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@ 1996 Polity Press

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Título origino I em inglês: In Defence of Sacio/agy. Essoys, tnterpretatio~s
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& Rejoinders

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2000 do tradução brasileiro: Editom do UNESP (rEU)

Fundação

Praço da Sê, 108 01001-900 - São Paulo - SP Tel., (0)0<11) 3242-71 li fo" (0,,11)3242-7172
Horne poge:
WVNl.

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no Publicação (eIP)

Sumário

ediloro.unesp.br

E-moil: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogcção
(Câmara Brosileira do livro, SP,Brasil) Giddens, Anlhony

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Fontes e agradecimentos Prefácio 9 11 pós-tradicional 97 21 7

Em defeso da sociologia. Ensaios, interpretações e tréph
cos / Anthony Giddens; tradução Roneide Venoncio Majer, Klauss Brandini Gerhordt. - São Paulo: Eqitoro UHESp' 2001. Título original: In Defence of Socio\cgy. Essoys,Interpretotions & Rejoinders. ISBN RS-7139-363-X 1. Sociologia 01-2942 I. Título. CDD-301

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I Em defesa da sociologia 2 A vida em uma sociedade 3 O que é ciência social? 4 Fu-ncionalismo: 5 A "britanidade"

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apres la lutte

115
161

---

e ?_sciências sociais 173 do pensamento 217

índice poro caiálogo sistemático: 1. Sociologia 301

6 O futuro da antropologia 7 Quatro mitos na história

social

181

8 Auguste Comte e o positivismo
Editoro afiliado:

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9 O problema

do suicídio na sociologia francesa

229

10 Razão sem revolução?:

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Teoria da ação comunicativa, de Habermas 245
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Ou seja: embora como agentes humanos possa parecer que saibamos o 97 I i ~ I . porêm. Prefiro o termo "naturalismo" a "positivismo".!l~~so ortodoxo". A segunda característica do modelo ortodoxo é a idéia de que quando explicamos a atividade humana. embora lhes possa ser atribuído praticamente o mesmo significado. "canônica".'lcias sociais. . creio ser verdadeiro afirmar que também se estenderam em um amplo espectro de outras ciê.o que 3 é ciência social? Podemos distinguir três principais características da ciência social mais difundida. a noção de que as ciências súciais deveriam se desenv::>lver nos moldes das ciências naturais e de que a estrutura lógica da ciência social aborda problemas semelhantes aos encontradcs na ciência natural. deveríamos fazê-lo no âmbito de algum tipo de concepção de causação social. Ou o que por vezes chamei de "c9. Essas visões têm sido predominantes na sociologia durante boa parte do período pós-guerra. A primeira delas é o naturalismo.

somos movidos por causas de que não temos a menor consciência. Se há uma pluralidade de perspectivas teóricas. porquanto os cientistas sociais trabalham com sistemas. Essa situação é inquietante.\ssica.)'. Embora de modo geral tenha sido sustentada a tese de que as ciências sociais deveriam assemelhar-se às ciências naturais.ão de paradigma na filosofia da ciência. empregou o termo fazendo referência às 98 ciências naturais. O consenso ortodoxo de hoje não pode mais ser chamado de consens~. diversas formas de interacionismo simhólico e de neoweberianismo. Embora não sem alguma relutância. Esse modo de reação pode ser identificado mesmo entre os mais ardorosos defensores do consenso ortodoxo. A visão do "eu disse" observa a seguinte lógica: "Sou um pesquisador empírico. uma entre lima gama diversificada de perspectivas. a lista parece quase interminável. Merton foi uma das principais figuras que se propuseram a codificar o CO. nistas ignoram. o cientista social tem a capacidade de demonstrar que. tratando-as como desejáveis. que sejam bem-vindas. em vez de "paradigmas". já se tornou minoria (certamente na área de te". De fato. rr:odificadas com o advento da cibernética foram consideradas fundamentais por muitos sociólogos para fins de análise social.__ ..Anthony Giddens Em defesa da sociologia bastante sobre o que estamos fazendo e o porquê dt agirmos da forma como agimos. sob o aspecto positivo. O papel das ciênci. A primeira é aceitá-lo cem simpatia. ele passou a reconhecer grande variedade de perspectivas sociológicas concorrentes entre si.Gientistassociaisem relaçãõ àqueles WIficados nas ciências naturais. e sistemas parecem mais com conjuntos biológicos inteiros do que com fenômenos que interessam aos fisicos. também >laciência deveria haver uma pluralidade em vez de um único ordenamento de perspectivas. Há dois tipos de reação a esse quadro. ampliaram-se a pOnto de sair de seu enfoque original. Merton foi o primeiro autor a utilizar o termo "paradigma" tal como empregado atualmente. . muitas vezes.que ele chamou (antes de Kuhn) de um paradigma para a sociologia. Segundo Feyerabend. ou o "Eu disse que isso ia acontecer". buscando justificativas com base no trabalho de Feyerabend no campo da filosofia da ciência. a hermenêutica e a critica social-. Um terceiro elemento (sobre o qual não me estenderei na presente discussão) associado ao modelo é ofuncionalismo. Outros abraçaram a causa do ?luralismo com entusiasmo. o estruturalismo.Costumava ser uma postura assumida pela maioria na área de ciências sociais. Em seu lugar encontra-se uma multiplicidade de diferentes perspectivas teóricas . Falo de "perspectivas" ou "tradições"._-.as sociai~seria o de revelar formas de causações sociais que os atOres.~ . na verdade. na realidade. Vejo que os teóricos sociais não conseguem chegar a um acordo entre si. desinteresse.. porém.~. Não sabemos ITlaisexatamente onde nos posicionarmos em relação à t"manha variedade de perspectivas.:r '»:- Robert K.1sensoortodoxo .tais como a ernometodologia.m maioria os que aceitam a idéia de que as ciências sociais não podem ser muito parecidas com a física cl. talvez nem tamo na pesquisa social empirica). A filosofia de Kuhn e a definição do termo "paradigma". em que existem perspectivas coordenativas que dominam o núcleo profissional dos campos cientificos. As noções de sistemas supostamente derivadas da biologia e.surge com maior freqüência por parte daqueles que atuam nas áreas mais empiricas das ciências sociais.] proiago. já constitup. ---- . a fenomenologia. A outra forma de reaçâo . Isso atesta a inaplicabi99 . O autor identificou diferenças nos vários pontos de discordãncia entre os. pois quando Kuhn apresentou a no. Aqueles que atualmentó defenderiam este ponto de vista representam apena. As visões de Merton elaboradas em épocas posteriores são substancialmente diferentes. Não conseguem nem mesmo concordar sobre as definições mais elementares do campo das ciências sociais. Trata-se da reação de desdém. Uma multiplicidade de teorias seria uma situação mais desejável do que o dogmatismo originário do predominio de uma tradição teórica específica.a negativa . na atualidade.ia social.

envolve sistemas interpretarivos de sigrâficado. todos os pesquisadores empiricos devem manterse sensiveis aos debates teóricos.f'lostradicionais da ciência natural. Contudo.An!hony Giddens Em defesa da sociologia sobre lidade da teoria social para efeito da análise empirica. portanto. Existe alguma coisa elementarmente complexa no ato de explicar a emisso não nos leva . portanto."istem leis nas áreas de ciências naturais. contudo o modelo de ciência natural tal c()mo imaginado por esses cientistas sociais apresentava falhas sQb~Ronro de . contudo 11 quais seriam as implicações para efeito de análise empírica. Não creio que se possa atribuir a isso a criação de uma nova ortodoxia. A ciência natural. não se consegue encontrar um único filósofo da ciência renomado que ainda acredite na concepção de ciência natural a que muitos cientistas sociais aspiraram. nenhuma das posições anteriormente descritas pode realmente ser justificada. Esta segunda reação. De minha parte.ue nascemàos debates realizados. Há uma relativa autonomia entre teoria e pesquisa. ingenuamente.à ratificação incondicional do pluralismo teórico. inaplicáveis. Entretanto. consiste ~m esforços hermenêuticas ou interpretativos. Com efeito. pois ê fácil demonstrar que os debates teóricos realmente fazem diferença na pesquisa empírica. A r:nelhorforma de pesquisa empirica ê uma pesquisa empírica com fundamento teórico. mais aparente do que real. Caso tenha alguma empatia por qualquer das visões antagônicas que acabo de descrever. A ci~!lçiilsodal canônica. t!Ondo como a mais elevada aspiração da ciência a criação de sistemas de leis de natureza dedutiva. e isso deve ocorrer no ãmbito de sistemas teóricos. ciência natural. A primeira apresenta falhas porque descarta a possibilidade da existêncie. Posso cuidar dos meus trabalhos empiricos e deixar os teóricos brigando por suas perspectivas divergentes". Algumas teorias são melhores que as outras. e os cientistas sociais. para os que desenvolvem trabalhos empiricos. o enquadramento do significado demonstra-se mais importante do que a descoberta de leis. em relação ao que deve ser um ser humano. da mesma forma 'lue os teóricos devem estar atentos às questões aventadas pela pesquisa empírica. A meu ver. A ciência natu- ral.' I 101 . A polifonia de vozes com que deparamos hoje é. Na teoria social da atualidade. Os cientistas sociais acreditaram estar tentando reproduzir os tipos de descobertas que as ciências naturais afirmavam ter dcançado. confirma. e}.nem de- presa humana. e algumas perspectivas rendem mais frutos que outras. que os debates teóricos lhes são. O que C. especificar os p:incipais elementos do acordo que daí advier. 100 a. sob determinados aspectos. não resta dúvida de que existem indicias de uma síntese renovada acerca do que compreendem as ciências sociais. Entretanto.io. Certamente conhecemos os méritos e as limitações dessas perspectivas antagônicas e temos noção das principais linhas de desenvolvimento c. Uma primazia indevida foi dada à descoº"na de leis como elementos constitutivos da "ciência" nos moà. tal como claramente demonstrado na filosofia da ciência póskuhniana. aceitaram essa condição. O modo de documentar o movimento no sentido da síntese consiste em identificar o que há de errado com o consenso ortodoxo e. de fato. Acredito que haja algo que se possa contestar. veria . As duas não podem ser fundidas por completo. em primeiro lugar envolVEUum 'modelo errôneo de conceituação da . será mais pela primeira do que pela segunda.vista filosófic>o O modelo de ciência natural emprcgad0 E-elo consenso ortodoxo era essencialmente empirista. Sem dúvida. então. q'Je tende a nos envolver em controvérsias a natureza de sua aç. não acredito que seja este o caso. isto é. e em essênéia. quais são seus componentes teáricos. A segunda visão ê questionável.>.Ieistêm de ser interpretadas. o consenso ortodoxo. e a natureza da ciência encoo- tr~-se envolvida na criação de grades teóricas. de critêrios racionais de avaliação de teorias. Wright Mills chamou de "empirismo desprovido de reflexão" leva a trabalhos muito pouco desafiadores e não cumulativos.

a exposição discursiva de motivos e análises _ teria esgotado a capacidade de conhecimento dos age. conforme já mencionado. a recuperação da noção do ag-. devemos conhecer para fazer que a vida social aconteça. Nossa capacidade de conhecimento é sempre delimitada. Abra um desses livros e provavelmente ainda irá encontrar. O que a ciência social ortodoxa fez foi trdrar-nos como se nosso comportamento fosse resultado de causação estrutural ou limitação estrutural. ~ dade de estudar tais limites (restrições estruturais). falar e entender um idioma como o inglês. Trata-se simplesmente de uma falsa visão da maioria das formas de explicação no campo das ciências naturais e. A segunda limitação do consenso ortodoxo resiáia no fato de que a ciência social canónica implicava uma falsa interpretação da empresa humana.. A consciência prática demonstrase fundamental no que concerne às 'armas com que tornamos o mundo social previsível. 102 J. por.ohá nenhuma contradição em afirmarmos que oJlngüista estuda "o que já sabemos". dicas contextuais.ntes humanos. envolve o conhecimento de um conjunto altamente complexo de regras sintáticas. Tal recuperação deve basear'sénâ iâéiaaecOr.como falantes de uma língua para que ela simplesmente possa existir. Contudo. com correção gramatical. logo nas primeiras páginas. Todos os agentes humanos dispõem de bastante conhecimento acerca das condições de sua atividade. reconhecemos como características básicas da ação humana. na realidade. de um rr_odeloinútil para ser adotado nas ciéncias sociais.e devemos saber .iffldIdou dê \ím sistema deleTS. a empresa humana deve ser explicada em termos de causação social. Por "consciência prática" entendo uma noção que vem s~ndo "descoberta" em diversas tradições de pensamento. Ni\. Para o consenso ortodoxo. O que temos de fazer na teoria social é recuperar a nação do agente humano conhecedor. Como atores sociais leigos. também tendemos a negligenciar.I o último Anlhony Giddens Em defeso do sociologia reduto do consenso ortodoxo enconrca-se nos livros metodológicos das ciências 30ciais. se alguém nos solicitasse uma análise discursiva dessas coisas que sabemos. e ainda existe a necessi. Foi iaentificada por Wittgenstein na filosofia. A previsibilidade do mundo social não 103 '-- . e tal conhecimemo não está condicionado ao que fazem. podemos pensar que sabemos o que estamos fazendo ao reali:zar nossas ações. No entanto. O conceito refere-se a todas as coisas conhecidas por nós como atores sociais e que."~--~ elevado grau de complexidade. como se derivasse diretamente de iorças sociais. de fato. como cientistas sociais. Encontra-se delimitada institucionalrP.éJ!l o cientista social pode nos demonstrar que. em nossa vida cotidiana. porém. concebidas erroneamente: partiu-se da premissa de que aconsciência discursiva .'.cujàs rejaç6es aprese~ta. Por exemplo. mas que.]cional. Eis a razão pela qual as indagações propostas pelos cientistas ortodoxos e as respectivas respostas foram. Precisamos saber tudo isso para poder falar inglês. encontraríamos grande dificuldade em fazê-lo. Poderíamos apenas falar de forma muito supertlcial sobre o que realmente sabemos . todos sabem muito mais sobre as razões pelas quais tomam este ou aquele curso de ação do que efetivamente as expressam de modo discursivo.-~tehumano conhecedor revela-se fundamental para a reformulação da resposta sobre o objeto das _~ciências sociais. por mais de um motivo. cia prática. o investigador passaria ao estudo de causas estruturais.Séiêr. e assim por diante. somos conduzidos por influências das quais não temos consciência. a idéia de que a "explicação" é a dedução de um evento oriundo __ ~-de-l. mas pode ser entendido como elemento constitutivo dessas ações. Ou seja: as ciências sooais devem concentrar sua atenção em fenômenos que. e de que estamos cientes das razões que nos levam a praticá-las.entc. muitas vezes. Assim. táticas de uso da linguagem. Os cientistas sociais se esquecem de que a maior parte de nossas ações como seres humanos é inte. surge como uma preocupação empírica na etnometodologia e se encontra documentada naobra de Goffman. mas às quais nem sempre conseguimos dar urr a forma discursiva.

Seria bastante desinteressante à maior parte dos atores leigos das sociedades modernas se os cientistas sociais estudassem . essas pessoas possuem baixa qualificação.e convenções por parte dos atores sociais. por pane dos motoristas. Generalizações desse tipo são absolutamente banais. Entretamo.~i j~! . quando fica verde. se assim se preferir. os motoristas já sabem que param no sinal. o raio de alcance de nossas ações escapa a todo momento às intenções e finalidades que as induziram. A bem da verdade. obviamente. neste contexto. o tráfego segue o seu curso. sabemos o que estamos fazendo e por quê. Chamarei as leis dessa categoria de le~_do liRa 9-º!S. fornecem as razões para o que fazem. Contudo. lILeis". podem ser compreendidas como uma forma que se aproxima de generalizações semelhantes a leis na ciência natural.eu comportamento como motoristas e viessem com a descoberta de que. Tomemos o exemplo. Se você vem de uma cultura diferente e jamais viu automóveis antes.'Quando o sinal está vermelho. seus filhos freqüentam escolas nas mesmas áreas. sua revelação deve ser uma das principais ambições do trabalho sociocientifico. pode imaginar que exista algum tipo de raio entre os sinais Com o poder de parar os carros.!.:"são as que dependem da observação consciente de regras. apresentado pelo filósofo Peter Winch. Se isso fosse verdade. Um dos papéis desempenhados por socióiogos e antropólogos é o de documentar as diferenças entre culturas. portanto. As escolas de áreas menos favorecidas dispõem de instalações precárias. também criam condições para que os agentes pratiquem suas ações na sociedade. cada um desses tipos difere das leis da ciência natural. conseguem empregos com remuneração relativament'e baixa e moram em áreas de baixa renda. O tipo de generalização que interessava à ciência social raturalista depende da premissa de conseqüências não-:. todos sabemos que o que faz os carros pararem no sinal é o conhecimento. Mais tarde. " CI2ro que as generaiizações do tipo dois de fato existem nas ciências sociais.. as generalizações do tipo dois jamais podem formar um paralelo p~rfeito com as leis pertinentes às ciências naturais 105 . eles param no sinal de trânsito. seria de fato uma iei ao estilo naturalista.que todos. bem como entre convenções. Ao sairem da escola. das normas de conduta no trânsito e que tais normas e convenções de comportamento A segunda noçâo de "lei" está bem mais próxima da visão de generãlizações estabelecida no consenso ortodoxo. 104 . há dois tipos de generalização. e. Tomemos Como exemplo a existência de um "ciclo de pobreza". exceto quando fazem pane de um processo de reconstituiçâo antropológica. na maioria das vezes.Anthony Giddens Fm defesa da sociologia :j "acontece" simplesmente da mesma maneira que a previsibilidade do mundo natural.~a graus distintos de consciência das convenções. estabelecendo-se uma analogia mais ou menos direta com as leis existentes nas ciências naturais.. os carros param. Isso diz respeito às conseqüências não-intencionais da ação humana. No campo das ciên- cias sociais.. os alunos não são motivados quanto à importância dos valores acadêmicos. Os proponentes do consenso ortodoxo preocupavam-se com fatores sociais gerados por conseqüências intencionais _ que. avaliar até que pOnto a previsibilidade em diferentes ambientes culturais está condicionad. Pod~r-se-ia supor que neste caso existe uma "lei".ntencioIlais generalizadas. de carros que param no sinal de trãnsito.\ ~l"'.c!apelas práticas organizadas com o conhecimento dos agentes humanos. AS generalizaçi5es do / . embora todos sejamos atores Í!'. Uma terceira deficiência verificada na concepção tradicional da ciência social foi a idéia de que é possivel descobrir as leis da vida social.tencionais. É verdade que todos nós agimos demonstrando conhecimento durante todo o tempo . de algum modo. Podem ser chamados de "leis". conformê destacado com muita propriedade por Max Weber. Porém.porque é algo que fazem no uso das convenções por eles aplicadas. Todavia. ~ger":. Claro. os professores enfrentam problemas disciplinares em sala de aula. bem como o motivo disso . e assim o ciclo se repete.

sendo claramente distintas da crítica de uma falsa crença. Em um determinado contexto de ação. ráveis por meio da análise histórica.~.~ gras e convenções de comportamento) e as do üpo dois (que dependem de conseqüências não-intencionais). mas de uma maneira discursiva bastante distinta dos modos normais em que se expressam tais conhecimentos. todas as generalizações desse tipo são mutáveis no. mais uma vez. A lingüística estuda o que o usuário da linguagem sabe . As ciências sociais. exercendo influência. Tais informações só serão novidade para os que não pertencem ao meio cultural em que a ação observada acontece.1conhecimento à luz da convenção sofre transformações ao longo do tempo. a perspectiva naturalista incorreu em erro ao presumir que é possível explicar o comportamento humano de modo abrangente por meio da identificação de leis do tipo dois.tre generaÚzações ~j~ tip'. e a reprodução social gerada de forma não-intencional. Anthony Giddens Em defeso do sociologia porque as relações causais que pressupõem dependem de conseqüências não-intencionais da ação proposital.e deve saber _ pa. Assim. presumia-se. O Iluminismo nas ciências sociais pode ser equiparado à crítica de crenças falsas. devemos acrescentar as influências das conseqüências não-intencionais. Aciênc@. termos das alterações na capacidade de conhecimento elos agentes hl' m.tnos.... dentro de circunstâncias históricas especificas. Tod03 nós vivemos em culturas específicas distintas de outras culturas distribuídas em todo o mundo e de outras recupe. Encontramos aqui um conjunto interessante de problemas e impasses. ()s atores s. As suposições contrárias a essa afirmação constituíram o principal erro daqueles que acred:taram que as generalizações do tipo um esgotam as possíveis contribuições das ciências sociais à compreensão do comportamento humano. assim.isto é. Praticamente. podem demonstrar . o que as pessoas fazem cor. de uma comparação bastante direta com a ciência natural. O modelo em que se fundou a perspectiva tradicional derivava.<lciais empre sabem o que estão fazendo (de acordo com alguma s descrição ou potencial descrição). Nas situações em que o comportamento se manifesta normalmente em 106 decorrência do uso consciente da convenção. Há um~relaçãointrT~e. além disso. partir de atividades sociais.s. As pessoas precisam saber não só O que estão fazendo mas também a porquê de o estarern fazehdó:"pai-ã que normalidades dessa natureza ocorram. Ervins Goffman deixou bem claro o quão complicados e sutis são os componentes constitutivos do conhecimento mútuo...1s sociais dependem do entendimento. Ne entanto. Todas as ciênci. os trabalhos etnográficos da ciência social são importantes. seja ele qual for. contudo as conseqüências do qU( fazem tipicamente fogem às suas pretensões. a maior parte do que sabemos para falar uma língua não é conhecida de forma discursiva. sobre as generalizações do tipo dois. O termo "conhecimento mútuo" abrange uma série de técnicas práticas de apreender significados 2. . Aqui.. da relação existente entre as atividades realizadas conscientemente. Essa visão é completamente (rrônea ao considerarmos as diferenças entre as generalizações d0s tipos um e dois. Talvezmais do que qualquer autor. o consenso ortodoxo sustentou uma visão ptimitiva da natureza da "iluminação" que as ciências sociais podem proporcionar aos leigos. Lógico. não é de surpreender que uma nova descrição pelo cientista social das ações praticadas por essas pessoas seja desinteressante. Por outro lado. Em conseqüência de suas limitações lógicas. atribuir uma forma discursiva aaspectos de conhecimento mútuo que os atores sociais leigos empregam de forma não discursiva em sua conduta.(. A essas formas potenciais de elucidação..oc:ialnão pode ser puramente'~interpretativa". As ciências naturais. A lingüística diz-nos o que já sabemos. à luz da convenção. o paralelo com a lingüística é bem próximo.a ter condições de falar o idioma em questão. 107 __ o • ~ _ . mas também o quanto são administrados com base em rotinas. existe um sentido lógico segundo o qual tal comportamento não pode estar baseado em crenças falsas. produzem o Iluminismo ao nos mostrar que muitas de nossas crenças preestabelecida~ sobre o mundo eram falsas.

a despeito do fato de ninguém ter tido a intenção de que ocorresse._.i~!og9? natur?-listas. cará~~. não fornece explicação pare. um exame das conseqüên- sociais possam ter para quaisquer atos que pratiquem. necessário indagar quais são as condições indispen- p. muitas ve. I além dos contextos específicos de interação nos quais os indivilismo e naturalismo tem Jma aplicação específica. Tuda reprodução social em larga escala ocorre de acordo com con-: dições de "intencionalidade'mista".:. Há uma série de circunstãncias que afastam condições "altamente monitoradas" de reprodução de' sistemas daquelas que envolvem uma retroalimentação lfeedback) das conseqüências nãointencionais.~in!~n. Todavia. eles têm procurado demonstrar que as instituições duas estão envolvidos. Por exemplo. podemos nos interessar em indagar por que um determinado evento ocorreu. cias não-intencionais da ação conduzir-nos-ia a assinalar a impor- tãncia de uma abordagem mui to be!:"elaborada da natureza proposital da conduta humana. Longe de reiterar tal conclusão. 109 .o propriedades "de simulação" pOstuladas de modo contrafactual. o.. bastante distintas das razões que os atores <.'i . sem dúvida. outra. l. Otipo de pergunta que tradicionalmente preocupa os cientistas sociais naturalisttls diz respeito:'à? condiç6es:da~reprodução social.r~. exceto co. entretanto. _.. sociai. Em outras palavras. . bastante diferente. Isso porque o pOnto de explicação funcional tem sido normalmente o de demonstrar que há "razões" para a existência e continuidade das instituições sociais.es. a conexão entre fun'ciona. tal investigação pressupõe a análise dos mecanismos de reprodução social e. é partir da premissa de que. Entretanto. ver Capítulo 4. como resultado de um exame crítico renovado do funcionalismo. não há como dedicar o devido tratamento a esta questão de acordo com os termos da ciência social \ naturalista. Há muitos tipos diferentes de questionamento que aludem ao papel das conseqüências não-intencionais da ação humana.~(). eu diria..r ç~es sociais não decorrem de áçõ~s intencionais d~ seus parti~ipantes. de modo geral. I cional dos processos sociais sustenta a visão de que a vida social gerida por influências ignoradas pelos atores sociais. Assim. também presume uma análise dos motivos dos agentes.0 ~ ~ ~ ~~ ~ '.ucional não pode fazer referência a necessidades sociais. . Contudo.Anfhony Giddens Em defesa do sociologia A irrefutabilidade de versões naturalistas da ciência social depende justamente da observação de que não há intenção deliberada dos participantes envolvidos na ocorrência de muitos dos eventos e processos da vida social. tem de ser dissecada com cuidado e apresenta variações de acordo com o momento histórico.essas condições. os agentes individuais são levados a agir por "causas sociais" que de algum modo determinam o curso de suas ações. Em outras palavras.' I 1'"r1 '.s apresentam características que vão Nesse sentido. (Para discussão mais detalhada. P~~aos so<. '. fica aparente que uma análise dos processos de reprodução instir. devem ser identificadas as tarefas cjas ciências sociais. um fenômeno associado ao Surgimento da sociedade moderna e à formação de organizações modernas. um historiador poderia levantar a questão: por que a Primeira Guerra Mundial eclodiu em um momento em que nenhuma das principais partes envolvidas agiu intencionalmente para produzir tal resultado? 108 ~. segundo Onaturalismo. a perpetuação de instituições sociais envolve um tipo de mistura entre resultados intencionais e não-intencionais das ações praticadas. O que não é intencional não pode nem mesmo ser caracterizado. por si só. a menos qt:e sejamos claros acerca da natureza do que é intencional. É no desvio das instituições sociais em relação aos propósitos dos atores individuais que. E isso. ~. sávei~ à permanência de um determinado conjunto de instituições sociais durante um período de tempo específico. uma coisa é argumentar que alguns aspectos da vida ou institui. O monitoram~nto das condições para a reprodução de sistemas retlete. Parece perfeitamente apropriado e.) Em parte. Essa mistura. i .1 A penetrabilidade das conseqüências não-intencionais é sinal de que devemos continuar a defender a versão da ciência social propagada pelo "cãnone sociológico" contra concepções mai" "interpretativas". No emanto. como resultado.

. Ao contrário. tendo sido reiterada por Com te. É exatamente este o sentido em que.. é bastante difereme daquilo que está e~olv~do _nas. pelo menos não com base em nada parecido com a abordagem desenvolvida por esses autores. Essa visão vem de uma herança profundamente arraigada nas ciências sociais. conforme ar.~ciênc._- ... envolve um tipo de hermenêutica. a afirmação é ambígua com relação à intencionalidade. é ser capaz de "seguir adiante" no âmbito da forma de vida em questão. em qualquer COntexto de ação.---'- ---~ ~-- -.tidos diferentes. A ciência natural. colocamo-nos em uma posição que nos permite fazer mudanças neSSemundo. bem como sobre as condições nas quais praticam seus atos.tro da visãociistorcida da capacidade de correção do senso comum. os conceitos técnicos atores sociais sobre a vida social e as condições para a reprodução social. A criação de descrições verídicas da ação humana pressupõe que o observador sociológico tenha acesso aos conhecimentos mútuos por meio dos quais os atores sociais orientam suas ações. em que as teorias compreendem conjun_ tos estruturados de significados.. da mesma forma que no caso do mundo natural. as ciências sociais envolvem uma dupla hermenêu_ tica. Se os argumentos anteriormen:e expostos forem válidos... a Montesquieu. bem como suas implicações práticas. contudo. que remonta. As ciências sociais corrigiriam 'as falsas crenças dos agentes a respeito da atividade social ou instituiçõe3 sociais. por Sua vez.ciênciasnaturais. Essas considerações têm implicações significativas e complexas na análise do impacto prático das ciências sociais. A ciéncia consiste em um esforço interpretativo. como se tem esclarecido nas correntes mais recentes da filosofia da ciência.teriormente mencionado.•. no minimo. 111 \ ------- ." A ciência social preocup-ã"se com os agentes que geram e inventam conceitos. que passamoS a tomar maior conhecimento do mundo social. ao se explicar uma reprodução social em termos de afirmações do tipo "a função de x é. a mecânica do processo de reprodução será bastante diferente.. faz-se essencial ressaltar tal diferença. o mundo objetivo da natureza. como afirma Winch.---- ~~-.--. Nos casos em que uma retroalimentação não-intencional entra em ação. os proponentes do consenso ortodoxo partiram do pressuposto que as conotações práticas da ciência social assumem um caráter tecnológico..as sociais são . que teorizam sobre o que fazem. A condição de ser capaz de descrever o que os atores sociais estão f"zendo. À medid2.parasitários em relação' aos conceitos de origem laica. tal afirmação não possui valor explicativo e ~ó adql!ire signifjca<:iocausal il1teligivel'luandQaplicada à atividade social na forma de proposição contrafactual. vi"to que . 1 Anthony Giddens Em defeso da sociologia Pode-se levantar uma objeção que atua em dois ser. refiro-me a crenças proposicionais mantidas pelos falsas sobre o mundo social. ~as o contexto em que tais idéias e teorias críticas são formula_ das. quistas muito mais inovadoras da ciência natural. A ciência social canónica demonstrou a tendência de ti abalhar der. esse ponto de vista não pode ser sustentado.oc:~a~ interpretar os significados do mundo social para os ! atores sociais nele inseridos. A ciência social não envolve a crítica de crenças 110 d. Primeiro. O que Winch em absoluto não leva em consideração é a absorção reciproca dos conceitos sociocientíficos no mundo SOcialem que são Cunhados para efeito de análise. Dadas suas premissas naturalistas. Durkheim e todas as vertentes natural:stas do marxismo. Ao contrário da ciência natural. mantidas por atores sociais leigos. a ligação entre os pro?ósitoS (de alguns agentes) e a continuidade das instituições sociais será direta e penetrante. Esse processo de absorção contribui para explicar a aparente banalidade das descobertas sociocientíficas. Por senso comum.. os conceitos técnicos da ciência social estão atrelados logicamente àqueles do mundo do senso comum. Os conceitos e teorias da ciência natural são completamente isolados do mundo "deles".".l:'I"ªo cabe ao cien=-: tisti'_s. quando comparadas ao que parecem ser as con.e devem ser .?Sconceitos e as teorias desenvolvidos no âmbito destas se aplicam a um mundo constituído das atividades praticadas por indivíduos que conceituam e teorizam. contudo. Via de regra. Em condições em que a reprodução é altamente monitorada. Segundo.

Claro que era isso que estavam fazendo. inevitavelmente. o próprio significado originalidade se perde. por exemplo.~. Tal visão. o trabalho crítico não pode se limitar à critica de falsas crençás leigas.is conceitos passaram a fazer parte constituinte. Contudo. Os pensadores não estavam descrevendo um mundo que lhes havía sido dado de modo inde112 Assim. custo e. Ele se fez sentir pela absorção dos conceiros sociocientíficos no mundo social. basicamente. logo em suas origens. demonstramos algum domínio prático da noção de soberania. Poder-se-ia supor que os primeiros economistas Outro exemestivessem sociais leigos e incorporados na atividade social. Não podem ser entendidas apenas como descrições de um mundo de institClições estatais que nos é apresentado de modo independente. A sociedade industrial não poderia exiStir se os atores sociais do cotidiano não houvessem dominado os conceitos de de economia. passaram a con~tituir essas instituições. como um instrumento de transformação tecnológica.11. compreendendo noçôes como soberania e a própria noção de política. !. Nos escritoS de Maquiavel e de outros autores. poder-se-ia argüir que as conseqüências transformadoras das ciências sociais para o mundo social têm sido consideravelmente maiores do que as das ciências naturais para o mundo "natural".. até mesmo. as ciências sociais causaram e continuam a causar um impacto prático da maior abrangência sobre o mundo social. III A trivialidade da clên_c~a social foi uma das maiores fon tes de preocupação dos praticantes da sociologia canônica. todos nós aprendemos a dominar atualmente. tem-se a impressão de que n~o somos c~pazes de desenvolver as tecnologias sociais das quais dependem as conotaçôes práticas das ciências sociais (no modelo ortodoxo).or qu~ as ciências sociai~I1ãoproduzi~am descobertas sobre ?I11. A ciência social não assume uma posição de neutralidade em relação ao mundo social. As implicações da dupla her . i i i i ! Ii i • I 113 • I I . Um cientista social da linha ortodoxa poderia supor que aqueles teóricos estivessem descrevendo apenas mudanças que ocorriam na vida social. Anthony Giddens Em defesa da sociologia . do qual tá. inovado- res quanto qualquer coisa que tenha existido no campo das ciênA história mais remota das ciências sociais esteve vinculada ao surgimento da teoria política nos séculos xv e XVI. Claro que descreviam teis mudanças. porém. de cidadania e de uma série de outras noções a elas associadas. Uma vez assumidos p'or atores pendente. O Estado moderno é inconcebível. O discurso econômico ingressou como elemento constitutivo no que se conhece hoje como sociedade industrial. risco. os conceitos introduzidos pelas ciências sociais tornam-se componentes familiares nas teorias e práticas de atores sociais leigos e não permanecem adstritos a um dfs- curso profissional. Sempre que usamos um passaporte para viajar de um país para outro. a noção de soberania é algo que. mas iam muito além.. sem a noção de soberania. mesmo que. ao serem construídos.. possam ter sido tão fantasticamente cias naturais. A invenção do discurso da ciência política contribuiu para formar o que hoje chamamos de Estado moderno.1 . Além disso. porém não era só isso que estavam fazendo. naturalmente se transformam em elementos familiares de rotinas sociais. Desde suas origens nos tempos modernos. o impacto prático da ciência social não é de ordem técnica. menêutica residem ne fato de que os cientistas sociais não podem deixar Qe permanecer alertas aos efeitos transformadores que seus conceitos e teorias possam porventura produzir sobre aquilo que se propuseram a analisar.ndo social à altura das realizadas pelas ciências naturais? Se tais descobertas não existem. O discurso das ciências econômicas fornece-nos plo. investimento. despontou um novo discurso político. De fato. em certo sentido. Sua descrevendo uma série de mudanças que vinham acontecendo na sociedade do século XIX. constitui um erro.

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