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12 Brasil Econômico

Quarta-feira, 23 de maio, 2012

INOVAÇÃO & GESTÃO

Editor executivo:Gabriel de Sales gsales@brasileconomico.com.br

QUINTA-FEIRA

SUSTENTABILIDADE

SEXTA-FEIRA

TECNOLOGIA

Santa Catarina incentiva a formalização commicrocrédito

Programa Juro Zero criado em novembro do ano passado pelo governo catarinense financia até R$ 3 mil a microempreendimentos; nos seis meses de operação, volume de empréstimos chega a R$ 8,2 milhões

Marlene Bergamo/Folhapress

Natália Flach

nflach@brasileconomico.com.br

Há menos de um ano, Cláudio Thomaz abriu uma fábrica de velas artesanais, em Jaraguá do Sul, interior de Santa Catarina. “Depois que saí da fábrica em que trabalhava, os clientes me pediram para fabricar velas por conta própria”, lembra. O inves- timento inicial foi feito com o “dinheirinho que tinha guarda- do”, mas Thomaz precisava de capital de giro para produzir os itens de decoração. Foi aí que soube que o governo catarinen- se tinha desenvolvido um proje- to de crédito para beneficiar mi- croempreendedores indivi- duais (MEIs) com faturamento bruto anual de até R$ 60 mil. Criado em novembro do ano passado em uma parceria da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc), Se- brae e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentá- vel, o programa Juro Zero per- mite que empresários finan- ciem até R$ 3 mil em oito parce- las. Caso as primeiras sete pres- tações sejam pagas em dia, a úl- tima não precisa ser paga. Resul- tado: o microempreendedor fi- ca livre dos juros, já que a oita- va parcela corresponde aos ju- ros do empréstimo. “Existe um único critério para conceder o fi- nanciamento: o tomador tem de ser microempreendedor indi- vidual. Cabe às 19 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público de Santa Catarina (Os- cips) decidir se vai conceder o

CAMPEÕES DO JURO ZERO

Ranking das cidades que mais concederam empréstimos pelo programa (em número de contratos)

LAGES 162 FLORIANÓPOLIS 156 JOINVILLE 147 BLUMENAU 111 BRUSQUE 108 JARAGUÁ DO SUL 103 ITAJAÍ
LAGES
162
FLORIANÓPOLIS
156
JOINVILLE
147
BLUMENAU
111
BRUSQUE
108
JARAGUÁ DO SUL
103
ITAJAÍ
102
SÃO JOSÉ
97
CHAPECÓ
95
RIO DO SUL
76
0
50
100
150
200
97 CHAPECÓ 95 RIO DO SUL 76 0 50 100 150 200 Atividades ligadas à beleza,

Atividades ligadas à beleza, como massagistas, manicures, cabeleireiras e maquiadoras, são as que mais recorrem ao microcrédito

empréstimo ou não com base na capacidade de pagamento. Delegamos o risco da operação às Oscips, e em caso de default, quem arca com o prejuízo são as organizações”, afirma Nelson Santiago, presidente da Badesc. Nos seis meses em que o pro- grama está em operação, o volu-

RAIO X

Movimento do Juro Zero desde sua implantação há seis meses

VOLUME DE OPERAÇÕES R$ 8,2 milhões EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS 3 mil CIDADES BENEFICIADAS 213 TAXA DE
VOLUME DE OPERAÇÕES
R$ 8,2 milhões
EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS
3 mil
CIDADES BENEFICIADAS
213
TAXA DE INADIMPLÊNCIA
1,16%

me de financiamentos ultrapas- sou a marca de R$ 8,2 milhões.

O maior volume de emprésti-

mos se concentra em Florianó- polis, com R$ 422 mil. Em se-

guida, aparece Joinville, com R$ 394 mil e Lages, com R$ 391 mil. O programa abrange todas

as regiões de Santa Catarina e já

beneficiou 213 cidades. O tíque-

te médio de empréstimo é de

R$ 2,7 mil e a média de inadim- plência é 1,16% e em algumas regiões chega a zero. Os bancos costumam enfrentar uma taxa média de inadimplência de 4% nas pessoas jurídicas. A última parcela dos emprés- timos é paga pelo Badesc com recursos do estado. “A agência pagava juros sobre capital, mas o governador Raimundo Colom- bo deu a ideia de retermos esse valor para pagar a última presta- ção”, conta. Com isso, foram re- servados para esse propósito US$ 12 milhões. “A nossa expec-

tativa é que esse valor consiga cobrir, no ano que vem, 9 mil concessões, que é a nossa meta para 2013.” Segundo Santiago, o progra- ma incentiva a formalização do mercado de trabalho. “Estamos fazendo limonada do limão. O primeiro degrau é a formaliza- ção do microempreendedor. Da-

degrau é a formaliza- ção do microempreendedor. Da- Nelson Santiago Presidente da Agência de Fomento do

Nelson Santiago Presidente da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina

“Cada empreendedor só pode pegar empréstimo duas vezes, porque não queremos deixá-los dependentes, queremos que cresçam e virem microempresas”

mos incentivo extra com o em- préstimo sem juros, sem falar que ainda têm a possibilidade de contar com ajuda do Sebrae”, diz, acrescentando que recente pesquisa do Sebrae aponta que os itens que os empreendedores consideram mais relevantes pa- ra crescimento de empresa é cré- dito e treinamento. “Estamos combatendo os dois problemas com política pública.” A atividade que mais toma re- cursos é aquela voltada aos cui- dados com beleza. São massagis- tas, manicures, cabeleireiras e maquiadoras. “Cada empreen- dedor só pode pegar emprésti-

mo duas vezes, porque não que- remos deixá-los dependentes, queremos que cresçam e virem microempresas.” Este é o so- nho de Cláudio Thomaz. “Pre- tendo daqui a dois anos mudar de microempreendedor indivi- dual para empresário de um por- te maior”, afirma ele que pro- duz as velas com ajuda do filho. O programa também é um marco para a própria Badesc, que atua com microcrédito des- de 1999. Com o Juro Zero, a agên- cia conseguiu alcançar o mon- tante de R$ 100 milhões para mi- crocrédito de Santa Catarina. “Somos babá do programa e o pai é o governador. Em Lages, ele criou programa de Juro Zero, quando era prefeito.”

Treinamento

Os agentes do Sebrae prestam consultoria individual para os microempreendedores, antes e no longo do processo. O objeti- vo é indicar pontos fracos e for- tes e auxiliar na construção de um plano de capacitação e me- lhorias do negócio. Para partici- par do programa, o cadastro po- de ser feito pela internet, por meio do site www.portaldoem- preendedor.gov.br. A solicita- ção de empréstimo deve ser fei- ta em uma das 19 Oscips.

Fonte: Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badec)

SEGUNDA-FEIRA

ECONOMIA CRIATIVA

TERÇA-FEIRA

EMPREENDEDORISMO

Fotos: divulgação

CRIATIVA TERÇA-FEIRA EMPREENDEDORISMO Fotos: divulgação Coronel João Ricardo Busi Silva: “Agora há planejamento,

Coronel João Ricardo Busi Silva: “Agora há planejamento, antes era na base dos erros e acertos”

Tecnologia ajuda a PM a livrar jovens das drogas

Sistema de cruzamento de dados da Polícia Militar de Santa Catarina avalia comportamento de estudantes na fase adulta em relação ao vício

A tecnologia se tornou uma

grande aliada da Polícia Militar de Santa Catarina no combate

ao tráfico de drogas e de armas.

A instituição conta com siste-

mas da InterSystems para arma- zenar e fazer o cruzamento de informações. De acordo com o coronel João Ricardo Busi Sil-

va, o projeto de combate às dro- gas começou, em 2001, com es- tudantes de 5ª e 6ª séries. “A ideia era ver como seria o com- portamento desses jovens na fa-

se adulta, em relação às dro-

gas”, afirma. “Ao todo, 54 mil jovens da rede pública e priva- da frequentaram os cursos da

PM. A nossa surpresa é que des-

te total apenas 2% se envolve-

ram com drogas”, acrescenta. Essa iniciativa tem como re- ferência um projeto americano

de combate às drogas. Parte do

sucesso do Programa Educacio- nal de Resistência às Drogas

(Proerd) — que hoje é replica-

do em todo o Brasil e foi primei-

ramente implementado em Santa Catarina — é resultado

da manutenção do banco de da-

dos Caché, que contém históri-

cos com os nomes de todos os jovens que participaram do cur- so. “Antes, a coisa era incipien- te. As nossas unidades visita- vam a escola e levavam aposti-

la e davam o curso e iam embo-

ra. Mas como íamos saber se is-

so está dando resultado? Não

podíamos mensurar se tal esco-

la que deu treinamento dimi-

nuiu incidência de usuários e de traficantes. Hoje, consigo avaliar. Temos os nomes dos

alunos que ficam em sigilo”, ex-

plica o coronel. Com o tempo, o programa aca- bou atraindo os pais. “Nas clas- ses mais humildes, havia dese-

quilíbrio familiar, porque os pais estavam envolvidos com vício. Marcamos reuniões em centros comunitários com a família.”

O próximo passo é fazer geo-

processamento das áreas mais violentas e a relação disso com as drogas. “Com tablet, o poli-

cial terá facilidade de fazer lei- tura de ocorrência com tóxico. Pretendemos lançar esse aces-

so”, aponta.

A outra utilidade da tecnolo-

gia da InterSystems pela PM de Santa Catarina é o controle de todo o armamento no estado. “Imagina são 11,5 mil homens em 243 municípios. Tínhamos grande dificuldade para fazer controle dos equipamentos. Conseguimos cadastrar todos e, então, quando uma arma so- me ou é roubada, sabemos”, diz. “Mas não é só isso. O cole-

O próximo passo da PM é fazer o

geoprocessamento das áreas mais violentas e a relação

disso com as drogas

te à prova de balas tem vida

útil de três anos, acima disso tem que tirar das ruas, porque

não garante a vida do policial.

O sistema dá alerta dizendo

que está na hora de trocar.”

Esse projeto está em funcio- namento desde 2006. “Além

da segurança, uma das maiores

vantagens do controle é a redu- ção de custos.” Para se ter ideia, a economia na produção

de munição foi de R$ 1 milhão

— sendo que são produzidos de

40 mil a 50 mil cartuchos para

treinamento e uso nas ruas. Já

o preço de cada colete à prova

de balas é de R$ 1 mil. “Sabe-

mos quando é hora de trocar e

quanto vamos investir. Agora,

há planejamento. Antes, era na

base de erros e acertos.”

O Centro de Material Bélico

gerencia o sistema como um to- do. Os 293 municípios do estado

têm acesso à intranet e cada uni- dade é responsável por fazer o controle da sua área (ou seu mu- nicípio). “Tudo está vinculado a essa base centralizada. O nosso investimento foi no banco de da- dos”, esclarece o coronel. Além disso, o cruzamento de informações possibilita saber se policiais estão se envolvendo em muitos conflitos ou atirando mais do que os padrões nor- mais. A partir desse cruzamen-

to

de informações, é possível su-

gerir cursos de reciclagem ou mesmo acompanhamento psico- lógico aos profissionais. N.F.

Quarta-feira, 23 de maio, 2012 Brasil Econômico 13

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em IFRS do ICAEW. (11) 2366-6654 www.grupofbm.com.br FERNANDA LANCELOTTI Sócia da Dreams Arquitetura de Ideias

FERNANDA LANCELOTTI

Sócia da Dreams Arquitetura de Ideias

FERNANDA LANCELOTTI Sócia da Dreams Arquitetura de Ideias Gestão de qualidade é arma para as pequenas

Gestão de qualidade é arma para as pequenas

A qualidade tem um custo. Mas sua ausência pode ter um custo ain-

da maior para qualquer tipo de negócio, principalmente para as em- presas de pequeno porte. Preço e qualidade são premissas básicas

para os clientes. Para nós, prestadores de serviço, o processo de tra- balho precisa ser o melhor possível do começo ao fim, com todos os envolvidos, assim como sempre entregar um pouco a mais do que foi acordado com o cliente, na prestação de serviço e no atendi- mento. Isso é o que conquista, satisfaz e fideliza o cliente e este é um dos grandes desafios dos empreendedores. Quando se lida com inovação e criação de produtos diferenciados

e personalizados, fora de uma linha de produção pré-determinada,

a qualidade torna-se ainda mais vulnerável se não houver um olhar crítico e atento a cada etapa do processo. Não se trata apenas da ex- celência do produto, mas também de outras etapas da demanda, co- mo, por exemplo, uma alteração solicitada pelo cliente em cima da hora, que pode causar transtornos caso não exista alguém que enten- da, “defenda” e negocie os interesses das duas pontas: cliente e for- necedor. E, neste caso, uma das principais negociações é o prazo. Prevenir é sempre mais econômico e mais viável que corrigir. É comum acreditar que quali- dade sempre está ligada somen-

te às grandes marcas e às gran- des empresas. Isto, no entanto, é hoje uma realidade ultrapassa- da. Felizmente! Não importa o porte da em- presa. O investimento em ges- tão de qualidade traz oportuni- dades valiosas de aprendiza- gem, crescimento e desenvolvi- mento para todas as partes en- volvidas nos negócios. O gestor de qualidade é como um maestro orquestrando funcio- nários, clientes e fornecedores, trazendo harmonia para o proces- so de prestação de serviço por meio da observação minuciosa

do fluxo de trabalho e dos resulta- dos obtidos. Este profissional de- ve estar um passo à frente da equipe e sempre atento ao que acontece à sua volta, pensando em novos caminhos, apontando soluções e utili- zando recursos estratégicos e visionários. Isso propicia uma melhoria

para todas as partes envolvidas nos negócios

desenvolvimento

Não importa o porte da empresa. O investimento em gestão de qualidade traz oportunidades valiosas de aprendizagem, crescimento e

contínua do serviço oferecido e do comportamento da empresa, tendo como focos o crescimento e a diferenciação desta no mercado. Sua fun- ção vai além das funções de um ouvidor: com base nas críticas e suges- tões dos clientes, cabe a ele sugerir alternativas e ações de melhorias in- ternas que influenciem positivamente a qualidade final do produto, o respeito aos prazos de entrega e o engajamento e realização da equipe. Os ganhos não são apenas do ponto de vista empresarial. Os fun- cionários tornam-se mais comprometidos e satisfeitos sob o coman- do de um gestor que possa conduzí-los com liderança, atenção e es- tímulo. Os fornecedores e os clientes também ficam mais confian- tes e engajados, por terem uma voz que os representa em suas mais variadas necessidades. Qualidade não é apenas ter um ótimo produ- to final. Inclui também um bom atendimento ao cliente e, do ponto de vista do serviço em si, um espaço para os funcionários e fornece-

dores manifestarem suas opiniões. A excelência na prestação de serviço, seja numa agência de pe-

queno ou médio porte, seja numa grande empresa, gera um vínculo forte e praticamente indissolúvel. Nas pequenas empresas, ela ain- da cria um valor adicional, ou seja, um relacionamento baseado na confiança, patrimônio imensurável para qualquer negócio.