Universidade Federal de Campina Grande – UFCG Centro de Ciências Jurídicas e Sociais – CCJS Unidade Acadêmica de Direito

Renato Filgueira Alves

Resumo do livro: “O que é uma constituição” de Ferdinand Lassale

Sousa 2010

ministrada pela professora Márcia Glebyane Maciel Quirino. como exigência da obtenção estágio disciplina de Metodologia do trabalho científico. Sousa 2010 .O que é uma constituição Trabalho apresentado ao curso de Graduação em Direito do Centro de Ciências jurídicas e Sociais de da Universidade da nota do Federal primeiro Campina da Grande.

E diferencia a Constituição real da jurídica. a consciência coletiva e a cultura geral. dando a cada um destes sua devida importância na sociedade. • O Senado e a Câmara Senhorial – latifundiários tradicionalistas formariam a Câmara Senhorial e poderiam “contrabalançar a vontade da nação e de todas suas classes. Pela primeira vez o autor define o que entende por Constituição real com suas palavras: “os somatórios dos fatores reais de poder que vigoram nesse país”. ele poderia criar uma nova constituição (embora sem necessidade. que obedeceria. então. cada rico teria dezessete vezes o poder político de um cidadão comum. à pequena burguesia e a classe trabalhadora. . pois a constituição é uma lei fundamental. utilizada como base para as demais leis de cada país. desprezando a nação. este dominaria o exército. a constituição. Lassale faz várias críticas a várias situações diferentes: • O sistema eleitoral das três classes – seria o mesmo que a constituição dissesse: os ricos terão o mesmo poder político que vários cidadãos correntes. Já deixando claro que não acredita na eficiência de uma constituição escrita. que é a constituição escrita no papel. Tomando por base uma Constituição jurídica. no exemplo apresentado por Lassale. deixando claro que o conceito buscado vai além de uma simples lei. mesmo a nobreza e os grandes proprietários. por mais unânime que ela seja”. Lassale exemplifica seu ponto de vista sugerindo que um incêndio hipotético destruísse todas as cópias escritas da constituição em vigor. supõe que numa aristocracia “uma nobreza influente e bem relacionada com o rei e sua corte é também um fragmento da constituição”. Supõe então que com o poder de um rei monárquico. • O rei e o Exército – sendo o rei absoluto. Começa então comparando a constituição com uma lei. faz as mesmas alusões à burguesia. pois detinha a obediência do exército) como bem entendesse. sendo então um fragmento da constituição. Podendo esse número variar de acordo com cada sociedade.Ferdinand Lassale inicia o livro com uma série de perguntas que por si só explicam o conteúdo do livro: “O que é uma constituição? Em que consiste a verdadeira essência de uma constituição?”. e declarando-os fragmentos da constituição. aos banqueiros.

Portanto. Após atiçar a vontade do povo de lutar: “Tu. Surge então a necessidade de saber a origem dessa aspiração de elaborar constituições escritas. • Revolução Burguesa: Quando a sociedade se expande mais ainda. mas não há necessidade de fazê-lo justamente por sua soberania. durante anos e anos. Neste ponto crucial para o entendimento de seu livro. mas desorganizado.Lassale dedica esta parte do livro a defender uma Constituição real e fazer a diferença entre o poder organizado (do governo) e o poder inorgânico (da nação). mas organizado. se sustenta às vezes.. e o comércio independe da nobreza. nomeando esta de folha de papel. como sendo: “formada pelo somatório de fatores reais e efetivos que vigoram na sociedade” e faz ainda a maior crítica de seu livro fazendo a diferença entre Constituição real e efetiva e Constituição escrita. sufocando o poder. pois agora o príncipe administra um Estado Militar suficientemente poderoso para impor sua soberania. mas não para ti!”. [. isso a princípio.] decide-se a levantar sua supremacia desorganizada contra o poder organizado”. Lassale reforça seu entendimento para Constituição real e efetiva. um príncipe muito envolvido com a nobreza não poderia alterar a constituição sem seu consentimento. da nação. muitas vezes. beneficia o príncipe. sendo esta a ocupadora da posição predominante. tornando-o suficientemente poderoso para alterar a constituição sem ao menos consultar a nobreza. fabrica-os e paga-os. e o autor explica que surge a partir de transformações nos fatores reais do poder imperante. o autor mostra o quão o governo pode ser frágil: “Um poder muito menos forte. não querendo “continuar sendo uma massa submetida e governada. até que esta. povo. o príncipe pode alterar a constituição. os burgueses tomam consciência de seu poder. um dia. Lassale aponta como se dá o possível surgimento de constituições em diferentes sociedades: • Constituição Feudal – considerando uma população pequena.. muito mais forte. sem vontade própria” e sim querendo tomar em suas mãos o Governo e que o príncipe se limite a reinar em . • O Absolutismo – Ao passo que a população aumenta.

Revolução 1848. aos fatores reais e efetivos de poder”. Conclui sua obra pedindo que o leitor tome por si próprio suas conclusões e reforçando tudo dito anteriormente: “Os problemas constitucionais não são. o contexto histórico em que Lassale escreveu seu livro (Revolução de 1848) e talvez por isso seja tão contrário a existência das Constituições escritas como elas são. Ferdinand Lassale. problemas de direito. primordialmente. Lassale reitera que a Constituição escrita só seria boa e duradoura se correspondesse à Constituição real. Constitucionalismo sem constituição. .conformidade à sua vontade e reger seus assuntos e interesses. a qual tem suas raízes nos fatores de poder que regem o país. Fazendo alusão ao embate entre poder organizado e poder inorgânico. mas de poder. a verdadeira Constituição de um país somente reside nos fatores reais e efetivos de poder que regem nesse país. Deve-se levar em conta apesar de tudo. e as Constituições escritas não têm valor e nem são duradouras mais do que quando dão expressão fiel aos fatores de poder vigentes na realidade social”. Palavras-chave: Constituição. Na terceira parte de seu livro. analisando as consequências de 1948: “De nada serve o que se escreve numa folha de papel se não se ajusta à realidade. Ele insiste.

. 2002. Tradução de Hiltomar Martins Oliveira. Belo Horizonte: Líder. Ferdinand.Referência: LASSALE. O que é uma constituição.

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