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FORMA FÍSICA DO MILHETO NA RAÇÃO DE FRANGOS: EFEITO SOBRE A CARCAÇA

Thaysa Rodrigues Torres 1 , Maria do Carmo Mohaupt Marque Ludke 2 , Jorge Vitor Ludke 2 , Maíra Lorena da Rocha Andrade 4 , Juliana Cláudia Neves de Santana 4 , Maria Alice Martins de Faria 4 , Edney Pereira da Silva 5 , Lucélia Patrícia Silva de Souza 4

Introdução

O uso de ingredientes alternativos ao milho nas

rações de frangos de corte é uma necessidade para reduzir custos na produção. Entre as alternativas está o milheto que pelas características nutricionais (teor de proteína bruta, perfil de aminoácidos e energia metabolizável) dos seus grãos se enquadra como adequado para substituir o milho nas dietas conforme [1]. O grão é produzido em condições adversas de clima e fertilidade do solo e se integra como cultura potencial para sistemas de produção agroecológicos. Nas fábricas de ração o tamanho do grão de milheto representa dificuldade na moagem onerando o gasto com processamento exigindo mais tempo e proporcionando menor rendimento dos moinhos. O objetivo deste trabalho foi de avaliar o efeito da adição de 20 % de milheto moído ou grão inteiro sobre as características de carcaça de frangos de corte que receberam dietas isonutricionais desde o primeiro dia de vida até os 43 dias de idade.

Material e Métodos

A pesquisa foi realizada no Setor de Avicultura do

Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. O período experimental foi de 43 dias. Foram utilizados 252 pintos de um dia, sexados machos, da linhagem Cobb distribuídos em 18 box. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso com três tratamentos e seis repetições. A unidade experimental foi o Box contendo 14 aves recebendo o tratamento. Foi utilizado um programa de alimentação em duas fases (de 1 a 21 dias e 22 a 43 dias). Foram utilizadas três dietas: T1 – dieta controle (0% de milheto); T2 – com 20 % de inclusão do milheto grão inteiro e a T3 – com 20% de inclusão do milheto moído em granulometria fina. As rações foram formuladas considerando-se os valores de composição

química dos alimentos e as exigências nutricionais proposta por [2]. Foi realizada a avaliação semanal do desempenho das aves. Aos 43 dias, após pesagem foram selecionadas duas aves de cada unidade experimental, com peso mais próximo possível ao peso médio de cada Box. Estas aves após jejum de 6 horas foram abatidas. O abate das aves foi realizado por deslocamento cervical e, em seguida, procedeu-se à sangria, por escaldagem, depena e evisceração. As carcaças quentes, os órgãos internos e a gordura abdominal foram pesados e tiveram a gordura abdominal retirada. Em seguida, foram realizados os cortes para avaliar o rendimento da carcaça, das partes (peito e coxa+sobrecoxa ) e da moela. O rendimento de carcaça (%) foi obtido pela relação entre o peso da carcaça fria (sem pés e cabeça) e o peso em jejum e os rendimentos do peito e coxa -sobrecoxa foram obtidos pela relação entre o peso dessas partes e o da carcaça fria. A proporção de moela foi obtida pela relação entre o peso do órgão e o peso de jejum. Os dados foram analisados através do programa GLM do SAS [3]. Na avaliação das médias contrastes ortogonais foram estabelecidos.

Resultados e Discussão

As médias envolvendo os parâmetros peso vivo aos 42 dias de idade, peso vivo após o jejum de 6 horas, peso da carcaça eviscerada sem pé e cabeça, cortes da carcaça incluindo peito e coxas e sobrecoxas, rendimento da carcaça, rendimento de peito e rendimento de coxas e sobrecoxas, são mostrados na Tabela 1. A inclusão de 20 % de milheto nas dietas proporcionou maior peso vivo aos 42 dias quando comparado com o tratamento T1, o que confirma as conclusões de [4]. Para o peso de abate, de carcaça e da coxa+sobrecoxa a inclusão de milheto em grão proporcionou maiores valores, porém sem ser significativamente diferente dos valores obtidos com o tratamento contendo milheto moído (T3). Para estes parâmetros o tratamento T3 não diferiu do tratamento com

1. A primeira autora é graduanda do curso de Zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Rua Dom Manoel de

Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP: 52171-900 E-mail: thaysatorres@gmail.com.

2. A segunda autora é Professor (a) Adjunto do Departamento de Zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Rua

Dom Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP: 52171-900.

3. O terceiro autor é Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, End.: Br 153, km 110, Vila Tamanduá, C.P 21, CEP: 89700-000. Concórdia,

SC.

4. A quarta autora é graduanda do curso de Zootecnia da UFRPE, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Rua Dom Manoel de

Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP: 52171-900.

5. O quinto autor é aluno do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Rua Dom

Manoel de Medeiros, s/n. Dois Irmãos, Recife, PE, CEP: 52171-900.

dieta à base de milho e farelo de soja. O peso do peito e os rendimentos de carcaça, peito e de coxa+sobrecoxa não diferiram para os diferentes tratamentos aplicados. Os parâmetros avaliados na moela (Tabela 2) indicaram o efeito da moagem aplicada ao milheto proporcionando menor peso da moela (PMTOT), peso da moela sem gordura cheia (PMSGC) ou vazia (PMSGV) e menor porcentagem da moela (PORMOE). Devido a uma moagem menos intensa aplicada ao milho o PMTOT e o, PMSGV foram idênticos entre os tratamentos T1 e T2. O peso da moela aumenta em cerca de 1% em relação ao peso da carcaça, pelo consumo de grãos inteiros de cereais [5]. Com os resultados obtidos conclui-se que não existe vantagem em moer o milheto quando o nível de inclusão nas dietas dos frangos é de 20%.

Agradecimentos

A

experimento.

todos

que

Referências

ajudaram

na

execução

do

[1]

DAVIS, A. J.; DALE, N. M.; FERREIRA, F.J. Pearl millets

[2]

as na alternative feed ingredient in broiler diets. Journal of Applied Poultry Research, v. 12, n. 2, p. 137-144, 2003. ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T.; DONZELE, J.L.; et al. Tabelas brasileiras para aves e suínos – Composição de alimentos e exigências nutricionais, 2ª Edição, Ed.:

[3]

ROSTAGNO, H.S., Universidade Federal de Viçosa – Departamento de Zootecnia, Viçosa, 186 pp., 2005. SAS Institute. 1990. SAS/STAT User’s Guide. Release 6.08. SAS Inst. Inc., Cary, NC.

[4] HIDALGO, M.A.; DAVIS, A. J.; DALE, N. M.; DOZIER,

[5]

W.A. III Use of whole pearl millet in broiler diets. Journal of Applied Poultry Rersearch, v. 13, n. 3, p. 229-234,

2004.

MUNT, R. H. C.; DINGLE, J. G.; SUMPA, M. G. Growth, carcass composition and profitability of meat chickens given pellets, mash or free-choice diet. British Poultry Science, n. 36, p.277-284, 1995.

Tabela 1 – Análise estatística envolvendo os parâmetros peso vivo aos 42 dias de idade (P42, g), peso vivo após o jejum de 6 horas (PABATE, g), peso da carcaça eviscerada sem pé e cabeça (CARCA, g), cortes da carcaça incluindo peito (PEITO, g) e coxas e sobrecoxas (CXASBCX, g), rendimento da carcaça (RENCAR, %), rendimento de peito (RENPEI, %) e rendimento de coxas e sobrecoxas (RENCXS, %).

Variável

P42

PABATE

CARCA

PEITO

CXASBCX

RENCAR

RENPEI

RENCXS

Probabilidade

0,0048

0,0062

0,0039

0,4749

0,0258

0,6067

0,3718

0,4853

CV

2,996

3,094

3,344

5,347

5,99

1,50

4,05

3,94

Média

2856,5

2769,3

2135,9

766,0

644,4

77,13

35,87

30,15

T1

2786,3 b

2707,8 b

2081,7 b

754,3

622,2 b

76,88

36,21

29,90

T2

2904,1 a

2828,4 a

2187,6 a

774,0

667,3 a

77,35

35,39

30,48

T3

2879,1 a

2771,5 ab

2138,4 ab

769,6

643,6 ab

77,15

35,99

30,09

EPM

24,7

24,7

20,6

11,8

11,1

0,33

0,42

0,34

Contraste Pr > F

T1 vs T2 T1 vs T3 T2 vs T3

0,0019

0,0016

0,0009

0,2479

0,0073

0,3231

0,1771

0,2413

0,0121

0,0778

0,0602

0,3684

0,1851

0,5648

0,7142

0,6956

0,4793

0,1132

0,1012

0,7933

0,1413

0,6762

0,3199

0,4303

Tabela 2 - Análise estatística envolvendo os parâmetros referentes aos pesos da moela (PMTOT, g), peso da moela cheia sem gordura (PMSGC, g), peso da moela sem gordura vazia (PMSGV, g) e porcentagem da moela em relação ao peso vivo (PORMOE, %).

Variável

PMTOT

PMSGC

PMSGV

PORMOE

Probabilidade

0,0461

0,0450

0,0031

0,0059

CV

10,799

11,660

9,557

9,797

Média

68,9

54,6

37,5

1,36

T1

68,6 ab

55,1 ab

38,2 a

1,41 a

T2

72,7 a

57,8 a

39,9 a

1,41 a

T3

64,8 b

51,0 b

34,5 b

1,25 b

EPM

2,1

1,8

1,0

0,04

Contraste Pr > F

T1 vs T2

0,1867

0,3053

0,2517

0,9742

T1 vs T3

0,2193

0,1297

0,0186

0,0052

T2 vs T3

0,0138

0,0140

0,0009

0,0048