TITULO DA APRESENTAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DA IDENTIDADE CULTURAL SURDA: UM OLHAR SOBRE O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DO OUTRO

BREVE RESUMO: As atuais práticas discursivas sobre o processo de ensino-aprendizagem das pessoas surdas passa pela obrigatoriedade da inclusão destas no sistema de ensino regular. A importância de se compreender a conformação da identidade destes sujeitos, sobretudo na perspectiva cultural, determinará a eficácia do processo de formação de sujeitos protagonistas de suas vivências, a partir da visão de mundo diferenciada linguisticamente, em razão do uso da Libras – Língua Brasileira de Sinais. Refletir sobre a tipologia das identidades dos sujeitos surdos é lançar um novo olhar sobre o processo de ensino-aprendizagem deste outro.

TITULAÇÃO DO AUTOR: Gerente da Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura Municipal de Governador Valadares / MG desde 2009. Professor-Autor da disciplina "Antropologia e Educação" no Curso de Pedagogia do Núcleo de Educação a Distância da UNIVALE - Universidade Vale do Rio Doce (2012). Professor-Tutor do Curso de Graduação em Administração Pública do Centro de Educação Aberta e a Distância da UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto, no Pólo de Governador Valadares (2012). VicePresidente do Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS de Governador Valadares. VicePresidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD de Governador Valadares (2009-2013). É Graduando em Licenciatura em Filosofia pelo Centro de Educação a Distância da UFLA - Universidade Federal de Lavras, no Pólo de Governador Valadares. Bacharel em Direito (FADIVALE, 2007) e especialista em: a) Docência para o Ensino Superior (IMES, 2011), b) Direito Público (ANHANGUERA, 2011) c) MBA em Administração Pública e Gestão em Cidades (ANHANGUERA, 2011). Está em fase de conclusão da especialização em Educação e Inclusão: Língua Brasileira de Sinais (FAEL, 2011). Possui Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação de Libras (MEC/UFSC, 2006; FENEIS 2007; CAS/MG 2011) e disciplina isolada de Mestrado em Lingüística: Variações Lingüísticas em Libras pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (2008). Tem experiência como Instrutor e TradutorIntérprete de Libras desde 1994. Autor do livro "SURDOS: Educação, Direito e Cidadania" (WAK Editora 2010). Atua como palestrante, instrutor e consultor. Contatos: edmarcius@hotmail.com Lattes: http://lattes.cnpq.br/1839934028603060

REFLEXÕES ACERCA DA IDENTIDADE CULTURAL SURDA: Um olhar sobre o processo de ensino-aprendizagem do Outro. “Quero entender o que dizem. Estou enjoada de ser prisioneira desse silêncio que eles não procuram romper. Esforço-me o tempo todo, eles não muito. Os ouvintes não se esforçam. Queria que se esforçassem”. (LABOURIT, 1994, p. 39) O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre as tipologias das identidades dos sujeitos surdos e seus impactos para o processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, utiliza-se como método a compreensão do processo de formação da identidade dos sujeitos surdos, sobretudo na perspectiva cultural. As práticas discursivas de inclusão da Pessoa Surda passam pelo Oralismo (onde a língua oral é defendida como instrumento de integração social) ou pelo Bilinguismo (onde o aprendizado da língua oral e da língua de sinais, reconhecendo o surdo na sua diferença e especificidade). A legislação brasileira tem a inclusão dessas pessoas em escolares regulares. Nesse contexto, o papel da escola é de socializar, defrontar num mesmo território uma gama de diferenças, na perspectiva de trocas de experiências. Ao contrário, a proposta de individualização (Educação Bilíngue) entende que o processo educacional que reconhece a diferenciação linguística da pessoa surda, em detrimento de todos os demais componentes do segmento com deficiência que fazem uso da língua pátria, desenvolve-se de forma específica, com a aprendizagem e o fortalecimento da aquisição da Libras como a primeira língua, e da Língua Portuguesa como segunda língua. A identidade é uma construção contínua, que “pode frequentemente ser transformada ou estar em movimento, e que empurra o sujeito em diferentes posições” (PERLIN, 1998). Ela está em constante descoberta e necessita se afirmar cultural quando um sujeito se espelha em outro semelhante, sempre havendo essa necessidade da figura do outro igual. Já a cultura (POCHE, 1989) visa uma construção de forma permanente. Seu escopo é determinar as especificidades existentes que estabelecem as fronteiras identificatórias entre o próprio sujeito e outro e a conquista do reconhecimento dos demais membros do grupo social ao qual pertence. A formação da identidade da pessoa surda não passa exclusivamente no desenvolvimento da linguagem, não depende só da audição, mas da oportunidade deste sujeito se comunicar de forma adequada. É possível que uma criança surda tenha o mesmo aprendizado que uma criança ouvinte (SKLIAR, 1998), desde que tenha contato com a Libras, o mais rápido possível. Esse contato possibilita a formação de Identidades Surdas, que podem, segundo PERLIN (1998), ser classificada em flutuantes, híbridas, embaçadas, de transição, diáspora, intermediária. Pode-se concluir que conhecer as diversidades identitárias das Pessoas Surdas é perceber que sua formação educacional demanda reconhecer a Língua Brasileira de

Sinais, como mecanismo de comunicação e de formação de uma cultura própria, que dê sentido ao discurso de inclusão educacional, bem como proporcione ao Outro Surdo os mecanismos de autoconhecimento enquanto diversidade identitária e de protagonismo na sociedade a qual está inserido.

BIBLIOGRAFIA: LABOURIT, E. O voo da gaivota. São Paulo: Best Seller, 1994. NOVAES, Edmarcius Carvalho. Reflexões acerca da Identidade Cultural Surda. Disponível em: http://edmarciuscarvalho.blogspot.com/2011/03/reflexoes-acerca-daidentidade-cultural.html em 02 de março de 2011. Acesso em 19 de abril de 2012. PERLIN, G. T. T. Identidades surdas. In: SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998. POCHE, B. A construção social da língua. In: VERMES G.; BOUTET, J. (Org.). Multilinguismo. Campinas: Editora da Unicamp, 1989. SKLIAR, C. Um olhar sobre o nosso olhar acerca da surdez e das diferenças. In: ______. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação, 1998.

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