A Imigração no Estado de São Paulo (1880-1920

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Vários estados de nosso país vivenciaram a realidade das levas emigratórias entre o final do século XIX e início do século XX. Mas principalmente em uma cidade com uma diversidade cultural tão vasta como São Paulo, não é possível pensar em sua história sem mencionar os grupos imigrantes que aqui se estabeleceram. Ao andar por algumas de suas ruas e bairros, sentimos às vezes que estamos em outro país, pois há uma profusão de línguas e tradições que durante todo o ano marcam a cidade e seu calendário com festas típicas, feiras e eventos que nos colocam questões e reflexões sobre as nossas origens. Com o olhar voltado para nossa própria diversidade cultural, procuramos apresentar nesta exposição caminhos que mostrem um panorama do Brasil e do estado de São Paulo entre 1880 e 1920, para então adentrarmos nas experiências dos imigrantes que para cá vieram nesse período. Seguindo a direção da maioria dos recém-chegados, delinearemos um pouco de suas trajetórias, destinos, expectativas, atividades anteriores e a vida que aqui lhe esperava nas lavouras de café, abordaremos o deslocamento para nos centros urbanos, especialmente para a cidade de São Paulo. Para elaborar nossa exposição foram realizadas pesquisas em nosso acervo documental e bibliográfico, utilizamos relatórios da Secretaria de Agricultura, bem como jornais, revistas e imagens da coleção de fotografias de Guilherme Gaensly. Aproveitamos para divulgar aos interessados algumas das possibilidades de pesquisa do acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo, como o conjunto documental dos Núcleos Coloniais do Estado de São Paulo, recentemente trabalhado pelo projeto “Presença do imigrante na memória nacional: preservação e divulgação do conjunto documental dos núcleos coloniais da Região de Campinas (1886-1922)”, que contou com apoio do BNDES. A estrutura e a política de imigração brasileira Construída para abrigar cerca de 4 mil pessoas, a Hospedaria de Imigrantes encarregava-se de receber e direcionar os trabalhadores estrangeiros para todo o estado de São Paulo. Ficava ao lado de um desvio da ferrovia que ligava Santos a Jundiaí e que trazia os imigrantes para a capital e levava o café direto para o Porto de Santos. Hoje, a hospedaria abriga o Memorial do Imigrante e é um lugar procurado frequentemente por pessoas em busca de vestígios de seus antepassados familiares. O prédio do Brás não foi o primeiro construído ou adaptado para abrigar esses recém-chegados. A primeira hospedaria estava localizada na região norte, em Santana, sendo em seguida construído um prédio novo no Bom Retiro. Mas ambos não conseguiam mais dar suporte ao grande número de pessoas que chegava à cidade. Dessa forma, a Lei nº 56, de 21 de março de 1885, autorizou as obras da Hospedaria de Imigrantes, inaugurada em 1888. A administração da Hospedaria ficou sob a responsabilidade, durante pelo menos os dez primeiros anos, da Sociedade Promotora da Imigração. O prédio estava organizado da seguinte forma: no andar térreo, ficavam os escritórios, a casa de câmbio, a sala médica, as cozinhas, os refeitórios e as salas de armazenagem. No andar superior, localizavam-se os dormitórios, que muitas vezes tinham apenas esteiras para as pessoas dormirem. Havia também outro prédio onde se realizavam as contratações e o primeiro contato dos recém-chegados com seus futuros empregadores. A grande parte dos que passavam pela hospedaria ia trabalhar nas lavouras de café; afinal, nada poderia desviar a mão-de-obra da atividade econômica mais rentável e importante do país. Os núcleos coloniais, por sua vez, eram terras do governo onde os colonos instalavam-se cada um em seu lote e nele poderiam produzir o que fosse necessário para sua subsistência e vender seus produtos para os mercados locais. O órgão responsável por esses núcleos era a Secretaria da Agricultura, que criou em todo o estado, próximo às grandes regiões cafeicultoras, esses núcleos que garantiram a mão-de-obra necessária para o cultivo de café nas grandes propriedades. Donos de indústrias, mascates, comerciantes, artesãos, motoristas de táxi... Embora seja considerável a atuação dos imigrantes como operários, vale a pena ressaltar que não era apenas o setor industrial que absorvia a mão-de-obra imigrante nas cidades. Sua presença também pode ser notada em outras atividades econômicas. Aqueles que saíram mais estruturados de seus países de origem conseguiram constituir indústrias e comércios na cidade de São Paulo. A comunidade sírio-libanesa chegou ao Brasil no final do século XIX sem subsídios, e seus membros iniciaram atividades como mascates (vendedores ambulantes de mercadorias) e se consolidaram no setor comercial, principalmente no setor de confecção e têxtil. Outro exemplo são os japoneses, que deixaram as fazendas e núcleos coloniais no interior para viver na cidade de São Paulo, passando a trabalhar como artesãos, comerciantes e motoristas de táxi. Também houve os grandes donos de fábricas italianos, como Francisco Matarazzo e Rodolfo Crespi, que pertenciam a classes sociais abastadas e que se estabeleceram no Brasil. Já muitos portugueses estabeleceram pequenos e médios negócios em suas próprias residências, frequentemente relacionados ao comércio de gêneros alimentícios.

era comum muitos observadores associarem estas péssimas realidades presenciadas nas mais diversas regiões do Oeste Paulista a um crescimento no número de imigrantes abatidos. rev. motivado em grande parte pela entrada de imigrantes na cidade. quando a população era formada por 44. doentes e alcoólatras. Brás. promoveram políticas públicas para estimular a imigração em massa. Hungria. como conflitos religiosos. ambições. ao chegar a um país estranho..895 habitantes. Japão. estranhamentos.4% de nacionais e 55. a capital de São Paulo contava com 74. devido ao perigo que poderia representar uma ação em conjunto de grupos insatisfeitos. desilusões. Por isto. ou foram para outros países como a Argentina. uma convergência de interesses entre algumas nações e o Brasil.O lado de lá. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. mesmo com estes mecanismos adotados pelo poder público e fazendeiros. como (re)constituir seus modos de vida em espaços de características tão diferentes das de seus países de origem? No final do século XIX e início do século XX. Os capangas aparecem neste contexto para realizar os mandos e desmandos dos fazendeiros. com o Decreto Prinetti. com raras conquistas de suas reivindicações. famílias e pessoas a emigrarem? E. _________________________ ¹ FERREIRA. Um dos motivos para a proibição seriam as informações que o governo deste país recolhia acerca das condições de vida e o trabalho que aqui esperavam os seus conterrâneos. Síria. que necessitava de um grande contingente de trabalhadores para a produção de café (produto em alta naquele período). principalmente os políticos do estado de São Paulo. Belenzinho. Os representantes políticos de alguns países apoiavam o fluxo emigratório. ed. Bom Retiro e Vila Mariana tinham muitos moradores operários italianos. p. o que demonstra um crescimento populacional vertiginoso. não seria difícil entender porque muitos deles voltaram para seus países de origem. garantir que. percebemos a arbitrariedade que estava presente em todos os aspectos de suas vidas. Bairros industriais como Móoca. disputas. sonhos. Diante de tantos obstáculos na vida do colono imigrante. entre tantos significados. Para compreendermos o processo imigratório é interessante refletirmos sobre os fatores que incentivaram a imigração em massa a partir do final do século XIX. Os . que trouxeram consigo vários idiomas. é definido no dicionário Aurélio como “Entrar (num país estranho) para nele viver”¹. aspectos que não podem ser deixados de lado na análise. Em 1920. Alemanha.578. De 1880 até 1920. 919. O que leva grupos. No entanto.6% de estrangeiros¹.. o número saltou para 654. Aurélio Buarque de Holanda. Enfim. Aos imigrantes não era permitido participar de associações e movimentos. São Paulo recebeu diversas etnias. É comum ouvir dizer que nas ruas “se escutava mais o italiano do que o português”. O Patronato muitas vezes fazia com que o imigrante se sentisse mais devedor diante de seu contratante. à higiene. pois a cidade parecia garantir a continuidade na busca da promessa de uma vida melhor. 1997. há registros de diversas greves e paralisações. Espanha. crises econômicas (geradas por guerras ou explosões demográficas) e instabilidades políticas que impulsionaram a vinda de estrangeiros para o Brasil. assim. pois sabemos que houve um entrelaçamento de fatores peculiares a cada país. à boa alimentação e à vida em comunidade. 2. inúmeras culturas vieram à tona. não é possível apontarmos um motivo único. Líbano. Ipiranga. Quando analisamos inúmeros casos das multas que eram aplicadas aos colonos. a preferência de muitos fazendeiros pela contratação de mão-de-obra imigrante de diferentes regiões da Itália. empregando até mesmo a violência física. houve períodos em que o número de estrangeiros foi maior do que o de nacionais. As condições de vida em geral não eram satisfatórias: sem acesso à escola. sobretudo para São Paulo. Nesse período. em um futuro. o Brasil recebeu imigrantes vindos de várias partes do mundo: Portugal. Cambuci. quando esse permitia que realizasse eventos e comemorasse datas festivas. portugueses e ex-escravos. como em 1893. amp. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. como veremos a seguir. poderia ter sua propriedade de terra e alcançar tudo aquilo que sonhava ter e encontrar na promessa de viver no Brasil. e o governo brasileiro. Essas vivências foram impregnadas de tensões. Era difícil esse grupo ascender socialmente. Reconfiguração urbana Em 1886. entre outros países. espanhóis. . pois seria mais difícil se unirem para constituir uma vida em comunidade a qual estavam acostumados no seu país de origem. Os imigrantes espalharam-se pela cidade. Armênia. Um choque: A chegada ao Brasil e o fim dos sonhos Em 1902. Porém. Água Branca. Houve. Por que emigrar? É importante ressaltar que o ato de imigrar. o governo italiano chegou a proibir. isso porque os italianos foram o maior contingente de imigrantes a entrar no Brasil. Um número considerável rumou para o espaço urbano. mas não podia mais contar com o trabalho dos escravos. vigiando e coagindo os colonos. religiosidades e posicionamentos políticos. a imigração subsidiada.

não minimizava as dívidas que eram adquiridas pelos recém-chegados. porém não teve continuidade. foi uma das primeiras no Brasil a utilizar-se da mão-de-obra imigrante e outro regime de trabalho que não o servil. além de vir preencher uma demanda de braços para o trabalho. No ano de 1841. A fazenda do senador Vergueiro. na Mooca. preocupado com a possível falta de mão-de-obra escrava. No caminho para a compreensão da relação trabalho escravo/trabalho imigrante. v. (. _________________________ ¹OLIVEIRA. e a região da Sé e Santa Efigênia teve a presença dos sírios-libaneses. Porém. principalmente para as fazendas produtoras de café. foi utilizada com os primeiros contingentes de imigrante em São Paulo. Para este primeiro grupo. os judeus. ao submegir na cultura brasileira por meio da assimilação. 47. Quando a família aqui chegava. ____________________________________________ ¹ Confira a “tabela 40” em: EMPLASA. Foi necessária a criação de um sistema novo que pudesse integrar investimentos privados e públicos. Lucia Lippi. teria o papel de contribuír para o branqueamento da população. Imprensa Oficial. A cidade de São Paulo e a crescente industrialização Logo que os grupos de imigrantes chegavam em São Paulo. In: O Brasil dos imigrantes. eram deslocados para as áreas rurais. o senador trouxe um grupo de imigrantes portugueses. 2001. Os estudos sobre eugenia. para trabalhar em suas terras. ¹ A Lei Áurea tem um papel importante neste contexto. foram adotados por parte da elite econômica e política do país e tinham como meta o total branqueamento da população brasileira em no máximo quatro gerações. configura-se como uma das mais significativas para entendermos as mudanças que estavam acontecendo no país com relação ao sistema de trabalho utilizado nas lavouras de café e cana-de-açúcar.) O imigrante. Esta forma de trabalho conhecida como parceria. Este sistema de cultivo do café. de 4 de setembro de 1850. devido às péssimas condições de vida nesses locais. os húngaros. A seleção de imigrantes obedeceu principalmente à demanda do branqueamento. a transição política do Império para a República e a abolição da escravidão. Muitos estudos apontam para questão se foi a abolição que possibilitou a imigração em massa ou se foi a imigração que possibilitou a abolição. as quais foram sendo restituídas pelos imigrantes com sua parte na produção de café. no BomRetiro. p. dos imigrantes: (. no Brás e na Vila Anástacio.10.) O mestiço original poderia ser melhorado caso se introduzisse mais brancos à mistura original. Esse resultado seria alcançado com a vinda de mais brancos. econômicos e sociais. ela recebia um lote de terra para o cultivo do café e outro para plantar e criar animais para sua própria subsistência. que mais tarde ficou conhecida como “Colônia Senador Vergueiro”. ocorreram deslocamentos de . assim. Internacionalmente. comecemos com a análise de uma das áreas pioneiras no emprego da mão-de-obra imigrante no Brasil: a colônia do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. certamente. ou seja. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. no qual o imigrante e o fazendeiro eram parceiros e dividiam a produção. também cresceram estudos sobre o “branqueamento” da população brasileira para que.. para que o emprego da mão-de-obra estrangeira não onerasse tanto empregadores e empregados. “O olhar estrangeiro: de viajante a imigrante”.. e o sonho de inúmeros trabalhadores de saírem da miséria e galgarem uma ascensão social coincidiu com o interesse do governo brasileiro de subsidiar a imigração para suprir uma carência esclarecida no slogan adotado pelos políticos e a elite paulista diante da necessidade de novos “braços para a lavoura” de café. de forma que a imigração se tornasse um negócio atraente para ambos. Imigrantes: novos “braços para a lavoura” Um conjunto de fatores ajuda a explicar um pouco do momento o qual o Brasil atravessava. Mas a lei de proibição do tráfico negreiro. O peso das dívidas fez com que muitos no ano seguinte saíssem ou fugissem das lavouras.japoneses concentraram-se no bairro da Liberdade. o país pudesse se destacar entre as nações civilizadas do mundo. Portugal e Espanha passavam por crises econômicas. 2. Os imigrantes teriam que pagar aluguel da casa e dos pastos que utilizavam. branqueamento e afins. países como a Itália. 3 v. São Paulo: Arquivo Público do Estado de São Paulo.. Associado a estes acontecimentos políticos. ele mesmo financiou as despesas com a passagem e alimentação. 2001. p. Eusébio de Queiroz. Memória Urbana – A Grande São Paulo até 1940.. entre o final do século XIX e início do século XX: a chegada dos imigrantes europeus seguida dos asiáticos.

caridade e previdência e também desenvolviam atividades voltadas para o lazer e à sociabilidade de seus associados. [. que estabeleciam as regras para a imigração por meio de contratos que não poderiam ter suas cláusulas quebradas e atraíram parte das populações em dificuldades nos países europeus como Itália. clubes esportivos. já em 1886. (RAGO. no comércio. italianos e também portugueses e espanhóis não paravam de chegar aos portos brasileiros. fundaram sindicatos. desenvolveram associações de ajuda mútua. apareceram outros grupos de samba como o Flor da Mocidade na Barra Funda e o Vai-Vai no Bexiga. fugidos das fazendas ou expulsos do centro urbano. Os modos de vida dos imigrantes estavam distantes dos “padrões civilizados” defendidos pelas elites que tentavam reproduzir o cotidiano das burguesias européias. barata e disciplinada” até a 1ª Guerra Mundial. não foi eficiente. Desse sistema nasceram às sociedades e companhias coloniais. teve início a entrada em massa de trabalhadores italianos. quando em 1902 a Itália proibiu a imigração subsidiada ao Brasil. as relações de trabalho na indústria continuaram impregnadas do ranço oligárquico expresso no tratamento dado aos operários. com a ação da Sociedade Promotora de Imigração¹. Enfim... imprimindo marcas irreversíveis à cidade de São Paulo. vindos da Calábria e com ex-escravos negros. Assim. o subsídio particular. a maioria dos trabalhadores do setor industrial paulista era de imigrantes. que aos poucos se moderniza. surgiram as associações que tinham a finalidade de auxiliar os imigrantes nas áreas de saúde. agora com o subsídio do governo do Estado de São Paulo que pagava as passagens e despesas com alimentação durante a viagem e dava aos imigrantes um encaminhamento quando aqui chegavam. de onde inicialmente o governo buscou trabalhadores. religiosas e cívicas. educação. Porém. associado ao sistema de parceria. recreativas. através do exemplo da fazenda do senador Nicolau Vergueiro. pois não era possível contar totalmente com o apoio do poder público. chamando-os de krumiros. deixando para trás hábitos e costumes chamados de “provincianos”. similar ao dos negros nos tempos da escravidão. principalmente. especialmente ao porto de Santos.muitas pessoas para a cidade de São Paulo. publicaram jornais em seus respectivos idiomas. Este programa de imigração garantiu à elite cafeeira aquilo que ela denominou de “mão-de-obra segura. produziram formas de sociabilidade que muitas vezes escandalizaram a elite paulistana e se tornaram alvos de intensa repressão. uma nova experiência foi realizada. Neste período. Tanto que. com a Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Estes órgãos eram organizados e mantidos pelo poder público. O que foram as sociedades e companhias coloniais? Como já colocado. que combinavam a ação do governo com a de particulares. Isso não significa que os grupos tinham permanecido isolados em suas comunidades e associações. Então. 412). que já em 1887 constituía um grupo maior que dos escravos trabalhando nas lavouras. nas fábricas e em outros locais numa convivência permeada por tensões. Também houve conflitos entre imigrantes da mesma nacionalidade motivados por disparidades regionais ou ideológicas. e por isso efêmeras. Mesmo assim. Podemos citar as Sociedades de Mútuo Socorro fundadas por italianos. para incorporar os modos de vida europeizados como forma de adentrar ao progresso. Como havia um grande contingente de imigrantes. quando o Brasil assinou a abolição da escravatura.] Nos anos 20. As pessoas de diferentes etnias cruzavam-se nos bairros. ligados a vida rural. Experiências e confrontos – fragmentos da sociabilidade na cidade Diversas comunidades imigrantes inventaram estratégias para preservar as suas tradições e para promover a solidariedade mútua em eventuais necessidades. O programa teve seus altos e baixos. _________________________ . Dessa forma. Essas associações eram frágeis economicamente. bairro que se formara com grande contingente de imigrantes italianos. 2004. Portugal e Espanha. a Federação Espanhola situada à Rua do Gasômetro. Os grupos imigrantes forjaram sua vida associativa. o país já assistia desde o início dessa década a imigração em larga escala de italianos da região do Vêneto para trabalhar nos cafezais. a industrialização teve um crescimento significativo. Muitos imigrantes vindos das áreas rurais passaram a atuar nas indústrias como operários. que consistia no financiamento da viagem do imigrante. A industrialização de São Paulo promoveu mudanças para a população da cidade. instituíram atividades de lazer. Amostra disso são as discordâncias dentro do movimento operário: trabalhadores italianos frequentemente acusavam os trabalhadores portugueses de fura-greves. foi criado um exército de reserva de mão-de-obra que foi aproveitado pelo setor industrial nas áreas urbanas. porém algumas existem até os dias de hoje. a Associação HispanoAmericana no bairro da Mooca. se houve a tentativa de modernizar esferas da vida social e do cotidiano. p. Ao final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

Porém. Sabemos que adentraram na cidade de São Paulo italianos. judeus. por exemplo. Nesse contexto. Anos depois da entrada dos primeiros imigrantes. desperta por parte do poder público novas medidas como a lei sancionada este ano. não podiam ser enquadrados como iguais. O primeiro deles foi o Sindicato dos Chapeleiros. Por isso. Nos jornais recentes vemos.sp. que teve duração efêmera. Abarcar grupos tão diferentes é algo um tanto problemático. ou seja. descendentes de imigrantes japoneses nascidos no Brasil que vão para o Japão em busca de emprego. Havia aqueles que não viam nas ações dos sindicatos e ligas operárias as expressões de seus desejos.¹ A Sociedade Promotora foi fundada em 1886. a cidade passou a receber grupos oriundos de outras localidades do Brasil e do mundo. o que mostra sua influência sobre o governo. em 1888.arquivoestado. Assistimos também. não eram todos os trabalhadores estrangeiros que se associavam a esses movimentos. mexendo com questões mais profundas do que a economia e a política de um lugar. Esses frequentemente foram acusados de compactuar com a exploração do trabalhador. Mudar e emigrar significa muitas vezes modificar e ampliar esta noção. violência física. ___________________________________________________ ¹ Decasséguis.html .br/exposicao_imigracao/inicio_imigrantes. Enfim. moradias precárias. como acontece com os “decasséguis” ¹. má alimentação. Bolívia e Paraguai que vêm para São Paulo. pois este movimento não é apenas um deslocamento geográfico. que desembocou no chamado “sindicalismo revolucionário”. A partir das décadas de 30 e 40. por fazendeiros paulistas. mulheres e crianças submetidas a atividades exaustivas. a cidade assistiu a entrada maciça de migrantes vindos do norte e principalmente nordeste do nosso país e hoje temos notícia da grande leva de imigrantes do Peru. ainda. políticas e religiosas. isso não quer dizer que a vida urbana tivesse trazido mudanças significativas. O que esses trabalhadores encararam na cidade e nas indústrias foram longas jornadas de trabalho. sírios. húngaros. as pessoas que emigram estão em busca de novas perspectivas e uma vida melhor. http://www. portugueses. abusos (as atividades não eram regulamentadas) e outras adversidades. A demanda de pessoas que chegam à nossa cidade e ao nosso país. Era um órgão executivo tido pela elite paulista quase como uma empresa privada que atendia e garantia os seus interesses. São Paulo: uma cidade cosmopolita As confluências históricas do contato dessas culturas vindas de várias partes do mundo dão à cidade de São Paulo. espanhóis. armênios e que entre essas nacionalidades havia diferenças regionais. Foram várias as lutas empreendidas para sobreviver e superar essas dificuldades. muita polêmica sobre os imigrantes e migrantes na cidade de São Paulo. libaneses. associações que tiveram a presença majoritária de imigrantes e foram influenciadas pelos princípios do anarquismo. Deslocamentos: da produção de café para as linhas de produção Os grupos imigrantes eram heterogêneos. culturais. Eram os proprietários das fazendas de café que controlavam a Sociedade. surgiram os movimentos operários na cidade de São Paulo. japoneses. Foram criadas ligas operárias em várias localidades. pois visavam unicamente a ascensão social e ignoravam a luta por melhorias nas condições de vida para todos. uma diversidade digna de uma verdadeira cosmópole. os indivíduos precisam reformular seus próprios modos de vida e nunca deixam totalmente suas tradições. o movimento contrário de pessoas saindo dos grandes centros urbanos.gov. Emigrar não é fácil. Ao entrarem em contato com novas culturas. que dá anistia a todos os estrangeiros irregulares que chegaram ao Brasil até o dia 1º de fevereiro de 2009. independente da época em que se vive. é impossível dar conta da diversidade das experiências de cada grupo e de suas particularidades. Se muitos trabalhadores saíram das fazendas de café em busca de melhores condições de vida.

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