Título : MÓDULO 1 (1ª PARTE) - Teoria Geral do Fatos Jurídicos Conteúdo

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1ª Aula Teoria Geral dos Fatos Jurídicos

1. Conceito: Em sentido amplo, fatos jurídicos são os acontecimentos que dependem ou independem da vontade humana, previstos na norma jurídica, em virtude dos quais nascem, se modificam, subsistem e se extinguem as relações jurídicas. As relações jurídicas, marcadas pela intersubjetividade, são relações sociais tuteladas pelo Direito.

2. Classificação:

Os fatos jurídicos em sentido amplo (lato sensu) podem ser naturais (independem da vontade humana) ou humanos(dependem da vontade humana).

2.1. Fatos naturais, também denominados fatos jurídicos em sentido estrito (strictu sensu), são os acontecimentos que independem da vontade humana, ou seja, decorrem da natureza. Os fatos jurídicos em sentido estrito (strictu sensu) se subdividem em: 2.1.1. Fatos jurídicos em sentido estrito ordinários (morte, nascimento, maioridade, decurso de tempo - prescrição etc). 2.1.2. Fatos jurídicos em sentido estrito extraordinários (terremoto, tempestade, inundação, enchente etc).

2.2. Fatos humanos são os acontecimentos que dependem da vontade humana, abrangendo tanto os atos lícitos como os ilícitos. Os fatos humanos se subdividem em: 2.2.1. Atos lícitos ou atos jurídicos em sentido amplo: são os atos humanos praticados em conformidade com o ordenamento jurídico, também denominados pela doutrina como voluntários, uma vez que produzem efeitos jurídicos querido pelo agente. Os atos jurídicos em sentido amplo se subdividem em: a) Atos jurídicos em sentido estrito (ou meramente lícitos). Em tais atos, os efeitos da manifestação da vontade estão predeterminados na lei. Exemplos: notificação, que constitui em mora o devedor; reconhecimento de filho; tradição; ocupação; uso de alguma coisa.

Assim, os atos jurídicos meramente lícitos ou em sentido estrito são manifestações da vontade obedientes à lei, porém geradoras de efeitos que a própria lei determina. As partes não podem através de suas vontade modificar os efeitos jurídicos que serão produzidos. b) Negócios jurídicos. Nestes há uma composição de interesses mediante a criação de normas que objetivam regular tais interesses, harmonizando vontade que, na aparência, demonstram serem antagônicas. O negócio jurídico é uma declaração da vontade destinada à produção de efeitos queridos pelas partes. Pode haver ou não correspondência entre o desejado pelas partes e o determinado pela lei. Neste caso prevalecerá a vontade das partes, uma vez que a regra da norma é meramente supletiva, isto é, valerá somente na ausência da vontade. Exemplos: testamento (negócio jurídico unilateral na formação); contratos (negócio jurídico bilateral na formação).

2.2.1. Atos ilícitos, também denominados pela doutrina de involuntários, uma vez que acarretam consequências jurídicas alheias à vontade do agente. A prática de ato ilícito produz efeitos previstos em norma jurídica, como sanção, porque viola mandamento normativo.

O novo Código substitui a expressão genérica “ato jurídico” (art. 82, CC/1916) por “negócio jurídico” – art. 104, uma vez que somente os negócios justificam a pormenorizada regulamentação dos preceitos contidos no Livro III da Parte Geral. Contudo, o art. 185 determina que se apliquem, no que couber, aos atos jurídicos lícitos, as disposições disciplinadoras do negócio jurídico.

Título : MÓDULO 1 (2ª PARTE) - Da Representação Conteúdo :

2ª Aula Da representação

1. Conceito A representação se trata de relação jurídica mediante a qual certa pessoa se obriga diretamente perante terceiro, por meio de ato praticado em seu nome por um representante ou intermediário. Desta forma, com exceção dos atos personalíssimos, os atos jurídicos podem ser praticados por intermédio da representação, uma vez, que, nos termos do art. 116 “A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado”.

Reza o art. 115 que os poderes de representação são conferidos pela lei ou pelo interessado. Tal artigo elenca duas das espécies de representação existentes no ordenamento jurídico: a legal e a convencional.

2. Espécies A representação legal é aquela na qual a norma jurídica confere poderes para administrar bens alheios, como: os pais, em relação aos filhos menores (art.1634, V e 1690); os tutores, em relação aos pupilos (art. 1747, I) e os curadores, quanto aos curatelados (art. 1774). A representação convencional ou voluntária é estabelecida na Parte Especial do Código (Contrato de Mandato - art. 653 ao art. 691). Art. 653. O mandato ocorre quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. Ressalte-se, ainda, que a representação pode se dar também por via judicial. Nesta espécie de representação o juiz nomeia determinadas pessoas para exercerem certos cargos em determinados processos (o síndico como representante da massa falida, no processo de falência; o inventariante como representante do espólio, na abertura do inventário etc).

3. Prova da representação Conforme disposto no art. 118, o representante tem o dever de provar às pessoas, com quem vier a contratar em nome do representado, não só sua qualidade, como a extensão de seus poderes, sob pena de responder pelos atos negociais que a estes excederem.

4 Efeitos da Representação A representação produz efeitos, dentre os quais, o principal é o fato de que uma vez realizado o negócio jurídico pelo representante, o representando adquire direitos e obrigações. Os direitos são incorporados no patrimônio do representado. Por sua vez, as obrigações assumidas em nome do representado devem ser cumpridas, e por elas responde o seu acervo patrimonial.

5. Hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico realizado via Representação 5.1. Negócio jurídico realizado pelo representante consigo mesmo, no seu interesse ou por conta de outrem (art. 117), salvo se a lei ou o representado permitir. 5.2. Substabelecimento da representação (art. 117, parágrafo único), salvo se o representado permitir. 5.3. Celebração do negócio jurídico pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento da outra parte. Caso o representante em conflito de interesses com o representado celebrar negócio jurídico, este poderá ser anulado no prazo decadencial de 180 dias, a contar da celebração do ato negocial ou da cessação da incapacidade.

O silêncio só terá valor quando houver indicação na norma. Conceito: Negócio Jurídico é uma norma concreta estabelecida pelas partes. Ressalte-se. Desde que o donatário. A declaração da vontade deve ser declarada por palavras (escritas ou não). Via de regra. Ex. nos limites estabelecidos pela lei. 2. seja com o propósito de levar-lhe o conhecimento da intenção do agente. Ex: art. é nada. ou seja. o silêncio é nada. haja vista que somente a intenção não possui nenhum valor.Negócio Jurídico Conteúdo : 3 ª Aula Negócio Jurídico 1. os sujeitos de direto podem auto-regular os seus interesses legais. o qual está vinculado a uma intenção. pressupõe a presença de um elemento volitivo que se materializa numa declaração da vontade através da qual se realiza uma ação ou um ato. uma vez que é reduzido pela supremacia das normas de ordem pública (normas absolutamente cogentes). para declarar se aceita. proposta e aceitação (art. o silêncio do donatário significa que aceitou a doação (manifestação tácita). 539 – “O doador pode fixar prazo ao donatário. entender-se-á que aceitou. Ë no negócio jurídico que se revela o princípio da autonomia da vontade. Trata-se de exceção à regra de que o silêncio nada significa para o Direito. gestos ou sinais.Título : MÓDULO 2 (1ª PARTE) . seja com a finalidade de ajustar a declaração de vontade oposta com o objetivo de concretizar o negócio jurídico. com a evidência de muitas normas públicas no direito privado. Pode ser. a declaração. Origem: O negócio jurídico nasce da vontade humana. ciente do prazo. A declaração da vontade pode ser receptícia (endereçada) ou não receptícia (não endereçada). Neste caso. a liberalidade. ainda. ou seja. sendo que o silêncio. . expressa ou tácita. 427 e seguintes). Após a declaração da vontade a intenção será considerada. que o princípio da autonomia da vontade é relativo. se a doação não for sujeita a encargo”. Declaração da Vontade O que interessa para o Direito? A intenção ou a ação? Interessa para o Direito a vontade declarada. a) Declaração da vontade endereçada ou receptícia: Tal declaração é endereçada a pessoa determinada. ainda. Nas últimas décadas verifica-se uma “publicização” do Direito Civil. cujo objetivo é produzir direitos e deveres. 3. juridicamente considerado. ou não. não faça dentro dele.

: testamento. sem que tal declaração tenha que ser conhecida pela outra parte para a produção de efeitos jurídicos.5. 108 + registro no Cartório de Registro de Imóveis – art. – o pressuposto para a produção de efeitos jurídicos é 4. doação pura. esta deve ser obedecida sob pena de nulidade absoluta. 1227).3. Ex. 166. promessa de recompensa. à vezes. b) Negócio Jurídico Causa Mortis a morte do emitente da vontade. IV.4. b) Negócio Jurídico Gratuito é aquele onde apenas uma das partes suporta o sacrifício e a outra a vantagem. 4. Classificação dos negócios jurídicos 4.Ressalte-se que. Ex. sendo que tais vontades determinarão o surgimento do negócio e a conseqüente produção dos efeitos almejados pelas partes.104. Se o negócio jurídico exigir forma solene. Quanto às vantagens que produzem: a) Negócio Jurídico Oneroso é aquele onde em relação à vantagem obtida corresponde um sacrifício. a lei exige forma solene (ex. cc. Ex. nos termos dos art. Quanto ao tempo da produção dos efeitos: a) Negócio Jurídico Inter Vivos – os efeitos serão produzidos durante a vida dos emitentes da vontade. Quanto à manifestação da vontade: a) Negócio Jurídico Bilateral é aquele negócio jurídico que reclama para a sua concretização a convergência de duas ou mais vontades. compra e venda de imóvel – escritura pública (salvo se valor do imóvel inferior ao valor de 30 salários mínimo) – art. 4. vigora a regra geral = LIBERDADE DE FORMA. III. Art. Ex. seguro de vida em nome de terceira pessoa. compra e venda. Entretanto.b) Declaração de vontade não endereçada ou não receptícia é aquela onde basta tão somente a manifestação do declarante.1. testamento. Ex. Quanto à existência . 4.: contratos b) Negócio Jurídico Unilateral é aquele negócio no qual a sua concretização depende tão somente de manifestação da vontade de somente uma das partes. em relação à forma dos negócios jurídicos. compra e venda. 4. Ex.2. Quanto à solenidade A forma do negócio jurídico pode ser ad solenitaten (solene) e ad probationem tantum (não solene). Ex.

pois depende do contrato principal. Ex. locação. – exercício de direitos restritos sobre o objeto. Reza o art.112 que nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciadas do que o sentido literal da linguagem. mútuo. 4. reconhecimento de filho. b) Declaratório . Quantos aos efeitos a) Constitutivo . Interpretação A declaração da vontade deve ser interpretada com a finalidade de buscar o sentido e o alcance das expressões. 4. quando se interpreta a vontade leva-se em conta mais à intenção manifestada no contrato. Ex. contrato de fiança entre o locador e o fiador não existe por si só. sem que haja alteração na sua substância. Ex. compra e venda. Ex. contrato de locação entre locador e locatário. não o pensamento íntimo do contratante. Ex. Título : MÓDULO 2 (2ª PARTE) . b) Negócio Jurídico Extrapatrimonial – o objeto da relação jurídica não pode ser avaliado economicamente (direitos de família e direitos da personalidade).a) Negócio Jurídico Principal – existe por si só. Assim.Ex Nunc – o negócio jurídico passa a ter efeitos a partir da conclusão. adoção. Ex.Interpretação e Requisitos do Negócio Jurídico Conteúdo : Interpretação e Requisitos do Negócio Jurídico 1. Quanto ao exercício dos direitos a) Negócios Jurídicos de Disposição doação. b) Negócio Jurídico Acessório – depende do principal. 4.Ex Tunc – os efeitos do negócio jurídico retroagem à data que se operou o fato a que se vincula a vontade.8.6. . Quanto ao conteúdo a) Negócio Jurídico Patrimonial – o objeto da relação jurídica pode ser avaliado economicamente (direitos pessoais ou obrigacionais e direitos reais).7. b) Negócios Jurídicos de Simples Administração – exercício amplo de direitos sobre o objeto.

423. Os elementos essenciais se referem à própria substância do negócio. 2. enquanto o outro aufere um benefício (ex: doação pura).Nas cláusulas duvidosas.ex. p. Art. prevalece o entendimento de que se deve favorecer quem se obriga. 819. Nos contratos de compra e venda. Requisitos do Negócio Jurídico 2. A interpretação do negócio jurídico pode ser: a) Declaratória = expressa a intenção dos interessados b) c) Integrativa = preenche lacunas por meio de normas supletivas. idoneidade do objeto e forma. as dúvidas são interpretadas contra o vendedor. Nos contratos benéficos apenas um dos contratantes se obriga. o negócio jurídico para ter validade e possuir eficácia deve preencher os seguintes requisitos: • Elementos essenciais = vontade humana.A interpretação do contrato de consumo será sempre a favor do consumidor – art.As estipulações obrigacionais devem ser interpretadas de modo menos oneroso ao devedor . Sílvio Rodrigues.Art.1. . 114: Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se restritivamente. costumes. 843. Segundo o Prof. deve-se interpretar a favor do comprador. Deve ter interpretação restrita pois importa renúncia de direitos. Construtiva = objetiva reconstruir o negócio com a finalidade de salvá-lo. Negócio jurídico inexistente não produz efeitos jurídicos. 1899.Nos contratos com palavras que admitem dois sentidos. CDC. A boa-fé é presumida.Nos contratos de compra e venda. Exemplos de entendimento doutrinário e jurisprudencial relativo à interpretação dos negócios jurídicos: . a má-fé deve ser provada. Caso tais elementos não se apresentem ocorre a inexistência do negócio. 113: Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. . . Na parte especial do Código existem outras regras de interpretação: art. no que se refere à extensão do bem alienado. 47. deve-se preferir o que mais convier a sua natureza. .

Esta deve ser límpida. não podem praticar certos negócios. ou seja. mas ser inidôneo para a relação jurídica em questão. que em virtude de determinados vínculos. objeto lícito e forma. Se o ato é praticado em face de coação moral. 3º e 4 é a exceção. indicam a maior ou menor possibilidade de produzir efeitos jurídicos. Saliente-se que a representação pode ser legal (pais. Por ex. desde que devidamente representados.a) Manifestação da vontade humana. ou seja. Ressalte-se que. b) Idoneidade do objeto é diferente de ilicitude do objeto. 108). outras vezes. judicial (síndico é o representante da massa falida) ou convencional (decorrente de um contrato de mandato). mas não o é em relação ao contrato de comodato (empréstimo de coisa infungível) c) Forma – como regra há liberdade de forma para a prática do negócio jurídico. que deve ser levada à registro no competente Cartório de Registro de Imóveis (art. sem que os demais descendentes e o cônjuge do alienante expressamente consintam. salvo se o valor for inferior de 30 vezes o salário mínimo vigente (art. Negócio jurídico válido é ato eficaz. necessária também a legitimação para a sua prática. Os ascendentes não podem vender aos descendentes. no primeiro caso (absolutamente incapazes). ou devem praticá-los sob certas condições impostas pela norma jurídica. tutores e curadores). nos termos dos art. capaz de produzir a aquisição. a vontade é viciada. O instrumento adequado para a transmissão da propriedade imóvel decorrente de um contrato de compra e venda é a escritura pública. Porém. a vontade inexiste. Tais requisitos determinam se o negócio é válido. • Requisitos de Validade = agente capaz. Por ex. para o negócio ter validade. mediante o instituto da representação. no segundo (relativamente incapazes). e da assistência. modificação ou extinção de efeitos jurídicos. a) Agente capaz – Relembre-se que a capacidade é a regra e a incapacidade. Um objeto pode ser lícito. determinados negócios reclamam forma solene. 1227). Ex. Se uma pessoa pratica qualquer ato jurídico em virtude de coação física. A legitimação é relativa e se refere a determinadas pessoas. Sem o devido consentimento a venda . Os absolutamente incapazes e os relativamente incapazes podem praticar os atos da vida civil. Objeto idôneo é aquele que se presta para determinado fim. A coisa fungível é objeto idôneo para figurar no contrato de mútuo (empréstimo de coisa fungível).

razão pela qual é dispensável qualquer menção a seu respeito no ato de vontade. que deve ser indicada. c) Objeto lícito. as quais estão previstas na hipótese da lei. Maria Helena Diniz. capacidade do agente e objeto lícito e possível. possível. ou pelo menos determinável (ex: obrigação de dar coisa incerta. determinados negócios reclamam forma solene. 496. uma vez que se referem à sua própria substância.pacto corvina (impossibilidade jurídica). II o objeto do negócio jurídico deve ser lícito (permitido pelo Direito) e possível. b) Objeto lícito. Único – art.art. O objeto deve ser determinado. • Requisitos naturais = são as conseqüências jurídicas normais do negócio jurídico. Saliente-se.requisitos de validade do Prof. No contrato de compra e venda as duas mais importantes consequências são o vício redibitório e a evicção. Silvio Rodrigues).2. que o objeto deve ser física e juridicamente possível.é anulável – art. o preço e o consentimento (art. A sua ausência determinará a inexistência ou a nulidade que pode ser absoluta ou relativa. item b – requisitos de validade do Prof. pelo gênero e pela quantidade . Silvio Rodrigues). possível. 496. – par. 2. ao menos. Porém. Vício redibitório é o defeito oculto da coisa que . Conclusão: os requisitos essenciais são aqueles imprescindíveis à existência do próprio negócio. ainda. 104. c) Forma – como regra há liberdade de forma para a prática do negócio jurídico. item a . determinado ou determinável (vide acima. Ex. 243). • Requisitos essenciais especiais. se o regime de bens for o da separação obrigatória. quando será chamada de anulabilidade. Não pode ser objeto de compra e venda um terreno na Lua (impossibilidade física). No contrato de compra e venda são requisitos essenciais especiais a coisa. Não pode se objeto de compra e venda herança de pessoa viva . Ex. Há a dispensa do consentimento do cônjuge. determinado ou determinável – Nos termos do art. o negócio jurídico deve possuir os seguintes requisitos: • Requisitos essenciais gerais = consentimento. 481). Conforme entendimento da Profa. a) Consentimento é a anuência válida do sujeito a respeito do entabulamento de uma relação jurídica que versa sob determinado objeto b) capacidade do agente (vide acima.

segundo o Professor Orlando Gomes: 3. aumentar ou excluir as conseqüências naturais dos negócios jurídicos. pela manifestação da vontade. sendo que não têm destinatários. a outra pessoa a intenção em exigir-lhe certo comportamento). Tais elementos são inseridos no negócio jurídico por intermédio de cláusulas e. • Elementos acidentais = são aqueles que não sendo indispensáveis para a constituição do negócio jurídico podem existir para alterar as consequências jurídicas que ordinariamente produzem. possuem a denominação de cláusulas acessórias acidentais (ou modalidades) dos negócios jurídicos. São eles: condição. 70) 3. diminuir. Atos jurídicos em sentido estrito materiais (ou reais) – a vontade humana atua e lhes dá existência imediata. Conceito Conceito da Professora Maria Helena Diniz: “O ato jurídico em sentido estrito é o que gera consequências jurídicas previstas em lei e não pelas partes interessadas. as partes podem. Evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial.diminui o seu valor ou a torna imprópria para o uso a que se destina. não havendo regulamentação da autonomia privada”. Entretanto. Participações – Tratam-se de atos jurídicos em sentido estrito consistentes em declarações para ciência ou comunicação de intenções ou fatos. sendo que têm destinatários.Ato Jurídico lícito (em sentido estrito) Conteúdo : Ato jurídico lícito (em sentido estrito) 1.2. . não se deve vender coisa com defeito oculto”. b) interpelação (ato judicial ou extrajudicial praticado pelo credor para constituir o devedor em mora (art. encargo (modo) e termo. 397. Exemplos: a) intimação (alguém participa 2ª parte.1. mais. Introdução: O ato jurídico em sentido estrito é espécie de Fato Jurídico Lato Sensu e subespécie de Ato Jurídico Lato Sensu. A lei diz “só pode vender quem é dono e. o ato jurídico em sentido estrito depende Vontade Humana. 3. Classificação dos atos jurídicos em sentido estrito. Título : MÓDULO 2 (3ª PARTE) . 2. desta forma. Desta forma. este também denominado pela doutrina como Fato Humano.1263) b) fixação do domicílio (art. Exemplos: a) ocupação (art.

Lembre-se. O citado pai não pode dizer: reconheço o filho. pelos vícios redibitórios da coisa vendida.4. que é supletiva. mas não pode ampliar. Inversamente. Tanto o ato jurídico em sentido estrito quanto o negócio jurídico são fatos jurídicos lato sensu que dependem da vontade humana. no campo de ato jurídico em sentido estrito. que a tornem imprópria ao uso a que é destinada ou lhe diminuam o valor. valerá o disposto na regra. mas o excluo da sucessão. o negócio jurídico se trata de manifestação da vontade destinada à produção de efeitos queridos pelas partes. a norma dispositiva. Conclusão O ato jurídico em sentido estrito se trata de manifestação da vontade obediente à lei. também denominados pela doutrina fatos humanos ou atos jurídicos em sentido amplo. Conteúdo : Dos defeitos dos negócios jurídicos . No jurídico estrito sensu a vontade humana não pode alterar os efeitos jurídicos que estão préfixados na norma jurídica. em regra. modificar os efeitos jurídicos que serão produzidos. Assim.cláusula natural do contrato de compra e venda. em comum acordo com o comprador. Nesse caso. não pode haver o afastamento do vício. Exemplo: a lei civil garante o reconhecimento da paternidade (Lei 8. Saliente-se que na relação de consumo. tutelada pelo Código de Defesa do Consumidor. Caso as partes não manifestem a vontade. Tal cláusula pode ser afastada pela vontade das partes. as partes podem ampliar ou restringir os efeitos da norma jurídica. compra e venda) pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos. ou seja. o pai que vai ao Cartório de Registro Civil e solicita o assentamento da paternidade na certidão de nascimento do filho que deseja reconhecer. Assim. nem restringir os efeitos da norma jurídica. por meio de suas vontades. valerá somente na ausência de vontade.Dos Defeitos dos Negócios Jurídicos. geradora de efeitos que a própria lei determina. 441 dispõe que a coisa recebida em virtude de contrato comutativo (ex. utiliza-se de uma prerrogativa da lei. as partes não podem. ou seja. Título : MÓDULO 3 (1ª PARTE) . Por sua vez. podendo haver ou não correspondência entre o desejado pelas partes e o determinado pela norma. ou seja. prevalecerá a vontade das partes. o vendedor não se responsabiliza. Semelhanças e diferenças entre ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico.560/1992). Tal artigo e os seguintes tratam dos vícios redibitórios . é permissiva (as partes podem dispor da vontade). O art. uma vez que a regra disposta na norma jurídica é meramente supletiva. no negócio jurídico vige o princípio da autonomia da vontade. primeiramente. uma vez que o contrato é de adesão.

na verdade está comprando. • Erro sobre uma qualidade essencial da pessoa. Erro = falsa percepção da realidade. um candelabro de latão. Erro – art. uma vez que objetiva iludir terceiros ou violar a lei. haja vista que a vontade manifestada corresponde exatamente à intenção do agente. escusável e real nos termos do art. a) Hipóteses de erros substanciais – art. 138. . somente o erro substancial. No vício social isso não ocorre. e na lua de mel descore que. Coação. mas está comprando uma brasília amarela qualquer. a uma pessoa que imaginou ser seu filho natural. Há erro quando uma das partes pensa que está vendendo algo e a outra pensa que está recebendo em virtude de uma doação. Dolo. 171. Lesão (vícios de consentimento) e Fraude contra Credores. Estado de Perigo. o consentimento não se externaria. Ignorância = completa ausência de conhecimento. Os vícios de consentimento provocam uma manifestação da vontade não correspondente ao íntimo e verdadeiro querer da pessoa que a manifestou. sendo de quatro anos o prazo decadencial para pleitear a anulação. o erro torna o negócio jurídico anulável no prazo decadencial de 3 (três) anos.: no casamento. equivocadamente. A compradora pensa que está comprando um candelabro de bronze. Ex: o negócio jurídico pode ser oneroso ou gratuito. 178. • Erro sobre alguma das qualidades essenciais do objeto. Pergunta: Qualquer erro é erro capaz de viciar o negócio jurídico? Resposta: Não.Dos defeitos do negócio jurídico: Erro. Há discrepância entre a vontade manifestada e a real intenção. O testador deixa um bem. 1. Tal vontade é manifestada com a intenção de prejudicar terceiros (credores). II do negócio jurídico. • Erro sobre o objeto todo do negócio jurídico. João é Joana. ou seja. 138: É o estado da mente.139 • Erro que interessa à natureza do negócio jurídico. O erro substancial é erro de fato por recair sobre circunstância de fato. I e II. Está disciplinada no capítulo que trata da invalidade do negócio jurídico. sobre qualidades essenciais da pessoa ou da coisa. Maria (moça muito ingênua do interior) casa-se com João. antes tratada como vício social (conforme o revogado CC/1916). nos termos do art. por erro. Obs. que por defeito do conhecimento do verdadeiro estado das coisas impede uma real manifestação da vontade. Ex: O comprador pensa que está comprando a brasília amarela dos Mamonas Assassinas. mas. na verdade. ou seja. aquele de tal importância que se fosse conhecida a verdade. hoje é fator de nulidade absoluta. ou manifestar-se-ia de outra forma. IMPORTANTE: A simulação. Os defeitos podem gerar a anulabilidade (nulidade relativa) – art.

Ex: José. A pessoa pode afirmar que uma norma existe e. na verdade não existe. A ignorância da lei pode ser alegada para anular o contrato. é incapaz de viciar o negócio jurídico. que pensa ser sua filha natural. salvo se nele figurar expressamente. Ex: alguém compra uma casa pensando que a mesma tem quatro janelas frontais e. desta forma. e) Erro de Direito – é aquele relativo à existência de uma norma jurídica. João contra a importação de determinada mercadoria ignorando existir lei que proíba tal importação. Salvo a exceção do art. Manoel compra um estabelecimento comercial. sem com isso se pretenda que a lei seja descumprida. etc.continuação Conteúdo : . a publicação da lei gera a presunção absoluta de seu conhecimento. por testamento. 141. em regra. g) O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa. ou ainda. 140 – A falsa causa (ou motivo).Dos defeitos dos negócios jurídicos . deixa determinado bem para Maria Joaquina. afirmar que a norma não existe e. ela existe. d) Os erros podem ocorrer de forma pessoal ou através de outros meios de comunicação – rádio. entretanto. a quem a manifestação da vontade se dirige. que não induziu o comprador em erro (seria caso de dolo) e é prejudicado com a anulação do negócio jurídico. televisão. o erro de direito NÃO é considerado como causa de anulação do negócio jurídico. ou seja. o imóvel possui apenas três janelas frontais. f) Erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração da vontade – art. como razão essencial ou determinante. o erro poderá ser alegado nas mesmas condições em que a manifestação da vontade pessoal. se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. 139. por exemplo. havendo desavença entre a vontade declarada e a interna. alegando que não a conhece”. caso em que torna o negócio anulável. “Ninguém se escusa de cumprir a lei. III. Pode evitar a anulação. Tal artigo protege. 139. desde que não implique recusa à aplicação da lei e seja o único ou principal motivo do negócio jurídico. c) Falsa causa ou falso motivo – art. oferecendo-se para executar o contrato na conformidade da vontade real do manifestante. verifica-se ser falso. Título : MÓDULO 3 (2ª PARTE) . III.• Erro de direito. 143. e. sendo a causa determinante do negócio e não implicando em recusa de aplicar a lei. 3º da LICC trata do Princípio da Obrigatoriedade da Lei a partir de sua publicação. o vendedor. não vicia o negócio jurídico. posteriormente. Assim. carta. tendo como condição primordial certo movimento que. O art. Nos termos do art. Só é admissível no caso já explicado do art. b)Erro acidental – o erro acidental diz respeito à circunstância acessória do objeto ou da pessoa. na verdade.

vez. • Dolo por ação (ou positivo) e dolo por omissão(ou negativo) O dolo por ação é o dolo positivo. se compõe de um artifício astucioso que se revela por afirmações falsas a respeito da qualidade da coisa. Dolo – art. quando muito. O erro é um ato espontâneo. que na verdade é utilizado para o comércio de discos piratas. que a despeito de sua existência. Esta espécie de dolo sempre decorre da utilização de manobras astuciosas com o fim primordial de prejudicar alguém. submetido à apreciação do juiz. tal fato do comprador. • dolo principal (dolus causam) e dolo acidental (dolus incidens) – art. a)Espécies de dolo • dolus malus e dolus bonus O dolus bonus é aquele tolerável.Dos defeitos dos negócios jurídicos – continuação 2. Por sua vez.t. seu quinhão hereditário valioso). No dolo. Ex. o dolo acidental é aquele. Tal espécie de dolo pode ser visualizada na conduta do vendedor que exalta as qualidades do produto. No dolo há a interferência de uma 3ª pessoas que cria uma situação onde a pessoa é levada ao equívoco. se engana. A própria pessoa tem uma falsa percepção da realidade. O dolo acidental. O erro é pessoal. Ressalte-se que a diferença entre o dolus malus e o dolus bonus deve ser analisada no caso concreto. não acarreta a anulabilidade do negócio jurídico. dolosamente. O dolo. 145: É o artifício empregado para induzir alguém à prática de um ato prejudicial ao seu autor e que aproveita o autor do dolo ou terceira pessoa. por sua. ou seja. por preço baixo. Ex: o vendedor vende uma casa cheia de trincas e esconde. é um erro provocado por alguém. Conclusão: o dolo apto a gerar a anulabilidade do negócio jurídico deve ser o malus e principal. ou seja. 146. o ato seria praticado. pode gerar o dever de indenizar por perdas e danos – art. O dolus malus é aquele que gera ou poderá gerar a anulabilidade do negócio jurídico. José é fiador de seu irmão João num contrato de locação de um estabelecimento mercantil para venda de discos. . 146 O dolo principal é aquele que se revela como sendo a causa determinante do ato (ex. levando-se em conta a inexperiência e o nível de informação da vítima. a má-fé de 3ª pessoa está implícita. O dolo por omissão também se compõe de manobras astuciosas que se revelam por ocultações sobre a qualidade de uma coisa. qual seja. uma vez que é praticado com o objetivo de prejudicar alguém. que uma vez conhecidas da outra parte impediriam que o negócio fosse concluído. uma pessoa muito pobre é induzida a vender.

b) Dolo de terceiro – art.. maravilhoso. Tal violência pode ser materializada de duas formas: violência física ou absoluta e violência moral ou relativa. autor do engano intencional. Não sendo o dolo de terceiro (Mario) ele conhecido pelo beneficiado (joalheiro) dará lugar a uma indenização (perdas e danos). Assim.150 Princípio basilar do Direito: “A ninguém é dado alegar a própria torpeza para dela tirar proveito”. . diante da violência física o ato inexiste.. o dolo de terceiro. encontra-se com seu amigo João e lhe diz:. Nos termos do art. b) Dolo do representante legal só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. Coação – art.. 148 Mário.. 1ª parte. Se ambas as partes procederam com dolo. não há boa-fé a defender. não comprei porque não tinha dinheiro. mui amigo). João vai até a joalheria e adquire o relógio. Conclusão= um dolo anula o outro. – art. sob pena de sofrer uma conseqüência danosa.Vi na joalheria um relógio de ouro. c) Dolo do representante convencional (contrato de mandato) – o representado responde solidariamente com o representante. como vício de consentimento. ou seja. 3. A violência física significa ausência de vontade. a coação. parte final. exige o conhecimento de uma das partes contratantes. ou seja. ao sair de uma joalheria. contra o terceiro (João. Se ambas as partes procedem com dolo. – art. para acarretar a anulabilidade do negócio jurídico. 148. nenhuma delas pode alegar o dolo da outra para anular o ato. a chamada violência moral ou psicológica. ou reclamar indenização. inexistindo o ato. deve ser entendida como toda e qualquer pressão exercida sobre um indivíduo para determiná-lo a concordar com o ato. ou seja. preço campeão. por parte da vítima (João). haja vista que se houver violência física não haverá manifestação da vontade. CC. sendo que o comprador escondeu maliciosamente o fato de ter 17 anos de idade. 149. A coação exige a presença de violência na sua forma relativa. Ex: o vendedor induziu o comprador a comprar gato por lebre. alguém é obrigado a manifestar a vontade. 149. O dono da loja não tem conhecimento da conversa entre os amigos.. e) Dolo bilateral – art. 151: A coação está ligada à palavra violência.

analisado caso a caso.constrangimento -. Se uma determinada situação será ou não considerada como grave.3. . 154 do CC. Fraude contra credores – art 158: Segundo Sílvio Rodrigues. Ameaça injusta – a ameaça deve ser injusta. ou seja. A legislação brasileira exige para a caracterização da fraude contra credores. não podendo ser pretérita. A ameaça de prejuízo pode se voltar contra a própria pessoa que manifesta a vontade. dependerá da análise das situações particulares da pessoa ameaçada. ainda. a intenção de afastar os efeitos da cobrança. a. quer por ter sido praticado quando tal estado já existia. nos termos do art. não se considerará como tal a ameaça que consiste em exercício regular de um direito – art. 153. contra outras pessoas próximas (familiares) ou. inexiste a causalidade.1. deve haver ligação causal entre a violência psicológica e a vontade declarada. quer por levar o devedor ao estado de insolvência.5. não caracteriza-se como ameaça) a. 152. Assim como no caso do dolo. existir. a. o juiz. 4. a coação deve provocar temor que viciará a vontade. Ameaça atual e iminente – a ameaça deve estar por acontecer. reduzindo desse modo a garantia que ele (patrimônio) representa para resgate de suas dívidas. a.4. em relação a determinados bens. ou seja. ou seja. parte final.a) Pressupostos da Coação – art. ainda. isto é. com base.2. desde que não seja em público . Importante: o temor referencial (receio de desgostar os pais ou obediência aos superiores na relação empregatícia). ou seja. Causa do ato – o primeiro requisito para a configuração da coação é a relação de causalidade. Conforme art. excluindo-se a violência moral (causa) e assim mesmo ocorre a manifestação da vontade. pratica atos suscetíveis de diminuir seu patrimônio. b) Coação de terceiro – O ato que vicia a vontade pode ser do próprio interessado em viciá-la ou por conta de terceira pessoa. não gera a coação moral – art. Desta forma. Se a coação se der em relação a pessoa não pertencente à família do coagido. a presença de um ato capaz de prejudicar o credor. ou seja. 151 a. 153 (ex: o locador ameaça cobrar os alugueres atrasados do inquilino. a má-fé. Deve. Justo receio de prejuízo – o prejuízo deve ser mais ou menos proporcional à manifestação da vontade. ou na iminência de tornar-se insolvente. deve ser utilizado o raciocínio da exclusão. a coação praticada por terceiro só vicia o ato se for do conhecimento da parte a quem aproveita. nas circunstâncias. decidirá se houve coação. a ameaça de mal injusto deve ser revestida de gravidade suficiente. o critério é concreto. Assim. oriunda de atos de transmissão a título oneroso. Violência moral grave (considerável) – a pressão psicológica deve ser grave. em regra. a fraude contra credores ocorre quando devedor insolvente. nem futura.

de grave dano conhecido pela outra parte. O prazo decadencial para se pleitear a anulação do negócio jurídico. Exemplos de negócios jurídicos celebrados em estado de perigo: Alguém que. Em se tratando de compra e venda – negócio jurídico oneroso. Se o negócio jurídico é gratuito. para pagar uma cirurgia urgente de pessoa da família. configura-se estado de perigo quando alguém. etc. Conteúdo : Dos defeitos dos negócios jurídicos – final. ou salvar pessoa de sua família. Título : MÓDULO 4 .final. 171. não se questiona a presença de quaisquer requisitos. tendo seu filho seqüestrado. conforme disposto no art. Estado de Perigo – art. premido pela necessidade de salvar-se. O parágrafo único dispõe que em se tratando de pessoa não pertencente à família do declarante. a doação pode ser anulada. vende seu carro ou sua casa por preço vil. em perigo de vida. nos quais pode ser dar a fraude contra credores. 156 Conforme disposto no art. é de quatro anos. . o juiz decidirá segundo as circunstâncias. vende jóias a preço muito inferior ao do mercado para pagar o resgate. ou seja. • Requisito objetivo = eventus damni – qualquer ato prejudicial ao credor por tornar o devedor insolvente ou por ter sido praticado num estado de insolvência. do dia em que se realizou. o doente que. nos termos do art.Exemplo: a doação e a compra e venda são dois negócios jurídicos bilaterais na formação (contratos).Dos defeitos dos negócios jurídicos . é necessária a presença de dois requisitos: • Requisito subjetivo = consilius fraudis – má fé – o devedor e a 3ª pessoa (comprador) devem ter a intenção de prejudicar os credores. II. 156. 178. o pai que. O negócio jurídico efetivado em estado de perigo pode ser anulado. 5. II. paga honorários exorbitantes ao médico cirurgião para salvá-lo. A doação pura é negócio jurídico gratuito e a compra e venda é negócio jurídico oneroso. assume obrigação excessivamente onerosa.

6. o prejuízo que uma das partes sofre na conclusão de um contrato comutativo. A simulação é uma declaração enganosa da vontade. visando produzir efeitos diversos dos ostensivamente ostentados. que não haverá decretação da anulação do negócio. § 2º). Diante de tal situação procura outro imóvel. 157. Diante da necessidade de ter onde morar e abrigar sua família. O prazo decadencial para a anulação do negócio jurídico celebrado com o defeito da lesão é de quatro anos. não se configura o defeito de consentimento. § 1º. II) ou a possibilidade da parte favorecida concordar com a redução do proveito (art. 157 Nos termos do art.166 ao art. Saliente-se que o defeito do negócio jurídico decorrente da lesão dispensa a verificação do dolo da parte que tirou proveito com a lesão. Contudo. Dispõe o art. 171. o locador pode concordar em diminuir o aluguel.178. a outra parte deve ter conhecimento do estado de perigo. mas o declarante deve acreditar que seja. ____________________________________________________________//_____________________ _____ Obs. O perigo pode não ser real.167 No novo Código Civil. ou entendê-lo como não sendo grave. 157. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. ocorre a lesão quando uma pessoa assume ônus desproporcional. 157. obtém lucro exorbitante ou desproporcional ao proveito da prestação. .: Da Simulação . § 2º. Exemplo: Uma pessoa encontra-se prestes a ser despejada do imóvel onde reside na qualidade de locatário. cujo proprietário cobra um aluguel muito elevado. perdendo a noção do justo valor da locação é levada a efetivar o contrato de locação que lhe é desfavorável. aproveitando-se da situação. Conforme art. A regra ordena a anulabilidade do ato negocial (art. em razão da desproporção existente entre as prestações dos contraentes. passando a ser considerada como causa de nulidade absoluta. sendo que uma das partes. pois. 157.Para que exista possibilidade do negócio jurídico ser anulado. ou seja. conforme disposto no art.Causa de Nulidade: art. abusando da premente necessidade ou inexperiência da outra parte. No exemplo acima. contados da data da celebração do contrato. se for oferecido suplemento suficiente. A lesão é. uma pessoa se obriga a uma prestação manifestadamente desproporcional ao valor da prestação oposta. por necessidade ou inexperiência. a simulação é retirada do Capítulo relativo aos defeitos dos negócios jurídicos. tal pessoa. a proporção deverá ser apreciada segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. havendo perigo real e a pessoa o ignorar. II. Lesão – art.

Espécies: condição. 121. Introdução Além dos elementos essenciais. Licitude: o elemento acidental deve ser lícito. O elemento acidental não pode ser da essência do negócio jurídico. Exemplo: incabível uma doação de uma casa com o encargo de se construir um prostíbulo. Tais elementos acidentais somente são admitidos nos atos jurídicos de natureza patrimonial. uma vez que é da essência do negócio jurídico da compra e venda de imóveis (forma prescrita em lei – art. excepcionalmente. 4. São considerados. Trata-se de eficácia. introduzidos pela vontade das partes. maior ou menor possibilidade que um ato tem de produzir efeitos jurídicos. pode este conter outros elementos meramente acidentais. . 4. termo.3. derivando exclusivamente da vontade das partes. 3. Ex: a venda de um terreno somente produzirá efeitos após a lavratura da escritura pública e do competente registro no Cartório de Registro de Imóveis.1. Vontade: o elemento acidental exige. cláusulas acessórias que introduzidas no negócio jurídico modificam os efeitos que normalmente produziriam. e não podem ser inseridos em atos jurídicos de caráter extrapatrimonial.1. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”. termo e encargo (ou modo) 4.Termo art. a manifestação da vontade das partes (negócio jurídico bilateral na formação) e.1. Exemplo: o reconhecimento de um filho não admite condição. encargo.Título : MÓDULO 5: Das modalidades (elementos acidentais dos negócios jurídicos) condição. Tal cláusula não é elemento acidental. Requisitos 3.2. a manifestação de apenas uma vontade (negócio jurídico unilateral na formação). 104. Os elementos acidentais também são conhecidos como modalidades dos negócios jurídicos. pois. Conteúdo : Das modalidades (elementos acidentais dos negócios jurídicos) Condição – Encargo . uma vez que modificam os efeitos normais dos mesmos. com algumas exceções. 121 – ao art. 3. A condição condiciona a eficácia de um ato a um evento futuro e incerto. Conceito Elementos acidentais são aqueles que não sendo indispensáveis para a constituição do negócio jurídico podem existir para alterar as conseqüências jurídicas que ordinariamente resultariam. Requisitos da condição: futuridade e incerteza. Condição – art.1. CC “Considera-se condição a cláusula que. que constituem requisitos de existência e de validade do negócio jurídico. 3. 2. ou seja. 137 1. III). em regra.

tem-se por inexistente. 122) São lícitas. não sendo vedada. Se for impossível e resolutiva. Por sua vez.2. Ex: Se você for ao Japão te dou meu carro. . A condição potestativa pode ser: puramente potestativa (art. em geral. Aqui de trata de uma restrição absoluta.2. A condição é fisicamente impossível e resolutiva.) Condição mista – É aquela que depende da vontade de uma das partes. tida como não escrita. a uma situação externa. do alheio ou do fortuito. b) Quanto à licitude (art.1. 123 e 124) A condição deve ser jurídica e fisicamente possível. portanto. Ex: Dar-te-ei um carro se chover durante 2 meses. e) Quanto ao modo de atuação: suspensiva e resolutiva e. parte final) ou simplesmente potestativa. Exemplo de condição puramente potestativa (VEDADA): O contrato de locação será renovado se o locador assim o quiser. o imóvel do casal foi doado aos filhos. Entretanto se a restrição for relativa. d.1.2. 122. Dar-te-ei um carro se você matar fulano. O negócio a ela subordinado permanece. a condição é lícita – “só poderá continuar morando no imóvel se não se casar com Pedro”. sendo que a mulher ficou com o usufruto. Entre as condições proibidas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. Quanto à participação da vontade (ou quanto à fonte) d. haja vista que deve nascer da vontade das partes ou de apenas uma vontade.) Condição causal – O implemento da condição depende do acaso. A condição é juridicamente impossível e suspensiva. todas as condições as quais a lei não vedar expressamente. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. Exemplo: Num processo de divórcio. Exemplo de condição simplesmente potestativa (PERMITIDA): O contrato de locação será renovado se não se encontrar outra casa nas mesmas condições. a condição puramente potestativa depende exclusivamente do arbítrio de uma das partes. a condição simplesmente potestativa depende um pouco da vontade e subordina-se. e invalida o ato jurídico a ela subordinado. d. invalida o negócio a ela subordinado. Assim. 125).3. os efeitos do negócio jurídico subordina-se à vontade de uma das partes que pode impedir ou permitir sua ocorrência. também. Se tiver a seguinte condição “só poderá continuar morando no imóvel se não se casar de novo”. ela é considerada ilícita. Depende da vontade e também da situação financeira. sendo vedada. Classificação das condições: a) Quanto à possibilidade (art. ou seja. mas não usual. sem tirar os pés do chão. bem como da verificação de uma outra situação qualquer. Trata-se de condição válida. c) Quanto à natureza A condição não pode ser necessária à existência ou validade do negócio jurídico e deve ser voluntária.4. Exemplos: Dar-te-ei um carro se tocar a lua com os dedos. Se for impossível e suspensiva.) Condição potestativa – Decorre da vontade de uma das partes.) Condição suspensiva – Necessária a ocorrência de um evento futuro e incerto para que o negócio produza seus efeitos (ou tenha eficácia)O direito não será adquirido enquanto não se verificar a condição suspensiva (art.

É a cláusula acessória que tem por finalidade limitar a liberalidade. quer por impor uma contraprestação. os efeitos retroagem à data da constituição do negócio jurídico. 131).3. Saliente-se também que existe a possibilidade da ocorrência do termo de graça.) Condição resolutiva – A condição resolutiva extingue ou resolve o direito transferido pelo negócio. O prazo engloba os dois termos – inicial e final.2. denominado termo convencional. o negócio jurídico se extingue ou resolve. ou seja. Difere da condição. em regra. pois esta suspende o exercício e a aquisição do direito. Prazo: é o período de tempo transcorrido entre a manifestação da vontade e o advento do termo. o dia do início ou do fim de sua eficácia. em favor do devedor. O termo inicial suspende o exercício. Saliente-se. o encargo não impõe gravame à aquisição e ao exercício do direito.131 Por termo endente-se o início ou o fim da eficácia de um negócio jurídico. 4. ainda que o encargo pode ser exigido. mas não a aquisição do direito (art. Em se tratando de relação jurídica obrigacional. o negócio produz seus efeitos (tem eficácia) até o implemento do evento futuro e incerto (art. ou seja. O termo só protela o exercício do direito. denominadotermo legal. aberta a sucessão. Civilmente falando. Entretanto este rigor é afastado em duas situações: ingratidão do donatário e não implemento do encargo pelo donatário. a posse e o domínio são transmitidos desde logo aos herdeiros. Importante: o implemento da condição suspensiva produz efeitos ex-tunc. também denominados de liberalidades. a condição resolutiva produz efeitos ex-nunc. a contagem do prazo exclui-se o dia do começo e inclui-se o dia do fim do ato jurídico. ocorrido o evento futuro e incerto. cuja característica é a irrevogabilidade. estará automaticamente prorrogado para o dia seguinte. O termo é um evento futuro e certo. quer por impor o destino do objeto da relação jurídica. a liberalidade poderá ser revogada.Da Invalidade do Negócio Jurídico . com a obrigação de cumprir o encargo a eles imposto. O encargo é cláusula acessória comum nos negócios jurídicos gratuitos. 4. o não cumprimento do encargo pode gerar a revogação da doação modal. Encargo (ou modo) – art 136 e 137. Assim. 127). a partir do implemento da condição. Assim. Caso o dia do termo final caia em feriado ou dia não útil. Desta forma.2. Exemplo: a doação é um típico contrato unilateral nos efeitos. Diferentemente da condição suspensiva e do termo inicial. Título : MÓDULO 6 (1ª parte) . Por sua vez. o prazo é fixado. que consiste na dilação do prazo concedido pelo credor ao devedor. Termo – art. ou da vontade da lei. O termo pode nascer da vontade das partes.e. Caso o encargo não seja cumprido. ou seja. O termo inicial ou suspensivo é denominado Dies a quo e o termo final ou resolutivo é denominado Dies ad quem.

Todo negócio jurídico deve apresentar os requisitos essenciais gerais (art. . 171 ao 184 = nulidade relativa 3. ou seja.Quem pode alegar as nulidades? a) b) nulidade absoluta: qualquer pessoas. passando a valer desde a sentença. é a declaração legal de que a determinados atos não se prendem os efeitos jurídicos normalmente produzidos por atos semelhantes. há necessidade de provimento judicial (processo). Logo. Pergunta: Qual a consequência da inobservância de algum dos requisitos essenciais do negócio ou do ato jurídicos? Resposta: Nulidade absoluta (nulidade) ou nulidade relativa (anulabilidade). que determina a privação dos efeitos jurídicos do negócio praticado em desobediência ao que se prescreve. Espécies Art. A declaração da nulidade absoluta ou da relativa depende de manifestação do poder judiciário (sentença). a nulidade vem a ser a sanção.Conteúdo : Da Invalidade do Negócio Jurídico O negócio jurídico é um ato de vontade que produz os efeitos na ordem civil. 1. 2ª parte. Sentenças e seus efeitos A sentença decorrente da ação de nulidade absoluta é declaratória e os efeitos são extunc. Os requisitos naturais são implícitos e requisitos acidentais são inseridos para modificar os efeitos do ato jurídico. Conforme Maria Helena Diniz. retroagem desde a celebração do negócio jurídico. 4. A ratificação só é possível em se tratando de nulidade relativa (relativamente incapaz e vício de consentimento) . Os efeitos passados (da celebração do negócio até a sentença) são mantidos. 2. em sentido amplo. o Ministério Público e o Juiz (pode conhecer de ofício) – 168 e parágrafo único nulidade relativa: somente as partes interessadas podem alegar. não retroagem. 166 ao art. Conceito Nulidade. o representante legal também pode alegar. 104. 5.art. imposta pela norma jurídica. Os efeitos da sentença declaratória são extunc e erga omnes. Os efeitos da sentença constitutiva são ex-nunc e relativos entre as partes. Se o sujeito for incapaz. A sentença decorrente de ação de nulidade relativa é constitutiva e os efeitos são exnunc.Ratificação A ratificação é a renúncia da parte em buscar a nulidade do ato praticado com a inobservância dos requisitos legais. CC) e especiais (respectivos a cada espécie de negócio jurídico). 171 = nulidade absoluta Art. 177 .

Prescrição e decadência Nulidade absoluta = ação imprescritível. Ato inexistente Um ato é inexistente quando desprovido dos elementos mínimos para a estrutura do atos. etc). Garantir a autenticidade do ato. A rigor o negócio pode ser anulado. 1. 1.1.Forma e Prova do Ato Jurídico Conteúdo : Forma e Prova do Ato Jurídico Forma 1. 3. 179 – prazos decadenciais para se pleitear a anulação de negócios jurídicos. Só será exigida forma especial quando o negócio jurídico assim o exigir (art. 180 . que se devem observar para que a declaração da vontade tenha eficácia jurídica.2. Ex: O caso é a união de duas pessoas de sexos diversos.3. I. Facilitar a prova. 166. Título : MÓDULO 6 (2ª PARTE) . Casamento de pessoas do mesmo sexo é ato inexistente. Outro ex: Brincar de casar: juiz de paz falso. CC). Há necessidade de dolo do menor. janelas não aberta.2. salvo atos e negócios jurídicos que possa (por determinação legal expressa) praticar independentemente de assistência (ex: ser testemunha. Assegurar a livre manifestação da vontade. etc. 3.A ratificação pode ser expressa (manifestada de forma clara) e tácita (ex: O filho de 17 anos faz um negócio sem assistência do pai. 2. Art. IV. 178. não habilitação. a forma consiste na maneira pela qual a vontade se exterioriza no sentido de conseguir a produção de efeitos jurídicos. por instrumento público ou particular. Caso o negócio jurídico exija forma especial a mesma deve ser observada sob pena de nulidade (art. votar. = ato inexistente. Conceito Forma é o conjunto de solenidades. 3. Assim. 1. Regra = forma livre Vigora a liberdade de forma. verbal ou escrita. . 3. Porém se o pai começar a pagar as prestações do filho.A proteção que o Código dá ao relativamente incapaz não incide se o menor oculta sua idade quando requerido pela outra parte. CC). 104. ocorre a ratificação tácita = renúncia em se buscar a anulabilidade do negócio). Incapazes O relativamente incapaz pode praticar atos da vida civil. Finalidades da observância da forma 3. ou quando espontaneamente esconde a idade. Chamar a atenção das partes para a seriedade do ato jurídico. Nulidade relativa = art. desde que assistido.II e III e art.

212 e seguintes) e no Direito Processual Civil(art. somente esta prova a existência do negócio jurídico. Forma especial ou solene • a forma especial pode ser única ou plural (ex: a fundação pode ser instituída por escritura pública ou testamento – art. 4. ou seja. 1. CPC). Forma livre: a vontade pode ser exteriorizada através de qualquer modo ou meio. Se a forma for livre. vale a vontade das partes expressa na cláusula contratual. Forma ad probationem tantum: a princípio a vontade poderá ser materializada sem a observância de qualquer forma. 4.1.2. Pode ser: Judicial (no processo) Extrajudicial (fora do processo) . Como provar o alegado? Resposta: valendo-se de todos os meios em Direito admitidos. podem ser utilizados todos os meios de prova. mas esta é necessária como elemento de prova. que é determinar a existência de um negócio jurídico para buscar a produção de seus efeitos. se um ato reclama escritura pública. o negócio jurídico que não requer forma especial pode ser instrumentalizado por forma livre. contrário ao seu interesse e favorável ao adversário (art. Espécies de forma 4. Confissão Ocorre a confissão quando a parte admite a verdade de um fato. 62. legalmente.1. Entretanto. 332 e seguintes do CPC). O Direito Processual Civil estabelece as formas pelas quais os meios de prova ocorrem no processo. Conceito É o conjunto de meios empregados para demonstrar. Requisitos dos meios de prova: a) b) c) Devem ser admissíveis (inadmissibilidade das provas ilícitas) Devem ser pertinentes (idôneas para demonstrar os fatos relacionados com a questão) Devem ser concludentes (devem chegar a um resultado. Isto significa que a prova nada mais é do que um meio para se atingir um fim. • Prova 1. ela é a forma de prova. CC) 4. Entretanto. se as partes estipularem que o negócio jurídico deve ser exteriorizado por instrumento público. a existência de um negócio jurídico.4. 5. a vontade somente produzirá efeitos se for exteriorizada com a observância da forma exigida (ex: compra e venda de imóveis). A matéria relativa à prova é estudada no Direito Civil (art. Meios de prova 5. Sempre que o negócio jurídico reclamar forma especial. Forma contratual: a rigor. qual seja. • Forma ad solenitaten: é aquela onde a forma se apresenta como sendo da essência do ato. 348.3. esclarecer pontos controvertidos ou confirmar alegações feitas).

telegramas. Prova por presunção – art. Parágrafo único: Para a prova de fatos que só elas conheçam . . CC. instrumentos Documentos não são instrumentos públicos ou particulares. translados. Art. A confissão é irrevogável. 5. CPC. declaração da vontade e objeto possível (não vale a confissão a respeito de direitos indisponíveis – art. CC.Espontânea Provocada Expressa Presumida (revelia – 302 e 319. a confissão de um cônjuge não valerá sem a do outro – at. os cônjuges. As testemunhas podem ser instrumentárias (assinam documento) ou judiciárias ( prestam depoimento em juízo) O artigo 228. os descendentes e os colaterais. por consangüinidade. 5. CC. Requisitos dos instrumentos públicos – art. Os instrumentos são espécies de documentos com a finalidade de servir de meio de prova (Ex: escritura pública. os cegos e surdos. Documento – público ou particular Documentos Públicos são elaborados por autoridade pública. 230. 351. CPC). ou afinidade. 350. aqueles que. 214.4. Único do CC). através de seus representantes).LEIA-OS! LEIA TODOS OS ARTIGOS REFERENTES A DOCUMENTOS – ART. quando a ciência do fato que se quer provar dependa dos sentidos que lhes faltam IV. o amigo intimo ou o inimigo capital das partes V. instrumentos). 5. por enfermidade ou retardamento mental. 226. CC elenca em seus incisos quais as pessoas que não podem ser admitidas como testemunhas: I. Se a ação versar sobre bens imóveis. 215 AO ART. os menores de 16 anos II. Ex: cartas. 227 e seguintes cc. CPC ) Elementos essenciais: capacidade da parte (213 e par. – art. Estes são espécies de documentos. dolo ou coação. mas pode ser anulada se decorreu de erro. o interessado no litígio. 400 a 419. parágrafo único. no exercício de suas funções (certidões. até o terceiro grau de alguma das parte4s.2. os ascendentes. Particulares são documentos elaborados por particulares (pessoas naturais ou jurídicas. pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo. 215. não tiverem discernimento para a prática dos atos da vida civil III.3 Prova testemunhal – art. letra de câmbio). parágrafos e incisos.

846 a 851). possessórias. 1601. Vistoria = trata-se de perícia restrita à inspeção ocular (comum nas ações demarcatórias. A norma jurídica é o instrumento do Direito. Se a conduta está em conformidade com a norma. não se admite prova em contrário e presunçãorelativa. 232. Perícia – 231 e 232. As presunções podem ser legais (juris) ou comuns (hominis). para auxiliar o juiz a formar a sua convicção (ex: exame grafotécnico. Tal vistoria é denominada ad perpetuam rei memoriam. ou seja. o ato é jurídico. 420. poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame – art. Tal presunção pode ser afastada mediante ação negatória de paternidade. O Direito é um meio de organizar (ou controlar) a vida do ser humano em sociedade através da (s) norma (s) jurídica (s). uma vez que o credor só entrega o título ao devedor se este pagar a dívida (a presunção é relativa. Diferenciação entre antijuridicidade e ilicitude.5. por peritos. (art. Importante: A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz (ex: não se submeter ao DNA na investigação da paternidade). Logo. antijurídico é o ato que está em desconformidade com a norma jurídica regedora da conduta. Outro exemplo de presunção absoluta: Se o devedor insolvente der garantia de dívida a algum credor. CC – o filho nascido na constância do casamento presume ser do marido. há presunção absoluta do seu conhecimento por parte de todos. Título : MÓDULO 7 . Art. Pode ocorrer perícia destinada a perpetuar a memória de certos fatos que são transitórios (ex: marcas de carros ou de sapatos na lama). Saliente-se que um ato pode ser antijurídico. admite-se prova em contrário. CC cc. CPC O Código de Processo Civil trata de dois meios similares de prova: exame e vistoria. 163).Atos Ilícitos Conteúdo : Atos Ilícitos 1. Ela diz como DEVE SER a conduta. DNA). que são espécies de provas periciais. presume que é fraudatória ao direitos dos outro credores – (art. pois admite prova em contrário).A presunção é um raciocínio lógico que se parte de um fato conhecido para outro desconhecido.). regulada no capítulo de produção antecipada de provas do CPC. 135:315)”. mas nem por isso ser ilícito. . Exemplo de presunção absoluta: uma vez publicada a lei. gera a presunção de veracidade das alegações postas na exordial (RSTJ. O STJ já decidiu: “a recusa do investigado em submeter-se ao exame de DNA. Exame = apreciação de alguma coisa. Exemplo: a posse do título de crédito pelo devedor faz presumir que o pagamento foi feito ao credor. 3º da LICC. 5. As presunções legais podem ser: absoluta. Outro exemplo de presunção relativa: art. aliado à comprovação de relacionamento sexual entre o investigado e a mãe do autor impúbere. etc. ar.

ou seja. ou seja. dano e nexo causal entre o dano e a culpa. 186: Aquele que. negligência. 2.A antijuridicidade deve ser analisada sob dois enfoques: a) Enfoque objetivo da antijuridicidade Objetivamente. por ação ou omissão voluntária. Ilícito Civil e Ilícito Penal Em tese. A avulsão decorre de uma força natural violenta que aumenta o curso d’água de um rio. O ato é tão somente antijurídico. 1251. . então. mas não produz dano ou viola direito subjetivo. Enfoque subjetivo da antijuridicidade O agente sequer praticou uma conduta. lesa direito subjetivo de outrem. Este deve obedecer a certas formalidades legais. seu ato está em DESCONFORMIDADE com a norma e é. Diz a norma da avulsão que o proprietário do terreno onde se agregou a porção de terra (aquisição da propriedade imóvel) deve aquiescer com o proprietário que perdeu a terra no sentido deste último poder retirá-la ou. INDENIZAR o proprietário prejudicado. No ilícito penal. Art. a diferenciação feita pelo Direito reside na tutela do bem jurídico violado e também na conseqüência (sanção). qual seja a responsabilidade contratual. Ressalte-se que os terrenos pertencem a donos distintos. Se o testador não cumprir com as exigências legais. b) indenizar. portanto. não há diferença entre o ilícito civil e o ilícito penal. Para tanto se vale do testamento. O ato antijurídico é considerado ilícito quando pessoa capaz de entender e querer. Assim. Nesta hipótese existe uma relação jurídica obrigacional entre as partes (relação jurídica originária). sendo que o interesse lesado é o da sociedade. é nulo. qual seja reparar o dano causado à vítima. a violação do dever jurídico absoluto determinado pela norma jurídica. a obrigação de reparar o dano. não violou direito subjetivo. ainda que exclusivamente moral. Saliente-se que o ato ilícito pode também se caracterizar como a violação de um dever jurídico relativo. cuja conseqüência jurídica é a mesma da responsabilidade extracontratual: reparar o dano causado. ou imprudência. Mas o testador não praticou ato ilícito. CC. Ex: Alguém deseja transmitir algo (após a sua morte) para uma pessoa. portanto. causando-lhe dano suscetível de avaliação pecuniária. Entretanto. comete ato ilícito. violando norma jurídica por ação ou omissão culposa (sentido lato). que traga prejuízo a alguém se configura como ilícito civil capaz de gerar uma obrigação. O ato ilícito reclama culpa (em sentido lato). antijurídico. Não há. A avulsão é um fato jurídico strictu sensu (independe da vontade humana) e que provoca a aquisição da propriedade imóvel para uma pessoa em decorrência da perda da propriedade imóvel para outra pessoa. O art. haja vista. ser um ato solene (negócio jurídico unilateral na formação). fazendo com que uma porção de terra de um terreno situado à margem do rio se desloque e se agregue a um outro terreno situado na margem oposta. a conduta viola preceitos ordinatórios. O eventual descumprimento obrigacional voluntário (absoluto ou relativo – mora) consiste num ato ilícito que faz nascer outra relação jurídica derivada. trata da avulsão que é um meio de aquisição da propriedade imóvel. decorrente da vontade humana. o agente infringe uma norma de direito público. mas devido à imposição da norma é obrigado a Ex. nem produziu dano. violar direito e causar dano a outrem. A conseqüência é uma só: o testamento não produz efeitos.

63. ambos residentes na cidade de Indaiatuba. o art. para efeito da reparação do dano. motociclistas. do Código Penal. um dos motociclistas. 2. seu representante legal ou seus herdeiros. Por conta do acidente. e o prejudicado pode ou não pleitear a reparação. poderão promover-lhe a execução. Por sua vez. 584. estudantes. do Código de Processo Penal: Transitada em julgado a sentença condenatória. 91. 942). a prática de um ilícito penal gera a responsabilidade penal. Assim. Saliente-se que a prática de um mesmo ato ilícito pode ser analisada sob o prima civil e penal. no juízo cível.é meio caminho andado para se buscar a reparação do dano. de qualquer modo. Qual a influência da sentença proferida na jurisdição criminal no juízo cível? E vice-versa. I. o art. ainda: pena é pessoal e não passa da pessoa do agente que praticou o crime. faleceu. Lembre-se: a morte do agente. do Código de Processo Civil preceitua: a sentença penal condenatória transitada em julgado é título executivo judicial. Sentença civil – um mesmo ato ilícito pode ser praticado por mais de uma pessoa = solidariedade legal (Parágrafo único do art.1. cada qual nas casas de seus respectivos pais. uma vez ser desnecessário. Importante: Sentença criminal – um mesmo crime pode ser praticado por duas pessoas = coautoria (art. gerando duas conseqüências: uma de natureza civil (reparação do dano) e outra de natureza penal (pena). cada um dirigindo a sua moto. amigos. Por sua vez. . concorre para o crime. restou completamente danificado. A responsabilidade penal e a responsabilidade civil proporcionam as respectivas ações (ação penal e ação civil). II. na esfera criminal. os jovens. Desta forma. na esfera cível. na cidade de Campinas. E mais. a sentença penal condenatória transitada em julgado – título executivo judicial . Recorde-se. incide nas penas a este cominadas. vieram a colidir com um automóvel da marca Fiat – modelo Uno. que trata de um dos efeitos genéricos da condenação. A ação penal é exercível pela sociedade (representada pelo Estado) e tende à punição.1. no juízo cível. Roberto responde penalmente (tem 19 anos e é imputável) e civilmente. Vamos exemplificar? Ricardo (17 anos de idade) e Roberto (vinte anos de idade).No ilícito civil. na medida de sua culpabilidade). Sentença Penal Condenatória Reza o art. o interesse diretamente lesado é o privado. o processo de conhecimento para se buscar a constituição de um título executivo judicial. 935. qual a influência de uma sentença proferida na jurisdição civil no juízo criminal? Em regra. I. 91. 29. A prática de ilícito penal gera uma conseqüência = pena (sanção penal). 107. Ao retornarem para sua cidade de origem. A ação civil é exercível pela vítima (ou seus representantes) e tende à reparação. São efeitos da condenação: I – torna certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime Ressalte-se que o art. de sua propriedade. há a determinação legal da solidariedade em se tratando de responsabilidade civil. determina: Art. Entretanto. O ocupante do Uno sofreu ferimentos graves e o carro. Na festa beberam além da conta. Código Penal: Quem. 1ª parte: A responsabilidade civil é independente da criminal. Ricardo. do Código Penal. participaram de uma despedida de solteiro de um amigo comum.1. a prática de um ilícito civil gera a responsabilidade civil. é causa extintiva da punibilidade – art. o ofendido. A prática de ilícito civil gera uma conseqüência que é a obrigação de reparar o dano causado à vítima. em regra. 2. porém a sentença criminal produz efeitos na jurisdição civil. CC. a sentença proferida no juízo cível não produz efeito na jurisdição criminal.

resolveu acionar. em decorrência de um boletim de ocorrência. Excludentes de ilicitude Reza o art. e incisos que não constituem atos ilícitos: os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. faz coisa julgada no juízo cível e NÃO se pode ingressar com ação de reparação de dano. O julgamento penal improcedente por falta de provas. a sentença penal absolutória que se fundamentou em prova de que o crime inexistiu ou em prova de que o réu não era o seu autor. O art. O art.1. No juízo cível. Código Penal. a deterioração ou destruição da coisa alheia. 2. II. pelo delegado. Com base no inquérito. 3. bem como entre os seus herdeiros. . também não impede a ação civil de execução visando a reparação dos danos causados pela tentativa ou consumação do crime doloso contra a vida. 107. Manoel dirigiu-se a delegacia e. Vamos exemplificar? José e João trabalhavam por dez anos na farmácia de propriedade de Manoel. ou seja. a legítima defesa.5. diz: A responsabilidade civil é independente da criminal. Sentença criminal absolutória por não existir prova de ter o réu concorrido com a infração penal. I. finda a instrução no processo criminal.4. 935. 2. É possível tal ação? Resposta: SIM. sabendo que Roberto não tinha rendimentos e. Motivo peculiar ao Direito Penal A morte do autor do crime produz a extinção da punibilidade – art. CC. os bens do responsável solidário ficam sujeitos à reparação do dano.1. CC estabelece em repetição ao determinado pelo Código Penal. foi instaurado. CC. 932. o jovem motociclista que tinha falecido no acidente. o exercício regular do direito e o estado de necessidade. um inquérito policial. a obrigação opera-se entre as partes.Entretanto. 942. Ocorre que. Logo. transitada em julgado. parágrafo único cc. ou quem seja o seu autor. Numa determinada ocasião. porém. ou a lesão a pessoa.3. Sentença condenatória proferida pelo Tribunal do Júri. A vítima acionou o pai de Ricardo com fundamento no art. 2. não se poderá. I. uma ação de reparação. a fim de remover perigo iminente. a vítima do acidente. quando estas questões se acharem decididas no crime. civilmente. questionar mais sobre a existência do fato. não impede a reparação cível. o digno representante do Ministério Público denunciou José e João pela prática de furto qualificado. Por conta desses fatos. Se a responsabilidade for contratual. no qual havia afirmado suspeitar que o estoque da segunda farmácia lhe pertencia. causas que excluem a ilicitude do fato. José e João “pediram a conta”: desligaram-se da farmácia. mais. Manoel percebeu que o estoque de medicamentos vinha diminuindo sem que tivessem sido vendidos. Um belo dia. no juízo cível. 2. que seus pais tinham pouquíssimos bens. pois na ação civil de conhecimento poderá haver a produção de provas.2. Sentença penal absolutória fundamentada em prova da inexistência do crime ou da autoria faz coisa julgada no juízo cível.1. 188. associaram-se e resolveram abrir uma nova farmácia. O juiz inviabilizou que Manoel pleiteasse.1. 188. o pai ricaço de Ricardo. I. o juiz absolveu os réus por inexistência do crime.

1638 – Destituição do poder familiar devido ao castigo imoderado. b) anulabilidade do negócio jurídico feito sob coação (art. Assim como entre nossos doutrinadores. em conseqüência do não uso dela. Art. etc. 940 – cobrança de dívida já paga.Prescrição e Decadência Conteúdo : Prescrição e Decadência 1. Câmara Leal: “Extinção de uma ação ajuizável. Abuso de Direito – art. Seguindo essa linha. 939 – cobrança de dívida antes do vencimento (fora dos casos legais) Art. alguém que destruiu coisa alheia. Vários são os artigos que reprimem o abuso de direito em nosso Código: Art. 188. Art. fica sem ação para assegurá-lo”. (art. se dolosamente a ocultou. 1637 – Suspensão do poder familiar decorrente de abuso de autoridade dos pais (ou de um deles). assim como o medieval. ao abandono dos filhos. 1277 – uso anormal da propriedade. pela boa-fé e pelos bons costumes.II). c) Invocação da idade por menor relativamente incapaz. poderá ser obrigado a reparar o dano. como o efeito do transcurso do prazo .. em conseqüência. ao exercê-lo. faltando aos deveres ou arruinando os bens dos filhos. Assim. pode ser que mesmo para remover perigo. durante determinado espaço de tempo”. do seu titular. Pontes de Miranda: “Exceção que alguém tem contra o que não exerceu durante um lapso de tempo fixado em norma. o direito alemão e o suíço evoluíram para a extinção da pretensão (anspruch). em virtude da inércia de seu titular durante um certo lapso de tempo. sua pretensão ou ação”. no direito comparado sempre houve falta de uniformidade de posição em relação ao conceito do instituto da prescrição. durante um certo lapso de tempo. Prescrição 1.Dispõe o parágrafo único do art.1. na ausência de causas preclusivas de seu curso”. O abuso de direito prescinde da culpa e acarretará: a) Obrigação de ressarcir danos causados a outrem. 4. Art. 180. não excedendo o indispensável para a remoção do perigo. Orlando Gomes: “A prescrição é o modo pelo qual um direito se extingue em virtude da inércia. O direito romano. o ato só será legítimo quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. 187.. Título : MÓDULO 8 (1ª PARTE) . e de toda a sua capacidade defensiva. CC Comete ato ilícito o titular de direito que. 153 cc 171. no todo ou em parte. que. excede manifestadamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. Conceitos Clóvis Beviláqua: “É a perda da ação atribuída a um direito.CC). tinha a prescrição como um fenômeno no plano processual. Razão da regra: reprimir o exercício anti-social dos direitos subjetivos. que afetava a ação (actio) e não diretamente o direito material. que no caso do inciso II.

ou seja. 189. optou por conceituar a prescrição como perda da pretensão: Art. Inércia do titular da ação por um período de tempo fixado em lei. mas o direito de exigir em juízo a prestação inadimplida que fica comprometida pela prescrição.1. o poder de exigir. pela prescrição. Sendo assim. O direito de ação processual é um direito subjetivo autônomo. 882. Conclusão: Não é nem o direito subjetivo material. de ordem pública. provocará a prescrição.2. na esteira do direito alemão. com o nascimento da pretensão. à prestação jurisdicional. ante uma pretensão resistida. 1. mesmo porque a rejeição de sua demanda pode ser acolhida pela exceção de prescrição. Violado o direito pessoal ou real nasce a pretensão (ação material) contra o sujeito passivo. . mas subsiste. ainda.prescricional aliado à inércia do titular do direito violado. o titular de um direito prescrito não perde o direito processual de ação. conforme disposto no art. CC. a par de consumada a prescrição. na ausência de prazos especiais. Por sua vez. CPC). a qual se extingue. A pretensão é. desguarnecido da pretensão.pois. Mesmo se a exceção for acolhida. o juiz não poderá reconhecê-la de ofício. Esta é o poder de exigir de outrem uma ação que permite a composição do dano verificado em decorrência da violação de um direito. É a pretensão (ação material) que prescreverá se o interessado não a mover.2. A prescrição não extinguirá o direito material. uma prestação que lhe é devida”. Violado o direito. dentro de determinado prazo estabelecido na lei. pois. a prescrição revela-se como uma sanção para o negligente. Ausência de causas suspensivas. Violação do direito.206. não está autorizado à repetição do indébito (art. Vale lembrar. desta forma. CC). sem que o credor a tenha feito valer em juízo. nasce a ação processual. O exercício de tal pretensão se sujeita ao fator tempo (prazo legal). 1. o direito subjetivo fica. A prescrição ocorre em virtude da inércia do titular que não exerce a sua pretensão no prazo fixado em lei. o Código Italiano de 1942 declara a prescrição como causa de extinção do próprio direito. Contudo. com a qual se provoca a intervenção estatal.3. em havendo o pagamento da prestação pelo devedor ou se este renunciar aos efeitos da prescrição. que será utilizado subsidiariamente. IV. 205. em juízo. em decorrência da prescrição. o poder de exigir de outrem uma ação ou omissão e. Caso este se recuse a atender a pretensão. Nas palavras de Maria Helena Diniz: “Violado um direito nasce para o seu titular a pretensão (Anspruch). que se o devedor demandado não argüir a prescrição. Não é o direito subjetivo descumprido pelo sujeito passivo que a inércia do titular faz desaparecer. que findo.2. salvo se favorecer o absolutamente incapaz (art. ou em legislação extravagante. interruptivas ou impeditivas. Se esta não for exercitada. o direito de ação (ação formal ou processual) não se confunde com a pretensão (ação material). nem o direito processual de ação (ação formal) que a prescrição atinge. 194.2. O prazo prescricional geral é. 269. 10 anos.2. que deixa de exercer seu direito de ação. importando numa sentença de mérito (art. mas cria para aquela pessoa a quem a prescrição beneficia (devedor) uma exceção. O Código Civil vigente. A violação de um direito subjetivo gera para seu titular a pretensão (poder ou faculdade de exigir de alguém uma prestação ativa ou omissiva). caso o devedor se disponha a cumpri-lo. 1. CC). o direito do autor será tutelado em juízo. a prescrição era conceituada como a perda do direito de ação. nasce para o titular a pretensão. Desta forma. atualmente. Requisitos da Prescrição 1. os quais encontram-se fixados no art. CC. mas apenas a pretensão de obter a prestação devida por quem a descumpriu (actio romana ou em sentido material). Anteriormente. é como se o direito do credor jamais tivesse sido afetado pelo efeito prescricional.

Matéria de ordem pública: As regras prescricionais. CPC. 201. Exemplos: * Direitos da personalidade – direito à vida. ciente da prescrição. entretanto o obstáculo (casamento) surge após o prazo ter se iniciado. não sendo admitida. isto é cessada a causa de suspensão temporária. presumia-se que ele não queria se eximir de uma responsabilidade sem o exame de mérito. Admissibilidade de renúncia: A prescrição pode ser renunciada. a Lei nº 11. Princípios da prescrição 1. 202 e 204 CC) são as que inutilizam a prescrição iniciada. Decretação de ofício ou alegação por aquele a quem aproveita a prescrição – O art. 741. 192. A renúncia pode ser expressa. Na liquidação da sentença não cabe a arguição da prescrição. a constância da sociedade conjugal). os prazos prescricionais são inalteráveis. sempre houve argumentos favoráveis. Nesse caso. quando há declaração nesse sentido. sendo que na execução.4. CC. inexistente no Código Civil revogado põe fim à polêmica doutrinária sobre a possibilidade de redução dos prazos prescricionais.3. torna a ação imprescritível. pode-se alegar a prescrição superveniente à sentença. os credores do devedor insolvente. ainda que relacionadas aos direitos subjetivos de ordem privada. fundado na prescrição da pretensão do direito de ação. Causas impeditivas são as que impedem o curso da prescrição. As mesmas causas.3. salvo se para beneficiar ao absolutamente incapaz.1. 191. efetua o pagamento ou oferece garantia ao credor). ora impedem. Inadmissibilidade de alteração dos prazos prescricionais – O art.2. à liberdade. a causa do obstáculo impede que comece (ex. que estabelecia que o juiz não podia julgar extinto o processo de ofício. nos termos do art. somam-se os períodos. o responsável pela evicção etc. a proibição abrange tanto a ampliação como a redução. Hoje pode ser decretada de ofício a prescrição. não comportam alteração (imperatividade absolutamente cogente). assim como da prescrição em curso. 193 reza que a prescrição pode ser alegada pela parte a quem aproveita. ora suspendem a prescrição (art. pela parte a quem aproveita.2006. Pelo “Codex” atual. Em 16. cidadania.280 revogou o art.3. ainda que o réu tenha deixado de invocá-la na contestação (a sua não alegação não significa renúncia tácita).4. Se o prazo ainda não começou fluir.3. Tal regra tinha como fundamento o princípio da eticidade: se o devedor não alegava a prescrição em juízo. Se. 1.Causas interruptivas (arts. à honra.3. não podendo ficar entregue ao livre jogo da conveniência das partes. os devedores-garantidores.3. 1. CC). São imprescritíveis as pretensões que se exercem por meio de ações declaratórias e mediante ações constitutivas sem prazo fixado em lei. Sendo assim. ou tácita. É que a matéria envolve a paz social. A doutrina e a jurisprudência sempre foram unânimes em admitir que as parte não podem convencionar a ampliação do prazo prescricional (disfarce da renúncia). * Direitos relativos ao estado da pessoa – filiação. em qualquer fase do processo de conhecimento. A renúncia prévia da prescrição. O art. Pretensões imprescritíveis A prescritibilidade é a regra. uma vez que se ajusta à finalidade do instituto – manutenção da ordem pública. 197 ao art. Podem alegá-la. que se caracteriza por comportamentos reveladores da intenção de renunciar (ex: devedor. CC). Quanto à diminuição. etc. A renúncia não pode prejudicar interesse de terceiro (ex: caso o devedor esteja em situação econômica precária e tendo outros credores. Os prazos da prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. . 1.2. VI. condição conjugal. dá-se a suspensão. desde que tenha sido consumada (art. O referido dispositivo significa que a prescrição pode ser alegada em primeira ou em segunda instância. não poderá renunciar o direito de invocar a prescrição em ação judicial movida por outro credor). 193 dispõe que a prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição. 1. de modo que o seu prazo começa a correr a partir da data do ato que interrompeu ou do último ato do processo que a interromper. a imprescritibilidade é a exceção. 194. não é apenas o devedor principal (ou devedores) que tem interesse em alegar a prescrição. o lapso prescricional volta a fluir somente pelo tempo restante. 1.

que o assegura) em cotejo com as regras elencadas dos arts. estende-se aos efeitos patrimoniais de direitos imprescritíveis. na mesma ação. de pedir-lhe a venda. o que não ocorre com as vantagens econômicas respectivas”. 1320).* Bens públicos * Bens confiados à guarda de outrem. e. Ex: a pretensão do condômino de a qualquer tempo exigir a divisão da coisa comum (art. ou seja. Ela impede que questões já decididas. 1. V). em matéria de processo. a prescrição ao extinguir a pretensão. outra “novidade”: . mas que com ela não se confundem. muitas vezes prevalece sobre o ideal de justiça pura e absoluta”. extingue a ação. mas a de obter vantagem patrimonial em decorrência de sua ofensa é prescritível. Disposições gerais Na seção relativa às disposições gerais. só a ação.1. a título de penhor.6. O direito material do autor não se extingue.5. Prescrição e institutos processuais afins: preclusão e perempção A preclusão e a perempção são institutos jurídicos processuais que guardam semelhança com a prescrição.6. o Código Civil vigente. 190. * Direitos potestativos (inexistência de direito violado). As pretensões relativas a tais direitos não prescrevem. A semelhança reside no fator tempo. parágrafo único). três inovações: a) Art. porque estes não se podem extinguir. que é a exigência da subordinação de um interesse alheio ao interesse próprio. Causas suspensivas Na seção relativa ao disciplinamento da suspensão da prescrição. a qual se extingue. sejam renovadas. lapso de tempo e as diferenças estão expostas a seguir: Preclusão é a perda da faculdade processual. é de imperatividade absoluta (matéria jus cogens). que deu causa a três arquivamentos sucessivos (CPC. Logo. 192. A prescrição extingue a pretensão. (art. trazendo. conserva muitas regras que se faziam presentes na lei revogada. em questão.2002. O direito material e a pretensão podem ser opostos em defesa. Ressalte-se que não se trata de uma novidade. 295 e 206. 206. 189. 268. mas apenas uma nova forma de dizer. ou a meação de muro divisório (artigos 1297 a 1327) * A exceção de nulidade Saliente-se que conforme entendimento do Professor Caio Mário da Silva Pereira. mas só podem ser opostos como defesa.2. Cite-se como exemplo os direitos de personalidade. A inclusão desse artigo reflete a construção pretoriana sobre a matéria. pela prescrição. A exceção prescreve no mesmo prazo que a pretensão. Reitere-se o que já foi comentado: Veda-se o pacto a respeito dos prazos prescricionais. uma vez que a regra. c) Art. Extinta a pretensão. nasce para o titular a pretensão. nem a sua pretensão. a perempção não extingue a pretensão. (Ex: o réu tem 15 dias para contestar a ação). Perempção é a perda do direito de ação pelo autor contumaz. desde que o adversário proponha uma ação versando sobre o mesmo fato. nasce a pretensão que é deduzida em juízo por meio de uma ação. art. Contrariamente. b) Art. 1. “a prescrição fulmina todos os direitos patrimoniais. 75 do Código – 1916 (A todo direito corresponde uma ação. 177 ao 179 do diploma legal anterior.6. contudo. mandato ou depósito. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. nos prazos a que aludem os arts. considerando o que estava disposto no art. 1. Conforme palavras do eminente processualista Professor Humberto Theodoro Júnior: “Justifica-se a preclusão pela aspiração de certeza e segurança que. Só produz efeitos no processo da qual advém. Violado o direito. 1. não há ação. Inovações sobre a prescrição no Código Civil . Quando um direito é violado. normalmente. § 3º. citado pelo mestre Carlos Roberto Gonçalves. por não ter sido usada no momento próprio.

procuradores judiciais. Código Civil 1916 Art. 206. 206. IX.Art.. § 3º. 2ª) Os parágrafos constantes do Código Civil de 1916 e ausentes na relação do art. § 10. 206. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal. mestres ou repetidores de ciência.3.4. 1. cirurgiões ou farmacêuticos . 178. Causas interruptivas No que concerne às causas interruptivas. a pretensão para haver prestações alimentares. sempre foram entendidos pela doutrina como decadenciais. curadores e professores pelos Código Civil 2002 A ação de professores. § 10... podem ser constatadas as seguintes alterações: 1ª) O prazo especial passa a ser anual. III e IV Prescreve em um ano profissionais procuradores judiciais. Em relação à prescrição especial. mestres ou repetidores de ciência. a partir da data em que se vencerem. a Lei Civil atual. . pelas lições que derem. X e § 7º. Prescreve em dois anos A ação de professores. uma vez que estabelece o prazo único de 10 anos (para pretensões obrigacionais ou reais). IV Prescreve em cinco anos os alugueres de prédio aluguéis de prédios rústico e urbano Art. 178. VI. III. Art. Prazos Quanto aos prazos. merece destaque a inclusão do protesto cambial como meio de se interromper a prescrição – art. não ocorrerá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. II Em cinco anos a pretensão dos liberais em geral. a pretensão relativa a rústicos e urbanos Art. contado o prazo da conclusão dos serviços. 206. 178. seus honorários. 3ª) Modificação de prazos prescricionais. trienal. Art. peritos. I Em três anos. § 2º Prescreve em cinco anos as prestações alimentícias Em dois anos. curadores. § 6º. em seu art... I Art.. em diversas pretensões já relacionadas no Código Civil de 1916. 177 do Código Civil de 1916. A ação dos advogados.6. quadrienal e qüinqüenal (art. da cessação dos respectivos contratos ou mandato. §§ 1º a 5º). 202. 205 trata da prescrição ordinária ou comum. pagáveis por períodos não excedentes a um mês A ação dos médicos. para mais ou para menos.6. salvo se a lei fixar prazo menor. 1. 206 do Código Civil vigente.. 200. § 5º.. alterando substancialmente o disposto no art. solicitadores.

correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição. III – a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. ou fiscais. VI – a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé. ressalvadas as disposições de lei especial. 206. Art.. que conferem ao respectivo titular o poder de influir ou determinar mudanças na esfera jurídica de outrem. aos sócios. e a do terceiro prejudicado. O objeto da decadência são os direitos potestativos de qualquer espécie. da apresentação. c) para os liquidantes. IX – a pretensão do beneficiário contra o segurador. Título : MÓDULO 8 (2ª PARTE): Decadência Conteúdo : Decadência 2. contado o prazo no termo dos seus trabalhos. disponíveis ou indisponíveis. agrimensores. V.[1] . da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima. por seus honorários. § 5º Em cinco anos: I – a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular.. a) b) § 4º Em quatro anos. a contar da data da aprovação das contas. ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento. Conceito A decadência é a extinção do direito pela inação de seu titular que deixa escoar o prazo estabelecido na lei ou fixado voluntariamente para o seu exercício. a contar do vencimento. apenas uma sujeição. A ação de engenheiros. contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.. pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima. do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada. sem que haja dever correspondente.cujos honorários sejam estipulados em prestações correspondentes a períodos maiores de um mês.. sob a égide do Código anterior prescreviam no prazo geral de vinte anos). arquitetos. Prescreve: § 1º Em um ano: IV . no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. 4ª) Determinação de prazos especiais para determinadas pretensões (muitas delas. contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo.1. § 3º Em três anos: IV – a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. a pretensão relativa à tutela. para os administradores.a pretensão contra os peritos. V – a pretensão de reparação civil. da assembléia semestral posterior à violação VIII – a pretensão para haver o pagamento de título de crédito. por ato unilateral. VII – a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto..a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes. contado o prazo: para os fundadores.

b) Dever do juiz em conhecer “de ofício” a decadência emanada da vontade estatal (art. Lei 8078/90 – CDC (vícios aparentes e ocultos). §§ 1º a 5º. na parte geral (ex. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais que derem causa à decadência. 210). 445. nada obsta a renúncia.3. o mesmo prorroga-se para aquele fixado na norma (três anos). as partes podem estabelecer o prazo para o resgate inferior ao estabelecido em lei. 208. 178. I.Direitos potestativos são direitos sem pretensão. somente expressa disposição legal contrária tem o condão de permitir a sua aplicação – art. no título IV. art. Ex: prazo decadencial disposto em testamento ou no contrato. O Código Civil vigente. uma vez que insuscetíveis de violação. a contrario sensu. O Código Civil de 1916 não se referia explicitamente à decadência e. 26 e parágrafos. Os prazos prescricionais especiais encontram-se discriminados no art. art. 207. 3º. 2. 2. Ex: Na retrovenda. 45. art. comumente. . ainda que se trate de direitos patrimoniais. c) Aplicabilidade das disposições contidas no art. São elas: a) Inaplicabilidade das causas suspensivas.Cite-se como exemplo a disposição contida no CDC em seu art. 1560. as partes podem pactuar diversamente. 505. art. impeditivas e interruptivas da prescrição à decadência convencional e. que autoriza a interrupção ou suspensão do prazo decadencial. está subordinado à condição de exercício em certo espaço de tempo. mas uma sujeição de alguém (ex: o direito de uma certa pessoa em anular um negócio jurídico por vício de consentimento não pode ser violado pela parte a quem a anulação prejudica. 26. parágrafo único. Art. deve ser alegada por quem a aproveite (interesse jurídico). 445). se o prazo decadencial para o exercício de determinado direito for fixado pelas partes. no capítulo dedicado à decadência trata de enumerar somente as regras gerais atinentes ao relativo instituto. 211. Decadência no Código Civil – 2002. 206. à legal – art. relativas ao instituto da prescrição. do livro III dedica o capítulo I à prescrição e o capítulo II à decadência. 207 Com relação à decadência decorrente da lei. d) Impossibilidade da renúncia da decadência fixada em lei – art. II e III e art. 26. 209. por terem um traço comum que é o decurso do tempo aliado à inércia do titular do direito. tratam-se de lapsos temporais decadenciais.179) e na parte especial (ex. conforme regrado no art.[2] Conforme Maria Helena Diniz: O objeto da decadência é o direito que. em regra. semelhantemente à prescrição. b) Convencional Quando resulta da vontade humana. levava o operador do direito a confundir o instituto da prescrição com o da decadência. art. a decadência não corre em relação aos absolutamente incapazes referidos no at. por determinação legal ou por vontade humana unilateral ou bilateral. sob pena de caducidade. CC (vícios redibitórios). A irrenunciabilidade da decadência fixada em lei é questão de ordem pública e as partes não podem afastar a incidência da regra. A eles não se opõe um dever de quem quer que seja. Espécies a) Legal Quando resulta da vontade estatal. art. art. E mais. 195 e 198. Caso as partes renunciem ao prazo por elas estabelecido. Tal pessoa está apenas sujeita a sofrer as conseqüências da anulação decretada pelo juiz . Saliente-se que o Código Civil. Na decadência convencional.2. Todos os demais prazos constantes do diploma legal vigente. A decadência convencional. § 2º. não tendo dever algum que possa descumprir. Exemplos: art. 45. Contudo. podendo alegá-la em qualquer grau de jurisdição – art. I.

independentemente de atuação de terceiro. pois. nem antes. 3. A decadência decorrente de prazo fixado em lei não pode ser renunciada.3. independentemente de argüição pelo interessado. não podendo ser alterado por acordo entre as partes. 4. os prazos decadenciais podem ser determinados pela vontade do Estado (prazo legal) e também pela vontade humana (vontade unilateral e bilateral). 3ª) Os prazos prescricionais são fixados por lei. Gênese simultânea do direito e da ação. que se referem a direitos sem pretensão (sem prestação) que não podem ser violados. didaticamente. e. tendo. Quando se diz que certo direito é imprescritível.2. em sentido largo. Prejudica todas as ações possíveis. Distinção doutrinária entre prescrição e decadência Prescrição é expressão ambígua que. A decadência atinge as ações constitutivas (positivas ou negativas) com prazos fixados em lei. 5ª) A prescrição de ações patrimoniais não pode ser decretada “de oficio” pelo juiz. isso significa que nem a prescrição (em sentido estrito). ou seja. Por sua vez. A decadência supõe uma ação cuja gênese é idêntica à do direito. enquanto que a decadência supõe um direito ainda não exercido pelo titular. de ofício. A decadência emanada de prazo legal deve ser conhecida e julgada. ou seja. 4ª) A prescrição implica numa ação. podendo o direito ser pleiteado por outra via. 3. 7ª) A prescrição atinge as ações condenatórias. foi exercido. compreende a decadência. . Implica numa ação com origem distinta do direito. O prazo decadencial se refere a um direito que deve ser exercido por mero ato de vontade. Decadência 1. fazendo desaparecer. A prescrição supõe direito já exercido pelo titular. em sentido estrito contrapõem-se a esta. desde que tenha sido consumada. a distinção entre os dois institutos: 1ª) A prescrição extingue a pretensão alegável em juízo por meio de uma ação. nem a decadência podem importar seu desaparecimento[3]. Prejudica só o tipo de ação em que foi argüida. Quadro Comparativo Prescrição 1. 6ª) A prescrição pode ser renunciada pelo prescribente. A decadência pressupõe um direito que não 2. nem depois de consumada. o direito por ela tutelado. A decadência extingue o próprio direito pela falta do seu exercício dentro do prazo prefixadopela vontade do estado ou por intermédio da vontade humana. haja vista nascerem simultaneamente. o exercício da pretensão em juízo deve ser exercido em prazo prefixado legalmente. com origem distinta da do direito. A doutrina estabeleceu. se houver. 3. Extingue o próprio direito. 2ª) A prescrição supõe direito já exercido pelo titular. tendo nascimento posterior a ele. 2. por via oblíqua. 4. Extingue apenas a pretensão alegável em juízo. uma vez que as mesmas protegem direitos dos quais irradiam pretensões (prestações sujeitas à violação ou lesão). nascimento posterior a ele.

Aplica-se o prazo geral. É sujeita à às causas de impedimento. do Livro III. sendo assim. suspensão e ser impedida. 205 (prazo ordinário ou geral) e 206. Incide nas ações em que se visa a situação jurídica. daqueles que. 189. Neste. embora assim rotulados. Por sua vez. são considerados decadenciais. ou seja. de consumada. suspensa interrupção. 6. art. ou seja. parágrafo único. na falta de prazo especial 9. etc). II e III e art. O prazo decadencial é estabelecido por lei ou por vontade unilateral ou bilateral. o aludido instituto era tido como um fenômeno do plano processual. ações negativas) com prazo fixado em lei. o direito italiano (Código Civil Italiano – 1942) declara que a prescrição extingue o próprio direito. em seu art. prazos prescricionais encontram-se discriminados nos arts. quase sempre. art. em controvérsias. Somente por disposição legal pode ou interrompida. Por fim. da Parte Geral. Decadência legal não pode ser renunciada. saliente-se que A Lei Civil. 8. art. 45. Todos os demais prazos constantes no Código Civil vigente. Só tem prazos especiais e expressos. Direito Intertemporal . representavam. dedica o Capítulo I à prescrição e o Capítulo II à decadência. no Título IV. estabeleceu-se uma divisão entre os que se mantinham fiéis às tradições romanas. Entre nossos doutrinadores nacionais. art. O prazo prescricional é fixado somente por lei 5. art. a distinção doutrinária pátria entre os dois institutos redundava. §§ 1º a 5º (prazos especiais). 45. não há prazo geral Diferenciações práticas entre prescrição e decadência no Código Civil O Código Civil anterior englobava os prazos extintivos sob o nomen iuris de prescrição e. Reitere-se que o direito alemão buscou a fundamentação para o conceito da prescrição no direito romano. 9. uma vez que. ações condenatórias constitutivas(positivas ou 6. buscando inspiração no direito comparado. casos de decadência. 178. 1560.5. art. desde que consumada nem depois 7. Considerando que a lei não pode contraria a natureza das coisas. na verdade. dispostos na parte geral (ex. 26. por defenderem a prescrição como causa de extinção apenas da ação e os que qualificavam como causa de extinção dos próprios direitos. O Código Civil se posicionou e optou por conceituar a prescrição como a perda da pretensão. Na aludida norma jurídica os prazos de prescrição da pretensão. I. 505. nunca conseguiu uniformidade em suas posições a respeito da matéria. Por falta de parâmetros legais. 7. Pode ser renunciada.179) ou na parte especial (art. eram regidos literalmente pelos mesmos princípios e regras. 8. a doutrina e jurisprudência tiveram de assumir a tarefa de distinguir quais eram os prazos ditos prescricionais no texto da lei. 445. ou modificação de uma seja. que afetava a actio e não diretamente o direito material. Incide nas ações onde se exige uma prestação.

206. . que sob a égide do Código anterior. I) e um aumento (art. 483. 206)”. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. [3] Coelho. uma vez que viola o direito de igualdade. obra citada por Gonçalves. § 5º. Ação de reparação de danos. § 2º e 206. p. b) que tenha ocorrido o transcurso de mais da metade o lapso temporal previsto no Código de 1916. Editora Saraiva. há entendimento que essa interpretação pode resultar numa manifesta inconstitucionalidade do artigo 2028. nos termos da nova lei (art. José Carlos Moreira. b) em todos os prazos que – na data da entrada em vigor do Novo Código – já houver transcorrido mais da metade do tempo. No que se refere aos prazos especiais elencados no art. Vol 1. podendo ser insuficiente para ação de reparação. Ou seja. 2028. pág. Cit. Dispõe o mencionado artigo: Art. 205). outorgando prazos maiores para o inerte credor . exemplificativamente. o instituto da prescrição sofreu uma considerável alteração no que se refere aos prazos. por demais exíguo.. na data de sua entrada em vigor. São Paulo. Jornada STJ 50: A partir da vigência do novo Código Civil. o prazo para se exercer judicialmente a pretensão da reparação civil era de vinte anos.372. 2003. Curso de Direito Civil. Recorde-se. pg. Direito Civil Brasileiro. aplicando-se o prazo antigo em duas situações distintas: a) em todos os prazos diminuídos pela nova Lei. Fábio Ulhoa. sugere-se uma nova leitura ao dispositivo em questão. observa-se que ocorreram reduções (ex: arts. Serão os da lei anterior os prazos. quando reduzidos por este Código e se. Carlos Roberto. Contudo.Como já analisado. 206. determinando a aplicação dos prazos antigos para os prazos em andamento quando da entrada em vigor do novo Código. 482 [2] Alves.que deixou passar mais da metade do prazo – e prazos menores para os credores em que o lapso não transcorreu pela metade Para salvar a lei da inconstitucionalidade. O prazo geral foi uniformizado para dez anos. Diante de tal constatação surge uma indagação: como conciliar os prazos em andamento com a entrada em vigor dos novos prazos do Código Civil de 2002? Prevendo essa hipótese. A maioria dos doutrinadores vem entendendo que são exigidos dois requisitos para aplicação do prazo antigo estabelecido no Código revogado: a) que tenha ocorrido diminuição do prazo prescricional no Código de 2002. 1ª ed. op. II) nos lapsos temporais da prescrição. Prescrição.o prazo prescricional das ações de reparação de danos que não houver atingido a metade do tempo previsto no Código Civil de 1916 fluirá por inteiro. Francisco.. o legislador inseriu no artigo 2028 uma regra de transição. 206. § 3º. quando a lei não lhe houver fixado prazo menor (art. Atualmente tal prazo é de três anos. idem. [1] Amaral.

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