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Microbiologia:

Taxonomia:

Noções gerais:

Tradicionalmente, define-se TAXONOMIA como a ciência da classificação biológica. Num sentido mais lato, TAXONOMIA divide-se em 3 ramos:

Classificação: divisão dos organismos em grupos taxonómicos

designados de taxa (singular, taxon); Nomenclatura: atribuição de nomes aos taxa de acordo com regras pré estabelecidas; Identificação: determinação do taxon a que pertence um espécime.

Diversidade no Mundo Microbiano

Reino

Divisão ou Filo

Classe

Ordem

Família

Género

Espécie

Taxonomia microbiana:

Categorias taxonómicas e nomenclatura:

Os taxa apresentam nomes cujas terminações ou sufixos são característicos de cada nível.

A definição de espécie (o taxon básico na taxonomia microbiana) para os microbiólogos difere substancialmente da definição de espécie para os taxonomistas que estudam organismos superiores.

Por exemplo, uma espécie bacteriana define-se como um grupo de estirpes que partilham diversas propriedades estáveis e que diferem significativamente de outros grupos de estirpes.

Uma estirpe bacteriana corresponde a uma população de organismos que descende de

um único organismo ou de uma colónia de cultura pura. Dentro de uma mesma espécie, as estirpes podem apresentar pequenas variações.

Variantes de uma estirpe bacteriana com diferentes:

  • - propriedades bioquímicas ou fisiológicas, designam-se biovares;

  • - propriedades antigénicas, designam-se serovares.

A designação de espécies microbianas respeita o sistema de nomenclatura binomial de Carl von Linné. Assim:

o nome da espécie é composto pelo nome genérico, cuja primeira letra deve ser escrita em maiúsculas, e pelo epíteto específico; o nome da espécie é latino ou latinizado e deve ser escrito em itálico (ou sublinhado em textos manuscritos). Exemplo: Escherichia coli (ou E. coli)

Características usadas na classificação e identificação de microrganismos _ Características morfológicas _ Características fisiológicas e metabólicas _ Características ecológicas

_ Características genéticas _ Características moleculares

Sistemas de classificação (principalmente, os propostos por Whittaker e Woose).

Sistema de classificação em 5 reinos (Whittaker)

_ Características genéticas _ Características moleculares Sistemas de classificação (principalmente, os propostos por Whittaker e Woose).
_ Características genéticas _ Características moleculares Sistemas de classificação (principalmente, os propostos por Whittaker e Woose).

Biologia celular dos microrganismos procarióticos e eucarióticos:

Procariotas:

TAMANHO

A maioria dos procariotas tem, aproximadamente, entre 0,5 e 1 μm de diâmetro ou largura.

FORMA

Formas básicas:

Coco célula esférica; Bacilo célula cilíndrica ou em forma de bastão; Espirilo célula espiralada ou helicoidal e rígida; Espiroqueta célula espiralada ou helicoidal e flexível; Outras formas: existem muitas modificações das formas básicas como, por exemplo, células com forma de pêra ou de disco.

Pleomorfismo: ocorrência de várias formas numa mesma espécie. Exemplo: Arthrobacter globiformis é uma espécie bacteriana pleomórfica que muda de bacilo para coco à medida que envelhece.

ARRANJOS

Padrões de arranjos característicos de cocos:

Diplococo resultante da divisão num plano de 1 coco cujas células-filhas permanecem ligadas formando 1 par; Estreptococo resultante de repetidas divisões num plano de cocos cujas células-filhas permanecem ligadas formando 1 cadeia; Arranjos complexos resultantes de repetidas divisões em diferentes planos de cocos cujas células-filhas permanecem ligadas; .tetracoco grupo de 4 cocos (arranjo simétrico); .sarcina arranjo cúbico de cocos (arranjo simétrico); .estafilococo cacho irregular de cocos (arranjo assimétrico).

Organização da célula procariótica

Ultra-estrutura geral de uma célula bacteriana gram-positiva. Apesar de algumas diferenças, principalmente ao nível do envelope, as ultra-estruturas gerais das células bacterianas gram-postivas e gram-negativas apresentam muitas semelhanças.

Biologia celular dos microrganismos procarióticos e eucarióticos: Procariotas:  TAMANHO A maioria dos procariotas tem, aproximadamente,

PAREDE CELULAR

Composição química

•O principal componente da parede celular das eubactérias é o peptidoglicano.

A parede celular das arqueobactérias contém proteínas, glicoproteínas ou polissacarídeos complexos. As arqueobactérias não possuem ácido N-acetilmurâmico.

Funções principais:

manutenção da forma característica de cada célula;

intervenção no crescimento e divisão da célula;

barreira à entrada e saída de substâncias da célula.

Coloração de Gram: Método de coloração desenvolvido por Christian Gram em 1884 que tornou evidente a existência de 2 grandes grupos de bactérias: grampositivas e gramnegativas

Bactérias gram-positivas •A parede celular é homogénea e espessa, e composta principalmente por peptidoglicano. •A presença de ácidos teicóicos na parede celular é frequente. Pensa-se que estes ácidos sejam importantes no transporte de iões positivos para dentro e para fora da célula, no armazenamento de fósforo e na manutenção da estrutura da parede celular.

Bactérias gram-negativas •A parede celular consiste numa membrana externa que cobre uma fina camada de peptidoglicano situada no espaço periplásmico.

Membrana Externa

Estrutura e composição química: bicamada com fosfolípidos (quase exclusivamente na

camada interna) e lipopolissacarídeos (na camada externa), onde se encontram embebidas diversas proteínas; Ligação ao peptidoglicano: lipoproteínas;

Funções principais:

  • - actua como barreira selectiva que controla a passagem de algumas substâncias para dentro e para fora da célula;

  • - causa efeitos tóxicos em animais infectados.

COMPONENTES EXTERNOS À PAREDE CELULAR

Flagelos São filamentos finos com forma helicoidal que se estendem a partir da membrana plasmática e atravessam a parede celular. São apêndices de locomoção que funcionam por movimento de rotação, propulsionando a bactéria através do meio líquido. Estão presentes na maioria das bactérias móveis, sobretudo, muitas espécies de bacilos e espirilos. O número de flagelos e o seu padrão de fixação são características usadas na identificação de espécies.

Pêlos (ou Fímbrias)

São estruturas filamentosas, não helicoidais, que penetram na parede celular. São mais finos, mais curtos e mais numerosos do que os flagelos. Estão presentes sobretudo em bactérias gram-negativas.

Diferentes tipos de pêlos apresentam diferentes funções, podendo:

-estar envolvidos na reprodução da bactéria (pêlos sexuais ou pelos F); -permitir a adesão a superfícies.

Glicocálice •É uma rede de polissacarídeos ou polipéptidos que circunda a célula, formando uma camada de material viscoso que se designa:

CÁPSULA: se o glicocálice estiver organizado, tiver forma definida e estiver acoplado firmemente à parede celular; CAMADA LIMOSA: se o glicocálice estiver desorganizado, não tiver forma e estiver acoplado frouxamente à parede celular.

•Dependendo da espécie, o glicocálice pode desempenhar as seguintes funções:

  • - adesão a superfícies;

  • - protecção contra a desidratação temporária;

  • - reserva de alimentos;

  • - exclusão de vírus bacterianos;

  • - protecção contra a fagocitose.

MEMBRANA PLASMÁTICA

Modelo do mosaico fluido Modelo sugerido por Singer e Nicholson em 1972 que considera que a estrutura membranar:

•inclui uma camada bimolecular de fosfolípidos, proteínas integrais, proteínas periféricas, e hidratos de carbono (conjugados com proteínas e lípidos) na superfície externa; •é quase fluida, já que os lípidos e as proteínas integrais podem realizar movimentos de translação no interior da bicamada lipídica.

À excepção dos micoplasmas (eubactérias sem parede celular rígida), a maioria das membranas plasmáticas procarióticas não contém esteróides como, por exemplo, o colesterol.

Funções principais:

agente de controlo da entrada e saída de substâncias na célula;

local de actividade de enzimas envolvidas, por exemplo, na produção de energia e na síntese da parede celular.

Mesossomas: invaginações da membrana plasmática (especialmente proeminentes nas bactérias gram-positivas). Consoante a sua localização apresentam diferentes funções:

mesossomas periféricos envolvidos na secreção de enzimas a partir da célula; mesossomas profundos e centrais envolvidos na replicação do DNA e na divisão

celular.

MATRIZ CITOPLASMÁTICA

•Corresponde ao fluido denso localizado entre a membrana plasmática e o

nucleóide. •É composta maioritariamente por água, biomoléculas e iões inorgânicos. •Contém estruturas como, por exemplo, ribossomas e corpos de inclusão. •É o local onde ocorrem muitas reacções químicas.

RIBOSSOMAS

•São estruturas (compostas por duas subunidades) onde ocorre síntese de proteínas. •Dependendo da sua localização, apresentam diferentes funções:

- ribossomas livres no citoplasma sintetizam proteínas destinadas a permanecerem na

célula; - ribossomas associados à membrana plasmática sintetizam proteínas destinadas a serem segregadas.

CORPOS DE INCLUSÃO

•São depósitos insolúveis de substâncias químicas (por exemplo, polifosfatos, poli-b- hidroxibutirato, glicogénio) que se encontram no citoplasma. •Funcionam, por exemplo, como reservas de carbono e fosfato e como fontes de energia.

Protoplasto corresponde à membrana plasmática e a todos os compartimentos e estruturas localizados na região por esta delimitada.

NUCLEÓIDE

•Região da célula (central e de forma irregular) onde se encontra o material nuclear. •O material nuclear consiste num cromossoma único e circular.

Formas latentes

Algumas espécies bacterianas produzem formas latentes (metabolicamente inactivas) para sobreviverem em condições ambientais rigorosas como, por exemplo, desidratação, exposição a excesso de calor ou compostos químicos tóxicos. Em condições apropriadas, as formas latentes germinam e tornam-se vegetativas (metabolicamente activas), crescem e multiplicam- se. EXEMPLO: endósporo •É uma forma latente produzida no interior da célula. A célula-mãe do esporo toma o nome de esporângio. •Produz-se apenas um por cada célula, mas a sua forma e localização podem variar.

Bactérias

Eubactérias gram-negativas

Espiroquetas

Principais características distintivas:

são helicoidais e flexíveis; • possuem flagelos periplásmicos.

Alguns géneros representativos e diversidade ecológica:

Spirochaeta exemplo de género de espiroquetas que inclui espécies saprófitas, anaeróbicas ou anaeróbicas facultativas, e que vivem frequentemente em ambientes marinhos e de água doce anaeróbicos e ricos em sulfureto. Treponema são anaeróbicas ou microaerofílicas, vivem na boca, tracto intestinal e áreas genitais de animais, e algumas espécies são patogénicas; por exemplo, Treponema pallidum é o agente etiológico da sífilis. Borrelia são anaeróbicas ou microaerofílicas, vivem nos mamíferos e artrópodes, e algumas espécies são patogénicas; por exemplo, Borrelia burgdorferi é o agente etiológico da doença de Lyme.

Bactérias encurvadas aeróbicas ou microaerofílicas

Principais características:

• são espirilos, vibriões, ou possuem forma de anel;

• são móveis com flagelos polares, ou imóveis.

Alguns géneros representativos e diversidade ecológica:

Aquaspirillum são saprófitas, são maioritariamente aeróbicas e vivem em ambientes de água doce. Azospirillum podem fixar o azoto atmosférico, são aeróbicas ou microaerofílicas, e vivem no solo e no interior das raízes de vários tipos de plantas como, por exemplo, o trigo e o milho. Campylobacter são microaerofílicas, vivem no tracto intestinal, nos órgãos reprodutores e na cavidade oral de seres humanos e outros animais, e algumas espécies podem ser patogénicas; por exemplo, Campylobacter fetus causa doenças reprodutivas e abortos no gado bovino e ovino, e Campylobacter jejuni causa abortos no gado ovino e é a principal causa de diarreia nos seres humanos.

Bacilos e cocos aeróbicos

Alguns géneros representativos, principais características e diversidade ecológica:

Pseudomonas são bacilos, são móveis com um ou mais flagelos polares, e têm um grande impacto a diversos níveis. Por exemplo, enquanto: decompositores conseguem degradar uma grande variedade de compostos orgânicos, estando envolvidos em processos de degradação de alimentos, e em processos de mineralização que ocorrem naturalmente ou que são incluídos nos métodos de tratamento de esgotos; modelos experimentais; agentes infecciosos de plantas, animais e seres humanos com baixa resistência; por exemplo, Pseudomonas aeruginosa origina, entre outras condições, infecções no tracto urinário. Azotobacter são ovóides (podendo ser pleomórficas), usualmente são móveis e vivem livremente no solo onde fixam azoto atmosférico. Rhizobium são bacilos mas tornam-se pleomórficas em condições adversas, são móveis e fixam azoto no interior de raízes de plantas leguminosas como, por exemplo, a soja. Neisseria ocorrem principalmente como diplococos e são agentes patogénicos; por exemplo, Neisseria gonorrhoeae causa a gonorreia e Neisseria meningitidis causa a meningite meningocócica.

Bacilos anaeróbicos facultativos

Principais características:

• são maioritariamente bacilos rectos ou encurvados;

• podem crescer aerobica ou anaerobicamente. Principais famílias e diversidade ecológica:

• Enterobacteriaceae – são bacilos rectos, não são móveis ou são peritricosas, e incluem géneros e espécies muito conhecidos que são exemplificados abaixo. Escherichia coli é um modelo experimental eleito por um grande número de microbiólogos, é um habitante do cólon dos humanos e de outros animais de sangue quente, e é usado como um indicador de contaminação fecal na análise de águas.

Vários géneros entéricos incluem agentes patogénicos que estão associados a uma grande variedade de doenças que afectam os humanos como Salmonella à febre tifóide (Salmonella typhi) e à gastroenterite (Salmonella enteritidis), Shigella à desinteria bacilar, Klebsiella à pneumonia, e Yersinia à praga.

• Vibrionaceae – são bacilos rectos ou encurvados, são móveis (com flagelos polares), são maioritariamente aquáticos, vivendo em ambientes de água doce e no mar, e alguns são patogénicos. Por exemplo, Vibrio cholerae é o agente causador da cólera, e Vibrio parahaemolyticus pode, por vezes, causar gastroenterite nos humanos após o consumo de marisco contaminado. • Pasteurellaceae – apresentam desde formas cocóides a formas de bastão (sendo, por vezes, pleomórficas), não são móveis, e os seus membros são conhecidos principalmente devido às

doenças que causam a seres humanos e a muitos animais. Por exemplo, Haemophilus influenzae tipo b origina, entre outras doenças, meningite em crianças.

Bactérias anaeróbicas

• São bacilos rectos ou encurvados ou cocos, e podem ou não requerer sulfato ou enxofre elementar. • Algumas bactérias anaeróbicas estão presentes no ambiente e produzem H2S; outras vivem no tracto intestinal. De facto, as bactérias gram-negativas anaeróbicas são os microrganismos mais abundantes no intestino humano, sendo que alguns se tornam patogénicos se tiverem acesso a outras regiões do corpo.

Riquétsias e Clamídias São maioritariamente parasitas intracelulares obrigatórios. Principais características das riquétsias:

• têm forma de bastão ou são ovais ou pleomórficas; • não são móveis. Alguns representantes de riquétsias:

Incluem espécies que causam doenças a animais domésticos e a seres humanos. Dentro das doenças humanas, destacam-se:

• tifo epidémico (Rickettsia prowazekii); • febre Q (Coxiella burnetti). Principais características das clamídias:

• são cocóides; • não são móveis; • a parede celular não apresenta peptidoglicano. Alguns representantes de clamídias:

Incluem espécies que causam doenças a seres humanos e a outros animais de sangue quente, destacando-se:

Chlamydia trachomatis (por exemplo, tracoma); Chlamydia psittaci (psitacose); Chlamydia pneumoniae (pneumonia).

Bactérias fototróficas1 anoxigénicas

Apresentam forma de bastão ou espiral, ou são cocos. São anaeróbicas. Vivem em ambientes aquáticos, sob a superfície de águas estagnadas e de pântanos salgados ou no fundo dos lagos, e não são patogénicas.

Bactérias fototróficas oxigénicas (ou cianobactérias)

Apresentam grande variedade de formas e arranjos (por exemplo, cocos, bacilos, filamentos longos e multicelulares). Não possuem flagelos, mas as espécies filamentosas exibem movimento deslizante. Espécies filamentosas podem desenvolver heterocistos que fixam o azoto e não produzem oxigénio. Algumas espécies formam acinetos que são altamente resistentes à desidratação. Não são patogénicas. Encontram-se no solo, na água doce, em ambientes marinhos, em fontes de água quente (bactérias termofílicas), ou vivem em associação com protozoários, fungos e plantas.

Bactérias deslizantes

São bastonetes geralmente flexíveis ou filamentosas. Não apresentam flagelos, mas podem deslizar através de superfícies húmidas.

São aeróbicas ou microaerofílicas. Podem ou não formar corpos de frutificação. Não são patogénicas. Vivem no solo e na água.

Bactérias com bainha

Apresentam-se sob a forma de bastonetes em cadeia ou filamentos envolvidos por uma bainha tubular. Não são patogénicas. São saprófitas de águas doce e salgada. Sphaerotilus natans geralmente ocorre em águas poluídas e pode dificultar o tratamento de esgotos.

Bactérias gemulantes e/ou apendiculadas

Formam prostecasA ou pedúnculosB. Reproduzem-se assimetricamente por gemulação ou por fissão binária. São aeróbicas, microaerofílicas ou anaeróbicas facultativas. Não são patogénicas. São saprófitas. Vivem na água e no solo.

Bactérias quimiolitotróficas

As bactérias quimiolitotróficas não são patogénicas, vivem no solo e na água e são importantes na agricultura e na reciclagem dos nutrientes no meio ambiente. Obtêm energia através da oxidação de diferentes tipos de compostos inorgânicos como, por exemplo:

• nitritos (ex. Nitrobacter) ou amónias (ex. Nitrosomonas); • enxofre ou compostos com enxofre (ex. Thiobacillus).

Eubactérias gram-positivas

Cocos

Aeróbicos (exemplos) Micrococcus são saprófitas e vivem no solo e na água; Deinococcus são resistentes a altas doses de raios ultravioleta ou gama. Anaeróbicos facultativos ou microaerofílicos (exemplos) Staphylococcus vivem na pele e nas membranas das mucosas dos seres humanos e de outros animais de sangue quente, e são responsáveis por muitas doenças. Por exemplo, Staphylococcus aureus pode causar pneumonia, infecções pós-operatórias e intoxicação alimentar nos seres humanos. Streptococcus inclui espécies patogénicas como o Streptococcus pyogenes que causa, por exemplo, escarlatina e febre reumática, ou o Streptococcus pneumoniae que causa pneumonia nos seres humanos; inclui espécies que fazem parte da flora normal do tracto intestinal dos seres humanos e de outros animais como Streptococcus faecalis; inclui a espécie Streptococcus lactis que é empregue no fabrico de produtos lácticos fermentados como o queijo. Anaeróbicos Fazem parte da flora normal dos seres humanos e de outros animais de sangue quente.

Bactérias esporuladas

Principais características:

têm forma de bastonetes ou são cocos; • são aeróbicas, anaeróbicas facultativas ou anaeróbicas; formam endósporos resistentes ao calor, à desidratação, a desinfectantes, a corantes e a radiação. Diversidade ecológica e algumas espécies relevantes:

• muitas espécies são saprófitas e vivem no solo e nas águas doce e salgada; • algumas espécies são agentes etiológicos do carbúnculo (Bacillus anthracis), do botulismo (Clostridium botulinum) e do tétano (Clostridium tetani); • algumas espécies de Bacillus são patogénicas para insectos, sendo usadas como “insecticidas”;

Bacilos regulares

Principais características:

são aeróbicos, anaeróbicos facultativos ou anaeróbicos; • não são esporulados.

Alguns géneros representativos e diversidade ecológica:

Lactobacillus é um género que inclui microrganismos usados em processos de fermentação de produtos animais e vegetais. Também inclui microrganismos parasitas que vivem na boca, na vagina e no tracto intestinal dos seres humanos e de outros animais de sangue quente e que normalmente não são considerados patogénicos. Listeria inclui microrganismos particularmente abundantes em matéria em decomposição. Listeria monocytogenes pode ser adquirida, por exemplo, por consumo de leite ou queijo inadequadamente pasteurizados, e pode causar abortos espontâneos, natimortos e listeriose.

Bacilos irregulares

Principais características:

as suas células têm forma de bastonete recto ou levemente encurvado que podem exibir saliências, ramificações ou outros desvios da forma regular, e podem ser pleomórficos;

• são aeróbicos, anaeróbicos facultativos ou anaeróbicos;

• não são esporulados. Género representativo e diversidade ecológica:

Corynebacterium inclui espécies saprófitas que vivem no solo e na água, e espécies patogénicas para plantas, seres humanos e outros animais. Corynebacterium diphtheriae é o agente etiológico da difteria.

Micobactérias

Têm forma de bastonetes e são aeróbicas. Algumas espécies são saprófitas, e outras patogénicas como são os casos de Mycobacterium tuberculosis que causa tuberculose e Mycobacterium leprae que causa lepra.

Actinomicetos

Têm tendência para formar micélios. Reproduzem-se por fragmentação ou por produção de

esporos (conidiósporos ou esporangiósporos). São aeróbicos. São maioritariamente saprófitas que vivem no solo. Alguns actinomicetos podem produzir antibióticos como, por exemplo, tetraciclina e estreptomicina (Streptomyces).

Micoplasmas

Constituem o terceiro principal grupo de eubactérias. A maioria é anaeróbico facultativo, mas existem alguns micoplasmas anaeróbicos. São incapazes de formar parede celular, o que lhes confere plasticidade. Não são inibidos por altas concentrações de penicilina. Muitos micoplasmas habitam as membranas das mucosas dos seres humanos e de outros animais, e estão frequentemente associados a doenças como a pneumonia atípica primária (Mycoplasma pneumoniae) e uretrites (Ureaplasma urealyticum) nos seres humanos.

Arqueobactérias

As arqueobactérias apresentam uma grande variabilidade em termos morfológicos e fisiológicos, reconhecendo-se diversos grupos principais exemplificados abaixo. Bactérias metanogénicas • são anaeróbicas; • são capazes de produzir grandes quantidades de gás metano; • ocorrem em ambientes ricos em matéria orgânica, tais como lodaçais, lagos, sedimentos marinhos, Bactérias extremamente halofílicas (ou Halobactérias)

• são aeróbicas;

• requerem uma concentração de cloreto de sódio de 17 a 23% para um bom crescimento; • vivem em ambientes aquáticos muito salgados como o Mar Morto e o Grande Lago Salgado, em tanques industriais de produção de sal e em alimentos preservados com sal.

Bactérias termofílicas e dependentes de enxofre • são maioritariamente anaeróbicas, podendo também ser aeróbicas ou anaeróbicas facultativas; • a sua temperatura óptima de crescimento situa-se entre 70 e 110ºC; • a maioria prefere meios ácidos e é dependente de enxofre; • predominam em solos e águas geotermicamente aquecidos e ricos em enxofre.

Termoplasmas

• não possuem parede celular; • são anaeróbicos facultativos; • crescem a altas temperaturas (temperatura óptima de crescimento entre 55 e 59ºC) e em condições ácidas (pH óptimo de crescimento entre 1 e 2); • têm sido encontrados em restos de carvão incandescente.

Eucariotas:

Morfologia dos Fungos:

LEVEDURAS

podem apresentar de 1 a 5 m de largura e de 5 a 30 m ou mais de comprimento; podem ser ovais, alongadas ou esféricas; são unicelulares.

BOLORES

Os bolores são organismos multicelulares, cujo talo consiste num micélio e nos esporos (formas latentes).

Talo: corpo ou estrutura vegetativa de um fungo.

Micélio: conjunto de hifas. Hifa: filamento de células com uma parede celular rígida.

Diferentes tipos estruturais de hifas:

  • - hifa cenocítica sem septos, pelo que corresponde essencialmente a uma longa célula com

muitos núcleos;

  • - hifa septada com septos que dividem o filamento em células individuais. Se na hifa septada

existe apenas um núcleo por célula, então a hifa diz-se monocariótica. Se na hifa septada existem dois núcleos por célula, então a hifa diz-se dicariótica.

Diferentes tipos funcionais de hifas:

  • - hifa reprodutiva cresce essencialmente em contacto com o ar para disseminar os esporos

que produz;

  • - rizóide encontra-se embebido no meio sólido para sustentar e alimentar o talo;

  • - hifa vegetativa cresce essencialmente ao longo da superfície de um substrato e não tem função especializada.

Dimorfismo: ocorrência de formas unicelular e filamentosa numa mesma espécie.

Algumas características distintivas principais:

• obtêm alimento por absorção; • apresentam parede celular (com algumas excepções);

• produzem esporos.

Critérios principais de classificação:

• características de esporos sexuais e corpos de frutificação;

• natureza dos ciclos de vida;

• morfologia do micélio vegetativo ou das células. Tipos de Reprodução dos Fungos Reprodução assexuada por:

• gemulação; • divisão transversal (fissão binária) • produção de esporos artrósporos, clamidósporos, esporangiósporos , conidiósporos , blastósporos. Reprodução sexuada com formação de zigósporos, ascósporos e basidiósporos.

Divisão Zygomycota

• Os zigomicetes possuem micélios com hifas cenocíticas.

• Reproduzem-se assexuadamente por formação de esporangiósporos e sexuadamente por formação de zigósporos.

• São utilizados na produção de, por exemplo, molho de soja e esteróides. • A maioria dos zigomicetes é saprófita, vivendo sobre matéria animal e vegetal em

deterioração no solo. Alguns destes fungos são parasitas de plantas, seres humanos e outros animais, e fungos (inclusive outros zigomicetes). Rhizopus stolonifer, um dos membros representativos desta divisão, cresce sobre alimentos húmidos e ricos em hidratos de carbono como, por exemplo, o pão, a fruta e os vegetais.

Divisão Ascomycota

• Esta divisão reúne leveduras, bolores, míldios, trufas, entre outros. • Os ascomicetes miceliais apresentam hifas septadas cujas células podem apresentar um ou

mais núcleos. • Os fungos miceliais reproduzem-se assexuadamente e sexuadamente por conidiósporos e ascósporos, respectivamente. • As leveduras reproduzem-se assexuadamente por divisão transversal (fissão binária) ou gemulação, e sexuadamente. • Muitos membros desta divisão são economicamente importantes, pois entre os ascomicetes encontram-se agentes responsáveis pela deterioração da comida, parasitas de plantas, fontes de alimento, e leveduras que realizam processos fermentativos envolvidos na preparação de bebidas alcoólicas e de alimentos. • Entre os ascomicetes encontram-se os agentes causadores de muitas doenças e fungos com papel importante na degradação de moléculas de animais e vegetais resistentes. Alguns ascomicetes encontram-se associados a raízes de plantas (micorrizas) e a cianobactérias ou algas verdes (líquenes). Exemplos de géneros e espécies:

Claviceps purpurea espécie de ascomicete que infecta o centeio e outros cereais, causando fungão. O consumo de sementes contaminadas com ergotina (toxina produzida pelo fungo) por seres humanos e outros animais provoca ergotismo. Neurospora inclui espécies usadas na fermentação industrial e espécies responsáveis pela deterioração de alimentos (sobretudo, alimentos à base de amido). Neurospora crassa é uma espécie usada frequentemente como modelo experimental. Saccharomyces cerevisiae espécie usada no fabrico do pão e em processos de fermentação envolvidos na produção de bebidas alcoólicas.

Divisão Basidiomycota

• Esta divisão inclui, entre outros, os fungos vulgarmente conhecidos como cogumelos. • Os basidiomicetes apresentam uma estrutura complexa característica denominada basidiocarpo. Um basidiocarpo é um corpo de frutificação onde se encontram basídios que estão envolvidos na reprodução sexuada, produzindo basidiósporos. • A maioria dos basidiomicetes é saprófita, decompondo detritos vegetais, e muitos são usados como fonte de alimento. • Muitos basidiomicetes produzem alcalóides específicos que actuam como venenos ou alucinogénios. • A criptococose é uma infecção causada pela espécie Cryptococcus neofarmans que se encontra em solos contaminados por dejectos de pombos.

Divisão Deuteromycota

• Os deuteromicetes são fungos que produzem esporos assexuados que se desenvolvem em micélios septados, e nos quais não ocorre (ou nunca foi observada) reprodução sexuada durante o seu ciclo de vida. • Vivem maioritariamente em ambientes terrestres.

• A maior parte dos deuteromicetes é saprófita ou parasita de plantas. Esta divisão também

inclui parasitas de fungos e agentes que causam doenças em humanos. Por exemplo:

  • - histoplasmose é provocada por inalação de esporos produzidos pela espécie Histoplasma capsulatum;

  • - candidíase, endocardite, speticemia e meningite são originadas por Candida.

• Alguns deuteromicetes são importantes do ponto de vista industrial. Por exemplo:

  • - sintetizam antibióticos (ex.: Penicillium notatum e Penicillium chrysogenum);

  • - conferem aromas característicos a alguns queijos.

Os bolores limosos e os bolores aquáticos possuem semelhanças com os fungos em termos de aparência e estilo de vida, mas apresentam características relativas à sua organização celular, reprodução e ciclos de vida que os tornam mais próximos dos protistas.

Divisão Myxomycota

• Os membros desta divisão são comumente designados de bolores limosos acelulares. • Em condições ambientais adequadas, existem sob a forma de massas coloridas de protoplasma (plasmódios) com movimento amebóide sobre solo húmido, folhas, madeira e outros tipos de matéria orgânica. Os plasmódios alimentam-se por fagocitose.

Divisão Acrasiomycota

• Os membros desta divisão são comumente designados de bolores limosos celulares. • No estado vegetativo apresentam-se sob a forma de células amebóides individuais que se alimentam por fagocitose.

• Vivem em ambientes de água doce, em solos húmidos e em vegetais em decomposição.

Divisão Oomycota

• Os membros desta divisão são comumente designados de bolores aquáticos. • Consistem em filamentos ramificados designados hifas. • As suas paredes celulares são compostas por celulose. • Existem oomicetes que exercem funções importantes enquanto decompositores em ecossistemas aquáticos. • Desta divisão também fazem parte parasitas de peixes e plantas.

Morfologia das Algas:

ALGAS UNICELULARES

podem ser esféricas, em forma de bastonete, em forma de clava ou fusiformes.

ALGAS COLONIAIS

podem formar simples agregados de células individuais idênticas; ou podem formar agregados com tipos celulares diferentes com funções especializadas.

ALGAS MULTICELULARES

As algas multicelulares apresentam uma grande variedade de formas e graus de complexidade, podendo organizar-se, por exemplo, como filamentos de células ligadas pelas extremidades, ou como arranjos de filamentos entrelaçados que formam estruturas macroscópicas.

De acordo com o sistema de Whittaker, as algas pertencem a várias divisões distribuídas por 2 reinos: Protista e Plantae.

Morfologia das Algas: ALGAS UNICELULARES • podem ser esféricas, em forma de bastonete, em forma de

Alguns dos principais critérios de classificação:

composição química e morfologia da parede celular (se estiver presente); natureza dos produtos de reserva e armazenamento; natureza dos pigmentos fotossintéticos; número, tipo e inserção de flagelos nas células móveis; morfologia do talo; habitat; estruturas reprodutoras.

Divisão Chrysophyta

Os principais pigmentos fotossintéticos são normalmente as clorofilas a e c1 /c2 e a fucoxantina (entre outros carotenóides). A reserva de hidratos de carbono mais importante é a crisolaminarina. Podem ou não apresentar parede celular. É comum a presença de 2 flagelos de comprimento diferente. A maioria é unicelular, solitária ou colonial. Embora existam algumas espécies marinhas, a maioria das algas amarelas verdes e douradas castanhas vivem em ambientes de água doce.

Diatomáceas

São fotossintéticas, sendo que algumas podem ser facultativamente heterotróficas. Apresentam uma parede celular com uma estrutura típica, já que esta é constituída por duas peças (ou tecas) que encaixam uma na outra. Designa-se frústula, e é composta por

pectina com sílica impregnada, formando padrões distintivos. As suas células são circulares ou oblongas. Crescem em ambientes de água doce e salgada, e em solos húmidos. Constituem uma grande parte do fitoplâncton.

Divisão Euglenophyta

Apresentam clorofilas a e b. • O principal produto de armazenamento é paramilo. • Não apresentam parede celular. • Ocorrem em solos húmidos e em ambientes de água doce, salobra e salgada.

Género representativo:Euglena. • Caracteriza-se por células alongadas, cuja membrana plasmática apresenta no interior uma película que confere um equilíbrio apropriado entre flexibilidade e rigidez.

Divisão Pyrrhophyta

• São fotossintéticos (com algumas excepções). • Apresentam clorofilas a, c1 e c2. • Muitos dinoflagelados apresentam-se revestidos por rígidas tecas de celulose, podendo apresentar incrustações com sílica. •A maioria dos dinoflagelados apresenta dois flagelos. • São unicelulares. • São maioritariamente marinhos, mas alguns vivem em ambientes de água doce. • Constituem o plâncton marinho e de água doce, estando na base de muitas cadeias alimentares. •Alguns dinoflagelados estabelecem relações de simbiose com anémonas-do-mar, moluscos, corais e medusas.

Divisão Chlorophyta

• Apresentam clorofilas a e b • Armazenam hidratos de carbono sob a forma de amido. • Os cloroplastos das algas verdes apresentam uma região diferenciada que funciona como um

centro de síntese de amido, o pirenóide. • Muitas algas verdes apresentam celulose como componente da parede celular. • O arranjo celular e morfologia são variáveis, sendo que os membros desta divisão podem ser unicelulares solitários e coloniais, filamentosos, laminares e tubulares. • Crescem em ambientes de água doce e salgada, no solo, e sobre e dentro de outros organismos. Exemplos de géneros e espécies:

Volvox é um género de organismos coloniais e móveis que representa uma importante linha de especialização evolucionária. Prototheca moriformis causa prototecose em seres humanos e animais. A maioria das infecções ocorre a partir do solo, onde o género Prototheca se encontra com frequência.

Morfologia dos Protozoários:

podem apresentar dimensões que variam desde 1 m (de diâmetro) a 2 mm; são unicelulares;

podem ser ovais, esféricos, alongados ou apresentar formas irregulares. Polimorfismo: apresentação de diferentes tipos de morfologia em diferentes estádios do ciclo de vida.

•São exemplos de organelos microtubulares com estruturas semelhantes. •Estendem-se através da membrana que encerra a célula, projectando-se à superfície.

•Permitem o movimento celular.

Os CÍLIOS encontram-se frequentemente arranjados em grupos ou enfileirados à superfície celular. Movimentam-se de um modo ritmicamente coordenado. Ver diapositivo 11 Os FLAGELOS são mais compridos do que os cílios e, normalmente, são menos numerosos. Movimentam-se essencialmente como chicotes e propulsionam as células através dos meios fluidos.

Parede celular

A parede celular é uma camada externa à membrana plasmática que reforça e mantém a forma da célula. Composição química: variável; Os fungos filamentosos apresentam paredes celulares que contêm quitina e celulose. As leveduras têm paredes celulares que contêm mananas. Dependendo do tipo de alga, a parede celular é composta por quantidades variáveis de celulose, outros polissacarídeos e carbonato de cálcio.

Critérios de classificação:

tipos de núcleos; modo de reprodução; mecanismo de locomoção.

Algumas das características principais:

não apresentam parede celular rígida; ingerem alimentos; são móveis; podem ser organismos de vida livre (presentes em ambientes de água doce e salgada, e no solo) ou simbiontes (dentro ou sobre hospedeiros vivos).

Tipos de reprodução

A maioria dos protozoários reproduz-se assexuadamente; alguns também se reproduzem sexuadamente. Os métodos mais comuns de reprodução assexuada e sexuada são, respectivamente, fissão binária e conjugação.

Filo Sarcomastigophora

Apresentam um único tipo de núcleo. Possuem flagelos ou pseudópodes. Apresentam reprodução sexuada e assexuada. Incluem protozoários amebóides, fitoflagelados e zooflagelados.

Exemplos de géneros e espécies:

Triconympha género que inclui zooflagelados

simbiontes que se encontram no intestino de térmitas; Giardia lamblia espécie de zooflagelado parasita que se pode encontrar no intestino humano onde podeprovocar diarreia severa; Exemplos de géneros e espécies:

Trichomonas vaginalis espécie de zooflagelado parasita que habita a vagina e uretra das mulheres, e a próstata, as vesículas seminais e a uretra dos homens; Trypanosoma brucei rhodesiense ou T. brucei gambiense subespécies de tripanossomas (zooflagelados parasitas da corrente sanguínea ou hemoflagelados) que originam a doença do sono; Entamoeba histolytica espécie de protozoário amebóide que é um importante parasita dos seres humanos, originando amebíase; Leishmania género de zooflagelados que inclui os agentes etiológicos das leishmanioses.

Filo Apicomplexa

• Os membros deste filo são comumente designados esporozoários. • Distinguem-se pela presença do complexo apical. • Não apresentam organelos de locomoção (excepto os gâmetas masculinos e o zigoto). • Formam esporos durante um estádio do seu ciclo de vida. • São parasitas intra- ou intercelulares de animais.

Exemplos de géneros:

Plasmodium agente causador da malária; Toxoplasma agente causador da toxoplasmose.

Filo Ciliophora

• Os membros deste filo são comumente designados ciliados. • São unicelulares e heterotróficos. • Movimentam-se por cílios. • Alguns ciliados reproduzem-se assexuadamente; muitos também se reproduzem sexuadamente. • Apesar de a maioria dos ciliados viver livremente, existem alguns simbiontes e alguns parasitas obrigatórios. Por exemplo, Balantidium coli vive no intestino dos mamíferos, inclusive dos seres humanos, onde pode causar disenteria.

Vírus

Características gerais:

Os vírus constituem um grupo de agentes infecciosos que se distinguem pela sua simplicidade, organização acelular e padrão de reprodução. • O tamanho dos vírus é 10 a 100 vezes menor do que o da maioria das células bacterianas, de tal modo que o seu diâmetro varia entre 10 e 300/400 nm. • Apresentam ácido nucleicos e proteínas como constituintes químicos básicos. • Replicam-se apenas no interior de células metabolicamente activas (animais, vegetais ou microbianas), utilizando a maquinaria de biossíntese e produção de energia do hospedeiro para sintetizar e transferir cópias do seu genoma para outras células. Portanto, os vírus são considerados parasitas intracelulares obrigatórios, podendo controlar a maquinaria genética da célula hospedeira.

O ciclo de vida de um vírus

FASE INTRACELULAR: os vírus existem principalmente como ácidos nucleicos que se replicam e induzem a maquinaria metabólica do hospedeiro a sintetizar componentes de viriões. • FASE EXTRACELULAR: os vírus existem sob a forma de viriões, i.e., partículas de vírus completas que consistem numa ou mais moléculas de ácidos nucleicos (ácido

desoxirribonucleico ADN ou ácido ribonucleico ARN) envolvidas por uma capa proteica e, por vezes, por camadas adicionais de hidratos de carbono, lípidos e proteínas. Nesta forma, os vírus não se reproduzem, e possuem poucas ou nenhumas enzimas.

Aspectos básicos da morfologia e organização molecular

Num virião:

• a capa proteica que envolve o ácido nucleico é denominada capsídeo; • o conjunto formado pelo ácido nucleico e o capsídeo é denominado nucleocapsídeo.

Funções do capsídeo:

• protecção do material genético viral quando o vírus se encontra fora da célula hospedeira; • veículo de transferência entre células hospedeiras. Cada capsídeo consiste numa grande estrutura macromolecular composta por muitas cópias de um ou vários tipos de subunidades proteicas os protómeros. Os protómeros formam grupos denominados capsómeros. Tipos de estrutura básica do capsídeo:

• estrutura icosaédrica; • estrutura helicoidal.

Tipos de morfologia viral:

• vírus com simetria icosaédrica ou helicoidal e sem envelope; • vírus com simetria icosaédrica ou helicoidal e com envelope; • vírus complexos.

ENVELOPE

• Normalmente, o envelope origina-se a partir de membranas biológicas, de tal modo que os seus lípidos e hidratos de carbono são constituintes normais dos hospedeiros.

• As proteínas do envelope são codificadas por genes do vírus. • O envelope pode apresentar projecções à sua superfície, as espículas (vide diapositivos anterior e posterior). • Os vírus com envelope podem apresentar uma forma constante ou ser pleomórficos, consoante esta estrutura está ou não firmemente aderente ao nucleocapsídeo.

ÁCIDOS NUCLEICOS

• Os vírus possuem ADN ou ARN.

• Os ácidos nucleicos podem apresentar-se sob a forma de moléculas de cadeia simples ou dupla com estrutura linear ou circular. • No caso de o genoma viral ser composto por ARN, este pode encontrar-se segmentado ou não.

PROTEÍNAS

Os constituintes proteicos dos vírus desempenham essencialmente duas funções:

• estrutural;

• catalítica.

Princípios da taxonomia de vírus A divisão dos vírus em diferentes grupos taxonómicos baseia-se em características

Princípios da taxonomia de vírus

A divisão dos vírus em diferentes grupos taxonómicos baseia-se em características como, por exemplo:

• a natureza do hospedeiro; • características dos ácidos nucleicos; • simetria do capsídeo; • presença de um envelope e sua sensibilidade ao éter; • diâmetro do virião ou nucleocapsídeo; • número de capsómeros nos vírus icosaédricos; • localização intracelular da replicação viral; • doença causada e/ou características clínicas especiais.

Princípios da taxonomia de vírus A divisão dos vírus em diferentes grupos taxonómicos baseia-se em características
Além de bactérias, os vírus podem usar grande variedade de hospedeiros eucarióticos, incluindo fungos, plantas e

Além de bactérias, os vírus podem usar grande variedade de hospedeiros eucarióticos, incluindo fungos, plantas e animais. Por serem os agentes causadores de grande número de doenças humanas que são alvo de especial preocupação nas sociedades modernas, o grupo dos vírus que infectam animais será aquele que abordaremos com maior detalhe no que diz respeito à patogenicidade.

MECANISMOS DE DANIFICAÇÃO CELULAR RESULTANTES DE INFECÇÃO VIRAL

• inibição de síntese de ADN, ARN e proteínas; • danificação dos lisossomas; • alteração das membranas da célula hospedeira; • formação de corpos de inclusão; • disrupção de cromossomas; • indução de propriedades malignas; • concentração de proteínas virais.

TIPOS DE INFECÇÕES VIRAIS

• infecções agudas; • infecções persistentes; • infecções latentes; • infecções lentas.

Cancro é uma doença que se caracteriza por hiperplasia, anaplasia e metástase. Esta condição patológica pode ser classificada como leucemia, linfoma, sarcoma e carcinoma. A carcinogénese é um processo complexo que envolve múltiplos factores. Alguns vírus têm sido implicados na génese de cancros humanos:

• vírus Epstein-Barr está associado ao linfoma de Burkitt e ao carcinoma nasofaríngeo; • vírus da hepatite B está associado ao carcinoma hepatocelular;

• vírus linfotrópico das células T humano tipo I (HTLV-I) está associado à leucemia da células T de adultos;

• HTLV-II está associado a alguns casos de leucemia “hairy-cell”.

Viróides e priões são agentes infecciosos menores e mais simples do que os vírus. Apesar de partilharem alguns atributos com os vírus, os viróides e priões apresentam estruturas drasticamente diferentes. Os viróides são agentes infecciosos de plantas compostos apenas por ARN. Os priões são partículas exclusivamente proteicas associadas. São agentes infecciosos transmissíveis associados a doenças degenerativas do sistema nervoso central como, por exemplo, kuru, encefalopatia espongiforme bovina e doença de Creutzfeldt-Jacob.

Nutrição e cultivo de microrganismos: exigências em nutrientes; classificação nutricional dos microrganismos; entrada de nutrientes na célula; meios de cultura classificação.

Crescimento microbiano:

Crescimento define-se como o aumento dos constituintes celulares, resultando num aumento do tamanho da célula, num aumento do número de células ou em ambos. Numa curva de crescimento de microrganismos num sistema fechado, distinguem-se 4 fases:

a fase lag, a fase log ou exponencial, a fase estacionária e a fase de declínio ou morte.

Viróides e priões são agentes infecciosos menores e mais simples do que os vírus. Apesar de

Na fase exponencial, o número de microrganismos aumenta para o dobro num intervalo de tempo constante a que se designa tempo de geração.

Métodos de avaliação do crescimento microbiano

Métodos de contagem do número de células:

• contagem microscópica; • contagem celular electrónica; • contagem em placa; • uso de membrana filtrante.

Métodos de medição de massa celular:

• determinação da turbidez; • determinação do peso seco; • determinação da quantidade de

componentes da célula.

Requisitos ambientais:

O crescimento dos microrganismos é significativamente influenciado pelas propriedades físicas e químicas do ambiente onde estes se inserem. O conhecimento da influência dos factores ambientais auxilia no controlo do crescimento microbiano e na previsão da distribuição ecológica dos microrganismos. • Actividade da água (aw) A maioria dos microrganismos não cresce optimamente em ambientes com valores de actividade da água inferiores a 0,98.

• pH

Cada espécie de microrganismo apresenta um valor de pH óptimo para o seu crescimento.

Assim, os microrganismos são classificados como:

  • - acidofílicos pH óptimo de crescimento dentro da gama 0 5,5;

  • - neutrofílicos pH óptimo de crescimento dentro da gama 5,5 8;

  • - alcalofílicos pH óptimo de crescimento dentro da gama 8,5 11,5. • Temperatura

Cada espécie de microrganismo apresenta valores de temperatura (T) óptimos para o seu crescimento. Assim, os microrganismos são classificados como:

  • - psicrofílicos T óptima de crescimento está usualmente dentro da gama 15 20ºC;

  • - mesofílicos T óptima de crescimento está usualmente dentro da gama 25 40ºC;

  • - termofílicos T óptima de crescimento está usualmente • Concentração de Oxigénio Os microrganismos podem ser colocados em, pelo menos, 4

categorias diferentes com base nas suas necessidades de e respostas ao oxigénio gasoso:

  • - aeróbicos requerem oxigénio para o seu crescimento, e normalmente podem crescer numa atmosfera de 21% de oxigénio;

  • - anaeróbicos facultativos podem crescer na presença ou ausência de oxigénio;

  • - anaeróbicos não crescem e podem morrer na presença de oxigénio;

  • - microaerofílicos requerem níveis de oxigénio entre 1 e 15% para o seu crescimento óptimo, sendo prejudicados por níveis de oxigénio atmosférico normais.

• Pressão

A maioria dos organismos não é significativamente afectada pela pressão. Contudo, existem bactérias barotolerantes, i. e., bactérias tolerantes a altas pressões, e bactérias barofílicas, i. e., bactérias que crescem mais rapidamente em ambientes de elevada pressão.

Controlo do crescimento

•Esterilização: processo pelo qual todas as células vivas, esporos viáveis, vírus e viróides são destruídos ou removidos de um objecto ou habitat.

•Desinfecção: processo que leva à morte, inibição ou remoção de microrganismos (mas não

necessariamente de endósporos) que podem causar doença. Quando uma população de microrganismos é exposta a um agente letal, observa-se um padrão característico de morte denominado morte exponencial.

Agentes antimicrobianos que matam os microrganismos designam-se agentes microbicidas; enquanto que agentes antimicrobianos inibem o crescimento e reprodução designam-se agentes microbiostáticos.

A eficiência de um agente antimicrobiano é influenciada por factores como:

• tamanho da população; • composição da população; • concentração ou intensidade do agente; • tempo de exposição; • temperatura; • natureza do ambiente local.

Agentes antimicrobianos podem matar ou inibir um microrganismo por alteração do estado físico-químico de componentes celulares como:

• citoplasma; • parede celular; • membrana plasmática; • enzimas; • ribossomas; • material nuclear.

Controlo do crescimento por métodos físicos

• Calor

É um dos agentes antimicrobianos mais eficientes, podendo ser usado sob a forma de calor húmido:

-

vapor sob pressão;

-

água fervente;

-

pasteurização; e sob a forma de calor seco:

-

esterilização por ar quente;

-

incineração.

• Radiação

Raios X, raios gama e radiação ultra-violeta podem ser usados na esterilização de objectos.

 

• Filtração

Microrganismos podem ser eficientemente removidos por filtração:

-

de fluidos por membranas filtrantes;

-

do ar por filtros HEPA (HEPA = high efficiency particulate air).

• Desidratação

A eficiência deste processo físico é limitada a células microbianas vegetativas, já que os

endósporos bacterianos desidratados podem permanecer viáveis indefinidamente. Mesmo no que diz respeito às células vegetativas, o tempo de sobrevivência dos microrganismos é bastante variável e dependente de muitos factores.

Controlo do crescimento por agentes químicos

•Álcoois e Fenóis

Estes dois tipos de agentes químicos actuam como desinfectantes, provocando desnaturação

de proteínas e disrupção de membranas celulares.

•Halogéneos

A iodina actua como um anti-séptico aplicável sobre a pele, matando microrganismos por oxidação de componentes celulares e por iodinação de proteínas celulares. A iodina a elevadas

concentrações pode matar alguns esporos. A clorina é um desinfectante frequentemente usado no tratamento de águas municipais e de

piscinas e na indústria alimentar. A acção desinfectante da clorina baseia-se na oxidação de materiais celulares e na destruição de bactérias e fungos sob a forma vegetativa (não destrói esporos).

•Metais Pesados

Actuam como germicidas (certos metais pesados actuam mais eficazmente como bacteriostáticos). São empregues em situações específicas como, por exemplo, a aplicação de

nitrato de prata sobre os olhos dos recém-nascidos, ou o sulfato de cobre em lagos e lagoas. Podem inactivar e precipitar proteínas.

•Detergentes catiónicos

São frequentemente usados como desinfectantes e anti-sépticos. Provocam a disrupção de

membranas e desnaturam proteínas.

•Aldeídos

O formaldeído e o glutaraldeído são dois aldeídos capazes de desinfecção e esterilização, pois conseguem matar esporos. Combinam-se com proteínas, inactivando-as.

•Gases esterilizantes

O óxido de etileno é um exemplo de um gás esterilizante. Penetra em embalagens de plástico,

e destrói todas as formas de vida, reagindo com as suas proteínas.

Microbiologia do ar, do solo e da água:

Microbiologia do Ar

O ar contém poeiras e gotículas que podem transportar microrganismos. A população microbiana do ar é transitória e variável. O destino dos microrganismos transportados pelo ar depende de vários factores, incluindo a natureza dos próprios microrganismos. Por exemplo, microrganismos que formam esporos ou quistos podem sobreviver no ar, em princípio, por longos períodos de tempo.

ORIGEM DOS MICRORGANISMOS DO AR Exemplos de fontes de microrganismos:

• superfície do solo ou da água; • aerossóis produzidos por processos industriais, agrícolas e municipais como irrigação de

lavouras e florestas com efluentes de esgotos utilizando borrifadores, ou grandes operações de debulhamento;

• matadouros; • sistemas de ar condicionado.

Tipologia de Microrganismos

Algas, protozoários, fungos e bactérias já fora isolados do ar nas proximidades da superfície da Terra. Contudo, as espécies predominantes na atmosfera são as bactérias e os fungos formadores de esporos. Apesar da escassez de estudos no âmbito da microbiologia do ar, fungos do género Cladosporium, e alguns géneros de cocos grampositivos, de bactérias esporuladas, e de bacilos

gram-negativos já foram identificados em diferentes amostras de ar.

Técnicas de Análise Microbiológica • Exposição de meio de cultura ao ar • Uso do aparelho de impacto sólido (A) • Uso do aparelho de impacto líquido (B)

Microbiologia do Solo

No solo (principalmente na camada mais superficial) existem microrganismos que intervêm no processo de reciclagem de compostos do qual depende a vida na Terra, podendo também existir microrganismos patogénicos.

Tipologia de Microrganismos

A quantidade e o tipo de microrganismos presentes no solo dependem de muitos factores como, por exemplo:

.quantidade e tipo de nutrientes disponíveis; .humidade disponível; .grau de arejamento; .temperatura; .pH;

.práticas e eventos que podem introduzir grande número de microrganismos no solo (por ex., aplicação de adubos, aplicação de estrumes ou dejectos de esgotos, ocorrência de enchentes), ou que podem remover microrganismos como tempestades de poeira; .presença de raízes e a extensão do sistema radicular.

Bactérias

As bactérias representam a maior parte da população microbiana do solo em quantidade e em variedade. Exemplos: Bacillus, Clostridium, Arthrobacter, Pseudomonas, Rhizobium, Azotobacter, Nitrobacter, actinomicetos (por exemplo, Streptomyces, Micromonospora e Nocardia), cianobactérias.

Fungos

Os fungos existem maioritariamente próximo da superfície do solo, onde prevalecem

condições de aerobiose.

.Géneros mais comuns: Penicillium, Mucor, Rhizopus, Fusarium, Cladosporium, Aspergillus, Trichoderma.

Algas

A população de algas encontra-se predominantemente nas proximidades da superfície do solo, e é menor do que a de bactérias ou de fungos. Espécies de algas verdes e de diatomáceas são

as principais algas habitantes do solo.

Vírus

Podem existir bacteriófagos em algumas bactérias. Vírus de plantas e de animais também ocorrem esporadicamente no solo, especificamente, em tecidos de plantas e animais mortos e em dejectos de animais.

Técnicas de Análise Microbiológica

Cultura em placa • Observação microscópica directa • Técnica de enriquecimento (A)

Microbiologia da Água Água Potável

A água potável é obtida a partir de rios e lagos que podem estar poluídos. O fornecimento de água natural segura a uma comunidade implica um processo de tratamento. PRINCIPAIS ETAPAS DE PURIFICAÇÃO DE ÁGUA NUMA ESTAÇÃO MUNICIPAL • sedimentação (incluindo adição de sulfato de alumínio e floculação) • filtração • cloração

AVALIAÇÃO DA POTABILIDADE DA ÁGUA Tipologia de microrganismos indicadores da qualidade da água •A técnica laboratorial padrão utilizada consiste na determinação da presença ou ausência de Escherichia coli. Esta espécie é usada como indicador de poluição por ser um habitante normal no tracto intestinal humano. A sua presença na água indica que esta está contaminada com matéria fecal e, portanto, é imprópria para consumo.

•Outras bactérias podem ser usadas como indicadores de poluição. Por exemplo,

Streptococcus faecalis e Clostridium perfringens são habitantes normais do intestino grosso do Homem e de outros animais. •Vírus entéricos podem ser transportados juntamente com os dejectos humanos para a água. Contudo, a determinação da presença de vírus na água requer métodos mais elaborados do que a determinação da presença de bactérias. Microrganismos nocivos nos sistemas de

abastecimento de água Algumas espécies de bactérias e algas causam alterações no odor, na cor, no gosto e noutras características da água.

Por exemplo, algumas espécies de bactérias produzem materiais gomosos ou lamacentos. Outras espécies bacterianas transformam compostos solúveis de ferro em compostos insolúveis, formando depósitos que reduzem o fluxo de água. Existem ainda bactérias que tornam a água ácida, o que lhe confere um mau odor e compromete a estrutura de canalização, devido à produção de ácido sulfúrico. Técnicas de análise bacteriológica da água

•Cultura em placa •Uso de membrana filtrante •Testes bioquímicos

Água de Esgotos

A água de esgoto, ou água residual, corresponde à água utilizada por uma comunidade que consiste em:

• despejos domésticos veiculados pela água;

• resíduos industriais; • águas de lençóis freáticos, da superfície e da atmosfera que entram no sistema de esgoto.

Tipologia de microrganismos

Fungos, protozoários, algas, bactérias e vírus estão presentes nas águas residuais. Coliformes, estreptococos, bacilos anaeróbicos esporulados, membros do género Proteus e outros tipos de microrganismos do tracto intestinal humano são comuns em águas residuais não tratadas. Consequências da ausência de tratamento ou de tratamento inadequado de águas residuais

•maior possibilidade de disseminação de microrganismos patogénicos; •maior perigo na utilização de extensões naturais como fontes de água potável; •contaminação de animais marinhos, tornando-os impróprios para consumo; •perdas nas populações de seres vivos aquáticos; •limitação da utilidade recreativa da água.

Processos de tratamento de águas residuais em estações municipais

TRATAMENTO PRIMÁRIO: remoção física de materiais sólidos grosseiros. TRATAMENTO SECUNDÁRIO (biológico): decomposição da matéria orgânica e redução da demanda bioquímica de oxigénio.

TRATAMENTO TERCIÁRIO: remoção de poluentes remanescentes.

Biodegradação: o papel dos microrganismos no controlo da poluição O termo biodegradação refere-se à degradação de materiais como papel, tinta, metais, têxteis, entre outros, mediada por microrganismos. A biodegradação indesejada constitui um problema frequente e dispendioso, pelo que o seu controlo é alvo de constante preocupação. Em algumas condições, é possível utilizar biocidas para controlar os danos causados por microrganismos em diversos materiais. Por outro lado, é possível colocar as actividades microbianas ao serviço do restauro e manutenção da qualidade ambiental por estimulação da biodegradação. Esta possibilidade levou ao aparecimento de uma indústria especializada em biorremediação, i. e., a aplicação processos de biologicamente mediados na remoção de poluentes ambientais, principalmente do solo e da água.

A biorremediação:

• baseia-se na decomposição dos poluentes em substâncias não tóxicas através do metabolismo microbiano; • utiliza estratégias que podem passar pelo uso de microrganismos geneticamente modificados e pela adição de nutrientes; • tem sido aplicada, por exemplo, na minimização de consequências ambientais de derramamentos de petróleo e na descontaminação de ambientes subsuperfíciais.

Doenças causadas por microrganismos: agentes infecciosos, modos de transmissão, tratamento, controlo e prevenção; infecções ocupacionais:

Microbiota humana normal

Microbiota refere-se ao conjunto dos microrganismos normalmente associados a um tecido ou estrutura particulares. No útero, o feto humano não apresenta microrganismos. Algumas horas após o nascimento, começa a constituir-se a microbiota normal do bebé. Durante a primeira ou segunda semana de vida, a microbiota estabiliza. A partir desta altura, um grande número de microrganismos encontram-se em associação com o organismo humano. Em condições normais, os seres humanos vivem em simbiose com biliões de microrganismos. A microbiota humana normal inclui bactérias, fungos (principalmente leveduras) e protozoários, sendo que os microrganismos procarióticos são os mais abundantes.

INFECÇÕES OCUPACIONAIS Exemplos:

Veterinários Leptospirose, Febre Q, Toxoplasmose, Listeriose; Agricultores Micoses cutâneas, Leptospirose, Tétano, Tularemia; Trabalhadores envolvidos na criação de aves domésticas - Ornitoses, Histoplasmose; Prestadores de cuidados de saúde Hepatites, SIDA; Operários da construção civil Tétano; Trabalhadores em talhos e matadouros Febre Q; Trabalhadores florestais doença de Lyme; Trabalhadores envolvidos no tratamento de resíduos Hepatites A e C; Professores infecções causadas por vírus que originem epidemias entre as crianças;

Doenças causadas por microrganismos

Vírus

Transmissão pelo ar O ar não permite o crescimento de vírus, pelo que as fontes primárias dos vírus transportados pelo ar são, por exemplo, os seres humanos. Neste caso, os vírus são emitidos do tracto respiratório através da tosse, espirro ou fala.

Transmissão por artrópodes Os vírus transmitidos por artrópodes designam-se arbovírus. Os arbovírus são transmitidos de um hospedeiro vertebrado para outro por artrópodes que sugam sangue. As doenças originadas por arbovírus podem ser divididas em 3 tipos de síndromes clínicos:

(1) febres com ou sem erupção cutâea; (2) encefalite; (3) febres hemorrágicas. Exemplo: Febre amarela A febre amarela é causada por um flavivírus que é endémico em muitas áreas tropicais, sendo transmitido entre macacos e humanos ou entre humanos por mosquitos. A icterícia é um sinal proeminente em casos severos de febre amarela, devido a danos no fígado que levam à deposição de pigmentos biliares na pele e nas membranas mucosas. Vacinação ou infecção inicial resultam em imunidade activa. A prevenção e o controlo implicam a vacinação e o controlo do insecto vector.

Transmissão por contacto directo

Transmissão através da água e dos alimentos

A água e os alimentos são potenciais transportadores de agentes patogénicos. De um ponto de vista colectivo, o número de infecções com origem na água e nos alimentos é superior ao número de infecções com outra origem qualquer. Exemplo: Hepatite A A hepatite A é usualmente transmitida por ingestão de comida ou bebida contaminada (transmissão fecal-oral), ou por contaminação de marisco que habita em água contaminada e contém o vírus no seu sistema digestivo. A doença é causada pelo vírus da hepatite A que pertence ao género Hepatovirus (pertencente à família Picornaviridae). Os sintomas incluem anorexia, indisposição geral, náuseas, diarreia, febre e arrepios, podendo também ocorrer icterícia. A prevenção da hepatite A passa pela adopção de simples medidas de higiene e a vacinação.

Bactérias

Transmissão pelo ar

A maioria das doenças causadas por bactérias transportadas pelo ar afectam o sistema

respiratório ou a pele.

Transmissão por artrópodes

As doenças bacterianas transmitidas por artrópodes são raras. Exemplo: Doença de Lyme A doença de Lyme é uma zoonose transmitida por carraças. As espiroquetas responsáveis por esta doença pertencem a, pelo menos, 3 espécies Borrelia burgdorferi, B. garinii e B. afzelii.

Normalmente, a doença inicia-se com uma lesão dermatológica em forma de anel que se expande, acompanhada por sintomas semelhantes aos da influenza. Evolui para um estádio seguinte caracterizado por anomalias neurológicas, inflamação do coração e ataques de artrite. Num estádio final, os pacientes podem desenvolver sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer e esclerose múltipla. Numa fase inicial, o tratamento consiste na administração de agentes quimioterapêuticos. O controlo e a prevenção envolvem a limpeza ou incineração do habitat da carraça e aplicação de agentes acaricidas.

Transmissão por contacto directo

Transmissão através da água e dos alimentos

Fungos

As doenças fúngicas (ou micoses) dividem-se em diversos grupos de acordo com o nível do tecido infectado e o modo de entrada no hospedeiro. Exemplos: Micoses cutâneas • Afectam a camada externa da pele, e são causadas por dermatófitos (ou fungos cutâneos) pertencentes a 3 géneros -Epidermophyton, Microsporum e Tricophyton. • O tratamento inclui a administração de agentes quimioterapêuticos. • Tinea barbae é um exemplo de uma micose cutânea que afecta os pêlos da barba. O fungo é adquirido a partir de animais infectados. • Tinea corporis é também uma micose cutânea que afecta as partes desprotegidas da pele, e que se caracteriza por lesões vesiculopustulares circulares e vermelhas acompanhadas de prurido. A transmissão pode ocorrer por contacto directo com animais ou humanos infectados. Micoses subcutâneas • Os seus agentes etiológicos são dermatófitos que normalmente também vivem no solo e na vegetação em decomposição.

• Os fungos causadores deste tipo de micoses são introduzidos nos tecidos subcutâneos da pele por contaminação com solo de feridas devidas a picadas. • Este tipo de infecções desenvolvem-se lentamente, e caracterizam-se pela formação de nódulos subcutâneos que, por vezes, drenam à superfície.

• A maioria das infecções deste tipo afecta agricultores que habitualmente andem com os pés desprotegidos. • O tratamento envolve excisão cirúrgica e administração de agentes quimioterapêuticos. Micoses sistémicas • Este tipo de micoses é considerado o mais grave por haver o risco de disseminação dos fungos por todo o organismo. • A maioria dos fungos causadores deste tipo de infecções são dimórficos, obtendo-se por inalação de esporos do solo. A infecção inicia-se nos pulmões, podendo alastrar-se aos outros órgãos pela corrente sanguínea.

• Histoplasmose é uma micose sistémica que:

  • - É causada por fungos parasitas que crescem intracelularmente e que pertencem à espécie

Histoplasma capsulatum.

  • - A espécie causadora desta micose é comum em áreas contaminadas com excrementos de

pássaros ou de morcegos.

  • - Os humanos inalam clamidósporos que são facilmente dispersos por correntes de ar. A

doença pode ser assimptomática, ou caracterizar-se por tosse, febre e dores nas articulações. Podem aparecer lesões com calcificações nos pulmões.

  • - Medidas de controlo e prevenção devem incluir o uso de vestuário protector e máscara antes de entrar ou trabalhar em habitats infectados, e eventualmente a descontaminação do solo.

  • - É considerada uma doença ocupacional para trabalhadores envolvidos na criação de aves domésticas, espeleologistas e mineiros.

Protozoários

Os protozoários adaptaram-se a praticamente todos os habitats existentes à face da Terra, incluindo o corpo humano. Apesar de o número de géneros de protozoários que causam doenças humanas ser inferior a 20, um grande número de pessoas padece de malária, doença do sono, leishmaniose e amebíase que são infecções causadas por estes microrganismos. Toxoplasmose • É uma doença infecciosa causada pelo protozoário Toxoplasma gondii que se encontra em praticamente todos os animais. • É frequente que os quistos presentes em fezes de animais penetrem no novo hospedeiro através do nariz e boca. No entanto, a toxoplasmose também pode ser transmitida por ingestão de carne crua ou mal-cozinhada, por transferência congenital, por transfusões de sangue ou por transplantes de tecidos.

• Na maioria dos casos, a toxoplasmose é uma doença assimptomática.

• O tratamento envolve a administração de agentes quimioterapêuticos. A prevenção e o controlo requerem a minimização da exposição a potenciais fontes do agente microbiano, e a adopção de medidas de higiene após o contacto com animais.

Contaminação microbiológica: questões de saúde pública:

Quando uma situação de contaminação microbiológica afecta mais do que um indivíduo, poderemos estar perante um problema cuja solução deve ser formulada pelas autoridades que zelam pela saúde pública.

O sistema de saúde pública deve integrar um conjunto de profissionais (médicos, enfermeiros, epidemiologistas e outro pessoal competente), cujas principais acções visam a protecção da saúde dos cidadãos. Epidemiologia: ciência que avalia a incidência, os factores condicionantes e determinantes, a distribuição e o controlo de estados de saúde e de doença numa população humana definida. Alguma terminologia utilizada no âmbito da Epidemiologia:

Doença endémica: doença que se caracteriza por um nível de incidência baixo e constante, e que afecta a população de uma determinada região ou um grupo específico de pessoas em intervalos de tempo aproximadamente regulares. Epidemia: aumento repentino da incidência de uma doença, afectando um número elevado de pessoas. Pandemia: aumento da incidência de uma doença num grupo populacional significativamente grande, abrangendo uma região bastante extensa (em geral, praticamente todo o Mundo).

O sistema de saúde pública deve integrar um conjunto de profissionais (médicos, enfermeiros, epidemiologistas e outro

As preocupações de um epidemiologista que estuda a epidemia de uma doença infecciosa estão relacionadas com os elos típicos da cadeia de eventos observáveis durante o curso de uma doença daquele tipo, pelo que deverão ser primordialmente:

identificar o agente patogénico, a sua fonte

e/ou

reservatório e o seu modo

de

transmissão; determinar a susceptibilidade do hospedeiro e os factores ambientais que propiciaram o desenvolvimento da doença;

desenvolver medidas eficazes no controlo, prevenção e erradicação de doenças.

 

A ocorrência de uma doença infecciosa só é precisamente reconhecida mediante o

conhecimento das principais fases do curso típico deste tipo de doenças:

Período de incubação;

Período (ou estado) prodromal;

Período de doença;

Período de declínio.

Temas abordados nas aulas práticas:

Actividade laboratorial I: Observação de preparações temporárias de microrganismos ao microscópio óptico

  • 1 Retirar uma lâmina de vidro de uma caixa.

  • 2 Colocar uma gota de água destilada estéril sobre a lâmina, utilizando uma pipeta de Pasteur.

  • 3 Mergulhar uma ansa no iogurte e retirar o excesso. Alternativamente, retirar uma ansa de levedura liofilizada do frasco correspondente.

5

Cobrir com uma lamela.

  • 6 Observar com a objectiva de 40x.

Actividade laboratorial II: Cultivo de bactérias por sementeira à superfície

  • 1 Identificar cada uma das caixas de Petri que se encontram invertidas sobre a bancada

com o número do grupo e a amostra a inocular. Esta informação deve ser escrita na base da caixa de Petri usando um marcador apropriado.

  • 2 Em condições de assépsia, destapar o gobelé contendo a amostra de água contaminada.

Mergulhar a extremidade de uma zaragatoa na amostra. Retirar o excesso de água, pressionando a zaragatoa contra a parede interna do gobelé. Pegar na base de uma caixa de Petri contendo Agar Nutritivo e rodá-la verticalmente. Passar “uniformemente” a zaragatoa

pela superfície do meio de cultura (seguindo as instruções dos Assistentes). Colocar a base da caixa na respectiva tampa. Descartar a zaragatoa.

  • 3 Passar a extremidade de uma zaragatoa pela superfície interna de uma narina. Em

condições de assépsia, retirar a base de uma caixa de Petri contendo Agar Columbia e rodála

verticalmente. Passar “uniformemente” a zaragatoa por metade da superfície do meio de

cultura (seguindo as instruções dos Assistentes). Colocar a base da caixa na respectiva tampa. Descartar a zaragatoa.

  • 4 Repetir o passo 3 com uma zaragatoa previamente passada pela base dos dentes, junto à placa dentária, inoculando a amostra recolhida na outra metade da superfície do mesmo

meio de cultura.

  • 5 Em condições de assépsia, retirar a base de uma caixa de Petri contendo Agar Nutritivo

ou Agar Columbia e rodá-la verticalmente. Pressionar metade da superfície do meio de cultura com uma mão. Colocar a base da caixa na respectiva tampa. Lavar a mão. Repetir o

procedimento na outra metade da superfície do meio de cultura.

  • 6 Incubar as caixas de Petri a 37ºC em posição invertida