Doutrina

Professor Rolf Koerner Júnior
CÓDIGO CRIMINAL DE 1830 [1] ROLF KOERNER JUNIOR GLÁUCIO ANTONIO PEREIRA (Mestrandos da PUC/SP) Professor Doutor DIRCEU DE MELLO (Orientador) Sumário: 1. Introdução. 2. Fruto da ciência do direito penal seria o Código de 1830? 3. O Código de 1830: de sua vigência ao seu fim. 4. O Código de 1830: momentos antecedentes: a) a lei penal em vigor no Brasil e a necessidade de sua reforma. b) Em Portugal também se queria a reforma constitucional e penal. c) A questão filosófica. d) A questão política (afirmação de poder). e) A questão jurídica. 5. O Código de 1830: o início de sua vigência. 6. O Código de 1830: distonia com a Constituição de 1824. 7. O Código de 1830 e outros códigos do mundo: influência para ele e para os outros. 8. Os projetos e o Código Criminal de 1830. 9. O Código de 1830 e a sua estrutura. 10. Análise crítica da parte I (dos crimes e das penas) do diploma criminal de 1830: a) avanço; b) acientificidade e retrocesso. 11. O Código de 1830: a necessidade de modificá-lo e a lex posterior. Bibliografia. Referências Bibliográficas. 1. Introdução O primeiro código penal nacional vigorou, no Brasil, só a partir de 8 de janeiro de 1831. Até aí, a Assembléia Constituinte, pelo art. 1.o da lei de 20 de outubro de 1823, revigorou a vigência de leis portuguesas [2] , especialmente para o Livro V das Ordenações Filipinas, “enquanto não se organizassem novos códigos ou não fossem revogados aqueles atos legislativos”.[3] O desaparecimento do Código Criminal do Império (de 1830) deu-se com o Decreto n. 847, de 11 de outubro de 1890, que mandava observar um novo Código Penal Brasileiro (1890), com vigência para dali seis meses (cf. Decreto n. 1.127, de 6 de dezembro de 1890). Juridicamente, o Código Criminal de 1830 é fruto de observância de comando da Constituição Imperial de 1824. Com seu art. 179 [4], n. 18, exigia-se “um Código Criminal, fundado nas sólidas bases da justiça e da eqüidade”. Porém, mais forte que o fundamento jurídico, havia, na época, a filosofia (racionalidade do homem) e a política (humanismo racionalista) que, transplantadas para o seio penal, serviram de supedâneo para a substituição da legislação portuguesa por outra que se sintonizava com novas correntes do pensamento e, por razão maior, com a necessidade de reafirmar-se a soberania brasileira em face de Portugal, esta só reconhecida, por Portugal, pelo tratado de paz de 29 de agosto de 1825.[5] Com efeito, lá fora e com repercussão no Brasil, não havia mais como sustentar ou deixar a legislação penal de se conformar com a doutrina libertária da Revolução Francesa (1789). Mas, não só o condicionamento à ideologia burguesa, em

de João Vieira de Araújo (considerado como o primeiro cultor do positivismo no Brasil e autor de “Ensaio de Direito Penal” (Recife. Fruto da ciência do direito penal seria o Código de 1830? No mundo de então (Século XIX). e isso só aconteceu com o Código Criminal Imperial de 1830. ” [11] .o) o crime não é uma entidade de fato. ainda. Bentham. seus partidários garantiam foros de cidadania à obra de Iluministas. Feuerbach. pela tese maior. por exemplo). Melo Freire. Carrara (1805-1888) e seu Programa do Curso de Direito Criminal. por óbvio. Afinal. mas os brasileiros se anteciparam aos portugueses [8] e era indispensável torná-la realidade para o Brasil. ascensão bastaria para explicar a necessidade da mudança. Pedro. autorizando. Mas. ademais. então. Pedro Lessa (havido como o principal impulsionador das teorias penais positivas no Brasil. não se podia dizer que o Brasil desamarrara-se definitivamente do jugo português se. na Itália). porque. Romilly etc.[6] Também com oseu Grito [7] de Independência de vida ou. a regra sobre a imprescritibilidade das penas (art. de modo mais direto. Claro que o crime sempre existiu e até antes do período acientífico do direito punitivo.[12] Na sua monografia intitulada “A Influência da Escola Positiva no Direito Penal Brasileiro”[13] . O Código de 1830: de sua vigência ao seu fim . mas uma entidade de direito. os portugueses já se regiam pela Constituição damonarquia portuguesa. foi o período científico que deu à luz o Código Criminal de 1830. o que fez o Príncipe D. na Europa portuguesa também se alimentava a idéia de mudança. Em nosso País.alguns aqui são só referidos à guisa de exemplificação . A referida antecipaçãodeu-se no âmbito penal e não no constitucional. na época do Império (1822-1888) o positivismo criminológico já se desenvolvia lá fora e. porém persistente. 65 [16]).vagarosa. nelas. puderam criticar o Código Criminal do Império [15] e. aqui dentro. havia. 1889)). Sabe-se que. desde 10 de março de 1821 e sob juramento de oito de junho de 1821. Mas. seu magistério repercutia aqui no Brasil. advogavam o retorno à idéia de defesa social. Carrara. será que apenas pela Escola Clássica de Direito Penal deixaram-se seduzir os nossos penalistas? Afinal. com a tala erguida. o classicismo [10] fazia escola. pelo Aviso de 28 de agosto de 1822? Declarou “aos juízes do crime que deviam regular-se pelas bases da” legislação constitucional portuguesa porque. segundo o testemunho de Clóvis de Carvalho Junior [14]) e Cândido Motta (discípulo de Pedro Lessa e autor de “Classificação dos Delinqüentes” (1890)).o) o principal objetivo do direito criminal e da ciência criminal é prevenir os abusos por parte das autoridades. Como o nosso diploma constitucional só foi jurado em 25 de março de 1824. Voltaire. exigia-se a abolição de medidas punitivas cruéis e infamantes. Dessa maneira. Basicamente. a questãosobre a sobrevivência do poder de mando político. Se não o elaboraram. Tobias Barreto (o primeiro crítico de Lombroso aqui no Brasil e um positivista à moda brasileira). Rossi.[9] 2. já se falava em necessidade para as leis. o soberano devia conformar-se à lei. dois princípios desenvolveram-se: 1. com a obra de clássicos (p. “Nova Escola de Direito Criminal” (Recife. esta defendida por algunspositivistas (Garófalo (1851-1934). “que haveria que plasmar segundo os ‘direitos naturais’ do homem”.e. finalmente. 1884). pelo menos. o direito de Portugal ainda se aplicava. quando. impunha-se haver proporcionalidade da pena para o delito. aí está o surgimento da ciência do Direito Penal. com a morte devia o Imperador Pedro I escravizar-se ao império da lei. Moacyr Benedicto de Souza fala sobre A Escola Positiva no Brasil e cita nomes ilustres . a incorporação do utilitarismo pelo diploma sob comento. por exemplo. Na época.. mandava-se respeitar a pessoalidade para a aplicação de sanção criminal e. 2. “desde os filósofos (Montesquieu. lá fora.[17] 3. Rousseau) até aos que. Blackstone. 1888) e o “Código Criminal Brasileiro” (Recife. debateram o problema criminal: Beccaria. Não.

o Professor Aníbal Bruno observou que “a situação de vida política autônoma da nação. Com leis portuguesas e brasileiras sucedendo-se.[22] c) A questão filosófica A corrente de idéias do iluminismo inspirou a elaboração do Código Criminal do Império (1830). Também se trocava o Império pela República brasileira. em seara de direitos humanos. de 11 de outubro de 1890.[19] Ousa-se ir mais longe que o mestre de Pernambuco: na verdade. o tratamento para o crime e para o criminoso. Pedro I abdica em 7 de abril. também em 1831. de 6 de dezembro de 1890). No Brasil. O exemplo francês (Queda da Bastilha e a guilhotina) repercutia em todos os lugares. Então. disseminavam-se. este inspirado pelas fontes estrangeiras. já estavam incorporadas na Constituição de 1821 e. 4. deixou. o Código Criminal do Império de 1830.[20] O homem engrandecera-se. na época imperial. antes como regente e depois como imperador. depois. D. O mundo mudara. quando foi substituído pelo “Código Penal dos Estados Unidos do Brasil” (Decretos ns.Vigorou o Código Criminal do Império desde 1831 até 1891. com os predicados dos direitos humanos. reclamada mais ainda pelo orgulho nacional e a animosidade contra tudo o que podia lembrar o antigo domínio”. b) Em Portugal também se queria a reforma constitucional e penal É verdade.127. A imprensa era avessa ao imperador. a) A lei penal em vigor no Brasil e a necessidade de sua reforma A dureza e o rigor do discurso liberal ecoava no Brasil e não dava mais para suportar e nem o homem político arriscar-se em não o adotar para o exercício de autoridade. não o soberano. para onde foi o Imperador Pedro I. havia de sintonizar-se com a realidade de uma nova época. 847.[21] A seu turno. conforme o testemunho abalizado de Eduardo Correia. pela abdicação. aqui. A situação de confronto entre brasileiros e portugueses era calamitosa. e Portugal não podia agir diferentemente e também o Brasil de Pedro I. finalmente. A oposição era forte. A pressão popular era forte. quando se podia celebrar (mais ou menos) o respeito pelos direitos humanos. Voltar a Portugal era a alternativa para Pedro I que. Já havia ciência do Direito Penal. arriscaria o Imperador Pedro I fazer ouvidos moucos à mudança que se operava no mundo e no mundo português também? Obviamente que não. só de mentirinha fortalecia-se o detentor do poder na legitimidade. foram adotadas pelo Código Criminal Português de 1852.[18] A aberturaera necessária. as idéias reformistas. em Portugal... . mude-se a lei também. Afinal. Professor Catedrático da Faculdade de Coimbra. Há momentos em que a pressão popular é enorme e o homem político não tem mais como lhe dizer um rotundo não. depois a Carta Política do Império (brasileira) de 1824 e. Pedro de Alcântara II. o poder na pessoa do pequeno filho D. exigia uma legislação própria. Observa-se que. porque de 1822 até 1831 asleis portuguesas e algumas nossas somente amenizavam ou não resolviam. e 1. na época com cinco anos de idade e sob o amparo de tutela de José Bonifácio de Andrade e Silva. o mesmo discurso (e sempre um eterno círculo vicioso) repetia-se: mudando o regime. O Código de 1830: momentos antecedentes Aos poucos o Brasil foi abandonando a velha legislação portuguesa. nem podia mais conservá-la para a aplicar aos naturais destinatários das normas penais. Sempre o melhor dentre todos. advêm a Constituição da monarquia portuguesa de 1821.

no Brasil e em Portugal.d) A questão política (afirmação de poder) A autonomia do país ganhava corpo com uma nova legislação penal. n. educar os outros. àdignidade da pessoa (art.. no cárcere. a tortura. evitar ou punir fugas’”. n.[25] No Brasil. Afinal. para atemorizar os escravos. 179. a carta de lei que mandou executá-lo. no enfoque geral (pela exemplaridade de advertência. As críticas de Marques Perdigão [33] foram veementes. arts. ainda assim. cuja doutrina é encontrável em Frederico Marques [27] . foi publicada em 8 de janeiro de 1831 na Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça. A Constituição exigia respeito. porém. 19).[29] A pequena-grande obra de Beccaria (“Dos Delitos e das Penas”) foi também importante para o projetista do Código Criminal do Império e ninguém ousaria negar que a obra do português Paschoal José de Melo Freire dos Reis inspirou os juristas brasileiros para a elaboração de nossalex poenalis. Depois. têm certeza sobre o utilitarismo de Jeremy Bentham (1748-1832) influenciar os elaboradores do diploma punitivo imperial. cita Vicente de Azevedo. analisar algumas das situações conflitantes envolvendo os dois corpos legislativos.[30] 5. é dele a concepção sobre El panóptico. pela pena. mantê-los humildes e submissos. a violência de senhores e feitores era o recurso usual para ‘manter o ritmo de trabalho. e assim se instalou o movimento codificador. no âmbito jurídico. buscar-se-ia. 21). 179. aqui. seriam punidos tal qual outrem o foi no passado) e especial (quando sob execução. Havia gritantes conflitos entre dispositivos da Carta de 1824 e os do diploma punitivo de 1831. por exemplo). que. em seu Manual de Direito Penal. O princípio da igualdade jurídica (art. quando incorresse “em pena que não seja a capital ou de galés. O Código de 1830: distonia com a Constituição de 1824 Com a Constituição outorgada em 1824 derrogou-se a parte política das Ordenações Filipinas. como garantia individual (cf. Pode-se. por sua vez. que Cezar Roberto Bitencourt descreve. e) A questão jurídica Filosofia e política repercutem. o diploma punitivo de 1830 foi sancionado em 16 de dezembro de 1830 pelo Imperador Pedro I. 1. a vitória do liberalismo não foi completa.” (art.[32] 6. acima disso. pode-se citar. Andrei Koerner afirma que “Quanto aos escravos. sua Teoria das Penas e as teses a respeito da prevenção. Depois. abolia os açoites.. a marca de ferro quente e todas as demais penas cruéis (art. n. pelo açoite. Mas. ele culminou com o aparecimento do Código Criminal do Império.[28] Sobre o jusfilósofo Bentham. 60). se o senhor (privilegiado) açoitasse o escravo e o castigo fosse empregado moderadamente. o Código Criminal do Império limitava o poder de autoridade. aqui. o escravo. Autores como João Mestieri [26]. inexoravelmente. o temor e a certeza de futura punição seriam a tônica para a realização da função preventiva especial da sanção criminal). a pena serviria para demover o condenado da prática de outras infrações. Ademais. mas. O Código de 1830: o início de sua vigência “Primeiro código autônomo da América Latina” [31] . se delinqüissem. de que valeria a tese sobre a prevenção geral e especial não houvesse a legislação se abeberado no livre arbítriohumano (a capacidade moral do homem de eleger entre o bem (e não praticar o crime) e o mal (sofrer as conseqüências da pena). porém o tratamento legal ao escravo era diferente do dedicado ao homem livre. mas o Código autorizava apenar. impedir atitudes de indisciplina ou reprimir revoltas.o [23] e 33 [24]. sinteticamente.[35] Interessante. 179. justificado estaria o fato e isento de pena restaria seu . 13 [34]) estava na Constituição de 1824.

contra o mérito transcendente de um varão universitário. 14. Fosse-o. a absurdidade de certas provas e menosprezava algumas figuras de injustos criminais. considerada a época da elaboração. o marasmo geral que produziram na Europa as comoções políticas da França. “A revisão não se fez. art. arbitrária e obsoleta. as guerras. Considerou-o . art. desfalcando o patrimônio anti-cristão”. absoluta. 44). pôde conhecer sua obra. Acabados em 1789. que fará entrar no Código penas corporais e aflitivas bem como capitais.trabalho forçado (CCI. passado e voado o tempo desde o Livro V das Ordenações Filipinas. que sustentamos com a Espanha. João VI na corte do Rio de Janeiro conservaram na mesma situação estacionária. por exemplo. em Portugal.. aplicação e execução das penas. A seu turno. para os participantes IV Congresso Internacional de Direito Comparado. Melo Freire fora o autor dos projetos de Código de Direito Público e de Código Criminal. Gritos e depois gemidos cansados eram a rotina. Lá. 50).[44] Mas é em Nélson Hungria que se poderá buscar subsídio importante a respeito da influência que recebeu e deu o Código Criminal para o mundo penal. Ou as dificuldades do exame. poder-se-ia reprimir e prevenir (geral e especialmente) o crime. Apesar de privilegiar uns e desprivilegiar outros. enfim. “Com certo constrangimento. arts. na cominação. Observa-se que. Eduardo Correia. tais as qualidades que. Com efeito.o). em seu “Manual de Derecho Penal”. o Código Criminal do Império (1830) é elogiado. Banimento do país (CCI. quando formulou e apresentou o projeto de Código Criminal. todavia. “(. cinqüenta por dia. O melhor para a sua época e o primeiro (e dos bons) na América Latina. em Paris. mas não ousava dissentir dessa fórmula.. 38 a 42). a legislação criminal do reino”.acreditava-se que só com o temor. Insurgia-se contra a crueldade das penas. [37] Pena de morte [38].[42] O projeto de Código Criminal de Melo Freire ridicularizava o Livro V das Ordenações Filipinas. Juridicamente. Para Roberto Lyra. acontecia a mesma coisa. que ‘em Portugal não pode por ora haver segurança pública’ sem elas”. pela certeza de inflição de pena grave. o projetista (brasileiro) Bernardo Pereira de Vasconcelos formou-se e. O penalista sabia que a sua atuação era ilegítima. pelos patrícios brasileiros e pelos estrangeiros. [41] As razões para o abandonodaqueles projetos são referidas pelo Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.. o Código Criminal. “a Portugal estaria assegurada posição vanguardeira no campo das ciências penais. Melo Freire admitiu. na dicção do art. ou o ciúme e inveja da parte da magistratura. § 6. a crueldade. e de outros países. crê.autor (CCI. O Código de 1830 e outros códigos do mundo: influência para ele e para os outros Paschoal José de Melo Freire dos Reis era professor na Universidade de Coimbra. ainda imperava na época imperial. Há muito tempo. Eugenio Raúl Zaffaroni passou a falar bem do Código de 1830 [43] e o Professor Haroldo Valladão elogiou-o. explica René Ariel Dotti.) os fundamentos econômicos do Estado” [36] legitimavam o poder correcional do senhor em face do escravo e “ninguém podia fiscalizar a execução nos ‘sagrados limites’ dos feudos. Melo Freire sistematizou a ciência criminal de seu tempo e bem soube trabalhar com o individualismo filosófico: mais o homem e menos o soberano. 60. o caracterizavam”. Estes não foram transformados em lei. ou. ritual macabro e proibição de enterro “com pompa” para o condenado (CCI.[40] 7. art.[39] Aqui em nosso País. certamente.. O castigo só parava para evitar que o escravo morresse. e a residência superveniente de D. Assinalando conhecer os argumentos de Beccaria contra as últimas. A moderação explicava-se pela quantidade de chibatadas. Galés “com calceta no pé e corrente de ferro”. pela forca.

dos crimes e das penas.dos crimes policiais. C. em 23 de outubro de 1830. A seu turno. o Código Criminal do Império (1830) foi adotado como modelo pela Espanha (1848. II .sem alguma originalidade e não ser decalque ou imitação servil de códigos europeus. arts. com Melo Freire e seu Projeto de Código Criminal apresentado em 1789. Xavier de Carvalho queriaaprovar por aclamação a proposta de Bernardo de Vasconcelos.[46] A experiência portuguesa. e mais os códigos da Áustria (1803). J. Nápoles (1819). A. Pedro I sancionar. 1. IV . Carneiro Leão e Muniz Barreto). no exterior. para a comissão mista formada por deputados e senadores (Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. porque suas novidades eram velharias. ao Visconde de Alcântara (Ministro da Justiça) referendá-lo. O Código de 1830 e a sua estrutura No Código Criminal de 1830 estão ausentes as partes geral e especial. Hungria o tinha como “obra notável de legislação”. ao Imperador D.[45] Assim também Aníbal Bruno dizia: “obra legislativa realmente honrosa para a cultura jurídica nacional”. III . emendas foram propostas. em torna-viagem. 9.Baviera (1813). e. em 16 de setembro de 1830. arts. Não conseguiu. “pouco veio a influir sobre a redação final” [48] do diploma punitivo. arts. Os projetos e o Código Criminal de 1830 Bernardo Pereira de Vasconcelos e José Clemente Pereira apresentaram os seus projetos em 4 e 15 de maio de 1827.dos crimes particulares. 179 a 275. José da Costa Carvalho e J. Análise crítica da parte I (dos crimes e das penas) do diploma criminal de 1830: a) avanço A cidadania de dignidade brasileira muito ganhou com o Código Criminal de 1830. C. . pela Câmara dos Deputados. 276 a 313.dos crimes públicos. 8. Havia muitas críticas. arts.o a 67. da Silva Maia. de Almeida e Albuquerque. A carta de lei mandou executá-lo em 8 de janeiro de 1831. 1850 e 1878). Finalmente. pelos países da América Latina e Portugal (1852). Com efeito. o Decreto de Código Criminal. ainda escolhido por comissão ad hoc (Pinto da Gama. 68 a 178. Espanha (1822) e Louisiana (1825) serviram para o projetista montar e codificar a lei penal brasileira. coube ao Senado adotá-lo inteiramente. Apesar de criticá-lo. principalmente porque o projeto adotou a pena de morte. aprovado. França (fonte principal e mais importante. Parma (1820). Seus 313 artigos são distribuídos da seguinte forma em seu corpo: I . 1810). depois de haver discussão de artigos do projeto. depois. Por óbvio que nem sempre o diploma continha o que era de melhor cientificamente. 10. M. A Câmara dos Deputados elegeu o de Pereira de Vasconcelos [47]. que. todavia ela foi excluída para os crimes políticos. conforme proposta de Rego Barros. de Deus e Silva).

introduziu o princípio do dia-multa (art. 16.Serão julgados prevaricadores os empregados públicos que. 10. parágrafo 1. 48 e 49). pode-se apontar: a) contemplado com a Constituição de 1824 (art. Schwartz.Deixarem de proceder contra os delinqüentes que a lei lhes mandar prender. houvesse obrado com discernimento. 129 . 49) e sempre individualizável o encarceramento (art. Na época imperial. Conta o saudoso Professor Alcides Munhoz Netto [54] que: “(. 7. Considerou a codelinqüência como causa de agravação da pena (art. Subdividiu os omissivos em próprios e impróprios a pessoas a quem a lei impõe certas normas de proceder. 13. o legislador imperial criou (e antes da lei belga) a responsabilidade sucessiva para os crimes de imprensa (art.Nesse aspecto. § 5. 16 e §§ 2. I [50] e XI [51]).º . as penas privativas de liberdade para hipóteses puníveis. era internado para correção (art. 179. § 1. nulla poena sine lege (arts. Relativamente à pena pecuniária. 179. parágrafo primeiro). n. Esse aspecto é posto por Basileu Garcia. 179. definia-se o crime doloso (arts. aumentou e promoveu à categoria de autônomas.º. n.. o código de 1830 assegurou cidadania aonullum crimen. é que Tobias Barreto debruçou-se sobre o assunto. accusar. é que Tobias Barreto versou seriamente o assunto. distinguiu entre crimes comissivos e omissivos.830 concebeu-os no art. conforme a natureza proibitiva ou preceptiva do mandato infringido. Tobias Barreto fundou a responsabilidade exclusivamente na causalidade da omissão. art. com os atributos prospectivo e irretroativo da lex poenalis. 14 e 17). ou seja: “Julgar-se-há crime ou delito: Toda a acção ou omissão voluntária contrária ás leis penaes”. 55 [58]). XIII). CCI. Como exemplo típico de conduta omissiva leia-se. somente em 1. arts. Secção I: “Art.879. 192. quase como regra. repelindo a idéia de limitá-la através da exigência do dever de agir”. especificamente no Capítulo I. 2. ódio ou contemplação. silenciaram sobre os delitos comissivos por omissão. 1º [52] e 33 [53]). para os crimes e para as penas. que trata dos crimes contra a boa ordem e administração pública. ns. Com a mesma idade. CCI.o. pela sanção capital. XXI [56]. 11. 2. 179. Quando menor de 21 anos. Pela menoridade. no Código de 1830. 13). Glaser e Von Buri. Quando o fizeram. Humanizou a execução da morte do condenado e suprimiu as penas infamantes.o). Relativamente aos omissivos impróprios. com a complementação dos arts..o. processar e punir”..o. o Código Criminal de 1. Só em 1879.) os primeiros comentadores do Código Imperial de 1830 pouco trataram da matéria. n. parágrafo 10). tivesse o sujeito idade inferior a catorze anos. as críticas eram merecidas. A seu turno.[49] Como avanços de nossa primeira codificação. Acerca dos crimes omissivos.º. não outras como as que se envolviam com a falsa premissa de aumento da criminalidade e os críticos buscavam destruir o caráter liberal do diploma criminal. por affeição.[55] Também impunha a personalidade das penas. ou para promover interesse pessoal seu: . 18. A doutrina desapercebeu-se dessa disposição num primeiro momento e.o) e a motivação determinante do crime fora considerada (art. para o homicídio. permitida a sua substituição por regime menos gravoso (prisão simples. 179. No âmbito da responsabilidade. o delinqüente teria a pena atenuada (art. Para os loucos de todo . o diploma penal de 1830 era liberalizante porque. não era considerado criminoso (art.. XX) e exigia haver dignidade no cumprimento da pena de prisão (art. Feuerbach. parágrafo 17). a disposição do Título V. Com base na doutrina alemã de Von Bar. 12. e 3. no passado. com abolição expressa do confisco e da infâmia (art.º. 10. A Constituição de 1824 dizia haver igualdade jurídica entre os homens (art. 7. XXI [57]).

62) e ser trazido o escravo. sem delongas ordinárias da Lei n. 3º [62]. todavia pecava ele ao permitir. porque. como exceção. os . 19 [59] e 20 [60]). Havendo a morte pela forca (art. e no art. não conduzia à escusabilidade. 153. mas a lei mandava satisfazer o mal causado (art. E. Da desumanidade ia-se para a indignidade e. falta de exação no cumprimento de deveres.a parte. exigia-se. 60) [67]. para os homens livres (art. Magalhães Noronha [61] discordava de outros. par. da Lei n. não se punia. para a frente do juiz (art. Mínimo é o prêmio para quem.o) e o fortuito (art. açoutes (art. n. 39 a 41. par. Nesse aspecto.gênero havia. art. porque o escravo desmerecia (CCI. A lei mandava observar o ritual descrito nas regras dos arts. pura e simplesmente. que pressupõem todos conhecedores das leis da sociedade”. do Código Criminal de 1830. 44 e 45. 18 a 21). 11).o).. no art. suas decisões punham de manifesto a negativa de vigência à regra do art. ridicularizar o sujeito (exposição). 85).099/95.[63] Com efeito. o arbítrio judicial na fixação da pena (art. Nessas hipóteses. para o abuso no exercício do princípio de utilidade da pena capital. Como regra geral.. Na negação de garantias alimentava-se o Código Criminal de 1830. em ferro. É o caso da regra do art. 38). galés perpétuas (art. 2. hoje ainda uma grande e apaixonante tese criminológica. a legislação imperial não abandonou a crueldade para a pena e sua execução. que proibia condenação fundada em presunção. o Professor Munhoz Netto fazia ver que a aplicação do art. 16. 179. Sobre o erro acerca da proibição. o mito sobre a igualdade jurídica era destruído pelo diploma punitivo. fuga de preso por negligência do carcereiro. ainda. constitucionalmente. 68.o). também Araújo Filgueira Júnior [64] falou na escusa pela ignorância do direito (e ela) “não se conformar com os princípios do direito criminal. Assim também era o tratamento para a coação irresistível (art. Inovação de vulto trouxe o Código Criminal de 1830. causa de isenção de responsabilidade (art. 36. lamentavelmente maltratada pelo egoísmo e pelo elitismo de moderno legislador brasileiro. Apontou que o legislador do Império não definiu a infração imprudente. na época.. estava impregnada pelo pensamento de que o conhecimento das leis deve sempre ser presumido. Havia individualização (fase da cominação). porém contemplava o fato culposo do homem em diversos dispositivos (p.209/84 (arrependimento posterior). por que o entendimento sumulado só insiste em autorizar o reconhecimento de falta de justa causa para o emitente de cheque sem provisão de fundos em poder do sacado e não para os demais crimes contra o patrimônio? b) acientificidade e retrocesso Sobre a culpa stricto sensu. omissão do Código Criminal de 1830 foi suprida pela Lei 2. o que punha em xeque o princípio da legalidade individualizada. 7. voluntariamente. 34. parágrafos 1. na lei sob comento.o e 2. 2. galés (arts.e. pois permitia a prisão perpétua (arts.033 de 20 de setembro de 1871 (arts. parte final [65]). par. “a mentalidade jurídica . 60). Se assim decidia a jurisprudência imperial. 10. particularmente à reparação civil do dano (arts. 71. 4. Por que não extinguir. “por mais veemente que seja”. Quando condenado à morte. 10. 125. por descuido ou negligência). legalmente. 9.o). repara o dano ou restitui a coisa nos crimes sem violência ou grave ameaça. A seu turno. 10. XIII). a punibilidade para o autor primário com bons antecedentes nas infrações patrimoniais? Havendo o pagamento. 33. 60 [66]) as garantias acenadas. 3.

Era também vedada ‘a propaganda de doutrinas que. punia-se. ou publicamente em qualquer lugar. I. Nova Escola de Direito Criminal. 4 de setembro de 1850. 37) impedia-se a detração. do culto de outra religião que não ao do Estado (art. Recife. Parte Geral. Com efeito. com morte. Forense. 1889. 13 de maio de 1888). Mas.[68] Se processual a prisão (para prevenir a fugida. A imprescritibilidade das penas impostas por sentença era absurda (art. art. 9. conformou-se a lei penal do Império ao novo status quo. 2000. definia novos crimes (ao reprimir o tráfico de africanos. uma ou outra lei introduzia. mas. 1976. BIBLIOGRAFIA ARAÚJO. 278)”. não separada a Igreja do Estado. tipificar infrações militares. ________. 65) 11. 1884. “à sua mulher. Aníbal. Manual de Direito Penal. BITENCOURT. O Código de 1830: a necessidade de modificá-lo e a lex posterior Modificação substancial sofreu o Código Criminal de 1830. vol. Ensaio de Direito Penal. a República foi proclamada (15 de novembro de 1889) e um novo tempo iniciou para a História do Brasil com o advento de trabalhos jurídicos (bons ou maus) que redundaram no Código Penal dos Estados Unidos do Brasil (1890). Dos Delitos e das Penas. Depois. Só com a abolição da escravatura (Lei Áurea. o escravo que matasse a seu senhor. João Vieira de. parágrafo segundo). Interessava ao Estado resgatar a sua natureza liberalizante de há muito combalida. BRUNO. Por exemplo. tomo 1. dispor sobre o dano. propôs-se a ampla reforma lei criminal. destruam as verdades fundamentais da existência de Deus e da imortalidade da alma’ (art. institutos (crime culposo. Cezar Roberto.º. no Sistema de Justiça Criminal. 18 de setembro de 1851. BECCARIA. pelo júri. com a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888. o legislador de 1830 quis conferir dignidade ao Direito Penal ao não julgar criminosos “Os que fizerem analyses razoáveis dos princípios e usos religiosos” (art. Parte Geral. 42). de um lado. A igreja anglicana participava do privilégio da extraterritorialidade. 15 de outubro de 1886) e regrava o direito penal internacional (4 de agosto de 1875). CCI. incêndio e outros delitos. sob a Lei de 20 de junho de 1835. desmereceu a ciência penal porque insistia em confundir direito e religião. Antes. sob pena de crime (art. “o código proibia a celebração em casa ou edifício com alguma forma exterior de templo. 276). Saraiva. Rio de Janeiro. modificava-os (a exclusão da natureza genérica atribuída ao estelionato. A preocupação em tornar certo o conteúdo de comando infracional não bastava. de outro lado.parentes e amigos não podiam enterrar com pompa o corpo do enforcado. a descendentes e ascendentes”. . Até antes. 20 de setembro de 1871).o. privilegiar os crentes de igreja e supervalorizar as práticas religiosas. Recife. diretamente. São Paulo. 20 de setembro de 1871). Direito Penal.

Do Crime Culposo. Forense. 1988. Rio de Janeiro. Editora Hucitec. CASTRO. CIRINO DOS SANTOS. Rio de Janeiro. Direito Penal. 1984. Rio de Janeiro. São Paulo. I. O Homem Delinqüente e a Sociedade Criminógena. Saraiva. A Ignorância da Antijuridicidade em Matéria Penal.Editor. Coimbra. Araújo. NORONHA. Forense. Parte Geral. Parte Geral. Magalhães. 1971. 1.Crimes Omissivos (relatório geral apresentado ao Colóquio de Direito Penal Preparatório do XIII Congresso Internacional de Direito Penal). 2000. Direito Criminal. Jorge de Figueiredo et ANDRADE. Criminologia. Heleno Cláudio. Parte Geral. RT. n. 1984. HUNGRIA. São Paulo. Ano II. 1980. n. MUNHOZ NETTO. vol.º 06. São Paulo. Rio de Janeiro. MESTIERI. Bases e Alternativas para um Sistema de Penas. _________. Rio de Janeiro. Teoria Elementar do Direito Criminal. tomo I.CARVALHO JR. 1984. Rio de Janeiro. FILGUEIRA JR. Nélson et FRAGOSO. Waldemar. DONNICI. 1997. 1987. ________. 1978. Reforma Penal Brasileira. Tratado de Direito Penal. 4. Luiz Alberto. 1988. Código Criminal do Império do Brasil. 1971. Max Limonad. LYRA. Direito Penal Normativo. Curitiba. Eduardo. Juarez. Curitiba.º volume. 1954. A Moderna Teoria do Fato Punível. São Paulo. São Paulo. A Criminalidade no Brasil (Meio Milênio de Repressão). Clóvis de. FERREIRA. Judiciário e Cidadania na Constituição da República Brasileira. José Frederico. 1975. A Nova Escola Penal. ________. DOTTI. página 14. Andrei. 1913. 1975. São Paulo. Sistema de Direito Penal Brasileiro. Comentários ao Código Penal. vol. Roberto. E. Alcides. 1876. Direito Criminal.Editor. edição do autor. A Escola Positiva Penal. Virgilio. Manuel da Costa. vol.. MACHADO. KOERNER. CORREIA. Rio de Janeiro. João. MARTINS. Forense. Coimbra. Coimbra Editora. História do Direito Constitucional Brasileiro. Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. José Konfino . Rio de Janeiro. Saraiva. Viveiros de. DIAS. 1990. Freitas Bastos. . I. 1980. MARQUES. Livraria Almedina. 1957. Limitada. I. in Ciência Penal. Salgado. José Konfino . 1974. Campinas. Forense. René Ariel. São Paulo. Anotado.

a soberania. 2000. História do Direito Especialmente do Direito Brasileiro. Augusto. confirmatórios e ampliativos do Decreto de 20 de agosto de 1777. ficando implicitamente abolido para sempre o uso de correntes. Parte Geral. [2] Augusto Thompson escreveu a monografia intitulada Escorço Histórico do Direito Criminal Luso-Brasileiro (RT. São Paulo. Nessa obra. RT. porque. a importância da aludida Constituição não fica jungida ao n.a não retroatividade da lei penal”. 4o. § 8o. 1982. 1950. Limitada.PRADO.Desde já ficam abolidos os açoites. depois. de 11 de março de 1797 e de 12 de dezembro de 1801 alargaram a possibilidade de comutação da pena de morte. o último substituindo-a pela de ‘trabalhos públicos na cidade de Lisboa’. 1976. THOMPSON. 18 do citado art. fala sobre a longevidade das Ordenações e conta que. São Paulo. historicamente. [7] Grito do Ipiranga. RT. poderiam os réus usar do recurso de graça (Const. possa alguém ser lançado em segredo ou masmorra estreita. 179. Livraria e Editora Universitária de Direito. em caso nenhum. estabeleceram regras visando a maior cautela na aplicação da pena de morte. Rio de Janeiro. art. tomo I. Freitas Bastos. SOUZA. grilhões. 29 de março de 2001. tomo I. Curso de Direito Penal Brasileiro. conta Waldemar Ferreira que se “reconheceu o Brasil na categoria de império independente dos Reinos de Portugal e Algarves. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] São Paulo.). Moacyr Benedicto de. p. Princípios Básicos de Direito Penal. (pp. Tratado de Direito Penal. Em 18 de junho de 1822. criava-se regentes juízes de fato para julgamento de abuso de liberdade de imprensa. São Paulo. p. 179 é encontrável no Título VIII. A Influência da Escola Positiva no Direito Penal Brasileiro. “os Decretos de 20 de agosto de 1790 e de 13 de novembro de 1790. 2000. 1954. há outras novidades de garantia. TOLEDO. São Paulo. pois que a prisão deve só servir para guardar as pessoas e nunca para as adoecer e flagelar. corroborados pelo Decreto de 11 de janeiro de 1802 que tornava obrigatória a referida comutação afora as exceções que registrava”.igualdade de todos perante a lei”. . VALLADÃO. REALE JR. o Decreto de 5 de março de 1790 diminuiu o tempo de segredo dos presos e facilitou a comutação das penas. Teoria do Delito. sobre a matéria penal. [5] A respeito do referido tratado de paz... São Paulo. 7). Escorço Histórico do Direito Criminal Luso-Brasileiro. inúmeras leis sucederam-na. [3] A respeito. Parte Geral. a marca de ferro quente e todas as mais penas cruéis. Miguel. 101. 1980. 1976). sobre todos. ler Galdino Siqueira. cedendo-lhe e transferindo-lhe. Francisco Assis de. com a Lei de setembro de 1826. não haverá em caso algum confiscação de bens. Parte Geral. Jorge de Figueiredo Dias e Manuel da Costa Andrade (Criminologia. Coimbra Editora. Veio a Constituição de 1824 e. [6] cf. Nas suas palavras. “Das Disposições Gerais e Garantias dos Direitos Civil e Políticos dos Cidadãos Brasileiros”. nele. e a seu.que. não para fazê-la desaparecer. 20 . a tortura. e outros quaisquer ferros inventados para martirizar homens ainda não julgados a sofrer qualquer pena aflitiva por sentença final”. muito amado e prezado filho D. Luiz Régis. “19 . Haroldo. Max Limonad. sim para amenizar a questão criminal. 1950. Galdino. com o Decreto do Príncipe Regente D. Pedro por Imperador. 119 e 120). .Editor. transmissível a seus legítimos sucessores” (cf. “3 . Particularmente ao Brasil de antes do Código Criminal de 1830. escura ou infeta. Assim: “13 . Pedro: “Art. O homem delinqüente e a sociedade criminógena. Tratado de Direito Penal. SIQUEIRA.Nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente. Saraiva. como a que aconteceu em 23 de maio de 1821. Rio de Janeiro. São Paulo. algemas. através de medidas de caráter processual. os Decretos de 27 de janeiro de 1797. Mas. [4] O referido art. de sua livre vontade. 44). História do Direito Constitucional Brasileiro. p. José Konfino . Rio de Janeiro. RT. nem a infâmia do Réu se transmitirá aos parentes em qualquer grau que seja”. 1984. São Paulo. 1986. 67. Portanto. pode-se também falar em reforma parcial.

[22] A respeito. p. à qual era aplicada a pena de morte.”. São Paulo. Toda pena deve ser proporcionada ao delito. 28) [13] Livraria e Editora Universitária de Direito. A confiscação de bens. cf. e a Noite das Garrafadas em 1830. o maior jurista da época foi Tobias Barreto. Rio de Janeiro. “Prolegômenos do Estudo do Direito Criminal”. 1913) para. por exemplo. p. “Ensaios sobre a tentativa criminal”. Sistema de Direito Penal Brasileiro. e muito menos a penal. Livraria Almedina. Asùa. p. o baraço e pregão. 127. da Constituição portuguesa de 1821: “Art. as fontes do Código de 52 são principalmente estrangeiras”. no Rio de Janeiro. 96). no Brasil. em 1831” (p. em “Bases e Alternativas para um Sistema de Penas” (Curitiba. 1982. bastante raros. (p. Campinas. inspirada nas Ordenações. principalmente através das doutrinas do positivismo”. consultar Direito Criminal. “Comentário e Crítica ao Código Criminal Brasileiro” e “Estudos de Direito”. Tratado de Direito Penal. 106.Não haverá crime ou delicto (palavras synonimas neste Código) sem uma lei anterior que o qualifique”. Pois. 4. [11] Consultar Figueiredo Dias e Costa (ob. [20] “Os episódios que se sucediam na França. 48). Paula Pessoa (“Código Criminal Anotado”). alarmaram as monarquias vizinhas. citado por Luiz Régis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro. vol.. [21] Em magnífico trabalho intitulado “A Criminalidade no Brasil (Meio Milênio de Repressão” . Rio de Janeiro.119). Magalhães Noronha. [16] “Art. Parte Geral. 1976. p. p. e nenhuma deve passar da pessoa do delinqüente. civis os militares. pé de página n. 178. [24] “Art. p. “Fundamento do Direito de Punir”.. levando-lhes os responsáveis a adotar medidas prontas e enérgicas no sentido de não sofrerem. 12. será estabelecida sem absoluta necessidade. p. tomo 1o. vol. Volume. considera imprescritíveis o crime de racismo (inciso XLII) e o que envolva “ação de grupos armados. em outubro de 1829. [10] Classicismo é conceito que revela uma acabada tradição. e na punição da adúltera em flagrante delito. seriam eles ultrapassados. São Paulo.[8] O Código Criminal Português é de 1852. sobretudo após 1789. “Mandato Criminal”. Rio de Janeiro. 1o. Tomás Alves Júnior (“Anotações teóricas e práticas ao Código Criminal”). 1997. e todas as mais penas cruéis e infamantes ficam em conseqüência abolidas” (p. 65 . I. também eles. [14] A Escola Positiva Penal. que resultariam na abdicação de Dom Pedro I. Coimbra. 1971. 1984 .. para o Prof. Nos casos. 5o. 1o. em seu art. 60 e 61) enfatiza o trabalho magnífico de juspenalistas da época de vigência do Código de 1830. p. 118) há referência ao art. I. com os pesados encargos deixados pela colonização portuguesa.o Professor carioca Virgílio Donnici escreveu a respeito do momento imediatamente antecedente à abdicação de D. 12 . 1975.19. [19] Direito Penal. p.As penas impostas aos réos não prescreveráõ em tempo algum”. Pedro I: “O assassinato de Líbero Badaró em São Paulo. . a infâmia. [12] René Ariel Dotti cita Viveiros de Castro (“A Nova Escola Penal”. no sentido negativo ou pejorativo. I. 33 . vol. n. a Constituição Federal de 1988. em que o autor tece considerações acerca das fontes do Código de 1852: “Só em alguns casos. nada mais foram que o final de uma luta entre várias facções da aristocracia rural brasileira.. a marca de ferro quente. Parte Geral. 7 e 8). 1971. Também Galdino Siqueira fala na influência do positivismo para a elaboração do Código Criminal de 1830 (v. p. os efeitos da ‘anarquia republicana’”. Ele cita os nomes de Brás Florentino (“Lições de Direito Criminal”).Forense. 2000. cit. Mas. os açoites. Os positivistas chamavam de clássicos os seus antecessores. 71). de resto. in Ciência Penal. [17] Presentemente. 22). São Paulo. [9] Em José Frederico Marques (Tratado de Direito Penal. escreveu Augusto Thompson (Escorço Histórico do Direito Criminal LusoBrasileiro.Nenhuma lei. Ano II. [18] Salgado Martins despertou-se para a necessidade de haver um desenvolvimento pacífico do Brasil imperial (cf. Forense. “Delitos por Omissão”. [23] “Art. Carlos Perdigão e Francisco Luís. 118 e 119). Saraiva. a tortura. . se encontram neste Código vestígios da tradição portuguesa. da punição do crime de simulação. autor de “Menores e Loucos”.Nenhum crime será punido com penas que não estejão estabelecidas nas leis. 1980) afirmar: “A influência que os avanços do direito estrangeiro exerceriam em nossa formação a partir do último quartel do século XIX foi acentuada. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático” (inciso XLIV). RT. [15] Também o Professor Magalhães Noronha (Direito Penal.

“(. p. p. citação reproduzida em Princípios Básicos de Direito Penal de Francisco de Assis Toledo (Saraiva. [35] Judiciário e Cidadania na Constituição da República Brasileira. 1988. vol. Rio de Janeiro. n. Todo edifício é como uma colméia. I. grande permeabilidade às idéias do seu tempo e do seu meio”. quer castigue. 43. 1975. Os quartos dos presos formariam o edifício da circunferência com seis andares e podemos imaginar esses quartos com umas pequenas celas abertas pela parte interna.Editor. a respeito História do Direito Especialmente do Direito Brasileiro. p.. Escorço Histórico (etc. [37] Roberto Lyra.[25] Aliás. Parte Geral. Direito Penal Normativo. homicídio agravado e latrocínio.) [30] Em Portugal.. 132. deu-se a máxima publicidade ao referido diploma: “ciente a nação de como correram as discussões e votações. 1980. como das primeiras sistematizações modernas da legislação penal. 2000. citado por René Ariel Dotti (Bases e Alternativas para o Sistema de Penas. Escorço (etc. vol. [40] Reforma Penal Brasileira. A severidade das críticas impediu a promulgação do Código Criminal de Mello Freire. [39] Augusto Thompson. ler Augusto Thompson. Parte Geral. 70).). sendo a obra submetida à comissão de censura criada em 1789. Tratado de Direito Penal. p. 106 e 107. p. Editora Hucitec. pé de página n. Para Bentham. São Paulo. p. p. I. [29] “(.. Nélson Hungria. cujas pequenas cavidades podem ser vistas todas desde um ponto central. A respeito. 18). refletindo o seu grau de cultura e civilização” (cf. p. São Paulo. . 1980. porque uma grade de ferro bastante larga ou deixa inteiramente à vista. 1965. A respeito.. São Paulo. 1988. Rio de Janeiro. Forense. do cuidado na escolha dos membros das comissões revisoras. São Paulo. [28] Acerca da experiência portuguesa. São Paulo. n. 106. cit. p. Embora ausente a sensação de sua presença é tão eficaz como se estivesse presente. I.. (A respeito ler Teoria do Delito de Miguel Reale Junior (RT. 2. 90. José Konfino Editor. sem olvidar os da liberdade individual.. Curitiba. I. p. 47. 43. p. em um só pensamento de dotar o país de uma lei que lhe consultasse os interesses de segurança. da dedicação com que se houveram todos. Saraiva. 145. dois edifícios encaixados um no outro. porque está disposta de forma que cada um domine plenamente dois andares das celas. vol. ou melhor dizendo. edição do autor. 196. Augusto Thompson. deveria ser um edifício circular.”. 50. p. Penal e Constitucional) para o congresso de sábios (Cortes Constituintes eleitas em dezembro de 1820. 25. José Konfino . 1990. imorredoura a sua obra. 188. [31] cf. pois data seu projeto de 1788”.. Forense. José Konfino Editor. 39).. 107. quer proteja.).) a Rainha Maria I nomeia. em pé de página sob o n. p. o nome panóptico expressa: “em uma só palavra a sua utilidade essencial. Rio de Janeiro. 1980. Bentham endereçou. São Paulo. tomo 1o. tomo I. 1957.). Escorço (etc. (loc. O inspetor invisível reina como um espírito” (Manual de Direito Penal. [38] para insurreição de escravos. [34] “Art.). São Paulo. 13 . p. p. a sua contribuição (projetos de Código Civil. [32] Para Galdino Siqueira. 52). em 1783. Introdução e Parte Geral. 121. Freitas Bastos. [42] apud Augusto Thompson. em 1821.A lei será igual para todos. “mais do que qualquer outra disciplina jurídica. [27] Tratado de Direito Penal. Escorço (etc. p. Paschoal de Mello Freire encarregado de elaborar o Código de Direito Criminal. 2000. e ob. [36] Direito Penal Normativo. 82.) Uma casa de Penitência. que é a faculdade de ver com um olhar tudo o que nele se faz”. São Paulo. p. Comentários ao Código Penal. 165)).. [33] Manual do Código Penal Brazileiro. restando. 179. segundo o plano que lhes proponho. A torre de inspeção está também rodeada de uma galeria coberta com uma gelosia transparente que permite ao inspetor registrar todas as celas sem ser visto. [43] cf. [44] V. [26] Teoria Elementar do Direito Criminal. p. 1986. [41] cf. é no Direito Penal que se apresenta. que vem a ultimar após cinco anos. Sistema de Direito Penal Brasileiro. ler Salgado Martins. e movimentando-se em um pequeno espaço pode ver a todos em um minuto. Uma galeria em cada andar serve para a comunicação e cada pequena cela tem uma porta que se abre para a galeria. Uma torre ocupa o centro e esta é o lugar dos inspetores: mas a torre não está dividida em mais do que três andares. todavia. 1950. Com uma simples olhada vê um terço dos presos.

isto é. cuja prudente variedade muito concorre para a bem regulada distribuição delas. publicado na Revista do Instituto dos Advogados do Paraná. irremediavelmente. 1876. e na forma por ela prescrita”. que. [59] Crime de homicídio culposo. página 14. 1984.. Vasconcelos. Forense. [57] “(. nem com mais ou menos daquellas que estiverem decretadas para punir o crime no grão maximo.. pela Lei de 15 de outubro de 1886.. [64] autor de Código Criminal do Império do Brasil. 48. razoáveis e eqüitativas. [63] Ignorância da Antijuridicidade em Matéria Penal.”. por mais amplo no desenvolvimento das máximas jurídicas. salvo o caso em que aos juizes se permitir arbítrio”. quando a Lei especificamente a não designar de outro modo”. 1978.[45] Comentários ao Código Penal.. antes. deve ser lida a crítica segura de Juarez Cirino dos Santos (a Moderna Teoria do Fato Punível. [65] “(. senão pela autoridade competente. [52] “Não haverá crime ou delicto (palavras synonimas neste Código) sem uma lei anterior que o qualifique”. Saraiva.. tomo I. e incorrer em pena que não seja a capital . [50] “Nenhum cidadão pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. p. [58] “A pena de multa obrigará os réos ao pagamento de uma quantia pecuniária que será sempre regulada pelo que os condemnados puderem haver em cada um dia pelos seus bens. volume I. 178. 6. [55] “A lei será igual para todos. 14. p. leva à responsabilidade objetiva. p. Rio. 53. 10. 1980. Saraiva. e natureza de seus crimes”. que se recusam ou não afastam esse absurdo entendimento. e bem arejadas . [53] “Nenhum crime será punido com penas que não estejão estabelecidas nas leis. 2000. p. 1974. limpas. p. conforme suas circunstâncias. por virtude de lei anterior. [67] os açoites foram abolidos com a revogação do art. Freitas Bastos.. desaparecera a pena de açoite. Forense. [60] lesões culposas.) havendo diversas casas para separação dos réus. médio ou mínimo.. São Paulo. Forense. Direito Penal. I. . 1978. [48] Aníbal Bruno. relatório geral apresentado ao Colóquio de Direito Penal Preparatório do XIII Congresso Internacional de Direito Penal. tomo 1o.. [66] “Se o réo for escravo. [61] Do Crime Culposo. quer castigue . 178. n. [46] Direito Penal. empregos ou industria. 248). Sobre o medo de autores penalistas. sem conhecimento do mal e intenção de o praticar”. 1978. em 10 de julho de 1835. [47] Mas.) salvo o caso em que aos juízes se permitir arbítrio”. Princípios Básicos de Direito Penal. [51] “Ninguém será sentenciado. tomo I. p.... Forense.”. p.. n. [56] “As cadeias serão seguras. o projeto de Clemente Pereira não foi recusado pura e simplesmente. quer proteja. p.”. [49] citado por Francisco de Assis Toledo. Contam os anais (reproduzidos por Hungria (Comentários ao Código Penal. São Paulo. Forense. Rio. ainda na atualidade. vol. 60. tomo I.. p. [54] “Crimes Omissivos”. porém se preferiu o elaborado por Vasconcelos: “(. poderá mais facilmente levar-se a possível perfeição com menor número de retoques acrescentados àqueles que a Comissão já lhe deu. por ser aquele que. 47 e seguintes)) que ambos foram impressos. Anotado. 1980. [62] “Não haverá criminoso ou delinquente sem má fé.) que para entrar na regular discussão conforme a ordem dos trabalhos.º 06. se prefira o do Sr. de acordo com o seu ilustre autor”. e por mais munido na divisão das penas. Rio. 53.

José Konfino . Direito Penal Normativo. 1975. p. .[68] Roberto Lyra. 43.Editor.

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