Língua Portuguesa II

Solange Mendonça Montalvão

São Cristóvão/SE 2009

Língua Portuguesa II
Elaboração de Conteúdo Solange Mendonça Montalvão

Projeto Gráfico e Capa Hermeson Alves de Menezes Diagramação Lucas Barros Oliveira

Reimpressão

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FICHA CATALOGRÁFICA PRODUZIDA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
Montalvão, Sobrenome Mendonça. Língua portuguesa ll / Solange Mendonça Montalvão -- São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2008. v.2. 1. Língua portuguesa - Estudo e ensino. 2. Lingüística. 3. Morfologia. 4, Verbo. I. Título. CDU 811.134.3

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Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho Vice-Reitor Angelo Roberto Antoniolli Diretoria Pedagógica Clotildes Farias (Diretora) Hérica dos Santos Mota Iara Macedo Reis Daniela Souza Santos Janaina de Oliveira Freitas Diretoria Administrativa e Financeira Edélzio Alves Costa Júnior (Diretor) Sylvia Helena de Almeida Soares Valter Siqueira Alves Coordenação de Cursos Djalma Andrade (Coordenadora) Núcleo de Formação Continuada Rosemeire Marcedo Costa (Coordenadora) Coordenadores de Curso Denis Menezes (Letras Português) Eduardo Farias (Administração) Haroldo Dorea (Química) Hassan Sherafat (Matemática) Hélio Mario Araújo (Geografia) Lourival Santana (História) Marcelo Macedo (Física) Silmara Pantaleão (Ciências Biológicas)

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...................................................................................... 37 AULA 4 O lexema verbo II . 81 AULA 6 Sintagma adjetival e sintagma preposicionado ..................................... 93 AULA 7 A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais ............ 104 AULA 8 Predicado: classificação do predicado e do predicativo .................................................................................................................................................................................................. 21 AULA 3 O lexema verbo I ....................................... 115 AULA 9 Complemento verbal: objeto direto ...........Sumário AULA 1 Palavras e modelos linguísticos ....... 55 AULA 5 Gramemas relatores: preposições ......... 125 AULA 10 Complemento verbal: objeto indireto ...................................................... 07 AULA 2 Lexema e palavra morfossintática ................................. 135 ...................

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o aluno deverá: estabelecer as devidas diferenças entre os modelos de Palavra e Paradigma e de Item e Arranjo. . OBJETIVOS Ao final da aula. explicitar o entendimento relativo ao conceito de palavra ou lexema. (Fonte: http://www. reconhecer as diferenças entre a palavra fonológica e o vocábulo formal ou mórfico.Aula PALAVRA E MODELOS LINGUÍSTICOS 1 META Discorrer sobre os conceitos de palavra e sobre os principais modelos de análise linguística.gettyimages. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.com).

Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Prezados alunos. O exercício do magistério depende.laguia2000. neste semestre. neste nosso primeiro contato. A nossa motivação recíproca é fundamental. Haverá entre nós.com). a sólida formação então adquirida irá ajudá-los necessariamente nos estudos de pós-graduação. (Fonte: http://www. A busca de conhecimento se autojustifica. dos conhecimentos adquiridos na graduação. 8 . Entretanto. além disso. mas ainda na auto-estima. desejo que vocês continuem motivados para o estudo da Morfossintaxe da língua portuguesa. inclusive. uma parceria de trabalho e devemos tornála a mais agradável possível. o que repercutirá não só na realização profissional. desvendar a estrutura morfossintática da língua portuguesa é um desafio a todos aqueles que perseguem o grau de licenciatura em língua portuguesa.lengua.

procuraram analisar essa língua como possibilidade de compreender a realidade circundante. Tempo. O estudo do material linguístico deixado pelos gregos permitiu aos linguistas a depreensão do modo através do qual esse povo realizou os seus estudos acerca da linguagem. e sua análise do grego (koiné) se volta à Fonética e à Morfologia principalmente. Dessa forma. denominaram o modelo aplicado nessas análises de modelo de Palavra e Paradigma. p.” (ROSA. categoria costuma manter o significado de conjunto de propriedades que se associam a determinada parte do discurso como Caso. Há. inclusive. Gênero. A sintaxe está contemplada na obra de Apolônio Díscolo.92). Aspecto. os lingüistas questionaram a noção de palavra. O interesse pela Filosofia acarretou o interesse pela linguagem. 9 . Número. aparece a Técnica Gramatical de Dionísio da Trácia.. 1994. É importante lembrar que “Nos trabalhos sobre morfologia. 2000.21). Essas possibilidades de variação de uma palavra eram entendidas como o seu paradigma. na configuração própria do infinitivo. C. (LAROCA.. Voz.. Nessa perspectiva. Modo. pois. Somente por volta de 170 a 90 a. Vejamos um exemplo. Pessoa. foram os gregos os primeiros a investigar a linguagem. a afirmação de que os “critérios têm suas limitações. uma palavra.Palavra e modelos linguísticos Aula Compreender as diferentes acepções de palavra implica uma retrospecção relativa às reflexões sobre a linguagem no mundo ocidental e uma síntese de modelos de análise linguística. e todas as formas flexionadas a ela relacionadas – que constituem a sua conjunção – seriam consideradas o seu paradigma. como vocês devem ter tomado conhecimento no curso de Linguística. 1 UM POUCO DE HISTÓRIA No Ocidente. não podendo ser aplicados automaticamente”. utilizando-nos da classe dos verbos da língua portuguesa: um verbo como ‘amar’ seria considerado. acreditavam os gregos que a sua língua (o grego falado em Atenas) refletia a realidade. DECLÍNIO DA IMPORTÂNCIA DA PALAVRA No início do século XX. alegando a falta de uniformidade de critérios relativos à sua definição. p. Esse modelo de análise ainda hoje é adotado em grande parte das nossas gramáticas escolares. Essa obra apresenta relativa independência no tocante à Filosofia. O MODELO DE PALAVRA E PARADIGMA Esse modelo acarretou análises centradas na palavra e nas variações por ela sofridas no sentido de expressar as diversas categorias gramaticais.

uma só palavra fonológica. numa perspectiva fonético-fonológica. Vimos assim. já que “No nível fonológico. referente às categorias gramaticais da pessoa e do número (primeira pessoa do singular). Em posição postônica. Assim. Na perspectiva das dificuldades encontradas relativas à definição de palavra. quantas palavras é possível depreender? A resposta a essa pergunta vai depender da ótica adotada na segmentação da frase. o grau de tonicidade 1 às sílabas átonas pretônicas ‘en’ e ‘´con’ e o grau 0 à sílaba átona final – o ‘o’ enclítico -. p. Retomando a frase ‘Encontrei-o’. como vimos. Temos. da qual se depreendem as propriedades de masculino e de singular. encontramos uma única palavra. O verbo é depreendido através das suas propriedades morfológicas: a marca {-i}. ÓTICA SINTÁTICA 10 . na frase estudada. cabe a indagação seguinte: Em uma frase como ‘Encontrei-o’. Conforme Mattoso Câmara. que. A perspectiva morfossintática. pronunciado como uma sílaba átona final.Língua Portuguesa II Maria Nazaré de Carvalho Laroca Mestra em Linguística e Filologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É professora aposentada da Universidade Federal de Juiz de Fora. é um caminho no sentido de definir e de delimitar a palavra. como pretônicas. ÓTICA FONÉTICO–FONOLÓGICA Como vocês observaram. as sílabas ‘en’ e ‘con’. A análise morfológica vai aí depreender duas palavras distintas: um verbo e um pronome. o chamado vocábulo fonológico corresponde a uma divisão intermediária entre a sílaba e o grupo de força”. O pronome é reconhecido morfologicamente. por manifestarse na forma ‘o’. chegaremos à seguinte pauta acentual: 1130. as sílabas pronunciadas como um todo. Retomemos a frase ‘Encontrei-o’. 1994. referentes às categorias gramaticais do gênero e do número. encaminha análises cujos resultados divergem daqueles apresentados pela Fonologia. constituem um só vocábulo.22). (LAROCA. Essa pauta é condizente com a palavra fonológica. temos o ‘o’ (pronome pessoal do caso oblíquo) evidentemente em posição enclítica. nela detectamos apenas uma silaba tônica ‘trei’. se atribuirmos o grau 3 de tonicidade à sílaba tônica ‘trei’. ÓTICA MORFOLÓGICA A análise fonético-fonológica. ao estudar a disciplina Fonologia da Língua Portuguesa. por sua vez. é possível a depreensão de vocábulos ou palavras segundo critérios fonético-fonológicos. no sentido de se apoiarem em uma única silaba tônica.

Tomemos a frase ‘Encontrei-o’. Assim. . Assim. 11 . na frase ‘Encontrei-o’. no sentido de mudarem de lugar na frase.Você encontrou o livro? . um vocábulo formal que é uma forma livre. Na frase examinada. depreendemos dois vocábulos formais: a forma livre ‘Encontrei’ e a forma dependente ‘o’. A depreensão dessas unidades se mostra claramente pela técnica de pergunta e resposta. Esse modo de reconhecer verbos é congruente com a afirmação de que “apenas verbos articulamse com os pronomes do caso reto”.Palavra e modelos linguísticos Aula Nessa perspectiva. . percebemos que sua conceituação e consequente depreensão dependem do ponto de vista adotado pelo estudioso. apresentam possibilidade de permutação. p. ao analisarmos a construção ‘Encontrei-o’.Eu encontrei-o. embora destituídos de autonomia comunicativa (formas dependentes). em razão da sua função de substituição (substitui qualquer nome masculino e singular) e é considerado do ‘caso oblíquo’ por não exercer a função de sujeito e sim a de complemento verbal (objeto direto). Voltando ao conceito de palavra. 20). reconhecemos ‘Encontrei’ como uma unidade com autonomia comunicativa. o verbo ‘Encontrei’ é reconhecido por relacionarse com o pronome pessoal do caso reto ‘eu’. podemos afirmar que ‘o’ é uma forma dependente. com a presença do pronome pessoal do caso reto ‘eu’. 2004. A propriedade de permutação diz respeito à possibilidade que as formas dependentes têm. (SAUTCHUK. se a frase adquirisse uma feição enfática.Encontrei. pois. obteremos dois vocábulos formais ou mórficos: ‘encontrei’ e ‘o’. Vocábulos formais ou mórficos são unidades com autonomia comunicativa (formas livres) ou vocábulos que. Aplicação da técnica . 1 PROPOSTA DE MATTOSO CÂMARA Conforme o pensamento de Mattoso Câmara. Vejamos o que vêm a ser unidades com autonomia comunicativa: essas unidades são construções lingüísticas que funcionam como frases. Tomando como exemplo ‘Encontrei-o’.Eu o encontrei. poderíamos ter duas possibilidades de construção. o ‘o’ é entendido como pronome.

assim. morfema é uma unidade significativa mínima a que chegamos na segmentação de uma frase e/ou enunciado da língua. Em um verbo como ‘falas’ é possível a depreensão de três morfemas. tempo. No que se refere ao {-s-}. seu reconhecimento como morfema está associado ao fato de ser ele marca de segunda pessoa do singular. utiliza-se de uma nomenclatura mais econômica. nos verbos. mas também estudos fonético-fonológicos. Os monemas foram subcategorizados por Martinet em lexemas – morfemas de significação cultural ou bio-social – e morfemas – monemas de significação gramatical ou linguística. independentemente de sua significação ser cultural ou linguística. três unidades mínimas significativas. Lembrando o que vocês já estudaram em Lingüística. são sempre morfemas lexicais. consoante Martinet). Essa unidade mínima significativa é também chamada de monema. de modo geral. por entender que elas permitem maior clareza. Convém obser var que os radicais. “Um monema é o menor segmento de discurso ao qual se pode atribuir um sentido”. conforme Martinet) {-s} → morfema gramatical (morfema. fundou em 1965 a revista La Linguistique. das de modo. sua condição de morfema decorre do fato de ser ela a vogal temática. Como catedrático de Linguística Geral na Sorbonne. consequentemente. ou seja. -Morfemas (quaisquer unidades mínimas significativas) -Morfemas lexicais (correspondentes aos lexemas de Martinet) -Morfemas gramaticais (correspondentes aos morfemas de Martinet). como ‘fal-’. Convém lembrar que alguns linguistas se utilizam do termo morfema no que respeita às unidades mínimas significativas. A Linguística. Os morfemas estão.13). A técnica de depreensão de morfemas será apresentada na próxima divisão desta aula. segundo Martinet) {-a-} → morfema gramatical (morfema.Língua Portuguesa II André Martinet Linguista francês conhecido internacionalmente. de delimitação da palavra. Preferimos utilizar as expressões morfemas lexicais e morfemas gramaticais. do número (nos nomes) e. número e pessoa. responsável pela noção de primeira conjugação. a serviço do funcionamento da língua. Suas obras contemplam não só problemas relacionados à linguística geral. conforme a convenção utilizada pelos linguistas: {’fal-} → morfema lexical (lexema. 12 . de forma bastante simplificada. O DOMÍNIO DOS MORFEMAS Diante das evidências relativas às dificuldades de conceituação e. exemplos referentes à nomenclatura abordada. representados entre chaves. 1971. p. Tomemos agora. a Linguística do século XX substitui a importância ocupada pela palavra – no modelo de Palavra e Paradigma (PP) pela relevância dada aos morfemas. Vejamos então esses morfemas. a exemplo daqueles que permitem a atualização das categorias gramaticais do gênero. principalmente. (MARTINET. Quanto ao {-a-}.

nesse sentido. já vista por vocês nos cursos de Lingüística e de Língua Portuguesa I. Como já foi dito. em virtude de ser uma forma presa (forma sem autonomia comunicativa e sem possibilidade de locomoção). um morfema.Palavra e modelos linguísticos Aula Relembrado o conceito de morfema. mas ainda no sentido de receber a marca do plural. Essa evidência permite concluir que ‘menin-‘ é um morfema lexical. como vocês já devem ter compreendido. Seguem-se as representações dos morfemas depreendidos. encontraremos a sequência ‘menin-’. Essa sequência. Essa evidência nos permite também responsabilizar o ‘s’ pela noção de plural. esse tipo de significação é sempre conduzido pelos radicais. podemos concluir que o ‘a’. isolado inicialmente. entendida como um morfema zero {Ø}. o que nos autoriza concluir que esse ‘s’ é uma unidade mínima de som e significado. se a sequência ‘menin-‘ for substituída por ‘moç-‘ ou por ‘gat-‘. passemos então ao modelo de Item e Arranjo. A supressão do ‘s’ desse termo acarreta um vazio significativo já que permite a conclusão da noção de singular em relação à categoria gramatical do número. sejam eles nominais ou verbais. ausência significativa. é marca de gênero (feminino) e.. Tomemos. Os morfemas estão a serviço da formação de unidades linguísticas a eles superiores. O morfema {-a} constitui a marca de gênero (feminino). se isolarmos o ‘a’ de ‘menina’. não só no sentido de ocorrer livremente em um enunciado da língua. pois o que nos leva a deduzir de ‘menino’ a noção de masculino é a ausência do ‘a’. como também a detecção dos princípios que determinam a sua combinação em unidades maiores. Voltando agora a nossa atenção à sequência ‘menin-’ com o acréscimo do ‘o’ – ‘menino’ e adotando a perspectiva de Câmara Jr. ou seja. Continuando o processo de segmentação. um termo da língua portuguesa como meninas. nela não encontramos marca de gênero. como exemplo. Ainda em relação a ‘menina’. obteremos formas portadoras de significados lexicais diferentes. receberá um ‘o’ (vogal temática nominal). em oposição ao 13 . {me’nin-} → morfema lexical {-a-} → morfema gramatical {-s} → morfema gramatical O morfema {me’nin-}. um morfema. Dessa forma. 1 MODELO DE ITEM E ARRANJO Esse modelo de análise lingüística inclui não apenas a segmentação dos morfemas. é portador de uma significação biossocial [ser humano em processo de desenvolvimento físico e mental]. através da técnica da comutação.

68). Publicou várias obras nas áreas da Morfologia. Assim. 2000. Assim. Seu trabalho contribui de maneira bastante significativa. por sua vez é a marca de gênero (plural) em oposição ao singular. 1985. a combinação não é aleatória.) como elementos isolados. (ROSA. Exerce o magistério nos programas de graduação e pósgraduação – mestrado e doutorado em Linguística – na Faculdade de Letras dessa Universidade. forma não marcada. os estudiosos passaram a procurar respostas acerca dos processos de formação de palavras acionados pelos falantes e concluem que “Os processos produtivos de formação de palavras (. de induzir. esse arranjo dos morfemas. teremos um substantivo formado a partir desse verbo 14 . (INGEDORE. Esse modelo. os quais podem ser constituídos de (. segundo Maria Carlota Rosa. inclui ainda a explicitação da maneira através da qual esses constituintes se combinam. É livre docente em Análise do Discurso pela Unicamp. o ‘ção’ a um verbo. apesar das recorrências.. por exemplo. as análises concernentes do modelo de Item e Arranjo estão centralizadas na noção de morfema. depreende-se ainda uma ordenação. primeira etapa da análise alicerçada no modelo de Item e Arranjo. É importante dizer que produtividade é a formação de palavras por determinada regra. não considera viável qualquer desses caminhos: “Qualquer dessas soluções é indesejável”. Maria Carlota Rosa RETOMADA DA IMPORTÂNCIA DA PALAVRA Doutora em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. nos padrões nominais da língua portuguesa. 2000. 31). A linguística. uma vez que. Durante as décadas de setenta. Os seus constituintes imediatos são ‘menina’ e o morfema {-s}. no que respeita a ‘meninas’.. principalmente no que respeita à Morfologia. de modo geral. Tem obras publicadas no Brasil e no exterior. corresponde a um dos padrões nominais da língua portuguesa. p.. em relação a ‘meninas’. Um exemplo de regra de formação de palavra seria dizer que. se aplicarmos. Assim. da Sintaxe e da Linguística Textual e do Discurso. (ROSA. É professora titular do Departamento de Linguística do IEL – Unicamp. 1974a. principalmente no campo de Morfologia Derivacional – parte da Morfologia que trata dos processos de formação de palavras. No termo ‘menina’. que é chamada Regra de Formação de Palavra. b) não considerar a atribuição de significado como elemento para considerar ou não uma seqüência como morfema”. já que o morfema que é marca de gênero {-a} ocorre necessariamente após o morfema lexical {me’nin-}. p. de oitenta e de noventa. Até agora.) atuam sobre palavras existentes na língua”. masculino. na atribuição de significado a formas mínimas recorrentes com ‘ceb-’ de ‘receber’ de ‘conceber’ ou ‘-duz’ de conduzir. p. duas possibilidades ocorrem aos linguistas: “a) não considerar tais formas (. forma não marcada. Essa organização. Conforme vimos..) morfema lexical (± vogal temática) + morfemas flexionais”. 85). ou seja.. p. consideramos os seus morfemas. há a exigência de que a marca de número esteja após a marca de gênero. Os estudiosos detectaram obstáculos. E podemos ainda dizer que “temse condições para determinar a estrutura dos vocábulos em português.. (BASÍLIO. 68). foram detectadas dificuldades relativas à depreensão de morfemas. O morfema {-s}.Língua Portuguesa II Ingedore Grunfeld Villaça koch Mestre e doutora em Língua Portuguesa pela PUC – SP. os seus padrões estruturais.

É mestre em Linguística pela mesma Universidade. desenvolvido pelos gregos. (LAROCA. deve ser apresentado em letras caixa-alta. Esse novo interesse acarretou uma nova acepção de palavra. A representação da palavra léxica ou lexema. Essa nova compreensão de palavra a entende como “uma unidade abstrata do léxico”. 1994. por exemplo. Convém esclarecer que a palavra léxica ou lexema difere. p. corresponde à forma do infinitivo impessoal. no tocante aos verbos.88). e.23). na língua portuguesa. Vejamos um exemplo. ou seja. (ROSA. por exemplo. como qualquer outro lexema. Sua produção. 1 Margarida Basílio Graduada em Letras Clássicas pela Universidade Católica do Rio de Janeiro. o léxico é entendido como “o conjunto de palavras que está disponível para a atuação das regras da morfologia”. do emprego do infinitivo impessoal. pois inclui todas as possibilidades relacionadas a esse lexema no que respeita às propriedades morfossintáticas a ele relacionadas. Atualmente é professora Adjunta (inativa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 15 . já que não se tem conhecimento de distinção entre a palavra entendida como possibilidade e a palavra atualizada. Vejam vocês que as atenções se voltam agora à palavra. a noção de palavra não atinge esse nível de abstração. na área de Linguística.Palavra e modelos linguísticos Aula mais o sufixo considerado. Em relação à frase exemplificada. que ocorre. As palavras léxicas. posta em enunciados orais ou escritos. 2000.ção’ → educação. na frase seguinte: Amar é a salvação da humanidade. p. No que respeita aos processos de formação de palavras. estão incluídas no conhecimento que o falante tem de sua língua. também chamadas de lexemas (conceito diferente daquele referente ao lexema de Martinet). o lexema verbal é assim representado: AMAR. deve ter havido a aplicação da regra considerada no que concerne à palavra educação. Em determinado momento. Um lexema como VENDER (os lexemas são representados em caixa alta) é uma abstração. Austin. É doutora em Linguística pela University of Texas At. se destaca na Morfologia. No modelo de Paradigma e Palavra. ‘educar + .

na ótica fonético-fonológica. Vale acrescentar que o domínio dos termos mais usuais da nomenclatura da linguística. houve o aprimoramento das análises lingüísticas que se sustentaram no modelo de Palavra e Paradigma. Dessa forma se compreende o fato de os morfemas terem substituído a palavra nas investigações linguísticas e a consequente adoção de modelo de Item e Arranjo neles concentrado. dificuldades relativas à depreensão de morfemas implicaram o redimensionamento do conceito de morfema. as reflexões sobre a linguagem surgiram na Grécia. Já as análises do Prof. Inicialmente tais indagações estavam imbricadas na Filosofia. sem o domínio desses conceitos. milênios a. aqueles mais utilizados no que se refere às diferentes propostas de análise da língua (portuguesa) são fundamentais. com a relativa independência dos estudos sobre a linguagem. RESUMO No Ocidente. permitiram a depreensão do vocábulo formal ou mórfico. Mattoso Câmara. Esse redimensionamento suprime do morfema a importância que lhe era dada na análise morfológica. Nas três últimas décadas do século XX. Nesse sentido. o entendimento de textos sobre a estrutura e funcionamento da língua ficará muito comprometido e não atingirá os objetivos previstos nos cursos de nível superior. 16 . Esse modelo ainda persiste em grande parte das nossas gramáticas escolares. na vertente morfossintática da língua. As inconsistências desse modelo. ou seja. C. explicam uma interseção no que respeita ao desenvolvimento dos métodos da linguística e às possibilidades de análise referentes à sua estrutura morfossintática. Posteriormente. pois.Língua Portuguesa II CONCLUSÃO Os estudos avançados de Língua Portuguesa. os lingüistas puderam depreender a palavra fonológica. principalmente no que se refere à definição de palavra. segundo princípios do estruturalismo americano. são questionadas.

n) A depreensão da palavra fonológica é possível graças ao desenvolvimento da ___________________. b) Inicialmente. d) O modelo de _____________________ é depreendido das análises linguísticas feitas pelos gregos. p) Os vocábulos mórficos ou formais se dividem em _______________ e formas dependentes.Palavra e modelos linguísticos Aula ATIVIDADES 1. 1 17 . os estudos sobre a linguagem feitos pelos gregos eram dependentes da _____________. s) No vocábulo ‘gatos’ existem ___________ morfemas. t) As dificuldades relativas à depressão dos morfemas foram levantadas pela __________________________. r) Uma palavra fonológica apresenta uma _________________ tônica. k) Para Martinet. o) Sequências linguísticas sem _____________________ mas dotadas da possibilidade de locomoção são chamadas de ______________________. de modo geral. j) Os monemas portadores de significação cultural são chamados de ____________por André Martinet. q) Os linguistas chamam de ________________ à técnica de depreensão dos morfemas. __________________ correspondem aos lexemas de André Martinet. no mundo ocidental. u) A formação de palavras por determinada regra é chamada de __________________. i) O modelo de Item e Arranjo está centrado no __________. g) O modelo de _________ e __________ substitui o modelo de Palavra e Paradigma. m) As dificuldades relativas à univocidade do conceito de _____________ permitiram a ascensão dos ___________. v) Palavra léxica é uma unidade _____________ do léxico. h) Os _______________ são as unidades mínimas significativas. e) No modelo grego. Complete as lacunas: a) As primeiras reflexões sobre a linguagem. l) Para os linguistas. _____________ são monemas de significação gramatical. a conjugação de um verbo era considerada o seu ____________________. f) No paradigma verbal se manifestavam as _____________. ocorreram na ____________. c) A gramática de Dionísio da Trácia inclui estudos de fonética e de _______________.

(PESSOA. IV) Justifique sua resposta..) (PESSOA. há ____________ palavras fonológicas. 3. Leve. Estabeleça diferença entre palavra fonológica e forma livre. 5. 1987: 383). III) Transcreva três palavras fonológicas que são também vocábulos formais ou mórficos.. 18 . 1987: 74). breve. Qual a diferença entre a noção de palavra adotada no modelo de Palavra e Paradigma e aquela referente à morfologia derivacional? 4. II) Transcreva duas palavras fonológicas que não constituem vocábulos formais ou mórficos. “Já não vivi em vão. Já escrevi bem Uma canção”. suave.Língua Portuguesa II 2. I) Nesse trecho. I) Sublinhe os verbos da passagem transcrita. II) Estabeleça possíveis relações entre esses verbos e o conceito de palavra léxica ou lexema. Um canto de ave Sobe no ar (.

Petrópolis: Vozes. ROSA. MARTINET. Estruturas lexicais do Português. 2 ed. 1 REFERÊNCIAS BASÍLIO. LAROCA. Margarida. Manual de morfologia do Português. 1994. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. São Paulo: Cortez. Introdução à morfologia. de S. Maria Carlota. 1980. 1985. Nesta mesma aula. SILVA. estudaremos também a palavra morfossintática. Lingüística aplicada ao Português: morfologia. 1971. A lingüística sincrônica. Juiz de Fora. André. Ingedore V. São Paulo: Contexto. 2000. uma abordagem gerativa. UFJF.. Maria Nazaré de Carvalho. KOCH. Pontes. Maria Cecília P. Campinas. 19 .Palavra e modelos linguísticos Aula PRÓXIMA AULA Retomaremos e desenvolveremos o estudo da palavra léxica na aula seguinte.

gettyimages. (Fonte: http://www. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. OBJETIVOS Ao final desta aula. .com). descrever os itens lexicais que compõem o léxico da língua portuguesa.Aula LEXEMA E A PALAVRA MORFOSSINTÁTICA 2 META Desenvolver o estudo do lexema e da palavra morfossintática. analisar e descrever a estrutura morfossintática das palavras morfossintáticas relacionadas a lexemas substantivos e lexemas adjetivos. estabelecer as devidas diferenças entre lexema ou palavra léxica e a palavra morfossintática. o aluno deverá: estabelecer as diferenças devidas entre a teoria padrão da Gramática Gerativo–Transformacional e a Hipótese Lexicalista.

São as palavras léxicas as responsáveis pelas principais formas através das quais as diversas línguas recortam o real (inatingível) e compõem a sua realidade. já que aponta para a forma que as palavras apresentam nos diversos enunciados em que ocorrem. Veremos os lexemas e as relações mantidas entre eles na organização que constitui o léxico da língua. Por outro lado. Quanto à palavra morfossintática. estudaremos a palavra morfossintática e as propriedades a ela relacionadas. (Fonte: vidacheiadecoisas. entidade também abstrata.com). perde ela um pouco de abstração em relação ao lexema. vamos aprofundar o estudo da palavra léxica ou lexema e estudar a palavra morfossintática. 22 . nesta nossa segunda aula. propriedades essas exigidas pelas regras de construção da frase.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Inestimável aluno: Conforme anunciamos ao finalizar a aula passada.wordpress.

seguem-se exemplos: V = verbo. assim como no estruturalismo. nos seus princípios concernentes à chamada teoria padrão. Na gramática tradicional.mentoS → prolongamentoN QuestionarV + . Para melhor entendimento dessa parte da aula. 198o. lembramos a posição da gramática tradicional. podemos dizer que a morfologia derivacional é a parte da gramática que dá conta da competência do falante nativo no léxico de sua língua. uma lista de palavras acompanhadas dos respectivos significados. do estruturalismo e do gerativismo no que respeita aos processos de formação de palavras nas línguas naturais. Numa abordagem gerativa.O lexema e a palavra morfossintática Aula A palavra léxica e a palavra morfossintática são entidades distintas. 2 Dessa forma. S = sufixo. aprofundamento. p.çãoS → educaçãoN Assim. O léxico de uma língua é entendido. constatação e educação – formas nominalizadas ou nominalizações – ocorreriam nas estruturas superficiais das frases. Os linguistas gerativistas se deram conta de que alguns casos de derivação implicavam a inclusão de um componente morfológico na sua pro- 23 . Assim. prolongamento. 7). (BASÍLIO.çãoS → constataçãoN EducarV + . seriam explicados pela aplicação de uma regra sintática. vocês devem retomar as noções básicas da Gramática Gerativo– Transformacional. como um espaço de vitalidade. N = nome AprofundarV + . necessárias se tornam algumas considerações acerca dos posicionamentos teóricos que permitiram a formação desses conceitos. no qual regras são atualizadas no sentido de criar novas palavras. A compreensão necessária dos conceitos de palavra léxica ou lexema e de palavra morfossintática acarreta um percurso pela gramática Gerativo– Transformacional. questionamento. Nesse sentido. a morfologia derivacional é definida como a parte da gramática da língua que descreve a formação e estrutura das palavras. Desse processo chamado de nominalização. o léxico de uma língua não pode ser compreendido como um rol. A teoria linguística chamada de gramática Gerativo–Transformacional. provavelmente vistas na disciplina Linguística.mentoS → aprofundamentoN ProlongarV + . então.mentoS → questionamentoN ConstatarV + . Para compreender melhor as diferenças entre elas. os substantivos terminados pelo sufixo ‘-mento’. afirma que as palavras de uma língua são geradas por regras sintáticas. por exemplo.

Nesse sentido. gato. conforme o pensamento de Basílio (1980. participar. alunos–professores ou futuros professores. “. 9). vinte. isto é. cedo. Assim. p. 1999: 35). e. ENTRADAS LEXICAIS LIVRES LEXEMAS Puros – mar. posta de gramática. calmo. 35).. a competência lexical de um falante nativo inclui: “a) o conhecimento de uma lista de entradas lexicais. através de regras morfológicas que operam dentro do componente lexical”. Vejamos agora. (ROCHA. segue-se um esquema de Rocha (1999.eletrônica. assim como as relações entre os vários itens. sempre Complexos – simples: livreiro. É também professor de Linguística dos cursos de pós-graduação dessa mesma faculdade. conclui que certos nominais derivados não podem ser criados através de transformações a partir de um verbo na estrutura profunda e propõe. p. correspondente a essa posição de Chomsky. É mestre pela UFMG e doutor pela UFRJ. podemos dizer que item lexical ou entrada lexical “é uma forma lingistica que o falante conhece ou utiliza. É importante aqui que nos atenhamos na compreensão de competência lexical. 19). (ROCHA. rejeitar as agramaticais”. 63). um tratamento “lexical” para tais verbos. c) o conhecimento subjacente à capacidade de formar entradas lexicais novas.Língua Portuguesa II Luiz Carlos de Assis Rocha Professor de Língua Portuguesa dos cursos de graduação da Faculdade de Letras da UFMG. café. b) o conhecimento da estrutura interna dos itens lexicais. Luiz Carlos de Assis Rocha nos diz que (CHOMSKY. em vez disso. p. segundo. Para uma melhor compreensão no que se refere às entradas lexicais. o Prof. ITEM LEXICAL OU ENTRADA LEXICAL De forma bastante simplificada. HIPÓTESE LEXICALISTA Chegamos assim. livro. A relação das entradas lexicais constitui o léxico de uma língua”. biologia 24 . naturalmente.. à chamada Hipótese Lexicalista. p. o conceito de item lexical ou entrada lexical. varrer. secretária. Esse tipo de competência corresponde ao conhecimento que o falante nativo possui do léxico da sua língua. reler. apud SCALISE. 1984. 1999. esclarecer compostos: guarda-roupa.

a sequência ‘guarda-roupa’. além da evidência de nele não existir mais que um morfema lexical. No que respeita às formas dependentes. isto. temos. Os complexos subdividemse em simples e compostos: os simples incluem formas com prefixo. Quanto aos vocábulos dêiticos. -ice. anda-va-s. os pronomes retos de primeira e de segunda pessoa. Dentre os exemplos do esquema. ouv-i-r Conforme vocês devem ter observado. convém relembrá-las através do conceito seguinte: 25 . hidro-. gal-o verbais – par-a-r. Os lexemas puros são aqueles que não apresentam afixo (prefixo ou sufixo) e que apresentam apenas um morfema lexical. hort-a. pont-e. algum. tomemos o termo ‘gato’. encontra-se o sufixo ‘-eir(o)’. -ec(er) nominais – livro-s. -log(ia). -latr(ia) prefixos – re-. temos as formas linguísticas para indicar as pessoas do discurso e relações espaciais no que tange a essas pessoas. aqui. comumente apresentada nas nossas gramáticas como palavra composta. -it(ar). in-. as entradas lexicais livres correspondem aos lexemas que se dividem em puros e complexos. uma PRESAS Bases Afixos Desinências hipo-. nosso. demonstrativos. advérbios. lá 2 DEPENDENTES de. o que autoriza a sua classificação como lexema complexo simples. conforme a classificação tradicional das classes de palavras como dêiticos. Vejam que. que. bonit-a verbais – caminha-mos. risonh-o. o. para. ou com prefixo e sufixo ao mesmo tempo. des-. gat-o. intersufixos – ção. -agem. alegre-s. Já em ‘livreiro’. ouvi-ndo.O lexema e a palavra morfossintática Aula VOCÁBULOS DÊITICOS eu. argumenta-r Vogais temáticas nominais – livr-o. eco-. não há nem prefixo nem sufixo. possui dois morfemas lexicais e corresponde ao que o esquema categoriza como lexema complexo composto. Por sua vez. nesse termo. consideradas na aula passada. Nesse sentido. ou com sufixo. venc-e-r. embora.

1992. classes que. como um novo membro da classe dos lexemas adjetivos. p. os lexemas básicos da língua portuguesa são substantivos. vocês já devem ter percebido que Léxico e Morfologia interagem. cremos o seu reconhecimento não causar problemas a vocês. (CÂMARA. Em determinado momento da nossa história. Esperamos que vocês tenham compreendido o conceito de lexema. mas também não é presa. portanto. 88). Lexemas se caracterizam por estarem incluídos em classes abertas. 2000.. como entradas lexicais dependentes. 70). 2000. os linguístas assim dividem a morfologia: morfologia flexional e morfologia lexical. 88). ou seja. LEXEMAS OU ENTRADAS LEXICAIS Segundo Inez Sautchuk. uma definição de morfologia. temos as nossas conhecidas preposições. na ótica sincrônica. Quanto às entradas lexicais presas correspondentes aos afixos.tica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. com a estrutura interna das palavras complexas fundamentais de uma língua” (ROSA. 26 . Assim. Foi o pioneiro do estruturalismo e da Linguística no Brasil.) possibilidades para se disjungir da forma livre a que se acha ligada. p. Essas entradas situam-se entre os morfemas gramaticais da língua. A pronúncia foi consequência de um processo cognitivo que acionou regras de formação de palavras. MexerV + velSuf → mexívelA IPref + mexívelA → imexívelA Esse lexema complexo simples resultante foi atualizado no discurso do ministro. existem as bases (os conhecidos radicais de origem grega ou latina). um Ministro de Estado usou a palavra imexível em um seu pronunciamento. é assim apresentada: “A morfologia lida. Foi professor de Linguís.. Especializou-se em Linguística (latina e neo-latina) na Universidade do Distrito Federal. porque é suscetível de (. (ROSA. verbos e alguns advérbios. a depender da aceitação dos seus utentes. podem admitir novos membros. às desinências nominais e verbais.Língua Portuguesa II Joaquim Mattoso Câmara Júnior Nasceu em 1904. Nesse sentido. Fez vários cursos de Linguística nos Estados Unidos. adjetivos. De modo geral. Nessa perspectiva. conjunções e os artigos. segundo esta visão. Esses novos membros decorrem sobremaneira dos processos de formação de palavras. Essas sequências linguísticas são chamadas de base pelo fato de serem recorrentes em lexemas compostos. segundo Aronoff & Anshen. p. Dentre as entradas lexicais presas. O novo lexema criado pode incorporar-se ao léxico da língua. Conceitua-se assim uma forma que não é livre porque não pode funcionar isoladamente como comunicação suficiente. palavra potencial que pertence ao léxico já que “O léxico representa o conjunto de palavras que está disponível para a atuação das regras da morfologia”. Publicou várias obras. Dentre outros cursos. referentes à derivação sufixal e prefixal. Foi professor visitante de História da Linguística e Estrutura do Português no Instituto Linguístico de Verão em Washington. fez o doutorado em letras clássicas na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.

) presentes numa palavra morfossintática. É importante lembrar que lexemas. terão de ser levadas em conta pela sintaxe”. pertencentes a paradigmas diferentes.25). Atenção à frase seguinte: José é um vendedor. Essa definição será melhor compreendida no estudo específico da palavra morfossintática. nessa frase. nesse sentido. (ROSA. Se. Essas possibilidades de variação. p. CANTADOR. como tal. assim. comprovam ser lexemas distintos. já que são formas derivadas destas últimas palavras léxicas. antecedida de traço: . ao se atualizar.O lexema e a palavra morfossintática Aula A morfologia flexional diz respeito “às categorias (. teremos a seguinte frase inaceitável e.José é um vender. A morfologia lexical se volta para a estrutura dos lexemas complexos. no sentido de incorporar as propriedades morfossintáticas referentes à organização das mais diversas frases da língua. É imprescindível também aqui que vocês entendam que todo lexema possui o seu paradigma. Esse paradigma é constituído por todas as possibilidades de variação do lexema. não podendo. ocupar a mesma posição em um determinado enunciado. FRIO e DELICADO. é chamada de palavra morfossintática. substituirmos ‘vendedor’ por ‘vender’. Vejamos os exemplos: VENDER – VENDEDOR CANTAR – CANTADOR FRIO – FRIEZA DELICADO – DELICADEZA Essas palavras constituem lexemas distintos embora regras morfológicas – regras derivacionais – estabeleçam relações entre elas. CANTAR. 2000. esse ramo da morfologia trata da relação existente entre lexemas relacionados através do processo da derivação e. FRIEZA e DELICADEZA estão relacionados a VENDER. Os lexemas VENDEDOR. Vejam ainda a impossibilidade de substituição de ‘frio’ por ‘frieza’ no exemplo seguinte: 2 27 .. Passemos à exemplificação. como já dissemos. Dessa forma. incorporam as propriedades morfossintáticas e. conceito que será retomado ainda nesta aula. cada uma delas.. para os processos através dos quais esses lexemas ou palavras léxicas são formadas.

“O lexema é uma palavra considerada como unidade abstrata”. Convém estabelecer diferença entre propriedade morfossintática e categoria morfossintática. (ROSA. à palavra como virtualidade. ou seja. as noções de número e de pessoa referentes ao lexema verbal. reportamo-nos ao lexema da língua. Quando nos voltamos às possibilidades de manifestação desse lexema. a categoria morfossintática do gênero se manifesta através da oposição entre o morfema {-a} (marca da propriedade morfossintática do feminino) e o morfema {Ø} (ausência de marcas com valor significativo) referente à propriedade morfossintática de masculino. PALAVRA MORFOSSINTÁTICA Como já temos observado bastante tanto na primeira. consequentemente. A categoria de número apresenta as propriedades morfossintáticas de singular e plural. conforme os exemplos seguintes: menino Ø – menina moço Ø – moça gato Ø – gata pato Ø – pata 28 . em português. constituem categorias morfossintáticas. quando queremos nos referir à palavra em potencial. a categoria da pessoa manifesta-se através das propriedades morfossintáticas de 1a. p.O dia está frieza. 83). Encontrando um contexto em que a substituição de uma forma morfossintática por outra não seja possível. que caracterizam a palavra morfossintática. (ROSA. 83). Essas evidências são provas de que VENDER. VENDEDOR. p. A expressão categoria morfossintática diz respeito às “noções relacionadas a essas propriedades. de informações acerca das flexões possíveis referentes a seu paradigma. estamos a nos referir às propriedades morfossintáticas. 2000. mas mutuamente exclusivas. . FRIO e FRIEZA constituem lexemas distintos. 2000. que se aplicam a uma dada classe”.Língua Portuguesa II O dia está frio. 2a e 3a pessoas relativas ao singular e ao plural. quanto nesta segunda aula. Assim. pertencem a lexemas distintos. concluímos que essas formas pertencem a paradigmas diferentes e. Por sua vez. Nesse sentido. o que implica o lexema acrescido de informações morfossintáticas. Em relação aos lexemas substantivos relacionados a seres sexuados.

p. Ao tratarmos do gênero. nem todos recebem uma marca morfológica de gênero. podemos aceitar que.5% a seres sexuados. Por outro lado. O que importa nesta aula é deixar claro que os lexemas substantivos incorporam no seu paradigma palavras morfossintáticas com propriedades morfossintáticas de masculino. vamos considerar a categoria do número em português.O lexema e a palavra morfossintática Aula O fonema /o/. homem. o singular é a forma não marcada e o plural é a forma marcada com o ‘s’. Em todos eles. pronunciado [u] constitui a vogal temática nominal. Mesmo assim. Nesse sentido. considerada um item lexical preso no que respeita às entradas lexicais existentes no léxico da língua. esse processo morfológico exemplificado. nesta aula. o gênero está explicitado pelos seus determinantes. convém salientar que conforme “pesquisas já realizadas (ROCHA. em língua portuguesa. o nosso objetivo é mostrar as diferenças entre o lexema e o seu paradigma constituído pelas palavras morfossintáticas. 95. selvagem. no que respeita a essa categoria. independentemente da explicitação morfológica concernente aos seres sexuados. de feminino.” (ROCHA. Essa categoria é de grande amplitude em português. estudarmos exaustivamente a categoria do gênero.5%. uma vez que esse estudo deve ter sido feito na disciplina Língua Portuguesa I. Seguem-se exemplos: O pente O telegrama A mesa A lente Em todos esses exemplos. é o determinante (artigos definidos) o responsável pela explicitação do gênero.5% dos substantivos referem-se a seres não-sexuados e 4. cônjuge. Entretanto. a categoria do gênero é uma categoria sintática. etc. é importante lembrar que “todo substantivo pertence ou ao gênero masculino ou ao gênero feminino”. Com esse objetivo. 1981). Não é nosso propósito. Conforme já dissemos. 1999. Nesse sentido. como criança. que. Assim. de singular e de plural. podemos dizer.196). Assim. (IDEM). jacaré. diz respeito a uma parte não-significante dos substantivos. temos a seguinte representação: Categoria morfossintática do número {Ø} {-S } 2 29 . pois apenas um percentual muito pequeno de palavras da língua não apresenta as propriedades morfossintáticas de singular e de plural. desses 4. substantivos referentes a seres sexuados.

Voltemos. Esses lexemas não se referem a seres sexuados. Os lexemas CASA e CADEIRA só apresentam duas palavras morfossintáticas – referentes à categoria do número – já que a categoria do gênero escapa às regras morfológicas. palavras morfossintáticas com a propriedade morfossintática do singular e do plural e com a propriedade morfossintática do masculino ou do feminino. no sentido da exemplificação. situam-se num nível abstrato. aos conceitos de lexema e de palavras morfossintática. pois a sua explicitação é sintática. ou seja. A abstração 30 .Língua Portuguesa II As propriedades morfossintáticas do singular e plural decorrem da oposição entre o morfema zero e o morfema {-s}. o lexema acrescido das chamadas propriedades morfossintáticas. logo. Cabe ainda lembrar que essas palavras morfossintáticas. no que respeita aos lexemas substantivos referentes a seres sexuados. Observem os seguintes exemplos: pratoØ – pratos camisaØ – camisas elefanteØ – elefantes Exemplos como ‘luz’ – ‘luzes’. acrescentando-lhes o seu paradigma. O que importa nesta aula é deixar claro que os lexemas substantivos incorporam. em seu paradigma. como ocorrem com todas as palavras morfossintáticas. MENINO menino menina meninos meninas CASA casa casas CADEIRA cadeira cadeiras Apenas o paradigma do lexema MENINO inclui quatro palavras morfossintáticas. já que esse lexema. conforme vimos. ‘leão’ – ‘leões’ e outros semelhantes devem ter sido analisados por vocês durante o curso da disciplina Língua Portuguesa I. Vejamos as palavras em caixa alta. representações de lexemas: MENINO – CASA – CADEIRA Agora. por estar associado de forma extralinguística a um ser sexuado. apresenta as propriedades morfossintáticas referentes às categorias do gênero e do número. embora o conceito de lexema atinja uma abstração maior. então. retomemos esses mesmos lexemas.

conforme as frases seguintes: A menina bonita. (Modo). A manifestação dessas categorias se dá através da informação das propriedades morfossintáticas a elas relacionadas: Indicativo. no que respeita ao modo indicativo e ao passado imperfeito. em todas essas representações das palavras morfossintáticas. Nessas frases. no que respeita às chamadas partes do discurso. O seu paradigma. como as gramáticas afirmam. do tempo. a depreensão de verbos através de critérios morfológicos. Passado e Futuro (Tempo). de forma generalizada. as marcas de gênero e de número presentes em ‘bonita’ e ‘bonitas’ correspondem a exigências sintáticas de frase. Presente. 2 O LEXEMA VERBO O lexema verbo constitui uma classe de palavra. em língua portuguesa. da pessoa. se expressam através de morfemas gramaticais ou gramemas dependentes. Singular e Plural (Número). há o morfema gramatical {-va} que se manifesta através dos alomorfes{-va} e {-ve}. a manifestação das categorias morfossintáticas do modo. tanto a categoria do gênero quanto a do número se manifestam através do procedimento sintático da concordância. Primeira. Essas noções. Tomemos um lexema verbal como AMAR. O morfema {-va} é responsável pelas propriedades morfossintáticas de indicativo e de passado ou pretérito imperfeito concernente às categorias morfossintáticas do 31 . Imperativo. No que respeita aos nomes adjetivos. É possível. Subjuntivo. do número. Segunda e Terceira (Pessoa).O lexema e a palavra morfossintática Aula das palavras morfossintáticas justifica-se pelo fato de elas constituírem possibilidades em relação ao lexema. uma vez as palavras morfossintáticas pertencentes aos mais diversos paradigmas incluem. As meninas bonitas. pode assim ser representado: AMAR amava amavas Paradigma amava amávamos amáveis amavam lexema Como vocês podem observar. O fenômeno da alomorfia deve ter sido visto na Língua Portuguesa I ou na Linguística.

escrito ‘-m’ estão a serviço do plural no que respeita à segunda pessoa e à terceira pessoa. palavra morfossintática e vocábulo formal ou mórfico. é chamado de morfema cumulativo.Língua Portuguesa II modo e do tempo. respectivamente. Os verbos tais quais ocorrem nas frases e/ou enunciados da língua correspondem ao conceito de vocábulo formal ou mórfico apresentado na aula passada. Vocês devem ter observado que as categorias gramaticais do número e da pessoa também se manifestam através de morfemas cumulativos. Convém lembrar a vocês que as categorias do modo (indicativo) e do tempo (passado imperfeito) nos serviram de exemplo de paradigma em relação ao lexema verbal. servem-se do {-s} em relação à segunda pessoa. Lexemas (abstração maior) Palavras morfossintáticas (abstração menor) Vocábulo formal ou mórfico (aspecto concreto) 32 . As propriedades morfossintáticas referentes às categorias morfossintáticas do número e da pessoa. em relação ao plural e à primeira pessoa. As propriedades morfossintáticas concernentes ao plural e as diferentes pessoas assim se expressam: {mos}. e do morfema zero {-Ø} no que respeita à primeira e à terceira pessoas. Esse conceito também diz respeito aos substantivos e aos adjetivos. O morfema que porta propriedades morfossintáticas referentes a mais de uma categoria morfossintática. Talvez o gráfico que se segue os ajude a fixar as diferenças entre lexema ou palavra léxica. como vocês já devem ter visto em Linguística e em Língua Portuguesa I. Assim. no que concerne ao singular. o morfema {-va} é um morfema cumulativo. {-is} e {-n}. O paradigma completo de um verbo corresponde a toda a sua conjugação.

de palavra morfossintática e à compreensão da estrutura da palavra morfossintática em língua portuguesa. do tempo. virtuais. Em relação aos substantivos e adjetivos da língua portuguesa. do número e da pessoa. A palavra morfossintática corresponde ao lexema acrescido das suas propriedades morfossintáticas. Conhecer os princípios do estruturalismo linguístico da Gramática Gerativo-Transformacional e da sua direção no que respeita à Hipótese Lexicalista é processo indispensável ao entendimento dos conceitos de Lexema ou palavra léxica. É essa crítica a mola propulsora do conhecimento científico. cuidamos das categorias do modo. tratamos das categorias do gênero e do número. De outro modo. encontram-se os lexemas. Dessa forma. O léxico é. Essas propriedades dizem respeito às diferentes categorias morfossintáticas próprias das diferentes línguas naturais. 33 .O lexema e a palavra morfossintática Aula CONCLUSÃO Conhecer diferentes teorias que sustentam as análises diversas que se fazem de um objeto de conhecimento é de fundamental importância não só para o entendimento das análises. entendido como um conjunto de entradas lexicais ou itens lexicais a ser acionados pelas regras do componente morfológico. Dentre as entradas lexicais. 2 RESUMO Os conceitos de palavra léxica ou lexema e de palavra morfossintática decorrem principalmente da posição de Chomsky em relação às nominalizações. à disposição dos utentes da língua não só no sentido da formação de frases e/ou enunciadas através da atualização das palavras morfossintáticas como também no sentido da formação de novos lexemas. mas também no sentido de promover uma apreciação crítica. Já em relação aos lexemas verbais. então. o que culminou na Hipótese Lexicalista. potenciais. palavras abstratas. professores não se podem furtar de acompanhar as diferentes perspectivas teóricas que sustentam as diversas abordagens feitas a respeito do objeto de estudo da sua disciplina. a gramática foi acrescida de um componente morfológico em constante interação com o léxico.

h) A morfologia lexical está a serviço da ________________ de palavras léxicas ou ___________________. n) Verbos. afixos. desinências. f) Entradas lexicais ________________ incluem artigos. g) São lexemas básicos da língua portuguesa _____________. Preencher as lacunas a) Segundo a teoria padrão referente à Gramática Gerativo– Transformacional. as nominalizações se explicariam pelo trabalho de regras _________________ no componente ____________ d) O conhecimento de uma lista de entradas _____________ faz parte da competência ______________ do falante. podem ser depreendidos através de ______________ morfológicos. ____________________ e _________________. r) O morfema {-va} é chamado de morfema _____________________. apenas lexemas referentes a _______________________ apresentam a categoria morfossintática do gênero. e) Bases. em português. passado e futuro são _________________ morfossintáticas. ______________. vogais temáticas são entradas lexicais _______________. está ligado às _________________ morfossintáticas do ___________ e do tempo. as palavras de uma língua são formadas por regras _______________________ b) Substantivos terminados pelo sufixo ‘-mento’ decorreriam da aplicação de __________________________ a partir de um ___________ na ___________________________ c) Conforme a __________________________. _______________ e alguns _________. s) A conjugação __________________ de um verbo constitui o seu ________________ completo. ______________. q) O morfema {-va}. o) As categorias morfossintáticas relacionadas ao lexema verbo são as seguintes: ___________. l) Essas propriedades morfossintáticas são depreendidas da oposição entre __________ e __________. i) Todo ___________ possui o seu paradigma. resulta de uma oposição entre as propriedades morfossintáticas do singular e do ____________. m) Em língua portuguesa. em verbos da língua portuguesa. k) A categoria do ____________. j) O paradigma é formado por ________________________ de _________________ do lexema. em língua portuguesa. 34 . ___________. p) Presente. _______________.Língua Portuguesa II ATIVIDADES I.

Justifique a afirmação de que os lexemas básicos são classes abertas. 2000. REFERÊNCIAS BASÍLIO. 1980. Responda as questões seguintes 1. II. Explicite o seu entendimento a cerca da afirmação de que. em relação aos substantivos. 35 . 5. Explicite o seu entendimento no que respeita à afirmação de que lexemas adjetivos apresentam as categorias do gênero e do número através de procedimento sintático. 3. 1999. Maria Carlota. 2. em língua portuguesa. ROSA. 1992. Estrutura da língua portuguesa. São Paulo: Contexto. 6. Os lexemas substantivo e adjetivo devem ter sido estudados na Língua Portuguesa I. Em propaganda de televisão nos deparamos com a palavra ‘imperdível’. Petrópolis: Vozes. Estruturas morfológicas do português. ROCHA. Margarida. Joaquim Mattoso. uma abordagem gerativa. “a categoria do gênero é uma categoria sintática”. Diferencie categoria morfossintática de propriedade morfossintática. Estruturas lexicais do português. 21 ed. Belo Horizonte: UFMG. 2 PRÓXIMA AULA Na próxima aula nos deteremos de forma vertical no lexema verbal. Luiz Carlos de Assis. CÂMARA JÚNIOR. Manifeste o seu entendimento no que respeita ao conceito de vogal temática. 4. Petrópolis: Vozes. Procure explicar o processo de formação dessa palavra no léxico da língua. Introdução à morfologia.O lexema e a palavra morfossintática Aula t) As palavras presentes nas frases e/ou enunciados são denominadas de _______________________ ou mórficos.

(Fonte: tchellodbarros-poesiavisual. OBJETIVOS Ao final desta aula.blogspot. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. . o aluno deverá: reconhecer as alomorfias e os alomorfes.Aula O LEXEMA VERBO I 3 META Apresentar a descrição da estrutura morfossintática dos lexemas verbais regulares da língua portuguesa.com). analisar e descrever a estrutura dos verbos regulares da língua portuguesa.

Analisaremos também as alomorfias relativas a essas desinências.com). (Fonte: bartambemecultura.blogspot.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Caros alunos. 38 . Esse estudo implica a análise e a descrição das palavras morfossintáticas relacionadas às categorias verbais. agora vamos estudar a estrutura morfossintática dos lexemas verbais regulares. de desinências modotemporais e número-pessoais. Assim. trataremos de conceitos como os de vogal temática.

Os estudiosos afirmam ter sido Platão o primeiro a apresentar uma distinção clara entre os substantivos e os verbos. estavas. “substantivos e verbos”. os estudiosos se voltam a outros caminhos de reconhecimento dos verbos. Lembra a autora que existe a prática da conjugação do verbo no sentido de os iniciantes chegarem à certeza de que determinados lexemas são verbos.” (SAUTCHUCK. Na primeira metade do século XX. Assim. 20). Diante de evidências dessas. 11). (DUARTE. desabariam 3 39 . 1970. existe a afirmação de que “é sintaticamente que o reconhecimento das palavras pertencentes à categoria dos verbos se mostra mais eficaz: apenas os verbos articulam-se com os pronomes pessoais do caso reto. ENCANTAMENTO. COMEMORAÇÃO. ENTENDIMENTO. passaremos a considerar algumas definições de verbos nas nossas gramáticas. inclui o verbo entre as dez classes de palavras a serviço da categorização das palavras da língua. 1979. partimos Vós: estais. escrevemos. fenômeno cambiante e. Transcrevemos os exemplos seguintes: Eu: vou. “O VERBO. demoraram. explodiu Nós: ficávamos. Cabe aqui destacar que essa associação não caracteriza ou identifica o verbo no que respeita às outras classes de palavras. pareceis. p. o número” (BECHARA. Importa aqui salientar que critérios lógico-discursivos presidiram à distinção entre nomes e verbos. estarás Ele: promete. p. almejo Tu: sabes. p. VISUALIZAÇÃO. Assim. cantava. esporadicamente. há que considerar que “a definição das mais importantes classes gramaticais. Essa nomenclatura não “estabelece definição para as classes. estive. fico. como se pode depreender de EDUCAÇÃO. 2000. estado ou mudança de estado” (MELO. Para Platão. recuperaremos. como constituinte de uma proposição” (LYONS. 194). 2006. p.O lexema verbo I Aula O verbo já havia sido reconhecido nas investigações linguísticas dos gregos. temos que colhê-las nas gramáticas”. 134). foi. é a palavra dinâmica. o tempo. p. Nessas duas definições. os “substantivos” eram reconhecidos por funcionar nas frases como sujeito de um predicado. PROLONGAMENTO. o verbo está associado à ação. isto é. pareço. os verbos eram entendidos como palavras que expressam a ação ou a qualidade. a Nomenclatura Gramatical Brasileira. instituída pela portaria ministerial de 28/01/59. 2004. a pessoa. a palavra que expressa ação. foi feito sobre fundamento lógico. como já vimos. 27). ficastes. gostavam. virá. “Entende-se por verbo a unidade que significa ação ou processo e organizada para expressar o modo. Nesse sentido. Assim. uma vez que há no léxico da língua portuguesa lexemas substantivos que expressam a ação ou o resultado da ação. vieste. permanecias. sois Eles: ficam.

Língua Portuguesa II

Não nega, entretanto, Sautchuck que a grande variedade formal dos verbos da língua portuguesa permite a sua fácil identificação por critérios formais ou mórficos. Assim, passaremos a estudar as categorias verbais.

CATEGORIAS VERBAIS
A parte da morfologia que trata das categorias morfossintáticas, entre as quais se incluem as categorias verbais, é chamada, conforme vimos na aula passada de morfologia flexional. Esse estudo, no que respeita ao verbo, trata da maneira através da qual “o verbo se combina (...) com instrumentos gramaticais (morfemas), de tempo, de modo, de pessoa, de número” (BECHARA, 2006, p. 194). É através dessas combinações que as oposições funcionais referentes às categorias se manifestam. Vejamos os seguintes exemplos: Amo Amas Ama vendo vendes vende parto partes parte

As oposições, depreendidas dessas formas correspondentes aos lexemas AMAR, VENDER e PARTIR, dizem respeito à categoria gramatical da pessoa, já que todas elas manifestam o singular e o presente do indicativo. Essa constatação pode ser feita até por alunos do ensino fundamental. Essa oposição, que diz respeito apenas a uma categoria morfossintática, é chamada de oposição simples. As oposições complexas são concernentes a mais de uma categoria morfossintática. De maneira semelhante, percebemos que, entre as formas amo e amamos (indicativo presente), a oposição diz respeito à categoria do número, já que as duas formas estão a serviço da primeira pessoa. De outro modo, cotejadas as sequências amávamos e amaremos, a conclusão é a de que a oposição se situa na categoria de tempo (pretérito imperfeito / futuro do presente). Vocês talvez se perguntem se, em cada par opositivo, é apenas possível a dedução de uma oposição. Tenham, pois, certeza de que não, já que é comum a compreensão de mais de uma oposição em um par opositivo. Observem os exemplos seguintes: Vendias Venderemos partirás partiremos

Em relação a VENDER, é possível inferir-se a diferença entre segunda pessoa do singular e primeira pessoa do plural, o que implica a categoria da

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O lexema verbo I

Aula

pessoa e a de número, uma oposição complexa. De outra forma, deduzimos a diferença entre pretérito imperfeito e futuro do presente, o que acarreta a categoria do tempo, oposição simples. Também em relação a PARTIR, a oposição entre segunda pessoa do singular e primeira pessoa do plural concernentes às categorias da pessoa e de número, exemplifica uma oposição complexa. A depreensão das marcas referentes às propriedades sintáticas concernentes a cada categoria morfossintática será considerada um pouco mais adiante, nesta mesma aula. Uma palavra léxica como um lexema verbo – repetimos o dito nas duas primeiras aulas – é uma palavra abstrata. Assim, inclui, no seu paradigma, todas as palavras morfossintáticas portadoras das propriedades morfossintáticas referentes às categorias verbais. Nesse sentido, a expressão conjugar um verbo vale dizer “É dizê-lo, de acordo com um sistema determinado, um paradigma em todas as suas formas nas diversas pessoas, números, tempos, modos” (BECHARA, 2006, p. 199). Lexemas verbais são considerados regulares, quando as palavras morfossintáticas que constituem o seu paradigma permanecem invariáveis tanto em relação ao radical quanto no que respeita às propriedades morfossintáticas indicadas. Quando o paradigma de um verbo inclui alterações, quer no radical, quer nas terminações, a gramática classifica esse lexema-verbo como irregular.

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ESTRUTURA VERBAL-PADRÃO GERAL
É indiscutível a grandeza da flexão verbal em português. A economia presente nas línguas naturais atua no sentido de indicar duas categorias por meio de um único gramema ou morfema gramatical. Dessa forma, as noções referentes ao modo e ao tempo se manifestam através de um só morfema, o que ocorre também com as significações concernentes ao número e à pessoa. Esses morfemas, por serem responsáveis por mais de um sentido gramatical, são denominados de morfemas cumulativos. Nas gramáticas escolares, são eles chamados de desinências verbais. Assim, quando nos referirmos às desinências verbais, estaremos a falar de morfemas cumulativos. A riqueza e consequente complexidade superficial da “estrutura do verbo” pode ser simbolizada por uma fórmula relativamente simples. Verbo: R + VT + DMT + DNP Andávamos: and + á + va + mos (ZANOTTO, 2001, p. 83).

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Língua Portuguesa II

Normélio Zanotto Gaúcho, do município de Antônio Prado. Formou-se em Letras pela Universidade de Caxias do Sul. Especializou-se em Linguística Aplicada pela PUCRS e em Métodos e Técnicas de Ensino pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente é professor titular e pesquisador do Departamento de Letras da Universidade de Caxias do Sul.

Observem, agora, a leitura referente à fórmula: R = radical (elemento indispensável a qualquer verbo da língua portuguesa) VT = vogal temática (possui duas funções: eufônica, prepara o radical para receber as desinências; categorial, permite agrupar os verbos em três conjugações). DMT = desinência modo-temporal (atualiza as categorias do modo e do tempo). DNP = desinência número-pessoal (representação cumulativa das categorias do número e da pessoa). Vocês sabem, obviamente, que o radical acrescido da vogal temática constitui o tema verbal. Dessa forma, o professor Normélio Zanotto completa a fórmula anterior, com a ilustração seguinte: Verbo: T (R + VT) + D (DMT + DNP) Andávamos: anda (anda + á) + vamos (vamos)

VOGAL TEMÁTICA
A vogal temática permite, como já dissemos, a classificação dos verbos da língua portuguesa em três grupos ou conjugações: primeira conjugação, CI; segunda conjugação, CII; terceira conjugação, CIII. A vogal “a” caracteriza a CI; a vogal “e” identifica a CII; a vogal “i” é própria da CIII. Assim, nadar pertence à CI; vender, à CII e partir, a CIII. Comprova-se, assim, a função classificatória ou taxionômica das nossas vogais temáticas verbais. Essas vogais, nos diversos vocábulos mórficos, formas atualizadoras dos lexemas verbais, sob a ação de regras da morfologia flexional, sofrem alterações. Transcrevemos a seguir uma sistematização referente às configurações da vogal temática “a”. Vogal temática (CI) Na CI, ocorre - a como marca geral - e na P1IdPt2 (alomorfe) - o na P3IdPt2 (alomorfe) Ø na P1IdPr2 no SbPr (ZANOTTO, 2001, p. 88)

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P2 e P3 (singular) e P4. as propriedades morfossintáticas são assim representadas: 3 CATEGORIAS DO MODO (INDICATIVO) E DO TEMPO IdPr = indicativo presente IdPt1 = imperfeito do indicativo IdPt2 = perfeito do indicativo IdPt3 = mais-que-perfeito do indicativo IdFt1 = futuro do presente IdFt2 = futuro de pretérito CATEGORIAS DO MODO (SUBJUNTIVO) E DO TEMPO SbPr = subjuntivo presente SbPt = subjuntivo pretérito ou passado (imperfeito do subjuntivo) SbFt = subjuntivo futuro CATEGORIA DO MODO IMPERATIVO IpAf = imperativo afirmativo IpNeg = imperativo negativo FORMAS NOMINAIS If = infinitivo Gr = gerúndio Pa = particípio Meus alunos. em contiguidade ao {-i}. A ausência da vogal temática. em P1 transforma-se no alomorfe {-e-}. referentes ao IdPt2.O lexema verbo I Aula As propriedades morfossintáticas referentes às categorias da pessoa e do número são assim abreviadas: P1. Atenção: representamos os morfemas entre chaves e os alomorfes entre barras. No que respeita a CI. Já em P3. P5 e P6 (plural). resulta da supressão total da 43 . em P1 e P3. vocês devem voltar ao curso de Língua Portuguesa I e rever os conceitos de alomorfia e de alomorfe. No que tange as categorias do modo e do tempo. resultam de uma assimilação parcial decorrente do contexto fonológico em que estão inseridos: a vogal temática {-a-}. em P1IdPr. o alomorfe {-o}resulta da proximidade entre a vogal temática {-a}e a desinência {-m}. os alomorfes /-c-/ e /-Ø/.

Um exemplo. (MATTOSO in ZANOTTO. Nos tempos e pessoas indicados no quadro apresentado. partir. p. Como exemplo. quando se adjunge outro elemento mórfico de vogal inicial diversa”. a vogal temática está representada pelo alomorfe /-i-/ .Língua Portuguesa II vogal temática {-a-}. uma vez que é {-i-} vogal temática da CIII. Atenção aos exemplos. Seguem-se exemplos: IdPr IdPt2 IdPr Vogal temática (CII) Na CII. “A vogal final átona de um elemento mórfico é suprimida na estrutura de vocábulo. a vogal temática da CII é {-e}.89) Como vocês sabem. Em todo o SbPr. Esse fenômeno decorre da ativação da regra da supressão. 2001).e como VT geral .e no Pa Ø no P1IdPr. em contato com a desinência {-o}. Pa (particípio) – Vend + Ø + ido 44 . no IdPt1. 2001. Nesse sentido. a vogal temática perde a sua função distintiva no que respeita à CII e à CIII. a ausência da vogal temática {-a-} se explica também pela regra da supressão. e no P1IdPt2 no SbPr (Zanotto. No particípio. ocorre . a ausência da vogal temática decorre da atuação da regra da supressão. o verbo vender.

3 Vogal temática (CIII) Na CIII. CII e CIII.e no P2 P3. A língua escrita escolheu o /-e-/ como representante do arquifonema. no IdPt2 e no SbPr O alomorfe /-e-/. decorre da neutralização da oposição entre as vogais temáticas da CII e CIII. Atenção aos gramemas específicos de cada categoria morfossintática. Vocês devem retomar o Curso de Fonologia.e como VT geral . como também a análise dos verbos regulares das CI. Especial atenção aos impe- 45 . no que se refere aos tempos e pessoas indicados. o arquifonema é representado por /-i-/. Seguem quadros que explicitam as desinências modo-temporais e número-pessoais. ocorre .corresponde à pronúncia adotada. graças à posição átona final ocupada. na grande parte. senão na maior parte das nossas regiões. no sentido de relembrar conceito como os de neutralização e de arquifonema. no IdPt1. A neutralização acarreta o surgimento de um arquifonema que pode ocorrer na forma de qualquer um dos elementos opositivos em relação aos quais ocorreu a neutralização.O lexema verbo I Aula Convém lembrar que não separamos entre si as desinências de modo/ tempo e de número/pessoa. apresentadas pelo professor Normélio Zanotto. Entretanto. Em algumas regiões do País o {-e. Esses morfemas gramaticais ou gramemas estão destacados em quadros expostos no decorrer desta aula. P6IdPr e P2IpAf Ø na P1 e P5IdPr.

Língua Portuguesa II rativos afirmativo e negativo. Nesse sentido. retomar a formação do Imperativo em gramáticas como as de Celso Cunha e Evanildo Bechara. DESINÊNCIA MODO-TEMPORAL 46 .

Conclui-se que as DNPs básicas são. Ø andasse-Ø -s andasse-s Ø andasse-Ø -mos andásse-mos -is andásse-is -m andasse-m 47 . 2001.O lexema verbo I Aula 3 (ZANOTO. p. 90) DESINÊNCIA NÚMERO-PESSOAL Nota 1. respectivamente. para cada uma das seis pessoas.

2001. 92) PRIMEIRA CONJUGAÇÃO – CI 48 .Língua Portuguesa II (ZANOTTO. p.

2001. 85) 3 SEGUNDA CONJUGAÇÃO – CII 49 . p.O lexema verbo I Aula (ZANOTO.

86) TERCEIRA CONJUGAÇÃO – CIII (ZANOTTO. 87) 50 . p. 2001. 2001. p.Língua Portuguesa II (ZANOTO.

51 . no estudo dos padrões verbais regulares da língua portuguesa. já que ele é condição necessária e suficiente da sua existência. essa maneira de trabalhar. Graças à complexidade morfológica do verbo. na perspectiva da morfologia. mostramos os gramemas identificadores das três diferentes conjugações – as vogais temáticas. Apresentamos também os gramemas relacionados às diferentes categorias morfossintáticas verbais. optamos por apresentar a análise e descrição desses vocábulos. assim. Adotamos. Assim.O lexema verbo I Aula CONCLUSÃO Analisar e descrever a estrutura das palavras morfossintáticas é um processo fundamental no que respeita à explicitação do conhecimento linguístico. Lembramos que o verbo é a palavra nuclear das nossas orações. 3 RESUMO Esse estudo abordou considerações sobre diferentes conceitos de verbos e sobre a relação entre esses conceitos e possíveis formas de identificação dessa classe de lexemas. no que respeita aos padrões regulares.

em língua portuguesa. de ANDRADE). D. D. f) Gramemas ou morfemas gramaticais que manifestam mais de uma categoria gramatical são chamados de ___________ g) Vogais temáticas.(C. depreendemos ___________ posições linguísticas referentes às categorias gramaticais do ____________. ao IdPt2. b) A parte da morfologia que trata das categorias _______ é chamada de morfologia flexional.” (C. “Durante uma hora debateram o negócio. as propriedades morfossintáticas referentes às categorias gramaticais do modo (indicativo) e do tempo. c) Quais as categorias morfossintáticas relacionadas às propriedades morfossintáticas do singular e do indicativo? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ d) Cotejadas as formas vivias e viveremos.Língua Portuguesa II ATIVIDADES a) Em português é possível _________ verbos por meio de ____________ morfológicos. “Os funcionários dos guichês também apresentavam sinais de ruína. j) O gramema {-e} é a marca do SbPr na CI. e) Lexemas verbais cujas palavras morfossintáticas não se alteram em todo o paradigma são chamados de verbos ou lexemas-verbo _______________. m) Qual o gramema representante da P4 em língua portuguesa? II. apresentam duas funções: ____________ e ______________ h) Indique. explicou ao repórter que a situação é grave. entrevistado. por meio de abreviações convencionais. de ANDRADE) III. Há excedente de leite no país e o consumo não dá para absorver a produção intensiva. Marque as vogais temáticas verbais e/ou alomorfes no trecho seguinte: “O DONO DA USINA. Sublinhe gramemas relacionados às propriedades morfossintáticas referentes ao IdPt1. Samuel estava suando”. l) Explique a alomorfia relativa ao IdPt2. k)Apresente as DNPs relativas à P5. Essa marca ocorre em ____________.” 52 . i) O fenômeno concernente à variação de um determinado morfema gramatical ou gramema recebe o nome de _________. da __________ e do ____________.

( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) am – a – r ) vend – e – r ) part – i – r ) part – a ) corr – e – mos ) am – a – va ) am – á – va – mos ) perd – e – rá – s ) perd – e – re – i ) am – a – ria ) am – a – ndo ) part – i – ste ) prend – e – ndo ) am – a – s 1. 2. 6. conforme a forma verbal esteja no infinitivo. Marque (I).O lexema verbo I Aula IV. radical vogal temática desinência modo-temporal desinência número-pessoal desinência de infinitivo desinência do gerúndio desinência de infinitivo 53 . (G) ou (P). 5. 3. 7. gerúndio ou particípio. 4. Complete adequadamente a 1a coluna de acordo com a 2a dando atenção ao gramema que está indicado. ( ( ( ( ( ) perdido ) perder ) perdendo ) amares ) amado ( ( ( ( ( ) amando ) partido ) partindo ) partir ) partires ( ( ( ( ( ) escrevendo ) escrito ) escrever ) escreveres ) partires 3 V.

Rio de Janeiro: Acadêmica. Gramática escolar da língua portuguesa. REFERÊNCIAS BECHARA. Prática de morfossintaxe. LIMA. Gramática fundamental da língua portuguesa. 2006. Barueri – SP: Manole. Classes e categorias em português. Rio de Janeiro: Lucerna. LYONS. Fortaleza: EUFC. Maria Claudete (colaboradora). Evanildo. John. 54 . 1970.Língua Portuguesa II PRÓXIMA AULA Na próxima. DUARTE. Paulo Mozânio Teixeira. 2004. 2000. MELO. Gladstone Chaves de. veremos os chamados verbos irregulares. 1979. Introdução à linguística teórica. Inez. São Paulo: Companhia Editora Nacional. SAUTCHUCK. 2 ed.

reconhecer e empregar verbos de radicais supletivos. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. OBJETIVOS Ao final do curso.com).blogstorage.Aula O LEXEMA VERBO II 4 META Mostrar uma possível sistematização da estrutura morfossintática dos lexemas verbais (irregulares) da língua portuguesa. Apresentar a supletividade de radicais. . a defectividade e a abundância verbais. operar transformações passiva e reflexiva. Descrever as vozes verbais. o aluno deverá: explicitar o seu conhecimento em relação à irregularidade verbal. (Fonte: http://static.hi-pi.

Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Continuemos a nossa viagem pelo mundo dos verbos. (Fonte: http://tirasdoeuricefalo. Esse caminho desemboca nos domínios da defectividade e da abundância dos nossos verbos. A anomalia atribuída a alguns verbos é explicada através da supletividade de radicais. Nesta aula.blogspot. procuraremos desbravar sendas no sentido de entender o fenômeno da chamada irregularidade verbal.com). verão vocês a possibilidade de escolha no que respeita à passiva e a obrigatoriedade em relação a reflexiva. 56 . Ao estudar as vozes verbais.

IRREGULARIDADES NA . .troca da vogal do radical: durmo. Mas. Em língua portuguesa. no que se refere às irregularidades no P1IdPr. A fuga aos padrões regulares pode ocorrer no radical (morfema lexical) ou no tema ou nas desinências (morfemas gramaticais ou gramemas). p. Zanotto.P1IDPR “Esse radical especial da P1IdPr pode apresentar várias particularidades como: . Segue-se a análise do Prof. 2001. Esses radicais são denominados de radicais alomórficos.travamento nasal do radical: ponho. p.” (ZANOTTO. . É importante reconhecer essas irregularidades. no que concerne à P1IdPr.troca da consoante do radical: digo. nos chamados anômalos” (ZANOTTO.acréscimo de consoante: vejo. Zanotto. 93). . ressaltamos aquelas que ocorrem na P1IdPr e na P2IdPt2. uma vez que constituem diferentes formas de representação no que respeita aos lexemas-verbo tais como se manifestam na forma nominal chamada de infinitivo. são muitos os verbos que possuem radicais alomórficos.ditongação pelo acréscimo de urna semivogal: caibo. Considera-se que a irregularidade “vai desde uma simples alternância vocálica até a ocorrência de radicais supletivas para o mesmo verbo. dentre as irregularidades no radical. apresentamos a relação de alguns deles: 57 . peço-lhes que leiam nas gramáticas escolares sobre tempos verbais primitivos e derivados. 93) O fenômeno linguístico que explica as alterações ocorridas nos radicais apresentados é chamado de alomorfia. . 4 IRREGULARIDADES NO RADICAL Ainda segundo o Prof. 2001. pois elas se mantêm nos vários tempos e modos formados a partir dessas pessoas. Nesse sentido.O lexema verbo II Aula VERBOS IRREGULARES São chamados de irregulares os verbos que fogem ao padrão descrito na nossa aula passada.

que não levam a irregularidade da P1IdPr a outros tempos e modos costumeiramente dela derivados. 2001. p. progrides. 2001. cirze. faço. minto. 2001.” (ZANOTTO. prefiro reflito. agrides. cirzes. tenho. poucos deles. 95) 58 . progride. ´progridem etc. agride. denigres. consigo. tusso. denigrem previno. denigre. sigo. p. compito. venho etc. acudo. agridem. cirzo. adiro. p.Língua Portuguesa II “caibo. prevines. durmo. cubro. Atenção à relação seguinte: “sei – saiba hei – haja quero – queira estou – esteja sou – seja vou – vá dou – dê” (ZANOTTO. na P3 e na P6 o radical alterado da P1IdPr. no ldPt3. previnem. previne. Vejam vocês a relação apresentada por Zanotto: “agrido. no SbPt e no SbFt. confiro. visto. trago. cirzem denigro. 94) IRREGULARIDADE DA P2IDPT2 “Essa irregularidade também assume relevância. progrido. vejo. 2001.” (ZANOTTO. 94) Existem verbos. ponho. sirvo. P2IdPt2 IdPt3 SbPt SbFt (ZANOTTO. requeiro. já que vai repetir-se nos tempos derivados dessa pessoa. isto é. digo. posso. 94) Há verbos que trazem na P2. p.

59 . na sua conjugação. Nesse sentido. no seu paradigma. retirada de Zanotto. p. apresentamos. 2001.” P1 Fiz Tive Estive Pude Pus Fui P3 Fez Teve Esteve Pôde Pôs Foi (ZANOTTO. ir às gramáticas escolares e procurar verbos que apresentem esse tipo de irregularidade. 95) - RADICAIS SUPLETIVOS Dentre os nossos verbos. os verbos ser e ir. a seguir. a análise da estrutura desses verbos. sendo essa a única marca que distingue as duas pessoas. há dois que apresentam. São eles. Um outro verbo que merece destaque. radicais totalmente diferentes.O lexema verbo II Aula Vocês devem. 4 RADICAIS COM ALTERNÂNCIA VOCÁLICA MORFÊMICA Essa alternância se manifesta através de “uma troca de vogais do radical da P1 e da P3 do IdPt2. então. por isso se diz alternância morfêmica. já que apresenta bastantes irregularidades é o verbo pôr.

p.Língua Portuguesa II SER (ZANOTTO. 97) 60 . 2001.

p. 98) 61 .O lexema verbo II Aula IR 4 (ZANOTTO. 2001.

Língua Portuguesa II PÔR (ZANOTTO. 99) 62 . p. 2001.

p. cre-des – ri-des i-des – ten-des le-des – ve-des pon-des – vin-des” (ZANOTTO.” (ZANOTTO. da CIII (v + i + Ø + ste) Crase do VT: rir: ri + (i) + r + Ø ler: le + (e) + r + Ø ir: i + (i) + r + Ø crer: cre + (e) + r + Ø Essas crases repetem-se em várias pessoas. “Alguns verbos de radicais monossilábicos. “Troca de VT: deste – com VT -e. Esses verbos são.O lexema verbo II Aula IRREGULARIDADE TEMÁTICA Esse tipo de irregularidade pode decorrer da troca referente à vogal temática e da crase concernente à mesma vogal. 2001. Dentre 63 . no decorrer da flexão completa desses verbos.100) Nesse sentido.” (ZANOTTO. assim. a descrição do Prof. 100) Lembra Zanotto que “outras irregularidades desinenciais são aleatórias. Zanotto. p. da CII (d + e + Ø + ste) viste – com VT -i. 100) 4 IRREGULARIDADES DESINENCIAIS O Prof. Observem por favor. esquivas a agrupamentos. p. apresentam a DNP da P5 especial. da CII e da CIII. 2001. Em lugar da regular -is aparece -des. Há razões para a defectividade verbal. chamados de defectivos. 2001. Zanotto procura sistematizar essas irregularidades. DEFECTIVIDADE VERBAL Defectividade verbal é a qualidade abstrata referente a verbos cuja conjugação apresenta falta de algumas formas. gramáticas da língua portuguesa devem ser consultadas sempre que necessário.

só aparece a P5. brandir. p. florir. aturdir. falir. renhir. o IpAf. transir. só possuem a P5. retorquir. Essa ausência pode ser justificada pelo fato de as pronúncias das sequências reavo e precavo apresentarem-se dissonantes. por faltar-lhes o SbPr. P4 e P6 do IpAf e IpNeg). “banir. a ausência da P1IdPr – remo – poderia se explicar pelo fato de esse vocábulo mórfico ativar na mente dos falantes nativos. Dessa forma. revelir. carpir. esbaforir. jungir. P2. haurir. “adir. No IpAf. 202) Atenção: Também a esses verbos. feder. Convém lembrar que “o critério da eufonia pode variar com o tempo e com o gosto dos escritores. fulgir.” (BECHARA. espargir. faltam-lhes o SbPr. no IdPr. e. os verbos defectivos se distribuem em três grupos: Grupo 1 Verbos que não são conjugados nas pessoas em que. empedernir. 2006. abolir. lembramos a eufonia e a significação. aguerrir. espavorir. A eles faltam os P1. lembramos os verbos reaver e precaver-(se). puir. a P1IdPr. Grupo 3 Os verbos ‘precaver’(-se) e ‘reaver’. soer. (BECHARA. depois do radical. Segundo o Prof. p. (fremir). ressarcir. P2. o significado de objeto utilizado pelos homens para fazer embarcações se deslocarem em superfícies de água. 2006. 2006. 202) Atenção: Por faltar a esses verbos. emolir. daí aparecer de vez em quando uma forma verbal que a gramática diz não ser usada”. fornir. impingir. por exemplo. bramir. Em relação à eufonia. 202) Considerando um verbo defectivo como remir. o IpNeg e no IpAf. esculpir. delinquir. Assim: 64 . P3. extorquir. (BECHARA. garrir.Língua Portuguesa II elas. vagir. remir. só aparecem as P2 e P5. fremer. P3 e P6 do IdPr e as formas derivadas da P1 (SbPr. combalir”. inanir. não possuem o SbPr e o IpNeg. colorir. Grupo 2 Verbos que são unicamente usados nas formas em que vem ‘i’ após o radical. Consideremos as formas ausentes ‘reavo’ e ‘precavo’. Esses verbos. demolir. ressequir. exaurir. só possuem a P4 e a P5. falta-lhes o IpNeg. aparece ‘o’ ou ‘a’. ruir. explodir. Evanildo Bechara. delir. p. de forma predominante.

vale dizer. reavei Aos verbos adequar. Os verbos com abundância participial apresentam o chamado particípio regular. Observação: Em sentido figurado. Os verbos que apresentam essas formas variantes são chamados de verbos abundantes. rever (= destilar) e pesar (causar tristeza) só são usados nas P3 e P6. Já os impessoais são aqueles só utilizados na P3. adequais Antiquamos. IdPr Adequamos. duas ou mais palavras mórficas relacionadas às mesmas informações morfossintáticas. Relampejou durante toda a noite. tanto os verbos impessoais quanto os unipessoais são conjugados em quaisquer das pessoas gramaticais. Verbos impessoais Chovia bastante naquele inverno. reaveis IPAf Precavei. É importante lembrar a distinção entre verbos unipessoais e verbos impessoais. Verbos unipessoais O lobo das estepes uiva. Dessa forma.O lexema verbo II Aula IdPr Precavemos. precaveis Reavemos. antiquai Os verbos grassar. o exemplo: “Choviam palavras intempestivas. costumeiramente empregados nos tempos verbais com- 65 . antiquais IpAf Adequai. Os unipessoais só se conjugam nas P3 e P6 (terceiras pessoas).” 4 ABUNDÂNCIA VERBAL Esse tipo de abundância diz respeito ao fato de existirem verbos que apresentam duas ou mais formas variantes em alguma flexão de uma conjugação. vocês. antiquar cabem as mesmas observações feitas em relação a precaver e reaver. Vejam. Geralmente designam as vozes de animais. As formas mais comuns de abundância ocorrem no particípio.

VERBOS ABUNDANTES 66 . da CII e da CIII. Os balões foram soltos ao entardecer. Vocês devem rever verbos auxiliares e tempos compostos em gramáticas escolares. Seguem-se exemplos de particípios abundantes distribuídos em verbos da CI. O particípio chamado de irregular é empregado com os auxiliares SER e ESTAR. Exemplos: Os meninos tinham (ou haviam) soltado os balões.Língua Portuguesa II postos com os auxiliares TER e HAVER.

A ideia foi aceite por todos. Alguns como absoluto de absorver. e) O verbo imprimir possui duplo particípio. a) Apenas os chamados particípios irregulares são usados como adjetivos. um sintagma adjetival. estão nesse caso: cinto do verbo cingir. Quando significar ‘estampar’. e resoluto de resolver. que outrora serviam para formar tempos-compostos caíram em desuso. OBS. por favor. O vento havia enxugado toda a roupa. ‘Enxuto’ é um adjetivo. Dentre outros. g) Muitos particípios irregulares. como núcleos de sintagmas adjetivais. a língua já consagrou o seguinte uso: Ter ou haver ganho. mas com valor de adjetivo. ou foram extraídas da “NOVA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO” de Celso Cunha e Lindley Cintra). Atenção aos exemplos seguinte: O vestido enxuto está guardado. que tem a função sintática de adjunto adnominal de vestido. Dir-se-á. Enxugado é particípio de enxugar.: Roto é mais empregado como adjetivo. (Essas observações têm como base. f) Pelo modelo de entregue formou-se empregue de uso frequente em Portugal e na linguagem popular do Brasil. usa-se apenas o particípio em – ido. ‘infundir’. prestem atenção às importantes observações concernentes aos particípios abundantes. isto é. despeso do verbo despender. PAGA. Atenção aos verbos GANHAR. continuam na língua. FICAR. Com esses verbos. Somente essas formas irregulares se combinam com os verbos ESTAR. Ter ou haver pago. por exemplo: Este livro foi impresso no Brasil. ou seja. GASTAR. ANDAR. ‘gravar’. Na acepção de ‘produzir movimento’.O lexema verbo II Aula Meus caros alunos. d) O particípio rompido usa-se também com o auxiliar SER. usa-se a forma impresso. 4 VERBOS SEM PARTICÍPIO REGULAR ABRIR (aberto) COBRIR (coberto) FAZER (feito) PÔR (posto) 67 . c) Morto é particípio de MORRER e estendeu-se a MATAR. Ter ou haver gasto. por outro lado: Foi imprimida enorme velocidade ao veículo. Foram rompidas nossas relações. IR e VIR. Mas. b) A forma participial aceite é mais usada em Portugal. colheito do verbo colher.

É importante lembrar a vocês que DESABRIR faz desabrido e não desaberto. insolente.” (CAMILO) Atenção aos empregos equivocados de particípio. grosseiro.” (GARRETT) “Por noite desabrida de janeiro. Ainda em relação à abundância de alguns verbos. Atenção. conforme o que se expõe em relação a COMPRAZER. 68 . P2. limpo e correto são usados como adjetivos. do IdPt3. PEGAR – pegado – * pego PASMAR – pasmado – * pasmo LIMPAR – limpado – * limpo CORRIGIR – corrigido – * correto Pasmo. P5 e P6 do IdPt2. Observem os exemplos: “Nunca usei de uma palavra desabrida desde que falo. COMPRAZER E DESCOMPRAZER Esses verbos apresentam duas formas. SER. rude. dois vocábulos formais referentes às P1. ESTAR e outros. inconveniente. P3. HAVER. observem vocês o comportamento dos verbos seguintes. P4. ao significado de desabrido: áspero. FALAR – falado – * falo.Língua Portuguesa II DIZER (dito) ESCREVER (escrito) VER (visto) VIR (vindo) Os particípios desses verbos são usados indiferentemente com TER. com as suas formas variantes. do SbPt e do SbFt. vocês.

ENTUPIR E DESENTUPIR Formas variantes nas P2. P3 e P6 do IdPr. 69 . P3 e P6 do IdPr e na P2 do IpAf.O lexema verbo II Aula 4 CONSTRUIR E SEU GRUPO Esses verbos têm formas variantes. para as P2. Possuem também formas variantes para a P2 do IpAf.

quere é criação recente (séc. Quanto às variantes quere e requere “são formas que só têm curso em Portugal. O IpAf não apresenta variação. IR Variantes referentes à P4 e à P5 do IdPr. QUERER E REQUERER Presença de formas variantes para a P3 do IdPr. 2006. sem adoção geral) e requere é forma já antiga na língua”. Variantes referentes à P4 e à P5 do IdPr. XIX – XX. p. (BECHARA.Língua Portuguesa II HAVER Variantes relativas às P4 e P5 do IdPr. 204) 70 .

Eles ouviram música. ou seja.” (LIMA. passiva e reflexiva. VOZ ATIVA É chamada voz ativa a forma apresentada pelo verbo no sentido de indicar que a pessoa a que se refere é o agente da ação. as vozes dos verbos. 4 IMPERATIVOS EM – ZER E – ZIR Esses imperativos podem perder o e na P3 TRADUZIR IpAf P2 – traduze tu (ou traduz tu) FAZER IpAf P2 – faze tu (ou faz tu Nós vamos agora estudar a categoria verbal da voz.O lexema verbo II Aula VALER Variantes relativas à P3 da IdPr. Maria estudou a lição. 71 . 123). VOZES VERBAIS Denomina-se “VOZ ao acidente que expressa a relação entre o processo verbal e o complemento do sujeito. As vozes dos verbos mais estudadas são as seguintes: ativa. p. 2008.

Regras sintáticas de transformação ou regras transformacionais converteriam a voz ativa em passiva. Nessa posição. costumeiramente a preposição por. o paciente dessa mesma ação. O verbo SER seria inserido como verbo auxiliar da passiva. o SN2 (paciente ou recipiente da ação verbal) ocuparia a posição anterior ao verbo e o SN1 (agente da ação verbal). um verbo e um objeto direto. Frutas é o sujeito paciente. Após essas transformações. ou seja. nas nossas gramáticas. Passemos à exemplificação. Uma frase como Maria comprou frutas teria sido engendrada pelas chamadas regras de reescritura ou de formação de frase e corresponderia. é analisada sintaticamente como agente da passiva. Vocês hão de convir que esse modelo corresponde a qualquer frase da língua portuguesa que apresente um sujeito. de passiva analítica.Língua Portuguesa II VOZ PASSIVA Chamamos de voz passiva a forma verbal que indica que a pessoa à qual se refere o verbo é o objeto da ação verbal. O SN1 é agente da ação verbal e o SN2. a sequência por Maria. tais como se apresentam na frase Maria comprou frutas. PASSIVA SINTÉTICA OU PRONOMINAL Nessa modalidade de passiva. O seu sujeito. constitui condição necessária para que uma frase na voz ativa possa ser convertida em voz passiva. Por sua vez. correspondente ao objeto direto da voz ativa. Nesse contexto estrutural. a análise da denominada passiva sintética ou pronominal. Essas transformações fariam o SN1 e o SN2 trocarem suas posições. A voz ativa das frases estaria organizada na EP. à seguinte fórmula: F ® SNVSN. Como vocês podem observar. A seguir seria processada a concordância verbal. postula-se que todas as frases das línguas possuem duas estruturas básicas: a Estrutura Profunda (EP) e a Estrutura Superficial (ES). nas mesmas gramáticas. é incapaz de 72 . na frase. entrariam em ação as regras transformacionais que converteriam a ativa na passiva correspondente. e o verbo da frase iria ao particípio. o verbo da frase e/ou oração deve ser também um verbo transitivo direto. Chamemos o SN que vem antes do verbo de SN1 e o que vem depois do verbo de SN2. a posição posterior ao mesmo verbo. na sua condição de agente da ação verbal. Na ótica padrão da Gramática Gerativo-Transformacional (GGT). seria precedido de preposição. Essa modalidade de passiva que acabamos de considerar é chamada. o que se manifestaria na ES das frases. teríamos a estrutura superficial da frase passiva que ocorreria numa situação de comunicação da seguinte forma: Frutas foram compradas por Maria. Há ainda. de forma bastante simplificada. A presença desses dois sintagmas nominais.

o sujeito é indeterminado. o assombro da tia é compreendido. basta que a transformemos numa pergunta hipotética (SAUTCHUCK. seja confundido com o SE.. É conveniente que vocês revejam esse estudo.. O sintagma adverbial naquela praça tem a função de adjunto adverbial de lugar. A classificação do sujeito foi estudada no curso de Língua Portuguesa I. pronome apassivador. Acresce que a esse verbo se liga necessariamente o pronome SE. observem os exemplos a seguir: “Compreende-se o assombro da tia. borboletas e andorinhas também são caçadas. após isolarmos a oração na qual pretendemos encontrar o sujeito. Nessa frase. Se inserirmos o pronome SE na frase. de Andrade) Também se caçam borboletas e andorinhas? Sim. 2004: 59). facilmente chegaremos à passiva analítica correspondente à frase observada. Esse processo evita que o SE.. Vendem-se frutas naquela praça. Tomemos o exemplo seguinte: Vendem frutas naquela praça.. teremos a sequência seguinte.O lexema verbo II Aula praticar a ação expressa pelo verbo. o que confirmará a condição de passiva sintética no que respeita à frase em análise. (= sim.. como já dissemos. “.” (Machado de Assis) Compreende-se o assombro da tia? Sim. Nesse sentido.. também se caçam borboletas e andorinhas. ele é compreendido). elas também são caçadas). O pronome SE. D. Observemos o exemplo seguinte: 73 . (= sim. Esse pronome é chamado de pronome apassivador ou partícula apassivadora. O SN frutas tem a função de objeto direto. 4 PASSIVA DE INFINITIVO Para muitos autores. que converte uma frase da voz ativa na passiva sintética correspondente. índice de determinação do sujeito. o SN frutas passa a exercer a função de sujeito. é então chamado de pronome apassivador. verbos no infinitivo precedidos de preposição formam a chamada passiva de infinitivo. A inserção do SE converteu a voz ativa na passiva pronominal ou sintética. se possível for a conversão dessa estrutura numa passiva analítica. Nesse sentido.” (C. O reconhecimento dessa modalidade de passiva pode ser feito com a facilidade através da conversão da frase com o pronome SE na passiva analítica. Se aplicarmos a técnica de pergunta e resposta utilizada no reconhecimento do sujeito: “.

. de Andrade) Nesse verso. É nesse sentido que se diz esse pronome retomar o SN sujeito.” (C. D. Ele é chamado.. SN1 V SN1 74 .” (BECHARA. a ação verbal parte do sujeito e recai sobre o próprio sujeito. Convém lembrar que tanto a passiva sintética quanto a passiva de infinitivo são assim reconhecidas pela conversão na passiva analítica. de Andrade) A seqüência impossíveis de ler pode ser convertida em impossíveis de ser lidas. em caso contrário. VOZ REFLEXIVA A voz reflexiva “é a forma verbal que indica que a pessoa é. impossíveis de ler. representado pelo pronome se na função de objeto.” (C. 1983: 104) Observem o seguinte exemplo: “O homem revela-se na torrente melódica. o SN O homem é o sujeito do verbo revela e o pronome se refere-se a esse SN. se a dois ou mais sintagmas nominais forem atribuídos os mesmos índices. então. com o intuito de traduzir a identidade referencial. agente e paciente da ação verbal. Retomemos a DE: SN1VSN1 e vejamos como seria uma sequência em língua portuguesa. Dito de outra forma. de pronome reflexivo. DE: SN1VSN1 O mesmo índice é apresentado pelos sintagmas nominais. esses sintagmas serão considerados referenciais. Dessa forma. José feriu José. Quanto ao emprego do infinitivo deu-se preferência ao infinitivo não flexionado. segundo a descrição estrutural apresentada. ao mesmo tempo. formada de verbo seguido de pronome obliquo de pessoa igual à que o verbo se refere. Na perspectiva da Gramática Gerativo-Transformacional. a voz reflexiva é consequência da aplicação obrigatória de regras transformacionais à estrutura profunda de frases que apresentem a seguinte descrição estrutural. as referências serão distintas. estudada cuidadosamente. O sistema de índice foi introduzido por Chomsky (1965).Língua Portuguesa II “Já não transitam pelo correio aquelas cartas de letra miudinha. D.

. rejeitaria tal sequência por considerála agramatical no sentido de não respeitar determinadas regras sintáticas da gramática da língua.” (C.. 4 VOZ RECÍPROCA Uma variação da voz reflexiva corresponde ao que as gramáticas escolares chamam de voz recíproca. Ex: *Se cortou Maria. a frase gramatical e aceitável decorrente da transformação. 75 . Observem o exemplo: “Os homens entreolharam-se cautelosos. Ex. Realmente. Necessidade de possuir as mesmas marcas de pessoa e número do SN ao qual se referem. Maria cortou-se. É característica desse tipo de voz trazer o SN sujeito no plural. 3. ME: SN1VSN1 [+REFL] Dessa forma. de Andrade) Na estrutura profunda dessa frase. Por essa razão. ultrapassa a fase de aquisição da linguagem. 2. é: José feriu-se. Ex: *Maria disse que se cortou. entendida como o conjunto de regras da língua internalizadas inconscientemente. Impossibilidade de ocorrer em sentença distinta daquela em que ocorre o nome ao qual se referem. essa seqüência não seria usada efetivamente numa atuação de comunicação por utentes da língua portuguesa. posto após o verbo. teríamos a sequência seguinte: Os homens entreolharam os homens. dar-se-ia necessariamente a transformação de reflexivização. Impossibilidade de ocorrer na posição de sujeito. São características destribucionais próprias dos reflexivos: 1. D. O se é pronome de terceira pessoa e atende ao singular e ao plural.O lexema verbo II Aula A gramática. Observemos agora a mudança estrutural após a reflexivização. que substituiria o SN1. pois a ação expressa pelo verbo indica que os seus agentes a dirigem uns aos outros. pelo pronome se.

Nesse sentido. CONCLUSÃO É inegável a importância do verbo no que respeita às línguas naturais. Ao finalizar esta aula. esse conhecimento é indispensável a alunos de Letras e a professores de Português. foram anexados modelos de conjugação desses verbos. algumas gramáticas chamam a voz recíproca de reflexiva recíproca. há o fenômeno da alternância morfêmica. De outro modo. RESUMO Nesta aula foi desenvolvido o estudo dos verbos irregulares. Por essa razão. recomendamos que vocês revisitem as nossas gramáticas escolares sempre que tenham dúvidas em relação a quaisquer aspectos relativos aos verbos. Nesse sentido.Língua Portuguesa II Nessa sequência. Tratou-se também dos radicais supletivos. como única marca distintiva entre pessoas gramaticais. O conhecimento das vozes verbais é fundamental à feitura e à compreensão de textos. conhecer não só as chamadas irregularidades verbais. o SN posterior ao verbo foi substituído pelo pronome se. os dois SNs possuem o mesmo índice. quer nas desinências responsáveis pelas informações concernentes às categorias morfossintáticas verbais. Esses verbos apresentam alterações quer no seu radical. inclusive. O estudo da defectividade e da abundância verbais também foi feito. segundo as prescrições concernentes à língua padrão. No que respeita às irregularidades do radical. como também a defectividade e a abundância dos verbos permite aos utentes da língua expressar-se de forma adequada. Dessa forma. manifestado na troca de vogais do radical. Irregularidades relativas a desinências verbais foram também consideradas. 76 . na perspectiva da Gramática Gerativo-Transformacional. As vozes verbais foram consideradas.

d) ( ) Todos permaneceram em silêncio. ( ) caber i. ( ) pôr h. Verbo AMAR _______________ (tu) Não _________________ (tu) _______________ (você) Não _________________ (você) _______________ (nós) Não _________________ (nós) _______________ (vós) Não _________________ (vós) _______________ (vocês) Não _________________ (vocês) 2. Indique as frases cujos verbos são abundantes. Verbo VENDER _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 3.) V. ( ) ser d. anômalo) a. Explique a abundância desses verbos.O lexema verbo II Aula ATIVIDADES I. Marque R (V. e) ( ) O menino estava muito cansado. ( ) amar f. ( ) agredir c. ( ) valer b. III. (Ir a gramáticas. b) ( ) Nós nos comprazemos com a sua vitória. ( ) ir e. c) ( ) Aquele engenheiro constrói belas pontes. ( ) haver g. Conjugar os Imperativos Afirmativo e Negativo dos verbos indicados: 1. regular). ( ) cerzir IV. Conjugue o futuro do subjuntivo dos verbos VER e IR. II. irregular) e A (V. Verbo PARTIR _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 4 Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) 77 . a) ( ) A gordura entope o cano da pia. I (V.

Passar da passiva para a ativa. A distribuição de prêmios foi suspensa. Amas a tua pátria. 5. (Só a segunda oração) 9. 3. Os funcionários receberam o carnê de pagamento. 08. 04. Todos eles partirão ao anoitecer. quando possível. O Papa teria sido visto durante o desfile. 05. VII. Os romanos invadiram a Gália. as seguintes frases: 1. 03. 4. 2. As minas foram descobertas pelos colonizadores. 02. Os alunos haviam terminado a prova mais cedo. Ninguém tinha sido convidado para a festa. 10. Duas mil pessoas assistiram ao espetáculo. Ninguém ouviu a sua voz.Língua Portuguesa II 4. 6. Verbo PÔR _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) 5. Passar para a voz passiva. As minas tinham sido descobertas pelos colonizadores. 78 . 06. As novas terras tinham sido descobertas pelos espanhóis. 12. A esta altura novas terras terão sido descobertas. Estes móveis teriam sido comprados no século passado. Ele se batizou na capelinha da fazenda. 07. Ah! Se eles tivessem chegado mais cedo! 11. Os aniversariantes partirão o bolo. 7. Espero que você tenha recebido a encomenda. Verbo APRESSAR-SE _______________ (tu) _______________ (você) _______________ (nós) _______________ (vós) _______________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) Não _________________ (tu) Não _________________ (você) Não _________________ (nós) Não _________________ (vós) Não _________________ (vocês) VI. 09. Os meninos gozarão da oportunidade de brincar. 8. (IDEM) 10. A rua foi asfaltada este mês. 01. Espero que você receba a encomenda.

São Paulo: Companhia Editora Nacional: 1989. A1iviar-se-ão estas dores com lágrimas. 06. 11. 2008. 07. 47 ed. Lindley. Exercício de conversão de vozes do verbo O que estiver na voz ativa. Gramática escolar da língua portuguesa. Pedro tinha medo de ser castigado pela polícia. 4 REFERÊNCIAS BECHARA. O presente fora escolhido com todo o carinho. Rio de Janeiro: José Olimpio. 13. Celso. Os 1adrões foram identificados por uma testemunha. 09. F. Moderna gramática portuguesa. Evanildo. (AP) O que estiver na voz passiva. _______. Rocha. 33 ed. L. 1985. Luiz. Gramática normativa da língua portuguesa. passar para a voz ativa. O dissídio já havia sido homologado. 2006. LIMA. 03. A prática tem demonstrado as vantagens de serem alteradas as normas em apreço. porque roubara o relógio da professora. Prática de morfossintaxe. O carro foi finalmente consertado. 10. CUNHA. Barueri – SP: Manole. 02. É necessário que cumpramos as regras do regulamento. Não se conhecem os motivos por que foi demitido. 15. Nova gramática do português contemporâneo. 08. Eles nunca se importaram com ninguém.O lexema verbo II Aula VIII. Espero que você realmente tenha compreendido tudo. As latas eram recolhidas pelo lixeiro. passar para a voz passiva. 12. Digamos que já é conhecido o assunto. 79 . Rio de Janeiro: Lucerna. SAUTCHUCK. 14. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. (PA) 01. Na noite anterior. CINTRA. Não sei se serão aprovados os novos estatutos. dolorosos gritos haviam sido ouvidos por todos os vizinhos. 2004. 05. 04.

com). . Língua Portuguesa I (Fonte: http://www. empregar preposições essenciais e acidentais.Aula GRAMEMAS RELATORES: PREPOSIÇÕES 5 META Conceituar os gramemas relatores chamados de preposições e demonstrar as principais relações determinadas por esses gramemas. o aluno deverá: reconhecer preposições e locuções prepositivas.gettyimages. PRÉ-REQUISITOS Revisitar a aula de número 2 e retomar as noções de léxico e de entradas lexicais. OBJETIVOS Ao final da aula. descrever as funções construídas pelas preposições. depreender as principais relações determinadas pelas preposições.

blogspot. caríssimos. Essa abordagem implica a categorização desses relatores e a apresentação das principais locuções chamadas de locuções prepositivas. José Oiticica.com). iniciar esta aula com a investigação morfossintáticosemântica dos gramemas relatores. chamados de preposições nas nossas gramáticas escolares. (Fonte: 3. então. Apresentaremos as principais relações indicadas pelas preposições na ótica do Prof. Cabenos.bp. 82 .Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Continuemos. o trabalho de desbravamento concernente à estrutura morfossintática da língua portuguesa.

pois o latim. Cada caso indica a função sintática da palavra. por terminar em – a (caso nominativo) é o sujeito da frase. Já o sintagma nominal a mãe é entendido como objeto direto por 83 . Já a língua portuguesa não se utiliza nem de declinações nem de casos no que se refere às oposições manifestadas entre as diferentes funções sintáticas. um vocábulo cuja terminação correspondesse ao chamado caso acusativo seria analisado como objeto direto. o SN A menina é entendido como sujeito por vir antes do verbo. depois. especificamente à região onde se formou o Condado Portucalense e. indica que esse vocábulo mórfico exerce a função de objeto direto do verbo amat. ou seja. mediados pela sua ordem e por instrumentos chamados de preposições. Essa variante do latim levada à Ibéria correspondia ao chamado latim castrense. a posição do vocábulo na frase não é relevante no que respeita à sua função sintática. transformado em português. Portugal. De outra forma. Retomemos a tradução da frase latina analisada. como já dissemos. as funções sintáticas são depreendidas das relações entre os vocábulos mórficos ou formais. vocês devem ter compreendido o porquê de essa língua ser classificada como língua sintática ou flexiva. A perspectiva histórica ou diacrônica nos mostra que o português resultou das modificações sofridas pela variante do latim que os soldados romanos levaram à Península Ibérica. à modalidade de latim falado pelos soldados de Roma. No português. Nesse sentido. a terminação da palavra corresponderia ao caso dativo. Existem paradigmas latinos chamados de declinações. a terminação – em. Observem também que Puella. Por exemplo. A língua latina situa-se entre as chamadas línguas sintéticas ou flexivas em virtude de suas funções sintáticas (construídas pelas suas palavras ou vocábulos mórficos) serem depreendidas das flexões identificadoras dos chamados casos. perdeu as flexões referentes aos casos. Em relação ao latim.Gramemas relatores: preposições Aula O estudo dos gramemas relatores chamados de preposições enseja algumas observações acerca de princípios sistêmicos da língua portuguesa. Essa evidência. se a função exercida fosse a de objeto indireto. Nessa frase. Tomemos o seguinte exemplo: Puella ↓ A menina matrem ↓ a mãe amat ↓ ama 5 Nessa frase. corresponde a um princípio sistêmico dessa língua. considerados na sua relação com a língua latina. de matrem. segundo os quais os casos se manifestam. A menina ama a mãe.

feito. Esses elementos pertencem ao inventário fechado da língua e podem ser agrupados conforme “alguns papéis fixos que vierem a exercer morfossintaticamente” (SAUTCHUK.” (C. e.Língua Portuguesa II vir depois do verbo e por não se apresentar precedido de preposição obrigatória. ao transformar-se em português. entre elas. perdeu a organização sistêmica sintética em prol do princípio analítico. eles podem ser chamados de gramemas relatores.. no latim. sob. As preposições acidentais são aquelas que primitivamente não eram preposições. como durante. etc. desde. PREPOSIÇÕES Gramemas relatores que servem a relacionar palavras correspondem aos vocábulos tradicionalmente conhecidos como preposições As nossas gramáticas classificam as preposições em essenciais e acidentais. segundo. perante. Essa maneira de agrupar inclui vocábulos tradicionalmente chamados de conjunções e de preposições. Vejamos os exemplos seguintes: “Você não vai me pedir a certidão de idade. ante. 84 . Os gramemas são os elementos responsáveis pela significação gramatical ou linguística dos sistemas linguísticos. 27). como. A resposta é que elas existiam e existem. salvo. A importância das preposições veio crescendo gradativamente no decorrer da evolução do latim ao português. as funções sintáticas dessa língua não são prioritariamente marcadas por elas. sem.. da relação entre palavras e/ou orações. fora. tirante. quando esses gramemas estão a serviço da união. Ainda segundo a autora. contra. a exemplo de a. como já vimos. conforme. mediante. com. para. trás. Os lexemas. são responsáveis pela significação cultural ou biossocial no que respeita à organização semântica das línguas. 2004. de ANDRADE). passaram a sê-lo. Passemos então ao estudo das preposições da língua portuguesa. Vocês hão de se perguntar se. entre. de. afora. Entretanto. só depois. O latim. p. em. dissemos que. GRAMEMAS RELATORES Quando estudamos as entradas lexicais que compõem o léxico da língua (aula no 2). por. situam-se os lexemas e os gramemas. D. São essenciais as preposições que só ocorrem na língua como preposições. visto. não existiam preposições. É nesse sentido que dizemos que a língua portuguesa é analítica. sobre. exceto. Vocês podem agora melhor entender o fato de muitos estudiosos afirmarem que as palavras de uma língua podem apresentar significação nocional ou significação meramente funcional ou linguística.

a locução prepositiva é constituída de advérbio ou locução adverbial. DE ANDRADE) No primeiro exemplo. pois sempre ocorreu como preposição na língua portuguesa. Uma maneira de fazer a distinção entre preposição essencial e preposição acidental é a seguinte: observar preposições que antecedem as formas pronominais oblíquas tônicas e também aquelas que antecedem as chamadas formas retas.eu. a palavra destacada medeia a relação entre aconteceu (elíptico) e quinze dias. 294).. pois antecede a forma pronominal reta . a preposição é acidental. o vocábulo de é uma preposição. a. Todos saíram. No caso de a preposição anteceder uma forma pronominal reta. haja vista a sua posição anterior ao pronome oblíquo tônico mim. Locução prepositiva “é o grupo de palavras com valor de uma preposição (. vez que está mediando a relação entre certidão e idade. D. 2006. No primeiro exemplo. os exemplos: Não saia sem mim. exceto eu. e estava perdendo um tempo precioso.” É conveniente vocês revisitarem gramáticas de língua portuguesa. Observem. Algumas vezes. (BECHARA. Em geral. É importante. por favor. ou com”.). a preposição é essencial. Apenas as preposições essenciais antecedem as formas pronominais oblíquas tônicas. encontramos locuções prepositivas constituídas de duas preposições. (C. Isso durante quinze dias”... Tomemos os exemplos: O garoto escondeu-se atrás do móvel.. É chamada de essencial. Não saímos por causa da chuva. O fato de durante já haver sido empregada com outra função morfológica acarreta-lhe a classificação de preposição acidental. essa preposição será acidental. como nas frases seguintes: “Mostrava-se bom para com todos. No segundo exemplo.Gramemas relatores: preposições Aula “. no segundo exemplo. O ofício foi redigido de acordo com o modelo. seguida da preposição de. lembrar a vocês a existência das locuções prepositivas. 5 85 .” “Foi até ao colégio. p. como a gramática de Evanildo Bechara ou a de Celso Cunha.

A preposição liga duas palavras entre si de forma que ela e o seu consequente constituam um bloco indivisível que vai funcionar como complemento do seu antecedente. 86 . 2006) Vocês devem prestar bastante atenção no que respeita ao antecedente e ao consequente das preposições. Algumas vezes a preposição aparece distanciada do antecedente ou do consequente. Nesse sentido. necessária se torna a observação cuidadosa com vistas a sua identificação.Língua Portuguesa II PRINCIPAIS PREPOSIÇÕES E LOCUÇÕES PREPOSITIVAS (BECHARA.

Não dês à sorte. Copo DE vinho.Gramemas relatores: preposições Aula Façamos. 5 Atenção: Casos há em que a preposição não indica relação alguma: 1. Que tanto ilude. (VISCONDE DE PEDRA BRANCA) ANTECEDENTE. Sem a virtude. O livro DE José. Vive DE esmolas. Veio DE Salvador. Carteira DE dinheiro. Objeto direto preposicionado: Comer DO BOM e DO MELHOR. Objeto indireto: Isto depende DE VOCÊ. como se mostrará a seguir com a preposição DE: Relação de MATÉRIA: Relação de CONTEÚDO: Relação de FIM: Relação de MEIO: Relação de MODO: Relação de TEMPO: Relação de ORIGEM Relação de POSSE: Relação de CAUSA: Relação de QUALIDADE: Vestido DE seda. então. PREPOSIÇÃO: CONSEQUENTE _______________ Em (na) _______________ _______________ DE _______________ A à _______________ _______________ _______________ SEM _ _______________ RELAÇÕES CONSTRUÍDAS PELA PREPOSIÇÃO Entende-se por relação preposicional a idéia trazida pela preposição. Andar DE cócoras. Copo DE vidro. Copo D’água. Morreu DE fome. 2. Algum valor”. Leiam as estrofes seguintes e completem as lacunas: “Põe na virtude Filha querida De tua vida Todo o primor. uma breve atividade. Copo DE vinho. 87 . Formiga DE roça. Saiu DE manhã.

Repartiu o dinheiro COM todos (POR todos. estava COM fome. preso COM . EM ATENÇÃO A. debruçou-se A FIM .Eu o tinha POR sábio. andou DE trem. come lá uma vez POR .Vem aqui DE VEZ EM vez.Copo DE vidro.FIM DE ouvi-lo. . contou POR grosas. . . estava LONGE DE casa. ele me tinha NA CONTA . ia COM cau. estamos PERTO DE ti. vivia SEM . .Foi ATÉ o portão. (Locuções: POR MEIO DE.Partiu COM esperança (esperançado).FAVOR FAVOR DE.DISTÂNCIA 88 . . . . (Locuções: EM PROL DE. . Fez isso EM pura perda (EM vão).LIMITE . Locução verbal: COMEÇOU A FALAR. Complemento nominal: Ter necessidade DE DINHEIRO. pisar EM falso.gócio COM vantagem. PARA COM).ONDE: estou EM casa . realizou o ne.DISTRIBUIÇÃO . seguira MEDIANTE um passaporte. recebi-o COMO amigo. RELAÇÕES INDICADAS PELAS PREPOSIÇÕES (Segundo José Oiticica) . .MEDIDA . a água saía SEM violência (ausência de intensidade). caminhava JUNTO A mim.).INTENSIDADE . POR vezes. permanecerá ATÉ maio. ENTRE todos).EFEITO . 4. EM BENEFÍCIO DE.Preparou-se PARA a desforra.MODO tela. .FREQUÊNCIA outra.LUGAR DONDE: vim DE Mendes PARA ONDE: vou A Minas POR ONDE: foi POR outro caminho . .Está A quatro metros. ACABOU DE SAIR. vivia DE esmolas. passa aqui Às vezes.Vendeu A braças.MATÉRIA sola . .ESTIMATIVA DE tolo.Língua Portuguesa II 3.Passamos COM licença (SEM LICENÇA é a ne. etc.Morre POR mim. expulsaram-no A pau.INSTRUMENTO .Escreve COM pena de pato.Bateu COM força.Olhar DE esguelha. EM .ESTADO recursos.MEIO gação do meio). . parede pintada A óleo. saltou SEM cuidado (negação do modo).

Discutiram ENTRE si. foi escalado EM LUGAR DE Mário.Exército DE um milhão de homens. .RECIPROCIDADE . ficarei lá POR vinte e quatro horas.É um coração DE ouro. bateu DE ENCONTRO À rocha. etc. há bens que vêm DE males.Combater COM o inimigo. ficava AO LADO DE meu tio. tua casa.Está ENTRE a cruz e a caldeirinha. como três PARA nove . uma notícia ótima. vendi POR dois contos.PRAZO . 89 . deu o navio EM TROCA DE alimentos. estava ACIMA Da mesa. .PROVENIÊNCIA . O conhecimento desses gramemas facilita. .(essa dupla referência forma a proporção). está de graça. morou aí POR algum tempo (prazo indefinido). chorou DURANTE uma semana.Ficaram A mil réis.TROCA .REFERÊNCIA . casa COM trinta quartos. combinaram um COM o outro.PREÇO . jogou EM VEZ DE Paulo. . . EM RELAÇÃO À minha. . morreu DE repente (Idem).Deu ouro POR papel. remou AO REVÉS Da corrente.Gramemas relatores: preposições Aula . o uso eficaz de uma língua implica sobremaneira a destreza referente ao emprego das preposições.QUANTIDADE .Júpiter descendia DE Saturno.POSIÇÃO . 5 CONCLUSÃO Os gramemas preposicionais em si e o seu emprego caracterizam a estrutura morfossintática das diferentes línguas naturais. lutamos CONTRA as ondas. navegou AO ARREPIO Das águas.Falou POR mim. . etc.OPOSIÇÃO .QUALIDADE .Dois estão PARA seis. procedimentos didáticos que incluem a feitura de exercícios que facilitem a internalização desse saber. de outra forma. surgiu DE improviso (negação do PRAZO). óleo DE rícino. . COM REFERÊNCIA A isso. . Nesse sentido. .Fez a travessia EM quatro horas. li.SUBSTITUIÇÃO .

todo engrinaldado de (2) viçosos festões. a evidência das relações construídas por esses vocábulos encaminha a uma revisão no que concerne a essa afirmação.utiliza-se sistematicamente das preposições no sentido da oposição das suas diferentes funções sintáticas. Acha-se ali sozinha e sentada ao (10) piano uma bela e nobre figura de (11) moça. caracterizada como língua analítica em oposição ao latim . há preposições. TEXTO PARA IDENTIFICAÇÃO DOS ANTECEDENTES E DOS CONSEQUENTES DE CADA PREPOSIÇÃO. e lindas flores. As linhas do (12) perfil desenham-se distintamente entre (13) o ébano da (14) caixa do (15) piano.língua sintética ou flexiva . QUANDO FOR O CASO: “Subamos os degraus. BEM COMO DAS RELAÇÕES CONSTRUÍDAS. Logo à (6) direita do (7) corredor encontramos aberta uma larga porta. que serve de (3) vestíbulo ao (4) edifício. chamadas de essenciais por só ocorrerem na língua como preposições. há ainda aquelas que ora se apresentam como preposições e ora se manifestam com outros comportamentos morfossintáticos. e as bastas madeixas ainda mais negras do (16) que ele”.Língua Portuguesa II RESUMO A língua portuguesa. Entremos sem (5) cerimônia. vasta e luxuosamente mobiliada. (BERNARDO GUIMARÃES. No português. in “A escrava Isaura”) ANTECEDENTE: PREPOSIÇÃO: CONSEQUENTE: RELAÇÃO: ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ 90 (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) A (ao) DE DE A (ao) SEM A (à) DE (do) A (à) DE ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ . ATIVIDADES A seguir. que dá entrada à (8) sala de (9) recepção. Embora gramáticos digam que preposições são vazias de conteúdo nocional. que conduzem ao (1) alpendre. vocês devem ler o texto. prestar atenção ao texto que segue com o objetivo de fazer a atividade programada.

o sintagma introduzido por preposição REFERÊNCIAS BECHARA. SAUTCHUK. PRÓXIMA AULA Na próxima aula veremos. Prática de morfossintaxe.Gramemas relatores: preposições Aula ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ (10) A (ao) (11) DE (12) DE (do) (13) entre (14) DE (da) (15) DE (do) (16) DE (do) ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ______________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ ___________ 5 A comprovação da existência das relações construídas pelas preposições põe em xeque a afirmação de que preposições são vazias. Gramática escolar da língua portuguesa. ou seja. 2006. 2004. destituídas de conteúdo nacional. Inez. Rio de Janeiro: Lucerna. Evanildo. Barueri – SP: Manole. inclusive. 91 .

(Fonte: dislexiaparatodos. o aluno deverá: descrever a estrutura do sintagma adjetivo. .com). Analisar e descrever a organização e o emprego do sintagma preposicionado.Aula SINTAGMA ADJETIVAL E SINTAGMA PREPOSICIONADO 6 META Descrever a estrutura e o funcionamento do sintagma adjetival. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. identificar as funções do sintagma adjetivo. descrever a estrutura do sintagma preposicionado. identificar as funções do sintagma preposicionado.blogspot. OBJETIVOS Ao final da aula.

Serão estudados os gramemas transpositores e os papéis sintáticos referentes ao sintagma preposicionado. Cabe-nos inicialmente estudar a organização interna do sintagma adjetivo ou adjetival.gettyimages. Descreveremos os contextos em que esses sintagmas exercem suas diferentes funções e estabeleceremos pontes na direção da análise tradicional. Dessa forma. consideraremos tanto o sintagma adjetivo básico quanto o derivado.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Estamos na sexta etapa da nossa viagem no domínio da morfossintaxe.com). (Fonte: http://www. A seguir. será feito o estudo do sintagma preposicionado. 94 .

assim. p. Observemos o exemplo seguinte: Maria é uma menina inteligente. SINTAGMA ADJETIVO-FUNÇÕES Iniciemos o estudo do sintagma adjetivo ou adjetival com um possível conceito funcional: “Podemos definir o SAdj como uma classe de constituintes que podem desempenhar a função de modificador (. (SAUTCHUCK. 6 Mário Perini Alberto Doutor pela University of Texas (1974). Foi professor da PUC de Minas. relações depreendidas de termos igualmente presentes nas frases e/ou enunciadas são chamadas de relações sintagmáticas e relações entre termos ausentes dos enunciados e presentes na mente dos falantes. Sintagma Adverbial (SAdv). inteligente modifica menina. p. emergem sobremaneira as chamadas relações associativas (ou paradigmáticas) e as relações sintagmáticas. da UNICAMP e das universidades de Illinois e Mississipi. pelo elemento que constitui a condução necessária e suficiente de sua existência. Vejam vocês que a área de modificação está preenchida pelo SAdj inteligente. conforme vocês viram em Linguística. Nesse exemplo.38) Assim. Esse SN apresenta a seguinte organização sintático-semântica: determinação – núcleo – modificação. é analisar e descrever os sintagmas adjetivo e preposicionado. a ótica das relações sintagmáticas. que funciona como modificador do núcleo do SN. 38) Os sintagmas se definem principalmente pelo seu núcleo. p. p. Atualmente leciona como professor voluntário da Universidade Federal de Minas Gerais. nesta aula. de modo geral. o termo inteligente está incluído no SN uma menina inteligente. Segundo Saussure. (SAUTCHUCK. 2004. 2004. para quem sintagma é a combinação de formas mínimas em unidade linguisticamente superior”. (SAUTCHUCK. 112). É possível a seguinte classificação dos sintagmas: Sintagma Nominal (SN). restringe o conceito de sintagma a uma ótica “mais funcional de uso da língua pelo falante”. Sintagma Adjetivo (SAdj). são as relações associativas. consideramos sintagma como toda construção sintática que constitua um “‘bloco’ significativo ou funcional no eixo horizontal. 2004. formado a partir de uma ou mais de uma unidade linguística de nível imediatamente inferior”. O nosso propósito. ou seja. “Em sentido amplo. Sintagma Verbal (SV). ainda conforme Sautchuck. Nesse sentido. O estudo do sintagma pressupõe.) (PERINI. todo sintagma é a construção que resulta da articulação de pelo menos duas unidades linguísticas. por apresentarem alguma zona comum. Esse conceito segue ainda o pioneirismo de Saussure. podemos dizer que a 95 .. Sintagma Preposicionado (SPrep). É autor das seguintes obras publicadas pela Parábola Editorial: A Língua do Brasil Amanhã e outros Mistérios (2008) e Princípios de Lingüística Descritiva. em qualquer nível de análise. Assim. 1888. 38) A morfossintaxe.. Sua atuação manifesta-se no campo da teoria e análise linguística.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Dentre os postulados Saussureanos concernentes à organização da linguagem e à atitude do estudioso em relação à mesma linguagem.

96 . Nesse sentido. Perini. Nessa frase. Ver frase – Gosto de doce de coco – A sequência de coco tem a função de modificador em relação a doce. entretanto. em feliz o complemento do predicado. tomemos o exemplo: Nós a consideramos feliz. embora coco seja um substantivo. entretanto SAdjs podem exercer funções diferentes daquelas de modificador.Língua Portuguesa II função do modificador é sempre preenchida por um SAdj. Perini apresenta uma possibilidade de sistematização referente ao SAdj. é um SAdj chamado de derivado. o SAdj feliz se refere a Maria. A seguir. algumas vezes a função de modificador vem preenchida por uma sequência de valor adjetivo iniciada por uma preposição. A sequência que comprei é uma oração subordinada adjetiva. como veremos adiante. A perspectiva de análise adotada pelo Prof. Mesmo assim. Nesse sentido. é também um sintagma adjetivo derivado. Observemos então a frase seguinte: Maria está feliz. o SAdj pode exercer três funções: modificador. o Prof. complemento do predicado e predicativo. Essa referência é responsável pela função de predicativo atribuída a feliz. A organização interna da sequência corresponde. Esse tipo de sintagma será analisado logo após o estudo do SAdj. Nessa frase. De outra forma. (PERINI. Assim. então. A análise sintática tradicional o considera predicativo do sujeito. SINTAGMA ADJETIVO-ESTRUTURA INTERNA A dificuldade de descrever a estrutura interna do SAdj assim se expressa: “A estrutura interna do SAdj encerra alguns mistérios. que estão ainda à espera de estudos aprofundados”. Convém ainda lembrar que SAdjs podem se expandir na forma de orações subordinadas adjetivas como no seguinte exemplo: Os livros que comprei são bons. que é o substituto de um nome feminino e singular. Continuemos a nossa reflexão acerca das funções do SAdj. a um sintagma preposicionado (SPrep). 1998: 113). Perini reconhece. o SAdj feliz se refere ao pronome a. É nessa direção que passamos a estudar a estrutura interna desse sintagma. na perspectiva do Prof.

Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Atenção ao exemplo seguinte: Maria ficou satisfeita com a nota. Além do NSA e do CSA. Nesse exemplo. Observemos o exemplo: Maria ficou satisfeita demais com a vida.Maria está com a nota satisfeita. um outro elemento chamado de intensificador. um bloco funcional e significativo. No segundo exemplo. componente iniciado com preposição. satisfeita é o NSA e com a nota. No primeiro exemplo. viu uma árvore fantasma. o NSA é precedido de três elementos. Considerarmos satisfeita com a nota um sintagma adjetivo decorre da evidência de que satisfeita e com a nota constituem uma unidade. Nesse sintagma. 1998: 114). Voltemos as nossas atenções ao núcleo do SAdj. Em satisfeita com a nota. No bosque. Nessa frase. o NSA é fantasma (um nome de natureza substantivo). como ocorre na sequência a seguir: Maria está realmente sempre muito satisfeita com a vida. (PERINI. Vejam-se os exemplos: Gostavam de música clássica. podemos dizer que ele “é preenchido por palavras únicas (e não sequência de preposição + SN). Nessa frase. pode ocorrer no SAdj. tradicionalmente classificados como “adjetivos” ou “substantivos”. o sintagma adjetivo satisfeita com a nota apresenta dois componentes satisfeita e com a nota. Essa troca afetaria a unidade do sintagma. Logo. É essa a razão da inaceitabilidade da sequencia seguinte: . esse componente ocupa a última posição no sintagma. o SAdj é realmente sempre muito satisfeita com a vida. o núcleo do sintagma adjetivo é clássica (um adjetivo). uma vez que tanto satisfeita quanto com a nota não aceitam a troca de suas posições. demais tem a função de intensificador na estrutura do SAdj. Quanto ao NSA. Quando um SAdj inclui uma sequência iniciada por preposição. essa sequência deve ocupar a última posição no sintagma. Há possibilidade de mais de um identificador na estrutura do SAdj. realmente sempre 6 97 .

5. Completar as lacunas 1. Encontraram-no sozinho. ATIVIDADES I. conceitue sintagma. resguardadas as devidas diferenças. 2. III. 3. 2.. 5. Convém ainda lembrar a vocês que o modificador é analisado tradicionalmente como adjunto adnominal. 3. 1. Sublinhe o CSA 1. 4. Naquele momento todos ficaram atentos ao sinal. No SAdj. estes três termos podem ser incluídos na categoria de intensificador. Todos estavam alegres. Cabe aqui lembrar a vocês que sintagmas adjetivos com tantos intensificadores não ocorrem com frequência em situações de comunicação. além do NSA e do CSA. 5. 4. Segundo o Prof. O NSA é preenchido por ____________ ou por ______________. Os meninos ficaram alegres com a notícia. O NSA e o __________ constituem um único bloco funcional. Sintagmas adjetivais podem exercer ainda as funções de ____________________ e _____________. 98 .Língua Portuguesa II muito. O estudo dos sintagmas implica a ótica das relações ________. podem ocorrer outros elementos pertencentes à categoria do _________________. 6. Os familiares estavam ávidos de vingança. 2. Segundo Sautchuk. As meninas estavam assustadas com a notícia. Muitos a consideravam inoportuna. Indique o SAdj com a função de complemento do predicado (predicativo do sujeito na análise tradicional). As pessoas ficaram curiosas a respeito do desmaio. 4. Todos estavam encantados com a criança. O NSA e o _________não admitem troca de __________. 3. Perini. 7. II. SAdjs podem expandir-se na forma de _________ subordinadas _______________. A paciente continuava dominada pelo medo.

Dentre os transpositores estão as preposições. SAdv (básico) Já os sintagmas derivados são aqueles que são obtidos por transposição. p. necessário se torna a consideração dos conceitos de sintagma básico e de sintagma derivado. Inclusive o sintagma de lua pode ser substituído por enluarada. 6 José Carlos de Azeredo Professor adjunto da UERJ. Atenção ao seguinte exemplo: Era uma bela noite de lua. 152).Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula Passemos ao estudo do Sintagma preposicionado. as conjunções. do pronome relativo que para introduzir orações subordinadas adjetivas que ocupam a posição de um sintagma adjetivo. 1990). Os sintagmas preposicionados (SPreps) são sintagmas derivados cujos transpositores são preposições. Observem os exemplos: A criança brinca. (AZEREDO. onde coordena o mestrado em língua portuguesa do Instituto de Letras. SAdj (básico) A menina chegou ontem. “Eles se formam regularmente na língua para as mesmas funções dos sintagmas adjetivais e dos sintagmas adverbiais”. Nessa sequência. o SAdv formado de advérbio. tendo lecionado por 26 anos na UFRJ. Esse sintagma preposicionado tem o valor de um adjetivo. Assim. Convém atentar para a economia linguística conferida pela transposição: um conjunto finito de transpositores permite um número ilimitado de construções linguisticas. o SAdj formado de adjetivo. reeditado sucessivamente. os pronomes relativos. conforme vimos ao estudar o sintagma adjetivo. são básicos os seguintes sintagmas: o SN formado de substantivo ou de palavra substantiva. a expressão de lua é um sintagma preposicionado formado do transpositor de e do SN lua. É autor de Iniciação à sintaxe do português (JORGE ZAHAR. SINTAGMA PREPOSICIONADO Antes de conceituarmos o sintagma preposicionado. É nesse sentido que podemos dizer que de lua é um sintagma adjetivo derivado. 2000. p. “Chamam-se básicos os sintagmas formados por uma classe de palavras apta a constituir por si só respectivo sintagma”. A transposição se utiliza. por exemplo. a transposição é um processo gramatical que utiliza transpositores (gramemas independentes relatores) para obter um número infinito de construções a serviço dos utentes da língua. SN (básico) A criança está feliz. 152). 2000. (AZEREDO. Preposições servem também de 99 .

Ela é apenas um elo sintático. a sua preposição é vazia de qualquer noção semântica. Nessa frase. p. nesse sentido. perto e certeza. 2004. pois o bloco se inicia com a preposição em (em + este = neste) e se segue do SN este planeta. o sintagma neste planeta é um sintagma adverbial. 100 . A certeza da vitória sempre esteve presente. 86). vazios de conteúdo nocional. aliás “todo CN será sempre representado por um sintagma preposicionado”. Complementos nominais são também organizados na forma de sintagmas preposicionados. Aqui é advérbio. conforme a sequência seguinte: Os dinossauros viviam aqui. a sequência neste planeta é um sintagma preposicionado. É essa organização que é encontrada nos complementos verbais chamados de objetos indiretos. de maneira idêntica àquelas dos SPreps em função de OI. 2004. É importante lembrar que as preposições dos sintagmas preposicionados que exercem a função de CN são. conforme o exemplo seguinte: Os dinossauros viviam neste planeta. (SAUTCHUK. as provocações têm a função de OI. 43). p. Os sintagmas preposicionados pelas férias. É nesse sentido que muitos estudiosos a chamam de preposição vazia. o que pode ser observado no exemplo seguinte: Os japoneses resistem às provocações. Observemos as seguintes construções: Estavam ansiosos pelas férias. Esse objeto indireto se constitui de um sintagma preposicionado formado da preposição a + o SN (as provocações). A preposição que introduz esse sintagma é desprovida de conteúdo nocional.Língua Portuguesa II transpositores no sentido de organizar sintagmas preposicionados com o valor de advérbio. No que respeita aos sintagmas preposicionados com a função de objeto indireto (OI). de mim e da vitória exercem a função de CN em relação a ansiosos. respectivamente. Nessa sequência. O sintagma preposicionado é constituído de “preposição e sintagma nominal”. (SAUTCHUCK. O menino estava perto de mim. Esse bloco pode ocupar a mesma posição ocupada por um sintagma adverbial.

A rua DA AURORA. 2. ADJUNTO ADNOMINAL Ele fuma cigarro DE PALHA. Eles ficaram DE TANGA. Gostas DE LEITE? 4. PREDICATIVO DO OBJETO INDIRETO (*) Chamei-lhe DE TOLO. OBJETO INDIRETO Ele obedece AO REGIME. Cidade DE ARACAJU. 6. 5. Máquina DE ESCREVER. COMPLEMENTO NOMINAL Tens necessidade DE DINHEIRO? Morava perto DO RIO. Tomava café COM LEITE. ADJUNTO ADVERBIAL Saiu DE MANHÃ. 3. Ele é querido DE TODOS. A rua DO PRÍNCIPE. Chamei-lhe TOLO. Viu A NÓS a tarde passada.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula SINTAGMAS PREPOSICIONADOS-FUNÇÕES SINTÁTICAS Funções construídas com a preposição 1. A rua DO SOL. Tenho-o POR HONESTO. PREDICATIVO DO OBJETO DIRETO (*) Escolheram José PARA COORDENADOR. 8. 7. 9. 10. APOSTO O rio DAS MORTES. 6 101 . Morou EM BARCELONA. Vejamos: Elegeram-no DEPUTADO. Devemos ser úteis À PÁTRIA. Pensei muito EM VOCÊ. O Brasil foi colonizado PELOS PORTUGUESES. PREDICATIVO DO SUJEITO O doce é DE LEITE. Esperamos POR VOCÊ. AGENTE DA PASSIVA A América foi descoberta POR COLOMBO. Elegeram-no COMO DEPUTADO. OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO Amar A DEUS. Saiu COM A IRMÃ. (*) Estas duas funções podem ser construídas sem preposição.

dirigiu-se aos sintagmas adjetival e preposicionado. Dessa forma. É nesse sentido que se diz que modificadores exercem a função sintática de adjuntos adnominais dos nomes aos quais se referem. O intensificador sempre se refere ao NSA.Língua Portuguesa II CONCLUSÃO A estrutura sintagmática da língua portuguesa é tecida por meio dos seguintes sintagmas: sintagma nominal (SN). objeto direto preposicionado. Esse complemento (CSA) tem sempre a função sintática de complemento nominal em relação ao adjetivo núcleo do sintagma adjetival (NSA). objeto indireto. A estrutura desse sintagma pode apresentar ainda elementos da categoria de intensificador. Além da função de sintagma de adjunto adnominal. predicativo do sujeito. nessa aula. sintagma preposicionado (SPrep) e sintagma adverbial (SAdv). As preposições introdutórias de objetos indiretos e de complementos nominais são vazias de conteúdo nocional. adjunto adverbial. é inegável a importância do conhecimento da estrutura e do funcionamento tanto do sintagma adjetival quanto do sintagma preposicionado. no que diz respeito a estudantes de Letras e a professores de língua portuguesa. Sintagmas preposicionados exercem as funções de objeto indireto e de complemento nominal. O primeiro desses sintagmas é responsável por funções de especificação. Sintagmas preposicionados são formados de preposição e sintagma nominal. O segundo sintagma (SPrep) é responsável. Essa importância se potencializa. 102 . O sintagma adjetival pode concluir um complemento iniciado por preposição. A nossa atenção. sintagma verbal (SV). o sintagma adjetival exerce ainda as funções de predicativo e de complemento do predicado. RESUMO O sintagma adjetival é uma organização linguística cujo núcleo é um adjetivo. complemento nominal. sintagma adjetival (SAdj). inclusive. predicativo do objeto indireto e aposto. Os sintagmas preposicionados exercem dez funções sintáticas: adjunto adnominal. agente da passiva. de qualificação ou de predicação. É próprio desse sintagma preencher a área lógico-semântica da modificação. pela organização de diferentes funções envolvidas na formação das frases do português.

8. Sintagmas _____________ são obtidos por transposições. Fundamentos de gramática do português. Completar as lacunas 1. 1. ______________ e pronomes relativos são gramemas __________ ou ___________________. Conjunções. Maria gostou do doce de leite. Sintagmas formados por determinada classe de palavra apta a formar por si próprio o sintagma são chamados de sintagmas _____________ 2. O sintagma adjetivo formado de ____________é um sintagma básico. III. 2004. A cadeira de balanço era confortável. Barueri – SP: Manole. 3. PERINI. cujas preposições são chamadas de vazias.São Paulo. Não concordaram com a proposta. II. Inez. Todos estamos atentos ao sinal. Gramática descritiva do português. Mário Alberto. SAUTCHUCK. Sintagmas preposicionados podem exercer as funções de sintagmas __________ e de sintagmas ______________. Os _______________ dos sintagmas ________________ são preposições. 7. 2. Estabeleça intersecção entre o objeto indireto e o complemento nominal no que respeita à preposição que os introduz. Sublinhe sintagmas preposicionados. 2000. 4. 6. José Carlos de. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.Sintagma adjetival e sintagma preposicionado Aula ATIVIDADES I. 1998. 5. 4. 3. 103 . As preposições que introduzem objetos indiretos são _________ de conteúdo ________________. Objetos indiretos são sintagmas ______________. 5. Entregaram os doces às crianças. Prática de morfossintaxe. 6 REFERÊNCIAS AZEREDO.

gettyimages. (Fonte: http://www. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I.Aula A ESTRUTURA DO SINTAGMA VERBAL E OS PADRÕES FRASAIS 7 META Analisar e descrever os padrões frasais da língua portuguesa e sua relação com a predicação verbal. analisar os padrões frasais da língua portuguesa e a predicação verbal.com). OBJETIVOS Ao final desta aula. . o aluno deverá: demonstrar o papel estruturante do verbo no SV.

gettyimages. A partir desse estudo.Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Nesta sétima aula. 106 . veremos os padrões frasais nos quais se incluem o número ilimitado de frases da nossa língua. (Fonte: http://www. o que implica a análise da estrutura do predicado. vamos explorar a transitividade dos nossos verbos.com).

408). Assim. é de entendimento que o predicado é a parte básica da oração e que o seu núcleo estruturante é o verbo. Esse tempo verbal está relacionado à atitude do enunciador. Chovia bastante. Lembrem-se vocês de que já estudaram a estrutura do SN e a função de sujeito em Língua Portuguesa I. o SN O gato e o SV pulou são os constituintes da oração “O gato pulou”. entretanto. p. um SN e um SV. No primeiro exemplo.Concordância do verbo com o sujeito. O segundo exemplo Chovia bastante não apresenta SN e. A PVI corresponde a uma exigência de concordância: o verbo concorda com o sujeito. Conforme o que vocês já estudaram. consequentemente. 1999. 2000. no que respeita a essa disciplina. o lexema verbal GOSTAR apresenta-se no IdFt2. na maioria das vezes. ou seja. revisitar a aula sobre sujeito. Gostaríamos de silêncio. (BECHARA. duas significações entre as quais se estabelece a relação predicativa – o sujeito e o predicado”. Lembramos as seguintes principais evidências que sustentam o papel estruturante do verbo: . No exemplo. Já no segundo exemplo. a língua portuguesa. Na primeira frase. p. e uma das possibilidades de ela ser conceituada é a seguinte: “Chamase oração a unidade gramatical constituída em torno do verbo”. 7 107 . o ponto de vista de quem fala em relação àquilo que diz.Atitude do enunciador manifestada em desinências modo-temporais. É conveniente. não possui sujeito. inclui a possibilidade de orações sem sujeito. corresponde a uma conação atenuada. o verbo ou o lexema verbal JOGAR ocorre no IdPt (pretérito imperfeito do indicativo) e na PVI (3a pessoa do plural). 150). Atenção aos exemplos seguintes: O gato pulou. (AZEREDO. ou as suas regras de formação de frase. Observemos as frases seguintes: Os meninos jogavam na praia. Essa evidência nos fez aceitar a afirmação seguinte: “Oração se caracteriza por ter uma palavra fundamental que é o verbo (ou sintagma verbal) que reúne. O SN que antecede o SV tem a função de sujeito. .A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula É tradicional a divisão da oração em dois constituintes.

2002. 171). Observemos a construção a seguir: Joãozinho entregou o livro a seu irmão. o SN o livro tem a função de OD. melhor dizendo. Nessa sequência. um SN no papel de sujeito. p. as diferentes classes sintáticas dos verbos. Nessa sequência. compreende-se que o seu comportamento nas mais diversas frases e/ou enunciados permita a determinação dos modelos básicos de estrutura de frase. que ocupa a posição de sujeito.Língua Portuguesa II ESTRUTURAS DO PREDICADO Pelo fato de o verbo ser o elemento estruturante do predicado e a condição da oração. ou seja. um SN na função de objeto direto (OD) e um SPrep no papel de objeto indireto (OI). ou verbos cópula. e o SPrep a seu irmão é o OI. e) Verbos chamados de ligação. a) Verbos impessoais intransitivos. Os transitivos diretos admitem SN na posição de sujeito e na posição de complemento. Os jogadores. já que trovejou não apresenta SN na área do sujeito. c) Verbos transitivos – diretos ou indiretos. Esses verbos se constroem com três sintagmas. 108 . b) Verbos pessoais intransitivos são aqueles que aceitam apenas o SN na posição de sujeito. pedem um SPrep (Objeto Indireto). “verbos que recusam sintagmas nominais” (AZEREDO. Esses verbos são considerados por muitos como morfemas gramaticais (gramemas independentes) uma vez que sua função primordial é unir o SN sujeito ao predicado. na posição de complemento. verbos a que a Nomenclatura Gramatical Brasileira denomina de verbos transitivos diretos e indiretos. Veja-se a frase seguinte: Joãozinho é inteligente. d) Verbos chamados de bitransitivos. configurado no seu núcleo. Vejamos diferentes comportamentos de verbos. há um só SN. Observem o exemplo: Trovejou bastante naquela noite. Os indiretos aceitam SN na posição de sujeito e. Atenção ao exemplo: Os jogadores corriam bastante. Esse exemplo comprova a existência de verbos intransitivos impessoais.

Dessa forma. Nessa direção. F → SNSV SV → V SPrep (SAdv) O menino necessita de cuidados. há posições estruturais a serem preenchidas pelos sintagmas. 7 PADRÕES FRASAIS I. ou O menino dormiu rapidamente. SPrep 109 . Se um verbo forma uma oração ao lado de um SN. o verbo estudou acarreta.. Na frase Joãozinho estudou a lição. 2000. a regra é que esse SN seja o sujeito da oração” (AZEREDO. (AZEREDO.”.A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula Nessa sequência.. SAdv SN III. vocês podem entender o conceito de valência. SAdv II. “a grande maioria dos verbos constrói-se com pelo menos um SN. 2000. o verbo é funciona como ponte entre o SN sujeito Joãozinho e o SAdj inteligente. Os tipos de sintagmas são selecionados pelo verbo. p. “Chamamos de valência de um verbo ao conjunto das posições estruturais que irradiam desse verbo. salienta-se a evidência de que o verbo ocupa o centro da oração: à sua volta. 172). De tudo o que já foi dito. F → SNSV Sς → VSN (SAdv) O menino estudou a lição. p. SN ou O menino estudou cuidadosamente a lição. entendido na análise sintática tradicional como predicativo do sujeito. irradia duas posições estruturais a serem ocupadas por dois sintagmas nominais: o SN Joãozinho e o SN a lição. 172). Considerando-se as posições estruturais da oração irradiadas do verbo – as valências verbais – é possível estabelecer os padrões frasais da língua portuguesa. F → SNSV SV → V (SAdv) O menino dormiu. Os verbos considerados no grupo a constituem um grupo bastante pequeno no que respeita aos outros grupos de verbos.

que faz parte do conjunto dos verbos pessoais intransitivos. o único elemento obrigatório é o verbo. Esses padrões não incluem orações sem sujeito. O sintagma adverbial (SAdv) é elemento opcional. mas não o exigem. SAdv Predicativo Como vocês devem ter percebido. são impessoais intransitivos. SAdv ou O menino vai alegremente ao colégio. SN SPrep ou O menino entregou alegremente o livro ao irmão. uma vez que. o seu verbo pertence ao conjunto dos verbos transitivos indiretos. No padrão II.Língua Portuguesa II ou O menino necessita urgentemente de cuidados. SAdv SAdv VI. Essa conclusão se explica pela constatação de que o número desses verbos é irrelevante. Assim. cujos verbos. SAdv SN SPrep V. Predicativo ou O menino está sempre alegre. o verbo é transitivo direto. sua valência inclui uma posição estrutural pós-verbal ocupada por um SN. conforme vimos. F → SNSV SV → V SAdv (SAdv) O menino vai ao colégio. há obrigatoriamente uma posição pós-verbal ocupada por um SPrep. se comparado ao número daqueles que caracterizam esses seis modelos de frase. Todos os modelos aceitam esse sintagma. SAdv SPrep IV. em todos esses modelos há um SN sujeito. O padrão IV é organizado a partir de verbos transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo. No padrão I. O padrão V contempla verbos considerados pessoais intransitivos 110 . pois não corresponde à exigência do verbo. F → SNSV SV → VSN SPrep (SAdv) O menino entregou o livro ao irmão. No padrão III. F → SNSV SV → V Predicativo (SAdv) O menino está alegre.

Nesse sentido.A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). frases e/ou enunciados com estrutura passiva. entendido como termo preposicionado que delimita a natureza semântico-sintática do verbo. que vocês retomem o estudo da voz passiva. as frases atualizadas na modalidade passiva são frases que. p. SAdv Se retirarmos dessa frase o SAdv na mesa. . Lembramos o entendimento de que a voz passiva é resultado de transformações aplicadas à Estrutura Profunda de uma frase que inclui um SN com a função de objeto direto (paciente) e um SN sujeito (agente). que. exprime uma circunstância. organizam-se segundo os padrões II ou IV. na Estrutura Profunda. passa a funcionar como sujeito da passiva. após a transformação devida. Por fim. predicados complexos e podem ser chamados de verbos transitivos circunstanciais. 7 PADRÕES FRASAIS E VOZ PASSIVA É conveniente. aqui. O caráter complementar desse sintagma adverbial justifica o V Padrão Frasal.” (BECHARA. 44) e “Alguns autores preferem classificar esses complementos como complementos adverbiais. No que respeita aos padrões frasais da língua portuguesa. embora a sua valência inclua a posição ocupada por determinados SAdvs. Essa agramaticalidade decorre da ausência do SAdv na mesa. Joãozinho viu a estrela.44). que dele vem separado por um verbo de ligação. “Muitas vezes o complemento relativo. Os verbos que necessitam de sintagmas adverbiais de natureza complementar organizam. Predicado ou Sintagma verbal 111 .. teremos a sequência agramatical. 2006. Observemos os exemplos: Voz ativa I. o Padrão VI se caracteriza pela presença de um predicativo do sujeito. p. pois.. Veja-se o exemplo: Joãozinho pôs o livro na mesa.” (BECHARA. na estrutura profunda apresentam um SV com um SN obrigatório.Joãozinho pôs o livro. 2006. Nesse sentido. chamado de cópula.

CONCLUSÃO Estudamos a predicação verbal e os modelos de frase da língua portuguesa. logo. Nesse sentido. é possível a passiva a seguir: Voz passiva O brinquedo foi entregue ao irmão por Joãozinho. chamados de Padrões Frasais da língua portuguesa. Conhecer tais estruturas e mecanismos é de grande valia para todos nós. SN (sujeito) Nessa frase. Voz passiva A estrela foi vista por José. RESUMO Vimos que o verbo é o princípio estruturante do predicado e da oração. SN (sujeito) O SN objeto direto da voz ativa passou a sujeito da voz passiva.Língua Portuguesa II Nesse sintagma verbal. Predicado ou SV Nesse SV. o SN o brinquedo é objeto. o SN (sujeito) corresponde ao SN (objeto direto) da voz ativa. verbos transitivos circunstanciais e verbos cópula ou de ligação. transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo. O respeito a essa norma é essencial no que respeita a nossa profissão. 112 . pessoais intransitivos. os verbos podem ser impessoais intransitivos. transitivos diretos. já que tal conhecimento está a serviço da construção e do reconhecimento de frases que respondem às exigências da Norma Culta da Língua. o SN a estrela é objeto direto. transitivos indiretos. Frases na voz passiva decorrem de transformações aplicadas à estrutura profunda de frases cujos modelos são o padrão II ou o padrão IV. Voz ativa Joãozinho entregou o brinquedo ao irmão. As valências desses verbos são responsáveis pelos seis modelos de estrutura de frase.

” (EUCLIDES DA CUNHA) 13. disse ( ) Guiomar. DE ALMEIDA) 19.” (MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 6. RAMOS) 2. “A cerimônia continuou ( ). portarias. (RICARDO ALBERTO) 16. que pulou ( ) de contente. “A boiada arranca ( ). Identificar os verbos quanto ao complemento. 3. A. “A minha perna um bicho mau levou ( ). “O velho saiu ( ) satisfeito e foi levar ( ) a nova ao Leonardo. Não cedem ( ) aos argumentos da razão.” (LIMA BARRETO) 11. “A princípio. “Sua carta deu-me ( ) imenso prazer.” (MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 5. “(Beldroegas) vivia ( ) obsedado com os avisos. utilizando-se de números. politicamente. “O menino voltou ( ) constrangido.” (JOSÉ DE ALENCAR) 8. “Não precisa falar ( ). nem à força dos fatos.” (MACHADO DE ASSIS) 18.” (M. “Ainda retiniam ( ) as últimas badaladas das trindades. “As faces eram ( ) talvez pálidas demais.A estrutura do sintagma verbal e os padrões frasais Aula ATIVIDADES I. assim: (1) intransitivo (2) transitivo direto (3) transitivo indireto (4) transitivo direto e indireto (ao mesmo tempo) (5) de ligação 1.” (LEDO IVO) 17.”(MEDEIROS E ALBUQUERQUE) 7. “Conhecia ( ) regularmente a língua portuguesa.” (TAUNAY) 10. traduzia ( ) francês. de uma firme nitidez. “Sedentas de absoluto. leis.” (C. já sei ( ) que me acha ( ) bonita. com um inato horror ao relativismo.. “Digo-te ( ) que deve ser ( ) um papel muito importante”. “A música tomou ( ) o seu lugar numa saleta ao lado.” (G. DA SILVA)..” (R. DE ALMEIDA) 4. Aderem ( ) ou repudiam ( ) de acordo com um mecanismo emocional que não admite ( ) o meio-tom.” (M. ele pediu ( ) ao porteiro o favor de solicitar ( ) dos demais condôminos que suspendessem ( ) a cotidiana remessa de despojos. “As araras morreram ( ). como à abstração. decretos e acórdãos.” VIRIATO CORREIA) 14. “Permite-me ( ) uma pergunta?” (RICARDO ALBERTO) 15.” (JOAQUIM NABUCO) 12. as mulheres são ( ) sempre. “Nisto a solenidade começara ( ). NETO) 9. “Os paraguaios fizeram ( ) justiça a Antônio João. e sabia ( ) um pouco de latim.” (OTTO LARA RESENDE) 7 113 . A.

” n) “O rapazinho não parecia interessado na crítica ao Governo.” o) “Eu lhe vendo as minhas._________ e._________ l. o espetáculo já é ( ) edificante e.. Rio de Janeiro: Lucerna.” k) “A história certa eles não contam. _________ j.” (C.” (OTTO LARA RESENDE) II. _________ b. _________ c.” b) “Estela soprou um balão..” m) “Não te censuro. filha._________ PRÓXIMA AULA Na aula subsequente estudaremos a classificação do predicado e do predicat ivo. José Carlos de.” c) “. sobretudo nos grandes centros. o senhor é um monstro.” h) “Como as pessoas são mentirosas. DE ANDRADE) III.. a.Língua Portuguesa II 20.Vovô..” g) “Daí a pouco o gerente mostrava-lhe a caixa registradora. Sublinhe o SV das frases seguintes a) “O gerente olhou o relógio. Fundamentos de gramática de português. Gramática escolar da língua portuguesa. D. BECHARA... filhinha. antecipa ( ) o futuro que nos espera ( ).” f) “Estela riu da sua ignorância.” d) “O movimento de fregueses declinava.. 2. 114 . a filha ficou ainda mais longe no Peru. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. “Em países industrializados.” e) “Não mexa nas gavetas._________ o. Evanildo._________ i. 2000._________ h. _________ d.” l) “. Indique o padrão correspondente a cada frase. de certo modo.” i) “Do salão vinham os gritos. ed. _________ f. _________ m. 2006.” j) “As vozes eram as mesmas. REFERÊNCIAS AZEREDO. _________ n. _________ g.. _________ k.

com). OBJETIVOS Ao final desta aula. Mostrar as especificidades do Predicativo. analisar as estruturas próprias das diferentes atualizações do predicativo. (Fonte: http://www.gettyimages.Aula PREDICADO: E DO PREDICATIVO CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO 8 META Descrever os diferentes tipos de Predicado. o aluno deverá: analisar e reconhecer as estruturas concernentes aos diferentes predicados. reconhecer as modalidades do predicativo. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. .

o que implica o estudo do predicativo que ocorre tanto em predicados simples quanto em predicados complexos.gettyimages.com). (Fonte: http://www. incluída esta de número 8. Nela. Todos os que optaram pela continuidade sentir-se-ão fortes no sentido de haverem ultrapassado os obstáculos encontrados. fiéis companheiros de viagem. estamo-nos aproximando do final deste percurso nos domínios da morfossintaxe da língua portuguesa. Faltam-nos apenas três aulas. analisaremos as diferentes modalidades de predicado. 116 .Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Alunos.

Joãozinho dorme.” (BECHARA. torna-se necessário delimitá-la mediante um termo complementar.32). Passemos ao seguinte exemplo: Joãozinho estuda muito. 32). Em casos desses. esse verbo pertence ao conjunto dos lexemas da língua. SV Predicado verbal Predicado complexo Vocês devem ter inferido que a classe do predicado simples ou incomplexo é constituída dos chamados verbos intransitivos. Predicado verbal Núcleo: estuda Cabe-nos aqui apresentar uma categorização do predicado.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO Não só a descrição feita pelos linguistas. entretanto. 129). esse verbo constitui o núcleo do predicado. Nesse sentido.” (CUNHA & CINTRA. VERBAL ou VERBO-NOMINAL. segundo sua natureza semântico-sintática. 2006.. a significação do verbo for muito ampla. Quando essa natureza se encerra no próprio verbo. p. Vejamos os exemplos: I. o predicado é chamado de complexo. 8 PREDICADO VERBAL Dizemos que o predicado é verbal. quando há informação semântica nocional no verbo. 2006. Já o predicado complexo é formado dos verbos transitivos. 117 . “Se. mas também aquela feita pelos gramáticos classificam o predicado. p. 1978. Dizendo de outra forma. núcleo de predicado. o núcleo do sintagma verbal. Joãozinho comprou um DVD. p. SV Predicado verbal Predicado simples ou incomplexo II. Por essa razão.. “dizemos que é um predicado simples ou incomplexo” (BECHARA. “O PREDICADO pode ser NOMINAL.

Cabe ainda lembrar que o entendimento de um verbo como transitivo ou intransitivo só é possível através de frases e/ou enunciados. PREDICADO NOMINAL E PREDICATIVO “O PREDICADO NOMINAL é formado por um VERBO DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO” (CUNHA.. parecer. (BECHARA. 2008. 129). 2008. Suas dificuldades são duas. nas nossas gramáticas escolares. p. Nesse sentido. ocorre como um verbo transitivo (direto). quando flexionável. o verbo estuda está empregado como intransitivo.” (BECHARA. Segundo Bechara. Joãozinho estuda música. Esses verbos estão a serviço da relação entre o SN sujeito e um complemento chamado. “Outro tipo de complemento verbal é o predicativo. 1978. Joãozinho estuda muito. o predicado verbal inclui tanto verbos intransitivos quanto verbos transitivos. Na primeira frase. Quando estudamos o lexema verbo.. pronome. ficar. Esse complemento. p. c) É comutado pelo pronome invariável o. numeral ou advérbio. 42). I. Dessa forma. esse complemento predicativo apresenta as seguintes características: a) É expresso por substantivo. conforme as frases seguintes. estar. p. é denominado de predicativo do sujeito. A vida não é assim. nas análises descritivas. Meu amigo é aquele. adjetivo. A mãe é uma amiga. vimos que há verbo que são considerados verbos cópula pelo fato de não apresentarem sentido nocional.42) Observem-se os exemplos: O menino é estudioso. conhecidos como verbos de ligação. Na segunda. Voltando então ao predicado verbal. permanecer e mais alguns.Língua Portuguesa II Nesse sentido. 118 . de complemento do SV. CINTRA. II. o verbo se expande através do SN música. seu núcleo pode ser um verbo transitivo ou um verbo intransitivo. b) Concorda com o sujeito em gênero e número. que delimita a natureza semântico-sintática de um reduzido número de verbos: ser.

Nessa oração de sujeito indeterminado. o verbo (Encontraram). A mãe o é. Até agora vimos o predicativo do sujeito. SV Esse sintagma verbal possui dois núcleos: o verbo (caminhava) e o adjetivo (apressado). Joãozinho caminhava apressado. Já nos predicados complexos. o predicativo se refere ao SN do sujeito. os nossos gramáticos chamam esse predicado de verbo-nominal. no SV. Vimos. N1 N2 . o predicativo se refere ao complemento verbal. Dessa forma. Na segunda. isso ocorre em virtude de a frase resultar da síntese de duas outras: Joãozinho caminhava.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula Veja-se a comutação: O menino é estudioso. assim. que se refere ao SN. É essa referência que autoriza a afirmação de que o SAdj 119 . Nos predicados simples. temos. o predicado verbo-nominal com predicativo do SN sujeito. Observemos a sequência. o SN objeto direto (Joãozinho) e o SAdj (desmaiado). 8 PREDICADO VERBO-NOMINAL PREDICATIVO E VERBOS NOCIONAIS O predicativo pode ocorrer quer em predicados simples. SV Na primeira delas. é o adjetivo apressado. quer em predicados complexos. O menino o é. Encontraram Joãozinho desmaiado. A mãe é uma amiga. SV e Joãozinho estava apressado. seja ele um SN ou um SPrep. o núcleo do sintagma verbal é o verbo.

manifestado através do SN o menino. Essa última sequência é agramatical. o predicado é verbo-nominal. temos a prova de que esse sintagma é adjunto adnominal. o SAdj é predicativo do SN. Às vezes nos deparamos com a dificuldade no sentido de distinguir entre o predicativo do objeto direto e o adjunto adnominal. teremos: Viram-no. Quando a comutação inclui o SAdj. é indispensável que se inclua na frase o SAdj caído. ele é chamado de predicativo do objeto direto. Em caso contrário. no sentido de substituir o SN objeto pelo pronome átono correspondente. Encontraram o livro desejado. a frase. Comutação: Encontraram-no. O teste da comutação comprovou então que caído é predicativo do objeto direto. Nesse caso. Convém ainda lembrar que o predicativo pode relacionar-se ao SPrep que funciona como objeto indireto. convém lembrar que a oração é fruto da síntese das construções seguintes: Encontraram Joãozinho. Viram o menino caído. * Encontraram-no desejado. na oração Encontraram Joãozinho desmaiado. SN SAdj. Viram-no caído. agora.Língua Portuguesa II (desmaiado) é predicativo do SN (Joãozinho). Analisemos. Quando o predicativo se refere ao SN objeto direto. Assim. Por sua vez. Essa construção não preserva as informações contidas em viram o menino caído. devemos nos servir da comutação. Se substituirmos a seqüência o menino caído pelo pronome o. Predicado verbal Joãozinho estava desmaiado. Predicado nominal Dessa forma. conforme o exemplo seguinte: 120 .

A profissão escolhida por vocês inclui necessariamente esse tipo de conhecimento. Joãozinho encontrou o amigo assim. Também nessa frase. mas principalmente que tenham feito as devidas relações entre os fenômenos apresentados e a maneira através da qual eles foram analisados e explicados. comutamos apenas o complemento verbal representado pelo SPrep ao moço pelo prenome conveniente. alguns autores preferem dar-lhe nome especial: anexo predicativo. o que resulta na sequência Chamavam-lhe de profeta. relacione-se ele com o SN sujeito ou com o SN objeto direto ou por um advérbio. Optamos por seguir a tradição e chamá-lo simplesmente predicativo. estudaremos de forma vertical o complemento verbal. Em razão dessa possibilidade. 8 CONCLUSÃO É nosso desejo que vocês tenham não só relembrado o que viram durante o Curso Fundamental e o Curso Médio no tocante à classificação do Predicado e do Predicativo. Joãozinho encontrou o amigo desmaiado.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula Chamavam ao moço de profeta. Na próxima. Joãozinho caminhava abatido. Lembra o professor Evanildo Bechara que é sempre possível substituir o predicativo. Vocês observaram então que tanto o predicativo do objeto direto quanto o do objeto indireto não se incluem no processo da comutação. Chegamos ao final da aula. 121 . Joãozinho caminha assim. predicativo atributivo ou atributo predicativo.

completa.” (A. o seu verbo é intransitivo. Fernando. ( ) “Reinava entre nós D. ( ) “Foi terrível o conflito. a estrutura do SV inclui o chamado complemento verbal.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 9.” (CAROLINA NABUCO) 14.” (A. Nos casos dos predicados complexos. ( ) “O jantar correu muito pouco animado. HERCULANO) 6. predicado nominal e predicado verbo-nominal.” (GARRETT) 7. HERCULANO) 3. Nesses casos.” (CAROLINA NABUCO) 13. ( ) “Estas considerações sugeriram um ardil a Nuno Álvares. o predicativo pode referir-se ao SN sujeito (predicativo do sujeito). quando o seu verbo não apresenta conteúdo nocional. ao SN objeto direto (predicativo do objeto direto) ou ao SPrep objeto indireto (predicativo do objeto indireto). ( ) “A rataria morreu de fome nos buracos. ( ) “Mas a lembrança do horrível sucesso estava sempre presente no espírito do moço alcaide. Nos casos dos predicados simples ou incomplexos. furiosa.” (A.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 10. O predicado verbal traz necessariamente como núcleo um verbo nocional. Essa função é a de ponte entre o SN sujeito e o seu predicativo. HERCULANO) 4. ( ) “Entrou em Portugal com um exército. HERCULANO) 5. ATIVIDADES Identificar os predicados: (1) Predicado verbal (2) Predicado nominal (3) Predicado verbo-nominal do 1o tipo (4) Predicado verbo-nominal do 2o tipo 1. ( ) “O autom6vel vinha cheio. ( ) “A velha estacara no meio da sala.. HERCULANO) 2. afinal.” (CAROLINA NABUCO) 122 . ( ) “Iolanda permaneceu na mesma posição. ( ) “Lamparinas caminhava atrás. ( ) “A confusão tornou-se. ( ) “Os olivais de Santarém lá estão ainda. ( ) “Eu quero ficar sozinha.. Os predicados verbo-nominais se estruturam a partir de verbos nocionais mas incluem sequências com a função de predicativo.Língua Portuguesa II RESUMO As nossas gramáticas escolares explicam o predicado ou a estrutura do sintagma verbal através de um modelo tripartido: predicado verbal. manifestado por meio de SN ou de SPrep. O predicado é classificado como nominal.” (A.” (ALUÍSIO AZEVEDO) 11. furioso.” (A.” (CAROLINA NABUCO) 12.” (RUI BARBOSA) 8.

( ) “Julgara-se até então. horrorizada. Evanildo. Lindley. Prática de morfossintaxe.Predicado: classificação do predicado e do predicativo Aula 15.” (CAROLINA NABUCO) 17. 2004.” (CAROLINA NABUCO) 20. ( ) “Quero dizer a você somente isto: ( ) deixe minha irmã quieta. ( ) “Nica fixou a irmã primeiro com incredulidade. ( ) “Há desses enganos na vida. Gramática escolar da língua portuguesa. Luiz.” (CAROLINA NABUCO) 8 REFERÊNCIAS BECHARA. SAUTCHUK. L. e depois com um surto crescente de indignação. 123 . Barueri – SP: Manole. um porta-voz da família.” (CAROLINA NABUCO) 16. ( ) “Achou-o mais magro ainda. nessa entrevista que ninguém lhe ( ) encomendara. F.” (CAROLINA NABUCO) 19. ( ) “Nica chegou atrasada à mesa de família.”(CAROLINA NABUCO) 18. 1985. CUNHA.Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Nova gramática do português contemporâneo. 2006. Celso & CINTRA. Rio de Janeiro: Lucerna.

Apresentar técnicas de identificação do OD e mostrar objetos diretos pleonásticos. identificar o SN objeto direto.com). (Fonte: pontucom. o aluno deverá: utilizar-se das técnicas de reconhecimento do OD. OBJETIVOS Ao final desta aula.Aula COMPLEMENTO VERBAL: OBJETO DIRETO 9 META Conceituar objeto direto. . PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. reconhecer objetos diretos pleonásticos. internos e preposicionados. internos e preposicionados.blogspot.

Língua Portuguesa II

INTRODUÇÃO
Nesta aula, caros alunos, continuando a nossa observação no que respeita à estrutura do predicado, vamo-nos deter no estudo do complemento verbal chamado de Objeto Direto. Assim, estudaremos o sintagma nominal que ocorre obrigatoriamente na área do predicado. Veremos então, que o SN objeto direto é um sintagma autônomo, já que, responde a imposição da valência verbal. Trataremos de estratégias de identificação dessa modalidade de complemento verbal e da possibilidade de esse complemento adquirir feição pleonástica e de apresentar-se preposicionado.

(Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br).

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Complemento verbal: objeto direto

Aula

Ao estudarmos a estrutura do predicado, vimos que os predicados podem ser classificados como simples ou incomplexos e como complexos. Diferentemente da auto-suficiência da organização semântico-sintática dos verbos dos predicados incomplexos, os verbos dos predicados complexos não possuem essa auto-suficiência, o que acarreta o preenchimento da área do predicado denominada de área complementar. Na perspectiva dos Padrões Frasais estudados, são predicados complexos os que caracterizam os Padrões II, III, IV e V. Nesses modelos de frase, os verbos, chamados de transitivos “exigem complementos obrigatórios que lhes integrem o sentido.” (SAUTCHUCK, 2004: 72). O verbo é chamado de TRANSITIVO DIRETO quando ele se articula diretamente com o seu complemento, ou seja, quando entre ele e o seu complemento não ocorre preposição obrigatória. Esse complemento é então chamado de OBJETO DIRETO. Assim: “D. Plácida foi buscar um espelho...” SN (OD) O SN um espelho liga-se ao verbo sem a mediação de preposição.

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CARACTERÍSTICAS MORFOSSINTÁTICAS DO COMPLEMENTO VERBAL OBJETO DIRETO
Os verbos transitivos, como já vimos, exigem complementos obrigatórios, no sentido de lhes entregarem o sentido. Vejamos uma forma prática de identificação do complemento dos verbos transitivos – o objeto direto. Essa forma de reconhecimento sustenta-se na evidência de que o objeto direto, de forma semelhante ao sujeito, possui uma natureza morfológica substantiva, ou seja, “pode ser expresso por meio de um sintagma nominal.” (SAUTCHUCK, 2004: 72). Entretanto, o SN objeto direto ocupa, na frase, a área do complemento verbal. Por essa razão, esse SN não pode ser substituído por um pronome reto (como ocorre com o SN sujeito). A substituição é, então, feita por um pronome do caso oblíquo. Essa comutação tem como parâmetro a chamada norma culta do português. Assim, chegamos à seguinte generalização: Pronomes pessoais do caso oblíquo devem ocupar a posição do objeto direto. (Na substituição, os pronomes oblíquos o, a, os, as podem se apresentar nas formas eufônicas lo, la, los, las, no, na, nos, nas.) A técnica utilizada no reconhecimento ou na identificação do OD é semelhante àquela usada na identificação do sujeito, o que foi apresentado na aula sobre sujeito, do Curso de Língua Portuguesa I. É a técnica de pergunta e resposta.

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Língua Portuguesa II

Passemos à exemplificação: I. O menino encontrou o livro de matemática. (Técnica da pergunta e resposta) - O menino encontrou o livro de matemática? - Sim, o menino o encontrou. II. Os meninos compraram os livros. - Os meninos compraram os livros? - Sim, os meninos compraram-nos. III. Os meninos vão visitar os amigos. - Os meninos vão visitar os amigos? - Sim, os meninos vão visitá-los. No exemplo I, a sequência substituída pelo pronome o – O livro de matemática – é o objeto direto da frase. Na frase II, o pronome oblíquo, na forma nos, substitui os livros; assim, o SN os livros é o OD dessa frase. No exemplo III, o OD é os amigos, SN substituído por los. Atenção: Resumindo, eis as condições que se devem observar na localização do objeto direto, através da técnica apresentada. “- deve-se dar sempre uma resposta completa, não omitindo nenhum termo não substituído; - o pronome obliquo concorda sempre em gênero e/ou número com o núcleo do objeto direto; - objeto direto é termo representado por sintagma nominal autônomo, apesar de haver casos estilísticos em que ele pode aparecer excepcionalmente preposicionado.” (SAUTCHUCK, 2004, p. 73) Cabe aqui explicitar os conceitos de sintagma autônomo e de sintagma interno. “Consideramos sintagmas autônomos aqueles que se movimentam sozinhos no eixo sintagmático, nele ocupando diferentes posições e constituindo-se, inclusive, de outros sintagmas internos. Estes, por sua vez, estão contidos nos autônomos, não tendo liberdade de se movimentar além do sintagma que os contém, pois estão presos a algum elemento desse sintagma”. (SAUTCHUCK, 2004, p. 44). Os sintagmas internos exercem as funções sintáticas de adjuntos adnominais ou de complementos nominais. Os sintagmas que exercem as outras funções sintáticas são sintagmas autônomos. Vocês estudaram as funções de adjunto adnominal e de complemento nominal na disciplina Língua Portuguesa I. Vejamos exemplos:

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Complemento verbal: objeto direto

Aula

1. A leitura é útil a todos. O sintagma preposicionado a todos está ligado a útil. Nesse sentido, é complemento nominal de útil e, consequentemente, é um sintagma interno. 2. Joãozinho gosta de sorvete de coco. O sintagma preposicionado de coco está diretamente ligado ao nome sorvete no sentido de especificá-lo. A preposição de constrói uma relação de qualidade. Assim, dizemos que as preposições que introduzem adjuntos adnominais estão a serviço de relações nocionais ou semânticas. Voltemos as nossas atenções ao SN objeto direto. Ainda no encalço do reconhecimento do objeto direto, lembramos uma outra técnica: a possibilidade de se apassivar a oração em que se suspeita haver um objeto direto, já que o sujeito da voz passiva corresponde ao objeto direto da voz ativa. Dessa forma: Joãozinho comprou uma revista no Shopping. (Ativa) Uma revista foi comprada por Joãozinho, no Shopping. (Passiva) O SN uma revista é o sujeito da frase na passiva; conclui-se, então, que, na ativa correspondente, esse sintagma tem a função de objeto direto. Às vezes, o objeto direto de uma oração se manifesta através de uma sequência de natureza substantiva, conforme o que se segue: O pai disse não. Todos sabem que ele é inocente. Em contextos desses, os termos que puderem ser comutados, substituídos pelo pronome demonstrativo neutro o, pronome substantivo, são objetos diretos. Vejam-se as substituições: O pai o disse. Todos o sabem. Nessas frases, o vocábulo o é objeto direto. Logo, as sequências substituídas por esse pronome são também objetos diretos. Há ainda que lembrar a estratégia de topicalização no que respeita ao reconhecimento do objeto direto. Nesse sentido, faz-se a transposição do termo que se acredita ser objeto direto, para a esquerda do verbo. Essa topicalizaçao “permite, sem ser obrigatória, a presença dos pronomes o, a, os, as, junto ao verbo, repetindo o objeto direto transposto.” (BECHARA, 2006, p. 35). Assim,

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há duas condições: a) O SN deve ser uma palavra cognata no que respeita ao verbo da oração. (BECHARA.” (Humberto de Campos) Nessa frase. o esforço e o amor. sentado em uma pedra.. a relação entre o verbo e o SN pode ser de natureza ideológica.. Tomemos exemplos: “Morrerás morte vil da mão de um forte. OBJETO DIRETO INTERNO Um verbo intransitivo pode ocorrer com um SN obrigatório em posição pós-verbal.46) Vejamos: “A generosidade. Nessa frase. nesse sentido.63). Essa topicalização promove o chamado objeto direto repetido ou pleonástico. um caso de objeto direto pleonástico. À direita do verbo aparece o pronome os. o sintagma preposicionado de sangue especifica lágrimas. Topicalização O lobo mau. 2000. que. Chorarás lágrimas de sangue. A repetição do objeto direto decorre da “necessidade expressiva ou reforço de ênfase. 130 . há uma relação metonímica entre chorarás e lágrimas. vale dizer. o menino o viu. 2000. passava-as fora do pequeno rancho de peles. b) A palavra cognata deve estar acompanhada de um modificador. De outra forma. “A repetição de um termo da oração por outro de sentido e função equivalente se denomina pleonasmo.” (Gonçalves Dias) O SN morte vil tem como núcleo morte cognato em relação a morrerás. ensinaste-os tu com toda a sublimidade. “As noites. Além dessa relação simbólica. O sintagma adjetivo vil é um modificador em relação a morte.” (HERCULANO. Para que isso aconteça. Temos.” (KURY.Língua Portuguesa II O menino viu o lobo mau.. o esforço e o amor. verbo e SN devem partilhar o mesmo radical (cognatos etimológicos). está topicalizado para a esquerda do verbo. p. que repete o objeto direto topicalizado. é um objeto direto pleonástico. manifestado através da enumeração “A generosidade. p. assim. o objeto direto topicalizado As noites repete-se após passava na forma as.. p.34) O objeto direto.

O estudo dos objetos diretos assim construídos. “Tati. Na comparação: “Respeitava-o como à sua mãe.” c) Quando é pronome pessoal tônico (uso obrigatório): “Ofendeste a ele.” f) Com numerais substantivos: “Aprovei a ambos.” (Matias Aires. “Os romanos adoravam a Júpiter. não os temo. 2000: 45) Eis os principais casos em que ocorre o objeto direto preposicionado: a) Em certas expressões da língua em que aparecem substantivos próprios: “Louvemos a Deus. Machado.” (KURY. RVH. 14.” (An.” d) Com pronomes substantivos demonstrativos.) h) Para evitar ambiguidade: 1.”. “A estas penas nem o esquecimento cura. não a nós. de objetiva direta. chamados de objetos diretos oracionais. Quando se usa a ordem inversa: “Venceram aos chineses os japoneses. sobretudo quando se segue a verbos que exprimem sentimentos.” Antes de finalizarmos esta aula. então.” b) Quando o substantivo indica pessoa: “Estimo a meus pais.) i) Na expressão de reciprocidade um ao outro (e flexões): “Amai-vos uns aos outros.”. será feito na disciplina Língua Portuguesa III.Sa.” “A quem preferes?” e) Com pronome de tratamento: “Muito estimamos a V. que tratará da sintaxe do período composto.” 2. a Garota”.Complemento verbal: objeto direto Aula OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO O objeto direto “não raro vem regido da preposição a.” “Ofendeu a todos indistintamente.” “Feriu-se a si mesmo.” g) Quando vem antecipado: “Aos maus. indefinidos. lembramos que o OBJETO DIRETO muitas vezes se manifesta através de uma oração subordinada substantiva chamada. Essa oração pode ser introduzida pelo gramema relator que ou trazer o seu verbo no infinitivo. 9 131 . interrogativos: “Apreciei mais a este.

transcreviam os horrores.. o conhecimento de variadas possibilidades estilísticas concernentes às estruturas-padrão da língua é de grande valia no que respeita à produção de textos orais e escritos e. a repetição do objeto direto. ATIVIDADES I. atava as fitas. o que configura o objeto direto pleonástico. de Assis) c) “. contavam as cabeças.. a cada navio que chegava da Europa. a) “Um exemplo da segunda classe constitui o presente capítulo.” II. quando o núcleo do SN é cognato ou ideologicamente relacionado no que respeita ao seu verbo.. Sublinhe os objetos diretos nos trechos a seguir. em alguns casos. transforme em estrutura passiva as passagens em que ele se encontra.” M. Como técnicas de reconhecimento dessa modalidade de complemento verbal.Língua Portuguesa II CONCLUSÃO Nesta aula. alaga-a muitos palmos a dentro. de Assis) b) “Com efeito. estudamos o complemento verbal chamado de objeto direto. Esse estudo implicou a análise e a descrição das estruturas através das quais se manifesta esse tipo de complemento verbal. nem gosto particular em ouvi-la. de Assis). Ocorre ainda o chamado objeto direto interno. consequentemente.” M. D.” (M.” (C. os jornais. A partir do reconhecimento do OD. b) “Eu ia resolver praticamente este pequeno problema de estática e de boas maneiras. à interação social.” (M. sobressaem-se a comutação (substituição do provável objeto direto pelo pronome oblíquo o ou uma das suas variações) e a transformação passiva no que respeita à frase observada. de Andrade) 132 . Desvendar essas estruturas é uma imposição a todos os professores e alunos do curso de Letras/Português.. de Assis) d) “Não nos falta música... Além disso. a) “Virgília punha o chapéu. quando a onda investe a praia. mediam o sangue.. arranjava os cabelos... A Língua Portuguesa admite construções com objeto direto preposicionado. cuja ausência implica inaceitabilidade e/ou agramaticalidade. O estilo da língua adota. RESUMO O objeto direto se caracteriza por não apresentar preposição obrigatória.

.. ( ) fico para te ouvir. D. e) Abel matou Caim. Sublinhar e classificar o complemento verbal. Topicalize para a esquerda o objeto das seguintes orações e repita-o depois do verbo através de um pronome pessoal adequado. o aljôfar d’água ainda a roreja ( ). A.. VI. (1) Objeto direto (2) Objeto direto preposicionado (3) Objeto direto interno (4) Objeto direto pleonástico a) ( ) “Ele e o mancebo trocaram a fumaça da despedida.” (C. d) As crianças viram o desastre.. Modifique as frases seguintes. a) Jesus amou todos os homens.. ( ) a mim ouve.. c) Entrevistei ambos.” c) ( ) “Este lugar delicioso e triste / Cansada de viver / Tinha escolhido / para morrer a mísera Lindóia. A topicalização referente à questão anterior gerou objeto direto _____________ V. b) As nuvens encobrem a lua. no sentido de acrescentar preposições aos objetos diretos. c) A cigarra faz canções. de Andrade) III.” g) ( ) “Um sonho mais lindo sonhei. IV. d) Não esqueça os filhos.” (C.” 9 133 .) b) ( ) “Todos eles viveram uma vida feliz. D.” (C.” e) ( ) “Iracema saiu do banho.” (J.” ( ) i) ( ) “Amava-o apenas a ele. de Andrade) d) “Eu perseguia o mito literário. de Andrade) e) “Escolhe entre janelas abertas e penetra em quartos de moças. C. D.” (Basílio da Gama) d) ( ) “Quem vos ouve. como à doce mangaba que corou em manhã de chuva!” (Alencar) f) ( ) “Entre dois ladrões crucificaram os judeus a Jesus. a) A leoa defende a cria. Branco) k) ( ) “Sonhavam sonhos esquisitos. e) O poeta compõe versos.” (de uma canção) h) ( ) “Os sinos já não há quem os toque.” ( ) j) ( ) “Fico para te ver. b) Os gregos adoravam Palas Atena.” (C.Complemento verbal: objeto direto Aula c) “Alguns recebiam manifestações de apreço.

Evanildo. 134 . Inez. Barueri – SP: Manole. REFERÊNCIAS BECHARA. KURY. Rio de Janeiro: Lucerna. Prática de morfossintaxe. 2004. Novas lições de análise sintática. 2000. SAUTCHUK. 2000.Língua Portuguesa II PRÓXIMA AULA Na próxima aula. Adriano da Gama. São Paulo: Ática. 16 ed. Lições de português. trataremos do objeto indireto e do complemento circunstancial.

mostrar diferenças entre o objeto indireto e o complemento relativo.br).com. o aluno deverá: analisar o complemento verbal que se manifesta através do sintagma preposicionado. . reconhecer verbos transitivos circunstanciais ou adverbiais e identificar o complemento circunstancial.nossanoite.Aula COMPLEMENTO VERBAL: OBJETO INDIRETO 10 META Apresentar as possibilidades de análise no que respeita ao Sintagma Preposicionado que ocupa obrigatoriamente a área do predicado. PRÉ-REQUISITOS Língua Portuguesa I. (Fonte: http://www. OBJETIVOS No final desta aula.

no que respeita às funções sintáticas manifestadas pelo Sintagma Preposicionado obrigatório que ocupa a área do complemento verbal. (Fonte: www. chegamos à nossa décima e última aula.portalsaofrancisco. A ela destinamos o estudo do Objeto Indireto. Apresentaremos formas de identificação dessas funções sintáticas introduzidas por preposições obrigatórias e mostraremos em que consiste a obrigatoriedade da preposição.br). do Complemento Relativo e do Complemento Circunstancial. 136 .Língua Portuguesa II INTRODUÇÃO Meus queridos alunos. Mostraremos perspectivas que não coincidem com a ótica da NGB.com.

Maria escreveu aos pais. Essa preposição tem caráter obrigatório. ou à sua obrigatoriedade temos: 137 . Dessa forma. Convém ainda dizer que a obrigatoriedade da preposição se comprova não só pela agramaticalidade da frase. Ainda em relação à necessidade da preposição.Complemento verbal: objeto indireto Aula Na aula passada. aos pais é um SPrep que se introduz pela preposição a à qual se segue o SN os pais. A agramaticalidade. . como frase da língua. Maria aspira ao ar puro do campo (almejar). p. A existência do complemento verbal. temos uma modalidade de complemento que se relaciona a verbos “transitivos indiretos. que exige a presença de sintagma dessa natureza. a área complementar.Maria escreveu os pais. como já vimos. Esse sintagma preposicionado responde à valência do verbo escrever. pelos falantes nativos. quando o gramema está ausente mas ainda pela mudança de sentido do verbo acarretada pela ausência de preposição. Assim. Nessa frase. ou seja. Assim. gramema relator.” (BECHARA. No que respeita ao chamado objeto indireto. Agora vamos tratar do complemento verbal configurado no objeto indireto. estudamos o complemento verbal manifestado na forma de objeto direto. a sequência se torna inaceitável e agramatical. Essa obrigatoriedade assim se explica: retirada da frase a preposição. no complemento relativo e no complemento circunstancial. Maria aspira o ar puro do campo (sorver). por sua vez. decorre do fato de a inaceitabilidade resultar da ausência da preposição. A inaceitabilidade decorre da rejeição dessa sequência. a serviço das exigências sintáticas (gramaticais) da língua. pressupõe um verbo cuja valência impõe o preenchimento da área destinada ao complemento. os que pedem complemento introduzido por preposição necessária. 52) 10 OBJETO INDIRETO O fato de o objeto indireto ser introduzido por preposição obrigatória permite que se diga que a função de objeto indireto é preenchida por um sintagma preposicionado. 2000.

) em dizer preposição necessária para fazer referência àquela que não pode ser retirada sem prejuízo do sentido ou da correção da frase.Língua Portuguesa II Insistimos (. Para Bechara. OD A preposição a em aos pais é um recurso estilístico no sentido de pôr em evidência a pessoa a quem é dirigida a ação verbal. de uvas é um complemento verbal também iniciado pela preposição de. Evanildo Bechara que a NGB. Esse complemento se inicia pela preposição a e pode ser substituído pelo pronome lhe. a organização semântica aponta para a ideia de parte em contraposição ao todo. Diz o Prof. ao pai é o complemento verbal do verbo escrever. José se lembrou do compromisso. A sequência do compromisso é iniciada pela preposição de. (BECHARA. OD preposicionado. seriam objetos indiretos apenas os complementos verbais iniciados pelas preposições a ou para. p. Além dessa característica sintática. . Vejamos agora. Maria escreveu ao pai... 2000.52). chama de objetos indiretos complementos verbais preposicionados de natureza bastante diferentes. Dessa forma. Maria lhe escreveu.Agramaticalidade Os meninos amam aos pais.Os meninos gostam carros . Ao lado desta preposição necessária corre a preposição que pode ser dispensada ou que aparece como recurso estilístico da clareza do pensamento. Complementos verbais geralmente principiados pela preposição de são classificados por Bechara de complementos partitivos e de complemento de relação. complementos esses que podem ser substituídos pelo pronome lhe (ou lhes). Assim. Nessa frase. Assim. A distância da ideia de partitivo e a relação estreita com o 138 . Assim. entendido como o conjunto das coisas das quais José se possa lembrar. ou Os meninos amam os pais. com o objetivo de simplificação. se pode justificar o entendimento de Bechara no sentido de classificar complementos desses como complementos partitivos. Nessa frase. José gosta de uvas.

Rocha Lima. Inclusive.248). que os complementos verbais chamados de objetos indiretos pela NGB englobam complementos partitivos e complementos relativos na perspectiva de mestres da língua como os professores Rocha Lima e Evanildo Bechara. 2008. a predicação de um verbo de significação relativa. poder ser substituído pelo pronome ‘lhe’ (lhes). obrigatórios. algumas vezes.” (Machado de Assis). pela preposição ‘para’ e também por. 10 139 .” (Vieira) Observação: O modelo corrente não aceita essa análise e reconhece em a Adonias um adjunto adnominal. designando a pessoa em quem se manifesta a ação.” (LIMA. p. indicando o possuidor de alguma coisa.” (LIMA. o que não corresponde à perspectiva da NGB. 250) “(. O predicado apresenta dois complementos verbais e. Esse entendimento de complemento de relação é equivalente ao conceito seguinte: “Complemento relativo é o complemento que. em. para ele. 251) Vocês devem ter compreendido. integra. donde só viesse aos sábados. o objeto indireto é marcado pelo traço + pessoa. com o valor de objeto direto. então. o objeto indireto caracteriza-se morfologicamente por se iniciar pela preposição a e.) mandou cortar a cabeça a Adonias. Lembrem-se de que esta é a ótica do Prof. p. OD OI Essa frase organiza-se segundo o Padrão Frasal IV. p. p.. 2008. custou muito ao menino aceitar esta situação. ligado ao verbo por uma preposição determinada (a. etc.” (LIMA. 2008. na terceira pessoa. Maria ofereceu o livro ao seu irmão.). Na ótica de Rocha Lima. 2008. com.” (LIMA.Complemento verbal: objeto indireto Aula verbo podem explicar a classificação de complemento de relação dada por Bechara à sequência de uvas. como tais. b) “Junta-se à unidade formada de verbo + objeto direto. de. 251) “Capitu propôs metê-lo em um colégio. e essa característica acarreta a impossibilidade de o objeto indireto se apresentar na forma de oração subordinada. Rocha Lima evidencia o caráter objetal do complemento verbal chamado de objeto indireto: “O objeto indireto representa o SER ANIMADO a que se dirige ou destina a ação ou estado que o processo verbal expressa. lembramos os seguintes: a) “Complemento de verbos acompanhados de objeto direto”. Dentre os casos incontroversos de objeto indireto citados por Lima.. c) “Liga-se os verbos intransitivos impessoais.

140 .“Ao pobre. 2008. não lhe peço. não lhe devo.Os adolescentes precisam de cuidados.” . . Sublinhar os complementos relativos. O complemento relativo não aceita ser substituído pelas formas pronominais lhe.” . .“A cozinheira começava a cortar as asas ao pássaro.” . A aceitação é referente às formas tônicas ele. lhes. DISTINÇÃO ENTRE COMPLEMENTO RELATIVO E OBJETO INDIRETO (ROCHA LIMA) O complemento relativo “não representa a pessoa ou coisa a que se destina a ação. ao rico. As providências dependem do despacho.Língua Portuguesa II Nesse exemplo. antecedidos de preposição. o sujeito de custou é aceitar esta situação. Complemento relativo.“Confiaste-me todos os teus segredos. ela. e o seu objeto indireto é ao menino. Complemento relativo. nos casos de complemento relativo. As providências dependem dele.” II. Assim.“Tudo vos dava uma impressão agradável. ou em cujo proveito ela se realiza.” . . para Rocha Lima.Adolescentes gostam de música pop. p.” . . ATIVIDADES I.“O médico apertava a mão a todos os doentes.“Que Deus nos dê um resto de alento.” . eles.Os pais assistiam ao desfile. elas. Vocês devem ter-se dado conta de que os casos de complemento verbal iniciados pela preposição de incluem-se.” (LIMA.A jovem entregou a carta à amiga.Os irmãos não reparavam na pequena. . Indicar o objeto indireto nas frases seguintes: . Complemento relativo.252) A menina precisa de conselhos.“Comunicou a desconfiança aos colegas.

” OI Em casos desses.Complemento verbal: objeto indireto Aula .) a coisa em cujo proveito ou prejuízo se pratica a ação.” (BECHARA. 53) 10 DUPLO OBJETO INDIRETO Caros alunos. a expressão que manifesta “a pessoa ou coisa que. p. “Trabalha para o bem geral da família. vejam o seguinte: “Em casos bastante limitados. uma vez que representa “a pessoa a quem pertence uma opinião. Assim. “Só hoje lhe responde à carta. p. III. Continuando o estudo do objeto indireto.” (BECHARA. Bechara afirma que essa modalidade de objeto indireto pode ser chamada de dativo de interesse já que manifesta “(. sequências que não são substituídas pelas formas lhe e lhes. caso em que o objeto indireto pode servir a um verbo de ligação. Dessa forma. conforme o exemplo seguinte: “José pareceu-lhe adoentado.. Bechara inclui ainda. Reescreva as frases apresentadas no item II. 2000.” Objeto indireto (OI) O Prof. O Prof. vivamente interessada na ação expressa pelo verbo. 2000. de janeiro findo.” OI OI 141 . substituindo os complementos relativos pelos pronomes convenientes. ou seja. 53). procura captar a simpatia ou benevolência do ouvinte. 2000. Atenção à frase seguinte: “Prendam-me esse homem!” OI Em relação a essa possibilidade de objeto indireto.” (BECHARA.. sequências que ocorrem em predicados nominais. p. p. é importante deixar claro o seguinte: o professor Evanildo Bechara inclui entre as possibilidades de objeto indireto. podem aparecer dois objetos indiretos referidos ao mesmo verbo. 2000.” (KURY. 49). 53). Bechara a entende como dativo ético.O menino indicou o caminho ao soldado. o OI é chamado por Bechara de dativo de opinião. entre as possibilidades de objeto indireto.

o entendimento do objeto indireto não é coincidente no que respeita a gramáticos como Rocha Lima e Bechara e à postura adotada pela NGB. apresentado por um pronome pessoal ou por um substantivo. Complemento circunstancial. nome de valor locativo.Língua Portuguesa II Nessa frase lhe e à carta são objetos indiretos relacionados ao verbo respondo. com verbos que exigem complemento de sentido locativo. um dos dois. os demais complementos verbais. Assism. 142 . Tanto os complementos relativos quanto os objetos indiretos se distribuem pelos Padrões Frasais III e IV.” OI OIP Aos homenageados. Vejamos a opinião de Bechara no tocante a complementos locativos. Nesse sentido. Esse tipo de complemento é assim conceituado: “É um complemento de natureza adverbial – tão indispensável à construção do verbo quanto. O verbo dessa frase iremos exige a preposição a no sentido de ligá-lo a Roma. p. Voltei do trabalho. que implica o entendimento dos chamados verbos transitivos circunstanciais. entregam-lhes as medalhas.” “Parecia-lhe a ela estar em um mundo fantástico. “Diante de expressões do tipo: Irei à cidade. a NGB não estabelece diferenças entre complemento de relação ou complemento relativo e objeto indireto. COMPLEMENTO CIRCUNSTANCIAL A Nomenclatura Gramatical Brasileira não trata desse tipo de complemento. Objetos costuma vir antecipado. É conveniente que vocês revisitem o estudo dos Padrões Frasais. OBJETO INDIRETO PLEONÁSTICO “A expressividade pode provocar o aparecimento de um objeto indireto pleonástico. como já vimos. temos o complemento circunstancial. 2008.253). Iremos a Roma. em outros casos. Assim.” (LIMA. OI OIP Como vocês devem ter compreendido.

o que se configura no sintagma preposicionado. havíamos dito que tanto objeto indireto quanto complementos adverbiais se manifestam através de sintagmas preposicionados.” (BECHARA. estabelecemos relação entre as suas diferentes modalidades e os Padrões Frasais da língua portuguesa.. Caríssimos alunos. Foram estudadas as especificidades do Objeto Indireto. 143 . 10 CONCLUSÃO Esta aula tratou das especificidades do complemento verbal iniciado por preposição. Vocês compreenderam então que a inclusão do Padrão V entre os modelos de frase concernentes à língua portuguesa implica a aceitação de verbos transitivos circunstanciais. aspectos não considerados pela NGB. Mostramos diferenças entre o Objeto Indireto. isto é. sempre que a dúvida se estabeleça. na disciplina Língua Portuguesa III e não só na vida profissional. como principalmente. p. assim.Complemento verbal: objeto indireto Aula tínhamos a rigor de falar em verbos transitivos adverbiais. Esse complemento foi estudado na ótica de conceituados gramáticos da língua sem perder de vista a perspectiva da Nomenclatura Gramatical Brasileira. exercita a razão crítica. Apresentar e cotejar pontos de vista diferentes e algumas vezes conflitantes além de aumentar a visão de mundo. Durante o tratamento do complemento verbal preposicionado. Desejo-lhes êxito na avaliação final. É importante que vocês consultem dicionários de Regência Verbal sempre que necessário for. denominados de verbos transitivos circunstanciais ou transitivos adverbiais. é importante que vocês estejam atentos no que respeita à Regência Verbal. os que pedem como complemento uma expressão adverbial. RESUMO Esta aula se voltou para o estudo do complemento verbal manifestado através do Sintagma Preposicionado. Por último.52). 2000. Contra o conceito de complemento. na vida pessoal. No início desta aula. detivemo-nos na possibilidade de análise que identifica complementos circunstanciais requisitados por verbos de caráter transitivo e.. a Nomenclatura Gramatical Brasileira arrola tais casos entre os adjuntos adverbiais. o Complemento Partitivo e o Complemento de Relação ou Complemento Relativo. agradeço a todos vocês pela persistência no sentido de acompanharem um curso de morfossintaxe a distância. Nesse sentido. Essa perspectiva de análise é mais congruente no que respeita aos fatos da língua do que a postura adotada pela NGB. o que permite a sua identificação.

Maria agradeceu a gentileza ao amigo. 2008. . Rio de Janeiro: Lucerna.As crianças da África necessitam de ajuda. .O esquilo morava na árvore grande. O que você pode concluir da questão de número IV? REFERÊNCIAS BECHARA. 47 ed. Reescreva a frase transcrita.Os hindus nos mostram seus costumes. Adriano da Gama. Rocha.Os refugiados dependiam de ajuda humanitária. 2000. III. 144 . as árvores conversavam. . 16. . Transcreva.Os esquilos gostam de nozes. . Novas lições de análise sintática.Ele te indicou o caminho. Lições de português. Indique os complementos circunstanciais .Língua Portuguesa II ATIVIDADES I. em relação ao item I.Alice chegou ao País das Maravilhas. substituindo o objeto indireto pelo devido pronome. 2000. São Paulo: Ática.A moça agradeceu ao amigo o gesto. conforme o modelo. .O coelho dormia sossegadamente. . . . . II.Os senadores defendiam-se das acusações. . ed. Evanildo.As crianças foram à praia.Ele vos mostrará a verdade. .Ela lhe ofereceu ajuda. KURY. IV. Reescreva as frases seguintes. . Gramática normativa da língua portuguesa. OD OI A mãe lho entregou. substituindo o objeto direto e o indireto pelos pronomes adequados. uma frase que contenha sintagma preposicionado na função de objeto indireto. . Modelo: A mãe entregou o livro ao filho. LIMA. V. Rio de Janeiro: José Olympio.No jardim encantado.

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