Desenho Técnico

Prof. André Luciano

2010

ESCALA
O desenho de um objeto, em geral, não pode ser executado em tamanho natural; em muitos casos o objeto é grande ou pequeno demais. A escala permite aumentar, diminuir ou manter o tamanho do objeto no desenho de acordo com cada situação. A escala nada mais é que uma razão de semelhança entre as medidas do desenho e as medidas reais do objeto, derivada da expressão: E = MD / MO, onde: MD = medida gráfica (desenho) MO = medida natural (objeto) E = razão (“Título da Escala”) Como o desenho técnico é utilizado para representação de máquinas, equipamentos, prédios e até unidades inteiras de processamento industrial, é fácil concluir que nem sempre será possível representar os objetos em suas verdadeiras grandezas. Assim, para viabilizar a execução dos desenhos, os objetos grandes precisam ser representados com suas dimensões reduzidas, enquanto os objetos, ou detalhes, muito pequenos necessitarão de uma representação ampliada. 1 Tipos de escala Para facilitar a interpretação da relação existente entre o tamanho do desenho e o tamanho real do objeto, pelo menos um dos lados da razão sempre terá valor unitário, que resulta nas seguintes possibilidades: 1 : 1 para desenhos em tamanho natural – Escala Natural 1 : n > 1 para desenhos reduzidos – Escala de Redução n > 1 : 1 para desenhos ampliados – Escala de Ampliação A norma NBR 8196 da ABNT recomenda, para o Desenho Técnico, a utilização das seguintes escalas:

A indicação é feita na legenda dos desenhos utilizando a palavra ESCALA, seguida dos valores da razão correspondente. Quando, em uma mesma folha, houver desenhos com escalas diferentes daquela indicada na legenda, existirá abaixo dos respectivos desenhos a identificação das escalas utilizadas.

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 Linha de cota: fina e contínua. distando aproximadamente 7 mm do contorno do desenho. traçada paralelamente às dimensões da peça. mas em casos específicos podem ser inclinadas a 60º. tais como medidas. André Luciano 2010 COTAS Os desenhos para fabricação ou produção devem possuir todas as informações necessárias à sua execução.Desenho Técnico Prof. Só é permitido utilizar outro tipo de indicação de limites da cota em espaços muito pequenos.  Seta: devem ser delgadas. 1 Regras para colocação de cotas Os elementos descritos abaixo estão exemplificados na Figura 1. conforme mostra a Figura 2. ou centralizadas e à sua e (d) Figura 1 Em um mesmo desenho a indicação dos limites da cota deve ser de um único tipo e também deve ser de um único tamanho. limita as linhas de cota. e ter ângulo de 15º (ou dimensões de aproximadamente 3 mm por 1 mm). que deve ser feita de forma clara.  Linha auxiliar ou de extensão (chamada): fina e contínua. são perpendiculares aos elementos do desenho a que se referem.  Cotas: são os valores numéricos que representam as medidas da peça. normalmente usadas em desenho de arquitetura. e deve ultrapassar um pouco as linhas de cota (mais ou menos 3 mm). Há casos em que a seta é substituída por linhas oblíquas. 2 . estas devem ser feitas em traço médio e inclinação de 45º. As medidas são dadas através da cotagem destes elementos. sem omissões. A linha auxiliar não pode encostar nas linhas de contorno do elemento do desenho que está sendo cotado. acabamento. etc. abertas ou fechadas. tipo de material. São escritas centralizadas e acima das linhas de cota quando na horizontal.

conforme está exemplificado na Figura 3. André Luciano 2010 Figura 2 Na cotagem de raios. Figura 4 Para facilitar a leitura e a interpretação do desenho. Figura 3 Os elementos cilíndricos sempre são dimensionados pelos seus diâmetros e localizados pelas suas linhas de centro. o limite da cota é definido por somente uma seta que pode estar situada por dentro ou por fora da linha de contorno da curva. conforme mostra a Figura 4. deve-se evitar colocar cotas dentro dos desenhos e. Figura 5 3 . cotas alinhadas com outras linhas do desenho. conforme mostra a Figura 5.Desenho Técnico Prof. principalmente.

conforme mostram as Figuras 7 e 8. para evitar o cruzamento de linhas de cotas com as linhas de chamada. conforme mostra a Figura 6. Figura 6 Sempre que possível. conforme mostra a Figura 9 (b). As cotas de menor valor devem ficar por dentro das cotas de maior valor. A Norma NBR 10126 da ABNT fixa dois métodos para posicionamento dos valores numéricos das cotas. O primeiro método. que é o mais utilizado. conforme mostra a Figura 9 (a).Desenho Técnico Prof. as cotas devem ser colocadas alinhadas. Figura 9 4 . conforme mostra a Figura 9 (a).  nas linhas de cota verticais o número deverá estar à esquerda da linha de cota. André Luciano 2010 Outro cuidado que se deve ter para melhorar a interpretação do desenho é evitar o cruzamento de linha da cota com qualquer outra linha.  nas linhas de cota inclinadas deve-se buscar a posição de leitura. Figura 7 Figura 8 Os números que indicam os valores das cotas devem ter um tamanho que garanta a legibilidade e não podem ser cortados ou separados por qualquer linha. determina que:  nas linhas de cota horizontais o número deverá estar acima da linha de cota.

respectivamente. conforme mostra a Figura 10. mantém a posição de leitura com referência à base da folha de papel. como mostram as Figuras 12 (a). em qualquer posição da linha de cota. (c). Figura 10 As Figuras 11 (a) e (b) mostram. as linhas de cota são interrompidas e o número é intercalado no meio da linha de cota e. (d) e (e). André Luciano 2010 Pelo segundo método. A linha de cota utilizada na cotagem de ângulos é traçada em arco cujo centro está no vértice do ângulo. Tabela 1 .Símbolos indicativos das formas cotadas Os símbolos devem preceder o valor numérico da cota. Figura 11 Para melhorar a leitura e a interpretação das cotas dos desenhos são utilizados símbolos para mostrar a identificação das formas cotadas.Desenho Técnico Prof. conforme mostra a Tabela 1. 5 . (b). a cotagem de ângulos pelos dois métodos normalizados pela ABNT.

6 . os símbolos podem ser omitidos.Desenho Técnico Prof. na qual as cotas de uma mesma direção são referenciadas umas nas outras. Figura 13 2 Tipos de cotagem As cotas podem ser colocadas em cadeia (cotagem em série). como mostram as Figuras 14 (a) e (b). conforme mostram as Figuras 13 (a) e (b). André Luciano 2010 Figura 12 Quando a forma do elemento cotado estiver claramente definida. ou podem ser colocadas tendo um único elemento de referência. como mostram as Figuras 15 (a) e (b).

mostrada nas Figuras 14 (a) e (b). A Figura 16 mostra na parte superior (cota de 70) a cotagem de arco e na parte inferior (cota de 66) a cotagem de corda. durante os processos de fabricação da peça. não ocorrerá a soma dos erros cometidos na execução de cada cota. André Luciano 2010 Figura 14 Na cotagem em série. de uma determinada direção. Figura 16 7 . Quando o objetivo é definir o comprimento do arco. ocorrerá a soma sucessiva dos erros cometidos na execução de cada elemento cotado. enquanto no tipo de cotagem mostrado nas Figuras 15 (a) e (b) como todas as cotas. a linha de cota deve ser paralela ao elemento cotado. Figura 15 3 Cotagem de cordas e arcos A diferença entre a cotagem de cordas e arcos é a forma da linha de cota.Desenho Técnico Prof. são referenciadas ao mesmo elemento de referência.

é conveniente cotar um dos espaços e informar a dimensão e a quantidade de elementos. A cotagem dos chanfros segue os princípios utilizados na cotagem de elementos angulares. 8 . Figura 18 5 Cotagem de elementos eqüidistantes e/ou repetidos A cotagem de elementos eqüidistantes pode ser simplificada porque não há necessidade de se colocar todas as cotas. conforme mostra a Figura 18. resultará em ângulos iguais e lados iguais e. é usual quebrar os cantos com pequenas inclinações chamadas de chanfros. nesta situação. André Luciano 2010 4 Cotagem de ângulos. informando os comprimentos de seus dois lados ou o comprimento de um dos seus lados associados ao valor de um dos seus ângulos. pode-se colocar em uma única linha de cota o valor dos dois lados ou de um lado associado ao ângulo. como mostra a Figura 17.Desenho Técnico Prof. chanfros e escareados Para definir um elemento angular são necessárias pelo menos duas cotas. Para evitar problemas de interpretação. como mostra a Figura 17 (b). Figura 17 Para evitar nos objetos que serão manuseados o contato com cantos vivos. Os espaçamentos lineares podem ser cotados indicando o comprimento total e o número de espaços. conforme mostra a Figura 19 (a). conforme mostra a Figura 17 (a). Quando o valor do ângulo for 45°.

Desenho Técnico Prof. Figura 20 9 . indicando a quantidade de elementos. conforme mostram as Figuras 20 (a) e (b). Quando os espaçamentos não forem eqüidistantes. conforme mostra a Figura 19 (b). André Luciano 2010 Figura 19 Os espaçamentos eqüidistantes angulares podem ser cotados indicando somente o valor do ângulo de um dos espaços e da quantidade de elementos. será feita a cotagem dos espaços.

: mm 10 . 1) Desenhar a figura na escala 1:5. Unid.: mm 2) Desenhar a figura na escala 1:2. André Luciano 2010 EXERCÍCIOS DE ESCALA Os desenhos abaixo deverão ser feitos na folha A4. Unid.Desenho Técnico Prof. utilizando o traçado corretamente e a caligrafia técnica.

preencher a legenda utilizando a caligrafia técnica e o traçado corretamente. 1) Escala 1:1 2) Escala 2:1 3) Escala 3:1 11 .Desenho Técnico Prof. André Luciano 2010 EXERCÍCIOS DE COTA Desenhar e cotar as figuras na folha A4.

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