Direito Processual Civil II

Prof. Paula Costa e Silva
António Rolo

I – Teoria Geral dos Pressupostos Processuais (Cont.) A Legitimidade Plural
- Por norma, as acções têm uma relação trilateral (autor, réu e juiz). Contudo, algumas têm uma pluralidade de partes, tendo vários autores, réus ou ambos, configurando, assim, legitimidade processual plural activa, passiva ou mista. - As suas principais expressões serão o litisconsórcio e a coligação - Como distingui-los? A doutrina avança dois critérios: - Unidade/Pluralidade das relações materiais controvertidas - Teixeira de Sousa – indiferenciação dos pedidos – há que aferir se se pedem coisas diferentes ou não.

Litisconsórcio1 2 - Teixeira de Sousa – coincide, em princípio, com uma pluralidade de titulares do objecto do processo, sendo, também, uma legitimidade de segundo grau, pois é uma legitimidade que se decompõe entre os dois titulares, não sendo um mero conjunto ou somatório de legitimidades singulares, mas uma realidade com características próprias. - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – à unicidade da relação controvertida corresponde uma pluralidade de partes. - Quando se verifica o litisconsórcio, pode suceder uma consumpção de ilegitimidade plural – a verificação de que os litisconsortes, ou qualquer um deles, não são titulares do objecto do processo consome a análise da legitimidade processual. - Ex: demandam-se dois devedores em litisconsórcio, um deles demonstra que não tem nada que ver com o caso e é absolvido do pedido.

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Teixeira de Sousa, Estudos Sobre o Novo Processo Civil, 1ª Edição, Lex, 1997, pp 151-171 Montalvão Machado e Paulo Pimenta, O Novo Processo Civil, 10ª Edição, Almedina, 2008, PP 74-79

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- Quando à sua origem, o litisconsórcio pode ser: - Voluntário ou Facultativo – é permitido e depende da vontade dos interessados, não se verificando qualquer ilegitimidade se não estiverem todos presentes. - Necessário ou Forçoso – é uma imposição e é indispensável para haver legitimidade

Litisconsórcio Voluntário - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – diz-se voluntário o litisconsórcio quando a pluralidade das partes resulta da vontade dos interessados, i.e., embora a questão jurídica diga respeito a vários interessados, a presença de todos na acção respectiva só se verifica porque o autor decidiu propor a acção contra todos os interessados, ou porque vários interessados decidiram instaurar a acção. - Paula Costa e Silva – litisconsórcio regra – se peretrido, não se verifica uma falta de pressupostos. - Teixeira de Sousa – opera sempre que exista uma pluralidade de interessados, activos ou passivos, a chamada regra da coincidência – art. 27º/1 - Verifica-se, portanto, por iniciativa da parte ou partes da causa. - Apesar de estar na disponibilidade das partes, a sua constituição não é irrelevante, pois ele traz inúmeras vantagens, sendo a mais importante a extensão subjectiva do caso julgado – aliás, como afirmam Paulo Pimenta e Montalvão Machado, o próprio art. 27º/1 in fine estabelece que a decisão a proferir deverá ficar circunscrita às partes presentes, vinculando apenas essas, evidência explicada por Paula Costa e Silva, por razões de economia processual e de dispositivo. - É o que sucederá, por exemplo, com as obrigações divisíveis – art. 534º CC – que são obrigações plurais cuja prestação é fixada globalmente, competindo, porém, a cada sujeito apenas uma parte do débito ou crédito comum. - Art. 27º/2 – prevê a hipótese de a lei ou negócio permitirem que o direito comum seja exercido por um só ou que a obrigação comum seja exigida de um só dos interessados, bastando a presença de apenas um deles em juízo para assegurar a legitimidade, como é o caso das obrigações solidárias – 512º CC. - Acção de reivindicação por comproprietário – art. 1405º CC - Teixeira de Sousa distingue ainda:

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- Litisconsórcio comum – quando visa estender o âmbito subjectivo do caso julgado. Ex: obrigado solidário – se credor demandar um, assegurará o cumprimento de toda a dívida, mas não poderá opor a dívida aos demais credores solidários – art. 522º CC - Litisconsórcio conveniente – procura assegurar a produção de certos efeitos, que só através do litisconsórcio pode ser alcançados. Ex: obrigação conjunta – sem participação de todos, só pode ser demandada uma quota parte – art. 27º/1, in fine.

Litisconsórcio Necessário - Paulo Pimenta e Montalvão Machado – corresponde a uma pluralidade de partes obrigatória, não dependendo, simplesmente, da vontade dos interessados. - Paula Costa e Silva – se peretrido, gerará ilegitimidade - Teixeira de Sousa – todos os interessados devem demandar ou ser demandados - Para o autor, interessam fundamentalmente dois critérios - o critério de disponibilidade plural/indisponibilidade individual do objecto do processo – art. 28º/1 (que equivalará ao litisconsórcio necessário legal e convencional; e critério da compatibilidade dos efeitos produzidos (equivale ao natural) – critérios esses, orientadores da fundamentação dogmática dos respectivos tipos de litisconsórcio. Doutrina usualmente divide entre litisconsórcio necessário convencional, legal e natural:

Litisconsórcio Convencional - Aquele que é imposto pela estipulação das partes de um negócio jurídico – art. 28º/1 – ou seja, é de admitir que várias pessoas celebrem determinado negócio jurídico e, ao mesmo tempo ou posteriormente, convencionem que devem estar presentes todos os interessados/outorgantes em eventual discussão judicial relativa a esse negócio. - A lei é omissa em relação à forma do documento, mas Montalvão Machado e Paulo Pimenta acham que a mesma deve constar, pelo menos, de documento escrito, ou até forma mais solene, dependendo do objecto do negócio. - Teixeira de Sousa – para determinar o âmbito, há que analisar o regime das obrigações divisíveis e indivisíveis.

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devido à antiga redacção do art. lei ou convenção). justifica demanda de ambos. Litisconsórcio Necessário Legal .Paternidade e maternidade . 419º/1 CC – litisconsórcio passivo de alienante e adquirente. Contudo. resultando num litisconsórcio voluntário. o litisconsórcio necessário convencional só se verifica se for estipulado em relação aos credores.Obrigação solidária indivisível com pluralidade de devedores. . negócio realizado pelo obrigado à 4 . 1410º foi modificado e agora usam-se outros argumentos – obrigado à preferência é quem conhece melhor. . . 1410º CC. que consagram a solução contrária) .Direito de Preferência com vários titulares – art. 2091º CC (não confundir com o art.Deriva da exigência da lei – art. 28º/1 . . 496º/2 CC – litisconsórcio de quem?? . não será um litisconsórcio convencional.Se obrigação for divisível. 27º/1. o art.Direito de indemnização por danos não patrimoniais em caso de morte da vítima – art. sendo um litisconsórcio necessário legal e. 2078º e 2089º. falava-se em litisconsórcio necessário legal. por isso. numa obrigação divisível. mesmo que só ao último seja pedida a coisa.Assim. se forem vários os devedores. o tribunal só conhece da quota-parte do interesse ou da responsabilidade dos sujeitos presentes em juízo – art.art. 535º/1 CC diz que o cumprimento só pode ser exigido de todos eles. 535º/1 CC . 1822º/1 CC . relativamente a uma obrigação indivisível.Responsabilidade civil por acidente de viação – litisconsórcio passivo de seguradora e responsável . o litisconsórcio só é necessário se as partes estipularem que o cumprimento apenas é exigível por todos os credores ou todos os devedores..Direitos relativos à herança – art. que falava em ‘citados os réus’.Se for indivisível (por natureza. usando-se como argumentos a oponibilidade pelo 3º ao alienante e adquirente. que só de todos eles pode ser exigida – art. nomeadamente: . o litisconsórcio será voluntário porque. in fine – assim.É imposto por lei.Contudo o art. se não estiverem presentes todos os interessados activos ou passivos.Se houver uma pluralidade de credores – 538º/1 CC dispõe que qualquer um deles pode exigir a prestação.

desenvolvido mais à frente). 28º-A/1 e 2 – litisconsórcio activo . . .Antunes Varela3 – devem ser propostas por ambos os cônjuges as acções de que possa advir a perda ou oneração de bens que só por ambos possam ser alienados ou a perda de direitos que só por ambos possam ser exercidos – eis a definição de 3 Antunes Varela. Manual de Processo Civil. a não ser que casal esteja em separação de bens – art. 28º não impõe que imposição legal venha apenas do direito substantivo. independentemente de estar num diploma de direito adjectivo e não substantivo. ao contrário das aulas teóricas.Actos de administração extraordinária de bens comuns do casal – art. o litisconsórcio necessário entre os cônjuges.Art. o que me parece a melhor opinião visto que. o art.preferência é que dá origem ao litígio e o desaparecimento de ‘citados os réus’. 1682º/3 b) .Art. 1682º-A/1 . 1985. 1678º/3 CC (arrendamento de bem comum por mais de 6 anos – art. incluindo a casa de morada de família – ou. 2ª Edição. Assim. 28º-A/3 – litisconsórcio passivo . a pluralidade será necessária quanto a direitos que apenas possam ser exercidos por ambos ou bens que só possam ser administrados ou alienados pelos dois. daí eu metê-lo aqui nesta posição. hoje em dia.Actos de disposição – quando o objecto do processo for.Ou bem móvel utilizado por ambos – art.Quanto ao litisconsórcio activo.º/1 do CC Litisconsórcio Necessário Entre Cônjuges . o exercício do direito de preferência é um caso de litisconsórcio necessário legal activo. por exemplo. Coimbra Editora. nos termos do artigo 419. na minha opinião e na opinião dos autores referidos (e não percebi qual a opinião do resto da doutrina) é um litisconsórcio necessário legal. para a Professora.têm de ser propostas por ambos os cônjuges as acções de que possa resultar a perda ou a oneração de bens que só por ambos podem ser alienados ou a perda de direitos que por ambos podem ser exercidos (integração do critério do risco de perda de Antunes Varela. noutra formulação (Montalvão Machado e Paulo Pimenta) .Montalvão Machado e Paulo Pimenta incluem esta modalidade de litisconsórcio no litisconsórcio necessário legal.Ou bens imóveis próprios ou comuns e estabelecimento comercial. 1682º/1 . Assim sendo. pp 174-176 5 . um acto de disposição de bens móveis administrado por ambos – art. 1024º CC) .

. o outro pode ser suprido judicialmente – art. 28º-A/1 . e perfilhando a opinião de Antunes Varela.O risco de perda que a acção envolve há de medir-se através da possível improcedência do pedido formulado pelo autor. visto a acção envolver o risco de perda de uma coisa que só por ambos pode ser alienada. . têm de ser propostas contra os cônjuges as acções emergentes de facto praticado por ambos os cônjuges.. reclamando o substituto como assistente.Teixeira de Sousa – litisconsórcio pode ser substituído pela propositura da acção por um deles com o consentimento do outro – art. . 28º-A/1 . Código de Processo Civil Anotado.o consentimento do outro cônjuge poderia ser configurado como uma procuração (atributiva de poderes representativos). não sendo esse o caso dos cônjuge . e a sua explicação relativamente ao elemento do risco de perda é esta: .Se não houver consentimento. psíquica ou jurídica que afecte as faculdades da parte.Lebre de Freitas4 afirma que haverá aqui uma representação e não uma substituição processual.No que toca ao litisconsórcio passivo entre cônjuges. 28º-A/1). . ou de facto 4 5 José Lebre de Freitas. 28º-A/2 Antunes Varela. assim como não será necessário o consentimento do cônjuge proprietário para a acção de condenação que o cônjuge administrador instaure com o fim de cobrar o preço da alienação dos frutos da coisa por ele gerida. desde que casado em regime de comunhão (de adquiridos ou geral).Antunes Varela. visto que nenhuma delas envolve o risco de perda do imóvel ou de direitos que só por ambos possam ser exercidos. necessitará do consentimento de ambos os cônjuges a acção de reivindicação do imóvel pertencente a um deles apenas... Montalvão Machado e Paulo Pimenta e o que me parece ser a opinião de Paula Costa e Silva e uma imposição legal (art. uma restrição do âmbito de aplicação do litisconsórcio voluntário activo a casos de risco de perda. posição radicada na afirmação de Antunes Varela5 de que a substituição é reclamada em situações de incapacidade judiciária.Mas já não será necessário o consentimento do cônjuge não proprietário para a acção de despejo ou para a acção de majoração da renda. Assim. pelo que me parece. art.Há aqui. pp 173 6 .Paula Costa e Silva subscreve a tese da substituição processual. Manual. em casos de deficiência física. .Será uma situação de substituição processual voluntária – art. por se tratar de um acto de administração entre os cônjuges. 28ºA/2 e 1425º .

praticado por um deles, mas em que se pretenda obter decisão susceptível de ser executada sobre bens próprios do outro, mais as situações do art. 28º-A/1, ou seja: - O objecto do processo tiver sido praticado por ambos os cônjuges ou um bem ou direito que só pelos dois possa ser administrado, ou dívida comunicável – art. 28ºA/3 - Dívida de ambos – art. 1691º/1 a) e 1695º (onde diz executados) - Dívidas de um, mas que pelas quais responde todo o património – art. 1691º/1 b), c) e d) - Bens de que ambos podem dispor – art. 1682º/1 e 3, 1682º-A e B - Lebre de Freitas entende que se o autor pretender dar o tratamento das dívidas próprias do autor do acto, executando apenas os seus bens e, subsidiariamente, a meação dos bens comuns, poderá propor a acção só sobre esse cônjuge, sendo aí, um litisconsórcio voluntário, pois aí o credor pode desconhecer os factos (regime de bens, etc.) de que resulta a comunicabilidade da dívida e não ser exigível que os conheça – a tutela do seu interessa leva à voluntariedade do litisconsórcio, enquanto que a consideração do interesse do réu levará a que lhe seja concedida a faculdade de chamar à intervenção principal o seu cônjuge para ser reconhecida a comunicabilidade da dívida e para com ele ser condenado (que romântico). - Contra, Alberto dos Reis afirma que configura uma distorção ao direito substantivo, e Lebre de Freitas responde dizendo que a distorção não constituirá nada de estranho ao nosso sistema jurídico se se configurar o chamamento à intervenção principal do cônjuge não demandado como um ónus do demandado. Parece-me, à luz do art. 28-A/3, o que faz mais sentido, pois, se o autor não quiser demandar o património de ambos os cônjuges, apesar de poder, não se justifica o litisconsórcio necessário. - Assim: - O facto é praticado por um dos cônjuges, a dívida é comunicável e o autor pretende obter decisão susceptível de ser executada sobre os bens próprios do outro (isto é, pretende acção que seja susceptível de ser executada sobre os bens comuns e, subsidiariamente, sobre os bens próprios dos dois cônjuges) - toda a doutrina entende que é um caso de litisconsórcio necessário - O facto é praticado por um dos cônjuges, a dívida é comunicável mas o autor não pretende obter decisão susceptível de ser executada sobre os bens próprios do outro. Divergência doutrinária:

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- Teixeira de Sousa: tem de se seguir o regime imperativo da comunicabilidade de dívidas (1695.º do CC) e, como tal, há litisconsórcio necessário; - Rui Pinto, Lebre de Freitas e Paula Costa e Silva: o autor é o melhor juiz dos seus interesses. Se ele não quer decisão que abranja o outro cônjuge, então não precisa de o demandar. É um caso de litisconsórcio voluntário conveniente. - Pode operar depois da dissolução, declaração de nulidade e anulação do casamento, bastando que actos tenham sido praticados antes da partilha de bens – Teixeira de Sousa

Litisconsórcio Necessário Natural - Art. 28º/2 - aquele que é imposto pela realização do efeito útil moral da decisão. Como concretizar este critério operativo? - Este critério dispõe, basicamente que, se estiverem presentes todas as partes, o litígio poderá estar completamente reduzido, como numa acção de divisão de coisa comum. - Montalvão Machado e Paulo Pimenta – quando a intervenção de todos os interessados se mostre necessária para que a decisão a obter produza o seu efeito útil normal, atenta a natureza da relação jurídica em discussão, sendo que a decisão produz o seu efeito útil normal quando regule definitivamente a situação concreta das partes relativamente ao pedido formulado. - Teixeira de Sousa – repartição dos vários interessados por acções distintas impede composição definitiva entre as partes. - Teixeira de Sousa avança com mais um critério de origem jurisprudencial – evitar soluções contraditórias. Ex: anulação do testamento só tem efeito útil com intervenção de todos os interessados, bem como uma nulidade de negócio jurídico contra vários herdeiros. - O autor fala ainda em duvidosa conjugação com o art. 28/2 in fine, porque, segundo esta, o que releva é que a decisão entre as partes da acção não possa ser afectada por uma outra proferida numa outra causa e não que todos os interessados devam estar em juízo ou que entre eles tenha de verificar-se uma decisão uniforme. Além disso, aparecem uma série de dificuldades práticas, como o suscitamento oficioso de nulidade de acto jurídico – art. 286º - numa acção onde não estão todos os intervenientes presentes, o que cria um dilema, havendo a possibilidade de colocar nas partes ausentes uma disponibilidade de apreciação de uma matéria de conhecimento oficioso.
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- Exemplos de litisconsórcio necessário natural: - Acção de Divisão de Coisa Comum – é obrigatória a presença de todos os comproprietários, atenta a natureza da questão jurídica em causa, pois os interessados não presentes, poderiam, mais tarde, propor uma nova acção para o mesmo fim, cujo desfecho seria passível de modificar a divisão primeiramente operada – a sentença não vincularia os não demandados e não regulava de modo definitivo a questão submetida a apreciação judicial. - Anulação de uma escritura de partilha – exige a intervenção de todos os outorgantes da mesma.

Outras Classificações - Quanto ao reflexo na acção, o litisconsórcio pode ser: - Simples – pluralidade não implica aumento do número de oposições entre as partes – há uma única posição - Recíproco – ex: comproprietário vs. Comproprietário – são ambos titulares do mesmo direito e estão em posições diferentes - Quanto ao conteúdo (dizendo unicamente respeito ao tipo de decisão que o juiz pode emitir), o litisconsórcio pode ser: - Unitário – decisão tem de ser uniforme para todos os litisconsortes – anulação de casamento ou acção de reivindicação em compropriedade (decisão tem se ser uniforme para todos os comproprietários)- Consequência importante: não se pode confessar ou desistir por si só se a decisão tiver que ser uniforme, mas se puderem existir decisões distintas, pode então haver desistência ou transgressão, raciocínio aplicado pela primeira vez pelo STJ em 1999 - Simples – decisão pode ser distinta e não uniforme para cada um dos litisconsortes – não há, necessariamente, uma relação entre o litisconsórcio unitário e o necessário e uma relação entre o litisconsórcio simples e o voluntário. - Quanto à posição das partes, o litisconsórcio pode ser: - Conjunto – todos os litisconsortes activos formulam conjuntamente o pedido contra o demandado ou quando o autor formula o pedido conjuntamente contra todos os litisconsortes demandados. - Subsidiário – objecto da coisa só é apreciada em relação a um litisconsorte activo ou passivo se um outro autor ou réu não for considerado titular do objecto
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683º/1. os factos estão admitidos por acordo – art.Com a falta de citação.Juiz pode tomar em consideração os factos confessados por um dos réus para afectar a decisão de mérito? . A eficácia está limitada ao interesse de cada um na causa. não se anula o litisconsórcio voluntário. enquanto que no voluntário. só aproveitam aos outros nos casos do art. 490º . O que deve estar em causa não é se o litisconsórcio é voluntário ou necessária.como é óbvio. podendo o autor requerer que o réu não citado seja citado dentro de um certo prazo – art. 683º .º 1 do artigo 298º. limitando-se posteriormente o âmbito do caso julgado – art.Não. quanto aos primeiros.Diferença de regime também em relação aos recursos – art. Aqui estão em causa negócios processuais em que as partes compõem a acção de acordo com a sua vontade e com o seu interesse. . 197º.caso de vários vencedores . só é possível no litisconsórcio voluntário. se faltar citação de um dos réus no caso do litisconsórcio necessário. nomeadamente a nível de custas – art. a confissão. e outro impugna todos. 197º b). 298º.Algumas Diferenças de Regime . 684º . a desistência e a transacção são livres.se for litisconsórcio voluntário pode por recurso só contra A e B e não contra C. podemos identificar algumas diferenças de regime entre os dois tipos de litisconsórcio: . não tendo de respeitar critérios de legalidade (determinar quem dos dois tem razão juridicamente) que o juiz tem de respeitar quando profere a decisão de mérito.Também no art. o recurso interposto por uma das partes aproveita aos seus consortes – art. Vide também a parte final do n. No caso do litisconsórcio necessário só um confessar transgressão não há produção de efeitos com pequenas excepções.Negócios jurídicos processuais – art. 10 . 197º a) . mas sim se é simples ou unitário. anula-se tudo o processado depois das citações – art. 298º/1 . . Se for necessário já não pode fazer isto. 446º-A/2 (o que transigir verá as suas custas reduzidas em 50%). 683º/2 .Se um dos litisconsortes impugna todos os factos menos dois.Paula Costa e Silva – o que está em causa é o conteúdo da decisão. . no caso de litisconsórcio voluntário.Olhando para o art.no litisconsórcio necessário.

quer pelo demandado – art. 269º/2 . activa ou passiva. Seja como for. o litisconsórcio dos cônjuges vai passar a estar no art.Remissão para a matéria do objecto plural infra. a ilegitimidade. e ainda o art. 320º a).Consequências . conforma-se a ilegitimidade plural da parte desacompanhada – art. 494º e)) de conhecimento oficioso (art. com prazos do art. antes porque esse interesse não pode ser regulado judicialmente sem a presença de todos os interessados. 11 .Nos cônjuges. ex vi art. 27º/1 .No litisconsórcio voluntário. 28º-A/2 dá a possibilidade de sanação mediante a intervenção principal do cônjuge não presente. 320º em breve. no fundo. 28º mais 28ºA (visto que o artigo 320º não fala em litisconsórcio pelos cônjuges. obtém a condenação do réu na sua quota-parte da dívida – art. mesmo depois do trânsito em julgado do despacho saneador que apreciou a ilegitimidade – art. 325º. verifica-se apenas o desaproveitamento de certos benefícios ou vantagens. o art. quando fala em ‘litisconsórcio legal’ se possa incluir esse primeiro. é sanável mediante a intervenção principal provocada da parte cuja falta gera a ilegitimidade – art. eu entendo que.Nas situações de litisconsórcio necessário.Excepção dilatória nominada (art.sendo ela admissível.) Coligação . . 269º/1 e 2. 269º/1 e 325º . provocada pelo autor até 30 dias depois do trânsito em julgado – art. 495º) que origina absolvição da instância (288º/1 d)) .No litisconsórcio necessário. 28º/1 in fine – não porque essa parte careça de interesse em demandar ou contradizer. . pelo que deve ter sido uma distracção do legislador. o litisconsórcio entre os cônjuges é um litisconsórcio legal. porque. 323º e efeitos do art.Essa ilegitimidade é sanável .Ex: credor que demanda só um devedor. 328º.

a parte atribui ao mandatário poderes para a representar em todos os actos e termos do processo – art. e incluem a transacção. sendo estes os poderes forenses gerais – art.. A Acção Declarativa à Luz do Código Revisto. Remédio Marques define patrocínio judiciário como representação técnica e profissional das partes em juízo..Traduz. . o facto do juiz não ser auxiliar das partes. 2007. uma deficiente intervenção processual das partes que possa prejudicar a sua posição substantiva e ainda. devido ao maior distanciamento emocional do mandatário judicial com vantagens na obtenção de acordos. excepcionalmente.O Patrocínio Judiciário6 7 8 Noção . pp 252-255 7 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. Coimbra Editora. a multiplicidade de prazos que as partes desconhecem e o facto do Tribunal ser último recurso para obter uma decisão. e actuação do advogado como mediador. com fundamento em mandato. 37º/1 . 37º/2 – por corresponderem aos poderes de auto-determinação da vontade da própria parte. assim. razões de ordem psicológica. nomeadamente o auxílio na compreensão do direito adjectivo e subjectivo. por advogados e solicitadore.Através desse contrato de mandato. evitando. pela Ordem dos Advogados ou juiz – art. O Novo Processo Civil. pp 323-338 12 .s na condução da lide em geral ou na prática de certos actos em especial. 6 Remédio Marques. advogados estagiários e solicitadores .‘Profissionais do foro’ significa advogados. pp 80-82 8 Paula Costa e Silva. 44º/2 . 36º/1 – incluindo o submandato. na condução e orientação técnico-jurídica do processo – Remédio Marques . confissão e desistência – art.Os poderes forenses especiais têm de ser expressamente atribuídos.Assim.. normalmente. o facto do Direito ser um sistema cada vez mais complexo (Deus a falar com Castro Mendes – processo é ‘arte de escribas e fariseus’) que fundamenta a necessidade de protecção de pessoas que não têm aptidão jurídica. 1ª Edição. o exercício de poderes de representação em tribunal por profissionais do foro.Qual o fundamento da obrigatoriedade do patrocínio judiciário em alguns casos? Razões de ordem técnica. . ou.Poderes resultam de mandato conferido pelas partes. Acto e Processo – a Irrelevância do Dogma da Vontade.

Réu – notificação para suprir irá acompanhada de cominação adequada.Acções de despejo – art. pelo que a procuração forense deve ser junta à petição inicial ou à contestação.nº 1 c) – nos recursos . 33º e 265º/2 – em nome do princípio da oficiosidade. i. a absolvição do réu da instância – 33º 1ª parte . antes. tendo de ser verificado no início do processo.E quando é obrigatório? Art.Juiz deve mandar notificar a parte e o seu mandatário para. 678º/6 .nº1 a) – acções em que seja admitido recurso ordinário. notificar a parte faltosa para suprir a falta dentro de certo prazo. ser corrigida a falta e ratificado o processado – art.e.Art. 40º .. . .Acções com jurisprudência contrária à jurisprudência uniformizada – art.Perante os tribunais superiores Consequências da Falta de Patrocínio Judiciário Obrigatório .000 € .nº2 b) – acções em que seja sempre admitido recurso.mas só o processado com insuficiência. 483º . 32º .O Patrocínio Judiciário como Pressuposto – Quando É Obrigatório .O patrocínio é pressuposto processual quando é obrigatório. . dentro de novo prazo. independentemente do valor .e. em que o valor exceda o recurso ordinário – superior a 5. 678º/2 .Autor – notificação para suprir irá acompanhada da ‘ameaça’ para a falta de suprimento.absoluta. defesa ficará sem efeito se não suprir – art.. i. o juiz deve.Não gera imediatamente as consequências típicas da falta de pressupostos processuais: . 33º in fine – o que levará a revelia – art.Mandato insuficiente (advogado desistiu) ou irregular (mandato implícito) ou falta de procuração mas existência de mandato – procuração forense não confere poderes: . 13 .

as opções processuais acabam por ser do mandatário.Mandatário não é um mero núncio – vontade não é totalmente formada pela parte. advogado dá o direito.Paula Costa e Silva . estando ainda vinculado a regras deontológicas e ao princípio da legalidade. nem o art. sob pena do accionamento dos mecanismos do art.Haverá um caso de falta de mandato. 41º . estando vinculado a critérios de legalidade às regras deontológicas da profissão. . 14 . prejuízos para a parte têm de ser objectivamente demonstrados.Existe ainda a figura do patrocínio a título de gestão de negócios – art. Aliás. mostra-se que o legislador sabe que. conclui Paula Costa e Silva. para apreciação. o que pode implicar a absolvição da instância do réu ou revelia.E se mandatário tiver sido constituído mas não tiver sido junta a procuração? . 276º . dabo tibi ius . Até lá é como se não existisse. 284º . posteriormente.33º) .Relação de representação e actos praticados pelo representantes vinculam directamente o cliente (48. Mesmo que deva submeter-lhe.parte tem que estar impossibilitada. . 41º/2 Natureza da Relação Mandatário-Parte .o advogado tem total liberdade e independência técnica. segundo os artigos mencionados. 33º . Aliás. preceitos como o art. mas não indefinidamente (v..Art. é uma verdadeira relação de representação. . A procuração só é relevante quando junta ao processo.Se não. na maioria das vezes.Terá que ser.prazo para a parte arranjar um novo mandatário . 459º e 253º . . as opções estratégicas que podem ser tomadas.da mihi facta. .Assim. 33º e do pagamento das custas pelo gestor – art. dependendo da posição do mandatário – art. 38º não faria sentido se fosse um núncio.prazos não continuam a correr até que a parte constitua nova mandatário.º). ratificado pela parte. relativamente à parte.E se mandatário morrer? .parte dá os factos. todos os actos ficam sem efeito.

exprimindo a necessidade ou situação objectiva de carência de tutela judiciária por parte do autor. . . 472º/2 .Também há interesse. ela seja contestada pelo futuro réu antes do vencimento – art. Coimbra Editora. 9 Remédio Marques. nas obrigações de prestação única.Pressuposto importante nas acções de simples apreciação: . A Acção Declarativa à Luz do Código Revisto. embora o autor possa ter interesse directo em demandar e ser o titular da relação material controvertida (tendo legitimidade).. 1ª Edição.Incerteza quanto à afirmação ou negação do direito tem de ser uma incerteza objectiva (brote de factos exteriores) e grave (considerável o prejuízo material ou extrapatrimonial causado pela incerteza). pode proceder quando haja uma simples previsão da violação do direito – nas providências cautelares ou condenação em prestações vincendas no quadro de prestações periódicas – art. pois pode suceder que o autor possa resolver a situação extra-judicialmente.Situação de carência tem de ser real. servindo de freio e prevenindo a dedução percepitada da acção. pode não gozar de interesse processual na medida em que pode não ter necessidade de propor a acção. quando. .Paula Costa e Silva – o acesso aos tribunais é livre ou depende de alguma condição? Qual a justificação do acesso aos meios jurisdicionais? ..Distingue-se da legitimidade. 2007. 662º/1 . pp 249-252 10 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. in fine. . pp 82-85 15 . que não se traduza num mero capricho do autor.Condenação in futuram (de prestação futura) quando se pretenda obter o despejo de um prédio no momento em que caducar o contrato de arrendamento – art.Por vezes. O Novo..Pressuposto serve para retirar dos tribunais os litígios cuja resolução por via judicial não seja indisponível. 472º/1 – a falta levará ao indiferimento – art. 381º/1 e 387º/1. pois.Remédio Marques – o interesse processual consiste na necessidade de usar o processo. não estando a obrigação vencida.O Interesse Processual em Agir9 10 Noção e Problemática . . justificada e razoável.

Montalvão Machado e Paulo Pimenta observam que este pressuposto não tem referência expressa na lei.Paula Costa e Silva – consagra uma responsabilidade objectiva.Art. “meios excessivos. .Acção Declarativa instaurada pelo autor.. podendo-se interpor recurso de revisão .Assim.Quanto a acções de condenação. recairá sobre o autor o encargo de pagar as custas. e para Paula Costa e Silva e Montalvão Machado e Paulo Pimenta. salvo se o réu contestar (a não ser que conteste alegando falta de interesse em agir. 449º/2. . 449º . 26º/2. visto que o fundamento do interesse é a de evitar acções inúteis. . com a questão do pagamento das custas: . o interesse está relacionado.Dada a sua inutilidade. nas palavras de Paula Costa e Silva.A acção declarativa instaurada pelo credor munido de título com manifesta força executiva . 510º/1 b) – ou na sentença. podendo-se incluir alguma situações (usucapiente intenta acção contra proprietário que nunca se opôs) que não cabem à partida nas alíneas do nº 2 do art. na concepção dos últimos autores. a falta de interesse em agir gerará a absolvição da instância.Art. a regra victus victori – quem perde é quem paga as custas. no art. a título excepcional. casos de acções tidas como desnecessárias: . 449º.Para Teixeira de Sousa. . desadequados e inúteis” 16 .Listagem não é taxativa. o fundamento da necessidade encontra-se na legitimidade – art. 449º/1 é uma cláusula geral (até por estar lá ‘entende-se por.. . sem prejuízo do art. devido ao uso de.Opção pelo processo de declaração quando o autor pode instaurar acção especial . deve o juiz absolver o réu do pedido no saneador – art.. 446º .Acção de condenação duma obrigação cujo vencimento ocorre apenas com a citação ou depois de proposta a acção. peretrindo a regra victus victori. 449º contém. se se vier a concluir que a obrigação ainda nã ose venceu. pelo que o tribunal deve abster-se de conhecer do mérito da causa ou do objecto do processo.o art. quem deu causa à movimentação do sistema judicial deve sustentá-lo. que já vai ser falado. penso eu de que).Nas acções constitutivas e nas de simples apreciação. pois entende-se que. .’) .al e) .

. Como a Professora revelou.Se contestar a falta de interesse.Tribunal da Relação de Lisboa – excepção dilatória inominada de conhecimento oficioso.Paula Costa e Silva – objecto do processo está dualmente limitado.Art.Forma de tutela jurisdicional que é requerida para uma situação jurídica. . é balizada duplamente. tudo bem.. tanto pela causa de pedir como pelo pedido – é o sistema de limitação dual . . podendo visar a apreciação da existência/inexistência de um direito ou facto. O Objecto do Processo Civil 17 . porque é de interesse público.Teixeira de Sousa – objecto é constituído pelo pedido e causa de pedir: Pedido . 449º .º do CPC). Se não. a realidade sobre a qual pode recair a actividade judiciária. ou seja. ele mudou de posição e considera que o interesse é de conhecimento oficioso (495.O objecto. 510º/1 b) – juiz poderá conhecer logo do mérito da causa no despacho saneador . Pressupostos Relativos ao Objecto da Causa11 Considerações Iniciais .objecto é apenas constituído pelo pedido) .A causa de pedir individualiza a pretensão – teoria da substanciação (diferente da do sistema de individualização . 11 Teixeira de Sousa.pedido e causa de pedir.Só é possível dar razão ao autor se os factos em que ele apoiou a sua pretensão tiverem base numa matéria substancial se só secundariamente é protegida pelo processo. não é criativo. não se aplica o art. condenação ou constituição/modificação/extinção de uma situação jurídica.E se réu contestar? . num manual que o professor vai publicar em breve. uma vez que este é adjectivo.Apenas o Professor Teixeira de Sousa defendia que o interesse processual era um pressuposto processual que não era de conhecimento oficioso. .

. numa acção real. 234º-A/1 . originária ou derivada.Certeza e identidade do pedido serão analisadas mais à frente em sede de pedidos genéricos e de excepção de litispendência e caso julgado. 498º/4 . delimita-se a procedibilidade ao conjunto factício limitado.É sempre o facto de que origina o direito. o que já veremos com maior detalhe. Todas as possíveis causas de pedir que concorrem para a produção de qualquer efeito estão integradas naquilo que o tribunal vai ou deve conhecer. apenas. Assim.Teixeira de Sousa – o pedido deve-se referir à tutela de uma situação jurídica de direito material (autor não pode requerer reconhecimento. 18 . Causa de Pedir . da propriedade – v.O juiz quando vai decidir o pedido está limitado pela causa de pedir.. composta pelos factos constitutivos da situação jurídica. Só a causa de pedir é objecto de conhecimento pelo tribunal. . não existindo exaurimento de outras causas de pedir que possam atribuir o mesmo efeito.Mais importante: nos sistema em que o objecto é dualmente delimitado. o facto de que resulta a aquisição. da sua legitimidade processual) . podendo o tribunal corrigir com o jura novit cura (664º). sendo por exemplo. 234º/4 – por manifesta improcedência do pedido formulado – art. justificando despacho liminar – art. .Constituída pelos factos necessários para individualizar a situação jurídica alegada pelo autor.Sistema de substanciação está consagrado nos artigos 497º e 498º. . que consagram a litispendência e o caso julgado como excepções. situações jurídicas individualizadas por diferentes causas de pedir são sempre situações distintas. a causa de pedir da própria excepção também o limita. . não podendo pertencer o pedido à ordem moral ou trato social.Tem de ser uma situação que careça de tutela jurisdicional.Na individualização qualquer causa de pedir é susceptível de ser exaurida em qualquer procedimento.Função individualizadora do pedido.Deve ainda referir-se a um efeito jurídico (consequência extraída de uma norma jurídica). . Art.

sendo que o art. 264º pretende limitar ..sendo factos essenciais os que permitem individualizar a pretensão.só os factos essenciais à procedência da acção são a causa de pedir. 264º) . o nº 1 é muito claro – nulidade de todo o processo. 264º e 497º estão interligados. factos que integram a causa de pedir. 193º/1 e 2.Art. .Mas tanto no nº 1 como no nº 3 se fala em factos essenciais. a) – a integibilidade da causa de pedir permite-nos saber o núcleo duro da pretensão. mas não é necessário interpretar estes factos. 264º na sua futura redacção: 19 .Artigo 264º/1 . a causa de pedir é ininteligível. desde que respeitam o contraditório e o dispositivos . .A parte a quem os factos aproveitam e que não corresponde ao convite corre o risco de a decisão de mérito lhe ser desfavorável. .Art.Nº 3.factos essenciais à procedência que complementam ou concretizam factos constantes da petição inicial. Causa de pedir só está substancialmente preenchida se forem alegados os factos do nº2 e nº3.Factos complementares ou concretizadores – 508º/3. vejamos o art.º/3. . . Factos do 264º/3 só podem ser factos que concorrem para o preenchimento da causa de pedir e para procedência. já se sabendo do que se trata.Factos que estão no art. se eles não tiverem sido alegados pela parte.factos essenciais vs. . na audiência preliminar o juiz ainda pode exortar as partes da audiência a trazerem os factos para um juízo de mérito (266º/1 .Agora. Mas atenção que a possibilidade de o juiz vir a conhecer esses factos não fica precludida com a ausência de resposta ao convite efectuado pelo juiz.As Novas Coordenadas do Processo Civil (com a Revisão do art..Causa de pedir . .facto jurídico que serve de fundamento à pretensão . porque já é possível discutir alguma coisa com os factos no nº1. Basta atender à letra do 264.cooperação justa e que componha o litígio). ainda assim esses factos podem vir a resultar "da instrução e discussão da causa”. 264º/1 são aqueles que imediatamente permitem individualizar a acção. . Caso contrário. não se sabendo qual é o fundamento que o leva a pedir.Paula Costa e Silva (em divergência com Teixeira de Sousa) . os restantes permitem substanciar a acção.

. . claro).Legislado tem mera função de individualização. .“ Art. b) já não existe menção à “procedência” e desapareceu qualquer referência à causa de pedir.nova alínea b) só dá para os instrumentais . 2 – Além dos factos articulados pelas partes. .Assim: .Tudo está ordenado para a obtenção de uma decisão de mérito e como tal tudo está ordenado para a defesa de direitos subjectivos que possam ser provados.O que aconteceu? . 264º 1 – Às partes cabe alegar os factos essenciais que constituem a causa de pedir e aqueles em que se baseiam as excepções invocadas. 20 . Aqueles que têm que estar na causa de pedir são os que têm que individualizar a acção. .Legislador mudou os princípios a que se submete o processo em Portugal .Na futura al.nº 3 actual tem complementares + concretizadores que são ordenados ainda à procedência . mas não eram essenciais.Lei passa a consagrar como causa de pedir apenas factos essenciais e não apenas os essenciais à procedência.possibilidade do juiz se fundamentar nestes factos depende do princípio dos dispositivo (com contraditório.nº 1 actual não tem essenciais . desde que sobre eles tenham tido a possibilidade de se pronunciar c) Os factos notórios e aqueles de que o tribunal tem conhecimento por virtude do exercício das suas funções” . não obstante a procedência depender da substanciação. para que haja uma posterior substanciação.Paula Costa e Silva . são ainda considerados pelo juiz: a) Os factos instrumentais que resultem da instrução da causa b) Os factos que sejam complemento ou concretização de factos essenciais que as partes hajam alegado e resultem da instrução da causa.Lei dizia que complementares e concretizadores eram fundamentais para a procedência.

-Porquê? Desde que o réu saiba aquilo que está a ser discutido. Exemplo: . a)). 193º 12 Montalvão Machado e Paulo Pimenta. pp 104 ss 21 . . b))..Causa de pedir para ser bastante. passa-se a individualizar.Porquê é que vai passar a ser assim? Código teria uma solução extrema no nº 3 do 264º. temos uma causa de pedir bastante para obter uma decisão. basta que individualize. porque era relativamente formalista.º. b) do futuro art.Decisão resulta de todos os factos que podem ser considerados.. com mérito – art.Se forem essenciais continuam submetidos à alegação (nº 1). porque nem todos os factos são aproveitados para a decisão. . O Novo. mas que não individualizem. mas há uma concretização (qualificação) que põe em causa a vida comum e que vai orientar e individualizar o processo para uma decisão. porque lei impôs ao juiz uma decisão breve.Lebre de Freitas fala em individualização mitigada. na al. 266º .Marido bate na mulher. O princípio do dispositivo não é sagrado e os meios de justiça são escassos. Aptidão da Petição Inicial12 A Aptidão da Petição Inicial nos Termos do Art. . Se juiz os pode considerar oficiosamente abandonou-se zona em que vigorava o princípio do dispositivo. sendo o limite máximo o número 3.Esta alteração vai implicar alteração das coordenadas de como se via o objecto do processo. Era extrema.Dispositivo justifica-se no nº 1.º 3 do 264. . . Juiz limitado pelo dispositivo irá ter menores capacidades de obter um verdadeiro juízo de mérito. tem é de dizer que compromete vida em comum para poder pedir divórcio. Tem que continuar a haver contraditório (projecto al.Sistema caminha para substanciação mitigada (Teixeira de Sousa) . nº2. . sendo o limite mínimo o réu não perceber o que se está a discutir (actual 193/1 e 2.. 264º podem estar factos essenciais à procedência. se assim for. 2. mas não como considerado no n. Mulher pode gostar que lhe bata.

Para que servem os pressupostos do objecto? Servem para individualizar o processo de forma a melhor decidir.Pedido ou causa de pedir ininteligível . 150º-A.Art. 474º f) – tem excepções.Art.Cumulação de pedidos substancialmente incompatíveis . Porém. será considerada inepta – art. 474º e). se for petição electrónica. 467º e 474º .Art. apesar de ser praxe processual – art. Contudo. 467º/1 c – é preciso indicar a forma de processo – art. 467º/3 – junção de documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça – art. 267º/1 . 476º . Caso contrário.Quando falte a indicação do pedido – o tribunal só conhece daquilo que se lhe pede – art..Não é preciso indicar o tipo de acção. 199º estabelece forma de sanação. o art.Art. 193º/1 A Recusa da Petição Inicial nos Termos do art.Contradição com causa de pedir e pedido ou entre causas de pedir incompatíveis . .Para ser considerada apta. 661º . a petição inicial deve observar determinados requisitos. 467º/1 f) – indicação do valor da causa – art. nomeadamente a estabelecida no art.Um dos mais importantes pressupostos relativos ao objecto do processo é a aptidão da petição inicial – art. 193º/2: . 467º . .Quando falte a indicação da causa de pedir – relato concreto e específico de factos que fundamentem o pedido .São vícios tão graves que geram nulidade de todo o processo – art. essa excepção poderá não proceder se valor da causa estiver implicitamente indicado – pode ser sanado com o art. 152º/7 – junção dos duplicados e cópias dos documentos O Objecto na Petição Inicial e o Objecto Plural . se tiver havido apoio judiciário ou se autor se inserir em algumas das insenções especiais subjectivas previstas no Código das Custas Judiciais. 22 . 474º d) – recusa da petição inicial.

Pedidos Alternativos – “A ou B” – 468º . .Paula Costa e Silva .Objecto tem que ser uno.Partindo do último ponto do art.Ex: Contrato será anulado e se proceder a anulidade e réu será condenado a entregar aquilo que lhe foi entregue. 193º/2. estabelece-se a possibilidade de existirem vários objectos. chegamos ao problemática do objecto plural .No que toca à compatibilidade substantiva. . tendo sempre como referência o direito substantivo e tendo em atenção os efeitos do pedido.Este critério só se usa na cumulação de pedidos simples e na subsidiária imprópria .Quanto mais complexo for o objecto. então B” .Este objecto plural tem limitações de duas ordens: . se não – art. . 469º .Ontológica – compatibilidade formal .Cumulação subsidiária própria – art. . então B” . certo e limitado. passando por um crivo de admissibilidade.. Há ordem substantiva na provocação dos efeitos. 468º ss. que já vimos. 193º/2 c). objecto tem de ser certo e determinado e limitado.“se não A.Os pressupostos estão ordenados a garantir a manutenção da eficácia da instrução e julgamento de uma causa que por sua vez estão ordenadas à obtenção de uma decisão em prazo razoável. Primeiro pede-se a anulabilidade do contrato e depois o ressarcimento pelos pagamentos efectuados. diferentemente relacionados: . 289º/1 CC. .Deontológica – compatibilidade substancial .Cumulação subsidiária imprópria – “se A.Ele implica que efeitos dos pedidos possam realizar-se em conjunto 23 .Art. 193º/2 + 193º/1 + 494º b) + 495º + 493º/2 + 288º/1 a) .Cumulação Simples – “A e B” – 470º . mais dificuldades há em saber quem tem razão em tempo útil – assim.Nos arts. permitindo assegurar a melhor decisão num menor espaço de tempo. temos o art.

cumular pedidos quando um seja sumário e outro sumarissímo.E as formas especiais. usam o art. o valor da causa corresponderá à soma de todos os diferentes pedidos da acção. 470º tem mais um requisito – deve assegurar-se que haja razão para que objectos estejam interligados. tendo cada um deles uma forma de processo diferente.Paula Costa e Silva – identidade e compatibilidade são coisas diferentes . o critério está no art. . sanada pelo art. considerando que os do art. 469º ss remetem-nos para o regime da coligação (só os obstáculos à coligação. 31º/1. não sai frustrada. 31º-A . onde há mais que um objecto e quer-se que sejam instruídos todos da mesma forma. por exemplo. sendo que sumário mais sumaríssimo pode dar ordinário – art. . se um objecto plural implicar processo declarativo comum ordinário e sumário. só mesmo o art. . visto que têm todos base no processo ordinário . podem ser compatíveis? Só se tramitação for manifestamente decalcada do processo comum ordinário. haverá uma excepção dilatória inominada de conhecimento oficioso. ou seja.Se houver cumulação de vários pedidos na mesma acção. in fine. .Para contornar o problema. princípio que serve de base à possibilidade de pluralidade de objectos.Se não se verificar. então os pedidos têm que ser materialmente compatíveis. Ou seja. 31º e não o art. a economia processual.Existe um paradigma processual – o processo ordinário – de onde se decalcam os demais tipos de processo comum. . 306º/2. .Teixeira de Sousa – art. 31º/4. Mas Paula Costa e Silva diz que nada indica isso. são ambos semelhantes (mas não idênticos). .Existem requisitos de compatibilidade substantiva em regime de cumulação e cumulação subsidiária imprópria. factores de conexão. 30º são bons.Não pode exercer função jurisdicional para pedido subsidiário se não houver improcedência de pedido principal. são compatíveis. evitando-se uma aplicação rigidamente formal do art. portanto.Se o autor quer a respectiva produção de efeitos. para produção simultânea de efeitos. os arts. 306º/3 24 . . No caso de pedidos subsidiários e alternativos. Não se podem arguir dois direitos incompatíveis. pode-se. Assim. tanto a professora como a jurisprudência. 30º) sendo o requisito de admissibilidade a compatibilidade de competência do tribunal e a compatibilidade das formas de processo..Assim.No que toca à compatibilidade formal.

poIs quanto mais simples for a forma de processo. pela sua indeterminação. o pedido genérico não é admissível.Se pedido for inteligível.Não se deve confundir com uma obrigação genérica – um pedido de entrega de 1000 litros de vinho. 234º . . . 378º . 471º. 471º. o que pode fundamentar o indeferimento liminar da petição inicial – art. 471º. e o tribunal pode convidar o autor a concretizar ou individualizar o pedido – art. Pedidos Cujos Efeitos Se Repercutem No Futuro 25 . ininteligível. 661º/2 – podendo ser a liquidação realizada em incidente de liquidação – art.Base substantiva – art. 265º-A – princípio da adequação formal – é a resposta do sistema a possíveis abusos. para assegurar o direito à acção por parte do autor. 569º CC – confere uma faculdade ao autor para não indicar valor certo do pedido.Autor não pode abusar. 471º . 471º regula a sua admissibilidade. sendo que.Art. embora corresponda a uma obrigação genérica. . não é um pedido genérico nos termos do art.Se não for verificado pedido genérico de acordo com o art. Além disso.A justificação é a seguinte: nas situações do art. 1326º . justifica-se uma compressão do contraditório. o facto do réu não saber em concreto do quê que se está a defender enfraquece o seu contraditório. para depois se liquidar em sentença – art. menos garantia de contraditório existem.Pedido Não Certo ou Genérico .Art. . há uma excepção dilatória inominada.Se pedido for. . mas necessitar de concretização ou individualização. podendo-se verificar uma de duas situações: .ou mediante processo de inventário – art. a petição inicial é deficiente. 193º/2 a). absolvendo-se o réu da instância. sendo suprível se autor concretizar pedido. sob pena de modificar o exercício do contraditório por parte do réu. verifica-se ineptidão da petição inicial – art. o direito reconhece a dificuldade do autor em formular um pedido concreto.Fora das hipóteses do art. 508º/1 b) por analogia.

829º-A CC – apesar da falta de previsão legal específica. 472º? (já que direito substantivo é sempre ponto de partida) . infere-se na necessidade de permitir a imposição judicial da sanção compulsória – 273º/4 .Teixeira de Sousa ainda fala da possibilidade de se usar para obter a condenação a sanção pecuniária compulsória prevista no art.Arts. pode haver falta de interesse. no âmbito de uma venda a prestações.Se não se verificarem os pressupostos do art. autor vai ter que articular com art. vindo a verificar-se que está incorrecto nem vencido. perdendo o benefício do prazo porque não pagou na altura certa – é um título executivo com trato sucessivo. 472º mais 671º (sentença que se prolonga no tempo) mais 781º CC – pode-se condenar para o futuro. . 472º/2 .2º .A que casos substantivos se aplica o art. conjuntamente com a condenação relativa às prestações já vencidas mas não cumpridas.Art. pretende obter a condenação do comprador nas prestações vincendas.Assim. a parte. a acção de condenação in futuram é admissível sempre que a falta de título executivo no momento do vencimento da prestação possa causar grave prejuízo ao credor – art. que existe é que é a termo. 472º/1 aplica-se quando. constituíndo uma excepção dilatória conducente à absolvição do réu da instância – arts.pressupõe a repetição de uma causa 26 . 472º .é para direitos cujas obrigações ainda não estão vencidas – Castro Mendes obrigações exigíveis mais não vencidas.Art.Art.Ratio – falta a x prestações e presume-se incumpridor . .1º é para direitos ainda não existentes e sujeitos a condenação – Castro Mendes concorda e Teixeira de Sousa diz que não é condicional. 662º/1 e 2 a) .O art.. 472º para condenações in futuram. 493º/2 e 288º/1 e) Não Verificação da Litispendência e do Caso Julgado .Credor pode extra-judicialmente intrepelar devedor para pagar todas as prestações que se venceram com o incumprimento. . . 497º a 499º .para ter interesse em agir. Teixeira de Sousa – configuração correcta do direito como prestação vincenda. . 781º CC – perda de benefício do prazo e vencimento automático da obrigação (diferente da venda a prestações) .

. aguardando a decisão da a cção relativa ao objecto prejudicial Coligação13 14 Introdução . . 498º/1 .Qual a ratio? Evitar que tribunal reproduza ou contradiga decisão anterior – art. se verificar. 13 14 Remédio Marques. além da pluralidade de partes. do ponto de vista da sua qualidade jurídica e não física – art.Causa é repetida quando ela é proposta idêntica a outra quanto aos sujeitos.. 498º/3 . como já se viu. A Acção Declarativa. existe ainda pluralidade de relações materiais controvertidas.. 497º/2 – juiz. há litispendência. .Identidade da causa de pedir – pretensões deduzidas em ambas as acções derivam de mesmo facto – art.. .Identidade dos pedidos – afere-se pela circunstância de em ambas as acções se pretender obter o mesmo efeito jurídico – art. ainda aí podemos ter litispendência ou caso julgado. 498º/4 .Caso julgado – repetente é depois de trânsito em julgado.Remédio Marques – a coligação é uma modalidade de pluralidade de partes onde.Identidade dos sujeitos – partes sejam as mesmas. . 497º/1. ao pedido e à causa de pedir – art.Se uma causa é proposta depois da anterior ter sido decidida. pp 403-405 Montalvão Machado e Paulo Pimenta.Teixeira de Sousa – a relação de consumpção justifica a arguição da excepção de litispendência ou do caso julgado . O Novo Processo Civil.Objectos em relação de prejudicialidade – art. . 279º/1 – tribunal no qual foi instaurada a acção dependente pode ordenar a suspensão da instância. pp 79-80 27 .causa repetente é aquela pela qual o réu tenha sido posteriormente citado.Litispendência – art.Montalvão Machado e Paulo Pimenta e Alberto dos Reis – se tiver havido sucessão no direito ou na obrigação. deve-se abster de conhecer o mérito da causa. 498º/2 . há caso julgado – art.Se duas causas estão simultaneamente perante o tribunal. . 499º .

. 27º/2. quanto a outros – art.Se estiver em jogo questão ligada às cláusulas contratuais gerais. . Vem pedir a declaração de nulidade. mas com outro fundamento. Dá exemplo de A e B coproprietários e arrendaram a C.um dos pedidos só procede se o principal for avante.Quando os pedidos formulados contra os diversos réus se fundem na invocação da obrigação cartular. A intenta acção de resolução de arrendamento com um fundamento e B também. quando um réu é demandado como devedor de uma obrigação fundamental e outro como devedor da relação cambiária como avalista..Pode haver coligação quando haja identidade de pedidos e seja a mesma e única a causa de pedir que sustenta os diferentes pedidos formulados . Causa de pedir seria diferente porque contrato seria análogo.conexão objectiva para haver coligação . . 29º LCCG . (Zon. i. . quem costuma fazê-lo são associações como a DECO.Distingue-se do litisconsórcio .) Nesses casos.Pode haver coligação quando os pedidos estiverem numa relação de dependência ou prejudicialidade . relação de prejudicialidade e dependência. da interpretação e aplicação das mesmas regras de direito ou de cláusulas contratuais perfeitamente análogas.p ex. 30º/3 28 .. Meo. Acção de reivindicação quando o A é proprietário e este só o será se for julgada procedente o pedido de declaração de nulidade.Cláusulas contratuais análogas em relação aos contratos celebrados com distribuidoras de serviços de multimédia.Pode haver ainda coligação quando os pedidos se refiram a cláusulas contratuais análogas. 26º-A.. por ex: A tinha celebrado contrato de compra e venda de um quadro com E. ou quando vários trabalhadores exijam uma indemnização pelo mesmo facto.nº 1 . por exemplo.e. etc.Rui Pinto diz que o legislador quis enquadrar situções de prejudicialidade imprópria. Como E já tinha entregue um quadro a F vem também pedir a entrega deste a A. quanto a uns. pois estão a defender interesses difusos. apesar de serem diferentes causas de pedir – art. com fundamento na economia processual. e da respectiva relação subjacente.identidade da mesma causa de pedir. procedência dos pedidos dependa essencialmente da apreciação dos mesmos factos.por serem pedidos distintos ou diferenciados . ver art.Pressuposto do artigo 30º . 30º/2 – por ex: intenta-se acção contra Carris por causa dos passes de metro. que têm legitimidade nos termos do art. tendo como fundamento contratos diferentes . .

Admissibilidade Formal da Coligação . serão todos notificados para. atentar ao art. Isso acontecerá. competente em razão da matéria e da hierarquia para apreciar os diferentes pedidos – art. a coligação for necessária por motivo da natureza das distintas relações materiais controvertidas. e que não haja uma manifesta incompatibilidade – art. 31º/1. que estabelece critérios para saber onde se julga a acção no caso de pluralidade de réus. por exemplo. . Coligação Ilegal . no prazo fixado. mediante acordo. no que toca os processos especiais. 31º-A/1. pode acontecer uma de duas coisas: . Na sua falta. sob cominação de o réu ou réus serem absolvidos da instância quanto a todos os pedidos – art. notificar o autor para. devendo. esclarecerem quais os pedidos que pretendem ver apreciados no processo. o juiz pode excepcionalmente autorizar a coligação. 31º/2 . excepcionalmente. e acção não for deduzida contra ou por todos os titulares das distintas relações materialmente controvertidas.Se falta respeitar aos autores. desde que a apreciação conjunta seja indispensável ou conveniente para a justa composição do litígio. pois. a acção prosseguirá para apreciação do pedido formulado pelo autor que manifeste vontade nesse sentido. se estes últimos declararem essa apreciação.Como já sabemos da matéria dos objectos plurais.A admissibilidade da coligação depende da circunstância de aos vários pedidos corresponder a mesma forma de processo (excepto se essa diversidade respeitar apenas ao valor).Quanto às consequências da coligação ilegal. o réu será absolvido da instância quanto a todos os pedidos. 288º/1 e) e 265º/2 . em 29 . e de o tribunal ser internacionalmente competente. 87º. sim. se os outros não declararem também pretender a apreciação daqueles que tiverem deduzido. deverá promover-se a sua intervenção principal (320º-B). indicar qual o pedido ou os pedidos que pretende ver apreciado no processo. o juiz não deve logo absolvê-los da instância.Quanto à competência.Se. Coligação Necessária e Pluralidade Subjectiva Subsidiária .Se falta respeitar aos réus.

não se considerando confessados os factos alegados pelo autor – dispensa selecção de matéria de facto e audiência preliminar – art. 488º a 489º/1 – contém em regra uma contestação em sentido material. no caso de dúvida fundamentada sobre sujeito da relação material controvertida.Contestação em sentido material – qualquer acto praticado pelo réu no qual ele mostre a sua opinião ao autor e ao pedido formulado – tanto na apresentação de um articulado como na prática de um acto (juntar recibo comprovativo do pagamento) – art.acções de indemnização por acidente de viação em que se invoque responsabilidade pelo risco e se demande a seguradora com base numa apólice que não cobre o montante do prejuízo sofrido. 659º/3) e antecipa a fase da sentença – 484º/2 se for de manifesta simplifidade – nº 3 . no fundo.. 31º-B.Não Oposição .Contestação em sentido formal – articulado de resposta do réu à petição inicial. . . A Acção Declarativa Comum.Podem ainda haver casos de pluralidade subjectiva subsidiária. pp 73-107 30 .Teixeira de Sousa: . devendo-se também demandar o segurado ou pessoa a quem o facto danoso é imputável. Por exemplo. pp 282-298 Lebre de Freitas.Se for operante – 484º/1 e 485º a contrario) consideram-se confirmados os factos articulados pelo autor – art.Revelia (v. A Contestação15 16 . Infra) – art. Estudos Sobre o Novo Processo Civil. não se saber se foi administrador da sociedade ou sociededade que fez contrato. porque ele foi oral – art. não há consequências quanto ao julgamento da causa. sendo.. 484º/1 in fine – tribunal considera-os factos não controvertidos (art. 484º e 485º . como consagrado nos arts.Réu pode tomar duas atittudes perante a petição inicial: .. 508º-A/1 e) e 508º-B/1 a) e que a audiência final decorre perante um tribunal singular 15 16 Teixeira de Sousa.Resposta do réu à petição inicial. a manifestação da posição do réu perante o articulado dos autos .Se for inoperante. 486º/2 e 487º .

Se houver uma pluralidade de réus. 352º-361º CC e 552º-567º CPC . 486º/1 . 488º . podendo contestar até esse limite . 252º-A .Esse artigo exige dedução em separado das excepções e tal? 31 .Confissão dos factos – art. 486º/6 Conteúdo Formal . formulado o pedido e indicado o valor – art. etc. do pedido por excepção peremptória). 486º/5 – não suspende prazo em curso – art.A contestação do réu marca a sua oposição relativamente ao pedido do autor. havendo ainda indicações complementares. – 486º/4 – não podendo ela exceder 30 dias – art.escolha de modalidade de defesa depende da posição que o réu pretende assumir – se só negar ou se contriar os factos articulados pelo autor ou ainda alegar factos que obstem ao conhecimento da acção.Confissão do pedido – art. . 236º/2 e 240º/2 e 3 – ou se réu tiver sido citado de continente para Região Autónoma ou para o estrangeiro – art. prazo é diferente – art. 486º/2 – beneficiam todos os prazo que termine em último lugar.Articulado de contestação apresenta o mesmo conteúdo formal da petição inicial – art.. quando careça de informação que não possa obter.Mais uma dilação de 5 dias se a citação não tiver sido realizada na pessoa do réu – art. narração (exposição de factos e tomadas de posição) e conclusão (réu remate dizendo dever ser absolvido da instância por excepção dilatória. o réu pode formular um pedido reconvencional contra o autor – art.cabeçalho (réu identifica a acção).30 dias a contar a sua citação – art. 487º . 293º/1 . . 501º .Separada.Teixeira de Sousa. 501º/1 e 2 Prazo . podendo consistir em defesa por impugnação dos factos articulados pelo autor ou na invocação de excepções dilatórias ou peremptórias – art.Juntamente com a contestação ou independentemente dela.Prazo pode ser prorrogado se tal prorrogação for concedida pelo MP.

456º/2 A Concentração . 487º/1 . . 668º/1 d). 474º por analogia.Ónus de impugnação – não pode ser mais exigente que ónus de alegação do autor. pelo que o réu só deve impugnar . 489º/2 – defesa diferida – pode/deve ser apresentada depois prazo.Quando a lei expressamente o indique – art. Além disso. 102º/2. 264º/1 . se réu fizer de propósito – litigância de má fé – art. 489º/1 – ou.. 487º/2.Teixeira de Sousa – sim. 110º/4 e 123º/1 Conteúdo Material . fundamentam recusa de recebimento? .Factos novos invocados pelo réu – este ónus de alegação vale para o réu como para o autor – factos principais relativos à excepção – art.Inobservância de regras do 488º.Excepções: . no prazo da sua apresentação – art. 489º/1. como tudo o presente nos arts. nos termos do art. 474º.Alegação de Factos Supervenientes – art. nulidade da decisão – art.A contestação pode revestir as modalidades de defesa por impugnação e por excepção – art.De facto – contradição pelo réu dos factos articulados na petição inicial – art. 486º/1 – sob pena dos factos não serem considerados.É uma das desigualdades estruturais entre o autor e o réu . melhor.Art. 506º/2 .De direito – afirma que factos alegados pelo autor não podem produzir efeitos pretendidos pelo autor 32 .Art. 475º e 476º. Se o forem.Impugnação pode ser directa ou de facto e indirecta ou de direito . 1ª parte . Três situações: . in fine – defesa separada – aquela que pode ou deve ser deduzida fora da contestação – ex: 128º .A contestação em sentido material está submetida a uma regra de concentração/preclusão – toda a defesa deve ser deduzida na contestação – art.

modificativo ou extintivo. modificativo ou extintivo de um direito – art. mas acabam por sê-lo com a impugnação dos factos principais 33 . servindo de causa impeditiva. 490º/2 .Invocação de factos que obstam à apreciação do mérito da acção ou que. falta de autorização ou deliberação que autor devesse obter. pluralidade ilegal.e. e na impugnação réu opõe a esse efeito alegações de um facto impeditivo. 493º/2 – incompetência tribunal.Basta ao réu apresentar uma versão contraposta à do autor – art. falta de personalidade ou capacidade judiciária do autor ou réu. caso julgado. modificativa ou extintiva do direito invocado pelo autor.Esse quantum exige a exposição pelo réu dos motivos da sua oposição ao autor e das razões da controvérsia entre as partes .2º . daí levar à absolvição do pedido e não da instância – art. Defesa Por Excepção . nulidade de todo o processo. insuficiência ou irregularidade da procuração.Factos instrumentais não têm de ser impugnados. 490º/1 – caso contrário.. falta. . in fine Defesa Por Impugnação . ilegitimidade do autor ou do réu. falta de constituição de advogado. 664º 1ª parte – e tribunal deve controlar efeitos pretendidos .. 493º/3 – funda-se no direito substantivo e não processual.Atenção que matéria de Direito é de conhecimento oficioso – art.Impugnação directa deve abranger os factos principais articulados pelo autor na petição inicial – art. com a sua suficiência . a litispendência. coligação ilegal de autores ou réus. i.excepção peremptória alegações de um facto impeditivo. consideram-se admitidos por acordo os factos que não forem contestados.Teixeira de Sousa – ponto sensível prende-se com o quantum da impugnação.1º .falta de pressuposto processual – excepção dilatória – art. 487º/2. peretrição tribunal arbitral . 487º/2 2ª parte .Distinção das excepções peremptórias – nelas o réu limita-se a negar efeito. importem a improcedência total ou parcial do pedido – art.

pois ninguém pode negar a veracidade de algo que não conheça – art. 490º/2 in fine – facto não é expressamente impugnado. 31º-A ANALOGIA O Ónus de Impugnação . i. afirma factos cuja existência é incompatível com a realidade de outros alegados pelo autor no âmbito de uma mesma causa de pedir. Deixou de ser ónus de impugnação especificada.não tá lá – admite-se contestação genérica por negação.É indirecta quando o réu. sob pena de violar dever de veracidade. de nada lhe serve afirmar que não o conhece – art. mas a sua impugnação torna-se desnecessária ou supérfula .VER CONTESTAÇÃO CONTRADITÓRIA – ART.O ónus de impugnação é especificado ou expresso? Art. .Art.Se réu não o pode ignorar. que obrigava o réu a tomar posição sobre cada ponto.e. .. 456º/2 b) . confessando ou admitindo parte dos factos alegados.Art. 490º/3 – sendo equivalente à admissão .Só há ónus de impugnação de factos instrumentais para se impgunar prova – art. pelo autor.É directa quando réu nege directa e frontalmente os factos .ele não pode impugnar. desvirtuando-a.Lebre de Freitas – deixou de ser exigido. . como a causa de pedir. consideram-se os instrumentos a ele respeitantes e.Só é exigível que o réu tome posição sobre os factos que conheça ou deva conhecer segundo as regras da experiência comum ou em cumprimento de um dever de informação . 490º .STJ – análise casuística – critério de juízo de proporcionalidade com a complexidade da causa . .. desde a reforma. não é preciso impugnar outros factos relativos à responsabilidade 34 . eles são irrelevantes. se não.Se réu não tem o dever de conhecer o facto – conduta de 3º . 490º/4 – certas entidades .Se impugnar facto de conduzir carro do acidente. 544º/2 . que a impugnação fosse feita especificadamente.Concluíndo. se facto principal por impugnado. facto por facto.

490º/2 e 352º CCiv . que não admitem confissão. ele considera-se admitido.Notificação – art.Impossibilidade jurídica – se não for admissível confissão – art. efeito cominatório semelhante àquele que se verifica na revelia – a fictia confessio.Não se aplica indivisibilidade – autor continua a ter que provar factos constitutivos do seu direito e réu os factos impeditivos.Indivisibilidade – art. modificativos ou extintivos do efeito pretendido.Teixeira de Sousa – inaceitável – inversão do ónus da prova da excepção peremptória no art. 490º/4 Confissão Qualificada e Complexa . 360º CCiv – apesar de poder provar a sua inexactidão . Ex: réu aceita ter recebido quantia emprestada.Impugnação indirecta – autor que se queira aproveitar da prova dela resultante – art. Excepto nos casos do art.2º . 360º CCiv – teria como consequência que incumberia que autor provasse inexistência da excepção . 492º 35 .Qualificada – réu confessa facto mas fornece-lhe um diferente enquadramento jurídico – ‘recebi o dinheiro.contestação torna litigioso o direito afirmado em juízo. por exemplo.1º . que remete para o 354º CC) ou do art.Processuais e substantivos . 490º/2 (que só podem ser provados por documento escrito. mas afirma que já a restituiu . 342º/2 CC .réplica – 502º . a proibição da cessão do direito – 579º . mas foi uma doação e não um mútuo’ . modificativos ou extintivos Efeitos . 358º/1 – tem de aceitar tudo como verdadeiro – art..Não impugnando um facto. o que vale para.ou venda – 876º .Complexa – réu confessa mas invoca factos impeditivos.

a réplica consisten a contestação de uma excepção oposta pelo réu ou na dedução de uma excepção contra o pedido reconvencional formulado pelo réu – art.Réplica . em regra. modificativos ou extintivos oponíveis a esse pedido – art. .No segundo caso. 502º/2 Conteúdo Material . a réplica destina-se a possibilitar a impugnação pelo autor da excepção invocada pelo réu ou alegação de uma contra-excepção .Se o articulado referido na primeira hipótese contiver aquela impugnação ou dedução daquela excepção. 490º/2. . devendo-se considerar impugnados os factos alegados pelo réu que forem incompatíveis com aqueles que constarem de qualquer desses articulados do autor.A justificação da réplica encontra-se no princípio da igualdade das partes – art. 505º. a admissão por acordo dos factos não impugnados – art. havendo que se conjugar o conteúdo da réplica com o da petição inicial. por impugnação ou por excepção – art. a réplica serve para o autor impugnar os factos constitutivos que o réu tenha alegado como fundamento do seu pedido reconvencional de apreciação da situação jurídica e para ele próprio excepcionar os factos impeditivos.Num sentido material.Teixeira de Sousa: pode ser entendida num sentido formal ou material: . 502º/1: .A falta da réplica ou a não impugnação dos factos novos alegados pelo réu implica. 487º/1 – do pedido reconvencional . 36 . 3º-A – e do contraditório – art. a réplica permite a apresentação pelo autor de qualquer contestação.Esta admissão não se verifica nas situações previstas no art. 3º/1 a 3 .A réplica é a resposta do autor à contestação do réu . 502º/1 e 2 .Nas acções de simples apreciação negativa.No primeiro caso.A réplica é admissível sempre que o réu deduza alguma excepção ou formule um pedido reconvencional – art.Num sentido formal a réplica é um articulado que o autor apresenta em resposta à contestação do réu . a réplica em sentido formal sê-lo-á também em sentido material.

pode apresentar outra réplica no prazo de 10 dias – art.A réplica pode ser rejeitada pela secretaria sempre que se verifique um dos vícios formais que justifica a recusa da petição inicial – art. . 484º/1 . .Alargamento do prazo justifica-se pela circusntância de a réplica assumir. nesses casos. se operante.Semelhantemente ao estabelecido para a recusa deste articulado. 476º 37 . esteja impedido ou tenha dificuldade em apresentar o seu articulado – art.Qualquer destes prazos é prorrogável até ao limite da sua duplicação. 504º Rejeição ..Se acção for de simples apreciação negativa ou o réu tiver deduzido um pedido reconvencional. . por motivo ponderoso. 475º/1 – e agravar do despacho que a confirme – art. 1ª parte. 502º/3. 502º/3. Caso a recusa seja mantida. a réplica pode ser utilizada para o autor alterar unilateralmente o pedido ou a causa de pedir – art. a função de contestação dos factos alegados pelo réu e do pedido reconvencional formulado por esta parte . esse prazo é de 3 dias – art. determina a confissão dos factos articulados pelo réu como fundamento do seu pedido reconvencional – art. 484º/1 – que.Acessoriamente a estas funções. a falta de réplica implica a revelia do reconvindo quanto a esse pedido – art. 474º . pelo que. em benefício do MP ou do autor que.Se o réu tiver formulado um pedido reconvencional. 273º/1 e 2. A dependência desta função acessória perante as funções essenciais da réplica determina que aquela alteraçã osó pode ser realizada quando esse articulado for admissível nos termos gerais. 475º/2. o autor pode reclamar para o juiz – art. in fine. se o autor não tiver fundamento para a a apresentar – se não preencher 502º/1 CC – não pode justificá-la com a alteração do pedido ou causa de pedir Prazo .A réplica deve ser apresentada dentro de 15 dias a contar da notificação da contestação – art.

273º/1 e 2 ou a contestação da nova causa de pedir ou do novo pedido apresentado pelo autor na réplica – art. a admissão por acordo desses factos e dessa excepção .Tréplica destina-se a assegurar o contraditório do réu quanto a essas matérias. nos termos e condições do prazo da contestação – art. a falta de tréplica. Assim. 504º Rejeição .Acepção material – contestação do réu das excepções opostas à reconvenção da réplica.Quando o réu tiver deduzido um pedido reconvencional e o autor tiver alegado contra esse pedido uma excepção e o réu desejar contestá-la por impugnação ou pela invocação de uma contra-excepção .A tréplica deve ser apresentada nos 15 dias seguintes à notificação da apresentação da réplica – art.A Tréplica . 503º/2 . .art. 273º/1 e 2 – e réu quiser contestar a admissibilidade dessa modificação. quer o novo pedido formulado.Quando o autor tiver modificado na réplica o pedido ou a causa de pedir – art. a não impugnação da nova causa de pedir e a não contestação da excepção alegada pelo autor na réplica determinam. 503º/1 . 503º/1 Conteúdo Material .Prazo pode ser prorrogado até ao limite de 15 dias.Acepção formal – articulado de resposta do réu à réplica do autor .O recebimento da tréplica pode ser recusado pela secretaria se se verificar qualquer dos vícios formais que fundamentam a rejeição da petição inicial 38 . a impugnação da admissibilidade da modificação do pedido ou da causa de pedir realizada pelo autor na réplica – art. .Resposta do réu à réplica do autor . 505º Prazo .A tréplica só é admissível em duas situações – art.O ónus de impugnação também vale na tréplica. em regra.

se esta não se realizar..Objectiva – quando os factos ocorrerem posteriormente ao momento da apresentação do articulado da parte – 506º/2. 475º/1 – e agravar do despacho – nº 2 .prorrogação do prazo por 10 dias Contraditório . 39 .Utilizados para a alegação de factos que.Não havendo mais nenhum outro articulado. 508º-A – ou. 273º/1 e 2 . importa assegurar o contraditório do autor – o art. 544º/1 e 546º/1 Articulados Supervenientes . 506º/4 estabelece que o articulado superveniente deve ser rejeitado quando. . não puderam ser invocados nos articulados normais – art.Se o réu tiver formulado um pedido reconvencional – art. 506º/2.Art.Admita-se.Se recusa for confirmada. é superveniente. in fine – mais difícil: o art. quanto à reconvenção. aplica-se o 476º . o contraditório do autor quanto a esse novo pedido ou causa de pedir reconvencional também tem de ser assegurado na audiência preliminar ou final – aplicação analógica do art.aplicação analógica . 3º/4 .e. i.Não havendo mais nenhum articulado. ainda. como réplica – esse pedido ou a sua causa de pedir – art. 526º. dada a sua superveniência. 474º . por culpa da parte. quando a parte não tenha tido conhecimento atempado do facto por culpa própria – 506º/3 – a superveniência subjectiva pressupõe o desconhecimento culposo do facto.Impugnação de documento apresentado com a tréplica – art.Subjectiva – quando a parte só tiver conhecimento dos factos ocorridos depois de findar o prazo de apresentação do articulado – art. 3º/4 diz que o autor pode responder a essa contra-excepção na audiência preliminar – art.. 501º/1 – o autor pode contestar na réplica esse pedido através da dedução de uma excepção. 651º e 652º . 1ª parte – facilmente determinável – se facto ocorreu depois da apresentação do articulado. que réu formulou um pedido reconvencional e que essa mesma parte modificou na tréplica – que vale. 506º/1 – essa superveniência pode ser: .Reclamação – art. na audiência final – art. ponto. ele for apresentado fora de tempo. à qual o réu pode responder na tréplica com a alegação de uma contra-excepção .

474º por analogia.Os factos que interessem à decisão da causa e que se tornem controvertidos pela impugnação da contraparte – art. 506º/3 a) . sobre essa marcação.Se o facto superveniente for alegado na própria audiência final – art. . .Finalmente.Se o articulado for aceite. assim como o despacho de admissão ou rejeição. 273º . se os factos ocorrerem o utiverem sido conhecidos em data posterior à marcação dessa audiência – 506º/3 c).Audiência preliminar. a resposta da parte contrária e o despacho que ordene ou recuse o aditamento à base instrutória – art. 456º/2 – exige negligência grave.Aplica-se o art.Como determinar a culpa? Como litigância de má fé – art. Ex: autor reivindica propriedade sobre uma coisa com base num contrato de compra e venda e que. durante a causa. in fine – são incluídos ou aditados à base instrutória – art.Esta alteração da causa de pedir baseada em factos supervenientes não está sujeita às condições exigidas pelo art.Através de um articulado superveniente pode ser invocada uma nova causa de pedir ou uma nova excepção. 506º/3 c) – a sua apresentação realiza-se oralmente e fica consignada na acta. se houver e se os factos hajam ocorrido ou tenham sido conhecidos até ao respectivo encerramento – art. 507º/1. 506º/3 b) . 507º/2. 506º/6 .. .Nos 10 dias posteriores à notificação da data designada para a realização da audiência de discussão e julgamento – arts. quando sejam posteriores ao termo da audiência preliminar ou esta não se tenha realizado – art.Prazos – pode ser apresentado em três momentos diferentes: . também aqui se exige. 1ª parte 40 . 2ª parte .Se o articulado superveniente for apresentado depois da designação do dia para a audiência final – 506º/3 b) – nada se suspende ou adia e realiza-se no decurso dela o despacho de admissão. 506º/4. . a notificação da parte contrária e a resposta desta – art. 506º/4. quanto à secretaria. 508º-A/2 b) e 512º/2. o tribunal ordena a notificação da parte contrária para responder no prazo de 10 dias – art. na audiência de discussão e julgamento. torna-se herdeiro do alegado vendedor – demandante pode invocar novo título sucessório. .

a reconvenção apresenta a mesma estrutura formal da petição inicial – fundamentos de facto. 274º/6 . 501º/1 e 2.A Reconvenção17 -Serve também para o réu deduzir pedidos contra o autor. e não se poderá verificar nenhum dos requisitos negativos de compatibilidade processual a que se refere o art.A reconvenção pode ser inepta. 274º/2 – tem de se verificar algum dos elementos de conexão com o pedido do autor que estão indicados no artigo. pedido.Valor? 300º/2? Não. mas o processo inicial continua a decorrer.A absolvição do réu do pedido/instância não obsta à apreciação do pedido reconvencional.Requisitos de Admissibilidade: . 2010. .Art.Deduzida separadamente e com os elementos e indicações do art.O réu fica o reconvinte e o autor o reconvido . em exercício do direito de acção e ampliação do objecto do processo – art. mas não será atendida se o reconvinte. 31º/2 e 3 . por via do art. 98º . de direito. reimpressão.Passos para saber a admissibilidade: . d) e e). 308º/2 mais 447º-A . 467º c). sem prejuízo do disposto no art. 17 Lebre de Freitas. .compatibilidade das formas de processo – nº 3 – forma igual ou forma semelhante . mas a consequência da ineptidão não é a nulidade de todo o processo. mas apenas a nulidade circunscrita à própria reconvenção.Ela não pode ser recusada por falta de indicação do seu valor. A Acção Declarativa Comum à Luz do Código Revisto.Se ela for inadmissível. convidado a fazê-lo. hierárquica e internacional .É facultativa. como a petição inicial. pp 108-113 41 . há absolvição da instância.274º . 274º/1 . com a consequente absolvição do reconvindo da instância reconvencional . valor. 274º/3. a menos que este seja dependente do formulado pelo autor – art. sendo uma questão de estratégia processual . não o fizer.Competência absoluta – art.material. elementos eventuais.Competência substantiva no nº 2 a) .

quererá isso dizer que a invocação da compensação constitui sempre reconvenção. não ampliando o objecto do processo – tal corresponde. uma excepção peremptória. reconvenção. visto que o facto jurídico que serve de fundamento à defesa é o mesmo que serve de fundamento à reconvenção . sendo excepção peremptória. não sendo a reconvenção obrigatória. .Qual o alcance do art. . como uma excepção peremptória? . como a competência . a questão não é duvidosa quando o réu pretenda condenar o autor a pagar o excesso.Conclui Lebre de Freitas – só pelo excesso a favor do réu há reconvenção. nessa parte. nos limites do pedido do autor. de tal modo que esta renasce se a nova for declarada nula. réu pode demandar o excesso em processo diferente 42 . 274º/2 a).Lebre de Freitas – só constituirá reconvenção quando já tinha sido invocada extrajudicialmente. visto que vem trazer para o processo. pois neste caso constitui. há. na parte relativa à compensação? Ou seja. não é o único caso em que é apreciada no processo uma relação jurídica distinta daquela a que o pedido se refere – a novação constitui uma relação obrigacional distinta. a nível processual. Apesar da complicação que é analisar uma parte do crédito em sede de reconvenção e de excepção. ao conceito de excepção peremptória.Se crédito reconvencional for de montante superior ao da acção.Castro Mendes – a compensação é sempre objecto do pedido reconvencional. afinal. 274º/2 b). Além disso.O Problema da Compensação . devendo ela ser apreciada à luz dos pressupostos processuais. uma relação jurídica nova. situa-se no âmbito do pedido por este formulado. o autor afirma que. 848º/1 CC. a compensação. pelo que o pedido reconvencional se reveste de autonomia – a ampliação é nítida e portanto. não obstante ela ser uma causa de extinção das obrigações – 847º CC – e parecer dever ser classificada. entendendo que o destaque dado à compensação no art. só geneticamente coenxa com a que extingue.Teixeira de Sousa argumenta que preceito é inútil se não tiver outro alcance – a admissibilidade da reconvenção pelo excesso decorre já do art. inteiramente distinta e autónoma em relação à outra. ao admitir a reconvenção quando o réu pretenda obter a compensação. enquanto o contracrédito não excede o crédito do autor. Também diz que. nos termos do art. 274º/2 a) como manifestação de inércia proveniente do código anterior – quis-se deixar claro que as modificações introduzidas no direito civil e o consequente desaparecimento da compensação judiciária não afectam a admissibilidade da reconvenção pelo excesso.

designadamente a constituição de mandatário judicial.quando produz efeitos quanto à composição da acção . 484º/1 (aplica-se ao processo sumário e sumaríssimo – v. quando a falta de contestação nada implica quanto à decisão da causa. só desvantagens..A revelia operante implica uma importante consequência quanto à decisão da acção. É inoperante nos casos em que o réu não constitua mandatário. qualquer dever. 463º e 464º) – efeito cominatório semi-pleno .Relativa se o réu não contesta.A Revelia . mas pratica em juízo qualquer outro acto processual.A composição da acção pode ser decisivamente influenciada pela omissão de um acto processual – trata-se da revelia do réu.Operante .Absoluta – quando o réu não pratica qualquer acto na acção pendente . assim.Revelia Absoluta e Relativa . 485º Efeitos .Revelia Operante e Inoperante . . i. .Esta confissão pode ser anulada? Sim – após a declaração de nulidade ou anulação daquela confissão.A contestação constitui um ónus da parte. que consiste na abstenção definitiva de contestação. Daí decorre que a revelia não determina a aplicação ao réu de qualquer sanção. . 233º/6 e 248º. não existindo.Inoperante quando esses efeitos não se realizam. sendo que as situações que a ela conduzem são comuns a todos os processos.e. tenha havido citação e permaneça na situação de revelia absoluta – v. e nos demais casos do art. que se produz ex lege e não ex voluntate – a revelia operante implica a confissão dos factos articulados pelo autor – art.Composição da Acção . a parte pode solicitar a revisão da decisão transitada – o fundamento dessa revisão é a aplicação analógica do art.Paula Costa e Silva – traduz uma ideia de inactividade do réu Modalidades . 771º/1 d) 43 .

o réu impugne.Art. sendo a sentença proferida de seguida – art. 771º f) a decisão transitada em julgado ou se oponha à execução – art. de o tribunal ser absolutamente incompetente. 345º CC – se a confissão presumida respeitar a factos impossíveis ou notoriamente inexistentes ou se o autor tiver formulado um pedido ilegal ou juridiamente impossível.permite que. a passagem da fase dos articulados para a fase da sentença. por exemplo.e que obstem à apreciação do mérito da causa – 288º/3 – no caso.Se operante e relativa. . 483º .A revelia produz efeitos sobre a tramitação da acção. . ela dispensa a selecção da matéria de facto – art. essa confissão não é admissível. .. basicamente. atendendo quer ao seu carácter absoluto ou relativo.a não sanação da falta ou nulidade da citação – art. se revelia absoluta se mantiver. 508-B/2 e 787º e a convocação da audiência preliminar para fixação da base instrutória – 508º-B e 787º. . 195º e 198º .Se absoluta. 44 . quer à sua natureza operante ou inoperante.Matéria ‘confessada’ não prevalece sobre a matéria de conhecimento oficioso. . o processo é facultado para exame pelo prazo de 10 dias sucessivamente ao advogado do autor e do réu. tribunal deve certificar-se que citação foi bem feita – art. Essa revelia implica sempre que ela não decorra do aproveitamento da contestação de um litisconsorte – 485º a) – que a audiência final se realiza perante um tribunal singular. 508º-A/1 e). através do recurso extraordinário de revisão – art. o efeito é. solução imposta pela igualdade. sem prévias alegações de qualquer um dos advogados. 813º d). Juiz profere imediatamente a sentença final – art. 495º .Se inoperante. nomeadamente as excepções dilatórias de que o tribunal deve conhecer ex officio – art. 484º/2. 484º/2 – portanto. in fine. visto que réu não constitui advogado.Trâmites da Acção .

Isso justifica-se sempre que ela seja necessária para assegurar a utilidade da decisão e a efectividade da tutela jurisdicional – art. que só vai conseguir determinar-se efectivamente e de forma consolidada com um processo exauriente. tornando-se necessário obter uma composição provisória da situação . comparado com o arquétipo do processo ordinário. Espécie de violação do dispositivo. . Visava-se garantir ao credor que não era possível ao devedor distratar bens do seu património que quando surgisse a possibilidade de executar o património. Nesta última não há urgência em prevenir situação. . porque o que a parte pede não é o que melhor pode tutelar.Tutela cautelar era meramente conservativa. .II – Fins do Processo e Tipos de Tutela A Tutela Cautelar– as Providências Cautelares18 Introdução.Encontram-se uma série de garantias. mas já urgência de manutenção do estado dos lugares. Noção e Finalidade .º CC). A sua origem é o arresto (619. mas que requerem tempo exaurido de consolidação que podem ser postas em causa pelo risco do objecto litigioso. mas ele apenas protege o que a parte quer. ele já não existisse. que pode levar à decisão estável.Apenas se afasta o dispostivo num plano formal.º.É possível o proferimento de decisões com menos averiguações dos factos. 18 Teixeira de Sousa. 2º/2 + 20º/1 CRP . no 668. imutável e perguntar o que é necessário para que se aceite isto? . . encontrar regulação provisória ou antecipa-se a tutela requerida .Nem sempre a regulação dos interesses conflituantes pode aguardar o proferimento da decisão do tribunal. mas que não tem base de sustentação pela urgência da decisão.A circunstância das coisas faz como que apenas a possibilidade daquela decisão efectiva seja útil.Se juiz não tem tempo. pp 226-255 45 .Percurso histórico que foi absorvendo a tutela antecipatória. .Pode-se visar garantir um alegado direito. ele terá que se basear naquilo que o requerente diz é provavelmente real e que o provavelmente real é provavelmente verdade. porque o juiz está a interpretar adequadamente a postulação da parte. Estudos sobre o Novo Processo Civil.

. o juiz não tenha conseguido uma percepção de probabilidade de existência de um direito.Dois problemas do regime: . porque poderia através da sua conduta podia por em risco a eficácia da providência.A e C da reforma . . .Atendendo às características da prova. sendo que essa provisoriedade resulta quer da circunstância de elas corresponderem a uma tutela qualitativamente distinta na acção principal – art. mas atinge a real existência de um direito. Exemplo dos computadores usados para fins ilegais.Acessoriedade da providência é imediata consequência de regime que se não instaurado processo principal importaria a caducidade da providência cautelar. as consequência têm que ser diferentes .387. . podendo haver diferimento do contraditório também quando parte não pode tomar conhecimento.Essa diferença qualitativa vê-se bem a nível probatório onde se exige uma mera justificação como indício seguro .Provisoriedade – as providências cautelares fornecem uma composição provisória. .Finalidade – a composição provisória da acção . 383º/1 – devido à sua necessária substituição pela tutela que vier a ser definida na acção .Segunda acção pode-se não justificar (segundo a professora) numa única acção: .Não se compreende como uma decisão transitada em julgado sobre a existência de um direito (387-A/1) pode ser posta em causa.Em regra.. Impõe um grau mínimo de conhecimento. propriedade 46 . pelo que se fosse previamente anunciada a decisão. mas aqui.º .Acessoriedade . .quem tem o ónus de “propor” uma acção depois de decretada a providência é o requerido de modo a destruir essa providência. o contraditório é prévio. o contraditório é diferido para momento posterior à decisão. .tutela definitiva e não provisória.Modelo da inversão do contencioso . e se o juiz pode obter mais que isso.Objecto de providência cautelar nem é o mesmo – ex: acção restituição provisória da posse – posse vs.É dogmaticamente insustentável dizer que há uma decisão que não tende a ser estável quando existe um juízo de certeza. os PC seriam formatados.Não foi este o modelo escolhido na actual revisão do CPC: .

e providência cautelar não é vinculativa na acção principal – art. então pode haver convolação.º . a composição tem de ser concedida com celeridade.Instrumentalidade – a tutela processual no geral. 388º/1 a) e oposição – art. não poderá existir convolação.º . 387º . pois também serve os fins gerais de garantia que são prosseguidos pela tutela jurisdicional . as providências cautelares implicam necessariamente uma apreciação sumária da situação através de procedimentos simplificados e rápidos .Lebre Freitas e o 385. 385º/1 e 2 . por causa do princípio do contraditório.audiência depois de diferida providência cautelar.Recurso do requerido – art. 234º/4 b) .Ouvirá requerido neste caso . como já sabemos.Convolação . é instrumental perante as situações jurídicas . 234º-A/1 ..388.art. 394º e 408º e no outro permite-se – art. 388º/1 b) .ouve-se previamente o requerido ou dispensava audiência do requerido.Produção de prova – art.Não há litispendência – art.recusada se impuser demasiado prejuízo ao requerido – art.Proíbe-se audição nos casos dos arts.Assim.Summaria cognitio – para atingir a sua finalidade. 3º/2 .Assim.Fazer prova sumária do direito ameaçado – 384º/1 .Citação do réu depende de prévio despacho judicial – art. 383º/4 . 47 . 386º .Algumas providências cautelares podem ser decretadas sem audição prévia – art. . Se não dispensar.Composição provisória não se deixa de se incluir nessa instrumentalidade. 497º . . juiz pode indeferir liminarmente o pedido quando ele seja manifestamente improcedente ou contiver excepções dilatórias insanáveis – art. 387º .Providência – art. Se ele disser que tivesse corrido como procedimento comum e dispensava audiência. 385º .

falta a necessidade da composição e providência cautelar não poderá ser requerida. .A mera justificação também é suficiente para a demonstração pelo requerido de que o dano que ele sofreria com o decretamento da providência exceda consideravelmente aquele que o requerente pretende evitar – 387º/2 – e para a prova de qualquer excepção por ele oposta.. que representa uma convicção do tribunal da quela situação: .Providências cautelares exigem apenas a prova sumária do direito acautelado.Periculum in mora é o dano que seria provocado quer por uma lesão iminente quer pela continuação de uma lesão em curso.juiz sabe que só existe a probabilidade de existir o direito.Basta serem demonstradas dúvidas sobre a probabilidade dos factos 48 .Prova de que a situação jurídica alegada é provável ou verosímil . Ele terá que considerar que a desproporção entre violação alegada e aquela que pode vir a ser infligida no património no requerido que seja de tal forma grande que não valerá a pena correr o risco. 384º/1.Pressupostos: os fundamentos da necessidade da composição provisória Periculum in Mora . . a demonstração da probabilidade séria da existência do direito alegado – art. o mesmo valendo para a contra-prova – art. .e.Não se aplica se numa acção principal já tiver sido proferida uma decisão desfavorável – decisão com recurso pendente – não se pode pôr a probabilidade a prevalecer sobre a apreciação já feita.Se faltar este pressuposto. 346 CCiv . 381º . 387º/1 e 403º/2.Paula Costa e Silva .Evitar lesão grave e dificilmente reparável – art. . 407º/1 e 423º/1 – bem como o receio da lesão – 381º/1 e 384º/1 .Summaria cognitio – grau de prova suficiente para a demonstração da situação jurídica – não é prova stricto sensu.A necessidade da composição provisória decorre do prejuízo que a demora na decisão da causa e na composição definitiva provocaria na parte que carece de acautelamento. i. Fumus Boni Iuris .

pois a providência cautelar exercia uma função de garantia.Pode ser requerido pelo credor que demonstre a probabilidade da existência do seu crédito – ainda que sujeito a termo ou a uma condição resolutiva – e tenha justo receio de perda da sua garantia patrimonial – art. .Teixeira de Sousa subdivide-as naqueles que garantem um direito (arresto.Arresto não se justifica se o crédito estiver assegurado por uma garantia real e. a regulação provisória ou antecipação da tutela através de um meio mais adequado – providência cautelar não é o meio mais célere e económico de proteger o direito .Arresto – art.O arresto e o arrolamento são providências cautelares cuja finalidade específica é garantir a realização de uma pretensão e assegurar a sua execução. Arresto . arrolamento) regulam provisoriamente (restituição provisória da posse.Outras – o interesse falta sempre que requerente possua outra garantia. em regra.As outras são providências nominadas – restituição provisória da posse. e admite.A não ser – prova plena – art. 381º/3 . 406º/2 – ou de bens transmitidos pelo vendedor a terceiro – art. embargo de obra nova e suspensão de deliberações sociais) ou antecipam a tutela (alimentos) Providências de Garantia . alimentos provisórios.Lei admite várias providências típicas. 406º/1 . embargo de obra nova e o arrolamento..Não haverá interesse processual quando o requerente possa atingir garantia do direito. nomeadamente uma garantia real. arresto. 347º . quando nenhuma seja aplicável. arbitramento de reparação provisória. Providências Especificadas . 406º/1 – título executivo . 407º/2 . uma providência cautelar comum no âmbito residual – art.Consiste na apreensão judicial de bens do devedor – art. suspensão de deliberações sociais. se o credor beneficiar de uma garantia pessoal ou o credor estiver protegido por outra forma – reserva de propriedade – falta interesse processual 49 .

Diferenciação do arresto . Exemplo de alguém de compra uma biblioteca e o vendedor continua a vender livros separadamente.Justifica-se também o arrolamento de uma fracção de um prédio que é objecto de um contrato-promessa se existir o risco do promitente-vendedor a alienar a um terceiro. 424º/1. 822º . 838º ss – o direito que arrestante adquire de ser pago com preferência a qualquer outro credor que não tenha garantia real anterior – 846º . móveis ou imóveis . 50 .Agora com pagamento com termo.No arrolamento. 427º/1 . assim. etc.no arresto o crédito do requerente não tem nada a ver com os bens que ele pede de arresto. valor. avaliados ou depositados – art.Arrolamento destina-se a evitar o extravio de bens. 421º/1 – que são descritos. tanto faz que seja de entrega de coisa. Os bens servem função de garantia. .Também não pode ser decretado se o credor estiver em condições de nomear bens à penhora – art. Arrola para a composição não se alterar.Paula Costa e Silva: . poderá haver arresto? Arrolamento .º CPC. facto. por exemplo. 819º CC – falta interesse processual . . susceptíveis de arresto os bens penhoráveis – art. Desde que seja direito de crédito. os bens fazem sempre parte do objecto mediato ou imediato da acção principal. . 422º/1 – só podendo ocorrer quando haja necessidade de proceder à arrecadação de herança. ou de documentos – art. .Ao arresto são aplicáveis as disposições relativas à penhora – 406º/2: . .Arresto quando a obrigação é de entrega de coisa certa? 931. de que é dependente a acção principal.Paula Costa e Silva: requisitos do arresto: .Existência de um crédito.Só são..Efectivação da penhora – art. podendo também recair sobre contas bancárias. .Qualquer um dos cônjuges pode requerer o arrolamento de bens comuns ou dos seus bens próprios que sejam administrados pelo outro – art.Esta providência visa a conservação de bens ou documentos determinados – art.

412º/2 e 3 Suspensão de Deliberações Sociais .Paula Costa e Silva . em consequência de obra.Ela é normalmente dependente de uma acção possessória. .. pode ser requerida quando o ocupante mudou a fechadura da porta e recusa a entrega das novas chaves – é com base na violência que tem de se tomar uma decisão o mais célere possível. desde que o alegue e prove com os factos que constituem a posse.e. aos estatutos ou ao contrato. 412º/1 .O esbulhador nunca é ouvido previamente ao decretamento da providência cautelar.Pode ser também por via extrajudicial – art.Pode ser judicial ou extrajudicial – o primeiro só pode ser requerido por quem se sentir ofendido no seu direito de propriedade.prazo de 15 dias Embargo de Obra Nova .O possuidor que for esbulhado com violência. desde que prove qualidade de sócio e mostre que execução pode causar dano apreciável – art. que a execução dessas deliberações seja suspensa. i.juiz pode condenar na manutenção da posse que não houver prova de esbulho violento. num outro direito real ou pessoal de gozo. o esbulho e a violência – art.Se alguma associação ou sociedade tomar em assembleia geral. Assim. deliberações contrárias à lei.Providências de Regulação Restituição Provisória da Posse . 393º . mas também de uma acção de reivindicação.juiz tem que decidir um prazo – 382º/2. 392º/3 . pois ela afecta a paz social . mas também por aquela que é dirigida contra coisas. trabalho ou serviço que cause ou ameace causar prejuízo – art. retenção ou fruição do objecto possuído. qualquer sócio pdoe requerer no prazo de 10 dias.1279º CC . tem o direito de ser restituído provisoramente. mas apenas turbação – 661º/3 . . 396º/1 51 . violentamente privado do exercício.Ela é justificada não só pela violência ou ameaças contra as pessoas.

Só pode ser decretada se se verificar uma situação de necessidade em consequência das lesões sofridas e se estiver indiciada a existênca da obirgação de indemnizar a cargo do requerido – art. 403º/2 Providências Comuns Subsidiariedade . habitação e vestuário e da acção – 399º/2 Arbitramento de Reparação . principal ou acessoriamente. seja pedida uma prestação de alimentos – art. como reparação provisória do dano – art. nem pode ser decretada se prejuízo da sua não execução for maior do que da execução – art.O mesmo regime para suspensão de deliberações de assembleias de condóminos – art. a garantia da execução da decisão final.Não cabendo em nenhuma das providências nominadas. 396º/3 . 398º . a data em que ele soube – art. se requerente não tiver sido regularmente convocado para ela. sob forma de renda mensal. a regulação provisória e a antecipação da tutela podem ser obtidas através de uma providência cautelar não especificada – art.Dano tem de ser apreciável mas não irreparável ou de difícil reparação – por não causar dano reparável.Quantia mensal – art.Prazo conta desde o dia da assembleia e. 399º/1 – tomando em consideração o que for estritamente necessário para sustento.. pode o lesado requrer o arbitramento de uma quantia certa.Como dependência da acção de indemnização fundada em morte ou lesão corporal. 399º/1 – como acção de maternidade ou paternidade .Pode ser requerida como dependência da acção em que. não pode ser requerida a suspensão de deliberação de recebimento de dividendos. 397º/2 – nem pode ser requerido se deliberação já estiver executada. Providências Antecipatórias Alimentos Provisórios . 381º/3 – as não 52 . 403º/1 .

Nenhuma nominada pode ser abstractamente aplicável e não que a providência aplicável deixe de o ser por motivos respeitantes ao caso – se quer arresto e não estão preenchidos os requisitos. antes da acção ser proposta ou na pendência dela.Adequação da providência concretamente requerida à efectividade do direito ameaçado – art. 381º/1 e 387º . se era abstractamente aplicável. 53 . . cause lesão grave e dificilmente reparável ao direito do requerente – art.Dado o largo âmbito de aplicação do arresto e do arrolamento.especificadas só podem ser requeridas quando nenhuma nominada possa ser utilizada no caso concreto. 387º/2 Finalidades . chapeú. há mais. . promitente comprador pode requerer que promitente vendedor se abstenha de alienar o prédio que foi objecto de promessa com eficácia real.O excesso considerável do dano que se pretende evitar com a providência sobre o prejuízo resultante do seu decretamento – art. Requisitos . 381º/1 .Fundado receio de que outrem.Podem ser usadas também como providências antecipatórias – inquilino de um prédio que reside no último andar e que diariamente sobe com uma criançºa pode pedir que dono repare os elevadores.Podem ser utilizadas para regulação provisória de uma situação – ex: vendedor que pretende anular o contrato que compra e vende pode pedir que comprador não realize o registo. as providências cautelares comuns destinar-se-ão primordialmente a regular provisoriamente uma situação e a antecipar a tutela definitiva.Além do requisito da subsidiariedade. suspender um sócio da gerência. etc. etc. . .

mas nunca após o trânsito em julgado da decisão desta acção. mas a acção principal nunca chega a ser proposta.As providências cautelares têm por objecto obter uma composição provisória. 289º/1 CC . 381º/1 . são dependência de uma acção cujo objecto é a própria situação acautelada – v. 389º/1 d) + 289º/2 . 1278º . . pode-se pedir arrolamento dos bens que lhe deverão ser restituídos – art. Se em providência evitar que comerciante venda certos bens e não vier a propor a acção. in fine – isso possibilita a situação em que a providência é requerida. . mesmo assim. 389º/1 c) – ou se o réu vier a ser absolvido da instância e o autor não propuser uma nova acção num novo prazo – art.Características Dependência . já atingiu os seus objectivos. sendo decretadas em processos especiais próprios e. ainda que uma delas seja julgada injustificada ou tenha caducado – 381º/4 – Teixeira de Sousa – este preceito deve ser entendido assim – é possível voltar a requerer uma nova providência que anteriormente foi rejeitada sempre que surjam factos supervenientes que a possam justificar. mas. as providências caducam se a acção principal vier a ser julgada improcedente – art.Providência requerida condiciona e é condicionada pelo objecto da acção principal – assim.Podem ser requeridas antes da propositura da acção principal ou durante a sua pendência – 383º/1. não pode ser requerida mais do que uma providência relativa ao mesmo objecto. in fine. porque visam compor provisoriamente a situação das partes. 54 .As providências cautelares podem ser solicitadas mesmo quando não esteja pendente nenhuma acção – art. 381º/2 estabelece que o direito que se pretende acautelar ou tutelar com a providência pode ser um direito já existente ou um direito ainda a constituir.Como dependência da mesma causa.É certo que o art. mas há que reconhecer que essa caducidade nem sempre produz efeitos práticos. mantém-se aquela dependência – a providência tem de ser adequada ao direito que se pretenda constituir – se estiver pendente processo de anulação. 389º/1 a) estabelece a caducidade da providência. . a restituição provisória da posse só pode ser requerida em conjugação com uma acção na qual se discuta a titularidade d ocorrespondente direito e se exija a restituição da mesma coisa – art.O art.Dada essa dependência. 383º/1.

394º e 408º/1 Modificação . a definitividade da providência não fica dependente de qualquer acção principal.O tribunal não está adstrito à providência requerida – art.Conclui Teixeira de Sousa – sempre que a providência seja acompanhada do reconhecimento do direito acautelado ou tutelado ou de uma transacção sobre esse direito. 390º/1. 273º/1 e 2 55 . interpretação e aplicação das regras de direito – 661º .Uma idêntica modificação da providência pelo próprio requerente não é condicionada pelo art.As providências cautelares são apreciadas e decretadas nos procedimentos cautelares. . acha Teixeira de Sousa. 382º/2 – os procedimentos cautelares instaurados perante o tribunal compentente devem ser decididos no máximo de 2 meses ou de 15 dias se o requerido não tiver sido citado – art..A omissão da propositura da acção principal pelo requerente da providência fálo incorrer em responsabilidade perante o requerido – art. precedendo qualquer serviço judicial não urgente – 382º/1 .Como consequência dessa urgência. 392º/3. eles revestem sempre carácter urgente.e pressupõe que factos alegados possibilitem essa conversão. .Art.Ela pode-se tornar definitiva através de um negócio celebrado pelas partes – aí não é precisa acção principal . em certas hipóteses.Mesmo assim. 1ª parte – podendo decretar uma providência distinta daquela que foi solicitada – v. Celeridade .Esta faculdade concedida ao tribunal decorre da não vinculação deste órgão à indagação. os prazos processuais não se suspendem sequer durante as férias judiciais – 144º/1 . Tmb 661º/3 . . a dependência da providência cautelar perante a acção principal não impede que. 385º/1. aquela providência possa substituir totalmente os efeitos práticos da acção principal. Dada a celeridade indispensável a essas providências.

389º/1 c) – também isso demonstra que o seu decretamento não é vinculativo na acção principal . Não pode.Um das consequências da summaria cognitio é a insusceptibilidade de a decisão proferida no procedimento cautelar produzir qualquer efeito de caso julgado na acção principal – não tem – 383º/4 . para lhe entregarem uma coisa. in fine – podem-se cumular tanto diferentes providências especificadas.Também a desistência da providência e a confissão do pedido – art. pedir ao mesmo tempo o arrolamento e o arresto. 390º/1 – podendo o tribunal. 56 . 385º/1. 392º/3. desde que haja uma certa compatibilidade prática. por exemplo. .Podem-se também decretar várias providências referentes a uma única situação jurídica. nominadas e comuns. .Cumulação . 383º/1 for admissível cumulação dos respectivos pedidos. na acção de que são dependentes – art.O requerente pode solicitar o decretamento de várias providências cautelares num mesmo procedimento cautelar. o requerente é responsável por danos que culposamente causar ao requerido – art.Medidas tomadas devem ser adequadas às situações que se pretende acautelar ou tutelar . desde que a tramitação destas não seja absolutamente incompatível e corresponda a um interesse relevante ou seja indispensável para a justa composição do litígio – art. 394º e 408º/1 – e a medida se mostrar injustificada. a solicitação do requerido. 390º/2 Eficácia Relativa .Podem-se cumular duas ou mais providências cautelares se. 387º/2 + 397º/2 .As medidas provisórias não podem impor ao requerido um sacrifício desproporcionado relativamente aos interesses que o requerente deseje acautelar ou tutelar provisoriamente – art. Proporcionalidade .A desproporção conduz ao indeferimento parcial da providência – se o requerido não for ouvido antes do decretamento da providência – art. 293º/1 – não podem condicionar a apreciação da acção principal. tornar a concessão da providência dependente de caução – art. .Como a providência caduca se a acção vier a ser juglada improcedente por sentença transitada em julgado – art.

Quanto à transacção. extinção do direito . al.prazo é encurtado para 10 dias a contar da notificação do requerente da realizaão da notificação ao reuquerido do decretamento da providência – 389º/2 57 .As providências que se traduzem na imposição de uma obrigação são susceptíveis de ser executadas.É admissível. 46º a) Caducidade .Sendo uma decisão provisória. dado que incorre no crime de desobediência qualificada aquele que infrija a sua execução coerciva – 391º + 348º CP . elas possuem uma vigência provisória. 387º/3 e embargo de obra nova – 419º/1 Garantia e Execução .As providências cautelares destinam-se a obter uma composição provisória que tutela ou acautela o interesse na efectividade da tutela jurisdicional . contados da data da notificação da decisão que a ordenou. para assegurar a efectividade da providência cautelar decretada.Uma vez requerida.. Substituição Por Caução . 384º/2 + 829-A/1 CC . sendo título executivo – art.Como já vimos. elas caducam se decisão ver a ser proferida na acção principal e seja incompatível com a medida decretada – art. ela caduca se o requerente não propuser a acção da qual é dependente – art.Isso não impede que interesse possa ser tutelado doutra forma – é o que acontece com a caução a substituir a providência nas não-especificadas – art. se ela impuser uma prestação de facto infungível e esta não exigir especiais qualidades científicas ou artísticas do requerido – art. e). a fixação de uma sanção pecuniária compulsória. há que verificar – 293º/2 e 1248º CC – se ela vale apenas para a situação provisória ou para toda ela. 383º/1 – no prazo de 30 dias. Se requerido não tiver sido ouvido – 385º . a providência merece tutela penal. nem pretendem eternizar-se por essa via: . 389º/1 – por exemplo.Se a providência cautelar não for requerida na pendência da acção principal .

Esta responsabilidade pressupõe a culpa do requerente.Nestes casos. 389º/1 . O levantamento da providência com fundamento na sua caducidade depende da solicitação do requerido. Não afasta se direito não existia e passou a existir. mas também são pensáveis situações de caducidade parcial da providência – se acção for julgada parcialmente improcedente no despacho saneador – 510º/1 b) – a providência decretada só caduca na parte respectiva – art. o requerente não está impedido de provar. apesar da existência do direito. é responsável por todos os danos causados ao requerido – 390º/1 + 621º CC no arresto.Nos alimentos nunca é exigível a restituição dos alimentos recebidos – 402º .. ou não vem a ser confirmada pela decisão proferida na acção principal. e que. 383º/4 58 . . que pode consistir na falta da prudência – 390º/1 – aferida pela negligência do requerente – art. teria justificado o decretamento da providência.Pode suceder que a providência se venha a mostrar injustificada pela falta do direito acautelado ou falta de fundamento para o seu decretamento. bem como também é irrelevante a desistência – art. 389º/1 e) . ou venha a caducar por facto imputável ao requerente – art. a caducidade da providência abrange-a na totalidade. 389º/4 – conjuntamento com o levantamento o tribunal pode ordenar as medidas necessárias a repor a situação anterior ao decretamento da providência Responsabilidade do Requerente . 389º/1 c) – e se direito se extinguir em parte – art. se tivesse sido devidamente apreciado no procedimento. 456º/2 – só grave.Arresto – ver 410º . na posterior acção de indemnização. se requerente não tiver agido com a prudência normal. que é apreciada após a audição do requerente – art.Se a providência for injustificada. .Normalmente. se retardar a pronúncia da decisão sobre o mérito na acção principal – 389º/1 b) + d) .Caduca se. que o direito existia mesmo.Esta responsabilidade pressupõe que a providência é injustificada no momento em que é requerida. por negligência do requerente.A caducidade da providência não opera automaticamente e nem sequer é de conhecimento oficioso. É uma contrapartida da provisoriedade das providências cautelares – 390º/2 .

modificam ou extinguem uma situação processual .os negócios processuais são os negócios jurídicos que produzem directamente efeitos processuais.Não é da responsabilidade se desistência se tornar supervenientemente inútil por acto do requerido. podendo elas incorrer. bem como é irrelevante a desistência – art. pois eles também podem produzir efeitos obrigacionais. e também não há se requerido tiver omitido no procedimento cautelar em que a providência foi decretada. . em princípio.A responsabilidade do requerente pressupõe que a providência é injustificada no momento em que é requerida ou não vem a ser confirmada pela decisão proferida na acção principal. – é a disponibilidade sobre os efeitos processuais que afere a admissibilidade dos negócios processuais.nem atribuir a um documento um valor probatório distinto. as partes não podem alterar as regras sobre a competência material – 66º e 77º . por exemplo. actos de auto-composição podem valer em processo.O requerido tem direito a ser colocado na situação em que se encontraria se a providência não tivesse sido decretada – 562º CC A Tutela e os Negócios Processuais – a Composição da Acção Por Negócio Processual19 Noção e Efeito dos Negócios Processuais . etc.São a expressão da autonomia das partes em processo civil. a transacção pode impor certas obrigações às partes. i. . pp 193-206 59 . os negócios processuais serem aqueles que produzem efeitos de carácter processual.Apesar de. autonomia essa manifestada no âmbito das normas dispositivas e afastada das normas injuntivas. . . 293º/1 .Teixeira de Sousa .e.Paula Costa e Silva – o processo actua e justifica-se enquanto (ou quando já) não é possível resolvê-los através da autonomia das partes. Estudos sobre o Novo Processo Civil.. 19 Teixeira de Sousa. em responsabilidade obrigacional. isso não significa que esses negócios só possam realizar aqueles efeitos. actos processuais de carácter processual que constituem. Assim. Por exemplo.. a alegação de uma excepção oponível ao direito acautelado e apenas invocada na acção principal.Assim.

293º/1. por ex. 276º CPC e 830º CC . 681º/2 e 3 – os negócios processuais que repetem o conteúdo daquela decisão convertem-se numa renúncia ao recurso que a parte vencida podia interpor – art. . 680º/1 .Teixeira de Sousa – resposta deve ser negativa sempre que esses actos reproduzam o conteúdo da decisão proferida. Como podemos ver. . devido ao seu carácter unilateral. diz Teixeira de Sousa.Dentro dos bilaterais está a transacção.Diferente é a situação da desistência da instância realizada após o proferimento da decisão sobre o mérito da causa. a solução é distinta. embora. Importa verificar se autor pode desistir do pedido depois do proferimento pelo tribunal de uma sentença absolutória. podem estes negócios estar sujeitos a contrato-promessa biltateral ou sinalagmático. o mesmo valendo para a transacção – art. se o réu pode confessar o pedido após a prolaçºão de uma sentença com qualquer um desses conteúdos. quando.Dentro dos unilaterais estarão a desistência (por parte do autor) e a confissão (por parte do réu). 677º).Quanto à participação do demandado numa transacção. A justificação é a falta de interesse processual da parte ou partes. Devido ao seu carácter unilateral. . Momento . são formados pela vontade exclusiva do autor ou do réu. a Professora distingue entre aqueles que são unilaterais e bilaterais: . porque esse acto nunca poderia reproduzir ou 60 . 267º/1 .O momento ad quem da admissibilidade da confissão do pedido é a citação do réu – art. se for realizada antes da sua citação. podendo até haver execução específica e suspensão da instância no processo em que deveria ter sido invocada – art. 293º/2. dada a categoria substantiva do negócio – art. Contudo.A desistência e a confissão do pedido podem ser realizadas em qualquer momento da tramitação da acção – art. o réu confesse um pedido que tribunal afirmou procedente.Dentro dos negócios de auto-composição do lítigio. negociada entre ambas as partes processuais. antes do trânsito em julgado (v. 1248º CC – o réu pode intervir em qualquer transacção que.Podem levantar-se algumas dúvidas sobre se os negócios processuais podem ser concluídos depois do proferimento da decisão sobre o mérito da causa. é ainda uma transacção extra-judicial. naturalmente. pode-se configurar esse negócio como uma renúncia a interpor recurso ordinário – art..

e ainda que a desistência não esteja condicionada à sua aceitação. em princípio. visto que. do tipo do 293º. pois não está a exercer um direito próprio. 300º/3. Como esta desistência depende da aceitação do réu que contesta – art.A desistência e a confissão só podem provir de partes principais e. .cabeça-de-casal que instaura contra administrador da herança uma acção de prestação de contas. nas quais podem ou até devem participar terceiros estranhos à acção . deve entender-se que ela é inadmissível sempre que a sentença proferida seja desfavorável ao autor. dê ou não o seu consentimento.Nada impede que as partes de uma transacção incluam nesta ou ou mais terceiros ou concluam através dela um contrato a favor de terceiro nos termos do art. só pode desistir acompanhado de todos os herdeiros.Os negócios processuais pelos quais as partes conformam a decisão da causa podem extinguir-se por iniciativa delas. ou seja. quanto à desistência.Há situações. Além disso. Extinção . há que considerar a relevância e os efeitos da sentença homologatória desses negócios – art. .Contudo. 287º d) e 294º 61 . contudo. resolvida ou rescindida. mesmo que o réu não tenha contestado. como a extinção da instância – arts. quanto à admissibilidade dessa desistência após o proferimento da decisão de mérito. se tiver intervindo uma parte acessória – 330º/1 e 335º/1 – esta só pode celebrar uma transacção se dela também participar a respectiva parte principal. embora a sua extinção não afecte os efeitos processuais produzidos.repetir o conteúdo dessa sentença. consoante o réu que contestou. só a transacção pode ser revogada. observadas as regras gerais referentes aos actos negociais. 443º/1 .Os sujeitos dos três negócios processuais são. constituiria um meio de o autor impedir a produção de efeitos dessa decisão. porque. Sujeitos . não há nenhum art. existe uma lacuna quanto ao momento no qual o autor a pode realizar. 296º/1 – a solução. varia. Depois dessa homologação. as partes da acção. de outra forma. .

A desistência.Como actos processuais elas deveriam exigir os normais pressupostos dos actos processuais – capacidade e representação judiciária. estando. desistência ou transacção quando provenha unicamente da falta de poderes do representante ou insuficiência do mandato. 1248º CC) são tratados. confessar ou transigir com observância do âmbito e limites dos seus poderes de representação. 1889º CC . como se pode concluir especialmente da invalidade prevista nos arts. sujeitos ao art. patrocínio. Essa regra está estabelecida no 301º/1. 776º c) . 35º/1 CC Representação . 62 . 297º. Obtida a declaração de nulidade ou anulação depois do trânsito em julgado da sentença. 301º/2..pais não podem autonomamente neogicar transacção. nos 10 dias seguintes. produtores de idênticos efeitos (p ex.Numa situação plurilocalizada. etc. Ex: pais e filhos – art. por exemplo.Existem algumas especialidades quando a desistência. incapazes ou ausentes. 286º) – a sentença homologatória é notificada ao mandante podendo este. 300º/5. 36º e 37º . – mas. 771º d). Nos termos do art.A nulidade da confissão. 301º/3. e em alguns casos.Os negócios processuais que conformam a decisão da causa exigem os requisitos gerais de qualquer negócio jurídico. estes negócios.ver acima .Requisitos de Validade . seguindo-se a fase recisória – art.Mandatário – art. quando não são tipificados como negócios materiais (como sucede com a transacção no art. i.e. a formação do negócio processual é regulada pela lei aplicável à substância do negócio – art. é sanável (excepcional ao art. declarar que não ratifica. 280º. . nomeadamente quanto aos sujeitos e à sua vontade. esses pressupostos só têm autonomia quando não sejam consumidos pelos requisitos gerais dos actos jurídicos. como os correspondentes negócios substantivos. quanto ao seu regime. 301º/1 e 3. Se nada fizer. confissão ou transacção resultem de actos praticados por representantes de pessoas colectivas. . e a acção de nulidade no art. parte pode impugná-la no recurso extraordinário de revisão – art. a confissão e a transacção devem ser apreciadas atendendo à sua qualidade como negócios processuais e como actos jurídicos. reconhecimento de dívida) . esses representantes só podem desistir. o acto é havido por ratificado e sana-se a nulidade – art. precedento autorização especial. sociedades.

Disponibilidade . 298º/2.A confissão. 59º/1 CSC – nenhum deles pode desistir do pedido. devendo entender-se aqui litisconsórcio simples e não unitário. 298º/1. se for em alguns. para o professor. A desistência da instância. 1814º e 1869º CC. pelo que o art. Ex: se direito de preferência pertencer simultaneamente a vários titulares. o art. .Legitimidade . 298º/2 refere-se somente ao litisconsórcio unitário. .Teixeira de Sousa – a admissibilidade desses negócios processuais não pode depender da origem voluntária ou necessária do litisconsórcio – o art. não pode provir de qualquer litisconsórcio voluntário. .O art.Também sucede que nem todo o litisconsórcio necessário obsta à participação de um único dos litisconsortes na confissão. não é indisponível – art. porque a decisão da causa tem de ser uniforme. exclui esses negócios proveniente por um único litisconsorte necessário. . é livre a confissão. mas o autor pode desistir do pedido – art. desistência ou transacção. quando limitada ao interesse de cada um deles. conforma-se uma hipótese de desistência do pedido realizada por um litisconsorte necessário. mas admite-se que algum deles declare que não o pretende exercer – se essa declaração for emitida durante a pendência da acção.Há que observar as especialidades impostas pelas situações de litisconsórcio – quanto a elas. 299º/1. mas somente daquele em que cada um dos litisconsortes possui um interesse autonomizável perante o interesse dos outros litisconsortes. 299º/2 63 . ele só pode ser exercido por todos eles.A indisponibilidade relativa verifica-se nas acções de divórcio e separação judicial de pessoas e bens – nelas. . dado o carácter irrenunciável do estado de filho. desistência e transacção por cada um dos litisconsortes.A indisponibilidade absoluta verifica-se nas acções de investigação de maternidade ou paternidade – art. nos casos de litisconsórcio voluntário. Ex: apesar do litisconsórcio entre os sócios que instauram uma acção de anulação de uma deliberação social ser voluntário – art. 295º/2 . como não produz efeitos sobre o objecto do processo. a desistência do pedido e a transacção não são admissíveis relativamente a situações indisponíveis – art.Pode ser absoluta – se não for admitida em nenhum dos negócios processuais – ou relativa. 298º/1 estipula que. não são admissíveis a confissão do pedido e a transacção.

. confissão ou transacção.a desistência. não podem ser negociados – neste caso a resolução do contrato fundada na falta de cumprimento por parte do arrendatário. a nulidade desse contrato – art.não obsta à validade da confissão do pedido. na oposição à execução baseada na sentença. 220º e 875º CC . 300º/1 . essa parte não pode desistir ou confessar o pedido. aquele não pode desistir do pedido sem estar acompanhado dos demais.Os negócios processuais não podem ser celebrados pela parte que. por documento autêntico ou particular – art.Quanto à transacção extrajudicial.Com o trânsito em julgado da sentença homologatória – 677º . Forma e Homologação . já que o contrato não é a única forma de aquisição da propriedade. segundo as exigências da lei substantiv. o executado alegue qualquer das causas que determinam nulidade ou anulabilidade – art. que tem de ser decretada por tribunal. mas não obsta à admissibilidade da acção desintada à declaração de nulidade ou à anulação de qualquer desses negócios – 301º/2.Só são admissíveis em casos em que os efeitos por ele produzifdos não poderiam ser obtidos no próprio processo pendente.Através da desistência. pela sua qualidade processual.A desistência. Se autor reivindica imóvel apresentando como título de aquisição um documento particular. não possui qualquer disponibilidade sobre o objecto do processo – dado que o substituto não pode dispor desse objecto. não é possível obter efeitos que só podem ser produzidos através de uma sentença judicial. como no art. o documento autêntico só é exigido quando dela possa derivar algum efeito para o qual seja requerido estrutura pública – art.Certos efeitos.na acção de prestação de contas instaurada pelo cabeça-de-casal contra o administrador da herança. a confissão e a transacção ficam cobertas pela força do caso julgado dessa decisão. nem impede que. . a confissão e a transacção podem fazer-se por termo no processo ou. Limites Substantivos . 815º/2 Negócios de Auto-Composição do Litígio Unilaterais 64 .. 1250º . nem celebrar transacção . 63º/2 RAU.

fazendo-se de conta que a acção nunca esteve pendente.Desistência da Instância . 295º/2 – extinguindo a instância sem definir nada quanto à situação jurídica alegada. por exemplo. não se deve deduzir do seu consentimento para a desistência da instância uma semelhante desistência para a instância reconvencional – só sucederá quando a reconvenção for dependente do pedido formulado pelo autor – art. extinguindo-se todos os efeitos produzidos pela pendência da causa e actos praticados durante essa pendência. 296º/2 por analogia . 296º/1 – devendo ela ser comunicada ao tribunal. nos termos e limites do art.Negócio unilateral através do qual o autor renuncia à obtenção da tutela jurisdicional requerida. . o autor poderá repetir o pedido noutro processo. Desistência do Pedido . 296º/2. mas na hipótese do efeito de caso julgado da decisão da causa se estender a essa parte demandada mesmo que se torne terceiro perante a acção. a desistência necessitará do seu consentimento se realizada depois do oferecimento da contestação – aplicação analógica do art. não se pode desistir da instância quanto a uma proção da indemnização. . Faz.Negócio unilateral através do qual o autor reconhece a falta de fundamento do pedido formulado . não marcando qualquer posição do autor relativamente à situação jurídica.Não regula situação substantiva. 296º/1 . cessar a excepção de litispendência. se assim o entender. por exemplo.Se réu tiver formulado pedido reconvencional. 65 . fique dependente da aceitação do réu – art. É isso que justifica que a eficácia da desistência da instância.A desistência só é possível no litisconsórcio simples. tendo uma eficácia dilatória. . não interessando saber situação préexistente. . Assim.extinção do direito alegado.A desistência da instância apenas faz cessar o processo pendente – art.Assim. quando seja depois da contestação.Os efeitos retroagem ao momento da propositura da acção.

Ao contrário da simples.. podendo ser total ou parcial – art. Mas. .Diferentemente da desistência da instância. a extinção ou modificação da instância – art. mas opõe-lhe um contra-efeito.Ela pode ser total ou parcial – 293º/1 – e extinção ou constituição da situação jurídica provocada pela desistência do pedido releva em todas as situações nas quais a existência desse direito constitua uma questão prejudicial para a apreciação de um outro objecto. a desistência do pedido representa o reconhecimento pelo autor de que a situação jurídica alegada não existe ou se extinguiu. 66 . 293º/1 .Negócio unilateral pelo qual o réu reconhece o fundamento do pedido formulado pelo autor. . a complexa depende da aceitação do autor – é o que se extrai do art. consoante seja total ou parcial. quanto à confissão do pedido subsidiário – art. 469º/1 – deve entender-se que só vale para o caso do pedido principal vir a improceder.A confissão do pedido implica.A desistência do pedido extingue a situação jurídica que o autor pretendia tutelar – art. .art. Confissão do Pedido .Confissão é complexa quando o réu reconhece o pedido do autor. .Não apenas compõe o lítigo.Pode ser preventiva ou extra judicial – para prevenir litígio – ou judicial – quando põe termo a processo pendente. total ou parcial. .Confissão é simples quando réu reconhece o pedido tal como é formulado pelo autor. Negócios de Auto-Composição Bilaterais – a Transacção .A confissão não pode ser submetida a qualquer condição. Ex: réu confessa crédito pretendido pelo autor. 360º CC . 1248º/1 CC – contrato pela qual as partes previnem ou terminam um litígio mediante recíprocas concessões. como também previne o litígio: . 294º e 287º d) – essa extinção ou modificação é acompanhada do efeito substantivo daquela confissão. 295º/1 . que é o reconhecimento. mas afirma que só o satisfará quando essa parte cumprir a respectiva prestação sinalagmática. da situação jurídica invocada pelo autor.

. Acontece porém que a vida real (e a natureza) não quer saber de grupos ou categorias .Os efeitos processuais traduzem-se.Os negócios processuais também trazem as suas dificuldades de classificação. . atendendo à amplitude da transacção em relação ao objecto do processo. pois se fosse jurisdicional diria respeito ao tribunal (iuris dictio – dizer o direito).Os materiais são os que se referem à definição da situação substantiva entre as partes. . Esta ideia vem já do Aristotéles.. modificação ou extinção de outra situação substantiva. Foi o que aconteceu com o ornitorrinco que é um animal que. numa modificação do pedido – redução – ou extinção da instância – arts. como se viu.A transacção produz efeitos materiais e processuais. . Serve assim como exemplo primário para as dificuldades de classificação. 67 . Porquê os Negócios Processuais? . criou muitas dificuldades em matéria de classificação às ciências da biologia e que por mais de um século não conseguiu ser encaixado em qualquer categoria de ordem e espécie.Os grupos ou categorias são abstracções que construímos para sistematizar o nosso conhecimento. pelas suas características. Quando nos afeiçoamos demais a esses grupos ou categorias temos a tendência de não querer ver que há realidades que não se enquadram nas categorias que construímos. e como tal são como que um pequeno ornitorrinco jurídico. pode resultar de uma alteração quantitativa do objecto do litígio ou constituição.Todos nós quando estudamos temos a tendência para agrupar o nosso conhecimento com base num ou mais elementos comuns das coisas que pertencem (ou vão pertencer) ao mesmo grupo. a qual. modificação ou extinção de direitos diversos do objecto do litígio – art.Ela pode ser ainda quantitativa – aquela em que as concessões se traduzem numa modificação do quantum objecto da causa – ou novatória – aquela em que as concessões mútuas entre as partes implicam a constituição.É um acto judicial e não jurisdicional. 294º e 287º d) . 1248º/2.

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