Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Departamento de Engenharia Industrial e Gestão

Capitalismo Clássico e Moderno Moderno
Evolução, Capital e Ciclos Económicos

Ana Rita Leal Neves João Filipe Pinho Gomes Maria Inês dos Santos Monteiro Mariana Esteves

Professor João Oliveira Neves Economia, 2º Semestre

Junho de 2011 Porto

Capitalismo Clássico e Moderno Evolução, Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

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Capitalismo Clássico e Moderno Evolução, Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

SUMÁRIO Introdução………………………………………………………………………………….…….………4 1.Capitalismo e Economia de Mercado……………………………………….……………5 2.Fases do Capitalismo……………………………………………………………….…………….9 2.1 Pré-Capitalismo ou Capitalismo Comercial………………………….…….9 2.2 Capitalismo Industrial………………………………………………….………….10 2.3 Capitalismo Financeiro……………………………………………………………10 3.Teorias Base do Capitalismo………………………………………………………………..12 3.1 O Lucro do Capital..…………………………………………………………………12 3.1.1 Tipos e Categorias do Lucro………………………………………….12 3.2 A Teoria da Evolução Económica…..………………………………………..14 4. A Questão do Proletariado…………………………………………………………………16 5.O Capitalismo do Ponto de Vista de Marx………..………………………………….18 6.Crises Capitalistas.………………………………………………………………………..……..21 6.1 Ciclos Económicos – Estrutura e Periodicidade……………………….22 6.2 Tipos de Ciclos….…………………………………………………………………....22 6.3 Reunificação da Alemanha (Exemplo Real)………………………..……25 Conclusão……………………………………………………………………………………….………27 Bibliografia……………………………………………………………………………………………..29 Índice de Figuras…………………………………………………………………………………….30

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A economia clássica preocupa-se. Contudo. essencialmente. para o compreender é necessário perceber em que contexto surgiu e em que forma e teoria se implementou. 4 . o futuro do capitalismo. relevante compreender de que forma evoluiu o pensamento capitalista desde os economistas clássicos. a política e o Estado tomam um papel fundamental no estudo das condicionantes do lucro. As teorias propostas foram fundamentadas e contestadas. mas uma constante mutação de conceitos e práticas económicas. deste modo.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. numa troca de mercadoria/serviços. à actualidade. Abordando temas como a exploração da força de trabalho pelo capital e o equilíbrio económico necessário à prosperidade social e desenvolvimento tecnológico. efectivamente. assim. produção e consumo. A essência do funcionamento dos mercados é fundamentada em teorias deste sistema económico e os mercados evoluíram em conformidade com elas. Torna-se. com o que permite avaliar o valor de um produto – o uso ou a troca –. à formulação de modelos matemáticos que previssem o crescimento económico de um país e os ciclos que o caracterizam. salários. da mesma forma que a económica moderna se preocupa com o crescimento económico constante. como Adam Smith ou David Ricardo. A investigação económica dedicou-se. A economia assenta. e a análise de como esta ocorre permite à sociedade perceber as falhas na economia que pratica. não perdurando uma verdade absoluta. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Introdução O capitalismo é a base da economia mundial. A discussão mais complexa acaba por ser exactamente essa. Os ciclos económicos revelaram-se uma consequência de um sistema capitalista que tanto pode ser lucrativo como auto destrutivo.

Capitalismo e Economia de Mercado O capitalismo evoluiu historicamente como parte do grande movimento do individualismo nacionalista.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. maquinaria e recursos naturais) está nas mãos de particulares e não na mão do Estado. Um outro princípio do capitalismo é a economia de mercado. Smith aborda as teorias capitalistas introduzindo conceitos económicos como a divisão do trabalho e o valor de um produto no mercado de transacção. fábricas. sendo que é preferível que esse poder se encontre disperso por muitos proprietários a encontrar-se nas mãos de um único – o Estado. O preço dos produtos deixa de ser determinado pelo uso ou ordens de uma autoridade política. Numa era que precede o capitalismo a economia era local e auto-suficiente. Neste sistema. conduzindo a um sistema económico individualista. afirmando que a verdadeira fonte de riqueza é o trabalho. 5 . No livro A Riqueza das Nações (1776). baseia-se na especialização do trabalho. não existia o conceito de divisão do trabalho. A economia de mercado do sistema capitalista. a propriedade dos meios de produção (terras. o poder económico e político estariam relacionados de tal forma que as probabilidades de liberdade económica seriam poucas. • O progresso tecnológico será mais rápido e maior quando cada indivíduo investe e explora uma determinada área de produção. Os artigos produzidos ou serviços prestados não são pensados para o produtor mas para um consumidor externo. A preferência que o sistema capitalista demonstra pela propriedade privada dos meios de produção é baseada em três motivos essenciais: • A posse de propriedade produtiva implica poder sobre as vidas de outras pessoas. Como tal. cada família produzia o que era necessário para a sua subsistência. passando a ser determinado pela oferta e procura no mercado. sendo que cada indivíduo produzia tudo o que pretendia ter. em 5 volumes. isto é. pelo contrário. 1 Economista precursor do desenvolvimento das teses relativas ao Capitalismo Clássico. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 1. É de Adam Smith1 (segunda metade do século XVIII) que surge o conceito de divisão do trabalho. • Estando toda a propriedade produtiva reunida no Estado.

aumenta na medida em que a procura é superior à oferta e desce quando a oferta é superior à procura. este sistema tende a equilibrar-se espontaneamente . Designa por valor de uso a utilidade que um qualquer objecto possui e por valor de troca a qualidade que tem esse objecto de oferecer vantagem para ser trocado por outros bens. quer dizer. 6 . Dada a “harmonia 2 natural”. que “os súbditos de cada Estado devem contribuir para a sua manutenção tanto quanto possível na proporção das suas capacidades. Arthur Lewis4. W. Isto porque o valor de troca varia consoante a oferta e procura no mercado. Expressão símbolo do liberalismo económico que traduz a liberdade que o mercado deve ter num sistema capitalista. É. onde consegue controlar com mais eficácia e conhecimento da situação as variantes de produção. em proporção aos rendimentos que auferem sob protecção do Estado”. cada indivíduo toma uma determinada decisão económica tendo por base uma área reduzida. 4 Economista moderno vencedor de um prémio Nobel na área. n’A Riqueza das Nações. defende que a origem exclusiva do valor é a quantidade de trabalho incorporada no produto. sem qualquer interferência (por parte do Estado. em meados do século XX. Smith afirma. a atenção para certos bens que possuem um elevado valor de uso mas que quase não possuem valor troca. Existe aqui uma política económica assente na liberdade e interesse individual – o denominado laisser faire. Deste modo. Na economia totalitária. por isso. dirigiu a sua atenção para os problemas que o sistema económico capitalista implicava. Na primeira situação. Este dividiu o seu raciocínio económico em duas vertentes: planear por orientação ou planear por persuasão.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. uma economia em que o produtor é livre de tomar as suas próprias decisões e riscos económicos à luz da sua experiência. também. laisser passer3. Chamou. o Estado gere a economia num esquema geral encontrando dificuldades no controlo total de um sistema económico complexo. Na economia capitalista de mercado. segundo Smith. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto pelo que a riqueza anual de um país é o produto de um trabalho comum em que todos cooperam. por exemplo). existindo um valor de uso e um valor de troca. inteligência e interesse. o Estado age por meio de um 2 3 A economia moderna comprovou que a essência do capitalismo é o constante desequilíbrio. onde subsiste uma economia imposta. Entre os estudos que publicou destaca-se Economic Development with Unlimited Supplies of Labour (1954). variado e disperso. ou seja.

a economia política introduz o conceito valor e trabalho. proletários e latifundiários.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. cuja quantidade é fixa. incentivos fiscais ou subsídios. O consumidor desempenha. onde se planeia por persuasão. salários e lucros para o produtor. A economia preocupava-se em Termo utilizado para o estudo das relações de produção. e o liberalismo. evitando a centralização burocrática e a ineficiência económica. Este sistema clássico consistia essencialmente na problemática entre terra. 5 7 . que abordaremos em capítulos posteriores. mas sim de quem toma todas as decisões económicas: corporações ou indivíduos livres e independentes. mostrando que o conceito de economia política5 é imprescindível no que toca a compreensão destes sistemas. ou o Estado. Em contraposição com as teorias mercantilistas e fisiocratas que atribuíam à terra e ao comércio toda a fonte de riqueza. O mercado livre assenta nos seguintes pontos: • • • • Trabalhador: livre de escolher a área de trabalho a que se vincula. sendo que os operários ou gerentes que não cumprirem o regulamento e níveis de produção impostos são impedidos de continuar a actividade produtiva naquele sector de mercado. abordando três classes base da sociedade capitalista: capitalistas. fascismo e comunismo. regulamentando preços. Investidor: investe o capital num produto à sua escolha. e o trabalho cuja quantidade pode aumentar. Produtor: livre de desenvolver um plano de produção mais adequado aos seus interesses e conhecimentos. Um agente destacado pelo governo vigia todas as fases de produção. manipulando a balança económica do país de uma forma mais flexível. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto controlo directo. o papel mais importante neste sistema. sendo o capital parte deste último sob a forma de stock e bens intermediários. visto que dita o que deve ser produzido e em que qualidade e quantidade devem os produtos ser comercializados. o governo estimula indirectamente certas actividades económicas através de orçamentos. socialismo e capitalismo. produção. em última análise. a diferença entre economia imposta e economia de mercado reflecte as diferenças políticas entre o totalitarismo. Desta forma. Num país democrático. segundo Lewis. Compreendese aqui que a verdadeira questão não é de quem é a propriedade. Consumidor: livre de escolher os artigos/serviços que adquire.

tinha-se como ponto fulcral. Num ponto de vista clássico.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. entendido em termos físicos como um volume de produção sempre crescente. Defendia-se a liberdade económica e. 8 . concomitantemente. para os economistas clássicos. Como elemento determinante no processo económico temos a tendência a longo prazo do preço dos factores de produção pois. em quantidade e qualidade. a taxa de crescimento do produto é função da taxa de lucro do capital. da força de trabalho sobre a taxa de crescimento do produto total. a livre concorrência que se mostrava favorável a um alargamento de mercado associado a um bem-estar económico. a acumulação de capital e o crescimento económico no contexto de uma economia assente na propriedade privada. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto estudar os efeitos das variações.

Com as grandes navegações que promoviam a expansão marítima.1 Pré-capitalismo ou Capitalismo Comercial O mercantilismo – conjunto de ideias económicas que considera a prosperidade de uma Nação/Estado conforme o capital que possuem – foi desenvolvido na Europa. a riqueza de uma nação residia na acumulação de metais preciosos (ouro e prata) que eram atraídos pelo aumento das exportações e pela restrição das importações – Balança Comercial favorável. Durante este período. territórios delimitados compostos por um governo e por uma população de composição étnico-cultural coesa. Deste modo. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 2. não havendo capital suficiente para atender ao volume crescente de comércio. graças ao comércio exterior encontrara-se uma saída para os excedentes de produção. Desta forma. Esta corrente caracterizou-se por uma forte intervenção do Estado na economia. para incentivar a produção nacional de bens manufacturados. matérias-primas e especiarias não encontradas em solo europeu. Estava-se na era dos Descobrimentos que permitiu um grande crescimento no mercado externo. buscando. como a concessão de monopólios e tarifas proteccionistas. no essencial. 9 . entre os séculos XV e XVIII. a Europa registou uma grave escassez de ouro e prata. a burguesia começou a procurar riqueza fora da Europa. a maioria dos comerciantes obtinha os seus lucros a partir da compra e venda de mercadorias.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Segundo o mercantilismo. Inglaterra e Países Baixos. começa um ciclo de exploração cujo principal objectivo era a acumulação de capital. construindo uma série de medidas tendentes a unificar o mercado interno. sobretudo. Fases do Capitalismo 2. formando Estados Nacionais. Promoveram subsídios. Assim.

então. alargamento de mercados –. a Europa sofre uma ruptura no seu sistema de produção. exigiu investimentos que estavam ao alcance apenas das grandes empresas. com a inovação a incentivar ao consumo e à produção. cada vez mais. O desemprego. o capitalismo financeiro tem as molas mestras de desenvolvimento nos sistemas bancários e corporações financeiras. 2. Depois da revolução de transportes ter originado grandes alterações na vida económica – inovações tecnológicas. contudo. os baixos salários. mas também por uma grande instabilidade económica e política. assim. inevitavelmente marcado por grandes marcos tecnológicos. A máquina substituiu. garantindo um domínio do mercado. permitindo a concepção de produtos mais complexos e de melhor qualidade. Este período ficou. o poder de compra da população não aumentou. Foi um período marcado por monopólios – uma empresa dominante do mercado . O investidor aumenta. os bancos eram quem emprestava o dinheiro às empresas. as más condições de trabalho. Por sua vez. a possibilidade de aumentar o seu capital. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 2. 10 . já que o Estado intervinha apenas para restringir o poder dos monopólios. o trabalhador. os acidentes de trabalho e a falta de protecção por parte do produtor para com os seus funcionários caracterizaram esta época de mudança.e oligopólios – união de algumas empresas que retêm nas mãos o controle dos preços e de matéria-prima. impedindo o desenvolvimento de outras empresas.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. A Revolução Industrial vem fortalecer e desenvolver o sistema capitalista a uma escala de meios de produção em massa. A industrialização da produção conduziu a uma baixa dos preços praticados no mercado.2 Capitalismo Industrial No século XVIII.3 Capitalismo Financeiro Iniciado no século XX até aos dias de hoje.

A globalização permitiu às grandes corporações produzirem os seus produtos em diversas partes do mundo em busca da redução do preço. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Grande parte dos lucros e do capital em circulação no mundo passam pelo sistema financeiro. mantendo um comércio activo em grandes proporções. 11 .Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Os sistemas informáticos possibilitam a circulação e transferência de dinheiro em tempo quase real.

estando este associado à taxa de lucro e ao retorno do investimento. sendo o lucro a parte do preço que resulta de um adiantamento sobre o valor criado pelo trabalho. o retorno ao proprietário do capital social. por isso. É. ou seja. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 3. os capitais investidos devem acarretar um lucro ao proprietário e a taxa de lucro.1. Adam Smith defende que “além do que poderia bastar para pagar o preço dos materiais e os salários dos operários. Surge o conceito de risco.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. O preço é o valor físico desse trabalho. 12 . haja ainda algo que dê para os lucros do empresário da obra.1 Tipos e Categorias do Lucro Lucro é definido como o retorno positivo de um investimento. parte deste valor é o lucro normal e o excedente constitui o segundo tipo de lucro. O lucro económico surge quando a receita ultrapassa o custo de oportunidade dos produtos. O lucro pode. que arrisca os seus capitais neste negócio”. O lucro normal é um componente implícito aos custos. ou seja. também. então. sendo um componente que permite por a funcionar o investimento praticado nos meios de produção. a relação entre lucro e capital envolvido depende de onde se investe o capital. ser enquadrado nas seguintes categorias: • Lucro bruto: diferença positiva entre receitas e custos (capital fixo salários). Teorias Base do Capitalismo 3. tendo um valor máximo igual ao investimento e variando em conformidade com o grau de risco associado ao capital investido (taxa de risco e retorno). isto é. 3. no retorno do capital investido. Cada capitalista procura colocar os seus fundos onde estes rendam mais. Consiste.1 O Lucro do Capital A concepção de que o trabalho é a única fonte do valor de troca é característico de uma sociedade capitalista. Existem dois tipos fundamentais de lucro: normal e económico. dinheiro ou títulos investidos na constituição do processo de produção.

Lucro não operacional: diferença positiva entre receitas e despesas não operacionais (matérias-primas). Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto • • • • Lucro operacional: diferença positiva entre lucro bruto e despesas operacionais. 13 . Lucro líquido: diferença positiva entre lucro bruto e despesas operacionais e não operacionais. Lucro a ser distribuído: lucro líquido menos a quantia destinada a reservas de lucros ou compensada com os prejuízos acumulados.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução.

Fig. Se o capital render suficientemente. juntamente com Adam Smith.1 – Variação do PIB per capita desde 1820 a 2003 em dólares (em abcissas o ano em que se registou. haverá poupanças abundantes e o desenvolvimento económico é assegurado pelo aumento de emprego e melhoria das técnicas de produção. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 3. dizem.com.listenthinkrepeat. A sua avaliação provém da análise de índices como o PIB ou o PNB. com o problema do crescimento económico7 neste tipo de sistema económico. defendendo que o crescimento económico depende única e exclusivamente de um aumento da taxa média de lucro dos produtos no mercado. progressos tecnológicos muito acentuados em paralelo com um aumento do PIB per capita (Fig. tanto como Smith. Na verdade regista-se em países que transitaram de uma economia imposta para uma economia livre. do PIB per capita). A obra deste autor mais referenciada na História do Pensamento Económico (ver bibliografia) é Principles of Political Economy and Taxation. em dólares. 7 Definido como sendo o aumento sustentado de uma unidade económica durante um ou vários longos períodos.1). É considerado um dos fundadores da escola clássica inglesa da economia política. David Ricardo foi um economista inglês que nasceu em 1772.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. em ordenadas a quantidade. Ambos tenderam para uma teoria pouco satisfatória. 6 14 . Fonte: www.2 A Teoria da Evolução Económica David Ricardo6 preocupou-se.

No extremo oposto.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Caso opte por investir na indústria em que se insere a sua produção vai tender a melhorar no que toca ao equipamento (factores de produção) que utiliza no processo. o produto interno bruto tende a aumentar (como comprova a Fig. Outra questão inerente ao carácter do sistema capitalista é a concorrência no mercado. cada um produz o que necessita para a sua subsistência ou o que o Estado o incumbiu de produzir. procurando e investindo em tecnologia mais avançada para obter resultados mais satisfatórios de produção que outro produtor. pessoais ou profissionais. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Este crescimento económico deve-se a uma das principais características do sistema capitalista. Concomitantemente. porque não há concorrência. Quem investe procura investir na promoção de uma melhor relação qualidade/preço do produto. Não existe um mercado de compra e venda onde vários produtores comercializem a mesma mercadoria. o lucro vai para o investidor. ou seja. 15 . a questão do lucro e de como este é redistribuído toma aqui um papel fulcral na evolução tecnológica que se registou desde a revolução industrial. e que numa economia imposta não existe. consequência dos investidores que procuram uma posição de topo no mercado de produtos/serviços onde se inserem. Como ocorre uma evolução no tipo de equipamento utilizado e uma constante circulação de capital. Ao longo do tempo. num regime capitalista. procurando uma tecnologia mais evoluída. O investidor usa essa poupança para futuros investimentos. desde a Revolução Industrial). a “competição” característica desta economia promove o desenvolvimento de tecnologias mais evoluídas. Sendo que numa economia imposta não há mercado livre. encontra-se a economia de mercado (capitalismo) que tem por base a livre concorrência. 1. tratando-se de uma economia planificada. a questão poupança e investimento. Enquanto numa economia totalitária os lucros vão para o Estado e não voltam para o produtor.

A industrialização do sector da produção conduziu o trabalhador a uma situação de “alienação” ao que o emprega. Segundo Marx. é uma consequência necessária da propriedade privada dos meios de produção e do capitalismo. como se procura constantemente aumentar os rendimentos diminuindo aos salários dos trabalhadores. Todos os produtos do seu trabalho não lhe pertencem. O lucro do capital é a expressão monetária dessa mais-valia. ou seja. anarquistas e comunistas para definir a classe antagónica à classe capitalista. Este rendimento que o investidor retira não é necessariamente negativo. mas sim àqueles que lhe pagam o salário. enquanto o proletário apenas vende a sua capacidade de trabalhar. Este conceito é usado pelos marxistas. a economia capitalista estimulou o crescimento económico. uma questão fundamental da economia. o seu empenho e conhecimento. dado que este último pode vender os produtos do seu trabalho ou até mesmo vender o seu trabalho como serviço.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. O proletário diferencia-se então. de escravatura. Este aumento da riqueza das sociedades capitalistas caracterizada. do simples trabalhador. é justificada por 16 . no pólo oposto. A diferença entre quantidade de trabalho fornecida pelos meios de produção humanos e a quantidade de trabalho representada pelo seu custo constitui a mais-valia. do lado da classe que produz o próprio capital”. por disparidades sociais acentuadas. A Questão do Proletariado O proletário consiste no trabalhador urbano ou rural que não é detentor dos meios de produção e tem como única mercadoria de venda a sua força de trabalho. contudo. Todavia. O funcionário gera riqueza para o empregador por meio da força de trabalho recebendo um salário em troca. (…). apesar da contestação. ao longo do tempo. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 4. No entanto. o levantamento da mais-valia sobre o produto do trabalho analisa-se como uma exploração da força de trabalho pelo capital. e pertence ao capitalista. A justiça deste sistema e a situação precária desta classe social foi. aliás. Contudo. a força de trabalho pode fornecer mais trabalho do que custa. o carácter do capitalismo económico “estabelece uma correlação fatal entre a acumulação de capital e a acumulação da miséria. de tal maneira que a acumulação da riqueza num pólo é igual à acumulação da pobreza.

as necessidades. e que o salário tenderia a aumentar. precisamente pelo facto da produção global aumentar. Ou seja.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. os economistas modernos separaram estas duas variáveis e afirmaram que a procura de mais ou menos força de trabalho depende da quantidade de capital investido na economia e das técnicas de produção empregadas. no seu todo. inerente ao regime capitalista. o crescimento da procura de força de trabalho seria mais rápido que o crescimento da oferta. ao crescimento populacional. e consequentemente. Contudo. apesar de tudo. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Karl Marx em “a diferença e os desvios relativos do rendimento nacional podem. Uma outra questão é a oferta de força de trabalho que depende. enriqueceu. ter crescido. Na verdade. ou desvantagem nesta situação. então. aumentar enquanto a pobreza absoluta diminui”. se dedicou ao estudo da demografia e do aumento populacional. por isso. se as técnicas de trabalho não mudassem. segundo Malthus8. 8 Economista britânico que. ou até mesmo superior. da evolução demográfica. os contrastes da riqueza e da pobreza manifestam-se com mais força. o progresso tecnológico é uma vantagem. Contudo. um aumento do PIB per capita não quer necessariamente dizer que a sociedade. resultando daí um abrandamento da procura de força de trabalho. Os que detêm o capital têm interesse em pôr em prática novos métodos de produção que aumentem a rentabilidade dos seus capitais. no final do século XVIII e início do XIX. Chega. 17 . e na medida em que se produz. Os clássicos acreditavam que a procura de força de trabalho seria proporcional. Marx admite que. os desejos e os apetites aumentam também e a pobreza relativa pode. um ponto em que o ritmo de crescimento da procura de força de trabalho é inferior ao ritmo de crescimento da oferta.

sendo que. introduzindo o conceito de força de trabalho. O Capitalismo do Ponto de Vista de Marx Numa sociedade capitalista. Em Investigações sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. ou seja. Pelo contrário. este sistema de trocas é equivalente9 e a tendência da economia é para o equilíbrio. sendo que a base de uma economia de mercado é um sistema de trocas com base no valor de um produto. mas poder-se-á trocá-lo frequentemente por uma enorme quantidade de outras mercadorias”. 18 . Ou seja. Estes conceitos não permitem compreender.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Adam Smith afirma “Não há nada mais útil do que a água. não pode existir um aumento de capital para o produtor. mas com ela quase nada se pode comprar. Entende que o valor de uma mercadoria é objectivamente determinado pela quantidade de trabalho social médio que esse produto exigiu. Se o consumidor devolve em dinheiro o que o produtor gastou a produzi-lo. um diamante quase não tem valor quanto ao uso. o objectivo final ao empregador é obter lucro. Segundo Adam Smith. da mesma forma que se a economia tende para uma situação de equilíbrio. sendo que quem investe pretende obter uma mais-valia. Teremos como exemplo um sapateiro que despende 10 horas a produzir um par de sapatos e um outro sapateiro que demora 20 horas para realizar o mesmo trabalho. A economia capitalista impulsionou o desenvolvimento do conceito de valor e trabalho. um retorno de capital superior ao que gastou. contudo. tendo o produto que se coloca no mercado um valor de uso e um valor de troca10. os trabalhadores produzem em troca de um salário. nunca ocorrerá uma situação de crise. o par de sapatos vale 15 horas de trabalho social médio. Este factor permite comparar os dois produtos no mercado quantitativamente. da superprodução e da tendência cíclica para a ocorrência de crises. no entanto. um factor comum aos dois: despenderam tempo de trabalho na concepção do produto final. Marx para compreender este sistema faz uma correcção da teoria económica clássica do valor definindo o trabalho como a origem do valor. Contrariamente à aparência económica de um sistema capitalista que nos dá a ilusão de que o dinheiro se troca por dinheiro ou por 9 10 Ponto desenvolvido no capítulo 1. O lucro é a base da sociedade capitalista. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 5. o trabalho de dois operários que produzam diferentes produtos é qualitativamente desigual havendo. o porquê do lucro.

é independente da vontade capitalista ou empresário. Desta forma. o salário. concomitantemente. parte do capital circulante é o salário pago aos funcionários. O valor criado pelo assalariado. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto objectos que valem dinheiro. e a consequente amortização do investimento feito na compra da mesma. existem muitas variáveis a ter em conta no valor do produto final. inserindo-se na lógica profunda do sistema capitalista”. o lucro é uma mais-valia adquirida pelo capital no decurso do processo de produção. entrando integralmente no valor final do produto. Ou seja. Contudo. no tempo em que ele presta serviço ao empresário. visualizavam o sistema como uma troca de serviços e de valores 19 . O desgaste da maquinaria. v. maquinaria e matérias-primas. num contexto capitalista onde o apetrechamento industrial e a quantidade de trabalhadores para a produção de um determinado produto são muito superiores. Os economistas clássicos. a realidade no ponto de vista marxista é uma troca de trabalho.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. À proporção do capital constante e do capital variável no investimento capitalista. Como tal. o seu próprio tempo de trabalho adquire um valor de troca previamente determinado. sendo que o trabalhador participa no processo criador do valor de troca e. que aprofundaram as teorias do capitalismo. O capital variável é a parte do investimento que o produtor gasta em salários e que pode gerar mais ou menos lucro. não resulta de qualquer situação particular. o capitalista guarda a diferença entre valor do tempo de trabalho e o valor criado por esse tempo de trabalho. Marx dá o nome de composição orgânica do capital. e não no fim. avaliando-se o que se gastou em matériaprima e tempo de trabalho. c. em que cada um produz o que comercializa. a troca é fácil de fazer. o montante de salários pagos aos trabalhadores e o lucro. Isto é: e = c + v + pv (1) (e representa produto global. é sempre superior ao que lhe é pago pela produção do mesmo. Marx afirmava que “a exploração do trabalho é um fenómeno social. soma de salários. Num regime de produção simples. pv. A essa diferença corresponde o retorno do investimento total (1). lucro) À parte do capital investido na maquinaria e nas instalações (capital fixo) e nas matérias-primas (capital circulante) Marx dá o nome de capital constante.

diminuindo a produção. contudo. em que durante o processo produtivo à uma incrementação de valor no produto final relativamente aos factores de produção neles envolvidos. animação económica. Deste modo. desemprego. a própria situação de crise força um ajustamento da produção às possibilidades de consumo que se fazem sentir no mercado. que o capitalismo é uma troca de não equivalentes. até surgir uma nova crise. 20 . Conclui-se. As crises periódicas revelam o conflito interno entre as forças de equilíbrio e as forças de rotura. ao atingir uma situação crítica. Esta troca não equivalente conduz a uma economia permanentemente desequilibrada. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto equivalentes.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Os ciclos económicos apresentam uma tendência para a superprodução que. se manifesta por queda no consumo. Começa então um novo período de equilíbrio. destruição de stocks ou deterioração dos factores de produção por falta de investimento.

Pode resumir-se então a tendência para uma crise económica proporcional à taxa de lucro dos capitalistas. por isso. mas em que o seu estado futuro é dependente das condições económicas que se façam sentir no presente. O factor concorrência revela-se um estimulante de uma crise de superprodução. Distinguiu-se. a partir de um certo ponto. Os marxistas defendiam que as flutuações económicas no capitalismo seriam cíclicas. mais competitivos. um padrão de 21 . ou seja. Tais oscilações são referenciadas pelos economistas por ciclos económicos ou crises financeiras. Segundo Marx os desequilíbrios sociais (consequente impossibilidade para consumir).Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. deixa de ser equivalente às necessidades do mercado. por isso. a produtividade superior à procura e a tendência a longo prazo para uma diminuição da taxa de lucro são a base para uma crise capitalista. Havendo uma alteração no volume de produção trata-se de crises de superprodução. a produção de um excedente de mercadoria que não se vende. Como exemplos de crises capitalistas tem-se a crise económica do México (1994) ou a Grande Depressão (1929 e a década de trinta). neste sistema económico. mas a um excesso da oferta relativamente à procura. tendo a sua ocorrência um carácter inevitável. Concomitantemente. na maneira em que o capitalista produzindo mais conseguirá preços mais baixos e. Este tipo de sistemas têm integrantes aleatórias e não previsíveis. Ou seja. não se deve a fenómenos de falta de produtos. Esta tendência para a superprodução é característica do sistema capitalista e tal deve-se ao facto da contínua tentativa de aumentar a taxa de lucro e. Crises Capitalistas As crises capitalistas correspondem a oscilações em torno de uma média nos níveis de produção num sistema económico liberal. vários economistas dedicaram-se ao estudo de ciclos económicos detectando um sistema dinâmico não-linear. aumentar a produtividade que. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 6. onde os factores que geram o boom propiciam também o declínio ou vice-versa.

e sejam caracterizados por períodos de expansão e contracção da actividade económica. As respostas a estas questões pressupõem a elaboração de instrumentos teóricos de medição dos ciclos económicos. O ciclo consiste em períodos de crescimento relativamente rápido do PIB – expansão –. 6. 6. dando lugar a uma tipologia dos ciclos. mas recorrentes. apesar de alguns economistas enquadrarem a teoria dos ciclos económicos nas economias planificadas. cuja duração é variável. são um fenómeno típico de economias com mercados livres. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto comportamento aperiódico e desequilibrado ao longo do tempo determinado por variáveis pontuais. 22 . do rendimento e do emprego. Os pontos de viragem dos ciclos são designados por picos (pontos de viragem de uma expansão para uma recessão) e por fundos (pontos de viragem de uma recessão para uma expansão).1 Tipos de Ciclos A constatação que as principais variáveis económicas exibem um comportamento cíclico nas economias capitalistas levantou o problema da medição do ciclo económico.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Existem comportamentos cíclicos que exibem um padrão específico e que poderão ser distinguidos em função da sua duração. Ou seja.1 Ciclos Económicos Os Ciclos Económicos correspondem a oscilações do produto. Embora os ciclos económicos se repitam. e são caracterizados pela expansão ou pela contracção generalizada na maioria dos sectores económicos. não são necessariamente periódicos. alternados com períodos de relativa estagnação ou declínio – recessão. Comecemos por sistematizar os comportamentos cíclicos que foram distinguidos no seio da teoria dos ciclos e que originaram a classificação dos ciclos económicos segundo a sua duração.

Publicou diversos livros na área. a quem se deve o seu nome.2 – Gráfico representativo da evolução dos ciclos de longa duração entre 1800 e 1990. Economista americano da primeira metade do século XX. em 1933. pesquisa de ciclos económicos (pt. Os ciclos de Kondratiev12 são explicados fundamentalmente pela inovação tecnológica e pela mudança estrutural associada à inovação tecnológica como mostra a figura 2.org/wiki/ciclo_economico).wikipedia. Socialism and Democracy (1949). Fonte: wikipedia. Juglar: 7 a 10 anos. tendo sido o primeiro a dedicar-se ao estudo estatístico dos ciclos económicos de longa duração. Fig. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto A tipologia que se segue deve-se a Schumpeter11. 11 23 . apresentando os seguintes ciclos: • • • Kitchin (ciclos de curto prazo): duração entre fundos de 3 a 4 anos.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Kondratiev: duração de 40 a 60 anos. 12 Nikolai Kondratiev foi um economista russo da primeira metade do século XX. destacam-se Business Cycles (1939) e Capitalism. Foi o fundador da Econometric Society.

24 . Por exemplo. Fonte: www.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução.com. comprovando a existência de um ciclo. Este corresponde ao ciclo do investimento. mais tarde. Fig.galanto. Schumpeter. da inflação e do emprego. de 2 a 4 anos. 13 Joseph-Clément Juglar foi um economista francês a quem foi reconhecido mérito pelo estudo dos ciclos económicos. Entre as suas publicações destaca-se Des Crises Commerciales (1856). devemse a causas aleatórias que parecem explicar a evolução da economia. de 7 a 11 anos.3 – Gráfico representativo da evolução do crescimento dos EUA desde 1990. 14 Joseph Kitchin foi um economista inglês que expôs a sua teoria dos ciclos económicos em Cycles and Trends in Economic Factors (1923). veio a distinguir 11 ciclos de Juglar no período de 1787 a 1932. em especial o de 7 a 11 anos.br. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Os ciclos. o emprego e o produto. Os ciclos de Kitchin14 têm uma duração menor. dando origem a flutuações do PIB. na Figura 3 é visível a diferença de 10 anos entre o início de duas recessões. “EUA. A variação das existências pode reagir a estes choques bem como a taxa de inflação. Enfim a Recessão? “. de Juglar13 relacionam-se com séries monetárias e de preços (que Juglar estudou).

Como resultado dessa situação e da decisão de Berlim de privatizar toda a estrutura económica herdada do Leste. A antiga capital. de forma a financiar a recuperação de infra-estruturas. havendo um registo de PIB per capita nas províncias orientais inferior comparativamente às ocidentais. Em termos económicos. deixando milhões de desempregados. pagar pensões e outros benefícios aos desempregados e subsidiar empresas para se instalarem além da antiga fronteira. o processo desencadeou o colapso e a destruição da antiga ordem totalitária. a qualidade de vida mudou para melhor com a generalização do regime capitalismo e do mercado livre. No entanto. Reunificação da Alemanha (Exemplo Real) A 9 de Novembro de 1989 cai o Muro de Berlim fundindo as duas metades da Alemanha (República Democrática Alemã e a República Federal Alemã) e finalizando uma separação de 45 anos. Subsídios e investimentos estimados em 1500 biliões de dólares (valor actual). observou-se logo que a Alemanha Oriental. efectivamente. o que significa quase cem mil dólares por cada habitante do antigo lado oriental. As comunicações e o sistema de transporte eram ineficientes e quase toda a sua indústria era incapaz de competir com a sociedade ocidental. a indústria da Alemanha Oriental deixou praticamente de existir. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 7. as estradas e ferrovias foram recuperadas e ampliadas. também. foi quase que totalmente revitalizada e.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Um volume inacreditável de dinheiro foi transferido do lado Oeste para o Leste. Surge então a nova Alemanha regida por princípios económicos capitalistas. apesar de ter uma economia desenvolvida pelos padrões de Leste. o sistema de comunicações tornou-se um dos mais modernos do mundo e monumentos e museus foram recuperados. A sua força de trabalho revelou. dificuldades em se inserir no estilo de produção e competitividade do mercado do Ocidente. era imensamente pobre quando comparada com a Ocidental. Após esta estimulação em dinheiro. Coube ao Estado alemão pagar a conta do processo. O desemprego aumentou nas áreas orientais da Alemanha. Berlim. Os 25 . sendo muito superior do que na parte ocidental.

mas que revoltou muitos alemães do Leste ao sentirem-se menorizados no processo. o regime totalitário e a economia planificada garantiam um mínimo para a população geral. Afinal. depois da euforia inicial. os antigos alemães ocidentais também se perguntam se o preço da reunificação não foi demasiado elevado. o que fez a população da antiga Alemanha oriental diminuir em cerca de 1. mas a maneira como o processo foi conduzido acabou por gerar um sentimento de revolta entre os antigos alemães do Leste. muitos dos orientais descontentes. com os seus impostos.6 milhões de pessoas. No sistema capitalista do ocidente. Deste modo. o próprio processo de unificação acabou por deixar. Tudo o que era oriundo da antiga Alemanha Oriental foi simplesmente posto de parte. Algo inevitável. e são os alemães do Ocidente que pagam.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Apesar de viverem numa das economias mais fortes da Europa e o nível de vida ter melhorado da mesma forma que a disponibilidade de bens de consumo e serviços. a transformação do Oriente. O desejo de união existia e ainda existe. a população teve que lidar com o mercado livre de compra e venda de produtos com preços variáveis (não decididos pelo governo) e disputar empregos no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo que os de Leste se sentem desprestigiados. a economia alemã sofreu (especialmente via aumento da dívida pública) para subsidiar o Leste. desde 1990. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto subsídios do governo alemão não impediram a emigração para o Ocidente. 26 .

tal não se veio a registar. legislação. mas o problema da desigualdade na distribuição da riqueza. nos países capitalistas actuais. pois. como defende a economia clássica. o estado ter um papel preponderante gestão da economia. assim. deste modo. As empresas não recebem lucro por produzir produtos que as pessoas não querem. a concorrência e a queda da taxa de lucro revelaram que o sistema impõe a formulação de regras de conduta. mantendo a distribuição de riqueza do país justa e o mais constante e igual possível. cortando nos custos de forma a serem competitivas e a aumentarem a sua produtividade. Este permite proteger a propriedade privada e os interesses do investidor. O capitalismo moderno revelou ser o sistema económico que melhor se enquadra nas diversas sociedades mundiais. estes encontrariam o equilíbrio natural. ou seja. Na prática. necessário qualquer intervenção do estado nos mercados de compra e venda de mercadoria/serviços. não seria. Se as empresas não permanecerem produtivas e eficientes são naturalmente eliminadas pelo próprio mercado. o porquê de. Percebe-se.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. • Produção eficiente: o mercado incentiva as empresas a serem eficientes. Na utopia inicial do capitalismo. apresentando características vantajosas como: • Disponibilização eficiente de recursos: o capitalismo ou a “mão invisível do mercado” garante que os recursos sejam distribuídos de acordo com as preferências dos consumidores. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Conclusão O Capitalismo é um sistema económico com base na livre iniciativa e no princípio antipaternalista de que cada pessoa é o melhor condutor dos seus próprios interesses económicos. É verdade que o equilíbrio momentâneo atingido era o melhor globalmente. Os recursos e empresas são propriedade privada inserindo-se num mercado livre e aberto a todos os que tiverem capital para investir. a superprodução. 27 .

Nesse exemplo o capitalismo sai vitorioso do confronto com um sistema económico de economia imposta. o capitalismo tem a grande desvantagem da desigualdade de divisão da riqueza. Por exemplo. então as empresas não serão criadas. aos outros sistemas económicos. actualmente. Como já foi referido anteriormente. como é demonstrado pelo exemplo real da reunificação alemã após a queda do muro de Berlim (ver capítulo 7). 28 . realçando as vantagens acima referidas e provando que entre os sistemas económicos actuais o capitalismo é o mais forte. assim. Se não existir lucro privado. O sistema capitalista revela. podendo por vezes num sistema capitalista moderno o estado ter de intervir para proteger os cidadãos da crueldade do mercado. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto • Retorno financeiro: as evidências sugerem que as pessoas trabalham mais se houver algum incentivo financeiro. sobrepondo-se. os empresários só assumem riscos em negócios se houver alguma recompensa financeira de grande porte. ter vantagens e desvantagens.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução.

DENIS. http://pt. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Bibliografia SCHUMPETER. CAPITALISMO. McGraw-Hill Book Company. Livraria Duas Cidades. 1977. EBENSTEIN. Capitalismo: Notas Teóricas.com/capitalismo/ (Acesso em 21 de Junho de 2011) ESTADO-NAÇAO. 1939. Historical. 4 Ismos em Foco.wikipedia. Henri. Joseph A. PEREIRA.com. William. Porto: Brasília Editora. http://pt. (Acesso em 21 de Junho de 2010) WESSEIS E OSSIS: OS DILEMAS DA REUNIFICAÇÃO DA ALEMANHA 15 ANOS DEPOIS. História do Pensamento Económico.wikipedia.org/wiki/Estado-na%C3%A7%C3%A3 (Acesso em 21 de Junho de 2010) MERCANTILISMO. http://www. http://www.org/wiki/Proletariado (Acesso em 21 de Junho de 2010) DITADURA DO PROLETARIADO.htm (Acesso em 23 de Junho de 2011) 29 .wikipedia.wikipedia. http://pt.org/wiki/Mercantilismo (Acesso em 21 de Junho de 2011) CAPITALISMO: História.espacoacademico.pt/$ditadura-doproletariado. http://www.infopedia. Livros Horizonte. Luiz. 1982.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. http://pt. and Statistical Analysis of the Capitalist Process.org/wiki/Capitalismo (Acesso em 21 de Junho de 2011) PROLETARIADO.suapesquisa. Business Cycles: a Theoretical. 1967.br/048/48bertonha.

Fig. Capital e Ciclos Económicos Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Lista de figuras Fig.2 – Gráfico representativo da evolução dos ciclos de longa duração entre 1800 e 1990. em dólares.3 – Gráfico representativo da evolução do crescimento dos EUA desde 1990.Capitalismo Clássico e Moderno Evolução. Fig. do PIB per capita). 30 . em ordenadas a quantidade.1 – Variação do PIB per capita desde 1820 a 2003 em dólares (em abcissas o ano em que se registou..

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