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Nome: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

B. I.: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . N0 de Estudante: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Curso: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Unidade Curricular: Álgebra Linear I Código: 21002

Data: 3 de Novembro de 2008 Ano Lectivo: 2008/09

Docente: Ana Luı́sa Correia Classificação: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Para a resolução do e-Fólio A, aconselha-se que:


• Imprima este documento (não necessariamente a cores).

• Preencha devidamente o cabeçalho do exemplar.

• O e-Fólio é composto por 3 grupos de questões, contém 6 páginas e termina com


a palavra FIM. Responda às questões deste e-Fólio no espaço destinado ao efeito.

• Utilize, sempre, uma letra legı́vel.

• Depois de ter realizado o e-Fólio digitalize-o e carregue-o, na página moodle da


unidade curricular, em “e-Fólio A”, no tópico 5, até ao dia 7 de Novembro.

Critérios de avaliação e cotação:


• A cotação total deste e-Fólio é de 4 valores.

• Com excepção das 4 questões de escolha múltipla do Grupo I, terá de justificar


todas as respostas e apresentar os cálculos realizados. Não serão pontuadas
respostas que não sejam acompanhadas de uma justificação, mesmo que estejam
correctas.

• Cada questão de escolha múltipla do grupo I tem a cotação de 0.25 valores. Por
cada resposta errada serão descontados 13 valores. É considerada errada uma
questão com mais de uma resposta. A classificação mı́nima destas 4 questões é
de 0 valores. As cotações são as seguintes:

Grupo I ERRADAS
C 0 1 2 3 4
E 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Grupo II Grupo III
R 1 0,25 0,17 0,08 0,0 a) b) c1 ) c2 ) a) b)
T 2 0.5 0.42 0,33
A 3 0.75 0,67
0.5 0.5 0.4 0.6 0.55 0.45
S 4 1,0

e-Fólio A 1
Grupo I

Em cada questão apenas uma das afirmações a), b), c), d) é verdadeira. Indique-a
marcando × no quadrado respectivo. Caso pretenda anular alguma das suas respostas,
basta escrever “Anulado” junto a essa resposta e indicar, se for caso disso, a que pretenda
que seja considerada.
   
1 − 2i −1 1 − i i
1. Considere as matrizes A =  2 1 − i 1 + i  ∈ C3×3 , B =  −1  ∈ C3×1 ,
  −2 + 2i 1 + i −1 1−i
1×3
C = 2 −i 1 + i ∈ C . Considere as afirmações seguintes:

(i) (CA)(AB) = A2 BC.

(ii) A + BC = I3 .

(iii) CA + AB ∈ C1×1 .

Então:

a) Nenhuma das afirmações é verdadeira.

@
@ b) Apenas uma das afirmações é sempre verdadeira.

c) Apenas duas das afirmações são sempre verdadeiras.

d) Todas as afirmações são verdadeiras.

2. Seja A ∈ Rn×n uma matriz tal que In − A é invertı́vel. Então, tem-se sempre que:

a) A não é invertı́vel.

b) A2 6= A.

@
@ c) Existe uma matriz B ∈ Rn×n tal que B − AB = In .

d) B(In − A) = (In − A)B, para toda a matriz B ∈ Rn×n


 
1 0 −1 0
1 a a2 + b ab 
3. Considere a matriz A =   ∈ R4×4 . Então:
0 1 a b 
1 a a2 + b a + ab

a) rank A = 2 se e só se a = 0 ∨ b = −1.

@
@ b) rank A = 3 se e só se (a 6= 0 ∧ b = −1) ∨ (a = 0 ∧ b 6= −1).

c) rank A = 3 se e só se a 6= 0 ∧ b 6= 1.

d) rank A < 4 para quaisquer a, b ∈ R.

2 Álgebra Linear I
4. Seja A ∈ R3×3 cujo polinómio caracterı́stico é pA (λ) = (1 + λ)2 (1 − λ). Considere as
afirmações seguintes:
(i) A−1 = A2 + A − I3 ;
(ii) |A − 2I3 | =
6 0;
(iii) tr A = −|A|.
A lista completa de afirmações correctas é:
a) (i) e (ii) c) (i)

b) (ii) e (iii) @
@ d) (i), (ii) e (iii)

Justifique todas as afirmações e apresente os cálculos realizados para as obter.

Grupo II
 
k−1 2 2
Considere as matrizes Ak =  2 1 + k 1 − k  ∈ R3×3 , k ∈ R.
2 k−1 k−1
a) Calcule |Ak | usando o desenvolvimento de Laplace em relação à segunda linha.
b) Determine todos os k de modo que Ak seja invertı́vel. Para |Ak | invertı́vel determine
| adj(Ak )| sem calcular a respectiva matriz adjunta.
c) Faça k = 0 e faça A = A0 .
c1 ) Determine a decomposição LU da matriz A, onde U é uma matriz triangular
superior e L é uma matriz triangular inferior.
 
1
c2 ) Determine o conjunto das soluções do sistema Ax = b, onde b =  2 , α ∈ R,
α
resolvendo dois sistemas triangulares. Indique, caso existam, duas soluções par-
ticulares para o sistema.
Resolução:
a) Usando o desenvolvimento de Laplace em relação à segunda linha, obtemos

3 2 2 4 k − 1 2 5 k − 1 2

|Ak | = 2(−1) + (1 + k)(−1) + (1 − k)(−1)
k − 1 k − 1 2 k − 1 2 k − 1
= (1 + k − 1 + k)((k − 1)2 − 4) = 2k(k − 3)(k + 1) = .

b) De acordo com a)
Ak é invertı́vel ⇐⇒ |Ak | =
6 0 ⇐⇒ k 6= 0 ∧ k 6= 3 ∧ k 6= −1.
Temos
adj(Ak ) = |Ak |A−1
k
e como Ak é uma matriz 3 × 3
3 3
| adj(Ak )| = ||Ak |A−1 −1
k | = |Ak | |Ak | = |Ak | |Ak |
−1
= |Ak |2 = 4k 2 (k − 3)2 (k + 1)2 .

e-Fólio A 3
(Continuação do espaço de resposta ao Grupo II)
 
−1 2 2
c) Como k = 0 então A = A0 =  2 1 1 .
2 −1 −1
c1 ) Temos    
−1 2 2 −1 2 2
A −→  0 5 5 −→  0 5 5 = U.
L2 +2L1 L3 − 35 L2
L3 +2L1 0 3 3 0 0 0
Como foram efectuadas as transformações elementares
3
L2 → L2 + 2L1 , L3 → L3 + 2L1 , L3 → L3 − L2
5
então os multiplicadores são: 2, 2, − 53 e assim
   
1 0 0 1 0 0 1 0 0
L = (E32 E31 E21 )−1 = E21
−1 −1 −1
E31 E32 = −2 1 0  0 1 0 0 1 0
0 0 1 −2 0 1 0 3/5 1
 
1 0 0
= −2 1 0 .
−2 3/5 1

c2 ) Como A = LU então
(
Ly = b
Ax = b ⇐⇒ LUx = b ⇐⇒ ,
Ux = y
 
1
onde b = 2  com α ∈ R. Assim

α
 
y1 = 1 y1 = 1
    
1 0 0 y1 1  
Ly = b ⇔ −2 1 0 y2 = 2 ⇔ −2y1 + y2 = 2
      ⇔ y2 = 4 .
−2 3/5 1 y3 α
 3
 2
−2y1 + 5 y2 + y3 = α y3 = α − 5
 

Agora
 
3
−x + 2x + 2x = 1 x1 = 5
    
−1 2 2 x1 1 
 1 2 3 
Ux = y ⇔  0 5 5 x2  =  4  ⇔ 5x2 + 5x3 = 4 ⇔ x2 = 54 − x3 .
0 0 0 x3 α − 25
 
0 = α − 25 α = 52
 

Designando por CS o conjunto das soluções do sistema Ax = b, então



∅ se α 6= 2/5
CS = .
{(3/5, 4/5 − x3 , x3 ) : x3 ∈ R} se α = 2/5
Para α = 52 , o sistema é possı́vel e indeterminado e admite, por exemplo, as
soluções particulares
(3/5, 4/5, 0) (fazendo x3 = 0) , (3/5, −1/5, 1) (fazendo x3 = 1).

4 Álgebra Linear I
(Continuação do espaço de resposta ao Grupo II)

Grupo II - Observações

1. Em geral, dadas duas matrizes A e B não se tem

A = B ⇐⇒ |A| = |B|.

É verdadeira a implicação “ =⇒ ”, mas é falsa a implicação “⇐=”. Existem matrizes


com igual determinante e nem sequer são do mesmo tipo. Por exemplo, |I2 | = |I3 |
mas I2 6= I3 . É portanto, necessário ter cuidado com a cadeia de equivalências que
se escreve, pois pode valer uma das implicações e não valer a outra, o que torna a
equivalência falsa.

2. A factorização triangular ou decomposição LU é única - ver secção 1.7 do manual. A


matriz triangular superior U é obtida fazendo apenas transformações elementares do
tipo O3 : Lj → Lj + aLi à matriz inicial A. A matriz triangular inferior L tem sempre
1’s na diagonal principal.

3. A matemática utiliza uma linguagem notacional para exprimir os seus conceitos de


uma forma simplificada. Algumas notações são universais: R, ∀, ∃, ∧, ∈,.... Mas há
outras que podem variar. Por exemplo, |A| e det A abreviam “determinante de A”.
No entanto,
   
a b a b
A= = − indica a matriz de tipo 2 × 2 com entradas ...
c d c d
   
a b a b a b
− indica o determinante da matriz A
det = det =
c d c d c d
- para matriz usam-se parêntesis rectos ou curvos e nunca traços verticais - que são
apenas usados para os determinantes. É fundamental fixar as notações usadas em
cada disciplina, pois um uso incorrecto pode originar interpretações erradas e invalidar
respostas.

4. Quando fazemos transformações elementares numa matriz A, a matriz resultante A′


não é igual a A, é equivalente. Assim:

pode escrever-se A −→ A′
transf.
elementares

mas é incorrecto escrever-se A = A′


transf.
elementares

5. É incorrecto escrever-se

Ax = b ⇐⇒ [A | b] − um sistema não é equivalente a uma matriz.

6. Correctamente os elementos de um conjunto deverão estar entre chavetas. Os delimi-


tadores são importantes para sabermos onde começa e acaba o conjunto.

e-Fólio A 5
Grupo III
Seja A ∈ Cn×n uma matriz tal que A2 = −In .

a) Mostre que A é invertı́vel e determine |A|.

b) Seja b ∈ Cn×1 . Mostre que o sistema Ax = b tem solução única e determine-a.

Resolução:

a) Temos
|A|2 = |A2 | = | − In | = (−1)n 6= 0
e, portanto, |A| =
6 0. Segue-se que A é invertı́vel. Por outro lado,
(
1 se n par
|A|2 = (−1)n =
−1 se n ı́mpar

donde (
±1 se n par
|A| = .
±i se n ı́mpar

b) Como A é invertı́vel, então o sistema Ax = b tem uma única solução. Assim,

Ax = b ⇐⇒ A−1 (Ax) = A−1 b ⇐⇒ x = A−1 b.


A invertı́vel

Mas
A2 = −In ⇐⇒ −A2 = In ⇐⇒ (−A)A = In
e, portanto, A−1 = −A. Segue-se que

x = A−1 b = −Ab.

Grupo III - Observações

1. Uma matriz A ∈ Cn×n que satisfaça A2 = −In não é necessariamente


  da forma A =
0 −1
diag(i, i, ..., i). Por exemplo, para n = 2, a matriz A = satisfaz A2 = −I2 .
1 0
 
0 0 −1
Por exemplo, para n = 3, a matriz A = 0 i 0  satisfaz A2 = −I3 .
1 0 0
2. Para provar que uma afirmação é verdadeira não podemos verificá-la apenas para um
exemplo ou situação particular. Temos de trabalhar com as hipóteses dadas na sua
generalidade. Os exemplos só podem servir para provar que uma afirmação é falsa -
nesse caso diz-se um contra-exemplo.

6 Álgebra Linear I
Escolha Múltipla - Justificação
1. • Como
( C A )( A B ) é uma matriz de tipo 1 × 1
1×3 3×3 3×3 3×1

A2 B C é uma matriz de tipo 3 × 3


3×3 3×1 1×3

então (CA)(AB) 6= A2 BC. Assim (i) é falsa.


• Temos
   
1 − 2i −1 1 − i 2i 1 −1 + i
A + BC =  2 1 − i 1 + i  +  −2 i −1 − i = I3 .
−2 + 2i 1 + i −1 2 − 2i −1 − i 2

Logo (ii) é verdadeira.


• Como CA ∈ C1×3 e AB ∈ C3×1 , logo não é possı́vel efectuar CA + AB. Portanto
(iii) é falsa.
Segue-se que b) é a afirmação verdadeira.
2. • Por exemplo, se A = −In então In − A = 2In , que é uma matriz invertı́vel, e A
também é invertı́vel. Portanto a) é falsa.
• Por exemplo, se A = 0 então In − A = In , que é uma matriz invertı́vel, e A2 = A.
Portanto b) é falsa.
• Esta afirmação é verdadeira. Por definição, de matriz invertı́vel, existe uma matriz
B ∈ Rn×n tal que B(In − A) = In = (In − A)B. Logo temos B − AB = In .
• Esta afirmação só é verdadeira para as matrizes que comutam com A:

B(In − A) = (In − A)B ⇐⇒ B − BA = B − AB ⇐⇒ BA = AB.


     
−1 0 0 1 2 0
Por exemplo, se n = 2 e A = eB = , então I2 − A = é
   0 0 1 0 0 1
0 −1 0 0
invertı́vel e AB = 6= = BA.
0 0 −1 0
3. Ora
   
1 0 −1 0 1 0 −1 0
0 2
a a +b+1 ab   0 1 a b 
A −→  −→  
L2 −L1 0 1 a b  L2 ↔L3 0
 a a2 + b + 1 ab 
L4 −L1
0 a a2 + b + 1 a + ab 0 a a2 + b + 1 a + ab
   
1 0 −1 0 1 0 −1 0
0 1 a b 0 1 a b
−→   −→  
L3 −aL2 0 0 b + 1 0 L4 −L3 0 0 b + 1
  0
L4 −aL2
0 0 b+1 a 0 0 0 a
Assim 
2 se b = −1 ∧ a = 0

rank A = 3 se (b 6= −1 ∧ a = 0) ∨ (b = −1 ∧ a 6= 0) .

4 se b 6= −1 ∧ a 6= 0

Portanto b) é verdadeira e as restantes afirmações são falsas.

e-Fólio A 7
4. Como o polinómio caracterı́stico de A é pA (λ) = (1 + λ)2 (1 − λ) então os valores
próprios de A são: −1, −1 e 1. Logo |A − λI3 | =
6 0 para λ 6= ±1, e A é invertı́vel. Em
particular, |A − 2I3 | =
6 0 e (ii) é verdadeira.
Por outro lado, pelo Teorema de Cayley-Hamilton, A é raiz do seu polinómio carac-
terı́stico, isto é pA (A) = 0. Como pA (λ) = (1 + λ)2 (1 − λ) = −λ3 − λ2 + λ + 1,
então

0 = pA (A) = −A3 − A2 + A + I3 ⇐⇒ A3 + A2 − A = I3 ⇐⇒ A(A2 + A − I3 ) = I3 .

Logo A−1 = A2 + A − I3 , o que prova que (i) é verdadeira.


Por fim, sabemos que

tr A = soma dos valores próprios de A = (−1) + (−1) + 1 = −1,


|A| = produto dos valores próprios de A = (−1) · (−1) · 1 = 1,

logo tr A = −|A|. Portanto (iii) é verdadeira.


Segue-se que d) é a afirmação verdadeira.

8 Álgebra Linear I