Você está na página 1de 28
A CIDADE NA HISTORIA suas origens, transformac&es e perspectivas Lewis Mumford Tradugio BIL RDA SILVA Martins Fontes Sa Paulo 2008: ERR AERC meric PID I aorpuy zie wus CAPITULO XVI O subtirbio — e depois Aqueles que encabecaram a “marcha da civilizacio", a partir do século XVIII inclinavam-se a mostrar certo desdém para com o cam- po, morada de agricultores atrasados, risticos, sem maneiras, ou aris- tocratas que procuravam o prazer 8 custa de suas rendas e nao dos lu- «ros obtidos no comércio e na indiistria. Contudo, mesmo entre os I= deres e beneficiérios utilitaristas, o impulso no sentido de escapar 20 ambiente industrial era comum; na verdade, possuirriqueza bastante ‘era marca de éxito. es que a cidade industrial houvesse tomado forma, a idéia de se devxarem para trés as complexidades da civilizagio tinha- se tomado atraente, mais uma vez, i mente européi cera durante a decadéncia de Roma. Para os que era havia as pescaria nicos, a realizagao de piqueniques em familia ou a meditagao sol coragao das florestas. Sem esperar que Rousseau provasse que a maior parte dos males da vida derivava dos éridos rituais de uma civilizagao ultra-requintada, muitos europeus jd tinham comecado a agir segundo essas idéias. A vida no campo pa- recia a melhor e, quanto mais se afastava da cidade, mais se ganhava em satide,liberdade, independéncia. A maior parte dos salubres carac- teres do subuirbio do século XIX j fora, na verdade, incorporada 8 pe- quena cidade, com um respeito maior pela mistura e cooperagio 50- cial do que seria possivel alcangar na comunidade suburbana de uma ‘6 classe. As préprias tabelas atuariais demonstravam a superioridade cdo campo em matéria de vitalidade animal: na Inglaterra, 0 camponés © 0 proprictério rural residente tinham uma esperanga de vida mais clevada,