PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Curso de Direito Núcleo Universitário Contagem

O “EU” E A ALTERIDADE: ANÁLISE DO FILME “GERAÇÃO ROUBADA” SOB O OLHAR DO EVOLUCIONISMO SOCIAL

Jailson José Ribeiro Guilherme Henrique Fernandes Miranda Heider Ordelino de Souza Luana Portes de Lemos

Belo Horizonte 2011

. do curso de Direito. Prof.Jailson José Ribeiro Guilherme Henrique Fernandes Miranda Heider Ordelino de Souza Luana Portes de Lemos O “EU” E A ALTERIDADE: ANÁLISE DO FILME “GERAÇÃO ROUBADA” SOB O OLHAR DO EVOLUCIONISMO SOCIAL Trabalho apresentado à disciplina Antropologia.: Alexandre Teixeira Belo Horizonte 2011 . da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. como avaliação parcial .

etc. Compreender a própria realidade e percebê-la criticamente é primordial ao ser humano. isto é. forma grupos. o que passa pelo agir. mas também crítica. de forma que passa pela habituação. que surge a necessidade de conhecer e reconhecer o Outro. 1993). fazer um movimento de alteridade. posto que precisa dar sentido à própria vida. já que partilham a mesma realidade histórico-social. Não há um sujeito sem história. o ponto de vista do Outro em relação à sua própria cultura. o que incita naquele que observa medo e curiosidade em relação ao novo que se apresenta. visto que o homem é ser histórico. agir e cultura. revolta e até. (SOUZA.ANÁLISE DO FILME “GERAÇÃO ROUBADA” Nome: Jailson José Ribeiro Guilherme Henrique Fernandes Miranda Heider Ordelino de Souza Luana Portes de Lemos Curso: Graduação em Direito Data: 21/09/2011 O “EU” E A ALTERIDADE: ANÁLISE DO FILME “GERAÇÃO ROUBADA” SOB O OLHAR DO EVOLUCIONISMO SOCIAL Ao homem sempre coube o intento de refletir sobre a sua própria existência. para só assim compreender. torna-se costume e. Os grupos de indivíduos habitam um mesmo espaço. Toda cultura possui uma forma própria de ordenação do viver. como tal. suas vivências individuais e coletivas. Para compreender o Outro em suas crenças. 2011) . que é herdada e construída continuamente (SOUZA. Essa normatividade é construída no decorrer de sua história. tendendo a padronizar a forma de agir de seus componentes. vivências. hábitos. partilham o mesmo tempo e constroem sua história. é necessário se colocar em seu lugar. de forma a se despir daquilo em que se acredita. que possuem agir. escolhas. o que pressupõe conflito e harmonia. ou seja. depois. inaceitação. de forma consciente. crenças. de moldá-lo de acordo com os padrões normativos nos quais se vive e se acredita. costumes. no próprio grupo de indivíduos e em relação a outros grupos culturais. a vontade de mudálo. diferentes. em certo ponto. como outro e como semelhante (outro eu). Esse reconhecimento ocorre em várias escalas. vira parte daquilo que os indivíduos pertencentes àquela cultura são. 2011). É a partir dessa reflexão. de forma que “toda ordem é melhor do que o caos” (LÉVI-STRAUSS. O ser humano é social por natureza e.

traça uma realidade vivida por três meninas Molly. já é esperada a ação de pensar o outro. ser conhecido e explicado. Estas duas vertentes formadoras da história do indivíduo e de seu povo sempre são pensadas sob uma projeção de futuro. Vale ressaltar aqui. de forma a gerar naquele que analisa sentimentos como. depois. como forma de organização do próprio conhecimento. nada mais é senão a descoberta do outro. de forma que passavam por um processo de “civilização”. que deve ser entendido aqui como preconceito ou discriminação em relação ao outro e ao seu modo de viver. superior/ inferior” nessa análise. a fim de compreender o que está à sua volta. etc. o desprezo. de acordo com a cultura dos brancos colonizadores ocidentalizados britânicos. A tendência dos homens é de querer classificar tudo que existe.O homem como ser histórico carrega consigo o aprendizado do passado tanto abstrato quanto concreto. bom/ mau. que pregava a integração dos aborígenes à sociedade branca australiana. que foram retiradas das suas famílias à força. tanto individual como comunitário. porém não se deve atribuir valores de “correto/ incorreto. O filme “Geração Roubada”. (BERGER. Fica perceptível que o que os colonizadores australianos buscavam era “evoluir” aquele grupo indígena ao nível em que julgavam ser “de civilização”. que não deve ser vista como uma deficiência.. informal. remete à teoria do evolucionismo social. e pelo presente vivido pelo grupo. de forma classificatória.. Grace e Daisy. onde sofriam uma mutação. pertencentes à sociedade aborígene (população original australiana. Esse tipo de ação. que pode ser construído no indivíduo e pelo indivíduo através da educação. além de natural. levando-o a pensar que seu modo de vida é superior ao do outro. por exemplaridade. Tinham as suas identidades históricas roubadas. isto é a construção contínua do agir e do viver imersa nas situações concretas. etc. a outra cultura. primeiro por simples vontade da alma humana. que o estranhamento quando se analisa outras culturas. [. certamente pelo contexto espaço-temporal em que a história se passa. As crianças dessa tribo eram levadas para campos de aprendizagem. é necessário à compreensão da diferença. em 1931. uma vez que essas classificações podem variar em decorrência da cultura do indivíduo. bem/mal. que porão o indivíduo no lugar da decisão sobre o próprio agir. seja ela formal. objeto dessa análise. graças a uma lei criada na Austrália. por efeitos de organização e controle. Por esse motivo escolheram as . A esse tipo de pensamento dá-se o nome de etnocentrismo. a recusa. considerando a dinamicidade do ethos em questão. 2011) Nesse sentido. semelhante aos índios brasileiros na chegada dos colonizadores europeus).] a antropologia. A ação dos colonizadores australianos está diretamente ligada a um pensamento de superioridade em relação àquele povo posto em análise e mutilado em sua cultura. em sua essência. daquele que é estranho à nossa cultura e que precisa.

moral. se houve o desejo de mudar aquele grupo é porque os mesmos julgaram sua forma de viver inadequada aos “padrões da civilização”. Isto porque uma evolução social é construída a partir da dialética do passado e do presente da cultura somados à projeção de futuro que o grupo tem de si. os colonizadores não estimularam as mudanças. . normalmente. etc. vão abandonando o modo de vida primitivo para tornarem-se e se construírem como civilizadas. em decorrência do estranhamento em relação ao comportamento. não pode prever completamente como iremos nos sentir em cada papel que devemos ou temos necessariamente que desempenhar. literalmente. o mesmo deveria ter ocorrido de forma lenta e ininterrupta. Os processos evolutivos. eles as impuseram. Ela. uma evolução. para que o processo de mudança cultural da sociedade aborígene fosse um exemplo de evolução social. que. mas indica maneiras gerais e exemplos de como pessoas que viveram antes de nós os desempenharam [. obrigandoos a serem outros. não os adultos. são naturais. como os textos teatrais. obviamente pode haver durante o processo estímulos que levem os indivíduos a mudarem seus comportamentos. agir e modo de vida daqueles índios. No entanto. a cultura é um conjunto de regras que nos diz como o mundo pode e deve ser classificado. A tribo em questão foi tratada como vazia culturalmente. do coletivo e do Outro. uma vez que. O evolucionismo social posto em palavras simples baseia-se no desenvolvimento gradativo das sociedades. tendo sido postos como objeto de análise (observação do seu comportamento) e objeto de manipulação (mudança do seu agir). uma vez que se há um código do viver de um povo. Conforme afirma DaMatta (1981): No sentido antropológico. devido à herança histórica e concreta da cultura que possuíam. há também uma leitura etnocêntrica da parte dos colonizadores. nunca por meio de imposição. tendo em vista que seria mais fácil que crianças aprendessem. há cultura. isto é. prático..crianças para aprenderem seu modo de vida. Nesse sentido. com o passar do tempo. roubando daqueles indivíduos tudo que aprenderam e aplicavam em relação à sua forma de agir. o que é gerou uma leitura deficiente. portanto.] Além disso. na história em análise. de modo que houvesse.. sociedades de cultura. um crescimento em nível intelectual.

ler. Dissertação de Mestrado. O que é Etnocentrismo.com.Referências Bibliográficas: BERGER.mirelaberger. 5ª Ed. Olhar. . Percepção de cultura: a manutenção do conceito evolucionista na sociedade brasileira. Everardo P.br/mirela/dowload/sensocomumxciencias. Disponível em: http://www. A. M. Paris: Plon. 1993. escutar. Belo Horizonte: FAJE.pdf. DAMATTA. 2000. ROCHA. Disponível em: WWW. F. Você tem cultura? In Jornal da Embratel. 2011. O ethos entre permanência e mudança: um estudo sobre o aspecto dual do ethos a partir da proposta de Henrique Vaz. (Coleção Primeiros Passos). Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Rocco. DAMATTA. 1981. R. Acesso em 17 Set 2011. LÉVI-STRAUSS. Brasiliense.slideshare. SCHEINER. SOUZA. Ciências sociais X Senso comum. 5ª ed. R. Relativizando: Uma introdução à antropologia social. 1988. G. M. R.net/andreischeiner/percepo-de-cultura-a-manuteno-doconceito-evolucionista-na-sociedade-brasileira Acesso em 17 Set 2011.

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