LAUREATE INTERNACIONAL UNIVERSITIES ESCOLA SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO, DIREITO E ECONOMIA CURSO DE DIREITO

VIVIAN SCHILLING

Apelação criminal

PORTO ALEGRE 2011
APELAÇÃO CRIMINAL

O recurso de Apelação segundo Tourinho Filho é "o pedido que se faz à instância superior, no sentido de reexaminar a decisão proferida pelos órgãos inferiores". Existem duas espécies de apelação no processo penal, a apelação plena, quando toda a matéria decidida é devolvida ao Tribunal ad quem; e a limitada, quando apenas parte da decisão é apelada.

Juízo de Admissibilidade:

encontra divergências na doutrina e na jurisprudência. Portanto. . observando a presença dos pressupostos subjetivos e objetivos do recurso. Outra fase relevante dos pressupostos de apelação é a legitimidade do apelante. • Interposição do Recurso de Apelação A interposição do recurso de apelação é uma faculdade. alguns entendem que o interesse a prevalecer deverá ser o do defensor. A primeira hipótese trata das sentenças definitivas de condenação ou absolvição e a segunda das decisões definitivas. além do interesse e a legitimidade. e logo após processado e julgado. Porém. pois é o titular do direito. em regra. Nosso código de Processo Penal Brasileiro trás em seu artigo 593. do defensor em relação a sentença condenatória contra o seu assistido. Os pressupostos a serem analisados na apelação criminal são: a previsão legal. por seu entendimento técnico já outros entendem que o interesse do réu será sempre supremo. forma prescrita em lei. sem absolver ou condenar. porém. não pode recorrer em favor do réu por falta de legítimo interesse e por não ser parte sucumbida. tempestividade. e a relação defensor e réu. incisos I e II. Ao passo que tenham sido os pressupostos satisfeitos. sendo da defesa o real interesse. grande parte da doutrina e da jurisprudência entende que o Ministério Público. que fará a verificação. governando-se assim pelo princípio da voluntariedade. mas pondo fim a relação processual. o recurso deverá ser primeiramente conhecido. sendo de grande debate se é legitima a interferência do Ministério Público em favor do Réu. e o interesse de quem deverá prevalecer. como explica Mirabete: "só tem legítimo interesse aquele que teve seu direito lesado pela decisão. a apelação é interposta sempre e somente pela parte sucumbente. a ser realizado pelo tribunal a quo." O pressuposto de interesse é de suma importância na fase de admissibilidade.O primeiro passo no julgamento da apelação é o juízo de admissibilidade. também havendo divergências na doutrina e jurisprudência. onde há julgamento do mérito. as hipóteses de interposição de recurso de apelação. sendo sua interposição facultativa.

"a" a "d". 31. ficando estabelecido neste caso um prazo de 15 dias contados do dia em que terminar o prazo do Ministério Público. Tal entendimento baseia-se em acolher valores morais de maior significância para o mundo fático e garantir princípios de maior relevância individual. onde há a possibilidade de impugnar decisões do tribunal do júri que sejam injustas para o caso apreciado. operando-se terminativamente. que são as chamadas decisões interlocutórias mistas. As hipóteses de apelação de sentença do tribunal do júri resumem-se ao determinado pelo art. II. temos a sua base regulamentada pelo art. devemos ressaltar que tal entendimento fere as disposições legais e nossa Constituição Federal no que concerne às decisões do tribunal do júri. e. 564. art. 593. no entanto. . III. do CPP. “d” (quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos). “c” (em caso de erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança). "c". onde estabelece que é reconhecida a instituição do júri. III. 593. 593. • Prazo: O prazo para a interposição de recurso de apelação está estabelecido no art. art. pois as decisões do tribunal do júri são baseadas em uma garantia constitucional. não sendo possível interferências no conteúdo da sentença. Nas apelações de decisões do tribunal do júri o tribunal de apelação limita-se a apreciação nos limites que dita lei. o qual estabelece um prazo de 5 dias contados da intimação. há hipótese de interpor apelação. do CPP. 593. 598. III. XXXVIII. "caput". onde não há decisão de mérito.Há ainda uma terceira hipótese. esclarece a situação em que não haja a interposição pelo MP no prazo legal. da CF/88. Já o art. dando a oportunidade ao ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 593. 5º. Porém. assegurada a soberania dos veredictos. por fim. "caput". "a" CPP (quando da nulidade posterior à pronúncia. Quanto às apelações das decisões do tribunal do júri. art. conforme o art. 593. como entende o próprio Supremo Tribunal Federal. “f “a “k” CPP). ou. “b” (quando a sentença for contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados). III. art. há alguns entendimentos mais amplos. III. encerrando a relação processual. com força de definitivas.

Em caso de fuga do réu. CPP). a apelação será considerada deserta. após a apelação passar pelas fases da primeira instância. visa o reexame da matéria coadunado aos limites do princípio "tantum devolutum quantum appelatum". através do termo de apelação. • Efeitos do Recurso de Apelação: O recurso de apelação enseja efeitos devolutivo e suspensivo. já existindo as razões em anexo.. segundo refere o art. sua situação não se alterará.”. Na fase inicial. CPP. quer seja pessoalmente. informando ao juízo do seu objetivo de inconformismo com o julgamento obtido e o desejo de reavaliação da causa. e mesmo no caso do réu vir a ser capturado. evidentemente não se cogitará a hipótese de deserção. No caso de sucumbência do Ministério Público o prazo começa a correr da ciência do Promotor Público. (art. Assim. Então será propiciado primeiro ao apelante e. ou através de publicação oficial. em cindo dias a contar da ciência. "caput". será realizado novo juízo de admissibilidade para então remetê-lo a novo julgamento. 601. serão os autos remetidos à instância superior. realizada no juízo de primeira instância. 597 do CPP "a apelação de sentença condenatória terá efeito suspensivo.O prazo começa a correr a partir da ciência da parte sucumbente. assim a .. Na segunda fase do processamento. 595. • Do Processamento: O processamento do recurso de apelação se dará em duas fases de desenvolvimento. haverá a interposição do recurso. segundo o art. Já o efeito suspensivo. preenchendo todos os requisitos para admissibilidade. 600. Se a fuga do réu se der após o julgamento do recurso. depois ao apelado o prazo de 8 dias para cada uma das partes oferecer suas razões (art. remetidos os autos ao tribunal de apelação. do CPP). Quanto ao efeito devolutivo. transitando em julgado a sentença.

Nosso CPP prevê isso em seu art.execução da pena imposta ao condenado ficará suspensa até o julgamento do recurso de apelação. isto quando o apelo for por este interposto. estando o Tribunal restrito ao pedido da apelação. em síntese. que a apelação é uma ferramenta processual essencial para o processo penal. visa proteger o apelante para que não haja a possibilidade de decisão que agrave a sua situação. em recurso exclusivo da acusação. ou seja. então. Tem prazo de 5 dias para apelação e prazo de 8 dias para apresentação das razões. Dentro do recurso de apelação devemos observar para a ocorrência de duas hipóteses previstas na doutrina que são a “reformatio in mellius” e a “reformatio in pejus”. nessa circunstância proibese a reformatio in pejus. quer seja abrandando-lhe. a qual é utilizada pelo defensor ou promotor para pedir a instância superior que reexamine a matéria julgada por instância inferior. tem como principal fundamento o príncipio"ne eat judex ultra petita partium" o que significa que não pode o juiz julgar além do pedido da parte. É de cunho facultativo. . quer seja agravando-lhe a pena. não pode haver reforma da sentença para agravar a situação do réu. não pode o Tribunal ad quem. é provido dos efeitos devolutivo e suspensivo. 617. • Conclusão: Conclui-se então. O recurso de apelação baseado na hipótese de ocorrência de reformatio in mellius. Já a “reformatio in pejus”. não haverá admissibilidade quanto a decisão proferida extra ou ultra petitum. tem como pressupostos de admissibilidade específicos deste recurso o interesse e a legitimidade. em favor do réu reformar a decisão.

São Paulo: Saraiva. 15 ed. e atual. Processo Penal. rev. . ampl. ed. 3. p. Código de Processo Penal interpretado. MIRABETE. 1996. p. 1994. Fernando da Costa. indicações legais. 9. São Paulo: Atlas. rev. Referências doutrinárias. 389 .ed. 1995.ed.649. TOURINHO FILHO.394. 1995. NOGUEIRA. EXCELENTÍSSIMO SR. Paulo Lúcio.Processo Penal. atual. 624 .BIBLIOGRAFIA MIRABETE. São Paulo: Atlas. DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DO FORO CENTRAL DE PORTO ALEGRE-RS. São Paulo: Savaiva. e atual. Curso Completo de Processo Penal. rev. 5. resenha jurisprudencial: atualizado até julho de 1995. Júlio Fabbrini.. Júlio Fabbrini.

321 Apelante: Fábio Melão Apelado: Justiça Pública Processo crime nº : 1268888-015-00 Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul Colenda Câmara. . Porto Alegre.Processo nº: 1268888-015-00 Fábio Melão. respeitosamente a presença de Vossa Excelência. inciso III. interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO. RAZÕES DE APELAÇÃO _________________ Vivian Schilling OAB no 77. 67. Requer-se. por infração ao artigo 171 do CP. não se conformando com a sentença de fls. Pede deferimento. alínea ‘a’ do Código de Processo Penal. vem. que seja encaminhada a presente. com base no art. 593. Nesses termos. Nobres Desembargadores. por meio de seu advogado infraassinado. condenou o apelante a uma pena privativa de liberdade de 4 (quatro) anos. 23 de Abril de 2012. Douta Procuradoria de Justiça: A respeitável sentença de fls. ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. já devidamente qualificado nos autos do processo crime que lhe move a Justiça Pública. ainda.

a pena base somente poderá se afastar do mínimo legal caso tais circunstâncias sejam desfavoráveis ao réu. nos termos do art. no presente caso. e condenado a pena de 1 (ano) ano. aplicando-se somente a pena de multa. 23 de abril de 2012. conforme foi demonstrado ao longo da instrução criminal. tem-se que o apelante é réu primário. O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema trifásico de aplicação da pena. §2°. Data venia. conforme pode ser observado de suas declarações prestadas perante a autoridade policial (fls. a reforma da respeitável sentença se impõe. requer-se seja julgado procedente o presente recurso de apelação. Porto Alegre. 155. Sendo o réu primário e de bons antecedentes. Além disso. vez que não existem fundamentos para que tal pena se afaste do mínimo legal 1 (um) ano. sendo-lhe vedado o apelo em liberdade. para reduzir a condenação para 1(um) ano de reclusão. Diante disso. milita em favor do réu a atenuante da confissão espontânea. 59 do Código Penal.tendo de cumprir a pena aplicada em regime fechado. com a consequente modificação do regime de cumprimento de pena para a aplicação de multa. do Código Penal. tem-se que deve ser modificado o regime de cumprimento de pena. conclui-se por exagerada a condenação do apelante a pena privativa de liberdade de 4 (quatro) anos. em que o juiz analisa as circunstâncias judiciais constantes do art. Diante do exposto. uma vez que o quantum da pena fixado na sentença se mostra excessivo diante das peculiaridades do caso concreto em análise.321 . Ora. ______________ Vivian Schilling OAB no 77. trabalhador com carteira assinada e de boa conduta social. de bons antecedentes. 05) e corroboradas em juízo (fls. 17). Na primeira fase.

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