CRIMINOLOGIA 1. Conceito, método, objeto, sistemas e funções da Criminologia. 2.

Paradigma etiológico de Criminologia: crime, criminoso e criminalidade como objeto criminológico nas Escolas Clássica, positiva e Técnico-jurídica. 3. Paradigma de reação social e a criminologia crítica: controle social e sistema penal como objeto criminológico. 4. A sociedade criminógena. Sociologia Criminal e Desorganização Social. Teorias da subcultura delinquente e da anomia. A perspectiva interacionista. Seletividade. 5. Fundamentos do sistema punitivo. 6. Pena de prisão. Históricos. Crise. Alternativas. 7. Vitimologia e Vitimização. 8. Abolicionismo. 9. Garantimos. 10. Direito Penal do Inimigo. 11. Mídia e Criminalidade. 12. Criminologia e política criminal. 13. Tendências contemporâneas da Criminologia.

1. Conceito, método, objeto, sistemas e funções da Criminologia.

Conceito: criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do estudo do crime, da pessoa do infrator, da vítima e do controle social do comportamento delitivo, e que trata de subministrar uma informação válida, contrastada sobre a gênese, dinâmica e variáveis principais do crime, contemplando este como problema individual e como problema social, assim como sobre os programas de prevenção eficaz do delito e técnicas de intervenção positiva na pessoa do delinquente e nos diversos modelos e sistemas de resposta do delito. É empírica porque se baseia na experiência da observação, nos fatos e na prática, mais que em opiniões e argumentos. É interdisciplinar porque é formada pelo diálogo de uma série de ciências e disciplinas, tais como a biologia, psicopatologia, a sociologia, a política, a antropologia, o direito, a filosofia, a criminalística, entre outras.

Método:

. a antropologia. Controle social informal: família. a política. a criminalística etc. igreja etc.Empirismo e interdisciplinaridade. a vítima e o controle social. psicopatologia. a filosofia. Segundo essa teoria. um doutrinador alemão. Direito Penal do Inimigo. Objeto: Tem como objeto o crime. Interdisciplinaridade: formada pelo diálogo de uma série de ciências e disciplinas. Subdivide-se em controle social formal e controle social informal. DIREITO PENAL DO INIMIGO  Termo cunhado por Günter Jakobs. 10. Sistema: Funções: visa explicar e definir o crime. o direito. estratégias e sanções sociais que pretendem promover à submissão dos indivíduos aos modelos e normas comunitárias. Controle social formal: polícia. 1. o Direito Penal tem a função primordial de proteger a norma. Empirismo: baseado na experiência da observação. intervir na pessoa do infrator e avaliar os diferentes modelos de resposta do crime. o criminoso (delinquente). Administração Penitenciária. escola. nos fatos e na prática. em 1985. Poder Judiciário. a sociologia. Controle social: conjunto de instituições. e só indiretamente tutelaria os bens jurídicos mais fundamentais. tais como a biologia.

para ele vale na integralidade o devido processo legal.. Já o inimigo não se subordina às normas de direito. auto-res de delitos sexuais e outras infrações penais perigosas (Jakobs. logo.  Dois Direitos Penais: um é o do cidadão. ao infringir o contrato social. o outro é o Direito Penal do inimigo. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL DO INIMIGO: . cit. 39). FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO DIREITO PENAL DO INIMIGO:  O inimigo. delinqüentes organizados. está em guerra contra ele. é a única forma de combater a sua periculosidade. os inimigos seriam os criminosos econômicos.  O cidadão de bem pode até infringir alguma norma. deve ser tratado como inimigo (Kant).  O Direito Penal do cidadão é um Direito Penal de todos.  Quem abandona o contrato do cidadão perde todos os seus direitos (Fichte).  Respeitar direitos do inimigo significaria vulnerar direitos do cidadão de bem. que deve ser respeitado e contar com todas as garantias penais e processuais. O autor faz a distinção entre o cidadão de bem e o inimigo. quem não aceita o “estado comunitário-legal”.  Para Jakobs. Cidadão de bem é aquele que aceita as normas do contrato social e se dispõe a cumprir as suas disposições. ob. Inimigo é quem se afasta de modo permanente do Direito e não oferece garantias de que vai continuar fiel à norma. mas os seus direitos de cidadão-acusado serão preservados.  Quem ameaça constantemente a sociedade e o Estado. no qual a coação é o instrumento. o Direito Penal do inimigo é contra aqueles que atentam permanentemente contra o Estado. senão como inimigo (Hobbes). p. segundo o autor. deixa de ser membro do Estado. 2.  Em casos de alta traição contra o Estado. deve morrer como tal (Rousseau). 3. e sim à coação que. o criminoso não deve ser castigado como súdito. terroristas.

 O direito penal do cidadão mantém a vigência da norma. já o inimigo perde esse status . Não deve ser punido de acordo com sua culpabilidade. em razão de sua periculosidade. deve ser interceptado prontamente. da exteriorização do fato. o direito penal do inimigo combate preponderantemente perigos. no estágio prévio.  As medidas contra o inimigo não olham prioritariamente o passado (o que ele fez). mesmo depois de delinqüir. Concessão de prêmios ao inimigo que se mostra fiel ao direito (delação premiada.  O inimigo não pode ser punido com pena. BANDEIRAS DO DIREITO PENAL DE INIMIGO  Flexibilização do princípio da legalidade (descrição vaga dos crimes e das penas).  Flexibilização da prisão em flagrante (ação controlada). Endurecimento sem causa da execução penal. o futuro (o que ele representa de perigo futuro). senão consoante sua periculosidade. para alcançar os atos preparatórios.  O direito penal do inimigo deve adiantar o âmbito de proteção da norma (antecipação da tutela penal).  Inobservância de princípios básicos como o da ofensividade. Em relação ao inimigo. Corte de direitos e garantias processuais fundamentais.   O inimigo não é um sujeito de direito. continua com o status de pessoa. sim. etc. sim.  Mesmo que a pena seja intensa (e desproporcional). colaboração premiada etc. ainda assim.       Aumento desproporcional de penas.  Quanto ao cidadão. com medida de segurança. objeto de coação. sim. justificase a antecipação da proteção penal.). O cidadão. Exagerada antecipação da tutela penal. Criação artificial de novos delitos (delitos sem bens jurídicos definidos). 4. . espera-se que ele exteriorize um fato para que incida a reação.

urge concluir que “Direito Penal do cidadão é um pleonasmo. ao contrário. . que pune o agente pelo que ele “fez”.  Não se reprovaria (segundo o Direito penal do inimigo) a culpabilidade do agente. mas essa lógica “de guerra” (de intolerância. sua periculosidade. É claramente inconstitucional. que pune o sujeito pelo que ele “é’ e faz oposição ao Direito Penal do fato. sim.   É um Direito Penal prospectivo. em lugar do retrospectivo.  Infiltração de agentes policiais.   Perdem lugar as garantias penais e processuais. Uso e abuso de medidas preventivas ou cautelares (interceptação telefônica sem justa causa. sim. de “vale tudo” contra o inimigo) não se coaduna com o estado de direito. como pune a periculosidade. quebra de sigilos não fundamentados ou contra a lei). visto que só se podem conceber medidas excepcionais em tempos anormais (estado de defesa e de sítio). não entra em jogo a questão da proporcionalidade (em relação aos danos causados). enquanto Direito Penal do inimigo é uma contradição”. CRÍTICAS À TESE DO DIREITO PENAL DO INIMIGO DE JAKOBS  Trata-se de um Direito Penal de autor. O Direito Penal do inimigo não repele a idéia de que as penas sejam desproporcionais.  Não se segue o processo democrático (devido processo legal). Com isso pena e medida de segurança deixam de ser realidades distintas (essa postulação conflita diametralmente com nossas leis vigentes.  Se Direito Penal verdadeiro só pode ser o vinculado com a Constituição Democrática de cada Estado. um verdadeiro procedimento de guerra. 5. que só destinam a medida de segurança para agentes inimputáveis loucos ou semi-imputáveis que necessitam de especial tratamento curativo).

10. O DIREITO PENAL DO INIMIGO NO BRASIL  Regime Disciplinar Diferenciado – instituído pela Lei n. flagrante controlado – Lei nº 9.034/95 Vedação da progressão de regime prisional para crimes hediondos – Lei nº 8.792. .6.072/90. de 31 de Dezembro de 2003.  Infiltração policial.

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