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As manobras guerreiras do Império no Médio Oriente

Sumário 1 - Uma Europa decadente mostra os dentes cariados 2 - Um relance sobre as últimas virtuosas intervenções do Pentágono/NATO 2.1 – Líbia 2.2 – Iraque 2.3 – Afeganistão 2.4 – Síria 3 - Dentro de tragédias e comédias do passado recente sobra o quê? 4 - Irão, o suculento alvo dos ocidentais 4.1 - História recente das intervenções ocidentais no Irão 4.2 – A matriz iraniana de relações externas 4.3 - O nuclear iraniano 4.4 - O impacto das sanções energéticas decretadas pela UE --- +++ ---

As manobras guerreiras do Império no Médio Oriente
A abordagem geopolítica tem a vantagem da integração multidisciplinar (geografia, história, economia, culturas, demografia…) e é aquela que permite uma visão global do mundo. Por consequência, embora neste texto nos centremos no Médio Oriente e no Irão em particular, teremos em conta que não há regiões fechadas, do ponto de vista da geopolítica e que o planeta é um sistema de vasos comunicantes, sem prejuízo da existência de especificidades regionais ou locais.

1 - Uma Europa decadente mostra os dentes cariados

Grazia.Tanta@gmail.com 1

19 fev 2012

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Para os iluminados lideres europeus, a ausência de problemas na Europa onde, como se sabe, os níveis de bem-estar crescem a olhos vistos - justifica o adiamento sine die de qualquer solução para os problemas menores como as bancarrotas bancárias e dos estados ou o relançamento da economia. Por isso, sobra-lhes tempo para decretar sanções contra o Irão, (1) na obediência habitual às ordens de Washington, onde - aí sim - há uma estratégia mundial e para o Médio Oriente, em particular. Afinando pela mesma estreiteza estratégica, reinventaram, a 30 de janeiro, uma fórmula descredibilizada para amarrarem os países endividados da UE ao fornecimento de rendimentos eternos ao sistema financeiro e assim evitarem a falência dos grandes bancos europeus. Estupidamente ou para beneficiarem os grandes empórios petrolíferos, contribuem para aumentos dos preços, sem revelar que a relevância da Europa para as exportações iranianas não é muito grande, como adiante se verá. Que preparam eles? Provavelmente mais uma cimeira, precedida do habitual encontro da amálgama Merkosy.

2 - Um relance sobre as últimas virtuosas intervenções do Pentágono/NATO Vejam-se algumas notas sobre as mais recentes, de todas as virtuosas intervenções militares dos ocidentais; 2.1 - Líbia Vão surgindo frequentes e pouco tranquilizadoras notícias sobre a Líbia conflitos militares, práticas de tortura, dissensões dentro do novo poder e ações populares contra o governo de transição imposto na Líbia pela NATO, através da fórmula democrática da bomba. Ora, depois da humanitária intervenção ocidental, quantos de nós não suporíamos que os líbios ainda não tinham parado de orar em agradecimento pelos ocidentais bombardeamentos? Nos próximos tempos se verá o real sucesso da estratégia de “nation-building” dos EUA, para além da apropriação dos recursos energéticos do país. (2) Um aspeto menos mediatizado é que no seguimento do fim da era Kadhafi, as tropas tuaregs integradas no exército líbio se posicionaram no Mali, reivindicando a secessão da parte daquele país habitada por tribos tuaregs. Este povo, na realidade é uma nação sem Estado (nunca o tiveram) e as fronteiras estabelecidas pela partilha colonial pouco lhes dizem. O MNLA –
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Da invasão e posterior ocupação do Iraque pelos EUA e seus apêndices todos eles desde muito cedo ansiosos por sair de cena – podem extrair-se algumas notas relevantes para a abordagem do empenho ocidental atual contra o Irão e a Síria: a) Recordemos aqui o coro dos dirigentes ocidentais e do seu maestro. b) A promessa da instauração de uma democracia . sabe-se ser sempre possível comprar ou arregimentar na ONU uns quantos fiéis.para pacificar o país.falhou clamorosamente.com 3 19 fev 2012 3 .não colherão. fracassos e objetivos não conseguidos. no Mali. o que realmente existiu. como as Ilhas Marshall ou o amestrado ministro Portas para participarem em qualquer número circense. (3) Esta retirada. 2.Iraque Em finais de 2011 os EUA e os seus ansiosos fiéis abandonaram o Iraque – deixando atrás os costumeiros “consultores” da tropa local – um lastro com mais de 1 M de civis mortos e com destruições maciças das infraestruturas do país. essencialmente. O argumento das armas de destruição massiva contra o Irão . nos últimos anos de intensa atividade do Africom. o mesmo apoio que em 2003. Dada a fraqueza do exército maliano não é de estranhar que entre em execução o plano “antiterrorista” com que os EUA têm envolvido os governos da África em geral e do Sahel em particular.mesmo que de mercado . foi o seu papel de argumento central numa jogada de grosseira propaganda.que.2 . Contudo. se bem que não termine a presença militar ou reduza a relevância estratégica que o Médio Oriente tem para os EUA revela. decerto. Porém.Mouvement National pour la Liberation de l’Azawad atacou/ocupou recentemente várias localidades cerca da “curva” do Niger. Ao regime autoritário e corrupto de Saddam sucedeu um mandarinato mais diversificado – mas não menos corrupto . as bombas continuam a rebentar e a fazer vítimas. o famoso George W Bush.Tanta@gmail. logo após a invasão americana soube aproveitar-se da Grazia. todos garantindo ter provas insofismáveis da existência de armas de destruição massiva no Iraque.como se diz na gíria NATO . Veio a confirmarse que as tais armas eram inexistentes mas. são os habituais problemas colaterais .ou argumentação semelhante .

não teve seguidores.com 4 19 fev 2012 4 . no seguimento da invasão do Kuwait por Saddam. da contenção do seu líder. que mesmo enfraquecido. empresários e torcionários. d) A presença de militares americanos no Golfo Pérsico e nas terras árabes começou em 1991. Os palestinianos continuam a ser objeto da espoliação da sua terra e dos seus haveres às mãos de uma seita racista que funciona como um cérbero de guarda dos interesses ocidentais. as mudanças na Tunísia e no Egito resultaram essencialmente da esforçada luta da multidão contra os ditadores e. entretanto. O Afeganistão continua ocupado e os paquistaneses não têm apreço algum pelo regime do corrupto Zardari e dos militares. repressão e recusa de direitos civis e políticos para a população. com uma soberania limitada. e) A invasão do Afeganistão (2001) e. o Iraque serviu de inspiração. As monarquias árabes prosseguem serenamente nas suas manifestações de autoritarismo. posteriormente do Iraque (2003) foram outras tantas formas de perpetuar a presença americana no Médio Oriente a qual. Al-Ubeid no Qatar. em nenhum caso. Expulsos os iraquianos da “sua” 19ª província. perto de Manama e Camp Arifjan ou Camp Doha no Kuwait. com o abandono do autoritarismo militar ou feudal. é preciso nomear novas ameaças para justificar a presença em terras do petróleo e nas rotas de saída do mesmo para países rivais. O exemplo que se pretendia mostrar a regimes e povos do Médio Oriente. Agora. no Médio Oriente. Grazia. se foi expandindo por causa da ameaça “terrorista”.a pior para os iraquianos . o das alegrias da democracia de mercado.os financiamentos e auxílios dos EUA. c) O resultado da intervenção no Iraque não veio afinal a amenizar a antipatia antiamericana e antiocidental nos países muçulmanos. com as retiradas do Iraque e proximamente do Afeganistão. o comando da V esquadra no Bahrein.Tanta@gmail. Thumrait e Masirah no Oman. da al-Qaeda e em nome da contenção do Irão. é evidente que a continuidade da presença dos EUA iria continuar sob o argumento da supervisão do Iraque.melhor maneira . com áreas de exclusão aérea e sanções que atingiram duramente a população. mormente energéticos. Os EUA vêm construindo um dispositivo militar composto por 32 bases na região do Golfo Pérsico (4) onde se destaca Seeb. funcionava como uma falsa ameaça para o Kuwait ou para a Arábia Saudita. os EUA permitiram a manutenção de Saddam.

os três milhões de refugiados no Paquistão e no Irão parece não confiarem muito na continuidade da pax americana. chefe dos integristas talibãs que então governavam o país.Tanta@gmail. Porém. A orografia e as dificuldades de circulação acentuam as diferenças étnicas e políticas numa sociedade rural.com 5 19 fev 2012 5 . O regime de Karzai caracteriza-se pela corrupção e pela fraude eleitoral a que a tutela americana fechou os olhos para favorecer o seu pupilo.3 . o mullah Omar. b) Numa propensão proactiva. em 2001 mas. Unocal. Como é evidente a luta contra o terrorismo e a punição de bin Laden foi um argumento falso para invadir o Afeganistão. em 2008. a 100km da fronteira comum. entretanto integrada na Chevron. É a presença militar americana que garante que a instabilidade não degenere em caos e permite os investimentos chineses e indianos.Afeganistão Os EUA estão aqui desde 2001 quando invadiram o país com o pretexto de capturar bin Laden e o seu hospedeiro. como a real ameaça à segurança dos EUA! Há vários fatores que explicam esta obsessão pelo Afeganistão ou resultam dela. situando-se em Shindand. os EUA tentaram utilizar o Afeganistão para trazer os imensos recursos energéticos do Turquemenistão e do Grazia. Obama anunciou retirar do país em 2014 deixando-o entregue ao seu homem de mão. o candidato Obama iria referir o subdesenvolvido Afeganistão. Mais tarde. a) A presença no Afeganistão constitui uma ameaça direta ao Irão. a norte de Kabul. a maior base militar americana no país embora o centro logístico do dispositivo militar dos EUA esteja em Bagram. mas que serve de fonte financeira para o armamento dos senhores da guerra. suficiente para fomentar uma onda patrioteira e justiceira nos EUA bem como justificar quebras de direitos e uma fobia anti-islâmica no país e que se tornou produto de exportação. com fortes tradições patriarcais e laços tribais. Karzai. linguísticos ou étnicos que favorecem a existência de milícias armadas e senhores de guerra. A guerra e a posição estratégica favoreceram uma atividade florescente de plantação e tráfico de ópio que tem promovido graves danos sociais. encravado na Ásia e sem acesso ao mar.2. ligado à CIA e exfuncionário de uma companhia petrolífera americana.

com 6 19 fev 2012 6 . os druzos (3%) ou os arménios que toleram o poder alauita. O cultivo aumentou substancialmente desde a derrota dos talibãs e constitui peça importante na economia mafiosa mundial que tanto capital encaminha para o sistema financeiro e a poderosa Wall Street. há resistência. e) Os EUA já gastaram $ 438 000 M e os ingleses £ 18 000 M com a guerra no Afeganistão e resta saber se. as oligarcas sunitas. mais uma “brilhante” criação britânica para dividir o seu antigo império das Índias). funcionando para o descontentamento da esmagadora maioria da humanidade. no século XIX. Esse projeto fracassou completamente como se explicitará mais adiante. após a sua retirada o ajuste de contas entre os vários senhores da guerra. Consequentemente.4 – Síria A questão síria – pese embora toda a ambiguidade dessa designação. Na Síria há contestação mas. no Cambodja e na Birmânia. os cristãos ortodoxos (4%).Tanta@gmail. Este cultivo repete o que os EUA fizeram nos anos setenta do século passado no Laos. onde a CIA controlava a heroína e o ópio para financiar a guerra americana contra os guerrilheiros vietnamitas. Os senhores da guerra funcionam como os guardiões das plantações. os talibãs e Karzai. ambos. está a apresentar novos episódios diários. d) O cultivo da papoila para a produção de heroína no Afeganistão (uns 93% da produção mundial em 2007) ocupa mais terra do que a plantação de coca na América Latina e gera $ 50000 M por ano (5). e esqueceram as proximidades culturais dos pashtun de um lado ou do outro da artificial fronteira com o Paquistão (este. não irá trazer a este último a sorte do seu antecessor Najibullah que em 1989. 2. aparentemente incapaz de vencer o regime e as várias forças sociais que o apoiam. os americanos não estudaram o fracasso dos britânicos no Afeganistão. a instabilidade política e social agravou-se no Paquistão. cobrando para o efeito. seita xiita que representa 12% da Grazia. sem passar pelo Irão.Kazaquistão para o Índico. depois da saída dos soviéticos foi assassinado com requintes bárbaros. ao mesmo tempo. Onde há repressão. retirando-os portanto. c) Tal como os soviéticos nos anos 80. sob a bênção dos EUA. de rotas dependentes da Rússia e. suscetível de provocar conflitos com a Índia.

o predomínio dos “Irmãos Muçulmanos” na contestação a Bashar não atrai muitos dos que preferem o laicismo do regime sírio a um regime religioso de base sunita. as mais recentes das quais a partir da entidade israelita. a Turquia recusa uma intervenção estrangeira e mesmo a fixação de zonas de exclusão aérea na Síria. que os ocupantes franceses brindaram os turcos com uma fatia de território sírio (o sandjak de Alexandretta. Porém. na Síria e talvez não apenas através de deserções do exército. para mais. Neste sentido. Em termos estritamente legais. e que provavelmente mudarão de opinião quando Bashar estiver em queda. e não nos parece realista que aconteça na Síria uma intervenção militar como a observada na Líbia. c) Na oposição síria não há muitos adeptos de uma intervenção militar externa para resolver problemas internos. A sua aceitação da resolução 1973 contra a Líbia foi ultrapassada e veio a servir como trampolim para a agressão da NATO contra aquele país. assim. hoje conhecida por Iskenderun) em 1939 para garantir a neutralidade turca no conflito mundial de 1939/45. Os casos do Iraque e da Líbia revelaram bem os altruistas intuitos dos ocidentais.Tanta@gmail. b) É uma verdade que um levantamento armado não inserido num forte apoio da multidão é sempre frágil e fica condenado ao fracasso. são esmagados. d) Há um evidente interesse russo (e da China) em esfriar os ímpetos ocidentais contra a Síria. o empenho ocidental contra Bashar não credibiliza a oposição síria e a crispação dos vizinhos turcos também não. a) Contrariamente ao que aconteceu na Tunísia ou no Egito onde se assistiu (e assiste) a pacíficas contestações de massa. Recorde-se ainda que a Turquia otomana governou a (Grande) Síria até à guerra de 1914/18. protagonizada pela NATO. que lhes garante a estabilidade. ocupações e agressões. ou alargam o seu apoio popular ao ponto de isolar e dividir os atuais apoiantes de Bashar ou. Terminada a guerra.com 7 19 fev 2012 7 . os insurgentes. essa opção justifica a intervenção brutal e pesada contra os revoltosos. apenas armados com “kalashnikovs”. Qualquer manual de guerrilha reflete o ensinamento de Mao “um revolucionário deve estar para o povo assim como um peixe está para a água”.população. Guevara pagou com a vida a sua visão romântica de revoluções baseadas em vanguardas de heróis. não relevantes para quebrar a sua unidade. Por outro lado. a redistribuição dos Grazia. a oposição tem recorrido às armas. uma vez que o país tem um historial rico de humilhações. com a imposição da lei corânica.

dia 6 de fevereiro. se dificultasse a vida do Hezbollah Grazia. em 1990. solicitará aos russos o abandono de Tartous. sobretudo. a invasão do Kuwait por Saddam. no passado dia 4 de fevereiro. com a queda de Bashar al-Assad. e) Por outro lado. um novo poder. quando não monarquias absolutas. em detrimento da continuidade dos negócios de russos e chineses com Kadhafi. a sua única posição permanente no Mediterrâneo. utilizam como apoiantes os países da Liga Árabe que. não é difícil imaginar que. Curiosamente. g) A Síria poucos anos atrás constituia o principal obstáculo a um projeto de construção de condutas entre a Turquia (Ceyhan) e Israel. ver na Síria. Daí o veto de ambos – Rússia e China – no Conselho de Segurança da ONU à proposta ocidental contra a Síria. Em política a gratidão tem pouca cotação. água e eletricidade ao território sionista. os EUA retiram o pessoal diplomático de Damasco ao mesmo tempo que Obama diz o problema ser resolúvel sem intervenção militar.Tanta@gmail. f) No seguimento deste veto. Uma mudança de regime em Damasco poderia ser um elemento viabilizador do projeto. os regimes ocidentais de democracia de mercado para pressionar a queda do regime ditatorial sírio. a Rússia tem uma relação próxima com a Síria onde detém uma base naval em Tartous. a ocupação dos Golan. E. considerando que a Turquia abrandaria a sua crispação com Israel nascida do assalto militar dos sionistas ao Mavi Marmara em maio de 2010. criado pelos EUA. o Baas iraquiano e o sírio. se o novo poder aceitasse de facto. h) Também Israel seria grande beneficiário de mudanças políticas na Síria. pois necessariamente teria de atravessar águas territoriais sírias. decerto. não quererão. mormente franceses e ingleses. ou agradecido pelo papel destes na cruzada a favor da “democratização” da Síria. embora este e Hafez fossem os chefes supremos de dois partidos irmãos. No que se refere ao petróleo e num mundo sedento do seu consumo.com 8 19 fev 2012 8 . a Siria apesar de não ter reservas impressivas comparadas com as da Líbia (2500 M barris contra 46400 M barris) não pode ser ignorada. para o transporte de petróleo. em grande maioria são ditaduras. qual resquício da grandeza soviética. uma repetição dos maus resultados registados na Líbia. o emir do Kuwait terá esquecido que a Síria de Hafez al-Assad (pai de Bashar) condenou.recursos petrolíferos líbios veio a fazer-se a favor dos ocidentais. em troca de negócios com Israel e.

Tanta@gmail. para a resolução dos problemas do subdesenvolvimento e da pobreza. como herança colonial. Se não por intermédio de uma discutível superioridade moral. a deriva recessiva. Os regimes em vigor dos países islâmicos. não pode incentivar as multidões dos países islâmicos a uma cópia simples pois os seus países já sofrem demasiado com aqueles problemas. refira-se que estrategicamente. o crescimento económico da China revela que um regime repressivo consegue conciliar um capitalismo de Estado com a iniciativa privada nacional ou multinacional e até tornar-se o motor principal do crescimento do PIB ou do comércio mundial. os ocidentais acreditaram que o seu modelo político e social seria facilmente transplantável para o mundo islâmico e não só. nem coletiva. Por outro. a preocupação democrática do Ocidente quanto ao regime de Damasco prende-se essencialmente com o período de pressão política e militar contra o Irão. de permeio e menos mediaticamente. A recordação das humilhações coloniais e as falhadas ou sabotadas tentativas de repetir a via ocidental são. as barreiras colocadas nos países ocidentais às exportações de outros países ou à entrada de imigrantes objeto de tratamento racista e discriminatório .com 9 19 fev 2012 9 . Se este modelo se revela gerador de desemprego e pobreza. 3 . i) Finalmente. a Síria e o governo libanês. em paralelo. ajudaria ao relançamento da poderosa indústria militar. retira credibilidade ao modelo ocidental. Por um lado. tornando-se. por parte dos povos. associam-se aos capitais ocidentais. A inevitabilidade do pensamento único neoliberal e da democracia de mercado propagada pelos ocidentais apresenta duas clamorosas negações. acoplando-se ao sistema da globalização Grazia.no Líbano ou permitisse o seu isolamento. sabendo-se das fortes ligações entre o Irão.Dentro de tragédias e comédias do passado recente sobra o quê? Inebriados pelo desmoronamento das ditaduras e do capitalismo de Estado na Rússia e na Europa de Leste. ressentida com o fim da Guerra Fria (6).não constituem exemplos de solidariedade individual. Finalmente. promovida pela tara neoliberal no Ocidente. uma potência financeira. pelo menos através de manu militari que. na sua grande maioria. em termos de economia e de direitos. lucidamente vistas. limitando a influência de Teerão no Líbano.

excludente. tornando-se ambos cúmplices na manutenção da pobreza e da ausência de direitos. manifestaram muito mais preocupação em garantir uma evolução na continuidade do modelo autoritário do que entusiasmo pela pulsão libertadora dos povos. a sua diversidade étnica ou religiosa. o desenvolvimento de grandes simpatias na “rua árabe”. perante as revoltas populares na Tunísia e o Egito. mesmo gastando $ 1 bilião. Embora as atitudes da grande maioria dos regimes dos países islâmicos face à Palestina tenha muito de hipócrita e instrumental para efeitos de propaganda. A insistência em guerras e invasões nos últimos vinte anos. por parte dos EUA e dos seus aliados. o Pentágono e a NATO deixam sempre para trás metástases de conflito. não contribuiu para a preparação de fórmulas negociais de gestão de conflitos. a sua história. a UE. bem como na repressão das reivindicações dos povos. de sofrimento e de miséria. mesmo que os seus opositores estejam bem longe de ter o seu poder militar. O conceito do “nation-building” baseia-se em atitudes racistas de superioridade civilizacional sobre os “nativos”. confiando apenas no poder das armas para esmagar o adversário e do dinheiro para comprar mandarins para a representação dos seus interesses. após a derrota militar dos sucessivos “estados párias”. atitudes desculpabilizantes dos crimes e da ocupação israelita – quando não claramente apoiantes – inviabilizam a priori. Ainda em 2011. na realidade as multidões dos países do Médio Oriente são muito favoráveis aos palestinianos e contrárias aos sionistas. incluindo a sucursal israelita. e no Afeganistão. Embora não sendo a Turquia um pais árabe. em prejuízo das relações comerciais e políticas entre a Turquia e a entidade israelita. com Hillary Clinton à frente. quando abandonam a cena. com o declarado apoio dos egípcios. Assim. da NATO e dos seus aliados evidenciou nem sempre ser suficiente para vencer estrategicamente as guerras em que se metem.Tanta@gmail. o seu governo teve de secundar a indignação do seu povo quando da ação terrorista de Israel sobre o Mavi Marmara. os EUA não foram capazes de estabelecer um regime democrático e a paz no Iraque. no desprezo pela sua cultura. tecnológico ou financeiro. sistematicamente. Por seu turno. Ora os EUA e os seus subalternos europeus tendo.com 10 19 fev 2012 10 . Israel não conseguiu esmagar o Hezbollah em 2006. os ocidentais. de ditaduras. Para salvar a face. No fim. os EUA procuram sair do atoleiro em que se envolveram. O esmagador poder militar do Pentágono. numa lógica Grazia. em todo o mundo e não apenas nos países mais ou menos emergentes. não se podendo afirmar que o mundo fique mais seguro e feliz. a mudança de regime no Egito teve consequências imediatas e favoráveis aos palestinianos.

com 11 19 fev 2012 11 . O sangrento episódio iraquiano – esperamos os próximos capítulos – faz-nos lembrar que os militares gritam sempre “missão cumprida” mesmo quando retiram estrategicamente derrotados. a parte que menos agrada aos EUA e suas filiais. ou a obrigação de comprar sementes registadas (OGM) às incontornáveis Monsanto ou Cargill (8). se sinta tentada a uma secessão. o suculento alvo dos ocidentais O Irão é o grande inimigo para os EUA e para a turma europeia no chamado “Arco de Instabilidade”. por vezes. território que vai do Mediterrâneo até à fronteira oriental do Paquistão. a província de al-Anbar. Na Líbia veio a acontecer exatamente o mesmo. por encomenda dos EUA. gera azia em Erdogan. e. parece-nos um osso demasiado grande para os Grazia.com o Irão. Porém. a ausência de impostos sobre os lucros das mercadorias exportadas. As fronteiras resultantes da partilha colonial estão. fronteira da Síria e de grande maioria sunita. desagradada com o poder xiita de Bagdad. as sanções decretadas pela ONU contra o Irão. teme-se que a haver uma mudança radical do poder na Síria. a partir de 2006. tolerante para com os seus irmãos curdos da Turquia o que. as multinacionais ocidentais da energia voltaram aos poços que dão acesso a 8. é que o antagonismo anti-iraniano cultivado por Saddam. de aspetos tão interessantes como a imunidade legal aos empreiteiros estrangeiros e às empresas de segurança privada. foram ignoradas totalmente pelos iraquianos que contribuíram assim para a inocuidade dessas sanções. como toda a gente já adivinharia. No Iraque. os EUA impuseram a transposição na lei.Irão. Mesmo durante a ocupação americana. procede a donativos aos palestinianos. deu lugar a uma ligação profunda dos iraquianos – povo e governo. quase todas. Constituiu-se um Curdistão iraquiano. No Iraque.Tanta@gmail.3% das reservas mundiais de petróleo. maioritariamente xiitas . Porventura. semi-independente. como a famigerada Blackwater. antes da invasão americana e inglesa. no Iraque. com a aplicação de um critério macabro de partilha a França assenhoreou-se de um terço do petróleo líbio. sobretudo aos corruptos de Ramallah. prenhes de artificialidades e contrassensos.assistencialista. dado que lhe coube um terço dos bombardeamentos efetuados (7). 4 . logo no início da conquista.

a CIA e o MI6 derrubaram Mossadegh. a CENTO. há muitas situações de tolerância relativamente aos rigores da lei islâmica. f) Começa então a guerra Irão-Iraque. o Iraque de Saddam Hussein pretendeu inverter a evolução democrática no Irão. a) O Irão do primeiro-ministro Mossadegh. Os iranianos só se livraram da dinastia Pahlevi em 1979. Insatisfeitos.com 12 19 fev 2012 12 .Tanta@gmail. quando foram entregues os funcionários da embaixada. humilhou a Inglaterra . hoje. em torno de Khomeini.que exercia uma suserania sobre o país desde 1913 – quando nacionalizou o petróleo controlado pela antepassada próxima da BP. apoiando o xá num regime despótico. mas sobretudo por razões económicas e políticas. organização militar dominada pelos EUA e Inglaterra mas. c) Ainda em 1979. 4. considerado pelo povo como um consequente opositor do xá. o Iraque. esta. onde participavam além do Irão.dentes do Pentágono. aproveitando as divisões entre partidários de Khomeini e a esquerda iraniana. b) Em 1953. dois anos depois. Entretanto.1 . nos anos 50 do século passado. não por razões estritamente naturalmente. como elos de cerco da URSS. após uma revolução democrática que depois foi suplantada pela aplicação da “sharia” imposta pelo clero xiita. refugiado nos EUA. sequestrando dezenas de funcionários para eventual troca pelo xá. com apoios internacionais muito desiguais. deixando destroços de aeronaves no deserto iraniano. para evitar qualquer contágio junto dos iraquianos xiitas e ainda retirar vantagens territoriais em áreas petrolíferas. o Paquistão e a Turquia. falharam estrondosamente. os EUA tentaram uma operação militar de resgate mas. no âmbito dessa revolução democrática. d) Com o derrube do xá. Na vida real. também em 1979. o antiamericanismo popular veio para a rua e os estudantes ocuparam a embaixada dos EUA. foi dissolvida. vendedora de armas a Grazia. congelaram os bens iranianos nos EUA que libertaram. os EUA e a Arábia Saudita financiam Saddam havendo também apoios do Egito e da URSS. porém.História recente das intervenções ocidentais no Irão militares. e) Em 1980.

Saddam. Porém. aimaks e pashtuns. por exemplo. respetivamente .2 – A matriz iraniana de relações externas A globalização.com 13 19 fev 2012 13 . em contrapartida de uma nova potência – a China – que se vem Grazia.Tanta@gmail. j) Em relação às intervenções militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão – nas suas fronteiras ocidental e oriental. recusou o uso do árabe e voltou ao farsi. Saddam terá descurado a homogeneidade política e cultural do Irão. Os apoiantes do Irão eram apenas a Síria e a Líbia. E isso a despeito da diversidade linguística e étnica. provocou um efeito perverso no habitual poder ocidental.como se terá pensado ou desejado após o desmoronamento da URSS . tadjiks. O Iraque tinha uma grande superioridade militar. um dos mais antigos estados do mundo que. Nesse sentido. mudou de campo quando os EUA se tornaram dominantes no apoio ao Iraque. Em vez de todos os estados e povos do mundo se perfilarem. o Irão não reconhece a existência de Israel e tem criado pontes políticas com a Síria. 4. o Hezbollah libanês e o Hamas palestiniano. i) A política externa do Irão que se sucedeu à guerra com o Iraque tem sido a do jugular da animosidade dos EUA e o rompimento do cerco e isolamento internacional proposto pelos EUA.contra 300000 iraquianos que até utilizaram armas químicas e bombardearam as instalações nucleares de Bushehr. sem prejudicar os laços históricos com a maioria xiita no Iraque (60% do total) ou com o Afeganistão.o Irão tem-se mantido cauteloso mas. na Mesopotâmia e na África do norte. pouco depois da islamização – ao contrário do que aconteceu na Síria. embora o Irão fosse bem mais populoso.500000/1 milhão de mortos . onde há afinidades linguísticas ou religiosas com hazaras. para a qual tanto pugnaram as multinacionais e o sistema financeiro. h) Essa desigualdade de forças fez com que as baixas iranianas tenham sido muito superiores. em submissa vassalagem para com os EUA . . g) Entre as forças militares no terreno havia grande desigualdade em homens e equipamento. O uso de armas químicas por Saddam desta vez não foi condenado porque o ditador estava do lado americano da guerra.o que se verificou foi um nítido enfraquecimento das economias e da capacidade de intervenção política das potências ocidentais.

c) A Leste e Norte do Irão. Neste contexto. para além da China. o Irão. a propósito do nuclear (ver 4.têm procurado um realinhamento político e económico. um “enclave” americano chamado Afeganistão. a África do Sul. Cazaquistão. face ao declínio económico ocidental.3 neste documento). A Turquia. a Mongólia (2006) e o Paquistão. a que se juntou o Uzbequistão. tal como é atravessada desde 2005 pelo BTC (Baku-Tiblisi-Ceyhan). aderiram como observadores. Quirguizistão e Tadjiquistão) criado em 1996. b) A política externa do AKP de Erdogan é a de se colocar como ponte entre o leste e o oeste e. tem assumido uma grande independência na cena internacional. o BTC transporta gás do Turquemenistão até Erzurum na Turquia. num outro plano. depois do desabar da URSS sentiu-se menos ameaçada.com 14 19 fev 2012 14 . e incrementando também as relações entre si. sem se descartar da NATO e das bases militares americanas. para impedir rotas do petróleo através da Rússia ou do Irão. a incorporar no projeto Nabucco. Nesse âmbito de ponte entre dois mundos. a) Duas dessas potências – Turquia e Irão – têm alicerçado fortes relações de cooperação.afirmando. a Turquia. cuja viabilidade está muito comprometida. as reservas energéticas da Rússia. do Grazia.Tanta@gmail. quase totalmente. as principais potências regionais do Oriente . a Turquia recebe gás do Irão através de duas condutas que saem de Tabriz. com o poder financeiro da China. a Índia. China. Por outro lado. estabeleceu pontes com as nações turcófonas da Ásia Central e. são vultuosos os seus investimentos ali. dirigindo-se para leste e sul. vai-se verificando uma reafirmação da Rússia e o surgimento de potências regionais como o Brasil e a Índia e. a partir dos “cinco de Xangai” (Rússia. Estes países rodeiam. mais e mais. assumindo recentemente. oleoduto dominado pela BP e com o alto patrocínio americano. estão os países ligados à OCX – Organização de Cooperação de Xangai nascida em 2001. com o Brasil. no que diz respeito ao Irão.Próximo e Médio . a Turquia entendeu que a entrada na UE não passa de uma quimera que entusiasma cada vez menos a população. o Irão. Mais tarde. com influência mundial. Em paralelo. e. d) A OCX – pese embora as rivalidades e até animosidades entre alguns dos seus membros ou observadores – tem uma existência que nada convém aos EUA. um relevante papel de intermediação na pressão americana sobre o Irão. Unir as enormes populações da China e da Índia.

Recentemente. em 1997 junto à fronteira entre os dois países. que preferiam transportar eletricidade do Tadjikistão através do Afeganistão. Este projeto não agrada aos ocidentais. manganês e cobre (13). Irão e Paquistão assinaram um acordo para a construção de um oleoduto ligando os dois países. Uma via de abastecimento é a partir de Chabahar. os dois principais membros efetivos do OCX vetaram os propósitos ocidentais quanto à Síria e não demonstram qualquer interesse em participar seriamente em sanções contra o Irão.Tanta@gmail. depois de vencidas as pressões americanas de vários anos. com eventual construção de um oleoduto submarino.com 15 19 fev 2012 15 . através de um sistema de trocas com gás iraniano. com ramais subsequentes que poderão atingir o Bangla Desh (10). f) Em março de 2010. fora do golfo Pérsico e onde a Índia investe no seu desenvolvimento. alumínio. h) Para além do petróleo e do gás.é um elemento estruturante na geopolítica mundial. g) Em janeiro de 2010 foi iniciada a trasfega do gás do campo de Dauletabad no sul do Turquemenistão e Khangiran no nordeste iraniano (11). chumbo. que ficariam sempre de fora (9). o Irão está colocado nos dez primeiros lugares mundiais na produção de zinco.Irão e do Casaquistão e ainda o poder militar da Rússia e da China para além de que quatro dos dez parceiros detêm armas nucleares . ligaria Bombaim a S. depois do início de uma outra ligação a oeste. para evitar a passagem por solo paquistanês. Um outro desenvolvimento estratégico seria a construção de um corredor multimodal que. O projeto visa o estabelecimento de ramais dentro do Paquistão e uma passagem para a Índia. com ramificações para a Europa e a Ásia Central. onde se integra na rede interna do Irão.3 . abrindo assim uma nova porta de saída para as imensas reservas turcomanas. tendo a infraestrutura em território iraniano sido completada em julho de 2011. que assim enviaria o seu gás para a Índia. porto a sudeste iraniano. Petersburgo.O nuclear iraniano Grazia. atravessando todo o território iraniano e o Turquemenistão. no Caspio (12). cobalto. 4. e) A Índia recebe uns 15% das suas necessidades energéticas a partir do Irão que é a sua fonte mais próxima de energia.

reatores de pesquisa em Tabriz. o que não acontece com mais nenhum país com centrais nucleares.Tanta@gmail.O programa nuclear iraniano foi iniciado nos anos 50. com a ajuda dos EUA e suspenso após a revolução de 1979. como impediu a retaliação israelita quando Saddam enviava mísseis Skud. à semelhança do que fez em Osirak. em março de 2010.com 16 19 fev 2012 16 . enriquecido a 20%. Ramsar e Teherão. porém. afirmando entretanto que esse programa de centrais nucleares se desenvolverá também em Arak e Darkhovin/Ahvaz para produzir 6000 Mw de eletricidade até 2010. em 1981. Revelando que o cão ladra sempre. secundados pelos aliados europeus e pela filial israelita. retomou o seu programa nuclear. Recusando as exigências ocidentais o Irão iniciou. vêm procedendo a acusações nunca fundamentadas de que existe um projeto oculto de produção de armas nucleares.5% por outro. expressa claramente que "o Irão é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Israel vem demonstrando o seu apetite por um bombardeamento das instalações nucleares iranianas. o Irão pediu a assistência da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) para a obtenção de combustível para a pesquisa com fins de uso médico. no Iraque. Em 2009. O dono. Para o efeito. primeiro e mais alto do que o dono. da tecnologia do enriquecimento e da transformação em combustível destinado ao Irão. As sanções aprovadas pela ONU iniciaram-se em 2006. outras instalações em Natanz e Isfahan e explorar as minas de urânio no sudeste (Saghand e Jasd). o Brasil e a Turquia elaboraram com o Irão (maio de 2010) um acordo sobre a troca de urânio a 3. tendo-se sucedido um conjunto de peripécias diplomáticas para o controlo ocidental da tramitação do material. a empresa alemã Kraftwerk Union AG. tem ou projeta ter. ligada à Siemens e à AEG Telefunken abandonaram a construção da central de Bushehr devido à pressão dos EUA. no âmbito da habitual utilização da instituição para dar cobertura aos interesses dos EUA e do resto da turma ocidental. depois de se refazer dos danos da guerra com o Iraque. em 1991. Desde essa retoma do programa nuclear os EUA. Militarmente essa ameaça é irrelevante”. A crispação americana tem infetado o processo de obtenção do combustível nuclear pelo Irão. o Irão. (fevereiro 2010) o enriquecimento do urânio a 20%. no âmbito de um acordo com a Rússia. Os EUA e os seus aliados propuseram então mais sanções contra o Irão e para distender a situação. sobre Israel. Em 1995. Grazia. nomeadamente para concluir Bushehr. Nessa ocasião. porém. tem a mão firme e vai impedindo a ação. Noam Chomsky. em Natanz. a ação mantém-se latente.

embora semelhante às propostas ocidentais não demoveram os EUA da aprovação de novas sanções contra o Irão. Há vários interesses geopolíticos em jogo. a auto-intitularem-se zeladores e intérpretes de quem tem. É um contrapeso a países como Arábia Saudita e Emirados Árabes.reafirmando “o direito de todos os países à investigação. um consultor da AIEA afirma que a quantidade do urânio armazenado pelo Irão tem estado estável há muito tempo e que “a possibilidade de o Irão continuar a fabricar uma arma nuclear com um estoque de urânio escondido é totalmente falsa”. excluindo a Coreia do Norte e o Irão dessa garantia. O Irão também tem relações com grupos palestinos. contudo.com 17 19 fev 2012 17 . a assumir a perpetuidade do seu arsenal nuclear e os dos outros membros do clube nuclear.” (17) Grazia. sem discriminação" (14). Este acordo. Claro que essa garantia valerá pouco dado o precedente perante o Japão em 1945 ou do uso de munições com urânio empobrecido no Iraque. produção e uso da energia nuclear. isso deve ser considerado com objetivos políticos e até a AIEA considera que o Irão só pode proceder ao enriquecimento até 20%. o urânio enriquecido a 20% não tem aplicação na produção de armas atómicas pois nestas é usado urânio a 80% (ou mesmo 90%. no âmbito da ONU. mormente de cariz nuclear.até prova em contrário . ou não tem direito a ter as tais armas. em 1991 ou. os EUA se arrogam a ter mais direitos do que os outros estados. não técnico. é evidente a ameaça. Por outro lado e pela mesma ocasião. Uma vez mais. que a paz e a segurança no mundo só teriam a ganhar se fossem desmanteladas todas as armas de destruição massiva. pois o Irão tem um papel de equilíbrio no Oriente Médio.armas nucleares. um facto político a ter em conta. contudo. uma manifestação evidente de hostilidade. aliados locais dos EUA. Segundo o mesmo técnico “Acredito que o problema não é a questão nuclear. Sabe-se. Sendo o Irão subscritor do TNP e não tendo . Ora. Entretanto. em 1999. (abril de 2010) Obama afirmou a nova doutrina nuclear americana segundo a qual os EUA não usariam armas nucleares contra países que não as possuam e subscrevam o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP (15).Tanta@gmail. que desestabilizam Israel. como na bomba enviada pelos EUA contra Hiroshima). na Sérvia. É. Acho que hoje o problema é político. com fins pacíficos. Embora Ahmadinejad tenha anunciado tanto a capacidade como o desinteresse do Irão em enriquecer o urânio a 80%.

numa fase em que a propaganda ocidental se mostra acesa na diabolização do Irão. Seth Jones. de lançar uma bomba nuclear.4 neste documento) mas. enganador continuar com a lenda do nuclear militar iraniano. a Índia. embora detenha umas 200 armas nucleares. o que. portanto. um ex-oficial americano. ali refugiados quando os EUA invadiram o Afeganistão. Para compor o ramo das acusações americanas contra o Irão. Essa capacidade atesta que Israel é uma fortaleza ocidental no Próximo Oriente e que faz parte do dispositivo militar-estratégico ocidental cuja cabeça é o Pentágono. para alvos a 11500 km de voo.A hipocrisia é enorme. Grazia. Na sequência da revisão do TNP em 2010 foi programada uma conferência para a desnuclearização do Médio Oriente e para a qual foram convidados todos os estados da região incluindo a entidade israelita. no Rio de Janeiro. apenas o abastecimento próprio (ver 4. bem como capacidade de as transportar nos seus mísseis Jericho. mesmo após a morte de bin Laden. cientista político senior da “recomendável” RAND Corporation. é aceitar uma discussão nos termos convenientes pelos EUA e pela sua filial israelita que visam apenas isolar o Irão e manter a supremacia americana e ocidental no Médio Oriente. Curioso mesmo é que esse facto só agora seja conhecido. que não assume a sua posse e cujo programa de armamento nuclear foi iniciado em 1967. a al-Qaeda continua a ser um argumento político útil ao Pentágono (19). dez anos depois do acontecimento. Esta capacidade detida por Israel. justifica todo o apoio financeiro. o Japão ou a Coreia do Sul. bem conhecida. por exemplo. Entre os refugiados afegãos no Irão (um milhão em 2003) nada custa a admitir que militantes da al-Qaeda se tivessem juntado à multidão para salvar a pele. É portanto. económico e diplomático ocidental à entidade israelita.Tanta@gmail. escreveu na revista Foreign Affairs um artigo onde revela a presença de milhares de membros da al-Qaeda no Irão. entre a CIA e a Mossad. bem longe da região de onde poderão surgir ameaças à sua segurança. terem o poder de interferir nos abastecimentos de rivais estratégicos como a China.com 18 19 fev 2012 18 . Esse controlo não significa para os acidentais. sobretudo. não é o produto de um delírio dos seus militares. A Índia e o Paquistão têm assumidamente armas nucleares e não assinaram o TPN. Pelo que se vê. A essa integração a nível militar deve juntar-se uma outra. o mesmo acontecendo com a entidade israelita. que não é signatária do tratado. É pior que enganador. com a colaboração francesa (18). bem como o controlo das suas fontes de energia. mormente os EUA.

a pobreza e o essencial apoio ao sistema financeiro. É a repetição do processo de vietnamização da guerra.a proteção preventiva. é também a repetição do processo iniciado no Iraque. as transformações sociais e políticas não são as necessárias ou as aceites pelo povo. de evolução virtuosa no caminho da democracia e da civilização.com 19 19 fev 2012 19 . a braços com o desemprego. pois quanto aos mercenários ninguém se importa que continuem no terreno e atuem sem escrutínio público. cujos resultados se conhecem e que não deixaram de ser considerados como uma derrota dos EUA e dos seus aliados. alivia os cofres do estado americano. Parece estar um curso uma estratégia militar de não invasão do território inimigo. dando a ideia de que a intervenção militar e a “ajuda” permitiram dotar os “nativos” de capacidades próprias e autónomas de sucesso futuro. Uma vez que as intervenções militares têm como objetivo muito específico satisfazer os interesses do invasor e ocupante. com a gestão da desordem administrativa.Tanta@gmail. constitui uma forma disfarçada de assunção de derrota. com a responsabilidade pela reconstrução de infraestruturas … mesmo que isso possa beneficiar empresas americanas. dos refugiados. a mais difícil e a geradora de mais custos humanos e financeiros para os invasores. Esses processos de passagem das responsabilidades militares para soldados locais tem ainda várias vantagens. Este ano (2012) os EUA iniciarão uma integração entre o exército afegão e as tropas ocidentais para dar ao primeiro mais experiência no combate aos talibãs mas. a gestão próativa das crises.muito dependentes dos fornecimentos energéticos provenientes do Golfo Pérsico. com a ocupação do seu solo. Talvez não esteja na agenda dos EUA uma nova guerra em larga escala. Estes processos constituem acima de tudo formas suaves de sair do terreno sem alcançarem uma vitória estatégica. anos atrás. Grazia. eliminando a ameaça do inimigo. também para reduzir substancialmente o combate direto dos ocidentais com os opositores da sua presença. colocadas na primeira linha das adjudicações. dos atentados. caem bem junto da opinião pública americana que vê os seus soldados regressarem a casa. e assim ter o poder de determinar a marcha das suas economias. Recorde-se que no novo conceito estratégico da NATO (2010) são definidas quatro fases de “gestão das crises” . e daí que a luta se reacenda e intensifique após a saída militar dos invasores. a utilização da força militar e a estabilização post-intervenção – reconhecendo-se ser esta última a mais cara. a mais demorada.

Mas. contando na região com o incondicional apoio da sinistra Mossad.Para evitar essa última fase. Grazia. a Arábia Saudita e os Emiratos podem funcionar como auxiliares mas. num jogo de bluff pouco promissor mas. como o foram dos británicos até à descolonização.Tanta@gmail. ou mesmo ações provocatórias com aviões não tripulados ou outras. a Casa Branca e o Pentágono estão bem conscientes. Porém. Para além da sua fortaleza israelita. contra 2. não têm um Saddam para confrontar o Irão e veem-se obrigados a estar numa primeira linha na confrontação. Por isso preferirão medidas de caráter económico.5% para o Irão. Esta assunção de debilidade estratégica torna-se mais clara perante a dimensão do Irão e dos contornos geopolíticos das suas imediações.com 20 19 fev 2012 20 . o que no estado calamitoso das economias ocidentais só viria a acentuar o seu declínio. tal como Israel. perigoso. com a intervenção de grupos especiais. não para protagonizarem. Neste aspeto. eventualmente criados em países vassalos da região do Golfo. adorariam que os EUA cilindrassem o Irão e ocupassem militarmente (ainda mais) a região pois isso garantiria a perpetuidade das várias casas reais do Golfo. essencialmente. Também no Bahrain e perante as manifestações populares foram tropas sauditas e dos Emiratos Árabes Unidos que intervieram para a manutenção do poder da familia al-Khalifa. como protetorados dos americanos. para além das guarnições de uns 30 navios. Derrotado Kadhafi e reafetos os direitos sobre os recursos petrolíferos a favor dos ocidentais. qualquer conflito militar no Golfo iria afetar. os EUA em 2012. ninguém se parece preocupar com a concertação entre os vários grupos armados. nem muito menos com a reconstrução dos danos causados pela guerra. uma confrontação direta com o Irão. todo o sistema mundial de distribuição da energia e os seus preços (acrescido em mais 30% segundo o FMI) (20). que se digladiam entre si. na Líbia. com duração indefinida. diferentemente ao acontecido em 1979. em 2007. a intervenção militar baseou-se nos bombardeamentos. na utilização da recolha de informação e no apoio logístico aos grupos armados anti-Kadhafi. assassínios e sabotagens. E disso. apesar de se situar no Bahrain a sede do comando da V Esquadra americana e dos militares ali presentes rondarem os 5000.2% do PIB em 2010. sequelas da intervenção ocidental. por procuração. a Arábia Saudita seria o melhor colocado pois os seus gastos militares correspondem a 11.

comparativamente a 1995 e de acordo com elementos publicados pela CNUCED.1 Turquemenistão 58.4 Emiratos Ár. com as terceiras maiores reservas.com 21 19 fev 2012 21 . Em 2010. Grazia. ao mesmo tempo que investe nas renováveis (e daí o seu interesse pela EDP).Tanta@gmail. sobretudo. revelam as enormes reservas existentes nas margens do Golfo Pérsico e. a penúria estratégica da China e dos EUA.0 189. destacamos os elementos seguintes sobre o comércio externo iraniano e que revelam a enorme relevância dos produtos energéticos nas exportações. (anos de produção – nível de 2010) Petróleo Mundo Arábia Saudita China EUA Irão Iraque Kuwait México Rússia Venezuela Gás natural 46.no que se refere ao gás.9 117. em contrapartida. Note-se que os produtores europeus de gás têm reservas relativamente limitadas. para o petróleo e para o gás natural.9 Irão 10. que os obriga a garantir no exterior os seus abastecimentos energéticos. almejada desde os tempos do último dos Palehvi. 128. os ratios reservas comprovadas/produção.8 anos.0 28. o Irão procurará garantir uma duração maior das suas reservas e das exportações energéticas.6 12.0 76. em valores absolutos no capítulo do petróleo – depois da Arábia Saudita e da Venezuela . porque detém no seu território grandes quantidades dos dois mais versáteis dos combustíveis fósseis.4. O Irão. criando uma alternativa nuclear. Un.4 Assim como a China vem desenvolvendo afanosamente um ambicioso plano de construção de barragens hidroelétricas e centrais nucleares.6 13.8 217.O impacto das sanções energéticas decretadas pela UE Em 2010. torna-se no país com maior relevância em termos energéticos.6 Qatar 20.0 Argélia 11.3 CChina 88.4 .6 56.2 Mundo 72. Holanda 17 e Inglaterra 5.4 Arábia Saudita 10.6 Rússia 234.1 EUA 110. referidas ou calculadas a partir de informação contida no Statistical Review of World Energy relativo a 2010.e as segundas – depois da Rússia .3 anos. medidas atraves do ratio acima referido – Noruega com 18.6 213.

A partir de 2007. espera-se que a retaliação.4 vezes A repartição espacial das exportações iranianas em geral e dos produtos energéticos revela as transformações estruturais do comércio e da produção mundiais que se consubstanciam no declínio do domínio ocidental após cerca de três séculos de predomínio. são muitos os fatores que afetam os preços. Essas transformações globais provocam tensões. entrarão no jogo do boicote. bruto ou refinado Variação das exportações de gás. decerto saberão que daí não surgirão dificuldades inultrapassáveis para o Irão. não estarão muito dispostos a acertar o passo com a UE recusando o petróleo iraniano. e. por exemplo.5 vezes 5. estas. de suspender as exportações petrolíferas para França e Inglaterra. Os equilíbrios nas transações energéticas são normalmente instáveis e. evidenciam o crescimento do peso da China desde então e o da Índia. Nos últimos quinze anos assiste-se a uma quebra constante do peso do conjunto dos países da Europa “desenvolvida” no total das exportações de petróleo bruto ou dos seus refinados: 42. pelo Irão. anunciada a 19 de fevereiro. não venha a constituir mais um elemento de sacrifício para os povos europeus O mais provável será uma reafetação da logística das origens e dos destinos. o conjunto das exportações iranianas para a China e a Índia ultrapassa claramente as que se dirigem para a Europa. E. a partir de 2006. em conjunto. até porque o dinamismo económico que vivem tornam-nos ávidos de petróleo e pouco dispostos a colaborar com elementos de instabilidade no fornecimento energético.Variação do total das exportações Variação das exportações de petróleo. Entre os principais clientes do Irão. conflitos e ajustamentos estratégicos que re-hierarquizam os estados. o Japão e a Coreia do Sul só muito relutantemente e perante fortes pressões ocidentais. a China e a Índia.com 22 19 fev 2012 22 .7vezes 14.Tanta@gmail. Grazia. natural ou não Variação da restante exportação 5. A perda de posição dos países europeus e. em menor escala. eram irrelevantes no contexto das exportações iranianas em 1995 mas.3 vezes 4. é nitidamente compensada pelo relevo crescente das importações chinesas e indianas. dentro da proverbial sapiência dos burocratas. Quando os burocratas da UE decidiram cancelar as importações petrolíferas do Irão a partir de julho. por outro lado. para mostrar serviço à suserania estratégica dos EUA. do Japão e da Coreia do Sul.5% em 2010.8% em 1995 e somente 22. com ou sem redução da exportação global do Irão.

embora em anos recentes tenha tido maior representatividade.Tanta@gmail. em 2010 apenas 2. Grazia.3% das exportações totais. contra 79. Dentro desse contexto.3% do petróleo e dos seus refinados no mesmo ano.E x p o rta ç õ e s ira n ia n a s d e p e tró le o e d e riv a d o s 100% 80% 60% 40% 20% 0% 09 20 98 96 00 02 04 05 06 07 99 95 97 01 03 19 19 20 20 20 20 20 20 08 19 19 19 20 20 20 20 10 Eur opa des env China India Japão+Coreia Sul Outros Fonte primária:CNUCED A exportação iraniana de gás representa.com 23 19 fev 2012 23 .8% do total. a importância relativa da Europa “desenvolvida” representa apenas 7.

em seguida.9 7.8 14.4 30. essencialmente. (%) Europa Países da ex-URSS Médio Oriente Norte de África África Ocidental Outros Grazia.com 24 EUA 49.5 19.6 Canadá América Sul e Cent.5 13.6 9.7 18. 2010.9 14.Tanta@gmail. tomando de empréstimo elementos colhidos na Statistical Review of World Energy relativa a 2010.2 24 20 10 . por outro.E x p o rta ç õ e s ira n ia n a s d e g á s 1 00 % 80 % 60 % 40 % 20 % 0% 99 00 01 02 03 04 05 95 96 97 98 06 07 08 09 20 20 20 20 20 20 20 20 20 19 19 19 19 19 20 Eur op a d es env Chin a Ind ia Ja pã o+Co re ia Su l Ou tro s Fonte primária:CNUCED Avalie-se. O peso dos fornecimentos provenientes do Médio Oriente é maior na Europa do que nos EUA. Médio Oriente África Ocidental Outros 19 fev 2012 21. A importação global de petróleo bruto ou refinado por parte da Europa e dos EUA tem um quantitativo próximo – 12094 mil barris/dia no primeiro caso e 11689 mil barris/dia para os EUA. a estrutura das importações da Europa e dos EUA para se aquilatar a dependência face aos fornecedores do Médio Oriente. para o ano de referência. por um lado e. Notam-se ainda diferenças nítidas relativas à posição geográfica mas. as sanções podem conduzir a uma maior dependência da Rússia. no que concerne ao grau de concentração nas quatro principais áreas fornecedoras da Europa. o que no primeiro caso. dos EUA.

os intervenientes europeus demonstraram não ter um dispositivo adequado e.globo. Quando se fala de guerra.... pois as guerras do Império não são simpáticas na Europa.net/2012/01/21/libia-sede-do-cnt-invadida-e-saqueada/ (3) http://oglobo. na intervenção na Líbia.html http://pt.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.php?template=SHOWNEWS_V2&id=533239 .tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=2271069&tag=L%EDbia http://www.htm (4) http://www. em 2005.com.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.jornaldenegocios. em matéria de geopolítica.pt/home.iol.com 25 19 fev 2012 25 http://www. já que os submarinos ainda não tinham entrado ao serviço. com o seu exaltado ar de pregador..tvi24...aspx?content_id=2256946&tag=L%EDbia http://www. parece um Torquemada a exortar à queima dos infiéis iranianos. Aliás. Todos nos recordamos também da emanação do seu integrismo católico contra o chamado “barco do amor” que transportava militantes em defesa da IVG. contra o qual se ridicularizou com o envio de uma canhoneira.Tanta@gmail.É duvidoso que os EUA se queiram envolver numa nova guerra de grande extensão territorial e temporal.com/mundo/saida-do-iraque-marca-fim-das-grandes-intervencoesdos-eua3457957#ixzz1l9bIJJSW http://noticias. beneficiando da ignorância ou da subserviência do jornalismo luso.pt/internacional/tripoli-libia-tvi24-confrontos-tiroteio/1322018-4073. Portas. nem sequer conseguiram manter um abastecimento adequado em munições da frente de combate (21). ou o protagonista de um festival pimba da mentira.euronews.br/ultimas-noticias/efe/2012/01/24/diferentes-ataques-no-iraquedeixam5-mortos-e7-feridos.---------Notas: (1) (2) http://www.-. ao aterrar na colónia ibérica da Troika..euronews.. e os seus aliados europeus muito menos. é incontornável recordar que todos os submarinos têm portas sendo único o caso de Portas que fazem lembrar submarinos.tsf. .uol.net/2012/01/26/msf-suspende-operaces-em-localidade-libia/ http://pt.aspx?content_id=967511&page=-1 Grazia.-.

org/wiki/Programa_nuclear_iraniano http://pt.shtml http://www.S.php?template=SHOWNEWS_V2&id=533853 (21) http://www.jornaldenegocios.php?id=100841 (8) (9) (10) (11) ne (12) (13) (14) (15) U.org/wiki/Iran-Pakistan-India_gas_pipeline http://en.pt/home.wikipedia.com/doc/43856384/The-Pentagon-and-the-NATO (7) http://www.org/wiki/Korpeje%E2%80%93Kordkuy_pipeline http://pt.wikipedia.wikipedia.org/wiki/Dauletabad%E2%80%93Sarakhs%E2%80%93Khangiran_pipeli http://en.br/conteudo/noticias/4120/conteudo+opera.wikipedia.scribd.org/pt/blue/2009/10/456849.wikipedia.shtml http://www. 27 de junho.com.Tanta@gmail.wikipedia.com/Artigos/item/18813 http://www.org/wiki/Pa%C3%ADses_com_armamento_nuclear http://operamundi.org/nuke/guide/israel/nuke/ http://www.com 26 19 fev 2012 26 .com/doc/30507981/O-Pentagono-e-a-NATO-Gastos-militares-earmamentos http://www.scribd.monitormercantil.org/wiki/Chah_Bahar#Chabahar_Port http://en.wikipedia.(5) (6) http://www.angonoticias.uol.foreignaffairs.midiaindependente.org/wiki/Tratado_de_N%C3%A3o_Prolifera%C3%A7%C3%A3o_de_Armas_Nu cleares (16) (17) (18) (19) (20) http://pt.br/mostranoticia. 2004 http://en.com/articles/137061/seth-g-jones/al-qaeda-in-iran http://www.presseurop.asp http://pt.com/Irao-Negocios-Economia.eu/pt/content/article/714431-europa-sem-armas-face-crises Grazia. Edicts Curb Power Of Iraq's Leadership.fas.reingex.com.

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