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CAPÍTULO 44

CAPÍTULO 4 4 GÊNEROS TEXTUAIS 4.1 Contextualizando Capítulo 4 Temos visto alguns textos até o momento.

GÊNEROS TEXTUAIS

CAPÍTULO 4 4 GÊNEROS TEXTUAIS 4.1 Contextualizando Capítulo 4 Temos visto alguns textos até o momento.

4.1 Contextualizando

Capítulo 4

Temos visto alguns textos até o momento. Você reparou como eles são diferentes? Um artigo de revista não é igual a um anúncio, por exemplo.

Como ainda veremos mais alguns textos até o último capítulo deste livro, é necessário explicar o que são os gêneros textuais, as suas características, a razão de seu uso neste livro e também a diferença entre gênero e tipo textual. Também precisamos ilustrar com exemplos os gêneros mais comuns, ou pelo menos os que usaremos aqui.

Ao final deste capítulo, você será capaz de:

saber a diferença entre gênero e tipo textual;

entender a importância da diversidade textual para o estudo da língua inglesa instrumental;

conhecer as características de alguns gêneros textuais;

saber o que esperar de um texto, dependendo do gênero a que ele pertence.

Capítulo 4

Capítulo 4 4.2 Conhecendo a teoria Não é possível comunicar-se verbalmente sem um texto. Mesmo quando

4.2 Conhecendo a teoria

Não é possível comunicar-se verbalmente sem um texto. Mesmo quando falamos, estamos usando um texto. Texto, ao contrário do que alguns acreditam, não é só um enunciado escrito: a comunicação se dá efetivamente por meio de um gênero textual (BAKHTIN, 1997; BRONCKART, 1999). Os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia a dia (MARCUSCHI, 2005).

Segundo Marcuschi (2005), a língua é uma forma de ação social e histórica que, ao dizer, também constitui a realidade. A língua deve ser tratada em seus aspectos discursivos e enunciativos e não em suas peculiaridades formais, o que constitui uma noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva.

Os gêneros textuais são como ações sociodiscursivas para agir sobre o mundo e dizer algo sobre o mundo, e, de algum modo, constituindo-o. Para Bhatia (1997), os gêneros permitem tratar a difícil questão:

Por que os membros de comunidades discursivas específicas usam a língua da maneira como o fazem? (MARCUSCHI, 2005).

Você nunca parou para pensar, por exemplo, por que todos que escrevem uma monografia de final de curso fazem mais ou menos a mesma coisa? Do mesmo jeito, isto é o que acontece com discursos políticos, resenhas de livros, receitas culinárias. Cada gênero desses circula em ambientes que têm a ver com eles mesmos. Os objetivos pelos quais as pessoas escrevem esses textos também são variados. Por exemplo, uma monografia é escrita para se obter uma nota, um discurso político é escrito (e falado) para convencer o eleitor, uma resenha é escrita para se mostrar que se leu um livro, ou para mostrar a opinião sobre ele.

CURIOSIDADE

Caso você esteja se perguntando qual a importância do estudo dos gêneros em um livro-texto
Caso você esteja se perguntando qual a importância
do estudo dos gêneros em um livro-texto de inglês
instrumental, gostaríamos de lembrá-lo de que
nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) este
tema aparece destacado nas áreas de ensino de
língua materna e estrangeira. Você sabia que o
nosso livro-texto é um dos poucos que contém esse tema já que esta é
uma noção introduzida no ensino de línguas recentemente?

Capítulo 4

Como observa Marcuschi (2005, p. 32), a importância do estudo dos gêneros cresce a cada dia desde que os PCN introduziram esta ferramenta no ensino de língua materna e estrangeira.

Na escola, os gêneros textuais deixam de ser ferramentas de

comunicação e passam a ser objeto de estudo. [

o trabalho com gêneros textuais é uma extraordinária oportunidade

de se lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia- a-dia. Pois nada do que fizermos lingüisticamente estará fora de ser feito sem algum gênero. Assim, tudo o que fizermos lingüisticamente

pode ser tratado em um ou outro gênero. [

todos os textos se manifestam sempre num ou noutro gênero textual, um maior conhecimento do funcionamento dos gêneros textuais é importante tanto para a produção com para a compreensão. Em certo sentido, é esta idéia básica que se acha no centro dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), quando sugerem que o trabalho com o texto deve ser feito na base dos gêneros, sejam eles orais ou escritos.

em vista que

] pode-se dizer que

]Tendo

4.2.1 Diferença entre gênero textual e tipo textual

Existe uma confusão entre tipo textual e gênero textual. Vamos esclarecer desde o início a diferença entre essas duas terminologias. Segundo Marcuschi (2005):

Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas). Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas, como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção.

Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia dúzia, os gêneros são inúmeros. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concursos, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante.

Capítulo 4

É importante esclarecer que a expressão tipo textual é muitas vezes equivocadamente usada, sendo confundida com gênero textual. Uma carta para a mãe não é um tipo de texto e sim um gênero. É claro que, em um gênero, estamos realizando um tipo textual. Por exemplo, na carta para a sua mãe, você pode usar a narração (tipo de texto) para contar algo que lhe aconteceu, mas, também, poderia usar, ao mesmo tempo, num só tipo de gênero, uma descrição (outro tipo de texto), descrevendo para sua mãe a sua nova casa.

Em textos narrativos prevalece a sequência temporal, já nos descritivos predominam as sequências de localização. Os textos expositivos apresentam predomínio de sequências analíticas ou explicativas. Os argumentativos se caracterizam pelo predomínio de sequências contrastivas e os injuntivos pelo predomínio de sequências imperativas. Vejamos alguns exemplos de tipos de texto, segundo Werlich (1975 apud MARCUSCHI, 2005, p. 28):

Descrição:

“Sobre a mesa havia milhares de vidros.”

Narrativa:

“Os passageiros aterrissaram em Nova Iorque no meio da noite.”

Exposição:

“Uma parte do cérebro é o córtex.” “O cérebro tem 10 milhões de neurônios.”

Argumentação:

“A obsessão com a durabilidade nas Artes não é permanente.”

Injunção:

“Pare!” “Seja razoável!”

Segundo Marcuschi (2005, p. 29):

Capítulo 4

Como já lembrado, os gêneros textuais não se caracterizam como formas estruturais estáticas e definidas de uma vez por todas. Bakthin (1997) dizia que os gêneros eram tipos “relativamente estáveis” de enunciados elaborados pelas mais diversas esferas da atividade humana. São muito mais famílias de textos com uma série de semelhanças. Eles são eventos lingüísticos, mas não se definem por características lingüísticas:

caracterizam-se, como já dissemos, enquanto atividades sócio-discursivas. Sendo os gêneros fenômenos sócio-históricos e culturalmente sensíveis, não há como fazer uma lista fechada de todos os gêneros.

CURIOSIDADE

A expressão “gênero” esteve, na tradição ocidental, especialmente ligada aos gêneros literários, cuja análise
A expressão “gênero” esteve, na tradição
ocidental, especialmente ligada aos gêneros
literários, cuja análise se inicia com Platão [ ]
Atualmente a noção de gênero já não mais se
vincula apenas à literatura, como lembra Swales
(1990, p. 33), ao dizer que “hoje, gênero é
facilmente usado para referir uma categoria distintiva de discurso de
qualquer tipo, falado ou escrito, com ou sem aspirações literárias”. É
assim que se usa a noção de gênero textual em etnografia, sociologia,
antropologia, retórica e na linguística (MARCUSCHI, 2005).

4.2.2 Como usar os gêneros textuais para entender um texto em inglês

Você vai perceber que, de agora em diante, como você já sabe o que é um gênero textual e a sua importância para a comunicação de modo geral, iremos trabalhar com gêneros variados na língua inglesa, para que você tenha a oportunidade de interpretar textos em várias situações histórico-sociais.

O gênero compõe-se de três dimensões essenciais para a sua definição (PINTO, 2005):

conteúdo;

estrutura particular;

configurações específicas das unidades de linguagem.

Se estamos lendo uma carta formal de reclamação para uma loja, por exemplo, esperamos encontrar referências à data de compra do produto, número da nota fiscal, modelo do aparelho em questão: este é o conteúdo. Também

Capítulo 4

esperamos que haja um remetente e um destinatário: isso já se refere à estrutura particular de uma carta desse tipo. Finalmente, esperamos que seja usada uma linguagem formal e que esta siga a norma culta, obedecendo à concordância, regência etc. Estas são as configurações específicas das unidades de linguagem.

Você

pode

estar

se

perguntando:

compreensão de um texto em inglês?”.

“Em

que

isso

facilitará

minha

Você deve se lembrar que falamos sobre você usar seus esquemas mentais para facilitar a dedução no capítulo 2. Também falamos sobre fazer previsões a partir do título e do tema central no capítulo 1. Com relação às previsões, elas preparam o seu cérebro para o que você pode esperar de um texto, ficando assim mais fácil deduzir certas palavras que você não sabe o significado porque você ESPERA que elas apareçam. Observe como tudo isso fica ainda mais fácil se aprendermos a identificar logo de início o gênero textual.

Cada gênero possui um conteúdo, uma estrutura e configurações específicas de linguagem características. Então, se você conhece o gênero carta formal de reclamação e você se depara com as expressões destacadas no Texto 1, você já pode deduzir mais facilmente o seu significado, porque sabe o conteúdo, a estrutura e as configurações particulares de uma carta desse tipo:

TEXTO 1

Mario Gonzáles

125, Pine Street, New Jersey

678952

Nov 10 th, 2008.

Customer Services Manager Sears Roebuck 2065, 7th Ave., New York

885431

Re: damaged Phillips TV set

Dear Customer Services Manager, On October, 10 th, I bought a TV set at Sears Department Store. I am disappointed because your TV set has not performed as it should because the image on the screen changes to black and white all the time. Therefore this product is not of satisfactory quality as laid down by the law.

To resolve the problem I require you to repair the product or to exchange it whilst reserving my right to claim against you. Enclosed is a copy of the receipt.

Capítulo 4

I look forward to hearing from you and to a resolution of this problem. I will wait for one week before seeking help from The Consumer Rights Group. Please contact me at the above address or by phone: 5552348 Yours sincerely Mario Gonzáles Enclosure: a copy of the receipt

Fonte: Disponível em: <http://www.howtocomplain.com/info/cl-template.shtml>. Acesso em: 30 ago. 2010.

Se você não conhece este gênero textual, deixe-nos ajudá-lo com um exemplo em português, que contém, basicamente, os mesmos elementos sublinhados:

TEXTO 2

Remetente:

João da Silva Rua dos Joaquins, nº 1, Bairro JJ 000-000 Campinas do Sul Destinatário:

COMPUTERLY, LTDA. Rua do Equívoco, nº 2 0000-000 Campinas do Sul Campinas do Sul, 29 de Fevereiro de 2009.

Assunto: computador entregue com estragos aparentes

Exmo(s). Senhor(es), No último dia 05 de Fevereiro, dirigi-me ao seu estabelecimento a fim de comprar um computador. Após escolher o modelo que me interessou, solicitei que a mercadoria fosse entregue na minha casa. Para tanto, assinei a nota de encomenda e paguei a taxa para que fosse realizado o serviço. No dia 10 do mesmo mês, foi-me entregue o computador encomendado, no entanto, após ligar o aparelho na tomada, constatei que o mesmo emitia mais de 8 apitos e não funcionava. Diante deste fato, recusei o computador e solicitei que me fosse enviado outro exemplar em excelente estado, o que faria jus ao valor já pago. Entretanto, até a presente data continuo esperando. O atraso na resolução do problema vem ocasionado vários transtornos ao meu cotidiano. Por este motivo, demando que outro computador de mesma marca e modelo seja entregue, sem falta, dentro de 3 dias úteis. Caso contrário, anularei a compra e exigirei o dinheiro do pagamento de volta. Atenciosamente, João da Silva. Anexos: fotocópias da nota fiscal de compra e do recibo da taxa de entrega.

Fonte: Disponível em: <http://www.modelodecarta.com.br/de/reclamacao/>. Acesso em: 30 ago. 2010. (com adaptações).

Se você comparar os dois modelos de carta, ficará bem mais fácil concluir o que significam as partes sublinhadas no modelo em inglês.

Capítulo 4

PRATICANDO

Agora, você já pode tentar deduzir as partes sublinhadas na carta em inglês, baseando-se na
Agora, você já pode tentar deduzir as partes
sublinhadas na carta em inglês, baseando-se na
carta em português.

O que você espera encontrar em uma receita culinária, por exemplo? Vamos pensar um pouco a esse respeito. Normalmente, temos o nome do prato como título, depois vem a lista dos ingredientes com as quantidades especificadas ao lado de cada ingrediente e, finalmente, o modo de preparar o prato. Atualmente costuma-se, ao final, também acrescentar alguma informação nutricional como o número de calorias, quantidade de colesterol, gordura, fibras, por exemplo.

Então, se você estiver lendo uma receita na língua inglesa e já tiver percebido, pela estrutura e conteúdo, que se trata de uma receita, você já pode antecipar esses elementos no texto em inglês, o que facilitará muito a sua compreensão. Observe o Texto 3:

Ingredients

TEXTO 3

Dark Chocolate Cake I

2 cups boiling water

1 cup unsweetened cocoa powder

2 3/4 cups all-purpose flour

2 teaspoons baking soda

1/2 teaspoon baking powder

1/2 teaspoon salt

1 cup butter, softened

2 1/4 cups white sugar

4 eggs

1 1/2 teaspoons vanilla extract

Directions

1.Preheat oven to 350 degrees F (175 degrees C). Grease 3 - 9 inch round cake pans. In medium bowl, pour boiling water over cocoa, and whisk until smooth. Let mixture cool. Sift together flour, baking soda, baking powder and salt; set aside. 2.In a large bowl, cream butter and sugar together until light and fluffy. Beat in eggs one at time, then stir in vanilla. Add the flour mixture alternately with the cocoa mixture. Spread batter evenly between the 3 prepared pans.

Capítulo 4

3.Bake in preheated oven for 25 to 30 minutes. Allow to cool.

Nutritional Information

Amount Per Serving: Calories: 427 | Total Fat: 18.3g | Cholesterol: 111mg

Fonte: Disponível em: <http://allrecipes.com/Recipe/Dark-Chocolate-Cake-I/Detail.aspx>. Acesso em: 30 ago. 2010.

Não é difícil deduzir que as partes sublinhadas correspondem ao nome da receita, ingredientes, modo de preparar (a informação com os graus Celsius e Fahrenheit, é claro, refere-se à temperatura do forno, e a informação que contém os minutos refere-se ao tempo de cozimento no forno, de onde concluímos que oven é forno, pois aparece nos dois trechos com os números, que são marcas tipográficas universais, portanto, fáceis de entender em qualquer língua), informação nutricional e o número de calorias (cognato) e colesterol (idem). Se você está mesmo familiarizado com esse gênero textual, se gosta de cozinhar e usar receitas, também deduzirá que amount per serving só pode ser quantidade por porção.

Você percebeu como conhecer vários gêneros textuais na sua própria língua o ajudará a antecipar as informações e o tipo de linguagem usada em um texto qualquer em inglês? Entendeu agora a importância do estudo dos gêneros textuais? Mais especificamente, percebeu a importância de ser exposto aos vários gêneros existentes na nossa vida?

DESAFIO

A partir das noções que aprendemos no capítulo passado a respeito da importância do vocabulário,
A partir das noções que aprendemos no
capítulo passado a respeito da importância
do vocabulário, juntamente com as noções a
respeito de gênero deste capítulo, por que você
não procura entender as outras partes da receita,
como os ingredientes, por exemplo? Claro que
você poderá consultar um dicionário, mas, se
você já fez um bolo de chocolate, pode usar esse
conhecimento prévio e deduzir alguns ingredientes que normalmente
são usados nesse tipo de bolo, assim como a maneira de prepará-lo.

4.2.3 Gêneros textuais comuns em nosso dia a dia

Os tipos de gêneros textuais com que você convive no seu cotidiano vão variar de acordo com a sua profissão, a sua área de estudo e os seus interesses pessoais. No entanto, existem alguns tipos de gêneros comuns a todos nós,

Capítulo 4

principalmente os veiculados pela mídia, à qual nós todos somos expostos diariamente, conforme Marcuschi (2005, p. 20) observou muito bem:

Hoje, em plena fase da denominada cultura eletrônica, com o

telefone, o gravador, o rádio, a TV e, particularmente o computador pessoal e sua aplicação mais notável, a internet, presenciamos uma explosão de novos gêneros e novas formas de comunicação, tanto

] Daí surgem formas discursivas

novas, tais como editoriais, artigos de fundo, notícias, telefonemas, telegramas, telemensagens, teleconferências, videoconferências, reportagens ao vivo, cartas eletrônicas (e-mails), bate-papos virtuais (chats), aulas virtuais (aulas chats) e assim por diante.

na oralidade como na

É interessante notar como essas formas novas de discurso acabaram por desfazer de vez a fronteira entre linguagem oral e escrita, pois elas desenvolveram formas comunicativas próprias, desafiando a velha dicotomia oralidade/escrita ainda presente em muitos livros didáticos. Além disso, esses gêneros permitiram a integração dos vários tipos de semioses: signos verbais, sons, imagens e formas em movimento em uma linguagem cada vez mais plástica. Observamos o fenômeno do uso dos formatos de gêneros mais antigos com novos objetivos. Por exemplo, tomemos o gênero “artigo científico”.

Se esse texto fosse publicado em um jornal diário, ele passaria a ser um “artigo de divulgação científica”. O texto é o mesmo, no entanto, os gêneros são diferentes, pois não estão em um mesmo suporte, ou contexto. É por isso que não podemos classificar os gêneros apenas por sua forma ou conteúdo, mas temos que considerar os seus aspectos sociocomunicativos e funcionais.

Com o avanço da tecnologia, surgiram novos gêneros textuais, tais como: e-mail, postagem de blog, postagem de miniblog (Twitter, por exemplo), perfis (em sites de relacionamento), mensagem-texto em celular e outros. Você já deve estar familiarizado com estes gêneros textuais na sua própria língua e poderá usar este conhecimento para antecipar o conteúdo desses gêneros em inglês. Vejamos alguns exemplos desses gêneros textuais na língua inglesa.

Capítulo 4

TEXTO 4

Hi everyone!

I’d like to know how you’d normally punctuate the salutation of an email. I know there are no established rules for this; that’s why I’m asking about your own experience.

Which of these are acceptable?

To a friend:

Hi John!

Hi, John!

Hi John,

Hi John.

Hi John:

Hi John

To a company / colleague / manager:

Dear X,

Dear X:

Dear X.

Dear X

Thanks a million!

Mara.

Se você já escreveu um e-mail informal a um site pedindo dicas sobre

algum assunto, você lembrará que a saudação e a despedida são informais, normalmente usamos “oi” ou “olá” e nos despedimos com um “obrigado” ou “um abraço” e usamos o nosso primeiro nome. Também não nos preocupamos em usar uma linguagem formal e escrevemos praticamente como falamos, com

o uso até de contrações do tipo “pra, né”. Não é diferente na língua inglesa.

Observe que o e-mail abre com “hi” e termina com o primeiro nome e “thanks a

million”, bem informal, se comparado a uma carta formal que inicia com “dear

e termina com “yours sincerely” (dê uma olhada na carta formal da seção

anterior e compare com este e-mail). Além disso, observe o uso abundante de contrações: I´m, You´d, I´d, That´s características da oralidade.

Quanto ao tema, você poderá constatar que se trata de perguntas com relação à pontuação de e-mails formais e informais (o que pode ser deduzido observando a lista de saudações com hi e pontuação diferente, e as saudações com Dear e pontuação diferente para cada opção. Além disso, as opções vêm logo depois da pergunta: Which of these are acceptable? Onde reconhecemos

a palavra which (qual), o verbo be are acceptable (aceitável) palavra cognata

com terminação -ble que significa -vel em português, como já vimos no capítulo

3. Temos também as palavras friend, colleague (amigo, colega) e company

Capítulo 4

(companhia) que deixa claro que uma lista de opções é para uma saudação informal e a outra é para uma formal.

Vejamos agora um perfil de um site de relacionamentos:

TEXTO 5

I am an ordinary man with an extraordinary talent and attitude and desire to become the best in my field in the coming years. My work is my passion and hard work and consistency is what I believe in. I am optimistic, yet sensible and understanding. My goals in life are realistic and I hope to achieve them on my own. Would want to associate myself with a funny, caring and smart girl. Thanks!

Fonte: Disponível em: <http://www.buzzle.com/articles/dating-profile-examples-for-men.html>. Acesso em: 30 ago. 2010.

Nos perfis de sites de relacionamentos, esperamos encontrar uma descrição de uma pessoa, portanto, o texto será escrito em primeira pessoa e certamente repleto de adjetivos relativos às características dela. Observe os adjetivos cognatos e conhecidos desse perfil: ordinary, extraordinary, the best, optimistic, sensible, understanding, realistic. Também esperamos que haja uma descrição da pessoa que se está procurando, já que é um site de namoro. Também notamos o uso de adjetivos: funny, smart. Alguns substantivos e seus respectivos adjetivos também se relacionam à pessoa em questão: talent, attitude, desire, work, hard work, passion, consistency, goals, life.

Concluímos que se trata de uma pessoa talentosa muito ligada ao seu abalho, otimista, mas realista que possui metas para sua vida e quer se relacionar com uma garota engraçada e inteligente.

Vejamos um exemplo de postagem em um blog a seguir:

Capítulo 4

TEXTO 6

Crisis: a problem or an opportunity?

Recently I went through a situation that many people would call it a problem. I lost my job when I was expecting to be promoted! Instead of sitting down and crying I immediately looked for another one. The next day I was part of a selection test for another company. There were many people there looking for that position but I passed and soon I had another job which I am loving, better than the previous one. I could realize that my previous job was not satisfying me, although the salary was great! Now, I´m working with people that I like and I feel so recognized and respected in a manner I was not before in my previous job. How about you? Do you feel that every crisis is a problem or an opportunity? Think about that next time you are going through a difficult situation in your life. Sometimes what looks like a closed door is only an open window of a better opportunity for you!

Uma postagem em um blog normalmente é escrita em forma narrativa,

descritiva ou argumentativa e, às vezes, um pouco de cada uma. Normalmente,

a pessoa que é a dona do blog quer compartilhar uma experiência pessoal,

ou não, com seus leitores. Faz parte deste gênero um título sobre o tema a ser abordado na postagem. No nosso exemplo, temos Crisis: a problem or an opportunity, o que já pode nos dar uma ideia do que será tratado. Temos três palavras cognatas: crisis, problem, opportunity no título. Percebemos, pelo tópico frasal (a primeira frase do texto), que a pessoa (I) passou por uma situação (situation) problemática (problem).

Na segunda linha, temos as palavras lost (lembra do seriado?) e job. Deduzimos que se trata da perda do emprego, uma situação realmente de crise para qualquer um, ainda mais quando se estava esperando ser promovido: expecting, be promoted. Percebemos que a pessoa não ficou sentada chorando (sitting, crying), em vez disso, ela imediatamente (immediately) procurou outro (another) emprego.

Continuando a leitura, encontramos a expressão selection test e logo depois I passed. Confirmamos então que a pessoa fez um teste de seleção e passou. Ela está amando (loving) o novo emprego que é melhor (better) do que o anterior (previous). Descobriu que o emprego anterior não a satisfazia (not satisfying me) embora o salário (salary) fosse ótimo (great). Agora ela trabalha (work) com pessoas (people) de quem ela gosta (like) e se sente respeitada (respected) e reconhecida (recognized), diferentemente do emprego anterior (previous job).

O autor finaliza com a pergunta do título, ou seja, se uma crise é um problema ou uma oportunidade? E ele fecha o assunto comparando a crise não

a uma porta fechada (closed door) e, sim, a uma janela aberta (open window) de uma melhor oportunidade (better opportunity for you) para você.

Capítulo 4

Para terminar esta seção, vejamos um gênero que é comum tanto na internet quanto em revistas e jornais: o anúncio impresso.

TEXTO 7

quanto em revistas e jornais: o anúncio impresso. TEXTO 7 Fonte: Minimalism (2010) Normalmente, em um

Fonte: Minimalism (2010)

Normalmente, em um anúncio, temos uma informação já conhecida (minimalism = minimalismo), seguida de uma nova: a arte de continuamente remover coisas até restar apenas beleza (beauty).

Vejamos algumas frases de campanhas publicitárias de todos os tempos que ficaram famosas. Observe o uso do imperativo, a fim de convencer o consumidor a comprar o produto. Pense nas frases de campanhas publicitárias em português e perceba o mesmo padrão.

Volkswagen, “Think Small” (Doyle Dane Bernbach, 1959) - Pense pequeno;

Nike, “Just do it” (Wieden & Kennedy, 1988) - Apenas faça;

Coca-Cola, “The pause that refreshes” (D’Arcy Co., 1929) - A pausa que refresca;

Crest toothpaste, “Look, Ma! No cavities!” (Benton & Bowles, 1958) - Olhe, mamãe! Sem cáries!;

M&Ms, “Melts in your mouth, not in your hands” (Ted Bates & Co., 1954) - Derrete em sua boca, não em suas mãos;

BMW, “The ultimate driving machine” (Ammirati & Puris, 1975) - A máquina de dirigir definitiva;

Cadillac, “The penalty of leadership” (MacManus, John & Adams, 1915) - A penalidade da liderança.

Fonte: Disponível em: <http://adage.com/century/campaigns.html>. Acesso em: 30 ago. 2010.

4.3 Aplicando a teoria na prática Capítulo 4 Vamos pensar nos textos em inglês que

4.3 Aplicando a teoria na prática

Capítulo 4

Vamos pensar nos textos em inglês que você lê no seu dia a dia. A que gêneros textuais eles pertencem? Pense nesses gêneros na sua língua materna. Quais são as características desses textos quanto aos três aspectos abordados neste capítulo?

conteúdo;

estrutura particular;

configurações específicas das unidades de linguagem.

Discuta o resultado com seu tutor e colegas de turma!

Discuta o resultado com seu tutor e colegas de turma! 4.4 Para saber mais Título: Produção

4.4 Para saber mais

Título: Produção Textual, análise de gêneros e compreensão

Título: Produção Textual, análise de gêneros e compreensão

Autor: Luiz Antônio Marcushi

Editora: Parábola Editorial

Ano: 2008

 

Você encontrará neste livro, no capítulo 2, uma explicação mais aprofundada sobre os gêneros textuais e sua utilidade na produção de textos em nossa língua, o que poderá esclarecer, ainda mais, sobre a importância dos gêneros textuais para a compreensão de textos na nossa língua e, por extensão, em língua inglesa.

Título: Gêneros Textuais e Ensino

 
Autor: Ângela Paiva Dionísio, Maria Auxiliadora Bezerra e Anna Rachel Machado Editora: Lucerna Ano: 2005

Autor: Ângela Paiva Dionísio, Maria Auxiliadora Bezerra e Anna Rachel Machado

Editora: Lucerna

Ano: 2005

Título: Gêneros discursivos e ensino de língua inglesa

Autor: Abuêndia Padilha Pinto Publicado na obra organizada por: Ângela Paiva Dionísio, Maria Auxiliadora Bezerra

Autor: Abuêndia Padilha Pinto Publicado na obra organizada por: Ângela Paiva Dionísio, Maria Auxiliadora Bezerra e Anna Rachel Machado

Livro: Gêneros textuais e ensino

Editora: Lucerna

Ano: 2005

Vale à pena ler o capítulo “Gêneros discursivos e ensino de língua inglesa” desta obra. Nele, a autora mostra a importância dos gêneros textuais no ensino da escrita em língua inglesa e dá exemplos de textos escritos por alunos, mas que não seguem o que o gênero pede, mostrando que conhecer o gênero ajuda até mesmo na produção de um texto. Ela também aponta as características dos tipos de texto.

Capítulo 4

4.5 Relembrando

4.5

Relembrando

Neste capítulo, nós lemos sobre a noção de gênero textual e:

Percebemos a importância dos gêneros textuais para a leitura de textos em inglês, porque podemos fazer um paralelo com os gêneros na nossa própria língua, o que facilita a expectativa do que poderemos encontrar no texto em inglês.

Também vimos a diferença entre tipo textual e gênero textual, que muitas pessoas confundem. Aprendemos que, em um gênero, podemos ter mais de um tipo textual, como narração, descrição, argumentação, e que os tipos textuais são fixos e poucos enquanto que os gêneros são inúmeros, pois eles são os textos que encontramos na nossa realidade diária.

Aprendemos como usar nosso conhecimento sobre gênero textual na nossa língua materna para prever o que virá em um texto em inglês e, assim, deduzir mais facilmente as palavras que não conhecemos.

Vimos alguns exemplos de textos usados na internet e fora dela, mas que são comuns no nosso cotidiano.

4.6 Testando os seus conhecimentos

4.6

Testando os seus conhecimentos

A que gêneros pertencem os textos a seguir?

TEXTO 9

Mom,

I went to the disco with my friends. I come back before midnight, don´t worry. P.S. I gave food to Rex!

Donna

TEXTO 10

Please join us for Joshua´s 10 th birthday party

August 10, 2010 5 p.m. San Antonio Mall Our Arcade 1254 Pine Ave. San Francisco, CA, 12457 RSVP by July, 30 at 555345628

Capítulo 4

By: Lennon / McCartney

TEXTO 11

Hello, Goodbye

Beatles

You say yes, I say no

You say stop and I say go, go, go Oh, no You say goodbye and I say hello Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

I say high, you say low

You say why, and I say I don’t know Oh, no You say goodbye and I say hello Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

Why, why, why, why, why, why Do you say good bye Goodbye, bye, bye, bye, bye

Oh, no You say goodbye and I say hello

Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

Hello, hello

I don’t know why you say goodbye

I say hello

hello, hello

I don’t know why you say goodbye I say hello

Hello

Capítulo 4

TEXTO 12

Harry Potter and the Philosopher’s Stone by J. K. Rowling (1997)

You’ve probably heard of this book already, and if you haven’t read it yet I think you’ll enjoy it. This is a story about Harry and his two new friends settling down for their first year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry only to discover that they have a part to play in the downfall of the evil Sssh! You-Know-Who. You will like Harry Potter. He’s shy and self-doubting and puts up with a lot from his awful aunt Petunia and uncle Vernon and fat cousin Dudley. Poor Harry lost his parents, supposedly in a car crash, when he was a baby and that was when he received the strange lightning- shaped scar across his forehead. Ever since then he has slept in the cupboard under the stairs at the Dursleys’ perfectly normal house in Privet Drive and the best thing he has to look forward to is starting at the local secondary school next term - well away from Dudley who will be going to his father’s old, expensive school, Smeltings. But, other people know a lot more about Harry than Harry does himself. That lightning-shaped scar is a matter of enormous interest and Harry is about to discover that he has a lot of friends, and enemies, in a rather different kind of world from the one he was brought up in. This is a book about magic, but there’s plenty of reality. Settling into a new school, making friends, learning who to trust and who not to trust and when to obey school rules and when to overlook them. There’s a great deal of humour in the book. You might find the magic funny - visit Diagon Alley to purchase all your Hogwart’s kit - but there is strong evil magic too and you won’t doubt the courage that Harry has to show in the final chapter. Written in a strong narrative style with straightforward but not over-simplified language there is enough in this plot to think about whether you are Harry’s age or Sssh! You-Know-Who!

Fonte: Disponível em: <http://www.readingmatters.co.uk/book.php?id=240>. Acesso em: 30 ago. 2010.

TEXTO 13

Today, we’ll be talking to Leo Laporte, the main man behind the TWIT podcast network; the purveyor of so many podcasts that you’re bound to be subscribed to at least one of them. Leo, thanks for being in the studio today! Leo Laporte: Thanks for having me. It’s great to be here! However, I believe you mean netcast, not podcast. Apple was running around sending out cease and desist letters a few years back, saying that other people using the term “podcast” infringed on their trademarks, so I coined the term “netcast” to sidestep that issue and alleviate confusion, because some people also thought that you could only play them on iPods due to “pod” being part of the name. […] IWFP: Um, ok. Hey, did you just mutter something? L: Nah, just had an itch in my throat. IWFP: Hmm. I’m pretty sure that you’re muttering the names of your podcast network’s sponsors everytime you cough. L: Naw, that ain’t me. [ ]

Capítulo 4

IWFP: Moving on. So, are you happy with the current selection of podcasts that you have in your network so far, or are there some other subjects that you are thinking about moving into at some point? L: Well, I can talk about pretty much anything for long periods of time, so the sky’s the limit. Audible. Maybe I’ll start one about news editors, you know… TWINE! Or audible maybe one about technical travel expense reports…I think that would be called TWITTER. […] IWFP: Great.

Fonte: Disponível em: <http://interviewswithfamouspeople.com/>. Acesso em: 30 ago. 2010.

Acesso em: 30 ago. 2010. Onde encontrar BAKHTIN, M. Estética da criação verbal .

Onde encontrar

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes,1997.

BRONCKART, J-P. Atividades de linguagem, textos e discursos. São Paulo:

EDUC, 1999.

MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. (Orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In:

DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.

Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 3. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MINIMALISM: the art continually removing things until all you have left is beauty: LCW chair. 1 fotografia, color. 2010. Disponível em:< http:// adsoftheworld.com/media/print/the_green_ant_minimalism>. Acesso em: 3 jun. 2010.

PINTO, A. P. Gêneros discursivos e ensino de língua inglesa . In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.

SWALES, J. M. Genre analysis: english in academic and research settings. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.