b) indelegável, visto que não pode ser imputada a outrem; c) incaducável ou imprescritível, porque mesmo que não exercida por longo tempo não impõe a extinção do direito público subjetivo; d) inalterável, já que a pessoa beneficiada a recebe da constituição e não tem a possibilidade de modificá-la; e) irrenunciável,(05) visto que a pessoa imune não pode abrir mão da imunidade, mesmo que até pague o tributo imunizado; f) facultativa, eis que a pessoa beneficiada pode ou não valer-se da norma imunizante. O escopo das imunidades tributárias está atrelado a conceitos de natureza política e social de determinada sociedade em dado momento histórico, com o intento de garantir liberdades individuais previstas na própria Constituição Federal através de exoneração de tributos para não macular a existência de direitos relevantes.

verbi gratia.. ao Distrito Federal e aos Municípios: (. não restam dúvidas de que as principais imunidades. ou mesmo cobrar a contribuição de melhoria de uma entidade sindical de trabalhadores. fica traçada uma semelhança entre as duas instituições expostas. enquanto que a isenção se dá no plano da legislação ordinária. Note que o artigo 9º. b) templos de qualquer culto. Com relação aos demais tributos não mencionados no artigo supracitado.) a circunstância de serem normas jurídicas válidas no sistema. uns dos outros. das instituições de educação e de assistência social. consoante o artigo 150. podemos concluir pela plausibilidade da nova redação trazida pela Constituição Federal. Convém salientar que o artigo em comento trouxe a regra imunizante apenas e tão-somente aos impostos. e tratarem de matéria tributária. mas no sentido de "instituir imposto. aos Estados. pode-se afirmar que não há dever prestacional tributário.(06) Quanto ao mais. Não perca de vista que as principais imunidades atingem tributos e não apenas uma espécie deles. pois não há uma coadunação entre a sistemática da imunidade tributária e a de isenção. c) patrimônio. podemos sublinhar apenas três semelhanças entre as duas instituições. pacto federativo. das entidades sindicais dos trabalhadores.. 2. da Constituição Federal traz a mesma vedação. renda ou serviços. atendidos os requisitos da lei. 150.instituir impostos sobre: a) patrimônio. as dispensas. Porém. pois tanto no caso de imunidade quanto na hipótese de isenção. justificando. ao passo que a infringência de lei que traduz a isenção importa em ilegalidade e não em inconstitucionalidade. liberdade religiosa. inclusive suas fundações. pois deve se vedar a decretação e não a cobrança do imposto decretado. tais gravames prevalecem sobre a regra imunizante. há grandes diferenças entre as duas espécies normativas. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. sem fins lucrativos. as regras imunizantes sinalizam situações que prestigiam valores constitucionalmente inafastáveis. Cabe salientar que o paralelo supramencionado não se justifica. a liberdade de expressão. A Constituição Federal refere-se a espécie "impostos" e não a taxas ou contribuições. Portanto.. quais sejam: (. teleologicamente. as leis ordinárias que violam as regras imunizantes são inconstitucionais. podemos fazer um paralelo entre tais instituições. acesso à cultura. às quais nos ateremos neste trabalho. versam sobre impostos. do Código Tributário Nacional. Sendo assim. devese considerar que os mesmos são sinalagmáticos. renda ou serviços dos partidos políticos. pois a imunidade tributária é norma constitucional.Destarte. periódicos e o papel destinado a sua impressão. portanto. De acordo com Paulo de Barros Carvalho. diz que é vedado à União. inciso VI. como. inciso IV. integrarem a classe de regra de estrutura. inciso VI da Constituição Federal: Art. .1 Diferenças entre imunidade e isenção Antes de diferenciarmos imunidade de isenção tributária. pode-se cobrar uma taxa de uma igreja. portanto. liberdade política e a difusão da educação e do ensino. aos Estados. jornais."(08) Diante dessas divergências. é vedado à União. ao Distrito Federal e aos Municípios "cobrar imposto"(07) e o artigo 150. d) livros.. Neste aspecto.) VI .

devemos considerar que as imunidades foram firmadas em considerações extrajurídicas. extraímos que as imunidades tributárias estão contidas na Constituição Federal.. decidiu-se a impossibilidade de incidência de impostos estaduais sobre o banco de propriedade da União. tendo como relator o Juiz Marshall. 150. podem ter o condão de inibir a atividade legislativa ordinária. Sobretudo. Mas a situação do não contribuinte. não é diversa daquele isento ou imune. Uma proibição aos entes políticos da Federação de instituir imposto (no caso a imunidade) ou uma proibição à cobrança de tributo (no caso a isenção ou alíquota zero). decorrente de regra da Constituição. Nesta evolução histórica. em função das ideias políticas vigentes. Com efeito.é um favor legal consubstanciado na dispensa de pagamento de tributo devido.(09) Em conclusão.Imunidade intergovernamental recíproca A origem da imunidade tributária recíproca provém da Suprema Corte americana. Imunidade . aos Estados.(13) 3 . ao Distrito Federal e aos Municípios: (. entretanto. convém transcrever o trecho digno de nota da ilustre obra de Aliomar Baleeiro: As imunidades e as isenções (incluída a alíquota zero) são permissões explícitas do ponto de vista do contribuinte e configuram proibições ou deveres de omissão aos entes estatais. num instante considerado. a jurisprudência americana se expandiu.(10) Em uma diferenciação mais simplista. evita-se o lançamento. Tão-somente aquelas que irrompem do próprio texto da Lei Fundamental. Portanto. atendendo à orientação do Poder Constituinte Originário.(12) Portanto. se há isenção. No famoso caso McCulloch vs. o ilustre professor Eduardo de Moraes Sabbag. preservando determinados valores fundamentais à sociedade brasileira. a autoridade legislativa evita que o sujeito passivo da obrigação tributária se submeta ao tributo. podemos concluir que as imunidades tributárias são endógenas em relação às normas de competência tributária. do ponto de vista eficacial. à incidência de tributos sobre determinados fatos ou situações.) VI . Maryland em 1819. nos traz conceitos enriquecedores dos dois institutos: Isenção .Em análise ao brilhante conceito de Paulo de Barros Carvalho. dispõe a Constituição Federal de 1988: Art. pois lhes delimitam negativamente a extensão. sofremos a ingerência americana a partir da Constituição de 1891 e dos trabalhos de Rui Barbosa.instituir impostos sobre: .. isto é. O quadro das proposições normativas de nível constitucional é seu precípuo campo de eleição.(11) Diante do exposto. No Brasil. é vedado à União. com o intento de proteger o governo federal.é uma não incidência constitucionalmente qualificada. Sendo assim. Apenas implícita. É o obstáculo. escala hierárquica em que nascem as regras tributárias em sentido estrito. cabe transcrever o trecho em que o autor elucida tal afirmativa: O universo do direito brasileiro abriga muitas interdições explícitas que. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. guardarão a fisionomia jurídica de normas de imunidade. atuando dentro delas para diminuir-lhes a eficácia. não se pode falar em imunidade.

a imunidade intergovernamental recíproca prevista do artigo 150.IOF . Segundo Sacha Calmon Navarro Coêlho. inciso VI. segundo o qual a imunidade abrangeria impostos sobre patrimônio. patrimônio e serviços possuem significados amplos. Serviços são públicos. renda e serviços. Destarte. neste último caso. uns dos outros.juros do título público. na linguagem francesa .(16) A alínea "a" menciona um rol classificatório.(18) o nome jurídico renda. Como sempre defendeu o mestre Baleeiro. (. sim. na década de 90. podemos considerar que a imunidade recíproca esquiva não apenas a incidência de impostos que tenham por fatos geradores. ou relativas a títulos ou valores mobiliários(20) (IOF). as rendas ou os serviços. à outorga de uma especial vantagem ou especial despesa provocada pelo sujeito passivo. como consectário imprescindível da conjugação do esquema federativo de Estado. vejamos o que se entende por renda. Portanto. corpóreas ou não. quando o Estado ou Município faz aplicações financeiras. móveis ou imóveis. mas também. Não é admissível.033/90 (oriunda da Medida Provisória nº 16/90). através da Lei 8. que impôs a incidência do imposto sobre operações de crédito . salvo. os tributos correspondem a uma prestação consubstanciada na realização de uma atuação estatal. da Constituição Federal. o significado que Rui defendeu para rendas. Deve-se considerar que o imposto sobre operações de crédito. nitidamente. expressamente referida ao sujeito. Municípios e suas respectivas autarquias. mas também os preços públicos que possam provir do exercício de suas atribuições. ou. atinge o patrimônio mobiliário do ente estatal. ocorreu o plano Brasil (do governo Collor). amparados pela estrutura federativa do Estado e pela autonomia municipal.a) patrimônio. a quaisquer impostos que molestam o patrimônio ou a renda das entidades estatais. equiparando-se às rente. nessa hipótese. em qualquer caso. . mas apenas sobre uma espécie do gênero (impostos). segundo a noção que deles dá o direito administrativo. estaríamos obrigados a aceitarmos tal imunidade..) Rendas não são apenas os tributos.sobre aplicações financeiras. Portanto. câmbio e seguro. então. zelando o poder aquisitivo da moeda em períodos de alta inflação.(15) se não existisse tal disposição constitucional. podemos concluir que tal imunidade não tem atuação sobre tributos.. remunerando-a. Todavia. se assumirem o caráter de imposto. Segundo Oswaldo Aranha Bandeira de Mello. de venda de seus bens e utilização de seus serviços. (. feitas pelos Estados. afastando-se quaisquer impostos que pudessem onerar economicamente a entidade impositora. à luz do princípio da capacidade contributiva. patrimônio e serviços: Constituem o patrimônio todos os bens ou todas as coisas vinculadas à propriedade pública e integrantes do serviço público.(21) deve-se considerar que as entidades estatais devem estar excluídas de quaisquer tributações. Em uma interpretação literal do dispositivo constitucional. inclusive complexo de coisas. Outrossim. renda ou serviços..) A imunidade recíproca prevista no aludido dispositivo constitucional decorre da igualdade entre os entes. infringindo. não há imunidade sobre taxas.. universitas rerum. não estão especulando o mercado financeiro. "a". contribuições de melhoria e contribuições parafiscais.(17) deve-se dar interpretação lato sensu à expressão. sua exigência não configura o exercício de supremacia de um ente político sobre o outro justamente porque. o patrimônio. para o Supremo Tribunal Federal.(19) A título de exemplo. como uma empresa. Como bem ilustra Regina Helena da Costa: No caso de tributos vinculados. mas.

inciso I. a interpretação sobre a extensão da imunidade recíproca deve levar em conta as repercussões dos impostos sobre o patrimônio publico. O artigo 150. todos autônomos nos termos desta Constituição.1 . Com efeito. Estados.. da Constituição Federal.) a forma federativa de Estado". em que as entidades impositoras (União. caput. sendo que o caput de seu artigo 18 complementa. Pois. o Distrito Federal e os Municípios. podendo ser entendido como garantia à liberdade forma de redução da concentração do poder . § 4º. já houve transferência para o Poder Público. gerando o caos e pondo em sérios risco a federação brasileira. existe um federalismo de equilíbrio. Fácil ver que. que une aquele que o cobra e aquele de quem se cobra. sua inclusão ao amparo da imunidade recíproca deu-se com a Carta Magna de 1988. Aqui se estende a imunidade recíproca às autarquias e . Resta claro que o avanço do Federalismo. presume-se um poder de sujeição.. estabelecendo que "a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. em favor de um desenvolvimento solidário federalismo cooperativo . um ente político poderia intrometer-se nos negócios do outro. de 1965. a imunidade recíproca está protegida contra emendas constitucionais. no Brasil. da Constituição Federal. inciso VI. a cobrança de impostos. restritivas ou formal.'.. mas sim. constituindo-se em Estado Democrático de Direito. Mormente. "a". § 1º. § 4º. por força do disposto no artigo 60. nem é signo de capacidade econômica. Municípios e Distrito Federal). na teoria da imunidade recíproca.(22) 3. com o entendimento do mestre Aliomar Baleeiro. mais uma vez.Neste raciocínio. (24) Por fim."(23) Convém salientar que. que foi o grande precursor desta interpretação lata no que diz respeito à imunidade recíproca.Elemento teleolóligo O elemento teleológico da imunidade tributária deste capítulo é o pacto federativo previsto no artigo 60. deve ser compreendido com a leitura do § 2º do mesmo artigo. da Constituição Federal estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. porque já pertence à coletividade. O artigo 1º. como um tributo unilateral. determina que 'sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte. sendo instrumento governamental. É totalmente desnecessário um ente estatal arredar o imposto e entregá-lo para outro. 145. da Constituição Federal de 1988. No que diz respeito às fundações públicas..(25) 3. I. convém concluir. pacificadas. Se o art. em face da subordinação tributária. deve-se levar em consideração que a finalidade precípua do imposto é munir os cofres públicos de recursos para atingir os anseios sociais. os Estados.. não existisse tal regra imunitória. se sujeita ao princípio da solidariedade no pagamento de imposto.) Geraldo Atatiba do que na direção de uma interpretação literal. tampouco. não são hierarquizadas.2 .e penetrado na ideia de igualdade. Transcrevo: A constituição de 1988 parece antes apontar mais no sentido de fortalecer a tese de (. nem.Extensão da imunidade recíproca Antes de mais nada. saliente-se que a inclusão das autarquias como beneficiárias da imunidade tributária remonta à Emenda Constitucional 18. o qual. Sua normatividade efetiva repele as ficções ou presunções jurídicas que escondem os verdadeiros valores e princípios fundamentais. da diminuição das grandes diferenças econômico-materiais.se faz sentir. segundo o qual "não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir (..

. titular de competência privativa para instituir e cobrar o IPTU. no que se refere ao patrimônio. Vejamos a íntegra do dispositivo legal em questão: Art.(26) Diante do exposto. submete-se a regime jurídico de direito público. privilégios e sujeições. os imóveis das autarquias não ligados às suas atividades institucionais são passíveis de tributação pelo IPTU (grifo nosso). é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público.A vedação do inciso VI. prerrogativas. vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes (grifo nosso).fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. para fruir a imunidade tributária.) § 2º .) o Município. numa interpretação literal. Mas em se tratando de serviços públicos concedidos. conforme visto no início deste capítulo. (.(30) .) VI . necessários se faz conhecermos a natureza jurídica dessas entidades que compõem a Administração Pública Indireta.. os imóveis das empresas concessionárias ficam sujeitos ao gravame. Traduzindo o dispositivo constitucional.(27) o que importa é preservar o "patrimônio" e a "renda" dos entes políticos e de suas autarquias e fundações do ataque de quaisquer impostos. sem fins lucrativos. mister se faz a irrefragável lição de Sacha Calmon Navarro Coêlho: (. Sem sombra de dúvida este é o caminho mais consentâneo com a axiologia da imunidade recíproca. extinção. quanto à criação. do dispositivo constitucional transcrito linhas retro que as imunidades se estendem às autarquias e fundações públicas apenas no que tange ao patrimônio. distintos daquelas pertencentes ao ente que a instituiu. De acordo com Maria Sylvia Zanella di Pietro. é vedado à União. criadas em virtude de autorização legislativa para o desenvolvimento de atividades que exijam execução por órgão ou entidades de direito publico. entender as autarquias como: Sendo pessoa jurídica. Celso Antonio Bandeira de Mello conceitua autarquias como "pessoas jurídicas de direito público de capacidade exclusivamente administrativa". poderes. concluímos que há uma condição inafastável prevista na parte final do § 2º do Artigo 150: a entidade autárquica e a fundacional.(29) Já as fundações são entidades dotadas de personalidade jurídica de direito privado. ao Distrito Federal e aos Municípios: (. "a". ela é titular de direitos e obrigações próprios. se e quando afetados à destinação específica destas. deve cumprir a finalidade precípua. de forma muito feliz. 150.. não pode tributar os terrenos e edifícios da União e dos Estados. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. sendo pública. renda ou serviços. Nesse sentido. Para melhor elucidar o alcance da imunidade tributária recíproca às autarquias e fundações públicas. à renda e aos serviços. com autonomia administrativa. devemos concluir que não se deve permitir que a res publica venha a ser melindrada pela tributação. aos Estados. Todavia. De igual modo. devemos aplicar uma interpretação lata nesse aspecto. uns dos outros.instituir impostos sobre: a) patrimônio.(28) Sinteticamente. patrimônio gerido pelos respectivos órgãos de direção e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes. Como bem ressalvou o Ministro Moreira Alves.. É perceptível. nem os pertencentes às suas instrumentalidades autárquicas. rendas e serviços. com o princípio imunitório em estudo...

(31) Como se percebe.A celeuma da extensão às empresas estatais Como é cediço. assim como as empresas públicas e as sociedades de economia mista. O Pretório Excelso. deve-se considerar o entendimento do Supremo Tribunal Federal ser a fundação uma espécie de autarquia. não incidindo. por lei. Caso contrário. Cabe transcrever um trecho digno de nota deste julgado: (. § 2º . entendendo que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado (serviço postal previsto no artigo 21. motivo pelo qual estão incluídas nos artigo 150. § 2º.) o entendimento desta Corte é o de que a finalidade.. para afirmar que estas últimas estão abrangidas pela imunidade prevista no art. motivo pelo qual está amparada pela imunidade recíproca. estabeleceu-se a distinção entre (a) a empresa pública como instrumento de participação do Estado na economia e (b) empresa prestadora de serviço público. (33) . as empresas estatais (sociedades de economia mista e empresas públicas) não gozam da imunidade intergovernamental recíproca. na hipótese. podemos firmar que. dado que e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos . § 2º. Todavia. 173.Em que pese o conceito legal trazer a personalidade de direito privado para as fundações. CF). estariam em concorrência desleal em relação às empresas do setor privado que não fruem as imunidades tributárias previstas na Constituição Federal. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição. da Constituição se aplica exclusivamente às empresas públicas que exploram atividade econômica em regime de concorrência com o setor privado. Note que as empresas estatais não estão incluídas no § 2º do artigo 150 da Magna Carta. fazem delas espécie do gênero autarquia. conforme definidos em lei. as autarquias e as fundações púbicas têm personalidade jurídica de direito público. as empresas estatais não fruem da imunidade tributária recíproca. a origem dos recursos e o regime administrativo de tutela absoluta a que. estão sujeitas.As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado (grifo nosso). 150. da Constituição (. § 2º... devido à sua personalidade jurídica de direito privado.ECT se caracteriza como empresa pública prestadora de serviço público reservado União. X. Sendo assim. da Constituição Federal.. valendo salientar que o serviço postal não perde a natureza e o regime públicos por ter sido delegado a uma empresa pública. primeiramente. VI.) (32) Ainda neste voto do Ministro Carlos Velloso arremata: a) o art.3 . distinguiu as empresas públicas que prestam serviços públicos das que exercem atividade econômica. a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. 173... 3. "a". as autarquias e as fundações públicas compõem a Administração Pública Indireta. Diante desse dispositivo constitucional. em regra. pois. o Supremo Tribunal Federal estendeu a imunidade a uma empresa pública (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) que desempenha atividade na função exclusiva de Estado.) Nesse julgamento. pois podemos encontrar tal vedação na própria Carta Polícia em seu artigo 173. Vejamos: Art. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal: (.

Diante da inteligência desta decisão. perquirindo o elemento teleológico desta regra imunitória. em regime de monopólio. transcrevo um trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes: Conforme atestam os documentos juntados aos autos. portanto.CAERD é sociedade de economia mista prestadora do serviço público obrigatório de saneamento básico (abastecimento de água e esgotos sanitários) e.. destarte.Rondônia). quando delegatárias de serviços públicos ou de atos de polícia. ser beneficiada pela imunidade tributária.. qual seja. ou. constata-se que a atividade econômica. mediante utilização. uma interpretação ampliativa e finalística ao dispositivo constitucional em questão. (35) Outro não foi o entendimento esposado pelo voto vencido no acórdão impugnado pelo recurso extraordinário: Nitidamente. estendeu a imunidade recíproca a esta empresa pública federal.. podemos extrair a lição em que o ilustre Ministro ressalva o entendimento de Roque Carraza: (. strito sensu. o Supremo Tribunal Federal estendeu. a INFRAERO executa e presta serviço público. as metas das políticas de saneamento do Poder Público (. é prestadora de serviço público obrigatório. pela própria União Federal.) a navegação aérea.INFRAERO. Com efeito. que a exploração de serviços de infra-estrutura aeroportuária poderá ser executada.) que as empresas públicas e as sociedades de economia mista. nosso entendimento no que tange ao julgado. a elas se aplicando. por meio de lei. cabe transcrever um trecho da decisão do Ministro Celso de Mello: Cumpre enfatizar. porquanto está a cargo de cumprir. portanto. assim.. por isso que são longa manus das pessoa políticas que. cujo advogado era o ilustre doutrinador citado neste trabalho Sacha Calmon Navarro Coêlho. foi estendida a imunidade recíproca à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária . por essa pessoa política. como acentua sua lei de instituição. diretamente. a Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia ..(34) E. O Ministro Celso de Mello. sob a égide do postulado da Federação. não podendo ser comparada com as empresas privadas..) É de se observar que a apelante. igualmente. 21. 150. o equilíbrio federativo do Brasil. a imunidade recíproca a uma sociedade de economia mista (CAERD . devendo. . em mais uma atual decisão do Supremo Tribunal Federal. (37) Conclui-se que o Supremo Tribunal Federal.. da Constituição. então. portanto. uma vez equiparada às autarquias. de instrumentos de descentralização administrativa.) Inegavelmente se trata de um manus público-estatal para o cumprimento de mais uma atividade-obrigação do Estado. VI. em decisão monocrática. de maneira plausível. nada possui a CAERD. (36) Em análise ao voto do Ministro Gilmar Mendes. XII. mais uma vez. Na realidade.Ademais. de acordo com a jurisprudência deste Tribunal. a quem foi constitucionalmente deferido. o princípio da imunidade recíproca. indiretamente. o encargo de 'explorar (. em que o município de Salvador pleiteava a incidência do ISS sobre a atividade desempenhada pela INFRAERO.412/BA. ainda. está abrangida pela imunidade tributária prevista no art. o saneamento básico (. "c"). efetivamente. art. Em sequência. confirmando-se.) (CF. A decisão foi proferida no Recurso Extraordinário 363. as criam e lhes apontamos objetivos públicos a alcançar. por relevante. aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária (.. vem aplicando. são tão imunes aos impostos quanto as próprias pessoas políticas. mediante outorga da União Federal... "a". é no sentido de que o Supremo Tribunal Federal está buscando o escopo finalístico da norma constitucional.

da Constituição Federal dispõe que não haverá a incidência de impostos sobre "templos de qualquer culto". (40) Hugo de Brito Machado e Aliomar Baleeiro. (41) Nesse mesmo sentido. podemos classificar este raciocínio como "Teoria Clássico-Ampliativa". do latim templu. A saber: Sacha Calmo Navarro Coêlho. Onde quer que se oficie um culto.) E quando tributa é para evitar que sob a capa da fé se pratiquem atos de comércio ou se exercite animus lucrandi sem finalidade benemérita. pois o conceito de templo está adstrito somente ao lugar destinado ao culto. direta e indiretamente. do local destinado à aprendizagem do culto (conventos) e. afasta-se os impostos da casa do religioso (anexa ao templo). inciso VI. Assim. que se prende. desde que não sejam instrumentos desta. descoberto e elevado. Evoluindo no conceito de templo.. Em comparação com o entendimento anterior. como lembrado por Baleeiro. ao ponderar que: Nenhum imposto incide sobre os templos de qualquer culto. Em Roma era lugar aberto. abrangendo aquilo que. consagrado pelos augures. sem prejudicar a isonomia ou outros valores. bem como Pontes de Mirada. Prédios alugados. em terreno não edificado. aí é o templo. mas tudo quanto seja ligado ao exercício da atividade religiosa.. (. batizados ou qualquer outro ato religioso. em uma evolução cronológica de pensamento.4 . o culto deve prestigiar a fé e os valores transcendentais que circundam a fé. a seguir. Hoje os templos de todas as religiões são comumente edifícios. o conceito de templo recebe uma ampliação. é o lugar destinado ao culto. a perscrutar a vontade dos deuses. Evidencia-se. No que tange ao conceito de templo. passemos a analisar as seguintes teorias. vem roborar o sublime Aliomar Baleeiro: . (38) conceituam templo como o local destinado à celebração do culto. caminhões e vagonetes. De acordo com o entendimento desses doutrinadores. pois. Portanto. Templo não significa apenas a edificação. Assim. Cabe ao exegeta perquirir o sentido dos termos: "templo e culto". a doutrina apresenta conceitos variados. exclusivamente ao local do culto. ou seja. Nada impede. o entendimento dos ilustres doutrinadores Roque Antonio Carrazza. que o templo ande sobre barcos.Imunidade dos templos de qualquer culto A alínea "b" do artigo 150. abordaremos. assim como os respectivos rendimentos. ou para residência dos religiosos. a "coisificação" do templo. Hugo de Brito Machado adota essa tese. Para analisar o conceito de templo. ainda. Nem sobre qualquer bem que esteja a serviço do culto. podem ser tributados. que parte de uma teorização clássica para uma concepção moderna. por exemplo. sacerdotes da adivinhação. Não pode haver imposto sobre missas. nessa tentativa de todas as religiões de religar o homem e sua finitude ao absoluto. a Deus. viabiliza o culto. ou qualquer outro edifício utilizado para atividade religiosas. (39) Podemos denominar este entendimento doutrinário como "Teoria Clássico-Restriva". Podemos conceituar culto como sendo a manifestação religiosa que veicula valores consonantes com aquilo que se preconiza em um Estado Democrático de Direito. Neste desiderato: Templo. Mas pode incidir imposto sobre bens pertencentes á igreja. porém. Não a casa paroquial ou o convento. São os conhecidos anexos aos templos. do veículo utilizado na difusão do trabalho religioso.

Ademais. Com efeito. relevantes ao fenômeno tributário que tendem a difusão do culto. quer-nos parecer que o entendimento doravante estudado prevalece. entidade. compreendem somente o patrimônio. a renda e os serviços. expressamente.instituir impostos sobre: (. os doutrinadores supramencionados entendem que. extrapola o plano da universitas rerum. desenvolver atividades industriais e empresariais. como igreja ou instituição. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. praticando verdadeira concorrência desleal em relação às empresas privadas. ratificando a perspicácia da teoria moderna. por exemplo. A principal autora adepta desta tese é Regina Helena da Costa. terrenos. § 4º. bens e rendas do Bispado ou da paróquia etc. § 4º. mas destina seus recursos à consecução de suas finalidades essenciais e. o que parece justificar ainda mais a teleologia deste entendimento moderno.. desde que se comprovem o reinvestimento do valor arrecado na consecução dos objetivos institucionais da igreja. Mas não se incluem na imunidade as casas de aluguel. bem como a inexistência de prejuízo à livre concorrência. Classificamo-o como "Teoria Moderna". Portanto. o artigo 150. verbi gratia. ou . entidade é a igreja em sentido lato. sinagoga o edifício principal. dispõe acerca de finalidades relacionadas com as finalidades essenciais. as entidades religiosas poderiam.As vedações expressas no inciso VI. aos Estados. Peremptoriamente. é vedado à União. da Constituição Federal. (. da Constituição Federal. conceitualmente. Nota-se que tal tese. Vejamos: Art. O entendimento do "templo-entidade" define o templo de modo abrangente. afetas às igrejas... assim. O artigo 150. onde se celebra a cerimônia pública. Assim.. Regina Helena da Costa vem corroborar com esse entendimento: a) a entidade religiosa desenvolve atividades atípicas. o sentido desejado foi o de atrelá-la à organização ou instituição. Neste raciocínio. como. Nesse sentido.. o templo. Contudo. ao amparo da imunidade.. o Supremo Tribunal Federal(43) defende a necessidade de aplicação da teoria moderna quanto à extensão dos efeitos imunitórios a atividades estranhas à religiosidade. se fôssemos aplicar um entendimento mais abrangente. para os adeptos desta teoria suplanta os conceitos clássicos de "coisa" e de "atividade" (o local do culto mais os anexos). deve-se afastar a incidência de impostos sobre as atividades do templo . goza de imunidade em relação a eles.. alíneas "b" e "c". relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas (grifo nosso). renda de alugueres de imóveis. não obstante um pouco mais abrangente.) § 4º .. (42) Os autores que aderem esse entendimento afirmam que a locação de imóveis. aproximando-se de todas as manifestações.).) b) templos de qualquer culto. demarcando-o como entidade. A entidade. ao Distrito Federal e aos Municípios: (. a aparição do termo "entidade" na Constituição Federal. 150.) VI . é uma atividade econômica que não guarda nenhuma pertinência com o culto religioso. Seguindo a progressão das teses apresentadas supra.essenciais ou não -. deixa de ofertar repostas a questões mais atuais.O templo não deve ser apenas a igreja. menciona. mas também a dependência acaso contígua (.

o catolicismo era a religião oficial do Brasil. A Constituição Federal de 1988 incluiu as fundações dos partidos políticos. sinaliza como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. 5 . pois os mesmos não possuem capacidade contributiva. 4. as igrejas serão imunes. Colocando os templos de qualquer culto ao largo da tributação. o catolicismo ser a religião majoritária. inciso V. não podendo. § 2º.1 . a pluralidade de religião corrobora o Estado de Direito. (. ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas. da Constituição Federal. não terão a proteção da norma imunizadora.(44) Ademais. é vedado à União. subvencioná-las. Pois.um Estado sem religião oficial. que desfruta de endosso retumbante na doutrina. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. portanto. na forma da lei. desde que cumpram os requisitos supramencionados. seus intérpretes mais abalizados. Portanto. no Império. embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles e seus representantes relações de dependência ou aliança. o Brasil se tornou laico . educacionais e assistenciais As regras imunizantes dos partidos políticos vêm de encontro ao regime democrático e ao liberalismo político.(46) Destarte. servindo como um dos pilares do liberalismo. congregando as correntes de opinião. por exemplo. portanto. os partidos políticos estão sob o manto da Constituição Federal.) os partidos . O artigo 1º. para fruição de tal imunidade. diversa da "preferência" da maioria do povo. representando as minorias e as maiorias. Sacha Calmon Navarro Coêlho nos traz a seguinte lição: Desempenham o papel mais relevante da cena política. Neste período existia uma espécie de Césaro-Papismo. Após a Proclamação da República. Nessa medida.. Note que. na forma da lei. valores prestigiados na atual Carta Magna.. Não obstante. a colaboração de interesse público. consoante o artigo 17.b) a entidade religiosa desenvolve atividades atípicas e não demonstra a destinação de recursos assim obtidos à consecução de suas finalidades essenciais. sindicais. desfrutar da imunidade tributária com respeito àqueles. Podemos afirmar que a existência do pluralismo político veicula a democracia brasileira. em que o Imperador dava o aval para a escolha de sacerdotes.Elemento teleológico O elemento finalístico da imunidade em apreço encontra guarida na própria Constituição Federal. sendo inserida no Direito Brasileiro na Constituição democrática de 1946. no bojo do entendimento ampliativo. o pluralismo político. a situação e a oposição. Porém. a proteção aos locais de culto e suas liturgias. aos Estados. Nos países parlamentaristas são os sustentáculos do poder político. da Carta Magna. não permite influência ou mesmo óbice que determinado governo poderia lançar contra essa ou aquela religião. Assim. ou seja. os partidos políticos "clandestinos" que apregoem finalidades dissonantes do Regime Democrático. quer se prestigiar a postura de neutralidade do Estado no que diz respeito à religião. pois é inviolável a liberdade de consciência e de crença.(45) Até a Proclamação da República. em detrimento das demais. a intributabilidade dos templos de qualquer culto vem ao encontro da liberdade de crença/neutralidade de Estado. ressalvada. o partido político deverá obter registro no Tribunal Superior Eleitoral. prestigiava-se uma religião.Imunidade das instituições partidárias.

Note. ao conceito de instituição de educação. segundo o qual a vedação à exigência de impostos compreende o patrimônio. como as que promovem a formação extracurricular. assim.políticos são instituições típicas estritamente políticas e destinam-se 'a assegurar. inciso VI. Ainda em estudo do artigo 150. organizados e imunes de qualquer influência de forças governamentais.(47) Os partidos políticos se distinguem das demais instituições colocadas neste capítulo por serem instrumentos de governo. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. tal proteção vem ao encontro dos direitos sociais previstos na própria Carta Política. renda e os serviços relacionados com suas finalidades essenciais.os sindicatos patronais ou dos empregadores . a imunidade. Do artigo 8º. a autenticidade do sistema representativo'. Deve-se observar que o elemento finalístico da norma constitucional foi o de proteger o lado tido como hipossuficiente na relação laboral: o do empregado. inciso. interesses e deveres do Estado. consoante o entendimento de José Jayme de Macêdo Oliveira: Para alcançar os efeitos da preservação. Sem a pluralidade dos partidos políticos. dificilmente se compreenderá o regime democrático representativo. Para que os partidos políticos fruam de tal imunidade tributária deverá ser observado o artigo 150. Ademais. que reclama partidos políticos. da Constituição Federal podemos extrair que cabe aos sindicatos a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria.receberão a tributação com normalidade. conforme afiança Aliomar Baleeiro. pois está ligada à sua finalidade essencial. Outrossim. abriga sob as regras imunitórias as instituições de educação. III. nem de fontes econômicas. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. assim como órgãos da própria organização estatal. melhorando. No que tange às imunidades das entidades sindicais de trabalhadores. no interesse do regime democrático. pois. diminuiriam a eficácia dos serviços ou a integral . pelo fato de serem os fins da instituições beneficiadas também atribuições. pois são entidades firmadas para fins públicos. inspiradores do contribuinte. O escopo desta extensão é o de proporcionar lazer aos empregados. CF). desfalcariam o patrimônio. id est. Saliente-se que o Poder Constituinte Originário visou preservar a estrutura do regime democrático. dos obreiros. por seus efeitos econômicos. deve abranger os impostos que. da Constituição Federal. segundo as circunstâncias.(50) A educação é "direito de todos e dever do Estado e da família. § 4º. proteção e estímulo.(51) Portanto. a partir de agora. as condições do trabalho e a vida dos mesmos. da Constituição Federal. convém lembrar que a Confederação Sindical é parte legítima para propor ação direta de inconstitucionalidade. deve-se observar que a regra imunitória protege tão-somente os sindicatos dos empregados.(49) Deve-se observar que imunidade em testilha inclui até mesmo a colônia de férias de um sindicato de trabalhadores. consoante os ensinamentos de Ricardo Lobo Torres: O conceito de instituição de educação abrange assim as que se dedicam à instrução formal. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (artigo 205.(48) Observa-se que os partidos políticos servem como veículos entre o cidadão e o exercício do poder político. inclusive em questões prejudiciais ou administrativas. bem como as instituições de fins culturais. Partiremos. que os outros . "c".

nessa parte. autorizar a tributação. de outro. a velhice e a pobreza. que cobram mensalidades de seus alunos.(58) Por derradeiro. da Constituição Federal. 205 da Lei Maior e. parágrafo 7º. por via de impostos e de contribuição para a seguridade social. a infância. a vedação da exigência da contribuição para a seguridade social de quem necessitar de assistência social e. De acordo com Ricardo Lobo Torres. as instituições de assistência social são aquelas que abrangem a maternidade. da Constituição Federal.. através do Excelentíssimo Ministro Relator Moreira Alves.. da Constituição.(55) Com efeito. incidente sobre o empregador ou empresa. é claro. a regra imunizadora visa difundir o ensino e a cultura no país. da Constituição Federal. a fim de que. executando atribuições típicas do Estado. adote ele as providências legislativas que se impõem para o cumprimento da obrigação de legislar decorrente do art. porém. não faria sentido impor. funcionários e investimentos necessários para a prestação dos serviços de sua finalidade. 195. pois realizam trabalhos de benemerência. § 7º. as instituições de assistência social não se sujeitarão ao pagamento de contribuição previdenciária. se associem ao Estado na consecução dos objetivos contemplados no art.aplicação das rendas aos objetivos específicos daquelas entidades presumidamente interessada por sua própria natureza. Tal artigo dispõe que "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências atendidas em lei" (onde se lê: isentas. leia-se: imunes). são abrangidas pela imunidade. do pedido e. abordaremos a regra imunizante no que diz respeito às entidades de assistência social. 14 do Código Tributário Nacional (ausência de intuito lucrativo.) mesmo as instituições de educação privadas. sob pena de. ao apreciar pedido de um Centro de Cultura que necessitava da lei regulamentadora do art.(56) Afinal de contas. no qual consta a expressão: "(. no julgamento do Mandado de Injunção n. justamente. no prazo máximo de 6 meses. em parte. destaca-se a lição de Regina Helena da Costa: Ora. haja vista que com o faturamento das mensalidades é que se permitirá o pagamento dos professores. das instituições sem fins lucrativos e das entidades beneficentes. Basta que. vencido esse prazo sem que essa obrigação se cumpra. sem fins lucrativos. 232-RJ. é possível que as entidades visem lucro. conforme a imunidade prevista no artigo 195. as entidades beneficentes estão inseridas no texto constitucional dentre as imunidades tributárias por auxiliarem o Estado na consecução do bem comum. a essa mesma atividade de interesse público em colaboração com o Estado. § 4º. passar o requerente a gozar da imunidade requerida..) relacionadas com as finalidades essenciais".(59) A alínea "c" deve ser analisada com o artigo 150. para fruir de benefícios tributários (lei até então inexistente). Neste sentido ensina o ilustre Roque Antônio Carraza: (. .(57) Com efeito.(52) Ressalte-se que o fato de a instituição cobrar mensalidades dos alunos não restringe seu direito à imunidade. conheço. 195. o Supremo Tribunal Federal. § 7º.. nos seguintes termos: Assim. que se dedicam. aplicação integral de seus rendimentos no País e escrituração correta de suas receitas). deferiu parcialmente o pedido.(53) Portanto. de um lado. cumpram os requisitos do art. Assim.(54) Por fim. o defiro para declarar o estado de mora em que se encontra o Congresso Nacional.

Perceba que. Saliente-se que a lei. conforme se extrai da análise dos artigos inframencionados: Art. sem fins lucrativos. os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. para que os partidos políticos. está se referindo ao animus distribuendi.. 146. evita-se uma antinomia com o artigo 150. aos Estados.. instituições de educação e as entidades de assistência social fruam da imunidade tributária prevista no artigo 150.) II . ao Distrito Federal e aos Municípios: (. observa-se a expressão "sem fins lucrativos". pois este surgiu com a Lei 5. isto é. todavia. cuja melhor interpretação será "sem fins lucrativos para si".aplicarem integralmente. das instituições de educação e de assistência social. para que as pessoas jurídicas elencadas neste capítulo adquiram a imunidade prevista na Constituição. 150.manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão (grifo nosso). Entrementes. Ex positis. 14..(60) Portanto. Todavia. deve-se observar que a lei a que se refere tal alínea é a lei complementar. "c". parece- . mister se faz a regulamentação por meio de Lei Complementar. sendo recepcionado pela Constituição Federal de 1988. da Constituição Federal de 1988: Art. pode-se afirmar que se trata de uma espécie de imunidade tributária condicionada. Assim.Quando se lê a parte final da alínea "c". entidades sindicais. II .regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. deve-se analisar o comando inserido no artigo 150. VI. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. esta dirige-se para o beneficiado.172/66 e. nada obsta a que as instituições aufiram um resultado positivo.) Por outro lado. enquanto aquela constante do artigo 14 seria "norma de conduta"(62).não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas. Cabe à lei complementar: (. Portanto. assim. logo após. Observe-se que é necessário e indispensável para a consecução de seus fins. não podendo alterar o contorno constitucional da imunidade. Destarte.. in fine. sem penetrar na essência da regra imunitória. atendidos os requisitos da lei (grifo nosso). VI. que se devem realizar no território nacional.instituir impostos sobre: c) patrimônio. ao vedar a distribuição de lucro. Lei Maior. concluímos que a aplicação dos recursos no Brasil respeita as finalidades da própria entidade. ganhou o status de lei complementar. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I . das entidades sindicais dos trabalhadores. Antes de comentarmos os incisos. deve-se observar alguns requisitos previstos no artigo 14 e incisos do Código Tributário Nacional.. III .) VI . haverá a imunidade se tal incremento superavitário não for reinvestido. Ressalte-se que a lei complementar é o Código Tributário Nacional. quais sejam: Art. Pois. vale a pena enfatizar que este artigo 14 trata exclusivamente dos aspectos formais da imunidade. Paulo de Barros Carvalho denomina a norma constitucional em estudo de "norma de estrutura"(61).. à lei complementar regular a matéria. renda ou serviços dos partidos políticos. desse modo. trata-se de "limitação ao poder de tributar". a qualquer título. no País. § 4º. Aliás. da Lei Maior. cabendo. é vedado à União. inclusive suas fundações. (.(63) Analisando o inciso II. seu iter procedimental. e não ao animus lucrandi.

jornais. se tal dispositivo não pode ser alterado via emenda constitucional. etc. v. periódicos e papel destinado a sua impressão no inciso VI. Em aspectos práticos. logicamente. não há imunidade para o livro em branco. jornais.Imunidade de livros.g. e não sobre "pessoas". as imunidades estudadas acima hospedam imunidades subjetivas. periódicos e livros. haja vista que a manutenção da escrituração contábil em dia tende a comprovar os outros dois incisos. 6 . Convém salientar que a imunidade objetiva afasta a incidência de impostos sobre bens Imposto de Importação. a fim de alcançar a teleologia da norma. como o caderno. pois. são imunes a Bíblia. o vendedor de livros e o seu próprio autor não são imunes. jornais e periódicos. No entanto. jornais. Imposto sobre Produtos Industrializados e Imposto sobre Serviços -. Deve-se perquirir o verdadeiro sentido da palavra livro. A Constituição de 1969 manteve a mesma regra. inciso V. O inciso III do dispositivo legal supramencionado vem corroborar os dois primeiros incisos.. também não poderá ser modificado por nenhum outro tipo de norma. tendo em vista que. tem entendido que se deve privilegiar o fim da difusão do conhecimento. a Constituição de 1988 manteve o instituto das imunidades tributárias dos livros. bem como o imposto sobre propriedade de veículos automotores sobre a propriedade do veículo da editora. Aliás. etc. Tal dicção foi mantida com o advento da Emenda Constitucional 18. periódicos e o papel destinado à sua impressão). pode-se afirmar que a empresa jornalística. periódicos e do papel destinado à sua impressão Primeiramente. A imunidade em comento é conhecida pela doutrina como objetiva. alínea "c"). a empresa fabricante do papel para a impressão de livros.nos razoável a concessão de bolsas de estudo no exterior para seus empregados. deve-se observar que o Poder Judiciário. enfatizo a lição de Marcelo Abdalla da Silva: Livro é o veículo de sistema de idéias. não alcançando aqueles impostos incidentes sobre o patrimônio ou renda das pessoas jurídicas. Nesse sentido. a imunidade em questão surgiu na Constituição de 1946 (artigo 31. a Carta de 1967. Por outro lado. incidirá o imposto de renda sobre a renda da editora. Em que pese parte da doutrina entender que somente o livro feito de papel é imune a impostos. jornais e periódicos. Imposto sobre Circulação de Mercadorias. os livros científicos. além de manter a imunidade do papel destinado à sua impressão. eróticos. considerando-as norma imunizante. Imposto de Exportação.(64) Assim. o investimento efetuado no exterior se reverterá para os fins institucionais. Portanto. a editora. de 1965. atribui-se um caráter assemelhado ao de uma cláusula pétrea. tendo em vista o princípio da hierarquia. O Supremo Tribunal Federal classificou no rol das imunidades os jornais e livros e as declarou insuscetíveis de alteração por Emenda Constitucional. Vale dizer que a regra recai sobre "bens" (livros. sendo restrita apenas ao papel destinado exclusivamente à impressão de jornais. os romances. Contudo. em detrimento do suporte físico difusor da cultura. Logo. nesse caso. letra "d" do artigo 150. uma vez que exonera os veículos de transmissão de pensamentos de impostos. o livro fiscal.(65) . estendeu a regra imunitória aos livros. há muito.

pois nos últimos anos a evolução tecnológica tem sido impressionante. figuras ou desenhos. permeados por fotografias. que saem periodicamente.. o livro é instrumento de expressão e de comunicação. consubstanciando acessório que segue a sorte do principal. não reconhecer a imunidade para os livros eletrônicos seria o mesmo que parar no tempo. v. Devemos levar em consideração que o Constituinte de 1988 não viveu a realidade atual. não haverá incidência de impostos. independentemente do conteúdo. 6.(68) Ao lado dos livros.(66) Deve. pois a ideia ou pensamento será irrelevante para a ocorrência da imunidade. não importando que seja de caráter técnico. Assim. o exegeta levar em consideração essa evolução nas últimas décadas. para o Supremo Tribunal Federal. uma interpretação evolutiva. Logo. informativo ou cultural. aplicam-se aos jornais e periódicos. para o Supremo Tribunal Federal. as listas telefônicas são imunes. Nesta última categoria não importa que sejam pornográficos. encontramos motivos para aplicarmos uma interpretação ampliativa ao dispositivo constitucional em questão. Sendo assim. deve alcançar os livros difundidos em meios ópticos (CD-ROM).) o fato de as edições de listas telefônicas veicularem anúncios e publicidade não afasta o beneficio constitucional da imunidade. serão imunes até mesmo os periódicos que difundem conteúdo leviano ou fescenino. por conseguinte. desde que venham impressos no corpo do jornal ou do periódico. protegem-se os jornais e revistas. e. didático. jornal ou periódico -. preso a uma interpretação literal.. Até abril de 2011. ou seja.papel destinado à impressão do livro.1 . A imunidade. assim.Note que o livro deve ser visto como veículo de transmissão de ideias. gravação em fita de vídeo ou CD-ROM. irrelevante se o mesmo é feito em papel ou está contido em impressa magnética em disquete de computador. tinta. assim.Interpretação finalística acerca dos insumos Quanto ao insumo previsto na alínea . uma vez que são equiparadas aos periódicos. exclusivamente. É importante salientar que. Portanto. Neste diapasão. ao elaborar a constituição não tinha motivos para acreditar na rápida evolução tecnológica e. sob pena de prejudicar o alcance do dispositivo. No que diz respeito aos periódicos.g. Como bem afirma Yoshiaki Ichihara. de pensamentos. em jornais. haverá normal incidência sobre outros papéis. de anúncio e de propaganda. podemos afirmar que estes são publicações de circulação intermitente. portanto. . máquinas. guardanapos e sobre outros insumos. A imunidade tributária em questão engloba os serviços prestados pela empresa jornalística na divulgação. na substituição de livros tradicionais pelos livros magnéticos. Devemos considerar livros tanto os tradicionais quanto os sucedâneos. o constituinte.(70) devia haver uma interpretação restritiva quanto aos insumos utilizados na fabricação do livro. o legislador optou por restringir a benesse a este insumo..(67) Verifica-se que não há o fim de desnaturar o caráter didático do suporte material. aplicando-se. bem como aos substitutos destes.(69) Verifica-se que as conclusões extraídas acerca dos livros e seus sucedâneos. O Excelentíssimo Ministro Relator Marco Aurélio asseverou que: (. portanto. sem enxergar o futuro e o avanço tecnológico. Portanto. A inserção visa a permitir a divulgação das informações necessárias ao serviço público a custo zero para os assinantes. insumos em geral utilizados na impressão do livro. assim como.

portanto. a liberdade de manifestação de pensamento. amparados pelo ordenamento jurídico. as imunidades tributárias representam um limite negativo de competência tributária. uma vez que o escopo da norma é baratear o custo dos livros. uma interpretação literal. em decorrência. trata-se de um instituto jurídico que visa proteger valores supremos. Portanto.Elemento teleológico A imunidade tributária em estudo prestigia diversos valores. em 26 de abril de 2011. Enfatiza-se que os veículos que difundem a educação. publicação de suas obras. O Estado Democrático de Direito visa à liberdade de expressão e de opinião. maquinário e insumos. Saliente-se que o próprio produto acabado e sua principal matéria-prima são imunes. jornais e periódicos. Aliomar Baleeiro(75) aduz que a regra imunitória assegura os direitos e garantias fundamentais previstos no artigo 5º da Constituição Federal.Recentemente. em um país com drástica condição educacional e cultural. científica. pode-se afirmar que as regras que versam sobre as imunidades são zonas de intributabilidade. o artigo 111 do Código Tributário Nacional(73) reserva as hipóteses para que se aplique uma interpretação literal. Ficou assentado que a imunidade tributária relativa a livros. "d". pode-se afirmar que a imunidade tributária prevista no artigo 150. transmissível aos herdeiros ao tempo que a lei fixar. total. 7 . a tinta de impressão. Ricardo Lobo Torres ressalva que o fundamento precípuo da intributabilidade dos livros. os tipos gráficos e as máquinas impressoras também deverão ser protegidos pela regra imunitória. traduz-se como incompetência tributária. de forma inequívoca. que as situações nele contidas são representativas de tais valores. à alfabetização. artística. portanto. jornais e periódicos é ampla. jornais ou periódicos e o papel destinado à sua impressão.(76) Contudo. Pois. aos insumos em geral é que deverá ser aplicada a norma imunizante. inciso VI. baseia-se na ideia de justiça fiscal.(74) Nesta seara. da Constituição Federal. ou seja. quais sejam: liberdade de comunicação. a regra constitucional deve abarcar todo o processo de produção dos livros. 6. deve-se buscar a redução de custo dos livros a fim de que um número maior de pessoas tenham acesso à educação. bem como os direitos exclusivos dos autores de utilização. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu que são imunes à cobrança de ICMS e IPI as peças sobressalentes para equipamentos de preparo e acabamento de chapas de impressão offset para jornais. Devemos aplicar uma interpretação finalística ao dispositivo constitucional em debate. apanhando produto.2 . que revela. Destarte. à cultura e. visando o acesso à informação e à difusão da cultura e da educação. a cultura e a informação não podem sofre influências políticas. No caso específico.Conclusão Em suma. portanto. Resume-se como .(72) Outrossim.(71) Dessa maneira. Dessa forma. o Supremo Tribunal Federal houve por bem estender a imunidade tributária aos demais insumos necessários para a confecção de livros. Verificamos que a competência tributária representa a necessidade legiferante de criação de tributos. jornais e periódicos. estes são os fundamentos da imunidade tributária em estudo. numa interpretação ampliativa que "não há livro sem tinta". podemos concluir. não há motivo algum para que os demais insumos (acessórios) também o sejam. pois a principal matéria-prima do livro (papel) já é protegido pela imunidade. aplicando-se uma exegese teleológica à Constituição Federal. sobretudo. A referência a papel é exemplificativa e não exaustiva. não se permitindo. a expressão da atividade intelectual.

sabemos que a regra imunitória materializa uma dispensa constitucional do poder de tributar. 2002. liberdade individual e o bem comum. 2003. Constiuição da República Federativa do Brasil: Anotada. ed. os direitos fundamentais amparados pela Constituição Federal não podem ser violados pelo exercício de uma atividade tributante. 2005. na imunidade. No que se refere à classificação adotada quanto à sua alterabilidade . pois a regra imunizadora não está no campo de incidência do tributo.rígida -. Rio de Janeiro: Forense. 21. a tributação em razão de pessoas. Em última análise. da capacidade contributiva. ed. Impede-se. como os princípios da igualdade. Bibliografia AMARO. Curso de Direito Constitucional Tributário. pois frui os seus direitos. São Paulo: Celso Bastos Editor. da autonomia municipal. Limitações Constitucionais do Poder de Tributar. concluímos que as imunidades atingem o maior grau. Direito Tributário Brasileiro. acesso à cultura e liberdade de culto religioso. conferindo a intributabilidade a certas pessoas. Portanto. Os direitos e garantias fundamentais devem ser observados para que haja a tributação. como meio de estímulo a certas atividades consideradas socialmente necessárias para o Estado. bens ou situações. BARROSO. pois os tributos afetam o direito à propriedade privada e o direito de liberdade. 2006. CARRAZZA. São Paulo: Saraiva. com respaldo no princípio da não-obstância do exercício de direitos fundamentais por meio de tributação. São Paulo: Saraiva. Roque Antonio. quais sejam. de não se submeterem a tributação. da supremacia do interesse público sobre o particular.a exoneração fixada na própria Lei Maior. 11. Luciano. exercício de liberdade e manifestação de pensamento. consequentemente. previu as imunidades fiscais mais relevantes. verificamos que a opção do Poder Constituinte foi a de definir a competência tributária como constitucional e. Com efeito. 8. realização de atividades de educação e social. Celso Ribeiro. 2006. a sociedade é a beneficiária das imunidades tributárias. seus valores são determinados internamente no próprio sistema constitucional. Luís Roberto. da impessoalidade e da moralidade administrativa. ed. Essa correlação entre os princípios gera uma teia na qual repousam as regras imunitórias. As normas sobre imunidades tributárias encontram morada na própria Constituição Federal. São Paulo: Malheiros Editores. 7. impedindo a atribuição de competência tributária. 22. ed. prestigiando valores segurança jurídica. Malheiros Editores. . As normas imunizantes estão entrelaçadas com outras regras constitucionais. são endógenas. ed. A Constituição Federal brasileira classifica-se como analítica e rígida. BASTOS. que constituem os principais fundamentos das imunidades tributárias. A imunidade tem o escopo de garantir valores constitucionalmente assegurados. 2001. Levando em consideração que a Lei Maior classifica-se quanto à sua extensão como analítica. 2002. a isenção é uma dispensa legal. ed. estando no campo da incidência tributária. Curso de Direito Financeiro e Tributário. ao passo que. Aliomar. Rio de Janeiro: Forense. assim. bens e situações. isto é. Direito Tributário Brasileiro. ed. São Paulo. que confere direito público subjetivo a certas pessoas. ou seja. que podem ser resumidos no bem estar social -. 9. não há relação jurídico-tributária. BALEEIRO. haja vista que são consideradas como cláusulas pétreas. portanto. Sendo assim. federativo. são limitações ao Poder Constituinte Derivado. 5.

2002. ed. 2003. Rio de Janeiro: Forense. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Renovar. 2007. MELLO. Paulo de Barros. 2006. ICHIHARA. (03) MACHADO. Pedro. Doutrina e Jurisprudência. MORAES. 3. Hugo de Brito. Maria Sylvia Zanella di. São Paulo: Editora Atlas. Ives Gandra da Silva. 2006. SILVA. Rio de Janeiro: Forense. PIETRO. Sacha Calmon Navarro. p. Questões Forenses. 2007. MACHADO. TORRES. MARTINS. São Paulo: Malheiros. 2006. ed. Curso de Direito Constitucional Positivo. 1996. Celso Antonio Bandeira de. 11. 2002. ed. 28. São Paulo: Saraiva. José Jayme de Macêdo. SILVA. ed. SABBAG. São Paulo: Premier Máxima. Compêndio de Direito Tributário. São Paulo. São Paulo. São Paulo: Saraiva. Imunidades Tributárias: Teoria e Análise da Jurisprudência do STF. Curso de Direito Administrativo. p. . Direito Tributário Didático. São Paulo: Malheiros Editore. São Paulo: Atlas.116. LENZA. Malheiros Editores. Hugo de Brito. Ricardo Lobo. 2002. 9:124-5. ed. Eduardo de Moraes. ed. 116. 2004. Malheiros Editores. ed. 2007. rendas e serviços das entidades da Federação. 20. 11. Belo Horizonte: Inédita. Pontes de. Malheiros Editores. Notas (01) BALEEIRO. MELLO. 2007. MIRANDA. ed. 2002. Yoshiaki. 14. COSTA. Tributação dos bens. Aliomar. 1996. 8. Oswaldo Aranha Bandeira de. ed. Curso de Direito Tributário. tít. Direito Administrativo. São Paulo. José Afonso da. Direito Tributário Brasileiro.CARVALHO. ed. OLIVEIRA. Bernardo Ribeiro de. Direito Constitucional Esquematizado. Curso de Direito Financeiro e Tributário. p. 3. Elementos do Direito Tributário. 2. São Paulo: Editora Método. Marcelo Abdalla da. 28. Curso de Direito Tributário. I. (02) Ibidem. ed. Código Tributário Nacional: Comentários. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. COÊLHO. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Borsoi. 2001. ed. 26. 8. Regina Helena da. 304. Rio de Janeiro: Editora Forense. Direito Tributário. Revista de Direito. 2003.

ed. Curso de Direito Tributário. Luís Roberto. (21) Art. Elementos do Direito Tributário. ed. 5. p. Tributação dos bens. 1996. 14. (22) BALEEIRO. Oswaldo Aranha Bandeira de. 57. ed. 11. ed. p. (12) MARTINS. 2001. Compêndio de Direito Tributário. 2007. 143. os quais coincidem com as características das imunidades tributárias ora apontadas. ed. 8. 139. 308. 2002. Bernardo Ribeiro de. (06) CARVALHO. 9º. Sacha Calmon Navarro. Rio de Janeiro: Forense. p. São Paulo: Premier Máxima. p. da Constituição Federal. ed. op. VI. (18) BALEEIRO. p. Rio de Janeiro: Renovar. Rio de Janeiro: Forense.181 (07) Art. Direito Constitucional Esquematizado. inciso V. 7. Revista de Direito. a imprescritibilidade e a irrenunciabilidade (Curso de Direito Cosntitucional Positivo. da Constituição Federal. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo. 824. 275 . ed. op. 2002. 179. IV. (10) BALEEIRO. a inalienabilidade. (17) BARROSO. p. Regina Helena da. 2. (13) MORAES. p. Pedro. consoante o magistério de José Afonso da Silva. 14. São Paulo: Saraiva. além da historicidade. Constiuição da República Federativa do Brasil: Anotada. Ives Gandra da Silva. cit. 2006. (05) Interessante notar que. p. ed. p. 2006. (11) SABBAG. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva. Malheiros Editores. Limitações Constitucionais do Poder de Tributar. Paulo de Barros.. Paulo de Barros. p. Curso de Direito Tributário. 145. rendas e serviços das entidades da Federação. 63. 3. 9:124-5. ed. (09) CARVALHO. p. 133. p. Manual de Direito Tributário. Curso de Direito Financeiro e Tributário. cit. 2001.(04) COSTA.. São Paulo: Método. p. ed. (14) TORRES. 2002. (19) COÊLHO. 48. autênticos direitos fundamentais. Ricardo Lobo. 8. § 1º. 2006. São Paulo: Saraiva. 117. op. são caracteres dos direitos fundamentais. (23) LENZA. (20) Art. Eduardo de Moraes. 153. cit. (08) Art. 3. p. 150. 209. (16) COSTA. 370. 2002. 185). Imunidades Tributárias: Teoria e Análise da Jurisprudência do STF. Aliomar. (15) MELLO. p..

(25) BASTOS. (45) Art. Lei n. São Paulo: Saraiva. 06. . José Jayme de Macêdo. (39) COÊLHO. Carlos Velloso. Carlos Velloso. (40) CARRAZZA.. Questões Forenses. p. 2007.02.. op. 21/03/2007. p. Min. 22. (42) BALEEIRO. Código Tributário Nacional: Comentários. São Paulo: Editora Atlas. cit. Celso Ribeiro. Min. p.06. Min. I.. Rel. Rel. (32) RE 407099-RS. cit. 330. (44) Art. 20. p.1999. (35) AC 1550-RO. j. 7. 5º.741/SE. Maurício Corrêa. (37) Ibidem. p. 2002. op. Min. cit.2004. em 30. op.2004. 399. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros Editores. (28) PIETRO. ed. cit. Roque Antonio. (26) COÊLHO. (33) RE 407099-RS.. (30) Dec.. cit. cit. p. (41) MACHADO. Maria Sylvia Zanella di. 151. 150. op. Ilmar Galvão. tít.596/87. alterado pela Lei n. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Borsoi. 15. da Constituição Federal. op. (47) COÊLHO. (27) BARROSO.. (34) RE 363412-BA. (29) MELLO. ed. 10.. 22. p. inciso I. (31) RE 215. Min. da Constituição Federal.(24) OLIVEIRA. p. Direito Administrativo.06. (38) MIRANDA. 2004. Min.2001. (48) BALEEIRO. São Paulo: Celso Bastos Editor. op. (46) OLIVEIRA. 2006. 9.. São Paulo: Malheiros. Curso de Direito Financeiro e Tributário. (36) Ibidem. 105. p. Celso Antonio Bandeira de. op.809-RJ. (43) RE 247. 137. Pontes de. ed. cit. op. 145. 204.05. 200/67.03. inciso VI. p. cit. Rel. Rel. Gilmar Mendes. p. 2003. Celso de Mello. 825. 308. 109. Rel.2007. 22. Doutrina e Jurisprudência.

que: I . da Constituição . ed. inciso IX. Marcelo Abdalla da. p. II . A assistência social será prestada a quem dela necessitar. (53) CARRAZZA. As idéias podem ser sistematizadas e expressas através de símbolos: letras.a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família.(49) Art. São Paulo. 183. Moreira Alves.117. cit. p. cit. p. data. op. São Paulo: Atlas. à infância. 203. 167. op. cit. Belo Horizonte: Inédita.. p. 8. 311. p.. São Paulo: Saraiva.. (58) COSTA. independentemente de contribuição à seguridade social. Direito Tributário Brasileiro. (65) SILVA. (60) AMARO. da Constituição Federal. 56. (62) Ibidem.a promoção da integração ao mercado de trabalho. p. (54) SABBAG. Yoshiaki. Luciano. V . confessionais e filantrópicas. p. definas em lei. Roque Antônio. op.comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação. (64) Idéias ordenadas em um conjunto lógico e sistematizado. (67) SABBAG. Rel. ed. filantrópica ou confessional. II . Direito Tributário. p. p. (59) MI 232/RJ. (68) ICHIHARA. no caso de encerramento de suas atividades". à maternidade. à adolescência e à velhice. 21. imagens. 65. . 2005. p. podendo ser dirigidos as escolas comunitárias. op. (57) A cláusula inscrita no art. cit. 183. III .. p. op.ou ao Poder Público. (51) Destaquem-se as regras contidas no artigo 213 e incisos I e II da Constituição Federal: "Art. Direito Tributário Didático.. Os recursos públicos serão destinados às escolas publicas. 195. § 7º. 2002. 2002. op. cit. contemplou as entidades beneficentes de assistência social com o favor constitucional da imunidade tributária.a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. (55) TORRES. Malheiros Editores... (66) MACHADO. Curso de Direito Constitucional Tributário. (52) OLIVEIRA. cit. 58. 103. cit. (63) COSTA.assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária.. 177. 169. 1996. 152. 213. 326. op.a proteção à família. (61) CARVALHO. (50) TORRES. p. op.não obstante referir-se impropriamente a isenção de contribuição para a seguridade social -. op. conforme dispuser a lei. p.. Min. cit. (56) "Art. 65. cit. etc. e tem por objetivos: I .o amparo às crianças e adolescentes carentes. IV .

cit. Min.fiscosoft.149 . Marco Aurélio. p. 5º. Moreira Alves. Min.. (71) RE 202. Rel. cit. Rel.. op.2000. II .308 . p. op. IX.2011. Min. (74) Art. 12. 215 e 220. do Acórdão Min..08.outorga de isenção. Rel.dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". 205. (73) "Art. 111. (70) RE 273. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário. op. (75) BALEEIRO.com.(69) RE 199.183. p.br/index.06. 26. Rel.SP. Marco Aurélio.php?bfnew=1&idLog=23111351&PID=259668#top _pos#ixzz1mP5H5i77 . Menezes Direito.RS. (72) COSTA. (76) TORRES. 22. cit. IV.04. III . 192. 355. XIV e XXVII.98. 65 Leia mais: http://www.

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