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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA ARTES VISUAIS – 3º SEMESTRE – HISTÓRIA DA ARTE III DOCENTE: AYRSON HERÁCLITO DISCENTE: ZIMALDO BAPTISTA DE MELO – 2010.0408 DATA: 27 DE MARÇO DE 2011

BAPTISTA DE MELO – 2010.0408 DATA: 27 DE MARÇO DE 2011 FICHAMENTO DO LIVRO “O QUE
BAPTISTA DE MELO – 2010.0408 DATA: 27 DE MARÇO DE 2011 FICHAMENTO DO LIVRO “O QUE

FICHAMENTO DO LIVRO “O QUE É PÓS-MODERNO” Livro escrito pelo poeta, ficcionista e ensaísta paranaense Jair Ferreira dos Santos. Formado em Comunicação e Editoração pela UFRJ, desenvolveu dissertação de mestrado sobre Pós-modernidade. Escreveu, ainda, os livros de contos Kafka na cama (Civilização Brasileira - 1980) e do volume de poemas A Faca Serena ( Achamé - 1983), premiado pela Associação de Critícos de Arte de São Paulo.

1. VEM COMIGO QUE NO CAMINHO EU EXPLICO

1.1. CAÇANDO O FANTASMA (P. 7-11)

Inicialmente o autor nos localiza dentro do panorama de quando o livro foi escrito. Nos explica que Pós-modernismo é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde 1950, quando, por convenção, se encerra o modernismo (1900-1950). Ele nasce com a arquitetura e a computação nos anos 50. Toma corpo com a arte Pop nos anos 60. Cresce ao entrar pela filosofia, durante os anos 70, como crítica da cultura ocidental. E amadurece hoje, alastrando-se na moda, no cinema, na música e no cotidiano programado pela tecnociência (ciência + tecnologia invadindo o cotidiano com desde alimentos processados até microcomputadores), sem que ninguém saiba se é decadência ou renascimento cultural. O espirito da Pós-modernidade é apresentado como uma espécie de fantasma que circula de forma de uma fragmentação desordenada em imagens, dígitos, signos – tudo leve e sem substância. Não há revolta, apenas um sono entre a apatia e a satisfação. Este fantasma costuma a circular em alguns ambientes: (p. 7-9) 1. Invasão do cotidiano com tecnologia eletrônica de massa e individual, visando a sua saturação com informações, diversões e serviços. O tratamento computadorizado do conhecimento e da informação, que define a Era da Informática, faz com que lidemos mais com signos do que com coisas. Assim como o motor a combustão detonou a revolução no final do

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século XVII, o chip causou mudanças com a tecnologia programando cada vez mais o dia-a-dia. (p. 9-10)

2. Na economia da sociedade de consumo em sua fase do consumo personalizado, que

busca a sedução do indivíduo isolado até arrebanhá-lo para sua moral hedonista com valores

calçados no prazer de usar bens e serviços. Em vez da fábrica suja e feia do moderno o burburinho do Shopping Center como altar pós-moderno. (p. 9-10)

3. Mas foi na arte que o espirito pós-moderno começou a correr o mundo a partir da década

de 1950. Circulando da arquitetura para a pintura e escultura, daí para o romance e o resto, sempre satírico, pasticheiro e sem esperança. Ao contrário dos modernistas que complicaram a arte por levá-la demasiado a sério, os pós-modernistas querem rir levianamente de tudo. (p. 10)

4. Por fim o pós-modernismo ameaça encarnar hoje estilos de vida e filosofia que ostentam

uma idéia tida como arqui-sinistra: o niilismo, o nada, o vazio, a ausência de valores e de sentido para a vida. Declarados mortos Deus e os grandes ideais do passado o homem moderno procura a salvação valorizando a Arte, a História e na a Consciência Social. Deixando de deixar-se levar por estas ilusões o homem pós-moderno não busca mais o céu e o sentido para a história e entrega-se ao presente e ao prazer, ao consumo e ao individualismo, podendo escolher entre ser: (p. 10-11)

a) a criança radiosa – o indivíduo desenvolto, sedutor, hedonista integrado à tecnologia,

narcisista com identidade móvel, flutuante, liberado sexualmente. (p. 10)

b) o andróide melancólico – o consumidor programado e sem história, indiferente, átomo

estatístico na massa, boneco da tecnociência. (p. 11) Por tanto, tecnociência, consumo personalizado, arte e filosofia em torno de um homem emergente ou decadente são campos onde o fantasma pós-moderno pode ser percebido. Percebe-se que ele é típico das sociedades pós-industriais baseadas na informação. (p. 11)

1.2. BYE, BYE, REAL (P. 11-13)

A essência da pós-modernidade: preferimos a imagem ao objeto, a cópia ao original, o simulacro (a reprodução técnica) ao real. Desde a renascença até a televisão a cultura ocidental corre em busca do simulacro perfeito da realidade. Desaparecimento da diferença entre real e imaginário, ser e aparência. Fabricação de um real mais real e mais interessante que a própria realidade. (p. 11-12) O hiper-real simulado nos fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades. Somos levados a exagerar nossa sensibilidade por imagens sedutoras. (p.13)

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Ambiente pós-moderno: entre nós e o mundo estão os meios tecnológicos de comunicação, ou seja, de simulação. A informação deve primeiro seduzir e fascinar para depois nos indignar. Não reagimos fora do espetáculo. (p.13)

1. BREVE BABADO TEÓRICO (P.14-17)

O ambiente pós-moderno é dominado pela tecnociência aplicada à informação e à

comunicação. O homem é Linguagem. Palavras, desenho, escrita, pintura, foto, imagem em movimento, são linguagens para a comunicação feita com signos em códigos que gerando

mensagens, representam a realidade para o homem. A Semiologia e a Teoria da Comunicação

são as ciências que estudam o poder da Linguagem. (p.14/1º¶)

Signo é toda palavra, número, imagem ou gesto que representa indiretamente um referente (uma cadeira) através de uma referência (a idéia de cadeira na nossa cabeça). Com a Linguistíca, a antropologia, a Psicanálise, que, para o homem, não há pensamento, nem mundo (nem mesmo homem), sem linguagem, sem algum tipo de Representação. A linguagem dos meios de comunicação dá forma tanto ao nosso mundo (referente, objeto), quanto ao nosso pensamento (referência, sujeito). A pós-modernidade é também uma Semiurgia, um mundo super-recriado pelos signos. (p.14-15/2º-3º¶) Manipulação cada vez mais de signos em vez de coisas. Sensibilidade frágil, identidade evanescente. Os filósofos chamam de desreferencialização do real e dessubistancialização do sujeito, ou seja, o referente (a realidade) se degrada em fantasmagoria e o sujeito (o indivíduo) perde substância interior, sente-se vázio. (p.

15-16/4º¶).

Há exemplos disto. Quanto ao referente: em vez de comprar um produto, compra-se um discurso sobre o produto. Quanto ao sujeito: a falta de substância está na extrema diferenciação que as pessoas procuram através da moda. (p.16/2º¶) Os signos podem ser digitais ou analógicos. Números, letras, línguas, são digitais porque são descontínuos e arbitrários. Já os analógicos são contínuos e se assemelham ao objeto representado. O digital permite escolher, o analógico, reconhecer ou compreender. Com a invasão da computação digital no cotidiano, estamos assistindo à digitalização do social. (p.16-17/3º-4º¶) O bit é a base lógica do computador e constituem o gargalo binário por onde o social está sendo obrigado a passar. Na pós-modernidade, o indivíduo vive banhado num rio de

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teses permanente. Digitalizados, os signos pedem escolha. Não uma decisão profunda, mais uma resposta rápida, impulsiva, boa para o consumo. (p.17/1º¶)

1. O PÓS CONTÉM UM DES

As palavras que caracterizam o pós-moderno chip, saturação, sedução, niilismo, simulacro, hiper-real, digital, desreferencialização, etc., não servem para descrever o mundo moderno, quando se falava em energia, máquina, produção, proletariado, revolução, sentido, autenticidade. Mas não se pode dispensar os avanços da modernidade. Assim, no fundo, o pós-modernismo é um fantasma que passeia por castelos modernistas. (p.17-18/2º¶) Mas essa é uma relação ambígua. Há mais diferenças que semelhanças. O individualismo atual nasceu com o modernismo, mas seu exagero narcisista é um acréscimo pós-moderno. O homem moderno mobilizava as massas para a luta política, o pós-moderno dedica-se as minorias, atuando na micrologia do cotidiano. (p.18/2º¶)

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hedonismo

(grego hedonê, -ês, prazer, alegria, desejo + -ismo)

s. m.

Doutrina filosófica que faz do prazer o objeto da vida.

niilismo

(latim nihil, nada + -ismo)

s. m.

1. Redução a nada.

2. Negação de todo o princípio religioso, político e social.